Saque e Voleio

Arquivo : brasil open

Quadra 18: S03E03
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Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


O balanço brasileiro no saibro
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Alexandre Cossenza

Com o fim do tardio do Brasil Open, parece o momento ideal para fazer um balanço da participação brasileira na perna sul-americana do circuito mundial, que, por enquanto, ainda é toda disputada em quadras de saibro. Digo “ainda” porque, como os leitores do blog sabem, Rio e Buenos Aires estão em busca de aprovação para mudarem para quadras duras.

O motivo carioca/portenho não tem a ver com as campanhas de brasileiros e argentinos. A ideia é conseguir trazer mais nomes de peso. Diretores dizem que o principal argumento de quem não quer vir até aqui é a mudança de piso entre o Australian Open e o Masters de Indian Wells. Mas enquanto a alteração não sai, será que os brasileiros vêm aproveitando o piso mais favorável a seu jogo?

Depois de Quito, Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo, dá para dizer que não foi a pior das campanhas brasileiras. Não que tenha sido espetacular. Bellucci, principalmente, poderia ter tirado muito mais de Rio e São Paulo não fossem seus problemas físicos e, ao que parece, de motivação. Vejamos um por um:

Thomaz Bellucci

Como nos dois anos anteriores, o paulista fez boa campanha em Quito. Só perdeu – pela terceira vez seguida – para Vitor Estrella Burgos, o veterano que acabou conquistando o tricampeonato no Equador. Caso curioso, não tão fácil de explicar/entender, mas que precisa entrar para a coluna das “chances perdidas”.

No Rio, Bellucci eliminou o cabeça 1 na estreia, empolgou a torcida e decepcionou no jogo seguinte. No meio do segundo set contra Thiago Monteiro (jogo à noite, 27 graus), o paulista já esteve pregado. Saiu de quadra dizendo “morri” com todas as letras. Depois, em São Paulo, também teve problemas físicos (de outro tipo) na derrota para Schwartzman. Após o revés, deu uma declaração um tanto preocupante. Falou que precisa “reencontrar a alegria e a motivação de estar na quadra que só o dia a dia vai me dar. Tenho que pensar no que a gente tem que fazer para dar a volta por cima.”

De qualquer modo, mesmo com a vitória sobre Nishikori e uma semi em Quito, fica a impressão de que poderia ter sido muito melhor. É duro afirmar, mas é o mesmo que pode ser dito sobre muitos momentos da carreira de Bellucci.

Thiago Monteiro

Talvez tenha sido o momento de consolidação do cearense. Um ano depois de “surgir” ao bater Tsonga no Rio, Monteiro fez uma turnê sólida, com quartas de final em Buenos Aires e no Rio. Perdeu na estreia em Quito e em São Paulo, mas em condições difíceis. Jogou contra Giovani Lapentti na altitude e contra Carlos Berlocq (seu algoz também em Buenos Aires) no Pinheiros.

Ao todo, nada mau. Os ATPs, no entanto, deixaram mais visíveis os buracos no jogo do cearense. Berlocq deixou clara a necessidade de Monteiro melhorar junto à rede. O argentino venceu uma enorme maioria de pontos quando variou e tirou Thiago do basicão “distribuindo-pancada-do-fundo”. No Rio, Ruud expôs as falhas na devolução do cearense. Monteiro não conseguir entrar em um número razoável de pontos no serviço no norueguês.

Monteiro sabe quanto e onde precisa evoluir. Ele mesmo falou sobre isso na última coletiva que deu no Rio de Janeiro. Há tempo para isso. É questão de trabalhar e pensar no jogo como um todo – e não só na pancadaria do fundo de quadra.

Rogerinho

O paulista esteve nos quatro ATPs, inclusive furando o quali em Buenos Aires, mas não conseguiu vencer nenhum jogo em chaves principais. O mais perto que chegou disso foi quando teve dois match points contra Alessandro Gianessi na Argentina. Não dá para dizer que foi uma passagem trágica de Rogerinho pela América do Sul, mas ele teve jogos ganháveis e não aproveitou. Também entra para a coluna de chances não aproveitadas.

Feijão

João Souza também esteve nos quatro ATPs, mas ficou no quali em Buenos Aires (perdeu para Rogerinho) e só venceu um jogo em São Paulo (contra Zeballos na estreia). E se não dá para condená-lo pelas derrotas para Pablo Carreño Busta (Rio e SP), esperava-se mais de seu jogo na altitude de Quito. A derrota na estreia para Federico Gaio não foi o melhor dos resultados.

Bruno Soares

Orale Cabron 🇲🇽 🏆 🏆🏆

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O mineiro só jogou um torneio no saibro. Foi no Rio, onde ele e Murray perderam nas semifinais, quando até tiveram um match point contra Carreño Busta e Pablo Cuevas. Um resultado bom, considerando que Soares ficou dez dias no Rio de Janeiro, mas passou a maior parte do tempo dando entrevistas, participando de eventos com fãs, dando clínicas e aparecendo para seus patrocinadores.

Depois do Rio, o mineiro foi para Acapulco, jogar um ATP 500 na quadra dura, em vez de jogar no Brasil Open, em São Paulo, no saibro. A decisão provocou críticas públicas de Flávio Saretta em uma sequência de tweets.

“Semana de Brasil Open! Torneio que existe desde 2001! Sempre muito valorizado pelos tenistas brasileiros!! Tão valorizado que até o número 1 do mundo jogava! E tive a noticia que Marcelo e Bruno Soares optaram por jogar em Acapulco. Gosto dos dois desde sempre, mas não posso concordar com essa decisão e atitude! Sabemos das imensas dificuldades de se fazer um torneio ATP no Brasil pelos custos, etc! Sempre valorizamos demais esse torneio no Brasil! Um orgulho jogar um ATP no nosso país!! Por isso confesso que achei um absurdo os dois jogarem no México e não no Brasil! Fora a troca que é estar perto de quem torce por vc e não tem a oportunidade de ver vc jogar de perto!!! Escolha errada dos dois! Uma pena…”

Sim, seria ótimo ter Soares e Marcelo Melo (que também foi a Acapulco) jogando mais uma semana no Brasil, mas é preciso entender os motivos de ambos. Primeiro, os dois preferem jogar em quadras duras. Não por acaso, Bruno venceu dois Slams no piso ao lado de Jamie no ano passado. Mas não é só isso. Além de Acapulco ser um torneio mais importante, é uma semana de jogos na quadra dura antes de um evento ainda maior: o Masters de Indian Wells, no piso sintético.

Dizer que Soares e Melo precisariam fazer mais esforço para jogar no Brasil me parece forçar a barra. Os dois, afinal, estiveram no Brasil. E Bruno, especialmente, fez todo tipo de atividade para divulgar o torneio, o tênis e seus patrocinadores. O torcedor brasileiro teve a chance de vê-los. Só quem não foi ao Rio (caso de Saretta) ou não ficou a semana inteira não viu isso.

Além disso, os dois mineiros deveriam ter um pouquinho mais de crédito (é só minha opinião). Soares jogou o Brasil Open todos os anos desde 2009. Sempre trouxe seus parceiros. Foi campeão três vezes e, na maioria das vezes, atuou em quadras secundárias – inclusive naquele precário e improvisado Mauro Pinheiro. Em um de seus títulos, fez apenas um jogo na quadra central (a final). Melo viveu situações parecidas e, até este ano, só havia ficado ausente em 2014.

Por fim (não que o resultado mudaria algum dos argumentos acima), Soares e Murray foram campeões em Acapulco, somando 500 pontos e ganhando embalo antes do primeiro Masters 1.000 do ano.

Marcelo Melo

O mesmo caso de Bruno, só que com um agravante. Marcelo e seu parceiro, Lukasz Kubot, ainda não encontraram ritmo. E como jogam melhor em quadras duras, estavam em Roterdã (um ATP 500) em vez de Buenos Aires. No Rio, perderam para Peralta e Zeballos nas quartas. Depois, partiram para Acapulco, onde caíram na estreia diante de Santiago González e David Marrero.

Depois do Australian Open, Melo já dizia no “Pelas Quadras”, da ESPN, que era preciso encontrar um equilíbrio na parceria. A queixa (velada) era em respeito ao jogo kamikaze de Kubot. No Rio, o mineiro deu declarações parecidas. Disse que gosta de um jogo com menos velocidade e mais equilibrado e deu a entender que o Masters de Miami será o momento para avaliar se o time com Kubot tem futuro.

André Sá

Jogou com Tommy Robredo em Buenos Aires e no Rio e caiu na estreia em ambos. Em São Paulo, ao lado de Rogerinho, foi longe e conquistou o título. Saiu do saibro levando 250 pontos, o que não é nada ruim.

Marcelo Demoliner

Fez Buenos Aires-Rio-SP com seu parceiro habitual, o neozelandês Marcus Daniell. Também passou em branco na Argentina e no Rio. Também foi à decisão no Pinheiros. Somou 150 pontos.


Quadra 18: S02E03
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Alexandre Cossenza

Gravado na sala de entrevistas do Esporte Clube Pinheiros, o novo episódio do podcast Quadra 18 está no ar com tudo que aconteceu de mais interessante no Rio Open e no Brasil Open, os dois torneios mais importantes do país. Apresentado por mim ao lado de Sheila Vieira e Aliny Calejon (pela primeira vez, gravamos com os três na mesma sala), o programa tem participações especiais de Felipe Priante e João Victor Araripe, além de áudios de Rafael Nadal, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Marcelo Melo e Thiago Monteiro.

Falamos da impressionante ascensão de Thiago Monteiro, das zebras no Rio de Janeiro, da decepção que foi a passagem de Rafael Nadal pela América do Sul, da surpresa de Paula Gonçalves, da nova sede do torneio paulista, do misterioso problema físico de Thomaz Bellucci e da fantástica Francesca Schiavone, entre muitos outros assuntos.

Também contamos histórias de “bastidores”, falamos sobre o convívio na sala de imprensa e respondemos perguntas de ouvintes. Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir, clique neste link com o botão direito e, depois, em “salvar como” para fazer o download do episódio e ouvi-lo mais tarde.

Os temas

0’00” – Alexandre Cossenza apresenta programa gravado no Pinheiros
2’25” – Impressões sobre o Rio Open
2’30” – “O que mais gostei foi John Isner”
3’30” – A decepcionante participação de Jo-Wilfried Tsonga
4’40” – As quedas de David Ferrer, Rafael Nadal e Jack Sock
7’05” – A inusitada desistência de Sock nas duplas
7’55” – A passagem de Nadal pela América do Sul
10’20” – Nadal explica sua derrota para Cuevas e fala do início de temporada
12’00” – Cuevas e o “melhor backhand de uma mão do circuito” segundo Guga
13’00” – A participação de Teliana Pereira no Rio Open
14’20” – A surpreendente campanha de Paula Gonçalves
15’55” – A derrota de Bia Haddad e o sucesso de Sorana Cirstea no Brasil
17’10” – A fantástica Francesca Schiavone e sua relação com o Brasil
19’40” – A lona do Rio Open
23’00” – Thomaz Bellucci vendendo pipoca no Rio de Janeiro
24’55” – Summer (Calvin Harris)
25’40” – Impressões sobre o Brasil Open no Esporte Clube Pinheiros
30’50” – Aliny avalia as campanhas de Melo e Soares em RJ e SP
32’20” – “O lado positivo é parar com o oba-boa que vinham fazendo”
33’48” – Bruno Soares avalia os resultados da dupla nos torneios brasileiros
35’09” – Bruno e Marcelo fala sobre a repercussão das derrotas na imprensa
37’10” – As preocupantes derrotas de Thomaz Bellucci
39’32” – Bellucci fala sobre seu problema físico e que seria outro tenista sem ele
42’21” – O momento de Feijão
44’00” – Thiago Monteiro, a grande estrela brasileira nas duas semanas
47’25” – Monteiro faz um balanço das duas semanas
49’00” – Cuevas, o “Rei do Brasil”
50’45” – A curiosa (e curta) passagem de Benoit Paire por São Paulo
52’05” – Os bolos da sala de imprensa do Brasil Open
53’30” – You Never Can Tell (Chuck Berry)
54’00” – “O que vocês levariam de SP para o Rio e do Rio para SP?”
58’05” – “O que os jogadores acharam da estrutura em SP?”
59’10” – “Qual a pessoa mais insuportável das salas de imprensa?”
71’50” – “Como foi a prestação de serviços dos dois torneios? Dá para comparar?”
72’50” – Cossenza critica o serviço prestado a idosos no Rio Open
75’07” – “Favor contar todas fofocas de bastidores”
69’20” – “Rio Open como Masters 1.000: sonho ou realidade?”
71’02” – “Acham que ano que vem vai ter lona no Rio Open?”
71’15” – “Thiago Monteiro já merece ser chamado para a Copa Davis?”
73’45” – “Thiago Monteiro tem condição de entrar no top 50?”
74’30” – Marcelo Melo faz uma declaração para Aliny Calejon

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Summer (Calvin Harris) e You Never Can Tell (Chuck Berry). A faixa de encerramento é Pobre Paulista (Ira!).


Brasil Open: a nova casa, os brasileiros e o uruguaio que fez a festa
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Alexandre Cossenza

Chegou ao fim mais uma edição do Brasil Open – a primeira no Esporte Clube Pinheiros – e parece um momento interessante para fazer um balanço do que significou a nova casa, de como o evento transcorreu e de como foram os brasileiros em quadra no torneio.

BrasilOpen_Zambrana_blog

Sobre o “novo” torneio

É inegável a impressão de encolhimento quando se fala que um torneio trocou um ginásio para dez mil espectadores por um clube com uma arena para pouco mais de duas mil pessoas. No entanto, houve vantagens claras para organização e público no novo local. O que chama mais atenção é o “clima” de torneio, que nunca existiu no Ibirapuera. No Pinheiros, os fãs podem ver os tenistas treinando e circulando, e as três quadras estão bem pertinho uma da outra. Ou seja, a locomoção é rápida para quem quer deixar de ver uma partida e rumar até outra quadra onde a partida esteja, quem sabe, mais equilibrada.

Um ponto que pode melhorar é a quantidade de opções, tanto de entretenimento quanto de alimentação. Não sei os termos do acordo entre a Koch Tavares e o Pinheiros, mas o espaço cedido pelo clube não é tão grande. Outra questão que deixa a desejar diz respeito aos assentos na quadra central. Vários deles – próximos à quadra, logo atrás dos camarotes – dão visão apenas parcial. Isso inclui lugares nas laterais e também no fundo de quadra. De onde vi (terceira fileira no fundo de quadra) o jogo de duplas que acabou com a eliminação de Marcelo Melo e Bruno Soares, era impossível enxergar a linha de fundo próxima a mim.

Por outro lado, a arena mais modesta acaba jogando a favor de um ambiente mais animado. Muita gente – inclusiva na sala de imprensa – acredita que é melhor ter uma quadra de duas mil pessoas lotada do que um Ibirapuera com quatro mil pessoas (60% vazio). De fato, o ambiente no jogo de Thiago Monteiro contra Pablo Cuevas era ótimo. Não foi muito pior quando Marcelo Melo e Bruno Soares enfrentaram Guillermo Durán e Andrés Molteni, também num jogo noturno.

O diretor do torneio, Roberto Marcher, não especificou um número para 2017, mas disse que a intenção do torneio é aumentar a capacidade da quadra central. Na coletiva após a final de simples, ele declarou que o evento continuaria lotado se fosse realizado em um espaço com capacidade maior.

E a chave… Bem, não foi um torneio dos mais fortes, mas isso já foi debatido aqui no blog, e a explicação para isso foi dada por Marcher nesta entrevista. O dólar e o calendário pesaram, e resta a Koch Tavares brigar por uma data diferente e/ou, quem sabe, torcer por um melhor momento econômico do país em 2017. Por sorte, o Brasil Open 2016 teve uma final bem digna de seu tamanho: Pablo Cuevas x Pablo Carreño Busta. No papel, é uma decisão até mais interessante do que Cuevas x Pella, como aconteceu no milionário ATP 500 carioca, que tinha Nadal, Ferrer, Tsonga, Isner e Thiem.

Sobre os brasileiros

Thiago Monteiro, mais uma vez, roubou o show. Venceu um rival de nome (Nicolás Almagro), somou mais uma derrota e só parou nas quartas de final, diante de Cuevas. Foi o cearense, vale lembrar, quem mais deu trabalho ao uruguaio em São Paulo. Assim, o jovem de 21 anos completou duas semanas memoráveis no Brasil, atraindo holofotes, jornalistas e ganhando uma dose cavalar de confiança para voltar ao circuito Challenger cheio de moral e somar muitos pontos.

Quanto a Thomaz Bellucci, a passagem pelo Brasil só trouxe preocupações e derrotas. No Rio, caiu diante de Alexandr Dolgopolov, o que seria um resultado normal se não fosse o misterioso problema físico que lhe incomodou. Para piorar, o tal problema voltou em São Paulo, em um jogo muito ganhável contra Roberto Carballés Baena. Resumindo: o número 1 do país não só perdeu a chance de somar pontos em casa (especialmente em SP, numa chave acessível) como voltou a se preocupar com uma questão para a qual não encontra resposta há anos.

Nas duplas, a expectativa pela ouro olímpico levou um banho gelado que começou no Rio Open e terminou nas quartas de final do Brasil Open, com derrota para Guillermo Durán e Andrés Molteni. Não foi uma atuação pavorosa dos mineiros – longe disso -, mas um jogo acima da média da parceria argentina, que foi melhor nos pontos decisivos tanto no início do primeiro set quanto no fim do match tie-break. Talvez os dois resultados abaixo do esperado sirvam para diminuir a pressão e deixar Soares e Melo mais tranquilos até os Jogos Olímpicos. De qualquer modo, fica o aviso: eles não são tão favoritos à medalha de ouro como tanta gente pensava antes desses dois torneios.

Sobre o campeão

Pablo Cuevas foi o maior vencedor do circuito sul-americano de saibro. O uruguaio encontrou uma forma invejável no Rio de Janeiro, onde eliminou Rafael Nadal, e manteve o embalo nesta semana, em São Paulo. Sólido do fundo de quadra e inteligente para variar o plano de jogo quando necessário, o veterano de 30 anos navegou tranquilo na capital paulista (só perdeu set para Monteiro) e terminou a “gira” somando 795 pontos. Sua única derrota aconteceu diante de David Ferrer, nas quartas de final em Buenos Aires. Os resultados colocam Cuevas no 25º posto do ranking mundial – o mais bem colocado entre os sul-americanos.


O mistério de Bellucci e o convidado que não sabia o local da festa
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Alexandre Cossenza

Thomaz Bellucci não quer dizer do que se trata, mas também não sabe como solucionar. Mais uma vez, o físico deixou o número 1 do Brasil pelo caminho em um torneio. Desta vez, em um torneio bem acessível e, digamos, ganhável. Foi assim, de surpresa, que o paulista atual #35 do mundo caiu logo na estreia no Brasil Open. O post de hoje ainda cita a curiosa história de Benoit Paire, convidado do torneio que esperava jogar em quadra coberta, e registra mais uma campanha inédita na carreira de Thiago Monteiro.

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A zebra

Era para ser um dia rotineiro. Thomaz Bellucci jogando em São Paulo, com torcida a favor, na altitude que lhe é favorável (cerca de 800m) e diante do lucky loser espanhol Roberto Carballés Baena, #122 do mundo, adversário que não possuía armas para derrotá-lo. Era para ser uma vitória comum, sem destaque especial.

Era. E até parecia que seria assim até a metade do segundo set. Depois de fazer 6/2 com folga na primeira parcial, Bellucci abriu 2/0, quebrando o espanhol e mantendo a soberania em quadra. O paulista, no entanto, perdeu o saque no quarto game. Ainda assim, houve chances de sobra.

No 4/4, com o espanhol no saque, Bellucci teve quatro break points. Perdeu todos em erros não forçados – inclusive duas devoluções de segundo saque e uma curtinha na rede. No 4/5, o brasileiro abriu 40/15 e voltou a vacilar. Cometeu três erros, cedeu um set point e viu Carballés Baena fechar com uma direita vencedora.

O terceiro set foi drama puro, especialmente depois do quinto game, quando Bellucci pediu atendimento médico e tomou um comprimido – situação igual aconteceu no Rio, onde o #1 do Brasil não quis revelar a origem do problema. Desta vez, em São Paulo, Bellucci mal mostrava condições de seguir em quadra. Passou a encurtar pontos, forçando curtinhas e usando o saque-e-voleio.

Escapou de dois break points no sexto game, mas não no oitavo. E não mais ameaçou o rival, que fechou em 2/6, 6/4 e 6/3.

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O mistério

Na coletiva, Bellucci fez o mesmo que no Rio de Janeiro. Não disse especificamente qual é o problema nem detalhou seus sintomas. Desta vez, porém, deu algumas pistas, afirmando que foi uma questão parecida com a sofrida no Rio Open e revelando que ninguém encontrou a solução.

“Não é lesão, não. Fisicamente, eu não consigo manter a intensidade, tenho um peso muito grande no corpo, e no terceiro set comecei a sentir muita cãibra e foi isso que aconteceu. Não sei o que acontece. Estamos tentando achar uma solução para tentar manter uma intensidade razoável. Se eu consigo manter uma intensidade alta, jogando bem, como eu estava no primeiro set, de cinco a dez derrotas por ano talvez eu não teria. Meu jogo seria outro, meu ranking seria outro, minha atitude seria outra dentro de quadra, mas infelizmente eu não consigo manter a intensidade. Chega uma hora que não sei o que acontece. Não consigo jogar e meu nível de jogo cai de 100 para zero.”

Vale ressaltar que Bellucci apareceu para uma sala de entrevista coletiva com uma dúzia de jornalistas (pelo menos) e respondeu apenas quatro perguntas. O número foi pré-estabelecido pela mediadora, que é assessora de imprensa do torneio e, ao mesmo tempo, assessora de imprensa pessoal do tenista.

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O convidado que não sabia onde era a festa

Benoit Paire, #20 do mundo que pediu convite de última hora para disputar o Brasil Open, ficou pouco tempo no torneio. Pouco depois de Bellucci dar adeus, Paire foi eliminado pelo sérvio Dusan Lajovic por 6/0, 4/6 e 6/3.

A cena mais curiosa do dia foi protagonizada pelo francês. Logo depois da derrota, puxou uma cadeira, sentou e encostou a cabeça na pilastra bem em frente à sala de imprensa. Sua namorada estava por ali também.

A segunda cena mais intrigante do dia também envolveu Benoit Paire, que deixou o clube sem dar entrevista coletiva. A assessora da ATP, então, telefonou para o tenista e colocou seu celular na mesa de entrevistas coletivas. Assim, uma meia dúzia de profissionais conseguiu fazer perguntas por viva-voz.

A conversa com a pequena foto de Paire na telinha do celular, é preciso admitir, foi menos interessante. Primeiro porque o convidado do torneio revelou não saber onde seria o Brasil Open. O francês acreditava que o evento ainda era disputado em quadra coberta, no Ibirapuera, como em 2012, quando ele veio ao Brasil.

“Honestamente, eu não sabia que era um torneio outdoor. Quando eu vi que a partida seria outdoor, fiquei surpreso. Mas as condições eram boas. Eu gostava do torneio quando era indoor, no outro local (Ibirapuera), mas hoje o clube é bom, o ambiente é ótimo. Mas eu perdi hoje, então não fiquei feliz.”

Paire_coletiva_blog

O #20 do mundo também disse que estava doente e lamentou a derrota porque gostou da chave em que estava. Sobre sua vinda de última hora, Paire disse que pediu o wild card porque não jogou bem no começo do ano.

“Perdi na primeira rodada na Austrália, na primeira em Roterdã e na primeira em Montpellier e por isso pedi um wild card. Eu precisava me preparar. Se eu não jogasse, teria três semanas livres até Indian Wells. Acho que foi uma boa escolha porque eu tinha chance de ganhar o torneio. Acho que se eu tivesse vencido hoje, poderia fazer semifinal ou final e estaria me sentindo cada vez melhor.”

Monteiro outra vez

Sem Bellucci, o último brasileiro vivo, pela segunda semana consecutiva, é Thiago Monteiro. O cearense de 21 anos, que derrotou Jo-Wilfried Tsonga e Nicolás Almagro, bateu nesta quinta-feira o espanhol Daniel Muñoz de la Nava (#72) por 4/6, 6/3 e 6/2.

Com o resultado, o atual número 278 do ranking alcança pela primeira vez na carreira as quartas de final de um torneio de nível ATP. Os pontos conquistados em São Paulo já colocam Monteiro com o melhor ranking da carreira, superando o 254º posto que alcançou na semana de 4 de novembro de 2013. Mesmo que perca na próxima rodada, o cearense ficará perto do 240º posto.

O obstáculo no caminho de Monteiro nas quartas será o uruguaio Pablo Cuevas, seu algoz no Rio de Janeiro. No torneio carioca, o cearense teve boas chances no primeiro set e chegou a abrir 4/2 no tie-break, mas não conseguiu manter a dianteira. O resto da história todo mundo sabe: Cuevas bateu Rafael Nadal, Guido Pella e conquistou o título do Rio Open.

Cabeças que já rolaram

Paire foi o sexto cabeça de chave a perder logo na estreia em São Paulo. Os únicos sobreviventes nas quartas de final são o uruguaio Pablo Cuevas, campeão do Rio Open, e o argentino Federico Delbonis. Os outros já eliminados são Albert Ramos Viñolas (5), Paolo Lorenzi (6), Nicolás Almagro (7) e Pablo Andújar (8).

As duplas

A chave de duplas do Brasil Open viu a estreia de Bruno Soares e Marcelo Melo, que bateram o espanhol Nicolás Almagro e o convidado local Eduardo Russi Assumpção por 6/1 e 6/3. Os mineiros, eliminados na semi no Rio de Janeiro, gostaram de seu rendimento – especialmente Bruno Soares, que tem um problema histórico com o tipo de bola usada no torneio carioca. Em São Paulo, o campeão do Australian Open se mostrou bem mais à vontade.

Quem também venceu foi André Sá, que quebrou o amargo jejum de 2016 e finalmente somou uma vitória na temporada (depois de seis derrotas). Ele o argentino Máximo González passaram pelos italianos Marco Cecchinato e Paolo Lorenzi por 7/6(4) e 6/1.


Entrevista: diretor explica os porquês do ‘novo’ Brasil Open
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Alexandre Cossenza

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Um torneio de cara nova, em data diferente, com capacidade para menos público e com uma chave modesta. É assim que o Brasil Open faz sua estreia no Esporte Clube Pinheiros, uma sede que deu ao evento mais “cara” de torneio. A missão no (meu) primeiro dia aqui em São Paulo era conversar com o diretor, Roberto Marcher, e entender alguns dos porquês das mudanças. Por que o novo local? Por que não participar das negociações conjuntas para trazer nomes de mais peso? O quanto a alta do dólar pesou? Qual o tamanho do prejuízo da mudança de data imposta pela ATP?

Marcher conversou comigo e com o jornalista Matheus Martins Fontes (por opção editorial, incluí neste post apenas as minhas perguntas) e explicou tudo. Falou muito mais do que o necessário, é bom que se diga – o que é ótimo. Com 70 anos e algumas décadas de experiência na organização de torneios, o diretor do Brasil Open lembrou o quanto o Rio sofreu um baque de público este ano e afirmou que Tsonga “parecia um elefante caminhando” no torneio carioca. A sinceridade foi tanta que Marcher disse até que o wild card para Benoit Paire em São Paulo é um risco porque “ele não bate bem da cabeça”. Confira as partes mais importantes:

O que pesou mais na decisão de deixar o Ibirapuera e vir para o Pinheiros?

São vários fatores, mas o principal é que a gente não acredita ainda – não temos tradição no tênis, né? Imagina se isso tivesse acontecido com Buenos Aires, que é o segundo torneio de terra com mais charme e appeal? Com a tradição argentina, se os caras tiram do Buenos Aires Lawn Tennis Club e levam para outro, sei lá, o Estudiantes? Ali havia uma tradição. Nós, no Brasil, ainda não temos um estádio, um local que tenha tradição. (…) O Ibirapuera foi um sucesso. Começamos em 2011, tivemos casa cheia duas vezes, com problemas ou não, mas isso não vem ao caso aqui, estamos falando de outra coisa. Lotamos o Ibirapuera e depois vimos as coisas baixando. Aí começaram a aparecer problemas… Com agente, o dinheiro começou a… o dólar já… Não dá! Esse torneio aqui foi feito sem nenhuma garantia. Hoje, eu estava com nosso cabeça de chave número 1, Benoit Paire, muito simpático… Não recebeu um centavo. Nada. Cuevas? Não tem, não tem, não tem. Chegou uma hora que a gente disse: “Vamos, em primeiro lugar, tratar dos jogadores.” Eles não gostam de jogar em um lugar que não tenha tradição de tênis. Que seja um clube…. Eles detestam quando a quadra é feita em cima da hora. No Ibirapuera ou no próprio Rio de Janeiro, que as quadras do Jockey eram horríveis e eles deram uma acertada… “Vamos usar o Pinheiros, tem 70 anos, quadra sólida, os jogadores vibram com a atmosfera do clube, que é lindo, etc.” Muito por causa dos jogadores, que se sentiam muito melhor aqui. O Ibirapuera era legal para deixar a casa cheia e etc., mas não tinha charme, não tinha nada. O sujeito ia fora, ia aonde? Num food truck? Não, ele ficava lá por dentro. (…) Então foi principalmente (por causa) dos jogadores, como eles se sentem, aqui foi bem mais em con… (interrompendo) Bem mais, não, mas melhorou tudo. Mudou do conceito de um torneio indoor. Nosso grande inimigo é a chuva, mas que é muito melhor, todo mundo elogiando. Perdemos um pouco a arquibancada – ano que vem vamos aumentar – porque o plano era abrir aquelas duas quadras, quebrar no meio, fazer uma só, aí daria para fazer uma arquibancada enorme, mas a ATP falou que ficaria muito em cima da hora. (…) Claro que os custos caíram, enxugamos muito devido a… acho que qualquer um que lê jornal sabe da crise que atravessa o Brasil. Você me pede hoje, eu te paguei 200 para jogar, como garantia. Aí você me pede a mesma coisa em dólar, torna-se quatro vezes mais caro. Não tem condições. Vamos reduzir um pouco, fazer essa experiência aqui, ver como funciona. Estamos aprendendo com o Pinheiros. Acho que neste momento a gente está surfando a onda da crise.

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Sobre a questão da data, houve a inversão com Buenos Aires, que acabou ficando com uma chave fortíssima…

(interrompendo) Ali tem a data e… não sei de onde eles conseguem dinheiro. O Tsonga, por exemplo, queria fazer uma “tripartida” com Rio, Buenos Aires e nós. Caímos fora. Aí eles pegam grana não sei daonde. Eles têm Claro, governo… Ele fala: “Olha, querido, preciso de tanto para o Tsonga. Ok.” O Nadal tinha um acerto com eles para terminar, aí acabou o Nadal, né? O Ferrer foi lá, gastaram uma grana também. E pagaram pouco para o Isner, não tanto. Ele quase veio aqui, mas “quero tanto”, “te dou tanto”, mexe pra lá, mexe pra cá, graças a Deus. Eles pegaram o Tsonga, que literalmente não quer nada com a bola. Já em Buenos Aires foi ridículo. E tomou uma primeira rodada no Rio de Janeiro. De um jogador que acho que vai ser o próximo grande jogador do Brasil, o Thiago (Monteiro). Mas o Tsonga estava um desastre, parecia um elefante caminhando na quadra. Queria nada com a bola. Isolando direita, chegou uma hora que se ele encheu o saco… Enfim, os caras pagaram um puta granapara esses dois aí e jogaram dinheiro fora. O Isner tomou duas primeiras rodadas. Se esforçou. Tudo 7/6 no terceiro, mas já de cara tomaram uma bela duma porrada. Eu falei para o meu CEO: “Vamos jogar com o que a gente tem aqui.”

Esse custo-benefício não compensaria nem com o que vocês teriam vendido a mais de ingresso?

Não. Nós estamos com uma quadra menor, mas nem no Ibirapuera. A gente não vende antecipado, entende? Não faz essa sacanagem de chegar para o trouxa que comprou e se o Nadal perdeu, problema é teu, né? Mas mesmo assim sofreram bem um baque no público e tudo. Nadal, acho que está quase no fim e, enfim, o Rio tomou um baque. Para nós, não. Estamos sold-out. Nossa quadra aqui está perfeita. É pouquinho? É pouquinho. E também com o dólar a R$ 4, para nós, não compensa.

O que atrapalhou mais? A data ou o dólar? Se é que dá para fazer essa distinção…

Dá: o dólar. E os dois atrapalharam.

Com o dólar, suponhamos, a R$ 2, daria para trazer mais gente de peso mesmo com essa data?

Sim. A data é ruim porque somos o único torneio da ATP que compete com dois ATPs 500. Não existe no calendário da ATP. Nenhum torneio – isso é uma sacanagem – compete contra dois… E tem outro detalhe. Se o cara for top, eles terminam aqui, e o técnico já convoca para treinar (para a Copa Davis). O Benoit, apesar de ser um craque, não vai. Fora da quadra, ele é uma moça. Muito legal! E é namorado de uma popstar, que enche estádio na França (Shy’m), e nem se importa. Ele disse “Eu tô a fim de jogar aí. Você me dá wild card?” Eu digo “Você não quer nada? Vinte e um do mundo? Tá dado o wild card.” Os caras todos cobrando uma fortuna, gente que… Sabe? Não dá para acreditar que o Verdasco me peça dinheiro. Você tá me gozando? Não tem dinheiro. Wild card, não te dou. Se você não se inscreveu, não quero ver você aqui. Esse aí (Paire) eu quero. Tomando um risco… Ele não bate bem da cabeça. Dentro da quadra, pode acontecer qualquer coisa. É um Fognini piorado. Você não sabe o que pode acontecer. Mas de qualquer forma, a gente pegou e não pagou nada. Mas a data foi péssima, mas quem escolhe… Tudo é política e dinheiro. Eu sei que os caras (ATP) olharam o Brasil em crise, os caras (argentinos) forçaram, e a data foi para eles. Posso fazer o quê?

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E o que o torneio pode fazer? Existe possibilidade de brigar para mudar outra vez de data?

No outro ano, não dá mais. Só para o outro.

Para 2018?

Sim.

Mas a ideia…

(interrompendo) A ideia… Essa data é péssima, cara! Os caras já querem ir embora, compete contra Acapulco… Está tudo sendo estudado. Nunca se sabe o que vai acontecer. De repente, a Argentina dá um treco. É uma luta… Não vou dizer que não seja de igual para igual. É. Argentina e Brasil é uma guerra em tudo…

Chance zero de pleitear, de repente, a data de Quito?

Não, não é chance zero, mas também é outra data de merda…

Porque é colada na Austrália…

Quito foi um horror o torneio. Esses torneios que dependem do governo ficam muito problemáticos. Para você ter o patrocinador, o patrocinador no ano que vem não quer mais o Tsonga. Agora ele vai querer o Djokovic.

Última coisa… O contrato com o Pinheiros é só para este ano?

Não, não é não. É para o ano que vem e depois tem opção de renovação. É um contrato bem feito.


Um Brasil Open menor e mais fraco, mas sem drama
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Alexandre Cossenza

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A organização do Brasil Open, torneio nível ATP 250 disputado em São Paulo, anunciou nos últimos dias algumas informações sobre o evento. Na terça-feira, houve o aviso oficial de que o torneio deixará de ser disputado no Ginásio do Ibirapuera. Dizendo tratar-se de “boas notícias para o tênis brasileiro”, o texto oficial confirmou que o Esporte Clube Pinheiros será a nova sede da competição.

Na quarta-feira, foi divulgada a lista de tenistas participantes. Os oito atletas de maior ranking são Fabio Fognini (atual #21 do mundo), Thomaz Bellucci (37), Pablo Cuevas (41), Federico Delbonis (52), Albert Ramos-Viñolas (55), Pablo Andújar (59), Pablo Carreño Busta (67) e Paolo Lorenzi (69).

As duas novidades mostram que o torneio diminui de tamanho. Primeiro porque deixa um estádio coberto com capacidade para quase 10 mil pessoas. Depois porque a chave será consideravelmente mais fraca do que a de 2015. Ano passado, os oito cabeças de chave estavam no top 40. Em 2016, pelo ranking de hoje, há apenas três atletas no top 50.

Tentei conversar com o diretor do Brasil Open, Roberto Marcher, mas ele não estava disponível para uma entrevista. Ainda assim, mesmo sem uma palavra do evento, é possível enumerar alguns dos motivos para o, digamos, “encolhimento” do Brasil Open, que será jogado de 22 a 29 de fevereiro.

O principal deles talvez seja a mudança de data. Em 2015, o Brasil Open era jogado na semana de 9 de fevereiro, antes do Rio Open, que é o principal evento da série sul-americana de saibro. Na mesma data, havia o ATP 500 de Roterdã e o ATP 250 de Memphis, só que o torneio paulista (ATP 250) servia como uma espécie de aquecimento para o Rio Open (ATP 500).

Este ano, São Paulo trocou de data com o ATP 250 de Buenos Aires e será jogado na semana de 22 de fevereiro, junto com os ATPs 500 de Acapulco e Dubai. O grande problema é Acapulco, jogado na quadra dura. Muitos dos bons nomes que estarão no Rio de Janeiro, na semana de 15 de fevereiro, deixam o saibro e mudam para a quadra dura, já pensando nos Masters de Indian Wells em Miami, em março. Acapulco, além de ser um 500, leva também a vantagem geográfica. Fica “no caminho” para os Estados Unidos.

Como referência da importância da é a própria chave de Buenos Aires este ano. Ano passado, o torneio teve um top 10 (Nadal) e o oitavo cabeça de chave era o #55 do mundo (Carreño Busta). Agora, em 2016, os organizadores portenhos conseguiram dois top 10 (Ferrer e Tsonga), além de Isner (11), Thiem (20), Sock (26) e Mayer (35). O cabeça 8 é Cuevas, #40. É um torneio fortíssimo, que soube aproveitar seu lugar no calendário para crescer.

Outra questão óbvia que pesou contra o Brasil Open foi a alta do dólar, na casa dos R$ 4. Ano passado, com a moeda americana cotada por volta de R$ 3, o Brasil Open só conseguiu anunciar Feliciano López como atração. Este ano não houve nenhum anúncio do tipo, mesmo com tantos nomes de peso (Nadal, Ferrer, Tsonga e Isner) jogando no continente na mesma época. Talvez, inclusive, a mudança para o Pinheiros tenha sido forçada pela falta de nomes de peso. Caso tivessem conseguido atrair um tenista que “vendesse” ingressos, seria viável manter o torneio no Ibirapuera.

Do jeito que ficou, calendário e dólar jogando contra, o Brasil Open passa a ter um papel menos relevante no circuito. Em vez de Nadal, Almagro e Nalbandian, como em 2013, o torneio conta com especialistas de saibro como Fognini e Bellucci para atrair público (Almagro, ainda se recuperando, também estará na chave). Não é o fim do mundo, não é uma chave ruim, não é o início do fim do evento (que eu saiba). É, contudo, uma queda de patamar em relação a anos anteriores.

Coisas que eu acho que acho:

– De certo modo, pensando no público e na exposição de mídia, a chave mais fraca pode até jogar a favor, como aconteceu no WTA de Floripa. Com menos nomes de peso brigando pelo título, aumentam as chances de Bellucci, Feijão e quem mais receber wild card fazer uma campanha empolgante. E, proporcionalmente, a chave paulista não está nem perto de ser tão fraca quanto a de Santa Catarina.

– O torneio será realizado em três quadras do Esporte Clube Pinheiros. O fato de ser saibro outdoor conta a favor da qualidade técnica do evento. Quadras de terra batida provisórias nem sempre agradam aos tenistas. A problemática edição 2013 do Brasil Open, no Ibirapuera, é uma prova enorme disso.

– Por outro lado, é perigoso usar apenas três quadras em um evento outdoor, especialmente em São Paulo no mês de fevereiro. É um risco que a promotora aceitou correr quando fez a mudança para o Pinheiros. Como não consegui falar com o diretor, não sei dizer se há um plano B ou se haverá quadras cobertas prontas para jogo em caso de necessidade/emergência.

– Não sei dizer a capacidade das quadras do Pinheiros. Na terça-feira, quando fiz essa pergunta à assessoria da Koch Tavares, essa informação ainda não havia sido recebida para repasse à imprensa. Também é fato que, a 40 dias do torneio, a organização não revelou detalhe algum sobre a venda de ingressos.


Feijão e a motivação para 2016: “Eu olho meu ranking e digo: ‘Que bosta!'”
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Alexandre Cossenza

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João Souza começou o ano com os melhores resultados de sua vida. Primeiro, fez uma inédita semifinal no Brasil Open. Em seguida, chegou às quartas no Rio de Janeiro, um ATP 500. O bom momento foi recompensado com a correção de uma injustiça: deixado de lado nos playoffs da Copa Davis em 2014, Feijão foi convocado para a primeira rodada do Grupo Mundial, em Buenos Aires.

O fim de semana começou espetacular, com uma vitória sobre Carlos Berlocq em 4h57min de jogo, mas transformou sua temporada em um longo pesadelo que começou nas 6h42min da derrota diante de Leo Mayer e se arrastou até o segundo semestre, incluindo duas longas sequências de nove derrotas cada – uma de fevereiro a junho, a outra de julho a setembro.

Número 69 do mundo em abril, Feijão ocupa hoje o 142º posto. Conversamos durante o evento-teste no Centro Olímpico de Tênis, e o papo não teve declarações bombásticas, mas foi ótimo pela maneira direta com que o paulista de 27 anos abordou os temas. Falou com detalhes sobre tudo que envolveu a doída derrota na Davis, lembrou da política que pode ter pesado em sua ausência no time em 2014 e disse que a motivação vem de olhar seu ranking e dizer “que bosta!”

Ah, sim: como aparentemente tornou-se assunto obrigatório em entrevistas esportivas neste país, também falamos sobre Olimpíadas. E sim, Feijão acredita que suas chances de classificar são boas. A íntegra da conversa segue abaixo e vale a ressalva: em nome da autenticidade (e da intensidade) do diálogo, não cortei os palavrões (nem são tantos assim). Se isso não lhe incomoda, leia!

Incomoda entrar no site da ATP e ver que sua página abre no ranking de dupla em vez de no ranking de simples?

Tá brincando?! Sério?

Você é 113 de duplas e 142 em simples, aí a sua página abre direto com os resultados de duplas.

Ah, é? Não sabia, não. Não entro por esse site. Entro no “player zone”, que só os jogadores têm.

Mas falando de ranking, se alguém que não te acompanhou em 2015 e abre o site da ATP, essa pessoa vê que você começou o ano como #117 e terminou como #142. Ranking nem é sempre o melhor parâmetro para dizer o que aconteceu com a pessoa no ano, mas você achou que depois de tudo que aconteceu, foi um ano positivo?

Não, velho (risos).

Eu pergunto porque teve a experiência da Copa Davis, teve um começo de ano muito legal e, de repente, no seu balanço, isso seria positivo…

Ah, cara, não. Positivo, não foi, mas experiências novas, sim. Mas positivo? Não. Com certeza, não. E óbvio que o ranking é o que conta, né? Ah, foi um ano em que eu aprendi muito, cara. É corrigir para 2016 não cometer os mesmos erros, né?

Quais foram os erros? Todo mundo diz “aprender com os erros”, mas raramente alguém admite esses erros.

Ah, tem o negócio de não ficar expondo, né? Acho que são coisas que…

(interrompendo) O que não te incomoda falar sobre isso?

Não, você sabe que eu falo as coisas, eu não tenho muito problema com isso.

Por isso que eu gosto de te entrevistar (risos).

Acho que… (pausa para pensar) … Não sei, foram coisas… Acho me expus um pouco mais do que devia, perdi um pouco do…

(interrompendo) Depois da Davis?

Depois da Davis. Mas o principal mesmo, o principal-principal… Esse jogo da Davis me derrubou muito. Ninguém imagina, né? Todo mundo diz “ah, perdeu” e vem falar “você foi guerreiro, você foi legal, lutou até o último ponto”, mas e aí? Eu perdi. Só quem perdeu fui eu. Não interessa, quem estava lá era eu. Então isso me matou, né, cara? Nesse fim de semana da Davis eu tive dois extremos. Depois que ganhei do Berlocq, no sábado, eu estava me sentindo um monstro, jogando pra caralho e ganhando de um cara que… Não sei nem se ele já tinha perdido na Davis lá (em Buenos Aires). E no dia seguinte, porra, depois de sete horas, perder aquele jogo, eu estava me sentindo também o pior cara do mundo. Isso me abalou demais, cara! Não foi fácil administrar essa derrota. Foi o Brasil que perdeu. Eu adoro jogar a Davis, adoro torneio em equipe… Porra, depois foi uma depressão fodida com todo mundo no hotel, sabe? E aí, cara, me derrubou! Minha confiança foi do céu para o inferno, total. E aí eu não consegui administrar. Rolou uma indisposição, acabei me desfocando um pouquinho do tênis em si, né? Enfim… Foi basicamente isso. Acabei perdendo um pouco do foco depois disso.

E com isso, a confiança…

Minha confiança, então, foi no chão. Óbvio! Eu estava inscrito nos maiores torneios – eu também não hesitei em arriscar no calendário, né? Joguei, sei lá, três meses só de ATP e Grand Slam, ATP e Grand Slam.

Mas você estava jogando bem, né? Você fez quartas no Rio, um 500…

E semi de um 250 (São Paulo). Eu nunca hesitei! Da outra vez que me meti (no top 100), em 2011, também. Nunca deixei de jogar os maiores torneios, mas fazer o quê? Faz parte. Não me arrependo de nada que eu faço na minha vida. Já foi? Já foi. No fim do ano, estava bem cansado e deixei de jogar Buenos Aires… Não estava mais aguentando, para ser bem sincero. Este ano, tirei até uma semana a mais de férias. Eu precisava bastante relaxar. Agora já estou na terceira semana de pré-temporada, estou me sentindo um cara muito mais forte, muito mais focado eu comigo mesmo, sabe? Parece que eu limpei, sabe? Passei a borracha.

Você está mais magro, não?

Estou, estou fazendo uma dieta que você não tem noção! Dieta que nunca fiz antes. Quero chegar a 88 quilos, estou com 92. Preciso perder quatro quilos.

Mas qual é o seu peso normal de jogo?

No começo do ano, eu estava pesando 90, 89, que é muito bom já, quase 100%, mas quero bater 88 para provar para mim mesmo que eu tenho capacidade, né? Mas estou super bem, super motivado para 2016. Não tem como não estar, principalmente com a Olimpíada do lado da minha casa, é meu foco total. A cada ano que passa… A gente vai ficando mais velho também, vai aprendendo muito mais, né, cara? Vai absorvendo muito melhor os erros que gente comete, né? Acho que as coisas têm tudo para andarem bem em 2016.

Qual foi o melhor momento do ano?

São Paulo e Rio, né?

Escolhe um.

São Paulo.

Algum jogo específico?

Ah, o jogo com o Mayer foi foda, eu acho. Com o Mayer e o com o Klizan foram jogos que… O Carreño Busta eu joguei muito bem, joguei para cacete, mas com o Mayer, ali, o cara era cabeça 4, acho. Foi o jogo do ano, acho. E aqui no Rio, com o Rola, foi muito bom. Foi legal aquela volta, foi muito mais mental (Feijão perdeu três match points e levou a virada no segundo set, esteve uma quebra atrás na parcial decisiva, mas se recuperou e venceu o esloveno Blaz Rola por 6/4, 6/7(9) e 6/4 em mais de 3h de jogo). Mas também tive três derrotas de matar. Três derrotas seguidas. Com o (Luca) Vanni, com break de vantagem no terceiro; depois aqui no Rio, com o Haider Maurer, com break no terceiro para fazer semi e jogar com o Ferrer; e na Davis nem se fala.

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Eu ia chegar nesse momento… Tirando a Davis, qual a derrota mais dura?

A do Luca Vanni.

Foi mesmo?

Ah, foi.

Você entrou “já ganhei” naquele jogo?

Não, você tá louco! O cara vinha do quali, mano.

Por isso mesmo. Era o cara que ninguém esperava, você passou por uma chave que não era tão fácil e chegou ali na semi conta um qualifier…

Mas você vê que o cara tava… Tanto é que ele teve match point contra o Cuevas, pô (Vanni derrotou Feijão na semifinal e perdeu a final do Brasil Open para o uruguaio Pablo Cuevas). Você tá louco! Jamais! Podia ser o… Podia ser você jogando lá a semi e eu ia falar “caralho, o cara tá na semi”, né, meu?

(risos de ambos)

Não, não… Ele é duro. Ele joga bem parecido comigo. Saca, gosta de dar na bola. Eu já conhecia ele.

Teve um pior momento do ano?

(interrompendo) Lógico!

Não digo um jogo, digo um dia. O pior dia.

O dia que eu perdi na Davis.

Não foi o dia seguinte, dois dias depois, ou mais tarde, nas séries de derrotas?

Não. Na hora, ali, foi o pior momento. Esse dia, com certeza, óbvio.

Que horas você foi dormir?

Ah, nem lembro, cara. Imagina uma pessoa destruída. Era eu.

Não passou a noite acordado nem nada?

Não, foi normal, mas dormi pouco. No dia seguinte, já estava com tudo dolorido pra caralho.

Quanto tempo leva para começar a doer de verdade?

No dia seguinte. Para mim, foi o dia seguinte. Passei três dias, até quarta-feira, destruído. Dolorido só, também, nada de mais. Na quinta-feira, eu estava bem já. Mas no dia foi… Imagina se eu ganho aquela porra, velho! Estive a dois pontos de ganhar, velho. Saquei 6/5, 15/15, ele devolveu, eu bati uma direita na paralela e saiu isso (mostrando um espaço pequeno com os dedos). Perdi um ponto, 15/40. Ganhei um ponto, 30/40, aí fiz dupla falta. Aí ele empatou 6/6 e virou aquela guerra.

Essa sequência você não esquece…

Não tem como, né, cara? No 15/15, eu dou uma direita paralela que eu não tinha errado nenhuma… Lógico que eu estava destruído já, né? Era winner, na verdade. Ele nem foi na bola, eu lembro até hoje. A bola saiu “isso”.

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Não tem mais tática nenhuma nessa hora, né?

Não adianta. E eu olhava para o lado, o Mayer destruído. Bem antes do que eu. Bem antes! Ele estava sacando 7/6, 7/6, 4/1, eu quebrei no 4/2 e foi a hora que eu dei a volta no jogo. Eu olhei para o banco, ele estava destruído. Eu falei “fodeu, se eu ganhar este set, acabou.” Ganhei 7/5, 7/5, não sei como ele aguentou. Ele também se superou pra caralho!

Algo que ficou perdido no meio disso tudo é que antes daquele jogo de quase sete horas, você voltou ao time da Davis depois de um fim de ano tumultuado em 2014, com aquela não convocação para jogar com a Espanha. O João (Zwetsch) falou algumas coisas que você não gostou, você disse algumas coisas que ele não gostou… Como foi essa conversa com o João para você voltar ao time?

Cara, para ser bem sincero… (pausa para pensar) Na minha cabeça…

(interrompendo) Vocês brigaram ou foi uma conversa amistosa?

Não, no meu modo de ver, naquela época, eu tinha um jeito de ver e ele tinha o modo dele. Ele tinha as razões dele, e eu tinha as minhas. Acho até que a imprensa ficou do meu lado na época, né?

Eu fiquei.

Muita gente me defendeu e falou “porra, não é o momento do Rogerinho.” Meu ranking estava melhor, eu vinha ganhando mais jogos, só que na época ele falou que o Rogerinho, como tinha jogado muito bem contra o Equador, tinha levado o Brasil e ganhado os dois pontos dele e coisa tal… E aí começou. Também não sei, né? Se entra o lado político ou não.

O João não abriu isso para você?

Não, mas ah… Acho que quem está ali, sabe o que rola. Eu me dou muito bem com todo mundo, estou com o Pardal (Ricardo Acioly, seu treinador) há 11 anos, então acho que… Acho, não. Estou do lado dele em qualquer coisa. Até hoje, não só no tênis, mas em qualquer esporte, a gente tem um pouco o lado político. Então pode ser que tenha contado também, mas não sei, cara. Eu conversei com o João em Quito, eu lembro, e foi tudo bem, meu negócio com ele estava tudo certo. Ele falou “vou te chamar para jogar com a Argentina”, eu falei que “eu tô pronto” e meio que a gente passou uma borracha rápido. Eu – eu, Feijão! – nunca tive problema com ninguém. Jogador, treinador, nada. Nem Confederação nem ninguém. Por isso que eu acho que pode ter sido influência dessa parte, desse lado político.

A equipe te recebeu bem?

Claro. Marcelo, morei três anos com ele. Thomaz, pô, me dou super bem com ele, joguei juvenil com ele a vida inteira. O Bruno, nem se fala. Não, nada. Sou um cara aberto, né, cara? Acho que a galera gosta de mim. (risos de ambos)

O que te faz acreditar que 2016 vai ser melhor que 2015?

Ah, cara, acho que a minha idade está chegando e estou ficando como aquele vinho mais encorpado. Estou me sentido mais forte, tudo está parecendo mais natural. Na hora de treinar, comer um negócio, abdicar de uma coisa aqui, treinar de um jeito ali… Estou me sentido mais forte na parte de escolhas, eu acho. É o que eu te falei… Algumas escolhas acho que errei em 2015, que foi um ano de aprendizado. Então isso me fez mais forte. Acho que às vezes a gente tem que dar dois passos para trás para das três ou quatro para a frente. Acho que é isso. Estou num momento muito bom, até na minha vida pessoal também. Estou tranquilo, morando sozinho, fazendo as coisas que eu gosto, treinando com muito prazer, treinando bem, coisa que eu sempre fiz. O principal mesmo é o olhar meu ranking e ver 140… É uma motivação bem… Eu olho e digo “que bosta!”

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Eu já devo ter e perguntando isso lá atrás, em 2012, mas talvez valha perguntar de novo porque você é uma pessoa diferente hoje. Como foi este ano, depois daquele começo bom, de quartas de ATP 500, semi de ATP 250, e ter que voltar para o primeiro Challenger? Bate uma sensação de frustração?

Não, não porque eu não tinha jogado nenhum Challenger até Prostejov (em junho), que eu fiz semi ainda. Ganhei do Mathieu e do Granollers. Depois da Davis, foi o único torneio que joguei pra caralho. São dois caras que estão top 100. E perdi um jogo ganho contra o moleque que foi fazer a final (o sérvio Laslo Djere, do 20 anos, venceu por 6/7(3), 7/6(4) e 7/5). Não, a sensação foi normal, cara.

Mas não bate um desânimo começar um ano jogando Challenger em vez de…

(interrompendo e voltando a falar do segundo semestre) Ah, bate um pouquinho, mas não é nem “estou jogando Challenger.” É mais “preciso jogar bem, cara.” Porque eu sabia que tinha ponto para defender (no segundo semestre) e no momento eu não estava bem. Eu não estava confiante, não estava bem, mas estava fazendo as coisas que eu tinha que fazer. O que estava ao meu alcance, eu estava fazendo. E essa semana (Prostejov) foi a única semana que eu joguei muito bem depois das três primeiras semanas do ano. O pensamento foi “preciso ganhar, preciso somar porque senão a casa vai cair.” E caiu (risos). Tinha ponto para defender pra caralho, mas até que joguei legal no fim do ano. Joguei com o Rogerinho (em Santiago) e tive match point, ele ganhou o torneio. Depois com o Hernandez, em Lima, perdi 7/6, 7/6. O moleque perdeu na semi com match point para ir para a final. Em Bogotá, perdi para o Struvay, ele foi campeão ganhando do Zeballos e do Lorenzi. Enfim, eu estava jogando bem já. Os últimos três torneios do ano, eu estava bem já. Óbvio que não estava jogando um tênis galático, mas estava conseguindo competir bem, fazer as coisas bem. Ainda fiz uma semi em Pereira, virando três jogos perdidos… Essa gira sul-americana me fez… (interrompendo) Não chega nem a cem pontos o que fiz, mas foi legal, deu uma motivação a mais para eu sair desse buraco, ganhar alguns jogos.

Essa pré-temporada agora tem algo de diferente, além da dieta?

Estou tomando alguns cuidados a mais na parte física principalmente. A gente está segurando um pouco mais. Antigamente, como eu era mais nvo também, a gente focava muito mais em volume, volume, volume e se matar na quadra. Lógico, você é moleque, tem 20, 21, 22 anos, você aguenta três horas de manhã e três horas à tarde. Eu já estou com 27. então a gente está ficando mais esperto nessa parte de dosar. Mas só um pouquinho também. Com 27 não quer dizer que eu estou velho, né? Se eu estou velho, o André Sá está o quê, então, um ancião! (risos)

(risos) Li nas suas entrevistas depois da Davis que as Olimpíadas eram um sonho para você. Como está vendo suas chances hoje?

Ah, cara, eu vejo grandes, para ser bem sincero com você. Eu tenho 240 pontos (para defender) até o Rio Open. Vou jogar só Challengers até ali. Já tenho quatro Challengers para jogar. Jogo Quito (um ATP 250 em fevereiro), que é um torneio onde eu sei do meu potencial…

(interrompendo) Tem um Challenger aqui no Rio, né?

Dois na Argentina, um no Marapendi (clube carioca) e um em Bucaramanga. Em Bucaramanga, já ganhei um torneio. Aqui, vou estar jogando em casa… Enfim, são torneios que se ganha um, faz uma final, uma semi… Já defendi os pontos. Depois, também… Sabe? Foi como na primeira vez, que me meti (no top 100) jogando Challenger, com a confiança lá em cima. Acho que o importante no começo do ano é ganhar jogo, agarrar ritmo de jogo, um pouco de confiança e ir embora. Depois, jogando Rio (Open) e São Paulo (Brasil Open), que são dois torneios que eu amo jogar… E aí, cara… Não vou arriscar nada no calendário.

Esse ranking para as Olimpíadas fecha por volta de 80, né?

Eu acho que 80. Mas é isso, cara. Acho que (as chances) são altas. Estou super motivado, como te falei.


O Brasil Open em 20 drops shots
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Alexandre Cossenza

Não foi uma semana tão corrida quanto a do Rio de Janeiro, mas os últimos sete dias, período do Brasil Open, foram bastante animados. O torneio paulista mostrou melhorias, embora com uma chave nada forte, e conseguiu até levar um bom público ao Ibirapuera no sábado. Também vimos a torcida reconhecer o belo torneio de Thomaz Bellucci. Como ninguém aguentaria ler um post esmiuçando tudinho-tudinho, aqui vai outra edição dos drop shots, que são um punhado de reflexões rápidas sobre a semana. Confira!

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– Federico Delbonis conquistou o primeiro título da carreira, aproveitando bem as condições rápidas, ideais para seu tênis. Sacou bem, agrediu e passou por um caminho nada fácil: Volandri, Almagro, Montañés, Bellucci e Lorenzi. Saltou 17 posições no ranking, entrou no top 50 (é o 44º) e, com 23 anos, ainda tem muito a melhorar – e subir. Olho nele!

– Paolo Lorenzi saiu de São Paulo feliz da vida. O italiano, que nunca tinha sequer disputado uma semifinal de ATP, esteve a um set de conquistar o título. Tirou o máximo da chance que teve no Brasil e só não venceu porque Delbonis encontrou seu tênis a tempo. Como o próprio Lorenzi disse, ficou muito difícil fazer algo depois do primeiro set. O italiano só tem a comemorar.

– Thomaz Bellucci também encerra o torneio em alta, apesar da chance perdida na semifinal contra Delbonis. O número 1 do Brasil voltou ao top 100 (é o 86º), jogou um tênis sólido do começo ao fim e encontrou uma confiança que andou sumida em 2013. O paulista deixou muita gente otimista. Escrevo mais sobre ele nestes posts aqui e aqui.

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– Tommy Haas, anunciado pela Koch Tavares como grande estrela do torneio, não teve sucesso. Nem conseguiu atrair público nem mostrou um tênis digno de um número 12 do mundo. Para piorar, o alemão sentiu dores no ombro, abandonou sua semifinal e, na coletiva, deu a entender que se a lesão persistir, será o fim da linha. Vale lembrar que foi o mesmo ombro que o tirou do Australian Open.

– É de se lamentar a derrota de Feijão, que vinha jogando bem até sentir dores nas costas. O brasileiro, que também vinha tratando uma lesão no abdômen, foi forçado a abandonar o jogo contra Albert Montañés, nas oitavas de final. No vestiário, sentiu o baque e desabou em lágrimas.

– A decepção do torneio ficou por conta da queda de Bruno Soares e Alexander Peya. Os dois foram eliminados logo na estreia, superados por Guillermo García-López e Philipp Oswald. Foi a primeira derrota de Soares no Brasil Open desde 2010. O mineiro foi campeão em 2011 com Marcelo Melo, em 2012 com Eric Butorac e em 2013 com Alexander Peya.

– Ainda sobre Bruno Soares, publiquei durante a semana do Brasil Open esta entrevista aqui, sobre ganhos, perdas, investimentos e tudo mais que envolve prêmios em dinheiro na carreira de um tenista. A repercussão entre leitores e tenistas foi ótima. Se você ainda não leu, clique aqui.

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– Também foi uma pena a ausência de Marcelo Melo, que demorou a se decidir entre Dubai e São Paulo e, quando alcançou a final no Rio de Janeiro, na semana anterior, não teve tempo de encontrar um parceiro para entrar no Brasil Open. Ele e seu técnico e irmão, Daniel, voltaram para Belo Horizonte.

– García-López e Oswald acabaram sagrando-se campeões na chave de duplas, mas não sem uma dose gigante de sorte. Na final contra os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah (campeões do Rio Open), espanhol e austríaco escaparam de um match point quando uma bola marota bateu na fita e tocou no ombro de Cabal.

– Não é culpa de ninguém, mas o calendário do tênis mundial, com dois torneios no Brasil na mesma semana, não é nada bom para o país. Especialmente para Florianópolis, que não conseguiu atrair um nome de peso para a edição deste ano. Com isso, a cobertura da grande imprensa fica concentrada no Brasil Open, em São Paulo. Na capital paulista, os veículos não precisam pagar viagem e hospedagem a seus repórteres. Além disso, o torneio deste ano teve Thomaz Bellucci com reais chances de título.

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– Outra conversa que gostei de ter no torneio paulista foi com o argentino Daniel Orsanic, ex-treinador de Thomaz Bellucci. Após ser dispensado pelo brasileiro, Orsanic foi contratado por Pablo Cuevas. Os dois trabalharam juntos por três anos, justamente na época que o uruguaio alcançou seu melhor ranking. Agora recuperado após duas cirurgias no joelho, Cuevas vem subindo no ranking e tentando voltar ao nível que sabe que pode jogar. Leia aqui.

– Os três melhores tenistas do Brasil não disputarão o qualifying de Indian Wells. Para Bellucci, que fez semi em São Paulo, haveria pouco tempo de adaptação; Feijão tem lesões nas costas e no abdômen; e Rogerinho vai representar o país nos Jogos Sul-Americanos, em Santiago.

– A Koch Tavares voltou a acertar a mão com a organização do Brasil Open. A edição 2014 foi a melhor das três realizadas na capital paulista. Assentos numerados, uma quadra secundária digna, mais lojas e opções de alimentação na parte externa do Ibirapuera e até uma tentativa de reduzir a sensação térmica dentro da quadra central tornaram o evento muito mais agradável.

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– Houve, claro, falhas. A mais notória foi o apagão de quarta-feira. O calor (o termômetro de meu táxi indicava 38 graus), superaqueceu os cabos dos geradores e, por medida de segurança, a organização optou por desligar a força temporariamente. Foram 20 minutos sem luz, tempo no qual os geradores ficaram em stand by até que os cabos resfriassem.

– Em coletiva realizada no domingo, o diretor do Brasil Open, Paulo Pereira, mostrou-se bem consciente de que o torneio ainda precisa melhorar. Entre os planos, estão mais uma quadra de jogo e novas opções de alimentação e lazer (publico em breve a íntegra da coletiva, que foi realizada durante a final de simples – o timing não foi dos melhores).

– O Brasil Open ainda tenta, junto à ATP, mudar sua data. A intenção da Koch Tavares é fazer o torneio duas semanas antes, trocando de lugar com o ATP de Buenos Aires. Segundo Paulo Pereira, as melhorias do evento em 2014 vão pesar a favor de São Paulo, mas com uma ressalva: ”Como (também) vão pesar as eventuais melhorias que os argentinos fizeram por lá.”

– Falando em coletivas, a mais memorável deste Brasil Open foi a única concedida por Nicolás Almagro, que bateu boca com um jornalista. O vídeo da “conversa” foi parar no SporTV News, e está reproduzido abaixo. Na bancada da imprensa no Ibirapuera, cogitava-se a criação de camisetas com os dizeres “¿Viste el punto?”

– Havia 3.730 pessoas no Ibirapuera no domingo, dia da final. Nos dias anteriores, os públicos “pagantes e presentes” (número não conta quem pagou e não foi) foram de 1.050 na segunda-feira, 2.306 na terça, 3.080 na quarta, 2.760 na quinta, 3.750 na sexta e 5.008 no sábado. Com Bellucci na final, provavelmente teríamos o melhor público do torneio, mas faltaram dois games para isto. É o preço que se paga pela caótica edição de 2013, com todo tipo de problemas.

– Mais números do Brasil Open: o torneio usou 14 toneladas de pó de telha para cobrir as duas quadras, 5.040 bolinhas do tipo Wilson Australian Open, 1.100 metros de linha para fazer as marcações, 30 quilos de pregos, 40 máquinas climatizadoras, 700 toalhas, e 500 quilos de gelo. Foram servidas 4.800 refeições para jogadores e estafe, e quatro dúzias de bananas eram levadas diariamente ao Ibirapuera – só para os tenistas.

– Diálogo rápido com Rogerinho na zona mista, após sua vitória na primeira rodada, após ele dizer que tinha feito uma mudança por “coisa pessoal, de tenista.”
Repórter: Você tem muitas superstições?
Rogerinho: Várias, mas não vou te falar (risos).
Outro repórter: Não falar a superstição é vergonha ou outra superestição?
Rogerinho: Outra superstição (mais risos).


Lições sobre a final que escapou
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Alexandre Cossenza

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Durante um set e meio, Federico Delbonis foi melhor em quadra. Sacou bem, foi mais sólido do fundo de quadra e quebrou o saque de Thomaz Bellucci duas vezes. O brasileiro perdeu a primeira parcial por 6/4 e perdia por a segunda por 4/2. Sacou em 15/40 e, tivesse perdido um dos dois pontos seguintes, veria o argentino sacar em 5/2, com o jogo praticamente ganho. Todos sairiam do Ibirapuera convencidos por um resultado justo, fruto de uma atuação bastante superior de Delbonis.

Só que não foi isso que aconteceu. Bellucci salvou os dois break points, viu o oponente jogar um game ruim, devolveu a quebra e, pouco depois, venceu o tie-break, forçando o terceiro set. Delbonis começou mal, ficou atrás no placar, e o brasileiro abriu 4/3 e saque, com 30/15 no placar. Foi aí que a coisa começou a desandar para o tenista da casa e um barulhento ginásio. Após um erro, Bellucci cedeu break point e cometeu uma dupla falta: 4/4.

Irritado, o paulista ainda voltou a falhar no game seguinte, jogando para fora uma devolução de segundo saque com 40/30 no placar – depois de duas curtas erradas em sequência do oponente. Depois, Bellucci perdeu o saque. Game, set, match, Delbonis: 6/4, 6/7(5), 6/4. O argentino está na final do Brasil Open, e o público do Ibirapuera sai decepcionado com a enorme chance desperdiçada.

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É compreensível o sentimento de decepção, ainda mais depois de ver o tenista da casa sair de um buraco, inverter o panorama e estar a seis pontos (!) da final do torneio. É preciso lembrar, contudo, que Delbonis foi o melhor tenista em quadra durante a maior parte do dia. O argentino sacou bem, agrediu com mais eficiência e, não fosse a pressão exercida pelo público no fim do segundo set, provavelmente teria fechado o jogo rapidinho, sem drama. E foi bacana notar que Bellucci analisou o jogo exatamente como deveria: dando méritos ao rival e admitindo suas falhas.

“Em certos momentos, consegui ser superior, mas na maioria do jogo eu estive atrás. Acho que ele foi superior. Até eu conseguir a quebra no segundo set, ele não me deu chance nenhuma, acho que eu não tive nenhum break point. Eu consegui reverter uma situação difícil, mas na hora de matar o jogo não tive competência de liquidar. Fiz o mais difícil, que era reverter a situação, e na hora que estava em cima, jogando melhor, deixei escapar algumas chances. Foi crucial. Neste nível, não dá para você jogar tão mal quanto eu joguei do 4/2 em diante.”

Fazendo um balanço das últimas duas semanas, vale notar que Bellucci deu menos pontos de graça a seus adversários. Viveu bons e maus momentos, sim, mas foi muito mais sólido do que vinha sendo. Tudo é consequência do que vem sendo pedido por Francisco “Pato” Clavet, seu técnico. A ideia é cometer menos erros e também esperar por falhas dos oponentes. A tática, em tese, cria um conflito com o tênis instintivo de Bellucci, que sempre quer atacar primeiro, mas até agora o brasileiro vem mostrando rara paciência nas trocas de bola.

“Uma coisa que ele (Clavet) vem falando desde o ano passado é que eu tinha, mesmo com vantagem no placar, jogar mais sólido, cometer menos erros. Sem perder a minha personalidade, minha postura dentro de quadra, que é jogar agressivo e buscar os winners. Isso é uma coisa que ele tem tentado trabalhar bastante. Estou mais consistente e agora ele bate mais na tecla ainda de que eu tenho que mudar a maneira de enxergar o jogo e de tentar diminuir um pouco a velocidade, jogar um pouco no erro do adversário, trabalhar mais os pontos.”

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Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– No ranking da próxima semana, Bellucci aparecerá entre os 90 melhores tenistas do mundo. Será uma ascensão de mais de 20 posições, suficiente para colocá-lo diretamente nas chaves dos ATPs menores e dos Grand Slams. Por enquanto, vagas em ATPs 500 (em sua maioria) e Masters 1.000 ainda precisarão ser conquistadas via qualifying.

– Pela primeira vez desde 2007, o Brasil Open não terá um espanhol como campeão. Desde que o argentino Guillermo Cañas levantou o troféu, o torneio brasileiro viu os títulos ficaram com Nicolás Almagro (2008, ’11 e ’12), Tommy Robredo (2009), Juan Carlos Ferrero (2010) e Rafael Nadal (2013). E também será a primeira final sem um espanhol desde, vejam só, 2004!

– É a primeira vez que Delbonis disputa a chave principal do Brasil Open. Nas quatro edições anteriores do torneio, o argentino parou no qualifying.

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Coisas que eu acho que acho:

– Sim, o público saiu decepcionado, mas é bom lembrar que ninguém vaiou ou reclamou a ponto de deixar Bellucci mais nervoso ainda. Pela primeira desde 2010, o número 1 do país não é vaiado no Brasil Open. Já é um começo.

– Há muito a comemorar se você é fã de Bellucci. Nas últimas duas semanas, o número 1 do Brasil venceu jogando bem, mas também venceu jogando mal. Fez ajustes táticos que fizeram falta em boa parte de sua carreira e, hoje, parece disposto a seguir corrigindo falhas em seu tênis. Não se pode pedir muito mais do que isto de um atleta profissional.

– Federico Delbonis x Paolo Lorenzi é a final do torneio paulista. O argentino é o número 61 do mundo, enquanto o italiano é o 114º e disputava Challengers na América do Sul no fim do ano passado. Não é exatamente a final dos sonhos da Koch Tavares, organizadora do torneio. Deve ser, por outro lado, uma final sonhada pelos dois tenistas. Quem vencer levantará um troféu de ATP pela primeira vez.


Um reencontro “bacana” (como nós falamos)
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Alexandre Cossenza

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É uma história feliz a do reencontro do uruguaio Pablo Cuevas e de seu atual técnico, Daniel Orsanic. Ou melhor, “bacana”, como o treinador diz, encontrando um adjetivo no português. Os dois começaram a trabalhar juntos em 2008, com o tenista fora do top 100, e a parceria levou Cuevas ao melhor ranking de sua carreira (45 do mundo, em 2009), mas uma séria lesão no joelho direito o afastou do circuito mundial e forçou o fim da relação com Orsanic.

O treinador argentino, todo mundo sabe, foi contratado por Thomaz Bellucci no fim de 2011 e passou duas temporadas quase inteiras ao lado do paulista. Por um ano e meio, Bellucci manteve-se entre os 40 melhores tenistas do mundo, mas lesões atrapalharam sua temporada de 2013 e o tiraram até do top 100. O resultado foi a contratação de um novo técnico, o espanhol Francisco Clavet.

Enquanto tudo isso acontecia, Cuevas tentava voltar às quadras. O uruguaio ficou quase dois anos longe dos torneios, e seu primeiro resultado relevante veio no fim do ano passado, quando venceu um Challenger em Buenos Aires – onde derrotou, vejam a curiosidade, Bellucci na primeira rodada. Na semana seguinte, Cuevas foi à semifinal em Montevidéu, em outro Challenger. Uma de suas vítimas naquele torneio foi Paolo Lorenzi, outro semifinalista do Brasil Open de 2014.

E o resultado dessa combinação foi o reencontro de Cuevas e Orsanic, que voltaram a trabalhar juntos agora, em 2014. Como ambos estiveram aqui em São Paulo, aproveitei para bater um papo com Orsanic, que sempre foi muito simpático comigo – desde a primeira entrevista, no Brasil Open de 2012, até nos encontros na Nova Zelândia e na Austrália. Vejam o que ele diz, falando português (não usou uma só palavrinha de espanhol na conversa inteira) sobre a relação com Cuevas.

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Como foi a reaproximação?
Eu vi que ele estava jogando de novo a partir da metade do ano passado. Jogou Roland Garros e depois, no fim do ano, me contactou para pedir que ajudasse ele part-time. Só algumas semanas porque ele está bem do joelho, mas é difícil para ele ter essa certeza que ele vai conseguir jogar o ano inteiro, né? Então nosso acordo é estar juntos por algumas semanas.

É um trabalho muito diferente? Você tem um papel mais de psicólogo agora?
É o mesmo trabalho que fazia antes. Nós trabalhamos muito na técnica, no jogo do tenista, mas todos sabemos que, hoje em dia…

(interrompendo) Se não tem confiança…
Exatamente. A parte mental é muitas vezes aquilo que faz a diferença. Hoje em dia, tem muito jogador que está bem preparado, mas vence quem está melhor mentalmente. Ele (Cuevas) tem um volume de jogo muito grande, joga muito tênis. Está voltando, está ganhando confiança no seu corpo, no seu tênis. Em algumas, dá para vencer. Em outras, não. Ele está voltando, querendo voltar ao nível mais alto, jogar ATPs. No fim do ano passado, ganhou um Challenger, fez semifinal de outro, mas isso, agora, é um nível mais alto. Ele tem que se acostumar também.

Essa é a parte mais difícil? Encontrar o ponto entre o nível que você está jogando e o nível que você quer e sabe que pode jogar?
Temos que ter paciência. Temos que manter ele são, competitivo. Ele sabe que pode jogar muito bem, mas tem um caminho para andar até se sentir assim, sabe? Em alguns dias, ele vai se sentir muito bem, mas tem que ir construindo seu ranking. Em alguns torneios, ele ainda pode utilizar o ranking protegido, mas em outros, torneios menores, ele vai jogar com seu ranking real (197).

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Então vai jogar quali, Challenger, o que precisar?
Claro, claro. Em duplas, ele está melhor, 46. As duas coisas para ele são importantes, mas tem um caminho a percorrer.

Vocês dois estão contentes com o que vêm conseguindo?
Ele, principalmente, está muito feliz de ter uma outra chance de jogar. Eu sou amigo dele. Nesse relacionamento anterior, a gente criou uma amizade e estou muito feliz por ele de ter essa nova chance. E mais ainda que ele me escolheu para ajudá-lo nessa etapa.

É uma história legal a de vocês, não?
Sim. É bacana, como vocês falam. É uma situação bacana. Tomara que ele consiga ter bons resultados para continuar jogando um bom nível.

E qual a programação desde agora?
Ele vai jogar dois Challengers (Panamá e Barranquilla), com seu ranking real, depois vai a Houston. Provavelmente, se entrar, vai jogar em Monte Carlo. Se não, vai deixar o ranking protegido para outro ATP. A ideia é jogar Houston, Monte Carlo, Bucareste, Oeiras e depois voltar para descansar. Então, vai jogar Paris e mais algum Challenger depois.


Reencontrando o caminho
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Alexandre Cossenza

Bellucci_SP_r16_GasparNobrega_blog

Houve partidas feias, como a desta quinta-feira, contra o austríaco Andreas Haider-Maurer. Houve também atuações com falhas táticas. Foi assim contra Juan Mónaco, no Rio de Janeiro. Viradas? Foram três. Duas delas, em cima do colombiano Santiago Giraldo. E também houve momentos fantásticos, como o terceiro set contra Mónaco e o primeiro contra David Ferrer. Mais importante que tudo isso, contudo, é notar que Thomaz Bellucci voltou a vencer. E, graças às campanhas no Rio e em São Paulo, garantiu seu retorno ao top 100.

Há bastante a elogiar nestas duas semanas. Bellucci fez boa leitura tática de suas partidas, soube contar com a torcida nos momentos decisivos e, melhor ainda, não deixou de acreditar que era possível vencer. Por tudo isso, jogou cinco partidas de três sets e levou a melhor em quatro. O que aconteceu de uma hora para a outra? Gosto da explicação que o número 1 do Brasil deu após seu primeiro triunfo em São Paulo, ainda na terça-feira. Indagado (muito bem, por sinal) pelo repórter Felipe Priante, do Tenisbrasil, sobre suas análises mais profundas dos jogos, Bellucci deu a seguinte resposta:

De uma certa maneira, eu estou um pouco mais confiante, mais solto dentro de quadra. Isso não te traz medo de, às vezes, falar seu ponto fraco, de mostrar alguma fraqueza. Todo tenista tem seus pontos que não são tão fortes, e não é fraqueza dizer isso. Quando eu faço uma coisa bem, eu reconheço, eu falo. Hoje em dia, sou um jogador um pouco mais seguro de quadra, consigo expor mais o que sinto e consigo passar para as pessoas depois. Também para o Pato (Francisco Clavet, seu técnico), para a gente conversar sobre o jogo depois da partida. Acho que isso a maturidade, a experiência, vão trazendo isso para você.

Alguém pode dizer “grande coisa estar no top 100 outra vez” ou “não deveria ter nem saído”, mas o fato é que Bellucci teve lesões, perdeu ritmo e despencou. Em outubro do ano passado, era o 168º na lista da ATP. Na segunda-feira passada, ainda era o 130º. Dois bons torneios, duas quartas de final (pelo menos), dois bons saltos. E ainda há uma ótima chance de ir mais longe no fraco Brasil Open, que viu um punhado de cabeças de chave caindo antes da hora. Bellucci encara Martin Klizan nas quartas, nesta sexta-feira. Se vencer, pega Albert Montañés ou Federico Delbonis na semi. Todos são jogos ganháveis.

Rogerinho_SP_r16_MarceloFerrelli_blog

Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– O sistema de climatização improvisado pela Koch Tavares não deu conta de deixar o Ibirapuera em uma temperatura agradável. Nesta quinta-feira, o ginásio estava bem quente ainda que com pouco público. Se ficar mais cheio no fim de semana, deveremos ver as mesmas reclamações de sempre.

– O calor causou problema maior na quarta-feira, com um apagão na Quadra Central. Os cabos dos geradores superaqueceram e, por medida de segurança, a organização optou por desligar a força temporariamente. Foram 20 minutos sem luz, tempo no qual os geradores ficaram em stand by até que os cabos resfriassem.

Feijao_SP_r16_GasparNobrega_blog

Coisas que eu acho que acho:

– Se Bellucci consegue vencer sem jogar bem o tempo inteiro, não dá para dizer o mesmo dos outros brasileiros que entraram em quadra nas oitavas de final. Rogerinho teve chances contra Paolo Lorenzi e jogou bem em alguns momentos da partida, mas por pouco tempo, sem consistência. Acabou eliminado e saiu de quadra reconhecendo que precisa de mais ritmo de jogo. O paulista, é bom lembrar, teve lesões no tornozelo e no joelho no fim da temporada passada.

– Feijão foi vítima de seu corpo. Já no Rio de Janeiro, o paulista teve dores no abdômen, mas nada que o impedisse de atuar. Nas oitavas de final em São Paulo, nesta quarta, sentiu também dores nas costas. A combinação foi letal, e o número 2 do país foi forçado a abandonar a partida contra Montañés. No vestiário, chorou.


Almagro al dente
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Alexandre Cossenza

A passagem de Nicolás Almagro pelo Brasil não foi das melhores. No Rio de Janeiro, o espanhol foi eliminado na primeira rodada e deixou a quadra insatisfeito com deu tênis. Em São Paulo, o número 17 do mundo foi derrotado na estreia outra vez. Almagro não foi embora, entretanto, sem aprontar.

No terceiro set, à beira da derrota, o espanhol virou alvo para Federico Delbonis junto à rede. O argentino bateu a bola na direção do peito de Almagro, que conseguiu se defender e, de alguma maneira, fez a bola passar para o outro lado da rede, ganhando o ponto. Irritado com o adversário (e talvez com seu próprio tênis), Almagro soltou, sem economizar fôlego, um sonoro “hijo de p…”

Não foi o último momento tenso do rapaz no Ibirapuera. Na entrevista coletiva, indagado por um repórter sobre o insulto, o ex-top 10 interrompeu a pergunta e perguntou seguidamente “viste el punto?”, “viste el punto?” Não houve clima para a coletiva depois disso. Um repórter fez uma segunda pergunta e foi só. Almagro foi embora andando rápido, da mesma maneira que chegou à sala de imprensa.

(O Band Sports tem um vídeo completo do incidente. Clique aqui para ver)


Brasil Open: a salvação pode ser caseira
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Alexandre Cossenza

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Sai o Rio Open, entra o Brasil Open. O circuito masculino deixa a Cidade Maravilhosa para fazer uma parada mais modesta em São Paulo. Em uma data ruim (concorre com Acapulco e Dubai, dois ATPs 500) e com a péssima impressão deixada pela edição do ano passado, a Koch Tavares tenta fazer um belo torneio, mesmo com poucos nomes, sem patrocinador máster e com o alemão Tommy Haas sendo seu principal nome. Não é lá muito fácil.

Cheguei ao Ibirapuera na tarde desta segunda-feira, e o movimento fora do ginásio era quase inexistente. Do lado de dentro, não era muito melhor. Uns gatos pingados testemunhavam o fim do jogo entre Guido Pella e Leonardo Mayer. Pouco depois, foi a vez de Feijão entrar em quadra para encarar Robin Haase, e foi aí que o Brasil Open ganhou vida em sua edição 2014.

O paulista fez um belíssimo jogo e ganhou com gente grande. Saiu de um 4/5 e 0/40 no primeiro set com coragem, atacando, e acabou ganhando 13 de 14 pontos na sequência. Quebrou Haase, encaixou uma série de ótimos saques e fez 7/5 na primeira parcial. No segundo set, esperou suas chance e aproveitou quando ela apareceu. Empurrado por uma pequena, mas barulhenta torcida (o ginásio coberto ajuda neste quesito), conquistou um excelente resultado contra o atual número 45 do mundo. Foi sua primeira vitória em um torneio de nível ATP desde – olha que curioso – o Brasil Open do ano passado.

“Em comparação ao ano passado, contra o Nadal, (tinha) dez vezes menos (público). Mas se você for ver, não estava tão vazio. É que o estádio é muito grande, então a impressão que dá é que estava vazio. Mas o apoio, com certeza, fez a diferença para mim.”

A vitória de Feijão é um indício do que pode acontecer de bom para o torneio e o público paulistas. Não é muito diferente no que aconteceu no WTA do Rio de Janeiro. Com uma chave nada forte, aumentam as chances de os brasileiros irem longe. Nesta terça-feira, saberemos mais. Não antes das 14h30min, Rogerinho enfrenta Guillermo García-López. Não antes das 17h30min, Guilherme Clezar encara Martin Klizan. Depois, após as 19h, tem reedição de um dos duelo da primeira rodada no Rio de Janeiro: Thomaz Bellucci x Santiago Giraldo.

Quadra1_SP_GasparNobrega_blog

Coisas que eu acho que acho:

– Muito já se comentou sobre as melhorias que o Brasil Open prometeu para este ano. Uma delas é a nova Quadra 1, que aposentou o velho Mauro Pinheiro. Ainda que desprovida do “charme” de um balde amarrado com arame no teto (é brincadeira, gente, calma!), a Quadra 1 é um grande avanço. Quem assistir a algum jogo lá ficará pertinho dos tenistas. O ambiente promete.

– A Koch Tavares também instalou climatizadores de ar para reduzir a temperatura dentro do Ibirapuera. Com o ginásio vazio nesta segunda, ficou difícil julgar a eficiência da medida. Não senti calor, mas também não me lembro de ter sentido calor em dias sem muito público aqui em São Paulo. Esta terça, com três brasileiros nas simples, pode ser um teste melhor.

– Os ingressos estão a preços bem acessíveis. De segunda a quarta, entradas para anéis superior e inferior custam, respectivamente R$ 15 e R$ 50. Se você está com um pé atrás por causa do caos do ano passado, sugiro que compre um bilhete para esta terça e veja as mudanças. Os assentos agora são numerados, há mais lojas, e mais opções de comida.


Data incerta para o Brasil Open em 2015
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Alexandre Cossenza

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A ATP divulgou, nesta segunda-feira, seu calendário para 2015. A grande novidade para a entidade é o aumento da temporada de grama e do consequente intervalo entre Roland Garros e Wimbledon. A partir do ano que vem, serão três semanas – uma a mais – entre os Grand Slams do saibro e da grama. Para o Brasil, no entanto, há um outro ponto que merece atenção especial. Ainda não foi definida uma data para o Brasil Open, torneio organizado em São Paulo.

Não, não há risco de o evento ficar fora do calendário. A dúvida é apenas saber qual será data, já que a ATP lista São Paulo e Buenos Aires como “TBD”, ou “a ser determinado”. Um dos torneios será na semana de 9 de fevereiro, exatamente a data do evento argentino este ano. O outro começará a partir de 23 de fevereiro, período que em 2014 é de São Paulo. É de se imaginar uma briga nos bastidores, já que a posição do dia 23 é uma das piores de toda a temporada. Na mesma semana, são disputados dois ATPs 500: Acapulco e Dubai, ambos em quadra dura.

ATP World Tour Calendar 2015

O Rio Open, torneio ATP 500 da IMX realizado na Cidade Maravilhosa, não sofre alterações. Está confirmado na semana do dia 16 de fevereiro. No mesmo período, há dois ATPs 250: Marselha e Delray Beach. É um bom lugar para o Rio de Janeiro. E vale lembrar que foi a entrada do evento carioca no calendário sul-americano que empurrou São Paulo para a data ruim que ocupa agora.

E a Copa Davis?

Outra dúvida levantada pelo calendário 2015 da ATP diz respeito aos períodos de disputa do Grupo Mundial da Copa Davis, que exige quatro datas. O dilema é que os únicos períodos livres são: 2 de março (imediatamente antes de Indian Wells), 14 de setembro (na primeira semana pós-US Open), 9 de novembro (entre o Masters de Paris e o ATP Finals) e 23 de novembro (pós-Finals).

Enquanto a ITF não se pronunciar, a impressão que fica é que semifinal e final serão 9 e 23 de novembro. Não mudaria a decisão, que é costumeiramente depois do ATP Finals, mas realizar uma semifinal-sanduíche entre Paris e Londres não me parece – nem de longe – a opção ideal.

PetcoPark_Davis_2014_blog

Sem ir na toalha (para ler em até 20 segundos):

– Na última semana, o Brasil Open anunciou algumas novidades importantes. Depois do fiasco de 2013, com bolas ruins, saibro ruim, ginásios quentes e mais gente do que assentos no Ibirapuera, o torneio tenta mostrar que os erros não se repetirão. As bolas, por exemplo, serão as mesmas do Australian Open. Paulo Pereira também prometeu que a construção das quadras será meticulosamente acompanhada pela direção do torneio.

– A novidade mais interessante é a construção de um miniestádio com capacidade para 700 pessoas. Ou seja, o precário Mauro Pinheiro será aposentado e você não poderá mais fotografar o pitoresco balde amarrado no teto. O miniestádio será climatizado e, se não dá para fazer o mesmo com o Ibirapuera, a Koch Tavares promete um sistema que diminuirá a sensação térmica em até 5 graus em relação à área externa. Trocando em miúdos: se fizer 40 graus em São Paulo, o público do Brasil Open sentirá apenas 35.

– O comunicado do Brasil Open também afirma que “os ingressos, que já estão à venda, são numerados para evitar transtornos no Ginásio do Ibirapuera”. Sabemos que assentos marcados não são sinônimo de solução (basta que haja um erro de impressão ou alguém falsificando bilhetes para que tenhamos duas pessoas brigando pelo mesmo lugar), mas já é um começo. Mostra, como as outras medidas, que o torneio quer acertar.

– Faltam duas semanas para o Brasil Open, e ainda não há anúncio de um patrocinador máster para o torneio. Notem que a imagem do miniestádio, que reproduzo no alto do post, divulgada pelo torneio, não traz marcas.