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Por que Guga não vai treinar Del Potro
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Alexandre Cossenza

No fim de semana, após uma coletiva de Juan Martín del Potro, as notícias começaram a pipocar por toda parte. O argentino, campeão do US Open de 2009, estaria disposto a entrar no grupo de atletas treinados pelos chamados supertécnicos – ex-tenistas que conquistaram muita coisa e toparam ajudar atletas do circuito de hoje. Del Potro citou Pete Sampras e Gustavo Kuerten, mas disse que vem sendo difícil conseguir um acordo com um desses grandes campeões.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Guga confirmou que a equipe de Del Potro entrou em contato, mas não houve mesmo um acerto. E por que Guga não aceitou trabalhar como técnico do argentino? Ele mesmo responde:

“Eu adoraria ajudar o Del Potro porque é um jogador que tem condições de chegar a número 1 do mundo, mas, em função de todos os compromissos que assumi, a minha prioridade no tênis é o desenvolvimento da Escolinha Guga, projeto que tem a ambição de transformar o tênis no Brasil. E além disso o que sobra de tempo é dedicado à família, para eu acompanhar o crescimento dos meus filhos. Quem sabe quando as crianças crescerem, daqui a alguns anos, eu tenha condições de viver esse tipo de experiência.”

A admiração mútua vem de longa data. Durante o Masters de Miami deste ano, Del Potro publicou a foto acima em sua conta no Twitter. É inegável que seria uma parceria intrigante. São dois sul-americanos campeões de Slam, pessoas carismáticas e que precisaram lidar com lesões gravíssimas durante seus melhores anos no circuito. Guga nunca conseguiu voltar ao nível de antes. Delpo parecia rumar para um fim de carreira semelhantes, mas fez um retorno brilhante e comovente em 2016, que lhe rendeu a medalha de prata olímpica e culminou com a conquista da Copa Davis.

Desde seu retorno às quadras, Del Potro vem disputando torneios sem um treinador fixo. Recentemente, o argentino viajou acompanhado por Daniel Orsanic, capitão da equipe argentina que foi campeã da Copa Davis, mas nunca foi uma parceria definitiva.

A rede de franquias da Escolinha Guga (para crianças de 5 a 10 anos) já soma 38 unidades, enquanto a Escola Guga (11 a 15 anos) tem outras 20. A rede tem mais de 2 mil alunos matriculados em 25 cidades do país. O negócio nasceu em Florianópolis com o objetivo de ensinar tática e técnicas do tênis por meio de brincadeiras, com metodologia adequada às diversas idades.

Recentemente, a Escolinha Guga recebeu o Selo de Excelência da ABF (Associação Brasileira de Franchising). A intenção de Guga e sua equipe é alavancar o plano de expansão dos dois modelos de negócio, anunciando outras inaugurações já no segundo semestre do ano.


Tudo que você precisa saber sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

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A organização do Rio Open promoveu, nesta quarta-feira, um encontro de jornalistas com o diretor do torneio, Lui Carvalho, para um bate-papo durante um café da manhã em um hotel na zona sul da cidade. Como já aconteceu no ano passado, a conversa é bastante interessante, com o diretor dando uma espécie de tour pelos bastidores das negociações com jogadores e falando sobre o que a organização espera para o futuro do ATP 500 carioca.

Entre os destaques do dia, Lui falou: das conversas com Del Potro, Murray, Djokovic, Nadal, Wawrinka, Berdych, Dimitrov, Monfils, Dustin Brown e outros; dos planos para transformar o Rio Open em um torneio de quadra dura; do desejo de fazer o evento no Parque Olímpico; da exclusão e da falta de interesse pelo torneio feminino; das vendas de ingressos; e de uma grande expectativa em relação a Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro. A declaração sobre Bellucci, em especial, é interessantíssima!

Selecionei os trechos que achei mais importantes e listei abaixo, com comentários meus e, em itálico, frases de Lui Carvalho. A lista com os tenistas inscritos está no fim do post.

Negociações com tenistas

Juan Martín Del Potro

“Um dos atletas que a gente esteve muito perto de conseguir foi o Del Potro. Ele fez a virada da carreira dele nos Jogos Olímpicos, no Rio, e a gente tinha toda a história montada para ele. Voltando de lesão, jogando no Rio, público apoiando, o único atleta argentino que não é vaiado no Brasil e ele tem essa conexão com o Brasil, mas infelizmente o fator piso pesou. Ele não quis jogar no saibro nessa época do ano, mesmo por valor nenhum. A gente estava pensando em fazer uma proposta conjunta Buenos Aires-Rio, mas infelizmente ele optou por jogar, se não me engano, Delray Beach e Acapulco. Não foi uma questão nem de dinheiro nem de vontade. Foi uma questão de preferência de piso.”

Gael Monfils

“É um namoro antigo nosso, até pela relação que a gente tinha com a nossa última fornecedora de material esportivo [Asics]. Monfils foi o primeiro atleta com quem a gente chegou a conversar, logo depois do Rio Open 2016. Já estava rolando bastante conversa, bastante troca de email para ver se a gente conseguia chegar num acordo, mas ele optou por um calendário diferente. Não tanto pelo piso, mas mais pelo calendário de não ter que voltar da Austrália para a América do Sul e ir direto para os Estados Unidos. Ele preferiu ficar em casa e jogar, se não me engano, Roterdã e Dubai.”

Janko Tipsarevic

“A gente estava esperando fechar a lista. É um ex-top 10, a gente acha um nome muito interessante para o torneio. É um cara divertidíssimo, ele é muito doido. E é um cara inteligentíssimo. Ele realmente pediu [um wild card], e a gente vai começar a ver os wild cards agora.”

Good first week…💪😈💪 @tipsarevictennisacademy #bangkok #keepgrinding #keeppushing #keepdigging

A photo posted by Janko Tipsarevic (@tipsarevicjanko) on

Grigor Dimitrov e Tomas Berdych

“A gente ficou meio nesse jogo de xadrez entre Nishikori e Thiem e Berdych e Dimitrov. Então a gente ficou meio jogando esse joguinho. Quem desses quatro a gente consegue trazer? É um tremendo jogo de xadrez.”

A forte concorrência de Dubai, Roterdã e Acapulco

“A gente disputa os atletas com Dubai, Roterdã e Acapulco, os ATPs 500 dessa época. Se o atleta joga Dubai, ele não joga Rio. Se ele joga Acapulco, é mais possível que ele jogue Rio. A gente fica muito na região. Nós e Acapulco coordenando aqui, Dubai e Roterdã de lá. Dubai está completando 25 anos, então o sheik está vindo com um A380 de dinheiro da Emirates. Acapulco, de um ano para o outro, decidiu investir um caminhão de dinheiro. A gente não sabe da onde está vindo tanto dinheiro também. E Roterdã está tentando consertar o que aconteceu em 2016. Não teve nenhum top 10. (…) Não pegou muito bem com público, patrocinador, ficou uma situação um pouco delicada.”

Outros nomes

“A gente falou com Zverev, Coric, Wawrinka, Murray, Djokovic… A gente chegou a conversar com todos top 10.”

Mudança de piso

“O que a gente está tentando mostrar [para a ATP] é que a competição agora é desleal. Nadal, que é um jogador de saibro, escolher Roterdã e fazer um calendário Roterdã-Acapulco… Os jogadores já não têm argumento para manter o [Rio Open] no saibro porque o carro-chefe deles já está botando a bandeirinha branca e dizendo ‘quero jogar na dura’. É uma politicagem de torneios tentando entrar num acordo do que faria sentido no calendário. (…) Hoje em dia, os jogadores querem mudar pouquíssimo de piso. O que a gente gostaria é de uma oportunidade para testar o Rio Open na [quadra] dura. E é isso que a gente está pedindo para a ATP.”

Calendário pós-2018

Até 2018, a ATP é obrigada a manter a estrutura atual de torneios, com Masters 1000, ATPs 5000 e ATPs 250. Juridicamente, a entidade pode mudar tudo a partir de 2019. Embora alterações radicais não sejam prováveis, é bem possível que o calendário sofra alterações e um aumento no número de datas. A intenção da ATP é decidir tudo isso até o fim deste ano.

“Existem milhares de discussões acontecendo. Por exemplo, a ATP e os diretores de torneio fizeram um trabalho conjunto para diminuir o calendário. O que aconteceu? Entrou a IPTL. Foi inteligente da nossa parte? Não. Foi a maior burrice que a gente fez. A gente deveria ter deixado o calendário com 52 semanas, assim não entra ninguém. Os jogadores fizeram um movimento ‘não quero jogar, quero ter offseason’. A gente ‘tá bom, então vamos diminuir o calendário’. Prejudicou um monte de torneio. E o que os jogadores fazem? Começam a jogar exibição na offseason. Sacanagem, né? Quem faz os jogadores são os torneios! Só existe o Federer, o Nadal porque existe um circuito que faz eles virarem estrelas. Aí eles viram estrelas e viram as coisas pra gente e vão jogar um circuito que não tem nada a ver com a gente? Realmente, é uma discussão que a gente tem em todas as reuniões.”

Desejo de jogar no Parque Olímpico

“A gente tem o desejo de jogar no Parque Olímpico um dia, mas isso não é uma decisão nossa. Depende de uma série de fatores. Depende de quem vai administrar o local, de como vai ser essa negociação, em que condições que a gente vai pra lá… A gente quer deixar isso bem explicado. Nosso evento é no saibro. A gente não conseguiu aprovação pra mudar de piso. A gente tentou e não conseguiu. Não teria tempo hábil pra mudar de dura pra saibro. Para 2018, a gente está tentando ver como pode fazer isso ser possível.”

Interesse no torneio feminino e valores dos ingressos

Com relação a esse assunto, argumentei com Lui Carvalho que não seria justo dizer que o torneio está cobrando o mesmo pelos ingressos de segunda a quinta, já que ano passado o Rio Open tinha um torneio feminino e, logo, o dobro do número de partida. Este ano, o preço é o mesmo, mas só para jogos masculinos. Ele respondeu argumentando que o interesse era mínimo para a chave feminina.

“Você tem a metade de partidas para ver, mas a gente foca no conteúdo, né? Não vou conseguir concordar com você. Se você fizer uma enquete com as pessoas, quantas compraram pra assistir a um jogo do feminino? Quando a gente toma a decisão de tirar o feminino, foi a primeira coisa que a gente falou: ‘a gente vai perder conteúdo?’ A gente fez uma enquete com várias pessoas. O nível do evento já começa muito diferente. Vamos imaginar que fosse um WTA International que tivesse uma Radwanska de cabeça 1 – eu sei que você adora a Radwanska. O nível já começa diferente. Com a data contra Doha e Dubai, o gap ficava ainda maior. A gente teve muita sorte de as brasileiras fazerem boas campanhas nos três anos. (…) Quantas pessoas compraram ingresso para ver a Schiavone? Não sei, mas você concorda comigo que as pessoas compraram ingresso para ver o Nadal, o Tsonga, o Isner? Até acho que quando a gente anunciou a Bouchard, a Madison, não mexe no ponteiro. Não mexe mesmo.”

Venda de ingressos

Até esta quarta, o Rio Open tinha vendido cerca de 60% dos ingressos e ainda havia bilhetes para todas sessões. Segundo Lui Carvalho, a final no domingo de Carnaval não atrapalha a venda. O torneio, aliás, vende pacotes de tênis+carnaval por meio da Faberg, agência parceira. Os ingressos estão à venda aqui.

Expectativa por uma boa campanha de Bellucci e Monteiro

Aqui, é interessante lembrar que Lui Carvalho não fala só como diretor do Rio Open, mas como manager da carreira de Thomaz Bellucci. A relação deles é de longa data e vem desde quando a carreira do tenista era gerida pela Koch Tavares. Lui, então funcionário da Koch, já era o responsável por administrar tudo relacionado a Bellucci.

“Acho que está na hora de o Bellucci e o Thiago fazerem alguma coisa especial no Rio Open. Tá na hora! Eles precisam, sabe? Bellucci precisa meter uma semi num ATP 500 no Brasil. Eles precisam disso. Isso vai ajudar o nosso esporte. Esses caras precisam botar o coração na quadra e dizer ‘eu vou fazer o que o Guga fez’. O Guga levou o tênis nas costas durante seis, sete, oito anos. Eles precisam fazer isso. A gente precisa disso. Estou apostando nisso.”

“Minha conversa com o Thomaz no fim de 2016 foi essa. ‘Você tem 30 anos de idade, entendeu? Ou você vai ou você vai. Não quero que você chegue no final da carreira Rubinho Barrichello. É a única coisa que não quero. Quero que você chegue Felipe Massa. Comoveu a galera. O Thomaz está numa fase que casou, está mais responsável, está numa fase boa pessoal. Ele precisa botar isso dentro de quadra.”

“Acho que os jogadores não entendem a responsabilidade deles dentro do esporte. Acho que eles olham muito a conta bancária deles e ‘ah, tá pingando’ e não entendem que o que eles fazem dentro de quadra move milhões de pessoas. Eles precisam ter mais essa consciência. É muito mais do que a vida deles, do que o patch da manga.”

Lista de participantes


A dívida da Davis e a lição de Del Potro
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Alexandre Cossenza

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Vilas, Clerc, Frana, Jaite, Lobo, Nalbandian, Chela, Cañas, Calleri, Gaudio, Gumy, Puerta, Squillari, Zabaleta… A ilustre lista é longa, e era difícil entender como um país que fabricou tantos tenistas nunca venceu a Copa Davis. Era. A turma do capitão Daniel Orsanic, liderada por Juan Martín del Potro e com competentes coadjuvantes como Leo Mayer, Juan Mónaco, Federico Delbonis, Guido Pella, Carlos Berlocq e Renzo Olivo, bateu a Croácia em Zagreb e conquistou o título, cobrando uma antiquíssima dívida. Sim, era a Copa Davis que devia isso à Argentina, e não o contrário.

Foi a quinta final argentina na Davis e estava longe de ser a melhor chance de título. Em 2008, em Mar del Plata, o time de Nalbandian e Del Potro era favorito contra a Espanha, que viajou desfalcada de Rafael Nadal. Nalbandian atropelou David Ferrer no primeiro jogo, mas Delpo sofreu uma lesão na segunda partida, deixando o (brigado) time dependendo de José Acasuso para forçar o quinto jogo. Não deu. A chance terminou na raquete de Fernando Verdasco, que venceu um jogo nervoso e ruim para dar mais um título aos espanhóis.

Na época, Nalbandian jogou boa parte da culpa nos ombros de Del Potro. O jovem não teria se poupado devidamente para a final da Davis. Talvez Delpo tenha carregado aquela culpa até este ano. Talvez não. Talvez ele apenas guarde mágoa de Nalbandian. Ou nem isso. Difícil saber. O que era impossível mesmo de saber é que Del Potro, depois de tantas lesões nos dois punhos, voltaria à Copa Davis desta maneira.

Em certo momento, o campeão do US Open de 2009 parecia mais um ex-tenista tentando lidar com uma lesão sem solução do que um top 10 que voltaria a brigar com os melhores do circuito. O que aconteceu, no entanto, foi menos Gustavo Kuerten (aposentado por uma lesão no quadril) e mais Rafa Nadal (número 1 do mundo em 2013 depois de ficar afastado por boa parte de 2012).

Em 2016, Del Potro viveu o melhor ano de sua carreira – como ele mesmo afirmou diversas vezes, em várias ocasiões. Derrotou Wawrinka em Wimbledon; bateu Djokovic e Nadal nos Jogos Olímpicos; passou por Ferrer e Thiem no US Open; conquistou um título em Estocolmo; superou Murray nas semifinais da Copa Davis; e completou a temporada com uma virada memorável sobre Marin Cilic, que vencia por 2 sets a 0 e jogava em casa. Esta gloriosa timeline lista tudo.

Mais do que tudo isso, Del Potro deixou a todos uma gigante lição. Mesmo nos momentos mais duros, jamais deixou de acreditar. Sofreu, encheu-se de esperança e sofreu outra vez. Tentou voltar, não conseguiu. Tentou de novo. Falhou novamente. Ralou. Começou do zero. Insistiu. Batalhou. E, finalmente, voltou. E que ninguém ouse duvidar dele daqui em diante.

Coisas que eu acho que acho:

– A Argentina foi campeã como time. Por mais importantes que tenham sido as vitórias de Del Potro sobre Murray nas semifinais e Cilic na final, foram Leo Mayer e Federico Delbonis que venceram os jogos decisivos nesses dois confrontos. Não dá para falar nesta Davis sem mencionar o enorme valor dos coadjuvantes argentinos, impecáveis nos momentos mais importantes.

– O mesmo vale para o capitão argentino, Daniel Orsanic. Um cidadão educadíssimo, que olha na cara, fala o que pensa e escala os melhores. Orsanic não foi contratado para repetir o discurso da federação argentina nem para tentar justificar escolhas patéticas de seus superiores. Assumiu o cargo com uma postura apaziguadora, deixou critérios claros e convocou sempre os melhores. O resultado está aí para todo mundo ver. Não é tão difícil assim.


NY, dia 4: a fábrica americana, o brilho de Del Potro e Ferrer na madrugada
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Alexandre Cossenza

A chuva que chegou timidamente na noite de quarta-feira voltou e ficou na região de Flushing Meadows por mais tempo. Por isso, a organização do US Open foi forçada a encaixar partidas noite adentro nas quadras externas, enquanto durante o dia o público ficou preso quase exclusivamente à programação do Estádio Arthur Ashe e seu debutante teto retrátil.

Em termos gerais, a jornada não teve nenhum resultado muito espantoso. Ainda assim, quem entrou em quadra ajudou a deixar o cenário de expectativas um pouco mais claro rumo à segunda semana do Slam americano. Este resumaço também aproveita para comentar o grande momento de Juan Martín del Potro, o sucesso da “fábrica” americana de tenistas e a escalação brasileira na Copa Davis.

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Os favoritos

A primeira a entrar em quadra no Ashe foi Simona Halep (#5), que encarou um jogo perigosíssimo contra Lucie Safarova (#44), que poderia muito bem ser duelo de oitavas ou quartas de final em outras circunstâncias. Foi também uma partida nervosa, com 11 quebras de saque em 19 games e que terminou com vitória da romena por 6/3 e 6/4.

Não foi lá uma atuação de gala de Halep. Pelo contrário. A #3 do mundo esteve nervosa, descontou na raquete e terminou o duelo com nove winners e 20 erros não forçados. Safarova, que arriscou mais, também falhou mais. Foram 16 winners e 44 (!!!) erros da tcheca. De positivo, Halep leva uma vitória em condições adversas e contra uma oponente perigosa. É o tipo de triunfo que, quando vem no começo do torneio, fortalece o tenista que ruma à segunda semana.

Halep, que já havia somado uma vitória importante contra Kirsten Flipkens na estreia, agora enfrentará Timea Babos (#34), cabeça de chave 31, que vem de triunfos sobre Barbara Haas e Richel Hogenkamp.

Logo depois de Halep, foi a vez de Andy Murray (#2) entrar para enfrentar Marcel Granollers (#45) e anotar mais um triunfo sólido, sem grande drama – apesar da quebra de vantagem desperdiçada no primeiro set: 6/4, 6/1 e 6/4. O escocês, que mandou no jogo, somou 34 winners e 28 erros não forçados, além de cinco aces e três duplas faltas. Vale destacar o alto aproveitamento tanto nos pontos vencidos com o segundo serviço (65%) quanto na conversão de break points (42%).

A curiosidade do dia ficou por conta do barulho. Não o som dos torcedores, que já gerou reclamações nas sessões noturnas. Hoje, a questão foi o barulho da chuva batendo no teto. Murray disse que não conseguia ouvir a bola.

De qualquer modo, o campeão de Wimbledon e dos Jogos Olímpicos Rio 2016 segue firme e favoritíssimo na metade de baixo da chave. A próxima rodada será contra o italiano Paolo Lorenzi – que bateu Gilles Simon.

À noite, ninguém esperava que Serena Williams (#1) fosse muito exigida pela diminuta Vania King (#87 e generosos 1,65m segundo o site da WTA). E não foi. Em apenas 1h04min, a líder do ranking despachou a compatriota por 6/3 e 6/3, sem ceder break points, somando 13 aces e 38 winners, com 28 erros não forçados.

A vitória desta quinta-feira foi a 306ª da carreira de Serena Williams em torneios do Grand Slam. Ela iguala Martina Navratilova como a maior vencedora de jogos em eventos desse porte. Um recorde que vai cair logo, logo.

Foi também a segunda vitória seguida em que Serena não precisou enfrentar um break point sequer. É de se esperar que os próximos encontros sejam igualmente descomplicados, já que todas cabeças de chave dessa seção caíram, e a #1 pode chegar às quartas sem encarar uma pré-classificada. Seu jogo de terceira rodada será contra Johanna Larsson, e o duelo de oitavas vai ser diante da vencedora do jogo entre Yaroslava Shvedova e Shuai Zhang. Está tranquilo? Está favorável?

O jogo da “polêmica”

Antes mesmo de Juan Martín del Potro (#142) receber um wild card para o US Open, o americano Steve Johnson (#22) se posicionou contra. Disse que muitos fãs americanos ficariam chateados se o argentino recebesse o convite. Pois Del Potro não só recebeu o convite como o destino colocou os dois frente a frente na segunda rodada do Slam americano. A declaração de Johnson, é claro, deu um atrativo a mais para o encontro.

Com a bola em jogo, Del Potro foi superior, especialmente depois de vencer a primeira parcial no tie-break: 7/6(5), 6/3 e 6/2. Aliás, não deixa de ser admirável o nível de tênis que o argentino vem mostrando desde o Rio de Janeiro, onde derrubou gente do nível de Novak Djokovic e Rafael Nadal. Seu próximo adversário em Nova York será David Ferrer, que sobreviveu a um jogão de cinco sets contra Fabio Fognini que só acabou além da meia-noite em Nova York. Será outro desafio enorme para Del Potro. A pergunta que se faz com mais frequência a cada vitória é: até onde será que ele vai neste US Open? Ao que parece pelo demonstrado até agora, nada é impossível.

Mais um adolescente americano

Jared Donaldson (#122), 19 anos, não ganhou wild card para a chave principal, mas furou o quali e, quem diria, já está na terceira rodada. Depois de superar David Goffin na estreia, bateu Viktor Troicki (#32) nesta quinta-feira: 7/5, 6/3 e 6/3. Com o resultado, Donaldson provavelmente vai entrar no top 100, o que só chama mais atenção para o número de jovens americanos que vêm subindo no ranking.

Só no circuito masculino, a lista de americanos com até 21 anos entre os 300 do mundo tem Taylor Fritz (18, #53), Donaldson (19, #122), Francis Tiafoe (18, #125), Stefan Kozlov (18, #154), Noah Rubin (20, #193), Ernesto Escobedo (20, #201), Tommy Paul (19, #213) e Reily Opelka (19, #292).

A geração é fruto de um trabalho de base que foi reestruturado no fim da década passada, quando a USTA contratou técnicos estrangeiros e montou um programa para que seus jovens aprendessem a jogar no saibro. A intenção era fazer com que os garotos aprendessem a trabalhar pontos em vez de ficarem limitados à combinação saque+forehand e apostando demais na potência de golpes. Não há como questionar que o trabalho, embora com tropeços aqui e ali (o caso da jovem Taylor Townsend foi o mais conhecido), está dando resultado.

Cabeças que rolaram

A lista de quedas do dia tem Samantha Stosur, superada por Shuai Zhang; Timea Bacsinszky, eliminada por Varvara Lepchenko; Feliciano López, derrotado por João Sousa; Gilles Simon, que tombou diante de Paolo Lorenzi; e Alexander Zverev, que não passou por Daniel Evans.

Correndo por fora

Entre os favoritos que confirmaram o favoritismo, Venus Williams, Agnieszka Radwanska, Karolina Pliskova, Kei Nishikori, Dominic Thiem, Nick Kyrgios e David Ferrer. Eu encaixaria Stan Wawrinka – que também venceu hoje – na seção sobre favoritos, mas não vi seu jogo, então não posso fazer a avaliação que gostaria de fazer.

Os melhores lances

O vídeo de hoje é cortesia de Fabio Fognini, que estava fora da tela quando defendeu um smash de David Ferrer com uma paralela vencedora.

Os brasileiros

Sem nenhum brasileiro em quadra, a CBT anunciou hoje o time que disputará a Copa Davis contra a Bélgica, na casa do time europeu, pelos playoffs do Grupo Mundial. A equipe, que já havia sido revelada pelo site da própria Copa Davis, terá a estreia de Thiago Monteiro. Ele se juntará ao trio-base formado por Thomaz Bellucci, Bruno Soares e Marcelo Melo.

A Bélgica ainda não anunciou o time, mas vale lembrar que o #1 do país, David Goffin (#14) não anda exatamente em grande fase. Depois de perder para Thomaz Bellucci nos Jogos Olímpicos Rio 2016, o belga venceu sua estreia no Masters de Cincinnati (contra Nikoloz Basilashvili, então #107) e perdeu os dois jogos seguintes. O primeiro para Bernard Tomic e o último para o americano Jared Donaldson (#122), na primeira rodada do US Open.


Quadra 18: S02E11
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Alexandre Cossenza

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 mal acabaram, e o US Open já está aí batendo à porta, sem deixar ninguém descansar e mantendo lá no alto a temperatura do mundo do tênis. Por isso, o episódio desta semana do podcast Quadra 18 é uma pizza metade Rio 2016, metade US Open. Quer dizer, sendo bem sincero mesmo, a divisão ficou 2/3 Errejota, 1/3 Nova York, o que é muito justo já que o torneio olímpico de tênis foi melhor do que muito Slam.

Neste episódio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu lembramos dos melhores momentos dos Jogos Rio 2016 e compartilhamos episódios emocionantes e curiosos vividos na Cidade Maravilhosa, mas não deixamos de lembrar como está desenhado o cenário pré-US Open. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’55” – O torneio olímpico de tênis foi tão marcante quanto um Slam?
5’31” – Os duplistas mineiros no torneio olímpico
7’38” – A boa chance de medalha para Melo e Soares
10’00” – A chave que se abriu sem Herbert/Mahut e Cabal/Farah
13’00” – A medalha que escapou de Daniel Nestor
13’40” – O nível altíssimo de André Sá nos Jogos Olímpicos
15’20” – A inesperada campanha de Thomaz Bellucci até as quartas
17’44” – Del Potro x Djokovic foi o melhor jogo do torneio?
21’15” – A inteligência do jogo agressivo e do slice de Del Potro
23’13” – Djokovic: a sintonia com o público brasileiro, as lágrimas, o que significou a derrota e o que pode vir a acontecer em Tóquio 2020
26’02” – O mistério sobre a lesão de Djokovic antes do US Open
27’30” – Nadal: a maratona, a medalha, as reclamações e o comprometimento
31’50” – Murray: o favoritismo, a obrigação e os (muitos) dramas
34’03” – Mónica Puig e a medalha de ouro na chave feminina
38’10” – As derrotas de Serena e Muguruza, maiores surpresas do torneio
39’09” – O pódio feminino e o “espírito de Fed Cup”
41’05” – O ouro olímpico seria o começo de uma arrancada de Mónica Puig?
44’05” – A loucura do estádio olímpico vibrando com Kirsten Flipkens
44’55” – Serena e Venus decepcionaram?
47’10” – Os resultados de Teliana e Paula Gonçalves no Rio
48’48” – A bolada de Martina Hingis em Andrea Hlavackova
51’30” – O ouro das “brunetes” Makarova e Vesnina
52’58” – O momento de Cossenza com Leander Paes
57’06” – A pergunta mais importante: quem pegou zika?
58’13” – Música em homenagem a Mónica Puig
58’50” – O comportamento da torcida: brasileiros acertam quando vaiam?
66’25” – Os encontros olímpicos de Aliny Calejon com Marin Cilic e Horia Tecau
73’10” – Os encontros de Cossenza e Sheila com Robin Soderling
74’00” – Outros esportes que vimos nos Jogos Rio 2016
77’21” – O drama de Sheila para ver Usain Bolt
82’21” – Engenhão à meia-noite: Cossenza “recomenda”
84’20” – Por que os episódios do podcast Quadra 18 são tão longos?
86’37” – Empire State of Mind (Jay Z featuring Alicia Keys)
87’11” – O US Open e suas novidades como o teto retrátil e a Grandstand
87’50” – Chave masculina está mais indefinida do que nos últimos Slams?
90’51” – A briga entre Serena e Kerber pelo posto de #1 do mundo
92’00” – Recordes que Serena pode bater nas próximas semanas
95’45” – O que esperar dos brasileiros nas duplas?
99’25” – As chances de Marcelo Melo voltar ao topo do ranking após o US Open
102’37” – Carry Me (Kygo featuring Julia Michaels)


Meus 11 momentos inesquecíveis do tênis nos Jogos Olímpicos Rio 2016
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Alexandre Cossenza

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Quando o último slice de Juan Martín del Potro ficou na rede, já entrando na noite de domingo, o cenário estava claro há muito tempo. Todo mundo sabia quem quem veio ao Rio por amor e quem deixou de estar nos Jogos Olímpicos porque preferiu sair em busca de pontos e cachês. E quem esteve no Parque Olímpico nos últimos nove dias viu e entendeu que as ausências não diminuíram em nada o torneio olímpico de tênis. Exemplos não faltaram. Os que me marcaram estão aqui.

Kirsten Flipkens, maior aqui do que na Bélgica

Soou estranho para a imprensa estrangeira, que demorou um pouco para entender que o público da quadra central gritava “Flipkens, Flipkens” empurrando a tenista rumo à primeira zebra do torneio. A belga, que eliminou Venus Williams na primeira noite do evento, disse que nunca ouviu isso – nem no seu país. Traçou uma relação com dez anos atrás, quando a Bélgica jogou a final da Fed Cup. Disse ter saído arrepiada da quadra carioca.

A noite inesquecível de André Sá

Aos 39 anos e possivelmente em sua última participação olímpica (ganhou convites em Londres e no Rio), André Sá teve uma vitória à altura de sua carreira. Carregou Thomaz Bellucci nas costas, levantou o público, fez jogadas maravilhosas e eliminou a dupla cabeça 2, formada pelos irmãos Andy e Jamie Murray: 7/6(6) e 7/6(14). Sá e Bellucci perderam na sequência para Fognini e Seppi (até porque a combinação saque de Sá + Bellucci na rede é difícil de sustentar), mas o mineiro nos deu uma lembrança para o resto da vida.

O caso de amor com Novak Djokovic

No mesmo dia e no mesmo horário, na quadra central, Novak Djokovic enfrentava Juan Martín del Potro. Um jogaço de dois tie-breaks com um público espetacular se dividindo entre os barulhentos e incansáveis argentinos e os brasileiros fãs de Djokovic. O sérvio foi eliminado e saiu de quadra às lágrimas, o que evidenciou o tamanho do seu desejo de conquistar um ouro olímpico. Aliás, o caso de amor do #1 com a torcida local foi outro ponto alto do torneio. Até na chave de duplas, enfrentando Bruno Soares e Marcelo Melo, Djokovic foi ovacionado e deixou a quadra aplaudido de pé. Sim, teve relação com o ótimo trabalho de sua imagem no Brasil, mas também teve muito a ver com sua entrega nos Jogos Olímpicos.

O embalo de Thomaz Bellucci

O #1 do Brasil contou com uma enorme dose de sorte – para azar de Dustin Brown, que estava a poucos games de eliminar Bellucci quando sofreu uma violenta torção no tornozelo. O paulista aproveitou e, diante da torcida, passou por Pablo Cuevas e David Goffin. Duas partidas emocionantes em que o público manteve o tenista da casa motivado, mesmo com suas habituais inconstâncias. Bellucci ainda jogaria um primeiro set mágico contra Rafael Nadal antes de as 12 badaladas soarem e transformarem sua carruagem em abóbora. As vitórias não valeram pontos, mas serviram para alimentar a esperança de que o número 1 do Brasil ainda possa vir a ser o tenista que todo mundo sempre quis acreditar que ele seria.

O sacrifício de Rafael Nadal

Ele deixou de jogar em Wimbledon e nunca escondeu que ainda estaria em repouso se não fosse a possibilidade de estar nos Jogos Olímpicos. Nadal, que não esteve em Londres 2012, usou tudo que tinha no tanque no Rio de Janeiro. Foi campeão de duplas ao lado do amigo Marc López e talvez tivesse ido mais longe nas simples se tivesse de onde tirar energia. Jogou com o punho esquerdo incomodando, disputou 15 sets em quatro dias (e 26 no total) e carregou a bandeira do país na cerimônia de abertura. Tudo isso por estar nos Jogos, hospedado na vila dos atletas, sem mordomia e sem ganhar um centavinho.

O beijo de Juan Martín Del Potro

Depois de seguidas cirurgias e longos períodos de recuperação com pouco sucesso, estar nos Jogos Olímpicos era uma vitória por si só para o argentino. Mas ele derrubou Djokovic e Nadal antes de sucumbir a Andy Murray na final. Foi, de longe, a história mais bonita do torneio. Desde o longo abraço no sérvio na segunda noite do torneio, incluindo um beijo nos aros olímpicos pintados na quadra até carinho com o escocês após a final.

A emoção de Leander Paes

Aconteceu longe das TVs. A participação de Leander Paes em seus sétimos Jogos Olímpicos durou pouco. Ele e o parceiro Rohan Bopanna (que nunca quis a parceria) caíram na primeira rodada. Paes passou um bom tempo na zona mista. Quando todos foram embora, ficamos só nós dois. Ele chorou falando da relação com seu pai e da conversa que tiveram durante a abertura. Eu quase chorei lembrando do meu. Ele, então, lembrou da emoção de Atlanta 1996, quando ganhou o bronze. Disse coisas lindas sobre Fernando Meligeni, seu adversário naquele dia. Falou de Pelé, lembrou que algumas pessoas viam semelhança física entre ele (Paes) e Romário, disse que atletas de países como Brasil e Índia entendem melhor o que é competir pela bandeira. Foi um papo curto, coisa de cinco minutos, mas que pareceu durar meia hora. Pessoalmente, foi a maior emoção que vivi nos Jogos até agora. Qualquer dia, transcrevo a conversa aqui.

As “brunetes”

Chegar ao Rio já foi difícil. Elena Vesnina e Ekaterina Makarova foram campeãs em Montreal, perderam a conexão rumo ao Brasil e tiveram problemas para encontrar um voo. Tiveram de abrir mão de seus bilhetes de classe executiva e entraram nos dois últimos assentos de um avião salvador. Chegaram prontas para tudo. Não reclamaram da vila nem da comida. Apareceram, jogaram e esbanjaram simpatia. Enquanto Vesnina falava, Makarova, que não tem inglês tão fluente quanto o da parceira, sorria. O ouro foi uma recompensa e tanto, e ouvir o hino russo no tênis foi mais especial ainda por causa de toda turbulência que colocou uma bigorna de desconfiança nas costas de quase todos atletas do país.

A conquista de Monica Puig

Há quem prefira decisões entre dois nomes de peso e diga que a final feminina não foi lá das melhores. Não sou tão radical. Adoro roteiros que incluem estrelas em ascensão, e Mónica Puig é uma delas. A porto-riquenha é um talento inegável. Entrou no top 50 três anos atrás, mas teve dificuldades para jogar todo seu tênis de forma consistente. No Rio, tudo funcionou. Puig atacou, defendeu e bateu Garbiñe Muguruza, Petra Kvitova e Angelique Kerber. Conquistou o primeiro ouro de seu país e vai voltar ao circuito com a confiança transbordando.

A derrota da dupla

Como escrevi no post anterior, a eliminação de Bruno Soares e Marcelo Melo nas quartas de final foi um grande baque. Não pelo resultado. Perder para Florin Mergea e Horia Tecau – medalhistas de prata – é completamente compreensível. O revés machucou mesmo porque o ambiente era bonito, com torcida empurrando e os mineiros jogando. E sempre havia a esperança de que algo mágico poderia acontecer. Não rolou. Jogadores e jornalistas pareciam abatidos na zona mista. Foi uma das entrevistas pós-jogo mais duras que vi.

O título de Andy Murray

Com as seguidas participações do bicampeão de Wimbledon na Copa Davis, ninguém pode questionar a dedicação de Andy Murray à Grã-Bretanha. No Rio, ele tentou encarar as três modalidades. Perdeu um jogo duríssimo nas duplas e não foi longe nas mistas, mas terminou a semana com a medalha de ouro de simples no peito. Não foi uma semana de tênis espetacular, mas o escocês conseguiu sair de situações delicadas.

Esteve perdendo por 3/0 no terceiro set diante de Fabio Fognini ainda nas oitavas de final. Venceu seis games seguidos e se salvou. Depois, nas quartas, esteve uma quebra atrás no terceiro set contra Steve Johnson. Devolveu a quebra e avançou no tie-break. Por fim, bolou um plano tático inteligente e o aplicou com paciência na final contra Del Potro. O primeiro bicampeão olímpico em simples. Enorme.

Coisas que eu acho que acho:

– A falta de um critério claro estabelecido pela CBT teve seu preço. Até a véspera da inscrição, ninguém sabia quem jogaria nas duplas mistas com Marcelo Melo. Houve problemas e discussões internas até que Teliana Pereira fosse escalada. Ela e Marcelo até venceram uma rodada na chave.

– A convocação de Paula Gonçalves nunca foi explicada (talvez porque os capitães e técnicos da CBT achem que não devem explicação a ninguém). Se Paula foi convocada só para as duplas, que critério foi utilizado? Ninguém falou, mas acredito que foi o chamado “critério técnico”, já que a duplista número 1 do país é (e era na época da convocação) Gabriela Cé.

– É pura questão de opinião, mas achei extremamente ruim a postura de Paula, que ria em quadra nos últimos momentos da derrota na chave de duplas. Não tinha ranking nem resultado para estar ali. Entrou pela cota de país-sede. Foi lá e se divertiu, sem se incomodar nem um pouco com a derrota.

– Mudando de assunto, Venus Williams conquistou sua quinta medalha olímpica. Foi prata nas duplas mistas ao lado de Rajeev Ram. Nas simples e nas duplas, caiu cedo. Não apareceu para entrevistas quando foi eliminada por Flipkens. Quando perdeu nas duplas, apareceu falar. Ouviu uma pergunta, respondeu outra coisa e foi embora. Serena fez o mesmo quando perdeu nas simples. São atletas com feitos enormes e são exemplo em muitos sentidos para mulheres do mundo todo. Mas ninguém vê Federer, Djokovic ou Nadal evitando entrevistas depois de derrotas. Esses são gigantes.

– O ambiente do tênis nos Jogos Olímpicos foi espetacular mesmo quando não havia um atleta da casa competindo. Não gosto nem um pouco de dizer isso, mas a atmosfera no Rio me faz acreditar que, pelo menos no Grupo Mundial, é possível ter sucesso em uma decisão de Copa Davis em sede neutra. Mas que não mexam nos zonais, por favor!


Quadra 18: S02E10
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Alexandre Cossenza

Serena Williams conquistou seu 22º título em um torneio do Grand Slam; Andy Murray voltou a triunfar em Wimbledon; Djokovic e Muguruza ficaram pelo caminho; Federer e Kerber ficaram no quase; e o que Lleyton Hewitt foi fazer em Londres? Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos mais um bem humorado podcast Quadra 18, resumindo os feitos, as decepções, as confusões e tudo mais que rolou nas duas semanas do Slam da grama.

Também falamos, claro, de Brasil x Equador, confronto deste fim de semana em Belo Horizonte, e demos uma pincelada no cenário que se desenha para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir, baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila apresenta os temas
1’40” – O título de Andy Murray
2’35” – Como o jogo de Murray se encaixa na grama
4’15” – Como “casa” bem para Murray o duelo com o Raonic
6’39” – A primeira final de Slam sem enfrentar Federer ou Djokovic
8’18” – Murray será número 1 do mundo?
10’15” – Raonic vai ganhar um Slam um dia?
12’44” – A consultoria de John McEnroe com Raonic e o conflito de interesse
14’45” – Como avaliar a campanha de Federer? Melhor ou pior do que o esperado?
17’32” – Foi a última grande chance de Federer ganhar um Slam?
21’05” – Djokovic e a derrota para Sam Querrey
25’00” – A especulação sobre a não vinda de Djokovic aos Jogos Olímpicos
26’20” – Djokovic, Murray e o confronto de Copa Davis
27’45” – A campanha de Juan Martín del Potro
29’00” – Wawrinka, a decepção
30’20” – A história louca de Marcus Willis
30’40” – Marin Cilic e outros destaques do torneio
34’10” – Right Action (Franz Ferdinand)
34’35” – Serena Williams, heptacampeã em Wimbledon
35’50” – A importância do 22º Slam no currículo da número 1
38’35” – A ótima campanha de Angelique Kerber e a análise da final
41’35” – A eliminação/decepção de Garbiñe Muguruza
42’42” – De onde surgiu Elena vesnina, semifinalista?
43’40” – Strycova, Pliskova e Keys, abaixo do esperado
45’00” – Os enormes atrasos pela chuva e o teto retrátil
49’35” – Será que vai chover durante as Olimpíadas?
52’20” – Side (Travis)
53’10” – O efeito melhor-de-três na chave de duplas
55’20” – As duas duplas francesas na final
57’26” – Como avaliar as campanhas dos brasileiros?
60’25” – Lleyton Hewitt ainda volta a jogar?
63’45” – Brasil x Equador na Copa Davis: o que esperar?
65’30” – O estranho calendário de Bellucci com seguidas mudanças de piso
66’08” – A não convocação de Thiago Monteiro

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Right Action (Franz Ferdinand), Side (Travis) e Bang Your Drum (Dead Man Fall).


Wimbledon, Middle Sunday: tudo em dia e com as oitavas definidas
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Alexandre Cossenza

O Middle Sunday, tradicional domingo de descanso em Wimbledon, teve jogos desta vez. Não foram tantos. Apenas o necessário para colocar em dia a programação, prejudicada pelo mau tempo. Os resultados também não foram nada surpreendentes, mas agora já dá para saber quem é quem antes da segunda semana de Wimbledon. O resumo do que rolou está nas próximas linhas.

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A favorita

De favorito-favorito-mesmo, só Serena Williams entrou em quadra neste domingo. E nem ficou lá tanto tempo assim. A americana foi quebrada em seu segundo game de serviço e viu Annika Beck (#43) abrir 2/1, mas venceu 11 dos 12 games seguintes e avançou por 6/3 e 6/0. Foi a 300ª vitória dela em Slams.

Depois de pegar um caminho relativamente fácil (Christina McHale não teria sido uma ameaça num dia normal), Serena terá um confronto perigoso nas oitavas contra Svetlana Kuznetsova (#14), que chega forte e embalada por uma virada fantástica contra Sloane Stephens (#22), que liderou o terceiro set por 5/2. A russa terminou com a vitória por 6/7(1), 6/2 e 8/6. E não custa lembrar que foi Kuznetsova quem eliminou Serena em Miami este ano…

Cabeças que rolaram

Não foi um domingo de surpresas – até porque não foi um dia com tantos jogos assim, mas fica o registro da top 10 eliminada. Roberta Vinci (#7) deu adeus ao ser derrotada pela americana Coco Vandeweghe (#30): 6/3 e 6/4.

Coco, nunca é demais lembrar, vem de um título em ’s-Hertogenbosch e uma semi em Birmingham. Com seu saque, a americana é sempre mais perigosa na grama. Ela agora fica a uma vitória de igualar sua campanha em Wimbledon no ano passado, quando alcançou as quartas.

Para isso, precisará bater Anatasia Pavlyuchenkova (#23), uma das maiores surpresas nas oitavas. A russa, que eliminou Timea Bacsinszky (#11) por 6/3 e 6/2, tinha retrospecto negativo em Wimbledon até este ano (8v e 9d).

O jogo boyhoodiano

Lembrou de leve aquele duelo da Quadra 18, seis anos atrás. Só de leve. JOhn Isner (#17) e Jo-Wilfried Tsonga (#12), que continuaram neste domingo a partida iniciada no sábado, mergulharam em um quinto set longo, com poucas chances de quebra e um monte de saques vencedores. O americano salvou um break point solitário no 11º game e, depois disso, a chance de quebra seguinte aconteceu só quando o francês sacou em 15/16, com match point contra.

Tsonga se salvou a conseguiu quebrar Isner no 35º game do quinto set. Fechou o jogo em seguida, em 6/7(3), 3/6, 7/6(5), 6/2 e 19/17. A partida durou 4h24min ao todo, mas só os dois últimos sets foram disputados nesta domingo. Tsonga não sairá tanto no prejuízo assim contra Richard Gasquet (#10), seu próximo adversário, que avançou ao bater Albert Ramos (#36) por 2/6, 7/6(5), 6/2 e 6/3.

Correndo por fora

Tomaz Berdych (#9) tinha um jogo perigoso contra Alexander Zverev (#28), mas passou jogando um belo tênis – com a exceção de um início ruim no terceiro set. Fez 6/3, 6/4, 4/6 e 6/1 sobre o adolescente e avançou às oitavas para encarar Jiri Vesely (#64), que já havia eliminado Dominic Thiem e bateu, neste domingo, João Sousa (#31) por 6/2, 6/2 e 7/5.

O top 10 tcheco é o principal nome dessa parte da chave depois das quedas de Wawrinka e Thiem. O triunfo sobre Zverev já foi um bom indício de que a pressão não afetou seu nível de tênis. Finalista de Wimbledon em 2010, quando eliminou Federer, Berdych é favoritíssimo para alcançar pelo menos a semi.

Outros nomes fortes na chave masculina são Nick Kyrgios (#18), que passou por uma chave duríssima, com Stepanek, Brown e, agora, Feliciano López (#21); e Richard Gasquet (#10), que confirmou o favoritismo e completou neste domingo seu triunfo sobre Albert Ramos (#36).

Foi bom enquanto durou

O grande azarão a vencer no dia foi Lucas Pouille (#30), que eliminou Juan Martín del Potro (#165). O francês perdeu o primeiro set em um tie-break, mas venceu os três sets seguintes e fechou em 6/7(4), 7/6(6), 7/5 e 6/1. O resultado talvez diga mais sobre o atual nível de Stan Wawrinka do que o de Del Potro, algoz do suíço na segunda rodada. Ainda perigoso, o argentino tem no backhand uma fragilidade evidente e ele mesmo admite que é o golpe que precisa evoluir mais para que ele consiga voltar ao alto do ranking.

O preparo físico também é uma preocupação. Del Potro disse que saiu de quadra cansado em todos os jogos. Foi a primeira vez em muito tempo que o ex-top 10 argentino jogou partidas em melhor de cinco sets. Fica claro agora que ele não teria mesmo condições de ser competitivo em Roland Garros.

As oitavas de final

[28] Sam Querrey x Nicolas Mahut
[11] David Goffin x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Steve Johnson
[9] Marin Cilic x Kei Nishikori [5]
Vesely / [31] Sousa x Tomas Berdych [10]
[19] Bernard Tomic x Lucas Pouille [32]
[7] Richard Gasquet x Jo-Wilfried Tsonga [12]
[15] Nick Kyrgios x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Svetlana Kuznetsova [13]
[21] Anastasia Pavlyuchenkova x Coco Vandeweghe [27]
[3] Agnieszka Radwanska x Dominika Cibulkova [19]
Ekaterina Makarova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Madison Keys [9]
Misaki Doi x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Carla Suárez Navarro [12]
Yaroslava Shvedova x Lucie Safarova [28]

A bolada

Aconteceu no jogo entre Lucas Pouille e Juan Martín del Potro. O francês sacou, e a bola não voltou, mas o toque de raspão na raquete do argentino fez a bolinha ir na cabeça da juíza de linha. Parece que doeu. Parece.

Os brasileiros

Na chave de duplas, Bruno Soares e Jamie Murray confirmaram o favoritismo sem drama contra Federico Delbonis e Diego Schwartzman: 6/3 e 6/3. Brasileiro e britânico, cabeças de chave 3, vão enfrentar agora Mate Pavic e Michael Venus, cabeças número 16.

Nas mistas, duas derrotas. Marcelo Demoliner perdeu na estreia ao lado de Nicole Melichar, enquanto André Sá, na segunda rodada, foi eliminado junto com a tcheca Barbora Krejcikova.


Wimbledon, dia 5: chuva salva Djokovic, Serena escapa e Del Potro sorri
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic foi salvo pelos céus, Serena Williams esteve a dois games da eliminação, Juan Martín del Potro fez um retorno triunfal à Quadra Central e bateu Stan Wawrinka, Fabio Fognini esteve envolvido em mais um barraco, e Dustin Brown fez o ponto do dia. Tudo isso aconteceu com seguidas paralisações por causa da chuva. Uma delas, inclusive, veio em um momento desagradável para Venus Williams. O resumaço do dia traz tudo isso, inclusive a lista de jogos interrompidos e adiados.

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Salvo pelos céus

Novak Djokovic foi inegavelmente beneficiado nesta sexta-feira. Vivendo um dia estranho e mostrando pouca energia enquanto Sam Querrey jogava um tênis espetacular, o número 1 do mundo deve ter agradecido aos céus quando a chuva apareceu pela enésima vez no dia, pouco depois das 20h locais, e fez o duelo ser suspenso. O placar mostrava 7/6(6) e 6/1 para o americano no momento.

Menos de 20 minutos depois da interrupção, a organização de Wimbledon determinou que a partida só continuaria no sábado. Querrey terá a noite inteira para pensar na possibilidade de derrubar o número 1, configurando a maior zebra de Wimbledon em 2016 e fazendo o que ninguém fez nos últimos quatro Slams. Se isso vai fazer bem ao americano, só a continuação da partida vai dizer. O fato é que Nole precisará vencer três sets e não terá margem nenhuma para engasgar.

O susto

Tudo bem, Serena Williams não esteve tão perto assim de dar adeus, mas nunca é confortável ver o placar em 4/4 no terceiro set já na segunda rodada de um Slam. O dia foi tão ruim para a número 1 do mundo que o jogo ficou duro contra uma oponente dona de um saque vulnerável e sem nenhum golpe dominante. Ainda assim, Christina McHale (#65) faz o possível e só não fez mais porque ser serviço não deixou. Teve game point para 5/4 e pressionar Serena no terceiro set, mas cometeu uma dupla falta que pesou um bocado. Acabou sucumbindo por 6/7(7), 6/2 e 6/4 em 2h29min de jogo.

Ainda é cedo, e a atual campeã só fez duas partidas, mas a atuação desta sexta-feira foi preocupante, com 40 erros não forçados. Sorte que margem para erro era enorme. E os 14 aces também ajudaram a compensar o (muito) que faltou.

O favorito tranquilo

Enquanto Djokovic sofria na Quadra 1, Roger Federer (#3) passeava sob o teto retrátil da Quadra Central. O suíço teve pouco trabalho diante do britânico Daniel Evans (#91) e avançou ao fazer 6/4, 6/2 e 6/2.

O jogo mais esperado

O grande duelo do dia também foi o que terminou com as cenas mais bacanas. Juan Martín del Potro (#165) sorrindo, comemorando e aplaudido de pé na Quadra Central após derrotar Stan Wawrinka (#5) por 3/6, 6/3, 7/6(2) e 6/3. Não que seja uma zebraça. Talvez nem mesmo uma zebrinha. É que, depois de três cirurgias, ver Del Potro derrotando um top 5 na meca do tênis é de fazer qualquer um abrir um sorriso. Até Ivan Lendl deve ter movimentado os lábios em meio milímetro.

Quanto ao jogo, a maior deficiência de Del Potro hoje em dia, o top spin de backhand (o argentino teve uma lesão séria punho esquerdo), acabou sendo uma vantagem contra Wawrinka. O campeão do US Open de 2009 apostou em slices cruzados que, na grama, complicaram muito a vida do suíço, dono de um backhand de uma mão e de preparação longa. Foi como se Del Potro desafiasse, a cada golpe, Wawrinka a arriscar uma paralela. As porcentagens sempre estiveram a favor do argentino.

A eliminação de Wawrinka, combinada com a derrota de Dominic Thiem na quinta-feira, faz com que o principal cabeça de chave dessa seção passe a ser Tomas Berdych, que vai encarar Zverev ou Youzhny na terceira rodada. O tcheco, aliás, pode encontrar Del Potro nas quartas. O “campeão” desse grupo vai enfrentar nas semifinais o vencedor do setor encabeçado por Andy Murray.

O barraco

Fabio Fognini perdeu e houve barraco. Qual é a novidade, você pergunta? A novidade é que quem saiu reclamando foi Feliciano López, chamou alguém (aparentemente no grupo de Fognini) de sujo. “[Você] é o mais sujo que vi em 20 anos de carreira. És um sujo. Porque isso não se faz…”

Feliciano anda tentou cumprimentar Fognini depois disso tudo, mas o italiano não quis muita conversa.

O placar final mostrou 3/6, 6/7(5), 6/3, 6/3 e 6/3 para o espanhol, que vai enfrentar Nick Kyrgios em busca de uma vaga nas oitavas de final em Wimbledon.

Correndo por fora

Venus Williams (#8), que fez uma partida de três sets ontem nas simples e jogou mais dois sets nas duplas, precisou de mais três sets nesta sexta-feira para avançar. A americana fez 7/5, 4/6 e 10/8 sobre a russa Daria Kasatkina (#33) em uma partida que só acabou depois de uma inusitada interrupção por chuva. Os pingos caíram quando a russa se preparava para sacar enfrentando o segundo match point de Venus…

Como ela mesma disse, foram quase 7h de tênis nas últimas 24h, mas com o intervalo (pelo menos nas simples) até segunda-feira, Venus terá tempo para se recuperar fisicamente em uma chave bastante acessível, ainda mais após a queda de Muguruza. Ela encara Carla Suárez Navarro nas oitavas e, se chegar às quartas, pega quem sair do grupo entre Lisicki, Shvedova, Safarova e Cepelova.

Quem está bem na chave masculina é Tomas Berdych (#9), que bateu Benjamin Becker (#102) em três rápidos sets (quer dizer, teriam sido rápidos sem interrupção por chuva): 6/4, 6/1 e 6/2. O tcheco, classificado para a terceira rodada, vai encarar Youzhny ou Zverev e será favorito até a semifinal, já que Wawrinka tombou nesta sexta e Thiem já tinha se despedido. Será, então, que Berdych consegue confirmar o status em uma chave que ficou esburacada?

O brasileiro

Chuva vem, chuva vai, mas Marcelo Melo e Ivan Dodig finalmente conseguiram fazer sua estreia em Wimbledon. Eles derrotaram Paul-Henri Mathieu e Benoit Paire por 6/2 e 6/3, sem grande drama, e vão encarar González e Lipsky na segunda rodada, que, excepcionalmente, também será jogada em melhor de três sets. Sim, as duplas sofrem mais quando chove.

Jogos cancelados

Com tanto mau tempo, a organização precisou cancelar mais jogos, como Raonic x Sock, Halep x Bertens, Goffin x Istomin, Safarova x Cepelova, Kerber x Witthoeft, Keys x Cornet, Doi x Friedsam e Lisicki x Shvedova. Todos eles valiam pela terceira rodada do torneio.

A lista de partidas que começaram e foram interrompidas tem, além de Djokovic x Querrey, Makarova x Kvitova (7/5 para a russa), Cilic x Lacko (croata tem 2 sets a 0), Johnson x Dimitrov (4/3 no primeiro set), Zverev x Youzhny (2/1 no quinto set), Stephens x Minella (3/3 no terceiro set), Niculescu x Bacsinszky (1/0 para a romena no terceiro set) e Mahut x Herbert (dois sets a zero para Mahut).

Jogos no domingo

Tradicionalmente, o primeiro domingo de Wimbledon, chamado por lá de Middle Sunday, é dia de descanso. Só que este ano, com tantos jogos por fazer (ainda há várias partidas de segunda rodada incompletas), a organização já anunciou que colocará jogadores no domingão.

Os melhores lances

Daria para escolher uma meia dúzia de lances do duelo entre Dustin Brown (#85) e Nick Kyrgios (#18), mas acho que esse ponto aqui foi imbatível. E Kyrgios venceu a partida, mas só depois de cinco sets: 6/7(3), 6/1, 2/6, 6/4 e 6/4.


Wimbledon 2016: o guia (versão masculina)
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Alexandre Cossenza

O terceiro Slam do ano se aproxima, e enquanto o Reino Unido discutia (e discutirá por muito tempo) as causas e consequências de sua saída da União Europeia, Wimbledon sorteou as chaves na manhã desta sexta-feira. Será que Novak Djokovic dará mais um passo ao Grand Slam de fato e conquistará seu quinto Slam seguido? Ou Andy Murray voltará a reinar em casa? E Roger Federer, já encontrou ou vai encontrar sua habitual forma espetacular na grama do All England Club?

Este guia da chave masculina fala um pouco disso tudo, avaliando os resultados recentes, a composição das chaves e o que pode acontecer nas próximas duas semanas, no torneio que é o mais tradicional e mais cobiçado desde sempre.

Os favoritos / Quem se deu bem

Campeão em Roland Garros e agora dono do Career Slam, Djokovic optou por não fazer torneios de preparação na grama, como já faz há algum tempo. Jogou apenas o Boodles, um evento de exibição que serve para ajustes finais, embora não dê aos fãs e à imprensa uma boa referência sobre a forma do número 1 do mundo. Mesmo assim, parece justo esperar que o sérvio mostre a mesma forma de sempre. Seu histórico recente aponta para isso. Logo, ele entra como favorito indiscutível, do mesmo modo que seria o mais cotado se a ATP decidisse organizar um campeonato de tiro ao prato ou de caça a codornas.

O sorteio não foi dos melhores para o sérvio, ainda que não tenha sido trágico, mas que sorteio pode ser trágico com o cidadão jogando nesse nível? Entre as possíveis cascas de banana no caminho estão Lukas Rosol e Sam Querrey, que se enfrentam na primeira rodada, com o vencedor possivelmente encontrando o sérvio na terceira fase. Rosol, a gente lembra, tem potencial para aprontar essa zebra, mas precisa que tudo dê certo no dia.

Além disso, Nole pode encarar Milos Raonic, Kevin Anderson ou, quem sabe, David Goffin nas quartas. É justo dizer que Raonic, no momento atual e na grama, parece ser o adversário mais duro possível para qualquer um encarar nas quartas. E, para piorar, Djokovic ainda tem Federer na sua metade da chave. É um potencial duelo de semifinal que repetiria as duas últimas finais em Wimbledon. Resumindo: o favorito não deve estar lá muito feliz com o sorteio…

Enquanto isso, o ídolo local, Andy Murray, pode muito bem ser considerado o “vencedor” do dia. Não que sua chave seja um mar de rosas, mas escapar da semi com Federer já foi uma vitória. Além disso, as três primeiras rodadas, contra Liam Broady, Lu/Qualifier e possivelmente Benoit Paire, parecem tranquilas. Depois, sim, podem pintar no caminho Kyrgios/Feliciano (oitavas) e o vencedor do grupo com Isner, Tsonga, Gasquet e Troicki, nas quartas. Se chegar à semi, Murray vai encarar quem avançar na parte encabeçada por Wawrinka, que também tem Thiem e Berdych, mas que parece o “quarto” menos forte da chave inteira.

O britânico chega a Wimbledon em bom momento e com o reforço de Ivan Lendl, que voltou a seu box. No primeiro torneio com o ex-e-agora-atual treinador, Murray foi campeão em Queen’s. Não foi uma semana de atuações espetaculares, mas de encontrar soluções para vencer jogos. O escocês fez isso muito bem e, por isso, merece iniciar o Slam da grama como o segundo mais cotado ao título.

Roger Federer é o grande ponto de interrogação aqui. Em uma temporada atípica, com cirurgia, lesões e pouco tempo em quadra, o suíço mostrou ferrugem em Stuttgart e Halle, onde foi superado por Thiem e Zverev, respectivamente. Era de se esperar, até certo ponto, que Federer ainda estivesse aquém de seu melhor nível, mas ver isso na prática deixou muita gente preocupada.

A dúvida reina no mundo do imaginário, onde os fãs sonham com um Federer de volta a seu nível costumeiro antes dos momentos decisivos de Wimbledon. Nesse sentido, é até possível dizer que o #3 do mundo deu sorte. Sua primeira semana no torneio não é das mais turbulentas, com adversários como Pella (estreia) e Berankis/Qualifier (segunda rodada). Dolgopolov, sim, pode dar trabalho na terceira fase, mas só se Federer estiver em um dia muito ruim. O suíço também seria favortíssimo nas oitavas contra possivelmente Simon ou Monfils.

Trocando em miúdos, dá para afirmar que Federer terá tempo para calibrar seus golpes e planejar a segunda semana. Nishikori é o potencial rival de quartas de final, mas o japonês só fez um jogo na grama em 2016. Não é difícil imaginar o suíço alcançando a semi sem encarar o japonês.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci, que não vence um jogo na grama há cinco anos (a última vitória foi em Queen’s, em 2011), se deu bem no sorteio e vai estrear contra um qualifier. Se vencer, encara Querrey ou Rosol em um cenário que está longe de ser ruim, considerando que o brasileiro não é cabeça de chave.

Rogerinho fará sua segunda apresentação em Wimbledon e também não teve um sorteios dos piores, não. Ele estreia contra Nicolás Almagro. É justo dizer, por outro lado, que o espanhol também deve ter gostado do sorteio. Para ambos, tenistas de fundo de quadra, seria mesmo melhor evitar encarar sacadores ou tenistas agressivos, que dariam pouco ritmo de jogo.

A grande ausência

Rafael Nadal, com uma lesão no punho esquerdo, só chegou perto de uma quadra de grama quando visitou o WTA de Mallorca, onde nasceu e mora até hoje. O atual número 4 do mundo tem pouco mais de 300 pontos de vantagem sobre Stan Wawrinka no ranking e pode ser ultrapassado até pelo atual #6, Kei Nishikori. Tudo depende de como suíço e japonês atuarão em Wimbledon.

Os melhores jogos nos primeiros dias

A chave de Wimbledon está especialmente suculenta para quem aprecia tênis e não se apega demais aos líderes do ranking. Logo na primeira rodada, há confrontos divertidíssimos como Kyrgios x Stepanek, Verdasco x Tomic, Wawrinka x Fritz e Thiem x Florian Mayer (o alemão venceu o austríaco em Halle).

Só que a lista não acaba aí. Que tal Coric x Karlovic? Ou Simon x Tipsarevic? E o que pode acontecer em Monfils x Chardy? E Gulbis x Sock? E Isner x Baghdatis?Faça sua listinha e preste atenção porque tudo isso vai acontecer já na segunda e na terça-feira (se a chuva não atrapalhar, é claro).

O que mais pode acontecer de mais legal

Uma segunda rodada entre Stepanek ou Kyrgios contra Dustin Brown, já imaginaram? Outro jogaço já no radar de todos é Wawrinka x Del Potro. Para que isso aconteça, o suíço precisa bater Taylor Fritz, e o argentino tem que passar por Stéphane Robert. Não parece nada improvável. Uma terceira rodada entre Murray e Paire promete um bocado de jogadas de efeito.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A chave de Wimbledon este ano tem alguns nomes meio “escondidos”. Kevin Anderson, por exemplo, estaria mais bem cotado em uma seção mais fraca. O sul-africano, porém, pode muito bem eliminar Goffin numa terceira rodada e encarar Raonic com chances interessantes nas oitavas.

A situação de Tomas Berdych não é muito diferente. Cabeça 10, o tcheco está na seção de Dominic Thiem, que estreia contra Florian Mayer. Mas quem ousa dizer que Berdych não pode passar pelo jovem Zverev nas oitavas e, depois, por Thiem ou Mayer (ou Sousa, quem sabe), chegando às quartas de final contra Wawrinka? Se o suíço chegar lá, né?

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão.

Nas casas de apostas

Não há nenhuma grande surpresa nas cotações da casa virtual bet365, mas é importante notar uma diferença menor entre Djokovic e Murray e uma separação maior entre o britânico e Federer. As cotações estão assim:

Vale registrar, só a título de curiosidade, que um título de Thomaz Bellucci paga 1001 para 1. Se Rogerinho for campeão, o apostador embolsa 3001 para 1.

O guia feminino

Com sempre, não dá tempo de publicar os dois textos no mesmo dia, então o guia para a chave feminina deve aparecer aqui no amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá sua habitual edição especial pré-Slam, cheia de palpites e análises.


Semana 18: Djokovic e Halep vencem, Marcelo volta a #1 e Monteiro sobe mais
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Alexandre Cossenza

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O grande evento da semana aconteceu em Madri, com Novak Djokovic voltando à rotina e Simona Halep vencendo um torneio esburacado. Foi lá também que Marcelo Melo garantiu seu retorno ao posto de duplista número 1 do mundo. Na França, contudo, houve outro brasileiro brilhando: Thiago Monteiro conquistou o forte Challenger de Aix-en-Provence, o maior de sua carreira, e deu um belo salto na lista da ATP.

O resumaço da semana fala sobre tudo isso, mas lembra dos abandonos de Federer e Serena, da gaiatice de Bernard Tomic, da cerveja que Halep distribuiu na sala de entrevistas, da Federação Francesa (que vem sendo investigada) e de uma excelente e reveladora entrevista de Rafael Nadal. O post tem também, claro, vídeos de alguns dos lances mais bacanas dos últimos dias. É só rolar a página…

Os campeões

Novak Djokovic mostrou que a inesperada derrota na estreia em Monte Carlo foi mais um tropeção do que qualquer indício de queda em seu espetacular momento. Na capital espanhola, o número 1 do mundo fez um belíssimo torneio do começo ao fim – inclusive na final, diante de um esforço elogiável de Andy Murray. Por 6/2, 3/6 e 6/3, o sérvio venceu seu 29º Masters 1.000 na carreira.

Murray teve seus momentos e, além de interromper a sequência de 13 vitórias de Rafael Nadal na semifinal, foi o único a tirar um set de Nole em todo torneio. O britânico, vale lembrar, tem 15 vitórias e três derrotas no saibro nas últimas 52 semanas (dois reveses para Djokovic, um para Nadal), e Nadal fez uma semifinal bastante digna, ainda que não tenha aproveitado um punhado de break points.

No ranking (pelo menos), a semana foi boa para Roger Federer, que subiu para #2, embora com o mesmo número de pontos de Murray. Nadal continua como #5 e pequenas chances de superar Wawrinka e chegar a Roland Garros como cabeça de chave número 4 – o que evitaria um confronto com Djokovic antes das semis.

E fica o registro: em Madri, Nole levantou seu 64º troféu na carreira, mesmo número de Bjorn Borg e Pete Sampras. Djokovic fica atrás apenas de Connors, Lendl, Federer, McEnroe e Nadal.

A campeã

O WTA Premier Mandatory de Madri é, no papel, um dos eventos mais fortes do calendário feminino. Na prática, este ano, foi vítima de desistências importantes e palco de resultados nada esperados. O lineup das quartas de final diz bastante: Cibulkova x Cirstea, Chirico x Gavrilova, Halep x Begu e Stosur x Tig.

Quem se deu bem com isso foi Simona Halep (#7), que conquistou o título passando por Doi, Knapp, Bacsinzsky, Begu, Stosur e Cibulkova. E, tirando o pneu sofrido nas quartas, a romena passeou. Não perdeu mais nenhum set, fez 6/2 e 6/4 na final e garantiu seu retorno ao top 5. O torneio também foi bom para Cibulkova, que subirá para #26 e praticamente tem garantida uma vaga de cabeça de chave em Roland Garros.

E que tal a imagem de Halep levantando o nada comum troféu espanhol?

O número 1

Nas duplas, Bruno Soares e Jamie Murray perderam na estreia para Henri Kontinen e John Peers: 6/3, 3/6 e 10/3. O resultado abriu o caminho para que Marcelo Melo recuperasse a liderança do ranking. Com Jamie fora, o mineiro e Ivan Dodig passaram a disputar contra Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert. Quando os franceses foram eliminados na semi, o brasileiro garantiu o retorno ao topo.

Melo e Dodig passaram por Klaasen/Ram, Pospisil/Sock e até tiveram match point na semifinal, mas acabaram derrotados por Rohan Bopanna e Florin Mergea: 7/5, 6/7(4) e 12/10. O título ficou com Jean-Julien Rojer e Horia Tecau, que aplicaram 6/4 e 7/6(5) sobre Bopanna e Mergea na decisão.

Os outros brasileiros

Em Madri, Thomaz Bellucci caiu na estreia diante de Milos Raonic: 7/6(4) e 6/1. A parte curiosa da partida foi ver o canadense no tie-break levantando bola e esperando erros do brasileiro, que deveria ser o tenista mais consistente entre os dois – pelo menos do fundo de quadra. Foi a nona derrota em dez jogos para o brasileiro, que teve seu único triunfo em Munique, graças à desistência do russo Mikhail Youzhny na primeira rodada.

No Challenger de Aix-en-Provence (US$ 100 mil), Thiago Monteiro deu sorte e aproveitou. Estrearia contra Diego Schwartzman, mas o argentino foi campeão do ATP 250 de Istambul na semana anterior e não jogou o Challenger francês. Assim, o cearense avançou na chave, superando David Guez, Julien Benneteau (aquele!), Marek Michalicka e Renzo Olivo antes da decisão. Na final, contra o experiente Carlos Berlocq, conseguiu uma virada, explorando bem o backhand do adversário, e venceu por 4/6, 6/4 e 6/1.

Com a ótima campanha e o maior título de sua carreira, Monteiro, 21 anos, que começou a semana como #189, pulou para #143 e se tornou o #3 do Brasil, deixando para trás André Ghem (#167), Guilherme Clezar (#181) e Feijão (#186). Monteiro, aliás, soma mais pontos que Thomaz Bellucci em 2016. São 342 pontos do cearense contra 225 do paulista, que tem um calendário bem mais exigente e distribui muito mais pontos.

Também no evento francês, Feijão perdeu na estreia para o qualifier croata Nikola Mektic (#321): 7/5 e 6/3. Foi sua quarta derrota nos últimos cinco jogos. Desde a boa campanha em León (foi vice-campeão), perdeu na estreia em Guadalupe, caiu na segunda rodada em São Paulo e foi eliminado na primeira rodada agora, na França. Sua única vitória nos últimos três eventos foi sobre o brasileiro Alexandre Tsuchiya (#698). Rogerinho, por sua vez, parou nas quartas, superado por 2/6, 6/2 e 6/4 por Berlocq. André Ghem caiu nas oitavas (segunda rodada) diante do também argentino Renzo Olivo, que fez 6/1 e 6/2.

No ITF de Cagnes-Sur-Mer (US$ 100 mil), na França, Bia Haddad (#342) conseguiu uma vaga de lucky loser na chave principal e perdeu na primeira rodada para a ucraniana Kateryna Kozlova (#113): 7/6(6) e 6/2.

No ITF de Túnis (US$ 50 mil), Laura Pigossi (#387) tentou o qualifying e venceu dois jogos, mas perdeu na última rodada antes da chave principal. Sua algoz foi a suíça Patty Schnyder (aquela!), que fez 6/1 e 6/4. Hoje com 37 anos, Schnyder, ex-top 10, começou a semana como #451.

O pateta

A “honra” da semana é Bernard Tomic. Ficou surpreso? Não, né? Pois é. Na partida contra Fabio Fognini, com o italiano sacando com match point, o garotão australiano nem quis jogar e segurou a raquete ao contrário, como se fosse rebater a bolinha com o cabo. Foi assim que aconteceu:

Entrevistado pelo Gold Coast Bulletin sobre o momento, Tomic respondeu: “Não me importo com aquele match point – você se importaria se tivesse 23 anos e 10 milhões?” Acho que dispensa comentários.

As desistências

Ser campeão de tudo aos 34 anos não está sendo fácil em 2016. Serena Williams disse que não ia a Madri por causa de uma gripe/virose. Federer, por sua vez, esteve na capital espanhola, mas abandonou na segunda-feira, alegando dores nas costas. Até agora, a americana abandonou quatro eventos neste ano. Federer, por sua vez, deixou de estar em cinco.

Sobre o suíço, escrevi este post na segunda-feira. Eu também tinha feito texto em uma linha parecida sobre Serena Williams umas semanas antes. Leia aqui.

Durante o torneio, o abandono de maior peso foi de Victoria Azarenka, que anunciou sua saída na quarta-feira. A bielorrussa disse ter sentido algo nas costas durante a partida contra Laura Robson, sua estreia no torneio. Vika disse ainda que o incômodo continuou durante a segunda rodada e que não conseguiria competir na quarta-feira. Ela enfrentaria Louisa Chrico nas oitavas de final.

Promessa cumprida

Simona Halep prometeu distribuir cervejas se quatro romenas alcançassem as quartas de final do WTA de Madri. Foi exatamente o que aconteceu. O torneio teve Sorana Cirstea, Irina-Camelia Begu, Patricia Maria Tig e a própria Simona Halep entre as oito que entraram em quadra na quinta-feira. O resultado está no vídeo:

Lances bacanas

Da segunda semifinal de Madri, entre Novak Djokovic e Kei Nishikori. Ilustra bem o que se precisa fazer para ganhar um ponto do número 1 do mundo…

Não foi um lance, mas foi um dos momentos mais emocionantes da semana. Juan Martín del Potro desabou em lágrimas após derrotar Dominic Thiem (#14) por 7/6(5) e 6/3 na primeira rodada do torneio espanhol.

Del Potro, lembremos, vem fazendo seu retorno após seguidas e delicadas cirurgias no punho esquerdo. O argentino, campeão do US Open de 2009, começou a semana passada como apenas o #274 do mundo e disputou o torneio espanhol com ranking protegido.

Kei Nishikori também “estrelou” este ponto fantástico de Nick Kyrgios. O australiano fez um gran willy. Vencedor. De lob.

Sob suspeita

A Federação Francesa de Tênis (FFT), aquela mesma que é sempre citada como exemplo pela CBT, está sendo investigada por suspeita de tráfico de ingressos para o torneio de Roland Garros. Na última terça-feira, a sede da entidade e a casa do presidente, Jean Gachassin, foram alvos de buscas policiais.

A promotoria disse que confiscou “documentos úteis à investigação”, que também avalia o processo de licitação para as obras de expansão do complexo de Roland Garros. A história completa está neste link para o Guardian.

A melhor história

Em Madri, Rafael Nadal concedeu uma bela entrevista ao jornal El Mundo. Na conversa, o espanhol comenta suas sensações em quadra durante o momento ruim (para seus padrões) vivido desde o começo do ano passado até recentemente e fala de como perdeu “o controle” dentro de quadra. Excelente leitura para ajudar a entender o ex-número 1 do mundo. Leia aqui, em espanhol.

Tênis por WhatsApp

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Quadra 18: S02E05
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic segue dominando, e Victoria Azarenka se estabelece como a melhor tenista de 2016. Após o Masters 1.000 de Miami, o podcast Quadra 18 está de volta, comentando tudo que rolou no torneio da Flórida, desde as centenas de “Fora, Dilma” até a situação de Serena Williams, passando pelo novo número 1 nas duplas, as estranhas desistências e o drama de Juan Martín Del Potro.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. SE preferia baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’15” – Aliny, de volta, apresenta o podcast
1’16” – Marcelo Melo manda mensagem para Aliny
1’30” – O título de Novak Djokovic em Miami
2’00” – Sheila fala sobre as duas partidas interessantes de Djokovic no torneio
3’49” – O Djokovic de 2016 dá mais brecha para os adversários do que o de 2015?
5’52” – Quanto tempo vai levar até alguém jogar de igual para igual com Djokovic?
8’03” – As desistências na chave masculina
8’45” – “Gastroenterite foi a razão oficial, mas sinceramente não acredito”
9’30” – “Foi triste ver o Del Potro nessa situação de novo”
9’58” – A semelhança com a sensação de ver Guga sofrendo com o quadril
10’31” – “Ele não vai conseguir jogar só com o slice”
10’45” – A bizarra desistência de Nadal
12’20” – Coisas que só Aliny Calejon consegue
12’25” – Bellucci e a desistência mais esperada do torneio
15’25” – “Derrotinhas ridículas” nas primeiras rodadas
16’45” – Monfils x Nishikori: como um seriado da Shonda Rhimes
18’08” [Música sobre o momento de Djokovic e Azarenka]
19’30” – O título de Victoria Azarenka
22’55” – A intrigante ida para o saibro do circuito feminino
23’49” – Expectativa para os desempenhos de Vika e Rafa no saibro.
25’25” – E Serena Williams? Avaliações sobre seu começo de ano.
27’02” – Serena Williams estaria acima do peso?
29’02” – As atuações de Teliana e Bia em Miami
29’50” – A fragilidade do serviço de Teliana Pereira
31’35” – A pontuação de Teliana em busca de uma vaga nos Jogos Olímpicos
32’55” – El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Club)
33’35” – Aliny fala das duplas em Miami
36’34” – Reações ao calor: “Do nada, eu enxergava roxo” + metrô de SP
38’05” – A campanha de Marcelo Melo e Ivan Dodig
39’12” – Jamie Murray assume a liderança do ranking de duplas
40’30” – A gafe da ATP com Marcelo Melo
41’31” – Melo perdendo o #1 acaba com o oba-oba do “já ganhou” olímpico?
42’38” – IW e Miami mostram uma tendência para 2016?
43’48” – A ótima campanha de Feijão no México + Davis em Belo Horizonte
46’05” – Precisa dar muita coisa errado para o Brasil perder no Zonal hoje
46’35” – “Fora Dilma” em Miami: qual a utilidade?
48’10” – “É verdade que tenistas usam raquetes diferentes dos modelos vendidos em loja?”
50’30” – Bandsports ou SporTV?

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Clube) e Everybody Loves Miami (The Underdog Project).


Sobre Guga, Del Potro e uma triste e insistente semelhança
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Alexandre Cossenza

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Agonia é a sensação predominante para quem acompanha na beira da quadra. O carismático campeão de Slam, em idade para estar no auge de seu potencial, está em quadra brigando contra um problema físico grave. Mesmo depois de três cirurgias, tenta achar um meio, qualquer que seja, de encarar a situação e ser competitivo. Ainda assim, não consegue esconder a dor. Leva a mão ao local das cirurgias, pede atendimento médico, volta para a quadra e tenta outra vez, mesmo sabendo que o fim está próximo.

Gustavo Kuerten, o cidadão do parágrafo acima, não encontrou solução. Foi forçado a se aposentar aos 31, seis anos depois da primeira cirurgia no quadril direito, em 2002. Ainda conseguiu brilhar depois daquela intervenção, mas após a segunda, em 2005, sempre esteve longe de seu melhor. A última operação, em 2006, pouco adiantou.

Nesta sexta-feira, em Miami, quem viveu situação parecida foi Juan Martín del Potro. O argentino, campeão do US Open em 2009, voltou a jogar depois da terceira cirurgia no punho esquerdo no mês passado, em Delray Beach. Apoiado em um ótimo saque e um forehand gigante, conseguiu algumas vitórias, mesmo usando o slice como golpe predominante de backhand. Havia uma fragilidade clara, que ficou ainda mais nítida contra Tomas Berdych em Indian Wells.

No torneio da Flórida, não havia mais como esconder. Del Potro sentiu dores, pediu atendimento médico e tentou seguir em quadra, mas acabou derrotado pelo compatriota Horacio Zeballos (6/4 e 6/4). A imagem da dor e a expressão de frustração na cara de Del Potro eram perturbadoras.

Depois da partida, o ex-top 10 disse que não era nada de novo e que precisava estar preparado para isso. Afirmou ainda que é preciso ter muita paciência e que nem todos aguentariam. Por fim, declarou que conhece suas limitações e, da maneira que estava nesta sexta, optou por entrar em quadra.

Del Potro disse neste vídeo, de junho do ano passado, que as dores começaram em 2012. Inicialmente, o problema foi diagnosticado como tendinite. Mais tarde, foi constatado um dano em um tendão. Quando gravou a mensagem, o argentino estava sem jogar desde o Masters de Miami (sim, um ano atrás) e ainda passaria pela terceira cirurgia, buscando o que esperava ser a solução definitiva.

A essa altura, só Del Potro sabe exatamente a dimensão de suas dores. Clinicamente, é um caso bem diferente do de Guga (lesão no quadril), mas os relatos e as impressões são semelhantes. Assim como fazia o brasileiro, o argentino não dá muitos detalhes sobre suas sensações e se apega a um punhado de vitórias para manter a esperança. São dois exemplos de atletas espetaculares que venceram jogos longe de seu melhor, mas que não voltaram a alcançar o nível que um dia jogaram (“ainda não” no caso de Del Potro).

Sem saber os pormenores da lesão, impossível fazer um prognóstico para o futuro do argentino. O histórico do tênis, contudo, não é dos mais animadores. Não me lembro de um tenista que tenha tratado uma lesão por quatro anos e voltado a competir em altíssimo nível. Hoje, nem o foguete de direita é suficiente para compensar o backhand vulnerável. O carismático argentino, infelizmente, parece rumar para o mesmo destino de Guga – e com uma carreira ainda mais curta.

Coisas que eu acho que acho:

– Uma pergunta recorrente entre fãs de tênis hoje: “é tarde demais para Del Potro desenvolver o backhand com apenas uma das mãos como Federer e Wawrinka?” Fizeram a questão a Paul Annacone, ex-técnico de Pete Sampras e Roger Federer. A resposta do americano foi curta e grossa.

– Não há relatos de tenistas do nível de Del Potro (já campeão de Slam, número 4 do mundo, medalhista olímpico) que tenham feito uma mudança de golpe semelhante e tenham alcançado sucesso equivalente ao de antes. Conversei com Sylvio Bastos, técnico e comentarista do Fox Sports, e a opinião dele foi semelhante. “Muito difícil (ter sucesso equivalente após uma mudança), para não dizer impossível. Acho que ele para (de jogar) sem tentar.”

– Sampras e Wawrinka começaram a jogar com backhand de duas mãos e mudaram, mas o americano tinha 14 anos na época. O suíço, 11.

– Meligeni fez a mudança mais tarde, já top 100 e com 25 anos, em dezembro de 1996. Os melhores resultados de sua carreira aconteceram mais de dois anos depois, em 1999, quando alcançou a semifinal de Roland Garros e chegou ao 25º posto no ranking.


Rio Open: o que já rolou e o que esperar
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Alexandre Cossenza

O maior torneio de tênis da America do Sul começa nesta segunda-feira com muita expectativa – e não seria diferente em uma chave com Nadal, Ferrer, Isner, Tsonga, Sock, Dolgopolov e, claro, Thomaz Bellucci. Mas muita coisa já aconteceu dentro e fora das quadras nos dois dias de qualifying no Jockey Club Brasileiro. Que tal, então, dar uma olhada nas chaves e repassar o que rolou no fim de semana? Role a página, leia tudo e fique por dentro!

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Os homens

Nenhum dos grandes nomes citados acima fez um torneio memorável em Buenos Aires, onde Nicolás Almagro e Dominic Thiem disputaram a final. A boa notícia é que todos chegaram mais cedo ao Rio e estarão mais adaptados ao saibro, o que aumenta a chance de duelos com bom nível técnico.

Entre os principais favoritos, o sorteio da chave não colocou nenhum jogo espetacular na primeira rodada, mas deixou algumas ótimas possibilidades já para a segunda fase, como Nadal x Almagro e Tsonga x Cuevas.

As mulheres

Não tem como jogar para baixo do tapete: a chave feminina (é um WTA International, lembremos) é uma das mais fracas do circuito. Bom para Teliana Pereira, que é a principal cabeça de chave e terá a seu favor o calor carioca.

O sorteio não foi nada bom para as convidadas Bia Haddad e Sorana Cirstea, que se enfrentam já na primeira rodada. Elas duelaram recentemente em um ITF de US$ 25 mil no Guarujá, e a romena derrotou a brasileira nas semifinais por 2/6, 6/3 e 6/1. Quem vencer deve encontrar Polona Hercog (#83, cabeça 5) na sequência.

A chave ainda tem Francesca Schiavone “solta” por ali. A italiana, que hoje é apenas a 114ª do ranking, encara Tatjana Maria (#90, cabeça 7) na estreia, na minúscula Quadra 2 do Jockey Club Brasileiro.

Não há muito que esperar em termos de excelência técnica no evento (se compararmos com o circuito WTA, claro). O melhor cenário possível seria o que aconteceu no fraquíssimo WTA de Florianópolis: uma brasileira indo longe, atraindo público e enchendo a quadra.

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Os brasileiros

Talvez a maior atração brasileira seja a dupla de Marcelo Melo, número 1 do mundo, e Bruno Soares, campeão do Australian Open. Os dois, que atuarão juntos nos Jogos Olímpicos Rio 2016, formarão time no Rio Open, o que já gera uma expectativa enorme. Os mineiros são os cabeças de chave número 1 e estrearão contra os compatriotas Fabiano de Paula e Orlando Luz.

A chave de duplas não está nada fraca. Os cabeças 2 são os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah, enquanto Pablo Cuevas e Fabio Fognini são os cabeças 3, que em tese encontram os mineiros nas semifinais. Vale ainda prestar atenção em Philip Petzschner / Alexander Peya, Jo-Wilfried Tsonga / Paul-Henri Mathieu, e Jack Sock / Nicholas Monroe.

Nas simples, Thomaz Bellucci teve o pior sorteio possível considerando sua posição como oitavo cabeça de chave. Não só caiu no quadrante de Rafael Nadal (possível confronto de quartas de final) como estreará contra Alexandr Dolgopolov, ucraniano contra quem costuma ter problemas.

Eles já se enfrentaram duas vezes, e Dolgo venceu todos os quatro sets. O último jogo foi em Sydney, no começo deste ano, e o ucraniano aplicou 6/1 e 6/4. O copo-meio-cheio para Bellucci é que os confrontos anteriores foram em quadra dura. Talvez o saibro lhe seja mais favorável. Vale lembrar, porém, que Dolgopolov foi vice-campeão do Rio Open em 2014.

Feijão teve mais sorte. Convidado da organização, o paulista enfrentará o argentino Diego Schwartzman na estreia. Se vencer, pega Thiem ou Andújar. Feijão não vem jogando o mesmo nível de tênis do ano passado, quando foi semifinalista no Brasil Open e chegou às quartas no Rio, mas sabe jogar com a torcida e terá a chance de contar com o público para lhe empurrar em um momento tão importante. Feijão é hoje o #168 e ainda precisa defender os 90 pontos do Rio Open de 2015 (os 90 de São Paulo foram descontados nesta segunda-feira).

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As brasileiras

Teliana Pereira, querendo admitir ou não, é forte candidata ao título do torneio. Não só pelo nível da chave, mas pelo saibro e pelo clima. Enquanto isso, Gabriela Cé, convidada da organização, joga sem pressão.

A boa notícia do fim de semana ficou por conta de Paula Gonçalves, que furou o qualifying e chegou à chave principal para enfrentar a israelense Julia Glushko na primeira rodada. Nem de longe é o pior dos cenários.

Paula, lembremos, jogou a chave principal em 2014 e 2015 e somou duas derrotas para a paraguaia Verónica Cepede Royg. Em 2014, sacou para fechar os dois sets, mas perdeu ambos. Talvez o qualifying tenha dado do ritmo que a paulista precisava para avançar inclusive na chave principal. Vale prestar atenção.

O qualifying deles

Na chave masculina, nenhum dos seis brasileiros passou pelo quali. Rogerinho, André Ghem, Guilherme Clezar, José Pereira, Carlos Eduardo Severino e Orlandinho disputaram. Rogerinho foi o único a vencer na primeira rodada, no sábado, mas acabou derrotado por Gastão Elias no domingo.

Carioca style

Rio de Janeiro é aquela coisa… Quando o povo não está sendo assaltado ou fugindo de arrastões na Linha Vermelha e no Túnel Rebouças, está vendo paisagens e postando fotos nas redes sociais. Não seria diferente em um torneio de tênis. As fotos são muitas, a começar com Fabio Fognini e Flavia Pennetta curtindo o Cristo Redentor.

Na praia de São Conrado, as meninas foram tomar água de coco: Danka Kovinic, Sorana Cirstea, Christina Mchale e Teliana Pereira.

John Isner também curtiu praia e água de coco, mas foi até a Rocinha bater bola com alguns garotos da comunidade.

Jack Sock correu na Lagoa Rodrigo de Freitas e se juntou a Bellucci e Isner para um passeio de helicóptero pela Cidade Maravilhosa.

A programação

O primeiro dia de chave principal no Rio Open tem Gabriela Cé x Ana Bogdan como jogo único da sessão diurna na quadra central, começando às 14h15min. Na sessão noturna, com início não antes das 17h, o torneio escalou Pella x Isner, Bellucci x Dolgopolov e Fognini x Bedene, nesta ordem. Veja a programação completa neste link.

Fora do Rio

Apenas a título de registro, vale a pena ficar de olho em Delray Beach, onde Juan Martín del Potro fez seu muito aguardado retorno às quadras após uma cirurgia no punho esquerdo realizada no dia 18 de junho de 2015.

Seis anos atrás, em 2010, Del Potro também fez um retorno em Delray Beach – também por causa de uma cirurgia no punho (era o direito na época). Naquele ano, o argentino foi campeão sem perder um set sequer.

Del Potro ainda tem “só” 27 anos, já venceu um Slam e constantemente dava trabalho aos melhores do mundo. Entre outros feitos, derrotou Federer numa final de Slam e tirou uma medalha olímpica de Djokovic. Tê-lo em excelente nível outra vez seria fantástico para o tênis.


Quadra 18: S01E21
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Alexandre Cossenza

Depois de oito meses de polêmicas, comentários, entrevistas e muita diversão, o podcast Quadra 18 chega a seu season finale, o último episódio de sua primeira temporada. Nesta semana, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu fazemos um balanço do que rolou de mais legal no programa em 2015.

O episódio lembra dos melhores momentos do ano e revela um pouco do processo de criação do Quadra 18. Falamos muito sério sobre feminismo, recordamos o “aposentômetro” do antigo blog da Sheila e demos prêmios nada sérios de fim de ano. Ah, sim: o episódio termina com um clipe de erros de gravação. Divirtam-se!

Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir baixar o episódio, clique neste link com o botão direito do mouse e, depois, em “salvar como”.

Os temas

Este post será atualizado em breve com a lista de assuntos abordados.

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast” (longzijum). Em seguida, entram All Alone on Christmas (Darlene Love), It’s Christmas Time Again (Backstreet Boys), Christmas Lights (Coldplay) e All I Want For Christmas Is You (Mariah Carey).