Saque e Voleio

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Quadra 18: S03E03
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Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


AO, dia 3: o karma de Kyrgios, sustos de Kerber e Murray, tombo de Cilic
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Alexandre Cossenza

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Demorou, mas o terceiro dia do Australian Open teve seus momentos de emoção. Depois de uma sessão diurna sem grandes dramas – apenas Angelique Kerber sofreu com o sol – a noite chegou com um jogão de cinco sets entre Nick Kyrgios e Andreas Seppi, a eliminação de Marin Cilic e um pequeno susto de Andy Murray.

O resumaço de hoje comenta esses momentos e ainda avalia as apresentações de Federer, Nishikori, Wawrinka, Venus e Bouchard, além de registrar a única vitória brasileira do dia – que veio na chave de duplas. Então, se você não ficou acordado na madrugada, sem problema. É só rolar a página e se informar.

A zebra e a vingança

É um desses casos que a gente costuma classificar como “ironia do destino” pela simples falta de explicação melhor. Chamem de karma, vingança, retribuição, o que preferirem. Não acontece todo dia. Mas aconteceu dois anos atrás, na Hisense Arena. Andreas Seppi enfrentou Nick Kyrgios nas oitavas de final. O italiano, mais bem ranqueado dos dois, abriu 2 sets a 0, teve um match point, não conseguiu converter e acabou eliminado com o placar do quinto set mostrando 8/6 para Kyrgios.

E aconteceu nesta quarta-feira, de novo na Hisense Arena, no Australian Open. O jogo valia pela segunda rodada, e Kyrgios, o mais bem ranqueado em quadra, saiu na frente. Venceu os dois primeiros sets. Seppi reagiu e venceu os dois seguintes, mas foi o tenista da casa quem teve um match point desta vez. O italiano se salvou, enfiando uma direita arriscadíssima na paralela. Sem defesa. Dois games depois, Seppi comemorou. Completou a virada: 1/6, 6/7(1), 6/4, 6/2 e 10/8.

Aos 32 anos e #89 do mundo, Seppi disse ao fim do jogo que não sabe quantas partidas assim, com essa emoção e disputados no ambiente maravilhoso da Hisense, lhe restam na carreira. Pode até ser sua última grande vitória. No momento, pouco importa. Foi bonita, vibrante, gloriosa. E lhe valeu uma vaga na terceira rodada contra Steve Darcis, o que não é nada mau também, né?

Kyrgios, por sua vez, saiu vaiado da quadra e deu mais uma daquelas coletivas intrigantes. Admitiu que fez “coisas que não deveria” nas férias, como jogar basquete e lesionar o corpo, falou que jogou o torneio com problema nos joelhos, reclamou das vaias que levou e ironizou quando lhe perguntaram que tipo de dor ele sentia: “Não sei. Pergunte a Johnny Mac [John McEnroe]. Ele sabe tudo.”

Os sustos dos favoritos

Angelique Kerber passou por mais um susto antes de comemorar seu 29º aniversário na Rod Laver Arena (RLA) nesta quarta-feira. A #1 do mundo, que ainda não teve uma grande atuação em 2017, voltou a sofrer com a irregularidade e, desta vez, teve problemas para sacar com o sol na cara – especialmente no segundo set. A também alemã Carina Witthoeft, #89 e 21 anos, nem aproveitou tão bem assim os saques fraquíssimos da #1 (beirando os 110km/h), mas ganhou a segunda parcial e forçou o terceiro set. A desafiante até começou o set decisivo com uma quebra, mas não conseguiu manter a vantagem. Kerber encaixou uma sequência de games bons, virou o placar e fechou em 6/2, 6/7(3) e 6/2.

O copo meio cheio de Kerber é mais uma vitoria jogando mal. Também foi assim na primeira rodada, contra Lesia Tsurenko. É importante anotar triunfos em dias ruins. São esses jogos que permitem que ela cresça no torneio e chegue forte na segunda semana. O copo meio vazio, contudo, é que fica difícil imaginar a alemã avançando na segunda semana do torneio jogando assim. Kerber pode ter um duelo duro contra Eugenie Bouchard nas oitavas e outro contra Garbiñe Muguruza nas quartas. Nenhuma das duas perdoaria saques tão frágeis como os desta quarta.

Fechando a sessão noturna na RLA, Andy Murray dominou o russo Andrey Rublev (19 anos, #152 do mundo) do começo ao fim. O único momento realmente tenso da partida veio no início do terceiro set, quando o #1 do mundo torceu o tornozelo direito e ficou caído na quadra por alguns instantes.

Por sorte, não foi nada grave, e Murray voltou logo ao jogo para completar a vitória por 6/3, 6/0 e 6/2. Embora sua chave tenha sido um pouco facilitada pelas quedas de Pouille e Isner (esperava-se que um dos dois enfrentasse o britânico nas oitavas), a próxima rodada não tem nada de fácil. O escocês vai duelar com Sam Querrey e, nas quadras rapidíssimas deste ano em Melbourne, qualquer sacador é um obstáculo ainda maior do que de costume.

Outros candidatos

Kei Nishikori abriu a programação na Hisense Arena (HA) e conseguiu uma vitória em três sets em um jogo que poderia ter sido mais complicado contra Jeremy Chardy. O curioso é que o japonês não chegou a empolgar. Cometeu mais erros do que winners (30 e 21, respectivamente) e perdeu o serviço três vezes. Só não teve mais dificuldades porque Chardy, que não estava em um dia animador, somou 53 erros não forçados. De qualquer modo, Nishikori está na terceira rodada e vai enfrentar Lukas Lacko, que passou por Dudi Sela por 2/6, 6/3, 6/2 e 6/4.

A sessão diurna continuou com vitórias sem drama algum. Stan Wawrinka fez 3 sets a 0 em cima de Steve Johnson, o que é um sinal positivo depois dos nervosos cinco sets contra Martin Klizan. Desta vez, o placar final foi de 6/3, 6/4 e 6/4. O duro caminho do #1 da Suíça continua contra Victor Troicki na terceira rodada.

Enquanto isso, Roger Federer encarava o qualifier Noah Rubin, 20 anos e #200 do ranking. O garotão deu trabalho no primeiro set, confirmando seus serviços e equilibrando a parcial. Só sucumbiu no 12º game, quando Federer parou de tentar trocar só pancadas e foi mais paciente. O triunfo por 7/5, 6/3 e 7/6(3) só veio depois de um inconsistente suíço salvar um set point no terceiro set. Não fossem os nervos de Rubin, a partida poderia ter se alongado mais do que o desejável para Federer.

No geral, não foi uma apresentação memorável, mas foi o bastante para avançar sem problemas. De positivo, seu serviço continua excelente, rendendo vários pontos de graça. Mesmo assim, Rubin conseguiu agredir com eficiência em alguns segundos saques. É de se esperar que Tomas Berdych, próximo adversário do ex-número 1, faço o mesmo – ou melhor.

Nesta quarta, o tcheco fez 6/3, 7/6(6) e 6/2 sobre Ryan Harrison. Avançou sem sustos, como era de se esperar. Mas e agora, será que Berdych consegue fazer mais do que nos últimos cinco jogos contra Federer? O suíço venceu todos e ganhou dez sets consecutivos.

Entre as mulheres, Venus Williams sempre corre por fora e vale ficar de olho na ex-número 1 porque sua chave ficou bem mais acessível depois das eliminações de Simona Halep e Kiki Bertens. Nesta quarta, a americana fez o seu. Bateu Stefanie Voegele por 6/3 e 6/2 marcou um encontro com Ying-Ying Duan (#87), que eliminou Varvara Lepchenko (#88) por 6/3, 3/6 e 10/8.

Quem segue impressionando é Eugenie Bouchard, que voltou a jogar bem e está sem problemas físicos. Nesta quarta, despachou Shuai Peng (#83) por 7/6(5) e 6/2, tomando a iniciativa na maioria dos pontos e jogando com precisão. Ex-top 5 e solta na chave (ocupa o 47º posto hoje), a canadense enfrentará Coco Vandeweghe, que passou por Pauline Parmentier por 6/4 e 7/6(5), na terceira rodada em busca de um possível duelo com Kerber nas oitavas. Será?

Por fim, abrindo a sessão noturna da Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza derrotou Samantha Crawford por 7/5 e 6/4. Não foi lá uma jornada impecável da espanhola, que desperdiçou duas quebras de vantagem na primeira parcial, mas foi o bastante para evitar um terceiro set. Ela agora enfrenta Anastasija Sevastova, cabeça de chave número 32, em busca de um lugar nas oitavas.

Mais cabeças que rolaram

Cabeça de chave #19, John Isner entrou em quadra como favorito contra Mischa Zverev. Aumentou seu favoritismo depois de abrir 2 sets a 0. Só que o alemão, irmão mais velho do “prodígio” Alexander, equilibrou a partida. Venceu um, dois e forçou o quinto set. Isner, que não tem lá um retrospecto tão bom assim em melhor de cinco sets, até salvou um match point com sorte…

O americano, no entanto, acabou sucumbindo depois de não conseguir converter dois match points no quarto set: 6/7(4), 6/7(4), 6/4, 7/6(7) e 9/7. A maior consequência do resultado é deixar, no papel, a chave menos complicada para Andy Murray, que enfrentaria Isner (ou Pouille) nas oitavas. Zverev, por sua vez, avança para encarar Jaziri em busca de um lugar nessas oitavas que possivelmente serão contra o número 1 do mundo.

No fim do dia, foi a vez de Marin Cilic ser o primeiro top 10 a dar adeus a Melbourne, o que confirmou um péssimo início de temporada, que já incluía uma derrota para o eslovaco Jozef Kovalik (#117 do mundo) no ATP de Chennai e um susto diante de Jerzy Janowicz na primeira rodada em Melbourne. Nesta quarta, o algoz do croata foi o britânico Dan Evans, que fez 3/6, 7/5, 6/3 e 6/3.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças de chave que rolaram, como Shuai Zhang, eliminada por Alison Riske, e Irina-Camelia Begu, que caiu diante de Kristina Pliskova. As quedas mais relevantes foram a de Carla Suárez Navarro, cabeça 10, que foi superada por Sorana Cirstea (sim, aquela!), e Mónica Puig, a campeã olímpica, que não passou pela alemã Mona Barthel.

Os brasileiros

Já eliminado nas simples, Thomaz Bellucci voltou a Melbourne Park para tentar a sorte nas duplas. Ele o argentino Máximo González, no entanto, não passaram da estreia e perderam para Pablo Cuevas e Rohan Bopanna: 6/4 e 7/6(4). Assim, o #1 do Brasil e #62 do mundo encerra sua passagem pela Ásia com três derrotam. Em Sydney, apenas nas simples, foi derrotado por Nicolas Mahut na estreia.

Marcelo Demoliner fez melhor e avançou. Ele e o neozelandês Marcus Daniell derrotaram o argentino Guillermo Duran e o português João Sousa por 7/6(2) e 6/4. Bruno Soares, que joga ao lado de Jamie Murray; Marcelo Melo, que faz parceria com Lukasz Kubot; e André Sá, que atua com o indiano Leander Paes, ainda não estrearam no torneio.


A dívida da Davis e a lição de Del Potro
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Alexandre Cossenza

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Vilas, Clerc, Frana, Jaite, Lobo, Nalbandian, Chela, Cañas, Calleri, Gaudio, Gumy, Puerta, Squillari, Zabaleta… A ilustre lista é longa, e era difícil entender como um país que fabricou tantos tenistas nunca venceu a Copa Davis. Era. A turma do capitão Daniel Orsanic, liderada por Juan Martín del Potro e com competentes coadjuvantes como Leo Mayer, Juan Mónaco, Federico Delbonis, Guido Pella, Carlos Berlocq e Renzo Olivo, bateu a Croácia em Zagreb e conquistou o título, cobrando uma antiquíssima dívida. Sim, era a Copa Davis que devia isso à Argentina, e não o contrário.

Foi a quinta final argentina na Davis e estava longe de ser a melhor chance de título. Em 2008, em Mar del Plata, o time de Nalbandian e Del Potro era favorito contra a Espanha, que viajou desfalcada de Rafael Nadal. Nalbandian atropelou David Ferrer no primeiro jogo, mas Delpo sofreu uma lesão na segunda partida, deixando o (brigado) time dependendo de José Acasuso para forçar o quinto jogo. Não deu. A chance terminou na raquete de Fernando Verdasco, que venceu um jogo nervoso e ruim para dar mais um título aos espanhóis.

Na época, Nalbandian jogou boa parte da culpa nos ombros de Del Potro. O jovem não teria se poupado devidamente para a final da Davis. Talvez Delpo tenha carregado aquela culpa até este ano. Talvez não. Talvez ele apenas guarde mágoa de Nalbandian. Ou nem isso. Difícil saber. O que era impossível mesmo de saber é que Del Potro, depois de tantas lesões nos dois punhos, voltaria à Copa Davis desta maneira.

Em certo momento, o campeão do US Open de 2009 parecia mais um ex-tenista tentando lidar com uma lesão sem solução do que um top 10 que voltaria a brigar com os melhores do circuito. O que aconteceu, no entanto, foi menos Gustavo Kuerten (aposentado por uma lesão no quadril) e mais Rafa Nadal (número 1 do mundo em 2013 depois de ficar afastado por boa parte de 2012).

Em 2016, Del Potro viveu o melhor ano de sua carreira – como ele mesmo afirmou diversas vezes, em várias ocasiões. Derrotou Wawrinka em Wimbledon; bateu Djokovic e Nadal nos Jogos Olímpicos; passou por Ferrer e Thiem no US Open; conquistou um título em Estocolmo; superou Murray nas semifinais da Copa Davis; e completou a temporada com uma virada memorável sobre Marin Cilic, que vencia por 2 sets a 0 e jogava em casa. Esta gloriosa timeline lista tudo.

Mais do que tudo isso, Del Potro deixou a todos uma gigante lição. Mesmo nos momentos mais duros, jamais deixou de acreditar. Sofreu, encheu-se de esperança e sofreu outra vez. Tentou voltar, não conseguiu. Tentou de novo. Falhou novamente. Ralou. Começou do zero. Insistiu. Batalhou. E, finalmente, voltou. E que ninguém ouse duvidar dele daqui em diante.

Coisas que eu acho que acho:

– A Argentina foi campeã como time. Por mais importantes que tenham sido as vitórias de Del Potro sobre Murray nas semifinais e Cilic na final, foram Leo Mayer e Federico Delbonis que venceram os jogos decisivos nesses dois confrontos. Não dá para falar nesta Davis sem mencionar o enorme valor dos coadjuvantes argentinos, impecáveis nos momentos mais importantes.

– O mesmo vale para o capitão argentino, Daniel Orsanic. Um cidadão educadíssimo, que olha na cara, fala o que pensa e escala os melhores. Orsanic não foi contratado para repetir o discurso da federação argentina nem para tentar justificar escolhas patéticas de seus superiores. Assumiu o cargo com uma postura apaziguadora, deixou critérios claros e convocou sempre os melhores. O resultado está aí para todo mundo ver. Não é tão difícil assim.


Quadra 18: S02E14
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Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?


NY, dia 1: Garbiñe assusta, Djokovic preocupa, Nadal empolga
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Alexandre Cossenza

Para um primeiro dia de Slam, a segunda-feira que abriu o primeiro US Open com teto retrátil no Estádio Arthur Ashe (sim, o estádio da foto abaixo, clicado no show que antecedeu a sessão noturna) foi bastante interessante. Não teve grandes zebras – nem a queda de Richard Gasquet chocou tanto assim -, mas contou com partidas intrigantes de Garbiñe Muguruza, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Angelique Kerber também venceu, mas seu jogo só serviu para alimentar a primeira polêmica do torneio. O resumo do dia traz um pouco de tudo que rolou.

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Os favoritos / A primeira polêmica

Entre os homens, o primeiro dos quatro cabeças a estrear foi Rafael Nadal (#5), que encarou Denis Istomin (#107) e passou por cima: 6/1, 6/4 e 6/2, chegando a vencer nove games seguidos nos primeiros dois sets. Ainda é cedo e o espanhol não foi tão exigido assim, mas Nadal deu bons sinais. Sacou bem (e com potência!), agrediu bastante do fundo de quadra e foi consistente quando a ocasião pediu. Com uma chave acessível até pelo menos as quartas de final, terá tempo de afiar seu tênis e chegar bem na segunda semana. Se a lesão no punho deixar, os outros candidatos que se cuidem.

Na chave feminina, Angelique Kerber (#2) ficou apenas 33 minutos em quadra. Sua adversária, a eslovena Polona Hercog (#120), abandonou quando perdia por 6/0 e 1/0, alegando tonturas sob o forte sol desta segunda-feira. Até aí, tudo bem. O problema é que o abandono não foi muito bem recebido por Donna Vekic, que perdeu na última rodada do quali e aguarda uma vaga como lucky loser. A croata foi sarcástica no Twitter ao ver o resultado:

Indagada sobre o assunto, Hercog disse não saber o que dizer porque “ela não sabe o que estava acontecendo. Não sei como ela pode julgar.” A eslovena ainda disse “não é minha culpa se ela perdeu na última rodada do quali.”

Na sessão noturna do Ashe, pouco depois de uma apresentação de Phil Collins, Novak Djokovic (#1) derrotou Jerzy Janowicz (#247) em quatro sets: 6/3, 5/7, 6/2 e 6/1. Aqui valem todas as ressalvas do tipo “ainda é cedo”, mas foi uma atuação preocupante para os fãs do sérvio. Djokovic, que chegou a Nova York ainda se recuperando de uma lesão no punho esquerdo, pediu atendimento médico e recebeu tratamento no cotovelo direito ainda no início do jogo.

Seus saques estiveram abaixo do esperado – a velocidade média do segundo serviço ficou em 140 km/h (em Wimbledon, a mesma média ficou na casa dos 150 km/h) e seu jogo não mostrou nada de especial nesta segunda. O duelo poderia até ter se complicado não fossem a inconstância e as 13 duplas faltas de Janowicz, que pouco fez no terceiro e no quarto sets. O grande mérito de Djokovic foi a consistência (18 erros não forçados em quatro sets).

Ao fim do jogo, o número 1 do mundo fugiu duas vezes da pergunta sobre o atendimento em seu braço. Cantou e dançou até finalmente afirmar apenas que ninguém está 100% em todos os jogos e que não era a hora de falar naquilo. Resta saber se é (mais) alguma coisa que ele vai carregar para o resto do torneio ou se foram dores ocasionais que desaparecerão com tratamento ao longo dos dias.

Cabeças que rolaram

Richard Gasquet (#15) foi o principal cabeça de chave a dar adeus nesta segunda-feira. O francês disse que a lesão nas costas que o tirou de Wimbledon não incomodou em Nova York, mas a impressão era de que ele não estava 100% fisicamente. De qualquer modo, Kyle Edmund (#84) foi muito superior. O britânico disse inclusive ter jogado melhor do que esperava no triunfo por 6/2, 6/2 e 6/3.

Quem também se despediu foi Martin Klizan (#29), embora sua derrota seja uma surpresa muito mais pelo placar do que pelo adversário. O russo Mikhail Youzhny (#61) aplicou 6/2, 6/1 e 6/1.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças rolando, mas parece justo dizer que nenhum dos resultados causou grande abalo. Coco Vandeweghe (#30) foi eliminada por Naomi Osaka (#81); Sara Errani (#28) tombou diante de Shelby Rogers (#49); Irina-Camelia Begu (#23) caiu diante da Lesia Tsurenko (#99); e Misaki Doi (#32) perdeu para Carina Witthoeft (#102).

O susto

Garbiñe Muguruza (#3) não esteve tão perto assim da eliminação, mas assustou seus fãs quando perdeu o primeiro set por 6/2 para a qualifier belga Elise Mertens (#137). A espanhola, no entanto, se aprumou, aplicou um pneu no segundo set e venceu por 2/6, 6/0 e 6/3. Não foi a estreia dos sonhos, mas Muguruza também fez uma primeira partida preocupante em Roland Garros e não perdeu sets depois, batendo inclusive Serena Williams na final.

Seria uma coincidência enorme se acontecesse de novo, mas o importante é sobreviver nos dias ruins, e a número 3 do mundo fez isso nesta segunda. Muguruza, lembremos, é uma das tenistas com chance de sair de Nova York no topo do ranking mundial (veja as chances no tweet abaixo).

A ressaca olímpica

A tarefa não era mesmo das mais fáceis. Depois da conquista olímpica, Mónica Puig (#35) virou um ícone de Porto Rico. Fez aparições por toda parte e carregou a medalha de ouro por onde esteve. Acabou derrotada na primeira rodada do US Open pela chinesa Saisai Zheng (#61): 6/4 e 6/2.

No papel, o resultado deixa mais fácil a vida de Muguruza, que enfrentaria Puig na terceira rodada. Foi a porto-riquenha, lembremos, que aplicou 6/1 e 6/1 e despachou a espanhola dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Muguruza agora só enfrentará uma cabeça de chave nas oitavas, quando terá pela frente quem sair da seção que tem como Konta e Bencic como nomes mais fortes.

O acidente

Na vitória sobre o luxemburguês Gilles Muller (#37) por 6/4, 6/2 e 7/6(5), Gael Monfils (#12) tentou uma defesa quase de beisebol (que faria sentido no estádio do NY Mets, pertinho de Flushing Meadows) e acabou deixando o relógio do fundo de quadra completamente despedaçado.

A aboborização

Francis Tiafoe, 18 anos e #125 do mundo, esteve a dois pontos de derrotar John Isner (#21) e conquistar sua primeira vitória em um Slam, mas se afobou no tie-break do terceiro set e deixou o compatriota entrar no jogo. Tiafoe também sacou para fechar o jogo no quinto set, mas cedeu a quebra quando jogou uma direita fácil no meio da rede. Isner não perdoou e venceu o tie-break decisivo, fechando em 3/6, 4/6, 7/6(5), 6/2 e 7/6(3).

Depois de ver sua carruagem virar abóbora, o adolescente deu um grande abraço e não queria soltar o veterano. Isner, que disparou 35 aces, sobreviveu para enfrentar Steve Darcis na segunda rodada. Depois da queda de Gasquet, Isner pode encontrar um cabeça de chave apenas nas oitavas de final. Pode ser, quem sabe, um duelo com Novak Djokovic.

Correndo por fora / O recorde noturno / O patrocínio vetado

Além de Marin Cilic, campeão do US Open em 2014, a lista de candidatos ao título que venceram nesta segunda inclui também Milos Raonic (#6), que superou Dustin Brown (#86) por 7/5, 6/3 e 6/4.

Na chave feminina, Petra Kvitova (#16) teve seu saque quebrado no primeiro e no terceiro games, mas se recuperou e nem precisou de três sets. Fez 7/5 e 6/3 em cima de Jelena Ostapenko (#36).

O último jogo do dia já começou tarde, por conta do show de Phil Collins e da partida não-tão-rápida de Djokovic. Madison Keys (#9) perdeu o primeiro set, esteve uma quebra atrás na segunda parcial e até viu a compatriota Alison Riske (#60) sacar em 5/4 no tie-break do segundo set, mas escapou por pouco. A top 10 acabou triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O encontro terminou à 1h48min da manhã (horário local), estabelecendo um novo recorde para fim de jogo mais tarde em uma partida feminina no US Open.

A grande curiosidade da noite, porém, foi o veto da USTA ao plano de Madison Keys de usar a marca de um patrocinador tatuada na pela (tatuagem temporária, claro). A ideia foi do agente da moça, Max Eisenbud, o mesmo empresário de Sharapova. Sim, ele é o cidadão que seria responsável por ler as mudanças na lista de substâncias proibidas pela Wada, mas não o fez “porque deixou de viajar para o Caribe nas férias” (bom argumento, não?).

A intenção era driblar uma proibição da Nike, que não deixa que seus atletas usem marcas de outros patrocinadores na roupa. A Nike até concordou com a tatuagem, mas o plano foi impedido pela USTA, organizadora do torneio. Segundo o porta-voz da entidade, as regras para torneios do Grand Slam proíbem patrocínio co corpo. Leia mais no link do tweet acima.

Os brasileiros

Em uma jornada pavorosa, Thomaz Bellucci (#65) acabou eliminado pelo russo Andrey Kuznetsov (#47): 6/4, 3/6, 6/1 e 7/6(5). O número 1 do Brasil teve todas as chances do mundo para voltar na partida – inclusive depois de salvar três match points no quarto set – contra um adversário errático, mas não conseguiu. Como alcançou a terceira rodada no ano passado, Bellucci perderá pontos e cairá pelo menos para o 75º posto na lista da ATP.

Rogerinho (#108) deu azar no sorteio e até fez uma apresentação bem digna, dando trabalho para Marin Cilic (#9), mas acabou eliminado em três sets: 6/4, 7/5 e 6/1, em 2h de jogo. O paulista também perderá posições no ranking, indo parar em 120º na melhor das hipóteses. Rogerinho pode até ser ultrapassado por Feijão, que não passou pelo quali do US Open e joga esta semana um Challenger em Curitiba.

Por fim, Guilherme Clezar (#203), que furou o qualifying e deu a sorte de enfrentar outro qualifier na estreia, venceu o primeiro set e sacou em 5/4 no tie-break da segunda parcial, mas acabou superado pelo suíço Marco Chiudinelli (#144): 2/6, 7/6(6), 6/2 e 6/4.

Os melhores lances

Não foi lá um ponto fantástico, mas um único golpe espetacular. Vale ver o forehand vencedor de Nadal que lhe deu a quebra decisiva no segundo set contra Denis Istomin. Um canhão.


Quadra 18: S02E11
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Alexandre Cossenza

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 mal acabaram, e o US Open já está aí batendo à porta, sem deixar ninguém descansar e mantendo lá no alto a temperatura do mundo do tênis. Por isso, o episódio desta semana do podcast Quadra 18 é uma pizza metade Rio 2016, metade US Open. Quer dizer, sendo bem sincero mesmo, a divisão ficou 2/3 Errejota, 1/3 Nova York, o que é muito justo já que o torneio olímpico de tênis foi melhor do que muito Slam.

Neste episódio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu lembramos dos melhores momentos dos Jogos Rio 2016 e compartilhamos episódios emocionantes e curiosos vividos na Cidade Maravilhosa, mas não deixamos de lembrar como está desenhado o cenário pré-US Open. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’55” – O torneio olímpico de tênis foi tão marcante quanto um Slam?
5’31” – Os duplistas mineiros no torneio olímpico
7’38” – A boa chance de medalha para Melo e Soares
10’00” – A chave que se abriu sem Herbert/Mahut e Cabal/Farah
13’00” – A medalha que escapou de Daniel Nestor
13’40” – O nível altíssimo de André Sá nos Jogos Olímpicos
15’20” – A inesperada campanha de Thomaz Bellucci até as quartas
17’44” – Del Potro x Djokovic foi o melhor jogo do torneio?
21’15” – A inteligência do jogo agressivo e do slice de Del Potro
23’13” – Djokovic: a sintonia com o público brasileiro, as lágrimas, o que significou a derrota e o que pode vir a acontecer em Tóquio 2020
26’02” – O mistério sobre a lesão de Djokovic antes do US Open
27’30” – Nadal: a maratona, a medalha, as reclamações e o comprometimento
31’50” – Murray: o favoritismo, a obrigação e os (muitos) dramas
34’03” – Mónica Puig e a medalha de ouro na chave feminina
38’10” – As derrotas de Serena e Muguruza, maiores surpresas do torneio
39’09” – O pódio feminino e o “espírito de Fed Cup”
41’05” – O ouro olímpico seria o começo de uma arrancada de Mónica Puig?
44’05” – A loucura do estádio olímpico vibrando com Kirsten Flipkens
44’55” – Serena e Venus decepcionaram?
47’10” – Os resultados de Teliana e Paula Gonçalves no Rio
48’48” – A bolada de Martina Hingis em Andrea Hlavackova
51’30” – O ouro das “brunetes” Makarova e Vesnina
52’58” – O momento de Cossenza com Leander Paes
57’06” – A pergunta mais importante: quem pegou zika?
58’13” – Música em homenagem a Mónica Puig
58’50” – O comportamento da torcida: brasileiros acertam quando vaiam?
66’25” – Os encontros olímpicos de Aliny Calejon com Marin Cilic e Horia Tecau
73’10” – Os encontros de Cossenza e Sheila com Robin Soderling
74’00” – Outros esportes que vimos nos Jogos Rio 2016
77’21” – O drama de Sheila para ver Usain Bolt
82’21” – Engenhão à meia-noite: Cossenza “recomenda”
84’20” – Por que os episódios do podcast Quadra 18 são tão longos?
86’37” – Empire State of Mind (Jay Z featuring Alicia Keys)
87’11” – O US Open e suas novidades como o teto retrátil e a Grandstand
87’50” – Chave masculina está mais indefinida do que nos últimos Slams?
90’51” – A briga entre Serena e Kerber pelo posto de #1 do mundo
92’00” – Recordes que Serena pode bater nas próximas semanas
95’45” – O que esperar dos brasileiros nas duplas?
99’25” – As chances de Marcelo Melo voltar ao topo do ranking após o US Open
102’37” – Carry Me (Kygo featuring Julia Michaels)


Quadra 18: S02E10
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Alexandre Cossenza

Serena Williams conquistou seu 22º título em um torneio do Grand Slam; Andy Murray voltou a triunfar em Wimbledon; Djokovic e Muguruza ficaram pelo caminho; Federer e Kerber ficaram no quase; e o que Lleyton Hewitt foi fazer em Londres? Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos mais um bem humorado podcast Quadra 18, resumindo os feitos, as decepções, as confusões e tudo mais que rolou nas duas semanas do Slam da grama.

Também falamos, claro, de Brasil x Equador, confronto deste fim de semana em Belo Horizonte, e demos uma pincelada no cenário que se desenha para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir, baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila apresenta os temas
1’40” – O título de Andy Murray
2’35” – Como o jogo de Murray se encaixa na grama
4’15” – Como “casa” bem para Murray o duelo com o Raonic
6’39” – A primeira final de Slam sem enfrentar Federer ou Djokovic
8’18” – Murray será número 1 do mundo?
10’15” – Raonic vai ganhar um Slam um dia?
12’44” – A consultoria de John McEnroe com Raonic e o conflito de interesse
14’45” – Como avaliar a campanha de Federer? Melhor ou pior do que o esperado?
17’32” – Foi a última grande chance de Federer ganhar um Slam?
21’05” – Djokovic e a derrota para Sam Querrey
25’00” – A especulação sobre a não vinda de Djokovic aos Jogos Olímpicos
26’20” – Djokovic, Murray e o confronto de Copa Davis
27’45” – A campanha de Juan Martín del Potro
29’00” – Wawrinka, a decepção
30’20” – A história louca de Marcus Willis
30’40” – Marin Cilic e outros destaques do torneio
34’10” – Right Action (Franz Ferdinand)
34’35” – Serena Williams, heptacampeã em Wimbledon
35’50” – A importância do 22º Slam no currículo da número 1
38’35” – A ótima campanha de Angelique Kerber e a análise da final
41’35” – A eliminação/decepção de Garbiñe Muguruza
42’42” – De onde surgiu Elena vesnina, semifinalista?
43’40” – Strycova, Pliskova e Keys, abaixo do esperado
45’00” – Os enormes atrasos pela chuva e o teto retrátil
49’35” – Será que vai chover durante as Olimpíadas?
52’20” – Side (Travis)
53’10” – O efeito melhor-de-três na chave de duplas
55’20” – As duas duplas francesas na final
57’26” – Como avaliar as campanhas dos brasileiros?
60’25” – Lleyton Hewitt ainda volta a jogar?
63’45” – Brasil x Equador na Copa Davis: o que esperar?
65’30” – O estranho calendário de Bellucci com seguidas mudanças de piso
66’08” – A não convocação de Thiago Monteiro

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Right Action (Franz Ferdinand), Side (Travis) e Bang Your Drum (Dead Man Fall).


Wimbledon, dia 9: da salvação de Federer à força de Murray
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Alexandre Cossenza

A Quadra Central vibrou como nunca nesta edição de Wimbledon. Do início do dia ao match point do segundo jogo, foram dez sets, dezenas de pontos memoráveis, três match points salvos, uma virada gloriosa e mais de sete horas transcorridas. Tudo isso para que os favoritos Roger Federer e Andy Murray avançassem às semifinais do torneio. E foi mais ou menos assim que aconteceu.

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O melhor jogo

Foram dois sets estranhos de Roger Federer. No começo, faltava agressividade no backhand, e o slice não incomodava Marin Cilic o suficiente. Mais do que isso, o suíço deixou passar uma chance rara. Umazinha que apareceu no primeiro set. Um 0/30 no quinto game, com a quadra aberta. Mandou uma direita para fora. O croata ainda cedeu dois break points naquele mesmo game, mas se salvou e ganhou o tie-break. Um set a zero. O alarme estava ligado.

Não que fosse uma atuação mais ou menos de Cilic. O número 13 do mundo era muito competente. Sacava bem e errava pouco. Mas não era espetacular. Certamente, não no nível espetacular-campeão-daquele-US-Open. Confirmava o serviço e esperava chances. Salvou mais dois break points no segundo set e quebrou o suíço. Mas era um estranho suíço.

Quando Cilic sacava para fechar o segundo set, com 0/15 no placar, Federer teve um backhand fácil para matar e pressionar o rival. Jogou na rede. O público sentiu o golpe. O heptacampeão sentiu o golpe. Cilic abriu 2 sets a 0. “Na bola”, ponto a ponto, golpe a golpe, a diferença não era tão grande assim, só que o placar indicava outra coisa. Era uma tarde estranha.

Cilic ficou muito perto da vitória. O placar mostrava 3/3, 0/40, com Federer no serviço no terceiro set. O croata cometeu três erros. O suíço gritou, vibrou. A torcida acordou. A conta veio rápido, já no game seguinte. Um erro não forçado e uma dupla falta de Cilic deram a Federer uma quebra. O dia já não parecia tão estranho. O heptacampeão já tinha no currículo nove vitórias após estar perdendo por 2 a 0. A décima estava só começando.

Não que tenha sido ladeira abaixo depois disso. Cilic jogou fora dois break points no quarto game, errando devoluções de segundo saque. Teve um match point com Federer sacando em 4/5. Mandou para fora uma devolução de segundo saque. Sim, mais uma. Cilic teve outro match point dois games depois, mas nem jogou. Um ace de Federer evitou o adeus.

O tie-break teve mais drama. Ninguém se espantaria com erros nervosos de Cilic. Eles vieram. Surpresa mesmo foram as falhas do heptacampeão, o senhor dos pontos grandes. Primeiro, uma madeirada deu ao rival o primeiro mini-break do game. Mais tarde, com 6/5 no placar, outra madeirada jogou fora o set point. Federer ainda cedeu mais um match point, mas Cilic não conseguiu responder um segundo saque forçado. O game ainda teve o suíço perdendo outro set point com um erro não forçado (estranho, muito estranho), mas foi o croata que cedeu ao falhar mais duas vezes. Tudo igual: 2 sets a 2.

O estranho ficou para trás. Todo mundo sabia. O backhand na paralela já entrava mais, e a velocidade na movimentação não indicava nenhum resquício de lesão. Cilic ainda brigou, salvou break point no sexto game. Federer, mais Federer do que nunca (ou tão Federer como sempre!?) já não cedia mais nada. Era questão de tempo. Game, set, match: 6/7(4), 4/6, 6/3, 7/6(9), 6/3. Suíço na semi. Um caminho estranho, um resultado normal.

Federer agora é o recordista de vitórias em torneios do Grand Slam, com 307 – uma a mais que Martina Navratilova e cinco a mais que Serena Williams. E, com mais esse triunfo, agora acumula 40 semifinais de Grand Slam e 84 vitórias em Wimbledon, igualando a marca de Jimmy Connors.

Seu adversário na semi será Milos Raonic (#7), que avançou no buraco deixado por Novak Djokovic. O canadense, que quase tombou diante de David Goffin nas oitavas, superou nas quartas o americano Sam Querrey (#41): 6/4, 7/5, 5/7 e 6/4. Difícil dizer se Raonic será um desafio maior do que Cilic. O canadense tem um saque mais potente, mas não é tão sólido quanto o croata do fundo de quadra nem devolve saques tão bem.

A outra semi

Primeiro, parecia que Jo-Wilfried Tsonga (#12) venceria o primeiro set. O francês, afinal, teve três set points no tie-break. Depois, parecia que Andy Murray (#2) completaria uma vitória sem mais dramas. Isso porque o escocês fez 6/1 no segundo set. E aí tudo mudou outra vez quando Tsonga venceu o terceiro set e se encheu de confiança, mas mudou mais uma vez quando Murray abriu 4/2 no quarto set e virou de cabeça para baixo outra vez porque o francês venceu quatro games seguidos e forçou o quinto set.

Brincadeiras à parte, foi um jogaço de alto nível (a não ser pelo segundo set), com todo tipo de lance e os dois tenistas protagonizando lances espetaculares – às vezes, em sequência. No fim, Murray mostrou raça, grande força mental, chamou a torcida e disparou na frente no quinto set, fechando em 7/6(10), 6/1, 3/6, 4/6 e 6/1.

O adversário do britânico na semi será – vejam a ironia – o tenista mais estável do dia: Tomas Berdych (#9), que derrotou Lucas Pouille (#30) por 7/6(4), 6/3 e 6/2. O tcheco perdeu o serviço apenas uma vez em toda a partida e será o atleta mais descansado na sexta-feira, nas semifinais. Difícil imaginar que preparo físico será uma vantagem diante de Andy Murray, mas pelo menos não será uma desvantagem. Já é algo para Berdych, que é um claro azarão na partida.

O último brasileiro

Bruno Soares e Jamie Murray quase conseguiram uma virada memorável, mas ficaram pelo caminho. Nas quartas de final, brasileiro e britânico viram Edouard Roger-Vasselin e Julien Benneteau abrirem 2 sets a 0, mas reagiram, igualaram o placar e só foram perder no quinto set longo: 6/4, 6/4, 6/7(11), 6/7(1) e 10/8.

O mineiro ainda voltaria à quadra nesta quarta pela chave de duplas mistas, mas ele e Elena Vesnina abandonaram o torneio. A russa, vale lembrar, está classificada para as semifinais de simples (vai enfrentar Serena amanhã) e as quartas de duplas (ela e Makarova enfrentam Venus e Serena).


Wimbledon, dia 7: drama, breu, outra ameaça e o melhor jogo do torneio
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Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

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O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


RG, dia 2: drama de Murray, susto de Wawrinka e derrotas brasileiras
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Alexandre Cossenza

A chuva voltou a atrasou mais uma vez a programação em Roland Garros, mas desta vez teve tênis e sobrou emoção. Primeiro, com Wawrinka e Muguruza vivendo momentos de tensão. Depois, com Andy Murray andando na corda bamba e os brasileiros – Thomaz Bellucci e Rogério Dutra Silva – enfrentando franceses em ótima forma. O resumaço do segundo dia fala sobre tudo isso, lembra das cabeças que rolaram e inclui até uma ação publicitária de Marcelo Melo.

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Os favoritos

O maior drama do dia, seguramente, foi vivido pelo Andy Murray. Cabeça de chave 2, #2 do mundo, vindo de um título em Roma em cima de Novak Djokovic, o britânico chegou pela primeira vez a Roland Garros como sério candidato ao título. Tudo isso quase foi jogado pela janela nesta segunda-feira, diante de Radek Stepanek. O experiente tcheco, cheio de variações e evitando dar ritmo a Murray, abriu 2 sets a 0, fazendo 6/3 e 6/3 e deixando o mundo inteiro em alerta.

O escocês reagiu a tempo de evitar um fiasco. Fez 6/0 na terceira parcial, chegou a nove games seguidos e parecia navegar tranquilo para forçar o quinto set quando a partida foi paralisada por falta de luz natural. Quando os dois tenistas voltarem à quadra na terça-feira, o placar mostrará Stepanek liderando por 2 sets a 1, mas com Murray à frente por 4/2 no quarto set.

Embora não tenha fechado a parcial enquanto o momento lhe era favorável, Murray se deu bem com a interrupção. Diante de um tenista perigoso como Stepanek, é sempre arriscado entrar em quadra frio para jogar apenas um set. Do jeito que aconteceu, o britânico terá o fim do quarto set para calibrar golpes, aquecer e entrar com força total na parcial decisiva. O irmão, vide tweet abaixo, concorda.

Simona Halep, por sua vez, quase não teve problemas. Vice-campeã de Roland Garros e atual cabeça 6, a romena fez 6/2 e 6/0 sobre a japonesa Nao Hibino e avançou. Ela enfrentará na sequência a cazaque Zarina Diyas

Os brasileiros

Rogerinho (#85) fez uma ótima apresentação na Quadra Suzanne Lenglen, diante do sempre constante Gilles Simon (#18). O jogo, disputado com quadra bastante pesada e dois jogadores que não fogem de ralis, foi bastante longo e refletiu as características de ambos. Trocas longas, muitas quebras e equilíbrio. O primeiro set, decidido no tie-break, durou mais de 1h10min. O segundo, quase uma hora.

O brasileiro teve chances. Começou o jogo com 3/0 e duas quebras de frente. Na segunda parcial, abriu 4/2. Simon, no entanto, foi sempre mais consistente, dando menos pontos de graça e exigindo bastante de Rogerinho. No fim, o tenista da casa saiu vencedor por 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Thomaz Bellucci também enfrentou um adversário respeitável, mas fez muito pouco diante de Richard Gasquet (#9). O francês começou a partida vencendo os primeiro cinco games e nunca deixou o brasileiro à vontade em quadra. Bellucci, que chegou a ter 15 games perdidos em sequência (comando os dez contra Delbonis em Genebra), até teve bons momentos no jogo, mas os 32 erros não forçados nos dois primeiros sets (em 16 games) facilitaram a vida do oponente.

Gasquet acabou vencendo por 6/1, 6/3 e 6/4, sem sustos. Bellucci, que cometeu 46 erros não forçados ao todo (contra 19 de Gasquet), agora soma oito vitórias e 15 derrotas na temporada. Depois de começar a temporada como 37º do mundo e entrar no top 30 em fevereiro, Bellucci vem em queda e já deixou o top 50. Nesta semana, é o #57 e pode cair mais ao fim do torneio francês.

As cabeças que rolaram

Entre os homens, Marin Cilic, cabeça 10, provavelmente foi a vítima da maior zebra do dia. O croata, que vinha de disputar a final do ATP de Genebra no sábado, tombou espetacularmente diante do argentino Marco Trungelliti (#166), que vinha do qualifying: 7/6(4), 3/6, 6/4 e 6/2.

O revés significa uma bela chance desperdiçada para Cilic, que estava numa chave em que enfrentaria Troicki na terceira rodada e, talvez, Raonic nas oitavas. Não era nada impossível imaginá-lo nas quartas contra Wawrinka – sim, o mesmo Stan que oscilou e quase também deu adeus nesta segunda-feira.

Na chave feminina, Sara Errani, cabeça 16, e Karolina Pliskova, cabeça 17, foram as primeiras a dar adeus. A italiana encerrou uma péssima passagem pelo saibro europeu com derrota por 6/3 e 6/2 para a búlgara Tsvetana Pironkova, enquanto a tcheca foi eliminada de virada pela americana Shelby Rogers: 3/6, 6/4 e 6/3.

A maior pré-classificada a dar adeus foi Roberta Vinci, cabeça 7, que foi rapidamente eliminada por Kateryna Bondarenko (#62) : 6/1 e 6/3. É o fim de uma péssima sequência para a vice-campeã do US Open, que sofreu quedas na estreia também em Madri e Roma.

Vinci estava numa seção bastante acessível da chave, sem grandes especialistas em saibro. Ela lá que estava também Karolina Pliskova. Agora, a “favorita” para alcançar as oitavas é Petra Kvitova, cabeça 10, mas tão imprevisível que requer sempre o uso de aspas para a palavra favorita.

Os sustos

O maior susto do dia veio logo no primeiro jogo da Quadra Philippe Chatrier, com Stan Wawrinka correndo o risco de se tornar o primeiro campeão de Roland Garros na história a ser eliminado na estreia no ano seguinte.

A estratégia kamikaze de Lukas Rosol, combinada com os momentos de inconstância do suíço, deixaram o jogo equlibrado. Quando o tcheco abriu 2 sets a 1, acabou a margem de erro para o campeão, que reagiu bem, vencendo as parciais seguintes. Stan até salvou um break point no começo do quinto set, mas não teve outros sustos na parcial, fechando o jogo por 4/6, 6/1, 3/6, 6/3 e 6/4.

A espanhola Garbiñe Muguruza (#4) também deu susto em seus fãs. Perdeu a primeira parcial para Anna Karolina Schmiedlova (#37) e, por um momento, parecia destinada a dar adeus atacando e errando do começo ao fim do jogo. Schmiedlova, no entanto, perdeu nove break points no primeiro game do segundo set, e Muguruza quebrou na sequência, mantendo a vantagem até o fim da parcial.

No set decisivo, Muguruza quase perdeu uma enorme frente. Sacou em 4/1, mas foi quebrada no sexto game e precisou salvar um break point no oitavo para evitar o empate da rival. No fim, confirmou o favoritismo e fechou em 3/6, 6/3 e 6/3.

Correndo por fora

Kei Nishikori foi o primeiro dos grandes candidatos ao título a entrar em quadra. No domingo, porém, a chuva impediu o término de seu jogo, então o japonês precisou fazer uma aparição rápida nesta segunda. E foi rápida mesmo. Apenas o suficiente para completar o triunfo sobre Simone Bolelli: 6/1, 7/5 e 6/3.

Cabeça de chave 2, Agnieszka Radwanska raramente é colocada entre as favoritas ao título. Seu histórico no saibro não justificaria mesmo. Sua estreia, porém, foi tranquila, fazendo 6/0 e 6/2 sobre Bojana Jovanovski.

Quem também corre por fora e triunfou nesta segunda foi Milos Raonic, que bateu Janko Tipsarevic (lembram dele?) por 6/3, 6/2 e 7/6(5).

Os adiamentos

Por causa da chuva – sim, ela de novo – a rodada começou com 2h30min de atraso. Quando os primeiros tenistas entraram em quadra, a organização já tinha decidido transferir 12 partidas: Cornet x Flipkens, Ivanovic x Dodin, Svitolina x Cirstea, Suárez Navarro x Siniakova, Jankovic x Maria, Rodionova x Konjuh, Zheng c Xibulkova, Cuevas x Kamke, Townsend x Hesse, Nara x Allertova, Wang x Andrianjafitrimo e Chung x Halys.

Dominika Cibulkova, aparentemente, aproveitou bem a folga.

Ao fim do dia, outros jogos interrompidos: Pouille vencia Benneteau por 2 sets a 1, Isner e Millman empatavam após dois tie-breaks, Doi liderava o segundo set contra Stosur após a australiana vencer a primeira parcial, Voskoboeva e Zhang ainda estavam em 5/5 no primeiro set, e Ekaterina Makarova liderava por 4/1 e saque o terceiro set contra Varvara Lepchenko.

Lances bacanas

A imagem não ajuda, mas fica o registro do impressionante backhand de Rogerinho, defendendo um smash cruzado de Simon e atacando na paralela para conseguir uma quebra de saque.

Leitura recomendada

Do blog de Diana Gabanyi, ex-assessora de Gustavo Kuerten, chefe de operações de imprensa do Rio Open e que está todos os anos em Roland Garros. No texto de hoje, ela fala sobre como o Slam do saibro vai ficando para trás em comparação com os outros três grandes.

Fanfarronices publicitárias

Em ação publicitária da Centauro chamada “Coisas que só o Marcelo Melo faz”, o número 1 do mundo faz truques com a raquete e a bolinha dentro de uma das lojas. Ótima iniciativa da rede de artigos esportivos.


Roland Garros 2016: o guia (versão masculina)
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Alexandre Cossenza

Murray_Djokovic_Nadal_col_blog

Equilíbrio, pero no mucho. Com Rafael Nadal campeão em Monte Carlo, Novak Djokovic levantando o troféu em Madri, e Andy Murray conquistando o território romano, é de se imaginar que está “tudo aberto”, como gostam de dizer por aí, em Roland Garros 2016. Na prática, não é bem assim. O número 1 do mundo, mais consistente entre os três, ainda é o nome mais cotado.

Qualquer coisa que seja um título de fora deste trio será uma grande surpresa. Até mesmo se o imprevisível e imprevisivelmente genial Stan Wawrinka tirar da cartola mais duas semanas espetaculares e repetir a façanha de 2015. E quem corre por fora, além de Wawrinka? Kei Nishikori e Dominic Thiem são os primeiros nomes na cabeça de quase todos. Milos Raonic não pode ser totalmente descartado, ainda que o piso não lhe seja o mais favorável.

O porquê do favoritismo de Djokovic e a lista de nomes que podem surpreender nas próximas semanas é o que tenta avaliar este guiazão da chave masculina. Role a página, leia e faça sua previsões se quiser.

Os favoritos / Quem se deu bem

Soa paradoxal afirmar que Novak Djokovic teve um sorteio favorável ao mesmo tempo em que o sérvio caiu do mesmo lado de Rafael Nadal na chave. Só que o número 1 do mundo parece ter um caminho bastante tranquilo até a semi, o que lhe permite tempo para calibrar os golpes, testar táticas e poupar o corpo. Depois da estreia contra Lu, Djokovic pega Ilhan/Darcis na segunda rodada, e Delbonis/Carreño Busta/Melzer/Bedene na terceira. Nas oitavas, encara quem avançar no grupo que tem Bautista Agut, Tomic, e Coric. Enfim, nas quartas, seus adversários mais perigosos em potencial seriam Ferrer, Berdych, Feliciano e Cuevas. Há que se considerar e ressaltar aqui o mau momento de Ferrer e Berdych, que contribui bastante para abrir o caminho ao sérvio.

Nadal tem uma rota mais turbulenta, que pode incluir Fognini já na terceira rodada, Thiem nas oitavas e Tsonga/Goffin nas quartas. Nada disso, porém tira – até as semifinais – o favoritismo do eneacampeão (tente escrever isso sem parar pra pensar em incluir um ponto de exclamação em algum lugar) !!! (Pensei e decidi incluir assim mesmo). O grande ponto de interrogação aqui é sobre o quanto Nadal conseguirá evoluir até as semifinais. Desde Indian Wells, o atual #5 do mundo vem crescendo e se mostrando mais sólido a cada dia. O duelo de Roma, contudo, mostrou que ainda falta algo para construir uma ameaça real a Djokovic. Os próximos dez dias serão fundamentais, e é até possível que a chave mais dura ajude Nadal nessa tarefa.

Entre os três principais cabeças, eu escolheria a chave de Andy Murray como a minha preferida. Um pouco porque Wawrinka, o cabeça mais forte dessa metade, não deu indícios até agora de que chegará à semifinal, mas também porque o único adversário real para o britânico até lá parece ser Kei Nishikori. É bem verdade que Murray pode ter um daqueles dias pavorosos e ficar pelo caminho enquanto esbraveja consigo mesmo dentro de quadra, mas não é isso que os últimos torneios sugerem. Também ajuda o fato de que Gasquet e Kyrgios caíram no mesmo quadrante do japonês. Assim, o britânico só enfrentará um deles.

Por fim, Wawrinka não deu azar. Se aprumar seu jogo a tempo, tem boas chances de ir longe em um caminho que tem Rosol na estreia, Klizan/Daniel na segunda rodada e possivelmente Chardy ou Mayer na terceira. Seu adversário de oitavas sai do grupo que tem Simon, Troicki, Dimitrov e Pella. Se chegar às quartas, Stanimal enfrentaria o “campeão” do setor de Raonic, Cilic, Pouille e Sock. Não parece nada ruim, certo? É como se o sorteio mandasse um “me ajuda a te ajudar” para o suíço. Resta saber se Wawrinka vai conseguir fazer o dever de casa.

Os brasileiros

Como ninguém venceu nem um jogo no quali, o Brasil começa a chave principal com Thomaz Bellucci e Rogerinho. O sorteio não foi nada generoso. O número 1 do Brasil enfrenta Richard Gasquet, cabeça 9, logo de cara. Se vencer, tem um bom jogo contra o vencedor de Querrey x Fratangelo antes de, quem sabe, duelar com Nick Kyrgios na terceira rodada. Há muito em jogo na partida de estreia.

O primeiro de Rogerinho será contra Gilles Simon, o cabeça de chave 16. Um dos maiores azarões do evento (vide cotações no fim do post), o número 2 do Brasil enfrentará Schwartzman ou Pella se passar por Simon. Em uma eventual campanha até a terceira rodada, o rival deve ser Dimitrov ou Troicki.

A grande ausência

Depois de 65 Slams disputados de forma consecutiva, Roger Federer ficará fora de Roland Garros. Recuperando-se de uma lesão nas costas (é, pelo menos, a versão oficial, embora há quem suspeite do joelho operado), o suíço optou por não jogar no saibro francês e voltar na temporada de grama.

A decisão faz todo sentido do mundo. Mesmo em 100% de condições, Federer não seria favorito ao título. Sem estar em um momento ideal fisicamente e sem fazer uma preparação adequada na terra batida, não há por que o suíço se desgastar em jogos melhor de cinco sets. Com o currículo que tem, Federer não tem motivo para se preocupar com o ranking ou com pontinhos aqui e ali.

Sua meta é conquistar torneios grandes, e sua melhor chance de vencer um Slam continua sendo Wimbledon. Jogar em Roland Garros agora poderia agravar a lesão e, aí sim, prejudicar sua participação no Slam da grama.

Os melhores jogos nos primeiros dias

São vários os duelos interessantes logo na primeira rodada em Roland Garros. Que tal Bellucci x Gasquet de saída? Ou Almagro x Kohlschreiber, outro jogo com enorme potencial? A lista de jogos imperdíveis ainda inclui Dimitrov x Troicki, Raonic x Tipsarevic, Fritz x Coric, Tomic x Baker e, se você gosta de jogo típico de saibro, vale ficar ligado em Schwartzman x Pella.

Entre os jogos envolvendo favoritos, não dá para descartar a possibilidade de zebra, ainda que pequena, em Wawrinka x Rosol, e o duelo entre Murray e Stepanek deve render meia dúzia de lances bacanas de conferir.

O que pode acontecer de mais legal

Por não ser cabeça de chave, Alexander Zverev ficou quase escondido no quadrante que tem Rafael Nadal. Se confirmar seu favoritismo contra Herbert na estreia, o alemão de 19 anos, #48 do mundo, deve encarar Kevin Anderson na segunda rodada. O sul-africano, vale lembrar, só venceu um jogo no saibro este ano, e Zverev é um grande candidato a zebra aqui. Se vencer, pode até reencontrar Dominic Thiem, contra quem decide o título de Nice neste sábado. Será?

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

Adoro escalar Marin Cilic para esta seção dos guias de Slams, em parte porque o croata costuma ser subestimado por muitos. Neste caso, porém, Cilic está fora do radar porque não fez nenhum torneio no saibro até esta semana, em Genebra. Só que a campanha em Genebra, que inclui uma vitória na semifinal sobre Ferrer (que está em péssima fase, é verdade) e uma decisão contra Wawrinka, pode ser um indício de algo interessante em Paris. O campeão do US Open de 2014 caiu em uma seção não tão dura (o mesmo quadrante de Wawrinka) e pode muito bem ir mais longe do que muita gente está prevendo.

Um raciocínio parecido pode se aplicar a Jack Sock, que pode encarar Cilic na terceira rodada. O americano, dono de um top spin considerável no forehand, tem resultados interessantes no saibro em 2016 (final em Houston, oitavas em Madri) e, na semana certa, tem potencial para aprontar. Por enquanto, é difícil imaginá-lo perdendo antes da terceira rodada. Se vencer esse jogo, deve encarar Raonic nas oitavas. Não seria a maior zebra do mundo se conseguisse dar mais esse passo.

Onde ver

A transmissão é do Bandsports, que diz, em suas notícias, que mostrará o evento em “canal e site”. O hotsite do canal para o torneio, no entanto, ainda contém apenas as notícias do ano passado.

Nas casas de apostas

O favoritismo de Novak Djokovic é amplo. Na bet365, um título do número 1 do mundo paga 1,80/1, ou seja, o apostador que investir um dólar receberá 1,80 de volta se Nole for campeão. Andy Murray (5/1) e Rafael Nadal (5,50/1) vêm logo atrás. O top 10 de favoritos ainda tem, na ordem, Wawrinka (13/1), Nishikori (21/1), Thiem (41/1), Kyrgios (67/1), Tsonga (67/1), Raonic (67/1) e Berdych (81/1). Apenas a título de curiosidade, Bellucci paga 501/1, enquanto Rogerinho paga 2001/1. Os maiores azarões são Rajeev Ram e Brian Baker, ambos cotados em 3001/1.

Na Betfair, as cotações na tarde desta sexta-feira eram assim: Djokovic (1,91), Murray (5,1), Nadal (7,4), Wawrinka (16,5), Nishikori (30), Thiem (70), Kyrgios (85), Tsonga (140), Ferrer (160) e Goffin (250).

O guia feminino

Com tanta coisa para analisar, pesquisar, escrever e editar, não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá uma edição especial pré-RG cheia de palpites. Temos até um quiz desta vez. Então, segurem suas calças porque muita coisa ainda vai rolar por aqui. Até o próximo post!


AO, dia 1: Serena mostra força, Wozniacki cai e uma velha polêmica ressurge
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Alexandre Cossenza

Os assuntos do primeiro dia deste Australian Open não foram muitos, mas tiveram a intensidade proporcional a um torneio do Grand Slam. Antes de o dia começar, o assunto foi um par de reportagens que prometiam revelações sobre manipulações de resultados no tênis. Já com a bola em jogo, Serena Williams mostrou força (e um joelho aparentemente recuperado), assim como Novak Djokovic e os demais sérios candidatos ao título em Melbourne.

Houve, porém, um número considerável de zebras, embora a maioria das cabeças de chave eliminadas nesta segunda-feira não fossem consideradas favoritas a ir tão longe nas chaves. O nome de maior peso foi o da dinamarquesa Caroline Wozniacki, que levou uma inesperada virada.

Este resumaço do primeiro dia do Australian Open também traz um lance espetacular do francês Benoit Paire em um momento delicado, imagens dos modelitos mais comentados, vídeos de croatas descontando a raiva na raquete (gracias, Aliny) e o que há de mais interessante na programação de terça-feira. Role a página e fique por dentro.

Os favoritos

Serena Williams tranquilizou seus fãs com uma vitória em um jogo nada simples. Camila Giorgi, #36, entrou na Rod Laver Arena soltando o braço e disposta a trocar pancadas contra a número 1. Não deu muito certo no set inicial, mas foi o bastante para emparelhar a segunda parcial. Serena, contudo, segurou bem a onde com seu saque, sem ceder break points, e aproveitou uma chance de quebra no 11º game para fechar em 6/4 e 7/5.

Se não entrou em longas trocas de bola, a americana mostrou bom deslocamento lateral um movimento de saque aparentemente normal (leia-se: sem sinais das dores no joelho que incomodaram na Copa Hopman). Logo, Serena mantém-se como favorita absoluta ao título, como em qualquer outro Slam. Desta vez, com a vantagem de não precisar enfrentar uma cabeça de chave antes das quartas (entenda abaixo, na seção “cabeças que rolaram”).

O principal favorito entre os homens não decepcionou. Novak Djokovic controlou as ações e teve resposta para tudo que o talentoso-porém-inexperiente sul-coreano Hyeon Chung, 19 anos e #52. Sempre mais consistente e com uma arma a mais do que o adversário, Nole fez 6/3, 6/2 e 6/4, perdendo o saque apenas uma vez – no set inicial, quando vencia por uma quebra de vantagem.

A lista de candidatos ao título que venceram sem drama ainda inclui Kei Nishikori, Tomas Berdych e Roger Federer na chave masculina, e Petra Kvitova, Agnieszka Radwanska, Belinda Bencic e Maria Sharapova entre as mulheres.

Cabeças que rolaram

Não é novidade nenhuma que as quadras duras não são o forte de Sara Errani, mas a eliminação da italiana parecia improvável quando a cabeça 17 fez 6/1 no primeiro set contra a russa Margarita Gasparyan. Só que Errani, primeira mulher a ganhar um set neste Australian Open, acabou se tornando a primeira seed a dar adeus. Gasparyan, #58, acabou vencendo por 1/6, 7/5 e 6/1.

Cabeça 24, Sloane Stephens também parecia barbada contra a qualifier chinesa Qiang Wang, #102, mas deu adeus em pouco mais de 1h20min de partida. Em uma ótima atuação, Wiang fez 6/3 e 6/3 e saltou para a segunda rodada. O resultado deixa a seção um tanto imprevisível, já que Stephens seré considerada favorita em um grupo encabeçado por Roberta Vinci. E se é difícil prever quem chegará às oitavas, é fácil concluir que o caminha fica um pouco melhor para quem avançar de um grupo fortíssimo que tem Aga Radwanska, McHale, Bouchard, Puig e Stosur.

A maior surpresa do dia na chave feminina, contudo, foi a queda de Caroline Wozniacki, ex-número 1 do mundo e atual #18, diante da cazaque Yulia Putintseva, #76. A dinamarquesa saiu na frente, vencendo a primeira parcial com folga, abriu o segundo set com uma quebra e chegou a sacar em 6/1 e 4/2, mas viu a partida mudar rapidamente. Putintseva venceu o segundo set no tie-break e levou amelhor no terceiro: 1/6, 7/6(3) e 6/4.

Wozniacki não está nada feliz (vide tuíte acima) com seu começo de temporada, que também inclui uma derrota para Sloane Stephens na semifinal em Auckland. O mais curioso, no entanto, é que a dinamarquesa sabia de uma “tendência” negativa quando entrou em quadra. Desde 2011, vem sendo mais eliminada mais cedo em Melbourne. Pois não conseguiu mudar a maré nesta segunda-feira.

Não que fosse necessário, mas a maior beneficiada com as “cabeças que rolaram” logo neste primeiro dia de Australian Open foi Serena Williams. Com a eliminação de Wozniacki e as derrotas de Anna Schmiedlova (cabeça 27) e Sara Errani (cabeça 17), a número 1 pode alcançar as oitavas de final sem enfrentar uma cabeça de chave. Para chegar à semi, Serena só enfrentará uma seed, que sairá da seção que tem Sharapova, Bencic e Kuznetsova.

Aliás, Anastasia Pavlyuchenkova (cabeça 26) estava neste grupo também e já se despediu. O mesmo vale para a alemã Andrea Petkovic (cabeça 22), que foi derrotada em dois sets pela russa Elizaveta Kulichkova (7/5 e 6/4), e a australiana Sam Stosur, que continua sem conseguir uma campanha expressiva “em casa”. Nesta segunda, ela foi eliminada pela qualifier Krystina Pliskova, #114 (irmã de Karolina, #12 do mundo), que fez 6/4 e 7/6(6). Stosur, ex-top 5 e campeã do US Open de 2011, segue sem conseguir alcançar as oitavas de final em Melbourne desde 2010.

Na chave masculina, o resultado mais significativo foi a queda do francês Benoit Paire, #18, diante do jovem americano Noah Rubin, de 19 anos e #328. O adolescente, que joga o torneio australiano com um wild card, levou a melhor em três tie-breaks: 7/6(4), 7/6(6) e 7/6(5).

O francês, que teve dois set points no segundo set e sacou para fechar o terceiro, saiu da quadra direto para a sala de coletivas, onde mostrou toda sua insatisfação, dizendo que “ele (Rubin) não é um bom jogador, mas eu fui muito mal hoje. Sim, ele não é um jogador muito bom. Eu fui pior que ele hoje.”

Crises de raiva croatas

Quem também se complicou foi o campeão do US Open de 2014, Marin Cilic. O croata, no entanto, saiu de um buraco no segundo set, depois de holandês Thiemo de Bakker, #98, vencer o primeiro set e ter dois set points na segunda parcial. Cilic escapou dos set points com duas direitas vencedoras, venceu a parcial quebrando o holandês e, aí sim, tomou o controle do jogo: 6/7(4), 7/5, 6/2 e 6/4.

Cilic nem foi o único croata a descontar sua raiva na raquete neste dia inicial de torneio. Ivan Dodig, que acabou eliminado pelo wild card francês Quentin Halys, também experimentou a terapia mais comum entre tenistas.

E embora eu não tenha encontrado um vídeo do momento, vale registrar que Borna Coric foi outro croata a destruir uma raquete. O garotão, que nunca venceu na chave principal do Australian Open, sofreu uma derrota dura nesta segunda. Acabou eliminado pelo espanhol Albert Ramos Viñolas por 6/2, 6/2 e 6/3.

A brasileira

A participação de Teliana Pereira no Australian Open não foi não diferente assim de suas aparições em Brisbane e Hobart. Aliás, numericamente, foi até bastante parecida, já que a brasileira venceu apenas três games e foi eliminada na estreia pela romena Monica Niculescu (6/2 e 6/1).

O número foi o mesmo dos outros dois torneios anteriores. Em Brisbane, Teliana foi eliminada por Andrea Petkovic por 6/1 e 6/2. Em Hobart, Heather Watson foi a algoz da pernambucana, fazendo 6/3 e 6/0. Definitivamente, o começo de ano nas quadras duras vem sendo complicado para a número 1 do Brasil.

Os melhores lances

Benoit Paire deu adeus ao torneio, mas deixou este lance de lembrança:

E que tal esse backhand de Roger Federer?

No mundo fashion (ou nem tanto)

Não tenho uma opinião formada sobre o modelito de Serena Williams para este Australian Open, mas a Aliny fez uma comparação pertinente.

O visual sem mangas de Grigor Dimitrov não foi tão elogiado…

Pelo menos Maria Sharapova parece ter agradado à maioria:

A desistência

Ivo Karlovic entrou em quadra sentindo dores no joelho e lutou por dois sets contra Federico Delbonis. No entanto, quando o argentino abriu 2 sets a 0, o croata viu que não adiantaria mais. Com o placar mostrando 7/6(4), 6/4 e 2/1, Karlovic abandonou. Pouco depois, pediu desculpas via Twitter.

Extraquadra

Antes que o torneio começasse, a BBC e o BuzzFeed (combinação interessante, não?) publicaram reportagens sobre a manipulação de resultados no tênis. Fiz um post só sobre o assunto. Leiam aqui.

O melhor de terça-feira

O grande destaque da programação de terça-feira em Melbourne é a partida entre Lleyton Hewitt e o compatriota Kevin Duckworth, que pode significar a despedida de Rusty – este Australian Open será seu último torneio no circuito. Por isso, o duelo foi marcado para abrir a sessão noturna da Rod Laver Arena. Antes, também na principal quadra do complexo, Rafael Nadal e Fernando Verdasco fecham a sessão diurna. Pode ser uma partida um tanto interessante se Verdasco ajudar.

Também na sessão diurna, Andy Murray faz o segundo jogo da Margaret Court Arena (MCA) contra Alexander Zverev. Entre os brasileiros, Thomaz Bellucci faz sua estreia na Quadra 7, no terceiro horário (por volta das 2h30min de Brasília, eu chutaria). Ele é favoritíssimo contra o convidado da casa, Jordan Thompson.


US Open: o guia
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Alexandre Cossenza

Um grande título para um Andy Murray em excelente forma, outro para o imortal Roger Federer. Dois vices para Novak Djokovic, duas campanhas nada animadoras para Rafael Nadal e uma grande polêmica para Stan Wawrinka. Não é exagero dizer que na última década o campeão do US Open, o último Slam da temporada, nunca esteve tão difícil de prever.

É com esse cenário, que inclui Thomaz Bellucci em ótimo momento e Feijão vivendo uma fase ruim que parece não acabar (até o sorteio das chaves foi cruel com o #2 do Brasil), que chega a hora de analisar o que pode acontecer de mais interessante nas próximas duas semanas.

Quem são os favoritos? Quem pode surpreender? Quais são os melhores jogos nas primeiras rodadas? Que canal terá a melhor transmissão? Este guiazão da chave masculina do US Open tenta oferecer respostas para tudo isso. Leia abaixo e não deixe de voltar amanhã (sábado) para ler sobre a chave feminina e ouvir o podcast Quadra 18!

Novak Djokovic escapou de um possível confronto nas semifinais contra Murray ou Federer. Em compensação, pode reencontrar nas semifinais o japonês Kei Nishikori, seu algoz em Nova York no ano passado. O japonês, aliás, foi o grande “vencedor” do sorteio, já que ficou no mesmo quadrante de David Ferrer, que não joga um torneio desde junho por causa de lesão.

O sérvio não passou perto de seu melhor tênis em Montreal e Cincinnati. Ainda assim, somou dois vices. O que isso quer dizer? Que Nole ainda é o tenista mais consistente do circuito e, num dia normal, é dificílimo vencê-lo. E com uma semana de folga e uma chave favorável na primeira semana, há tempo para adquirir o ritmo necessário e estar calibrado nas fases mais importantes.

A estreia é contra Feijão – sim, o brasileiro João Souza, que não vence há seis jogos – e os jogos seguintes serão contra Pospisil/Haider-Maurer, Seppi/Andújar/Gabashvili e Goffin/Bautista-Agut. Passando por isso, estará nas quartas e possivelmente pronto para jogar seu melhor tênis.

O número 1, é claro, também pode enfrentar Rafael Nadal nas quartas, mas hoje em dia seria ousado demais cravar que o espanhol chegará lá. O atual #8 estreia contra o perigoso Borna Coric e pode ter pelo caminho Fabio Fognini na terceira rodada e Feliciano López ou Milos Raonic nas oitavas. Italiano, Deliciano e canadense já computam vitórias sobre Nadal em 2015.

Talvez jogue a favor de Nadal o fato de serem partidas em melhor de cinco sets. Afinal, quem aí consegue imaginar “aquele Nadal” perdendo uma melhor de cinco para Fognini, Raonic ou Feliciano? Pois é. Ainda assim, parece improvável um triunfo sobre Djokovic – a não ser que Nadal mostre uma evolução incrível na primeira semana do torneio (a ressalva se faz necessária porque, afinal de contas, Nadal é Nadal e nunca se sabe o que o cidadão é capaz de fazer).

Para os otimistas – ou apenas torcedores mesmo -, alguns números talvez sirvam de alento: o espanhol não perde em Nova York desde 2011 e acumula 20 vitórias em suas últimas 21 partidas disputadas no US Open. Mas será que isso ajuda?

Para Roger Federer, o caminho não é dos mais fáceis, mas também não é lá tão complicado assim. Difícil imaginá-lo perdendo antes das quartas, quando pode ter Tomas Berdych (ou Tomic/Gasquet/García-López) pela frente. Ainda assim, o suíço vem dominando o tcheco recentemente. Em 2015, Berdych venceu apenas dez games em dois confrontos. Só então viria uma semi contra Murray ou Wawrinka.

Independentemente da chave, Federer chega a Nova York como seríssimo candidato ao título e com o favoritismo endossado pelo título de Cincinnati. Lá, mostrou ao mundo um novo recurso: a devolução de bate-pronto, que executa posicionado quase na linha de saque e, consequentemente, quase pronto para fechar a rede na sequência.

O golpe – considerado por muitos uma revolução – chamou muita atenção durante o torneio, mas que ninguém se engane: Federer devolveu saque assim menos de uma dúzia de vezes durante a competição inteira. Se foi campeão em Cincinnati, grande parte do mérito esteve na incrível competência que teve para confirmar seu serviço sem passar problemas.

A “nova” devolução vem como bônus, algo que o próprio Federer admitiu ainda estar estudando quando e como executar com o máximo de eficiência. E embora não seja recomendável superestimar o recurso e sua eficiência, parece óbvio que qualquer arma adicional pode fazer diferença – ainda mais quando o cidadão vem sacando de maneira excelente, o que pressiona ainda mais o saque adversário. Vale ficar de olho, esperando essa devolução naqueles games com o oponente sacando em 4/5, 5/6 e games assim.

Dos quatro principais cabeças, Andy Murray talvez tenha sido o “perdedor” do sorteio. Estreia contra Nick Kyrgios, pode enfrentar Bellucci na terceira rodada e Anderson/Thiem nas oitavas. Se passar, Wawrinka pode estar lhe esperando nas quartas. Só depois disso é que Federer apareceria no caminho – nas semifinais.

O bom para o britânico é que seu momento não poderia ser muito melhor. Campeão em Montreal, onde fez uma excelente final contra Djokovic, Murray conseguiu vitórias improváveis em Cincinnati (saiu de buracos contra Dimitrov e Gasquet) e só parou diante de um fantástico Federer.

O piso do US Open, que tradicionalmente não é tão rápido quanto o de Cincy, pode também jogar a seu favor. E, mesmo com uma rota cheia de cascas de banana, o escocês é um forte candidato ao título.

O que pode acontecer de mais legal

Não vai faltar jogo bom nas primeiras rodadas. A começar por Djokovic x Feijão, sempre um atrativo para brasileiros. Mas jogos quentes mesmo devem ser Murray x Kyrgios e Nadal x Coric, especialmente com o espanhol jogando esse tênis que desaparece em momentos. Quer mais? Que tal Gasquet x Kokkinakis? E, sendo otimista, é capaz até que Leo Mayer dê algum trabalho a Federer, hein?

Também vale ficar de olho na despedida de Mardy Fish, que estreia contra o italiano Marco Cecchinato e, se vencer, encara Feliciano López ou um qualifier. O mesmo grupinho da chave tem Verdasco x Haas na primeira rodada, com o vencedor avançando para duelar com Raonic ou Smyczek.

Ah, sim: em Nova York, Lleyton Hewitt disputa seu último US Open. Campeão do torneio em 2001, o australiano encara Aleksandr Nedovyesov na estreia e, se vencer, pode ter pela frente o compatriota Bernard Tomic. De qualquer modo, sua derrota terá emoção digna de ser registrada.

E isso é só nas duas primeiras rodadas. Na terceira, os cabeças começam a se enfrentar, e a tendência é o torneio só melhorar.

O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

Talvez Grigor Dimitrov estivesse sendo visto como um nome mais perigoso se não tivesse perdido (duas vezes!) uma partida quase ganha contra Murray em Cincinnati. Só que o búlgaro, que fez uma primeira metade de ano nada animadora, mostrou um ótimo tênis em alguns momentos na última semana.

Além disso, caiu em uma chave que, se não é fácil, é interessante. Confirmando o favoritismo, Dimitrov enfrentará o atual campeão, Marin Cilic, na terceira rodada. O croata é outro que deixou a desejar em 2015. E quem avançar desse grupo vai às oitavas contra quem passar da seção que tem Ferrer (sem ritmo) e Chardy. Logo, não é nada difícil imaginar Dimitrov ou Cilic nas quartas.

Os brasileiros

Bellucci, que chegou a Nova York no top 30 e cabeça de chave, teve sorte. Estreia contra James Ward, #134 e, se avançar, enfrentará um qualifier. Na terceira rodada, aí, sim, pode encarar Andy Murray. Ainda que o britânico pareça um obstáculo difícil de superar, o #1 do Brasil tem uma chance enorme de finalmente passar da segunda rodada em Flushing Meadows.

Feijão, por sua vez… Que fase, hein? Vindo de seis derrotas consecutivas e em momento ruim desde a Copa Davis, o número 2 brasileiro estreia contra Novak Djokovic. Quando o momento é ruim…

Vale registrar a campanha de Guilherme Clezar no qualifying. Na quinta-feira, o #168 derrotou Nicolás Almagro em três sets e ficou a uma vitória da chave principal. Vale ficar de olho. Ao mesmo tempo, é de lamentar que apenas dois brasileiros disputaram o torneio qualificatório. O outro, André Ghem, #129, perdeu logo na primeira rodada.

Onde ver (ou não) na TV

É sempre melhor quando dois canais mostram um torneio. O US Open está nas grades do SporTV e da ESPN. Desta vez, a diferença entre as transmissões deve ser bem menor do que em Wimbledon, quando o canal da Disney deixou o rival para trás. Embora continue com um canal a mais, a ESPN tem a grade amarrada com La Vuelta e o Pré-Olímpico de Basquete. A vantagem da emissora paulista é que o Watch ESPN (pelo site do canal) tem direito a exibir os sinais de todas as quadras onde houver transmissão. Não deixa de ser uma excelente opção.

Nenhum dos canais, aliás, terá equipe de transmissão em Flushing Meadows. Qualquer que seja o motivo, tanto ESPN quanto SporTV contarão apenas com um jornalista in loco produzindo reportagens. É de se imaginar que a alta do dólar tenha relação com isso. Não sai barato manter narrador e comentarista (no mínimo) pagando US$ 300 de diária de hotel em Nova York…

Quem pode (ou não) surpreender

Entre os quatro primeiros cabeças, a aposta óbvia para derrota precoce deve ser em Kei Nishikori (apesar da estreia de Murray contra Kyrgios), que tem aqueles problemas físicos semana sim, semana não. Mas não só por isso. O japonês tem uma estreia traiçoeira contra Benoit Paire e um possível segundo jogo contra Radek Stepanek. São tenistas que lhe darão pouco ritmo – algo que será essencial na terceira fase, seja contra Tommy Robredo, Sam Groth ou Alexandr Dolgopolov. O atual vice-campeão pode fazer seu caminho ficar mais simples (e, ainda assim, parece a melhor chave entre os quatro cabeças), mas precisará estar calibrado desde os primeiros games.

Nas casas de apostas

Djokovic é favoritíssimo, como sempre. Na casa virtual bet365, um título do sérvio paga apenas 2,10 para cada “dinheiro” apostado. Murray (4,50) e Federer (5,00) estão quase colados, e o resto vem bem atrás. Nadal (21,00), por sua vez, não está nem entre os mais cotados, ficando atrás de Wawrinka (13,00) e Nishikori (17,00). O top 10 da casa de apostas ainda inclui Berdych (41,00), Cilic (51,00), Dimitrov (51,00) e Raonic (67,00). Um título de Bellucci paga 501,00, enquanto Feijão divide o último lugar. Uma conquista de João Souza pagaria 3001,00 a algum sortudo.

Na casa australiana Sportsbet, muda muito pouco. Djokovic paga 2,25, seguido de Murray (5,00), Federer (5,00), Wawrinka (13,00), Nishikori (19,00), Nadal (34,00), Dimitrov (41,00), Berdych (51,00), Cilic (51,00) e Tsonga (81,00). Curioso notar que na tarde desta quinta-feira, Almagro pagava 401,00, enquanto Bellucci e Feijão eram cotados em 501,00. A quem não percebeu a ironia: na noite de quinta, Almagro foi eliminado do qualifying pelo brasileiro Guilherme Clezar.


Quadra 18: S01E10
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Alexandre Cossenza

Uma atuação salvadora de Lleyton Hewitt e três pontos conquistados por Andy Murray foram só alguns dos destaques da Copa Davis em um fim de semana cheio de confrontos emocionantes que incluiu ainda a República Dominicana avançando no Zonal das Américas e a Espanha sendo derrotada lindamente diante de um time nada intimidante da Rússia em Vladivostok.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos sobre tudo isso e ainda analisamos as possibilidades do Brasil, que enfrentará a Croácia nos playoffs do Grupo Mundial, de 18 a 20 de setembro, em casa. Para ouvir é só clicar no botãozinho abaixo.

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes. Nosso arquivo com todos os programas também está no Tumblr. E para enviar questões, críticas e sugestões, nosso canal preferido é o Twitter – incluam sempre a hashtag #Quadra18 – mas também aceitamos via e-mail e Facebook.

Os temas

Como de costume, segue abaixo a lista de assuntos abordados no programa, com o momento em que falamos sobre cada um dos temas. Quem preferir, pode avançar direto até o trecho que quiser ouvir primeiro.

1’18’’ – Lleyton Hewitt resgata a Austrália na vitória de virada sobre o Cazaquistão
3’02’’ – A imprevisibilidade dos jovens australianos Kyrgios, Tomic e Kokkinakis
9’40’’ – “O time australiano pode ser a grande história esportiva do ano?”
10’30’’ – “Hewitt é um típico jogador de Copa Davis?”
11’30’’ – “O que falta para o Brasil ser um Cazaquistão, que está no Grupo Mundial há cinco anos consecutivos?”
14’20’’ – Por que o Brasil não esteve tão longe de chegar às semifinais
15’00’’ – A vitória da Grã-Bretanha de Andy Murray sobre a França
17’00’’ – A estranha escalação de Tsonga para o jogo de duplas
18’10’’ – O dramático quarto jogo entre Murray e Simon
20’15’’ – O péssimo histórico dos franceses em jogos 4 e 5 de Copa Davis
22’10’’ – Gasquet não deveria ter sido escalado?
24’00’’ – “Qual a porcentagem de vitória quando um do Big Four decide disputar a Copa Davis desde a primeira rodada?”
24’20’’ – As situações em que Federer, Nadal, Djokovic e Murray decidiram jogar a Davis desde o início do ano.
26’55’’ – A vitória da Argentina sobre a Sérvia em Buenos Aires
29’20’’ – O triunfo da Bélgica sobre a equipe capenga do Canadá
30’50’’ – Palpites para as semifinais do Grupo Mundial
32’50’’ – O tamanho do buraco da Espanha na segunda divisão
35’50’’ – O casamento de Feliciano López marcado para a data da Copa Davis
36’10’’ – Comentários sobre o casamento de Tomas Berdych, bufê liberado, vestidos de noiva, Kim Kardashian e roupas transparentes
38’10’’ – Os vencedores dos Zonais e o brilho de Victor Estrella Burgos
39’00’’ – Retrospecto das últimas participações brasileiras
39’55’’ – Bruno Soares pergunta: “Vocês acham bom o atual formato da Davis?”
41’10’’ – A proposta de uma “Copa do Mundo” do tênis de dois em dois anos
44’55’’ – A possibilidade de jogos em melhor de três na Copa Davis
46’00’’ – Bruno Soares pergunta: “Como encaixar melhor a Davis no calendário?”
49’35’’ – “Quais os requisitos de jogar a Davis para estar nas Olimpíadas?”
51’15’’ – “Qual a seleção mais copeira da Copa Davis?”
52’10’’ – “Por que o SporTV não mostrou nenhum confronto?”
53’30’’ – Brasil x Croácia: o que esperar?
60’50’’ – Os outros confrontos dos playoffs

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “Hang For Days” e “Game Set Match”. As duas últimas fazem parte da audio library do YouTube.


Todos sorriem em Wimbledon (menos Bellucci)
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Alexandre Cossenza

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Não dá para dizer que a chave de Wimbledon foi especialmente cruel com ninguém. Novak Djokovic não vai precisar enfrentar ninguém do Big Four até a final; Roger Federer tem um caminho livre de tenistas que ameaçam na grama até, pelo menos, as quartas de final; a história de Andy Murray não é tão diferente, e até Rafael Nadal pode dizer que teve sorte com o caminho que colocaram à sua frente. Thomaz Bellucci, adversário do espanhol na estreia, é que não tem tanto assim para comemorar. Vejamos, então, o que podemos esperar do Torneio de Wimbledon, que começa na próxima segunda-feira.

Número 1 do mundo e atual campeão do torneio, Djokovic escapou do Big Four, o que é sempre bom – principalmente para quem tem muitos pontos a defender. Por outro lado, o sérvio tem algumas cascas de banana nas primeiras rodadas. Ninguém gostaria de estrear contra Philipp Kohlschreiber nem de encarar Lleyton Hewitt na grama (ou Nieminen?) logo depois. Tomic pode ser o possível rival de terceira rodada. Não é lá a primeira semana dos sonhos de ninguém. E seu quarto de chave ainda tem L. Mayer/Kokkinakis/Anderson/Tipsarevic (oitavas) e Cilic/Isner/Nishikori (quartas).

A recompensa por tudo isso, se Djokovic chegar na semi, é não ter de enfrentar nem Murray nem Nadal antes da decisão. Na outra ponta da parte de cima da chave está Stan Wawrinka, que não tem um histórico tão honroso assim em Wimbledon (13v e 10d). O grande ponto de interrogação, contudo, é a forma em que o número 1 se encontra. Como não jogou nenhum torneio de grama antes de Wimbledon (Nole está jogando exibições no evento conhecido como The Boodles), ninguém sabe exatamente a quantas anda seu tênis.

Não é a primeira vez que Djokovic chega a Wimbledon sem participar de eventos no piso. Ano passado, fez o mesmo e saiu de Londres com o troféu. Este ano, porém, são três semanas entre Roland Garros e o Slam da grama. Além disso, as rodadas iniciais são traiçoeiras. Vale prestar bastante atenção na segunda-feira, quando o sérvio inaugurar a grama da Quadra Central contra Kohlschreiber. Está longe de ser uma daquelas estreias sonolentas de cabeças de chave.

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O mesmo pode se dizer da primeira rodada de Rafael Nadal. Embora Bellucci não tenha lá um retrospecto animador na grama, o brasileiro tem armas para incomodar o espanhol – especialmente esta versão 2015 inconstante do ex-número 1. Pode ser um duelo interessante se Bellucci estiver recuperado das dores nas costas que lhe fizeram abandonar a chave de duplas em Nottingham.

De modo geral, contudo, o sorteio foi bom para Nadal. Se passar pelo paulista, enfrentará Lu/Brown e depois pode reencontrar Troicki (ou Stepanek) na terceira rodada. Se chegar às oitavas, seu provável rival será Fognini ou Ferrer, o que, convenhamos, não é nada mal em Wimbledon. Ainda mais levando em conta que Nadal entra no evento como cabeça de chave 10 e poderia cair num confronto contra Nishikori, Berdych ou Raonic, que, em tese, ofereceriam mais dificuldades em um piso como a grama.

Ainda assim, parece ousado apostar em Rafa Nadal neste torneio. Em uma temporada cheia de altos e baixos, parece difícil acreditar que o espanhol encontrará regularidade para superar um caminho que ainda pode lhe colocar diante de Murray nas quartas, Federer na semi e Djokovic na decisão.

Andy Murray, sim, vem em grande momento. Fez um belo torneio em Roland Garros, foi campeão em Queen’s e chega a Wimbledon como candidato sério ao título. Em seu caminho estão Kukushkin (estreia), Haase/Falla, Seppi/Stakhovsky/Coric (terceira rodada) e Tsonga/Karlovic (oitavas) antes de precisar enfrentar quem avançar da seção de Nadal. Pesando tudo – inclusive o fato de Tsonga não ter jogado desde Paris – não é uma chave das mais duras.

Murray_W_JonBuckle_AELTC2_blog

Do mesmo modo, Roger Federer pode comemorar o sorteio. O suíço estreia contra Dzumhur, então enfrenta Sijsling/Querrey e, depois, Sock/Groth/Jaziri/Duckworth. Nas oitavas, seu rival sai do grupo que tem Feliciano/Bautista/Paier/Youzhny. Só, então, nas quartas, Federer precisaria encarar alguém que possa lhe ameaçar na grama, como Tomas Berdych (ou, quem sabe, Ernests Gulbis, perdido no meio da seção já que não é mais cabeça de chave).

O suíço sempre foi, é e sempre será candidatíssimo ao título de Wimbledon enquanto colocar os pés no All England Club. Agora, nos últimos anos de sua carreira, o torneio londrino é, mais do que nunca, sua melhor chance de voltar a conquistar um Slam. E Federer sabe disso, o que lhe torna ainda mais perigoso. Com um caminho relativamente tranquilo até as semifinais (nem Berdych tem causado problemas ultimamente), o suíço pode trabalhar todos aspectos de seu jogo com calma e chegar lá na frente descansado e mais perigoso do que nunca – ou tão perigoso como sempre.

B4+1

Se criaram o P5+1 para negociar com o Irã, é possível incluir Stan Wawrinka no Big Four+1. Atual cabeça de chave número 4, o campeão de Roland Garros ficou na parte de cima da chave, junto com Djokovic. O jogo na grama tira um pouco do tempo que Stan tem para preparar seus longos golpes. Logo, o suíço tende a ser um pouco mais errático nesse tipo de piso. Ainda assim, uma chave com João Sousa na estreia, Estrella Burgos/Becker na segunda rodada e Thiem/Sela/Verdasco/Klizan em seguida não é das piores.

É de se esperar que Wawrinka alcance pelo menos as quartas de final. Aí, sim, encararia seu primeiro grande obstáculo contra Raonic/Kyrgios/Dimitrov. É justo dizer que Stanimal não estará em Wimbledon como favorito ao título, mas seria injusto descartá-lo totalmente. Se conseguir superar bem os primeiros adversários, pode chegar confiante lá na frente. E se seu primeiro saque estiver entrando “daquele” jeito, Wawrinka será bem difícil de superar.

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Os brasileiros

Bellucci não deu lá muita sorte. Tudo bem que o Nadal de hoje – ainda mais na grama – não intimida tanto quanto o de 2013 (ou 2012 ou 2011 ou 2010 ou 2009…), mas enfrentá-lo numa primeira rodada de Grand Slam não está na lista de ninguém para o Papai Noel. Sorte mesmo deu Feijão, que escapou dos cabeças de chave e dos especialistas na grava e vai estrear contra Santiago Giraldo. O colombiano é bom tenista, claro, mas tem um segundo saque muito vulnerável. A grande questão é que o próprio Giraldo deve estar pensando o mesmo: “me dei bem!”

O que ver (ou não) na TV

Desde que a ESPN anunciou ter sublicenciado os direitos de Wimbledon junto ao SporTV, os fãs têm motivo para comemorar. Em vez da tradicional transmissão engessada do “canal campeão” (raramente saía das quadras principais e mostrava, no máximo, quatro jogos por dia), quem gosta de tênis poderá acompanhar o torneio londrino em dois canais na ESPN. Embora a ESPN nem sempre acerte a mão na escolha do que mostrar, é sempre uma opção a mais vindo de uma equipe que mostra interesse de verdade em fazer a coisa bem feita – e isso vale muito!

A lista de jogos legais de primeira rodada já é animadora. A começar pelos já citados aqui Djokovic x Kohlschreiber, que abre o torneio, e Nadal x Bellucci. Também já deixei anotado aqui Almagro x Simon e o inflamável Gulbis x Rosol, em que pode acontecer de tudo.

O que pode (ou não) acontecer de mais legal

Confirmados os favoritismos, alguns dos confrontos de terceira rodada – em tese, quando os cabeças de chave vão começar a se enfrentar – serão interessantes. Kyrgios x Raonic é o meu preferido, mas Djokovic x Tomic pode ser um tanto divertido também – dependendo da consistência do sérvio.

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O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

Atual número 9 do mundo, Marin Cilic não fez nada de especial nem em Stuttgart nem em Queen’s – perdeu para Troicki em ambos – e, por isso, anda meio fora do radar nas previsões para o Slam da grama.

Cilic, contudo, tem as armas para ir longe na grama e uma chave um tanto acessível. Se passar por Isner na terceira rodada, chega nas oitavas para enfrentar quem sair do grupo encabeçado por Nishikori e Cuevas. Não é nada impossível que o campeão do US Open chegue às quartas de final contra (possivelmente) Djokovic. E quem aí lembra que Cilic esteve vencendo o sérvio por 2 sets a 1 em Wimbledon no ano passado? Será?

Quem pode (ou não) surpreender

Um nome intrigante solto na chave é o de Nicolas Mahut – sim, aquele do jogo de 11h que deu o nome ao podcast Quadra 18. O francês de 33 anos estava fora do top 100 até algumas semanas atrás, mas furou o quali e acabou campeão do ATP de ’s-Hertogenbosch. Ganhou um wild card para Wimbledon, estreia contra Krajinovic e pode enfrentar Berdych na segunda rodada. Se passar pelo tcheco, deus sabe até onde o francês pode chegar.

Vale prestar atenção também em Alexander Zverev, ex-número 1 do mundo no ranking juvenil e atual #76 aos 18 anos. Em uma chave sem especialistas na grama, o alemão pode muito bem chegar a uma terceira rodada. Se acontecer, será azarão contra Nishikori, mas não convém descartar uma zebra nesse duelo.

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Além disso, pode até soar paradoxal, mas como Djokovic não competiu na grama (e este ano são três semanas de intervalo desde Roland Garros), todos adversários do sérvio na primeira semana são potenciais candidatos a uma zebraça. Kohlschreiber e Tomic, principalmente.

Nas casas de apostas

Na casa australiana sportsbet, Djokovic lidera as cotações. Um título do sérvio paga 2,37 para cada “dinheiro” apostado nele. A lista tem, em seguida, Murray (4,33), Federer (7,50), Wawrinka (13), Nadal (23), Raonic (34), Dimitrov (41), Berdych (41), Nishikori (51) e Tsonga (51).

A ordem dos mais cotados não é tão diferente para os britânicos da William Hill. A lista lá tem Djokovic (5/4, ou seja, cinco “dinheiros” para cada quatro apostados), Murray (5/2), Federer (6/1), Wawrinka (14/1), Nadal (16/1), Dimitrov (25/1), Tsonga (33/1), Nishikori (33/1), Raonic (33/1) e Cilic (40/1).

Bellucci e Feijão estão na lista dos maiores azarões. caso um dos brasileiros seja campeão, o apostador recebe 500/1 na William Hill e 501/1 na sportsbet.