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AO, dia 13: Serena, Venus e uma celebração de sucesso em família
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Alexandre Cossenza

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Foi mais do que uma final de Grand Slam, até porque a partida não foi tão especial nem equilibrada assim. Mas foi um evento, uma cerimônia, uma celebração de duas carreiras fantásticas na mesma família. Foi o especial retorno de Venus Williams a uma decisão, mas também foi o 23º Slam de Serena, a irmã mais nova, a maior vencedora de Slams da Era Aberta – e agora de forma isolada.

Neste sábado, a Rod Laver Arena foi um palco para Venus reverenciar a irmã pelo #23, mas também pela carreira.

A quadra central do Australian Open também foi cenário de um emocionado discurso de Serena, reverenciou igualmente a irmã, dizendo que não teria sequer vencido um Slam sem ela – muito menos 23. “Ela é minha inspiração, o único motivo pelo qual estou aqui hoje e pelo qual as irmãs Williams existem.”

Sobre a partida, levou algum tempo para que Serena se impusesse. Foram quatro quebras de saque nos quatro primeiros games. Daí em diante, Venus não teve mais nenhuma chance de quebra. A número 2 do mundo quebrou no sétimo game, tanto no primeiro quanto no segundo set. O placar final mostrou 6/4 e 6/4.

De volta ao topo + top 10

Com o título Serena volta a ocupar a liderança do ranking da WTA. Ela sai de Melbourne com 7.780 pontos, contra 7.115 de Angelique Kerber, campeã do Australian Open no ano passado e que começou a semana como #1.

O top 10 a partir de segunda-feira terá, além das duas, Karolina Pliskova como #3, no melhor ranking de sua carreira, seguida de Simona Halep, Dominika Cibulkova, Agnieszka Radwanska, Garbiñe Muguruza, Svetlana Kuznetsova, Madison Keys e Johanna Konta. Venus aparece na 11ª posição, logo à frente de Petra Kvitova.

O lugar na história

A conversa sobre quem é/foi a melhor tenista de todos os tempos volta à tona sempre que Serena vence um Slam. Não é diferente desta vez. Em números, ela fica atrás apenas da australiana Margaret Court, que ganhou 24 torneios desse nível de 1960 até 1973.

Serena também é a maior campeã do Australian Open (sete troféus) e tem o maior número de vitórias (316) em Slams na Era Aberta – a partir de 1968.

Aos 35 anos, ela é ainda a mais velha a vencer um Slam na Era Aberta, a mais velha a chegar ao topo do ranking, e a dona do maior número (dez) de títulos de Slam na Era Aberta conquistados após completar 30 anos.

Além disso, a americana também é quem mais ganhou dinheiro em prêmios na carreira, com US$ 85,4 milhões, deixando muito longe atrás a segunda colocada – Maria Sharapova, com US$ 36,8 milhões.

O presente do #23

Michael Jordan, o #23 mais famoso do mundo e quase nunca contestado como o maior jogador de basquete da história, enviou, via ESPN, um presente especial.

Os campeões

Na chave de duplas masculinas, não foi desta vez que Bob e Mike Bryan voltaram a levantar um troféu de Slam. Os gêmeos americanos foram derrotados por Henri Kontinen e John Peers por 7/5 e 7/5.

Finlandês e australiano, aliás, nunca perderam para os Bryans. O jogo deste sábado marcou sua terceira vitória em três duelos. Em grande fase, Kontinen e Peers agora somam 16 vitórias nos últimos 17 jogos.

Os Bryans, que disputaram sua 30ª final de Slam, tentavam igualar o recorde do australiano John Newcombe, que conquistou 17 títulos de Slam nas duplas. Por enquanto, os americanos seguem empatados com Roy Emerson e Todd Woodbrigde, com 16 troféus.

P.S. Por causa de uma série de compromissos neste sábado, este post saiu mais curto do que eu desejava. Também estava nos planos um texto de prévia sobre a final masculina, mas a falta de tempo não me deixou fazer. Agradeço a compreensão. Volto depois de Federer x Nadal.


Muguruza, uma campeã mais Serena do que a própria Serena
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Alexandre Cossenza

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Posição firme na linha de base, empurrando consistentemente a adversária para trás. Saques precisos em break points. Coragem para agredir e arriscar em momentos delicados. Precisão, potência e profundidade. Três linhas que costumam definir Serena Williams, mas que hoje servem para descrever Garbiñe Muguruza, nova campeã de Roland Garros.

A espanhola de 22 anos fez uma final espetacular, sufocando e encurralando a número 1 do mundo justamente no estilo de jogo que a americana prefere. Neste sábado, Garbiñe Muguruza foi mais Serena Williams do que a própria Serena Williams. Confirmou o que todos viram ao longo de duas semanas. Foi ela que mostrou o melhor nível de tênis desde os primeiros dias deste Roland Garros.

A final

A número 1, que entrou em quadra com uma lesão no adutor (e jamais culpou a lesão pela derrota), até teve suas chances no set inicial. Muguruza quase sempre encontrou respostas. Tanto no quarto game, quando salvou dois break points, quanto no sexto, saindo de um 0/30. Por fim, no 12º, saiu de 15/40 para confirmar o saque e fechar a parcial.

Tudo ficou ainda mais claro quando Muguruza abriu a segunda parcial quebrando o serviço de Serena. A escalada seria dura para a americana, que até devolveu a quebra em seguida, mas perdeu o saque outra vez no terceiro game. Tanto quanto no mérito técnico, a espanhola foi louvável ao manter seu plano de jogo e não aliviar em momento algum. Não teve medo, não tirou o braço, não esperou erros da oponente. Manteve a pressão, impedindo que a americana estabelecesse uma posição mais perto da linha de base.

Muguruza tampouco titubeou quando teve o saque para fechar o jogo. Nem depois de perder quatro match points no saque de Serena. Ganhou quatro pontos seguidos, inclusive com um golpe de vista lamentável de Serena, que tinha a corda no pescoço. Jeu, set et match, Muguruza: 7/5, 6/4.

Uma marca inédita para Serena

Pela primeira vez na carreira, Serena Williams perdeu duas finais de Slam consecutivas, já que vinha de derrota também no Australian Open. Atual campeã de Wimbledon e líder folgada do ranking, a americana pode obter o raro feito de ocupar o topo do ranking sem ter um título de Slam na sua somatória caso não repita a conquista em Londres.

Serena agora soma vices em todos os quatro Slams. Além dos dois reveses deste ano, a americana perdeu finais no US Open em 2001 e 2011 e em Wimbledon nos anos de 2004 e 2008.

Os recordes que não vieram

Fosse campeã, Serena igualaria a marca de Steffi Graf, recordista de títulos em torneios do Grand Slam na Era Aberta (a partir de 1968) do tênis, com 22. O recorde geral é da australiana Margaret Court, que levantou 24 troféus. Serena também se tornaria a mais velha campeã da história de Roland Garros. A honra é da húngara Zsuzsi Kormoczy, campeã com 33 anos e 279 dias em 1958.

O ranking

Após a final deste domingo, o top 10 feminino ficou assim:

1. Serena Williams
2. Garbiñe Muguruza
3. Agnieszka Radwanska
4. Angelique Kerber
5. Simona Halep
6. Victoria Azarenka
7. Roberta Vinci
8. Belinda Bencic
9. Venus Williams
10. Timea Bacsinszky

A homenagem

Amélie Mauresmo foi homenageada pouco antes da partida. A cerimônia foi para lembrar sua entrada no Hall da Fama Internacional do Tênis e contou com vários nomes gigantes do tênis. Estavam na Chatrier Rod Laver, Billie Jean King, Yannick Noah, Guillermo Vilas e Guga, entre outros.

O bolão impromptu do dia

A pergunta era: quem será a campeã e quantos games terá a final?

Os campeões de duplas

Pelo segundo ano seguido, Bob e Mike Bryan foram vice-campeões de Roland Garros. O título, desta vez, ficou com os espanhóis Feliciano e Marc López, que venceram a final deste sábado por 6/4, 6/7(6) e 6/3.

O resultado impediu que Bob Bryan voltasse à liderança do ranking e colocou o francês Nicolas Mahut no topo da lista. Marcelo Melo, que perde a liderança, cai para o oitavo posto, logo à frente de Bruno Soares, que é o nono.

Melhores lances

Não foi exatamente um lance espetacular, mas reflete o que aconteceu em boa parte do jogo. Garbiñe Muguruza mais perto da linha de base, empurrando Serena Williams para trás e ditando o ponto. Neste caso específico, a espanhola abriu a quadra, se aproveitando da movimentação não tão boa da número 1 do mundo, e matou o ponto com a quadra aberta.


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