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Rio Open, dia 2: a recompensa pela adaptação de Thomaz Bellucci
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Alexandre Cossenza

Se não foi o melhor dos cenários, o sorteio para estrear contra Kei Nishikori nunca foi a mais azarada das possibilidades para Thomaz Bellucci (e eu falei sobre isso nesta análise para o Rio Open). Com uma atuação competente e taticamente (quase) impecável, o brasileiro mostrou que adaptação faz diferença. Chegou cedo ao Rio de Janeiro, acostumou-se à quadra central e às bolas. Estava afiado para a estreia. O japonês, que estava em Buenos Aires até segunda-feira, deixou nítida a diferença. No grande jogo do dia, Bellucci derrubou o cabeça 1 do Rio Open e avançou às oitavas de final por 6/4 e 6/3.

Só que a terça-feira carioca também teve uma bela virada de Thiago Monteiro sobre Gastão Elias, além de Dominic Thiem, cabeça 2, confirmando seu favoritismo sobre Janko Tipsarevic. O resumão do dia traz análises dos jogos mais importantes, o que rolou de bom nas entrevistas coletivas e o que esperar da quarta-feira, que estará cheia de duplas. É só rolar a página e ficar por dentro.

Bellucci preciso, paciente e empolgante

Thomaz Bellucci apostou na regularidade. Devolveu os saques de Kei Nishikori lá do fundão, colocou bolas em jogo e acreditou que a consistência seria recompensada. O japonês, que chegou ao Rio só na segunda-feira cansado de uma semana longa em Buenos Aires, deixou nítida sua falta de adaptação ao torneio carioca. Enquanto Bellucci alongava as trocas de bolas, Nishikori cometia erros e perdia a paciência.

Nishikori nem conseguiu aproveitar quando Bellucci desperdiçou a quebra de vantagem depois de abrir 40/0 no quarto game. O brasileiro continuou com o mesmo plano de jogo e foi recompensado, quebrando uma indesejável série de 22 derrotas diante de adversários do top 10. A última havia sido contra Janko Tipsarevic (então #8) em Gstaad/2012.

O tênis mostrado por Bellucci nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, foi um pouco do que todos gostam e sabem que ele pode jogar. Em vez de atacar o tempo todo e cometer pilhas de erros não forçados, conteve o instinto afobado, se defendeu bem e exigiu que o adversário fizesse uma boa partida para vencê-lo. Nishikori não conseguiu, e o paulista avança às oitavas de final para encarar Thiago Monteiro.

Nas coletivas, Nishikori, primeiro a aparecer, disse que as condições do Rio estão muito diferentes das de Buenos Aires e que nada deu certo no seu jogo. O japonês disse até que foi sua pior partida dos últimos anos e que, para ele, Bellucci nem fez um grande jogo.

“O quique é muito alto, e as bolas são muito pesadas. As bolas foram o mais difícil de me acostumar. Não consegui sentir nada. Não era meu dia. Não acho que ele também jogou um grande tênis.”

Bellucci concordou parcialmente. Disse que não foi o melhor jogo de sua vida, mas obviamente saiu contente com sua postura tática e com o resultado. E afirmou também que teve sua parcela de mérito pela noite ruim de Nishikori. Bellucci só não abriu o jogo quando foi indagado sobre os resultados dos sets disputados contra Monteiro nos treinos. Respondeu “Ah, não vou dizer” e sorriu. Depois, disse “é pau a pau” e riu um pouco mais, feliz da vida.

Um ano depois, um Thiago Monteiro mais “parte desse meio”

Não foi um começo de Rio Open para Thiago Monteiro. Em compensação, sobraram foco e esforço para superar os momentos delicados e bater o português Gastão Elias por 2/6, 7/6(4) e 6/4. O cearense perdeu o serviço nas duas primeiras vezes que sacou e viu um Elias mais sólido disparar na frente e fechar o set.

A segunda parcial já foi bem diferente, o Monteiro confirmando com mais facilidade, só que ainda faltava ameaçar o serviço do português. O cearense, então, se viu em um momento delicadíssimo quando sacou em 3/4 no tie-break. Mesmo assim, jogou dois pontos com o segundo serviço e se safou. Elias, que errou por centímetros uma direita que lhe daria um mini-break, acabou vacilando em seguida. Foi aí que o jogo mudou de vez.

No set decisivo, Monteiro quebrou Elias no terceiro game. O português, frustrado com as chances perdidas (também perdeu três break points no segundo game do terceiro set), atirou a raquete no chão, discutiu com o público e viu a banda passar. Ainda teve pequenas chances, mas nada concreto.

Na coletiva, Monteiro, um ano depois do triunfo sobre Jo-Wilfried Tsonga que praticamente iniciou sua ascensão rumo ao top 100, falou sobre como é mais reconhecido pelos adversários e o quanto isso faz bem à sua carreira.

“Eu tenho treinado mais com eles, conhecido melhor alguns. É bom ter essa relação, poder marcar um treino em algum lugar específico também. Isso tem sido um fator importante, é legal ter esse reconhecimento. Eu me sinto cada vez mais fazendo parte desse meio, então isso é importante para mim.”

Thiem em seu habitat preferido

As condições são ideais e, mesmo sem estar (ainda) tão à vontade no Rio de Janeiro, Dominic Thiem mostrou por que é favorito ao título do evento – ainda mais agora, após a eliminação de Nishikori. O austríaco ficou bem confortável muito atrás da linha de base, usando a velocidade da quadra e o quique das bolas pesadas para se impor diante de Janko Tipsarevic por 6/4 e 7/5.

Os coadjuvantes (por enquanto?) de luxo

Do jeito que a organização precisou encaixar os jogos, a Quadra 1 foi palco de três jogos bastante interessantes. Primeiro, Fabio Fognini bateu Tommy Robredo por 6/2 e 6/4. Depois, Pablo Carreño Busta eliminou Feijão por 6/3 e 6/2. Por último, Alexandr Dolgopolov aumentou a fase ruim de David Ferrer ao aplicar 6/4 e 6/4.

Ferrer agora soma três derrotas consecutivas e um retrospecto total de três triunfos e cinco reveses em 2017. O espanhol, que chegou ao Rio falando que estava sendo difícil se acostumar a perder com mais frequência do que o habitual, acaba amargando mais um resultado negativo.

Dolgopolov, por sua vez, soma sua sexta vitória seguida. O ucraniano, campeão em Buenos Aires, bateu Tipsarevic, Cuevas, Gerald Melzer, Carreño Busta, Nishikori e Ferrer no período. Uma sequência invejável e que o coloca como sério candidato ao título no Rio, já que Dolgo não teve os mesmos problemas de adaptação que Nishikori – ou, pelo menos, não sofreu com a mesma intensidade.

Duplas: o melhor da quarta-feira

O terceiro dia do Rio Open não tem lá uma programação das melhores para a quadra central, mas compensa com uma empolgante Quadra 1, com brasileiros em todos os jogos. Além dos times de Bruno Soares e Marcelo Melo, que são cabeças de chave 1 e 2, Bellucci e Monteiro jogam juntos antes de seu duelo nas simples, e André Sá tenta deslanchar na temporada 2017.


RG, dia 11: o Djokovic dos US$ 100 milhões e o Andy estrategista
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Alexandre Cossenza

Eis que tivemos um dia quase normal em Roland Garros. Favoritos vencendo, franceses perdendo jogos importantes e alguns nomes importantes correndo por fora e jogando bem. O post de hoje (que chega mais tarde por causa de compromissos pessoais inadiáveis) fala da rodada e do que esperar dos ótimos confrontos marcados para os próximos dias. Que tal ler e opinar?

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O homem de US$ 100 milhões

Novak Djokovic fez bem seu dever de casa. Fechou rapidinho o terceiro set (o placar mostrava 4/1 quando o jogo foi interrompido ontem) e fez um competente quarto set, no qual ganhou poucos pontos de graça de Roberto Bautista Agut (#16). O número 1 sacou atrás no placar a parcial inteira, mas não permitiu que a pressão para evitar um quinto set lhe tirasse o foco. Pelo contrário. Quando sacou com 4/5 e esteve a três pontos de perder a parcial, não deu chances ao espanhol. No fim, fez 3/6, 6/4, 6/1 e 7/5.

A vitória desta quarta-feira faz com que Djokovic se torne a primeira pessoa a acumular mais de US$ 100 milhões em prêmios em dinheiro no tênis.

Os favoritos não tão ricos

Se jogar quatro partidas em quatro dias vai pesar contra Serena Williams, nós vamos descobrir lá na frente. Por enquanto, talvez a consciência de que haverá pouco tempo para recuperação física tenha ajudado a número 1 do mundo. Nesta quarta, a americana entrou em alto nível e permaneceu jogando assim durante 1h02min. Foi o tempo necessário para despachar a ucraniana Elina Svitolina por 6/1 e 6/1 e avançar às quartas. Serena agora vai enfrentar Yulia Putintseva (#60), que bateu a espanhola Carla Suárez Navarro (#14) por 7/5 e 7/5.

Mais tarde, foi a vez de Garbiñe Muguruza (#4) fazer Shelby Rogers (#108) aboborizar e voltar à Terra, fazendo 7/5 e 6/3. A americana, no entanto, não se despediu sem uma boa luta. Teve set point sacando no primeiro set e, mesmo depois de ver a espanhola vencer sete games seguidos, abrindo 3/0 na segunda parcial, lutou e buscou o empate. No fim das contas, porém, Muguruza tinha mais de onde tirar e avançou às semifinais.

Quadrifinalista em 2014 e 2015, a espanhola vai à sua primeira semifinal em Roland Garros e jogando bem. Desde o susto da estreia, não perdeu sets. Ainda que não tenha atravessado um caminho tão espinhoso, é importante dizer que Muguruza somou ótimas atuações desde a segunda rodada.

O próximo desafio será tão duro de prever quanto o nível de tênis que sua adversária, Sam Stosur (#24), mostrará no dia. A australiana conquistou a vaga entre as quatro melhores do Slam francês também derrubando alguém que não esperava estar nas quartas: Tsvetana Pironkova (#102), por 6/4 e 7/6(6).

Não arrisco palpite. O consenso é que Muguruza é favorita, o que faz sentido, já que a espanhola, em um dia normal, é mais consistente do que Stosur. As duas tenistas, porém, são capazes de viver dias pavorosos ou de atuações memoráveis como a vitória da australiana sobre Serena Williams na final do US Open.

O jogo mais esperado

Andy Murray (#2), em sua melhor temporada no saibro, contra Richard Gasquet (#12), queridinho da torcida e fazendo a melhor campanha da vida em Roland Garros. Por dois sets, a expectativa foi correspondida. Lances bonitos, ralis equilibrados, curtinhas e toda oscilação que normalmente é esperada de ambos. Murray sacou para fechar os dois primeiros sets, mas só venceu o segundo – e, mesmo assim, no tie-break. Parecia que muito jogo ainda rolaria, mas o francês sucumbiu, e o britânico fez 5/7, 7/6(3), 6/0 e 6/2.

Importante destacar o plano de jogo do escocês, cheio de curtinhas. Estratégia difícil da aplicar. Exige uma precisão monstruosa. Murray errou em momentos delicados, mas também ganhou três pontos com drop shots no tie-break. Funcionou bastante contra Gasquet por uma série de motivos. Primeiro porque o francês joga muito afastado da linha de base. Segundo porque Murray quase sempre buscava o backhand do francês, e todo mundo sabe o quão difícil é fazer um backhand de uma mão só em uma bola baixa e perto da rede. E, por último, não é segredo que o preparo físico não é o forte de Gasquet. Talvez isso ajude a explicar as parciais folgadas dos dois últimos sets.

Quem espera Murray nas semifinais é o atual campeão, Stan Wawrinka, que navegou pela chave mais fácil do torneio, teve tempo de calibrar seu tênis e fez provavelmente sue melhor jogo nesta quarta, ao eliminar Albert Ramos Ramos Viñolas (#55) por 6/2, 6/1 e 7/6(7).

A grande questão agora é: Wawrinka ou Murray? Páreo duro, não? Nenhum dos dois fez um torneio exatamente consistente. O britânico sofreu mais, mas pegou um caminho mais complicado. Em compensação, chega à semi forte, saindo de uma vitória em um jogo complicadíssimo e que apresentou desafios não tão diferentes dos que vai encontrar na semifinal. Stan, por sua vez, ainda não foi testado de verdade. A seu favor pesa o histórico diante de Murray no saibro: três vitórias em três partidas.

Opinião: sempre coloquei Murray como mais cotado do que Wawrinka em Paris, mas por um motivo simples. Acreditei que o suíço tinha mais chances de ficar pelo caminho. No confronto direto, não vejo essa vantagem do britânico. Embora as casas de apostas deem o favoritismo ao número 2 do mundo, eu colocaria minhas fichas (se as tivesse!) no atual campeão.

Bacana ver o respeito que Wawrinka tem por Murray e pelo chamado Big Four. O suíço, dono de dois títulos de Slam (mesmo número do rival), continua afirmando que a carreira do escocês é muito superior. A declaração desta quarta, reproduzida pela BBC no tweet acima, é bastante consciente.

A zebra

Quando a chave foi divulgada, quem imaginaria que Kiki Bertens (#58) estaria nas quartas de final? A holandesa, que estrearia contra a campeã do Australian Open, Angelique Kerber, era carta fora do baralho. No entanto, aconteceu. Em quatro jogos, Bertens eliminou três cabeças de chave. Kerber na estreia, Kasatkina na terceira rodada e, hoje, Madison Keys (#17) por 7/6(4) e 6/3. E agora, quem vai dizer que a holandesa não tem chances contra Timea Bacsinszky (#9)? A suíça, no entanto, vem de um triunfo por 6/2 e 6/4 contra Venus Williams (#11) e deve ser considerada favorita aqui.

Os brasileiros

Marcelo Melo e Ivan Dodig voltaram à quadra nesta quarta e venceram mais uma vez. As vítimas do dia foram Florin Mergea e Rohan Bopanna, que perderam por 6/4 e 6/4. A duas vitórias do bicampeonato em Paris, a dupla de brasileiro e croata manteve Marcelo na briga pelo número 1, já que Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert foram derrotados nesta quarta – uma vitória garantiria a Mahut a liderança do ranking mundial.

A briga agora continua com Marcelo Melo e Bob Bryan vivos no torneio. Se um dos dois for campeão, sai de Paris no alto da lista da ATP. Se nenhum deles, levantar o troféu Mahut ficará com o número 1. Nas semifinais, Melo e Dodig esperam os vencedores do jogo entre Feliciano e Marc López e os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin.

Nas duplas mistas, Bruno Soares finalmente venceu o jogo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina derrotaram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey por 7/5 e 7/6(3) e avançaram às quartas de final e vão enfrentar Martina Hingis e Leander Paes. Confronto nada, nada fácil.

Correndo por fora

Em outros tempos, seria uma grande surpresa. Hoje, com David Ferrer (#11) mostrando um tênis bastante aquém do seu melhor, era até esperada a vitória de Tomas Berdych (#8), que fez 6/3, 7/5 e 6/3 e avançou às quartas de final.

Ao contrário do que parece um consenso, não acho que o saibro seja um piso ruim para o tcheco. Sua direita, que tem uma preparação mais longa, se beneficia do tempo adicional que o piso lhe dá para armar o golpe (lembram de Robin Soderling?). Alem disso, Berdych não precisa se abaixar com tanta frequência porque o slice não é tão usado na terra batida. Ainda assim, o tcheco entra nas quartas como azarão gigante diante do número 1 do mundo.

Dominic Thiem (#15) finalmente alcançou as quartas de um Slam. Tudo bem que não foi o mais duro jogo de oitavas de sua carreira, pois Marcel Granollers (#56) só avançou porque Rafael Nadal voltou para Mallorca. Ainda assim, o austríaco fez o que tinha a fazer: 6/2, 6/7(2), 6/1 e 6/4. Thiem agora enfrentará David Goffin (#13), que venceu de virada Ernests Gulbis (#80) por 4/6, 6/2, 6/2 e 6/3.

O letão, derrotado, é que não saiu muito feliz de quadra e mal cumprimentou a árbitra de cadeira, Eva Asderaki-Moore. Há quem diga que Gulbis confundiu a grega com a portuguesa Mariana Alves, com quem ele teve um problema sério em Monte Carlo, alguns anos atrás.


RG, dia 7: blecaute, lágrimas de Tsonga e oitavas de final definidas
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de grandes zebras – apesar dos modelitos da adidas – em Roland Garros. Sim, Ana Ivanovic se despediu numa partida em que ela era realmente favorita, mas os demais resultados foram mais ou menos de acordo com o esperado. Os destaques do dia ficaram por conta da desistência de Jo-Wilfried Tsonga, do aperto que Serena Williams passou em um set (um só) e da definição das oitavas de final do torneio. O que rolou de melhor está logo abaixo.

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O apagão

O dia não foi fácil em Roland Garros. Não bastasse a chuva causar um grande atraso na programação, um raio (um dos muitos que causaram uma série de incidentes na capital francesa) causou um blecaute no complexo, deixando o Slam francês sem conseguir transmitir a maioria das partidas. Apenas na Philippe Chatrier, a quadra central, havia uma câmera solitária, que mostrava um ângulo parecido com a de games de tênis. Foi assim, sem geração de caracteres, que o Bandsports mostrou o tie-break decisivo de Serena x Mladenovic.

Os favoritos

Serena Williams (#1) venceu em dois sets, mas com mais trabalho do que o previsto e, por que não, do que o necessário. A americana precisou de mais de duas horas para se livrar da francesa Kristina Mladenovic (#30) por 6/4 e 7/6(10), depois de salvar um set point, mas é preciso apontar que Serena perdeu chance atrás de chance na parcial.

Foram dois break points desperdiçados no quarto game, outras quatro chances perdidas (inclusive um 0/40) no sexto e mais um break point não convertido no oitavo. No próprio game de desempate, a número 1 do mundo teve quatro match points – um deles, com um smash muito mal executado – antes de fechar a partida no quinto. De modo geral, não chega a ser uma atuação preocupante, já que Serena esteve em controle no placar o tempo quase todo, mas ela deve saber que não poderá vacilar assim daqui a alguns dias.

Já no fim do dia, Novak Djokovic bateu o britânico Aljaz Bedene (#66) por 6/2, 6/3 e 6/3. O número 1 do mundo, mesmo não jogando um tênis espetacular desde a estreia em Paris, segue como favorito ao título. Difícil avaliar com mais profundidade do que isso baseado em adversários que não significaram ameaça real (Lu, Darcis e Bedene).

Os brasileiros

André Sá, ao lado de Chris Guccione, venceu mais uma. Por 6/1, 6/7(5) e 6/3, mineiro e australiano derrotaram Leo Mayer e João Sousa e conquistaram uma vaga nas oitavas de final. Os adversários são o conterrâneo Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig, atuais campeões de Roland Garros.

Atual número 52 do mundo nas duplas, Sá já repete seu resultado de Paris em 2015, quando jogou com Máximo González. Agora, tenta dar um passo a mais e alcançar as quartas, algo que não consegue desde o US Open de 2007. Naquele ano, Sá ainda fazia parceria com Marcelo Melo.

Quem também jogou e venceu foi Bruno Soares, mantendo vivas as chances de seu parceiro, Jamie Murray, sair de Roland Garros como número 1. Brasileiro e britânico bateram os franceses David Guez e Vincent Millot por 6/2 e 7/6(5). Nas oitavas, enfrentarão Leander Paes e Marcin Matkowski.

Para quem se interessar, a matemática da briga pela liderança do ranking de duplas está mastigadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Pelas duplas mistas, a partida de Bruno Soares e Elena Vesnina contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey acabou adiada por conta do atraso pelo mau tempo. O jogo foi remarcado e será o último da Quadra 3 neste domingo.

Aproveitando a chance

Entre os homens, Dominic Thiem (#15) voltou a derrotar Alexander Zverev (#41): 6/7(4), 6/3, 6/3 e 6/3. Foi a segunda vitória do austríaco sobre o alemão em uma semana (eles também fizeram a final de Nice) e a terceira na carreira. Os dois também jogaram a semifinal do ATP de Munique, em abril deste ano.

São dois jovens talentosos, mas que ainda pecam por escolhas equivocadas de jogadas – especialmente Zverev, três anos mais jovem (tem 19 de idade) e que tende a perder o rumo da partida quando as coisas não acontecem como o esperado. Neste sábado, ficou claro que o jogo no saibro é muito mais natural para Thiem, que parece muito mais convicto do que fazer em quadra.

Sobre a rivalidade das duas “promessas”, foi bacana o abraço junto à rede ao fim da partida. Que o respeito continue.

O austríaco, agora, tem uma chance de ouro graças à desistência de Rafael Nadal. Nas oitavas, vai encarar Marcel Granollers e, se passar, terá nas quartas de final Gulbis ou David Goffin (#13), que bateu Nicolás Almagro (#49) em cinco sets: 6/2, 4/6, 6/3, 4/6 e 6/2.

O belga não foi espetacular, mas oscilou menos que Almagro e foi melhor nos muitos pontos importantes. No entanto, a essa altura, já não é tão difícil imaginar Dominic Thiem nas semifinais de Roland Garros, certo?

Quem vive situação parecida é Carla Suárez Navarro (#14), que venceu um jogo duro contra Dominika Cibulkova (#25) neste sábado: 6/4, 3/6 e 6/1. A espanhola, que está sempre fora dos radares (foi assim que chegou às quartas do Australian Open deste ano), pode muito bem aproveitar o buraco deixado por Victoria Azarenka em sua seção. Nas oitavas, vai encarar Yulia Putintseva (#60) e é favorita para vencer e igualar sua melhor campanha em Paris, onde também foi às quartas em 2008 e 2014.

Correndo por fora

Três jogos, três vitórias em sets diretos. Timea Bacsinszky (#9) continua fazendo seu dever de casa, ainda que com certos altos e baixos. Neste sábado, vindo de triunfo sobre Eugenie Bouchard, a suíça despachou a francesa Pauline Parmentier (#88) por 6/4 e 6/2. Ainda parece cedo para dizer se Bacsinszky, semifinalista em 2015, é uma séria candidata ao título de 2016? Talvez seu próximo jogo, contra Venus Williams (#11) deixe o cenário mais claro.

Sobre a americana, vale lembrar que a vitória sobre Cornet por 7/6(5), 1/6 e 6/0, antes mesmo que a francesa tivesse tempo de sentir cãibras, vale sua primeira aparição nas oitavas de final de Roland Garros desde 2010. Minha opinião? Venus já está no lucro e pode jogar livre, leve e solta contra Bacsinszky. A questão é saber o quanto a suíça conseguirá tirar a ex-número 1 de sua zona de conforto no fundo de quadra. Se tiver sucesso e mexer a americana, a suíça tem boas chances.

Entre os homens, o dia foi de David Ferrer (#11) e Tomas Berdych (#8). O espanhol passou pelo compatriota Feliciano López (#23) por 6/4, 7/6(6) e 6/1, enquanto o tcheco eliminou Pablo Cuevas (#27) por 4/6, 6/3, 6/2 e 7/5. O trunfo de Berdych sobre o uruguaio é um tanto relevante, já que o top 10 chegou meio desacreditado a Paris, vindo de campanhas nada animadoras em Monte Carlo (primeira rodada), Madri (quartas) e Roma (oitavas).

Os dois agora se enfrentarão pelo direito de possivelmente enfrentar Djokovic nas quartas. Vale lembrar que o Berdych bateu Ferrer em Madri por 7/6(8) e 7/5.

O abandono

O momento triste do dia ficou por conta de Jo-Wilfried Tsonga (#7). O tenista da casa tinha o primeiro set bem encaminhado, vencendo por 5/2, quando pediu tempo médico e recebeu atendimento fora de quadra por causa de dores no adutor. Quando voltou, dirigiu-se a Ernests Gulbis (#80) e cumprimentou o letão, abandonando o jogo.

Enquanto Tsonga deixou o torneio às lágrimas, Gulbis avança para as oitavas em uma chave nada fácil. Bateu Andreas Seppi na estreia e João Sousa na segunda rodada. Agora tenta sua sorte contra David Goffin.

O francês era o principal cabeça de chave vivo naquela seção da chave após a desistência de Nadal. Agora, um dos semifinalistas de Roland Garros sairá do grupo que tem Thiem, Granollers, Goffin/Almagro e Gulbis.

As oitavas definidas

[1] Novak Djokovic x Roberto Batista Agut [14]
[11] David Ferrer x Tomas Berdych [7]
Marcel Granollers x Dominic Thiem [13]
[12] David Goffin x Ernests Gulbis
[8] Milos Raonic x Albert Ramos Viñolas
[22] Viktor Troicki x Stan Wawrinka [3]
[5] Kei Nishikori x Richard Gasquet [9]
[15] John Isner x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Elina Svitolina [18]
[12] Carla Suárez Navarro x Yulia Putintseva
Bertens x Keys [15]
[9] Venus Williams x Timea Bacsinzky [8]
[25] Irina-Camelia Begu x Shelby Rogers
[13] Svetlana Kuznetsova x Garbiñe Muguruza [4]
[6] Simona Halep x Sam Stosur [21]
Tsvetana Pironkova x Agnieszka Radwanska [2]

Cabeças que rolaram

Não que Ana Ivanovic (#16) fosse favorita para ir longe em Roland Garros, especialmente na mesma seção de Serena Williams na chave, mas a sérvia era bastante favorita para vencer hoje. Afinal, eram sete vitórias em sete jogos contra a ucraniana Elina Svitolina (#20). Na prática, não foi isso que aconteceu. Com 29 erros não forçados, a ex-número 1 do mundo tombou por 6/4 e 6/4.

Classificada para as oitavas, Svitolina enfrentará Serena Williams para tentar igualar sua melhor campanha em Roland Garros, Ano passado, a ucraniana alcançou as quartas de final, quando foi derrotada por… ela mesmo, Ana Ivanovic.

Os melhores lances

Kristina Mladenovic exigiu bastante de Serena quando conseguiu tirar a número 1 do mundo do fundo de quadra. O melhor exemplo talvez seja este ponto aqui:

Para terminar, um pouquinho do potencial de Zverev e Thiem.


RG, dia 1: muita chuva e pouco tênis, mas Kyrgios tumultua
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Alexandre Cossenza

Desde que decidiu antecipar seu início para o domingo, criando uma espécie de sessão caça-níqueis extra, Roland Garros sempre guardou as estreias mais importantes para segunda e terça-feira. Não foi diferente este ano. O domingo teve programação enxuta, sem os principais nomes do circuito, e, para piorar, sofreu atrasos enormes e cancelamentos por causa da chuva.

Deu tempo, porém, de Nick Kyrgios discutir com um árbitro de cadeira depois de levar um advertência por gritar com um boleiro. Lembremos, então, o que aconteceu de mais relevante no dia e o que a segunda-feira nos reserva.

Situação aqui em Roland Garros, todas as quadras cobertas por causa das chuvas. #rain #chuva #rg16

A photo posted by Marcelo Melo (@marcelomelo83) on

O susto

A principal cabeça de chave em quadra neste domingo era Petra Kvitova (#12). A tcheca foi a primeira a entrar na Philipe Chatrier e venceu bem no seu estilo: 6/2, 4/6 e 7/5 sobre Danka Kovinic em 2h20min de jogo. E não foi só isso. Kovinic (#57) chegou a sacar para a vitória, com 5/4 no placar no terceiro set. A tcheca, então, venceu três games seguidos e sobreviveu.

Kvitova está numa chave bastante acessível, encabeçada por Roberta Vinci, que vive meu momento. Como escrevi no guiazão, não é nada impossível que a tcheca vá longe em Roland Garros. A ver se os momentos de inconstância irão diminuir daqui para a frente. Sua próxima adversária será Su-Wei Hsieh, de Taiwan.

Os favoritos

Uma das poucas cabeças de chave a completar seu triunfo neste domingo foi a tcheca Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. Após um título em Praga e resultados nada empolgantes em Madri e Roma, Safarova estreou bem, aplicando 6/0 e 6/2 sobre Vitalia Diatchenko (#223). Não foi, porém, um grande teste para a tcheca, que jogou bem, mas foi pouco exigida.

O encrenqueiro

Nick Kyrgios, sempre ele, recebeu uma advertência por conduta antiesportiva porque gritou com o boleiro ao pedir a toalha. Vejam o momento.

Kyrgios argumentou que gritou com o boleiro por causa do barulho da torcida e que não fez nada para merecer a advertência. O australiano perguntou também, se “quando Djokovic empurra um árbitro, está tudo bem.” Veja aqui.

Kyrgios acabou saindo vitorioso, fazendo 7/6(6), 7/6(6) e 6/4 sobre o italiano Marco Cecchinato. Por outro lado, talvez o gesto com o boleiro e a discussão com o árbitro de cadeira deixem todo mundo de olho no australiano. Ele que se cuide.

Os adiamentos

Após múltiplas interrupções e vendo a previsão, o torneio decidiu encerrar o dia mais cedo, pouco depois das 18h locais (normalmente, há jogos com luz natural até as 21h). Entre os jogos em andamento estavam em quadra o japonês Kei NIshikori, que vencia Simone Bolelli por 6/1, 7/5 e 2/1, e o americano Jack Sock, que abriu 2 sets a 0 sobre Robin Haase, mas viu o holandês reagir e empatar o placar. O quinto set começaria quando a chuva voltou.

Entre as mulheres, a partida entre a ex-russa e atual cazaque Yaroslava Shvedova e a russa-de-verdade Svetlana Kuznetsova foi interrompida no terceiro set. Depois de perder a primeira parcial por 6/4, Sveta fez 6/1 e liderava o set decisivo por 3/1. O jogo entre a americana Nicole Gibbs e a britânica Heather Watson também ficou pelo caminho. Gibbs sacava em 2/1 e 40/30 no terceiro set.

Vários jogos também acabaram suspensos antes mesmo de seu início. Entre eles, o de Simona Halep, principal cabeça de chave feminina escalada para o dia. A romena enfrentaria Nao Hibino. Outros jogos transferidos antes do começo foram Chardy x Mayer, Isner x Millman, Dimitrov x Trociki, Stephens x Gasparyan, Basilashvili x Edmund, Lisicki x Cepede Royg e Carballés Baena x Pavlasek.

Os melhores tweets

Micaela Bryan, filha de Bob Bryan, postou no Twitter um “Parabéns a Você” no piano dedicado a Novak Djokovic, aniversariante do dia. O sérvio número 1 do mundo completou 29 anos neste domingo.

Quem também soprou velinhas (ou não) neste domingo foi Eric Butorac, 35 anos, presidente do conselho dos jogadores da ATP. Sempre bem humorado, Booty aproveitou o tweet do jornalista Simon Cambers, que indagava se todo tenista aniversariante ganhava bolo dos torneios, e respondeu: “Eu te digo no fim do dia.”

Sam Groth, adversário de estreia de Rafael Nadal, pode não ter ficado muito contente com o sorteio da chave, mas manteve o bom humor. No tweet abaixo, o sacador disse que aproveitaria a chuva e plantaria algumas sementes para ver se cresceria grama até terça-feira.

David Ferrer deu uma pista do que vai acontecer nos próximos dias. O tradicional quadro “Road to RG”, no qual tenistas conversam com um motorista no caminho até o torneio, terá Gustavo Kuerten este ano.

O melhor do dia 2

Segunda-feira marca o começo “de verdade” de Roland Garros, com programação cheia e nomes de peso. A começar pelo atual campeão, abrindo o dia na Chatrier. Também na principal quadra de Paris estarão Nishikori, completando sua partida, Radwanska e Murray. A local Alizé Cornet fecha a rodada contra Kirsten Flipkens.

Os dois brasileiros jogam na Suzanne Lenglen, que abre o dia com Muguruza x Schmiedlova. Em seguida, Rogerinho enfrenta Simon e Bellucci encara Gasquet. Ivanovic fecha o dia contra a francesa Oceane Dodin.

Outros jogos interessantes são Raonic x Tipsarevic, abrindo a programação na Quadra 2, onde também será jogado o último set de Sock x Haase. Vale também acompanhar, se possível, Dimitrov x Troicki, que abre o dia na Quadra 3.


Semana 19: Andy, Serena e as cartas embaralhadas antes de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

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O aniversariante Andy Murray foi campeão em um grandíssimo Masters 1.000 de Roma, Serena Williams voltou a levantar um troféu e brasileiros como Thomaz Bellucci, Teliana Pereira e Rogerinho viveram bons momentos na última semana.

Este resumaço dos últimos dias no circuito inclui Serena Williams experimentando comida para cachorro, a linda homenagem a Flavia Pennetta, (mais) um anúncio de Juan Martín del Potro, uma discussão entre Stan Wawrinka e Carlos Bernardes, a chave do qualifying masculino de Roland Garros e alguns dos lances mais bacanas do período.

O campeão

Aniversariante do dia, vindo de um vice em Madri e com uma chave fraquíssima em Roma, Andy Murray aproveitou a janela que se abriu. O escocês completou 29 anos e comemorou duplamente após derrotar Novak Djokovic por duplo 6/3 na final do torneio italiano.

O resultado quebrou uma sequência de 17 triunfos do número 1 do mundo contra top 10 e deixou tudo meio que embaralhado no circuito masculino antes de Roland Garros. Afinal, em Monte Carlo, Murray perdeu de Nadal, que em Madri perdeu de Djokovic, que perdeu de Murray em Roma. No papel, o favorito segue sendo o sérvio, mas seria irresponsável não admitir que espanhol e britânico estão fortes na briga.

O título pouco afetou porque, na prática, Murray voltou para a vice-liderança do ranking quando Roger Federer foi derrubado por Dominic Thiem. Agora, no entanto, é oficial: o escocês soma 8.435 pontos no ranking e tem boa vantagem sobre o suíço, #3, que acumula 7.015.

Aliás, ainda paira dúvida sobre a participação de Federer no Slam do saibro. Depois de desistir de Madri e não se mostrar totalmente recuperado em Roma, o ex-número 1 pode precisar escolher e decidir que estar em Roland Garros prejudicará sua preparação para Wimbledon. É na grama do All England Club, afinal, que o suíço tem mais chances de voltar a triunfar em um Major.

A campeã

No Premier 5 de Madri, Serena Williams voltou a vencer um torneio. Foi a 70ª vez em sua carreira, mas é bom lembrar que veio em uma chave esburacada. No caminha até o título, a número 1 superou Friedsam, McHale, Kuznetsova, Begu e Keys. Angelique Kerber, cabeça 2, perdeu na estreia para Eugenie Bouchard, que, por sua vez, perdeu para Strycova na rodada seguinte. Não por acaso, foi campeã sem perder nenhum set.

Just won title number 70 today in Rome… 70 never felt better

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Apesar do eterno favoritismo de Serena, o circuito feminino também é uma incógnita. Victoria Azarenka saiu de Roma com dores nas costas, e ninguém mais mostrou consistência suficiente para se colocar acima do pelotão-pós-Serena. Do grupo que tem Kerber, Halep, Muguruza, Kvitova, Radwanska e Pliskova (será que ela merece lugar aqui?), tudo pode acontecer.

A número 1 no banheiro

Serena Williams contou a história via Snapchat. Pediu o cardápio de comidas para seu cachorro, achou a comida com uma cara boa e decidiu provar. No fim das contas, foi parar no banheiro achando que ia desmaiar. A coletânea de “snaps” foi parar no YouTube.

Pelo menos a número 1 do mundo entrou em quadra bem de saúde o suficiente para derrotar a compatriota Christina McHale por 7/6(5) e 6/1.

A briga pelo número 1

A disputa pela liderança do ranking de duplas está quentíssima. Marcelo Melo resiste na frente, mas terá a dura tarefa de defender o título de Roland Garros nas próximas semanas. Logo atrás dele estão Nicolas Mahut, Jamie Murray e Horia Tecau. Quem será que sairá de Paris no topo?

Os brasileiros

O grande nome da semana foi Thomaz Bellucci, que deu sorte na chave e, enfim, aproveitou chances. Primeiro, ao derrotar um Gael Monfils em um dia pavoroso. Depois, batendo Nicolas Mahut, que vinha de aprontar uma zebra sobre Pablo Cuevas. E, por último, em uma bela apresentação contra Novak Djokovic. Bellucci aplicou um pneu no set inicial (o sérvio não sofria um 6/0 desde Cincinnati/2012, diante de Federer) e não venceu porque o número 1, um tanto errático na primeira parcial, se aprumou a tempo. No fim, Djokovic fez 0/6, 6/3 e 6/2.

Teliana Pereira voltou a ganhar uma partida e, mais uma vez, sobre Annika Beck. A alemã foi a vítima de duas das três vitórias da brasileira em 2016. Em seguida, valendo vaga nas oitavas de final, Teliana foi superada em dois sets pela espanhola Carla Suárez Navarro, #11, por 6/1 e 7/5. De positivo, a brasileira leva os pontos e uma bela reação na segunda parcial, na qual chegou a estar atrás por 5/1. Depois de começar a semana no 90º posto, Teliana aparece agora em 81º.

No circuito Challenger, Rogerinho foi campeão em Bordeaux (US$ 100 mil) ao bater o americano Bjorn Fratangelo por 6/3 e 6/1 na final. Os 100 pontos conquistados jogam o paulista para o alto, subindo nove posições no ranking e indo parar no 85º lugar. O post deixa Rogerinho perto da zona de classificação para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Roland Garros será a última chance para somar pontos e se colocar entre os 56 primeiros do ranking olímpico (que respeita o limite de quatro atletas por país e exige participação na Copa Davis). Levando em conta os nomes que já anunciaram que não vão ao Rio de Janeiro, a chance de Rogerinho nem é tão pequena assim…

Thiago Monteiro, André Ghem e Feijão também estavam em Bordeaux. Feijão não passou do quali, Monteiro perdeu nas oitavas e Ghem caiu nas quartas.

No mundo dos ITFs femininos, Paula Gonçalves e BIa Haddad disputaram o torneio de Saint-Gaudens, na França. Bia furou o quali, mas caiu na estreia. Paula foi mais longe e só parou nas semifinais, superada pela grega Maria Sakkari, cabeça de chave 2 do evento. A russa Irina Kromacheva foi campeã.

Por fim, no ITF de La Marsa (US$ 25 mil), Laura Pigossi furou o qualifying sem jogar (era cabeça 1 numa chave de 16 com 15 participantes e oito vagas na chave), e foi eliminada por uma tenista que jogo o quali. A algoz foi a cazaque Galina Voskoboeva, que aplicou 6/1 e 6/4.

A separação

A grande notícia da semana foi a separação de Andy Murray e sua (ex) técnica, Amélie Mauresmo. O anúncio veio logo na segunda-feira, sem dizer de quem tinha sido a decisão. Pouco depois, o Daily Mail publicou as primeiras frases do tenista sobre o assunto. O escocês disse que não estava dando certo porque os dois vinham passando pouco tempo juntos (Mauresmo teve filho recentemente). Leia aqui, em inglês.

A homenagem que faltava

Quando disputou seu último jogo oficial, no fim do ano passado, Flavia Pennetta pegou a raqueteira e deixou a quadra. Sem cerimônia, sem vídeo no telão, sem muito obrigado… Nada. O torneio de Roma não deixou passar e fez a homenagem que a campeã do US Open merecia. A WTA publicou um vídeo com 28 minutos do que aconteceu na terça-feira, na capital italiana.

O mal-entendido

Mais uma polêmica envolvendo um tenista top e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. O juizão aplicou uma advertência no tenista suíço por “obscenidade audível”, mas Stan ficou furioso. Segundo o campeão de Roland Garros, a frase que Bernardes pensou conter um “fuck” foi, na verdade, “why do we practice so much?”. Wawrinka ainda perguntou “você quer ver a câmera e ouvir?” e “como você pode me dar uma advertência por isso?”

Bernardes disse que ouviria a gravação e que, se estivesse errado, pediria desculpas e Wawrinka não seria multado. O suíço, que havia perdido o primeiro set, só perdeu mais dois games depois da discussão e derrotou o francês Benoit Paire por 5/7, 6/2 e 6/1, avançando às oitavas de final.

Sem Roland Garros

Juan Martín del Potro não disputará o Slam do saibro. Em mensagem aos fãs, o argentino disse que “por causa da evolução mostrada nas últimas semanas”, conseguirá pela primeira vez jogar um grupo de torneios em sequência. Por isso, começará logo os treinos na grama. Delpo não confirmou os torneios, mas disse que espera terminar a série juntando-se ao time da Copa Davis.

Soa um tanto estranho quando um tenista diz que houve “evolução” em uma condição física e que vai poder fazer uma sequência de torneios, mas, ao mesmo tempo, acha melhor desistir de um evento tão importante. Resta torcer para que Del Potro esteja falando a verdade e que, no futuro, não precise mais deixar de competir em um Slam.

Lances bacanas

Era só um treino, mas Gael Monfils consegue transformar tênis no concurso de enterradas da NBA…

Na curiosa partida entre David Ferrer e Filippo Volandri, aconteceu este ponto maluco que nem tento descrever. Veja abaixo.

Volandri, que começou a semana como #203 e precisou passar pelo qualifying em Roma, não jogava uma chave principal de nível ATP desde Gstaad/2014. Aos 34 anos, o italiano não vence um jogo neste nível desde Buenos Aires/2014, quando bateu o qualifier Christian Garin. Já são 13 derrotas consecutivas, incluindo o revés diante de Ferrer, #9, por 4/6, 7/5 e 6/1.

As opções eram muitas no jogaço de quartas de final entre Djokovic e Nadal, mas que tal lembrar do ponto que decidiu o primeiro set?

A melhor história

Não é a melhor, mas talvez seja a mais curiosa. A revista americana Sports Illustrated perguntou a tenistas, técnicos, blogueiros e todo tipo de gente envolvida com o tênis se não seria melhor um sistema diferente de pontuação. A publicação sugere uma contagem em que cada set seria até 24 pontos, mais ou menos como em um enorme tie-break. A ideia é se desfazer do sistema de games. Você pode ler a repostagem aqui, em inglês.

A maioria não foi a favor, mas muitos ficaram intrigados com as mudanças que um novo sistema de pontuação provocaria no tênis. É, também o meu caso, embora eu ache os argumentos usados pela Sports Illustrated fraquíssimos.

Os posts da semana

Dois momentos marcantes do Masters 1.000 de Roma foram o pneu aplicado por Bellucci sobre Djokovic e o jogaço entre o número 1 do mundo e Rafael Nadal. Sobre o brasileiro, escrevi sobre o que chamo de sua “luta interna” neste post. Quando à suposta final antecipada (para alguns), escrevi sobre o significado daquele duelo para sérvio e espanhol neste texto aqui.

O qualifying francês

Enquanto alguns tenistas disputam os últimos ATPs antes de Roland Garros, a turma do qualifying entra em quadra já nesta semana. Entre eles estão Feijão, Ghem, Monteiro e Clezar. Veja a chave inteira aqui.

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Quadra 18: S02E03
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Alexandre Cossenza

Gravado na sala de entrevistas do Esporte Clube Pinheiros, o novo episódio do podcast Quadra 18 está no ar com tudo que aconteceu de mais interessante no Rio Open e no Brasil Open, os dois torneios mais importantes do país. Apresentado por mim ao lado de Sheila Vieira e Aliny Calejon (pela primeira vez, gravamos com os três na mesma sala), o programa tem participações especiais de Felipe Priante e João Victor Araripe, além de áudios de Rafael Nadal, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Marcelo Melo e Thiago Monteiro.

Falamos da impressionante ascensão de Thiago Monteiro, das zebras no Rio de Janeiro, da decepção que foi a passagem de Rafael Nadal pela América do Sul, da surpresa de Paula Gonçalves, da nova sede do torneio paulista, do misterioso problema físico de Thomaz Bellucci e da fantástica Francesca Schiavone, entre muitos outros assuntos.

Também contamos histórias de “bastidores”, falamos sobre o convívio na sala de imprensa e respondemos perguntas de ouvintes. Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir, clique neste link com o botão direito e, depois, em “salvar como” para fazer o download do episódio e ouvi-lo mais tarde.

Os temas

0’00” – Alexandre Cossenza apresenta programa gravado no Pinheiros
2’25” – Impressões sobre o Rio Open
2’30” – “O que mais gostei foi John Isner”
3’30” – A decepcionante participação de Jo-Wilfried Tsonga
4’40” – As quedas de David Ferrer, Rafael Nadal e Jack Sock
7’05” – A inusitada desistência de Sock nas duplas
7’55” – A passagem de Nadal pela América do Sul
10’20” – Nadal explica sua derrota para Cuevas e fala do início de temporada
12’00” – Cuevas e o “melhor backhand de uma mão do circuito” segundo Guga
13’00” – A participação de Teliana Pereira no Rio Open
14’20” – A surpreendente campanha de Paula Gonçalves
15’55” – A derrota de Bia Haddad e o sucesso de Sorana Cirstea no Brasil
17’10” – A fantástica Francesca Schiavone e sua relação com o Brasil
19’40” – A lona do Rio Open
23’00” – Thomaz Bellucci vendendo pipoca no Rio de Janeiro
24’55” – Summer (Calvin Harris)
25’40” – Impressões sobre o Brasil Open no Esporte Clube Pinheiros
30’50” – Aliny avalia as campanhas de Melo e Soares em RJ e SP
32’20” – “O lado positivo é parar com o oba-boa que vinham fazendo”
33’48” – Bruno Soares avalia os resultados da dupla nos torneios brasileiros
35’09” – Bruno e Marcelo fala sobre a repercussão das derrotas na imprensa
37’10” – As preocupantes derrotas de Thomaz Bellucci
39’32” – Bellucci fala sobre seu problema físico e que seria outro tenista sem ele
42’21” – O momento de Feijão
44’00” – Thiago Monteiro, a grande estrela brasileira nas duas semanas
47’25” – Monteiro faz um balanço das duas semanas
49’00” – Cuevas, o “Rei do Brasil”
50’45” – A curiosa (e curta) passagem de Benoit Paire por São Paulo
52’05” – Os bolos da sala de imprensa do Brasil Open
53’30” – You Never Can Tell (Chuck Berry)
54’00” – “O que vocês levariam de SP para o Rio e do Rio para SP?”
58’05” – “O que os jogadores acharam da estrutura em SP?”
59’10” – “Qual a pessoa mais insuportável das salas de imprensa?”
71’50” – “Como foi a prestação de serviços dos dois torneios? Dá para comparar?”
72’50” – Cossenza critica o serviço prestado a idosos no Rio Open
75’07” – “Favor contar todas fofocas de bastidores”
69’20” – “Rio Open como Masters 1.000: sonho ou realidade?”
71’02” – “Acham que ano que vem vai ter lona no Rio Open?”
71’15” – “Thiago Monteiro já merece ser chamado para a Copa Davis?”
73’45” – “Thiago Monteiro tem condição de entrar no top 50?”
74’30” – Marcelo Melo faz uma declaração para Aliny Calejon

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Summer (Calvin Harris) e You Never Can Tell (Chuck Berry). A faixa de encerramento é Pobre Paulista (Ira!).


Rio Open, dia 4: Paula ainda sonha, Thiago tomba e Bellucci vende pipoca
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Alexandre Cossenza

Rafael Nadal empolgou por algum tempo, brasileiros saíram vitoriosos em todos jogos de duplas, Paula Gonçalves manteve vivo o sonho na chave feminina, e Thiago Monteiro não conseguiu um segundo “milagre”. Sem chuva, o Rio Open viu muito tênis de qualidade nesta quinta-feira e quem esteve no Jockey Club Brasileiro teve a sensação de que o torneio finalmente embalou.

O dia ainda teve Thomaz Bellucci vendendo pipoca, Rafa Nadal encontrando um craque do Vasco e, fora do Rio Open, a notícia de que Novak Djokovic ainda cobra judicialmente uma dívida do Estado do Rio de Janeiro. Role a página e leia tudo!

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O fim do sonho

Foi um primeiro set equilibrado, que escapou no tie-break. Na virada de lado, Thiago Monteiro vencia por 4/2. Porém, o experiente uruguaio Pablo Cuevas, 30 anos e #45 do mundo, se salvou e levou o game de desempate. Quando o veterano conseguiu uma quebra no terceiro game da segunda parcial, foi como se soassem as 12 badaladas para o cearense, #338 do mundo. Monteiro não teve mais nenhuma chance de quebra e perdeu o serviço novamente no nono game, decretando o fim da memorável passagem pelo Rio Open: 7/6(5) e 6/3.

Com os 45 pontos somados no evento, o cearense de 21 anos pulará provavelmente para o grupo dos 280 melhores do mundo. Ainda não será o melhor ranking da carreira (Monteiro foi #254 em novembro de 2013), mas será um belo salto que pode ganhar novo impulso em São Paulo. Nesta quinta, a organização do Brasil Open oportunisticamente ofereceu um wild card para o cearense na chave principal. Vale ficar de olho nele por lá também.

Os favoritos

Contra Nicolás Almagro, Rafael Nadal lembrou mais um pouco “daquele” Rafael Nadal que o mundo se acostumou a ver no saibro. Pelo menos no primeiro set, quando tomou a dianteira logo no começo e manteve a vantagem até fechar a parcial em 6/3. Merece destaque especial o nono game, em que Almagro teve três break points seguidos (0/40), e o ex-número 1 do mundo escapou de todos brilhantemente.

O segundo set não foi tão empolgante, e Nadal perdeu o saque duas vezes – em ambas, logo depois de quebrar Almagro. Só que o ex-número 1 aproveitou o nervosismo de Almagro, que estava descontente com os juízes de linha e desandou a errar e cedeu um saque pela terceira vez seguida no 11º game. Nadal, então, confirmou e fez 6/3 e 7/5.

Nem tudo foi ruim no dramático segundo set. Nadal também brilhou e inclusive fez esse ponto abaixo, lembrando “aquele” Nadal.

Na coletiva, Nadal, além de se mostrar feliz com o primeiro set, que classificou como “muito bom, muito completo, com muito poucos erros, fazendo o que tinha que fazer”, admitiu que ficou um pouco nervoso no fim da segunda parcial.

Vale destacar também que o cabeça de chave 1 do torneio revelou ter ficado preocupado com uma menina que ficou espremida por outros fãs quando esperava por um autógrafo. “Quando há muita gente, fica perigoso para eles. Me preocupou porque havia uma jovem que estava chorando porque estavam lhe apertando.”

Nadal, porém, não culpou o torneio. “Não é nada de novo, é muito difícil evitar que isso aconteça e é lógico também que os fãs tenham a opção de querer uma foto ou um autógrafo. Eu, para evitar que isso aconteça, o que posso fazer é não dar autógrafos e não tirar fotos, mas me pareceria uma grande falta de educação.”

Ao fim do jogo, Nadal recebeu a visita do atacante Nenê, do Vasco. O brasileiro jogou no Mallorca ao lado de Miguel Ángel Nadal, tio do tenista, em 2004.

David Ferrer, cabeça de chave 2, teve mais trabalho com o compatriota Albert Ramos Viñolas, que venceu o primeiro set, mas perdeu o embalo após ir ao banheiro e, na volta, ouvir reclamações de Ferrer, que achou ruim o tempo levado pelo oponente para sair e voltar à quadra. Coincidência ou não, o número 6 do mundo disparou na frente no segundo set e acabou vencendo a parcial decisiva. O placar final mostrou 4/6, 6/1 e 6/4.

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Os brasileiros

A dupla olímpica formada por Marcelo Melo e Bruno Soares (que jogarão juntos no Rio e em São Paulo) voltou à Quadra 1 para continuar a partida contra os também brasileiros Fabiano de Paula e Orlando Luz. O jogo foi interrompido na noite anterior com o placar ainda em 2/0 para Soares e Melo e recomeçou nesta quinta com os mineiros perdendo o serviço. Foi, no entanto, o único momento de quase-equilíbrio da tarde. Os favoritos fizeram 6/2 e 6/3, sem problemas.

Após o jogo, ainda na Quadra 1, Marcelo Melo foi homenageado pelo torneio e ganhou uma bandeja comemorativa pelo posto de número 1 do mundo. Foi uma cerimônia curta e sem muita pompa, mas valeu pela torcida fazendo o coro de “Girafa, Girafa” e pela surpresa do número 1 do mundo.

Soares e Melo, cabeças de chave 1 do torneio, enfrentarão nas quartas de final Dusan Lajovic e Dominic Thiem e podem até fazer um confronto brasileiro nas semifinais. Feijão e Rogerinho também estrearam com vitória nas duplas e bateram o austríaco Philipp Oswald, atual campeão do torneio, e o argentino Guillermo Duran por 6/2, 6/7(3) e 10/8. Nas quartas, os paulistas vão encarar os espanhois Pablo Carreño Busta e David Marrero.

Também pela chave de duplas, Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner fizeram o jogo mais animado da Quadra 1, com intensa participação do público. Paulista e gaúcho perderam o primeiro set, mas reagiram na segunda parcial contra Aljaz Bedene e Albert Ramos e venceram no match tie-break: 6/7(6), 7/6(4) e 10/4. Eles enfrentam Paul-Henri Mathieu e Jo-Wilfried Tsonga nas quartas.

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Depois da vitória nas duplas, Bellucci participou de uma ação promocional do Cinemark. A ideia era disfarçar o número 1 do Brasil e ver se os consumidores o reconheceriam. Foi divertido, embora poucas pessoas tenham aparecido – a gravação aconteceu durante a partida entre Thiago Monteiro e Pablo Cuevas, a única no complexo naquele momento.

Parece (pelo menos para mim) questionável uma ação que associa pipoca a um atleta bastante criticado em redes sociais, mas é bacana ver que Bellucci participou sem se mostrar preocupado com isso.

Paula e o melhor ranking da carreira

Na chave feminina, a única sobrevivente brasileira aprontou mais uma zebra e eliminou a sueca Johanna Larsson, #48 do mundo e cabeça de chave 2 do Rio Open: 6/4 e 6/4. A melhor campanha da vida da paulista lhe coloca nas quartas de final contra a americana Shelby Rogers, #131.

Atual número 285 do ranking mundial, Paula já soma 66 pontos com a campanha na Cidade Maravilhosa e, mesmo que perca nas quartas, possivelmente estará entre as 220 primeiras na lista que será divulgada na próxima segunda-feira. Será sua melhor posição na carreira, superando o 238º posto ocupado na semana de 15 de junho do ano passado.

O melhor estande

O Leblon Boulevard – área de convivência do Rio Open – continua muito bem servido na questão alimentícia, apesar dos preços. Um combo de pipoca e duas bebidas no food truck do Cinemark custa R$ 43, por exemplo.

Na parte de entretenimento, há menos opções do que no ano passado (alguns conhecidos sentiram falta dos jogos do Itaú e da Peugeot, por exemplo). Mas o estande da Pirelli se destaca, com um excelente simulador de Fórmula 1. Por cinco minutos o visitante pode pilotar – de graça – no circuito de Interlagos. O game é ótimo, o carro reage gloriosamente aos comandos dos pedais e do volante, e as três telas em frente ao bólido ajudam o visual da simulação. Recomendo muito.

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A dívida

Publicado nesta quinta-feira no UOL: Novak Djokovic cobra R$ 650 mil do Governo do Estado do Rio de Janeiro pela exibição feita no Brasil, em 2012, com Gustavo Kuerten. O Estado se comprometeu a pagar um cachê de R$ 1,1 milhão ao sérvio, mas o número 1 do mundo afirma ter recebido apenas R$ 450 mil. A íntegra da reportagem está neste link.

Vale lembrar que o mesmo Estado do Rio de Janeiro dá ao Rio Open R$ 10 milhões em forma de incentivos fiscais.


Rio Open, dia 2: mais chuva, mais Nadal na madruga e Paula salva o Brasil
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Alexandre Cossenza

Muito sol e muita chuva. O tema do primeiro dia do Rio Open se repetiu nesta terça-feira, que tinha 27 partidas distribuídas em cinco quadras. As primeiras horas foram de um calor sufocante. As últimas, de suspense a apreensão pelos pingos que insistiam em molhar o saibro do Jockey Club Brasileiro. A rodada só terminou depois da 0h, com uma cena familiar: Nadal em quadra na madrugada carioca.

O espanhol venceu sem encantar, como fez seu compatriota David Ferrer. Assim como não empolgaram os resultados brasileiros do dia. Thomaz Bellucci e Teliana Pereira, principais nomes do país nas chaves de simples, se despediram logo na estreia. Feijão, idem. Quem manteve o país vivo foi Paula Gonçalves, que aproveitou o embalo do qualifying e triunfou mais uma vez. Perdeu alguma coisa? Então este resumaço é para você. Role a página e fique por dentro.

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Os favoritos

Com mais ou menos facilidade, os principais candidatos ao título no Rio de Janeiro avançaram à segunda rodada. O primeiro deles a vencer foi David Ferrer, que passou maus momentos diante de Nicolás Jarry, #493, 20 anos e convidado da organização do torneio. O chileno teve cinco set points na segunda parcial, mas não conseguiu fechar e viu o espanhol fazer 6/3 e 7/6(3).

Na coletiva, o #6 do mundo disse ter encontrado dificuldade com a umidade carioca e se mostrou insatisfeito com o nível de tênis aproveitado. “De positivo, tiro apenas o aspecto metal”, declarou. Ferrer também elogiou Jarry e disse que o chileno tem um ótimo saque e potencial para crescer. A movimentação de pernas, segundo o espanhol, é uma das coisas que o chileno precisa melhorar.

O último a entrar em quadra foi Rafael Nadal, que enfrentou Pablo Carreño Busta e a chuva, que interrompeu o duelo ao fim do primeiro set. Com a meia-noite se aproximando, os dois reiniciaram a partida sob pingos (mas foram chamados quando a chuva havia dado uma trégua).

Enquanto isso, o jogo entre Jo-Wilfried Tsonga e Thiago Monteiro, que já havia sido transferido da Central para a Quadra 1, acabou adiado de vez.

No segundo set, Nadal perdeu uma quebra de vantagem – cena tão comum em seus jogos ultimamente – e demorou a estabelecer nova vantagem, mas finalmente fechou em 6/1 e 6/4. De modo geral, foi uma ótima atuação no primeiro set, diante de um Carreño Busta abaixo do normal, e um desempenho bom, mas nada empolgante após a chuva – ainda que com uma quadra pesadíssima, algo que o ex-número 1 apontou como motivo para a mudança de ritmo do encontro.

O que será deste Nadal inconstante de hoje diante de Nicolás Almagro, alguém que promete incomodá-lo muito mais na segunda rodada? Fica desde já a expectativa por um jogo que promete emoções fortes.

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Finalmente, Fabio Fognini teve bem menos trabalho e derrotou Aljaz Bedene por 7/5 e 6/3. A facilidade talvez explique por que o italiano aproveitou para fazer uma aparição no bar da Stella Artois, patrocinadora do torneio. Quanto a Dominic Thiem, campeão em Buenos Aires, o austríaco manteve a sequência e passou sem drama pelo espanhol Pablo Andújar: 6/3 e 6/4.

Bellucci: mais baixos que altos

O adversário era complicado, e os desafios impostos pelas variações de Alexandr Dolgopolov provaram-se um obstáculo alto demais para Thomaz Bellucci superar. Pela terceira oportunidade em três jogos, o ucraniano derrotou o brasileiro, fazendo 6/7(3), 7/5 e 6/2. Desta vez, porém, em um encontro cheio de variações.

Além das oscilações de ambos, que trocaram quebras nos dois primeiros sets, o clima afetou a partida. O jogo foi interrompido quando Bellucci sacava em 5/6 e 30/30 no primeiro set. Como não havia lona na quadra, o duelo só foi retomado mais de 2h30min depois, com o saibro bem mais pesado. Dolgopolov quebrou o serviço do brasileiro rapidamente e forçou a parcial decisiva.

O ucraniano começou mal o terceiro set e deixou Bellucci fazer 2/0, mas foi só. Como em um estalar de dedos, de maneira bem típica, Dolgo parou de errar, freou Bellucci e tomou o controle do jogo. É bem verdade que o brasileiro viu seu nível cair, mas o ritmo encontrado pelo ucraniano foi impressionante.

Na coletiva, o paulista avaliou ter feito um terceiro set melhor que os dois anteriores, mas disse também que Dolgopolov começou a parcial “com uma proposta muito mais agressiva, de tirar meu tempo, de atacar muito mais, e isso me dificultou muito mais.”

Bellucci se recusou a revelar a origem do problema físico que motivou seu pedido de atendimento médico no segundo set, mas disse que não influenciou o resultado. A negativa do #1 do Brasil em falar sobre o assunto fez parte da imprensa acreditar que se tratava daquele tipo de problema estomacal do qual ninguém gosta de falar publicamente. E ficou por isso mesmo.

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Feijão: mais longe do sonho olímpico

Feijão deu sequência ao seu momento instável e foi eliminado pelo argentino Diego Schwartzman, #90, por 6/3 e 6/2. O paulista abriu 3/1 e sacou em 3/2 no set inicial, mas, como ele mesmo avaliou na entrevista coletiva, as coisas não vêm acontecendo naturalmente para ele desde “aquela” Copa Davis. Contra um tenista tão regular quanto Schwartzman, era preciso mais consistência.

Em queda no ranking (hoje é o #168), Feijão está cada vez mais longe da zona de classificação para os Jogos Olímpicos e com apenas quatro meses pela frente para somar pontos. O paulista, que estava otimista no fim do ano passado, já passa a considerar que a possibilidade de ficar fora do torneio olímpico é grande.

“Para mim, seria um sonho. Seria uma experiência inesquecível, mas eu ainda tenho 27. Daqui a quatro anos, vou ter 31. Pode ser em Tóquio também, não tem problema. Se tiver que ser lá vai ser. Se não for, fazer o quê? É vida que segue. O mundo não vai acabar, isso aqui não vai desabar na nossa cabeça porque eu não vou jogar uma Olimpíada.”

As brasileiras

Paula Gonçalves teve a tarefa de abrir a programação da Quadra Guga Kuerten às 11h30min contra a israelense Julia Glushko e aproveitou o bom momento que adquiriu no qualifying. Mesmo com as menos de 500 pessoas vendo seu jogo (em uma arena onde cabem mais de 6 mil), a paulista fez 6/3 e 6/1 e garantiu seu lugar na segunda rodada.

Atual número 285 do mundo e com 25 anos, Paula acabaria se tornando a única brasileira a vencer nas simples. Teliana Pereira, #1 do Brasil, #43 do mundo e principal cabeça de chave do Rio Open, foi derrotada na estreia pela croata Petra Martic, #162, com parciais de 6/3 e 7/5.

Martic foi melhor que Teliana no estilo de jogo da brasileira: errando pouco e alongando as trocas de bola. A croata, porém, foi inteligente nas variações, usou slices de forma oportuna e aguardou pacientemente os erros da brasileira. Teliana chegou a abrir 4/1 no segundo set, mas foi menos consistente que a rival.

A notícia boa é que Teliana não saiu triste da quadra. A pernambucana se disse surpresa com a consistência de Martic, mas admitiu que a croata foi melhor em quadra. A #1 do Brasil afirmou também, com boa pitada de otimismo, que o jogo desta terça foi provavelmente sua melhor apresentação em 2016. Vale lembrar que Teliana ainda não venceu em 2016. Antes do Rio Open, ela somou três derrotas em Brisbane, Hobart e Melbourne.

Duas declarações de Teliana foram importantes. Primeiro, afirmou que precisa se manter entre as 50 melhores do mundo antes de pensar em alcançar o top 30 ou o top 20. Em seguida, mostrou-se feliz com o triunfo de Paula Gonçalves “porque o tênis feminino precisa disso. As meninas precisam evoluir e me sinto um pouco responsável por isso. Elas veem que se a Teliana está ali, por que elas também não podem? Não quero ser a único top 100 ou top 50.”

A homenagem

Deveria ter acontecido na segunda-feira, mas o ralo entupido e o saibro submerso impediram. Nesta terça, Gustavo Kuerten foi finalmente homenageado e recebeu uma cópia da placa que ficará na quadra de saibro com seu nome do Jockey Club Brasileiro. Vale lembrar: a estrutura montada para o Rio Open é provisória. Após o torneio, fica só a quadra – a área de jogo – para os associados.

A “experiência sul-americana” dos gringos

Um dia depois da eliminação de John Isner, Jack Sock deu adeus ao Rio Open. Os dois americanos sucumbiram de maneiras bem diferentes, mas com cenários que tinham elementos em comum. Ambos enfrentaram saibristas argentinos e tiveram de lidar com os cruéis “elementos” da natureza.

Se Isner teve de esperar quatro horas e encarar um saibro pesadíssimo por causa da chuva, Sock entrou em quadra pouco antes das 13h, sob um calor infernal. Até teve uma quebra de frente no set inicial, mas desperdiçou a vantagem e oscilou apenas o bastante para Federico Delbonis levar a parcial.

O segundo set, com o calor ainda pior, Sock ofereceu menos resistência e sucumbiu por 7/5 e 6/1. Foram apenas 77 minutos de jogo, mas naquela temperatura era o suficiente para deixar o torcedor com a sensação de um leitão grelhado lentamente num fogão a lenha.

A registrar: dos cerca de 50 lugares existentes na Quadra 4, onde Sock, Delbonis, Thiem e Andújar jogaram, um terço deles não tem visibilidade para toda área de jogo. Onde consegui lugar no primeiro set (e nem era tão no canto da arquibancada!), só conseguia ver um dos tenistas na maior parte do tempo.

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Rio Open, dia 1: o naufrágio da Quadra Guga Kuerten e uma lição olímpica
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Alexandre Cossenza

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A segunda-feira que começou quente, com céu limpo e previsão de temperaturas acima dos 40 graus, mas acabou molhado e com meia dúzia de jogos cancelados. A chuva veio forte e rápido, deixando a Quadra Guga Kuerten sob um palmo de água, o que causou um atraso gigante na programação. O estado submerso da arena inclusive que fosse realizada a homenagem ao tricampeão de Roland Garros, que empresta seu nome à quadra (que tem estrutura provisória) a partir deste ano.

O temporal fez com que o torneio cancelasse a partida de Fabio Fognini e, depois, o encontro entre Thomaz Bellucci e Alexandr Dolgopolov de volta para o hotel. John Isner e Guido Pella, que tiveram o jogo interrompido por volta das 18h, só voltaram a disputar um ponto às 22h. Americano e argentino, aliás, só haviam disputado 46 minutos de jogo, e a continuidade de sua partida foi especialmente conveniente para a organização do torneio, que precisaria devolver os ingressos – ou efetuar trocas para outras sessões – no caso de menos de uma hora de tênis.

Treino na chuva

Entre as cenas curiosas do dia, vale ressaltar que Rafael Nadal e David Ferrer treinaram na chuva – pelo menos enquanto foi possível.

Vale lembrar que, durante a pequena tempestade, a Quadra Central não foi coberta com uma lona. A justificativa de Lui Carvalho, diretor do torneio, foi de que a chuva caiu muito forte e muito rápido. Por isso, com o volume de água que molhou o saibro, já não se poderia mais fazer uso da lona – que cobriria a água. Talvez valha apontar aqui que a lona não estava na beira da quadra (como fica em Roland Garros, por exemplo) na hora que a chuva veio.

Também é importante registrar que as quadras externas sofreram bem menos com a quantidade de água. A Quadra 5, por exemplo, estava em condições bem melhores no mesmo horário, vide imagem abaixo. Embora a luz indique outra coisa, a foto da Quadra 5 foi feita depois da imagem da Central que está no alto deste post (o que aconteceu por volta das 19h30min).

O diretor, porém, ressaltou que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é ótima. O problema desta segunda, ele revelou, foi causado por dois ralos que entupiram e impediram que a água escoasse devidamente. “Quando conseguimos desentupir, teve jogo meia hora depois.”

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As brasileiras

No início do dia, enquanto o clima colaborou, Ana Bogdan eliminou Gabriela Cé por 6/2 e 6/3. Foi a única brasileira que teve uma partida de simples encerrada antes da chuva. Bia Haddad teve sua partida interrompida quando perdia para Sorana Cirstea por 6/2 e 2/0. A interrupção não ajudou tampouco ajudou. A romena, que havia quebrado o serviço da brasileira em todas cinco oportunidades antes da chuva, quebrou mais uma vez na sequência e fechou por 6/2 e 6/1.

O sofrimento no saibro

John Isner saiu derrotado por Guido Pella por 7/6(5), 5/7 e 7/6(8). O americano, contudo, mostrou enorme esforço para vencer no saibro carioca, mais do que justificando o cachê que recebeu. Fez mais de 30 aces, salvou três match points (um deles com um espetacular ace de segundo saque), virou um tie-break complicado e, não fosse por cãibras e um voleio desastroso (talvez uma coisa tenha levado à outra), teria esticado sua passagem pela América do Sul. Diante das circunstâncias desta segunda-feira – quadra pesadíssima e adversário perigoso no saibro, parece injusto classificar o resultado como desastroso.

A programação

A quantidade de partidas canceladas na segunda-feira causou um engarrafamento na programação de terça, e o Rio Open precisou voltar aos horários do ano passado, quando as rodadas começavam às 11h. A solução foi encaixar e distribuir nomes de peso em quadras pequenas.

Feijão, David Ferrer e Nicolás Almagro jogarão na Quadra 1, com capacidade para 1.200 pessoas. Dominic Thiem, campeão do ATP 250 de Buenos Aires, estará na Quadra 4, onde cabem pouco mais de 50 pessoas. Jack Sock enfrentará Federico Delbonis no mesmo local. Juan Mónaco também jogará lá.

A Quadra Guga Kuerten ficou com Paula Gonçalves x Julia Glushko, Teliana Pereira x Petra Martic, Thomaz Bellucci x Alexandr Dolgopolov, Thiago Monteiro x Jo-WIlfried Tsonga e Rafael Nadal x Pablo Carreño Busta. Veja a programação completa aqui.

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O vírus

Fora de quadra, as entrevistas deram assunto para os jornalistas (e salvaram o dia, sejamos sinceros). Um dos temas recorrentes da segunda-feira foi a ameaça do vírus zika, que ganhou manchetes no mundo inteiro. Curiosamente, as perguntas vieram de jornalistas estrangeiros – não vi os jornalistas brasileiros (eu inclusive) muito preocupados com o assunto. Quanto aos tenistas, Ferrer, que deu a primeira coletiva do dia, e Nadal evitaram fazer drama sobre o assunto.

Os dois adotaram um discurso bem parecido, inclusive, dizendo que o torneio havia tomado medidas para evitar mosquitos e que não havia muito mais a fazer. Nadal foi mais enfático, afirmando que viu o povo normalmente nas ruas, indo às praias e aos restaurantes. “Se o povo está vivendo normalmente, imagino que não seja tão grave. Estou saindo à noite, estou feliz aqui, não estou preocupado.”

Bellucci, o valor dos brasileiros e a lição olímpica

A entrevista de Gustavo Kuerten também foi interessante. Entre outras coisas, o tricampeão de Roland Garros, que será homenageado e dará nome à quadra (provisória) central do Rio Open, ressaltou a importância de valorizar os feitos dos tenistas brasileiros. Guga falou em especial de Thomaz Bellucci, que se mantém entre “20, 30, 40 do mundo por cinco anos.” Para o catarinense, “Bellucci recebe muito pouco valor pelo que faz.”

O ex-número 1 também falou sobre as chances de Marcelo Melo e Bruno Soares nos Jogos Olímpicos. Guga ressaltou que a chance de medalha é “claríssima”, mas lembrou que o torneio de duplas é muito acirrado e que o povo brasileiro precisa aprender a valorizar seu atleta independentemente de resultado. “As Olimpíadas vão deixar uma lição importante para a gente aprender. Os maiores atletas do planeta vão estar aqui, e a maioria vai sair derrotada.” Para o ex-número 1, é essencial saber que o esporte vai “além da chance de medalha.”

Thiem e a nova geração

Outro momento que vale destaque foi a resposta de Rafael Nadal, questionado por uma jornalista alemã sobre Dominic Thiem. O espanhol elogiou o jovem austríaco, disse que é um dos melhores nomes da geração e afirmou que esta geração atual, que surge com nomes como Thiem, Zverev e Fritz, é a que provavelmente vai causar a mudança de gerações da qual se fala na ATP há anos. Nadal lembrou, inclusive, que o assunto é recorrente há algum tempo, mas que o circuito continua dominado pelo mesmo grupo de antes.

Correção

Alterei um trecho do primeiro parágrafo nesta terça. O texto dizia “quadra provisória” e dava a entender que tudo era temporário. Na verdade, a quadra de saibro é permanente. As arquibancadas e toda estrutura montada para o Rio Open é que são temporários.


AO, dia 10: o tombo de Vika, as chances de Raonic, e Bruno em outra semi
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Alexandre Cossenza

A primeira derrota da cotadíssima Victoria Azarenka em 2016, a discussão sobre os méritos (ou não) de Angelique Kerber, o jogão de Andy Murray e David Ferrer, as chances de Milos Raonic e mais uma semifinal para Bruno Soares são os principais assuntos desta quarta-feira, décimo dia do Australian Open 2016.

Este resumaço da jornada inclui também o emocionante abraço de Johanna Konta e Shuai Zhang, os planos dos maiores órgãos do tênis para fortalecer o combate à manipulação de resultados, uma gafe do torneio e um bolão improvisado durante a madrugada. Role a página, clique nos muitos links e fique por dentro.

O jogo mais esperado

No primeiro verdadeiro teste de sua consistência no Australian Open, Victoria Azarenka sucumbiu. O belíssimo torneio da bielorrussa foi jogado fora em dois momentos. Um péssimo começo de partida e um desastroso fim de segundo set, com cinco set points perdidos em seu próprios games de serviço. Angelique Kerber, o retrato da regularidade, sobreviveu mesmo com um saque vulnerável e fez 6/3 e 7/5 para alcançar as semifinais em Melbourne pela primeira vez na carreira.

Obviamente foi um dia ruim de Vika, que nunca esteve à vontade para atacar buscando as linhas, algo necessário para enfrentar Kerber. Depois de deixar a alemã abrir 4/0, a bielorrussa diminuiu um pouco a agressividade, deixou a adversária errar um pouco mais e até equilibrou as ações, devolvendo uma das quebras, mas foi só.

A segunda parcial parecia bem encaminhada, mas a coisa desandou depois que Azarenka abriu 5/2 e 40/0. Kerber venceu três pontos seguidos sendo mais agressiva e salvou mais dois set points quando Vika teve 5/4 e 40/15. O que parecia um terceiro set certo tornou-se um pesadelo para a ex-número 1. Kerber viu a chance e não bobeou. Virou o set, conseguiu sua primeira vitória em sete partidas contra Azarenka e esbanjou alegria na comemoração.

A adversária de Kerber na semifinal será a britânica Johanna Konta (#47), que venceu o duelo de zebras contra a chinesa Shuai Zhang (#133). A inglesa nascida na Austrália fez 6/4 e 6/1 e se tornou a primeira britânica a alcançar a semifinal do Australian Open desde Jo Durie em 1983, ano em que foram lançados Billie Jean (Michael Jackson) e O Retorno de Jedi. Também foi o ano do bicampeonato do espetacular Nelson Piquet na Fórmula 1.

Konta, é bom lembrar, disputa uma chave principal de Slam pela nona vez, mas fez este ano sua estreia entre as 128 em Melbourne. De 2013 a 2015, disputou o qualifying e não conseguiu se classificar.

Eu ganhei, nós empatamos, vocês perderam

Em todo Slam, acontece pelo menos uma vez. Um tenista famoso perde e deixa a quadra dizendo algo do tipo “o jogo estava na minha raquete” ou “eu perdi”, sem dar o devido mérito à adversária. Até que demorou, mas chegou este momento na edição 2016 do torneio australiano, cortesia de Victoria Azarenka – ou da interpretação que deram a sua entrevista coletiva.

A percepção da maioria (e eu nem sei se concordo, mas isso é outra discussão) foi que Vika não deu o devido mérito para Kerber. De fato, Azarenka faz uma grande lista se suas falhas durante o jogo, mas ela também admite que a alemã foi agressiva e que sacou bem nos momentos mais importantes.

A frase que marca mais é a seguinte: “Acho que ela foi agressiva. Ela sacou bem. Especialmente nos momentos importantes ela sacou muito bem, mas para mim é difícil de julgar porque acho que nos conhecemos muito bem. Hoje, eu realmente sinto que foi minha culpa. Não fiz o suficiente com o que tive hoje.”

A avaliação de Kerber (que até onde eu sei, não tinha ideia da declaração de Azarenka) rendeu até o tuíte oficial do Australian Open copiado acima. A alemã crava: “Eu fiz meu jogo desde o primeiro ponto. Fui mais agressiva desta vez. Ela não perdeu; eu venci de verdade.”

E os homens?

Andy Murray (#2) x David Ferrer (#8) foi tudo que se esperava de um jogo entre eles. Um tanto previsível, é bem verdade, mas bem divertido de ver. Ralis impressionantes, defesas incríveis, contra-ataques espetaculares e oito saques quebrados. O nível foi bem alto e se manteve bem alto durante a maior parte das 3h25min de jogo. De novidade, apenas uma paralisação de cerca de dez minutos para fechar o teto retrátil, já que uma chuva forte se aproximava.

No fim, porém, o placar também foi previsível: Murray venceu em quatro sets, com parciais de 6/3, 6/7(5), 6/2 e 6/3. Apenas pela curiosidade, os três últimos duelos entre eles em torneios do Grand Slam terminaram em quatro sets, com o britânico levando a melhor e com o espanhol ganhando um tie-break.

Murray, o vencedor

Soa como piada pronta, mas o grande vencedor desse jogo de quartas de final entre Milos Raonic e Gael Monfils foi… Andy Murray! Pelo menos era isso que estava na chave no site do Australian Open na noite deste quarta.

A verdade verdadeira

No mundo real, Andy Murray vai enfrentar Milos Raonic (#14) nas semifinais. O canadense enfrentou pouca resistência de Gael Monfils (#25), que até venceu um set, mas nem esteve perto nos outros. As parciais foram 6/3, 3/6, 6/3 e 6/4. Será a primeira semifinal em Melbourne na carreira de Raonic – a segunda em um Slam, depois de Wimbledon/2014.

Não dá para ignorar que o canadense agora tem nove vitórias consecutivas, o que é um recorde para ele em torneios de nível ATP. Antes do Australian Open, Raonic foi campeão em Brisbane, onde bateu Roger Federer na final. A sequência de vitórias também inclui triunfos sobre Stan Wawrinka, Viktor Troicki e Bernard Tomic. O momento é realmente estupendo e é justo imaginar que ele terá chances contra Andy Murray na sexta-feira. Mas… será?

O brasileiro

Bruno Soares venceu outra vez. Pela 11 vez seguida, aliás, somando o título do ATP de Sydney e as campanhas nas duplas e duplas mistas em Melbourne. O triunfo desta quarta colocou o mineiro nas semifinais também nas mistas. Ele e Elena Vesnina derrubaram Jamie Murray (sim, o parceiro) e Katarina Srebotnik por 6/2 e 6/3, sem grandes problemas.

Brasileiro e russa, que fizeram um bate-papo ao vivo via Periscope nesta quarta-feira, agora aguardam por seus próximos adversários, que sairão do jogo entre Sania Mirza e Ivan Dodig, cabeças de chave 1, e Martina Hingis e Leander Paes. Quem quer que vença será um adversário bastante indigesto.

A chave masculina:

[1] Novak Djokovic x [3] Roger Federer
[13] Milos Raonic x Andy Murray [2]

A chave feminina:

[1] Serena Williams x [4] Agnieszka Radwanska
[7] Angelique Kerber x Johanna Konta

Os melhores lances

Nem de perto foi o melhor lance do jogo, mas foi o que escolheram no canal oficial do Australian Open no YouTube. De qualquer modo, fica o registro dessa passada de Andy Murray na corrida.

Não foi um ponto, mas foi um lindo momento de Johanna Konta e Shuai Zhang junto à rede, logo depois do match point. Vale ver.

Bolão Impromptu do Dia

A partir deste parágrafo, esta seção é criada com status de permanente para elogiar os tuiteiros da madrugada que se dispõem a tentar acertar uma pergunta aleatória lançada durante uma partida qualquer. O grande nome desta quarta-feira foi o Matheus Bernardes, primeiro a dar a resposta certa.

União contra a manipulação

Após a polêmica história-não-história da semana passada, quando BBC e BuzzFeed disseram possuir uma lista de partidas investigadas, mas não divulgaram nomes, os principais órgãos do tênis (ITF, ATP, WTA e o Grand Slam Board) anunciaram a criação de um processo independente de revisão que tem como objetivo “preservar a integridade do jogo”. A história completa está aqui.

O chamado IRP (Independent Review Panel), que será liderado por Adam Lewis, especializado em lei esportiva, terá como principais objetivos analisar questões como as citadas abaixo e fazer recomendações:

– Como a Tennis Integrity Unit (TIU, órgão que investiga partidas sob suspeita de manipulação) pode ser mais transparente sem comprometer a necessidade de confidencialidade em suas investigações;

– Avaliar recursos adicionais para a TIU nos torneio e internamente;

– Mudanças estruturais e/ou de governança que deem mais independência à TIU; e

– Como aumentar o alcance do programa de educação de integridade no tênis.

A história completa está no site da ITF.

O que vem por aí no dia 11

A programação de quinta-feira, em Melbourne, começa com Bruno Soares e Jamie Murray tentando uma vaga na final de duplas. Brasileiro e britânico encaram os franceses Adrian Mannarino e Lucas Pouille na Rod Laver Arena logo no primeiro horário do dia. Os outros dois jogos lá serão as semifinais femininas. Primeiro, Serena Williams enfrenta Agnieszka Radwanska. Em seguida, Angelique Kerber e Johanna Konta decidem a segunda vaga na decisão. À noite, Roger Federer e Novak Djokovic fazem a primeira semifinal masculina.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 8: aces que sumiram, a dor de Keys e “3” vitórias de Bruno Soares
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Alexandre Cossenza

A segunda-feira não foi um dia de muitos aces em Melbourne. John Isner disparou 18 e acabou eliminado, enquanto Milos Raonic conseguiu 24 em cinco sets (mesma média de Isner), mas compensou com voleios eficientes e um plano de jogo perfeito. O oitavo dia do Australian Open, porém, foi bom mesmo para Bruno Soares. Além de duas vitórias em quadra, o mineiro contou com a eliminação de Bob e Mike Bryan, que seriam seus adversários nas quartas de final.

Este resumo do dia fala ainda do esperado duelo entre Victoria Azarenka e Angelique Kerber, da doída – literalmente – eliminação de Madison Keys, da zebra de Johanna Konta e de Andy Murray, que venceu em três sets após um par de dias nada normais durante um Slam. Role a página e fique por dentro.

O brasileiro

Único representante do país no torneio, Bruno Soares continua 100% em Melbourne depois de duas partidas e “três” vitórias nesta segunda. Primeiro, ele e Jamie Murray derrotaram Robert Lindstedt e Dominic Inglot por 6/3 e 6/4. O jogo só teve drama no fim do segundo set, quando brasileiro e escocês perderam dois match points no saque de Lindstedt e depois precisaram salvar dois break points no serviço de Murray. Tudo, porém, deu certo, e Bruno Soares está nas quartas de final. O brasileiro, aparentemente, ganhou até no “Pedra, Papel, Tesoura”.

A segunda vitória para Bruno e Jamie foi saber que eles não enfrentarão Bob e Mike Bryan nas quartas. Os gêmeos americanos levaram a virada e foram eliminados por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 3/6, 6/3 e 6/4. A notícia é ótima também para Marcelo Melo, duplista número 1 do mundo, que perderia a liderança do ranking se os Bryans fossem campeões. O mineiro, no entanto, ainda não está 100% seguro e será ultrapassado se Horia Tecau e Jean Julien Rojer levantarem a taça.

Do ex-parceiro para o atual

Nas duplas mistas, Bruno Soares e Elena Vesnina venceram outra vez. As vítimas do dia foram o ex-parceiro de Bruno, Alexander Peya, e a taiwanesa Su-Wei Hsieh: 6/2 e 6/3, sem drama. A curiosidade é que nas quartas de final brasileiro e russa vão enfrentar o atual parceiro de Bruno, Jamie Murray. O britânico joga a chave de duplas mistas ao lado da eslovena Katarina Srebotnik.

Os favoritos

Na chave feminina, duas favoritas confirmaram as expectativas e se enfrentarão nas quartas. Isso também significa que ambas finalmente terão desafios à altura. Sim, as duas. Antes desta segunda-feira, Angelique Kerber havia derrotado Doi, Dulgheru e Brengle. Victoria Azarenka, por sua vez, teve no caminho Van Uytvanck, Kovinic e Osaka.

Para Kerber, a vítimas de hoje foi Annika Beck (#55), que até fez um primeiro set equilibrado com a compatriota, mas não conseguiu acompanhar a consistência da adversária no segundo set. Kerber acabou triunfando por 6/4 e 6/0.

Azarenka também teve mais trabalho. Mais do que em toda a temporada, é bom dizer. Barbora Strycova (#48) fez uma partida inteligente, usando curtinhas, slices e todas variações à disposição, mas acabou sucumbindo diante de uma oponente mais regular e com golpes mais potentes: 6/2 e 6/4.

Vale lembrar que os seis games conquistados por Strycova foram o máximo que Azarenka cedeu nesta temporada. E mais: somando as primeiras três rodadas do Australian Open, a ex-número 1 havia perdido apenas cinco games. Ela e Kerber agora reeditarão a final de Brisbane, vencida por Vika por 6/3 e 6/1. A bielorrussa, recordemos, nunca perdeu para a alemã – e já foram seis confrontos.

Ao fim do duelo desta segunda, Azarenka, fã de futebol americano (ou hater de Tom Brady, não sei exatamente o nível de sua ligação com a NFL) ainda perguntou em público se o Denver Broncos havia vencido a final da AFC contra o New England Patriots. Quando soube que sim, deu um grito que deixou o público meio confuso na Rod Laver Arena.

O estranho é que quando Azarenka entrou em quadra, o jogo entre Broncos e Patriots já havia acabado há mais de duas horas. Logo, ou Vika ficou totalmente desligada dos acontecimentos ou quis só fazer uma graça, comemorando na quadra central do Australian Open.

Entre os homens, o grande favorito da noite era Andy Murray (#2), que fez o esperado e despachou Bernard Tomic (#17): 6/4, 6/4 e 7/6(4). Foi o quarto duelo entre eles, e o australiano ainda não venceu um set. Apesar de vir em um jogo um tanto inconstante, com muitas quebras, a vitória em sets diretos é uma notícia ótima para o favorito, que viveu dias complicados. No sábado, correu para o hospital para ver o estado de seu sogro, que desmaiou durante uma partida de Ana Ivanovic. No domingo, voltou ao hospital para uma visita.

Na coletiva, Murray adotou um discurso bem diferente do de Federer para falar sobre Tomic. O escocês disse que Tomic vem evoluindo, que lida bem com a pressão e que costuma jogar bem no Australian Open. Para Murray, falta consistência ao longo do ano, mas “é normal para jovens ter altos e baixos.” O britânico terminou a “avaliação” cravando que Tomic será um top 10 “for sure”.

O jogo mais esperado

Stan Wawrinka (#4) tem ótimo histórico em Melbourne e vinha de um título em Chennai. Milos Raonic (#14) chegou embalado pela conquista em Brisbane e jogou um tênis empolgante nas primeiras rodadas. Por isso tudo, o duelo entre eles começou cheio de expectativa e não decepcionou.

O suíço teve problemas para encontrar seu jogo. Com Raonic sacando bem e pressionando com ótimas subidas à rede – tanto na execução de voleios e smashes quanto na escolha do momento de avançar – Wawrinka demorou a ficar à vontade do fundo de quadra. Perdeu o primeiro set e até conseguiu uma quebra no início do segundo, mas também acabou superado.

A partida começou a virar na terceira parcial, com o suíço finalmente encaixando alguns de seus melhores golpes do fundo de quadra e, principalmente, voltando a usar toda potência de forehands e backhands. Venceu o terceiro, venceu o quarto e forçou o quinto set.

O problema é que a pressão de Raonic era sempre grande e quem saca a mais de 200 km/h com tanta frequência acaba tendo uma certa margem para agredir mais. Se não conseguiu converter nenhum dos quatro break points no fim do quarto set, o canadense chegou à quebra no sexto game da parcial decisiva. Depois disso, Wawrinka não ameaçou mais: 6/4, 6/3, 5/7, 4/6 e 6/3, em 3h47min.

O adversário do invicto Raonic nas quartas em Melbourne será Gael Monfils (#25), que faz sua melhor campanha no Slam australiano. Não que não seja esperado. O francês se beneficiou da chave esburacada sem a presença de Rafael Nadal e foi avançando, derrubando Yuichi Sugita (#124), Nicolas Mahut (#63), Stéphane Robert (#225) e, nesta segunda, Andrey Kuznetsov (#74). Muitos ATPs 250 não têm chave tão acessível quando a de Monfils em Melbourne.

E antes que o leitor afobado diga “nossa, o Cossenza quer tirar o mérito do Monfils”, digo que não. São duas coisas diferentes. Uma: Monfils não tem culpa de pegar a chave que pegou. Entrou em quadra e fez o seu. A outra: não dá para dizer que foram atuações espetaculares ou que o francês chega às quartas jogando um tênis de altíssimo nível porque a verdade é que ele não foi testado. Sem drama.

Os aces que faltaram

John Isner (#11) chegou às oitavas de final em Melbourne como líder de aces do torneio e sem ceder um break point sequer. Nesta segunda, diante de David Ferrer (#8), foi quebrado três vezes e eliminado do torneio por 3 sets a 0: 6/4, 6/4 e 7/5, em 2h05min de jogo.

Vale lembrar que Isner pediu para jogar no fim do dia porque queria ver a final da NFC, com o “seu” Carolina Panthers enfrentando e atropelando o Arizona Cardinals. O jogo, inclusive, teve um daqueles raros momentos em que 40-15 não é um placar de tênis. Mas eu divago. O interessante é imaginar se jogar à noite, quando as condições são bem mais lentas do que de dia, atrapalhou o americano. É impossível dizer ao certo o quanto Ferrer se beneficiou com o horário, mas talvez Isner passe algum tempo pensando nisso.

Ferrer, por outro lado, chega às quartas sem perder um set (bateu Gojowczyk, Hewitt, Johnson e Isner) sequer. Logo ele que trocou de raquete no começo do ano e teve apenas um mês para se adaptar à nova “ferramenta”.

A zebra

Não foi um dia de resultados espantosos, mas é preciso registrar a surpreendente vitória da britânica Johanna Konta (#47) sobre a russa Ekaterina Makarova (#24): 4/6, 6/4 e 8/6, em 3h04min.

Responsável pela eliminação de Venus Williams na primeira rodada, a britânica que nasceu em Sydney (mas adotou a Inglaterra como residência) se tornou a primeira britânica desde Jo Durie – em 1983 – a alcançar as quartas de final.

Enquanto britânicos e australianos brigam pela nacionalidade de Johanna Konta, a moça se prepara para enfrentar a qualifier chinesa Shuai Zhang (#133), que passou pela americana Madison Keys (#17) em um jogo dramático: 3/6, 6/3 e 6/3.

A tensão ficou por conta de Keys, que venceu a primeira parcial, mas começou a sentir fortes dores desde o início do segundo set. Sem conseguir se movimentar normalmente, a americana fez o possível para se manter com chances de avançar, mas não foi possível. Saiu de quadra às lágrimas, de cabeça baixa, enquanto Zhang festejava e mal encontrava palavras (em inglês) para dar sua entrevista.

As quartas de final definidas

Na chave masculina, as quartas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x Tomas Berdych [6]
Gael Monfils [23] x [13] Milos Raonic
[8] David Ferrer x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x [10] Carla Suárez Navarro
[7] Angelique Kerber x [14] Victoria Azarenka
Johanna Konta x [15] Madison Keys / Shuai Zhang

Os melhores lances

Um rali de 32 golpes entre Andy Murray e Bernard Tomic terminou com um incrível ângulo encontrado pelo escocês.

O melhor do dia 9

A programação de terça-feira, em Melbourne, tem apenas quatro jogos de simples, mas são todos grandes duelos. A sessão diurna da Rod Laver Arena tem Radwanska x Suárez Navarro, Serena x Sharapova e Federer x Berdych. À noite, Djokovic enfrenta Nishikori.

Na chave de duplas masculinas, Bruno Soares e Jamie Murray voltam à quadra em busca de um lugar nas semifinais. Eles fazem o quarto jogo da Quadra 2 contra Raven Klaasen e Rajeev Ram. Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 4: show de Vika, massacre de Murray e adeus de Hewitt
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Alexandre Cossenza

Victoria Azarenka e Andy Murray deram mais uma prova de que são fortes candidatos ao título do Australian Open. Nesta quinta-feira, ainda na segunda rodada do torneio, bielorrussa e escocês bateram seus adversários de forma contundente, deixado claro que estão em grande forma.

O momento mais marcante do dia, contudo, foi a despedida de Lleyton Hewitt, que encerra a carreira (embora ainda esteja vivo na chave de duplas) após 20 participações no Australian Open. Este resumaço do quarto dia de torneio relata a cerimônia de despedida do australiano, juntamente com outros destaques do dia: a partida “boyhoodiana” entre Feliciano e Guido Pella, um lance espetacular de Vika, a decepção com Bellucci e a lembrança de uma “maldição”.

Os favoritos

A primeira favorita a entrar em quadra nesta quinta-feira foi Victoria Azarenka, que finalmente perdeu games no torneio. Só que não foram tantos assim. Depois da bicicleta na estreia, contra Alison Van Uytvanck, a bielorrussa fez 6/1 e 6/2 sobre a montenegrina Danka Kovinic (#54).

Não posso falar muito sobre o jogo – fiquei vendo as duplas de Soares e Sá, que foram jogadas no mesmo horário – mas os números de Vika continuam animadores. Ótima porcentagem de primeiro serviço (69%), excelente índice com o fundamento (92% de pontos vencidos) e nenhum break point cedido. Azarenka também somou 19 winners e só nove erros não forçados.

Talvez não tão animador para os fãs da bielorrussa seja a notícia de que Vika continua em rota de colisão com a espanhola Garbiñe Muguruza, que voltou a vencer com folga. A espanhola, número 3 do mundo, aplicou 6/4 e 6/2 sobre a belga Kirsten Flipkens (#80).

Agora basta mais uma vitória de cada para que Azarenka e Muguruza se encontrem nas oitavas de final. As duas nunca se enfrentaram, e esse primeiro duelo teria muito em jogo. Ambas estão na metade mais fraca da chave (longe de Serena, Radwanska e Sharapova), e a vencedora enfrentaria possivelmente Angelique Kerber (#6) nas quartas.

Entre os homens, o destaque do dia foi para Andy Murray, que deu mais uma demonstração de força ao domar os potentes saques de Sam Groth. Quando o australiano saiu do zero no placar, o britânico já liderava por 6/0 e 3/0. Groth ainda fez um segundo set razoável, mas a precisão de Murray impressionava. O #2 do mundo acabou vencendo por 6/0, 6/4 e 6/1.

O jogo mais esperado

Lleyton Hewitt e David Ferrer abriram a programação noturna na Rod Laver Arena com a carreira do australiano por um fio. A derrota significaria sua última partida oficial de simples (Rusty ainda está nas duplas ao lado de Sam Groth), e Ferrer acabou se mostrando consistente demais para o veterano de 34 anos.

O jogo cumpriu perfeitamente as expectativas, com um Ferrer mais sólido e um Hewitt brigando por todos os pontos e correndo atrás de todas as bolas, esbravejando a cada chance de quebra não convertida. O encontro incluiu até um bate-boca com o árbitro de cadeira, Pascal Maria. Típico Lleyton Hewitt.

O pós-jogo foi emocionante. Primeiro, David Ferrer deu uma longa (para seus padrões) entrevista, afirmando sua admiração por Hewitt e revelando que só tinha, em casa, uma camisa autografada: justamente a do australiano.

Em seguida, Hewitt foi entrevistado e viu mensagens exibidas no telão. Roger Federer agradeceu pela rivalidade, Rafa Nadal falou sobre o quando Rusty era uma inspiração e um exemplo, e Andy Murray disse que Hewitt sempre o respeito e ajudou desde os primeiros anos de carreira.

Foi uma cerimônia emocionante, com o público de pé a a família inteira de Hewitt na Rod Laver Arena. Seus três filhos entraram na quadra para receber os últimos aplausos ao lado do pai. Uma cena memorável, com direito a um pôster com os dizeres “Thanks, mate” no caminho para o vestiário.

Há muito a dizer sobre Hewitt, um adolescente prodígio que entrou no circuito na época de Sampras e Agassi, tirou o número 1 de Gustavo Kuerten e se tornou o líder do ranking mais jovem da história. Guardo a maioria para outro texto, a ser publicado ainda hoje aqui no blog.

O jogo “boyhoodiano”

Foram 4h36min, quatro tie-breaks e drama de sobra. Guido Pella (#75) ainda salvou dois match points e conseguiu levar a partida para o quinto set, mas Feliciano López (#19) acabou levando a melhor. O espanhol disparou 42 (!) aces e somou 97 (!!!) winners em toda partida. Pella, que fez “só” 13 aces, perdeu o saque no oitavo game do quinto set, mas devolveu a quebra logo na sequência, com Feliciano sacando para vencer. Pella, então, teve 4/5 para empatar o jogo, mas não resistiu. Ainda salvou outros dois match points, mas acabou derrotado com parciais de 7/6(2), 6/7(4), 7/6(3), 6/7(8) e 6/4.

Feliciano López, é bom dizer, ainda voltou para jogar duplas nesta quinta ao lado do compatriota Marc López. Eles enfrentaram e derrotaram os também espanhóis Daniel Muñoz de la Nava e Albert Ramos Viñolas por 6/4 e 6/3.

Cabeças que rolaram

Nenhum top 10 deu adeus nesta quinta, mas a chave feminina viu, logo no começo da tarde, Elina Svitolina (cabeça 18) tombar diante da qualifier Naomi Osaka, #127. A japonesa, que havia eliminado Donna Vekic na estreia, terá pela frente um obstáculo mais duro na sequência: Victoria Azarenka.

Outra seed a dar adeus foi Sabine Lisicki, cabeça 30. Um dia depois de perder seu recorde de aces para Kristyna Pliskova, a alemã foi derrotada em três sets pela tcheca Denisa Allertova: 6/3, 2/6 e 6/4. Allertova, #66, vai encarar Johanna Konta, #47, que superou Venus Williams na primeira rodada.

Jelena Jankovic (cabeça 19), ex-número 1 do mundo, foi outra pré-classificada a se despedir de Melbourne. A sérvia saiu na frente, mas cedeu a virada à alemã Laura Siegemund (#97) por 3/7, 7/6(5) e 6/4.

Na chave masculina, foram poucas as surpresas relevantes. A derrota de Jeremy Chardy, cabeça 30, nas mãos de Andrey Kuznetsov quase passa fora do radar, já que não se esperava muito do francês. Merece mais destaque a eliminação de Jack Sock (cabeça 25), de quem se esperava uma partida emocionante com Wawrinka na terceira rodada. O americano, entretanto, não passou por Lukas Rosol, que fez 7/66), 7/6(5) e 6/3. É dele a “recompensa” de encarar Stan the Man.

Os brasileiros

Duas duplas entraram em quadra quase ao mesmo tempo. A boa notícia é que, na Quadra 15, Bruno Soares e Jamie Murray deram sequência ao bom momento – os dois foram campeões em Sydney – e derrotaram Jonathan Marray e Aisam-ul-Haq Qureshi por 6/3 e 6/4.

A notícia ruim é que André Sá e Chris Guccione foram derrotados pelos favoritos Bob e Mike Bryan, que fizeram 7/5 e 7/6(4). A parte duplamente ruim da coisa é que os gêmeos americanos são os prováveis adversários de Soares e Murray nas quartas de final em Melbourne.

Nas duplas femininas, Teliana Pereira e Mariana Duque Mariño foram eliminadas pelas favoritíssimas Martina Hingis e Sania Mirza, líderes do ranking mundial. O jogo, que terminou em 6/2 e 6/3, significou a 31ª vitória seguida da parceria.

Por fim, Thomaz Bellucci decepcionou. Com uma rara chance de chegar à terceira rodada do Australian Open, o número 1 do Brasil ficou aquém do esperado. Não tanto pela derrota em si, mas pela maneira, sem sequer ameaçar o americano Steve Johnson, que avançou com parciais confortáveis: 6/3, 6/2 e 6/2, em menos de 1h30min. Nos três sets, Bellucci perdeu sempre seu primeiro game de serviço, só conseguiu break points em um game (não aproveitou) e cometeu 28 erros não forçados – o dobro do oponente.

Com a derrota em Melbourne, Bellucci, atual #37, termina uma campanha nada animadora pela Austrália. Fez quatro jogos e venceu apenas um – sobre um adversário que nem está entre os 100 melhores do mundo. Nas derrotas, não venceu nenhum set. Que a volta ao saibro lhe seja mais favorável.

A “maldição”

Ninguém disse que é fácil eliminar Rafael Nadal de um Slam, mas uma tendência curiosa se desenvolveu nas últimas oito vezes que um tenista considerado azarão eliminou o espanhol. Todos perderam nas rodadas imediatamente seguintes. A vítima da vez foi Fernando Verdasco. O homem que disparou 90 winners acabou tombando diante do israelense Dudi Sela (#87): 4/6, 6/3, 6/3 e 7/6(4).

É bom lembrar que a sequência não incluiu Novak Djokovic, responsável pela derrota de Nadal em Roland Garros/2015. É que o sérvio estava longe de ser azarão naquela partida. Logo, vem sendo excluído da “maldição”.

Os melhores lances

Victoria Azarenka aproveitou o ângulo cedido pela direita de Danka Kovinic e soltou o braço, mandando a bolinha por fora da rede.

E que tal Nick Kyrgios soltando o braço nas duplas?

Isso, sim, é entrega

Grandes nomes do tênis australiano foram homenageados com selos. Eles se juntam a Rod Laver e Margaret Court, eternizados anteriormente.

O melhor texto

Eric Butorac, ex-parceiro de Bruno Soares, conta a viagem (e “viagem”, aqui, tem duplo e até triplo sentido) de torcedor-com-ingresso-comprado a finalista do Australian Open em 12 anos. Texto em inglês. Dica da Aliny Calejon.

Mão mole

Vale o registro, ainda que só pela curiosidade. Stan Wawrinka, vestido como uma espécie de garoto-propaganda do McDonald’s, deixou a raquete escapar da mão logo depois de um ponto. Ele ainda tentou rebater a bola seguinte meio sem jeito, mas não deu muito certo.

O melhor do dia 5

Na programação de sexta-feira, em Melbourne, os jogos mais esperados são Roger Federer x Grigor Dimitrov, programado para fechar a sessão diurna da Rod Laver Arena, e Nick Kyrgios x Tomas Berdych, que encerrarão a sessão noturna, também na quadra principal do complexo.

O dia, no entanto, está recheado de estrelas. Serena Williams, Maria Sharapova, Novak Djokovic, Agnieszka Radwanska, Kei Nishikori, Belinda Bencic… Não deve ter sido montar a programação desta sexta-feira.

Há também três jogos com brasileiros em quadra. Logo no comecinho do dia, Marcelo Melo e Ivan Dodig fazem o primeiro jogo da Quadra 3 contra Austin Krajicek e Donald Young. Um pouco mais tarde, abrindo a programação da Quadra 19, Bruno Soares estreia nas duplas mistas ao lado de Elena Vesnina. Mineiro e russa vão enfrentar a chinesa Saisai Zheng e o sul-coreano Hyeon Chung.

Em seguida, na mesma quadra, Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner voltam à quadra para a segunda rodada da chave de duplas. Eles enfrentam o filipino Treat Huey e o bielorrusso Max Mirnyi. Veja os horários e a programação completa.


Rio Open: sobre ingressos, estrutura, bastidores e um pouco mais
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Alexandre Cossenza

Na manhã desta quinta-feira, o diretor do torneio, Luiz Procópio Carvalho, recebeu na sede da IMM alguns jornalistas que acompanham tênis para um café da manhã e um bate papo informal sobre os preparativos para o torneio. Lui, como o diretor é conhecido no circuito, deu muita informação: falou sobre a loucura que será fazer a programação com tantos nomes de peso, revelou detalhes da estrutura da edição 2016 do torneio e deu valiosas informações sobre como aconteceram as negociações com jogadores que o evento queria trazer ao Rio de Janeiro.

Separei abaixo os melhores trechos da conversa que durou cerca de 1h30min. Leiam até o fim porque há dicas importantes sobre o evento.

Quadra Central e valiosos ingressos sobrando

Como já foi anunciado em dezembro, o Rio Open terá apenas quatro jogos por dia na Quadra Central (em vez dos seis de 2014 e 2015). Parte da intenção é poupar os jogadores do calor. A outra parte é evitar que os jogos noturnos se estendam demais, como aconteceu de Nadal entrar em quadra à 1h e sair às 3h da madrugada no ano passado.

Com a chave masculina tão forte e outras atrações importantes (Nadal, Ferrer, Isner, Tsonga, Bellucci, Teliana, Bouchard, Soares e Melo), Lui já prevê que será complicado encaixar todos na arena principal do Rio Open, pelo menos nos primeiros dias do torneio.

O pepino para a organização é, ao mesmo tempo, uma recompensa aos fãs. É bastante provável que quem tiver ingresso para segunda e terça-feira vai ver ótimos nomes nas quadras externas. E vale lembrar que bilhetes da sessão diurna dão direito ao dia inteiro no complexo. O espectador pode chegar e ver o primeiro jogo da Quadra Central e ficar até a noite nas quadras menores.

Tudo depende do sorteio da chave, obviamente, mas é grande a chance de que nomes como Almagro, Fognini, Verdasco, Cuevas e Thiem joguem fora da Quadra Central. Ah, sim: há ingressos sobrando para as quatro sessões de segunda e terça (e nem são os mais caros), então, como dizem por aí, fica a dica.

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Programação

Sobre os jogos femininos, a intenção do torneio é abrir a programação da Quadra Central todos os dias com uma partida da WTA ou de duplas. De cara, a vontade é ter Teliana Pereira e Genie Bouchard nos primeiros dias (segunda e terça, logo no primeiro horário, às 14h15min). Tudo depende, claro, do sorteio da chave e de quando os jogadores chegarão ao Rio de Janeiro.

Sobre as duplas, o Rio Open pediu inclusive uma autorização especial para realizar a final de duplas no domingo, “no prime time”, após a final de simples (o regulamento não permite o jogo de duplas por último). Lui explica que fez o pedido porque possivelmente terá o duplista número 1 do mundo no torneio. Além disso, o diretor existe a possibilidade de Marcelo atuar ao lado de Bruno Soares.

Lui também falou que vem se mantendo em constante contato com André Sá e Bruno Soares – “especialmente o Bruno, que é mais vocal” – para conseguir agradar a todos na montagem da programação de jogos. “Está falado com eles, a gente conversou, eles entendem. Diferentemente do primeiro ano (2014), que foi um erro meu, de comunicação, de não ter falado com eles como ia funcionar o schedule”, explicou Lui.

Negociações com tenistas

Lui conta que “em junho, a gente tinha mais segurança que Nadal e Ferrer voltariam, então a gente queria um nome novo e a gente começou a mapear alguém com perfil ‘brasileiro’. Alguém que seja showman e faça sentido estar aqui. A gente começou a ver Monfils, Tsonga, Berdych e Wawrinka. Aí depende de calendário. Com o Tsonga, a gente deu uma sorte tremenda – e competência, espero – porque ele queria se preparar melhor para Roland Garros e a Copa Davis eles já estavam em conversa para jogar na América Central.”

Com o confronto contra o Canadá marcado para Guadalupe, o Rio Open viu o caminho para fechar com o francês, que tem base em Miami. Monfils, por outro lado, queria ficar na Europa após o Australian Open. Lui também tentou trazer Nishikori, e a negociação caminhou bastante. O torneio até se comprometeu a ceder um jatinho para que o japonês deixasse o Rio rumo a onde quer que fosse (o Japão joga na Inglaterra pela Copa Davis), mas Nishikori acabou decidindo não vir, optando por jogar em Acapulco na semana seguinte – o torneio é em quadra dura.

Quanto a Isner, a negociação começou com uma conversa informal com Justin Gimelstob, técnico do americano. O treinador acredita que Isner deveria jogar mais no saibro, então as negociações caminharam até o anúncio de dezembro. O detalhe é que as conversas começaram com a participação de Buenos Aires e São Paulo, mas o Brasil Open acabou não conquistando ninguém. “Infelizmente, São Paulo não quis dançar com a gente”, disse Lui. A negociação em conjunto continuou com o torneio portenho, que também terá o americano.

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A estrutura

De modo geral, a organização ficou satisfeita com a estrutura de 2015, por isso não haverá grandes mudanças. Ainda assim, houve uma alteração no lado da entrada dos jogadores para evitar tumulto e encurtar o tempo entre as partidas.

O Leblon Boulevard, que Lui chama carinhosamente de “nossa minicidade cenográfica” será um pouco maior, já que há novos patrocinadores. O torneio manteve 85% dos patrocinadores e conquistou outros dez parceiros para 2016. Considerando o momento da economia do país, é um feito e tanto.

O Rio Open terá um novo bar da Stella Artois, construído nos moldes de bares de grandes eventos como o US Open e o Miami Open, que tem lounge e TVs. Será posicionado bem na frente do telão que fica na lateral da Quadra Central.

Na questão de alimentação, fazem parte das novidades o food truck Frites e o Popcorn Truck da rede Cinemark, com pipoca gourmet.

Os banheiros, grande problema da edição da estreia que foi corrigido em 2015, terão a mesma (ótima) estrutura este ano. A novidade é a parceria com a Granado, o que garante a manutenção da qualidade (nenhuma marca patrocina banheiro sujo, então temos um fator tranquilizador a mais).

Nada muda no estacionamento. Ou seja, não há estacionamento do evento. A organização lembra, contudo, que há bolsões perto do Jockey Club Brasileiro: Parque dos Partins, Lagoon, Shopping Leblon, Cobal Leblon e Estapar na rua Jardim Botânico.

Transmissão de TV

Assim como no ano passado, não haverá transmissão dos jogos na Quadra 1 (em 2014, havia estrutura para transmissão de lá).

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Centro Olímpico

É uma questão recorrente, até porque ninguém sabe até agora quem administrará o Centro Olímpico de Tênis após os Jogos Rio 2016. A instalação, aliás, virou alvo de uma pendenga jurídica que só deus sabe como vai terminar. Mas eu divago. A questão é saber se o Rio Open, que continua crescendo apesar da economia brasileira, mudaria para a região do ex-autódromo de Jacarepaguá.

Lui inclusive concordou quando eu disse que a chave do Rio Open deste ano indica que o torneio está crescendo além da capacidade do Jockey Club. “A gente mensura o apetite pelo evento. A gente bota os ingressos à venda, e esgota sábado e domingo em três horas. Se tivesse uma quadra maior, iria vender mais ingresso, mas eu tenho a limitação de espaço do Jockey. A gente quer crescer o evento, mas organicamente. Não dá para fazer uma loucura. A pergunta é ‘o Rio Open dentro do Centro Olímpico tem uma quadra lotada?’ É difícil de responder. Botar dez mil pessoas constantemente… Porque é isso que a gente quer. A gente quer quadra lotada de segunda a domingo.”

Lui não dá uma resposta definitiva e lembra que existe a questão política que decidirá o que vai acontecer com o Centro após os Jogos, mas insiste em dizer quer “continuar crescendo o evento” e abraçar a oportunidade de se tornar um Masters 1.000 se ela se apresentar. “Acho que não é um sonho a América do Sul pleitear um Masters 1.000. Acho que agora a gente está num momento que faz sentido. A Europa tem, a Ásia tem, por que a América do Sul não tem? É um ponto questionável, e a gente gostaria de estar nessas conversas se isso for cogitado.”

Projetos sociais

O torneio ainda não anunciou oficialmente, mas haverá parcerias com três projetos sociais. Não só porque existe uma necessidade de boleiros, mas porque Lui lembra que “é uma coisa pessoal. Meu pai foi pegador de bola na infância, virou rebatedor, virou professor, tem uma academia de tênis e construiu o que ele tem graças ao tênis. O tênis não só forma profissionais como Julinho e Rogerinho, mas forma cidadãos. A história da minha família eu agarro com muito orgulho.”

O Rio Open cede bolas usadas para projetos sociais, mas dá material e alimentação para todos meninos e meninas. Além disso, cerca de 10-12 jovens com mais de 18 anos de projetos sociais que vão trabalhar no torneio nas áreas de tecnologia, entretenimento, ticketing e outras.

Também haverá um torneio entre cinco projetos sociais. As crianças serão misturadas (nada de um projeto jogando contra o outro) e formarão cinco equipes que se enfrentarão em partidas realizadas na Quadra 1 do Rio Open. A equipe campeã vai tirar uma foto com o tenista de der nome ao time. Se o Time Nadal for campeão, o grupo faz o clique com o eneacampeão de Roland Garros.

Na segunda-feira, primeiro dia da chave principal, o Rio Open distribuirá 400 ingressos para vários projetos sociais. A intenção é sempre “para incentivar a seguir no esporte mesmo. Eu acredito em formar melhor cidadãos.”

Coisas que eu acho que acho:

– Apenas por curiosidade (mesmo sem achar que teria uma resposta definitiva), perguntei se o cachê de Rafael Nadal havia diminuído depois de uma temporada abaixo das expectativas. Lui sorriu e respondeu: “Nadal é Nadal, amigo. Nadal é Nadal. Para mim, se Nadal chegar número 1 ou 25… É mais para a imprensa escrever porque é Nadal, cara. As pessoas continuam querendo ver.”

– Lembrete importante: as chaves do Australian Open foram sorteadas nesta sexta-feira (noite de quinta no Brasil). Até amanhã o blog terá os tradicionais posts sobre as chaves masculina e feminina. Até lá!


Quadra 18: S01E19
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic completou uma temporada espetacular com mais um título e mais uma vitória sobre Roger Federer. No embalo do ATP Finals, o podcast Quadra 18 está de volta com mais um episódio cheio de informações. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu comentamos os oito melhores simplistas, o Finals de duplas e as notícias mais quentes como a ameaça terrorista na Bélgica, onde será disputada a final da Copa Davis, e a exclusão dos pontos do torneio olímpico de tênis.

Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir fazer o download do episódio, clique neste link com o botão direito do mouse e, depois, em “salvar como”.

Ah, sim: também falamos sobre a final da Fed Cup, os planos da ATP de realizar uma espécie de ATP Finals Sub-21 e a volta de Carlos Bernardes às partidas de Rafael Nadal em 2016.

Os temas

0’00 – Higher (Sigma feat. Labrinth)
0’41’’ – SURPRESA! Djokovic venceu o Finals.
1’44’’ – “Não pode ter feito 15 finais seguidas. Alguém errou a conta”
2’25’’ – Os jogos contra Federer: o que mudou de um para o outro
5’50’’ – Frases distorcidas em coletivas
6’48’’ – O efeito Djokovic: forehands, riscos e o jogo tático em Djokovic x Federer
11’02’’ – O 2015 de Federer foi melhor que o seu 2014?
12’49’’ – Murray travando contra os tops
15’00’’ – Murray ou Wawrinka?
16’52’’ – “O Stan é muito humano, né?”
20’30’’ – Os “outros” do ATP Finals
21’50’’ – Pergunta: “O que é preciso para bater Djokovic?” Respostas: “bigorna do Coyote”, “seja Wawrinka em Paris” e “macumba”.
22’50’’ – Pergunta: “Qual a diferença do domínio de Serena na WTA e o de Djokovic na ATP?”
23’23’’ – Pergunta: “Neste ritmo, em que degrau da história do tênis Djokovic pode chegar?”
25’28’’ – Pergunta: “Federer ano que vem continua como principal adversário de Djokovic?”
25’44’’ – Pergunta: “Qual será a prioridade de Djokovic em 2016: Roland Garros ou Olimpíadas?”
27’37’’ – Pergunta: “Vocês também acham que o melhor do Finals foi o extraquadra? Murray cortando o cabelo e deixando o box vazio, a ex do Stan…”
31’41’’ – Barbagate + comentário: “Federer é meio Tony Ramos, né?”
33’59’’ – Duuuuuuuuuuu-plaaaaaaaaas
34’24’’ – Aliny esperava número 1 título de Rojer/Tecau?
36’18’’ – Parênteses sobre a namorada “peituda” de Robert Lindstedt
37’30’’ – “Falando de beijos e romances…”
37’45’’ – A campanha de Marcelo Melo e Ivan Dodig
39’18’’ – Desabafos contra John Peers
40’34’’ – Bopanna e Mergea surpreenderam?
41’23’’ – Aliny analisa o momento dos Bryans e como isso reflete no circuito
43’02’’ – Críticas sobre a não-transmissão da semifinal
48’40’’ – 22 Acacia Avenue (Iron Maiden)
49’19’’ – Preocupação com a segurança na final da Copa Davis
53’05’’ – Comentários sobre a falta de pontos nos Jogos Rio 2016
58’08’’ – A ideia do ATP Finals sub-21
61’10’’ – Rafa Nadal e Carlos Bernardes, o retorno em 2016
63’00’’ – República Tcheca vence a Fed Cup novamente
63’45’’ – Inédito: Cossenza elogia Sharapova
65’25’’ – England (Edguy)

Créditos musicais

Por causa do ATP Finals em Londres, a trilha sonora tem tema inglês. A faixa de abertura é Higher (Sigma feat. Labrinth). As outras duas faixas são 22 Acacia Avenue (Iron Maiden) e England (Edguy).


Manifestações do “efeito Djokovic”
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Alexandre Cossenza

Três títulos e um vice nos quatro Slams, seis troféus e dois vices em oito Masters 1.000 disputados, 82 vitórias e apenas seis derrotas, mais de US$ 21 milhões em prêmios. Neste domingo, Novak Djokovic completou uma das temporadas mais espetaculares da história do tênis. E fechou o ano com uma vitória por 6/3 e 6/4 sobre Roger Federer, deixando evidentes todos os muitos detalhes que fizeram dele não só o atual líder disparado do ranking, mas um tenista muito superior ao resto do circuito mundial em 2015.

De tudo que já escrevi e analisei em posts anteriores sobre os méritos de Djokovic, resta pouco a acrescentar. O circuito inteiro sabe das qualidades e dos pontos fortes do atual número 1. A questão é que ninguém consegue encontrar respostas para derrotá-lo consistentemente. Federer, que entre todos é o tenista com mais recursos, foi brilhante nas três vitórias que obteve (Dubai, Cincinnati e primeira fase do Finals), mas sucumbiu nos duelos mais importantes (Wimbledon, US Open e a decisão do Finals). Com todas as cartas na mesa, Djokovic ainda sobra.

A superioridade do sérvio se reflete no ranking. Ele lidera com 16.585 pontos, deixando muito atrás Andy Murray (8.670) e o próprio Federer (8.340). É interessante também notar o quanto Djokovic afetou seus rivais mais frequentes em 2015. A final deste domingo foi um ótimo exemplo. Muito se comentou, por exemplo, na transmissão do SporTV sobre os erros não forçados do suíço. Foram 31 ao todo. Ora, será que não seria o caso de avaliar o mérito de Djokovic nisso?

Como o #1 conseguiu executar bolas tão profundas com tanta consistência, Federer mal podia avançar e agredir. Subir à rede era arriscado demais (as duas passadas seguidas na primeira quebra de saque são testemunha disso), e tentar ralis do fundo de quadra tampouco soava como boa opção para o suíço. Logo, Federer tentava sempre bolas mais fundas, slices mais rasantes, golpes mais agressivos. Muitas dessas tentativas resultaram em erros não forçados. Outras falhas, que aconteceram em golpes não tão agressivos, eram decorrentes da insistência de Federer em não recuar. Nole também tem culpa nesse cartório. Trocando em miúdos, são manifestações do que chamo de “efeito Djokovic”.

Roger Federer termina o ano como #3 do mundo, atrás de Murray, mas dono de belíssimas campanhas. Fez um Wimbledon irretocável até a final e também alcançou a final em Nova York. Além disso, experimentou um novo tipo de devolução, quase de bate-pronto, que surpreendeu adversários e deixou especialistas boquiabertos. Se o 18º Slam não veio, repito, culpem o sérvio.

O “efeito Djokovic” também se manifestou repetidamente em Andy Murray. O britânico fez possivelmente a temporada mais consistente da carreira, com ótimos resultados inclusive no saibro – algo que lhe faltava. E seu 2015 não acabou, é bom que se diga. O escocês ainda vai brigar pelo título da Copa Davis no fim de semana, em Ghent, na Bélgica (se o confronto ocorrer, já que as questões de segurança na Bélgica não são as mais favoráveis).

Tendo em conta que Murray fechou 2014 ainda sem mostrar o velho tênis pré-cirurgia nas costas (ele operou em setembro de 2013), 2015 foi um grande ano que começou com uma ótima campanha na Austrália e teve grandes momentos como o título em Madri (final no saibro e na Espanha contra Rafael Nadal), o troféu em Queen’s e a conquista em Montreal, além, claro, das atuações na Copa Davis (seis jogos e seis vitórias em simples – todos “live rubbers”).

Se o escocês não fez mais na temporada, foi por causa do “efeito Djokovic”. O sérvio lhe impôs derrotas em Miami, Indian Wells, Xangai e Paris, sem contar os Slams. Em Melbourne, Murray parecia o melhor tenista em quadra no início do terceiro set, mas perdeu-se mentalmente na partida e viu o rival disparar no placar. Em Roland Garros, outro jogaço. Nole abriu dois sets de frente, mas o britânico lutou e forçou o quinto, mas – de novo – sem sucesso.

No balanço, é injusto condenar Murray por ter feito o mesmo que a maioria do circuito: sucumbir diante de Djokovic. Ao todo, o britânico deixou de ganhar 2.760 diretamente por causas derrotas diante do #1 (a conta nem leva em consideração os ganhos em potencial em rodadas seguintes). Uma ou duas vitórias a mais contra Nole teriam deixado o escocês (que só venceu em Montreal) com folga na vice-liderança do ranking. Algo que certamente teria lhe colocado menos vezes diante do sérvio. Se serve de consolo, Andy abre 2016 como #2 do mundo e só encontrará Djokovic se os dois forem outra vez à final em Melbourne.

Stan Wawrinka talvez seja o protagonista do momento mais impactante da temporada. Quando Novak Djokovic apresentava-se como favoritíssimo para fechar seu Career Slam e conquistar Roland Garros, o suíço fez uma partida inesquecível (tão memorável quanto sua escolha de shorts para aquele torneio) e derrubou o número 1 do mundo. Era impossível prever na época, mas foi a única derrota de Djokovic em todos os quatro Slams em 2016.

Não que tenha sido o único momento de brilho de Wawrinka na temporada. Stan ainda foi campeão em Roterdã e Tóquio. Entretanto, após as fantásticas duas semanas de Roland Garros, houve uma sensação de que o suíço poderia ter feito mais – como quase sempre acontece quando se fala de alguém com tanto potencial – e até, quem sabe, brigado pela vice-liderança do ranking no fim do ano.

No fim das contas, Wawrinka encerra a temporada na mesma posição que começou (em 2014, também conquistou um Slam) e sem responder de forma definitiva a questão que todos faziam no fim do ano passado: “Será que Stan consegue jogar seu tênis espetacular com mais frequência e brigar por posições mais altas no ranking?” Ou será que a resposta é “sim” e teremos todos que nos contentar de vez em ver seu melhor tênis em flashes (espetaculares) de brilho?

Rafael Nadal encerrou um turbulento 2015 de forma digna. Mais interessado do que nunca na temporada indoor de quadras duras, o espanhol fez uma longa série de torneios (Pequim, Xangai, Basileia, Paris e Londres) após o US Open e, inegavelmente, evoluiu em sua nova proposta de jogo. As boas vitórias sobre Wawrinka, Murray e Ferrer no ATP Finals comprovaram isso.

A distância para Djokovic, no entanto, não parece menor. No sábado, nas semifinais, o #1 foi superior desde o começo. Nadal até fez uma boa apresentação, mas raramente conseguiu sair da defesa (não que não tentasse) e fez pouquíssimo nos games de saque do sérvio. Sua posição de devolução, agora mais próxima da linha de base, embora lhe permita ser mais agressivo, reduz o tempo de reação. E o ex-número 1 quase nunca conseguiu atacar logo em seu primeiro golpe. O resultado disso foi um Djokovic confortável o bastante para ser até um pouco mais agressivo nos games de devolução.

No balanço, foi uma temporada muito abaixo da média para Nadal, que, ainda assim, fecha 2015 como número 5 do mundo. O copo-meio-cheio da coisa toda é que seu tênis evoluiu nitidamente desde o começo do ano e lhe rendeu bons resultados em circunstâncias que não são as mais favoráveis (quadras duras, rápidas e cobertas). Os fãs podem levar algum otimismo para o começo de 2016.

Tomas Berdych foi, mais uma vez, consistente em sua inconsistência. Dono de um tênis com potencial para ir mais longe do que normalmente vai em torneios grandes, o tcheco teve como melhores resultados em 2015 os títulos de Shenzhen e Estocolmo (ambos 250).

É bom que se diga, contudo, a primeira metade do ano foi admirável para Berdych. Ainda que não tenha levantado troféus, só foi derrotado por gente do nível de Ferrer (Doha), Murray (Melbourne e Miami), Wawrinka (Roterdã), Djokovic (Dubai e Monte Carlo), Federer (IW e Roma), Nadal (Madri) e Tsonga (Roland Garros). Ou seja, a crítica ao tcheco segue a mesma: faltam as vitórias “grandes”.

Terminar o ano em sexto não é novidade para Berdych. O mesmo aconteceu em 2010 e 2012. Em 2011, 2013 e 2014, ele fechou a temporada em sétimo. Ou seja, já são seis temporadas ininterruptas no top 10, mas a pergunta para 2016, assim como no caso de Wawrinka, segue a mesma: “Berdych vai, enfim, ganhar um Slam e dar um salto no ranking?” A resposta, no momento, não parece tão otimista. Com Djokovic imbatível, Federer inesgotável e Nadal e Murray incansáveis, o cenário não é nem um pouco mais favorável ao tcheco do que em outros momentos.

David Ferrer, #7, termina sua sexta temporada seguida (e sétima ao todo) no top 10, o que é fenomenal para um atleta de 33 anos que claramente não tem potência de golpes para derrotar com consistência gente como Djokovic, Federer e Nadal. O espanhol, contudo, compensa com consistência, obediência tática, concentração e preparo físico.

Não por acaso, Ferrer chegou a Londres dizendo que chegar às semifinais seria uma vitória e tanto. Não deu. Despediu-se com três derrotas, mas fez uma bela apresentação contra Nadal. Seu 2015 foi mais do mesmo – o que não pode ser uma crítica. Foi campeão em Doha e Kuala Lumpur (250); no Rio, em Acapulco e em Viena (500). E poderia muito bem ter chegado ao fim do ano com um ranking melhor se não fossem problemas físicos. Ferrer, lembremos, não jogou de junho a agosto. Ficou fora de Wimbledon e disputou o US Open sem a devida preparação.

Vale destacar as duas estatísticas acima, postadas pelo guru dos números da ATP, Greg Sharko. No ano inteiro, Ferrer perdeu apenas uma partida depois de vencer o primeiro set (43v e 1d). Além disso, perdeu apenas dois sets decisivos (15v e 2d).

Número 5 do mundo no fim de 2014, Kei Nishikori encerra 2015 em oitavo, o que tem mais a ver com a final do US Open de 2014 do que com o resto dos resultados do japonês. Entre problemas físicos (abandonou Halle, Wimbledon e Paris e não jogou em Cincinnati nem na Basileia por lesão) e um tênis em momentos inconstante, Nishikori mostrou o potencial de seu jogo aqui e ali.

Foi campeão em Memphis (250); e Barcelona e Washington (500). Além disso, fazia um excelente Roland Garros até viver um dia abaixo da crítica diante de Tsonga e da torcida francesa. Levando tudo em consideração, foi uma bela temporada, mas que acaba com a sensação de que Nishikori podia (e, talvez, devia fazer) mais.

Coisas que eu acho que acho:

– Fico com duas perguntas sobre Djokovic para 2016. 1) É mais fácil o sérvio cair de nível ou algum de seus adversários alcançá-lo no patamar jogado em 2015? 2) O que acontecerá quando Djokovic sofrer duas derrotas e começarem as perguntas e comentários do tipo “ele não é o mesmo”?

– Sobre a primeira questão, acho muito, muito mais fácil Djokovic fazer uma temporada abaixo desta animalesca de 2015. Aliás, seria loucura alguém esperar algo semelhante de quem quer que seja, em qualquer esporte.

– Sobre a segunda pergunta, imagino que Djokovic seja experiente e inteligente o bastante para não criar para si mesmo a expectativa de repetir 2015. Acho que o sérvio tem consciência do que faz e, consequentemente, saberá conviver com algumas derrotas a mais. No entanto, são só minhas opiniões. Vai ser divertido acompanhar o desenrolar disso tudo em 2016.