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Bruno Soares: vaidade, implante capilar e mais de quatro anos de tênis
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Alexandre Cossenza

Demorou um pouco mais do que o habitual, mas finalmente chega o momento de publicar o entrevistão anual com Bruno Soares. Quem lê o Saque e Voleio sabe que com o mineiro há sempre material interessante – desde sempre. A conversa deste ano foi um pouco diferente. Falamos de tênis, claro, mas também conversamos bastante sobre o implante capilar a que o mineiro se submeteu há pouco tempo. Bruno ainda anda de boné por toda parte porque evitar o sol é uma das precauções pós-operatórias.

O descontraído papo é sobre vaidade, temores e decisões, mas se você só quer ler sobre tênis, tem assunto para você também. Bruno lembra dos momentos marcantes de 2016, fala da sensação de começar o ano como dupla a ser batida, compartilha os planos para a carreira e avalia a chance de mudanças no circuito de duplas em breve. Tem assunto para todos os gostos. É só rolar a página…

A gente faz essas entrevistas desde 2012, se não me engano. Na primeira delas, seu objetivo era classificar pra Londres. Mais tarde, era ganhar um slam de duplas masculinas. Hoje, você já tem dois slams de duplas, três de mistas, terminou 2016 como dupla #1 do mundo, tem um filho, está bem casado e – dizem – bem de dinheiro. Qual a motivação pra continuar jogando com 34 anos, a dez dias de completar 35?

Tenho alguns objetivos ainda. O número 1 do ranking “individual” é um deles. A medalha olímpica é outro. Ganhar o Rio Open, outro. Tem um bocado de coisa ainda que eu posso conquistar, mas o principal disso tudo é que eu ainda amo jogar tênis. Acho que esse é o mais importante. Independentemente de objetivo e coisas que você quer alcançar, quando o prazer de ficar duas horas no sol acabar, aí a luzinha vai começando a apagar e aí é hora de repensar a carreira. Acho que isso é o principal. Os objetivos a gente vai traçando para ter um norte, para rumar naquela direção e conquistar. Eu, felizmente, venho conquistando a grande maioria das coisas que eu venho traçando, e espero… Quem sabe mais cinco grand slams nos próximos quatro anos? Tô feliz da vida!

No fim de quatro temporadas, você vai estar com 39?

É. Na próxima Olimpíada, eu estou com 38.

É essa conta que você faz agora? Jogar pelo menos até Tóquio 2020?

É essa conta. Em Tóquio, eu quero estar com certeza. Depois disso, vamos ver como estou de ranking, físico, vontade e tudo mais. Mas acho que me surpreenderia eu parar por minha vontade antes de Tóquio. Eventualmente, se o nível cai, você não aguenta tanto torneio, e uma série de coisas que podem acontecer nessa jornada, mas por vontade minha, estando bem ranqueado e jogando bem, acho muito difícil.

O ano passado começou muito bom, com dois slams (duplas e mistas) na Austrália, terminou como número 1 com um slam em Nova York, e no meio disso teve a medalha que não veio e o número 1 “individual” que escapou por um jogo. Foi uma temporada de altos muito altos e – não sei se baixos muito baixos, mas de sensações muito intensas?

De sensações, sim. Quando você tem um ano olímpico como no ano passado, no Rio, e juntando com as coisas que a gente conseguiu conquistar e estando muito perto do número 1, acho que foi um ano de grandes emoções. A gente pode definir assim. Umas, muito boas. Outras que acabaram muito perto de eu conquistar. É o que eu falo sempre. Quem está no circuito e está acostumado a jogar 25, 26, 27 torneios no ano e tem um torneio de uma semana que é a Olimpíada, todo mundo sabe que a variável é enorme. Você chega lá um dia, o cara mete uma bola na linha, você acorda mais ou menos… É um tiro que você tem. É cruel! Nesse esportes que vivem da Olimpíada, é muito cruel com a turma. O cara se prepara quatro anos, de repente ele acorda e está ventando… acabou!

E aí são mais quatro anos para tentar de novo.

Mais quatro anos para tentar de novo! O cara não tem circuito. Acabou. Isso que é o cruel das Olimpíadas. E a gente… Se você tem o sonho de conquistar a medalha olímpica, é a mesma coisa. É cruel também. Batemos na trave em Londres, batemos na trave no Rio, vamos tentar de novo em Tóquio.

Eu ia perguntar que sensação tinha sido mais doída, mas pelo que você falou, não conquistar a medalha foi muito mais forte do que o número 1 que não veio…

Acho que Olimpíadas, cara. Justamente por isso. Aquilo ali, a gente estava num momento muito bom, a gente estava na briga… Hoje eu estou mais longe do número 1. Perdemos dois mil pontos da Austrália, para chegar no número 1 é um processo de novo, mas a gente estava na boa. E Olimpíada é o que eu te falei. Você perde nas quartas, acabou. Quando é a próxima? Tóquio 2020. Você fala “puta merda”, acabou. É porque você faz muita coisa pelas Olimpíadas. São dois anos que a gente estava no planejamento. Tudo que a gente faz é pensando em Olimpíadas. Em tudo que a gente montou, as Olimpíadas estavam envolvidas também. Você passa um tempo muito grande martelando aquilo ali. Obviamente, é um negócio completamente diferente. Você tem vila olímpica, cerimônia de abertura, tudo aquilo, e quando acaba, você fala “acabou”. Mais quatro anos agora. Senta e espera.

E qual foi o alto mais alto? Aquelas 16 horas de Melbourne quando você tomou 12 xícaras de café? (Bruno foi campeão de duplas e mistas em dias consecutivos)

Acho que foi. Estou tentando comparar com o número 1, que foi do caralho também, mas aquele fim de semana de Melbourne foi algo. Porque foi meu primeiro grand slam de duplas masculinas, da forma que aconteceu… A gente acabou de madrugada, não consegui dormir, naquela pilha, adrenalina, entrevista, aquela loucura… E você para pra pensar, “o que você tem amanhã? Outra final de grand slam!” Então foi um negócio meio doido, na base da adrenalina mesmo. Pouquíssimos jogadores conseguiram ganhar dupla e dupla mista no mesmo torneio. Consegui colocar meu nome num lugar muito seleto e muito especial.

Você já falou bastante sobre o motivo do sucesso da parceria com o Jamie. O que acho interessante é que vocês ganharam em Melbourne, quando as duplas ainda estavam se encontrando, e ganharam de novo em Nova York, quando todo mundo já sabia quem era quem. E agora, começar o ano como #1, como umas das duplas a serem batidas, está sendo muito diferente?

Acho que eu vivi muito isso com o Alex [Peya]. A gente não ganhou um slam, mas se firmou como uma das melhores duplas do mundo muito rápido. Em 2012, a gente começou bem. Já saímos ganhando dois 500. A turma já tinha a gente como uma referência das duplas mais fortes. Obviamente, com o Jamie foi um negócio de ganhar dois grand slams, terminar número 1… Mas eu acho que de uma forma geral, é resultado do que a gente faz. Independentemente do resultado das duplas, a gente está estudando. O Alan [MacDonald, técnico de Jamie Murray], o Hugo [Daibert, técnico de Bruno] e o Louis [Cayer, técnico da federação britânica] vão lá e fazem vídeo, falam para a gente. A gente assiste aos jogos juntos depois. Eu acredito que os outros também estão fazendo, anotando. “O Bruno gosta da sacar ali, essa é a principal jogada deles.” Esse tipo de coisa todo mundo está fazendo. Aí é a hora que entra a qualidade do jogador de variar, se inventar. É a parte mental do jogo. O cara acha que eu vou sacar ali; eu sei que se eu sacar lá, ele vai bater ali. Então fica aquele negócio de quem vai fazer o que primeiro.

Agora, mudando de assunto, o que o pessoal comenta, mas anda meio sem graça de te perguntar… Você fez implante (de cabelo)?

Eu fiz! Vergonha zero de falar! Estou de boné o tempo inteiro porque não posso tomar sol. Eu tinha ido no médico no fim do ano, mas tem um processo que exige que você fique dez dias parado. É muito complicado pra mim. Quando eu machuquei [no Australian Open], liguei para essa médica, Dra. Maria Angélica Muricy, que está sempre com a agenda lotada, e falei. Eu chegava segunda à noite no Brasil. Quarta era feriado em São Paulo. Ela falou “eu não opero feriado e fim de semana, mas vem que eu te opero na quarta-feira.” Ela é nota 1000.

Como funciona isso?

Essa técnica chama “fio a fio”. Você coloca, o cabelo cresce um pouquinho, e em 25, 30 dias, esse cabelo cai. E aí em três meses, nasce o cabelo definitivo. Não, não tenho vergonha nenhuma! Até porque eu era careca, agora não sou mais! (risos) Não posso negar, né? Se o cara pergunta “você fez implante?”, não posso dizer “não, cresceu do nada!” (mais risos de ambos)

Cidade maravilhosa #rio #rioopen

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Mas estava te incomodando visualmente?

Não vou dizer que sou zero vaidoso porque fiz essa parada, mas não tenho vergonha nenhuma de comentar. Mas o que aconteceu? Foi de uma hora para a outra! Eu nunca me incomodei pelo fato de estar ficando careca. Acho que ano passado eu apareci muito na TV e me vi muito e comecei a falar “eu tô careca pra caralho, velho.” Eu, pelo menos, senti isso, que fiquei muito mais careca no ano passado. Entrou demais e tal. Aí estou batendo papo com o Márcio [Torres, empresário], conversando sobre implante, mas o Márcio é cabeludo, não sabia nada. Mas o [pessoa cujo nome foi omitido em nome da amizade], que é nosso amigo, fez. Não sei nem se devia falar o nome dele porque ele pode estar escondendo. Aí mandei um WhatsApp pro cara. Ele falou “velho, zero dor, técnica nova”, e ele me explicou. Marquei uma consulta e, realmente, agora é uma técnica que você tira de trás, implanta na frente. Zero cicatriz, zero dor. É muito mais fácil.

Você então não sofreu bullying nem tem trauma de infância? Nada mesmo?

Zero, zero! Sabe por que eu animei? Porque quando eu falei com o [amigo], ele disse “zero dor”. Aí eu me animei. Fui lá, ela me explicou o processo e falei “ah, vou fazer essa porra antes que eu fique careca completamente.” Mas com quem quiser falar do implante, eu falo abertamente. Nunca tive trauma. Tanto que eu não sabia de nada [sobre o assunto antes do procedimento].

E a Bruna (esposa), o que achou?

A Bruna nunca falou um “a”. Quando eu voltei, ela perguntou, eu falei “vou operar.” Ela falou “o quê??? Não vai me consultar?” Não, já decidi, o trem é simples, vou fazer. Para ela, não muda nada com ou sem cabelo.

Pergunto porque vocês estão juntos há muito tempo, então ela acompanhou todo processo de queda, né?

Ela foi acompanhando o processo, mas quando você convive o tempo inteiro, a pessoa vai “carecando” e você vai acostumando. Você não toma um choque. Não é um cara que me viu com 18 anos e depois só me viu com 34. O cara olha e diz “ele tá carecaço.” Mas se você me vê todo dia, vai acostumando com aquela imagem visual. Mas ano passado me incomodou. No ATP Finals, tinha uns pôsteres enormes que eu olhava assim e falava “tô muito careca!” Mas aí, na conversa com o Márcio, quando ele disse que o [amigo de identidade preservada] fez… Essa técnica nova é outro nível.

Falemos de política um pouco pra fechar… O Andy Murray assumiu a presidência do Conselho dos Jogadores, e um dos primeiros assuntos que ele levantou foi o circuito de duplas. Principalmente o sign-in on-site (quando tenistas se inscrevem no torneio em cima da hora, pouco antes do fim do prazo para o fechamento)…

O lance do sign-in é muito complicado. Por que que existe o sign-in on-site?

Por causa deles, os simplistas, né?

Por causa deles. Mas por que que o Andy viu isso [Andy Murray reclamou do procedimento quando jogou o Masters de Paris em 2015]? Porque ele estava jogando com o [Colin] Fleming, então ele estava na boca do gol [correndo o risco de não entrar na chave por causa do ranking combinado]. Se ele estivesse jogando com o Ferrer, ele assinava e podia ir para o hotel dormir que ele ia entrar. Como ele precisava de conta, ele viu a loucura que é em cima da hora. Mas o sign-in foi feito para esses caras. Os caras que vão entrar mesmo… Ah, o Federer vai assinar com o Wawrinka. Ele assina e vai embora porque vai entrar. Os caras que estão na boca do gol é que ficam naquela loucura. E tem muita que é duplista e precisa entrar.

Como é essa loucura?

Eu vou assinar com você. Deu dois minutos, ele assinou. Deu três minutos, fulano assinou. Aí você tem que mudar. Eu já não estou mais com você porque senão a gente não entra. Então eu vou jogar com esse fulano…

Pode mudar depois que assina?

Pode! Rabisca e assina com outro. Acontece esse troca-troca. Mas é normal. É o seguinte: ou a gente faz tudo “advanced”, ou seja, inscreve no sistema e ninguém vê, igual nas simples, que era o formato mais normal, mas esse formato vai, de certa forma, fazer com que os jogadores de simples tenham que se programar. O Andy tem um ponto muito bom, que é organizar a situação. Todo mundo concorda. Mas tira uma das vantagens do on-site, que é atrair mais jogadores de simples de última hora.

E qual é o prazo pra inscrição de vocês?

Duas semanas. A grande maioria já está se programando. E hoje tem muito jogador de simples jogando dupla. Esses caras, antes, não se programavam. De uns dois anos para cá, isso mudou. Tirando o top 10, eles se programam. E o [Dominic] Thiem não assina on-site. Ele se programa.

E outra coisa que foi levantada, também por alguns duplistas, foi o formato da pontuação. Há um movimento ainda pequeno para que volte a pontuação anterior. Você acha possível?

Pela galera que joga e vive disso, com certeza mudaria. Mas uma das coisas que eu vejo que evoluiu muito foi trazer os jogadores de simples. Isso aconteceu. Todo torneio grande tem três, quatro top 10 e oito ou nove top 20. Mais do que isso, não dá. E tem a coisa de quadra central, mas isso está mudando. Eu até nem acho legal ter a dupla na quadra central, dependendo do torneio. Eu briguei muito por isso [no Conselho], pela possibilidade de a pessoa poder ver seu jogador favorito. A gente tinha um gap muito grande, que era só mostrar a quadra central. Com o stream, isso vai mudar. O torcedor vê quem ele quer, não quem só está na TV. Sobre o formato, acho que a mudança pode acontecer, mas principalmente da parte dos torneios, existe uma luta muito grande contra isso. Voltar ao normal, quase impossível. Mudar um pouquinho, eu vejo possível. Ou acabar o super tie-break ou acabar o no-ad, jogar dois sets normais e um super tie-break. Acho que vai ser coisa de experimentar e ver o que funciona melhor.


Quadra 18: S03E02
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou a vencer um slam em cima de Rafael Nadal, Serena Williams voltou a derrotar a irmã Venus em uma decisão, e o tênis viveu um fim de semana dos mais memoráveis no Australian Open. Mas houve muito mais do que isso nas duas semanas do torneio. Djokovic, Murray e Kerber foram vítimas de zebras, Coco Vandeweghe finalmente surgiu como nome forte em um torneio grande, Mirjana Lucic-Baroni protagonizou a história mais feliz… É muito assunto!

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu nos reunimos para gravar mais uma edição do podcast Quadra 18. Comentamos tudo citado acima e um pouco mais. Falamos dos modelitos bonitos e feios, do noivo de Serena e até do poema de Melbourne! Para ouvir, basta clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique no link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’30” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’30” – Roger Federer e a campanha até o título
9’15” – A decisão de Federer de abrir mão do 2º semestre de 2016
10’50” – O suíço se defendeu melhor neste Australian Open?
13’55” – O que faltou para Nadal na hora decisiva?
16’45” – O que a final significa para a rivalidade Federer x Nadal?
18’10” – O quão importante é a disputa por mais títulos de slam?
21’20” – Teremos mais finais “vintage” este ano ou foi uma exceção?
22’21” – Qual a importância de Ljubicic e Moyá no “retorno” de Federer e Nadal?
25’45” – Federer e Nadal vão continuar lutando por títulos de slams e Masters?
27’30” – Federer vai pular a temporada de saibro novamente?
29’35” – Nadal já pode ser considerado favorito para Roland Garros?
30’15” – Federer e Nadal teriam feito a final sem as derrotas de Djokovic e Murray?
31’04” – As zebras de Istomin e Zverev em cima de Djokovic e Murray
35’30” – Que zebras em outros slams são comparáveis a essas?
37’33” – O desfecho do AO será motivação extra para Djokovic e Murray?
38’40” – Dimitrov pode entrar na briga pelos slams?
41’18” – As surpresas e decepções do Australian Open
45’40” – O quanto a quadra mais rápida ajudou Federer no torneio?
47’51” – Quadras mais rápidas serão tendência no circuito?
49’48” – The Greatest (Sia)
50’34” – As campanhas das irmãs Williams
57’50” – Por que 18 > 23 na matemática tenística?
59’25” – O quanto o recorde de slams da Court deve ser relevante para Serena?
63’17” – E a campanha da Nike sobre Serena como maior de todos os tempos?
64’32” – Precisamos falar de Coco Vandeweghe
70’50” – A fantástica história de Mirjana Lucic-Baroni
73’25” – O que acontece com Angelique Kerber?
76’18” – Muguruza é tenista de um slam só?
77’48” – O noivo de Serena Williams e o Reddit
79’57” – High and Low (Two Vines)
80’30” – A campanha de Kontinen e Peers, campeões de duplas
84’35” – Qual o segredo de Kontinen e Peers?
85’45” – Os Bryans vão voltar a ganhar um slam?
87’05” – As campanhas dos brasileiros em Melbourne
89’35” – Marcelo Melo acertou na escolha de Kubot como parceiro?
92’45” – A campanha de André Sá e Leander Paes
94’25” – Como o título de Kontinen e Peers afeta a briga pela liderança do ranking
95’45” – Qual foi o GIF mais épico da Aliny no Australian Open?
97’40” – Mais reclamações sobre a camisa de Roger Federer
103’20”- O poema de Melbourne é eficaz ou contraproducente?


AO, dia 13: Serena, Venus e uma celebração de sucesso em família
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Alexandre Cossenza

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Foi mais do que uma final de Grand Slam, até porque a partida não foi tão especial nem equilibrada assim. Mas foi um evento, uma cerimônia, uma celebração de duas carreiras fantásticas na mesma família. Foi o especial retorno de Venus Williams a uma decisão, mas também foi o 23º Slam de Serena, a irmã mais nova, a maior vencedora de Slams da Era Aberta – e agora de forma isolada.

Neste sábado, a Rod Laver Arena foi um palco para Venus reverenciar a irmã pelo #23, mas também pela carreira.

A quadra central do Australian Open também foi cenário de um emocionado discurso de Serena, reverenciou igualmente a irmã, dizendo que não teria sequer vencido um Slam sem ela – muito menos 23. “Ela é minha inspiração, o único motivo pelo qual estou aqui hoje e pelo qual as irmãs Williams existem.”

Sobre a partida, levou algum tempo para que Serena se impusesse. Foram quatro quebras de saque nos quatro primeiros games. Daí em diante, Venus não teve mais nenhuma chance de quebra. A número 2 do mundo quebrou no sétimo game, tanto no primeiro quanto no segundo set. O placar final mostrou 6/4 e 6/4.

De volta ao topo + top 10

Com o título Serena volta a ocupar a liderança do ranking da WTA. Ela sai de Melbourne com 7.780 pontos, contra 7.115 de Angelique Kerber, campeã do Australian Open no ano passado e que começou a semana como #1.

O top 10 a partir de segunda-feira terá, além das duas, Karolina Pliskova como #3, no melhor ranking de sua carreira, seguida de Simona Halep, Dominika Cibulkova, Agnieszka Radwanska, Garbiñe Muguruza, Svetlana Kuznetsova, Madison Keys e Johanna Konta. Venus aparece na 11ª posição, logo à frente de Petra Kvitova.

O lugar na história

A conversa sobre quem é/foi a melhor tenista de todos os tempos volta à tona sempre que Serena vence um Slam. Não é diferente desta vez. Em números, ela fica atrás apenas da australiana Margaret Court, que ganhou 24 torneios desse nível de 1960 até 1973.

Serena também é a maior campeã do Australian Open (sete troféus) e tem o maior número de vitórias (316) em Slams na Era Aberta – a partir de 1968.

Aos 35 anos, ela é ainda a mais velha a vencer um Slam na Era Aberta, a mais velha a chegar ao topo do ranking, e a dona do maior número (dez) de títulos de Slam na Era Aberta conquistados após completar 30 anos.

Além disso, a americana também é quem mais ganhou dinheiro em prêmios na carreira, com US$ 85,4 milhões, deixando muito longe atrás a segunda colocada – Maria Sharapova, com US$ 36,8 milhões.

O presente do #23

Michael Jordan, o #23 mais famoso do mundo e quase nunca contestado como o maior jogador de basquete da história, enviou, via ESPN, um presente especial.

Os campeões

Na chave de duplas masculinas, não foi desta vez que Bob e Mike Bryan voltaram a levantar um troféu de Slam. Os gêmeos americanos foram derrotados por Henri Kontinen e John Peers por 7/5 e 7/5.

Finlandês e australiano, aliás, nunca perderam para os Bryans. O jogo deste sábado marcou sua terceira vitória em três duelos. Em grande fase, Kontinen e Peers agora somam 16 vitórias nos últimos 17 jogos.

Os Bryans, que disputaram sua 30ª final de Slam, tentavam igualar o recorde do australiano John Newcombe, que conquistou 17 títulos de Slam nas duplas. Por enquanto, os americanos seguem empatados com Roy Emerson e Todd Woodbrigde, com 16 troféus.

P.S. Por causa de uma série de compromissos neste sábado, este post saiu mais curto do que eu desejava. Também estava nos planos um texto de prévia sobre a final masculina, mas a falta de tempo não me deixou fazer. Agradeço a compreensão. Volto depois de Federer x Nadal.


Sobre Soares, Piquet, tênis, Fórmula 1 e paixões que se conectam
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Alexandre Cossenza

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Bruno Soares ainda está em Londres comemorando o título de dupla campeã da temporada 2016 e ganhou um segundo troféu neste domingo. Fã de tênis, Nelsinho Piquet trocou presentes com o tenista mineiro, entregando um capacete com dedicatória e parabéns pelo número 1. Em troca, recebeu uma raquete autografada de Bruno Soares e posou para foto com a Torre do Relógio ao fundo.

A paixão da família Piquet por tênis é antiga e tem relação com o automobilismo. Nelson, pai de Nelsinho, foi fazer intercâmbio nos EUA quando jovem porque era um belo tenista. Seu pai achava que seria a melhor maneira de encontrar um caminho no tênis. Nelsão, no entanto, aproveitou para se matricular em uma matéria chamada mechanics, e o resto é a história fantástica que terminou com três títulos mundiais na Fórmula 1 e uma dezena de outras conquistas.

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Nelsão, aliás, nunca abandonou a paixão pelo tênis. Sempre bateu sua bolinha e até usava o esporte para contar vantagem quando era comparado ao britânico Nigel Mansell (vide a marca de 1’30” deste vídeo).

Também tem relação com o tênis o símbolo que muitos acreditam ser uma gota desenhada no capacete de Nelson Piquet (e que depois foi adotada por Nelsinho). O desenho é de autoria do próprio Nelsão, que se inspirou no esporte e fez algo parecido com uma bola de tênis em movimento.

Nesta semana, Nelsinho esteve em Londres e foi acompanhar a campanha de Bruno Soares. O mineiro e seu parceiro, Jamie Murray, venceram as três partidas da fase de grupos e só foram derrotados nas semifinais, quando já haviam assegurado o título de melhor dupla da temporada. Brasileiro e britânico, que começaram a jogar juntos no início deste ano, venceram dois Slams: o Australian Open e o US Open.

No ranking “individual” de duplistas (que soma pontos dos tenistas com diferentes parceiros ao longo do ano), Bruno Soares terminará a temporada como número 3, atrás dos franceses Nicolas Mahut e Pierre Hugues Herbert.

Importante: ainda publicarei aqui mais sobre a campanha de Bruno Soares em 2016. Esperem porque sairá algo bacana.


André Sá: parceiro supercampeão e otimismo perto dos 40
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Alexandre Cossenza

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André Sá tem 39 anos, quatro Jogos Olímpicos, 20 temporadas completas no circuito e zero sinal de cansaço da vida de tenista profissional. Pelo contrário. A seis meses de se tornar um quarentão, o mineiro, que já foi top 60 nas simples e top 20 nas duplas, tomou uma decisão ousada: vai jogar em 2017 ao lado do indiano Leander Paes, ex-número 1 do mundo, dono de oito título de Slam em duplas e recordista em participações olímpicas, com sete.

Juntos, os dois terão 84 anos a partir de junho. Não parece importar. Não para o brasileiro. Em bate-papo por telefone, André Sá contou como foi a aproximação com o indiano e analisou como a parceria pode dar certo dentro de quadra. Para o mineiro, a experiência de ambos combinada com a atitude de Paes pode ser uma mistura potente. E o indiano já avisou: quer “fazer história” com o brasileiro.

Como foi essa conversa? Quem chegou em quem e como vocês chegaram à conclusão de que pode dar certo?

Essa ideia da dupla… Ele que me ligou, na verdade. Eu estava na Antuérpia ainda, estava na semifinal, de repente tocou o telefone, “Leander Paes”. Esquisito, mas eu meio que sabia porque é nessa época que o pessoal começa a se ajeitar pro ano que vem. Ele falou “André, a gente pode jogar bem, a gente está com ranking parecido, dá pra fazer um calendário legal pra 2017, principalmente no começo do ano. Me diz se você está interessado.” Eu falei que dependendo do meu resultado lá [Antuérpia], de repente a gente jogaria o quali de Viena juntos, mas como eu fiz semi e botaram meu jogo só no sábado, não consegui chegar. O primeiro contato foi esse. Aí passou um tempo, eu dei uma esperada para ver se tinha mais ofertas, aí ele me ligou no fim de semana passado, na sexta à noite. A gente conversou também um pouquinho sábado e acabamos definindo que vamos jogar 2017. A gente começa ali em Chennai, Auckland, Melbourne e depois vê pra frente como vai ser o calendário. Mas a conversa é para jogar o ano inteiro.

Como é a relação de vocês? Sempre foi tranquila ou já teve atrito?

Não, o relacionamento é bom, normal. Nada de excepcional, fora do normal do dia a dia. Às vezes, um estresse aqui e ali porque ele é… Ele é daquele jeito! Sempre dá uma olhadinha depois que ganha um ponto, dá uma vibrada na cara, gosta de gritar “vamos” quando joga contra sul-americanos… Isso aí de vez em quando dá um certo estresse, mas normal. É o jeito dele se motivar. Fora isso, tranquilo.

Uma hipótese que sempre levantam é a possibilidade de duplas brasileiras. O Marcelo (Melo) estava sozinho, o (Marcelo) Demoliner não tem parceiro fixo, e você também estava de mudança. Chegou a haver alguma conversa sua com algum brasileiro?

A questão principal é o ranking. Você tem que tentar fazer um calendário legal, principalmente no começo do ano. O Demo veio falar comigo, mas como o ranking dele estava 64, 65 na época, não dava pra fazer um calendário. A gente jogaria uns torneios muito picados e ainda estava correndo risco de ficar fora do Australian Open também. Os torneios estão fechando forte. O Australian Open fechou 125 [o número equivale à soma dos ranking dos dois tenistas], um negócio desse, então está complicado. Estar 60, 50, não é garantido. E o Marcelo… Acredito que é a mesma coisa. É muito melhor pra ele pegar alguém com quem ele vá estar dentro de todos Masters 1.000 do que ter que começar procurando gente. Essa questão de brasileiro com brasileiro… A questão é sempre ranking.

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Jogar com o Paes vai ser muito diferente de jogar com o (Chris) Guccione, que é um cara com um saque muito forte, mas que se mexe muito pouco. Como vocês imaginam que pode dar certo a parceria de vocês? Porque fica uma dupla muito forte na rede, mas nem tanto no saque.

É exatamente isso. É completamente diferente do Guccione. Na força do saque, a gente fica devendo, mas acho que um vai ajudar muito mais o outro. Nosso objetivo não é ganhar o ponto no saque. É colocar o saque bom o suficiente para colocar o cara da rede em situação confortável pra definir o ponto, entendeu? Não ver como o Guccione, que dá varada três vezes e acabou o game. Só que também no meu saque, ele não ajudava muito. Ele é um cara que fica mais parado ali, a gente tinha que fazer certas jogadas diferentes. Com dupla nova, é difícil dizer se vai dar certo ou não. Tem que jogar, pegar a química da dupla dentro e fora da quadra, mas acho que a gente sentando e conversando, treinando bastante e ganhando jogos, passando pelo processo de passo a passo para melhorar… Tem tudo pra dar certo. Os dois têm boas qualidades. A minha devolução com ele na rede é uma arma incrível. Ele fecha muito bem a rede. Qualquer devolução que eu colocar baixinha ali, ele vai complicar demais. Com o Gooch, não era bem assim. Eu tinha que ir pro winner de devolução porque sabia que ele não ia cruzar em várias bolas, não ia conseguir chegar. Com o Paes, é diferente. Eu só coloco ali no chão, e ele faz o resto. Igual ao Jamie Murray. O Bruno coloca qualquer coisa abaixo da rede, e o Jamie parece que tem três metros de largura na rede.

E experiência não falta…

E também tem a experiência dele, né? Se tirar o lado técnico e tático, o emocional vai fazer muita diferença. É um cara que acredita que pode ganhar de qualquer um. Um cara que já ganhou Grand Slam, que não vai sentir pressão nos momentos importantes, na hora de fechar jogo. Isso faz muita diferença, muita diferença. isso vai ajudar, e a gente tem experiência pra isso, pra se ajustar na parte técnica e tática. No emocional, nós dois temos experiência de sobra pra jogos importantes. Isso que é o principal.

Em termos de ranking, 2015 e 2016 foram mais ou menos parecidos. Você ficou ali entre 40, 50, por aí, o que foi melhor que os anos anteriores. E você fez quartas de final de um Slam este ano. Dá pra dizer que 2016 foi o melhor dos seus últimos cinco anos, mais ou menos?

Ano passado foi o melhor deles. Eu ganhei três títulos no ano passado. isso geralmente define um ano bem sucedido. É quando você ganha títulos. Este ano obviamente foi bom, mas não cheguei no meu objetivo, que era terminar o ano entre os 50, mas fiquei 52, 53, fiz final de um ATP 500, quartas de um Grand Slam, que fazia tempo que eu não conseguia também. Meus resultados em 250 ficaram a desejar. Eu joguei bastante e fiz uma final só [Bucareste]. Nisso, dá pra dar uma melhorada.

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Se você fez duas temporadas muito boas aos 38 e 39 anos, fisicamente você não vem sentindo diferença? Pergunto porque não vejo tantos jogos de duplas, mas quando vejo não consigo identificar uma diferença óbvia do seu tênis hoje para o que você jogava cinco anos atrás. Como você vê isso? O que você acha que caiu ou deixou de cair no seu jogo com a idade?

Acho que não caiu. O formato das duplas hoje, com match tie-break e ponto decisivo [no-ad], não é nada desgastante para o corpo. É mais o desgaste emocional, da pressão, da expectativa, ansiedade… Porque todo ponto importante. Você pode ganhar 6/4 e 6/2, mas você olha o 6/2 e foram três pontos decisivos. Você poderia ter perdido por 6/2. O lado emocional é o que mais pega. Mas os jogos são relativos. Na Olimpíada, com o [Thomaz] Bellucci, ele joga de fundo, eu preciso me mexer muito mais. No US Open também. No jogo que passou na TV, contra o Almagro e o Estrella Burgos, você tem que se mexer muito mais porque os dois jogam no fundo. Mas isso é a minoria. A maioria é o padrão de duplas: saque-e-voleio, no máximo três ou quatro bolas. Se você sentar pra ver 30 jogos de duplas, você vai ver dois ou três jogos iguais a esses.

O momento do Paes é um pouco diferente do seu, né?. Ele foi número 1 do mundo 15 anos atrás e se manteve no top 10 por muito tempo, mas 2016 foi praticamente o pior ano da vida tenística dele. Na conversa de vocês, ele disse se estava bem fisicamente…

Ele me falou porque teve um ano tão ruim. Ele teve um problema sério pessoal com a filha dele. Ele ficou muitos meses afastado este ano e também falou que em alguns torneios ele não estava focado no evento, estava com a cabeça em casa. Por essa razão, ele deu essa despencada no ranking. Ele falou “fiquei praticamente nove meses sem jogar. Eu joguei, mas minha cabeça estava em outro lugar.” Ele disse “agora minha filha está bem, ela se recuperou.” Eu não perguntei, não sei exatamente a doença que ela teve, mas foi algo bem sério [relatos na imprensa indiana dão conta de que Ayiana, filha de Paes, foi diagnosticada com um tumor no cérebro]. Ele disse que agora está tudo certo. A frase dele (risos) foi “let’s make history together” [“vamos fazer história juntos”]. (mais risos)

Ele sempre solta essas frases de efeito, né?

Sempre tem uma. Ele adora! É o jeito dele. Mas tem que aproveitar essa personalidade dele porque, querendo ou não, isso é que faz ele ser número 1, oito vezes campeão de Grand Slam! O cara tem atitude, está jogando até os 43 anos. O cara pode ser ótimo tecnicamente, mas se não tem atitude…

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Pra terminar, preciso mudar de assunto. Como você acompanhou esse fim de ano do tênis brasileiro, com fim de patrocínio dos Correios, CBT mudando de sede e jogadores ficando sem apoio? Como isso repercutiu entre vocês jogadores?

É ruim. Obviamente, não é o ideal. A culpa não é da Confederação. Os Correios e o nosso país estão numa fase ruim. O pós-Olimpíada, que todo mundo questionou lá atrás… Todo mundo especulou que não ia acontecer e essas especulações estão se tornando realidade… Meu maior medo era esse, de um centro olímpico de tênis não virar nada. Do jeito que está aí, pode ser que isso aconteça. Na questão da CBT, o que mais me preocupava era a situação do juvenil e da formação de professores. Isso eu acho que não vai mudar muito. Tive uma conversa com o [Rafael] Westrupp [presidente eleito da CBT] ontem sobre isso. O apoio aos juvenis vai continuar, mas de uma forma menor. E os detalhes que ele me passou de como era… Era uma coisa meio fora do real, entendeu? Todos os juvenis da chave [no circuito Correios] tinham gratuidade através dos Correios. Isso é fora da realidade. Agora, vão entrar na realidade. De repente, só os quatro melhores do Brasil vão continuar tendo um certo apoio, entendeu? É o que a gente falou: a Disneylândia vai acabar. Normal. Acho que o cenário dos últimos oito anos era uma coisa fora da real. E os jogadores têm que ser gratos por isso. Todo mundo foi ajudado e todo mundo teve um certo apoio. Eu, Marcelo, Bruno, Bellucci, Rogerinho, Feijão, Teliana… Todo mundo teve algum apoio, entendeu? Então não é falar mal quando acaba. Tem também que dar crédito porque durante oito anos teve gente ajudando e apoiando. Obviamente, a situação não é ideal. Eles [CBT] estão correndo atrás. Se for comparar agora com a administração passada, do [Nelson] Nastás, tem que ver que o Jorge [Lacerda] pegou numa situação horrível com dívidas de milhões e vai deixar sem dívida. Isso já é positivo. Essa é minha opinião quanto à Confederação. Se a gente pudesse continuar com os Correios, melhor. Se tivesse menos denúncias e projetos com o Ministério do Esporte funcionassem mais, melhor.


Quadra 18: S02E14
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Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?


NY, dia 13: o enorme Bruno Soares conquista seu quinto título
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Alexandre Cossenza

Soares_Murray_US16_trophy_get_blog

A conversa abaixo pode ou não ter acontecido entre um jornalista e o pai de um conhecido juvenil brasileiro antes deste US Open.

Jornalista: Oi, tudo bom? Estou esperando pra conversar com seu filho depois do treino.
Pai: Opa, e ai? Legal, mas ele não tá dando entrevista, não.

Ah, não? Poxa.
Não. A gente não quer que ele perca o foco. Desde que ele apareceu mais, digamos assim, muita gente procurou ele. Se ele falar com todo mundo, acaba perdendo o foco. E ele está numa idade importante, né?

Certamente. Então o senhor acha que dar entrevista atrapalha ele?
Claro. É um tempo que ele perde que poderia estar fazendo outra coisa.

Sim. Poderia estar no Facebook, no WhatsApp, caçando Pokémon, qualquer coisa.
Mas não é só o tempo, não. É muita pressão, sabe?

Pressão?
Claro. Ele é o melhor juvenil do país.

Mas tem muito jornalista escrevendo que espera muito dele?
Não, mas porque a gente não deixa ele dar entrevista. Tem que ficar quieto, né? Porque se ficar falando, a pressão só aumenta.

Não entendi. O senhor acha que a pressão aumenta se ele der mais entrevista?
Claro.

Sei. Mas essa pressão que o senhor diz que existe… Isso é porque o seu filho é bom tenista. Uma promessa, né?
É.

Não é todo tenista bom que tem isso?
Acho que sim, né?

Então talvez, de repente, só pensando alto aqui… Não seria melhor ele se acostumar logo com essa pressão que o senhor diz?
Ah, mas pressão só atrapalha.

Entendi. Quer dizer, acho que entendi.
A gente não pode deixar o menino muito exposto.

Bom, já que o seu filho não vai dar entrevista, vou indo. Um bom dia pro senhor.
É difícil trabalhar com tênis, né? Jogador não fala muito com jornalista, né?

Alguns até que falam, viu? Aliás, olha que coisa curiosa… O senhor sabe quem é o brasileiro que mais dá entrevista?
Quem?

Bruno Soares. Ganhou quatro Slams. Parece que ele não se incomoda muito com esse negócio de pressão…

O quinto título

A final-final foi hoje, neste sábado, mas Bruno Soares e Jamie Murray deram o maior dos passos rumo ao título do US Open quando venceram um duelo tenso com Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert. A decisão acabou sendo com Guillermo García-López e Pablo Carreño Busta, que deram uma força e eliminaram Feliciano López e Marc López.

De drama mesmo, só o primeiro game, quando Jamie teve seu serviço quebrado. Depois disso, brasileiro e escocês dominaram. Fizeram 6/2 e 6/3 e conquistaram seu segundo título na temporada. O circuito de duplas não via um time triunfar duas vezes no mesmo ano desde Bob e Mike Bryan, em 2013.

É o quinto título de Slam de Bruno Soares. Ganhou três nas mistas(US Open 2012 e 2014; Australian Open 2016) e dois nas duplas (Australian Open e US Open 2016). É o mais acessível dos tenistas brasileiros – e não só aos jornalistas. Sincero, simpático e campeão. Um enorme tenista. Uma pessoa gigante.

Observação: por um compromisso familiar, não verei a final feminina na noite deste sábado. Escreverei sobre a partida no domingo, depois de ver a gravação.


Quando o sonho acaba e é preciso dizer ‘segue o baile’
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Alexandre Cossenza

A noite de terça-feira foi especialmente dura para o tênis brasileiro. Sim, Thomaz Bellucci derrotou Pablo Cuevas e passou para a terceira rodada na chave de simples, mas a maior chance de medalha do país na modalidade acabou. Bruno Soares e Marcelo Melo foram eliminados nas quartas de final pelos romenos Florin Mergea e Horia Tecau.

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Faltava uma vitória para que os mineiros jogassem por uma medalha. Faltou, no fim das contas, um set. Foi um golpe e tanto. Foi um baque na torcida, que encheu a Quadra 1 e deu show nos três jogos de Soares e Melo em uma sintonia rara de ver; foi duro para a imprensa, que acompanhou a trajetória bacana de dois campeões de Grand Slam; e, claro, foi devastador para Bruno e Marcelo.

Machucou porque foi em casa, porque coincidiu de os Jogos Olímpicos acontecerem no Brasil e justamente durante o auge da carreira de ambos. Doeu porque os dois queriam muito. Bruno disse durante a semana que nunca viveu o tênis tão intensamente quanto nestes dias. Nunca curtiu tanto ir dormir pensando no jogo do dia seguinte. Abalou porque era possível. Quase palpável. Tecau e Mergea são uma ótima dupla, mas não são um Phelps. “Só” jogaram como se fossem. Ainda assim, duas bolas aqui, outras duas ali, e o jogo teria outro fim.

Só que o que dá o sabor tão especial ao Jogos Olímpicos é o mesmo ingrediente da crueldade. Não há margem para erro. A próxima chance vem só daqui a quatro anos e será longe de casa, em Tóquio, trocando o dia pela noite. Marcelo terá 36 anos. Bruno, 38. É possível que ambos já não estejam jogando seu melhor tênis. E isso faz doer mais ainda. Talvez a melhor chance – não a única – tenha passado.

Bruno e Marcelo não fazem parte de nenhuma minoria social ou étnica. Não foram criados na favela, não são nordestinos nem negros. São homens criados em famílias que nunca passaram fome. Não precisaram lidar com preconceitos. Nem por isso são menos brasileiros ou merecedores que outros. Encararam o mais duro dos esportes individuais, abraçando uma vida em que não há clubes bancando treinadores nem viagens. É cada um por si, e os patrocinadores são escassos.

A dupla mineira nunca se escondeu atrás de assessores de imprensa e jamais fugiu de uma entrevista depois de uma derrota. Bruno e Marcelo não são de desculpas. Reconhecem suas falhas, dão mérito aos rivais. Uma medalha coroaria duas carreiras fantásticas, mas mais do que isso: duas pessoas fantásticas.

Uma entrevista pós-derrota quase sempre inclui um “segue o baile” vindo de Bruno. Não é minimizar o revés. É aceitar o que aconteceu e olhar para a frente. Foi assim que ele fez a vida inteira. Marcelo também. Sempre deu certo. E pode ser que em menos de um mês um deles esteja comemorando outro título de Slam. Acabam os Jogos Olímpicos. É difícil engolir e aceitar que o sonho acabou. Talvez nunca tenha sido tão difícil pedir ao DJ ou voltar à pista, mas não tem jeito. “Segue o baile.”


Wimbledon, dia 12: Serena, ainda (duplamente) rainha
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Alexandre Cossenza

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Demorou três torneios a mais do que todo mundo esperava, mas Serena Williams conquistou finalmente seu 22º troféu em um evento do Grand Slam. Em uma atuação maiúscula, a número 1 do mundo bateu uma feroz e competente Angelique Kerber por 7/5 e 6/3 e manteve seu reinado em Wimbledon.

Para seu técnico, Patrick Mouratoglou, Serena voltou a se comportar como número 1. O treinador havia afirmado que a americana vinha jogando como uma tenista da elite, mas não como a melhor do mundo. “Estou falando de atitude, de capacidade de mudar partidas quando ela está em apuros, todas essas coisas que ela faz muito bem”, disse antes da final.

Após a partida, Serena concordou, embora não tenha precisado mudar muito durante a final contra Kerber. Aliás, a número 1 disparou 13 aces e venceu fazendo o que faz de melhor: atacando antes e ganhando os pontos curtos. Não fosse assim, seria complicado num dia em que a alemã sacou bem e ganhou incríveis 68% dos pontos com o segundo serviço (Serena teve 39% no mesmo quesito).

Kerber, é bom dizer, levou a melhor na maioria das vezes em que os pontos se alongaram ou tiveram golpes angulados. A alemã venceu mais ralis médios (cinco a oito golpes) e longos (nove ou mais golpes). Nesses dois quesitos, somou seis pontos a mais que a número 1. Por outro lado, a americana, que se mostrou mais incomodada com o vento na Quadra Central, ganhou 18 (!!!) pontos a mais nas disputas com quatro ou menos golpes.

Foi assim, aliás, que Serena abafou a única ameaça do confronto. Aconteceu no sétimo game do segundo set, com o placar equilibrado em 3/3. Kerber chegou a seu primeiro break point na partida. Serena disparou um ace e, dois pontos depois, confirmou o saque. Oito pontos mais tarde, quebrou Kerber. Mais quatro – três saques nem voltaram -, e o título estava garantido.

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Com 22 títulos em Slams, Serena iguala a marca de Steffi Graf. À frente de ambas, apenas a australiana Margaret Court, com 24. Há quem acredite que a americana precisa ultrapassar Court para ser, indiscutivelmente, a maior tenista da história. Por outro lado, há quem já considere Serena a melhor de todas. E, claro, há gente como eu, que achas impossível comparar de forma 100% justa atletas de gerações tão diferentes (Court ganhou seus títulos nas décadas de 60 e 70).

De qualquer modo, não foi o único número fora-de-série alcançado pela número 1 do mundo neste sábado. Pouco depois de derrotar Kerber e dar todas suas entrevistas, Serena voltou à Quadra Central para a final de duplas. Ela e Venus derrotaram Timea Babos e Yaroslava Shvedova por 7/5 e 6/3, conquistando seu 14º troféu atuando juntas. Elas nunca perderam uma final de Slam nas duplas.

O ranking

Serena Williams manteve seus pontos, mas aumentou sua vantagem na liderança do ranking. Isso acontece porque Garbiñe Muguruza, que começou o torneio como número 2 do mundo, perdeu mais de mil pontos. A nova #2 será Kerber, com 6.500 pontos (1.830 a menos que Serena).

O top 10 agora fica nesta ordem: Serena, Kerber, Muguruza, Radwanska, Halep, Azarenka, Venus, Vinci, Suárez Navarro e Kuznetsova. A ressaltar também a subida de Elena Vesnina, que subiu 25 posições e será a #21, e a queda de Maria Sharapova, que será a #96, cinco postos atrás de Teliana Pereira.

A montagem

Após acompanhar Serena Williams por duas semanas, nada melhor do que encerrar o período vendo a espetacular montagem da BBC, com a número 1 do mundo recitando o poema “Still I Rise”, da escritora negra americana Maya Angelou.


Wimbledon, dia 7: drama, breu, outra ameaça e o melhor jogo do torneio
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Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

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O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


Quadra 18: S02E09
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic é tão favorito como sempre foi? E Roger Federer, pode ser considerado um dos favoritos em Wimbledon este ano? Na grama, quem é a maior ameaça a Serena Williams? E quem foram os maiores beneficiados no sorteio das chaves? São essas e outras perguntas Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu tentamos responder neste especial pré-Wimbledon do podcast Quadra 18. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo:

Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta o programa pré-Wimbledon
1’30” – Federer é um dos favoritos ao título este ano?
3’00” – É o momento mais vulnerável de Federer em Wimbledon?
4’44” – O que esperar de Djokovic, que ainda não jogou na grama?
6’22” – Djokovic chega a Wimbledon atrás de Murray na lista de favoritos?
7’15” – Como Djokovic vai lidar com a possibilidade de poder fechar o Grand Slam?
8’08” – A volta de Lendl pode fazer Murray voltar a jogar no nível de 2012 e 2013?
9’05” – O nível de Murray hoje é inferior ao de antes ou é Djokovic que dá essa impressão?
10’30” – E quem está na frente de quem na lista dos favoritos?
11’15” – Murray foi o “ganhador” do sorteio?
12’40” – Os melhores jogos da primeira rodada
15’00” – “Djokovic se deu muito mal nesse sorteio”
17’40” – Mais jogos legais de primeira rodada
18’22” – Nishikori chega às quartas para enfrentar Federer?
19’14” – Registro da presença e do feito histórico de Sergiy Stakhovsky
20’35” – As estreias de Bellucci e Rogerinho
22’00” – Palpites para campeão, decepção e zebra
25’00” – Aliny analisa a chave de duplas
27’50” – As quatro duplas com brasileiros e as estreias duríssimas
31’40” – Good Grief (Bastille)
32’19” – Quem são as favoritas na chave feminina?
35’05” – As cotações as casas de apostas
36’35” – As chances de Keys, Kerber e Karolina Pliskova
38’35” – A chave de Muguruza
39’30” – As boas chances de Venus Williams
40’40” – Quem “ganhou” o sorteio? Radwanska?
41’35” – Palpites para campeã, decepção e zebra

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Good Grief (Bastille).


Quadra 18: S02E08
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Alexandre Cossenza

O Career Slam, o Nole Slam, o Golden Slam e tudo mais que envolve os feitos que Novak Djokovic já alcançou e ainda pode alcançar; o título de Garbiñe Muguruza e o momento de Serena Williams; a (mais uma!) decepção com a organização de Roland Garros; a participação brasileira em Paris; o novo número 1 nas duplas; quem já está garantidos nos Jogos Olímpicos; e o coração de Guga desenhado pelo número 1 do mundo no saibro da Quadra Philippe Chatrier.

É muito assunto para o podcast Quadra 18, então Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu preparamos um programaço de quase 1h30min respondendo questões de vários ouvintes e batendo aquele papo descontraído sobre tênis que vocês já conhecem bem. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny Calejon apresenta os temas
1’39” – Novak Djokovic e sua campanha em Roland Garros
3’33” – O comportamento mais comedido do sérvio na final
6’30” – A comemoração com o coração de Guga no saibro da Chatrier
7’55” – A reverência por um ídolo brasileiro e a dimensão de Guga no tênis
8’51” – Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing?
12’52” – Se Guga jogasse hoje, seria chamado de marqueteiro?
13’45” – Cossenza perde a paciência com Cincinnati
14’50” – A expectativa enorme e como Djokovic vai encarar Wimbledon
16’00” – Djokovic vai alcançar as 302 semanas do Federer como #1?
16’50” – O que é mais difícil: as 302 semanas, 4 Slams no mesmo ano, os 17 Slams ou receber o dinheiro que o Rio de Janeiro está devendo?
18’20” – Veremos outro jogador fechar o Career Slam tão cedo?
19’10” – O domínio de Djokovic é maior hoje do que o domínio de Federer e Nadal em seus respectivos auges?
20’58” – Os títulos que faltam a cada um do Big Four
23’07” – A ausência de Rafael Nadal pode mudar a maneira de ver o título de Djokovic em Roland Garros?
24’10” – Quanto uma dominância assim é ruim para o tênis?
26’46” – Djokovic começou a ganhar RG na derrota contra Vesely em MC?
27’40” – O quanto Boris Becker ajudou Djokovic?
32’45” – Alguns anos atrás, Djokovic perdia finais, mas dava mostras do que estava por vir. Murray dá esses mesmos sinais de que pode chegar a número 1?
34’25” – O possível “Silver Slam” de Andy Murray
35’43” – A Ausência de um técnico principal prejudicou Murray em RG?
36’35” – Os desempenhos de Wawrinka, Thiem, Nadal e Federer
42’07” – Dominic Thiem vai ser número 1 do mundo?
43’00” – Paris (Friendly Fires)
43’30” – A campanha de Garbiñe Muguruza até o título
47’05” – O que Serena poderia/deveria ter feito de diferente na final?
48’45” – Lesão ou idade? O que teria incomodado mais Serena na decisão?
50’06” – Muguruza tem mais potencial que Halep/Bouchard/Bencic?
53’17 – As surpresas e decepções: Bertens, Rogers, Kerber, Vika e Halep
57’50” – A expectativa para a temporada de grama
59’30” – Roland Garros sai com o filme queimado?
63’25” – Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo)
64’05” – O que aconteceu na chave de duplas
65’03” – A campanha e os méritos de Feliciano e Marc López
66’00” – O resultado de Marcelo Melo e Ivan Dodig
68’40” – As campanhas de Bruno Soares e André Sá
69’20” – O carrasco Leander Paes de legging
72’35” – Nota de repúdio de Alexandre Cossenza
73’30” – Nicolas Mahut, o novo duplista número 1 do mundo
74’37” – O novo ranking e a classificação olímpica
77’50” – As derrotas de Bellucci e Rogerinho
80’07” – Teliana Pereira e o duelo com Serena Williams
81’20” – Orlandinho, vice juvenil nas duplas, deveria ainda estar entre os juvenis?
82’30” – Que tenista atual tem estilo de jogo mais parecido com o Guga?
83’30” – Perguntas e respostas sobre a transmissão de RG na TV brasileira.
87’40” – Paris (Magic Man)

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Paris (Friendly Fires), Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo) e Paris (Magic Man). O pequeno trecho durante os comentários sobre Alexander Peya é da canção Hier Kommt Alex (Die Toten Hosen).


RG, dia 13: Muguruza, Serena, Djokovic e Murray. Quem está surpreso?
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Alexandre Cossenza

Choveu muito, houve zebras e partidas divertidas, mas treze dias de jogos depois, Roland Garros definiu seus finalistas no óbvio. Serena Williams e Garbiñe Muguruza na decisão feminina, Novak Djokovic e Andy Murray brigando pelo título no domingo. O resumo do dia analisa as quatro semifinais e o que esperar nos próximos dois dias de torneio. O texto também atualiza o cenário na briga pelo número 1 das duplas e traz vídeos de pontos interessantes, que ilustram os porquês de alguns dos resultados do torneio francês.

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Muguruza voando x Serena em modo avião

Por caminhos estranhos e menos espinhosos do que o previsto, deu o óbvio. Serena Williams (#1) e Garbiñe Muguruza (#4) farão a final de Roland Garros. O curioso mesmo é que algumas casas de apostas colocam a espanhola como favorita para derrubar a americana (outra vez) em Paris.

É curioso, mas compreensível. Muguruza foi a tenista que melhor jogou durante as duas semanas. Fora a primeira rodada descalibrada e que por pouco não se terminou numa grande zebra, a espanhola foi firme e passou por cima de toda chave, sem perder sets. Nem depois do susto de ser quebrada sacando para a final. A vitória sobre Sam Stosur, nesta sexta, foi relativamente tranquila, sem que a australiana liderasse em momento algum. No fim, o placar de 6/2 e 6/4 foi um bom reflexo do que aconteceu em quadra.

Serena, por sua vez, não anda bem das pernas – literalmente. Segundo Marion Bartoli, a americana vem lidando com uma lesão no adutor. Isso explica a movimentação limitada e a tentativa de limitar trocas longas. Na semifinal contra Kiki Bertens (#58), foi como se Serena estivesse jogando em modo avião – aquilo que a gente faz pra poupar bateria quando não encontra um carregador por perto para manter o celular ligado.

Foi um jogo interessante, mas só porque Bertens saiu na frente e sacou para fechar o primeiro set. O nível técnico ficou bastante aquém do esperado para uma semi de Slam – e até mesmo para qualquer partida envolvendo Serena Williams. Nem a holandesa fez uma partida excepcional enquanto liderou. O placar final, 7/6(7) e 6/4 refletiu um equilíbrio que só existiu porque a #1 esteve abaixo de seu normal.

A lógica é apostar no velho “se Serena jogar assim, não ganha”, mas é uma condicional bastante grande para uma final, até porque Serena confirmou a lesão sem dizer o quão séria ela é e também porque, como todo mundo sabe, a número 1 tem muito mais tênis do que mostrou na final. Ainda assim, não são nada ruins as chances de Muguruza. E não custa lembrar que sua única vitória sobre Serena aconteceu justamente em Paris.

Djokovic e Murray se encontram outra vez

Entre os homens, chegaram lá também os dois mais cotados desde o princípio para estarem na final. Djokovic mostrou que aproveitou bem a chave acessível para chegar em forma na decisão. Nesta sexta, diante de Dominic Thiem (#15), também deixou claro ainda estar pelo menos um nível acima do jovem e talentoso austríaco. Fez 6/2, 6/1 e 6/4 em um jogo que foi mais divertido do que equilibrado.

Thiem fez o possível, batendo forte na bola e tentando empurrar Djokovic para trás, mas ainda não possui a consistência para esse tipo de situação (melhor de cinco + semifinal de Slam + número 1 do mundo). Ainda conseguiu abrir 3/0 no terceiro set, dando um pouco de emoção ao duelo, mas o sérvio abafou a reação vencendo cinco games seguidos e deixando claro quem é quem.

O adversário será Andy Murray, décimo tenista da Era Aberta (desde 1968) a estar nas finais de todos os torneios do Grand Slam. A vaga foi conquistada com mais um plano de jogo inteligente e bem executado. Em quatro sets, encerrou a série de três derrotas para Stan Wawrinka: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2.

Não foi uma partida tão parelha quanto muitos esperavam, ainda que Wawrinka não tenha feito uma apresentação especialmente ruim. O suíço ficou naquilo que fez durante todo o torneio, e isso talvez diga muito sobre a chave fraquíssima que ele encontrou para alcançar a semi. Murray, em melhor forma e mais exigido quando jogou mal, chega à decisão bem forte.

O favorito para final é Djokovic, que joga por um punhado de feitos espetaculares. O Djokoslam (ganhar os 4 seguidos), o Career Slam (os quatro em anos diferentes), a dobradinha AO-RG (que ninguém faz desde 1992) e as chances de completar o Grand Slam de fato (os quatro no mesmo ano) e o Golden Slam (os quatro mais a medalha de ouro olímpica).

Tudo isso, claro, pode pesar contra o sérvio, que vem de uma derrota no saibro para Murray (final do Masters de Roma). Muita coisa, no entanto, pesa a favor. O histórico favorável contra o britânico, o “encaixe” dos estilos de jogo e sua maior consistência. Parece que todos disseram o mesmo no ano passado, antes da decisão contra Wawrinka, mas parece novamente que Novak Djokovic terá a melhor chance da carreira para triunfar em Roland Garros.

O Big Four de volta

Convém lembrar também que a derrota de Wawrinka na semifinal coloca Rafael Nadal de volta no quarto lugar do ranking mundial. Ou seja, o chamado Big Four estará novamente completo no alto da lista da ATP, embora continuem insistindo em dizer que o “Big Four acabou”.

O brasileiro

Marcelo Melo e Ivan Dodig deram adeus ao torneio nesta sexta-feira, derrotados nas semifinais. Os atuais campeões de Roland Garros foram derrotados pelos espanhóis Feliciano e Marc López (que, repito, não são irmãos) em uma partida nervosa que terminou com Dodig errando um voleio e cedendo a quebra decisiva no serviço do mineiro: 6/2, 3/6 e 7/5.

Com o resultado, o ranking de duplas terá um novo número 1. Marcelo Melo deixará o posto, que ficará com Nicolas Mahut ou Bob Bryan. O americano precisa conquistar o título para voltar ao topo. Caso contrário, o francês assumirá a ponta.

Se vira nos 30

Rafael Nadal completou 30 anos nesta sexta-feira em uma das raras oportunidades que teve de festejar seu aniversário junto com toda família em Mallorca. Na maior parte da última década, o espanhol soprou velinhas em Paris, rumo a um de seus nove títulos de Roland Garros.

A Telefónica, um de seus patrocinadores, preparou um vídeo cheio de gente conhecida dando os parabéns ao tenista. Até Casemiro (sim, o brasileiro do real Madrid) e Kaká fazem aparições.

Piada Pós-Paris

Eugenie Bouchard chegou à imigração na Holanda e teve de explicar o motivo de sua visita ao país: “torneio de tênis”. O oficial, então, perguntou à canadense se ela não deveria estar em Paris ainda…

Os melhores lances

Plasticamente, não aconteceu nada de espetacular no ponto abaixo, mas vale ver pelos 30 golpes do rali e pelo fantástico trabalho de construção de ponto que Djokovic fez até colocar Thiem na defensiva. Vale notar também o quanto o austríaco fez de força a mais do que o sérvio para manter-se no ponto. Uma aula.

Outro lance do sérvio. Velocidade, defesa, precisão, contra-ataque, potência. Em 20 segundos, o porquê de Djokovic ser o número 1 do mundo.

Para finalizar, um exemplo do que Murray fez em muitos momentos da partida. Ofereceu o lado direito, desafiando Wawrinka a atacar com a paralela de backhand, e ficou plantado na esquerda, esperando a chance de matar com seu melhor golpe, o backhand. No caso do ponto abaixo, um break point, Stan fugiu do backhand e deixou a quadra escancarada para a passada.


RG, dia 6: Nadal desiste, Muguruza cresce, Kvitova e Safarova dão adeus
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Alexandre Cossenza

Houve muitos lances bonitos e resultados importantes dentro de quadra, mas nada igualou a bomba que Rafael Nadal detonou em Roland Garros quando convocou uma coletiva para anunciar que está abandonando o torneio. O post de hoje avalia as consequências dessa desistência, lembra de resultados importantes na chave feminina, atualiza a corrida pelo número 1 nas duplas e traz a história de Marcel Granollers, o tenista mais sortudo do planeta. Fique por dentro.

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O abandono

A notícia do dia, sem dúvida, foi o anúncio de Rafael Nadal, que convocou uma entrevista coletiva às pressas para revelar que não continuaria no torneio por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand). Nadal disse que o problema começou na semana de Madri, nas quartas de final, contra João Sousa. Depois disso, fez exames e tratamento em Barcelona e decidiu jogar em Roma. O incômodo voltou antes mesmo de embarcar para Paris.

O espanhol, que vinha de duas grandes atuações, disse que a condição foi piorando ao longo da semana em Roland Garros e que jogou a partida contra Bagnis após tomar uma infiltração. Segundo o tenista, os médicos disseram que ele não teria condições de fazer mais cinco partidas e, por isso, não havia por que continuar no torneio.

Nadal afirmou que precisará de algumas semanas de imobilização no punho para, depois, tratar a lesão. “Espero uma recuperação rápida e estar pronto para Wimbledon, mas agora não é o momento de falar sobre isso.”

A consequência imediata é que Marcel Granollers (#56), que vem de uma vitória por desistência (Mahut abandonou no terceiro set), ganha um WO e vai às oitavas de final sem jogar. Ele será azarão contra Dominic Thiem ou Alexander Zverev, mas já tem um resultado inimaginável para quem estreou contra Fabio Fognini e enfrentaria o eneacampeão do torneio na terceira rodada.

No que diz respeito às chances de título, a coisa fica bem menos complicada para Novak Djokovic (#1), que provavelmente faria a semifinal contra Rafael Nadal. O contraponto é que o sérvio terá uma dose extra de pressão para finalmente vencer em Paris. De certo modo, será uma sensação parecida com a de Federer em 2009. Naquele ano, após levantar o troféu, o suíço admitiu ter se sentido pressionado depois que Robin Soderling chocou o planeta ao derrotar Rafael Nadal.

O homem mais sortudo do planeta

Em Monte Carlo, Marcel Granollers não passou pelo qualifying, mas herdou a vaga de David Ferrer, que decidiu de última hora não jogar o torneio. A vaga de cabeça de chave permitiu a Granollers entrar já na segunda rodada. Aproveitou a chance, bateu Alexander Zverev, David Goffin e só parou nas quartas de final. Saiu de lá com 196 pontos. Subiu de #67 para #50 no ranking.

Em Madri, aconteceu de novo. Granollers entrou como lucky loser na vaga de Roger Federer. Dessa vez, também estreando na segunda rodada, o espanhol não conseguiu avançar. Parou diante de João Sousa, mas somou 26 pontinhos.

Agora, em Roland Garros, teve todo mérito do mundo ao eliminar Fabio Fognini na estreia, mas ganhou 71 mil euros e 90 pontos de graça só com o abandono de Nadal. Com isso, mesmo que perca o próximo jogo, já ficará perto do 45º posto.

Os favoritos

O dia começou com Garbiñe Muguruza (#4) em mais uma atuação dominante: 6/3 e 6/0 sobre a belga Yanina Wickmayer (#54), que vinha de vitória sobre a cabeça de chave Ekaterina Makarova. Depois do susto na estreia, Muguruza soma apenas cinco games perdidos em dois jogos e ratifica sua posição de séria candidata ao título. Com Svetlana Kuznetsova (#15) pela frente nas oitavas e Begu ou Rogers nas quartas, a espanhola é favoritíssima para chegar ao menos às semifinais.

A outra candidata nessa metade da chave é Simona Halep (#6), vice-campeã em 2014. Nesta sexta, a romena precisou de três sets, mas superou a japonesa Naomi Osaka (#101) por 4/6, 6/2 e 6/3. Halep agora fará um jogo interessante contra Sam Stosur, que, apesar de já ter bons resultados no torneio, não estava tão cotada assim numa chave que tinha Lucie Safarova (falo sobre isso mais adiante).

Na chave masculina, Andy Murray (#2) finalmente fez uma aparição breve na Suzanne Lenglen. Bateu Ivo Karlovic (#28) em três sets: 6/1, 6/4 e 7/6(3), em menos de duas horas. O escocês conseguiu até limitar o número de aces do croata. Foram só 14 – oito deles, no terceiro e mais equilibrado set. Semifinalista em Paris no ano passado, Murray terá outro sacador pela frente nas oitavas, já que John Isner (#17) derrotou Teymuraz Gabashvili (#79) depois de estar uma quebra atrás no quinto set: 7/6(7), 4/6, 2/6, 6/4 e 6/2.

Stan Wawrinka (#4), que fez um dos últimos jogos do dia, teve menos problemas do que nas rodadas anteriores. Aplicou 6/4, 6/3 e 7/5 sobre Jeremy Chardy (#32) e avançou quase sem sustos. Os únicos momentos de (pequena) apreensão vieram no primeiro game, quando o suíço teve o serviço quebrado (mas devolveu em seguida), e no antepenúltimo, quando Chardy evitou que Stan fechasse o jogo com seu saque. O atual campeão, no entanto, voltou a quebrar imediatamente depois.

O sérvio Viktor Troicki (#24) será o próximo oponente de Wawrinka, após fazer 6/4, 6/2 e 6/2 em cima do francês Gilles Simon (#18), que não fez um grande torneio. Depois de suar contra Rogerinho, precisou de cinco sets para bater Guido Pella. Nesta sexta, contra Troicki, esteve atrás desde o game inicial.

O brasileiro

Marcelo Melo voltou à quadra ao lado de Ivan Dodig em busca de um lugar nas oitavas de final da chave de duplas. A parceria, atual campeã de Roland Garros, não teve problemas para bater os franceses Tristan Lamasine e Albano Olivetti por 6/2 e 6/4. Brasileiro e croata agora podem enfrentar a dupla de André Sá e Chris Guccione, que ainda precisam passar por Leo Mayer e João Sousa.

A briga pelo número 1

O resultado mais relevante do dia pela chave de duplas foi a derrota de Jean Julien Rojer e Horia Tecau para Pablo Cuevas e Marcel Granollers: 5/7, 6/4 e 6/3. Com isso, Tecau perde a chance de sair de Roland Garros como número 1 do mundo. Ainda seguem na briga Nicolas Mahut (que está vivo nas duplas apesar de ter abandonado a chave de simples), Jamie Murray, Bob Bryan e o próprio Marcelo Melo, atual líder do ranking e campeão do torneio parisiense.

Correndo por fora

Agnieszka Radwanska (#2), que nunca passou das quartas de final em Roland Garros, superou um obstáculo um tanto traiçoeiro nesta sexta. Bateu Barbora Strycova (#33) por 6/2, 6/7(6) e 6/2. Foi uma partida divertida de ver (pelo menos nos momentos que consegui acompanhar), com muita variação, e que a vice-líder do ranking conduziu muito bem no set decisivo.

Classificada para as oitavas para enfrentar Tsvetana Pironkova (#102), será que Radwanska já pode ser considerada uma forte candidata ao título? Talvez ainda seja cedo, mas a polonesa certamente será favorita contra a búlgara. Quem sabe nas quartas de final, contra Simona Halep, tenhamos uma ideia melhor?

Na chave masculina, Milos Raonic (#9) passou fácil pelo eslovaco Andrej Martin (#133): 7/6(4), 6/2 e 6/3. Foram mais de 2h40min de partida, mas só porque a primeira parcial durou 1h13min, com três games bastante longos. Abençoado pelo sorteio e pelos resultados, o canadense, que poderia estar enfrentando Marin Cilic ou Jack Sock nas oitavas, vai pegar o espanhol Albert Ramos Viñolas (#55), que surpreendeu Sock (#25) em cinco sets nesta sexta: 6/7(2), 6/4, 6/4, 4/6 e 6/4. Se tudo correr como previsto, Raonic e Wawrinka se encontrarão nas quartas.

O jogo mais esperado – pelo menos para mim – do dia era Richard Gasquet (#12) x Nick Kyrgios (#19), e parece justo dizer que a partida correspondeu às expectativas. Não só no resultado, com vitória do francês por 6/2, 7/6(7) e 6/2, mas pelo nível do tênis apresentado. Daria para encher um longo vídeo de melhores momentos só com pontos bonitos. Kyrgios venceu vários deles, mas, como quase sempre, não conseguiu manter um nível alto contra um rival consistente.

Para Kei Nishikori, houve drama. Tudo corria bem para o #6 do mundo até que Fernando Verdasco (#52), depois de perder os dois primeiros sets, iniciou uma reação fulminante. No começo do quinto set, era o espanhol que parecia mais próximo da vitória. No entanto, Nishikori conseguiu quebras no primeiro e no terceiro games e manteve a dianteira, avançando por 6/3, 6/4, 3/6, 2/6 e 6/4.

Cabeças que rolaram

Principal cabeça de chave na seção que já tinha visto Roberta Vinci e Karolina Pliskova ficarem pelo caminho, Petra Kvitova (#12) foi a vítima do dia, com um placar estranhíssimo: 6/0, 6/7(3) e 6/0 para a americana Shelby Rogers (#108), a mesma que bateu Pliskova na primeira rodada.

A americana avança para sua primeira aparição as quartas de final de um Slam, enquanto Kvitova segue em uma temporada problemática. Desde que se separou do técnico de longa data David Kotyza, em janeiro, a bicampeã de Wimbledon não conseguiu uma sequência digna de seu talento.

Quem se deu bem – pelo menos no papel – foi Irina-Camelia Begu (#28), cabeça 25 do torneio, que bateu Annika Beck (#39) por 6/4, 2/6 e 6/1 e será favorita contra Rogers na disputa por um lugar nas quartas de final.

Outra cabeça eliminada foi Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. A tcheca foi eliminada em uma partida equilibrada e nervosa contra Sam Stosur (#24), vice-campeã em 2010: 6/3, 6/7(0) e 7/5. Uma surpresa mais pelos resultados recentes da australiana e pelo histórico de confrontos diretos (Safarova liderava por 11 a 3) do que pelo currículo de Stosur.

Não seria nada espantoso se Stosur desmoronasse depois do péssimo tie-break que jogou na segunda parcial. Em vez disso, a australiana começou o set decisivo com uma quebra e, mesmo quando perdeu a vantagem, manteve a cabeça no lugar. Quem implodiu foi Safarova, que fez um 12º game muito ruim e cedendo a quebra que colocou a adversária nas oitavas.

Os melhores lances

Você não vai ver muitos pontos melhores do que esse até o fim do torneio. Radwanska e Strycova, espetaculares.

Nick Kyrgios de despediu nesta sexta, mas deixou essa lembrança:

O australiano também ganhou esse pontaço abaixo.


Quadra 18: S02E06
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Alexandre Cossenza

O podcast Quadra 18 completa um ano de vida e traz um episódio especial e descontraído, cheio de participações especiais. Marcelo Melo, Fernando Meligeni, Sylvio Bastos, Fernando Nardini, Mário Sérgio Cruz, João Victor Araripe enviaram perguntas para os apresentadores. Os ouvintes Anelise Stampfer, Carol Tan e Johnny Garbin também fizeram participações especiais.

É claro que o Quadra 18 não deixou de falar dos resultados da semana. Comentamos o título de Rafael Nadal em Monte Carlo, a derrota precoce de Novak Djokovic, as boas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo, e também registramos os resultados da Fed Cup e a semi de Paula Gonçalves em Bogotá.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar para ouvir mais tarde, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura.
0’30” – Trio lembra do aniversário de 1 ano do podcast.
1’50” – Johnny Garbin pergunta: “O que foi surpreendente e vocês aprenderam nesse ano de podcast?”
5’25” – Carol Tan pergunta: “Se vocês pudessem cobrir só um torneio in loco durante o ano, qual seria?”
7’50” – Sylvio Bastos pergunta: “Quanto tempo a gente vai levar para que as pessoas que gostam de tênis no Brasil tenham mais noção do que é o tênis?”
13’42” – João Victor Araripe pergunta: “Qual o momento mais vergonha alheia que vocês já passaram num torneio de tênis?”
14’25” – Aliny conta caso sobre “surdos” no Rio Open.
15’35” – Sheila lembra de histórias envolvendo Bellucci e Fognini.
17’40” – Cossenza fala de caso sobre João Sousa e João Victor.
19’55” – Anelise Stampfer pergunta: “O que é pior: dar uma verdascada, uma goffinhada ou uma cagada kohlschreiberiana?”
22’25” – Sheila lembra de traumas com “djokovicadas” anos atrás.
23’30” – Fernando Meligeni diz: “Digam um cara bom e outro cara não tão bom para o tênis brasileiro!”
24’55” – Sheila responde.
24’56” – Cossenza tem acesso de riso.
27’25” – Mário Sérgio pergunta: “Como vocês acham que vai ser a despedida de Roger Federer?”
31’50” – “Para quem vocês estão torcendo para ganhar medalhas nas Olimpíadas?”
37’00” – “O que vocês acham da campanha #NextGen da ATP?”
40’40” – Fernando Nardini pergunta para Aliny: “Qual é seu duplista preferido?”
42’00” – Marcelo Melo envia duas perguntas para Aliny. Uma delas é “Qual duplista você levaria para uma ilha deserta?”
44’25” – Música de aniversário.
44’55” – A derrota de Novak Djokovic em Monte Carlo.
45’55” – A chave deliciosa de Gael Monfils.
46’50” – Nadal voltou?
49’30” – Cotações para Roland Garros nas casas de apostas.
51’15” – Monfils já entra na lista de favoritos para RG?
54’50” – Aliny fala de Herbert e Mahut, campeões em IW, Miami e MC.
55’30” – As ótimas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo.
58’50” – Resultados de Charleston e Bogotá.
59’20” – A subida de Paula Gonçalves e a queda de Teliana Pereira.
62’10” – Os resultados da Fed Cup, com a República Tcheca em outra final.
66’20” – André Sá toca guitarra com os irmãos Bryan