Saque e Voleio

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Rio Open, dia 7: um ‘teste’ atrapalhado e um Dominic dominador
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Alexandre Cossenza

O domingo de Carnaval veio com um começo de chuva, revelando uma insegurança do torneio para lidar com ela. Ao contrário do discurso adotado pelo diretor do torneio, Lui Carvalho, no ano passado – e ressaltado por ele mesmo em encontro com jornalistas um mês atrás -, foi colocada uma lona na quadra central. Uma, não. Sete. Em vez de uma ou duas lonas grandes como em torneios de maior porte, a organização do Rio Open colocou sete pedaços separados de lona cobrindo a quadra. E uma parte (que seria da oitava lona) ficou descoberta.

Pior foi o processo para tirar as sete lonas quando a chuva passou. Funcionários atrapalhados e aparentemente sem treino algum para a situação levaram cerca de 35 minutos para descobrir a quadra inteira (sem contar a recolocação da rede e outros ajustes necessário para o recomeço de um jogo) em um procedimento que envolveu até passar com uma das lonas por cima das cabeças de funcionários.

Enquanto o processo cirque-du-Soleil-esco continuava, faltavam braços, e o cidadão que coordenava a retirada das lonas perguntou a um dos seguranças se havia algum outro segurança que pudesse ajudar no processo. Até eu fui chamado – em tom de brincadeira (espero!) – a ajudar.

Mas não era horário de jogo, não havia câmeras de TV mostrando e não é um Masters 1.000, com toda a imprensa internacional para repercutir o vexame. É mais fácil culpar a imprensa imprensa implicante e “que deveria dar graças a deus por existir um torneio assim no país.” Porém, qualquer que seja a análise, é difícil levar adiante que um evento assim pense em se tornar um Masters 1.000 enquanto usa uma equipe tão grande e falha dessa maneira.

No fim do dia, Lui Carvalho, que sempre defendeu o não-uso da lona, disse que tudo foi uma experiência, já que faltavam ainda duas horas para a final. Por isso, segundo ele, a quadra ficou 1/8 descoberta. O que permitiria avaliar a drenagem. “Dito e feito. O lugar sem lona secou em dez minutos, enquanto a lona demora um parto para tirar.” E por que não usar uma lona grande (ou duas) como em Wimbledon ou Roland Garros? “Porque a gente não tem calha, não tem como fazer um pedaço enorme. Não tem como carregar um pedaço de lona gigantesco para dentro da quadra.”

Thiem: excelência e pé no chão

Sorte que não choveu durante a final. Assim, foi possível ver Dominic Thiem em mais uma atuação dominante. Diante de Pablo Carreño Busta, o número 8 do mundo mais uma vez deu as cartas, ditando o ritmo do jogo e cometendo poucos erros. O espanhol sempre jogou reagindo ao que o favorito fazia. Carreño Busta até conseguiu uma quebra de vantagem no set inicial, mas Thiem sempre pareceu com o jogo sob controle. Não só devolveu a quebra imediatamente na sequência como foi impecável no 12º game, quebrando outra vez e evitando o tie-break.

No segundo set, os dois tenistas trocaram quebras no sexto e no sétimo games, mas, de novo, quando a coisa apertou, Thiem tinha sobra. Correu menos riscos o jogo inteiro, agredindo com bolas que passavam com folga sobre a rede e deslocando Carreño Busta em pontos que, na sua maioria, terminavam com o espanhol cometendo um erro forçado ou devolvendo uma bola mais curta, o que dava a Thiem a chance de finalmente partir para um winner praticamente sem correr riscos.

Após o jogo, Pablo Carreño Busta comemorou o que classificou como o melhor momento da carreira, mas admitiu que há coisas a melhorar em seu tênis. Ele lamentou especialmente a quebra sofrida no set inicial, quando teve a chance de abrir 4/2. Thiem também foi bastante pé-no-chão. Disse que achou a partida bem equilibrada e que só se sentiu em controle do jogo quando quebrou o oponente no segundo set. E, mesmo assim, nem tão dominante quanto pareceu. Em seguida, indagado sobre o que falta para vencer um slam, Thiem disse que precisa de muito e concordou que sua melhor chance é em Paris.

“É preciso que tantas coisas deem certo. Ano passado, em Roland Garros, joguei contra Djokovic, que nunca vi jogando um nível de tênis tão alto quanto aquele, mas sim. É preciso ter um pouco de sorte para ir longe num slam. É preciso sorte na definição chave e fazer boas partidas. O que eu tento é me preparar o melhor possível para fazer uma boa campanha lá.”

Coisas que eu acho que acho:

– De modo geral, a edição 2017 do Rio Open foi muito boa. O torneio melhorou em alguns quesitos e eliminou alguns erros bobos. Embora ainda falte bastante para chegar à altura do discurso de Lui Carvalho, que fala em transformar o Rio Open em um Masters 1.000 no futuro, o evento carioca é, de modo geral, um programa excelente para quem gosta de tênis (e, pelos vazios na arquibancada, para quem não gosta também).

– Ainda sobre a lona, eventos como Wimbledon e Roland Garros deixam as lonas já dentro das quadras. O Rio Open prefere deixar as cobertas fora do espaço da quadra. Por isso, a necessidade de vários pedaços. “Mas por que deixar a lona fora da quadra?”, você pode estar perguntando. Porque fica visualmente feio. Sim, é essa a explicação.

– Após a última coletiva do dia, Lui Carvalho, sentou-se com alguns jornalistas para tirar mais algumas dúvidas. Publicarei as partes mais interessantes dessa conversa (e da coletiva) em breve.


RG, dia 10: zebras à prova d’água, atraso, piadas e críticas ao torneio
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Alexandre Cossenza

Agora, sim, Roland Garros vai precisar tomar medidas drásticas para solucionar o quebra-cabeça da programação. Depois de mais um dia de muita chuva e um par de zebras relevantes na chave feminina, o atraso é gigante no torneio parisiense. Metade das oitavas de final masculinas está incompleta, enquanto a metade feminina nem começou ainda. Com cinco dias de torneio pela frente, está mais do que claro que já não há mais margem para atrasos e alguns atletas precisarão entrar na quadra em dias consecutivos. Vamos, então, ao resumo do dia?

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As zebras

Com o mau tempo no começo do dia e de olho na previsão nada animadora para o resto da jornada, a organização colocou os primeiros jogos em quadra ainda com uma chuva fininha caindo. O que se viu foi uma sequência de inesperados.

Na Chatrier, Novak Djokovic vivia um péssimo momento contra Roberto Bautista Agut, que venceu o primeiro set por 6/3. A primeira zebra de verdade, no entanto, viria na Quadra 1, onde Sam Stosur (#24) se recuperou da quebra de desvantagem, venceu o primeiro set em um tie-break desastroso de Simona Halep (#6) e abriu a segunda parcial com uma quebra. A australiana, que se adaptou melhor às condições do dia, acabou surpreendendo e triunfando por 7/6(0) e 6/3, derrubando a favorita-vestida-de-zebra.

Halep não ficou nada feliz com a maneira com que o torneio lidou com o clima. Disse que estava “impossível” e que “jogar tênis durante a chuva acho que é um pouco demais.” A romena afirmou também que quase lesionou as costas, que as bolas estavam completamente molhadas e que, em sua opinião, “ninguém se importa com os jogadores”.

Zebra maior, contudo, aconteceria na Suzanne Lenglen, tanto pelo histórico quanto pelo placar do começo do dia. Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 a partida contra Tsvetana Pironkova (#102), iniciada no domingo. Pois nesta terça, a búlgara venceu dez games seguidos e derrubou Radwanska por 2/6, 6/3 e 6/3.

A número 2 do mundo engrossou o coro de Halep e pegou pesado nas críticas, afirmando que Roland Garros não é um torneio pequeno, de US$ 10 mil de premiação. “Como você pode permitir que tenistas joguem na chuva? Eu não posso jogar nessas condições.” Do mesmo modo da romena, a polonesa diz que “não sei se eles realmente se importam com o que nós pensamos. Acho que se importam com outras coisas.”

“Outras coisas”

Quanto a se importar com as “outras coisas” que Radwanska menciona, cabe registrar que Novak Djokovic e Roberto Bautista Agut tiveram sua partida interrompida na Quadra Philippe Chatrier com 2h04min de jogo. Caso a partida tivesse menos de 2h de duração, Roland Garros teria de devolver aos espectadores o equivalente a 50% do valor dos ingressos. Pode ter sido só coincidência que tenham esticado a partida o máximo possível – até porque a programação está toda atrasada – mas é uma coincidência desagradável para quem forçou atletas de alto nível a competir sob chuva.

Os adiamentos

Nenhum jogo masculino foi terminado nesta terça. Todos valiam pelas oitavas de final. Na Chatrier, Djokovic vencia Bautista Agut por 3/6, 6/4 e 4/1; na Lenglen, Tomas Berdych sacava em 1/2, ainda no primeiro set, contra David Ferrer; na Quadra 1, David Goffin perdia por 0/3 para Ernests Gulbis; e na Quadra 2, Marcel Granollers e Dominic Thiem estavam empatados em 1 set a 1, com parciais de 6/2 para o austríaco e 7/6(2) para o espanhol.

As piadas

É seguro dizer que a imagem de Roland Garros sofreu um baque esta semana. O diretor do torneio, Guy Forget, segue culpando a burocracia francesa, mas sem justificar por que não há um teto retrátil na Chatrier nem iluminação artificial no complexo (leia mais aqui). Enquanto isso, o torneio vira piada, seja com Tomas Berdych lembrando que o Australian Open tem três quadras com teto retrátil…

… seja com o torneio australiano mandando um pouco de sol para Paris.

Os brasileiros

Marcelo Melo e André Sá conseguiram entrar em quadra – um contra o outro. O número 1 do mundo e seu parceiro, Ivan Dodig, levaram a melhor: 6/3 e 6/2 sobre Sá e o australiano Chris Guccione. Com isso, brasileiro e croata, atuais campeões do torneio, avançam para as quartas de final. Seus próximos adversários serão Rohan Bopanna e Florin Mergea, cabeças de chave 6.

Enquanto isso, Bruno Soares segue esperando pela próxima sessão de seu jogo boyhoodiano, o mesmo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina venciam por 7/5 e 1/1 quando a partida contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey foi interrompida e adiada.

O tamanho do drama

Até agora, Roland Garros não anunciou nenhuma mudança no calendário geral, ou seja, a final feminina ainda está marcada para sábado. Se for assim, a finalista que sair do grupo de Serena, Svitolina, Suárez Navarro, Putintseva, Bertens, Keys, Venus e Bacsinszky terá de fazer quatro jogos em quatro dias. Oitavas na quarta, quartas na quinta, semi na sexta e final no sábado – se não chover mais!

Não é o fim do mundo, já que é mais ou menos assim no dia a dia do circuito feminino, mas está longe de ser o ideal em um evento dessa magnitude. Além disso, a finalista que vier da outra metade da chave, que já tem as quartas definidas, poderá chegar com menos cansaço acumulado à decisão.

Entre os homens, a situação está assim: todos que jogaram hoje (Djokovic, Bautista, Ferrer, Berdych, Granollers, Thiem, Goffin e Gulbis) terão cinco dias para quatro partidas. E tudo isso em melhor de cinco sets – e se não chover mais! O cenário é menos complicado para Djokovic, que está com sua partida de oitavas aparentemente encaminhada (imaginem negrito, itálico e ressalvas no “aparentemente”). Mesmo assim, é um óbvio prejuízo em relação à outra metade da chave, que já começa as quartas de final nesta quarta – se não chover mais!


A (não) expansão de Roland Garros e a lição da França para o mundo
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Alexandre Cossenza

Toda vez que chove em Roland Garros o assunto vem à tona. Quando sairão do papel os planos para expansão do complexo? Quando a Quadra Philippe Chatrier terá um teto retrátil? Embora as duas questões não estejam necessariamente ligadas, é isso que a organização atual do torneio quer que o mundo acredite. Entretanto, não importa o quanto o evento tem a ganhar com uma quadra coberta e seus planos de expansão, há um grupo de oposição que vem lutando até hoje contra a “expansão territorial” do Slam do saibro.

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A primeira tentativa

Quando começou a ficar bastante claro que Roland Garros já estava atrás em relação aos outros Slams, a Federação Francesa de Tênis (FFT) anunciou, em 2010, planos de mudar o torneio de local e disse estar considerando três outras locações: Marne-la-Vallée, Gonosse (perto do aeroporto Charles de Gaulle) e Versalhes (em uma base aérea sem uso).

O anúncio foi visto por muitos como um blefe, uma jogada para convencer autoridades da cidade de que Roland Garros havia atingido seu limite e que, para ficar em Paris, seria necessária ajuda de legisladores. Se era mesmo um blefe, ninguém pagou para ver. Em 2011, a própria FFT votou por manter o evento no local de sempre, alegando que sairia caro demais construir um novo complexo.

O plano B

Em 2013, a FFT anunciou o plano de expandir o complexo atual, colocando iluminação artificial e teto retrátil na Chatrier, demolindo a Quadra 1 e construindo uma nova arena utilizando o terreno do jardim botânico vizinho Jardins des Serres d’Auteuil. E aí atraiu a ira de ambientalistas, moradores da vizinhança e autoridades da cidade.

No mesmo ano, um tribunal administrativo de Paris travou os planos por julgar que a quadra com capacidade para quase 5 mil lugares prejudicaria o jardim botânico. Além disso, a quantia em dinheiro que a FFT havia sugerido pagar à cidade era muito pequena (sempre há dinheiro). Naquela ano, vale lembrar, a FFT prometia o complexo totalmente modernizado em… 2016!

Os ambientalistas

O “tal jardim botânico”, cujo nome oficial é Jardin Botanique des Serres d’Auteuil, não é um jardim qualquer. O local foi inaugurado em 1898 e projetado pelo renomado Jean-Camille Formigé. É considerado monumento nacional francês. Para construir uma quadra nova ali, o torneio destruiria 14 estufas que hoje abrigam cerca de 10 mil espécies de plantas tropicais e subtropicais – algumas correndo risco de extinção.

O argumento dos ambientalistas, além de obviamente defender o local, lembra que três associações nacionais endossam a expansão de Roland Garros na direção norte, onde cobriria parte de uma estrada (A13). Há uma petição online já com 80 mil assinaturas pedindo a manutenção do jardim botânico como está hoje.

O torneio, por sua vez, diz que as estufas derrubadas não têm nenhum valor arquitetônico e que serão construídas estufas novas, modeladas nas “estufas históricas desenhadas por Jean-Camille Formigé”.

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A insistência

Em junho do ano passado, mesmo depois de o Ministério da Ecologia questionar o projeto do torneio e mostrar a viabilidade técnica da expansão de Roland Garros na direção da A13, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, disse que a permissão havia sido dada. A prefeitura, vale lembrar, tem interesse de realizar os Jogos Olímpicos de 2024 na capital francesa e usa isso como argumento para justificar a expansão de Roland Garros. Talvez os fãs brasileiros de automobilismo vejam algo de familiar na história.

No entanto, em dezembro, um tribunal administrativo da cidade embargou a obra que envolve a apropriação do terreno do jardim botânico. Por isso, o diretor do torneio, Guy Forget, culpa a burocracia francesa toda vez que chove e ele precisa explicar por que não há teto retrátil na Chatrier.

E o quico?

A pergunta que ninguém na organização de Roland Garros parece disposto a responder é: por que diabos se faz necessário aprovar a expansão para que seja construído um teto retrátil na Chatrier e as quadras passem a ter iluminação artificial? Forget diz que para construir um teto será necessário demolir a arquibancada atual e construir outra estrutura. Soa, no mínimo, estranho já que Wimbledon construiu um teto sem derrubar a Quadra Central (só derrubou a cobertura antiga), e o US Open está construindo uma cobertura retrátil para o gigantesco Arthur Ashe Stadium sem diminuir a capacidade da quadra.

Também não encontrei nenhuma declaração da organização de Roland Garros ou da FFT sobre a questão da iluminação artificial. Entre todas alterações imagináveis em um torneio de tênis, instalar holofotes parece a menos custosa e mais viável. E seguem as perguntas no ar. Em que a burocracia francesa atrasa o teto retrátil e a iluminação artificial? Não são seriam essas as melhorias mais importantes para o andamento de um torneio?

A impressão para quem vê de fora é que o torneio usa sua própria incapacidade como pretexto para poder realizar obras caras e polêmicas aprovadas. Quase repetindo a frase de quatro parágrafos acima, afirmo: moradores do Rio de Janeiro, uma cidade com sérios problemas de transporte, devem ver algo de familiar.

A lição francesa

Paris precisa mesmo destruir, ainda que parcialmente, um jardim botânico para expandir um torneio que já é extremamente lucrativo e acontece durante apenas duas semanas por ano? A cidade precisa mesmo derrubar um estádio e gastar um bilhão para construir uma nova arena que não terá competições nem eventos suficientes para se sustentar por conta própria no futuro?

Perdão, me confundi na segunda pergunta acima, que era sobre uma capital sul-americana que recebeu meia dúzia de partidas em um evento que durou 30 dias. Mas veem a semelhança? A França não cedeu. Ambientalistas seguem brigando por um patrimônio nacional e, apesar do lobby da prefeitura francesa, preocupada com os Jogos Olímpicos de 2024, tribunais administrativos da cidade avaliaram a questão e bloquearam a obra.

Pode ser que, no futuro, a expansão de Roland Garros seja aprovada de forma definitiva e que o tênis tome parte do terreno do jardim botânico. O importante é saber que isso não acontecerá sem uma avaliação profunda do projeto, sem que a Federação Francesa dê as devidas garantias, sem que a indenização seja correta… Enfim, sem que a cidade saia perdendo. Até agora, os tribunais franceses vêm dando uma lição. Basta olhar e querer aprender.


RG, dia 2: drama de Murray, susto de Wawrinka e derrotas brasileiras
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Alexandre Cossenza

A chuva voltou a atrasou mais uma vez a programação em Roland Garros, mas desta vez teve tênis e sobrou emoção. Primeiro, com Wawrinka e Muguruza vivendo momentos de tensão. Depois, com Andy Murray andando na corda bamba e os brasileiros – Thomaz Bellucci e Rogério Dutra Silva – enfrentando franceses em ótima forma. O resumaço do segundo dia fala sobre tudo isso, lembra das cabeças que rolaram e inclui até uma ação publicitária de Marcelo Melo.

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Os favoritos

O maior drama do dia, seguramente, foi vivido pelo Andy Murray. Cabeça de chave 2, #2 do mundo, vindo de um título em Roma em cima de Novak Djokovic, o britânico chegou pela primeira vez a Roland Garros como sério candidato ao título. Tudo isso quase foi jogado pela janela nesta segunda-feira, diante de Radek Stepanek. O experiente tcheco, cheio de variações e evitando dar ritmo a Murray, abriu 2 sets a 0, fazendo 6/3 e 6/3 e deixando o mundo inteiro em alerta.

O escocês reagiu a tempo de evitar um fiasco. Fez 6/0 na terceira parcial, chegou a nove games seguidos e parecia navegar tranquilo para forçar o quinto set quando a partida foi paralisada por falta de luz natural. Quando os dois tenistas voltarem à quadra na terça-feira, o placar mostrará Stepanek liderando por 2 sets a 1, mas com Murray à frente por 4/2 no quarto set.

Embora não tenha fechado a parcial enquanto o momento lhe era favorável, Murray se deu bem com a interrupção. Diante de um tenista perigoso como Stepanek, é sempre arriscado entrar em quadra frio para jogar apenas um set. Do jeito que aconteceu, o britânico terá o fim do quarto set para calibrar golpes, aquecer e entrar com força total na parcial decisiva. O irmão, vide tweet abaixo, concorda.

Simona Halep, por sua vez, quase não teve problemas. Vice-campeã de Roland Garros e atual cabeça 6, a romena fez 6/2 e 6/0 sobre a japonesa Nao Hibino e avançou. Ela enfrentará na sequência a cazaque Zarina Diyas

Os brasileiros

Rogerinho (#85) fez uma ótima apresentação na Quadra Suzanne Lenglen, diante do sempre constante Gilles Simon (#18). O jogo, disputado com quadra bastante pesada e dois jogadores que não fogem de ralis, foi bastante longo e refletiu as características de ambos. Trocas longas, muitas quebras e equilíbrio. O primeiro set, decidido no tie-break, durou mais de 1h10min. O segundo, quase uma hora.

O brasileiro teve chances. Começou o jogo com 3/0 e duas quebras de frente. Na segunda parcial, abriu 4/2. Simon, no entanto, foi sempre mais consistente, dando menos pontos de graça e exigindo bastante de Rogerinho. No fim, o tenista da casa saiu vencedor por 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Thomaz Bellucci também enfrentou um adversário respeitável, mas fez muito pouco diante de Richard Gasquet (#9). O francês começou a partida vencendo os primeiro cinco games e nunca deixou o brasileiro à vontade em quadra. Bellucci, que chegou a ter 15 games perdidos em sequência (comando os dez contra Delbonis em Genebra), até teve bons momentos no jogo, mas os 32 erros não forçados nos dois primeiros sets (em 16 games) facilitaram a vida do oponente.

Gasquet acabou vencendo por 6/1, 6/3 e 6/4, sem sustos. Bellucci, que cometeu 46 erros não forçados ao todo (contra 19 de Gasquet), agora soma oito vitórias e 15 derrotas na temporada. Depois de começar a temporada como 37º do mundo e entrar no top 30 em fevereiro, Bellucci vem em queda e já deixou o top 50. Nesta semana, é o #57 e pode cair mais ao fim do torneio francês.

As cabeças que rolaram

Entre os homens, Marin Cilic, cabeça 10, provavelmente foi a vítima da maior zebra do dia. O croata, que vinha de disputar a final do ATP de Genebra no sábado, tombou espetacularmente diante do argentino Marco Trungelliti (#166), que vinha do qualifying: 7/6(4), 3/6, 6/4 e 6/2.

O revés significa uma bela chance desperdiçada para Cilic, que estava numa chave em que enfrentaria Troicki na terceira rodada e, talvez, Raonic nas oitavas. Não era nada impossível imaginá-lo nas quartas contra Wawrinka – sim, o mesmo Stan que oscilou e quase também deu adeus nesta segunda-feira.

Na chave feminina, Sara Errani, cabeça 16, e Karolina Pliskova, cabeça 17, foram as primeiras a dar adeus. A italiana encerrou uma péssima passagem pelo saibro europeu com derrota por 6/3 e 6/2 para a búlgara Tsvetana Pironkova, enquanto a tcheca foi eliminada de virada pela americana Shelby Rogers: 3/6, 6/4 e 6/3.

A maior pré-classificada a dar adeus foi Roberta Vinci, cabeça 7, que foi rapidamente eliminada por Kateryna Bondarenko (#62) : 6/1 e 6/3. É o fim de uma péssima sequência para a vice-campeã do US Open, que sofreu quedas na estreia também em Madri e Roma.

Vinci estava numa seção bastante acessível da chave, sem grandes especialistas em saibro. Ela lá que estava também Karolina Pliskova. Agora, a “favorita” para alcançar as oitavas é Petra Kvitova, cabeça 10, mas tão imprevisível que requer sempre o uso de aspas para a palavra favorita.

Os sustos

O maior susto do dia veio logo no primeiro jogo da Quadra Philippe Chatrier, com Stan Wawrinka correndo o risco de se tornar o primeiro campeão de Roland Garros na história a ser eliminado na estreia no ano seguinte.

A estratégia kamikaze de Lukas Rosol, combinada com os momentos de inconstância do suíço, deixaram o jogo equlibrado. Quando o tcheco abriu 2 sets a 1, acabou a margem de erro para o campeão, que reagiu bem, vencendo as parciais seguintes. Stan até salvou um break point no começo do quinto set, mas não teve outros sustos na parcial, fechando o jogo por 4/6, 6/1, 3/6, 6/3 e 6/4.

A espanhola Garbiñe Muguruza (#4) também deu susto em seus fãs. Perdeu a primeira parcial para Anna Karolina Schmiedlova (#37) e, por um momento, parecia destinada a dar adeus atacando e errando do começo ao fim do jogo. Schmiedlova, no entanto, perdeu nove break points no primeiro game do segundo set, e Muguruza quebrou na sequência, mantendo a vantagem até o fim da parcial.

No set decisivo, Muguruza quase perdeu uma enorme frente. Sacou em 4/1, mas foi quebrada no sexto game e precisou salvar um break point no oitavo para evitar o empate da rival. No fim, confirmou o favoritismo e fechou em 3/6, 6/3 e 6/3.

Correndo por fora

Kei Nishikori foi o primeiro dos grandes candidatos ao título a entrar em quadra. No domingo, porém, a chuva impediu o término de seu jogo, então o japonês precisou fazer uma aparição rápida nesta segunda. E foi rápida mesmo. Apenas o suficiente para completar o triunfo sobre Simone Bolelli: 6/1, 7/5 e 6/3.

Cabeça de chave 2, Agnieszka Radwanska raramente é colocada entre as favoritas ao título. Seu histórico no saibro não justificaria mesmo. Sua estreia, porém, foi tranquila, fazendo 6/0 e 6/2 sobre Bojana Jovanovski.

Quem também corre por fora e triunfou nesta segunda foi Milos Raonic, que bateu Janko Tipsarevic (lembram dele?) por 6/3, 6/2 e 7/6(5).

Os adiamentos

Por causa da chuva – sim, ela de novo – a rodada começou com 2h30min de atraso. Quando os primeiros tenistas entraram em quadra, a organização já tinha decidido transferir 12 partidas: Cornet x Flipkens, Ivanovic x Dodin, Svitolina x Cirstea, Suárez Navarro x Siniakova, Jankovic x Maria, Rodionova x Konjuh, Zheng c Xibulkova, Cuevas x Kamke, Townsend x Hesse, Nara x Allertova, Wang x Andrianjafitrimo e Chung x Halys.

Dominika Cibulkova, aparentemente, aproveitou bem a folga.

Ao fim do dia, outros jogos interrompidos: Pouille vencia Benneteau por 2 sets a 1, Isner e Millman empatavam após dois tie-breaks, Doi liderava o segundo set contra Stosur após a australiana vencer a primeira parcial, Voskoboeva e Zhang ainda estavam em 5/5 no primeiro set, e Ekaterina Makarova liderava por 4/1 e saque o terceiro set contra Varvara Lepchenko.

Lances bacanas

A imagem não ajuda, mas fica o registro do impressionante backhand de Rogerinho, defendendo um smash cruzado de Simon e atacando na paralela para conseguir uma quebra de saque.

Leitura recomendada

Do blog de Diana Gabanyi, ex-assessora de Gustavo Kuerten, chefe de operações de imprensa do Rio Open e que está todos os anos em Roland Garros. No texto de hoje, ela fala sobre como o Slam do saibro vai ficando para trás em comparação com os outros três grandes.

Fanfarronices publicitárias

Em ação publicitária da Centauro chamada “Coisas que só o Marcelo Melo faz”, o número 1 do mundo faz truques com a raquete e a bolinha dentro de uma das lojas. Ótima iniciativa da rede de artigos esportivos.


RG, dia 1: muita chuva e pouco tênis, mas Kyrgios tumultua
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Alexandre Cossenza

Desde que decidiu antecipar seu início para o domingo, criando uma espécie de sessão caça-níqueis extra, Roland Garros sempre guardou as estreias mais importantes para segunda e terça-feira. Não foi diferente este ano. O domingo teve programação enxuta, sem os principais nomes do circuito, e, para piorar, sofreu atrasos enormes e cancelamentos por causa da chuva.

Deu tempo, porém, de Nick Kyrgios discutir com um árbitro de cadeira depois de levar um advertência por gritar com um boleiro. Lembremos, então, o que aconteceu de mais relevante no dia e o que a segunda-feira nos reserva.

Situação aqui em Roland Garros, todas as quadras cobertas por causa das chuvas. #rain #chuva #rg16

A photo posted by Marcelo Melo (@marcelomelo83) on

O susto

A principal cabeça de chave em quadra neste domingo era Petra Kvitova (#12). A tcheca foi a primeira a entrar na Philipe Chatrier e venceu bem no seu estilo: 6/2, 4/6 e 7/5 sobre Danka Kovinic em 2h20min de jogo. E não foi só isso. Kovinic (#57) chegou a sacar para a vitória, com 5/4 no placar no terceiro set. A tcheca, então, venceu três games seguidos e sobreviveu.

Kvitova está numa chave bastante acessível, encabeçada por Roberta Vinci, que vive meu momento. Como escrevi no guiazão, não é nada impossível que a tcheca vá longe em Roland Garros. A ver se os momentos de inconstância irão diminuir daqui para a frente. Sua próxima adversária será Su-Wei Hsieh, de Taiwan.

Os favoritos

Uma das poucas cabeças de chave a completar seu triunfo neste domingo foi a tcheca Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. Após um título em Praga e resultados nada empolgantes em Madri e Roma, Safarova estreou bem, aplicando 6/0 e 6/2 sobre Vitalia Diatchenko (#223). Não foi, porém, um grande teste para a tcheca, que jogou bem, mas foi pouco exigida.

O encrenqueiro

Nick Kyrgios, sempre ele, recebeu uma advertência por conduta antiesportiva porque gritou com o boleiro ao pedir a toalha. Vejam o momento.

Kyrgios argumentou que gritou com o boleiro por causa do barulho da torcida e que não fez nada para merecer a advertência. O australiano perguntou também, se “quando Djokovic empurra um árbitro, está tudo bem.” Veja aqui.

Kyrgios acabou saindo vitorioso, fazendo 7/6(6), 7/6(6) e 6/4 sobre o italiano Marco Cecchinato. Por outro lado, talvez o gesto com o boleiro e a discussão com o árbitro de cadeira deixem todo mundo de olho no australiano. Ele que se cuide.

Os adiamentos

Após múltiplas interrupções e vendo a previsão, o torneio decidiu encerrar o dia mais cedo, pouco depois das 18h locais (normalmente, há jogos com luz natural até as 21h). Entre os jogos em andamento estavam em quadra o japonês Kei NIshikori, que vencia Simone Bolelli por 6/1, 7/5 e 2/1, e o americano Jack Sock, que abriu 2 sets a 0 sobre Robin Haase, mas viu o holandês reagir e empatar o placar. O quinto set começaria quando a chuva voltou.

Entre as mulheres, a partida entre a ex-russa e atual cazaque Yaroslava Shvedova e a russa-de-verdade Svetlana Kuznetsova foi interrompida no terceiro set. Depois de perder a primeira parcial por 6/4, Sveta fez 6/1 e liderava o set decisivo por 3/1. O jogo entre a americana Nicole Gibbs e a britânica Heather Watson também ficou pelo caminho. Gibbs sacava em 2/1 e 40/30 no terceiro set.

Vários jogos também acabaram suspensos antes mesmo de seu início. Entre eles, o de Simona Halep, principal cabeça de chave feminina escalada para o dia. A romena enfrentaria Nao Hibino. Outros jogos transferidos antes do começo foram Chardy x Mayer, Isner x Millman, Dimitrov x Trociki, Stephens x Gasparyan, Basilashvili x Edmund, Lisicki x Cepede Royg e Carballés Baena x Pavlasek.

Os melhores tweets

Micaela Bryan, filha de Bob Bryan, postou no Twitter um “Parabéns a Você” no piano dedicado a Novak Djokovic, aniversariante do dia. O sérvio número 1 do mundo completou 29 anos neste domingo.

Quem também soprou velinhas (ou não) neste domingo foi Eric Butorac, 35 anos, presidente do conselho dos jogadores da ATP. Sempre bem humorado, Booty aproveitou o tweet do jornalista Simon Cambers, que indagava se todo tenista aniversariante ganhava bolo dos torneios, e respondeu: “Eu te digo no fim do dia.”

Sam Groth, adversário de estreia de Rafael Nadal, pode não ter ficado muito contente com o sorteio da chave, mas manteve o bom humor. No tweet abaixo, o sacador disse que aproveitaria a chuva e plantaria algumas sementes para ver se cresceria grama até terça-feira.

David Ferrer deu uma pista do que vai acontecer nos próximos dias. O tradicional quadro “Road to RG”, no qual tenistas conversam com um motorista no caminho até o torneio, terá Gustavo Kuerten este ano.

O melhor do dia 2

Segunda-feira marca o começo “de verdade” de Roland Garros, com programação cheia e nomes de peso. A começar pelo atual campeão, abrindo o dia na Chatrier. Também na principal quadra de Paris estarão Nishikori, completando sua partida, Radwanska e Murray. A local Alizé Cornet fecha a rodada contra Kirsten Flipkens.

Os dois brasileiros jogam na Suzanne Lenglen, que abre o dia com Muguruza x Schmiedlova. Em seguida, Rogerinho enfrenta Simon e Bellucci encara Gasquet. Ivanovic fecha o dia contra a francesa Oceane Dodin.

Outros jogos interessantes são Raonic x Tipsarevic, abrindo a programação na Quadra 2, onde também será jogado o último set de Sock x Haase. Vale também acompanhar, se possível, Dimitrov x Troicki, que abre o dia na Quadra 3.


Quadra 18: S02E03
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Alexandre Cossenza

Gravado na sala de entrevistas do Esporte Clube Pinheiros, o novo episódio do podcast Quadra 18 está no ar com tudo que aconteceu de mais interessante no Rio Open e no Brasil Open, os dois torneios mais importantes do país. Apresentado por mim ao lado de Sheila Vieira e Aliny Calejon (pela primeira vez, gravamos com os três na mesma sala), o programa tem participações especiais de Felipe Priante e João Victor Araripe, além de áudios de Rafael Nadal, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Marcelo Melo e Thiago Monteiro.

Falamos da impressionante ascensão de Thiago Monteiro, das zebras no Rio de Janeiro, da decepção que foi a passagem de Rafael Nadal pela América do Sul, da surpresa de Paula Gonçalves, da nova sede do torneio paulista, do misterioso problema físico de Thomaz Bellucci e da fantástica Francesca Schiavone, entre muitos outros assuntos.

Também contamos histórias de “bastidores”, falamos sobre o convívio na sala de imprensa e respondemos perguntas de ouvintes. Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir, clique neste link com o botão direito e, depois, em “salvar como” para fazer o download do episódio e ouvi-lo mais tarde.

Os temas

0’00” – Alexandre Cossenza apresenta programa gravado no Pinheiros
2’25” – Impressões sobre o Rio Open
2’30” – “O que mais gostei foi John Isner”
3’30” – A decepcionante participação de Jo-Wilfried Tsonga
4’40” – As quedas de David Ferrer, Rafael Nadal e Jack Sock
7’05” – A inusitada desistência de Sock nas duplas
7’55” – A passagem de Nadal pela América do Sul
10’20” – Nadal explica sua derrota para Cuevas e fala do início de temporada
12’00” – Cuevas e o “melhor backhand de uma mão do circuito” segundo Guga
13’00” – A participação de Teliana Pereira no Rio Open
14’20” – A surpreendente campanha de Paula Gonçalves
15’55” – A derrota de Bia Haddad e o sucesso de Sorana Cirstea no Brasil
17’10” – A fantástica Francesca Schiavone e sua relação com o Brasil
19’40” – A lona do Rio Open
23’00” – Thomaz Bellucci vendendo pipoca no Rio de Janeiro
24’55” – Summer (Calvin Harris)
25’40” – Impressões sobre o Brasil Open no Esporte Clube Pinheiros
30’50” – Aliny avalia as campanhas de Melo e Soares em RJ e SP
32’20” – “O lado positivo é parar com o oba-boa que vinham fazendo”
33’48” – Bruno Soares avalia os resultados da dupla nos torneios brasileiros
35’09” – Bruno e Marcelo fala sobre a repercussão das derrotas na imprensa
37’10” – As preocupantes derrotas de Thomaz Bellucci
39’32” – Bellucci fala sobre seu problema físico e que seria outro tenista sem ele
42’21” – O momento de Feijão
44’00” – Thiago Monteiro, a grande estrela brasileira nas duas semanas
47’25” – Monteiro faz um balanço das duas semanas
49’00” – Cuevas, o “Rei do Brasil”
50’45” – A curiosa (e curta) passagem de Benoit Paire por São Paulo
52’05” – Os bolos da sala de imprensa do Brasil Open
53’30” – You Never Can Tell (Chuck Berry)
54’00” – “O que vocês levariam de SP para o Rio e do Rio para SP?”
58’05” – “O que os jogadores acharam da estrutura em SP?”
59’10” – “Qual a pessoa mais insuportável das salas de imprensa?”
71’50” – “Como foi a prestação de serviços dos dois torneios? Dá para comparar?”
72’50” – Cossenza critica o serviço prestado a idosos no Rio Open
75’07” – “Favor contar todas fofocas de bastidores”
69’20” – “Rio Open como Masters 1.000: sonho ou realidade?”
71’02” – “Acham que ano que vem vai ter lona no Rio Open?”
71’15” – “Thiago Monteiro já merece ser chamado para a Copa Davis?”
73’45” – “Thiago Monteiro tem condição de entrar no top 50?”
74’30” – Marcelo Melo faz uma declaração para Aliny Calejon

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Summer (Calvin Harris) e You Never Can Tell (Chuck Berry). A faixa de encerramento é Pobre Paulista (Ira!).


Rio Open, dia 2: mais chuva, mais Nadal na madruga e Paula salva o Brasil
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Alexandre Cossenza

Muito sol e muita chuva. O tema do primeiro dia do Rio Open se repetiu nesta terça-feira, que tinha 27 partidas distribuídas em cinco quadras. As primeiras horas foram de um calor sufocante. As últimas, de suspense a apreensão pelos pingos que insistiam em molhar o saibro do Jockey Club Brasileiro. A rodada só terminou depois da 0h, com uma cena familiar: Nadal em quadra na madrugada carioca.

O espanhol venceu sem encantar, como fez seu compatriota David Ferrer. Assim como não empolgaram os resultados brasileiros do dia. Thomaz Bellucci e Teliana Pereira, principais nomes do país nas chaves de simples, se despediram logo na estreia. Feijão, idem. Quem manteve o país vivo foi Paula Gonçalves, que aproveitou o embalo do qualifying e triunfou mais uma vez. Perdeu alguma coisa? Então este resumaço é para você. Role a página e fique por dentro.

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Os favoritos

Com mais ou menos facilidade, os principais candidatos ao título no Rio de Janeiro avançaram à segunda rodada. O primeiro deles a vencer foi David Ferrer, que passou maus momentos diante de Nicolás Jarry, #493, 20 anos e convidado da organização do torneio. O chileno teve cinco set points na segunda parcial, mas não conseguiu fechar e viu o espanhol fazer 6/3 e 7/6(3).

Na coletiva, o #6 do mundo disse ter encontrado dificuldade com a umidade carioca e se mostrou insatisfeito com o nível de tênis aproveitado. “De positivo, tiro apenas o aspecto metal”, declarou. Ferrer também elogiou Jarry e disse que o chileno tem um ótimo saque e potencial para crescer. A movimentação de pernas, segundo o espanhol, é uma das coisas que o chileno precisa melhorar.

O último a entrar em quadra foi Rafael Nadal, que enfrentou Pablo Carreño Busta e a chuva, que interrompeu o duelo ao fim do primeiro set. Com a meia-noite se aproximando, os dois reiniciaram a partida sob pingos (mas foram chamados quando a chuva havia dado uma trégua).

Enquanto isso, o jogo entre Jo-Wilfried Tsonga e Thiago Monteiro, que já havia sido transferido da Central para a Quadra 1, acabou adiado de vez.

No segundo set, Nadal perdeu uma quebra de vantagem – cena tão comum em seus jogos ultimamente – e demorou a estabelecer nova vantagem, mas finalmente fechou em 6/1 e 6/4. De modo geral, foi uma ótima atuação no primeiro set, diante de um Carreño Busta abaixo do normal, e um desempenho bom, mas nada empolgante após a chuva – ainda que com uma quadra pesadíssima, algo que o ex-número 1 apontou como motivo para a mudança de ritmo do encontro.

O que será deste Nadal inconstante de hoje diante de Nicolás Almagro, alguém que promete incomodá-lo muito mais na segunda rodada? Fica desde já a expectativa por um jogo que promete emoções fortes.

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Finalmente, Fabio Fognini teve bem menos trabalho e derrotou Aljaz Bedene por 7/5 e 6/3. A facilidade talvez explique por que o italiano aproveitou para fazer uma aparição no bar da Stella Artois, patrocinadora do torneio. Quanto a Dominic Thiem, campeão em Buenos Aires, o austríaco manteve a sequência e passou sem drama pelo espanhol Pablo Andújar: 6/3 e 6/4.

Bellucci: mais baixos que altos

O adversário era complicado, e os desafios impostos pelas variações de Alexandr Dolgopolov provaram-se um obstáculo alto demais para Thomaz Bellucci superar. Pela terceira oportunidade em três jogos, o ucraniano derrotou o brasileiro, fazendo 6/7(3), 7/5 e 6/2. Desta vez, porém, em um encontro cheio de variações.

Além das oscilações de ambos, que trocaram quebras nos dois primeiros sets, o clima afetou a partida. O jogo foi interrompido quando Bellucci sacava em 5/6 e 30/30 no primeiro set. Como não havia lona na quadra, o duelo só foi retomado mais de 2h30min depois, com o saibro bem mais pesado. Dolgopolov quebrou o serviço do brasileiro rapidamente e forçou a parcial decisiva.

O ucraniano começou mal o terceiro set e deixou Bellucci fazer 2/0, mas foi só. Como em um estalar de dedos, de maneira bem típica, Dolgo parou de errar, freou Bellucci e tomou o controle do jogo. É bem verdade que o brasileiro viu seu nível cair, mas o ritmo encontrado pelo ucraniano foi impressionante.

Na coletiva, o paulista avaliou ter feito um terceiro set melhor que os dois anteriores, mas disse também que Dolgopolov começou a parcial “com uma proposta muito mais agressiva, de tirar meu tempo, de atacar muito mais, e isso me dificultou muito mais.”

Bellucci se recusou a revelar a origem do problema físico que motivou seu pedido de atendimento médico no segundo set, mas disse que não influenciou o resultado. A negativa do #1 do Brasil em falar sobre o assunto fez parte da imprensa acreditar que se tratava daquele tipo de problema estomacal do qual ninguém gosta de falar publicamente. E ficou por isso mesmo.

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Feijão: mais longe do sonho olímpico

Feijão deu sequência ao seu momento instável e foi eliminado pelo argentino Diego Schwartzman, #90, por 6/3 e 6/2. O paulista abriu 3/1 e sacou em 3/2 no set inicial, mas, como ele mesmo avaliou na entrevista coletiva, as coisas não vêm acontecendo naturalmente para ele desde “aquela” Copa Davis. Contra um tenista tão regular quanto Schwartzman, era preciso mais consistência.

Em queda no ranking (hoje é o #168), Feijão está cada vez mais longe da zona de classificação para os Jogos Olímpicos e com apenas quatro meses pela frente para somar pontos. O paulista, que estava otimista no fim do ano passado, já passa a considerar que a possibilidade de ficar fora do torneio olímpico é grande.

“Para mim, seria um sonho. Seria uma experiência inesquecível, mas eu ainda tenho 27. Daqui a quatro anos, vou ter 31. Pode ser em Tóquio também, não tem problema. Se tiver que ser lá vai ser. Se não for, fazer o quê? É vida que segue. O mundo não vai acabar, isso aqui não vai desabar na nossa cabeça porque eu não vou jogar uma Olimpíada.”

As brasileiras

Paula Gonçalves teve a tarefa de abrir a programação da Quadra Guga Kuerten às 11h30min contra a israelense Julia Glushko e aproveitou o bom momento que adquiriu no qualifying. Mesmo com as menos de 500 pessoas vendo seu jogo (em uma arena onde cabem mais de 6 mil), a paulista fez 6/3 e 6/1 e garantiu seu lugar na segunda rodada.

Atual número 285 do mundo e com 25 anos, Paula acabaria se tornando a única brasileira a vencer nas simples. Teliana Pereira, #1 do Brasil, #43 do mundo e principal cabeça de chave do Rio Open, foi derrotada na estreia pela croata Petra Martic, #162, com parciais de 6/3 e 7/5.

Martic foi melhor que Teliana no estilo de jogo da brasileira: errando pouco e alongando as trocas de bola. A croata, porém, foi inteligente nas variações, usou slices de forma oportuna e aguardou pacientemente os erros da brasileira. Teliana chegou a abrir 4/1 no segundo set, mas foi menos consistente que a rival.

A notícia boa é que Teliana não saiu triste da quadra. A pernambucana se disse surpresa com a consistência de Martic, mas admitiu que a croata foi melhor em quadra. A #1 do Brasil afirmou também, com boa pitada de otimismo, que o jogo desta terça foi provavelmente sua melhor apresentação em 2016. Vale lembrar que Teliana ainda não venceu em 2016. Antes do Rio Open, ela somou três derrotas em Brisbane, Hobart e Melbourne.

Duas declarações de Teliana foram importantes. Primeiro, afirmou que precisa se manter entre as 50 melhores do mundo antes de pensar em alcançar o top 30 ou o top 20. Em seguida, mostrou-se feliz com o triunfo de Paula Gonçalves “porque o tênis feminino precisa disso. As meninas precisam evoluir e me sinto um pouco responsável por isso. Elas veem que se a Teliana está ali, por que elas também não podem? Não quero ser a único top 100 ou top 50.”

A homenagem

Deveria ter acontecido na segunda-feira, mas o ralo entupido e o saibro submerso impediram. Nesta terça, Gustavo Kuerten foi finalmente homenageado e recebeu uma cópia da placa que ficará na quadra de saibro com seu nome do Jockey Club Brasileiro. Vale lembrar: a estrutura montada para o Rio Open é provisória. Após o torneio, fica só a quadra – a área de jogo – para os associados.

A “experiência sul-americana” dos gringos

Um dia depois da eliminação de John Isner, Jack Sock deu adeus ao Rio Open. Os dois americanos sucumbiram de maneiras bem diferentes, mas com cenários que tinham elementos em comum. Ambos enfrentaram saibristas argentinos e tiveram de lidar com os cruéis “elementos” da natureza.

Se Isner teve de esperar quatro horas e encarar um saibro pesadíssimo por causa da chuva, Sock entrou em quadra pouco antes das 13h, sob um calor infernal. Até teve uma quebra de frente no set inicial, mas desperdiçou a vantagem e oscilou apenas o bastante para Federico Delbonis levar a parcial.

O segundo set, com o calor ainda pior, Sock ofereceu menos resistência e sucumbiu por 7/5 e 6/1. Foram apenas 77 minutos de jogo, mas naquela temperatura era o suficiente para deixar o torcedor com a sensação de um leitão grelhado lentamente num fogão a lenha.

A registrar: dos cerca de 50 lugares existentes na Quadra 4, onde Sock, Delbonis, Thiem e Andújar jogaram, um terço deles não tem visibilidade para toda área de jogo. Onde consegui lugar no primeiro set (e nem era tão no canto da arquibancada!), só conseguia ver um dos tenistas na maior parte do tempo.

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Rio Open, dia 1: o naufrágio da Quadra Guga Kuerten e uma lição olímpica
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Alexandre Cossenza

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A segunda-feira que começou quente, com céu limpo e previsão de temperaturas acima dos 40 graus, mas acabou molhado e com meia dúzia de jogos cancelados. A chuva veio forte e rápido, deixando a Quadra Guga Kuerten sob um palmo de água, o que causou um atraso gigante na programação. O estado submerso da arena inclusive que fosse realizada a homenagem ao tricampeão de Roland Garros, que empresta seu nome à quadra (que tem estrutura provisória) a partir deste ano.

O temporal fez com que o torneio cancelasse a partida de Fabio Fognini e, depois, o encontro entre Thomaz Bellucci e Alexandr Dolgopolov de volta para o hotel. John Isner e Guido Pella, que tiveram o jogo interrompido por volta das 18h, só voltaram a disputar um ponto às 22h. Americano e argentino, aliás, só haviam disputado 46 minutos de jogo, e a continuidade de sua partida foi especialmente conveniente para a organização do torneio, que precisaria devolver os ingressos – ou efetuar trocas para outras sessões – no caso de menos de uma hora de tênis.

Treino na chuva

Entre as cenas curiosas do dia, vale ressaltar que Rafael Nadal e David Ferrer treinaram na chuva – pelo menos enquanto foi possível.

Vale lembrar que, durante a pequena tempestade, a Quadra Central não foi coberta com uma lona. A justificativa de Lui Carvalho, diretor do torneio, foi de que a chuva caiu muito forte e muito rápido. Por isso, com o volume de água que molhou o saibro, já não se poderia mais fazer uso da lona – que cobriria a água. Talvez valha apontar aqui que a lona não estava na beira da quadra (como fica em Roland Garros, por exemplo) na hora que a chuva veio.

Também é importante registrar que as quadras externas sofreram bem menos com a quantidade de água. A Quadra 5, por exemplo, estava em condições bem melhores no mesmo horário, vide imagem abaixo. Embora a luz indique outra coisa, a foto da Quadra 5 foi feita depois da imagem da Central que está no alto deste post (o que aconteceu por volta das 19h30min).

O diretor, porém, ressaltou que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é ótima. O problema desta segunda, ele revelou, foi causado por dois ralos que entupiram e impediram que a água escoasse devidamente. “Quando conseguimos desentupir, teve jogo meia hora depois.”

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As brasileiras

No início do dia, enquanto o clima colaborou, Ana Bogdan eliminou Gabriela Cé por 6/2 e 6/3. Foi a única brasileira que teve uma partida de simples encerrada antes da chuva. Bia Haddad teve sua partida interrompida quando perdia para Sorana Cirstea por 6/2 e 2/0. A interrupção não ajudou tampouco ajudou. A romena, que havia quebrado o serviço da brasileira em todas cinco oportunidades antes da chuva, quebrou mais uma vez na sequência e fechou por 6/2 e 6/1.

O sofrimento no saibro

John Isner saiu derrotado por Guido Pella por 7/6(5), 5/7 e 7/6(8). O americano, contudo, mostrou enorme esforço para vencer no saibro carioca, mais do que justificando o cachê que recebeu. Fez mais de 30 aces, salvou três match points (um deles com um espetacular ace de segundo saque), virou um tie-break complicado e, não fosse por cãibras e um voleio desastroso (talvez uma coisa tenha levado à outra), teria esticado sua passagem pela América do Sul. Diante das circunstâncias desta segunda-feira – quadra pesadíssima e adversário perigoso no saibro, parece injusto classificar o resultado como desastroso.

A programação

A quantidade de partidas canceladas na segunda-feira causou um engarrafamento na programação de terça, e o Rio Open precisou voltar aos horários do ano passado, quando as rodadas começavam às 11h. A solução foi encaixar e distribuir nomes de peso em quadras pequenas.

Feijão, David Ferrer e Nicolás Almagro jogarão na Quadra 1, com capacidade para 1.200 pessoas. Dominic Thiem, campeão do ATP 250 de Buenos Aires, estará na Quadra 4, onde cabem pouco mais de 50 pessoas. Jack Sock enfrentará Federico Delbonis no mesmo local. Juan Mónaco também jogará lá.

A Quadra Guga Kuerten ficou com Paula Gonçalves x Julia Glushko, Teliana Pereira x Petra Martic, Thomaz Bellucci x Alexandr Dolgopolov, Thiago Monteiro x Jo-WIlfried Tsonga e Rafael Nadal x Pablo Carreño Busta. Veja a programação completa aqui.

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O vírus

Fora de quadra, as entrevistas deram assunto para os jornalistas (e salvaram o dia, sejamos sinceros). Um dos temas recorrentes da segunda-feira foi a ameaça do vírus zika, que ganhou manchetes no mundo inteiro. Curiosamente, as perguntas vieram de jornalistas estrangeiros – não vi os jornalistas brasileiros (eu inclusive) muito preocupados com o assunto. Quanto aos tenistas, Ferrer, que deu a primeira coletiva do dia, e Nadal evitaram fazer drama sobre o assunto.

Os dois adotaram um discurso bem parecido, inclusive, dizendo que o torneio havia tomado medidas para evitar mosquitos e que não havia muito mais a fazer. Nadal foi mais enfático, afirmando que viu o povo normalmente nas ruas, indo às praias e aos restaurantes. “Se o povo está vivendo normalmente, imagino que não seja tão grave. Estou saindo à noite, estou feliz aqui, não estou preocupado.”

Bellucci, o valor dos brasileiros e a lição olímpica

A entrevista de Gustavo Kuerten também foi interessante. Entre outras coisas, o tricampeão de Roland Garros, que será homenageado e dará nome à quadra (provisória) central do Rio Open, ressaltou a importância de valorizar os feitos dos tenistas brasileiros. Guga falou em especial de Thomaz Bellucci, que se mantém entre “20, 30, 40 do mundo por cinco anos.” Para o catarinense, “Bellucci recebe muito pouco valor pelo que faz.”

O ex-número 1 também falou sobre as chances de Marcelo Melo e Bruno Soares nos Jogos Olímpicos. Guga ressaltou que a chance de medalha é “claríssima”, mas lembrou que o torneio de duplas é muito acirrado e que o povo brasileiro precisa aprender a valorizar seu atleta independentemente de resultado. “As Olimpíadas vão deixar uma lição importante para a gente aprender. Os maiores atletas do planeta vão estar aqui, e a maioria vai sair derrotada.” Para o ex-número 1, é essencial saber que o esporte vai “além da chance de medalha.”

Thiem e a nova geração

Outro momento que vale destaque foi a resposta de Rafael Nadal, questionado por uma jornalista alemã sobre Dominic Thiem. O espanhol elogiou o jovem austríaco, disse que é um dos melhores nomes da geração e afirmou que esta geração atual, que surge com nomes como Thiem, Zverev e Fritz, é a que provavelmente vai causar a mudança de gerações da qual se fala na ATP há anos. Nadal lembrou, inclusive, que o assunto é recorrente há algum tempo, mas que o circuito continua dominado pelo mesmo grupo de antes.

Correção

Alterei um trecho do primeiro parágrafo nesta terça. O texto dizia “quadra provisória” e dava a entender que tudo era temporário. Na verdade, a quadra de saibro é permanente. As arquibancadas e toda estrutura montada para o Rio Open é que são temporários.


Brasil x Croácia, dia 1: um atípico dia previsível
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Alexandre Cossenza

Todo tipo de coisas estranhas pode acontecer em confrontos de Copa Davis, já diz o clichê. Pois foi tudo que não aconteceu o primeiro dia de Brasil x Croácia, duelo válido pelo playoff do Grupo Mundial, em Florianópolis. Primeiro, Thomaz Bellucci derrotou Mate Delic, #499. Em seguida, Borna Coric, #33, derrotava Feijão com folga quando a (também esperada) chuva forçou a interrupção da partida.

De inesperado mesmo, apenas o trabalho que o número 1 do Brasil encontrou quando Delic, o azarão, controlou seus erros e ofereceu alguma resistência. O croata venceu o terceiro set e esteve uma quebra à frente no quarto quando Bellucci finalmente se fez superior e definiu o jogo: 6/1, 6/4, 3/6 e 6/4. Mesmo com um pouco mais de drama do que o esperado, Brasil 1 x 0 Croácia.

Em seguida, foi a vez de Feijão, vindo de oito derrotas seguidas, tentar a sorte contra o número 1 croata. A partida foi até equilbrada, mas Coric conseguiu uma decisiva quebra no nono game do primeiro set e venceu um duro tie-break no segundo. Depois disso, o cenário mais provável seria um triunfo sem sobressaltos do jovem de 18 anos, mas o céu fechou, e o jogo foi paralisado por falta de luz natural pouco antes das 16h.

Alguns minutos depois, o árbitro decidiu que a partida continuaria, mas foi aí que a chuva, que se insinuava desde a manhã, veio com força e alagou a quadra (especialmente a metade que ficou desprotegida – sem lona – durante mais de uma hora). Sem holofotes, a continuação foi adiada para as 10h de sábado, com o placar registrando 6/4, 7/6(5) e 4/1 a favor de Coric.

Se o “previsível” continuar neste sábado, Coric completa sua vitória neste sábado e, em seguida, Marcelo Melo e Bruno Soares marcam o segundo ponto brasileiro em cima e Ivan Dodig e Franko Skugor. De qualquer maneira, o domingo promete um jogaço com o confronto ainda indefinido entre Bellucci e Coric.

Coisas que eu acho que acho

Bellucci esteve longe de seu melhor tênis e mostrou-se consciente disso na coletiva. Aos jornalistas, disse que o mais importante foi manter a cabeça no lugar e não perder-se de vez, especialmente quando esteve atrás no quarto set. Parece uma avaliação bem equilibrada do que aconteceu. Sobre Coric, vale ressaltar que o croata lidou muito bem com o barulho da torcida, que, sejamos sinceros, não foi lá tão agressiva. O adolescente até deu uma provocada a galera quando venceu o segundo set. Resta saber se ele continuará levando a torcida contra numa boa mesmo em uma partida mais equilibrada e, quem sabe, atrás no placar. Será?

A desorganização

A organização do confronto, por sua vez, deixou muito a desejar. A começar pelo funcionário do Costão do Santinho que tentava obrigar motoristas (eu inclusive) a deixarem seus carros em um estacionamento pago perto do resort. Além disso, a situação era confusa para quem precisava trocar vouchers por ingressos. Os guichês, que abririam às 8h, só começaram a funcionar às 9h45min. Com o confronto começando às 10h, não surpreende que a arena estivesse quase vazia quando Bellucci e Delic disputaram o primeiro ponto. E houve também quem reclamasse que os food trucks (boa ideia, só que mal executada) não aceitavam cartões de débito ou crédito.

Para a imprensa, a situação não foi muito melhor. Não havia área demarcada na quadra para jornalistas (bancada com tomada para laptops, então, nem em sonho). Parece bobagem, mas um copo de cerveja voou e molhou um jornalista da ITF – eu estava do lado e “ganhei” alguns pingos (imaginem se cai no computador de alguém). Também não houve transmissão da partida na sala de imprensa (até o terceiro set de Feijão x Coric), e o wifi funcionava muito mal. Ah, sim: banheiros químicos sem lixeiras ou pias eram a única opção. É, seguramente, o confronto de Davis com a pior infraestrutura que vi (este é o oitavo duelo que vejo in loco).


O maior dos testes
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Alexandre Cossenza

Primeiro, o calor. Muito calor, até que a organização do Australian Open decidiu colocar em prática sua “política contra calor extremo”. Todas partidas externas foram suspensas ao fim dos respectivos sets, enquanto Maria Sharapova e Karin Knapp lutavam sob o sol em um terceiro set longo, sem tie-break. Melhor para a russa, que resistiu bravamente, ainda que jogando mal, e venceu. Como já venceu dezenas de partidas jogando mal, impulsionada por seu espírito competitivo.

Depois, a quadra coberta. Jo-Wilfried Tsonga e Thomaz Bellucci precisaram se adaptar rapidamente às condições indoor, já que a Hisense Arena teve sua cobertura fechada após a primeira parcial. A mudança foi boa para o francês, que prefere jogar assim. Não que fizesse muita diferença. Ao fim do segundo set, o brasileiro já estava esgotado. Apelou para o saque-e-voleio e conseguiu, ao menos, chegar ao fim do duelo sem precisar abandonar a quadra.

No fim da tarde, veio a chuva. Quando a organização começava a reiniciar a programação, já com condições de jogo suportáveis, o céu de Melbourne fechou. Raios, pingos, e mais atraso. Juan Martín del Potro e Roberto Bautista Agut já estavam na Quadra 2 quando veio aquele raio do vídeo (no alto do post). Voltaram, então, para os vestiários. Quando a partida começou, o espanhol jogou com coragem, assumindo riscos, e com uma precisão assustadora. O resultado foi a primeira eliminação de um top 5 na chave masculina.

No fim das contas, foi o dia mais animado do Australian Open até agora. Até porque todo o atraso fez com que alguns jogos terminassem depois da meia-noite, incluindo o duelo entre a promessa australiana Nicky Kyrgios, de 18 anos, e o francês Benoit Paire, que venceu de virada, em cinco sets. E Kyrgios, exausto mas festejado pelo público, ficou em quadra até o fim, mesmo sem condições de equilibrar a partida. As comparações com Bernard Tomic foram inevitáveis.

Resumo da história? Quando o tênis sai do padrão e os atletas precisam sair de sua zona de conforto, a competição torna-se muito mais atraente. Por isso que Grand Slams são o que são, diferentes do resto. Ao longo de duas semanas, os tenistas precisam estar prontos para superar calor, frio, vento, quadras em condições diferentes, longas esperas no vestiário e, claro, sete adversários diferentes. Os Slams são e sempre foram o maior dos testes do tênis.

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Sem ir na toalha, até porque vocês, leitores, estão no ar condicionado (seção de itens para ler em até 20 segundos):

– Foram seguidos de calor e só nesta quinta, o terceiro dia de altas temperaturas, o Australian Open colocou em prática sua “política contra calor extremo”. Isso porque o torneio usa como medida não a temperatura medida em termômetros, mas a temperatura de bulbo úmido, que leva em consideração a temperatura do ar, a pressão atmosférica e a umidade relativa do ar. Com pouca umidade, caso de terça e quarta-feira, a temperatura de bulbo úmido não chegou a um patamar em que o torneio considerasse necessário interromper a programação.

– Em sua entrevista coletiva, Maria Sharapova reclamou do torneio por não ser informada sobre a regra que determina o fechamento do teto retrátil. Disse que perguntou a um(a) fisioterapeuta da WTA, que não sabia a resposta. Federer, indagado sobre o mesmo tema, foi, digamos, mais prático: “Se eu quiser saber, a sala do árbitro é bem ali, eu vou e pergunto. Por isso, cabe a mim ir lá e descobrir”.

Coisas que eu acho que acho:

– Não é uma decisão fácil interromper a rodada de um Slam por causa de calor. Afinal, até que ponto o calor é tolerável e a partir de onde começa a colocar em risco a saúde dos atletas? Suspender partidas em um dia quente, mas tolerável, não seria dar vantagem a tenistas menos preparados fisicamente? É um complicado balanço entre mérito esportivo (o condicionamento faz parte do pacote) e a integridade  física de quem está competindo. Vale lembrar, claro, que todos atletas sabem que o Australian Open é disputado no verão e que, eventualmente, será preciso jogar sob altas temperaturas. Cabe a cada um se preparar devidamente. Não parece muito inteligente, por exemplo, treinar em uma quadra indoor no inverno europeu antes de ir até Melbourne e reclamar do calor.

– O debate sobre se o torneio acertou ou não nestes três dias nunca vai acabar (eu achei correta a postura, mas é só minha opinião). A grande falha no regulamento, ao meu ver, foi exposta quando Sharapova e Knapp seguiram em quadra, disputando um set longo (sem tie-break), enquanto todas outras partidas eram interrompidas. Não seria o caso de mudar a regra e estabelecer uma suspensão com o placar em 6/6, por exemplo?


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