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Rio, dia 5: o melhor golpe da vida de Thiem e o fim da linha para o Brasil
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Alexandre Cossenza

A sexta-feira do Rio Open não foi o dia dos sonhos para o tênis brasileiro. Primeiro, Thiago Monteiro foi superado pelo convidado Casper Ruud, 18 anos e número 208 do mundo. Mais tarde, nas duplas, Bruno Soares teve match point, mas acabou superado ao lado de Jamie Murray em mais uma semifinal.

Quem comemorou mesmo foi Dominic Thiem, cabeça de chave 2. Além de vencer em dois sets e alcançar a semi, o austríaco realizou o que ele mesmo classificou como o melhor golpe de sua carreira (vide vídeo abaixo). O resumão de hoje tem tudo isso em declarações, imagens e vídeos.

O adeus de Monteiro

Thiago Monteiro não passou das quartas de final. O cearense demorou a equilibrar ações, permitiu que Casper Ruud abrisse 4/0 no primeiro set e, depois disso, o norueguês de 18 anos jamais perdeu a calma. O brasileiro não conseguiu um break point sequer e acabou eliminado por 6/2 e 7/6(2).

Ruud, atual #208 do mundo, nunca tinha vencido uma partida em um torneio da ATP antes do Rio Open e só ganhou um convite porque é agenciado pela IMG, dona do torneio. O adolescente aproveitou a chance e mostrou um tênis sólido, potente e com variações, além de um ótimo preparo físico. Jogou uma partida sob calor intenso e fez um duelo longo de três sets. Em ambos, saiu inteiríssimo da quadra. Contra Monteiro, impôs seu forehand pesado e cheio de spin, criando problemas para o backhand do cearense. Além disso, variou saques e jamais deixou Monteiro à vontade. Nem a torcida brasileira, empurrando o tenista da casa, tirou o norueguês do sério.

O adversário da semi será Pablo Carreño Busta, que avançou depois que Alexandr Dolgopolov abandonou ao fim do segundo set por causa de dores no quadril esquerdo. O ucraniano, campeão em Buenos Aires no domingo, já vinha se queixando aqui no Rio. O curioso é que ele desistiu da partida logo depois de jogar um excelente tie-break e empatar a partida contra o espanhol. O placar final mostrou 7/6(4) e 6/7(2).

Thiem: a segunda semi e o melhor golpe da vida

No primeiro set, foi mais complicado do que o placar mostrou. No segundo, mais fácil. No fim, Dominic Thiem bateu Diego Schwartzman por 6/2 e 6/3 e avançou pelo segundo ano seguido às semifinais do Rio Open. Com direito a um momento glorioso: uma passada de Gran Willy que levantou a galera e que o próprio austríaco definiu como o melhor tiro da carreira.

“Eu já tinha tentado o tweener muitas vezes, mas foi meu primeiro winner limpo. Não acreditei porque eu estava muito atrás da linha de base. Provavelmente, foi o melhor golpe que acertei na vida.”

Ressalte-se, porém, que o argentino deu trabalho. No primeiro set, teve break points em três games de serviço de Thiem, inclusive um 0/40 no 3/2. O mérito do austríaco foi ser superior e não cometer erro nenhum em todos momentos delicados. Schwartzman também ensaiou uma reação na segunda parcial, vencendo três games (duas quebras) depois estar 0/5 atrás, mas, novamente, Thiem foi mais sólido quando a coisa apertou.

Em busca da vaga na final, Thiem vai enfrentar Albert Ramos Viñolas, que não teve problemas diante do qualifier argentino Nicolas Kicker: 6/2 e 6/3. Atual número 25 do mundo e ocupando o melhor ranking da carreira, o espanhol venceu o único duelo que fez contra Thiem. Foi nas quadras duras de Chengdu, no ano passado, nas quartas de final, e o placar foi 6/1 e 6/4. Será que no saibro, com a bola quicando alto – condições perfeitas para Thiem – Ramos consegue repetir?

Bruno Soares e a derrota mais doída

A final já seria complicada, afinal os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal, atuais bicampeões do Rio Open e tradicionais pedras no sapato de Bruno Soares, garantiram cedo seu lugar na decisão quando superaram Julio Peralta e Horacio Zeballos por 6/7(4), 7/6(6) e 10/6.

O pior é que a final acabou não vindo. Bruno Soares e Jamie Murray fizeram um jogo duríssimo contra Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta e acabaram eliminados. Brasileiro e britânico até tiveram um match point no match tie-break, mas a devolução de Soares não teve o efeito desejado, e a chance não foi aproveitada. Dois pontos depois, graças principalmente a um lob defensivo de Pablo Cuevas que caiu na linha, uruguaio e espanhol fecharam: 6/4, 3/6 e 12/10.

Foi a quarta chance de Bruno Soares nas semifinais do Rio Open (a primeira com Murray) e a quarta derrota. O mineiro saiu de quadra hoje dizendo que foi o revés mais doído.

“Nos outros anos, achei que nós jogamos bem mais ou menos. Chegar na semifinal era meio que lucro. Eu saía falando ‘não fiz muita coisa para estar na final.’ Este ano, fiquei chateado porque achei que, dentro das condições [Soares já havia reclamado das bolas usadas no Rio Open], a gente jogou bem. A gente conseguiu ter match point jogando um nível bom de tênis. Nos outros anos, a gente foi meio que se arrastando até a semi, e eu meio que saía aceitando o que tinha acontecido. Este ano… faltou um ponto, cara.” … “Ter match point doeu. Preferia ter perdido no 9/7 ali, pá-pum. Seria um pouco menos doído.”

O melhor do sábado

A sessão começa às 17h, com Dominic Thiem x Alberto Ramos Viñolas. Em seguida, Casper Ruud encara Pablo Carreño Busta. A programação ainda prevê um show de Nina Miranda antes da decisão de duplas, que fecha a noite no Rio Open.


Quadra 18: S02E11
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Alexandre Cossenza

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 mal acabaram, e o US Open já está aí batendo à porta, sem deixar ninguém descansar e mantendo lá no alto a temperatura do mundo do tênis. Por isso, o episódio desta semana do podcast Quadra 18 é uma pizza metade Rio 2016, metade US Open. Quer dizer, sendo bem sincero mesmo, a divisão ficou 2/3 Errejota, 1/3 Nova York, o que é muito justo já que o torneio olímpico de tênis foi melhor do que muito Slam.

Neste episódio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu lembramos dos melhores momentos dos Jogos Rio 2016 e compartilhamos episódios emocionantes e curiosos vividos na Cidade Maravilhosa, mas não deixamos de lembrar como está desenhado o cenário pré-US Open. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’55” – O torneio olímpico de tênis foi tão marcante quanto um Slam?
5’31” – Os duplistas mineiros no torneio olímpico
7’38” – A boa chance de medalha para Melo e Soares
10’00” – A chave que se abriu sem Herbert/Mahut e Cabal/Farah
13’00” – A medalha que escapou de Daniel Nestor
13’40” – O nível altíssimo de André Sá nos Jogos Olímpicos
15’20” – A inesperada campanha de Thomaz Bellucci até as quartas
17’44” – Del Potro x Djokovic foi o melhor jogo do torneio?
21’15” – A inteligência do jogo agressivo e do slice de Del Potro
23’13” – Djokovic: a sintonia com o público brasileiro, as lágrimas, o que significou a derrota e o que pode vir a acontecer em Tóquio 2020
26’02” – O mistério sobre a lesão de Djokovic antes do US Open
27’30” – Nadal: a maratona, a medalha, as reclamações e o comprometimento
31’50” – Murray: o favoritismo, a obrigação e os (muitos) dramas
34’03” – Mónica Puig e a medalha de ouro na chave feminina
38’10” – As derrotas de Serena e Muguruza, maiores surpresas do torneio
39’09” – O pódio feminino e o “espírito de Fed Cup”
41’05” – O ouro olímpico seria o começo de uma arrancada de Mónica Puig?
44’05” – A loucura do estádio olímpico vibrando com Kirsten Flipkens
44’55” – Serena e Venus decepcionaram?
47’10” – Os resultados de Teliana e Paula Gonçalves no Rio
48’48” – A bolada de Martina Hingis em Andrea Hlavackova
51’30” – O ouro das “brunetes” Makarova e Vesnina
52’58” – O momento de Cossenza com Leander Paes
57’06” – A pergunta mais importante: quem pegou zika?
58’13” – Música em homenagem a Mónica Puig
58’50” – O comportamento da torcida: brasileiros acertam quando vaiam?
66’25” – Os encontros olímpicos de Aliny Calejon com Marin Cilic e Horia Tecau
73’10” – Os encontros de Cossenza e Sheila com Robin Soderling
74’00” – Outros esportes que vimos nos Jogos Rio 2016
77’21” – O drama de Sheila para ver Usain Bolt
82’21” – Engenhão à meia-noite: Cossenza “recomenda”
84’20” – Por que os episódios do podcast Quadra 18 são tão longos?
86’37” – Empire State of Mind (Jay Z featuring Alicia Keys)
87’11” – O US Open e suas novidades como o teto retrátil e a Grandstand
87’50” – Chave masculina está mais indefinida do que nos últimos Slams?
90’51” – A briga entre Serena e Kerber pelo posto de #1 do mundo
92’00” – Recordes que Serena pode bater nas próximas semanas
95’45” – O que esperar dos brasileiros nas duplas?
99’25” – As chances de Marcelo Melo voltar ao topo do ranking após o US Open
102’37” – Carry Me (Kygo featuring Julia Michaels)


O Brasil Open em 20 drops shots
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Alexandre Cossenza

Não foi uma semana tão corrida quanto a do Rio de Janeiro, mas os últimos sete dias, período do Brasil Open, foram bastante animados. O torneio paulista mostrou melhorias, embora com uma chave nada forte, e conseguiu até levar um bom público ao Ibirapuera no sábado. Também vimos a torcida reconhecer o belo torneio de Thomaz Bellucci. Como ninguém aguentaria ler um post esmiuçando tudinho-tudinho, aqui vai outra edição dos drop shots, que são um punhado de reflexões rápidas sobre a semana. Confira!

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– Federico Delbonis conquistou o primeiro título da carreira, aproveitando bem as condições rápidas, ideais para seu tênis. Sacou bem, agrediu e passou por um caminho nada fácil: Volandri, Almagro, Montañés, Bellucci e Lorenzi. Saltou 17 posições no ranking, entrou no top 50 (é o 44º) e, com 23 anos, ainda tem muito a melhorar – e subir. Olho nele!

– Paolo Lorenzi saiu de São Paulo feliz da vida. O italiano, que nunca tinha sequer disputado uma semifinal de ATP, esteve a um set de conquistar o título. Tirou o máximo da chance que teve no Brasil e só não venceu porque Delbonis encontrou seu tênis a tempo. Como o próprio Lorenzi disse, ficou muito difícil fazer algo depois do primeiro set. O italiano só tem a comemorar.

– Thomaz Bellucci também encerra o torneio em alta, apesar da chance perdida na semifinal contra Delbonis. O número 1 do Brasil voltou ao top 100 (é o 86º), jogou um tênis sólido do começo ao fim e encontrou uma confiança que andou sumida em 2013. O paulista deixou muita gente otimista. Escrevo mais sobre ele nestes posts aqui e aqui.

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– Tommy Haas, anunciado pela Koch Tavares como grande estrela do torneio, não teve sucesso. Nem conseguiu atrair público nem mostrou um tênis digno de um número 12 do mundo. Para piorar, o alemão sentiu dores no ombro, abandonou sua semifinal e, na coletiva, deu a entender que se a lesão persistir, será o fim da linha. Vale lembrar que foi o mesmo ombro que o tirou do Australian Open.

– É de se lamentar a derrota de Feijão, que vinha jogando bem até sentir dores nas costas. O brasileiro, que também vinha tratando uma lesão no abdômen, foi forçado a abandonar o jogo contra Albert Montañés, nas oitavas de final. No vestiário, sentiu o baque e desabou em lágrimas.

– A decepção do torneio ficou por conta da queda de Bruno Soares e Alexander Peya. Os dois foram eliminados logo na estreia, superados por Guillermo García-López e Philipp Oswald. Foi a primeira derrota de Soares no Brasil Open desde 2010. O mineiro foi campeão em 2011 com Marcelo Melo, em 2012 com Eric Butorac e em 2013 com Alexander Peya.

– Ainda sobre Bruno Soares, publiquei durante a semana do Brasil Open esta entrevista aqui, sobre ganhos, perdas, investimentos e tudo mais que envolve prêmios em dinheiro na carreira de um tenista. A repercussão entre leitores e tenistas foi ótima. Se você ainda não leu, clique aqui.

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– Também foi uma pena a ausência de Marcelo Melo, que demorou a se decidir entre Dubai e São Paulo e, quando alcançou a final no Rio de Janeiro, na semana anterior, não teve tempo de encontrar um parceiro para entrar no Brasil Open. Ele e seu técnico e irmão, Daniel, voltaram para Belo Horizonte.

– García-López e Oswald acabaram sagrando-se campeões na chave de duplas, mas não sem uma dose gigante de sorte. Na final contra os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah (campeões do Rio Open), espanhol e austríaco escaparam de um match point quando uma bola marota bateu na fita e tocou no ombro de Cabal.

– Não é culpa de ninguém, mas o calendário do tênis mundial, com dois torneios no Brasil na mesma semana, não é nada bom para o país. Especialmente para Florianópolis, que não conseguiu atrair um nome de peso para a edição deste ano. Com isso, a cobertura da grande imprensa fica concentrada no Brasil Open, em São Paulo. Na capital paulista, os veículos não precisam pagar viagem e hospedagem a seus repórteres. Além disso, o torneio deste ano teve Thomaz Bellucci com reais chances de título.

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– Outra conversa que gostei de ter no torneio paulista foi com o argentino Daniel Orsanic, ex-treinador de Thomaz Bellucci. Após ser dispensado pelo brasileiro, Orsanic foi contratado por Pablo Cuevas. Os dois trabalharam juntos por três anos, justamente na época que o uruguaio alcançou seu melhor ranking. Agora recuperado após duas cirurgias no joelho, Cuevas vem subindo no ranking e tentando voltar ao nível que sabe que pode jogar. Leia aqui.

– Os três melhores tenistas do Brasil não disputarão o qualifying de Indian Wells. Para Bellucci, que fez semi em São Paulo, haveria pouco tempo de adaptação; Feijão tem lesões nas costas e no abdômen; e Rogerinho vai representar o país nos Jogos Sul-Americanos, em Santiago.

– A Koch Tavares voltou a acertar a mão com a organização do Brasil Open. A edição 2014 foi a melhor das três realizadas na capital paulista. Assentos numerados, uma quadra secundária digna, mais lojas e opções de alimentação na parte externa do Ibirapuera e até uma tentativa de reduzir a sensação térmica dentro da quadra central tornaram o evento muito mais agradável.

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– Houve, claro, falhas. A mais notória foi o apagão de quarta-feira. O calor (o termômetro de meu táxi indicava 38 graus), superaqueceu os cabos dos geradores e, por medida de segurança, a organização optou por desligar a força temporariamente. Foram 20 minutos sem luz, tempo no qual os geradores ficaram em stand by até que os cabos resfriassem.

– Em coletiva realizada no domingo, o diretor do Brasil Open, Paulo Pereira, mostrou-se bem consciente de que o torneio ainda precisa melhorar. Entre os planos, estão mais uma quadra de jogo e novas opções de alimentação e lazer (publico em breve a íntegra da coletiva, que foi realizada durante a final de simples – o timing não foi dos melhores).

– O Brasil Open ainda tenta, junto à ATP, mudar sua data. A intenção da Koch Tavares é fazer o torneio duas semanas antes, trocando de lugar com o ATP de Buenos Aires. Segundo Paulo Pereira, as melhorias do evento em 2014 vão pesar a favor de São Paulo, mas com uma ressalva: ”Como (também) vão pesar as eventuais melhorias que os argentinos fizeram por lá.”

– Falando em coletivas, a mais memorável deste Brasil Open foi a única concedida por Nicolás Almagro, que bateu boca com um jornalista. O vídeo da “conversa” foi parar no SporTV News, e está reproduzido abaixo. Na bancada da imprensa no Ibirapuera, cogitava-se a criação de camisetas com os dizeres “¿Viste el punto?”

– Havia 3.730 pessoas no Ibirapuera no domingo, dia da final. Nos dias anteriores, os públicos “pagantes e presentes” (número não conta quem pagou e não foi) foram de 1.050 na segunda-feira, 2.306 na terça, 3.080 na quarta, 2.760 na quinta, 3.750 na sexta e 5.008 no sábado. Com Bellucci na final, provavelmente teríamos o melhor público do torneio, mas faltaram dois games para isto. É o preço que se paga pela caótica edição de 2013, com todo tipo de problemas.

– Mais números do Brasil Open: o torneio usou 14 toneladas de pó de telha para cobrir as duas quadras, 5.040 bolinhas do tipo Wilson Australian Open, 1.100 metros de linha para fazer as marcações, 30 quilos de pregos, 40 máquinas climatizadoras, 700 toalhas, e 500 quilos de gelo. Foram servidas 4.800 refeições para jogadores e estafe, e quatro dúzias de bananas eram levadas diariamente ao Ibirapuera – só para os tenistas.

– Diálogo rápido com Rogerinho na zona mista, após sua vitória na primeira rodada, após ele dizer que tinha feito uma mudança por “coisa pessoal, de tenista.”
Repórter: Você tem muitas superstições?
Rogerinho: Várias, mas não vou te falar (risos).
Outro repórter: Não falar a superstição é vergonha ou outra superestição?
Rogerinho: Outra superstição (mais risos).


O Rio Open em 20 drop shots
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Alexandre Cossenza

Foi uma semana corrida, com dois torneios (um WTA e um ATP), jogos sem parar, muito calor e um bocado de entrevistas. O Rio Open teve partidaças, elogios, reclamações, homenagens e até um curioso apagão. Como não dá para fazer post sobre tudo, o trago mais uma edição dos drop shots, que são um punhado de reflexões rápidas sobre o que aconteceu na semana. Confira!

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– Palmas para Rafael Nadal, que continua soberano no saibro. O número 1 do mundo chegou ao Rio de Janeiro pouco treinado, mas só foi ameaçado de fato em uma partida. Salvou os match points contra Pablo Andújar, foi sólido na final e saiu do Brasil com mais um troféu. São 500 pontos na conta. Na prática, defende o que conquistou em 2013, em Acapulco.

– A campanha mais impressionante do torneio, contudo, veio do vice-campeão, Alexandr Dolgopolov. Estreou derrotando Nicolás Almagro, com direito a pneu no terceiro set, aplicou 6/1 e 6/1 em Fabio Fognini nas quartas de final, e deu um banho em David Ferrer nas semis. Só não conseguiu superar o maior dos desafios do tênis atual (bater Nadal no saibro). E Dolgo ainda pediu paz na Ucrânia em seu discurso. O homem sai do Rio de Janeiro em alta.

– Dentro de quadra, tudo correu bem. Houve ótimos jogos e grande atuações. Thomaz Bellucci merece destaque. Vinha de problemas físicos em Melbourne e Buenos Aires e venceu dois jogos de virada (à noite, é verdade) contra bons adversários. A campanha no Rio pode ser um ponto de partida para uma bela arrancada. E a chave de do Brasil Open, em São Paulo, é convidativa.

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– Teliana Pereira viveu dias de popstar. Em uma das coletivas, viu o número d e jornalistas e se espantou: “Tudo isso para mim?” A número 1 do Brasil jogou bem, aproveitou-se de uma chave nada forte e foi até as semifinais. Um grande – e necessário – resultado para suas pretensões de estar no top 100. Hoje, a brasileira é a número 103 na lista da WTA.

– As duplas de Bruno Soares e Marcelo Melo fizeram bons torneios. Quando jogaram na Quadra 1, com a torcida empurrando, venceram. As duas derrotas vieram na Central, quase deserta, para os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal, que ficaram com o título.

– Falando em quadras desertas, a presença do público foi um tanto decepcionante – especialmente considerando que todos bilhetes foram vendidos. Não só pelas rodadas diurnas, com a Quadra Central vazia, mas também pelo grande número de assentos desocupados nos horários nobres, mesmo com Rafael Nadal em quadra. O diretor do Rio Open, Lui Carvalho, já fala em diminuir a quantidade de entradas distribuídas a patrocinadores.

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– O calor entra nessa conta, claro. É muito difícil ficar parado por duas, três horas debaixo do sol em uma quadra de tênis. Durante o dia, não era difícil perceber que, em alguns momentos, havia mais gente fora da quadra (comendo, fazendo compras ou buscando sombra) do que vendo alguma partida na Central. E fez muito calor no Rio de Janeiro na última semana.

– A organização teve problemas para montar as programações diárias porque, entre outros motivos, comprometeu-se a encaixar dois jogos da WTA por dia na Quadra Central. Ficou difícil para encaixar os duplistas brasileiros no maior palco. A sexta-feira foi o melhor exemplo. Com Bellucci e Teliana ainda vivos no torneio, não houve como não escalar tenistas da casa em horários de pouco público. Soares entrou às 11h e jogou uma semifinal para pouco mais de cem pessoas. Teliana atuou em seguida, e o público não foi muito melhor.

– A umidade foi um adversário para os tenistas no Rio. Tanto que Thomaz Bellucci fez uma mudança em sua rotina pré-saque. Em vez de guardar uma bola no bolso, o paulista ia para o primeiro saque só com uma bolinha na mão. Caso errasse, pedia outra para um boleiro. Na última coletiva, explicou: “quando colocava a mão no bolso, molhava a mão, molhava a bola, molhava tudo.”

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– O apagão de sexta-feira foi o momento mais lamentável do torneio. Até porque a coincidência era enorme: a queda de luz veio logo depois de Bellucci ser quebrado no terceiro set; a IMX, promotora do torneio, também é a empresa que agencia a carreira do brasileiro; a Light é parceira do Rio Open; e, claro, fica a vergonha de ver um ATP 500 parado por falta de iluminação. É de chorar.

– O acesso à Quadra Central não era dos melhores. Os corredores eram estreitos e não permitiam mais de duas pessoas lado a lado. Para piora, frequentemente as moças que controlavam se posicionavam ali dentro, o que demorava ainda mais o processo de entrada e saída nos intervalos. Uma situação tragicômica que presenciei: uma dessas moças, dentro do corredor (bloqueando o espaço), pedindo aos fãs que subissem as escadas mais rápido “senão ninguém entra”.

– A pior sensação que tive no Rio Open foi sair do torneio na quinta-feira, ao fim da rodada, já depois da meia-noite, e não encontrar um carrinho de serviço para levar minha mãe até um ponto de táxi. Perguntamos e fomos informados que o serviço já não estava mais disponível. Fomos andando (uns bons 300 metros, nada curto para uma senhora de mais de 70 anos que comprou ingresso e passou algumas horas vendo tênis) até a saída. No caminho, um carrinho de serviço passou por nós, levando cinco jovens e robustos funcionários…

– Muitas das falhas do torneio foram abordadas nesta entrevista que fiz com o diretor do Rio Open. Leiam!

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– O torneio não precisava, mas fez duas belas homenagens. Uma a Maria Esther Bueno, outra a Gustavo Kuerten. Em uma edição inaugural, o Rio Open deu valor aos nomes que fortaleceram o tênis no país e que, mesmo de forma muito indireta, contribuíram para o nascimento de um terceiro evento grande no Brasil.

– Guga entregou o troféu a Rafael Nadal. Ponto para o torneio.

– Na loja da Asics, um dos modelos antigos de Bruno Soares era vendido pelo mesmo preço da camiseta que o duplista número 1 do Brasil veste atualmente. Fora do torneio, qualquer loja cobra menos. Coincidência ou não, todas as etiquetas de preço desse modelo haviam sido removidas na loja da Asics dentro do Rio Open.

– No estande do Utaú, um jogo de tênis virtual estimulava um ranking de pontos que foram transformados em raquetes doadas à Tennis Route. Fernando Chacon, diretor executivo de marketing do Itaú, fez a entrega simbólica de cem raquetes para o Instituto representado por Rogério Melzi e Walter Preidikman, o Gringo.

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– Vale lembrar da humildade de Rafael Nadal nesta declaração aqui.

– A fase de Schiavone é tão ruim que sobrou para um repórter.

– Se você não esteve no Rio Open, faça um tour comigo no vídeo abaixo.

– Já estou em São Paulo e ainda hoje faço o primeiro texto sobre o renovado Brasil Open, que tenta apagar a imagem da edição 2013, repleta de falhas.


Marcelo Melo é vice no Rio Open, mas quase ninguém vê: ruim para o tênis
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Alexandre Cossenza

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Marcelo Melo, duplista número 5 do mundo, entrou em quadra neste domingo em busca de seu primeiro título em um ATP 500. O brasileiro, que jogou ao lado do espanhol David Marrero, acabou derrotado pelos colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah (6/4 e 6/2), mas quase ninguém viu. Menos de 500 torcedores estavam na Quadra Central do Jockey Club Brasileiro, e o SporTV, canal detentor dos direitos de transmissão do torneio, não exibiu a partida.

Ninguém ficou feliz com a decisão da emissora, até porque no mesmo horário havia uma transmissão de showbol e um VT de futebol em dois dos três canais do SporTV. E também porque Marcelo Melo gentilmente atendeu o canal alguns dias atrás, quando houve queda de luz na Quadra Central, e era preciso preencher o espaço vazio com algo ao vivo. A “recompensa” foi a não transmissão da final de duplas. Até o mineiro, educado e lembrando que suas partidas foram exibidas durante a semana, mostrou-se triste com o que aconteceu.

“Eu acho que é um pouco ruim para o tênis ter um brasileiro numa final de um torneio no Brasil, numa primeira edição, sendo que teve todas as outras (partidas) transmitidas, mas alguma razão deve ter que eu desconheço. Não é questão de ficar chateado ou não porque se tivesse condição de transmitir, eles teriam transmitido. Não é possível que… (interrompendo) Tudo bem que a gente sabe que futebol no Brasil é 98%, mas o tênis também tem seu valor.”

Antes, Melo já havia sido informado que a partida não seria exibida ao vivo.

“Eu fiquei um pouco surpreso porque a gente teve os jogos transmitidos durante a semana. Supostamente, a final de duplas seria no sábado, mas se tivesse um brasileiro, seria no domingo. Essa informação a gente tinha desde o início da semana. Até quando acabou a nossa semifinal, a gente foi informado que jogaria no domingo. Aí acabou a (coletiva de) imprensa, eu estava quase pronto para ir para o hotel, e nós ficamos sabendo que havia a opção de jogar no sábado, com transmissão, mas o jogo sendo cedo. Mas já era muito tarde na própria sexta-feira, então eu já sabia que não teria a transmissão.”

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Coisas que eu acho que acho:

– Sobre o jogo, a diferença pode ser resumida em “chances aproveitadas”. Melo e Marrero tiveram três break points no sexto game e não converteram. Na sequência, Cabal e Farah aproveitaram a única chance de quebra da parcial. No segundo set, brasileiro e espanhol tiveram break points no quarto e no sexto game, mas novamente falharam. Os colombianos converteram as duas que conquistaram. E é bem verdade que Marrero fez uma partida bem abaixo de seu nível normal, o que ficou mais evidente nos pontos importantes.

– Cabal e Farah foram impecáveis também na semi, contra Bruno Soares e Alexander Peya. Houve, também, uma pitada de sorte. Os campeões tiveram a chance de atuar contra brasileiros em uma quadra praticamente vazia, sem um público capaz de fazer a diferença. E escreverei mais sobre o público no post de segunda-feira, quando eu já estiver em São Paulo.

– Se o SporTV se pronunciar oficialmente sobre a não transmissão da final de duplas, reproduzirei aqui no blog o motivo.


Humildade de campeão
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Alexandre Cossenza

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“Partidas como as de hoje… Semifinais são 180 pontos, finais são 300 pontos. Você pode pensar que um jogador como eu, que ganhou tudo que ganhou, não deveria se importar, mas é de coisas pequenas que se consegue grandes coisas. Não se alcança nada grande sem passar pelas pequenas. Sigo me esforçando no dia a dia, pensando em trabalhar e me esforçar ao máximo em cada dia e, partindo disso, conquistar coisas maiores. A vitória de hoje me permite a oportunidade de jogar outra vez amanhã, de tentar jogar melhor. Depois, jogo melhor ou jogo pior, posso ganhar ou perder, isso é o de menos. Se não tivesse sido suficientemente humilde para lutar hoje, estaria agora procurando uma passagem de avião.”

Foi uma das sensações mais bacanas que vivi em uma quadra de tênis. Um tenista fazendo uma das melhores partidas de sua vida, um grande campeão lutando até a última gota de suor para manter-se vivo em um torneio de médio porte, e um público alucinado, comemorando efusivamente cada ponto e gritando os nomes dos dois tenistas alternadamente.

Rafael Nadal e Pablo Andújar disputaram um jogo para marcar a edição inaugural do Rio Open. Um partidaço que teve break points em quatro games diferentes no terceiro set e que só acabou depois que o número 1 do mundo, depois de estar duas vezes a um ponto da derrota, confirmou seu quarto match point no tie-break e avançou à final do torneio carioca para enfrentar Alexandr Dolgopolov.

O placar final mostrou 2/6, 3/6 e 7/6(10), mas foi uma daquelas típicas ocasiões em que o escore não reflete a emoção do duelo. Andújar foi brilhante, agredindo Nadal desde as devoluções e deixando o líder do ranking quase sempre na defensiva. O número 1, que não vivia uma grande noite, resistiu a duras penas sem conseguir forçar o saque. Foram raras, aliás, as vezes em que o primeiro serviço do favorito ultrapassou a casa dos 180 km/h – segundo o radar da Quadra Central.

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Tão marcantes quanto a linda apresentação de Andújar e a vibrante comemoração de Nadal – algo quase inesperado em uma semifinal de ATP 500, até porque vem de alguém que venceu 13 Grand Slams – foram as concorridas entrevistas coletivas dos espanhóis. O número 1, já no finzinho de sua conversa com a imprensa, falou da importância de batalhar em um torneio deste nível. A resposta, que reproduzo no alto deste post, explica muitos sobre os motivos pelos quais Rafael Nadal já conquistou quase tudo no circuito mundial.

Andújar também viveu seu momento popstar. Ao sair da coletiva, foi cercado por fãs e até abraço por uma morena que chegou gritando “you are the best” (em inglês mesmo) e pedindo uma foto. Antes, claro, teve seu nome gritado por cerca de seis mil pessoas que reconheceram seu brilho e seu esforço na Quadra Central. Sensação que o espanhol, atual número 40 do mundo, só viveu uma vez na vida. Foi em Paris, jogando em Roland Garros, e logo contra quem…

“(A partida de hoje) Me lembrou um pouco de quando joguei contra Rafa em 2011, na Lenglen (quadra Suzanne Lenglen), em Paris, na segunda rodada. Tive 5/1 no terceiro set e tive uns oito ou nove set points e acabei perdendo. E as pessoas de pé, me aplaudindo. É uma sensação muito bonita, mas só lembro daquela ocasião em Paris e esta vez, que foi muito especial, espetacular.”

Andújar vai guardar por algum tempo as lembranças desta noite de sexta-feira, no Rio de Janeiro. E posso apostar que o público que esteve no Jockey Club Brasileiro para as semifinais masculinas tampouco vai se esquecer.

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Coisas que eu acho que acho:

– Até Nadal x Andújar, a primeira semifinal masculina do Rio Open havia sido o melhor jogo do torneio. Muito por mérito de Alexandr Dolgopolov, que fez um partidaço, deu pouquíssimas chances a David Ferrer e bateu o número 4 do mundo por duplo 6/4. Atual número 54 do mundo, o ucraniano que eliminou Nicolás Almagro já na primeira rodada, vai oferecer muito perigo para Nadal.

– O público ainda é um problema no Rio de Janeiro, principalmente durante o dia, enquanto bate sol direto nas quadras. Temo que a final de duplas, marcada para as 11h30min deste domingo, seja disputada com a Quadra Central quase vazia. E olhe que temos um belo jogo e um brasileiro em ação: Marcelo Melo e David Marrero enfrentam os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal.


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