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Quadra 18: S03E02
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou a vencer um slam em cima de Rafael Nadal, Serena Williams voltou a derrotar a irmã Venus em uma decisão, e o tênis viveu um fim de semana dos mais memoráveis no Australian Open. Mas houve muito mais do que isso nas duas semanas do torneio. Djokovic, Murray e Kerber foram vítimas de zebras, Coco Vandeweghe finalmente surgiu como nome forte em um torneio grande, Mirjana Lucic-Baroni protagonizou a história mais feliz… É muito assunto!

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu nos reunimos para gravar mais uma edição do podcast Quadra 18. Comentamos tudo citado acima e um pouco mais. Falamos dos modelitos bonitos e feios, do noivo de Serena e até do poema de Melbourne! Para ouvir, basta clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique no link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’30” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’30” – Roger Federer e a campanha até o título
9’15” – A decisão de Federer de abrir mão do 2º semestre de 2016
10’50” – O suíço se defendeu melhor neste Australian Open?
13’55” – O que faltou para Nadal na hora decisiva?
16’45” – O que a final significa para a rivalidade Federer x Nadal?
18’10” – O quão importante é a disputa por mais títulos de slam?
21’20” – Teremos mais finais “vintage” este ano ou foi uma exceção?
22’21” – Qual a importância de Ljubicic e Moyá no “retorno” de Federer e Nadal?
25’45” – Federer e Nadal vão continuar lutando por títulos de slams e Masters?
27’30” – Federer vai pular a temporada de saibro novamente?
29’35” – Nadal já pode ser considerado favorito para Roland Garros?
30’15” – Federer e Nadal teriam feito a final sem as derrotas de Djokovic e Murray?
31’04” – As zebras de Istomin e Zverev em cima de Djokovic e Murray
35’30” – Que zebras em outros slams são comparáveis a essas?
37’33” – O desfecho do AO será motivação extra para Djokovic e Murray?
38’40” – Dimitrov pode entrar na briga pelos slams?
41’18” – As surpresas e decepções do Australian Open
45’40” – O quanto a quadra mais rápida ajudou Federer no torneio?
47’51” – Quadras mais rápidas serão tendência no circuito?
49’48” – The Greatest (Sia)
50’34” – As campanhas das irmãs Williams
57’50” – Por que 18 > 23 na matemática tenística?
59’25” – O quanto o recorde de slams da Court deve ser relevante para Serena?
63’17” – E a campanha da Nike sobre Serena como maior de todos os tempos?
64’32” – Precisamos falar de Coco Vandeweghe
70’50” – A fantástica história de Mirjana Lucic-Baroni
73’25” – O que acontece com Angelique Kerber?
76’18” – Muguruza é tenista de um slam só?
77’48” – O noivo de Serena Williams e o Reddit
79’57” – High and Low (Two Vines)
80’30” – A campanha de Kontinen e Peers, campeões de duplas
84’35” – Qual o segredo de Kontinen e Peers?
85’45” – Os Bryans vão voltar a ganhar um slam?
87’05” – As campanhas dos brasileiros em Melbourne
89’35” – Marcelo Melo acertou na escolha de Kubot como parceiro?
92’45” – A campanha de André Sá e Leander Paes
94’25” – Como o título de Kontinen e Peers afeta a briga pela liderança do ranking
95’45” – Qual foi o GIF mais épico da Aliny no Australian Open?
97’40” – Mais reclamações sobre a camisa de Roger Federer
103’20”- O poema de Melbourne é eficaz ou contraproducente?


AO 2017: o guia da chave feminina
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Alexandre Cossenza

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Depois de analisar a chave masculina, chega a hora de dar uma olhada no sorteio das mulheres no Australian Open e ver a quantas andam cada uma das das candidatas ao título em Melbourne. É também o momento de imaginar as possíveis zebras e pensar em quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que sempre tento nestes textos pré-Slam. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

As favoritas

Angelique Kerber aparece pela primeira vez como cabeça de chave 1 em um Slam, mas nem todo mundo acredita que isso faz dela a principal candidata ao título. De qualquer modo, suas atuações pré-Melbourne não foram das mais animadoras. Kerber fez três jogos, perdeu dois e penou para derrotar a #232 do mundo (ainda que Ashleigh Barty tenha tênis para um ranking mais digno).

A chave da #1 no Australian Open também não é das mais tranquilas. Ela pode enfrentar Bouchard (ou Kasatkina ou Vinci) nas oitavas, Muguruza nas quartas e Halep na semi. E aí vale dizer que o caminho de Muguruza, cabeça 7, parece muito mais atraente. Dá para imaginar a espanhola indo longe, sem drama, e chegando a esse possível confronto de quartas de final em grande forma.

Serena, por sua vez, tem uma chave ainda mais complicada. A começar pela estreia contra a inteligente e perigosa Belinda Bencic, que sofreu uma lesão na Copa Hopman, abandonou seu jogo de estreia em Sydney, mas disse estar “bastante perto de 100%” para jogar em Melbourne. Além disso, a #2 do mundo pode se ver jogando contra Lucie Safarova já na segunda rodada (as duas fizeram a final de Roland Garros em 2015, lembram?).

Ainda no caminho de Serena podem aparecer Strycova/Garcia na terceira rodada e Cibulkova/Makarova/Wozniacki/Konta nas oitavas. A semi seria contra a vencedora do quadrante que tem Agnieszka Radwanska e Karolina Pliskova (sim, a mesma que eliminou Serena no US Open). Bom, já deu para entender, né? Ainda que seja eternamente favorita, a americana tem, de longe, a trilha mais trabalhosa rumo ao título do Australian Open. Será?

O número 1 em jogo

Kerber e Serena continuam brigando pelo posto de número 1 do mundo em Melbourne. Entretanto, como as duas foram finalistas no ano passado, o posto só muda de mãos com uma excelente campanha da americana. Para ultrapassar a alemã, Serena precisa pelo menos chegar à final. Caso Kerber alcance as oitavas, a americana precisa ser campeã e torcer para que a rival perca antes da decisão. Por fim, se Kerber alcançar a final, ela garante a manutenção do #1, mesmo em caso de título de Serena.

Correndo por fora

Esse grupo não muda muito. O que varia é a forma de cada uma em determinado torneio, mas basicamente falamos sempre de Simona Halep, Agnieszka Radwanska, Garbiñe Muguruza e Karolina Pliskova.

Do quarteto, apenas Muguruza, campeã de Roland Garros, tem um título de Slam no bolso. Só que depois dessa conquista a espanhola não passou da segunda rodada nem em Wimbledon nem no US Open. Em Melbourne, há motivo para otimismo, já que a chave é interessante. Cabeça 7, Muguruza só enfrentaria Kerber nas quartas. Antes disso, tem como principais rivais, no papel, Suárez Navarro, Sevastova e Zhang. A janela está escancarada e ela diz que está recuperada do problema na coxa que sentiu em Brisbane.

Simona Halep é outro nome forte – sempre. De certa forma, a romena parece a primeira da fila na lista das que buscam seu primeiro Slam. Seu tênis vem se mostrando ainda mais consistente, e seu caminho em Melbourne é favorável. Aliás, pode ser o quadrante mais fácil de toda a chave feminina, ainda que inclua Mónica Puig (que não tem um bom resultado desde os Jogos Olímpicos) e Venus Williams (que não tem físico para se movimentar em ralis contra Halep).

Agnieszka Radwanska parece destinada a lutar eternamente em nome das tenistas sem grande potência nos golpes. A polonesa segue capaz de vencer a maioria das rivais, mas cedo ou tarde torna-se vítima de alguém que bate mais forte na bola e atravessa uma ótima semana. Foi assim com Johanna Konta em Sydney, por exemplo, e a chance de isso acontecer na segunda semana de um Slam é sempre grande. Sua sorte em Melbourne é que seu quadrante tem como principal desafiante Karolina Pliskova, contra quem Aga tem um histórico de sete vitórias em sete jogos – e nenhum set perdido.

Por fim, este Australian Open mostra-se como o primeiro grande teste de Pliskova pós-final de US Open. A campanha em Nova York foi também sua primeira campanha realmente digna de seu tênis em um Slam. Melbourne talvez mostre se a tcheca vai se tornar uma candidata permanente a títulos deste porte. Por enquanto, 2017 é animador. Pliskova foi campeã em Brisbane após derrotar Vinci, Svitolina e Cornet em sequência.

As brasileiras

O Australian Open não terá brasileiras na chave principal. Teliana Pereira e Paula Gonçalves disputaram o qualifying, mas acabaram derrotadas na segunda rodada. A pernambucana foi superada por Mona Barthel por 6/0 e 6/4, enquanto a paulista caiu diante de Aliaksandra Sasnovich por 4/6, 6/1 e 6/3.

As grandes ausências

Uma top 10 e uma campeã de Slam não estão na chave deste ano. Madison Keys, atual #8 do mundo, passou por uma artroscopia no punho esquerdo em outubro do ano passado, logo depois do WTA Finals, e ainda não está recuperada. A outra grande ausência sentida será a de Petra Kvitova, que foi vítima de um assalto em dezembro e precisou passar por uma cirurgia na mão esquerda (a de seu forehand).

Outros desfalques incluem Anna Lena Friedsam (lesão no ombro direito), Sloane Stephens (lesão no pé direito), Sabine Lisicki (lesão no ombro direito) e Catherine Bellis (lesão no quadril). E, claro, lembremos que Ana Ivanovic anunciou sua aposentadoria dias atrás e que Maria Sharapova continua suspensa por doping – ela foi flagrada no Australian Open do ano passado.

❤☀️ Cairns #beach #water #sunshine

A photo posted by Jarmila Wolfe (Gajdosova) (@tennis_jarkag) on

Para não deixar passar: quem também anunciou aposentadoria recentemente foi a australiana Jarmila Wolfe (ex-Groth e ex-Gajdosova), que tem um problema crônico nas costas. Campeã de duplas mistas em Melbourne em 2013, ela pediu um wild card para fazer sua despedida, mas o torneio negou. Assim, ela decidiu encerrar a carreira e curtir a vida (nota-se no post de Instagram colado acima) junto com seu marido e seus cachorros. Faz muito bem.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Além do óbvio e aguardado Serena x Bencic, vai ter bastante coisa boa pra ver na primeira rodada em Melbourne. Minha listinha pessoal aqui inclui Vandeweghe x Vinci, Siegemund x Jankovic (que não é mais cabeça de chave), Giorgi x Bacsinszky (porque a italiana sempre pode aprontar), Stosur x Watson (sempre intrigante e dramático acompanhar Stosur na Austrália) e Radwanska x Pironkova.

Talvez o mais interessante mesmo seja Johanna Konta x Kirsten Flipkens, com a britânica chegando de um título em Sydney, onde atropelou Radwanska na final. A top 10 é obviamente favorita contra Flipkens, mas a belga pode exigir uma consistência que Konta pode não conseguir mostrar com o pouco tempo de treino nas quadras de Melbourne.

A tenista mas perigosa “solta” na chave

Nitidamente, o nome mais temido aqui é o de Eugenie Bouchard. Não só pelo passado de bons resultados (a canadense foi top 5 em 2014), mas porque já mostrou bom tênis neste início de ano, alcançando a semi em Sydney – perdeu para a campeã, Konta. No Australian Open, Genie é favorita contra Chirico na estreia e possivelmente fará um duelo interessante contra Kasatkina na segunda fase. Tem cara de jogo-chave. Se avançar e ganhar ritmo, Bouchard pode muito bem desafiar Angelique Kerber nas oitavas – e com chances interessantes.

Outra tenista perigosa e “esquecida” na chave é Kristina Mladenovic, que caiu na metade de baixo e estreia contra Ana Konjuh. Não é nada impossível que a francesa elimine a croata e faça o mesmo com a cabeça de chave Gavrilova na segunda rodada. Kiki ainda teria Bacsinszky pela frente na terceira rodada, antes de um eventual encontro com Kristina Pliskova, mas parece justo dizer que, na semana certa, a francesa poderia deixar todas essas oponentes para trás.

Onde ver

No Brasil, a ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Vale acompanhar também o Watch ESPN, que terá imagens de todas as quadras – até porque haverá conflito de grade na ESPN e na ESPN+ com partidas de NBA e NFL. Quando isso acontecer, todos precisarão correr para o Watch.

Se nada disso der certo, tente o site do Australian Open. O site do torneio transmite, de graça, todas as quadras. A qualidade do streaming oscila e às vezes fica impossível acompanhar os jogos por lá, mas não custa tentar.

Nas casas de apostas

Serena ainda aparece como a mais cotada ao título na maioria das casas de apostas. A cotação abaixo, da casa virtual bet365, mostra a americana pagando 4,0 para um (quem apostar US$ 1 ganha US$ 4 se Serena for campeã), seguida de pertinho por Kerber. Pliskova vem em terceiro, seguida por Muguruza e Halep. Konta, Radwanska, Cibulkova, Wozniacki e Svitolina completam o top 10. Vale notar a presença de Eugenie Bouchard na 11ª posição. A canadense, lembremos, nem cabeça de chave é em Melbourne, mas provavelmente está bem cotada por seu enorme potencial.


AO 2017: o guia da chave masculina
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Alexandre Cossenza

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E lá vamos nós de novo. Mais um torneio do Grand Slam. Un evento incomum pelas posições de Roger Federer (cabeça 17) e Rafael Nadal (9) na chave, mas um torneio com todos elementos comuns de um típico Australian Open. Novak Djokovic como favorito, Andy Murray cotadíssimo, duelos fortíssimos já na primeira rodada, expectativa de calor, etc. e tal. Vocês sabem o esquema.

As chaves foram sorteadas nesta sexta-feira, o que significa que é hora de analisar não só o momento de cada tenista, mas quais desafios ele vai encontrar pela frente e se suas chances de ir longe em Melbourne aumentaram ou diminuíram depois disso. É também a hora de olhar os azarões e começar a imaginar quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que tento fazer nas linhas abaixo. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

Os favoritos

Pra começar, há dois candidatos mais claros neste torneio. Novak Djokovic e Andy Murray. Nesta ordem, que leva em consideração a final de Doha, vencida pelo sérvio em cima do britânico. Sim, foi apenas um ATP 250, mas não dá para desconsiderar o peso psicológico de um jogo daqueles, brigado e com quase 3h de duração. Por isso, Nole sai na frente, pelo menos no papel.

A chave de Djokovic não é a mais fácil, mas não me parece complicada pelo “ponto de vista Djokovic”, ou seja, pelo estilo de jogo e pelo histórico de confrontos diretos dos adversários. “Ah, mas Nole não estreia contra Verdasco, que quase venceu em Doha?”, pode imaginar alguém. Sim, mas vai ser necessário um alinhamento de 38 planetas e 17 asteroides para aquilo acontecer de novo. Desde já, esse Djokovic x Verdasco da primeira rodada é meu grande favorito a “jogo cheio de expectativa que acaba dando sono”.

Depois disso, Djokovic pega Istomin/qualifier, possivelmente Carreño Busta na terceira rodada, Dimitrov/Gasquet nas oitavas e o vencedor da seção com Thiem, Feliciano, Karlovic e Goffin nas quartas. A maior casca de banana aí parece o confronto de oitavas, mas Djokovic venceu os últimos dez jogos contra Gasquet (perdeu só um set!) e bateu Dimitrov seis vezes em sete encontros. A única vitória do búlgaro aconteceu em 2013, no saibro de Madri. Não me parece lá um retrospecto tão animador para o azarão, embora precisemos levar em conta o recente ressurgimento de Dimitrov, que atropelou e foi campeão em Brisbane, batendo Thiem, Raonic e Nishikori em sequência.

Lembremos também que Djokovic tem em sua metade da chave Milos Raonic, o que é melhor do ter Stan Wawrinka na semifinal. Além disso, Federer também ficou na outra metade da chave, o que não deixa de ser bom para para o sérvio.

O sorteio não foi tão amigável com Andy Murray, embora não tire seu status de favorito na metade de cima da chave. Vários elementos podem jogar contra o número 1 do mundo em momentos diferentes, a começar por possíveis duelos com Querrey na terceira rodada e Isner/Pouille nas oitavas. Embora Murray seja um excelente devolvedor, não é difícil imaginar esses jogos em rodadas diurnas, com sol forte e bolinhas voando mais rápidas ainda, o que não é nada bom para o #1.

Além disso, Murray provavelmente vai precisar passar por Federer, Berdych ou Nishikori nas quartas. Berdych não seria o maior dos problemas, mas o japonês costuma causar problemas para o escocês. Além disso, se o suíço chegar às quartas, terá passado por Berdych e Nishikori e estará em excelente forma. Ou seja, o cenário não é dos mais animadores para Murray.

As “lendas”

Federer estreia contra um qualifier, pega outro qualifier na segunda rodada e deve encarar Tomas Berdych já na terceira fase. Considerando que o suíço chega a Melbourne como cabeça de chave 17, está longe de ser o pior dos cenários, mesmo com um eventual confronto com Kei Nishikori nas oitavas. O japonês, lembremos, sentiu dores no quadril em Brisbane e não se sabe se estará 100% para o início do Australian Open. Acredito que a forma física de Nishikori será chave. Caso o asiático consiga alongar uma partida com Federer, suas chances aumentam. Caso contrário, o suíço pode bem se encontrar na segunda semana diante de Andy Murray nas quartas.

Nadal, cabeça 9, também não teve um sorteio dos piores, mas seu caminho tem uma pedra grande: Alexander Zverev na terceira rodada. O adolescente alemão, contudo, ainda não tem uma vitória grande num Slam. Esse jogo pode muito bem determinar um semifinalista, já que o vencedor sairá com status de favorito pelo menos até as quartas de final, quando Milos Raonic, o cabeça 3, pode aparecer.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro vão estrear contra cabeças de chave, o que nunca é bom. O paulista vai encarar Bernard Tomic, o que não é desastroso. Afinal, entre todos cabeças que Bellucci poderia enfrentar, pegará um contra quem tem retrospecto favorável (2 a 1). É bem verdade que Tomic joga em casa, onde supostamente (favor colocar negrito mental e ler beeeeem devagar a palavra su-pos-ta-men-te!) não gostaria de dar (mais um) vexame. Mas também é inegável que tudo pode acontecer quando o australiano entra em quadra. Por outro lado, é bem possível que Tomic esteja pensando o mesmo de Bellucci: “tudo pode acontecer”.

Monteiro vai encarar Jo-Wilfried Tsonga. Sim, o mesmo Tsonga que ele derrotou no Rio Open do ano passado. Desta vez, na quadra dura, sem o insuportável calor carioca (onde todos tenistas dizem que é muito mais difícil jogar do que em Melbourne) e valendo por Grand Slam. É outro nível de importância. E Tsonga, às vezes vulnerável em torneios menores, não perde uma estreia em Slam desde 2007, quando ganhou um convite para o Australian Open e pegou Andy Roddick, então número 7 do mundo, na primeira rodada.

Rogerinho teve melhor sorte. Estreia contra Jared Donaldson, #101 do mundo. O americano vem de boa campanha em Brisbane, onde furou o quali, eliminou Gilles Muller na estreia e até venceu o primeiro set contra Nishikori na segunda rodada. O japonês acabou levando a melhor. De qualquer maneira, é melhor do que estrear logo contra um cabeça de chave. Se avançar, o paulista vai enfrentar o vencedor do jogo entre Gilles Simon e Michael Mmoh.

A grande ausência

Juan Martín Del Potro afirmou que não estaria pronto fisicamente já em janeiro e decidiu abortar o primeiro Slam da temporada. Ele também não quis (como nunca quis mesmo) jogar na temporada sul-americana de saibro e vai começar 2017 jogando em quadras duras. Resumindo? O argentino curtiu bem as férias (vide tweet abaixo) e não quis forçar seu corpo.

Os melhores jogos na primeira rodada

O que não falta é jogo bom e por um monte de motivos diferentes. Comecemos pelos cabeças de chave. Stan Wawrinka x Martin Klizan é o tipo de confronto em que o suíço precisa entrar firme. Um diazinho ruim de primeira rodada pode acabar com seu torneio, já que o eslovaco tem aqueles dias de bater forte em todas as bolas e acertar tudo. Vale ficar de olho. O mesmo perigo existe para Gael Monfils, que enfrenta Jiri Vesely, e para Marin Cilic, que duela com o “perturbado” Jerzy Janowicz. Só deus sabe o que sai da raquete do polonês.

Outro jogo intrigante é Dolgopolov x Coric, cujo vencedor encara Monfils ou Vesely, o que faz dessa seção a mais imprevisível do torneio. Falando em imprevisibilidade, já mencionei acima Bellucci x Tomic, mas cito também Youzhny x Baghdatis (dois malucos gente boa). Vale prestar atenção também em Haas (sim, Tommy Haas, AQUELE, que está de volta!) x Paire e Kyrgios (lesionado) x Elias porque não dá para descartar uma zebra do português aqui.

No quesito “fim provável, meio improvável”, recomendo acompanhar Raonic x Brown porque embora o canadense seja favoritíssimo, não dá pra perder os momentos de brilho do alemão. E, por fim, o confronto mais quente, com sangue latino, entre Fognini e Feliciano López. Até porque a coisa não acabou bem quando os dois se enfrentaram em Wimbledon no ano passado (vejam o vídeo acima).

O que mais pode acontecer de legal

De modo geral, as atenções vão mesmo continuar voltadas para o desenrolar das campanhas de Federer e Nadal e como elas vão afetar o andamento das chaves, mas algumas outras formações bem interessantes podem vir na segunda rodada ou nas seguintes, como um encontro entre Dominic Thiem e João Sousa. Outro jogo esperado mais para a frente é Gasquet x Dimitrov, que pode acontecer na terceira rodada. E também, meio escondido no meio disso tudo, imagino um interessante jogo entre Raonic e Taylor Fritz na segunda rodada.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A essa altura, todo mundo já está prestando atenção em quem jogou bem nas primeiras semanas. São os casos de Zverev, que bateu Federer na Copa Hopman, e de Dimitrov, campeão em Brisbane, por exemplo. Ainda assim, alguns nomes mereciam mais atenção. Acho que João Sousa é um deles. O português, #44, segue obtendo resultados acima do que normalmente se espera. Não me parece nada impossível imaginá-lo batendo Jordan Thompson e Dominic Thiem nas duas primeiras rodadas. Resta saber, porém, em que condições físicas Sousa chegará a Melbourne, já que ainda está em Auckland, onde disputa a final.

Outro tenista que eu gosto e que cedo ou tarde vai ser uma realidade em torneios maiores é Taylor Fritz, 19 anos e #91 do mundo. Tem um saque gigante, golpes potentes de fundo e uma movimentação até boa para seu 1,93m de altura. Ano passado, já conseguiu um punhado de resultados relevantes. Falta, claro, maturidade. E sua chave em Melbourne não é das piores. Ele enfrenta Gilles Muller, outro “sacador” na estreia e, se vencer, pega Milos Raonic, alguém com um jogo muito parecido com o seu. Existe uma janelinha para ele dar esse salto já neste Australian Open.

Onde ver

A ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Nas casas de apostas

Na casa virtual bet365, a lista de mais cotados tem, nesta ordem, Djokovic, Murray, Wawrinka, Nadal, Raonic, Federer, Nishikori, Kyrgios, Dimitrov e Cilic no top 10. Vale notar a distância entre as cotações de Murray (paga US$ 2,62 para cada dólar apostado), segundo favorito, e Wawrinka (13), o terceiro.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!


Quadra 18: S02E01
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Alexandre Cossenza

Se tem um Slam prestes a começar, tem uma edição do podcast Quadra 18 entrando no ar. O primeiro episódio da segunda temporada conta com a participação especial de Fernando Nardini, da ESPN, além de comentários de gente que sabe muito de tênis, como José Nilton Dalcim e Mário Sérgio Cruz, ambos do Tenisbrasil, e Fabrizio Gallas, do Tênis News.

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu comentamos as chaves do torneio, lembramos os resultados e confusões recentes e damos nossos palpites. Nardini, além de contribuir com ótimos comentários, explicou como é o trabalho de um narrador durante um torneio que acontece na madrugada brasileira e até contou um pequeno “causo” envolvendo Fernando Meligeni.

Para ouvir, basta clicar neste link. Se preferir, clique com o botão direito do mouse e, depois, em “salvar como” para baixar o episódio e ouvir mais tarde.

Os temas

0’00’’ – SportsCent… Opa!
0’30’’ – Sheila dá as boas vindas
1’00’’ – Sheila apresenta Fernando Nardini, que participou da gravação
1’20’’ – Nardini conta momento de bastidores
2’35’’ – José Nilton Dalcim fala sobre a sorte de Djokovic e a chave masculina
5’10’’ – A gravidez de Kim e a cabeça de Andy Murray na Austrália
5’55’’ – Sheila sobre Andy e a gravidez: “Duas coisas me irritam nessa situação”
8’20’’ – “Se Murray se concentrar, é candidatíssimo a se isolar como mais absoluto vice-campeão na Austrália”
9’10’’ – Fabrizio Gallas avalia a polêmica de Barnard Tomic em Sydney
12’45’’ – Sheila critica Mohamed Lahyani
13’40’’ – Aliny lembra as críticas de Todd Woodbridge
14’50’’ – Dalcim fala sobre a imprevisibilidade da chave feminina
16’25’’ – Nardini lembra do perigo de Bouchard para Agnieszka Radwanska
18’00’’ – Cossenza explica (e questiona!) o favoritismo de Azarenka
19’30’’ – Sheila (Aliny concorda): “Eu temo mais a Kerber do que a Muguruza”
20’50’’ – Mário Sérgio Cruz avalia o status e o caminho de Serena Williams
23’35’’ – Nardini: “Nem o pai da Camila Giorgi acredita na primeira rodada”
24’00’’ – Sheila: “Eu odeio ela”
24’25’’ – “Quem nunca deu um calote na vida?”
24’55’’ – Mário Sérgio fala das chances de Kerber e põe Azarenka como favorita
29’00’’ – Cossenza avalia que o calor pode “bagunçar as expectativas”
32’40’’ – Mário Sérgio fala dos jovens que enfrentarão Djokovic e Murray
35’15’’ – Nardini e Cossenza falam das chances de Borna Coric; Aliny reclama
37’00’’ – “O útero sagrado”
37’55’’ – Emoticons (The Wombats)
38’20’’ – Os brasileiros no Australian Open
38’50’’ – Gallas fala sobre a sorte de Thomaz Bellucci na chave
40’45’’ – Nardini e Cossenza festejam a chave de Bellucci
42’20’’ – Cossenza fala sobre a curiosa falta de vitórias brasileiras na Austrália
45’25’’ – Gallas avalia a chave nada simples para Teliana Pereira
50’10’’ – Nardini: “O joelho da Teliana vai sofrer com a Niculescu”
50’20’’ – Cossenza lembra episódio de Teliana x Niculescu em Bucareste
51’35’’ – Aliny fala do momento dos principais duplistas
54’40’’ – Aliny: “Quem vem forte é Bopanna/Mergea”
55’20’’ – Nardini: “Não era hora de Bruno e Marcelo estarem jogando juntos?”
55’21’’ – Aliny se irrita. Todos riem.
58’50’’ – Sheila, Aliny, Nardini e Cossenza dão seus palpites
69’30’’ – Nardini fala dos bastidores da transmissão do Australian Open
77’10’’ – Cossenza: “Conta uma fofoca do Fino?”
67’35’’ – Nardini explica o lanche do McDonald’s para Meligeni

Créditos musicais

Além das faixas da ESPN, o podcast tem a tradicional “Rock Funk Beast”, de longzijum, Emoticons (The Wombats) e Ana’s Song (Silverchair).


O número 1 que ninguém vê
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Alexandre Cossenza

O diálogo abaixo aconteceu na manhã deste sábado, quando fiz uma visita à minha mãe, no Rio de Janeiro. Foi mais ou menos assim.

– Você viu que o Marcelo vai ser número 1 do mundo?
– Vi. Mas como isso?!
– Ele tem ponto pra c… , mãe!
– Mas eu não vejo ele jogar.
– Ninguém vê, mãe. Ninguém vê.

Não, o assunto nem é novo, mas vem à tona sempre que um brasileiro se destaca. Por isso, aproveito o número 1 de Marcelo Melo (o mineiro assumirá o posto no dia 2 de novembro) para repassar alguns dos motivos pelos quais o melhor duplista brasileiro de 2015 não teve mais do que um punhado de jogos televisionados na melhor temporada de sua carreira.

Culpado #1: a ATP

Sim, há outros elementos a considerar, mas a ATP é a principal responsável se o público não conhece o circuito de duplas. Na maioria dos torneios, quase não há transmissão de jogos da modalidade. Nem uma assinatura do TennisTV, que custa mais de R$ 400 por ano (com esse câmbio, né?), garante que você vai conseguir acompanhar a modalidade decentemente.

Se nos ATPs 250, as transmissões são poucas, nos ATPs 500 elas são mais raras ainda. Quem aí lembra que a final de Marcelo Melo no Rio Open de 2014 não foi mostrada pelo SporTV? E nos Masters 1.000, então, o cenário escancara o quanto a entidade pouco se importa para a coisa toda. Em muitos casos, mesmo quando os torneios escalam jogos de duplas para as quadras centrais, onde há todo o aparato de transmissão, as câmeras são desligadas e os operadores ganham folga assim que um duplista sai do vestiário em direção à arena de jogo. É sério.

Os canais brasileiros

As finais, sim, são transmitidas sempre pelo TennisTV durante os Masters. Só que aí entra outro problema. É preciso que o canal dono dos direitos de transmissão mostre interesse nos jogos, que são adquiridos separadamente – ou seja, não fazem parte daquele pacote comprado e válido para toda a temporada. No Brasil, os direitos dos Masters 1.000 são do SporTV. E a final de Xangai, exibida pelo TennisTV, não foi mostrada no brasil pelo canal da Globosat. Já inclusive comentei o assunto neste post e no último episódio do podcast Quadra 18.

Restam, então, os Slams. Para a sorte do público interessado, Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open disponibilizam transmissões de quase todas as quadras. Só que os canais brasileiros nem sempre vão atrás das duplas. Juntando tudo, Marcelo Melo e Ivan Dodig estiveram nas TVs brasileiras menos uma dúzia de vezes. E antes que você diga “mas 12 vezes é muita coisa”, pare e pense em qual seria o número mais justo de transmissões de TV para um top 10 (não precisa nem ser número 1!). E, a não ser que algum mude radicalmente em breve – e nada indica até agora que isso vá ocorrer – Marcelo Melo será um número 1 que ninguém vê.

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Coisas que eu acho que acho:

– Sobre o diálogo no alto do post, peço desculpas por quase reproduzir o palavrão. A questão é que “pra c…” transmite intensidade como nenhuma outra expressão da língua portuguesa.

– Enquanto escrevo este post, Melo venceu mais um jogo (sem transmissão, claro) no ATP 500 de Viena. Ele e o polonês Lukasz Kubot aplicaram 6/3 e 6/4 em cima de David Marrero e Andreas Seppi. Na final, Melo e Kubot vão enfrentar Jamie Murray e John Peers.

– Com o número 1 garantido, a briga de Melo parece agora ser para fechar a temporada no topo. A briga promete ser duríssima contra os irmãos Bryan.

– As fotos deste post são de Getty Images.


US Open: o guia
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Alexandre Cossenza

Um grande título para um Andy Murray em excelente forma, outro para o imortal Roger Federer. Dois vices para Novak Djokovic, duas campanhas nada animadoras para Rafael Nadal e uma grande polêmica para Stan Wawrinka. Não é exagero dizer que na última década o campeão do US Open, o último Slam da temporada, nunca esteve tão difícil de prever.

É com esse cenário, que inclui Thomaz Bellucci em ótimo momento e Feijão vivendo uma fase ruim que parece não acabar (até o sorteio das chaves foi cruel com o #2 do Brasil), que chega a hora de analisar o que pode acontecer de mais interessante nas próximas duas semanas.

Quem são os favoritos? Quem pode surpreender? Quais são os melhores jogos nas primeiras rodadas? Que canal terá a melhor transmissão? Este guiazão da chave masculina do US Open tenta oferecer respostas para tudo isso. Leia abaixo e não deixe de voltar amanhã (sábado) para ler sobre a chave feminina e ouvir o podcast Quadra 18!

Novak Djokovic escapou de um possível confronto nas semifinais contra Murray ou Federer. Em compensação, pode reencontrar nas semifinais o japonês Kei Nishikori, seu algoz em Nova York no ano passado. O japonês, aliás, foi o grande “vencedor” do sorteio, já que ficou no mesmo quadrante de David Ferrer, que não joga um torneio desde junho por causa de lesão.

O sérvio não passou perto de seu melhor tênis em Montreal e Cincinnati. Ainda assim, somou dois vices. O que isso quer dizer? Que Nole ainda é o tenista mais consistente do circuito e, num dia normal, é dificílimo vencê-lo. E com uma semana de folga e uma chave favorável na primeira semana, há tempo para adquirir o ritmo necessário e estar calibrado nas fases mais importantes.

A estreia é contra Feijão – sim, o brasileiro João Souza, que não vence há seis jogos – e os jogos seguintes serão contra Pospisil/Haider-Maurer, Seppi/Andújar/Gabashvili e Goffin/Bautista-Agut. Passando por isso, estará nas quartas e possivelmente pronto para jogar seu melhor tênis.

O número 1, é claro, também pode enfrentar Rafael Nadal nas quartas, mas hoje em dia seria ousado demais cravar que o espanhol chegará lá. O atual #8 estreia contra o perigoso Borna Coric e pode ter pelo caminho Fabio Fognini na terceira rodada e Feliciano López ou Milos Raonic nas oitavas. Italiano, Deliciano e canadense já computam vitórias sobre Nadal em 2015.

Talvez jogue a favor de Nadal o fato de serem partidas em melhor de cinco sets. Afinal, quem aí consegue imaginar “aquele Nadal” perdendo uma melhor de cinco para Fognini, Raonic ou Feliciano? Pois é. Ainda assim, parece improvável um triunfo sobre Djokovic – a não ser que Nadal mostre uma evolução incrível na primeira semana do torneio (a ressalva se faz necessária porque, afinal de contas, Nadal é Nadal e nunca se sabe o que o cidadão é capaz de fazer).

Para os otimistas – ou apenas torcedores mesmo -, alguns números talvez sirvam de alento: o espanhol não perde em Nova York desde 2011 e acumula 20 vitórias em suas últimas 21 partidas disputadas no US Open. Mas será que isso ajuda?

Para Roger Federer, o caminho não é dos mais fáceis, mas também não é lá tão complicado assim. Difícil imaginá-lo perdendo antes das quartas, quando pode ter Tomas Berdych (ou Tomic/Gasquet/García-López) pela frente. Ainda assim, o suíço vem dominando o tcheco recentemente. Em 2015, Berdych venceu apenas dez games em dois confrontos. Só então viria uma semi contra Murray ou Wawrinka.

Independentemente da chave, Federer chega a Nova York como seríssimo candidato ao título e com o favoritismo endossado pelo título de Cincinnati. Lá, mostrou ao mundo um novo recurso: a devolução de bate-pronto, que executa posicionado quase na linha de saque e, consequentemente, quase pronto para fechar a rede na sequência.

O golpe – considerado por muitos uma revolução – chamou muita atenção durante o torneio, mas que ninguém se engane: Federer devolveu saque assim menos de uma dúzia de vezes durante a competição inteira. Se foi campeão em Cincinnati, grande parte do mérito esteve na incrível competência que teve para confirmar seu serviço sem passar problemas.

A “nova” devolução vem como bônus, algo que o próprio Federer admitiu ainda estar estudando quando e como executar com o máximo de eficiência. E embora não seja recomendável superestimar o recurso e sua eficiência, parece óbvio que qualquer arma adicional pode fazer diferença – ainda mais quando o cidadão vem sacando de maneira excelente, o que pressiona ainda mais o saque adversário. Vale ficar de olho, esperando essa devolução naqueles games com o oponente sacando em 4/5, 5/6 e games assim.

Dos quatro principais cabeças, Andy Murray talvez tenha sido o “perdedor” do sorteio. Estreia contra Nick Kyrgios, pode enfrentar Bellucci na terceira rodada e Anderson/Thiem nas oitavas. Se passar, Wawrinka pode estar lhe esperando nas quartas. Só depois disso é que Federer apareceria no caminho – nas semifinais.

O bom para o britânico é que seu momento não poderia ser muito melhor. Campeão em Montreal, onde fez uma excelente final contra Djokovic, Murray conseguiu vitórias improváveis em Cincinnati (saiu de buracos contra Dimitrov e Gasquet) e só parou diante de um fantástico Federer.

O piso do US Open, que tradicionalmente não é tão rápido quanto o de Cincy, pode também jogar a seu favor. E, mesmo com uma rota cheia de cascas de banana, o escocês é um forte candidato ao título.

O que pode acontecer de mais legal

Não vai faltar jogo bom nas primeiras rodadas. A começar por Djokovic x Feijão, sempre um atrativo para brasileiros. Mas jogos quentes mesmo devem ser Murray x Kyrgios e Nadal x Coric, especialmente com o espanhol jogando esse tênis que desaparece em momentos. Quer mais? Que tal Gasquet x Kokkinakis? E, sendo otimista, é capaz até que Leo Mayer dê algum trabalho a Federer, hein?

Também vale ficar de olho na despedida de Mardy Fish, que estreia contra o italiano Marco Cecchinato e, se vencer, encara Feliciano López ou um qualifier. O mesmo grupinho da chave tem Verdasco x Haas na primeira rodada, com o vencedor avançando para duelar com Raonic ou Smyczek.

Ah, sim: em Nova York, Lleyton Hewitt disputa seu último US Open. Campeão do torneio em 2001, o australiano encara Aleksandr Nedovyesov na estreia e, se vencer, pode ter pela frente o compatriota Bernard Tomic. De qualquer modo, sua derrota terá emoção digna de ser registrada.

E isso é só nas duas primeiras rodadas. Na terceira, os cabeças começam a se enfrentar, e a tendência é o torneio só melhorar.

O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

Talvez Grigor Dimitrov estivesse sendo visto como um nome mais perigoso se não tivesse perdido (duas vezes!) uma partida quase ganha contra Murray em Cincinnati. Só que o búlgaro, que fez uma primeira metade de ano nada animadora, mostrou um ótimo tênis em alguns momentos na última semana.

Além disso, caiu em uma chave que, se não é fácil, é interessante. Confirmando o favoritismo, Dimitrov enfrentará o atual campeão, Marin Cilic, na terceira rodada. O croata é outro que deixou a desejar em 2015. E quem avançar desse grupo vai às oitavas contra quem passar da seção que tem Ferrer (sem ritmo) e Chardy. Logo, não é nada difícil imaginar Dimitrov ou Cilic nas quartas.

Os brasileiros

Bellucci, que chegou a Nova York no top 30 e cabeça de chave, teve sorte. Estreia contra James Ward, #134 e, se avançar, enfrentará um qualifier. Na terceira rodada, aí, sim, pode encarar Andy Murray. Ainda que o britânico pareça um obstáculo difícil de superar, o #1 do Brasil tem uma chance enorme de finalmente passar da segunda rodada em Flushing Meadows.

Feijão, por sua vez… Que fase, hein? Vindo de seis derrotas consecutivas e em momento ruim desde a Copa Davis, o número 2 brasileiro estreia contra Novak Djokovic. Quando o momento é ruim…

Vale registrar a campanha de Guilherme Clezar no qualifying. Na quinta-feira, o #168 derrotou Nicolás Almagro em três sets e ficou a uma vitória da chave principal. Vale ficar de olho. Ao mesmo tempo, é de lamentar que apenas dois brasileiros disputaram o torneio qualificatório. O outro, André Ghem, #129, perdeu logo na primeira rodada.

Onde ver (ou não) na TV

É sempre melhor quando dois canais mostram um torneio. O US Open está nas grades do SporTV e da ESPN. Desta vez, a diferença entre as transmissões deve ser bem menor do que em Wimbledon, quando o canal da Disney deixou o rival para trás. Embora continue com um canal a mais, a ESPN tem a grade amarrada com La Vuelta e o Pré-Olímpico de Basquete. A vantagem da emissora paulista é que o Watch ESPN (pelo site do canal) tem direito a exibir os sinais de todas as quadras onde houver transmissão. Não deixa de ser uma excelente opção.

Nenhum dos canais, aliás, terá equipe de transmissão em Flushing Meadows. Qualquer que seja o motivo, tanto ESPN quanto SporTV contarão apenas com um jornalista in loco produzindo reportagens. É de se imaginar que a alta do dólar tenha relação com isso. Não sai barato manter narrador e comentarista (no mínimo) pagando US$ 300 de diária de hotel em Nova York…

Quem pode (ou não) surpreender

Entre os quatro primeiros cabeças, a aposta óbvia para derrota precoce deve ser em Kei Nishikori (apesar da estreia de Murray contra Kyrgios), que tem aqueles problemas físicos semana sim, semana não. Mas não só por isso. O japonês tem uma estreia traiçoeira contra Benoit Paire e um possível segundo jogo contra Radek Stepanek. São tenistas que lhe darão pouco ritmo – algo que será essencial na terceira fase, seja contra Tommy Robredo, Sam Groth ou Alexandr Dolgopolov. O atual vice-campeão pode fazer seu caminho ficar mais simples (e, ainda assim, parece a melhor chave entre os quatro cabeças), mas precisará estar calibrado desde os primeiros games.

Nas casas de apostas

Djokovic é favoritíssimo, como sempre. Na casa virtual bet365, um título do sérvio paga apenas 2,10 para cada “dinheiro” apostado. Murray (4,50) e Federer (5,00) estão quase colados, e o resto vem bem atrás. Nadal (21,00), por sua vez, não está nem entre os mais cotados, ficando atrás de Wawrinka (13,00) e Nishikori (17,00). O top 10 da casa de apostas ainda inclui Berdych (41,00), Cilic (51,00), Dimitrov (51,00) e Raonic (67,00). Um título de Bellucci paga 501,00, enquanto Feijão divide o último lugar. Uma conquista de João Souza pagaria 3001,00 a algum sortudo.

Na casa australiana Sportsbet, muda muito pouco. Djokovic paga 2,25, seguido de Murray (5,00), Federer (5,00), Wawrinka (13,00), Nishikori (19,00), Nadal (34,00), Dimitrov (41,00), Berdych (51,00), Cilic (51,00) e Tsonga (81,00). Curioso notar que na tarde desta quinta-feira, Almagro pagava 401,00, enquanto Bellucci e Feijão eram cotados em 501,00. A quem não percebeu a ironia: na noite de quinta, Almagro foi eliminado do qualifying pelo brasileiro Guilherme Clezar.


Quadra 18: Especial pós-Wimbledon
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Alexandre Cossenza

O segundo Serena Slam, o tri de Novak Djokovic, as duas semanas fantásticas de Roger Federer, a ascensão de Garbiñe Muguruza, a “limpa” de Martina Hingis nas duplas, a conquista de Tecau e Rojer… O podcast Quadra 18 chega nesta segunda recheado de assuntos interessantes em seu episódio pós-Wimbledon!

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos sobre a segunda semana (a primeira foi debatida num Hangout ao vivo durante o Middle Sunday) do Grand Slam da grama, dando nossas opiniões e aproveitando um punhado de perguntas enviadas por ouvintes. Falamos até sobre o resultado do negócio entre ESPN e SporTV, que permitiu ao canal da Disney mostrar jogos de todas quadras de Wimbledon. Para ouvir é só clicar no botãozinho abaixo.

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes. Nosso arquivo com todos os programas também está no Tumblr. E para enviar questões, críticas e sugestões, nosso canal preferido é o Twitter – incluam sempre a hashtag #Quadra18 – mas também aceitamos via e-mail e Facebook.

Os temas

Como nem todos nossos ouvintes querem ouvir o programa inteiro, então deixo abaixo, como de costume, em que momento falamos sobre cada tema. Assim, quem preferir pode avançar direto até o trecho que preferir.

2’10’’ – Comentários sobre o título de Novak Djokovic
7’58’’ – “Federer e Serena provam que 30 anos não é mais fim de carreira para tenistas brigando por títulos grandes?”
11’35’’ – “Quem da geração Sub-25 será o primeiro a ganhar um Slam?”
14’40’’ – “Cilic vai voltar a vencer um Slam ou o US Open foi um one-hit wonder?”
16’00’’ – “Djokovic ganhou oito Slams em cinco anos. Será que nos próximos ele consegue mais oito?”
18’17’’ – “Djokovic vai passar Federer em número de Slams?”
20’35’’ – “Não é impressionante que Djokovic seja tricampeão em Wimbledon, no piso que teoricamente é o pior para ele?”
23’13’’ – “O que Djokovic pode melhorar em seu jogo além de lobs e smashes?”
24’30’’ – Comentários sobre a participação de Andy Murray em Wimbledon
25’05’’ – E Stan Wawrinka?
27’40’’ – O segundo Serena Slam
30’45’’ – Comparações entre os dois Serena Slams
34’50’’ – “O domínio de Serena é bom para o circuito?”
40’30’’ – Surgimento e ascensão de Garbiñe Muguruza
45’13’’ – As participações de Sharapova, Radwanska e Azarenka
50’30’’ – Comentários sobre Tecau e Rojer, campeões de duplas
56’40’’ – As participações de Marcelo Melo e Bruno Soares
60’55’’ – Os títulos de Martina Hingis nas duplas e nas mistas
61’45’’ – “Hingis ainda poderia jogar simples hoje?”
64’20’’ – Comentários sobre as transmissões de SporTV e ESPN
78’00’’ – Stakhovsky e a polêmica de não querer que a filha jogue tênis “porque os vestiários da WTA têm lésbicas”

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “Hang For Days” e “Game Set Match”. As duas últimas fazem parte da audio library do YouTube.


Todos sorriem em Wimbledon (menos Bellucci)
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Alexandre Cossenza

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Não dá para dizer que a chave de Wimbledon foi especialmente cruel com ninguém. Novak Djokovic não vai precisar enfrentar ninguém do Big Four até a final; Roger Federer tem um caminho livre de tenistas que ameaçam na grama até, pelo menos, as quartas de final; a história de Andy Murray não é tão diferente, e até Rafael Nadal pode dizer que teve sorte com o caminho que colocaram à sua frente. Thomaz Bellucci, adversário do espanhol na estreia, é que não tem tanto assim para comemorar. Vejamos, então, o que podemos esperar do Torneio de Wimbledon, que começa na próxima segunda-feira.

Número 1 do mundo e atual campeão do torneio, Djokovic escapou do Big Four, o que é sempre bom – principalmente para quem tem muitos pontos a defender. Por outro lado, o sérvio tem algumas cascas de banana nas primeiras rodadas. Ninguém gostaria de estrear contra Philipp Kohlschreiber nem de encarar Lleyton Hewitt na grama (ou Nieminen?) logo depois. Tomic pode ser o possível rival de terceira rodada. Não é lá a primeira semana dos sonhos de ninguém. E seu quarto de chave ainda tem L. Mayer/Kokkinakis/Anderson/Tipsarevic (oitavas) e Cilic/Isner/Nishikori (quartas).

A recompensa por tudo isso, se Djokovic chegar na semi, é não ter de enfrentar nem Murray nem Nadal antes da decisão. Na outra ponta da parte de cima da chave está Stan Wawrinka, que não tem um histórico tão honroso assim em Wimbledon (13v e 10d). O grande ponto de interrogação, contudo, é a forma em que o número 1 se encontra. Como não jogou nenhum torneio de grama antes de Wimbledon (Nole está jogando exibições no evento conhecido como The Boodles), ninguém sabe exatamente a quantas anda seu tênis.

Não é a primeira vez que Djokovic chega a Wimbledon sem participar de eventos no piso. Ano passado, fez o mesmo e saiu de Londres com o troféu. Este ano, porém, são três semanas entre Roland Garros e o Slam da grama. Além disso, as rodadas iniciais são traiçoeiras. Vale prestar bastante atenção na segunda-feira, quando o sérvio inaugurar a grama da Quadra Central contra Kohlschreiber. Está longe de ser uma daquelas estreias sonolentas de cabeças de chave.

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O mesmo pode se dizer da primeira rodada de Rafael Nadal. Embora Bellucci não tenha lá um retrospecto animador na grama, o brasileiro tem armas para incomodar o espanhol – especialmente esta versão 2015 inconstante do ex-número 1. Pode ser um duelo interessante se Bellucci estiver recuperado das dores nas costas que lhe fizeram abandonar a chave de duplas em Nottingham.

De modo geral, contudo, o sorteio foi bom para Nadal. Se passar pelo paulista, enfrentará Lu/Brown e depois pode reencontrar Troicki (ou Stepanek) na terceira rodada. Se chegar às oitavas, seu provável rival será Fognini ou Ferrer, o que, convenhamos, não é nada mal em Wimbledon. Ainda mais levando em conta que Nadal entra no evento como cabeça de chave 10 e poderia cair num confronto contra Nishikori, Berdych ou Raonic, que, em tese, ofereceriam mais dificuldades em um piso como a grama.

Ainda assim, parece ousado apostar em Rafa Nadal neste torneio. Em uma temporada cheia de altos e baixos, parece difícil acreditar que o espanhol encontrará regularidade para superar um caminho que ainda pode lhe colocar diante de Murray nas quartas, Federer na semi e Djokovic na decisão.

Andy Murray, sim, vem em grande momento. Fez um belo torneio em Roland Garros, foi campeão em Queen’s e chega a Wimbledon como candidato sério ao título. Em seu caminho estão Kukushkin (estreia), Haase/Falla, Seppi/Stakhovsky/Coric (terceira rodada) e Tsonga/Karlovic (oitavas) antes de precisar enfrentar quem avançar da seção de Nadal. Pesando tudo – inclusive o fato de Tsonga não ter jogado desde Paris – não é uma chave das mais duras.

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Do mesmo modo, Roger Federer pode comemorar o sorteio. O suíço estreia contra Dzumhur, então enfrenta Sijsling/Querrey e, depois, Sock/Groth/Jaziri/Duckworth. Nas oitavas, seu rival sai do grupo que tem Feliciano/Bautista/Paier/Youzhny. Só, então, nas quartas, Federer precisaria encarar alguém que possa lhe ameaçar na grama, como Tomas Berdych (ou, quem sabe, Ernests Gulbis, perdido no meio da seção já que não é mais cabeça de chave).

O suíço sempre foi, é e sempre será candidatíssimo ao título de Wimbledon enquanto colocar os pés no All England Club. Agora, nos últimos anos de sua carreira, o torneio londrino é, mais do que nunca, sua melhor chance de voltar a conquistar um Slam. E Federer sabe disso, o que lhe torna ainda mais perigoso. Com um caminho relativamente tranquilo até as semifinais (nem Berdych tem causado problemas ultimamente), o suíço pode trabalhar todos aspectos de seu jogo com calma e chegar lá na frente descansado e mais perigoso do que nunca – ou tão perigoso como sempre.

B4+1

Se criaram o P5+1 para negociar com o Irã, é possível incluir Stan Wawrinka no Big Four+1. Atual cabeça de chave número 4, o campeão de Roland Garros ficou na parte de cima da chave, junto com Djokovic. O jogo na grama tira um pouco do tempo que Stan tem para preparar seus longos golpes. Logo, o suíço tende a ser um pouco mais errático nesse tipo de piso. Ainda assim, uma chave com João Sousa na estreia, Estrella Burgos/Becker na segunda rodada e Thiem/Sela/Verdasco/Klizan em seguida não é das piores.

É de se esperar que Wawrinka alcance pelo menos as quartas de final. Aí, sim, encararia seu primeiro grande obstáculo contra Raonic/Kyrgios/Dimitrov. É justo dizer que Stanimal não estará em Wimbledon como favorito ao título, mas seria injusto descartá-lo totalmente. Se conseguir superar bem os primeiros adversários, pode chegar confiante lá na frente. E se seu primeiro saque estiver entrando “daquele” jeito, Wawrinka será bem difícil de superar.

Wawrinka_W_JonBuckle_AELTC_blog

Os brasileiros

Bellucci não deu lá muita sorte. Tudo bem que o Nadal de hoje – ainda mais na grama – não intimida tanto quanto o de 2013 (ou 2012 ou 2011 ou 2010 ou 2009…), mas enfrentá-lo numa primeira rodada de Grand Slam não está na lista de ninguém para o Papai Noel. Sorte mesmo deu Feijão, que escapou dos cabeças de chave e dos especialistas na grava e vai estrear contra Santiago Giraldo. O colombiano é bom tenista, claro, mas tem um segundo saque muito vulnerável. A grande questão é que o próprio Giraldo deve estar pensando o mesmo: “me dei bem!”

O que ver (ou não) na TV

Desde que a ESPN anunciou ter sublicenciado os direitos de Wimbledon junto ao SporTV, os fãs têm motivo para comemorar. Em vez da tradicional transmissão engessada do “canal campeão” (raramente saía das quadras principais e mostrava, no máximo, quatro jogos por dia), quem gosta de tênis poderá acompanhar o torneio londrino em dois canais na ESPN. Embora a ESPN nem sempre acerte a mão na escolha do que mostrar, é sempre uma opção a mais vindo de uma equipe que mostra interesse de verdade em fazer a coisa bem feita – e isso vale muito!

A lista de jogos legais de primeira rodada já é animadora. A começar pelos já citados aqui Djokovic x Kohlschreiber, que abre o torneio, e Nadal x Bellucci. Também já deixei anotado aqui Almagro x Simon e o inflamável Gulbis x Rosol, em que pode acontecer de tudo.

O que pode (ou não) acontecer de mais legal

Confirmados os favoritismos, alguns dos confrontos de terceira rodada – em tese, quando os cabeças de chave vão começar a se enfrentar – serão interessantes. Kyrgios x Raonic é o meu preferido, mas Djokovic x Tomic pode ser um tanto divertido também – dependendo da consistência do sérvio.

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O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

Atual número 9 do mundo, Marin Cilic não fez nada de especial nem em Stuttgart nem em Queen’s – perdeu para Troicki em ambos – e, por isso, anda meio fora do radar nas previsões para o Slam da grama.

Cilic, contudo, tem as armas para ir longe na grama e uma chave um tanto acessível. Se passar por Isner na terceira rodada, chega nas oitavas para enfrentar quem sair do grupo encabeçado por Nishikori e Cuevas. Não é nada impossível que o campeão do US Open chegue às quartas de final contra (possivelmente) Djokovic. E quem aí lembra que Cilic esteve vencendo o sérvio por 2 sets a 1 em Wimbledon no ano passado? Será?

Quem pode (ou não) surpreender

Um nome intrigante solto na chave é o de Nicolas Mahut – sim, aquele do jogo de 11h que deu o nome ao podcast Quadra 18. O francês de 33 anos estava fora do top 100 até algumas semanas atrás, mas furou o quali e acabou campeão do ATP de ’s-Hertogenbosch. Ganhou um wild card para Wimbledon, estreia contra Krajinovic e pode enfrentar Berdych na segunda rodada. Se passar pelo tcheco, deus sabe até onde o francês pode chegar.

Vale prestar atenção também em Alexander Zverev, ex-número 1 do mundo no ranking juvenil e atual #76 aos 18 anos. Em uma chave sem especialistas na grama, o alemão pode muito bem chegar a uma terceira rodada. Se acontecer, será azarão contra Nishikori, mas não convém descartar uma zebra nesse duelo.

Djokovic_W_JonBuckle_AELTC2_blog

Além disso, pode até soar paradoxal, mas como Djokovic não competiu na grama (e este ano são três semanas de intervalo desde Roland Garros), todos adversários do sérvio na primeira semana são potenciais candidatos a uma zebraça. Kohlschreiber e Tomic, principalmente.

Nas casas de apostas

Na casa australiana sportsbet, Djokovic lidera as cotações. Um título do sérvio paga 2,37 para cada “dinheiro” apostado nele. A lista tem, em seguida, Murray (4,33), Federer (7,50), Wawrinka (13), Nadal (23), Raonic (34), Dimitrov (41), Berdych (41), Nishikori (51) e Tsonga (51).

A ordem dos mais cotados não é tão diferente para os britânicos da William Hill. A lista lá tem Djokovic (5/4, ou seja, cinco “dinheiros” para cada quatro apostados), Murray (5/2), Federer (6/1), Wawrinka (14/1), Nadal (16/1), Dimitrov (25/1), Tsonga (33/1), Nishikori (33/1), Raonic (33/1) e Cilic (40/1).

Bellucci e Feijão estão na lista dos maiores azarões. caso um dos brasileiros seja campeão, o apostador recebe 500/1 na William Hill e 501/1 na sportsbet.


ESPN exibirá Wimbledon ao vivo já este ano
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Alexandre Cossenza

Meligeni_Nardini_blog

A ESPN vai exibir o Torneio de Wimbledon ao vivo para o Brasil pelo menos durante os próximos três anos (2015, 2016 e 2017). O martelo foi batido nesta sexta-feira, quando o SporTV concordou em sublicenciar os direitos ao canal concorrente.

Com o acordo, SporTV e ESPN mostrarão Wimbledon ao vivo. É de se esperar, no entanto, que a ESPN dê ao torneio o mesmo tratamento especial que reserva ao US Open e ao Australian Open, outros dois Slams exibidos pela emissora. A transmissão, por exemplo, será tanto na ESPN quanto na ESPN+ (o WatchESPN mostrará, na inernet, o mesmo que estiver no ar nos dois canais).

Wimbledon sempre foi o Grand Slam com menos jogos exibidos para o Brasil. O SporTV, dono dos direitos de transmissão, sempre optou por mostrar o torneio em apenas um canal (e raramente saindo das duas quadras principais), deixando os espectadores com uma oferta de quatro jogos por dia – se tanto! É pouquíssimo. Menos da metade do que o Bandsports mostra em Roland Garros, por exemplo.

Com os dois canais da ESPN em Wimbledon, quem mais ganha é o espectador. É uma opção de qualidade, disponibilizada por gente que gosta de tênis e mostra interesse em valorizar o “produto”. Quem sabe isso não força o SporTV a tratar o torneio mais importante do mundo com mais carinho?

Os fãs de tênis brasileiros agradecem.

(post atualizado às 17h45min com a confirmação de que a ESPN vai mesmo usar dois canais na transmissão)


ESPN atrasa transmissão de dupla e irrita presidente da CBT
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Alexandre Cossenza

Eram 2h40min da manhã quando acabou a terceira partida da Quadra 2 de Melbourne. Era hora de Bruno Soares e Alexander Peya buscarem uma vaga nas quartas de final do Australian Open. Enquanto isso, na Rod Laver Arena, Novak Djokovic atropelava Fabio Fognini. Na Hisense Arena, a segunda maior do complexo, David Ferrer fazia um jogo nada empolgante contra Florian Mayer. O alemão venceu o primeiro set, mas o espanhol levou a melhor nos dois seguintes e parecia no controle de um duelo sonolento.

A ESPN, com seus dois canais, resolveu não cortar para a partida de Bruno Soares. Em vez disso, manteve Djokovic na ESPN e Ferrer na ESPN+. A ideia era mostrar a dupla do brasileiro quando a partida do sérvio acabasse. Ideia que dependia da eficiência do sérvio e também de Fognini, que lutava (ainda que de seu modo nada ortodoxo) para manter-se vivo no torneio. A decisão do canal não agradou a alguns fãs de tênis. Entre eles, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Jorge Lacerda. Em sua conta no Twitter, o dirigente manifestou sua ira.

 

 

O cartola não parou por ali e seguiu explicando seus motivos a outros fãs e jornalistas que estavam utilizando o site de microblogs naquele momento. Eu, que também manifestei minha opinião, tive uma resposta do comentarista da ESPN Osvaldo Maraucci, que estava no ar naquele momento.

 

No fim da história, Fognini deu até algum trabalho para Djokovic no começo do terceiro set, e Ferrer fechou seu jogo mais cedo. A solução do canal, que mostrava flashes da dupla nos intervalos da partida do número 2 do mundo, foi colocar Soares e Peya em definitivo na ESPN+, canal que tem número bem menor de assinantes. Quando isto aconteceu, o placar já mostrava 4/4 no primeiro set. No fim, Soares e Peya foram derrotados por Nicolas Mahut e Michael Llodra: 7/6(4) e 6/4.

Coisas que eu acho que acho:

– Não é só a ESPN. Canais de TV brasileiros não gostam de cortar partidas antes do término, mesmo na primeira semana, quando há um punhado de jogos bacanas as quadras secundárias. Em vez disso, o público vê vitórias sonolentas dos favoritos nas quadras principais. É até compreensível quando a partida envolve atletas com muitos fãs, como Nadal, Djokovic, Federer, Sharapova… No caso de David Ferrer, contudo, parece injustificável a medida.

– Outro argumento que ouvi conversando com pessoas envolvidas em transmissões de TV é a de que o público em geral não gosta de ver partidas pela metade. Ok. Ninguém da ESPN alegou isso neste caso específico, mas, no caso do Australian Open, o argumento não se justificaria. Nos horários do Australian Open, o público geral está dormindo.

– Ouso dizer que 90% dos fãs de tênis que conheço preferem transmissões dinâmicas, que mostrem os jogos mais “quentes”, mesmo aqueles que envolvem dois tenistas não tão conhecidos, mas estão jogando um quinto set dramático. É assim, aliás, que fazem os canais americanos quando exibem os Slams. A ênfase é em colocar no ar sempre o que está mais emocionante. Quem quiser ver outro jogo tem sempre a opção de acessar o canal na internet e escolher outra quadra (o Tennis Channel faz isso nos EUA, e a ESPN tem o Watch disponível aqui no Brasil para assinantes de algumas operadoras de TV a cabo).

– Considerando o horário, as reclamações quanto à opção por manter Ferrer no ar não foram poucas. Vejam algumas delas.

 

 


O melhor do Australian Open
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Alexandre Cossenza

Nesta semana, a ESPN mostra uma série de compactos de grandes jogos que marcaram o Australian Open. O primeiro deles foi ar ar nesta segunda-feira: a semifinal de 2000 entre Andre Agassi e Pete Sampras. É o jogão do vídeo abaixo. Se você não conseguiu ver no canal, pode rever aqui, na íntegra:

A intenção deste post, contudo, não era só “embedar” o vídeo. A programação para o resto da semana é a seguinte, respeitando o horário de Brasília:

Terça, 17h: Agassi x Rafter – semifinal de 2001
Quarta, 17h: Safin x Federer – semifinal de 2005
Quinta, 20h: Nadal x Verdasco – semifinal de 2009
Sexta, 17h: Nadal x Federer – final de 2009

Se você não viu algum destes jogos, não perca essa enorme oportunidade. Como sempre digo, o Safin x Federer de 2005 é uma das partidas de mais alto nível do início ao fim. Os dois jogaram um tênis obsceno, e o russo precisou salvar set point em um ponto espetacular antes de chegar à vitória (este jogo é o número 2 na minha lista de “melhores jogos que eu vi”).

Antes de terminar o post, fica aqui o parabéns à ESPN pela iniciativa. O canal vem mostrando recentemente que transmitir um grande evento não se resume a comprar os direitos e exibir partidas. É preciso criar o clima, mostrar os torneios que antecedem e não deixar o espectador esquecer dos porquês de tal evento ser fantástico. Tudo isto a ESPN vem fazendo com competência.


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