Saque e Voleio

Arquivo : dimitrov

Quadra 18: S03E02
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou a vencer um slam em cima de Rafael Nadal, Serena Williams voltou a derrotar a irmã Venus em uma decisão, e o tênis viveu um fim de semana dos mais memoráveis no Australian Open. Mas houve muito mais do que isso nas duas semanas do torneio. Djokovic, Murray e Kerber foram vítimas de zebras, Coco Vandeweghe finalmente surgiu como nome forte em um torneio grande, Mirjana Lucic-Baroni protagonizou a história mais feliz… É muito assunto!

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu nos reunimos para gravar mais uma edição do podcast Quadra 18. Comentamos tudo citado acima e um pouco mais. Falamos dos modelitos bonitos e feios, do noivo de Serena e até do poema de Melbourne! Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar para ouvir depois, é só clicar neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’30” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’30” – Roger Federer e a campanha até o título
9’15” – A decisão de Federer de abrir mão do 2º semestre de 2016
10’50” – O suíço se defendeu melhor neste Australian Open?
13’55” – O que faltou para Nadal na hora decisiva?
16’45” – O que a final significa para a rivalidade Federer x Nadal?
18’10” – O quão importante é a disputa por mais títulos de slam?
21’20” – Teremos mais finais “vintage” este ano ou foi uma exceção?
22’21” – Qual a importância de Ljubicic e Moyá no “retorno” de Federer e Nadal?
25’45” – Federer e Nadal vão continuar lutando por títulos de slams e Masters?
27’30” – Federer vai pular a temporada de saibro novamente?
29’35” – Nadal já pode ser considerado favorito para Roland Garros?
30’15” – Federer e Nadal teriam feito a final sem as derrotas de Djokovic e Murray?
31’04” – As zebras de Istomin e Zverev em cima de Djokovic e Murray
35’30” – Que zebras em outros slams são comparáveis a essas?
37’33” – O desfecho do AO será motivação extra para Djokovic e Murray?
38’40” – Dimitrov pode entrar na briga pelos slams?
41’18” – As surpresas e decepções do Australian Open
45’40” – O quanto a quadra mais rápida ajudou Federer no torneio?
47’51” – Quadras mais rápidas serão tendência no circuito?
49’48” – The Greatest (Sia)
50’34” – As campanhas das irmãs Williams
57’50” – Por que 18 > 23 na matemática tenística?
59’25” – O quanto o recorde de slams da Court deve ser relevante para Serena?
63’17” – E a campanha da Nike sobre Serena como maior de todos os tempos?
64’32” – Precisamos falar de Coco Vandeweghe
70’50” – A fantástica história de Mirjana Lucic-Baroni
73’25” – O que acontece com Angelique Kerber?
76’18” – Muguruza é tenista de um slam só?
77’48” – O noivo de Serena Williams e o Reddit
79’57” – High and Low (Two Vines)
80’30” – A campanha de Kontinen e Peers, campeões de duplas
84’35” – Qual o segredo de Kontinen e Peers?
85’45” – Os Bryans vão voltar a ganhar um slam?
87’05” – As campanhas dos brasileiros em Melbourne
89’35” – Marcelo Melo acertou na escolha de Kubot como parceiro?
92’45” – A campanha de André Sá e Leander Paes
94’25” – Como o título de Kontinen e Peers afeta a briga pela liderança do ranking
95’45” – Qual foi o GIF mais épico da Aliny no Australian Open?
97’40” – Mais reclamações sobre a camisa de Roger Federer
103’20”- O poema de Melbourne é eficaz ou contraproducente?


AO, dia 12: a força de Rafa, o brilho de Grigor e a final dos sonhos
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Faltou ar e não foi pouco. Dois tie-breaks, ralis obscenos, bolas improváveis riscando milímetros de linha, break point para cá, chances de quebra para lá… Durante a maior parte das 4h56min, Rafael Nadal e Grigor Dimitrov foram aos limites da quadra, das pernas, da cabeça e do coração. Lançaram equações ao rival, desenharam fórmulas e encontraram soluções. Até que o último backhand errado do búlgaro decretou: 6/3, 5/7, 7/6(5), 6/7(4) e 6/4. Nadal está na final do Australian Open mais uma vez e vai fazer o jogo dos sonhos com Roger Federer.

Nadal_AO17_SF_get_blog

A força de Rafa

Tirando o primeiro set, este memorável Nadal x Dimitrov não teve um momento de tranquilidade para tenista algum. E a primeira parcial nem foi tão folgada assim. O espanhol precisou sair de 15/40 já no game inicial antes de quebrar o oponente no quarto game e aproveitar a vantagem. O segundo set foi insano, com os dois nervosos e errando muito. Depois de duas quebras para cada lado, Nadal escapou de quatro set points no décimo game, mas Dimitrov não repetiu o vacilo de Raonic dois dias antes. No 12º game, finalmente quebrou e empatou o jogo.

O duelo para atacar primeiro existiu desde o início. Nadal buscava o backhand de Dimitrov e ganhava mais ralis. O búlgaro sacava melhor, corria mais riscos do fundo de quadra e mantinha tudo equilibrado. Tão equilibrado que dois tie-breaks foram necessários. No primeiro, ganhou a cautela de Nadal, que exigiu riscos de Dimitrov. O búlgaro errou mais e perdeu por 7/5. No segundo, o azarão (quase injusto escrever isso após um jogo assim) se impôs na devolução. Levou por 7/4.

E aí veio o quinto set, com todo drama que faz parte da definição de um quinto set. Dimitrov já saiu de um 15/40 no primeiro game, muito graças a um forehand insano na paralela. Nadal também salvou break point no segundo game. Os dois tinham problemas para confirmar. No oitavo game, foi Nadal que encarou um 15/40. Primeiro, disparou uma paralela enorme de backhand. Depois, subiu à rede com eficiência. A pressão estava de novo na raquete de Dimitrov.

Foi o búlgaro, no fim das contas, quem não resistiu. No 30/40, escolheu subir à rede no forehand do espanhol. Pagou o preço. E assim, 4h56min depois, Nadal confirmou a final contra Roger Federer.

Mais de cinco anos depois, a final dos sonhos

Até o fim da década passada, era quase regra. Pelo menos uma vez por ano, Rafael Nadal e Roger Federer se encontravam em uma final de Slam. Foram duas em 2006, mais duas no ano seguinte, duas em 2008 e uma em 2009 – sem contar a semi/final antecipada de Roland Garros em 2005.

A última vez que isso aconteceu foi na decisão do Slam francês em 2011. Depois daquele jogo, Nadal e Federer oscilaram, enquanto Djokovic dominava. Em 2010, o suíço teve dois match points para encontrar Nadal na final do US Open, mas cedeu a virada para o sérvio na semifinal. Em 2011, o raio caiu pela segunda vez no mesmo lugar. Federer teve dois match points, e Djokovic milagrosamente avançou.

Quando Nadal esteve voando, em 2013, Federer teve lesões. O suíço, por sua vez, jogou finais em 2014 e 2015, mas Nadal ficou pelo caminho. E agora, com o espanhol em nono no ranking e o suíço em 17º, era improvável. Quase impossível. Os dois, afinal, poderiam ter sido sorteados no mesmo lado da chave. Só que não. E ainda contaram com as quedas precoces de Murray e Djokovic.

A rivalidade em números

Será o 35º jogo entre Federer e Nadal. O espanhol leva vantagem em confrontos diretos, com 23 vitórias e 11 derrotas. Em Slams, são 11 encontros, com nove triunfos de Nadal. Em Melbourne, são três duelos – todos vencidos pelo espanhol. E ao todo, em quadras duras (indoor e outdoor), o retrospecto é de 9 a 7 para Rafa.

Em finais de Slam, o placar mostra 6 a 2 para Nadal – Federer venceu em Wimbledon em 2006 e 2007. Nadal venceu em Roland Garros (2006, 07, 08 e 11), Wimbledon (2008) e em Melbourne (2009).

Os 12 encontros de Federer e Nadal em Slams nem são um recorde na Era Aberta. A maior marca é de Federer x Djokovic, com 15 jogos. O segundo lugar é o duelo Djokovic x Nadal, que já aconteceu 13 vezes nesse tipo de torneio.

Contando todo tipo de torneio, a rivalidade Federer x Nadal divide a sexta posição entre os duelos mais jogados. Djokovic x Nadal, com 49, tem o recorde, seguido de Djokovic x Federer (45), Lendl x McEnroe (36), Connors x Lendl (36), Djokovic x Murray (36), Connors x McEnroe (35) e Becker x Edberg (35).

A evolução de Dimitrov

Depois de um 2016 abaixo das expectativas, que incluiu uma série de seis derrotas de Istambul até Queen’s e fez seu ranking cair para #40, o ex-top 10 se reencontrou, agora com a ajuda do treinador Dani Vallverdu (ex-Murray e Berdych). Começou o ano com o título de Brisbane (bateu Thim, Raonic e Nishikori em sequência) e esteve a alguns pontos da final do Australian Open.

A atuação contra Rafa Nadal foi uma ótima vitrine para seus avanços. Sacou bem, mostrou um backhand bastante sólido e, principalmente, manteve-se bem fisicamente durante as quase cinco horas de jogo. Sai de Melbourne como número 12 do mundo e, com folga, como o não-top-10 em melhor forma – sem contar Roger Federer porque o suíço só está no ranking atual por causa da ausência de seis meses provocada por lesão.

A Liga Retrô: por que agora?

Não é só o inquestionável talento que juntou quatro tenistas com mais de 30 anos nas finais do Australian Open. Há um punhado de outros fatores que, com maior ou menor peso, precisam ser levados em conta nessa equação.

No caso de Federer, é inegável que a velocidade da quadra ajudou – como deve ajudar contra Nadal. Com um piso mais rápido, o suíço conseguiu impor um jogo mais agressivo e evitar um número maior de ralis contra Kei Nishikori e Stan Wawrinka, por exemplo. Tanto o japonês quanto o atual número 1 da Suíça teriam mais chances em pisos mais lentos.

O mesmo vale para Venus Williams, que também é dona de um jogo agressivo e não tem a melhor defesa do circuito – normal para quem tem 1,85m de altura e 36 anos. Além disso, as principais candidatas a derrubar a americana ficaram pelo caminho. Simona Halep, cabeça 4, tombou na estreia. Garbiñe Muguruza, a cabeça 7, foi vítima de uma atuação inspirada de Coco Vandeweghe. Venus chega à decisão após passar por Kozlova, Voegele, Duan, Marthel, Pavlyuchenkova e Vandeweghe. Não é a mais dura das chaves em um Slam.

Por fim, apenas registrando o óbvio e que já foi extensamente discutido, o circuito “envelheceu” graças a técnicas de recuperação mais avançadas e que permitem que atletas joguem em alto nível por mais tempo. E, insistindo no óbvio, os quatro são tenistas espetaculares.

As campeãs

A final de duplas foi disputada na tarde desta sexta e terminou com mais um título de Bethanie Mattek-Sands, atual número 1 do mundo, e sua parceira, Lucie Safarova. O chamado “Team Bucie” superou Andrea Hlavackova e Shuai Peng na decisão por 6/7(4), 6/3 e 6/3.

É o quarto Grand Slam da parceria e o segundo em Melbourne. Juntas, Mattek-Sands e Safarova também venceram o Australian Open em 2015, Roland Garros/2015 e o US Open/2016.

A final de duplas masculinas está marcada para este sábado e vai começar após a final feminina entra Serena e Venus Williams.


AO, dia 11: uma decisão em família e cinco sets suíços
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O Australian Open retrô de 2017 continua com força total. Primeiro, Venus, 36 anos. Em seguida, Serena, 35. Por último, Federer, 35. Os três venceram nesta quinta-feira, nas semifinais, e estarão nas finais de sábado e domingo. O resumaço do dia conta como isso aconteceu, menciona números, idas ao banheiro e lembra também que os irmãos Bryan, 38, também jogarão pelo título em Melbourne.

Federer_Wawrinka_AO17_SF_get_blog

As irmãs

Dezenove anos depois de seu primeiro confronto no circuito – também em Melbourne – Venus e Serena Williams vão duelar pela 28ª vez na final de sábado. Suas semifinais foram vencidas de modo bem diferente.

Primeiro, Venus teve de lidar com a potência de Coco Vandeweghe, que fez um primeiro set competente e saiu na frente no placar. A jovem de 25 anos tinha peso nos golpes para agredir a veterana, mas não conseguiu nem manter o nível da primeira parcial nem encontrar uma maneira de se aproveitar da movimentação lateral de Venus, que não é das melhores (36 anos, 1,85m de altura).

Coco usou poucos ângulos e, quando o fez, se deu mal. Afinal, ela também não é a tenista mais rápida do circuito. Defender não é seu forte. Logo, ficou sem opções produtivas. Venus virou, fechou em 6/7(3), 6/2 e 6/3, e se tornou a finalista mais velha do Australian Open na Era Aberta (a partir de 1968).

O segundo jogo desta quinta-feira foi a semifinal mais velha da Era Aberta, e não foi nada equilibrada. Serena Williams (35 anos e 4 meses) dominou e acabou transformando em abóbora a carruagem do conto de fadas de Mirjana Lucic-Baroni (34 anos, 10 meses): 6/2 e 6/1. Foi mais uma das partidas dominantes de Serena, que não navegava pela chave de um Slam dessa maneira desde pelo menos 2015.

No duelo com a irmã mais velha, Serena terá a chance de retomar a liderança do ranking e de deixar para trás Steffi Graf, tornando-se de forma isolada a maior vencedora de Slams em simples na Era Aberta. Hoje, ambas têm 22 títulos. O recorde geral ainda é de Margaret Court, com 24.

Os cinco sets suíços

Na chave masculina, a primeira semifinal correspondeu às expectativas. Teve drama, pontos espetaculares, duas atendimentos médicos um tanto malandros e cinco sets. Não dava para pedir mais. No fim, Federer, 35 anos, conquistou a vaga na decisão por 7/5, 6/3, 1/6, 4/6 e 6/3 e com um quinto set mais tenso do que o placar sugere.

Quanto à história do jogo, o cabeça 17 fez dois sets quase perfeitos, atacando e variando, sem deixar Wawrinka confortável em momento algum. Irritado, Stan quebrou uma raquete e pediu atendimento médico ao fim da segunda parcial. Voltou mais solto e se aproveitando de um Federer não tão sólido. Atropelou e aproveitou e manteve o embalo no quarto set. Bateu ainda mais forte na bola, fez passadas de direita e esquerda – inclusive de slice – e conseguiu uma quebra no nono game para forçar um dramático quinto set.

Aí foi a vez de Federer receber atendimento no banheiro e deixar o jogo parado por oito minutos. Após a partida, o próprio Roger admitiria a malandragem ao dizer “eu nunca peço tempos médicos, o Stan já pediu o dele, as pessoas não vão ficar bravas. Espero que o Stan não fique bravo. Foi na troca set, você espera que algo funcione”, para risos do público e de Jim Courier, o entrevistador.

A paralisação não mudou muito a partida. Wawrinka continuava levando a melhor quando conseguia iniciar ralis do fundo de quadra. E, no fim das contas, o duelo foi decidido no velho clichê das “chances aproveitadas”. Stan teve dois break points em games diferentes. Não conseguiu converter. Federer teve apenas uma chance de quebra. Nem precisou jogar. Contou com uma dupla falta. Crime sem direito a liberdade condicional. Game, set, match, Federer.

Três sets para Federer x Nadal

A segunda semifinal masculina será nesta sexta-feira, e o oponente de Federer será Grigor Dimitrov ou Rafael Nadal. A essa altura, a expectativa mundial é por um triunfo de Nadal e mais uma partida memorável entre suíço e espanhol na decisão. Se acontecer, será o quarto jogo entre eles em Melbourne. Há muitos números e fatores incontáveis a considerar em um eventual clássico “Fedal”, mas convém mencionar isso em um post futuro – caso Nadal confirme o favoritismo.

Final retrô também nas duplas

Bob e Mike Bryan, 38 anos, estão de volta a uma final de Slam. Eles não levantam um troféu nesse nível desde 2014, o que soa como um jejum enorme para os gêmeos americanos. A vaga veio com uma vitória sobre Pablo Carreño Busta e Guillermo García López por 7/6(1) e 6/3.

Os Bryans tentarão seu 17º título, o que os igualaria a John Newcombe, maior vencedor de Slams em duplas. A final será contra John Peers e Henri Kontinen, que derrubaram os wild cards Marc Polmans e Andrew Whittington por 6/4 e 6/4.


AO, dia 10: o conto de fadas de Lucic-Baroni e os 6 set points de Raonic
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O Australian Open terminou de definir suas semifinais com duas histórias memoráveis. Primeiro, com Mirjana Lucic-Baroni vencendo outra vez e escrevendo novas linhas no que poderia muito bem ser roteiro de filme de Hollywood. Mais tarde, com Rafael Nadal superando Milos Raonic em um duelo que foi praticamente decidido nos seis set points que o canadense teve na segunda parcial.

O resumaço de hoje trata das últimas quartas de final e, claro, da expectativa por finais “vintage”. Afinal, O primeiro Slam da temporada pode ter Federer x Nadal e Williams x Williams no fim de semana. E sim, estamos em 2017.

Lucic-Baroni_AO17_QF_get_blog

O conto de fadas

O jogo em si foi ruim de ver. Foram muitos winners, muitos erros e quase nenhum rali. Variações táticas não existiram. E, no fim, Mirjana Lucic-Baroni derrubou Karolina Pliskova por 6/4, 3/6 e 6/4. O triunfo colocou a veterana de 34 nas semifinais e escreveu algumas páginas a mais no conto de fadas da croata nascida na Alemanha, casada com um ítalo-americano, residente da Flórida e que agora brilha em Melbourne (coisas fantásticas acontecem quando as pessoas têm oportunidades além das fronteiras de seus países, não?).

Digo “conto de fadas” porque a história de Lucic-Baroni vai muito além da figura de uma veterana alcançando as semifinais de um Slam. A croata era uma das maiores promessas do tênis no fim da década de 1990. Foi campeã (adulta!) de duplas no próprio Australian Open quando tinha 15 anos, em 1998. Um ano antes, já tinha vencido o primeiro WTA que disputou. Foi bicampeã do evento com 16 anos. Aos 17, foi semifinalista de Wimbledon 1999.

Foi aí, no entanto, que problemas particulares interferiram. Nas entrevistas deste Australian Open, Lucic-Baroni evita tocar no assunto e só diz que as pessoas não sabem da metade de sua história. E a metade conhecida já é assustadora o bastante. Ela e a mãe deixaram a Croácia e fugiram para a Flórida por causa de abusos do pai (ele nega e nunca foi condenado, é bom esclarecer). A adolescente saiu do top 100 e passou a enfrentar problemas financeiros. Foi processada pela IMG, empresa que administrava sua carreira.

Até hoje, joga sem patrocínio. Compra roupas por conta própria, veste o acha mais interessante, não importa a marca. Lucic-Baroni só conseguiu voltar a jogar eventos de nível WTA em 2010 – uma década mais tarde. Esta reportagem do New York Times conta tudo com mais detalhes (leitura altamente recomendada!).

Quando avançou às quartas de final, mandou um recado forte: “f___ tudo e todo mundo. Quem quer que seja que te diga que você não pode, apenas apareça e faça com o coração” (vide vídeo acima). Pois é. Nas semifinais, a atual #79 do mundo garante a entrada no top 30 e o melhor ranking da carreira.

Ao completar o triunfo sobre Pliskova – que incluiu uma sequência impressionante depois de uma ida ao banheiro no terceiro set – Lucic-Baroni não segurou as lágrimas e deu um longo abraço na entrevistadora da vez, a ex-tenista Rennae Stubbs. A australiana, aliás, foi a primeira adversária de Lucic-Baroni em Melbourne, lá atrás, em 1998 – e a croata venceu.

No meio de toda essa emoção, mandou outra mensagem: “Sei que significa muito para qualquer jogador chegar às semifinais, mas para mim isso é arrebatador. Nunca vou esquecer este dia e as últimas semanas. Isto fez minha vida e tudo ruim que aconteceu ficar ok. O fato de eu ser tão forte e que valeu a pena lutar tanto é realmente incrível.” Precisa dizer mais?

A próxima página dessa história terá Serena Williams, já que a #2 do mundo terminou com a sequência e vitórias de Johanna Konta por 6/2 e 6/3. A britânica, #9 do ranking, ainda não havia perdido sets em Melbourne e já somava nove triunfos consecutivos, já que vinha do título no WTA de Sydney.

Não foi uma partida tão parelha quanto muita gente esperava. Agora, depois do encontro, parece justo dizer que foi um daqueles dias em que Serena entrou em quadra especialmente concentrada e disposta a atropelar. A americana adora enfrentar oponentes badalados pela imprensa e pelos fãs. Poucas coisas a motivam mais do que ouvir que alguém “tem boas chances de eliminar Serena.” Não foi diferente nesta quarta-feira.

Serena, vale lembrar, pode reassumir a liderança do ranking mundial. Após a derrota de Angelique Kerber diante de Coco Vandeweghe, só depende da veterana. Serena precisa ser campeã para voltar ao topo.

O caso dos seis set points

O grande jogo masculino desta quarta-feira foi o que definiu o último semifinalista e que abriu a sessão noturna na Rod Laver Arena. Rafael Nadal e Milos Raonic fizeram a partida que vinha sendo considerada como a semifinal antecipada. O espanhol, derrotado há algumas semanas em Brisbane pelo canadense, deu o troco: 6/4, 7/6(7) e 6/4.

Em uma breve análise tática, é possível dizer que Nadal foi competente com seu serviço (sem forçar demais e sem dar tantas chances para que o rival atacasse seu segundo saque), conseguiu devolver um número interessantes de saques do canadense (e sem recuar demais) e foi mais competente nos momentos de pressão, quando precisou salvar break points.

Só que nenhuma história do jogo ficaria completa sem mencionar os seis set points de Raonic na segunda parcial. Os três primeiros vieram no décimo game, com Nadal sacando em 4/5 e cometendo três erros atípicos. O espanhol jogou bem em dois desses break points, mas permitiu que Raonic entrasse em vantagem num rali. O canadense, contudo, errou um backhand despretensioso.

Depois, Raonic teve mais três set points no tie-break. Abriu 6/4 com um lindo lob vencedor, mas sacou em 6/5 e cometeu uma dupla falta. Ainda teve outra chance no 7/6, mas Nadal jogou bem. E quem não aproveita seis set points contra Nadal acaba pagando o preço. Pagou caro.

Classificado para a semifinal e com seu melhor resultado em um Slam desde Roland Garros/2014, Nadal vai encarar o também “renascido” Grigor Dimitrov, que derrubou David Goffin por 6/3, 6/2 e 6/4. O búlgaro, campeão do ATP 250 de Brisbane na primeira semana do ano, vem de dez vitórias consecutivas.

Federer x Nadal no horizonte

Antes do torneio, Roger Federer deu uma entrevista ao New York Times, dizendo que o Australian Open seria épico. Um pouco por causa de seu retorno após seis meses sem competir, mas também pelos momentos de Andy Murray, número 1, Novak Djokovic, o rei destronado, e Rafael Nadal, tentando encontrar uma forma de voltar a brigar por títulos grandes.

Duas semanas depois, o mundo do tênis está a dois jogos de ver mais uma final entre Federer e Nadal. E mais: nas semifinais, os dois são favoritos nas casas de apostas. O suíço, contra seu compatriota Stan Wawrinka; o espanhol, contra Grigor Dimitrov. A ansiedade é geral. A última final de Slam entre eles foi em Roland Garros/2011. Desde então, houve dois encontros em Melbourne, mas ambos nas semis.

Mais “vintage” que isso, só se o Australian Open nos brindar com uma final Williams x Williams na chave feminina. Serena enfrenta Lucic-Baroni, enquanto Venus encara Coco Vandeweghe. Não parece nada impossível, hein?

Leitura recomendada

Indicação de Fernando Nardini, que contou a história durante a transmissão nesta madrugada: em entrevista ao jornal La Nación, Juan Mónaco fala sobre sua lesão no punho, como adiou a cirurgia tomando injeções de cortisona enquanto pôde e o quanto pensa em deixar o tênis profissional. É um papo longo, com várias revelações e até alguns momentos descontraídos, como relatos de jogos de PlayStation com Rafael Nadal, Carlos Moyá e David Ferrer. Leia aqui.


AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Nadal_AO17_r3_get_blog

A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

.

As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


Quadra 18: S03E01
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


AO 2017: o guia da chave masculina
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

MCA_LukeHemerTA_blog

E lá vamos nós de novo. Mais um torneio do Grand Slam. Un evento incomum pelas posições de Roger Federer (cabeça 17) e Rafael Nadal (9) na chave, mas um torneio com todos elementos comuns de um típico Australian Open. Novak Djokovic como favorito, Andy Murray cotadíssimo, duelos fortíssimos já na primeira rodada, expectativa de calor, etc. e tal. Vocês sabem o esquema.

As chaves foram sorteadas nesta sexta-feira, o que significa que é hora de analisar não só o momento de cada tenista, mas quais desafios ele vai encontrar pela frente e se suas chances de ir longe em Melbourne aumentaram ou diminuíram depois disso. É também a hora de olhar os azarões e começar a imaginar quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que tento fazer nas linhas abaixo. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

Os favoritos

Pra começar, há dois candidatos mais claros neste torneio. Novak Djokovic e Andy Murray. Nesta ordem, que leva em consideração a final de Doha, vencida pelo sérvio em cima do britânico. Sim, foi apenas um ATP 250, mas não dá para desconsiderar o peso psicológico de um jogo daqueles, brigado e com quase 3h de duração. Por isso, Nole sai na frente, pelo menos no papel.

A chave de Djokovic não é a mais fácil, mas não me parece complicada pelo “ponto de vista Djokovic”, ou seja, pelo estilo de jogo e pelo histórico de confrontos diretos dos adversários. “Ah, mas Nole não estreia contra Verdasco, que quase venceu em Doha?”, pode imaginar alguém. Sim, mas vai ser necessário um alinhamento de 38 planetas e 17 asteroides para aquilo acontecer de novo. Desde já, esse Djokovic x Verdasco da primeira rodada é meu grande favorito a “jogo cheio de expectativa que acaba dando sono”.

Depois disso, Djokovic pega Istomin/qualifier, possivelmente Carreño Busta na terceira rodada, Dimitrov/Gasquet nas oitavas e o vencedor da seção com Thiem, Feliciano, Karlovic e Goffin nas quartas. A maior casca de banana aí parece o confronto de oitavas, mas Djokovic venceu os últimos dez jogos contra Gasquet (perdeu só um set!) e bateu Dimitrov seis vezes em sete encontros. A única vitória do búlgaro aconteceu em 2013, no saibro de Madri. Não me parece lá um retrospecto tão animador para o azarão, embora precisemos levar em conta o recente ressurgimento de Dimitrov, que atropelou e foi campeão em Brisbane, batendo Thiem, Raonic e Nishikori em sequência.

Lembremos também que Djokovic tem em sua metade da chave Milos Raonic, o que é melhor do ter Stan Wawrinka na semifinal. Além disso, Federer também ficou na outra metade da chave, o que não deixa de ser bom para para o sérvio.

O sorteio não foi tão amigável com Andy Murray, embora não tire seu status de favorito na metade de cima da chave. Vários elementos podem jogar contra o número 1 do mundo em momentos diferentes, a começar por possíveis duelos com Querrey na terceira rodada e Isner/Pouille nas oitavas. Embora Murray seja um excelente devolvedor, não é difícil imaginar esses jogos em rodadas diurnas, com sol forte e bolinhas voando mais rápidas ainda, o que não é nada bom para o #1.

Além disso, Murray provavelmente vai precisar passar por Federer, Berdych ou Nishikori nas quartas. Berdych não seria o maior dos problemas, mas o japonês costuma causar problemas para o escocês. Além disso, se o suíço chegar às quartas, terá passado por Berdych e Nishikori e estará em excelente forma. Ou seja, o cenário não é dos mais animadores para Murray.

As “lendas”

Federer estreia contra um qualifier, pega outro qualifier na segunda rodada e deve encarar Tomas Berdych já na terceira fase. Considerando que o suíço chega a Melbourne como cabeça de chave 17, está longe de ser o pior dos cenários, mesmo com um eventual confronto com Kei Nishikori nas oitavas. O japonês, lembremos, sentiu dores no quadril em Brisbane e não se sabe se estará 100% para o início do Australian Open. Acredito que a forma física de Nishikori será chave. Caso o asiático consiga alongar uma partida com Federer, suas chances aumentam. Caso contrário, o suíço pode bem se encontrar na segunda semana diante de Andy Murray nas quartas.

Nadal, cabeça 9, também não teve um sorteio dos piores, mas seu caminho tem uma pedra grande: Alexander Zverev na terceira rodada. O adolescente alemão, contudo, ainda não tem uma vitória grande num Slam. Esse jogo pode muito bem determinar um semifinalista, já que o vencedor sairá com status de favorito pelo menos até as quartas de final, quando Milos Raonic, o cabeça 3, pode aparecer.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro vão estrear contra cabeças de chave, o que nunca é bom. O paulista vai encarar Bernard Tomic, o que não é desastroso. Afinal, entre todos cabeças que Bellucci poderia enfrentar, pegará um contra quem tem retrospecto favorável (2 a 1). É bem verdade que Tomic joga em casa, onde supostamente (favor colocar negrito mental e ler beeeeem devagar a palavra su-pos-ta-men-te!) não gostaria de dar (mais um) vexame. Mas também é inegável que tudo pode acontecer quando o australiano entra em quadra. Por outro lado, é bem possível que Tomic esteja pensando o mesmo de Bellucci: “tudo pode acontecer”.

Monteiro vai encarar Jo-Wilfried Tsonga. Sim, o mesmo Tsonga que ele derrotou no Rio Open do ano passado. Desta vez, na quadra dura, sem o insuportável calor carioca (onde todos tenistas dizem que é muito mais difícil jogar do que em Melbourne) e valendo por Grand Slam. É outro nível de importância. E Tsonga, às vezes vulnerável em torneios menores, não perde uma estreia em Slam desde 2007, quando ganhou um convite para o Australian Open e pegou Andy Roddick, então número 7 do mundo, na primeira rodada.

Rogerinho teve melhor sorte. Estreia contra Jared Donaldson, #101 do mundo. O americano vem de boa campanha em Brisbane, onde furou o quali, eliminou Gilles Muller na estreia e até venceu o primeiro set contra Nishikori na segunda rodada. O japonês acabou levando a melhor. De qualquer maneira, é melhor do que estrear logo contra um cabeça de chave. Se avançar, o paulista vai enfrentar o vencedor do jogo entre Gilles Simon e Michael Mmoh.

A grande ausência

Juan Martín Del Potro afirmou que não estaria pronto fisicamente já em janeiro e decidiu abortar o primeiro Slam da temporada. Ele também não quis (como nunca quis mesmo) jogar na temporada sul-americana de saibro e vai começar 2017 jogando em quadras duras. Resumindo? O argentino curtiu bem as férias (vide tweet abaixo) e não quis forçar seu corpo.

Os melhores jogos na primeira rodada

O que não falta é jogo bom e por um monte de motivos diferentes. Comecemos pelos cabeças de chave. Stan Wawrinka x Martin Klizan é o tipo de confronto em que o suíço precisa entrar firme. Um diazinho ruim de primeira rodada pode acabar com seu torneio, já que o eslovaco tem aqueles dias de bater forte em todas as bolas e acertar tudo. Vale ficar de olho. O mesmo perigo existe para Gael Monfils, que enfrenta Jiri Vesely, e para Marin Cilic, que duela com o “perturbado” Jerzy Janowicz. Só deus sabe o que sai da raquete do polonês.

Outro jogo intrigante é Dolgopolov x Coric, cujo vencedor encara Monfils ou Vesely, o que faz dessa seção a mais imprevisível do torneio. Falando em imprevisibilidade, já mencionei acima Bellucci x Tomic, mas cito também Youzhny x Baghdatis (dois malucos gente boa). Vale prestar atenção também em Haas (sim, Tommy Haas, AQUELE, que está de volta!) x Paire e Kyrgios (lesionado) x Elias porque não dá para descartar uma zebra do português aqui.

No quesito “fim provável, meio improvável”, recomendo acompanhar Raonic x Brown porque embora o canadense seja favoritíssimo, não dá pra perder os momentos de brilho do alemão. E, por fim, o confronto mais quente, com sangue latino, entre Fognini e Feliciano López. Até porque a coisa não acabou bem quando os dois se enfrentaram em Wimbledon no ano passado (vejam o vídeo acima).

O que mais pode acontecer de legal

De modo geral, as atenções vão mesmo continuar voltadas para o desenrolar das campanhas de Federer e Nadal e como elas vão afetar o andamento das chaves, mas algumas outras formações bem interessantes podem vir na segunda rodada ou nas seguintes, como um encontro entre Dominic Thiem e João Sousa. Outro jogo esperado mais para a frente é Gasquet x Dimitrov, que pode acontecer na terceira rodada. E também, meio escondido no meio disso tudo, imagino um interessante jogo entre Raonic e Taylor Fritz na segunda rodada.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A essa altura, todo mundo já está prestando atenção em quem jogou bem nas primeiras semanas. São os casos de Zverev, que bateu Federer na Copa Hopman, e de Dimitrov, campeão em Brisbane, por exemplo. Ainda assim, alguns nomes mereciam mais atenção. Acho que João Sousa é um deles. O português, #44, segue obtendo resultados acima do que normalmente se espera. Não me parece nada impossível imaginá-lo batendo Jordan Thompson e Dominic Thiem nas duas primeiras rodadas. Resta saber, porém, em que condições físicas Sousa chegará a Melbourne, já que ainda está em Auckland, onde disputa a final.

Outro tenista que eu gosto e que cedo ou tarde vai ser uma realidade em torneios maiores é Taylor Fritz, 19 anos e #91 do mundo. Tem um saque gigante, golpes potentes de fundo e uma movimentação até boa para seu 1,93m de altura. Ano passado, já conseguiu um punhado de resultados relevantes. Falta, claro, maturidade. E sua chave em Melbourne não é das piores. Ele enfrenta Gilles Muller, outro “sacador” na estreia e, se vencer, pega Milos Raonic, alguém com um jogo muito parecido com o seu. Existe uma janelinha para ele dar esse salto já neste Australian Open.

Onde ver

A ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Nas casas de apostas

Na casa virtual bet365, a lista de mais cotados tem, nesta ordem, Djokovic, Murray, Wawrinka, Nadal, Raonic, Federer, Nishikori, Kyrgios, Dimitrov e Cilic no top 10. Vale notar a distância entre as cotações de Murray (paga US$ 2,62 para cada dólar apostado), segundo favorito, e Wawrinka (13), o terceiro.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!


Tudo que você precisa saber sobre o Rio Open
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

RioOpen_lineup_div_blog

A organização do Rio Open promoveu, nesta quarta-feira, um encontro de jornalistas com o diretor do torneio, Lui Carvalho, para um bate-papo durante um café da manhã em um hotel na zona sul da cidade. Como já aconteceu no ano passado, a conversa é bastante interessante, com o diretor dando uma espécie de tour pelos bastidores das negociações com jogadores e falando sobre o que a organização espera para o futuro do ATP 500 carioca.

Entre os destaques do dia, Lui falou: das conversas com Del Potro, Murray, Djokovic, Nadal, Wawrinka, Berdych, Dimitrov, Monfils, Dustin Brown e outros; dos planos para transformar o Rio Open em um torneio de quadra dura; do desejo de fazer o evento no Parque Olímpico; da exclusão e da falta de interesse pelo torneio feminino; das vendas de ingressos; e de uma grande expectativa em relação a Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro. A declaração sobre Bellucci, em especial, é interessantíssima!

Selecionei os trechos que achei mais importantes e listei abaixo, com comentários meus e, em itálico, frases de Lui Carvalho. A lista com os tenistas inscritos está no fim do post.

Negociações com tenistas

Juan Martín Del Potro

“Um dos atletas que a gente esteve muito perto de conseguir foi o Del Potro. Ele fez a virada da carreira dele nos Jogos Olímpicos, no Rio, e a gente tinha toda a história montada para ele. Voltando de lesão, jogando no Rio, público apoiando, o único atleta argentino que não é vaiado no Brasil e ele tem essa conexão com o Brasil, mas infelizmente o fator piso pesou. Ele não quis jogar no saibro nessa época do ano, mesmo por valor nenhum. A gente estava pensando em fazer uma proposta conjunta Buenos Aires-Rio, mas infelizmente ele optou por jogar, se não me engano, Delray Beach e Acapulco. Não foi uma questão nem de dinheiro nem de vontade. Foi uma questão de preferência de piso.”

Gael Monfils

“É um namoro antigo nosso, até pela relação que a gente tinha com a nossa última fornecedora de material esportivo [Asics]. Monfils foi o primeiro atleta com quem a gente chegou a conversar, logo depois do Rio Open 2016. Já estava rolando bastante conversa, bastante troca de email para ver se a gente conseguia chegar num acordo, mas ele optou por um calendário diferente. Não tanto pelo piso, mas mais pelo calendário de não ter que voltar da Austrália para a América do Sul e ir direto para os Estados Unidos. Ele preferiu ficar em casa e jogar, se não me engano, Roterdã e Dubai.”

Janko Tipsarevic

“A gente estava esperando fechar a lista. É um ex-top 10, a gente acha um nome muito interessante para o torneio. É um cara divertidíssimo, ele é muito doido. E é um cara inteligentíssimo. Ele realmente pediu [um wild card], e a gente vai começar a ver os wild cards agora.”

Good first week…💪😈💪 @tipsarevictennisacademy #bangkok #keepgrinding #keeppushing #keepdigging

A photo posted by Janko Tipsarevic (@tipsarevicjanko) on

Grigor Dimitrov e Tomas Berdych

“A gente ficou meio nesse jogo de xadrez entre Nishikori e Thiem e Berdych e Dimitrov. Então a gente ficou meio jogando esse joguinho. Quem desses quatro a gente consegue trazer? É um tremendo jogo de xadrez.”

A forte concorrência de Dubai, Roterdã e Acapulco

“A gente disputa os atletas com Dubai, Roterdã e Acapulco, os ATPs 500 dessa época. Se o atleta joga Dubai, ele não joga Rio. Se ele joga Acapulco, é mais possível que ele jogue Rio. A gente fica muito na região. Nós e Acapulco coordenando aqui, Dubai e Roterdã de lá. Dubai está completando 25 anos, então o sheik está vindo com um A380 de dinheiro da Emirates. Acapulco, de um ano para o outro, decidiu investir um caminhão de dinheiro. A gente não sabe da onde está vindo tanto dinheiro também. E Roterdã está tentando consertar o que aconteceu em 2016. Não teve nenhum top 10. (…) Não pegou muito bem com público, patrocinador, ficou uma situação um pouco delicada.”

Outros nomes

“A gente falou com Zverev, Coric, Wawrinka, Murray, Djokovic… A gente chegou a conversar com todos top 10.”

Mudança de piso

“O que a gente está tentando mostrar [para a ATP] é que a competição agora é desleal. Nadal, que é um jogador de saibro, escolher Roterdã e fazer um calendário Roterdã-Acapulco… Os jogadores já não têm argumento para manter o [Rio Open] no saibro porque o carro-chefe deles já está botando a bandeirinha branca e dizendo ‘quero jogar na dura’. É uma politicagem de torneios tentando entrar num acordo do que faria sentido no calendário. (…) Hoje em dia, os jogadores querem mudar pouquíssimo de piso. O que a gente gostaria é de uma oportunidade para testar o Rio Open na [quadra] dura. E é isso que a gente está pedindo para a ATP.”

Calendário pós-2018

Até 2018, a ATP é obrigada a manter a estrutura atual de torneios, com Masters 1000, ATPs 5000 e ATPs 250. Juridicamente, a entidade pode mudar tudo a partir de 2019. Embora alterações radicais não sejam prováveis, é bem possível que o calendário sofra alterações e um aumento no número de datas. A intenção da ATP é decidir tudo isso até o fim deste ano.

“Existem milhares de discussões acontecendo. Por exemplo, a ATP e os diretores de torneio fizeram um trabalho conjunto para diminuir o calendário. O que aconteceu? Entrou a IPTL. Foi inteligente da nossa parte? Não. Foi a maior burrice que a gente fez. A gente deveria ter deixado o calendário com 52 semanas, assim não entra ninguém. Os jogadores fizeram um movimento ‘não quero jogar, quero ter offseason’. A gente ‘tá bom, então vamos diminuir o calendário’. Prejudicou um monte de torneio. E o que os jogadores fazem? Começam a jogar exibição na offseason. Sacanagem, né? Quem faz os jogadores são os torneios! Só existe o Federer, o Nadal porque existe um circuito que faz eles virarem estrelas. Aí eles viram estrelas e viram as coisas pra gente e vão jogar um circuito que não tem nada a ver com a gente? Realmente, é uma discussão que a gente tem em todas as reuniões.”

Desejo de jogar no Parque Olímpico

“A gente tem o desejo de jogar no Parque Olímpico um dia, mas isso não é uma decisão nossa. Depende de uma série de fatores. Depende de quem vai administrar o local, de como vai ser essa negociação, em que condições que a gente vai pra lá… A gente quer deixar isso bem explicado. Nosso evento é no saibro. A gente não conseguiu aprovação pra mudar de piso. A gente tentou e não conseguiu. Não teria tempo hábil pra mudar de dura pra saibro. Para 2018, a gente está tentando ver como pode fazer isso ser possível.”

Interesse no torneio feminino e valores dos ingressos

Com relação a esse assunto, argumentei com Lui Carvalho que não seria justo dizer que o torneio está cobrando o mesmo pelos ingressos de segunda a quinta, já que ano passado o Rio Open tinha um torneio feminino e, logo, o dobro do número de partida. Este ano, o preço é o mesmo, mas só para jogos masculinos. Ele respondeu argumentando que o interesse era mínimo para a chave feminina.

“Você tem a metade de partidas para ver, mas a gente foca no conteúdo, né? Não vou conseguir concordar com você. Se você fizer uma enquete com as pessoas, quantas compraram pra assistir a um jogo do feminino? Quando a gente toma a decisão de tirar o feminino, foi a primeira coisa que a gente falou: ‘a gente vai perder conteúdo?’ A gente fez uma enquete com várias pessoas. O nível do evento já começa muito diferente. Vamos imaginar que fosse um WTA International que tivesse uma Radwanska de cabeça 1 – eu sei que você adora a Radwanska. O nível já começa diferente. Com a data contra Doha e Dubai, o gap ficava ainda maior. A gente teve muita sorte de as brasileiras fazerem boas campanhas nos três anos. (…) Quantas pessoas compraram ingresso para ver a Schiavone? Não sei, mas você concorda comigo que as pessoas compraram ingresso para ver o Nadal, o Tsonga, o Isner? Até acho que quando a gente anunciou a Bouchard, a Madison, não mexe no ponteiro. Não mexe mesmo.”

Venda de ingressos

Até esta quarta, o Rio Open tinha vendido cerca de 60% dos ingressos e ainda havia bilhetes para todas sessões. Segundo Lui Carvalho, a final no domingo de Carnaval não atrapalha a venda. O torneio, aliás, vende pacotes de tênis+carnaval por meio da Faberg, agência parceira. Os ingressos estão à venda aqui.

Expectativa por uma boa campanha de Bellucci e Monteiro

Aqui, é interessante lembrar que Lui Carvalho não fala só como diretor do Rio Open, mas como manager da carreira de Thomaz Bellucci. A relação deles é de longa data e vem desde quando a carreira do tenista era gerida pela Koch Tavares. Lui, então funcionário da Koch, já era o responsável por administrar tudo relacionado a Bellucci.

“Acho que está na hora de o Bellucci e o Thiago fazerem alguma coisa especial no Rio Open. Tá na hora! Eles precisam, sabe? Bellucci precisa meter uma semi num ATP 500 no Brasil. Eles precisam disso. Isso vai ajudar o nosso esporte. Esses caras precisam botar o coração na quadra e dizer ‘eu vou fazer o que o Guga fez’. O Guga levou o tênis nas costas durante seis, sete, oito anos. Eles precisam fazer isso. A gente precisa disso. Estou apostando nisso.”

“Minha conversa com o Thomaz no fim de 2016 foi essa. ‘Você tem 30 anos de idade, entendeu? Ou você vai ou você vai. Não quero que você chegue no final da carreira Rubinho Barrichello. É a única coisa que não quero. Quero que você chegue Felipe Massa. Comoveu a galera. O Thomaz está numa fase que casou, está mais responsável, está numa fase boa pessoal. Ele precisa botar isso dentro de quadra.”

“Acho que os jogadores não entendem a responsabilidade deles dentro do esporte. Acho que eles olham muito a conta bancária deles e ‘ah, tá pingando’ e não entendem que o que eles fazem dentro de quadra move milhões de pessoas. Eles precisam ter mais essa consciência. É muito mais do que a vida deles, do que o patch da manga.”

Lista de participantes


Primeiras impressões de 2017
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Djokovic_Doha17_get_blog

Uma semana de jogos. É só isso que o mundo tem para analisar até agora e imaginar o que pode acontecer no Australian Open. É uma amostra pequena, é bem verdade, e muita gente se preocupa mais em calibrar os golpes do que no resultado imediato. Por isso, nem sempre é fácil “ler” o que aconteceu nestes primeiros torneios de 2017. Mesmo assim, já dá para começar a notar algumas tendências. Se elas vão ou não se confirmar em Melbourne e no resto do ano, é impossível saber. Mas elas estão aí, e este post é justamente sobre essas primeiras impressões da nova temporada. Comecemos pelo topo do circuito masculino, onde há dois favoritos óbvios e um interessante equilíbrio abaixo.

Andy Murray e Novak Djokovic

Britânico e sérvio, números 1 e 2 do mundo, respectivamente, são indiscutíveis como favoritos ao título do Australian Open. Ambos jogaram para o gasto em Doha e chegaram na final. E que final! Um jogo surpreendentemente bom para um primeira semana de temporada e que valia só 100 pontos (ou 200, se você é adepto da expressão futebolística “jogo de seis pontos”).

O que estava mesmo em jogo na final de Doha era moral, por isso Djokovic sai na frente. Para ele, o triunfo era mais importante. Murray já vinha de vitória sobre o sérvio no ATP Finals. Um resultado igual em Doha poderia mexer com o equilíbrio desse matchup. Com o título nas mãos de Djokovic, o cenário parece voltar a ser o mesmo de quase sempre: o sérvio será favorito caso os dois se encontrem na final em Melbourne.

O segundo pelotão

Kei Nishikori, finalista em Brisbane, talvez tenha mostrado o tênis mais sólido do começo ao fim da semana. Não deixa de ser um ótimo sinal para o japonês, mas vale ligar o alerta para a questão física. O tênis de Nishikori costuma cobrar contas altas, e a primeira de 2017 já apareceu. O japonês saiu da final de Brisbane se queixando de dores no quadril e dizendo que “vou tentar ficar saudável na próxima semana e espero estar pronto para o Australian Open.”

Stan Wawrinka fica um pouquinho atrás, mas só um pouquinho mesmo. Afinal, foi superado por Nishikori na semi em Brisbane, mas mostrou um tênis interessante o suficiente para início de temporada. É importante notar também que Stan se mostrou pouco incomodado com a eliminação e um tanto satisfeito com o nível de tênis que apresentou. Afinal, nestas primeiras duas semanas, o resultado final nem sempre é o mais importante. Assim, com o devido tempo antes do Australian Open para fazer a sintonia fina e os últimos ajustes, é justo dizer que o #1 da Suíça pode chegar forte mais uma vez a Melbourne.

Milos Raonic já tem na temporada uma respeitável vitória sobre Rafael Nadal, o que não é pouco – embora o revés diante de Grigor Dimitrov um dia depois tenha “esfriado” o canadense. Ainda assim, Raonic, assim como Nishikori e Wawrinka, pode “esquentar” e sair atropelando em Melbourne. Vale, porém, considerar sua fragilidade física, o que pode se acentuar no verão australiano, especialmente se for necessário disputar partidas longas.

E as lendas, onde ficam?

Aqui reside o maior ponto de interrogação do Australian Open. Nem tanto pelos momentos de Roger Federer e Rafael Nadal, mas por seus rankings. Nenhum dos dois estará entre os oito principais cabeças de chave em Melbourne, e isso certamente vai bagunçar as expectativas e as cotações das casas de apostas.

Tudo aponta para que Federer seja o cabeça 17 na Austrália, o que significa a possibilidade de um confronto de terceira rodada já contra um cabeça de chave 9 a 12. E como Nadal deve ser o cabeça 9, isso significa que, sim, é possível um “Fedal” já na terceira rodada. Mas o suíço também pode encarar Berdych, Goffin ou Tsonga nessa fase. Resumindo: as consequências serão grandes.

E isso, claro, se ninguém desistir até o início do torneio. Porque se isso acontecer, Nadal sobre para cabeça 8, e Federer, para 16. Nesse caso, aumentam muito as chances de o suíço encarar Murray ou Djokovic nas oitavas. Já pensaram?

Quanto à forma tenística, Federer fez um belo retorno. Jogou a Copa Hopman, se movimentou bem e conseguiu duas vitórias esperadas (Daniel Evans e Richard Gasquet). Mostrou um tênis que deve lhe render vitórias tranquilas nos primeiros jogos em Melbourne. É bem verdade que o suíço foi superado em três tie-breaks por Alexander Zverev e que foi o alemão que venceu a maioria dos ralis. Cabe, no entanto, a velha ressalva de pré-temporada.

Fosse um torneio oficial, Federer teria somado tantos erros não forçados (e foram muitos mesmo!) ou teria arriscado menos? O que ele queria mais: vencer aquela partida ou calibrar seu tênis? Fico com a segunda hipótese, pelo menos por enquanto. Não vejo motivo para desespero. Ainda assim, pairam as mesmas perguntas que todos faziam em 2014 e 2015. O Federer de hoje, com 35 anos, consegue passar por Murray e/ou Djokovic em cinco sets?

No que diz respeito a Nadal, o espanhol vem jogando o tênis agressivo que acredita precisar jogar. Quando dá certo, o ex-número 1 tem grandes atuações. Quando não, perde jogos que não deixaria escapar em outros tempos. Jogando desse jeito, a margem para dias ruins diminui. Não consigo ver o Nadal de hoje ganhando tantos jogos sem jogar seu melhor, como fez por tanto tempo. E lembremos: jogando assim, Nadal não encaixa duas semanas inteiras de ótimo tênis desde o US Open de 2013. A cada dia que passa, fica mais difícil (mas não impossível) imaginar que isso vá se repetir.

Quem corre por fora?

Por enquanto, é difícil dizer o que esperar de Dominic Thiem. No início da semana, o revés diante de Dimitrov parecia decepcionante, um começo de ano abaixo da expectativa. Agora, depois de ver o búlgaro com o título, nem tanto.

Alexander Zverev também chega cheio de moral após a Hopman – especialmente com a vitória sobre Federer. No entanto, o adolescente que muitos acreditam estar no rumo para ser número 1 do mundo ainda precisa de uma grande campanha em um Slam. Talvez de uma grande vitória (em um torneio oficial) para servir de trampolim para voos mais altos. Até que isso aconteça, Sasha entra em qualquer torneio brigando pelo posto de “meu azarão favorito”.

O que dizer de Nick Kyrgios, que chegou à Copa Hopman com uma lesão sofrida numa pelada de basquete? A falta de compromisso do garotão não chega a ser uma surpresa (ele vive dizendo que não gosta de tênis), mas me parece um abuso para quem andou falando que poderia conquistar o Australian Open já este ano. Jogo para isso ele, de fato, tem. Ainda precisa mostrar que tem cabeça, foco e todos aqueles atributos que são mais do que bater bem na bolinha.

Quem surpreendeu?

O grande nome da primeira semana na ATP é, inquestionavelmente, Grigor Dimitroc. O búlgaro começou 2017 com três vitórias sobre top 10: Thiem, Raonic e Nishikori. Foi quem mais impressionou – pelo menos em termos de resultados – até agora, e o título de Brisbane lhe dá a confiança necessária para chegar a Melbourne realmente acreditando na possibilidade de uma grande campanha.

As grandes questões para Dimitrov, agora, são: ele teria feito o mesmo em um torneio mais importante, onde o resultado imediato fosse prioridade para todos tenistas?; e ele conseguirá repetir esses resultados em jogos de cinco sets, lembrando que ele não alcança as quartas de um Slam desde 2014? Talvez seja injusto levantar tais questões na primeira semana do ano, mas é nisso que a gente vai prestar atenção em Melbourne, não é verdade?

Nas casas de apostas

Fiquem de olho nas cotações pós Hopman/Doha/Sydney. Vai ser interessante ver o quanto elas vão mudar após o sorteio da chave em Melbourne.

Os brasileiros

Para o Brasil, até que os primeiros torneios do ano renderam resultados animadores. Thiago Monteiro perdeu na primeira rodada em Chennai, mas venceu dois jogos (Fabbiano e Giraldo) e entrou na chave principal em Sydney. O cearense também anunciou seu novo fornecedor de material esportivo: a espanhola Joma, que entra no lugar da Lacoste. Monteiro, lembremos, deixou de ser agenciado por Gustavo Kuerten (garoto-propaganda da Lacoste) para ser atleta da LinkinFirm, de Márcio Torres, que também agencia Bruno Soares, André Sá e Teliana Pereira.

Rogerinho, por sua vez, venceu uma partida (Lajovic) em Chennai, mas caiu nas oitavas de final, superado por Roberto Bautista Agut, que acabou como campeão do torneio. Em Sydney, porém, o paulista foi eliminado na primeira rodada do qualifying por Nikoloz Basilashvili.

Thomaz Bellucci, o #1 do Brasil, entrou na última hora na chave em Sydney, mas não passou da estreia. Diante de Nicolas Mahut, fez um primeiro set nada animador e só esboçou uma reação no finzinho do segundo set. Até teve chances de estender a partida, mas terminou derrotado por 6/2 e 7/6(2).

Bellucci_Sydney17_get_blog

Vale notar também que Bellucci não é mais atleta da adidas. O paulista jogou em Sydney vestindo Wilson, marca que já era sua fornecedora de raquetes. O texto de sua assessoria de imprensa cita como marcas parceiras de Bellucci a Claro, a Embratel (que são a mesma empresa) e a Wilson.


Semana 17: um argentino exemplar e um búlgaro pateta (e Almagro voltou!)
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Semana17_col_blog

Cinco torneios pequenos e, mesmo sem os maiores nomes do tênis presentes, muito assunto. Desde o ridículo “abandono” de Grigor Dimitrov em Istambul até o “retorno” de Nicolás Almagro em Estoril, passando por um raro gesto de esportividade protagonizado por Rogerinho. Houve também um forehand voador de Nick Kyrgios, uma bolada de Federico Delbonis em um gato e um processo por injúria. É hora do resumaço da semana, então role a página e fique por dentro.

Os campeões e o idiota

Não dá para ressaltar a conquista de Diego Schwartzman no ATP 250 de Istambul sem, antes, comentar o gesto desprezível de Grigor Dimitrov. O búlgaro, #29, veceu o primeiro set e teve 5/2 no segundo. Sacou para o título no nono game, mas foi quebrado e perdeu a parcial. O argentino, buscando o primeiro título da carreira, disparou no placar. Abriu 5/0 no terceiro set e… Dimitrov enlouqueceu.

Depois de sacar em 40/15 e perder dois game points, o búlgaro, que já tinha sido advertido com um point penalty, foi até o árbitro de cadeira, indicou o que faria e destruiu a raquete. Depois, logo cumprimento o juizão, sabendo que levaria um game penalty e perderia o jogo. Um gesto de frustração, sim, mas de uma deselegância gigante, impedindo que o adversário tivesse o gosto de festejar o match point em seu primeiro título. O vídeo abaixo mostra:

Schwartzman, 23 anos e #87, acabou com o título por 6/7(5), 7/6(4) e 6/0. Seu primeiro troféu em nível ATP o lançou para o 62º posto no ranking mundial e, mais do que isso, deu um recado ao resto do circuito. Se o diminuto argentino, com cerca de 1,60m de altura (a ATP diz 1,70m, mas quem já esteve ao lado do argentino sabe que ele mede bem menos) e nenhum golpe espetacular consegue um título de ATP, muita gente também poderia conseguir.

Era um torneio, digamos, acessível, e Schwartzman aproveitou as chances que o destino lhe jogou. Em vez de reclamar de azar por enfrentar o principal pré-classificado na segunda rodada, colocou na cabeça que Tomic era vulnerável no saibro e entrou em quadra disposto a vencer. Depois disso, bateu Dzumhur, Delbonis e Dimitrov. E tem todos os méritos de qualquer outro campeão.

O ATP 250 de Munique começou com neve (em abril!) e terminou com um campeão caseiro. Philipp Kohlschreiber levantou o troféu depois de superar o austríaco Dominic Thiem (22 anos, #15) por 7/6(7), 4/6 e 7/6(4). Um placar quase redentor para o alemão, que perdeu a decisão do ano passado também em um tie-break de terceiro set – Andy Murray venceu aquele jogo.

Kohlschreiber agora tem sete títulos na carreira. Cinco deles vieram no saibro, e três foram em Munique. Foi lá, aliás, que o alemão – hoje com 32 anos e #25 do mundo após a vitória deste domingo – venceu um torneio pela primeira vez. Foi em 2007, com vitória de virada sobre Mikhail Youzhny na decisão.

Por fim, no ATP 250 de Estoril, Nicolás Almagro “voltou”. O espanhol, hoje com 30 anos, está recuperado de uma cirurgia no pé esquerdo que lhe afundou no ranking em 2014 e lhe fez jogar qualifyings de ATPs e até alguns Challengers. Ao aplicar 6/7(6), 7/6(5) e 6/3 no compatriota Pablo Carreño Busta, Almagro levantou seu primeiro troféu desde 2012.

A conquista não veio sem drama. Almagro sacou duas vezes para o primeiro set e não fechou. Depois, abriu 6/2 no tie-break e perdeu oito pontos consecutivos. Na segunda parcial, sacou em 5/3 e foi quebrado. Mesmo assim, venceu o tie-break, forçou a parcial decisiva e finalmente triunfou. Com os 250 pontos, Almagro ganhou 23 posições no ranking e voltou ao top 50 (é o #48).

As campeãs

No WTA International de Praga, Lucie Safarova encerrou um jejum em grande estilo. Depois de perder na estreia em todos cinco torneios que disputou em 2016, a tcheca se encontrou jogando em casa e levantou o título ao derrotar Sam Stosur por 3/6, 6/1 e 6/4 na final.

Atual vice-campeã de Roland Garros, Safarova (#16) bateu Duque-Mariño, Hradeck, Hsieh e Karolina Pliskova antes da final. E, logo depois, correu para o aeroporto rumo a Madri. O torneio espanhol começou no sábado, e tanto Safarova quanto Stosur tinham a estreia marcada para este domingo.

No WTA International de Rabat, no Marrocos, a suíça Timea Bacsinszky (#15) era a cabeça de chave número 1 e confirmou o favoritismo. Perdeu apenas um set durante toda a semana e levantou o troféu após derrotar a qualifier neozelandesa Marina Erakovic (#186) por 6/2 e 6/1 na final.

Semifinalista de Roland Garros no ano passado, Bacsinszky ainda não tinha um título no saibro na carreira. A conquista em Rabat foi sua quarta em um torneio deste nível.

Os brasileiros

Em Rabat, Teliana Pereira voltou a vencer e bateu a alemã Annika Beck (#41), cabeça de chave 6, na primeira rodada: 6/3 e 6/1. Foi apenas a segunda vitória da pernambucana em 2016 e a primeira contra uma não-brasileira. Nas oitavas, Teliana (#84), caiu diante de Johanna Larsson (#64): 6/4 e 6/4. Como tinha 48 pontos a defender na semana e somou apenas 30, a número 1 do Brasil cai um pouco mais no ranking, indo parar no 89º lugar.

Teliana, aliás, também já foi eliminada do WTA de Madri, que começou no último sábado. Sua algoz foi a americana Sloane Stephens, que fez 3/6, 6/3 e 6/2. A pernambucana agora acumula duas vitórias e 11 derrotas em 2016. No ranking da temporada, ela ocupa apenas o 196º lugar.

Em Munique, Thomaz Bellucci deu sorte na estreia e contou com o abandono de Mikhail Youzhny (#76), que perdia por 6/3 e 1/0 quando deixou a quadra. Nas oitavas, porém, o paulista fez uma partida ruim e perdeu para Ivan Dodig (#75) por 7/6(5) e 6/3. Foi a primeira vez desde abril de 2015 que o croata venceu dos jogos seguidos em uma chave principal de ATP.

Em Estoril, Rogerinho estreou com vitória sobre Benjamin Becker (#92, 6/4 e 6/1) e fez uma boa apresentação nas oitavas, diante de Borna Coric (#40), mas foi eliminado em três sets: 6/3, 4/6 e 6/1. O paulista, que começou a semana como #101 do mundo, ganhou cinco posições e foi parar em 96º.

Na chave de duplas de Munique, Marcelo Melo jogou ao lado do ex-antilhano-agora-holandês Jean-Julien Rojer, apesar de Ivan Dodig, seu parceiro habitual estar nas simples do evento. Fazia frio na estreia, e o mineiro jogou com um coletinho preto de gosto questionável (combinando com short e tênis). Teve até ponto disputado sob neve.

No fim, Melo e Rojer, cabeças de chave 1, foram superados por Oliver Marach e Fabrice Martin: 6/4 e 6/4.

Promessa cumprida

Rafael Nadal prometeu e cumpriu. Na última segunda-feira, entrou na Justiça francesa com um processo contra a ex-ministra do Esporte do país Roselyne Bachelot. No tuíte abaixo, a íntegra do comunicado distribuído a imprensa, que foi amplamente reproduzido no Twitter na segunda-feira. Atenção: está lá o telefone do chefe de imprensa de Rafael Nadal, Benito Pérez-Barbadillo. Quem quiser anotar e bater um papo sobre tênis…

O espanhol também enviou uma carta à ITF, pedindo que a entidade publicasse o resultado de todos testes antidoping a que foi submetido na carreira e toda informação existente em seu passaporte biológico. A entidade, que só divulga os testes em que alguém foi flagrado, resumiu-se a responder à agência Associated Press dizendo que recebeu a carta e que Nadal nunca testou positivo.

Lances bacanas

Em Estoril, Nick Kyrgios conseguiu executar um winner contra Borna Coric com este forehand voador:

Kyrgios venceu a partida por duplo 6/4, mas parou na fase seguinte – a semifinal – diante de Nicolás Almagro, que aplicou 6/3 e 7/5.

A Aliny Calejon, dona do site Match Tie-break, registrou um dos pontos disputados enquanto caía neve na partida de Marcelo Melo em Munique. Olha aí!

Lances não tão bacanas

Em Istambul, um gato invadiu a quadra durante o jogo entre Federico Delbonis e Diego Schwartzman. A solução encontrada por Delbonis foi dar uma bolada no gatinho. Sei não, viu? Não pegou lá muito bem. Tanto que o árbitro de cadeira aplicou uma advertência por conduta antiesportiva.

Nomes na ponta da língua

A WTA resolveu perguntar a suas tenistas como pronunciar os nomes de algumas de suas rivais. O resultado foi esse divertido vídeo abaixo:

A ideia deve ter partido de alguma jornalista querendo vingança, não?

O porta-bandeira

Já era esperado, mas Rafael Nadal foi enfim oficializado como porta-bandeira da Espanha no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Nadal também foi escolhido para carregar as cores do país em Londres 2012, mas não foi aos jogos por causa de uma lesão no joelho. O jogador de basquete Pau Gasol, amigo de Nadal, foi quem substituiu o tenista na cerimônia.

A reforma

Na última terça-feira, Wimbledon divulgou um vídeo mostrando como ficará a Quadra 1 depois de uma grande reforma. A arena terá 900 assentos a mais, além de teto retrátil e iluminação. A obra começará em julho de 2016 e está prevista para terminar antes do torneio de 2019. Veja no vídeo abaixo.

O Slam britânico também anunciou a premiação em dinheiro. Ao todo, serão distribuídos 28,1 milhões de libras, o equivalente a US$ 40 milhões. Os campeões de simples embolsarão US$ 2,9 milhões cada. Nas duplas, o prêmio para quem conquistar os títulos será de US$ 507 mil por time. A lista completa está aqui.

Sob suspeita

Unidade de Integridade do Tênis publicou seu primeiro relatório quadrimestral, e o resultado assusta: o número de alertas em partidas suspeitas de manipulação aumento mais de 50% em relação ao mesmo período em 2015. Listei números e dados neste post publicado na terça-feira.

Acima de qualquer suspeita

Rogerinho sacava em 3/5, 15/30 contra Borna Coric nas oitavas de final de Estoril quando, no meio do ponto, o árbitro chamou “let”. O problema é que a chamada do árbitro ocorreu após o brasileiro bater na bola, que parou na rede. A sequência deixou Coric furioso, esbravejando contra o árbitro. Rogerinho, então, deu o ponto ao adversário, inclusive cedendo um set point. O croata agradeceu. Assistam!

Fica aqui ao agradecimento ao Gaspar Ribeiro Lança, do site Ténis Portugal, que acompanhou a partida e relatou o lance no Twitter.

Tênis por WhatsApp

O UOL agora envia notícias de tênis por WhatsApp. Para se cadastrar, adicione à agenda de seu celular o número +55 11 99007-1706 e envie para esse número uma mensagem contendo o texto guga97. Você vai passar a receber, de graça, as notícias. Saiba mais aqui.


AO, dia 1: Serena mostra força, Wozniacki cai e uma velha polêmica ressurge
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Os assuntos do primeiro dia deste Australian Open não foram muitos, mas tiveram a intensidade proporcional a um torneio do Grand Slam. Antes de o dia começar, o assunto foi um par de reportagens que prometiam revelações sobre manipulações de resultados no tênis. Já com a bola em jogo, Serena Williams mostrou força (e um joelho aparentemente recuperado), assim como Novak Djokovic e os demais sérios candidatos ao título em Melbourne.

Houve, porém, um número considerável de zebras, embora a maioria das cabeças de chave eliminadas nesta segunda-feira não fossem consideradas favoritas a ir tão longe nas chaves. O nome de maior peso foi o da dinamarquesa Caroline Wozniacki, que levou uma inesperada virada.

Este resumaço do primeiro dia do Australian Open também traz um lance espetacular do francês Benoit Paire em um momento delicado, imagens dos modelitos mais comentados, vídeos de croatas descontando a raiva na raquete (gracias, Aliny) e o que há de mais interessante na programação de terça-feira. Role a página e fique por dentro.

Os favoritos

Serena Williams tranquilizou seus fãs com uma vitória em um jogo nada simples. Camila Giorgi, #36, entrou na Rod Laver Arena soltando o braço e disposta a trocar pancadas contra a número 1. Não deu muito certo no set inicial, mas foi o bastante para emparelhar a segunda parcial. Serena, contudo, segurou bem a onde com seu saque, sem ceder break points, e aproveitou uma chance de quebra no 11º game para fechar em 6/4 e 7/5.

Se não entrou em longas trocas de bola, a americana mostrou bom deslocamento lateral um movimento de saque aparentemente normal (leia-se: sem sinais das dores no joelho que incomodaram na Copa Hopman). Logo, Serena mantém-se como favorita absoluta ao título, como em qualquer outro Slam. Desta vez, com a vantagem de não precisar enfrentar uma cabeça de chave antes das quartas (entenda abaixo, na seção “cabeças que rolaram”).

O principal favorito entre os homens não decepcionou. Novak Djokovic controlou as ações e teve resposta para tudo que o talentoso-porém-inexperiente sul-coreano Hyeon Chung, 19 anos e #52. Sempre mais consistente e com uma arma a mais do que o adversário, Nole fez 6/3, 6/2 e 6/4, perdendo o saque apenas uma vez – no set inicial, quando vencia por uma quebra de vantagem.

A lista de candidatos ao título que venceram sem drama ainda inclui Kei Nishikori, Tomas Berdych e Roger Federer na chave masculina, e Petra Kvitova, Agnieszka Radwanska, Belinda Bencic e Maria Sharapova entre as mulheres.

Cabeças que rolaram

Não é novidade nenhuma que as quadras duras não são o forte de Sara Errani, mas a eliminação da italiana parecia improvável quando a cabeça 17 fez 6/1 no primeiro set contra a russa Margarita Gasparyan. Só que Errani, primeira mulher a ganhar um set neste Australian Open, acabou se tornando a primeira seed a dar adeus. Gasparyan, #58, acabou vencendo por 1/6, 7/5 e 6/1.

Cabeça 24, Sloane Stephens também parecia barbada contra a qualifier chinesa Qiang Wang, #102, mas deu adeus em pouco mais de 1h20min de partida. Em uma ótima atuação, Wiang fez 6/3 e 6/3 e saltou para a segunda rodada. O resultado deixa a seção um tanto imprevisível, já que Stephens seré considerada favorita em um grupo encabeçado por Roberta Vinci. E se é difícil prever quem chegará às oitavas, é fácil concluir que o caminha fica um pouco melhor para quem avançar de um grupo fortíssimo que tem Aga Radwanska, McHale, Bouchard, Puig e Stosur.

A maior surpresa do dia na chave feminina, contudo, foi a queda de Caroline Wozniacki, ex-número 1 do mundo e atual #18, diante da cazaque Yulia Putintseva, #76. A dinamarquesa saiu na frente, vencendo a primeira parcial com folga, abriu o segundo set com uma quebra e chegou a sacar em 6/1 e 4/2, mas viu a partida mudar rapidamente. Putintseva venceu o segundo set no tie-break e levou amelhor no terceiro: 1/6, 7/6(3) e 6/4.

Wozniacki não está nada feliz (vide tuíte acima) com seu começo de temporada, que também inclui uma derrota para Sloane Stephens na semifinal em Auckland. O mais curioso, no entanto, é que a dinamarquesa sabia de uma “tendência” negativa quando entrou em quadra. Desde 2011, vem sendo mais eliminada mais cedo em Melbourne. Pois não conseguiu mudar a maré nesta segunda-feira.

Não que fosse necessário, mas a maior beneficiada com as “cabeças que rolaram” logo neste primeiro dia de Australian Open foi Serena Williams. Com a eliminação de Wozniacki e as derrotas de Anna Schmiedlova (cabeça 27) e Sara Errani (cabeça 17), a número 1 pode alcançar as oitavas de final sem enfrentar uma cabeça de chave. Para chegar à semi, Serena só enfrentará uma seed, que sairá da seção que tem Sharapova, Bencic e Kuznetsova.

Aliás, Anastasia Pavlyuchenkova (cabeça 26) estava neste grupo também e já se despediu. O mesmo vale para a alemã Andrea Petkovic (cabeça 22), que foi derrotada em dois sets pela russa Elizaveta Kulichkova (7/5 e 6/4), e a australiana Sam Stosur, que continua sem conseguir uma campanha expressiva “em casa”. Nesta segunda, ela foi eliminada pela qualifier Krystina Pliskova, #114 (irmã de Karolina, #12 do mundo), que fez 6/4 e 7/6(6). Stosur, ex-top 5 e campeã do US Open de 2011, segue sem conseguir alcançar as oitavas de final em Melbourne desde 2010.

Na chave masculina, o resultado mais significativo foi a queda do francês Benoit Paire, #18, diante do jovem americano Noah Rubin, de 19 anos e #328. O adolescente, que joga o torneio australiano com um wild card, levou a melhor em três tie-breaks: 7/6(4), 7/6(6) e 7/6(5).

O francês, que teve dois set points no segundo set e sacou para fechar o terceiro, saiu da quadra direto para a sala de coletivas, onde mostrou toda sua insatisfação, dizendo que “ele (Rubin) não é um bom jogador, mas eu fui muito mal hoje. Sim, ele não é um jogador muito bom. Eu fui pior que ele hoje.”

Crises de raiva croatas

Quem também se complicou foi o campeão do US Open de 2014, Marin Cilic. O croata, no entanto, saiu de um buraco no segundo set, depois de holandês Thiemo de Bakker, #98, vencer o primeiro set e ter dois set points na segunda parcial. Cilic escapou dos set points com duas direitas vencedoras, venceu a parcial quebrando o holandês e, aí sim, tomou o controle do jogo: 6/7(4), 7/5, 6/2 e 6/4.

Cilic nem foi o único croata a descontar sua raiva na raquete neste dia inicial de torneio. Ivan Dodig, que acabou eliminado pelo wild card francês Quentin Halys, também experimentou a terapia mais comum entre tenistas.

E embora eu não tenha encontrado um vídeo do momento, vale registrar que Borna Coric foi outro croata a destruir uma raquete. O garotão, que nunca venceu na chave principal do Australian Open, sofreu uma derrota dura nesta segunda. Acabou eliminado pelo espanhol Albert Ramos Viñolas por 6/2, 6/2 e 6/3.

A brasileira

A participação de Teliana Pereira no Australian Open não foi não diferente assim de suas aparições em Brisbane e Hobart. Aliás, numericamente, foi até bastante parecida, já que a brasileira venceu apenas três games e foi eliminada na estreia pela romena Monica Niculescu (6/2 e 6/1).

O número foi o mesmo dos outros dois torneios anteriores. Em Brisbane, Teliana foi eliminada por Andrea Petkovic por 6/1 e 6/2. Em Hobart, Heather Watson foi a algoz da pernambucana, fazendo 6/3 e 6/0. Definitivamente, o começo de ano nas quadras duras vem sendo complicado para a número 1 do Brasil.

Os melhores lances

Benoit Paire deu adeus ao torneio, mas deixou este lance de lembrança:

E que tal esse backhand de Roger Federer?

No mundo fashion (ou nem tanto)

Não tenho uma opinião formada sobre o modelito de Serena Williams para este Australian Open, mas a Aliny fez uma comparação pertinente.

O visual sem mangas de Grigor Dimitrov não foi tão elogiado…

Pelo menos Maria Sharapova parece ter agradado à maioria:

A desistência

Ivo Karlovic entrou em quadra sentindo dores no joelho e lutou por dois sets contra Federico Delbonis. No entanto, quando o argentino abriu 2 sets a 0, o croata viu que não adiantaria mais. Com o placar mostrando 7/6(4), 6/4 e 2/1, Karlovic abandonou. Pouco depois, pediu desculpas via Twitter.

Extraquadra

Antes que o torneio começasse, a BBC e o BuzzFeed (combinação interessante, não?) publicaram reportagens sobre a manipulação de resultados no tênis. Fiz um post só sobre o assunto. Leiam aqui.

O melhor de terça-feira

O grande destaque da programação de terça-feira em Melbourne é a partida entre Lleyton Hewitt e o compatriota Kevin Duckworth, que pode significar a despedida de Rusty – este Australian Open será seu último torneio no circuito. Por isso, o duelo foi marcado para abrir a sessão noturna da Rod Laver Arena. Antes, também na principal quadra do complexo, Rafael Nadal e Fernando Verdasco fecham a sessão diurna. Pode ser uma partida um tanto interessante se Verdasco ajudar.

Também na sessão diurna, Andy Murray faz o segundo jogo da Margaret Court Arena (MCA) contra Alexander Zverev. Entre os brasileiros, Thomaz Bellucci faz sua estreia na Quadra 7, no terceiro horário (por volta das 2h30min de Brasília, eu chutaria). Ele é favoritíssimo contra o convidado da casa, Jordan Thompson.


Quadra 18: Especial pré-US Open
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Serena Williams a sete jogos de um dos maiores feitos da história do tênis; Novak Djokovic, Roger Federer e Andy Murray chegando a Nova York após um pré-US Open equilibrado; e Thomaz Bellucci em ótimo momento, com sorte na chave e uma chance real de alcançar a terceira rodada pela primeira vez. O podcast Quadra 18 fala sobre isso e muito mais, analisando de forma completa as chaves do último Grand Slam de 2015.

Sheila Vieira e Aliny Calejon e eu falamos também sobre o momento de Rafael Nadal, quem pode ser a maior ameaça a Serena e das duplas que chegam fortes ao US Open. Ah, sim: damos nossos palpites das semifinais em diante. Clique abaixo para ouvir!

Se preferir, cique aqui para fazr o download. Para isso, basta clicar com o botão direito do mouse e, em seguida, em “gravar como”. E divirta-se com o programa!

Os temas

Como de costume, segue abaixo a lista de assuntos abordados no programa, com o momento em que falamos sobre cada um dos temas. Quem preferir, pode avançar direto até o trecho que quiser ouvir primeiro.

1’15” – Trio fala de suas expectativas gerais para o US Open
1’30” – Sheila fala sobre o Big Three e a expectativa pelo Grand Slam da Serena
3’15” – Federer: as finais que escaparam e a chance de título em 2015
8’40” – A nova devolução de Federer: quando e como ele vai usá-la em NY?
11’30” – “Ele é um cabeçudo convertido. Um cabeçudo que encontrou Jesus”
11’45” – Chave e chances de Andy Murray
13’05” – “Não tem de quem o Wawrinka perder antes das quartas”
13’35” – “E o Berdych este ano…”
15’50” – As chances de Murray contra Federer em uma eventual semifinal
17’15” – A despedida de Lleyton Hewitt do US Open
17’50” – A sorte de Thomaz Bellucci na chave
18’20” – A vitória de Guilherme Clezar sobre Nicolás Almagro
20’45” – Preocupação com as dores sentidas por Bellucci em Winston-Salem
22’05” – As chances aproveitadas por Bellucci
23’40” – Djokovic: os títulos que não vieram em Nova York
24’55” – Djokovic x Feijão: “a Lei de Murphy realmente existe”
26’20” – Feijão e o Challenger de Barranquilla depois do US Open
27’15” – Nadal: as chances de uma derrota antes de enfrentar Djokovic
30’00” – “Nadal perde fácil para Djokovic?”
30’30” – “Esse jogo agressivo não funciona para Nadal”
33’00” – O “quadrante carisma” com Ferrer e Nishikori
33’20” – A chave fácil, mas traiçoeira de Nishikori
35’25” – Chardy pode surpreender nessa seção da chave
36’10” – O convite do US Open para Ryan Shane
36’55” – Sheila, Aliny e Cossenza dão seus palpites
40’35” – Serena Williams e o Grand Slam de fato no horizonte
41’20” – “É expectativa demais até para Serena Williams?”
43’35” – “O papel da Serena no esporte está sendo mais reconhecido”
44’20” – “O domínio de Serena é muito maior do que o de Federer lá atrás”
45’30” – A chave nada fácil de Serena com Stephens, Keys, e Bencic
46’17” – “Ela não tem a fibra para fechar um jogo com a Serena nessa situação”
47’50” – Sharapova decidiu jogar
49’10” – Teliana e a estreia contra Ekaterina Makarova
50’30” – Suárez Navarro, Bouchard e Ivanovic x Cibulkova
52’00” – “Qual é o duelo de musos na chave masculina?”
52’50” – “Nadal abalou estruturas” (a campanha da Tommy)
54’50” – A chave de baixo, com Halep e Wozniacki
56’00” – A seção com Kvitova, Petkovic, Muguruza, Laura Robson e Errani
59’00” – Victoria Azarenka como cabeça de chave
60’00” – Sheila, Aliny e Cossenza dão seus palpites
63’30” – Aliny analisa o momento das melhores duplas do circuito
69’40” – Duplas de graça no US Open
72’00” – Cossenza conta como é cobrir o US Open como jornalista

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “Hang For Days” e “Game Set Match”. As duas últimas fazem parte da audio library do YouTube.


Sobre Murray e o mais intrigante dos cenários no saibro
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Murray_Madri_F_afp_blog

Após quatro semanas de torneios na Europa, todo mundo já sujou as meias e deu aquelas raquetadas no tênis para tirar o saibro da sola. Logo, o circuito já passou por um CTRL+Z no blur e começa a ficar claro quem é quem no período que antecede o Grand Slam da terra batida. É o momento, então, de avaliar em que pé estão os principais candidatos ao título de Roland Garros.

O nome do momento, claro, é Andy Murray. O britânico, que nunca venceu um torneio de ATP no saibro como solteiro, casou-se na semana de Monte Carlo e não perde desde então. Faturou Munique, um torneio tumultuado pela chuva e que só terminou na segunda-feira, e deu sequência com uma semana fantástica em Madri. Nas semifinais, derrubou Kei Nishikori – campeão em Barcelona – e, na decisão, superou Rafael Nadal em menos de 1h30min, num 6/3 e 6/2 surpreendentemente sem drama. Um resultado que o coloca instantaneamente como forte candidato ao título em Paris – não confundir “forte candidato” com “favorito”, por favor.

Sobre as campanhas do escocês, que soma nove vitórias seguidas, vale apontar alguns pontos. O mais importante deles é que Murray vem usando bem todos seus recursos – que não são poucos – e variando inteligentemente o jogo de acordo com adversário e momento. Na final, sacou muito bem quando esteve diante de break points e distribuiu o jogo do fundo de quadra, encontrando um equilíbrio quase perfeito, sem correr riscos desnecessários numa noite em que Nadal estava claramente jogando um tênis abaixo de seu normal.

O outro ponto a destacar foi a pitada de sorte na chave. Murray chegou a Madri atrasado por causa da final na segunda-feira em Munique e deve ter ficado um tanto feliz ao saber que seu primeiro adversário seria Philipp Kohlschreiber, o mesmo que derrotou no torneio alemão. Não só pelo triunfo recente, mas porque não seria necessário encarar um oponente mais descansado ou mais adaptado às condições de Madri. De resto, jogou muito tênis e fim de papo. Em sete dias, colocou-se entre os nomes mais fortes em Paris.

Murray_Nadal_Madri_F_afp_blog

Rafael Nadal, por sua vez, continua com um ponto de interrogação de tamanho considerável sobre sua bandana. Ao longo dos três torneios que disputou (Monte Carlo, Barcelona e Madri), foi evoluindo e, quando fez uma ótima partida contra Tomas Berdych na semifinal do último sábado, levou muita gente a acreditar que atropelaria na final. Pois viveu outro dos dias inconstantes que vêm lhe incomodando desde o início da temporada. Não me parece alarmante, ainda que seja incomum vê-lo ficar três semanas sem ser campeão no saibro.

Vale a ressalva: boa parte da preocupação com os resultados do ex-número 1 do mundo vem de seu currículo no saibro: nove títulos em Roland Garros, oito em Monte Carlo, oito em Barcelona e sete em Roma. Tamanho domínio não duraria para sempre. E já não aconteceu no ano passado, quando, lembremos, Nadal tornou-se eneacampeão em Paris. A falta de títulos em 2015 talvez signifique que o espanhol não será tão favorito quanto em outras temporadas, mas ainda será um feito e tanto se alguém derrotá-lo na terra batida em um jogo melhor de cinco sets.

O grande favorito ainda é Novak Djokovic, e sua ausência em Madri não enfraqueceu em nada seu status – pelo menos nos olhos de seus oponentes. Para muitos, Andy Murray só levantou o Dildo Dourado (vide foto acima) porque o número 1 do mundo não esteve na capital espanhola. Portanto, o sérvio ainda chega (descansado!) a Roma como o homem a ser batido no momento.

Federer_Madri_2r_afp_blog

Quanto a Roger Federer, o torneio de Istambul provou-se inconclusivo. Somando Monte Carlo e Madri, o suíço fez três jogos e perdeu dois – em chaves complicadas, é bom frisar. A derrota para Nick Kyrgios na Espanha foi tão precoce que quase forçou o número 2 do mundo a ir a Roma, que não estava nos planos. Ainda há tempo para adquirir ritmo e confiança, já que o sorteio italiano lhe foi mais favorável. Por enquanto, Federer corre por fora, talvez emparelhado com Kei Nishikori, que venceu Barcelona (onde escapou dos nomes mais fortes da chave) e fazia um grande torneio em Madri até esbarrar em Murray.

Também fazendo a curva por fora, mas alguns corpos atrás, vem uma turma com Berdych, Isner, Kyrgios (os três estavam no quadrante de Federer em Madri!), Raonic e Ferrer. Wawrinka e Dimitrov também estão por ali. Todos esses nomes são capazes, no dia certo, de derrotar qualquer nome na chave. Logo, o cenário que se desenha para Roland Garros é o mais interessante dos últimos tempos.

Coisas que eu acho que acho:

– O jejum era curioso, mas não tão difícil assim de explicar. Murray nunca deu preferência ao saibro em seu calendário e jogou pouquíssimos torneios pequenos. Quando jogou um bom tênis no piso, sempre esbarrou em Nadal ou Djokovic. Sempre foi, no entanto, curioso como alguém com tantos recursos, ótimos golpes com top spin e boa velocidade para se defender levou tanto tempo para levantar um troféu na terra batida.

– A falta de tempo (leia-se “Dia das Mães” neste caso) não me permitiu escrever um texto apenas para a chave feminina. Vale registrar, porém, a semana espetacular de Petra Kvitova, que atropelou Serena Williams na semifinal e fez o mesmo com Svetlana Kuznetsova na decisão. A tcheca não vem conseguindo resultados consistentes ultimamente e optou por não ir a Indian Wells e Miami. Desde então, venceu oito jogos e perdeu apenas um. E quando tudo encaixa em seu jogo, que tem um bocado de opções, até Serena encontra problemas.


Sete homens e um Kyrgios
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Oito nomes, sete cabeças de chave. Com a espetacular exceção de Roger Federer, todo mundo confirmou o favoritismo na chave masculina do Australian Open. E, fora o susto pregado pelo físico de Rafael Nadal e o não-tão-surpreendente quinto set de Milos Raonic contra Feliciano López, é justo dizer que todos os sete favoritos chegaram às quartas de final sem grande drama. Novak Djokovic e Tomas Berdych passaram por seus quatro obstáculos sem perder sets, enquanto Andy Murray só cedeu um – no jogão contra Grigor Dimitrov. Vejamos, então, como estão os cruzamentos daqui em diante e o que esperar deles.

Djokovic_AO15_r16_get_blog

[1] Novak Djokovic x Milos Raonic [8]

Número 1 do mundo e favorito ao título, o sérvio leva óbvia vantagem aqui – pelo menos nos papeizinhos pré-jogo que contam as estatísticas, o currículo e o histórico dos duelos. Só que além do 3 a 0 no head-to-head, Nole ainda tem a seu favor o “aquecimento oficial” com Gilles Muller, outro sacador, nas oitavas em Melbourne. Ok, o luxemburguês é canhoto, enquanto o canadense é destro, mas uma devolução já calibrada conta um bocado.

Para Raonic, o jogo precisa significar um pouco mais. Com 24 anos, um saque gigante e uma ótima direita, ele já chegou ao top 10 e somou belas vitórias. Ainda falta, porém, começar a derrubar os grandes-muito-grandes. Seu histórico contra Djokovic (3 a 0), Nadal (5 a 0) e Federer (8 a 1) precisa melhorar – e rápido, já que faz-se quase sempre necessário passar por um deles nos Grand Slams. Esse salto seria o próximo passo na carreira do canadense, mas será que ele consegue?

[4] Stan Wawrinka x Kei Nishikori [8]

Desde o começo, a chave de Wawrinka não era das mais complicadas. Só que ela ficou mais acessível ainda na medida em que os cabeças de chave foram caindo. Assim, o número 2 da Suíça alcançou as oitavas sem encarar um pré-classificado sequer. E só perdeu um set (para Guillermo García-López, nas oitavas). Nishikori será seu primeiro teste de verdade. E será um replay das quartas de final do US Open – um jogo que, embora o placar não conte essa história, esteve na raquete de Wawrinka a maior parte do tempo. É de se imaginar que o suíço tenha algo de revanche em mente quando entrar em quadra.

O japonês teve um caminho mais complicado (Almagro, Dodig, Johnson e Ferrer), mas sem nenhum adversário que o ameaçasse de verdade. Nishikori nem sempre jogou bem, mas avançou sem sustos – graças um pouco a Dodig, que bobeou quando esteve perto de forçar um quinto set. Em sua última apresentação, contra Ferrer, mostrou estar um passo à frente do espanhol. Os dois jogam um estilo parecido e se movimentam igualmente bem em quadra, mas o japonês tem um saque mais potente, uma esquerda mais agressiva e se defende melhor. Difícil apontar o vencedor aqui. Gostaria de ver Wawrinka enfrentar Djokovic mais uma vez, mas as casas de apostas colocam Nishikori como favorito – por muito pouco.

Murray_AO15_r16_get_blog

[7] Tomas Berdych x Rafael Nadal [3]

Dezessete vitórias seguidas contra Tomas Berdych dão, não por acaso, algum favoritismo a Rafael Nadal. O espanhol é mais consistente e, embora não consiga tomar a dianteira na maioria dos pontos, consegue deslocar o tcheco o suficiente para forçar erros e fazer com que o oponente ataque fora de sua zona de conforto. A favor de Berdych, desta vez, pesa seu ótimo momento. Passou por um caminho cheio de cascas de banana (Falla, Melzer, Troicki e Tomic) sem perder sets e, nos últimos dois jogos, cedeu só um break point (salvo).

Poucos duvidam que Berdych, integrante permanente do top 10 desde julho de 2010, tenha jogo para ganhar um Slam. Só que ótimas chances já ficaram para trás. Foi assim em Melbourne no ano passado, na semifinal contra Wawrinka, e também no US Open, onde caiu diante de Marin Cilic, o eventual campeão. Ainda faltam vitórias grandes nos torneios grandes.

Nadal também tem nas costas, a seu favor, o jogo contra Kevin Anderson. Não é um estilo tão diferente do de Berdych. E vale ficar de olho nas devoluções de saque do espanhol. Contra o sul-africano, Nadal tentou se posicionar mais perto da linha de base. A estratégia não funcionou e, no fim do primeiro set, o número 3 do mundo estava lá de volta ao fundão da quadra, quase em Perth. Nadal é o claro favorito, mas não pela vantagem que o head-to-head sugere. O tcheco esteve perto de derrotá-lo em 2012, também na Austrália. Uma hora vai acontecer.

[6] Andy Murray x Nick Kyrgios

A boa notícia para os fãs do escocês é que ele levou para Melbourne seu forehand agressivo. Foi assim contra João Sousa e também no jogaço contra Grigor Dimitrov – o melhor do torneio até agora. O britânico não foi tão consistente assim nas oitavas, mas o excelente tênis do búlgaro exigiu um bocado.

Não que Kyrgios não vá exigir. O australiano tem um saque excelente (97 aces no torneio, com mais de 20 em todos os jogos) e uma direita capaz definir de definir qualquer ponto a qualquer momento. Logo, o adolescente (19 anos) tem chances se conseguir atacar primeiro – até porque existe a eterna e imprevisível possibilidade de Murray agarrar-se ao fundo de quadra e ficar lá defendendo e esperando erros enquanto se esquiva das cadeiras dos juízes de linha.

A chave para o escocês é agredir. Kyrgios, 1,93m de altura, além de não ser um defensor espetacular, vem com uma lesão nas costas e acaba de fazer uma partida nervosa de cinco sets. A torcida estará a favor, mas será o primeiro jogo do garotão na Rod Laver Arena. Não dá para prever como ele vai se encaixar nesse cenário.

Coisa que eu acho que acho:

– Nem todo mundo abraça essa teoria, mas há de se considerar o quanto vai prejudicar Djokovic a sequência de sacadores. Após dois jogos sem longas trocas de bola, o sérvio pode demorar a encontrar ritmo contra Nishikori ou Wawrinka nas semifinais. E se eu sempre digo que “pode” deve sempre vir acompanhado de “ou não”, acho que o mesmo vale aqui. Portanto… Ou não.


Australian Open: o guia
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Djokovic_AO15_treino_ao2_blog

Chegou a hora. Depois de duas semanas com resultados espantosos (vide Nadal e Djokovic em Doha), outros nem tanto (vide Federer em Brisbane), cafezinhos, Red Bulls e ajustes ao fuso horário da Oceania, o Australian Open está aqui, na nossa cara, com tanta coisa bacana para ver e comentar que não deu para fazer um post menor que este. Nem parece que passou tanto tempo desde o fim da última temporada (obrigado, IPTL), mas a chave já foi sorteada e Melbourne já está animada, abraçando todo mundo, com (quase) todos grandes nomes.

E bota nome nisso. Rafael Nadal está de volta, junto com Juan Martín del Potro e Nicolás Almagro. A lamentar mesmo, só a ausência de Marin Cilic, campeão do US Open, que ainda tem problemas físicos. O mesmo vale para Jo-Wilfried Tsonga, que já estava lesionado na final da Copa Davis e ainda não se recuperou (“obrigado”, IPTL). Mas eu divago. Vamos a este mini guia do torneio, com análise de chave, o que ver (ou não) na TV, cotações de casas de apostas e até a briga pelo posto de número 1 do mundo, que estará em jogo na Austrália.

Os grandes

Novak Djokovic de um lado; Roger Federer, Rafael Nadal e Andy Murray do outro. Mas calma, é injusto analisar uma chave só por esses quatro tenistas. A metade do sérvio não pode ser tão fácil assim. E não é. Estão lá também o atual campeão do Australian Open, Stan(islas) Wawrinka e o japonês Kei Nishikori. Os dois derrotaram Nole em Grand Slams no ano passado. Ainda assim, caso confirme o favoritismo e avance na chave, Djokovic só precisaria enfrentar um dos dois – e lá nas semifinais. O resto do caminho não é dos mais complicados.

Não é lá um exercício muito fácil imaginar Djokovic perdendo cedo em Melbourne. Seu caminho começa contra um qualifier e tem, em sequência, Ramos-Viñolas/Kuznetsov, Soeda/Qualifier/Ward/Verdasco, Isner/Bautista Agut nas oitavas e Feliciano/Monfils/Benneteau/Raonic nas quartas. Contra esse grupo de possíveis quadrifinalistas, Djokovic tem um retrospecto de 25 vitórias e duas derrotas. São números que dizem um bocado. Seria diferente se algum deles atravessasse momento acima da média, mas não é o caso.

Federer_AO15_treino_ao_blog

A metade de baixo, com 3/4 do Big Four, tem um início favorável a Federer, que enfrenta Lu na estreia e, depois, encara Mónaco/Bolelli, Chardy/Coric/Seppi/Istomin, e Robredo/Karlovic nas oitavas. Se tudo acontecer como o previsto, o suíço terá Murray pela frente nas quartas e, finalmente, Nadal nas semifinais. Vale lembrar que o escocês já derrotou Federer na Austrália (2013) e que Nadal não perde um jogo melhor de cinco sets para o suíço desde 2007.

O resumo é que a chave põe Djokovic mais favorito ainda – claro, com todas ressalvas costumeiras que são feitas antes de qualquer evento. “É só no papel”, “falta ver como todos vão estar quando começar o torneio”, “o calor fará diferença” e todos aqueles clichês que usamos sempre – até porque são válidos. Contudo, o sorteio deixa Nole com mais tempo para ajustar e calibrar seu jogo antes de enfrentar adversários realmente perigosos.

O campeão

Um dos maiores atrativos neste Australian Open será acompanhar Stan, the Man. O homem que encantou ao derrubar Novak Djokovic e Rafael Nadal e foi festejado pelo planeta como um sopro de renovação e início do fim do Big Four, chega a Melbourne como o campeão, precisando defender o título. É uma posição nada familiar para o suíço, que não lidou tão bem assim com o status de campeão de Grand Slam em 2014. E agora, um ano depois, o que esperar de Wawrinka? Sua chave não é das piores, com Ilhan na primeira rodada, seguido por Qualifier/Andújar, Nieminen/Golubev/Qualifier/Cuevas, e, nas oitavas, Dolgopolov/Fognini. Só nas quartas é que Wawrinka enfrentaria Nishikori ou Ferrer, em uma seção que também inclui Simon, Giraldo, Almagro, Dodig, Feijão e Bellucci.

O panorama não é tão diferente assim para Kei Nishikori, vice-campeão do US Open e número 5 do mundo. Este Australian Open será o primeiro Slam em que o japonês será considerado um sério candidato ao título. Entre isso e “alguém que tem potencial e corre por fora com chances de surpreender” havia um Oceano Pacífico esperando para ser aberto. Além disso, Melbourne tem um sabor especial para os asiáticos, já que é o Slam mais perto de casa. Nishikori fala pouco (tanto porque não é chegado a dar entrevistas quanto porque não tem tanta coisa interessante a dizer), então pouco se sabe sobre suas expectativas e seus nervos antes desta edição particular do torneio. A primeira partida, logo contra Almagro, talvez dê algumas pistas do que esperar nas rodadas seguintes.

Wawrinka_AO15_treino_get_blog

Os brasileiros

Thomaz Bellucci encara David Ferrer, enquanto Feijão enfrenta Ivan Dodig. Tudo aponta para duas derrotas. Ferrer tem cinco vitórias em seis confrontos contra o paulista e, como se isso não bastasse, o espanhol foi campeão em Doha há uma semana. Bellucci, por sua vez, fez só um jogo em 2015: caiu na primeira rodada em Auckland. Enquanto isso, Feijão fez boas apresentações, ganhando um jogo na chave principal em Doha e vencendo duas partidas no quali de Sydney. Ao mesmo tempo, o tenista de Mogi das Cruzes perdeu chances valiosas nas duas derrotas que sofreu. Dodig, número 85 do mundo, é o favorito.

O que ver (ou não) na TV

A chave deste Australian Open está recheada de partidas interessantes, até porque ótimos tenistas não serão cabeças de chave. É o caso de Nishikori x Almagro, com o espanhol voltando de um longo período de recuperação. Um caso parecido é Del Potro x Jerzy Janowicz. O argentino retornou às quadras em Sydney e ganhou duas partidas. Agora enfrenta o talentoso e inconstante polonês em um duelo violento – no bom sentido. E que tal Gulbis x Kokkinakis? O letão imprevisível contra uma das revelações do tênis australiano. The Kokk (um dos melhores apelidos do tênis mundial), vice-campeão juvenil do torneio em 2013, treinou com Roger Federer nesta pré-temporada. Outra promessa de jogo interessante? Nadal x Youzhny. O russo tem no currículo quatro vitórias sobre o espanhol, que volta de lesão e perdeu a única apresentação oficial que fez nas simples em 2015. E a chave ainda tem Dustin Brown x Grigor Dimitrov, Delbonis x Kyrgios e Chardy x Coric.

Se a ESPN acertar a mão na escolha dos jogos, vai dar para ver muita coisa boa na TV. Caso o canal deixe a desejar, resta sempre a (ótima) opção de ver tudo ao vivo pelo site oficial do Australian Open. Nos últimos três anos, o torneio transmitiu todas as partidas de simples (e muitas duplas e duplas mistas) realizadas em quadras com equipamentos de TV. Logo, as opções serão muitas para quem puder (e aguentar) ficar acordado noite adentro.

O que pode (ou não) acontecer de mais legal

Parece estranho e pode ser só uma impressão minha, bem pessoal, mas vejo mais jogos interessantes na primeira rodada do que nas fases imediatamente seguintes. Ainda assim, um Del Potro x Monfils é possível na segunda rodada. Também vale ficar de olho em Tomic, que pode encarar Gulbis ou Kokkinakis na terceira rodada. E também seria curioso ver um duelo entre Federer e o jovem Coric – o mesmo que eliminou Nadal na Basileia em 2014. Não que o croata deixe de ser azarão contra o suíço, mas é sempre intrigante ver como um garotão (Coric tem 18 anos e é o número 90 do mundo) lida com a tarefa de entrar em quadra diante de um dos maiores nomes da história do esporte.

O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

O melhor nome fora do radar é o de Vikor Troicki, que está solto na seção de Berdych. O sérvio, que já foi número 12 do mundo e em julho do ano passado havia despencado para 842 por causa de uma suspensão por (não se submeter a um exame anti) doping, hoje é o 92º na lista da ATP e finalista em Sydney. Ele estreia em Melbourne contra Vesely, finalista em Auckland. O duelo promete testar a recuperação de ambos, mas o vencedor enfrentará Leonardo Mayer ou John Millman na segunda rodada e terá boas chances de chegar a um confronto contra Berdych logo depois. Será?

DelPotro_Sydney_get_blog

Quem pode (ou não) surpreender

Segundo o tom do que escrevi pouco acima, uma vitória de Almagro sobre Nishikori espantaria muita gente. O espanhol não joga desde Roland Garros, e derrotar um rival tão consistente quanto Nishikori, em condições normais, exige ritmo de jogo e confiança nos pontos importantes.

O cenário para Del Potro não é tão diferente, mas o argentino parece estar alguns passos à frente de Almagro. Logo, não seria tão surpreendente vê-lo derrotar Janowicz na primeira rodada. O que surpreenderia (positivamente – com negrito e itálico, por favor) de verdade seria uma campanha mais longa. Seu caminho tem, possivelmente, Monfils, Feliciano López e Milos Raonic. De qualquer modo, parece a seção mais interessante da chave nas primeiras rodadas.

Outra seção que paquero desde que vi é a que tem Gulbis, Kokkinakis, Tomic e Kohlschreiber. Qualquer um desse quarteto pode alcançar às oitavas e fazer um jogão contra Berdych.

Número 1 em jogo

Djokovic tem uma boa vantagem sobre Federer no ranking, mas, com 2 mil pontos em jogo no Australian Open, o suíço terá a chance de voltar ao topo da lista da ATP. A matemática é bem simples. Federer será líder no dia 2 de fevereiro se for campeão em Melbourne e contar com uma derrota de Djokovic antes das oitavas de final. Não parece muito provável, mas coisas mais estranhas já aconteceram.

Nas casas de apostas

As cotações não são tão surpreendentes assim. Na bet365, os favoritos são, nesta ordem, Djokovic (pagando 10/11, ou seja, dez dólares para cada 11 apostados), Federer (11/2), Nadal (7/1), Murray (8/1), Wawrinka (12/1), Nishikori (14/1), Dimitrov (28/1), Berdych (33/1), Raonic (33/1) e Del Potro (66/1).

Bellucci é azarão contra Ferrer e paga 9/1, contrastando com o 1/16 de cotação para o espanhol. Feijão, por sua vez, não é tão zebra contra Dodig. Uma vitória do número 2 do Brasil paga 11/4, enquanto um triunfo do croata paga 1/4.