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Quadra 18: S02E14
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Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?


O cartão de visitas de Orlandinho
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Alexandre Cossenza

Orlandinho_SP_JoaoPires_blog

Até duas semanas atrás, o principal juvenil brasileiro tinha no currículo apenas uma participação em torneios da série Challenger. Foi em 2013, em Porto Alegre, onde venceu dois jogos, mas não conseguiu furar o qualifying. Logo, quando Orlandinho aceitou o wild card para jogar em Santos criou-se uma bela expectativa para ver o que, dessa vez, a maior promessa brasileira teria a mostrar em um torneio desse nível. Era a hora de apresentar metaforicamente seu cartão de visitas.

O resultado foi agradavelmente surpreendente, e o gaúcho de 17 anos saiu da cidade com uma inédita semifinal. E se contou com uma pitada de sorte no torneio (enfrentou o colega de juvenil Marcelo Zormann nas oitavas e ganhou por desistência nas quartas), não teve o mesmo na semana seguinte, quando alcançou as quartas em São Paulo – outro torneio com premiação de US$ 50 mil.

Só que mais do que os pontos somados (44), o dinheiro da premiação (US$ 3.970) ou as posições conquistadas no ranking (saltou do 964º posto para o 543º), Orlandinho mostrou um jogo bacana de ver e, ainda mais do que isso, personalidade. Com um tênis agressivo, misturando bons saques, uma direita perigosíssima e curtinhas corajosas, o gaúcho não se mostrou intimidado pelo mundo profissional (até em Futures sua experiência é modesta) ou por fazer partidas em horário nobre.

Em São Paulo, a capital brasileira do tênis, Orlandinho venceu uma partida depois de salvar match point (contra o francês Alex Musialek, 284 do mundo) e, na rodada seguinte, depois de uma partida longa e sem muito tempo para descanso, repetiu a dose salvando match points e forçando o argentino Guido Pella (159 do mundo) a jogar um terceiro set que só acabou no 12º game. Não é pouco, considerando que o “hermano” acabou com o título de campeão do torneio.

Orlandinho também deu declarações interessantes. Ao mesmo tempo em que se disse preparado para jogar torneios deste nível e “no nível desses caras” (Challengers ainda são um tanto superiores a seu ranking), o adolescente afirmou que “as pessoas acham que eu vou disparar no ranking do nada, mas ainda tenho que treinar bastante para evoluir.” Nada mau para quem ainda jogará torneios juvenis. Seus próximos quatro eventos serão na Europa. O último deles será Roland Garros, onde, aceitando ou não a pressão, Orlandinho estará entre os favoritos.

Orlandinho_Santos_JoaoPires_blog

Coisas que eu acho que acho:

– O otimismo em relação a Orlandinho rendeu até títulos do tipo “Orlandinho supera Guga”. Embora seja compreensível vindo da assessoria do torneio (cuja tarefa é mesmo chamar atenção para o evento), é algo que precisa ser avaliado antes de ser reproduzido ao grande público. Orlandinho, sim, venceu seu primeiro jogo em um Challenger com menos idade do que Gustavo Kuerten. Vale, contudo, lembrar que sucesso como juvenil é apenas um dos parâmetros que servem para indicar o potencial de um garoto. José Nilton Dalcim fez um ótimo texto colocando tudo em seu devido lugar. É leitura obrigatória.

– Gostaria de ter publicado este texto um pouco mais cedo, mas não vem sendo possível postar tudo que quero e, principalmente, quando quero. Ainda assim, a ideia é deixar aqui os registros do que penso, imediatamente depois dos fatos ou não.


O gatilho salarial de uma ATP “holística”
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Alexandre Cossenza

Clezar_CHFinals_Zambrana_blog

Demorou, mas veio. E não é muito, mas é alguma coisa. Depois de anunciar um aumento na premiação dos Masters 1.000 e ATPs 250 e depois também de ver a ITF planejar mais dinheiro nos Futures e torneios torneios “de entrada” no circuito, a ATP finalmente garantiu um pagamento melhor nos torneios mais básicos da série Challenger. Até 2017, todos Challengers de premiação mínima (atualmente, US$ 40 mil mais hospedagem) ganharão reajuste de US$ 10 mil e subirão para US$ 50 mil, com hospedagem incluída a todos jogadores da chave principal.

Como os torneios terão dois anos para fazer o ajuste na premiação, a ATP também prometeu compensar de seu próprio bolso, já a partir de 2015, a diferença. Ou seja, os torneios que teriam premiação de US$ 40 mil passarão a pagar US$ 50 mil, com esses US$ 10 mil a mais saindo diretamente dos cofres da entidade.

No comunicado de anúncio, a ATP se orgulha de estar garantindo um aumento de 100% em um período de dez anos. Em 2007, a premiação mínima era de US$ 25 mil. Em 2017, será de US$ 50 mil. Considerando a inflação acumulada e o aumento em certos gastos, a medida me parece mais um gatilho salarial (obrigado, Plano Cruzado) do que um bônus no poder de compra dos atletas.

Ainda assim, o anúncio mostra um certo interesse da ATP com a base do tênis mundial, o que é sempre bom. Até porque o comunicado diz ainda que a entidade está de olho em “calendário, serviços médicos e desenvolvimento de jogadores” e vai fornecer árbitros, fisioterapeutas e equipes de relacionamento de jogadores adicionais a um número de torneios.

“Precisamos ter os Challengers certos nas semanas certas, reduzindo os gastos com viagens e melhorando serviços médicos, educação, arbitragem e marketing nesses eventos. Estamos adotando uma postura holística porque buscamos fazer com que o tempo gasto pelos jogadores no nível Challenger seja mais sustentável”, disse o chefão da ATP, Chris Kermode.

No discurso, é bonito – e eu “adoro” quando um chefão corporativo usa “holístico” num discurso. Resta ver se os tenistas vão ver, na prática, essas melhorias todas. Fiquemos de olho.


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