Saque e Voleio

Arquivo : demoliner

O balanço brasileiro no saibro
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Alexandre Cossenza

Com o fim do tardio do Brasil Open, parece o momento ideal para fazer um balanço da participação brasileira na perna sul-americana do circuito mundial, que, por enquanto, ainda é toda disputada em quadras de saibro. Digo “ainda” porque, como os leitores do blog sabem, Rio e Buenos Aires estão em busca de aprovação para mudarem para quadras duras.

O motivo carioca/portenho não tem a ver com as campanhas de brasileiros e argentinos. A ideia é conseguir trazer mais nomes de peso. Diretores dizem que o principal argumento de quem não quer vir até aqui é a mudança de piso entre o Australian Open e o Masters de Indian Wells. Mas enquanto a alteração não sai, será que os brasileiros vêm aproveitando o piso mais favorável a seu jogo?

Depois de Quito, Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo, dá para dizer que não foi a pior das campanhas brasileiras. Não que tenha sido espetacular. Bellucci, principalmente, poderia ter tirado muito mais de Rio e São Paulo não fossem seus problemas físicos e, ao que parece, de motivação. Vejamos um por um:

Thomaz Bellucci

Como nos dois anos anteriores, o paulista fez boa campanha em Quito. Só perdeu – pela terceira vez seguida – para Vitor Estrella Burgos, o veterano que acabou conquistando o tricampeonato no Equador. Caso curioso, não tão fácil de explicar/entender, mas que precisa entrar para a coluna das “chances perdidas”.

No Rio, Bellucci eliminou o cabeça 1 na estreia, empolgou a torcida e decepcionou no jogo seguinte. No meio do segundo set contra Thiago Monteiro (jogo à noite, 27 graus), o paulista já esteve pregado. Saiu de quadra dizendo “morri” com todas as letras. Depois, em São Paulo, também teve problemas físicos (de outro tipo) na derrota para Schwartzman. Após o revés, deu uma declaração um tanto preocupante. Falou que precisa “reencontrar a alegria e a motivação de estar na quadra que só o dia a dia vai me dar. Tenho que pensar no que a gente tem que fazer para dar a volta por cima.”

De qualquer modo, mesmo com a vitória sobre Nishikori e uma semi em Quito, fica a impressão de que poderia ter sido muito melhor. É duro afirmar, mas é o mesmo que pode ser dito sobre muitos momentos da carreira de Bellucci.

Thiago Monteiro

Talvez tenha sido o momento de consolidação do cearense. Um ano depois de “surgir” ao bater Tsonga no Rio, Monteiro fez uma turnê sólida, com quartas de final em Buenos Aires e no Rio. Perdeu na estreia em Quito e em São Paulo, mas em condições difíceis. Jogou contra Giovani Lapentti na altitude e contra Carlos Berlocq (seu algoz também em Buenos Aires) no Pinheiros.

Ao todo, nada mau. Os ATPs, no entanto, deixaram mais visíveis os buracos no jogo do cearense. Berlocq deixou clara a necessidade de Monteiro melhorar junto à rede. O argentino venceu uma enorme maioria de pontos quando variou e tirou Thiago do basicão “distribuindo-pancada-do-fundo”. No Rio, Ruud expôs as falhas na devolução do cearense. Monteiro não conseguir entrar em um número razoável de pontos no serviço no norueguês.

Monteiro sabe quanto e onde precisa evoluir. Ele mesmo falou sobre isso na última coletiva que deu no Rio de Janeiro. Há tempo para isso. É questão de trabalhar e pensar no jogo como um todo – e não só na pancadaria do fundo de quadra.

Rogerinho

O paulista esteve nos quatro ATPs, inclusive furando o quali em Buenos Aires, mas não conseguiu vencer nenhum jogo em chaves principais. O mais perto que chegou disso foi quando teve dois match points contra Alessandro Gianessi na Argentina. Não dá para dizer que foi uma passagem trágica de Rogerinho pela América do Sul, mas ele teve jogos ganháveis e não aproveitou. Também entra para a coluna de chances não aproveitadas.

Feijão

João Souza também esteve nos quatro ATPs, mas ficou no quali em Buenos Aires (perdeu para Rogerinho) e só venceu um jogo em São Paulo (contra Zeballos na estreia). E se não dá para condená-lo pelas derrotas para Pablo Carreño Busta (Rio e SP), esperava-se mais de seu jogo na altitude de Quito. A derrota na estreia para Federico Gaio não foi o melhor dos resultados.

Bruno Soares

Orale Cabron 🇲🇽 🏆 🏆🏆

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O mineiro só jogou um torneio no saibro. Foi no Rio, onde ele e Murray perderam nas semifinais, quando até tiveram um match point contra Carreño Busta e Pablo Cuevas. Um resultado bom, considerando que Soares ficou dez dias no Rio de Janeiro, mas passou a maior parte do tempo dando entrevistas, participando de eventos com fãs, dando clínicas e aparecendo para seus patrocinadores.

Depois do Rio, o mineiro foi para Acapulco, jogar um ATP 500 na quadra dura, em vez de jogar no Brasil Open, em São Paulo, no saibro. A decisão provocou críticas públicas de Flávio Saretta em uma sequência de tweets.

“Semana de Brasil Open! Torneio que existe desde 2001! Sempre muito valorizado pelos tenistas brasileiros!! Tão valorizado que até o número 1 do mundo jogava! E tive a noticia que Marcelo e Bruno Soares optaram por jogar em Acapulco. Gosto dos dois desde sempre, mas não posso concordar com essa decisão e atitude! Sabemos das imensas dificuldades de se fazer um torneio ATP no Brasil pelos custos, etc! Sempre valorizamos demais esse torneio no Brasil! Um orgulho jogar um ATP no nosso país!! Por isso confesso que achei um absurdo os dois jogarem no México e não no Brasil! Fora a troca que é estar perto de quem torce por vc e não tem a oportunidade de ver vc jogar de perto!!! Escolha errada dos dois! Uma pena…”

Sim, seria ótimo ter Soares e Marcelo Melo (que também foi a Acapulco) jogando mais uma semana no Brasil, mas é preciso entender os motivos de ambos. Primeiro, os dois preferem jogar em quadras duras. Não por acaso, Bruno venceu dois Slams no piso ao lado de Jamie no ano passado. Mas não é só isso. Além de Acapulco ser um torneio mais importante, é uma semana de jogos na quadra dura antes de um evento ainda maior: o Masters de Indian Wells, no piso sintético.

Dizer que Soares e Melo precisariam fazer mais esforço para jogar no Brasil me parece forçar a barra. Os dois, afinal, estiveram no Brasil. E Bruno, especialmente, fez todo tipo de atividade para divulgar o torneio, o tênis e seus patrocinadores. O torcedor brasileiro teve a chance de vê-los. Só quem não foi ao Rio (caso de Saretta) ou não ficou a semana inteira não viu isso.

Além disso, os dois mineiros deveriam ter um pouquinho mais de crédito (é só minha opinião). Soares jogou o Brasil Open todos os anos desde 2009. Sempre trouxe seus parceiros. Foi campeão três vezes e, na maioria das vezes, atuou em quadras secundárias – inclusive naquele precário e improvisado Mauro Pinheiro. Em um de seus títulos, fez apenas um jogo na quadra central (a final). Melo viveu situações parecidas e, até este ano, só havia ficado ausente em 2014.

Por fim (não que o resultado mudaria algum dos argumentos acima), Soares e Murray foram campeões em Acapulco, somando 500 pontos e ganhando embalo antes do primeiro Masters 1.000 do ano.

Marcelo Melo

O mesmo caso de Bruno, só que com um agravante. Marcelo e seu parceiro, Lukasz Kubot, ainda não encontraram ritmo. E como jogam melhor em quadras duras, estavam em Roterdã (um ATP 500) em vez de Buenos Aires. No Rio, perderam para Peralta e Zeballos nas quartas. Depois, partiram para Acapulco, onde caíram na estreia diante de Santiago González e David Marrero.

Depois do Australian Open, Melo já dizia no “Pelas Quadras”, da ESPN, que era preciso encontrar um equilíbrio na parceria. A queixa (velada) era em respeito ao jogo kamikaze de Kubot. No Rio, o mineiro deu declarações parecidas. Disse que gosta de um jogo com menos velocidade e mais equilibrado e deu a entender que o Masters de Miami será o momento para avaliar se o time com Kubot tem futuro.

André Sá

Jogou com Tommy Robredo em Buenos Aires e no Rio e caiu na estreia em ambos. Em São Paulo, ao lado de Rogerinho, foi longe e conquistou o título. Saiu do saibro levando 250 pontos, o que não é nada ruim.

Marcelo Demoliner

Fez Buenos Aires-Rio-SP com seu parceiro habitual, o neozelandês Marcus Daniell. Também passou em branco na Argentina e no Rio. Também foi à decisão no Pinheiros. Somou 150 pontos.


Quadra 18: S03E02
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou a vencer um slam em cima de Rafael Nadal, Serena Williams voltou a derrotar a irmã Venus em uma decisão, e o tênis viveu um fim de semana dos mais memoráveis no Australian Open. Mas houve muito mais do que isso nas duas semanas do torneio. Djokovic, Murray e Kerber foram vítimas de zebras, Coco Vandeweghe finalmente surgiu como nome forte em um torneio grande, Mirjana Lucic-Baroni protagonizou a história mais feliz… É muito assunto!

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu nos reunimos para gravar mais uma edição do podcast Quadra 18. Comentamos tudo citado acima e um pouco mais. Falamos dos modelitos bonitos e feios, do noivo de Serena e até do poema de Melbourne! Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar para ouvir depois, é só clicar neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’30” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’30” – Roger Federer e a campanha até o título
9’15” – A decisão de Federer de abrir mão do 2º semestre de 2016
10’50” – O suíço se defendeu melhor neste Australian Open?
13’55” – O que faltou para Nadal na hora decisiva?
16’45” – O que a final significa para a rivalidade Federer x Nadal?
18’10” – O quão importante é a disputa por mais títulos de slam?
21’20” – Teremos mais finais “vintage” este ano ou foi uma exceção?
22’21” – Qual a importância de Ljubicic e Moyá no “retorno” de Federer e Nadal?
25’45” – Federer e Nadal vão continuar lutando por títulos de slams e Masters?
27’30” – Federer vai pular a temporada de saibro novamente?
29’35” – Nadal já pode ser considerado favorito para Roland Garros?
30’15” – Federer e Nadal teriam feito a final sem as derrotas de Djokovic e Murray?
31’04” – As zebras de Istomin e Zverev em cima de Djokovic e Murray
35’30” – Que zebras em outros slams são comparáveis a essas?
37’33” – O desfecho do AO será motivação extra para Djokovic e Murray?
38’40” – Dimitrov pode entrar na briga pelos slams?
41’18” – As surpresas e decepções do Australian Open
45’40” – O quanto a quadra mais rápida ajudou Federer no torneio?
47’51” – Quadras mais rápidas serão tendência no circuito?
49’48” – The Greatest (Sia)
50’34” – As campanhas das irmãs Williams
57’50” – Por que 18 > 23 na matemática tenística?
59’25” – O quanto o recorde de slams da Court deve ser relevante para Serena?
63’17” – E a campanha da Nike sobre Serena como maior de todos os tempos?
64’32” – Precisamos falar de Coco Vandeweghe
70’50” – A fantástica história de Mirjana Lucic-Baroni
73’25” – O que acontece com Angelique Kerber?
76’18” – Muguruza é tenista de um slam só?
77’48” – O noivo de Serena Williams e o Reddit
79’57” – High and Low (Two Vines)
80’30” – A campanha de Kontinen e Peers, campeões de duplas
84’35” – Qual o segredo de Kontinen e Peers?
85’45” – Os Bryans vão voltar a ganhar um slam?
87’05” – As campanhas dos brasileiros em Melbourne
89’35” – Marcelo Melo acertou na escolha de Kubot como parceiro?
92’45” – A campanha de André Sá e Leander Paes
94’25” – Como o título de Kontinen e Peers afeta a briga pela liderança do ranking
95’45” – Qual foi o GIF mais épico da Aliny no Australian Open?
97’40” – Mais reclamações sobre a camisa de Roger Federer
103’20”- O poema de Melbourne é eficaz ou contraproducente?


AO, dia 9: americanas e suíços sem drama nas semifinais
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Alexandre Cossenza

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Não foram as quartas de final mais emocionantes que um torneio – ainda mais um do Grand Slam – poderia ter. Quatro jogos, quatro vitórias em sets diretos. Duas americanas e dois suíços avançaram e vão se enfrentar na quinta-feira. O resumaço do dia traz um breve relato de cada um desses encontros mais a carta de uma boleira a Jo-Wilfried Tsonga e a lista de indicados ao Hall da Fama, que terá Kim Clijsters e Andy Roddick eternizados em 2017.

As americanas

A primeira semifinal feminina do Australian Open será entre duas americanas: Venus Williams e Coco Vandeweghe. No primeiro jogo do dia, a veterana de 36 anos bateu Anastasia Pavlyuchenkova por 6/4 e 7/6(3) numa partida com quase nenhuma variação tática. Venus ganhou nos detalhes – atacou melhor nos momentos mais delicados. É sua primeira semifinal em Melbourne desde 2003, quando foi vice-campeã, perdendo para Serena na decisão. Venus agora é a semifinalista mais velha do Australian Open na Era Aberta (a partir de 1968).

Vandeweghe entrou em quadra na sequência e passou por cima de Garbiñe Muguruza: 6/4 e 6/0. O primeiro set nem foi tão parelho quanto o placar sugere. A americana perdeu várias chances de quebra até que a espanhola, com o segundo serviço pressionado o tempo inteiro, cometeu uma dupla falta e perdeu o saque. Cheia de confiança, Coco (ou Hot Coco, para alguns americanos) soltou ainda mais o braço na segunda parcial. Enquanto isso, Muguruza não mostrou poder de reação nem tentou alguma variação tática. Seguiu tentando bater forte na bola – sem sucesso.

Os suíços

O primeiro jogo das quartas de final masculinas fechou a sessão diurna da Rod Laver Arena com Stan Wawrinka vencendo de maneira surpreendentemente fácil: 7/6(2), 6/4 e 6/3. Jo-Wilfried Tsonga, em uma tarde pouco inspirada, só conseguiu manter o saque na primeira parcial. No segundo set, até conseguiu quebrar na frente, mas Wawrinka respondeu rápido e virou a parcial. O francês não encontrou uma maneira de emparelhar as ações e sucumbiu rápido. Pelo lado do #1 da Suíça, o maior mérito foi brilhar sempre que necessário, fosse salvando break points ou tomando controle rápido do tie-break.

Na sessão noturna, a carruagem de Mischa Zverev, o azarão que derrubou Andy Murray nas oitavas, virou abóbora rapidinho. Roger Federer não se incomodou nadinha com o saque do alemão e venceu o primeiro set em 19 minutos. Mischa até que teve seu momento quando quebrou o oponente no segundo set, mas mal deu emoção ao jogo, já que Federer devolveu logo em seguida. Nada mudou o plano de Zverev de fazer saque-e-voleio o tempo inteiro. Logo, nada mudou no andamento do jogo. No fim, o favorito fez 6/1, 7/5 e 6/2 em 1h32min.

A carta de agradecimento

Ano passado, durante seu jogo de segunda rodada, Tsonga ajudou uma boleira que não passava bem. O francês levou a menina para fora de quadra para que ela fosse atendida (lembre no tweet abaixo):

Pois este ano, antes de enfrentar Wawrinka, Tsonga recebeu uma carta de Giuliana, a boleira. Ela pede desculpas por não ter sido uma boleira tão eficiente, mas explica que havia contraído um vírus que afetava sua visão e sua audição. Ela também agradece pelo gesto de carinho do tenista e desejou boa sorte a Tsonga no resto do torneio. A carta inteira está no link do tweet abaixo.

No Hall da Fama

O Hall da Fama Internacional do Tênis anunciou nesta terça-feira a sua turma de 2017: Kim Clijsters, Andy Roddick, Monique Kalkman-van den Bosch, Steve Flink e Vic Braden. A lista foi revelada em uma cerimônia na Rod Laver Arena, em Melbourne, com a presença do americano, ex-número 1 do mundo, e do “dono” da casa, Rod Laver – além de outros integrantes do Hall.

No Twitter, Roger Federer prestou sua homenagem a Roddick, com quem compartilhou tantas partidas importantes e de quem tirou o número 1 do mundo no início de 2004. “Um chefe, uma lenda, um pai, um marido”, escreveu o suíço, dando os parabéns e se dizendo muito feliz pelo americano.

E talvez tenha passado sem que muitas pessoas notassem, mas Federer podia ter escolhido publicar uma foto dos dois juntos, mas a maioria delas teria o suíço como vencedor. Não seria humilde. Em vez disso, postou imagens neutras. Bacana.

Os brasileiros

Nenhum brasileiro jogou hoje, mas como não fiz resumaço ontem, fica aqui o registro. Marcelo Melo e Lukasz Kubot foram eliminador por Ivan Dodig e Marcel Granollers: 7/6(5) e 7/6(5). Sim, o ex-parceiro de Marcelo levou a melhor e avançou. E não dá para deixar de comentar o “climão” entre brasileiro e croata, que mal se olharam – inclusive durante o aperto de mãos ao fim do jogo.

Como escrevi em um post anterior, o fim da parceria não foi exatamente amistoso. Já ficou claro durante o ATP Finals do ano passado, quando mal havia diálogo. Depois, houve os unfollows nas redes sociais. E Dodig e Granollers, aliás, foram eliminados pelos irmãos Bryan nesta terça-feira.

A participação brasileira acabou quando Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell foram derrotador por Sam Groth e Chris Guccione: 7/6(9) e 6/3. Bruno Soares desistiu das duplas mistas por conta de dores nas costas.


AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
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Alexandre Cossenza

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A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

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As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


AO, dia 3: o karma de Kyrgios, sustos de Kerber e Murray, tombo de Cilic
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Alexandre Cossenza

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Demorou, mas o terceiro dia do Australian Open teve seus momentos de emoção. Depois de uma sessão diurna sem grandes dramas – apenas Angelique Kerber sofreu com o sol – a noite chegou com um jogão de cinco sets entre Nick Kyrgios e Andreas Seppi, a eliminação de Marin Cilic e um pequeno susto de Andy Murray.

O resumaço de hoje comenta esses momentos e ainda avalia as apresentações de Federer, Nishikori, Wawrinka, Venus e Bouchard, além de registrar a única vitória brasileira do dia – que veio na chave de duplas. Então, se você não ficou acordado na madrugada, sem problema. É só rolar a página e se informar.

A zebra e a vingança

É um desses casos que a gente costuma classificar como “ironia do destino” pela simples falta de explicação melhor. Chamem de karma, vingança, retribuição, o que preferirem. Não acontece todo dia. Mas aconteceu dois anos atrás, na Hisense Arena. Andreas Seppi enfrentou Nick Kyrgios nas oitavas de final. O italiano, mais bem ranqueado dos dois, abriu 2 sets a 0, teve um match point, não conseguiu converter e acabou eliminado com o placar do quinto set mostrando 8/6 para Kyrgios.

E aconteceu nesta quarta-feira, de novo na Hisense Arena, no Australian Open. O jogo valia pela segunda rodada, e Kyrgios, o mais bem ranqueado em quadra, saiu na frente. Venceu os dois primeiros sets. Seppi reagiu e venceu os dois seguintes, mas foi o tenista da casa quem teve um match point desta vez. O italiano se salvou, enfiando uma direita arriscadíssima na paralela. Sem defesa. Dois games depois, Seppi comemorou. Completou a virada: 1/6, 6/7(1), 6/4, 6/2 e 10/8.

Aos 32 anos e #89 do mundo, Seppi disse ao fim do jogo que não sabe quantas partidas assim, com essa emoção e disputados no ambiente maravilhoso da Hisense, lhe restam na carreira. Pode até ser sua última grande vitória. No momento, pouco importa. Foi bonita, vibrante, gloriosa. E lhe valeu uma vaga na terceira rodada contra Steve Darcis, o que não é nada mau também, né?

Kyrgios, por sua vez, saiu vaiado da quadra e deu mais uma daquelas coletivas intrigantes. Admitiu que fez “coisas que não deveria” nas férias, como jogar basquete e lesionar o corpo, falou que jogou o torneio com problema nos joelhos, reclamou das vaias que levou e ironizou quando lhe perguntaram que tipo de dor ele sentia: “Não sei. Pergunte a Johnny Mac [John McEnroe]. Ele sabe tudo.”

Os sustos dos favoritos

Angelique Kerber passou por mais um susto antes de comemorar seu 29º aniversário na Rod Laver Arena (RLA) nesta quarta-feira. A #1 do mundo, que ainda não teve uma grande atuação em 2017, voltou a sofrer com a irregularidade e, desta vez, teve problemas para sacar com o sol na cara – especialmente no segundo set. A também alemã Carina Witthoeft, #89 e 21 anos, nem aproveitou tão bem assim os saques fraquíssimos da #1 (beirando os 110km/h), mas ganhou a segunda parcial e forçou o terceiro set. A desafiante até começou o set decisivo com uma quebra, mas não conseguiu manter a vantagem. Kerber encaixou uma sequência de games bons, virou o placar e fechou em 6/2, 6/7(3) e 6/2.

O copo meio cheio de Kerber é mais uma vitoria jogando mal. Também foi assim na primeira rodada, contra Lesia Tsurenko. É importante anotar triunfos em dias ruins. São esses jogos que permitem que ela cresça no torneio e chegue forte na segunda semana. O copo meio vazio, contudo, é que fica difícil imaginar a alemã avançando na segunda semana do torneio jogando assim. Kerber pode ter um duelo duro contra Eugenie Bouchard nas oitavas e outro contra Garbiñe Muguruza nas quartas. Nenhuma das duas perdoaria saques tão frágeis como os desta quarta.

Fechando a sessão noturna na RLA, Andy Murray dominou o russo Andrey Rublev (19 anos, #152 do mundo) do começo ao fim. O único momento realmente tenso da partida veio no início do terceiro set, quando o #1 do mundo torceu o tornozelo direito e ficou caído na quadra por alguns instantes.

Por sorte, não foi nada grave, e Murray voltou logo ao jogo para completar a vitória por 6/3, 6/0 e 6/2. Embora sua chave tenha sido um pouco facilitada pelas quedas de Pouille e Isner (esperava-se que um dos dois enfrentasse o britânico nas oitavas), a próxima rodada não tem nada de fácil. O escocês vai duelar com Sam Querrey e, nas quadras rapidíssimas deste ano em Melbourne, qualquer sacador é um obstáculo ainda maior do que de costume.

Outros candidatos

Kei Nishikori abriu a programação na Hisense Arena (HA) e conseguiu uma vitória em três sets em um jogo que poderia ter sido mais complicado contra Jeremy Chardy. O curioso é que o japonês não chegou a empolgar. Cometeu mais erros do que winners (30 e 21, respectivamente) e perdeu o serviço três vezes. Só não teve mais dificuldades porque Chardy, que não estava em um dia animador, somou 53 erros não forçados. De qualquer modo, Nishikori está na terceira rodada e vai enfrentar Lukas Lacko, que passou por Dudi Sela por 2/6, 6/3, 6/2 e 6/4.

A sessão diurna continuou com vitórias sem drama algum. Stan Wawrinka fez 3 sets a 0 em cima de Steve Johnson, o que é um sinal positivo depois dos nervosos cinco sets contra Martin Klizan. Desta vez, o placar final foi de 6/3, 6/4 e 6/4. O duro caminho do #1 da Suíça continua contra Victor Troicki na terceira rodada.

Enquanto isso, Roger Federer encarava o qualifier Noah Rubin, 20 anos e #200 do ranking. O garotão deu trabalho no primeiro set, confirmando seus serviços e equilibrando a parcial. Só sucumbiu no 12º game, quando Federer parou de tentar trocar só pancadas e foi mais paciente. O triunfo por 7/5, 6/3 e 7/6(3) só veio depois de um inconsistente suíço salvar um set point no terceiro set. Não fossem os nervos de Rubin, a partida poderia ter se alongado mais do que o desejável para Federer.

No geral, não foi uma apresentação memorável, mas foi o bastante para avançar sem problemas. De positivo, seu serviço continua excelente, rendendo vários pontos de graça. Mesmo assim, Rubin conseguiu agredir com eficiência em alguns segundos saques. É de se esperar que Tomas Berdych, próximo adversário do ex-número 1, faço o mesmo – ou melhor.

Nesta quarta, o tcheco fez 6/3, 7/6(6) e 6/2 sobre Ryan Harrison. Avançou sem sustos, como era de se esperar. Mas e agora, será que Berdych consegue fazer mais do que nos últimos cinco jogos contra Federer? O suíço venceu todos e ganhou dez sets consecutivos.

Entre as mulheres, Venus Williams sempre corre por fora e vale ficar de olho na ex-número 1 porque sua chave ficou bem mais acessível depois das eliminações de Simona Halep e Kiki Bertens. Nesta quarta, a americana fez o seu. Bateu Stefanie Voegele por 6/3 e 6/2 marcou um encontro com Ying-Ying Duan (#87), que eliminou Varvara Lepchenko (#88) por 6/3, 3/6 e 10/8.

Quem segue impressionando é Eugenie Bouchard, que voltou a jogar bem e está sem problemas físicos. Nesta quarta, despachou Shuai Peng (#83) por 7/6(5) e 6/2, tomando a iniciativa na maioria dos pontos e jogando com precisão. Ex-top 5 e solta na chave (ocupa o 47º posto hoje), a canadense enfrentará Coco Vandeweghe, que passou por Pauline Parmentier por 6/4 e 7/6(5), na terceira rodada em busca de um possível duelo com Kerber nas oitavas. Será?

Por fim, abrindo a sessão noturna da Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza derrotou Samantha Crawford por 7/5 e 6/4. Não foi lá uma jornada impecável da espanhola, que desperdiçou duas quebras de vantagem na primeira parcial, mas foi o bastante para evitar um terceiro set. Ela agora enfrenta Anastasija Sevastova, cabeça de chave número 32, em busca de um lugar nas oitavas.

Mais cabeças que rolaram

Cabeça de chave #19, John Isner entrou em quadra como favorito contra Mischa Zverev. Aumentou seu favoritismo depois de abrir 2 sets a 0. Só que o alemão, irmão mais velho do “prodígio” Alexander, equilibrou a partida. Venceu um, dois e forçou o quinto set. Isner, que não tem lá um retrospecto tão bom assim em melhor de cinco sets, até salvou um match point com sorte…

O americano, no entanto, acabou sucumbindo depois de não conseguir converter dois match points no quarto set: 6/7(4), 6/7(4), 6/4, 7/6(7) e 9/7. A maior consequência do resultado é deixar, no papel, a chave menos complicada para Andy Murray, que enfrentaria Isner (ou Pouille) nas oitavas. Zverev, por sua vez, avança para encarar Jaziri em busca de um lugar nessas oitavas que possivelmente serão contra o número 1 do mundo.

No fim do dia, foi a vez de Marin Cilic ser o primeiro top 10 a dar adeus a Melbourne, o que confirmou um péssimo início de temporada, que já incluía uma derrota para o eslovaco Jozef Kovalik (#117 do mundo) no ATP de Chennai e um susto diante de Jerzy Janowicz na primeira rodada em Melbourne. Nesta quarta, o algoz do croata foi o britânico Dan Evans, que fez 3/6, 7/5, 6/3 e 6/3.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças de chave que rolaram, como Shuai Zhang, eliminada por Alison Riske, e Irina-Camelia Begu, que caiu diante de Kristina Pliskova. As quedas mais relevantes foram a de Carla Suárez Navarro, cabeça 10, que foi superada por Sorana Cirstea (sim, aquela!), e Mónica Puig, a campeã olímpica, que não passou pela alemã Mona Barthel.

Os brasileiros

Já eliminado nas simples, Thomaz Bellucci voltou a Melbourne Park para tentar a sorte nas duplas. Ele o argentino Máximo González, no entanto, não passaram da estreia e perderam para Pablo Cuevas e Rohan Bopanna: 6/4 e 7/6(4). Assim, o #1 do Brasil e #62 do mundo encerra sua passagem pela Ásia com três derrotam. Em Sydney, apenas nas simples, foi derrotado por Nicolas Mahut na estreia.

Marcelo Demoliner fez melhor e avançou. Ele e o neozelandês Marcus Daniell derrotaram o argentino Guillermo Duran e o português João Sousa por 7/6(2) e 6/4. Bruno Soares, que joga ao lado de Jamie Murray; Marcelo Melo, que faz parceria com Lukasz Kubot; e André Sá, que atua com o indiano Leander Paes, ainda não estrearam no torneio.


Quadra 18: S02E12
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Alexandre Cossenza

Stan Wawrinka derrubou Novak Djokovic mais uma vez, Angelique Kerber tomou posto de #1 das mãos de Serena Williams e Bruno Soares conquistou mais um título em um torneio do Grand Slam. Não faltou assunto neste episódio do podcast Quadra 18. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu conversamos sobre um pouco de tudo que aconteceu no US Open, desde a polêmica do pé sangrando de Djokovic até a “carta fantasma” de Wozniacki.

O programa ainda tem áudios especiais enviados por Bruno Soares após sua conquista, além de análises táticas, surpresas e decepções, exercícios bem humorados de “futurologia” e uma indagação curiosa sobre a Bel Pesce do tênis. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny apresenta os temas
01’00” – O quinto título de Slam de Bruno Soares
01’33” – Bruno e Marcelo causam divisão no podcast
02’45” – Os motivos do sucesso de Bruno Soares e Jamie Murray
06’08” – Bruno Soares fala da preparação e da dura estreia no US Open
08’00” – O tenso confronto de oitavas contra André Sá e Chris Guccione
09’13” – “Eu me identifico com o Guccione”
11’54” – Como Carreño Busta e García López chegaram na final
13’28” – Bruno Soares fala da sensação de ter cinco títulos de Slam no currículo
14’40” – Bruno Soares fala sobre a intenção de brigar para ser #1 do mundo
15’02” – As campanhas dos outros brasileiros na chave de duplas
17’50” – “Marcelo deve insistir na parceria com Dodig para 2016?”
20’15” – Quem seria um novo bom parceiro para Marcelo Melo?
22’58” – Don’t Lose My Number (Phil Collins)
23’45” – Wawrinka e seu terceiro título em um torneio do Grand Slam
24’00” – “Só falta Wimbledon mudar para o saibro!”
24’30” – Como explicar as 11 vitórias seguidas em finais de Stan Wawrinka?
25’55” – Uma semelhança entre Stan Wawrinka e Thomaz Bellucci
28’05” – O nível de Djokovic na final e a questão física
29’30” – O que vai ser da ATP? Djokovic terá seu #1 ameaçado?
31’15” – O momento de Rafael Nadal
32’25” – Stan pode fechar o Career Slam? E Bruno Soares?
35’15” – Stan vai manter a meta de um Slam por ano ou é melhor deixar a meta aberta e dobrar depois?
36’10” – Ouvinte: Wawrinka já é maior que Murray e Wawrinka?
39’05” – Djokovic acertou no plano de jogo na final do US Open?
42’15” – Opiniões sobre a polêmica do pé sangrando de Djokovic
46’54” – Djokovic precisa de um tempo parado para tratar as questões físicas?
47’30” – Djokovic estará no Rio Open em 2017? E Andy Murray?
48’53” – Andy Murray decepcionou no US Open?
52’21” – Rafael Nadal, sua eliminação
55’14” – Nadal teria sentido pressão na derrota contra Pouille?
56’00” – Raonic e Cilic, as grandes decepções do torneio masculino
58’13” – Monfils foi antiesportivo na partida contra Novak Djokovic?
60’21” – Monfils, o homem mais sortudo de 2016 e sua chave no US Open
62’04” – O título juvenil nas duplas de Felipe Meligeni
62’50” – Sheila e Cossenza contam histórias com Fernando e Felipe Meligeni
66’23” – Send Me An Angel (Scorpions)
66’54” – O título de Angelique Kerber
67’55” – Cossenza enumera as qualidades da campeã: “Virei fã da Kerber”
69’33”- Kerber como uma evolução de Wozniacki
70’30” – Angelique Kerber vai se manter como número 1 por algum tempo?
72’25” – O que fez Karolina Pliskova finalmente ir longe em um Slam?
75’15” – Acabou a era de domínio de Serena Williams?
76’34” – Patrick Mouratoglou paga para treinar Serena Williams?
78’18” – “Seria Patrick Mouratoglou a Bel Pesce do tênis?”
79’05” – Garbiñe Muguruza, a decepção do torneio feminino
80’18” – Ana Konjuh e Caroline Wozniacki, as surpresas do US Open
82’40” – A “carta fantasma” de Caroline Wozniacki
84’25” – Wozniacki voltará a ser um nome relevante na WTA?
87’30” – Angels (Robbie Williams)

Crédito musical

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum.


Semana 20: o embalo de Stan e o que rolou às vésperas de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

Com Roland Garros começando já neste domingo, o preparo dos guiazões e a edição do podcast Quadra 18, o resumaço da semana sai um pouco mais curto do que o normal, mas ainda lembra dos campeões do período e de quem ganha embalo às vésperas do torneio francês.

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Os campeões

Em condições normais, Stan Wawrinka nem deveria estar em quadra nesta semana, mas as campanha ruins nos Masters de saibro e a chance de jogar em casa o levaram ao ATP 250 de Genebra. O suíço, então, finalmente conquistou um título em seu próprio país. Neste domingo, Wawrinka derrotou Marin Cilic por 6/4 e 7/6(11), com direito a uma bela virada no segundo set, que o croata vencia por 4/1.

Estar em quadra na véspera do início do Slam francês talvez não seja a preparação ideal para o atual campeão de Roland Garros, mas certamente, como a ATP escreveu em seu site, preenche um buraco no currículo do suíço. Além disso, uma sequência de quatro vitórias antes de um evento tão importante não é nada mau.

No ATP 250 de Nice, o título ficou com Dominic Thiem, o rei dos 250. O austríaco, aliás, também venceu o torneio no ano passado. O garotão de 22 anos, #15 do mundo, agora soma seis títulos na carreira: Nice, Umag e Gstaad no ano passado; e Buenos Aires, Acapulco e Nice este ano. De todos esses, Acapulco foi o único fora do saibro e também o único ATP 500. A final deste sábado foi contra o adolescente alemão Alexander Zverev (#48), de 19 anos, e o placar final mostrou 6/4, 3/6 e 6/0.

As campeãs

No WTA International de Nuremberg, Kiki Bertens derrotou Mariana Duque Mariño por 6/2 e 6/2 na final, que durou pouco mais de uma hora. Foi uma campanha interessante da holandesa, que furou o qualifying e derrotou no caminho até o título a cabeça 1, Roberta Vinci, a americana Iriina Falconi (abandono), e alemã Julia Goerges e, por fim, Duque Mariño, responsável por derrotar a cabeça e, Laura Siegemund.

No WTA International de Estrasburgo, a tenista da casa Caroline Garcia deu à torcida motivo para festejar. A francesa derrotou Mirjana Lucic Baroni na final, por 6/4 e 6/1. Foi seu segundo título na carreira. O anterior veio no WTA de Bogotá do ano passado. No caminho até o título, a tenista de 22 anos eliminou Kirsten Flipkens, Jil Belen Teichmann, Sam Stosur (WO), Virginie Razzano e Lucic Baroni.

A cabeça 1, Sara Errani, caiu logo na estreia diante de Monica Puig, enquanto a segunda pré-classificada, Sloane Stephens, venceu um jogo, mas perdeu nas oitavas para a wild card Pauline Parmentier.

Os brasileiros

Para a maioria dos brasileiros, a semana não poderia ter sido pior. No WTA de Nuremberg, Teliana Pereira (#81) foi eliminada na estreia. A algoz foi a alemã Annika Beck (#42), a mesma que já havia sido derrotada pela brasileira duas vezes este ano. A pernambucana agra soma três vitórias e 13 reveses na temporada.

Em Genebra, Thomaz Bellucci defendia o título e não passou da segunda rodada. O paulista chegou a abrir 3/2 e sacar em 40/15 no primeiro set contra Federico Delbonis, mas não fechou nenhum game depois disso. O argentino venceu dez games seguidos e triunfou por 6/3 e 6/0. Com os pontos não defendidos, Bellucci despencou 18 posições no ranking, saindo do top 50 e indo parar em 57º.

Entre os duplistas, o único que entrou em quadra foi André Sá. Ele e Chris Guccione foram derrotados na estreia em Nice. Os algozes foram os suecos Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom, que venceram no match tie-break: 6/2, 5/7 e 10/3.

O breve qualifying brasileiro

No qualifying de Roland Garros, os homens pouco fizeram. Todos acabaram eliminados na primeira rodada. Feijão tombou diante de Andrea Arnaboldi (#174) por 6/3 e 6/2, André Ghem foi superado por Henri Laaksonen (#190) por 7/6(5), 6/7(5) e 6/2, Guilherme Clezar perdeu para Francis Tiafoe (#188) por 1/6, 7/5 e 6/2, e Thiago Monteiro foi derrotado por Ruben Bemelmans (#186) por duplo 6/3.

No qualifying feminino, Paula Gonçalves também perdeu na primeira rodada. Sua algoz foi a holandesa Richel Hogenkamp (#139), que fez 6/3 e 6/4. O único triunfo brasileiro veio com Bia Haddad, que passou pela australiana Olivia Rogowska (#348) por 3/6, 6/3 e 6/4. A paulista, #332 do mundo, foi eliminada na segunda rodada pela americana Jennifer Brady: 6/3 e 6/4.

O doping

A ITF anunciou na sexta-feira que Marcelo Demoliner foi flagrado em um exame antidoping no dia 22 de janeiro, durante o Australian Open. A amostra de urina continha hidroclorotiazida, que faz parte do grupo de diuréticos e agentes mascarantes (aqueles que tornam mais difícil detectar outras substâncias proibidas). Segundo a ITF publicou em seu site, Demoliner admitiu a violação e foi suspenso por por três meses, a contar do dia 1º de fevereiro. O gaúcho perdeu os pontos e o prêmio em dinheiro adquiridos desde o Australian Open.

A chama acesa

Enquanto isso tudo acontecia, Bruno Soares deu um pulo no Brasil para carregar a tocha olímpica em Vitória (ES). Por que Vitória? Porque foi a data que o mineiro conseguiu encaixar em seu calendário antes de embarcar para Roland Garros.

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As desistências

Uma notícia que não se lê todo dia, ou melhor, que nunca se leu antes. Roger Federer decidiu não disputar um Slam. Ainda não recuperado fisicamente, o suíço anunciou que não jogará em Paris. Preferiu não arriscar e disse que, ao não jogar Roland Garros, estará garantindo que poderá atuar pelo resto da temporada e alongar sua carreira. Prometeu voltar nos torneios de grama e disse que estará de volta a Roland Garros em 2017.

Roger Federer é o recordista em Slams disputados de forma consecutiva. Foram 65 deles desde o Australian Open de 2000.

Entre as mulheres, Caroline Wozniacki decidiu não jogar em Roland Garros por causa de uma lesão no tornozelo. Ela se junta na lista de desistências à suíça Belinda Bencic, que vem sofrendo com um problema nas costas.

Fanfarronice publicitária

Na campanha da Peugeot para Roland Garros, Gustavo Kuerten e Novak Djokovic gravaram algumas cenas juntos e, aparentemente, se divertiram bastante nos intervalos. No vídeo abaixo, o sérvio aprende algumas frases em português.


Rio Open, dia 4: Paula ainda sonha, Thiago tomba e Bellucci vende pipoca
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Alexandre Cossenza

Rafael Nadal empolgou por algum tempo, brasileiros saíram vitoriosos em todos jogos de duplas, Paula Gonçalves manteve vivo o sonho na chave feminina, e Thiago Monteiro não conseguiu um segundo “milagre”. Sem chuva, o Rio Open viu muito tênis de qualidade nesta quinta-feira e quem esteve no Jockey Club Brasileiro teve a sensação de que o torneio finalmente embalou.

O dia ainda teve Thomaz Bellucci vendendo pipoca, Rafa Nadal encontrando um craque do Vasco e, fora do Rio Open, a notícia de que Novak Djokovic ainda cobra judicialmente uma dívida do Estado do Rio de Janeiro. Role a página e leia tudo!

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O fim do sonho

Foi um primeiro set equilibrado, que escapou no tie-break. Na virada de lado, Thiago Monteiro vencia por 4/2. Porém, o experiente uruguaio Pablo Cuevas, 30 anos e #45 do mundo, se salvou e levou o game de desempate. Quando o veterano conseguiu uma quebra no terceiro game da segunda parcial, foi como se soassem as 12 badaladas para o cearense, #338 do mundo. Monteiro não teve mais nenhuma chance de quebra e perdeu o serviço novamente no nono game, decretando o fim da memorável passagem pelo Rio Open: 7/6(5) e 6/3.

Com os 45 pontos somados no evento, o cearense de 21 anos pulará provavelmente para o grupo dos 280 melhores do mundo. Ainda não será o melhor ranking da carreira (Monteiro foi #254 em novembro de 2013), mas será um belo salto que pode ganhar novo impulso em São Paulo. Nesta quinta, a organização do Brasil Open oportunisticamente ofereceu um wild card para o cearense na chave principal. Vale ficar de olho nele por lá também.

Os favoritos

Contra Nicolás Almagro, Rafael Nadal lembrou mais um pouco “daquele” Rafael Nadal que o mundo se acostumou a ver no saibro. Pelo menos no primeiro set, quando tomou a dianteira logo no começo e manteve a vantagem até fechar a parcial em 6/3. Merece destaque especial o nono game, em que Almagro teve três break points seguidos (0/40), e o ex-número 1 do mundo escapou de todos brilhantemente.

O segundo set não foi tão empolgante, e Nadal perdeu o saque duas vezes – em ambas, logo depois de quebrar Almagro. Só que o ex-número 1 aproveitou o nervosismo de Almagro, que estava descontente com os juízes de linha e desandou a errar e cedeu um saque pela terceira vez seguida no 11º game. Nadal, então, confirmou e fez 6/3 e 7/5.

Nem tudo foi ruim no dramático segundo set. Nadal também brilhou e inclusive fez esse ponto abaixo, lembrando “aquele” Nadal.

Na coletiva, Nadal, além de se mostrar feliz com o primeiro set, que classificou como “muito bom, muito completo, com muito poucos erros, fazendo o que tinha que fazer”, admitiu que ficou um pouco nervoso no fim da segunda parcial.

Vale destacar também que o cabeça de chave 1 do torneio revelou ter ficado preocupado com uma menina que ficou espremida por outros fãs quando esperava por um autógrafo. “Quando há muita gente, fica perigoso para eles. Me preocupou porque havia uma jovem que estava chorando porque estavam lhe apertando.”

Nadal, porém, não culpou o torneio. “Não é nada de novo, é muito difícil evitar que isso aconteça e é lógico também que os fãs tenham a opção de querer uma foto ou um autógrafo. Eu, para evitar que isso aconteça, o que posso fazer é não dar autógrafos e não tirar fotos, mas me pareceria uma grande falta de educação.”

Ao fim do jogo, Nadal recebeu a visita do atacante Nenê, do Vasco. O brasileiro jogou no Mallorca ao lado de Miguel Ángel Nadal, tio do tenista, em 2004.

David Ferrer, cabeça de chave 2, teve mais trabalho com o compatriota Albert Ramos Viñolas, que venceu o primeiro set, mas perdeu o embalo após ir ao banheiro e, na volta, ouvir reclamações de Ferrer, que achou ruim o tempo levado pelo oponente para sair e voltar à quadra. Coincidência ou não, o número 6 do mundo disparou na frente no segundo set e acabou vencendo a parcial decisiva. O placar final mostrou 4/6, 6/1 e 6/4.

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Os brasileiros

A dupla olímpica formada por Marcelo Melo e Bruno Soares (que jogarão juntos no Rio e em São Paulo) voltou à Quadra 1 para continuar a partida contra os também brasileiros Fabiano de Paula e Orlando Luz. O jogo foi interrompido na noite anterior com o placar ainda em 2/0 para Soares e Melo e recomeçou nesta quinta com os mineiros perdendo o serviço. Foi, no entanto, o único momento de quase-equilíbrio da tarde. Os favoritos fizeram 6/2 e 6/3, sem problemas.

Após o jogo, ainda na Quadra 1, Marcelo Melo foi homenageado pelo torneio e ganhou uma bandeja comemorativa pelo posto de número 1 do mundo. Foi uma cerimônia curta e sem muita pompa, mas valeu pela torcida fazendo o coro de “Girafa, Girafa” e pela surpresa do número 1 do mundo.

Soares e Melo, cabeças de chave 1 do torneio, enfrentarão nas quartas de final Dusan Lajovic e Dominic Thiem e podem até fazer um confronto brasileiro nas semifinais. Feijão e Rogerinho também estrearam com vitória nas duplas e bateram o austríaco Philipp Oswald, atual campeão do torneio, e o argentino Guillermo Duran por 6/2, 6/7(3) e 10/8. Nas quartas, os paulistas vão encarar os espanhois Pablo Carreño Busta e David Marrero.

Também pela chave de duplas, Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner fizeram o jogo mais animado da Quadra 1, com intensa participação do público. Paulista e gaúcho perderam o primeiro set, mas reagiram na segunda parcial contra Aljaz Bedene e Albert Ramos e venceram no match tie-break: 6/7(6), 7/6(4) e 10/4. Eles enfrentam Paul-Henri Mathieu e Jo-Wilfried Tsonga nas quartas.

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Depois da vitória nas duplas, Bellucci participou de uma ação promocional do Cinemark. A ideia era disfarçar o número 1 do Brasil e ver se os consumidores o reconheceriam. Foi divertido, embora poucas pessoas tenham aparecido – a gravação aconteceu durante a partida entre Thiago Monteiro e Pablo Cuevas, a única no complexo naquele momento.

Parece (pelo menos para mim) questionável uma ação que associa pipoca a um atleta bastante criticado em redes sociais, mas é bacana ver que Bellucci participou sem se mostrar preocupado com isso.

Paula e o melhor ranking da carreira

Na chave feminina, a única sobrevivente brasileira aprontou mais uma zebra e eliminou a sueca Johanna Larsson, #48 do mundo e cabeça de chave 2 do Rio Open: 6/4 e 6/4. A melhor campanha da vida da paulista lhe coloca nas quartas de final contra a americana Shelby Rogers, #131.

Atual número 285 do ranking mundial, Paula já soma 66 pontos com a campanha na Cidade Maravilhosa e, mesmo que perca nas quartas, possivelmente estará entre as 220 primeiras na lista que será divulgada na próxima segunda-feira. Será sua melhor posição na carreira, superando o 238º posto ocupado na semana de 15 de junho do ano passado.

O melhor estande

O Leblon Boulevard – área de convivência do Rio Open – continua muito bem servido na questão alimentícia, apesar dos preços. Um combo de pipoca e duas bebidas no food truck do Cinemark custa R$ 43, por exemplo.

Na parte de entretenimento, há menos opções do que no ano passado (alguns conhecidos sentiram falta dos jogos do Itaú e da Peugeot, por exemplo). Mas o estande da Pirelli se destaca, com um excelente simulador de Fórmula 1. Por cinco minutos o visitante pode pilotar – de graça – no circuito de Interlagos. O game é ótimo, o carro reage gloriosamente aos comandos dos pedais e do volante, e as três telas em frente ao bólido ajudam o visual da simulação. Recomendo muito.

Pirelli_RioOpen_col_blog

A dívida

Publicado nesta quinta-feira no UOL: Novak Djokovic cobra R$ 650 mil do Governo do Estado do Rio de Janeiro pela exibição feita no Brasil, em 2012, com Gustavo Kuerten. O Estado se comprometeu a pagar um cachê de R$ 1,1 milhão ao sérvio, mas o número 1 do mundo afirma ter recebido apenas R$ 450 mil. A íntegra da reportagem está neste link.

Vale lembrar que o mesmo Estado do Rio de Janeiro dá ao Rio Open R$ 10 milhões em forma de incentivos fiscais.


Quadra 18: S01E07
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Alexandre Cossenza

Rafael Nadal, Roger Federer e Andy Murray já conquistaram títulos na grama (ok, Nicolas Mahut também) este ano, e mesmo sem Serena Williams, Maria Sharapova e Petra Kvitova colocarem os pés no piso, não faltou assunto para debater no sétimo episódio do podcast Quadra 18. Desde o significado das conquistas em Stuttgart, Halle e Queen’s até o memorável mico que o ATP de Nottingham pagou ao confundir Marcelo Melo com um ator da Globo.

Com muita informação dentro de um bate papo descontraído, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos sobre um pouco de tudo e, desta vez, reservamos o terceiro bloco do programa para responder um punhado de perguntas de ouvintes. Incluímos uma história sobre o “carisma” de Kei Nishikori, comentamos a carreira de Juan Martín del Potro e sopramos a corneta para falar do novo site da ATP. Ah, sim: o episódio acaba com uma historinha triste contada pela Aliny. Ouve aí!

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes. Nosso arquivo com todos os programas também está no Tumblr. E para enviar questões, críticas e sugestões, nosso canal preferido é o Twitter – incluam sempre a hashtag #Quadra18 – mas também aceitamos via e-mail e Facebook.

Os temas

Como nem todos nossos ouvintes querem ouvir o programa inteiro, então deixo abaixo, como de costume, em que momento falamos sobre cada tema. Assim, quem preferir pode avançar direto até o trecho que preferir.

1’40’’ – O que significam os títulos de Nadal, Federer e Murray na grama?
8’08’’ – O que esperar de Wawrinka em Wimbledon?
10’30’’ – A eficiência de Nadal na rede / A capacidade de
12’07’’ – A relevância das lesões de Nishikori, Monfils e Tsonga
13’55’’ – Os resultados da WTA sem Serena apontam algo relevante?
16’02’’ – A lesão de Azarenka e o recorde de Sabine Lisicki
18’00’’ – Quem está em boa fase no circuito de duplas
21’13’’ – A volta de Marcelo Melo aos torneios após o título de Wimbledon
21’47’’ – Nottingham confunde Melo com ator da Globo
22’53’’ – Aliny comenta a barba de Bruno Soares
24’46’’ – Os últimos resultados de André Sá
25’35’’ – Marcelo Demoliner é campeão com Marcus Daniell / #SomosTodosDemo
27’46’’ – Seria a última grande chance de Federer ganhar um Slam?
30’24’’ – Trio comenta o que mudou com três semanas de torneios antes de Wimbledon
33’17’’ – Wawrinka já é um nome mais relevante do que Del Potro?
36’00’’ – O “gigante” carisma de Kei Nishikori
41’04’’ – Aliny, Sheila e eu falamos sobre nossos pisos preferidos
43’19’’ – Opiniões sobre o novo site da ATP
45’36’’ – Aliny desabafa e conta uma história triste

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “Hang For Days” e “Game Set Match”. As duas últimas fazem parte da audio library do YouTube.


Rio Open: primeiras impressões
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Alexandre Cossenza

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Coluna, coluna, calor e Guga. Fora, estes os temas das quatro primeiras perguntas feitas a Rafael Nadal em sua primeira entrevista coletiva no Rio de Janeiro. Não teve nada de bombástico. Foi bem diferente da chegada do espanhol a São Paulo. Ano passado, Rafa disparava contra o controle antidoping, contra as bolinhas escolhidas para o torneio paulista e contra a rigidez na regra dos 25 segundos.

Rafa chegou ao Rio sem tanto assunto. Espera que a lesão nas costas tenha sido pontual, falou o óbvio sobre o calor, voltou a elogiar Ronaldo e Guga, disse que quer conhecer o Maracanã afirmou, mais uma vez, ser lenda a velha história de que ele teria uma carreira curta por causa de seu estilo de jogo. É um ponto que Nadal gosta de ressaltar – e já o fez muitas vezes. Quem começa a carreira profissional aos 16 e chega aos 27 com número 1 do mundo já tem 11 anos de circuito. E Rafa adota esse discurso há pelo menos umas três temporadas.

O líder do ranking treinou na quadra central e teve nas mãos uma camisa do Flamengo (veja aqui), já que tem sempre alguém para alimentar essa grande bobagem que é ver o uniforme de seu clube nas mãos de qualquer famoso que aparece no Rio de Janeiro.

Há várias pontos dignos de elogios antes mesmo de o torneio começar. Alguns tenistas com quem conversei disseram que a alimentação é de nível altíssimo. O mesmo vem sendo dito a respeito da sala dos jogadores. Aparentemente, os atletas estão satisfeitos com o que vêm encontrando até agora. O único porém que ouvi foi em relação ao espaço não muito longo entre a linha de base e a tela do fundo de quadra. Em um dia com as bolas quicando bastante, deve ter gente jogando colado na grade, especialmente nas quadras secundárias. Vale observar.

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Como o Rio Open não começou, não dá para afirmar, mas é possível que o público reclame da falta de estacionamento. O comunicado enviado pelo torneio nesta sexta lembra que “ônibus de integração do Metrô e demais vindos pelo sentido Jardim Botânico têm como ponto mais próximo da entrada o Baixo Gávea”, só que o Baixo Gávea fica a 800 metros da entrada do Jockey Club. E a entrada do Jockey fica a uns 400 metros das quadras. Não é tão perto assim.

O comunicado não falava em estacionamento, então fui averiguar e encontrei um post na página do Rio Open no Facebook que recomenda o uso de bicicletas, com a seguinte justificativa: “Como não haverá estacionamento no local, você se exercita e ainda aproveita as lindas vistas da cidade maravilhosa.” Está longe de ser o cenário ideal, mas vale aguardar a reação do público e acompanhar como ficará o trânsito na região durante as rodadas noturnas – todas com ingressos esgotados. Lembrando sempre que a arena vai receber mais de 6 mil pessoas por noite.

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Sem ir na toalha:

– Voltando a falar de tênis, ainda não havia, até o fim do dia, uma definição sobre a participação de alguns brasileiros na chave de duplas. Marcelo Demoliner, por exemplo, treinava na Quadra 1 enquanto esperava a resposta sobre seu pedido de wild card. Não parece improvável que ele forma parceria com André Sá, seu parceiro no treino, ou com Feijão.

– O qualifying começa neste sábado, às 10h. Entre os brasileiros, estarão em quadra Ana Clara Duarte, Wilson Leite, André Ghem, José Pereira, Rogerinho, Gabriela Cé, Marcelo Zormann, Ricardo Hocevar e Luisa Stefani. Os horários estão aqui e a entrada é gratuita.

– A gafe do dia ficou por conta do Jornal Nacional, que afirmou ser a primeira vez de Rafael Nadal no Brasil. Na verdade, é a terceira passagem do espanhol por aqui. Ele foi campeão do Brasil Open em 2005 e 2013. O telejornal da Globo teve de corrigir a informação. Veja aqui.

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– O sorteio das chaves será realizado no Shopping Leblon, neste sábado, às 18h. Quem aparecer por lá vai encontrar Thomaz Bellucci e Teliana Pereira. O Rio Open promete participação ativa do público no sorteio. A chave de duplas será sorteada no domingo, no Jockey.

– Bacana ver que Nadal, antes da coletiva, assinou um bocado de peças para alunos do projeto social Tênis na Lagoa. Vide foto.


Dilemas de Demoliner
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Alexandre Cossenza

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Nos três primeiros torneios do ano – todos da série Challenger -, Marcelo Demoliner conquistou apenas uma vitória. O gaúcho, então viajou até Zagreb em uma missão complicada: disputar o ATP 250 de Zagreb ao lado do indiano Purav Raja, com quem nunca havia jogado antes. Pois juntos, os dois derrotaram a dupla do tcheco Frantisek Cermak e os cabeças de chave número 3, Johan Brunstrom e Julian Knowle, sem perder sets. Brasileiro e indiano só foram eliminados pelos cabeças 2, Jean-Julien Rojer e Horia Tecau – e mesmo, assim no match tie-break.

O que mudou? “A energia”, é o que responde Demoliner. Conversamos por telefone ainda no sábado, pouco depois da semifinal, e o gaúcho estava um tanto feliz com sua campanha na Croácia. No bate-papo, o atual número 94 do mundo no ranking de duplas falou sobre a química que obteve com Raja e de como tudo deu certo em Zagreb. Demoliner ainda falou sobre sua corrida contra o tempo para conseguir um ranking que o coloque nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, e da dificuldade que vem encontrando para encontrar um parceiro fixo. Leiam:

Você jogou três Challengers e ganhou uma partida só. Seu parceiro só tinha jogado um torneio. De repente, vocês estão numa semifinal da ATP. O que aconteceu nessa semana, que deu tudo certo?
Cara, o que mudou foi a energia. Eu peguei um parceiro que tem uma energia super positiva e foi muito legal ter jogado com ele. Ele tem um puta alto astral fora da quadra, dentro da quadra… Isso faz com que eu me preocupe somente comigo. Então eu relaxei essa semana e curti bastante. Foi bem produtivo, bem legal.

Mas como vocês formaram a dupla? Foi olhando a lista, vendo quem precisava de parceiro, ou vocês já se conheciam?
Não, foi tudo em cima da hora. Eu já joguei contra ele, conheço desde o ano passado, aí a gente viu que tinha dois ATPs aqui na Europa nesta semana e também tinha Viña del Mar, só que Viña eu sabia que iria fechar bem duro e eu não ia conseguir entrar. Comecei a analisar as duas listas daqui da Europa (Montpellier e Zagreb) e me inscrevi nos dois torneios. A gente ia entrar nos dois, e a gente acabou entrando neste porque a estrutura aqui é bem melhor. E deu tudo certo. Cheguei aqui cedo porque perdi na primeira rodada no Panamá, então deu para me adaptar bem com o fuso horário e o frio. E me adaptei super bem com o parceiro. É sempre melhor jogar com alguém que é duplista, né? Este ano, eu não tinha jogado nenhum torneio com parceiro duplista, então é outra coisa. O cara vem para jogar dupla, treina só dupla.

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Quem olha a campanha de vocês, com 6/3 e 6/4 no Cermak e no Elgin, 6/3 e 7/5 no Brunstrom e no Knowle, acha que foi fácil. Conta como foram esses jogos.
Foi legal porque o Cermak já foi 14 do mundo. A gente se conectou super bem desde o primeiro jogo, com uma energia super boa. Eu saquei muito bem o torneio inteiro. Meu parceiro voleia muito bem, faz boas devoluções. Eu também comecei a jogar na esquerda este ano. Estou gostando mais de jogar ali. Minhas devoluções melhoraram bastante nesse lado. Contra o Brunstrom e o Knowle foi um jogo que a gente teve chance e aproveitou as duas chances que teve. Aí a gente pegou confiança. Hoje, tivemos um pouco de falta de sorte. Tivemos um break no primeiro set, podia ter sido dois sets, mas faz parte. Tênis é desse jeito. Bom, agora é usar essa experiência, essa energia aqui para seguir em frente.

Você vai jogar Rio e São Paulo?
Provavelmente. Estou pedindo wild card, tenho grandes possibilidades. Se tiver, jogo Rio e São Paulo. Depois, vou jogar no Panamá e três Challengers no México.

Ainda vai entrar em quali de Challenger nas simples?
Ah, não estou me preocupando muito com as simples, sabe? Foi só nesses torneios que meu parceiro era singlista. Aí eu não tinha com quem treinar, não tinha muito duplista nos torneios, daí usei a simples para treinar para a dupla: fazer saque e voleio, devolução como se fosse para a dupla. Eu estou usando as simples para treinar. Está dando até resultado. Passei dois qualis de Challenger este ano, me divertindo, sem pressão nenhuma, mas meu foco realmente agora é dupla. Eu sei que meu físico não permite jogar as duas coisas. Ou é simples ou é dupla. Se tiver dois jogos no mesmo dia, uma simples que for para a negra, vai ser muito difícil de jogar 100% a dupla, então eu tenho que focar. Eu quero muito jogar as Olimpíadas. Tenho este ano para ir bem, ano que vem para fazer meu ranking mesmo e conseguir jogar as Olimpíadas, entende?

Com seu ranking de hoje (Demoliner era 100 do mundo em duplas na lista da ATP), é muito difícil conseguir um parceiro fixo, não?
É muito difícil.

Porque você fica entre uma coisa e outra, né?
Eu fico de cabeça de chave de Challenger e um, dois lugares, fora dos ATPs. Então é difícil tu não ter um cara fixo, ter que se adequar ao teu parceiro toda semana. É complicado, e os caras que estão ali entre o top 50 já têm parceiro fixo e já estão entrosados. É difícil eles desfazerem essas parcerias. Eles combinam para jogar um ano. Se não der certo, eles trocam a parceria no começo do ano. Só que sempre pegam quem está no top, já, para eles conseguirem entrar nos ATPs. Por isso que minha situação agora é difícil. Eu tenho que achar alguém no meu mesmo ranking, que queira se dedicar só à dupla, para subir junto. É assim que eu tô tentando fazer agora. Tô procurando. Até já falei com meu parceiro para ver se a gente não combina outros torneios. Talvez a gente jogue os Challengers da América Latina.

O quanto você ficou surpreso com a semana?
Cara, eu acredito muito no meu jogo. Para mim, não chegou a ser uma surpresa tão grande. Eu realmente vi que eu tenho chance. Os caras que eu enfrentei hoje (Rojer e Tecau), pô, são top 10 e já jogaram Masters. Tivemos quebra no primeiro set, ganhamos o segundo, e (perdemos) o super tie-break no detalhe. Então eu confio muito no meu potencial e espero que eu continue tendo boas vitórias para eu achar um parceiro e realmente me meter.

—fim—

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Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– Enquanto Demoliner batalha por um wild cards nos torneios brasileiros, alguns convites vêm sendo anunciados. No Rio Open, por exemplo, já estão garantidos na chave principal Thomaz Bellucci e João Souza, o Feijão. Marcelo Zormann, por sua vez, ganhou um lugar no qualifying. Na chave feminina do torneio carioca, haverá Teliana Pereira, Paula Gonçalves e Bia Haddad.

– No Brasil Open, apenas Bellucci foi confirmado até agora. É muito provável, no entanto, que Guilherme Clezar, atleta agenciado pela Koch Tavares (promotora do torneio), também receba um wild card.

– Nenhum brasileiro passou pelo qualifying do ATP 250 de Buenos Aires, disputado neste fim de semana. Bellucci e Rogerinho abandonaram suas partidas na primeira rodada (calor e umidade levaram os tenistas à exaustão), enquanto Clezar chegou à terceira rodada, mas perdeu para o argentino Máximo González, que estreará na chave principal contra David Ferrer.


Por dentro da pré-temporada no Rio
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Alexandre Cossenza

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São 9h35min de uma quarta-feira de tempo bom no Rio de Janeiro. Quatro rapazes chegam sem chamar muita atenção e cumprimentam o jornalista sentado à beira da quadra. As raqueteiras e um garrafão de água vão logo para o chão. É o terceiro dia de uma pré-temporada intensa. E ainda que “intensa” e “pré-temporada” sejam expressões quase redundantes, fui ao Marina Barra Clube para acompanhar de perto o ritmo de treinos.

Um dos quatro era Rogerinho, número 2 do Brasil, que viveu um ano difícil. Seu momento alto veio no US Open, onde avançou uma rodada e ganhou, de prêmio, um confronto com Rafael Nadal. No geral, entretanto, o paulista de 29 anos teve um punhado de lesões que atrapalharam a temporada. O último problema foi uma inflamação em um dente siso, que exigiu uma extração às pressas e lhe deixou de molho por cinco dias.

Quem se sente mais em casa no grupo era Fabiano de Paula. O carioca de 25 anos vem se recuperando de uma lesão no punho direito. As dores o afastaram dos torneios em um momento importante: a temporada de Challengers na América do Sul. Fabiano deixou de lutar por pontos e caiu no ranking. Em maio, era o 212. Hoje, é apenas o 450 na lista da ATP.

O sotaque gaúcho de Marcelo Demoliner e Guilherme Clezar é fácil de reconhecer. O segundo está de mudança para a Cidade Maravilhosa. Ele vem junto com João Zwetsch, que também estabelecerá residência na cidade. Clezar ainda não sabe onde vai morar, e uma de suas necessidades pré-treino nesta quarta-feira é encontrar uma lavanderia que cobre por quilo.

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Pouco antes das 10h, é a vez de Thomaz Bellucci aparecer, acompanhado por seu técnico, Pato Clavet, e por seu preparador físico, André Cunha. Zwetsch, que vinha do Recreio dos Bandeirantes, chega dez minutos atrasado. A essa altura, o trânsito do Rio de Janeiro já é um dos assuntos. Bellucci concorda quando digo que deslocar-se no Rio é bem mais complicado do que em São Paulo.

O número 1 do país é o primeiro a entrar em quadra para aquecer. Fabiano conversa com o fisioterapeuta da CBT, Paulo Roberto Santos, que coloca uma fita preta no punho do carioca. “Apenas para limitar a movimentação”, explicou o tenista após o treino. Ele não sentiu dores durante o dia e sorriu quando falou da sensação de estar em quadra novamente.

As bolas são “Wilson Australian Open”, iguais às que serão usadas em Melbourne. Difíceis de adquirir no Brasil, as amarelinhas são uma cortesia da Koch Tavares, que administra a carreira de Clezar.

O treino começa com Bellucci sozinho em um dos fundos de quadra, só batendo forehands. Fabiano e Rogerinho estão do outro lado da rede. O ritmo é mesmo forte. E não há intervalo entre os pontos, como nos torneios. Errou, recebe logo outra bola e continua. Clavet orienta o treino. “Dois minutos aqui, uma e uma, vale?” Bellucci, então, vai para o lado esquerdo e só bate backhands, mudando de direção. A intensidade é impressionante. Contei algumas vezes, e os drills eram de 50, 60 rebatidas até algum intervalo.

Os três se revezam nas posições. Bellucci é, disparado, quem bate mais forte e com mais precisão. Às 11h, uma pequena pausa. Paulo Santos chega com um coco, e todos comem uma lasca. Bellucci volta ao fundo de quadra, agora mudando a direção da bola com o forehand. De 54 bolas, sem intervalo, erra duas. O clube é silencioso. Só se ouve o gemido de Bellucci ao bater na bola. A seriedade é quebrada momentaneamente quando Rogerinho começa a gemer ainda mais alto e bater mais chapado na bola. Os dois trocam golpes violentos até que Bellucci erra. Zwetsch, esboçando um sorriso, olha para Rogerinho, depois vira-se para Bellucci
e diz: “o instinto lenhador sempre sobressai”.

O número 1 deixa a quadra e busca algo na raqueteira. Uma fã pede foto, ele atende. Antes do treino, já havia posado outras vezes e dado autógrafos.

Agora são 11h15min, o sol é mais forte e o treino fica mais intenso. Clavet orienta de novo: “uma cruzada, uma paralela, uma cruzada, uma paralela. Dois e dois. Dois minutos. Vale?” São duas bolas em cada lado da quadra, e Bellucci precisa correr. É o mais exigente dos drills do dia. Em um jogo oficial, um ponto raramente chega a 30 segundos. Aqui, são dois minutos sem intervalo. Todos acabam esgotados. Rogerinho, que começou a pré-temporada ainda se recuperando, sente ainda mais o cansaço. Clavet incentiva: “Mais um minuto”. Zwetsch também: “Só mais um pouco”. E o paulista aguenta os dois minutos.

O drill agora é outro. Rogerinho e Fabiano tiram o peso da bola, e Bellucci precisa atacar. Pode ser só impressão minha, mas parece ser um exercício mais divertido para o número 1. Ele começa tentando uma curtinha. A bola fica na rede, e ele lamenta: “Ai, Thomaaaaaaz”. Bellucci dá outra curta. Rogerinho chega e faz um slice na paralela. A bola é duvidosa, mas o canhoto de Tietê marca fora. Os dois discutem, mas com bom humor. “Não rouba. Vai roubar essa?”, diz Rogerinho. Mas Bellucci só ri e conta o ponto a seu favor.

Na mudança de lado, uma fã pede foto com Fabiano. Ele atrasa o treino em alguns segundos, mas para e atende a moça. Depois, corre para o fundo de quadra. Faz calor, e o sol bate na quadra inteira. A sombra onde estou é uma delícia.

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Ao meio-dia, Clezar e Demoliner, que faziam trabalho físico, voltam. Zwetsch dá a ordem: “Cancha dos“. Enquanto Bellucci, Rogerinho e Fabiano treinam voleios, os gaúchos se aquecem trocando bolas na Quadra 2. O treino na Quadra 1 vai até as 12h20min. Nessa hora, Zwetsch acompanhava de perto seu pupilo, o “Gui”. Com o gaúcho de 20 anos, o capitão da Davis é mais específico. Ele corrige movimentos e instrui durante um treino de ataque – Demoliner, batendo só backhands por causa de um incômodo no punho direito, joga bolas sem peso para o conterrâneo atacar.

O bate-bola vai até as 13h. Fabiano, Rogerinho e Bellucci já almoçam. Todos comem no restaurante do clube. Ninguém quer perder tempo no trânsito carioca.

Às 16h, o treino recomeça. Não tenho um termômetro à mão, mas a sensação de calor é ainda maior do que ao meio-dia. Enquanto Paulo Santos avalia o punho de Demoliner, Fabiano e Clezar batem bola na Quadra 2. Às 16h30min, os dois já batem bem mais forte. É quando Bellucci chega e entra na Quadra 1. É hora de trabalhar diretamente com seu técnico. Clavet está falante, animado, e André Cunha já tem um líquido amarelado e esquisito pronto para o tenista.

Depois de um breve trabalho físico em quadra, Bellucci começa a bater bola. Primeiro, do fundo de quadra. Em seguida, drills. Voleios, approaches, golpes da linha de base… O calor assusta. Nem a “minha” sombra, agradável mais cedo, alivia muito. O número 1 pede para trocar de lado na quadra. O outro fundo de quadra tem uma quase-sombra formada pela lona da grade. Na Quadra 2, sem Rogerinho, que faria treino físico, e Demoliner, poupando o punho, Fabiano e Clezar seguem jogando, com eventuais pausas para orientações de seus técnicos. Zwetsch está em um fundo de quadra. Duda Matos, técnico da Tennis Route, no outro.

Por volta das 17h20min, Bellucci, já está esgotado. As pausas entre os drills são cada vez maiores. Às vezes, o paulista senta no fundo de quadra com a cabeça baixa. Marquei seis minutos de intervalo na mais longa das pausas. Bellucci volta, faz outro drill, bate 15 bolas e para outra vez. Desde o começo do dia, já são 4h30min em quadra. Mas o trabalho estava programado para acabar só às 18h, e o número 1 não desiste. Fica em quadra até o fim.

Rogerinho é o primeiro a ir para a sala de musculação. Para ele, é quase um trabalho de fisioterapia. Vou junto para fazer imagens. Ele me pergunta se posso fazer as fotos de outro ângulo. De onde eu estava, a marca dos Correios não sairia nas imagens. Pouco depois, o resto da equipe chega. As seis horas de quadra ficaram para trás. Demoliner e Fabiano ainda mostram bom humor. Combino com Zwetsch de voltar no dia seguinte. É o fim de um dia longo, mas só o começo da pré-temporada. O dia seguinte teve mais. E o próximo também.

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Coisas que eu acho que acho:

– Infelizmente, uma mudança na programação me impediu de acompanhar um segundo dia de pré-temporada, como havia sido combinado. Por isso, alguns trechos do post ficam sem explicação. Não tive tempo, por exemplo, de conversar com André Cunha e perguntar o que era o “líquido amarelo e esquisito” nem qual era a ênfase do início de trabalho com Bellucci.

– Também foi combinado que eu não entrevistaria ninguém durante minha visita. A intenção nunca foi tirar a concentração ou atrapalhar os treinos. Ressalto, porém, que todos atletas foram bastante simpáticos. E a recepção calorosa também veio de Duda Matos e de Paulo Santos. A todos, agradeço.

– Ainda que não tenha sido possível fazer um post como eu queria (minha intenção era acompanhar alguns dias), fica registrado aqui como é uma jornada de treinos no início de uma pré-temporada. Como expliquei em papo rápido com João Zwetsch, é importante que os fãs de tênis saibam como e o quanto dão duro os tenistas brasileiros antes de encarar o circuito.


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