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Quadra 18: S03E02
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou a vencer um slam em cima de Rafael Nadal, Serena Williams voltou a derrotar a irmã Venus em uma decisão, e o tênis viveu um fim de semana dos mais memoráveis no Australian Open. Mas houve muito mais do que isso nas duas semanas do torneio. Djokovic, Murray e Kerber foram vítimas de zebras, Coco Vandeweghe finalmente surgiu como nome forte em um torneio grande, Mirjana Lucic-Baroni protagonizou a história mais feliz… É muito assunto!

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu nos reunimos para gravar mais uma edição do podcast Quadra 18. Comentamos tudo citado acima e um pouco mais. Falamos dos modelitos bonitos e feios, do noivo de Serena e até do poema de Melbourne! Para ouvir, basta clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique no link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’30” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’30” – Roger Federer e a campanha até o título
9’15” – A decisão de Federer de abrir mão do 2º semestre de 2016
10’50” – O suíço se defendeu melhor neste Australian Open?
13’55” – O que faltou para Nadal na hora decisiva?
16’45” – O que a final significa para a rivalidade Federer x Nadal?
18’10” – O quão importante é a disputa por mais títulos de slam?
21’20” – Teremos mais finais “vintage” este ano ou foi uma exceção?
22’21” – Qual a importância de Ljubicic e Moyá no “retorno” de Federer e Nadal?
25’45” – Federer e Nadal vão continuar lutando por títulos de slams e Masters?
27’30” – Federer vai pular a temporada de saibro novamente?
29’35” – Nadal já pode ser considerado favorito para Roland Garros?
30’15” – Federer e Nadal teriam feito a final sem as derrotas de Djokovic e Murray?
31’04” – As zebras de Istomin e Zverev em cima de Djokovic e Murray
35’30” – Que zebras em outros slams são comparáveis a essas?
37’33” – O desfecho do AO será motivação extra para Djokovic e Murray?
38’40” – Dimitrov pode entrar na briga pelos slams?
41’18” – As surpresas e decepções do Australian Open
45’40” – O quanto a quadra mais rápida ajudou Federer no torneio?
47’51” – Quadras mais rápidas serão tendência no circuito?
49’48” – The Greatest (Sia)
50’34” – As campanhas das irmãs Williams
57’50” – Por que 18 > 23 na matemática tenística?
59’25” – O quanto o recorde de slams da Court deve ser relevante para Serena?
63’17” – E a campanha da Nike sobre Serena como maior de todos os tempos?
64’32” – Precisamos falar de Coco Vandeweghe
70’50” – A fantástica história de Mirjana Lucic-Baroni
73’25” – O que acontece com Angelique Kerber?
76’18” – Muguruza é tenista de um slam só?
77’48” – O noivo de Serena Williams e o Reddit
79’57” – High and Low (Two Vines)
80’30” – A campanha de Kontinen e Peers, campeões de duplas
84’35” – Qual o segredo de Kontinen e Peers?
85’45” – Os Bryans vão voltar a ganhar um slam?
87’05” – As campanhas dos brasileiros em Melbourne
89’35” – Marcelo Melo acertou na escolha de Kubot como parceiro?
92’45” – A campanha de André Sá e Leander Paes
94’25” – Como o título de Kontinen e Peers afeta a briga pela liderança do ranking
95’45” – Qual foi o GIF mais épico da Aliny no Australian Open?
97’40” – Mais reclamações sobre a camisa de Roger Federer
103’20”- O poema de Melbourne é eficaz ou contraproducente?


AO, dia 11: uma decisão em família e cinco sets suíços
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Alexandre Cossenza

O Australian Open retrô de 2017 continua com força total. Primeiro, Venus, 36 anos. Em seguida, Serena, 35. Por último, Federer, 35. Os três venceram nesta quinta-feira, nas semifinais, e estarão nas finais de sábado e domingo. O resumaço do dia conta como isso aconteceu, menciona números, idas ao banheiro e lembra também que os irmãos Bryan, 38, também jogarão pelo título em Melbourne.

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As irmãs

Dezenove anos depois de seu primeiro confronto no circuito – também em Melbourne – Venus e Serena Williams vão duelar pela 28ª vez na final de sábado. Suas semifinais foram vencidas de modo bem diferente.

Primeiro, Venus teve de lidar com a potência de Coco Vandeweghe, que fez um primeiro set competente e saiu na frente no placar. A jovem de 25 anos tinha peso nos golpes para agredir a veterana, mas não conseguiu nem manter o nível da primeira parcial nem encontrar uma maneira de se aproveitar da movimentação lateral de Venus, que não é das melhores (36 anos, 1,85m de altura).

Coco usou poucos ângulos e, quando o fez, se deu mal. Afinal, ela também não é a tenista mais rápida do circuito. Defender não é seu forte. Logo, ficou sem opções produtivas. Venus virou, fechou em 6/7(3), 6/2 e 6/3, e se tornou a finalista mais velha do Australian Open na Era Aberta (a partir de 1968).

O segundo jogo desta quinta-feira foi a semifinal mais velha da Era Aberta, e não foi nada equilibrada. Serena Williams (35 anos e 4 meses) dominou e acabou transformando em abóbora a carruagem do conto de fadas de Mirjana Lucic-Baroni (34 anos, 10 meses): 6/2 e 6/1. Foi mais uma das partidas dominantes de Serena, que não navegava pela chave de um Slam dessa maneira desde pelo menos 2015.

No duelo com a irmã mais velha, Serena terá a chance de retomar a liderança do ranking e de deixar para trás Steffi Graf, tornando-se de forma isolada a maior vencedora de Slams em simples na Era Aberta. Hoje, ambas têm 22 títulos. O recorde geral ainda é de Margaret Court, com 24.

Os cinco sets suíços

Na chave masculina, a primeira semifinal correspondeu às expectativas. Teve drama, pontos espetaculares, duas atendimentos médicos um tanto malandros e cinco sets. Não dava para pedir mais. No fim, Federer, 35 anos, conquistou a vaga na decisão por 7/5, 6/3, 1/6, 4/6 e 6/3 e com um quinto set mais tenso do que o placar sugere.

Quanto à história do jogo, o cabeça 17 fez dois sets quase perfeitos, atacando e variando, sem deixar Wawrinka confortável em momento algum. Irritado, Stan quebrou uma raquete e pediu atendimento médico ao fim da segunda parcial. Voltou mais solto e se aproveitando de um Federer não tão sólido. Atropelou e aproveitou e manteve o embalo no quarto set. Bateu ainda mais forte na bola, fez passadas de direita e esquerda – inclusive de slice – e conseguiu uma quebra no nono game para forçar um dramático quinto set.

Aí foi a vez de Federer receber atendimento no banheiro e deixar o jogo parado por oito minutos. Após a partida, o próprio Roger admitiria a malandragem ao dizer “eu nunca peço tempos médicos, o Stan já pediu o dele, as pessoas não vão ficar bravas. Espero que o Stan não fique bravo. Foi na troca set, você espera que algo funcione”, para risos do público e de Jim Courier, o entrevistador.

A paralisação não mudou muito a partida. Wawrinka continuava levando a melhor quando conseguia iniciar ralis do fundo de quadra. E, no fim das contas, o duelo foi decidido no velho clichê das “chances aproveitadas”. Stan teve dois break points em games diferentes. Não conseguiu converter. Federer teve apenas uma chance de quebra. Nem precisou jogar. Contou com uma dupla falta. Crime sem direito a liberdade condicional. Game, set, match, Federer.

Três sets para Federer x Nadal

A segunda semifinal masculina será nesta sexta-feira, e o oponente de Federer será Grigor Dimitrov ou Rafael Nadal. A essa altura, a expectativa mundial é por um triunfo de Nadal e mais uma partida memorável entre suíço e espanhol na decisão. Se acontecer, será o quarto jogo entre eles em Melbourne. Há muitos números e fatores incontáveis a considerar em um eventual clássico “Fedal”, mas convém mencionar isso em um post futuro – caso Nadal confirme o favoritismo.

Final retrô também nas duplas

Bob e Mike Bryan, 38 anos, estão de volta a uma final de Slam. Eles não levantam um troféu nesse nível desde 2014, o que soa como um jejum enorme para os gêmeos americanos. A vaga veio com uma vitória sobre Pablo Carreño Busta e Guillermo García López por 7/6(1) e 6/3.

Os Bryans tentarão seu 17º título, o que os igualaria a John Newcombe, maior vencedor de Slams em duplas. A final será contra John Peers e Henri Kontinen, que derrubaram os wild cards Marc Polmans e Andrew Whittington por 6/4 e 6/4.


Muguruza, uma campeã mais Serena do que a própria Serena
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Alexandre Cossenza

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Posição firme na linha de base, empurrando consistentemente a adversária para trás. Saques precisos em break points. Coragem para agredir e arriscar em momentos delicados. Precisão, potência e profundidade. Três linhas que costumam definir Serena Williams, mas que hoje servem para descrever Garbiñe Muguruza, nova campeã de Roland Garros.

A espanhola de 22 anos fez uma final espetacular, sufocando e encurralando a número 1 do mundo justamente no estilo de jogo que a americana prefere. Neste sábado, Garbiñe Muguruza foi mais Serena Williams do que a própria Serena Williams. Confirmou o que todos viram ao longo de duas semanas. Foi ela que mostrou o melhor nível de tênis desde os primeiros dias deste Roland Garros.

A final

A número 1, que entrou em quadra com uma lesão no adutor (e jamais culpou a lesão pela derrota), até teve suas chances no set inicial. Muguruza quase sempre encontrou respostas. Tanto no quarto game, quando salvou dois break points, quanto no sexto, saindo de um 0/30. Por fim, no 12º, saiu de 15/40 para confirmar o saque e fechar a parcial.

Tudo ficou ainda mais claro quando Muguruza abriu a segunda parcial quebrando o serviço de Serena. A escalada seria dura para a americana, que até devolveu a quebra em seguida, mas perdeu o saque outra vez no terceiro game. Tanto quanto no mérito técnico, a espanhola foi louvável ao manter seu plano de jogo e não aliviar em momento algum. Não teve medo, não tirou o braço, não esperou erros da oponente. Manteve a pressão, impedindo que a americana estabelecesse uma posição mais perto da linha de base.

Muguruza tampouco titubeou quando teve o saque para fechar o jogo. Nem depois de perder quatro match points no saque de Serena. Ganhou quatro pontos seguidos, inclusive com um golpe de vista lamentável de Serena, que tinha a corda no pescoço. Jeu, set et match, Muguruza: 7/5, 6/4.

Uma marca inédita para Serena

Pela primeira vez na carreira, Serena Williams perdeu duas finais de Slam consecutivas, já que vinha de derrota também no Australian Open. Atual campeã de Wimbledon e líder folgada do ranking, a americana pode obter o raro feito de ocupar o topo do ranking sem ter um título de Slam na sua somatória caso não repita a conquista em Londres.

Serena agora soma vices em todos os quatro Slams. Além dos dois reveses deste ano, a americana perdeu finais no US Open em 2001 e 2011 e em Wimbledon nos anos de 2004 e 2008.

Os recordes que não vieram

Fosse campeã, Serena igualaria a marca de Steffi Graf, recordista de títulos em torneios do Grand Slam na Era Aberta (a partir de 1968) do tênis, com 22. O recorde geral é da australiana Margaret Court, que levantou 24 troféus. Serena também se tornaria a mais velha campeã da história de Roland Garros. A honra é da húngara Zsuzsi Kormoczy, campeã com 33 anos e 279 dias em 1958.

O ranking

Após a final deste domingo, o top 10 feminino ficou assim:

1. Serena Williams
2. Garbiñe Muguruza
3. Agnieszka Radwanska
4. Angelique Kerber
5. Simona Halep
6. Victoria Azarenka
7. Roberta Vinci
8. Belinda Bencic
9. Venus Williams
10. Timea Bacsinszky

A homenagem

Amélie Mauresmo foi homenageada pouco antes da partida. A cerimônia foi para lembrar sua entrada no Hall da Fama Internacional do Tênis e contou com vários nomes gigantes do tênis. Estavam na Chatrier Rod Laver, Billie Jean King, Yannick Noah, Guillermo Vilas e Guga, entre outros.

O bolão impromptu do dia

A pergunta era: quem será a campeã e quantos games terá a final?

Os campeões de duplas

Pelo segundo ano seguido, Bob e Mike Bryan foram vice-campeões de Roland Garros. O título, desta vez, ficou com os espanhóis Feliciano e Marc López, que venceram a final deste sábado por 6/4, 6/7(6) e 6/3.

O resultado impediu que Bob Bryan voltasse à liderança do ranking e colocou o francês Nicolas Mahut no topo da lista. Marcelo Melo, que perde a liderança, cai para o oitavo posto, logo à frente de Bruno Soares, que é o nono.

Melhores lances

Não foi exatamente um lance espetacular, mas reflete o que aconteceu em boa parte do jogo. Garbiñe Muguruza mais perto da linha de base, empurrando Serena Williams para trás e ditando o ponto. Neste caso específico, a espanhola abriu a quadra, se aproveitando da movimentação não tão boa da número 1 do mundo, e matou o ponto com a quadra aberta.


Quadra 18: S02E06
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Alexandre Cossenza

O podcast Quadra 18 completa um ano de vida e traz um episódio especial e descontraído, cheio de participações especiais. Marcelo Melo, Fernando Meligeni, Sylvio Bastos, Fernando Nardini, Mário Sérgio Cruz, João Victor Araripe enviaram perguntas para os apresentadores. Os ouvintes Anelise Stampfer, Carol Tan e Johnny Garbin também fizeram participações especiais.

É claro que o Quadra 18 não deixou de falar dos resultados da semana. Comentamos o título de Rafael Nadal em Monte Carlo, a derrota precoce de Novak Djokovic, as boas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo, e também registramos os resultados da Fed Cup e a semi de Paula Gonçalves em Bogotá.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar para ouvir mais tarde, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura.
0’30” – Trio lembra do aniversário de 1 ano do podcast.
1’50” – Johnny Garbin pergunta: “O que foi surpreendente e vocês aprenderam nesse ano de podcast?”
5’25” – Carol Tan pergunta: “Se vocês pudessem cobrir só um torneio in loco durante o ano, qual seria?”
7’50” – Sylvio Bastos pergunta: “Quanto tempo a gente vai levar para que as pessoas que gostam de tênis no Brasil tenham mais noção do que é o tênis?”
13’42” – João Victor Araripe pergunta: “Qual o momento mais vergonha alheia que vocês já passaram num torneio de tênis?”
14’25” – Aliny conta caso sobre “surdos” no Rio Open.
15’35” – Sheila lembra de histórias envolvendo Bellucci e Fognini.
17’40” – Cossenza fala de caso sobre João Sousa e João Victor.
19’55” – Anelise Stampfer pergunta: “O que é pior: dar uma verdascada, uma goffinhada ou uma cagada kohlschreiberiana?”
22’25” – Sheila lembra de traumas com “djokovicadas” anos atrás.
23’30” – Fernando Meligeni diz: “Digam um cara bom e outro cara não tão bom para o tênis brasileiro!”
24’55” – Sheila responde.
24’56” – Cossenza tem acesso de riso.
27’25” – Mário Sérgio pergunta: “Como vocês acham que vai ser a despedida de Roger Federer?”
31’50” – “Para quem vocês estão torcendo para ganhar medalhas nas Olimpíadas?”
37’00” – “O que vocês acham da campanha #NextGen da ATP?”
40’40” – Fernando Nardini pergunta para Aliny: “Qual é seu duplista preferido?”
42’00” – Marcelo Melo envia duas perguntas para Aliny. Uma delas é “Qual duplista você levaria para uma ilha deserta?”
44’25” – Música de aniversário.
44’55” – A derrota de Novak Djokovic em Monte Carlo.
45’55” – A chave deliciosa de Gael Monfils.
46’50” – Nadal voltou?
49’30” – Cotações para Roland Garros nas casas de apostas.
51’15” – Monfils já entra na lista de favoritos para RG?
54’50” – Aliny fala de Herbert e Mahut, campeões em IW, Miami e MC.
55’30” – As ótimas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo.
58’50” – Resultados de Charleston e Bogotá.
59’20” – A subida de Paula Gonçalves e a queda de Teliana Pereira.
62’10” – Os resultados da Fed Cup, com a República Tcheca em outra final.
66’20” – André Sá toca guitarra com os irmãos Bryan


Quadra 18: S01E19
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic completou uma temporada espetacular com mais um título e mais uma vitória sobre Roger Federer. No embalo do ATP Finals, o podcast Quadra 18 está de volta com mais um episódio cheio de informações. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu comentamos os oito melhores simplistas, o Finals de duplas e as notícias mais quentes como a ameaça terrorista na Bélgica, onde será disputada a final da Copa Davis, e a exclusão dos pontos do torneio olímpico de tênis.

Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir fazer o download do episódio, clique neste link com o botão direito do mouse e, depois, em “salvar como”.

Ah, sim: também falamos sobre a final da Fed Cup, os planos da ATP de realizar uma espécie de ATP Finals Sub-21 e a volta de Carlos Bernardes às partidas de Rafael Nadal em 2016.

Os temas

0’00 – Higher (Sigma feat. Labrinth)
0’41’’ – SURPRESA! Djokovic venceu o Finals.
1’44’’ – “Não pode ter feito 15 finais seguidas. Alguém errou a conta”
2’25’’ – Os jogos contra Federer: o que mudou de um para o outro
5’50’’ – Frases distorcidas em coletivas
6’48’’ – O efeito Djokovic: forehands, riscos e o jogo tático em Djokovic x Federer
11’02’’ – O 2015 de Federer foi melhor que o seu 2014?
12’49’’ – Murray travando contra os tops
15’00’’ – Murray ou Wawrinka?
16’52’’ – “O Stan é muito humano, né?”
20’30’’ – Os “outros” do ATP Finals
21’50’’ – Pergunta: “O que é preciso para bater Djokovic?” Respostas: “bigorna do Coyote”, “seja Wawrinka em Paris” e “macumba”.
22’50’’ – Pergunta: “Qual a diferença do domínio de Serena na WTA e o de Djokovic na ATP?”
23’23’’ – Pergunta: “Neste ritmo, em que degrau da história do tênis Djokovic pode chegar?”
25’28’’ – Pergunta: “Federer ano que vem continua como principal adversário de Djokovic?”
25’44’’ – Pergunta: “Qual será a prioridade de Djokovic em 2016: Roland Garros ou Olimpíadas?”
27’37’’ – Pergunta: “Vocês também acham que o melhor do Finals foi o extraquadra? Murray cortando o cabelo e deixando o box vazio, a ex do Stan…”
31’41’’ – Barbagate + comentário: “Federer é meio Tony Ramos, né?”
33’59’’ – Duuuuuuuuuuu-plaaaaaaaaas
34’24’’ – Aliny esperava número 1 título de Rojer/Tecau?
36’18’’ – Parênteses sobre a namorada “peituda” de Robert Lindstedt
37’30’’ – “Falando de beijos e romances…”
37’45’’ – A campanha de Marcelo Melo e Ivan Dodig
39’18’’ – Desabafos contra John Peers
40’34’’ – Bopanna e Mergea surpreenderam?
41’23’’ – Aliny analisa o momento dos Bryans e como isso reflete no circuito
43’02’’ – Críticas sobre a não-transmissão da semifinal
48’40’’ – 22 Acacia Avenue (Iron Maiden)
49’19’’ – Preocupação com a segurança na final da Copa Davis
53’05’’ – Comentários sobre a falta de pontos nos Jogos Rio 2016
58’08’’ – A ideia do ATP Finals sub-21
61’10’’ – Rafa Nadal e Carlos Bernardes, o retorno em 2016
63’00’’ – República Tcheca vence a Fed Cup novamente
63’45’’ – Inédito: Cossenza elogia Sharapova
65’25’’ – England (Edguy)

Créditos musicais

Por causa do ATP Finals em Londres, a trilha sonora tem tema inglês. A faixa de abertura é Higher (Sigma feat. Labrinth). As outras duas faixas são 22 Acacia Avenue (Iron Maiden) e England (Edguy).


O que deveria significar o número 1 de Marcelo Melo
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Alexandre Cossenza

Sou fã assumido de Marcelo Melo. Os leitores deste blog sabem disso, os ouvintes do podcast Quadra 18 sabem, o próprio Marcelo sabe. Não tenho, contudo, ilusões quanto ao que vai significar para o tênis brasileiro ter um número 1 nas duplas. Que ninguém ache que os clubes vão voltar a ter quadras lotadas por isso. Que não esperem grande alarde da imprensa “não especializada”. Não imaginem que a Confederação Brasileira de Tênis terá um plano para aproveitar a imagem de Marcelo. No máximo, darão um prêmio e uma plaquinha naquele evento de fim de ano feito mais para patrocinadores do que para fãs (o que é uma pena).

O cenário mais provável é que o novo ranking de Marcelo, que está na França para a disputa do Masters de Paris, será um distante coadjuvante para a vitória do Corinthians sobre o Atlético Mineiro nos noticiários “esportivos” desta segunda-feira. Não precisa ser gênio para fazer essa previsão. E sejamos sinceros: a enorme maioria dos comentários sobre o grande feito do mineiro de 32 anos provavelmente será rebatida com “mas é só dupla.” Não, Marcelo Melo não será visto por muitos como um exemplo a ser seguido. Mas deveria.

Deveria porque Marcelo fez (e faz!) muito para chegar a número 1 do mundo. Porque nasceu em uma família de tenistas que já tinha dois garotos “paitrocinados” e não lhe sobrou muito dinheiro. Por isso, ia sozinho, ainda adolescente, batendo de porta em porta entregando currículos e pedindo patrocínio. Quando não fazia isso, mandava seu CV por fax(!).

Deveria porque Marcelo teve a coragem de abandonar o sonho de ser um simplista para mergulhar de cabeça no circuito de duplas. E fez isso deixando um excelente centro de treinamento no Rio de Janeiro em uma época em que o Brasil não tinha duplistas de ofício em evidência. Bruno Soares só brilharia dois anos depois, e André Sá iniciava sua ascensão junto com o conterrâneo (até meados de 2006, o duplista número 2 do Brasil era Marcos Daniel).

Deveria porque Marcelo evoluiu enormemente seu jogo. Nos últimos dez anos, com a ajuda do irmão e técnico Daniel, diminuiu seus pontos fracos e foi, pouco a pouco, se aproximando do topo. É humilde desde o início da caminhada e tem como recompensa títulos ao lado de muitos parceiros.

Deveria porque Marcelo acreditou que era possível tirar Bob e Mike Bryan do topo. Os gêmeos foram senhores do circuito durante a maior parte dos últimos 15 anos e lideravam juntos e ininterruptamente o ranking desde o início de 2013. O brasileiro, no entanto, viu a janela da oportunidade se abrir em Roland Garros e lutou para agarrar sua chance. Sonhou, lutou e conseguiu.

Deveria porque Marcelo tem caráter. É fiel aos amigos ao ponto de ir à imprensa para sair em defesa deles. Foi assim na Costa do Sauípe em 2011, quando reclamou de uma manchete sobre Thomaz Bellucci, e em São Paulo, em 2013, quando tentou justificar a convocação de Rogerinho para o confronto de Copa Davis contra a Espanha. Concordando ou não (e eu discordo dos argumentos de Marcelo em ambas ocasiões), é preciso admirar a coragem e a disposição de quem compra brigas em nome de amigos e colegas de time.

Deveria, deveria, deveria… Marcelo Melo, número 1 ou não, foi e é exemplo de muita coisa. Se nem tanta gente percebeu antes, seja pela timidez mineira ou pela falta de interesse na modalidade, que seu novo ranking sirva para abrir os olhos de muitas pessoas. Não há muitos seres humanos como ele por aí.

Número 1 do mundo! Eu que sempre acreditei no sonho de ser tenista profissional, posso dizer que a ficha ainda não caiu. Desde pequeno sempre sonhei em ser profissional, corri atrás dos meus objetivos, cheguei a passar fax por vários dias em busca de patrocínios, fazendo de tudo para realizar meu sonho. Tenho que agradecer todos que me ajudaram, porque seria impossível chegar lá sozinho. Pelo caminho tiveram pessoas que sempre tentaram me ajudar, umas mais outras menos. O que dizer dos meus pais ? Eles que sacrificaram as próprias vidas fazendo de tudo para eu seguir o sonho de ser tenista, não só para mim, mas para os meus irmãos também, um sacrifício que somente eles sabem o que é ter três filhos tenistas em casa. Sebastião Bomfim, uma pessoa que eu não tenho palavras para agradecer o que ele fez por mim, com certeza eu não estaria onde estou sem ele, toda minha família é eternamente grata pelo o que ele fez e faz por mim. O Daniel, vocês já devem imaginar o tanto que eu devo a ele, que muitas vezes deixa a família em BH para ir junto comigo em busca do sonho, ele que acreditou desde o primeiro dia que treinamos, isso há 8 anos atrás. O Ernane como irmão mais velho sempre me fazendo acreditar que eu seria capaz. Meus amigos que ficam horas acompanhando os jogos por pontos online, algumas vezes pegam um avião para assistir um torneio ou até mesmo uma final, como aconteceu em Roland Garros.Muito obrigado ao Chris que sempre faz de tudo para me deixar com o melhor físico possível, aos fisioterapeutas (Daniel, Paulo e Tatá)que me consertam deixando novo em folha. Logicamente agradecer ao meu parceiro Ivan Dodig que me ajudou e muito para chegar lá. Agradeço mais uma vez a todos os torcedores que hoje se alegram em dizer que #somostodosgirafa , sempre ajudando a levar o nome do Brasil para o mundo.

A photo posted by Marcelo Melo (@marcelomelo83) on

Coisas que eu acho que acho:

– Quase todos os casos citados nos parágrafos acima estão relatados no podcast Quadra 18 especial pelo número 1 de Marcelo Melo. São histórias contadas pelo próprio Marcelo, mas também por Bruno Soares, André Sá, Thomaz Bellucci, Márcio Torres, Daniel Melo, Felipe Lemos, Ricardo Acioly e até pelo sr. Paulo Ernane, pai de Marcelo. É um programa especialíssimo que está no ar desde a manhã desta segunda-feira. Ouçam aqui!

– Com a produção e a edição do podcast, sobrou pouco tempo para escrever sobre as finais do fim de semana, então seguem abaixo os registros de Cingapura e da Basileia, acompanhados de breves comentários.

– Sem Serena Williams, o WTA Finals acabou com um emocionante título de Agnieszka Radwanska, que esteve quase eliminada na fase de grupos, mas escapou por pouco e aproveitou a chance que conquistou, coroando um excelente final de temporada, que teve títulos em Tóquio e Tianjin, além de uma semi em Pequim. Em Cingapura, na maior conquista de sua carreira, aproveitou a quadra lenta para fazer valer sua capacidade defensiva e sua variação de jogo. No sábado e no domingo, conseguiu fazer estrago nas cabeças de Garbiñe Muguruza e Petra Kvitova, respectivamente. Sua consistência provou-se um obstáculo formidável para as duas tenistas agressivas.

– No ATP 500 da Basileia, Roger Federer e Rafael Nadal fizeram um duelo digno da longa rivalidade, ainda que longe do altíssimo nível de outros tempos. Neste domingo, os dois oscilaram, mas o suíço, que jogava com tudo a favor (torcida caseira, quadra rápida e arena indoor), levou a melhor em três sets. No balanço geral, foi uma semana irregular para ambos, mas nenhum dos dois deve sair lá muito insatisfeito. Federer faturou o sétimo título na Basileia, enquanto Nadal, em seus altos e baixos, foi longe em um torneio com características que pouco favorecem seu estilo de jogo. Não é mau sinal.

– Bruno Soares e Alexander Peya, pouco depois de anunciarem sua separação, foram campeões na Basileia e se mantiveram vivos na briga pela última vaga para o ATP Finals. Com os 500 pontos conquistados, brasileiro e austríaco agora somam 3.330 e ficam na nona posição, atrás de Rohan Bopanna e Florin Mergea (3.455). A boa notícia é que a matemática é simples: Soares e Peya vão ao Finals se alcançarem as semifinais no Masters 1.000 de Paris. A parte ruim é que a chave é duríssima. A estreia é contra Colin Fleming e Andy Murray. Caso vençam, os dois encaram Marcelo Melo e Ivan Dodig. Se chegarem às quartas, Soares e Peya podem, então, fazer o confronto direto contra Bopanna e Mergea, valendo o lugar em Londres. Não é fácil, mas não é impossível.


Sobre Bruno Soares e o “timing” do número 1 de Marcelo Melo
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Alexandre Cossenza

Tênis, no fundo, no fundo, é como quase tudo na vida. É preciso dedicação, talento e um pouco de sorte. “Estar no lugar certo na hora certa”, já diz o clichê. E é assim que veio o número 1 de Marcelo Melo: em uma temporada brilhante, com um título de Grand Slam, mas também com uma pitadinha de “timing”.

Afinal, o melhor momento na carreira do mineiro veio coincidentemente em uma temporada abaixo da média dos irmãos Bryan, que dominam a modalidade há mais de dez anos e lideram o ranking juntos e de forma ininterrupta desde fevereiro de 2013. Os dois juntos conquistaram pelo menos um Slam por ano desde 2005. Este ano, a sequência acabou. Não seria exagero dizer que Bob e Mike são, em números, a dupla de mais sucesso da história.

E a série pão de queijo continua hoje aqui no blog usando outro brasileiro para ilustrar o quão importante é o “timing”. Bruno Soares, afinal, é o exemplo perfeito. Eu explico. Na quinta-feira, quando Marcelo Melo assegurou a conquista do posto de número 1 do mundo, ele encerraria o ATP de Viena com 7.980 pontos se não tivesse vencido nenhum outro jogo. Pois sabem quanto pontos Soares somou em 2013, sua melhor temporada? Os mesmos 7.980!

Naquele 2013, porém, Bob e Mike Bryan venceram três Slams, cinco Masters 1.000 e ainda foram vice-campeões do ATP Finals. O ranking de fim de ano mostrou os gêmeos americanos com 14.960 pontos. na mesma data, Soares tinha 7.380 – menos da metade – após descartes.

Os confrontos diretos pesaram um bocado nessa diferença em 2013. Naquele ano, foram sete partidas de Bob e Mike contra Bruno e Alex. Brasileiro e austríaco venceram apenas uma, em Valência. Perderam nas semis do ATP Finals, de Roland Garros e de Memphis e nas finais de Paris, Queen’s e Madri.

E nem foi só isso. No US Open, quando escapou dos irmãos Bryan e tinha uma chance melhor de conquistar seu primeiro Slam em duplas-duplas (sem contar mistas), Bruno Soares viu Peya sofrer uma lesão nos últimos pontos da semifinal. O austríaco entrou em quadra para a decisão sem condições de jogo, e a partida foi uma formalidade que acabou com os troféus nas mãos de Paes e Stepanek.

Em 2015, dois anos depois de Soares ser o simbólico “número 1 entre os mortais”, os irmãos Bryan deram sinais de vulnerabilidade e não conseguiram manter o ritmo absurdo das temporadas anteriores. O “timing” para brasileiro e austríaco, entretanto, já havia passado. Os dois viveram um ano nada brilhante. Bons resultados vieram aqui e ali, mas sem a consistência necessária – e desejada. A parceria chegou ao fim, e o mineiro de 33 anos começará 2016 ao lado de Jamie Murray. Que a sorte lhe sorria um pouco mais no ano que vem.

Coisas que eu acho que acho:

– Importante não deixar de citar: se Bob e Mike Bryan não conquistaram um Slam em 2015, Marcelo Melo e Ivan Dodig têm sua parcela de “culpa”. Os dois fizeram um partidaço na final de Roland Garros  e conquistaram o título.

– Nos outros três Slams, os Bryans foram eliminados por Inglot e Mergea (Australian Open, oitavas de final), Bopanna e Mergea (Wimbledon, quartas) e Johnson e Querrey (US Open, primeira rodada).


O número 1 ao alcance de Marcelo Melo
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Alexandre Cossenza

Já são 18 torneios, cinco parceiros diferentes e quatro títulos conquistados. Em 2015, Marcelo Melo jogou com Max Mirnyi, Julian Knowle e Bruno Soares. Com Ivan Dodid, seu parceiro habitual, venceu Acapulco e Roland Garros, Com o sul-africano Raven Klaasen, companheiro das últimas duas semanas, varreu Japão e Xangai. E agora, depois de dois títulos consecutivos, Marcelo Melo se aproxima enormemente do posto de duplista número 1 do mundo. Sim, é verdade.

Foi na quinta-feira que a Aliny Calejon, colega do podcast Quadra 18, alertou para a nada desprezível chance de o mineiro encostar e, talvez, ultrapassar os irmãos Bryan. Segundo as contas dela, Marcelo pode sair de Viena, seu próximo ATP, apenas 190 pontos atrás de Bob e Mike. Os gêmeos americanos, vale lembrar, têm 2.300 pontos a defender no Masters 1.000 de Paris e no ATP Finals, já que venceram ambos no ano passado. Enquanto isso, Marcelo somou “apenas” 800 no torneio londrino em 2014, depois de zerar na França. Ou seja, a chance existe e não é nada, nada pequena.

Em Viena, Melo joga ao lado do polonês Lukasz Kubot em uma chave pequena, mas nada fácil. A estreia será contra os colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah. A curiosidade da semana, contudo, fica por conta de Mike Bryan, que jogará sem o irmão pela primeira vez desde 2002. Seu parceiro no torneio será o também americano Steve Johnson.

O resultado disso é que os dois irmãos podem se separar no ranking. E como todo “pode” deveria vir sempre acompanhado de “ou não”, vale apontar que Mike e Steve Johnson estrearão em Viena contra Jamie Murray e John Peers, vice-campeões de Wimbledon e do US Open. Se escocês e australiano vencerem, manterão os gêmeos juntos no ranking e darão uma forcinha a Marcelo Melo.

Público existe ou se faz?

A nota triste sobre isso é que o SporTV novamente não mostrou uma final de Masters 1.000 envolvendo Marcelo Melo. Já havia acontecido dois anos atrás, quando ele venceu o mesmo torneio, junto com Ivan Dodig. Conversei na época com uma pessoa do canal sobre isso. Ela me respondeu o seguinte: “É dupla e de madrugada. Não tem público.”

Esse raciocínio tem lá sua lógica. Por que gastar e movimentar uma equipe de transmissão na madrugada se a audiência não é tanta assim? Há quem diga, no entanto, que “público se faz.” Quando o canal faz uma cobertura boa e valoriza o produto que tem, a audiência cresce. Um bom exemplo seria o público de NFL, que cresceu bastante no Brasil desde que a ESPN adquiriu os direitos exclusivos e mostra vários jogos por rodada. Parece ser um debate interessante.

A temporada espetacular

Desde o US Open, última vez que postei sobre o circuito masculino, pouca coisa mudou – a não ser pela espantosa derrota de Roger Federer para Albert Ramos-Viñolas na primeira rodada em Xangai. No topo do ranking, Novak Djokovic continua imbatível. Venceu Pequim (500) e Xangai (1.000) de forma absoluta. Foram dez vitórias sem perder sets e apenas dois rivais conseguiram vencer pelo menos quatro games em um set: Tomic e Tsonga, ambos em Xangai.

A sequência, não esqueçamos, incluiu partidas contra David Ferrer, John Isner, David Ferrer, Rafael Nadal e Andy Murray. É assustadora a superioridade do sérvio neste momento. Sua vantagem sobre o escocês, atual número 2 do ranking, já é de mais de oito mil pontos (o equivalente a quatro títulos de Grand Slam). Seus resultados são comparáveis aos da fantástica temporada de 2011. Melhores, talvez? É outro debate interessante.

Há até quem considere a possibilidade de ser a melhor temporada da Era Aberta, mas é um argumento difícil de se fazer. Além de todas as ressalvas costumeiras (momentos, adversários e tecnologias diferentes), é preciso considerar que Rod Laver, lá atrás, venceu os quatro Slams no mesmo ano. Seria, então, a melhor campanha da Era Aberta com três Slams no mesmo ano? Talvez, mas “três Slams no mesmo ano” já é um asterisco que, pelo menos para mim, faz a comparação perder o sentido. Nada disso, no entanto, altera o inegável: é um ano memorável para o sérvio.

O recorde que não foi

Outro tema interessante (desde o último post sobre ATP aqui no Saque e Voleio) foi o recorde de aces quebrado por Ivo Karlovic, que superou o compatriota Goran Ivanisevic durante o ATP de Pequim. Dr. Ivo agora tem 10.247 (considerando que ele não sacará mais nenhum até a publicação deste post) saques indefensáveis na carreira contra 10.237 de Ivanisevic.

Entretanto, a marca de Karlovic, muito divulgada pela ATP (que precisa de assunto nesse período pós-US Open e pré-Finals), também já vem sendo bastante contestada. Não pelos números que existem, que são incontestáveis, mas pelos que nunca foram (nem serão) registrados. Este texto do Tennis Abstract, por exemplo, lembra que são muitas as partidas não contabilizadas de Ivanisevic. Segundo uma estimativa do site, Goran teria algo perto de 12.550 aces – número que dificilmente seria alcançado pelo compatriota.


Quadra 18: S01E11
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Alexandre Cossenza

Teliana Pereira campeã em Florianópolis e nova integrante do top 50; Thomaz Bellucci semifinalista em Gstaad e coladinho no top 30; Rafael Nadal campeão em Hamburgo e jogando bem, com direito a barraco e cãibra na final contra Fabio Fognini; André Sá campeão em Umag; e Bruno Soares analisando sua temporada as seguidas derrotas para os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah. O podcast Quadra 18 está no ar com seu 11º episódio, falando sobre tudo isso.

Sheila Vieira, Aliny Calejon, o convidado especial Felipe Priante e eu também respondemos a perguntas de leitores, e falamos ainda sobre Dominic Thiem, WTT, e planejamos nossa viagem para ver Brasil x Croácia pela Copa Davis em Florianópolis. Clique abaixo para ouvir

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes. Nosso arquivo com todos os programas também está no Tumblr. E para enviar questões, críticas e sugestões, nosso canal preferido é o Twitter – incluam sempre a hashtag #Quadra18 – mas também aceitamos via e-mail e Facebook.

Se preferir, faça o download do arquivo e ouça depois. Para isso, basta clicar no primeiro link acima com o botão direito do mouse e “gravar como”. E divirta-se!

Os temas

Como de costume, segue abaixo a lista de assuntos abordados no programa, com o momento em que falamos sobre cada um dos temas. Quem preferir, pode avançar direto até o trecho que quiser ouvir primeiro.

2’00’’ – O título de Teliana Pereira em Florianópolis
3’40’’ – Priante fala sobre as chances aproveitadas por Teliana
5’00’’ – Cossenza fala sobre os porquês da eficiência de Teliana no saibro
8’00’’ – Aliny lembra que há poucas especialistas em saibro na WTA
9’10’’ – Sheila lembra de seu momento preferido da final
11’15’’ – “O que falta para Teliana chegar longe em um Grand Slam?”
12’05’’ – “O que esperar de Teliana até o fim do ano?”
13’40’’ – Cossenza fala sobre a necessidade de Teliana evoluir em quadras duras
14’50’’ – A chave fraca e as opções da organização do WTA de Florianópolis
23’35’’ – O título de Rafael Nadal em Hamburgo
24’35’’ – Cossenza avalia a final e o desempenho de Nadal durante a semana
26’40’’ – Sheila descreve o barraco entre Nadal e Fognini na final
27’45’’ – Sheila relata as cãibras de Nadal durante a cerimônia de premiação
28’45’’ – “Qual a expectativa de Nadal para o US Open?”
33’15’’ – Sheila fala da importância de Hamburgo para a vaga de Nadal no Finals
33’55’’ – Priante compara Nadal/2015 a Federer/2013
35’25’’ – A semifinal de Thomaz Bellucci em Gstaad
36’10’’ – Cossenza lembra que Bellucci não teve vitórias espetaculares
38’45’’ – Priante ressalta a consistência mostrada por Bellucci recentemente
41’50’’ – “Bellucci pode evoluir e chegar ao top 10?”
45’00’’ – Sheila faz os tradicionais “registros”
47’15’’ – “O que vocês pensam a respeito de Dominic Thiem?”
51’23’’ – Aliny fala do título de André Sá em Umag
53’44’’ – Aliny fala de Roddick e Fish jogando duplas em Atlanta
56’45’’ – A semifinal de Soares e Peya em Hamburgo
57’31’’ – Áudio de Bruno Soares resumindo a temporada da dupla em 2015
62’20’’ – Aliny comenta a falta de sorte de Soares e Peya
64’10’’ – “Lições de vida com Felipe Priante”
66’00’’ – “Qual a chance de Bryans e Zimonjic se aposentarem nesta temporada?”
67’40’’ – A participação de Marcelo Melo no WTT
75’50’’ – Copa Davis em Florianópolis
76’30’’ – “A escolha da cidade ajuda o Brasil contra a Croácia?”
80’10’’ – “Momento agência de viagens”

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “Hang For Days” e “Game Set Match”. As duas últimas fazem parte da audio library do YouTube.


Quadra 18: S01E04
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Alexandre Cossenza

Também conhecido como “Episódio Dinara Safina”, o quarto programa resume de uma forma descontraída o que rolou nos torneios de Roma e Madri. Aliny Calejon, Sheila Viera e eu discutimos por que ninguém gosta de Madri e seu curioso troféu e, ao mesmo tempo, todo mundo adora Roma. Também falamos sobre Djokovic, Murray, Federer, Nadal, duplas, o momento de Bellucci e a desclassificação de Teliana. Ouça abaixo:

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes (este quarto episódio vai estar lá em breve).

Vale lembrar que guardamos sempre um espaço no fim do programa para responder perguntas de leitores. Desta vez, falamos sobre os critérios que definem que duplas podem entrar nas chaves. Também comentamos, de forma divertida, os tenistas incompreendidos que só nós amamos.

Quem quiser participar pode enviar suas questões, críticas e sugestões de preferência via Twitter, incluindo sempre a hashtag #Quadra18.

Os temas

Como é também nosso programa mais longo e nem todos vocês querem ouvir tudo, deixo abaixo em que momento falamos sobre cada tema. Assim, quem preferir pode avançar direto até o trecho que preferir.

3’20’’ – Todas (e muitas) falhas do torneio de Madri
3’45’’ – As modelos espanholas
5’20’’ – As placas publicitárias problemáticas
6’00’’ – O troféu que “nem para vibrador serve”
7’15’’ – Futebol no telão durante partida
7’35’’ – Os camarotes gigantes e vazios
8’35’’ – Kyrgios derrotou Federer
9’00’’ – A decepção de Nadal na final
9’50’’ – Murray mais favorito a Roland Garros do que Federer
12’15’’ – O mais legal do torneio de Roma
13’00’’ – Italianos na Pietrangeli
14’25’’ – Wawrinka pós-divórcio
16’05’’ – O retorno da “Claypova”
16’25’’ – Abandonos recentes de Serena
20’05’’ – Aliny comenta as duplas (ou não)
22’08’’ – Bryans rumando à aposentadoria
24’50’’ – Bom momento de Bellucci
27’00’’ – Djokovic usa balões / méritos táticos do sérvio
29’10’’ – Federer e a evolução tática de seu jogo
32’15’’ – A rolha que quase encerra a carreira de Djokovic
33’30’’ – A desclassificação de Teliana
38’10’’ – Participante entretida com Bruna Surfistinha
38’40’’ – Aliny explica que critérios definem as duplas que entram nos torneios
41’00’’ – Tenistas incompreendido que só nós gostamos
49’25’’ – “Eu gosto do corpo dele”

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “So Bueno” e “Game Set Match”. Ambas fazem parte da audio library do YouTube.


Marcio Torres: médico, técnico e, agora, empresário de Bob e Mike Bryan
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Alexandre Cossenza

MarcioTorres_pessoal_blog

Ele é mineiro, 34 anos, tem bom papo e circula fácil pelos bastidores dos maiores torneios. Formou-se em medicina esportiva, disputou torneios com sucesso moderado (foi número 132 do mundo em duplas) e foi técnico de Bruno Soares até que, meio por acaso, descobriu seu verdadeiro chamado no tênis. Marcio Torres passou de coach a empresário do amigo mineiro. A parceria deu tão certo que o manager passou, pouco depois, a administrar a carreira de Teliana Pereira, número 1 do Brasil. O sucesso chamou atenção internacional, e Torres agora também é quem dá as cartas nos novos contratos dos irmãos Bob e Mike Bryan, a dupla mais vencedora da história do tênis.

Quando sentamos para bater um papo durante o Rio Open, algumas semanas atrás, a ideia era falar sobre o sucesso comercial de Bruno Soares, mas uma coisa levou à outra (o homem é mesmo bom de papo) e a conversa só terminou dois dias depois, na beira da Quadra 1, vendo a partida de Feijão e André Sá contra Pablo Andújar e Oliver Marach. A maior parte da conversa rendeu essa reportagem para a Máquina do Esporte. Aqui no Saque e Voleio, publico a parte em que Torres conta sua transição das quadras para o empresariado e como, enfim, passou a manager da dupla mais importante do mundo.

Quando a gente se conheceu, você era técnico do Bruno e sócio da (fabricante de material esportivo) Solfire. Quando foi o salto definitivo para se tornar empresário?
Você quer ouvir a história toda?

Claro!
Eu conto uma versão resumida. Eu descobri que tenho uma perna maior do que a outra, estava tendo uma dor na bacia muito forte e fiquei um ano e meio parado. Foi quando fiz o MBA e voltei a jogar. Voltei com o ranking protegido, foi uma época que eu joguei com o Thiago Alves. A gente jogou Roland Garros e tal… Aí, depois de seis meses, comecei a sentir dor de novo. Eu parei, meu ranking caiu, teria que fazer fisioterapia e foi na época que o Bruno (Soares) saiu da equipe Centauro (fim de 2011). Eu morava nos Estados Unidos e vinha todos os anos fazer a pré-temporada com o Bruno e o Marcelo (Melo). E o Bruno falou “cara, seu ranking tá caindo, viaja comigo”. Foi uma ideia maluca dele, eu nunca tinha pensado. Eu joguei mais dois Challengers e comecei a viajar como técnico do Bruno no Brasil Open. E ele ganhou com o (Eric) Butorac! Falei “esse negócio é legal. Primeiro torneio oficial, já saí com o título.” Aí comecei a viajar com o Bruno e o Butorac e também com o Jamie Murray. Viajei com ele quase um ano como treinador. Ele jogava duplas com o Andy na época. A gente fez um embolado, eles dividiam as despesas e, para mim, era ótimo. Eu tinha três jogadores de ponta, um salário fixo, porcentagem dos três, então unia o útil ao agradável.

Por que largou, então?
Minha irmã e o marido dela são advogados nos Estados Unidos e eles ajudam os jogadores a fazer imposto de renda lá. A gente fazia isso há cinco anos. Eu estava mais ou menos no business. Chegou uma época que eu tinha mais ou menos 70 clientes jogadores. Muita gente, do mundo inteiro. Nesse ano, que eu estava com o Bruno de coach, foi o ano que ele começou a deslanchar mesmo. Começaram a surgir os patrocínios, e o Bruno falou “cara, me ajuda” e tal. E foi assim, natural. Todo mundo sempre falou que eu tinha jeito para isso. Eu jogava interclubes na Europa muitos anos e todos times eu enchia de amigo meu. O Marcelo jogou na Itália comigo, o Diogo Cruz também…O Grilli foi… Mas eram amigos. Eu ajudava, conseguia contratos para eles e não pedia nada em troca porque eu queria companhia.

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Qual foi o primeiro contrato?
O primeiro contrato foi a Solfire, na verdade. Eu era sócio da empresa. Ela era minha no Brasil e falei com o Bruno “vamos jogar de Solfire e você vira meu sócio no Brasil.” Eu já fazia o imposto de renda dele há muito tempo. Depois, vieram o BMG e a Asics. O primeiro contrato que fiz sozinho foi a Asics, que não é nada mau. Uma marca desse porte acreditou no Bruno desde cedo… Começamos bem. Eu estava como coach, fazendo os dois. No ano seguinte (2013), foi o boom dele. Eu adorava ser coach, ainda adoro e, quando precisar dar uns gritos, eu grito com ele (risos). E aí foi. Depois veio a Teliana e foram surgindo vários contratos. Foi uma transição natural e foi legal.

O Bruno, hoje, tem oito contratos de patrocínio. Mas de um cara que é famoso no país até a dupla mais famosa do mundo é um grande salto. Como foi?
Os Bryans são muito amigos do Bruno, treinam juntos direto. Esporadicamente, a gente vai jantar e tal… Bob mora em Miami há três anos. Como eu moro lá há 15 anos, sempre que ele está lá eu treino com ele. Aí, um dia, acho que o ego dele estava meio machucado, porque o Bruno estava cheio de propaganda na camisa, e ele disse “acho que você devia estar ajudando a gente”. Achei que ele estava de brincadeira. Eles estavam com a empresa deles (Lagardère) há muito tempo. Falei “vocês estão falando sério? É comigo?” Ele disse que sim, então começamos a namorar. Obviamente, não foi um processo não simples porque estavam com várias coisas em andamento. Perguntaram como eu trabalhava, o que eu poderia ver, e a gente começou a fazer algumas coisas. Aí eles decidiram sair da empresa. A Lagardère vai cuidar desses contratos em andamento e, a partir de agora, todos novos negócios são comigo.

E já deu para fechar algum contrato para eles?
Nesse meio tempo, a gente ficou mais próximo, e agora praticamente treino com o Bob sempre que ele está em Miami… A gente janta junto, ele vai lá em casa… Enfim, já estamos íntimos, já fechamos dois contratos, então o negócio está de vento em popa. Um é a Barracuda, que é a maior empresa do mundo de firewall. Eles estão entrando forte no tênis, vão patrocinar Indian Wells. E eu também fiz o contrato do livro que eles estão escrevendo. É bem recente, mas começamos com o pé direito.

E foi uma negociação difícil com a Barracuda?
Estávamos negociando, mas perdi contato com o cara deles. Meu pai estava me levando para o aeroporto, e o cara me liga. Eu falei “estou indo para Londres agora. O contrato é para começar dia 1º de janeiro, mas se você me der um email por escrito que a gente vai fechar, não precisa assinar contrato nem nada, estou confiando em você e te dou a manga (da camisa dos Bryans) do Masters de presente”. No dia seguinte, eu tinha que chegar e mandar fazer as camisas para eles jogarem naquela mesma noite. Cheguei em Londres, já estava confirmado. Peguei as camisas dos Bryans, mandei fazer e eles perderam o primeiro jogo. Trocaram de camisa porque acharam que estava dando azar, aí mandei fazer a preta, que era a camisa de treino, e eles ganharam a porcaria do torneio. Depois, mandamos a camisa assinada e a credencial para os caras (da Barracuda). E, no site da ATP, apareceu a manga. Enfim, não estava no contrato e demos um ATP Finals para os caras de graça (risos). Tinha uma manga vazia, não ia fechar nada de última hora, eu falei com os Bryans, e eles confiaram na minha palavra. Assinamos um contrato de um ano e agora, em fevereiro, eles já querem renovar.

Como é o seu processo de procurar empresas?
Geralmente, nas horas vagas, que são poucas, eu tento mapear as empresas multinacionais que já apoiam os torneios no mundo afora. Tento entrar em contato no Brasil, nos EUA e descobrir os presidentes, vice-presidentes e pessoas de cargo alto que têm a decisão, que gostam de tênis e que vão aos torneios. E são muitos porque tênis é um esporte de uma classe social legal. Tento unir o útil ao agradável. O cara que gosta de tênis, se ele tem a caneta e está assinando, ele tem a tendência de apoiar.

MarcioTorres_pessoal2_blog

Tênis tem essa vantagem…
O tênis, eu acho, é o melhor esporte do mundo para relacionamento. A área VIP aqui (no Rio Open) é de alto nível. Você vai no futebol, no vôlei… Não tem essa qualidade. Quando as empresas entram no tênis, é único. E se eles querem se associar com pessoas de alto nível, é uma plataforma perfeita. E uma coisa que a gente faz com os Bryans, o Bruno e a Teliana é… nos levamos o presidente da Asics em Londres (no ATP Finals), o presidente da Optimum Nutrition também foi… O (Nasser) Mohamad, que é um amigo nosso da Bayard, também foi.

Mas vocês têm alguma parceria com a Bayard?
Não, é um amigo. Se um dia não fechar nada, eu tenho um amigo que gosta de tênis. E todos foram para Londres com credencial. Levamos eles ao vestiário. Para eles e outras pessoas, é uma experiência única. O cara gosta de tênis, senta com a gente no box, toma café da manhã do lado do Nadal e do Federer e almoça do lado de todo mundo. Ainda mais no Masters de Londres, que todo jogo é uma final de Grand Slam. O (Rogério) Melzi, presidente da Estácio, também foi a Londres.

Você está falando de marketing de relacionamento, mas em um âmbito diferente. Não é uma empresa, mas um jogador fazendo isso…
Eu e Bruno tentamos fazer algumas coisas diferentes e entregar a mais. Obviamente, a equipe do Bruno tem preparador físico, fisioterapeuta, a família, mas a gente sempre tem uma credencial extra e tenta coordenar. Por exemplo, o Melzi tinha uma reunião em Londres. Ele foi dois dias antes e curtiu o torneio. Para um fã de tênis, sentar na primeira fila e ver Federer e Wawrinka, um jogo que terminou 7/5 na negra, e depois comer com os caras… Não tem dinheiro que pague. É uma coisa que não se pode comprar. O cara mais rico do mundo, se ele não tiver acesso aos jogadores, não pode ter isso. Ele vai sentar na primeira fila, com ingresso comprado, e vai ficar no sol.

E dá para fazer isso com os Bryans também?
Dá. Tanto que, por exemplo, no caso da Barracuda, eles têm escritório em 36 países. Em alguns países-chave eles gostariam de convidar os clientes. A gente avisa. No US Open, para os Bryans, é um torneio difícil. Tem família, enfim. Mas no Masters de Xangai, onde a Barracuda tem um escritório gigante, dependendo da semana, a gente planeja antecipado e tenta fazer. Nos torneios dos EUA, eles são deuses, podem sempre pedir uma forcinha a mais, igual à gente aqui no Brasil. E assim vai. Tentamos. Poucas pessoas fazem isso. A gente não coloca isso no contrato porque eu não posso garantir, mas sempre damos um jeitinho.

E, talvez, por não estar no contrato, você cativa ainda mais o patrocinador…
E tem uns jogadores que, por exemplo, o Jamie Murray e o Andy Murray são amigos nossos. Em Wimbledon, eles precisam de muitas credenciais. Se a gente tem alguma sobrando, o Bruno dá. Aí em Roland Garros, o Bruno vai ter mais gente eles dão uma. Tem muita troca. E vai assim. Aqui, o Peya deu todas as credenciais dele. O (Philipp) Oswald, o (Oliver) Marach, o Julian Knowle… A gente tem um ciclo de amizades muito grande e vai ajudando um ao outro. É legal.


Um duplo tapa na cara
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Alexandre Cossenza

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Partidas pouco ou nada equilibradas, tenistas abaixo de seu nível costumeiro e uma aguardadíssima final que não existiu. Foi assim o decepcionante torneio de simples do ATP Finals, evento que reúne os oito melhores tenistas da temporada. O título acabou nas mãos de Novak Djokovic, que venceu por WO após a desistência de Roger Federer, que se queixou de dores nas costas um dia depois de derrotar Stan Wawrinka no único jogo realmente interessante da semana. E não deixa de ser um típico encerramento para um torneio chato: a melhor partida serviu para impedir a realização do confronto que todos queriam ver.

Djokovic, é bom que se diga, foi o melhor tenista do começo ao fim do ATP Finals. Venceu sempre com folga e, até quando perdeu um set – na semifinal diante de Kei Nishikori -, faturou os outros dois sem problemas (6/1 e 6/0). Federer, por sua vez, fez uma estupenda fase de grupos, mas aceitou jogar com as porcentagens diante da agressividade de Wawrinka na semi. Diante de tantas bolas profundas, o número 2 do mundo fez a arriscada aposta de agredir menos – inclusive diante do segundo saque do adversário (que terminou com menos de 40% de aproveitamento de primeiro serviço) – e contar com as falhas do oponente. No fim, a estratégia deu certo, mas só porque Wawrinka cometeu erros bobos nos match points.

No domingo, contudo, Federer disse que começou a sentir dores nas costas durante o tie-break final do sábado. Explicou que tentou tratamento, mas nada lhe colocou em condições de competir com Djokovic. O suíço disse que provavelmente estará bem dentro de alguns dias e é de se imaginar que a final da Copa Davis tenha pesado um bocado na opção por não jogar a final em Londres. Dentro de cinco dias, Federer precisará estar em forma na França – e pronto para a possibilidade de ficar em quadra por cinco sets – em busca de um dos poucos títulos inéditos em seu currículo. Restou a Djokovic, um merecido campeão, levantar a taça com o sorriso amarelo da foto acima.

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Se algo valeu a pena neste ATP Finals, foi a chave de duplas. Com jogos de altíssimo nível, ralis na rede e no fundo de quadra, tie-breaks e match tie-breaks cheios de variações, a modalidade mostrou seu valor mais uma vez. Bob e Mike Bryan, mais uma vez, ficaram com o título. Marcelo Melo, que sempre merece mais reconhecimento do que recebe, foi vice ao lado de Ivan Dodig – e, tirando um par de duplas faltas no segundo set, foi uma final irretocável do mineiro. Enquanto isso, Bruno Soares e Alexander Peya foram eliminados após uma derrota diante dos mesmos Bryans na fase de grupos.

O sucesso do torneio de duplas não deixa de ser um gentil tapa na cara da ATP, que fracassa intencionalmente na tarefa de divulgar decentemente a modalidade. A entidade faz esforço perto de zero para transmitir partidas, não disponibiliza sinal de jogos sequer via internet e vende um pacote separado para os canais que se mostram dispostos a exibir. Mas não é só isso: enquanto é possível ver inúmeros jogos de duplas em torneios da série Challenger, há finais de ATPs 500 e Masters 1.000 sem transmissão – o que beira o inacreditável.

O excelente nível mostrado pelas duplas vai fazer a ATP rever sua postura e divulgar melhor a modalidade? Duvido muito. Vejam abaixo esse diálogo entre André Sá, integrante do conselho de jogadores da entidade, e o britânico Jamie Murray, irmão de Andy e duplista de ofício. O escocês reclama que todos jogos de simples são televisionados, mas as câmeras são desligadas assim que um jogo de duplas está prestes a começar na quadra central. O mineiro rebate, explicando que não há intenção da ATP de investir dinheiro algum na modalidade.

Coisas que eu acho que acho:

– Com a desistência, Federer ficou bem longe do número 1 do mundo. Djokovic agora soma 11.510 pontos, contra 9.700 de Federer, que ainda pode somar na Copa Davis. Ainda assim, o suíço tem mais a defender até o fim do Australian Open, o que dá alguma folga extra ao sérvio.

– A lesão e a consequente desistência de Federer (que não derrota Djokovic em uma final desde 2012) são mais uma prova de que qualquer tenista pode cair machucado na pior das horas. Sempre vale a pena pensar duas vezes antes de duvidar de um atleta que se queixa de dores – especialmente em uma decisão.

– O top 10 da temporada termina nesta ordem: Djokovic, Federer, Nadal, Wawrinka, Nishikori, Murray, Berdych, Raonic, Cilic e Ferrer.


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