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Bia Haddad: sobre meditação, expectativas, contas a pagar e amor no tênis
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Alexandre Cossenza

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“Se eu estivesse ganhando jogo, você saberia.” Foi assim, direto, mas sem mágoa, que Bia Haddad reagiu quando lhe disse não saber que ela morava no Rio de Janeiro há um ano. E a paulista foi assim a conversa inteira, que durou 30 minutos marcados no relógio. Direta, sem fugir de respostas e dando opiniões.

O papo era sobre 201/6/17, mas falamos de muito mais do que tênis. O esporte serviu de ponte para abordarmos educação, ioga, finanças e um bocado de outros temas. Bia falou sobre como quer jogar em 2017 – agressiva, mas se movimentando melhor em quadra -, mas também comentou o quão duro é chegar de uma viagem vitoriosa com dois patrocinadores a menos (Correios e Asics).

A paulista de 20 anos, atual #172 do mundo e #2 do Brasil, também falou do trabalho de meditação que faz no dia a dia, do que acha sobre quem larga o colégio cedo para jogar tênis, de aprender a controlar expectativas e do momento do tênis feminino. E falou bastante, sem titubear.

Bia só ficou sem jeito quando comentou – a meu pedido – o namoro com Thiago Monteiro. Procurou palavras, mudou frases, ficou com o resto vermelho. Mas quando começou a falar – e Bia gosta de falar! – mostrou todo orgulho que sente pelo namorado e sua ética de treinos.

Sim, a entrevista é grande (se você é leitor do Saque e Voleio, sabe como as coisas funcionam por aqui), mas é um papo delicioso que vai te fazer conhecer e entender melhor a menina que há muitos anos é vista como maior esperança do tênis feminino no Brasil. Role a página e curta.

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Em 2015, você terminou a temporada como 198 do mundo. Hoje, você é 172. Você usa ranking como parâmetro para dizer se um ano foi positivo, mesmo considerando que ficou seis meses sem jogar no ano passado?

Em 2015, eu terminei sem jogar sete meses, então não dá pra comparar um ano com o outro. O principal foi que neste ano eu tive mudanças. Em 2015, eu ainda morava em Balneário Camboriú. Este ano, vim treinar na Tennis Route, que é um centro de treinamento super diferenciado no Brasil. Estou aprendendo coisas novas aqui, então essas 20 posições aí que eu ganhei não têm nada a ver com ser melhor ou pior. Este ano foi um ano de mudanças, de consolidação de algumas coisas. Técnica, física, mental, alimentação… Mudei várias coisas. Não estava preocupada com resultado em nenhum momento. Tirando essa última gira, não foi um ano de muitas vitórias, mas foi um ano que consegui colher um pouco do que eu trabalhei durante o ano todo agora, no final dessa gira.

Você vem viajando com quem?

Essa última gira eu fiz com o Paulo [Santos], fisioterapeuta, e vou para a Austrália e Shenzhen com ele, mas aqui na Tennis Route eles têm toda a equipe. O João [Zwetsch] e o Duda [Matos] são os coordenadores e tenho alguns treinadores para o dia a dia, mas para viajar, por enquanto estou viajando com o Paulo.

Mas no balanço, você considera um ano positivo, então?

Muito positivo! Independente de resultado, de eu não ter alcançado meu melhor ranking, foi um ano em que eu evoluí muito. Eu me solidifiquei pra entrar em 2017. Isso foi o principal.

Qual foi o melhor momento do ano? O fim mesmo?

Acho que agora (risos de ambos). Essa gira… Essa gira foi essencial pra mim porque o Paulo pôde estar do meu lado, e a gente fez um trabalho mental show que fez muita diferença. Eu também voltei a jogar feliz, mais tranquila. Me apeguei bem às minhas rotinas tanto dentro quanto fora da quadra e foi um ano que eu dei meu melhor. Puxa, saí desse ano sabendo que dei meu melhor em TODOS dias, independente de estar perdendo ou ganhando. Fiz o que eu podia fazer, então estou satisfeita.

Você falou em “mental” e “rotina”. Em março, você já estava fazendo meditação todo dia. Como isso chegou até você? Você procurou alguém, alguém te procurou, como foi?

Na primeira vez que eu tive contato mesmo, eu treinava no Larri [Passos], e ele sempre falou. A mulher dele praticava ioga, e ele sempre falava que pra mim ia ser muito bom fora da quadra. Eu tinha uma professora lá em Balneário que me ajudava duas, três vezes por semana, mas nunca foi uma rotina que… Eu fazia ali como se fosse uma aula de pilates. Fazia uma aula de exercícios também e, quando viajava, muitas vezes eu deixava de fazer. Aqui na Tennis Route, eu voltei a praticar diariamente. Todo dia antes do café da manhã eu faço. São as minhas rotinas. Tem algumas mentalizações, algumas respirações antes do café do manhã, pra começar do dia bem, e antes de dormir, à noite. São momentos do dia que a gente dá para a gente mesmo. Tem gente que se sente bem com outras coisas, mas me apeguei a isso e estou gostando.

Você faz visualização do tipo antes do jogo, de pensar “minha direita tem que estar assim”, minha esquerda…

(interrompendo) Não, não. Na verdade, não é só para o tênis isso. É pra minha vida, tanto que fora da quadra, até atitudes eu estou tendo diferentes. É mais para eu conseguir mais viver o presente e saber que eu estou fazendo o meu melhor. E não é só jogando tênis. É cumprimentando uma pessoa, é no estresse do dia a dia, então influencia muitas coisas.

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Você lê alguma coisa sobre zen-budismo? Porque você está me dizendo coisas que eu li em livros desse tipo…

Não, mas eu cheguei a ler uns livros do [guru indiano Paramahansa] Yogananda. Tem muita relação com isso, né? E eu aprendo muito com o João Zwetsch. Ele me ensina muita coisa. Nas poucas gente que a gente conversa, o papo dura bastante. Os dois gostam de falar (risos). No fundo, tem gente que se apega a religião, tem gente que se apega a ioga, meditação, e tem gente que se apega a outras coisas, sei lá. Todo dia de manhã vai lá na praia e volta. Às vezes, aquilo ali coloca a pessoa bem. Então é muito relativo. Pra mim, isso encaixou e independente de ser ioga ou não, eu estou me sentindo bem. Isso é o que vale.

Você já leu um livro do Phil Jackson, aquele que foi técnico do Chicago Bulls do Michael Jordan? Não sei se você curte esse tipo de livro… Um livro chamado Cestas Sagradas…

Não, não. Achei que você estava falando daquele Jogando Para Vencer.

Não.

Esse é muito bom!

De quem é?

John Wooden, um treinador da NCAA. Ele foi dez vezes campeão da liga. É muito bom, muito bom.

Mas nesse livro do Phil Jackson, ele conta que distribuía livros aos jogadores quando tinha uma sequência de jogos fora de casa. Cada livro tinha alguma mensagem que normalmente tinha relação com o papel que o Phil Jackson queria que o jogador fizesse no time. E um desses livros era de um mestre japonês chamado Shunryu Suziki. O livro chama Zen Mind, Beginner’s Mind. E era sobre você aprender ou reaprender a ver as coisas do dia a dia como se fosse criança, como se tudo fosse novidade. Para você não se deixar cair na banalidade do dia a dia, sabe?

É, não criar expectativa! Tem muita gente que espera algumas coisas que não tem que esperar. Tipo assim: se eu ficar esperando ganhar um torneio, eu não vou ganhar. Eu tenho que ir lá, sacar, fazer meu forehand porque ali eu tenho chance de ganhar o ponto pra ter chance de ganhar o game pra ter chance de ganhar o set porque a outra também está fazendo a mesma coisa! O tênis, cara, é muito difícil. Todo mundo hoje está bem fisicamente e mentalmente, e a cabeça comanda, no fundo, né? Tem que estar muito tranquila porque você já tem a bola, a rede e a linha contra você. Tem o outro jogador, tem a torcida… Se você se martirizar toda hora, você está ferrado.

Você falou em “esperar”. Ainda te incomoda as pessoas esperarem tanto de você?

Cara, pra mim não muda nada. Se falarem que eu vou ser boa, que eu saco bem, que eu bato bem… O que eu tenho que fazer é entrar na quadra, dar o meu melhor e acabou. Achar não resolve nada. Pô, eu acho que, sei lá, o Thomaz pode ser número 1 do mundo…

(interrompendo) Mas esperar é pior, né? É mais forte!

É, esperar. Você espera que eu seja número 1 do mundo… É a cultura do brasileiro. Eles são carentes de ídolo, né? Então se não for o Guga, não está bom. Olha o Thomaz. Desculpa a palavra, mas o Thomaz joga pra caralho! Ele joga muito tênis, é um cara que para mim pode estar entre os 20 do mundo tranquilamente. Ele tem cabeça boa, mas é aquilo… Os caras contra quem ele joga… As pessoas não têm noção. Quem fala isso, não tem noção da realidade. É muito mais duro. É muito treino, é muita força de vontade e dedicação pra você ter uma chance. Para você ter chance! Nada está garantido.

Isso vem um pouco porque muita gente não tem noção mesmo da profundidade do tênis, né? O tamanho do buraco…

É muita coisa que influencia. É muita coisa em volta que as pessoas não veem. Como chegar e dizer “é só jogar a bola aqui que a Bia erra”. Pô, você sabe quantas bolas eu treino pra falar isso? Você acha que eu não sei que tenho que melhorar minha movimentação? Sabe quantas vezes por dia eu corro na quadra pra melhorar minha movimentação? Só que eu tenho “dois metros”, você quer que eu faça o quê?

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Você tem quanto de altura mesmo?

1,85m. E querem que eu me mexa que nem a Halep. Não, mas eu vou! Pra mim… Eu quero ser a mulher mais alta que se movimenta melhor. Porque você vê a Kerber, a Halep, a Azarenka, as mulheres correm hoje.

Eu tinha perguntado lá no começo sobre seu melhor momento do ano. E o pior, qual foi?

Pior momento? (pensativa)

Teve um pior momento?

Cara, não tive um pior momento. Acho que todos momentos foram especiais.

Fed Cup, talvez? Ficou com um gosto amargo porque era um confronto ganhável [o Brasil perdeu da Argentina por 2 a 1]?

Não, não. A menina jogou muito, a Nadia [Podoroska]. Eu tinha ganhado dela na semana anterior, tinha feito duas semis seguidas, estava cansada, e a menina foi superior. Mérito total da Argentina.

E a Olimpíada, como você viveu? Tanto a parte de não jogar quanto a de ver os Jogos Olímpicos na cidade…

Ah, eu curti. Estava aqui, fui lá. Vi basquete, vi handball, tênis de mesa, achei demais! Tênis de mesa foi o mais legal de ver, o handball do Brasil foi show, os meninos estavam jogando muito bem, uma equipe unida. Acho que todos estádios onde o Brasil estava jogando, a energia estava sensacional. Não esperava que fosse repercutir tão bem. A abertura foi linda, o encerramento foi maravilhoso. Lá fora todo mundo dizia que era no Rio, “tem tiro, vou morrer”…Foi demais. A gente mostrou para o mundo que Brasil é tão ou mais capaz do que outros países de fazer qualquer coisa. Foi sensacional.

Do tênis, você viu alguma coisa?

Na TV só. Eu tentei ir um dia, mas não tinha como pegar ingresso…

A CBT não tinha ingresso pra dar?

Não, não [foi isso]. Até tinha algumas opções, mas coincidia porque eu tinha treino. Acho que eu podia ir na final ou um dia, mas não coincidiu os horários, por isso eu fui nos outros esportes. Mas só de estar todo mundo aqui do lado de casa, achei demais.

Avançando… você terminou com ano com dez vitórias seguidas e dois títulos em ITFs de US$ 50 mil. Aí volta pra casa, acaba o contrato com os Correios, e a Asics está saindo do tênis. Bate um desânimo?

Está sendo um momento delicado para todos. Eu sei porque para o Thiago [Monteiro] também sei que está difícil. Para o Thomaz também está difícil. Para todos está difícil. Hoje, assim, estou muito tranquila no que eu tenho que fazer, que é jogar e seguir nessa pegada. O que vai acontecer fora da quadra vai depender do meu dia a dia e de como eu for este ano [2017]. Não esquento com esse negócio de patrocínio e dinheiro porque se você ficar jogando pelo dinheiro, “putz, não vou pagar minha conta”, não [dá certo].

Com o que você tem de patrocínio e com a IMG, você consegue jogar tranquila o ano, no calendário que você quer?

Não, não. Não, vou te falar que, pô, terminei com dez jogos invictos, número 1 do Brasil até agora [Bia estava à frente de Paula Gonçalves no dia da conversa], e começar o ano sem saber como vai começar é muito difícil. Hoje, para você, por exemplo, pagar um treinador, um centro de treinamento, para ter uma viagem e pagar alimentação sua e do seu treinador, hotel do treinador, transporte… Às vezes tem que trocar uma passagem, tem que treinar aqui, ali… É muita coisa que envolve. É muito caro, e vou te falar que o momento está duro para o Brasil. Eu estou no meu melhor momento do ano, e a gente está tentando achar alguma coisa porque… Eu tento não me preocupar com isso, mas sei o quanto é importante. Sei que vou conseguir resolver meus problemas dentro da quadra.

Nesse calendário que você montou, começa no WTA Shenzhen, onde você ganhou convite…

Aí tem Austrália, Fed [Cup], [ITF de] Surprise, [ITF de] Santa Fe e [WTA de] Acapulco.

Isso já está fechado, dá pra fazer com tudo pago?

Não, hotel e passagem ainda não comprei, mas é o plano A. Aí tudo depende. É claro… Se você toma cinco primeiras rodadas, aí você vai pra Challenger. Você ganha um WTA, muda. Tudo depende de como você estiver indo, mas a ideia é essa.

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E você estabeleceu uma meta pra 2017?

Na Tennis Route, eu tenho meta de estudo, meta de tênis e meta minha comigo. Essas três. A minha comigo é terminar bem fisicamente. Graças a deus entrei numa linha que não estou mais me lesionando, não existe mais cãibra, essas coisas. já passei por isso e já estou muito bem de cabeça. A gente está trabalhando coisas muito específicas do meu jogo, então quero começar na quadra, independente de ganhar ou de perder, começar a colocar o que eu venho fazendo no treino dentro do jogo.

O quê, especificamente?

Ah, eu acho que o tênis hoje está muito agressivo. É buscar mais a rede. As meninas estão cortando o tempo, usando muitas paralelas. O tênis está renovando toda hora. As meninas acabaram emagrecendo e isso, você correr mum rali, jogar em pontos longos, ter a possibilidade de, num ponto importante, a menina dar um drop shot, e você chegar na bola… Minha maior arma sempre foi meu saque e minha força, só que eu posso treinar para ser sólida que nem a Kerber? Por que eu não posso fazer isso? Então emagreci para tentar estar rápida. Tem muita coisa que envolve. Eu sou grande, sou canhota, tenho que jogar agressiva, mas tenho que buscar onde melhorar. Ficar mais magra já está me ajudando muito. Você se sentir bem, saber que ganhou o ponto sem usar tua maior arma, isso é demais! É muito legal.

E isso passa a confiança para o resto. Em qualquer jogo que estiver pau a pau, se você ganha dois ralis realmente longos, isso muda muito a balança do jogo porque mexe com a cabeça da outra…

E mulher oscila. A gente oscila muito, né? Você vê direto jogo de 4/0 ficando 4/4 e aí uma faz 6/0, a outra faz 6/1…

O saque tem um peso menor também, né?

Aí eu acho que já tenho mais vantagem porque sou uma menina alta e saco pra ganhar o ponto no saque. Isso é bom, mas ao mesmo tempo eu tenho que treinar mais a minha devolução. Cada uma tem suas especificidades. Mas a minha meta é isso aí. Em relação a ganhar jogo, cara, se eu fizer meu melhor e ganhar ou perder, já está bom.

A meta de estudo como é?

E faço administração na Estácio. Tenho as minhas notas, minhas médias, então minha meta é sempre estar bem. Sempre fui bem no colégio, nunca tive problema, e sempre quis manter isso. Até o Thiago faz o mesmo curso que eu, e a gente faz as mesmas provas. Essa semana, a gente tem quatro provas. A gente tem a pré-temporada também, mas dá tranquilo porque tem muito tempo de viagem, aeroporto, onde dá tempo de estudar. Estou curtindo, terminando o segundo ano.

Você sempre estudou em colégio com aula presencial?

Eu fui até o último ano. Eu fiz o terceiro ano [do ensino médio] à distância porque deu um problema com o colégio, e eu tive que fazer à distância.

Eu imagino que seja complicado isso…

Você indo pra aula, já perde meio período de treino, mas acho que nessa idade é importante ir pra aula. Tem gente que é louco, larga o colégio na sétima, oitava série. Pra mim, isso é totalmente loucura. Largar o colégio, jamais! Acho que a pessoa que faz até o terceiro ano pode tranquilamente jogar tênis. Eu hoje faço faculdade e jogo tênis. E hoje tem ensino à distância, que facilita muito. Eu sei de outros atletas que fazem, não é só tenista. Porque não é um país de cultura do esporte. Não é que nem nos EUA, onde o cara vai para o college. E no college também não sei se dá pra você ser profissional. É duro, você tem que ver o que é melhor pra você e suas prioridades. Se você tem a prioridade de estudo, talvez treinar meio período não é ruim. Se sua prioridade é ser um bom jogador, um profissional, então às vezes tem que abrir mão de outras coisas. Mas tão cedo não é necessário.

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Agora vem cá… Foi um grande agito em fóruns – não sei se você costuma ler isso – quando se soube que você e o Thiago [Monteiro] estavam namorando. Como é namorar tenista?

A gente é muito parecido, assim. É… (pensando) A gente é muito tranquilo, não é de sair muito…

Vocês se conhecem desde Camboriú, né?

É, a gente é muito amigo desde muito tempo. A gente viajava junto, né? Acho que teve uma viagem que eu fiz que eu tinha 11 anos, ele tinha 13, pra jogar um Sul-Americano de 14 na Venezuela. A gente nunca imaginou que fosse namorar! A vida é muito louca, né? Mas o importante é que ele me ajuda, eu ajudo ele. A gente tem noção que o tênis na nossa vida é o nosso trabalho, é o mais importante no momento. A gente tem uma vida em que se vê muito pouco também porque quando um está viajando, o outro volta. Ele está aqui no Rio, eu tô na China. Aí eu volto, ele está não sei onde, é duro. Mas o mais importante é que a gente está bem, está tranquilo.

Ele estava com você nessa última viagem, não?

Ele estava, ele estava.

E como é ganhar um torneio com o namorado ali do lado?

Ah… (envergonhada)

Você ficou vermelha agora… Por que você tá com vergonha?

É que a gente sempre foi muito amigo, então…

Vocês namoram há quanto tempo? Começou este ano?

É… (pensativa) Não (envergonhada)

Tá bom, não precisa dizer (risos de ambos).

Mas é que a gente começou muito como amigo. É muito louco porque no começo a gente sempre… Como a gente conviveu muito como colega de treino… É recente que a gente começou a namorar, então…

Muda uma chave em algum lugar, né?

É! É muito louco (risos de ambos). Porque eu… Pra mim… Quando eu estou com ele aqui, a gente treina junto. Não tem essa de “você é meu namorado, senta aqui comigo”. Não! Estamos no treino. A gente é muito à vontade, se ajuda. Ele é muito tranquilo, eu sou muito tranquila. A gente não briga por nada. A gente só se apoia. Então… A gente se gosta, é o mais importante (risos).

E como você viu este ano dele?

Ah, foi demais. Vou te falar que para mim o diferencial dele não é este ano. As pessoas olham porque ele ganhou do Tsonga, ganhou do Almagro, mas quem conhecia a pessoa que ele é, de onde ele veio… Cara, a humildade dele! Ser um menino que sempre quer o bem de todo mundo e, dentro da quadra, que é o mais importante, ele dá o melhor dele. Você vê ele treinando, você fica preso naquilo ali. Ele é um menino muito diferente, independente dos resultados. Ele lesionou ano passado, faz um ano dessa lesão, e ele aprendeu muito com isso. Ali, ele tomou um tempo e aprendeu algumas coisas que fizeram total diferença para este ano. Ele sempre teve um sonho e tenho certeza que só está começando a carreira dele. Ele merece. É um ano muito especial.

Verdade.

É que eu vejo muito mais a pessoa dele. Todo mundo vê ele na TV e fala “nossa, ele joga muito”, “é o próximo Guga”, mas eu vejo a pessoa dele, vejo que o tênis dele é… Você vê que é um menino que treina muito. Eu vejo muito mais por esse lado, da personalidade, do trabalho duro dele, que é muito mais do que só ter ganho aqui ou ali. Os resultados não vêm por acaso.


Semana 20: o embalo de Stan e o que rolou às vésperas de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

Com Roland Garros começando já neste domingo, o preparo dos guiazões e a edição do podcast Quadra 18, o resumaço da semana sai um pouco mais curto do que o normal, mas ainda lembra dos campeões do período e de quem ganha embalo às vésperas do torneio francês.

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Os campeões

Em condições normais, Stan Wawrinka nem deveria estar em quadra nesta semana, mas as campanha ruins nos Masters de saibro e a chance de jogar em casa o levaram ao ATP 250 de Genebra. O suíço, então, finalmente conquistou um título em seu próprio país. Neste domingo, Wawrinka derrotou Marin Cilic por 6/4 e 7/6(11), com direito a uma bela virada no segundo set, que o croata vencia por 4/1.

Estar em quadra na véspera do início do Slam francês talvez não seja a preparação ideal para o atual campeão de Roland Garros, mas certamente, como a ATP escreveu em seu site, preenche um buraco no currículo do suíço. Além disso, uma sequência de quatro vitórias antes de um evento tão importante não é nada mau.

No ATP 250 de Nice, o título ficou com Dominic Thiem, o rei dos 250. O austríaco, aliás, também venceu o torneio no ano passado. O garotão de 22 anos, #15 do mundo, agora soma seis títulos na carreira: Nice, Umag e Gstaad no ano passado; e Buenos Aires, Acapulco e Nice este ano. De todos esses, Acapulco foi o único fora do saibro e também o único ATP 500. A final deste sábado foi contra o adolescente alemão Alexander Zverev (#48), de 19 anos, e o placar final mostrou 6/4, 3/6 e 6/0.

As campeãs

No WTA International de Nuremberg, Kiki Bertens derrotou Mariana Duque Mariño por 6/2 e 6/2 na final, que durou pouco mais de uma hora. Foi uma campanha interessante da holandesa, que furou o qualifying e derrotou no caminho até o título a cabeça 1, Roberta Vinci, a americana Iriina Falconi (abandono), e alemã Julia Goerges e, por fim, Duque Mariño, responsável por derrotar a cabeça e, Laura Siegemund.

No WTA International de Estrasburgo, a tenista da casa Caroline Garcia deu à torcida motivo para festejar. A francesa derrotou Mirjana Lucic Baroni na final, por 6/4 e 6/1. Foi seu segundo título na carreira. O anterior veio no WTA de Bogotá do ano passado. No caminho até o título, a tenista de 22 anos eliminou Kirsten Flipkens, Jil Belen Teichmann, Sam Stosur (WO), Virginie Razzano e Lucic Baroni.

A cabeça 1, Sara Errani, caiu logo na estreia diante de Monica Puig, enquanto a segunda pré-classificada, Sloane Stephens, venceu um jogo, mas perdeu nas oitavas para a wild card Pauline Parmentier.

Os brasileiros

Para a maioria dos brasileiros, a semana não poderia ter sido pior. No WTA de Nuremberg, Teliana Pereira (#81) foi eliminada na estreia. A algoz foi a alemã Annika Beck (#42), a mesma que já havia sido derrotada pela brasileira duas vezes este ano. A pernambucana agra soma três vitórias e 13 reveses na temporada.

Em Genebra, Thomaz Bellucci defendia o título e não passou da segunda rodada. O paulista chegou a abrir 3/2 e sacar em 40/15 no primeiro set contra Federico Delbonis, mas não fechou nenhum game depois disso. O argentino venceu dez games seguidos e triunfou por 6/3 e 6/0. Com os pontos não defendidos, Bellucci despencou 18 posições no ranking, saindo do top 50 e indo parar em 57º.

Entre os duplistas, o único que entrou em quadra foi André Sá. Ele e Chris Guccione foram derrotados na estreia em Nice. Os algozes foram os suecos Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom, que venceram no match tie-break: 6/2, 5/7 e 10/3.

O breve qualifying brasileiro

No qualifying de Roland Garros, os homens pouco fizeram. Todos acabaram eliminados na primeira rodada. Feijão tombou diante de Andrea Arnaboldi (#174) por 6/3 e 6/2, André Ghem foi superado por Henri Laaksonen (#190) por 7/6(5), 6/7(5) e 6/2, Guilherme Clezar perdeu para Francis Tiafoe (#188) por 1/6, 7/5 e 6/2, e Thiago Monteiro foi derrotado por Ruben Bemelmans (#186) por duplo 6/3.

No qualifying feminino, Paula Gonçalves também perdeu na primeira rodada. Sua algoz foi a holandesa Richel Hogenkamp (#139), que fez 6/3 e 6/4. O único triunfo brasileiro veio com Bia Haddad, que passou pela australiana Olivia Rogowska (#348) por 3/6, 6/3 e 6/4. A paulista, #332 do mundo, foi eliminada na segunda rodada pela americana Jennifer Brady: 6/3 e 6/4.

O doping

A ITF anunciou na sexta-feira que Marcelo Demoliner foi flagrado em um exame antidoping no dia 22 de janeiro, durante o Australian Open. A amostra de urina continha hidroclorotiazida, que faz parte do grupo de diuréticos e agentes mascarantes (aqueles que tornam mais difícil detectar outras substâncias proibidas). Segundo a ITF publicou em seu site, Demoliner admitiu a violação e foi suspenso por por três meses, a contar do dia 1º de fevereiro. O gaúcho perdeu os pontos e o prêmio em dinheiro adquiridos desde o Australian Open.

A chama acesa

Enquanto isso tudo acontecia, Bruno Soares deu um pulo no Brasil para carregar a tocha olímpica em Vitória (ES). Por que Vitória? Porque foi a data que o mineiro conseguiu encaixar em seu calendário antes de embarcar para Roland Garros.

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As desistências

Uma notícia que não se lê todo dia, ou melhor, que nunca se leu antes. Roger Federer decidiu não disputar um Slam. Ainda não recuperado fisicamente, o suíço anunciou que não jogará em Paris. Preferiu não arriscar e disse que, ao não jogar Roland Garros, estará garantindo que poderá atuar pelo resto da temporada e alongar sua carreira. Prometeu voltar nos torneios de grama e disse que estará de volta a Roland Garros em 2017.

Roger Federer é o recordista em Slams disputados de forma consecutiva. Foram 65 deles desde o Australian Open de 2000.

Entre as mulheres, Caroline Wozniacki decidiu não jogar em Roland Garros por causa de uma lesão no tornozelo. Ela se junta na lista de desistências à suíça Belinda Bencic, que vem sofrendo com um problema nas costas.

Fanfarronice publicitária

Na campanha da Peugeot para Roland Garros, Gustavo Kuerten e Novak Djokovic gravaram algumas cenas juntos e, aparentemente, se divertiram bastante nos intervalos. No vídeo abaixo, o sérvio aprende algumas frases em português.


Semana 18: Djokovic e Halep vencem, Marcelo volta a #1 e Monteiro sobe mais
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Alexandre Cossenza

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O grande evento da semana aconteceu em Madri, com Novak Djokovic voltando à rotina e Simona Halep vencendo um torneio esburacado. Foi lá também que Marcelo Melo garantiu seu retorno ao posto de duplista número 1 do mundo. Na França, contudo, houve outro brasileiro brilhando: Thiago Monteiro conquistou o forte Challenger de Aix-en-Provence, o maior de sua carreira, e deu um belo salto na lista da ATP.

O resumaço da semana fala sobre tudo isso, mas lembra dos abandonos de Federer e Serena, da gaiatice de Bernard Tomic, da cerveja que Halep distribuiu na sala de entrevistas, da Federação Francesa (que vem sendo investigada) e de uma excelente e reveladora entrevista de Rafael Nadal. O post tem também, claro, vídeos de alguns dos lances mais bacanas dos últimos dias. É só rolar a página…

Os campeões

Novak Djokovic mostrou que a inesperada derrota na estreia em Monte Carlo foi mais um tropeção do que qualquer indício de queda em seu espetacular momento. Na capital espanhola, o número 1 do mundo fez um belíssimo torneio do começo ao fim – inclusive na final, diante de um esforço elogiável de Andy Murray. Por 6/2, 3/6 e 6/3, o sérvio venceu seu 29º Masters 1.000 na carreira.

Murray teve seus momentos e, além de interromper a sequência de 13 vitórias de Rafael Nadal na semifinal, foi o único a tirar um set de Nole em todo torneio. O britânico, vale lembrar, tem 15 vitórias e três derrotas no saibro nas últimas 52 semanas (dois reveses para Djokovic, um para Nadal), e Nadal fez uma semifinal bastante digna, ainda que não tenha aproveitado um punhado de break points.

No ranking (pelo menos), a semana foi boa para Roger Federer, que subiu para #2, embora com o mesmo número de pontos de Murray. Nadal continua como #5 e pequenas chances de superar Wawrinka e chegar a Roland Garros como cabeça de chave número 4 – o que evitaria um confronto com Djokovic antes das semis.

E fica o registro: em Madri, Nole levantou seu 64º troféu na carreira, mesmo número de Bjorn Borg e Pete Sampras. Djokovic fica atrás apenas de Connors, Lendl, Federer, McEnroe e Nadal.

A campeã

O WTA Premier Mandatory de Madri é, no papel, um dos eventos mais fortes do calendário feminino. Na prática, este ano, foi vítima de desistências importantes e palco de resultados nada esperados. O lineup das quartas de final diz bastante: Cibulkova x Cirstea, Chirico x Gavrilova, Halep x Begu e Stosur x Tig.

Quem se deu bem com isso foi Simona Halep (#7), que conquistou o título passando por Doi, Knapp, Bacsinzsky, Begu, Stosur e Cibulkova. E, tirando o pneu sofrido nas quartas, a romena passeou. Não perdeu mais nenhum set, fez 6/2 e 6/4 na final e garantiu seu retorno ao top 5. O torneio também foi bom para Cibulkova, que subirá para #26 e praticamente tem garantida uma vaga de cabeça de chave em Roland Garros.

E que tal a imagem de Halep levantando o nada comum troféu espanhol?

O número 1

Nas duplas, Bruno Soares e Jamie Murray perderam na estreia para Henri Kontinen e John Peers: 6/3, 3/6 e 10/3. O resultado abriu o caminho para que Marcelo Melo recuperasse a liderança do ranking. Com Jamie fora, o mineiro e Ivan Dodig passaram a disputar contra Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert. Quando os franceses foram eliminados na semi, o brasileiro garantiu o retorno ao topo.

Melo e Dodig passaram por Klaasen/Ram, Pospisil/Sock e até tiveram match point na semifinal, mas acabaram derrotados por Rohan Bopanna e Florin Mergea: 7/5, 6/7(4) e 12/10. O título ficou com Jean-Julien Rojer e Horia Tecau, que aplicaram 6/4 e 7/6(5) sobre Bopanna e Mergea na decisão.

Os outros brasileiros

Em Madri, Thomaz Bellucci caiu na estreia diante de Milos Raonic: 7/6(4) e 6/1. A parte curiosa da partida foi ver o canadense no tie-break levantando bola e esperando erros do brasileiro, que deveria ser o tenista mais consistente entre os dois – pelo menos do fundo de quadra. Foi a nona derrota em dez jogos para o brasileiro, que teve seu único triunfo em Munique, graças à desistência do russo Mikhail Youzhny na primeira rodada.

No Challenger de Aix-en-Provence (US$ 100 mil), Thiago Monteiro deu sorte e aproveitou. Estrearia contra Diego Schwartzman, mas o argentino foi campeão do ATP 250 de Istambul na semana anterior e não jogou o Challenger francês. Assim, o cearense avançou na chave, superando David Guez, Julien Benneteau (aquele!), Marek Michalicka e Renzo Olivo antes da decisão. Na final, contra o experiente Carlos Berlocq, conseguiu uma virada, explorando bem o backhand do adversário, e venceu por 4/6, 6/4 e 6/1.

Com a ótima campanha e o maior título de sua carreira, Monteiro, 21 anos, que começou a semana como #189, pulou para #143 e se tornou o #3 do Brasil, deixando para trás André Ghem (#167), Guilherme Clezar (#181) e Feijão (#186). Monteiro, aliás, soma mais pontos que Thomaz Bellucci em 2016. São 342 pontos do cearense contra 225 do paulista, que tem um calendário bem mais exigente e distribui muito mais pontos.

Também no evento francês, Feijão perdeu na estreia para o qualifier croata Nikola Mektic (#321): 7/5 e 6/3. Foi sua quarta derrota nos últimos cinco jogos. Desde a boa campanha em León (foi vice-campeão), perdeu na estreia em Guadalupe, caiu na segunda rodada em São Paulo e foi eliminado na primeira rodada agora, na França. Sua única vitória nos últimos três eventos foi sobre o brasileiro Alexandre Tsuchiya (#698). Rogerinho, por sua vez, parou nas quartas, superado por 2/6, 6/2 e 6/4 por Berlocq. André Ghem caiu nas oitavas (segunda rodada) diante do também argentino Renzo Olivo, que fez 6/1 e 6/2.

No ITF de Cagnes-Sur-Mer (US$ 100 mil), na França, Bia Haddad (#342) conseguiu uma vaga de lucky loser na chave principal e perdeu na primeira rodada para a ucraniana Kateryna Kozlova (#113): 7/6(6) e 6/2.

No ITF de Túnis (US$ 50 mil), Laura Pigossi (#387) tentou o qualifying e venceu dois jogos, mas perdeu na última rodada antes da chave principal. Sua algoz foi a suíça Patty Schnyder (aquela!), que fez 6/1 e 6/4. Hoje com 37 anos, Schnyder, ex-top 10, começou a semana como #451.

O pateta

A “honra” da semana é Bernard Tomic. Ficou surpreso? Não, né? Pois é. Na partida contra Fabio Fognini, com o italiano sacando com match point, o garotão australiano nem quis jogar e segurou a raquete ao contrário, como se fosse rebater a bolinha com o cabo. Foi assim que aconteceu:

Entrevistado pelo Gold Coast Bulletin sobre o momento, Tomic respondeu: “Não me importo com aquele match point – você se importaria se tivesse 23 anos e 10 milhões?” Acho que dispensa comentários.

As desistências

Ser campeão de tudo aos 34 anos não está sendo fácil em 2016. Serena Williams disse que não ia a Madri por causa de uma gripe/virose. Federer, por sua vez, esteve na capital espanhola, mas abandonou na segunda-feira, alegando dores nas costas. Até agora, a americana abandonou quatro eventos neste ano. Federer, por sua vez, deixou de estar em cinco.

Sobre o suíço, escrevi este post na segunda-feira. Eu também tinha feito texto em uma linha parecida sobre Serena Williams umas semanas antes. Leia aqui.

Durante o torneio, o abandono de maior peso foi de Victoria Azarenka, que anunciou sua saída na quarta-feira. A bielorrussa disse ter sentido algo nas costas durante a partida contra Laura Robson, sua estreia no torneio. Vika disse ainda que o incômodo continuou durante a segunda rodada e que não conseguiria competir na quarta-feira. Ela enfrentaria Louisa Chrico nas oitavas de final.

Promessa cumprida

Simona Halep prometeu distribuir cervejas se quatro romenas alcançassem as quartas de final do WTA de Madri. Foi exatamente o que aconteceu. O torneio teve Sorana Cirstea, Irina-Camelia Begu, Patricia Maria Tig e a própria Simona Halep entre as oito que entraram em quadra na quinta-feira. O resultado está no vídeo:

Lances bacanas

Da segunda semifinal de Madri, entre Novak Djokovic e Kei Nishikori. Ilustra bem o que se precisa fazer para ganhar um ponto do número 1 do mundo…

Não foi um lance, mas foi um dos momentos mais emocionantes da semana. Juan Martín del Potro desabou em lágrimas após derrotar Dominic Thiem (#14) por 7/6(5) e 6/3 na primeira rodada do torneio espanhol.

Del Potro, lembremos, vem fazendo seu retorno após seguidas e delicadas cirurgias no punho esquerdo. O argentino, campeão do US Open de 2009, começou a semana passada como apenas o #274 do mundo e disputou o torneio espanhol com ranking protegido.

Kei Nishikori também “estrelou” este ponto fantástico de Nick Kyrgios. O australiano fez um gran willy. Vencedor. De lob.

Sob suspeita

A Federação Francesa de Tênis (FFT), aquela mesma que é sempre citada como exemplo pela CBT, está sendo investigada por suspeita de tráfico de ingressos para o torneio de Roland Garros. Na última terça-feira, a sede da entidade e a casa do presidente, Jean Gachassin, foram alvos de buscas policiais.

A promotoria disse que confiscou “documentos úteis à investigação”, que também avalia o processo de licitação para as obras de expansão do complexo de Roland Garros. A história completa está neste link para o Guardian.

A melhor história

Em Madri, Rafael Nadal concedeu uma bela entrevista ao jornal El Mundo. Na conversa, o espanhol comenta suas sensações em quadra durante o momento ruim (para seus padrões) vivido desde o começo do ano passado até recentemente e fala de como perdeu “o controle” dentro de quadra. Excelente leitura para ajudar a entender o ex-número 1 do mundo. Leia aqui, em espanhol.

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Quadra 18: S02E05
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic segue dominando, e Victoria Azarenka se estabelece como a melhor tenista de 2016. Após o Masters 1.000 de Miami, o podcast Quadra 18 está de volta, comentando tudo que rolou no torneio da Flórida, desde as centenas de “Fora, Dilma” até a situação de Serena Williams, passando pelo novo número 1 nas duplas, as estranhas desistências e o drama de Juan Martín Del Potro.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. SE preferia baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’15” – Aliny, de volta, apresenta o podcast
1’16” – Marcelo Melo manda mensagem para Aliny
1’30” – O título de Novak Djokovic em Miami
2’00” – Sheila fala sobre as duas partidas interessantes de Djokovic no torneio
3’49” – O Djokovic de 2016 dá mais brecha para os adversários do que o de 2015?
5’52” – Quanto tempo vai levar até alguém jogar de igual para igual com Djokovic?
8’03” – As desistências na chave masculina
8’45” – “Gastroenterite foi a razão oficial, mas sinceramente não acredito”
9’30” – “Foi triste ver o Del Potro nessa situação de novo”
9’58” – A semelhança com a sensação de ver Guga sofrendo com o quadril
10’31” – “Ele não vai conseguir jogar só com o slice”
10’45” – A bizarra desistência de Nadal
12’20” – Coisas que só Aliny Calejon consegue
12’25” – Bellucci e a desistência mais esperada do torneio
15’25” – “Derrotinhas ridículas” nas primeiras rodadas
16’45” – Monfils x Nishikori: como um seriado da Shonda Rhimes
18’08” [Música sobre o momento de Djokovic e Azarenka]
19’30” – O título de Victoria Azarenka
22’55” – A intrigante ida para o saibro do circuito feminino
23’49” – Expectativa para os desempenhos de Vika e Rafa no saibro.
25’25” – E Serena Williams? Avaliações sobre seu começo de ano.
27’02” – Serena Williams estaria acima do peso?
29’02” – As atuações de Teliana e Bia em Miami
29’50” – A fragilidade do serviço de Teliana Pereira
31’35” – A pontuação de Teliana em busca de uma vaga nos Jogos Olímpicos
32’55” – El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Club)
33’35” – Aliny fala das duplas em Miami
36’34” – Reações ao calor: “Do nada, eu enxergava roxo” + metrô de SP
38’05” – A campanha de Marcelo Melo e Ivan Dodig
39’12” – Jamie Murray assume a liderança do ranking de duplas
40’30” – A gafe da ATP com Marcelo Melo
41’31” – Melo perdendo o #1 acaba com o oba-oba do “já ganhou” olímpico?
42’38” – IW e Miami mostram uma tendência para 2016?
43’48” – A ótima campanha de Feijão no México + Davis em Belo Horizonte
46’05” – Precisa dar muita coisa errado para o Brasil perder no Zonal hoje
46’35” – “Fora Dilma” em Miami: qual a utilidade?
48’10” – “É verdade que tenistas usam raquetes diferentes dos modelos vendidos em loja?”
50’30” – Bandsports ou SporTV?

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Clube) e Everybody Loves Miami (The Underdog Project).


Semanas 12-13: a serenesca Azarenka e Djokovic, o maior dos milionários
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Alexandre Cossenza

Azarenka_Miami16_trophy_get2_blog

É bem verdade que os campeões foram quase os mesmos, mas há muita coisa a dizer sobre o período em que foi disputado o Miami Open (WTA Mandatory + Masters 1.000). Além dos títulos de Victoria Azarenka e Novak Djokovic, é preciso lembrar dos problemas físicos de Roger Federer, Rafael Nadal e Thomaz Bellucci,
do novo número 1 do mundo nas duplas, do péssimo timing da ATP ao homenagear Marcelo Melo, de lances espetaculares, de bom humor, de mau humor, de tuítes bacanas e de textos interessantes e importantes. Vamos lá, então? Rolem a página e relembrem as últimas duas semanas.

A melhor de 2016

Três títulos em cinco torneios disputados; 22 vitórias e só uma derrota em 2016; apenas cinco sets perdidos desde o início do ano; uma eliminação por W/O; e uma final vencida rapidinho, em 1h17min. O leitor que escutasse os números acima sem ver a foto do alto do post acreditaria sem questionar se alguém lhe dissesse que a tenista em questão é Serena Williams. Mas não é. A tenista do momento é Victoria Azarenka, que completou, no sábado, um torneio impecável e levantou o troféu so WTA de Miami ao vencer a final sobre Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/2.

Vika se tornou a terceira tenista a vencer os dois eventos em sequência, juntando-se a Steffi Graf e Kim Clijsters (feito que Serena Williams teve pouquíssimas chances de igualar porque boicotou o evento da Califórnia por muito tempo). A bielorrussa agora também está de volta ao top 5, onde não figurava há quase dois anos (o ranking 26 de maio de 2014 foi a última vez). E, claro, é preciso lembrar: depois de um Slam, dois WTAs com premiação de mil pontos (IW e Miami) e outro WTA com 900 pontos para a campeã (Doha), Azarenka é a líder da “Corrida”, o ranking que conta apenas os pontos conquistados neste ano.

Números à parte, as atuações de Vika vêm falando mais alto. Desde o primeiro torneio do ano, onde atropelou em Brisbane (com uma chave não tão forte, é verdade), incluindo as primeiras rodadas em Melbourne, o desempenho sólido diante de Serena na final de Indian Wells e, agora, uma campanha irretocável na Flórida, onde teve dois testes de fogo antes da decisão.

Primeiro, passou por Muguruza em dois tie-breaks, salvando dois set points na primeira parcial. Depois, fez uma partida espetacular contra Angelique Kerber, que, apesar da ótima atuação, jamais teve o controle do jogo. Sempre que precisou, Azarenka teve de onde tirar um nível mais alto e mais consistente de tênis.

Com o início de temporada nada espetacular de Serena Williams, parece seguro dizer que Azarenka é, neste momento, a melhor tenista do circuito, o que deixa 2016 muito mais interessante. Será que a bielorrussa manterá o pique e se aproximará de Serena Williams em uma eventual briga pelo posto de número 1 do mundo? E a americana? Esboçará uma recuperação na temporada de saibro que começa esta semana, em Charleston?

O maior dos milionários

O Masters 1.000 de Miami só teve surpresas nos primeiros dias, quando Roger Federer (virose) desistiu do torneio antes de estrear e, depois, com Rafael Nadal, que passou mal e abandonou a partida contra Damir Dzumhur no terceiro set. O título, conforme o aparente novo protocolo da ATP, terminou nas mãos de Novak Djokovic, o campeão de tudo-menos-Roland-Garros.

De novo mesmo, só algumas marcas do sérvio. Nole agora é o recordista isolado de títulos de Masters 1.000, com 28 taças (Nadal tem 27), o primeiro tenista a vencer quatro vezes a sequência Miami-Indian Wells e, principalmente, o recordista em prêmios em dinheiro na história da modalidade. Com o título deste domingo, Djokovic agora acumula US$ 98.199.548. Federer tem “só” US$ 97.855.881.

Fora isso, nada mais tenho a acrescentar sobre o tênis de Djokovic. O número 1 venceu todos jogos em sets diretos e continua dominando o circuito. Vale lembrar que ele lidera o ranking mundial de forma ininterrupta desde julho de 2014 e possui atualmente 8.725 pontos de vantagem sobre Andy Murray, o vice-líder. O escocês, por sua vez, está apenas 120 pontos acima de Roger Federer.

O tuíte abaixo, do jornalista Ben Rothenberg, mostra o retrospecto de Djokovic em Masters 1.000 e Grand Slams (incluindo o ATP Finals) desde o início de 2015. No período, se somarmos todas as competições, o sérvio disputou 21 torneios; alcançou 19 finais; e venceu 110 jogos e perdeu apenas sete.

Os brasileiros

Não foi um torneio nada bom para brasileiros. Desde o ingrato confronto entre Teliana Pereira e Bia Haddad na primeira rodada até a desistência de Thomaz Bellucci diante de Mikhail Kukushkin. O brasileiro, que durante a semana revelou ter problema de desidratação, perdendo até 6 quilos, e até visão turva em certas situações, sucumbiu ao calor e à umidade de Miami depois de um set e meio. Esgotado, deixou a quadra depois de vencer o primeiro set e perder o segundo.

O abandono na Flórida é especialmente lamentável porque Rafael Nadal, seu provável adversário de terceira rodada, também abandonou. Logo, se passasse por Kukushkin, o brasileiro enfrentaria Damir Dzumhur por uma vaga nas oitavas de um Masters 1.000. O problema físico de Bellucci foi o mesmo que ocorreu no Rio Open, em menor grau, e no Brasil Open, já manifestado de maneira mais evidente. O paulista passou por uma bateria de exames e, até agora, nenhum diagnóstico foi conclusivo. Resta a ele torcer por temperaturas mais amenas e condições favoráveis na temporada europeia de saibro.

Quanto a Teliana, o lado positivo foi conquistar sua primeira vitória na temporada. A segunda rodada, contudo, trouxe uma derrota diante de Ana Ivanovic por 6/3 e 6/0. A sérvia foi superior o tempo quase todo, e a brasileira, mais uma vez, foi vítima de seu saque vulnerável – confirmou apenas uma vez no jogo. Nas trocas de bola, Teliana até conseguia ser agressiva quando tinha a oportunidade de entrar em um rali. Ivanovic, no entanto, não lhe deu tantas chances assim, quase sempre atacando primeiro e controlando os pontos. A sérvia dominou tanto o saque de Teliana que se deu o luxo de se posicionar muito dentro de quadra na devolução.

Até agora, Teliana soma uma vitória e sete derrotas em 2016, com dois sets vencidos e 14 perdidos (o único triunfo e ambos sets vieram sobre Bia Haddad). É bem possível que a volta para o saibro, seu piso preferido, traga dias melhores. Não por acaso, a número 1 do Brasil, atual #49 do mundo, agora tem um calendário entupido de eventos na terra batida.

Terminando o giro brasileiro nas simples em Miami, vale lembrar de Rogerinho, que perdeu no qualifying, mas ganhou uma vaga de lucky loser para estrear contra o russo Andrey Kuznetsov. A sorte, porém, não conseguiu carregar o #2 do Brasil para a rodada seguinte. Kuznetsov fez 6/3 e 6/3 e avançou. O russo, aliás, bateu Stan Wawrinka na segunda rodada e Adrian Mannarino na terceira. Só caiu nas oitavas, superado pelo semifinalista Nick Kyrgios.

No circuito Challenger, quem teve boa semana foi Feijão – finalmente. Depois de perder no quali em Miami, o paulista encarou o Challenger de León, no México, e alcançou a final, perdendo para o alemão Michael Berrer. A campanha rendeu uma subida de mais de 50 posições no ranking e o retorno ao top 200. Feijão saiu de #239 e aparece nesta segunda-feira como o 186º melhor tenista do mundo. Se ainda está longe de seu melhor ranking (69º, exatamente um ano atrás), já dá passos animadores adiante, o que não vinha acontecendo há um bom tempo.

Marcelo perde o #1

A pressão já havia sido grande em Indian Wells, onde Jamie Murray esteve a dois pontos de roubar a liderança do ranking. Em Miami, precisando defender os pontos da semifinal do ano passado, Marcelo Melo tinha de alcançar pelo menos as quartas de final para seguir como número 1. Não conseguiu. Nas oitavas, ele e Ivan Dodig perderam para Treat Huey e Max Mirnyi por 7/6(1) e 6/4.

A derrota de Melo deu o número 1 a Jamie, que já estava eliminado em Miami. Ele e Bruno Soares caíram na estreia diante de Raven Klaasen e Rajeev Ram. O irmão mais velho de Andy Murray conta que estava no carro quando começaram a pipocar mensagens de parabéns em seu celular.

Desde a existência do atual ranking da ATP, nenhum britânico havia alcançado o topo – nem em simples nem em duplas. Jamie é o primeiro e, por isso, vem sendo um tanto badalado pela imprensa do Reino Unido.

A gafe

A ATP decidiu entregar um pequeno “troféu” para marcar definitivamente o número 1 de Marcelo Melo. Pena que fizeram essa cerimônia logo no domingo, dia que ele e Ivan Dodig foram eliminados do torneio.

Jogo rápido

Mats Wilander e Madison Keys, que decidiram trabalhar juntos a partir do WTA de Miami, já se separaram. A parceria durou oito dias (!) e terminou com a americana invicta. O tricampeão de Roland Garros, que também é comentarista do Eurosport, não quis revelar ao jornalista Michal Samulski (o primeiro a dar a notícia) o motivo da separação.

Bolão impromptu da semana

Parabéns à Raissa Picorelli por acertar a resposta para a pergunta aleatória da semana. Ela foi a primeira seguidora do @saqueevoleio a acertar o número de games vencidos por Kei Nishikori na final.

Lances bacanas

Que tal essa curtinha de devolução de Agnieszka Radwanska contra Alizé Cornet? E antes de alguém chame de “sneak attack”, prefiro “ninja attack by Aga”.

Outro momento raro da semana envolveu o sérvio Viktor Troicki. Após um voleio de David Goffin quicar na quadra do sérvio e voltar, Troicki saltou a rede e golpeou a bola. Foi bonito, mas perdeu o ponto.

Para quem não sabe a regra, a explicação não é tão complicada: como a bola quicou e voltou, Troicki podia até invadir o “espaço aéreo” da quadra de Goffin e golpear a bola, mas perdeu o ponto quando pisou na quadra do rival.

Em casos assim, a “vítima” do backspin tem duas opções para ganhar o ponto: 1) golpear a bola no ar, mesmo invadindo a quadra do rival com a raquete, mas mantendo os pés em sua própria quadra; ou 2) saltar a rede, golpear a bola e “aterrissar” fora das linhas de jogo. Era muito difícil de conseguir, mas Troicki teria vencido o ponto se tivesse saltado e pisado além da linha lateral de simples.

O melhor da semana, contudo, foi Alexandre Sidorenko. No Challenger de Saint-Brieuc, o francês-nascido-na-Rússia de 28 anos disparou uma passada vencedora de costas contra o alemão Tobias Kamke.

As melhores histórias

Vale ler o texto do New York Post intitulado “Por que todo mundo no tênis odeia Maria Sharapova”. O título soa um tanto exagerado, mas o conteúdo aborda os motivos pelos quais a russa não recebeu muitas mensagens de simpatia após testar positivo em um exame antidoping.

No Globoesporte.com, o jornalista Thiago Quintella conversou com João Zwetsch, técnico de Thomaz Bellucci, que relatou os sintomas do tenista brasileiro durante seus problemas físicos. Entre eles, visão turva. Em outra entrevista, dias depois, o próprio Bellucci disse perder até seis quilos em um jogo.

Bom humor

Novak Djokovic, número 1 do mundo e reinando soberano na liderança do ranking mundial, mostrou que é possível ter momentos de descontração mesmo em partidas oficiais. No comecinho do jogo contra o britânico Kyle Edmund, o sérvio fez essa “mágica” encaixando a bolinha no bolso.

O lance me lembrou do iraniano Mansour Bahrami, possivelmente o cidadão mais divertido de ver numa quadra de tênis, que sempre fazia o “truque” da bola no bolso. Quem tiver a curiosidade, pode conferir alguns momentos de exibições de Bahrami neste vídeo.

No mundo do vôlei (sim, vôlei!) Alexander Markin, do Dínamo de Moscou, também testou positivo para meldonium, a substância responsável pelo doping de Maria Sharapova. Uma confeitaria chamada Dolce Gusti enviou ao atleta (que aguarda julgamento da FIVB) um bolo de… meldonium!

Não tão bom humor

Serena Williams, incomodada com o árbitro de cadeira Kader Nouni durante o jogo contra Zarina Diyas, não economizou. “Não comece comigo hoje”, “não implique comigo”, “estou cheia de você implicar comigo” e “a não ser que você vá me dar um warning, não fale comigo” foram parte do repertório da número 1.

Serena venceu aquele jogo por 7/5 e 6/3, mas tombou na rodada seguinte, diante de Svetlana Kuznetsova: 6/7(3), 6/1 e 6/2.

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

O melhor continua sendo o melhor: Andy Roddick. Desta vez, o ex-número 1 do mundo corrigiu o jornalista americano Darren Rovell, da ESPN, que fazia uma piadinha com Novak Djokovic. Rovell publicou uma foto de Federer na quadra central de Miami e disse: “Ei, Djokovic, esse é o público em um jogo de Federer neste momento. Quanto ele deve receber?”

Rovell, no entanto, não sabia que a imagem era de um treino do suíço. Roddick explicou bem à sua moda: “Como tenho certeza que você sabe, Darren, a chave principal masculina não começou ainda em Miami… Isso é um treino.”

roddick_usatoday_blog

O jornalista se corrigiu, avisando seus seguidores (são mais de um milhão deles) que a imagem era de um treino. Em seguida, apagou os tuítes (por isso, publiquei aqui essa montagem, feita pelo USA Today).

A conta oficial do torneio de Miami registrou essa disputa quente entre Nick Kyrgios e… sua camisa. É nisso que dá fazer experiências no mundo da moda.

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Quadra 18: S02E04
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Alexandre Cossenza

O CEO de Indian Wells disse que as tenistas de hoje deveriam ajoelhar e agradecer por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido. Em seguida, Novak Djokovic reacendeu a polêmica da igualdade de prêmios entre homens e mulheres. No meio disso tudo, Victoria Azarenka derrotou Serena Williams em uma final, enquanto o número 1 do mundo venceu mais um Masters 1.000. Nas duplas, Marcelo Melo ficou a dois pontos de perder a liderança do ranking.

Com tudo isso para comentar, Sheila Vieira e eu (a Aliny estava se recuperando de uma lesão) gravamos este episódio do podcast Quadra 18, que cobre todos assuntos acima e ainda fala do doping de Maria Sharapova. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’14” – Sheila apresenta e lista os assuntos do dia e explica a ausência da Aliny
2’25” – Os comentários polêmicos do CEO de Indian Wells sobre a WTA
3’00” – “Bilionário que fica no camarote com uma menina de 12 anos”
8’08” – Cossenza: “A WTA tem uma parcela de culpa porque vendeu essa imagem durante algum tempo”
9’50” – As respostas de Azarenka e Serena
12’11” – Djokovic entra no assunto e provoca mais polêmica sobre premiação igual
13’40” – “Ele acabou de aplaudir as meninas, mas acha que homens devem lutar por um prêmio maior”
14’42” – Sheila: “Amigo, desce do muro”
16’30” – “Um dia, vou entender esse tabu para falar de menstruação”
17’25” – Cossenza fala sobre bastidores de negociação por prize money
19’30” – Cossenza concorda parcialmente com o raciocínio Djokovic, mas diz porque soa absurdo.
22’20” – Sheila cita história de limites impostos pela sociedade
23’20” – Maioria dos investimentos feitos no esporte são decididos por homens
26’05” – Sheila analisa a final entre Serena x Azarenka
28’25” – Cossenza lembra do point penalty e o risco de desclassificação de Serena
30’30” – O novo top 10 feminino e a volta de Azarenka
32’15” – O torneio masculino de Indian Wells e a conquista de Djokovic
33’00” – Djokovic x Nadal, a final antecipada, e a evolução do espanhol
34’45” – A fragilidade no saque, o principal problema de Rafa Nadal
36’30” – A decepção do torneio: Wawrinka ou Murray?
38’27” – A curiosa e “espetacular” Corrida para o Finals
40’05” – Nice Guys Finish Last (Green Day)
40’40” – Início do segundo bloco
40’56” – Áudio de Marcelo Melo e sua importante declaração
41’10” – Como o mineiro quase perdeu o posto de #1 do mundo
42’48” – As chances de Jamie Murray em Miami
45’05” – Os campeões de duplas em Indian Wells
45’20” – André Sá, vice-campeão do Challenger de Irving
46’30” – Bellucci, Rogerinho e Thiago Monteiro
48’10” – Sobre a cobrança e a expectativa em cima de Monteiro
50’00” – O duelo entre Bia e Teliana em Miami: bom ou ruim?
51’09” – Sheila: “A única maneira de lidar com essa loucura é fazer piada”
52’55” – A volta de Roger Federer e as mudanças em seu calendário
54’02” – A importância de ser número 2 do mundo para Federer
54’55” – O caso de doping de Maria Sharapova
57’40” – Sheila e Cossenza tentam adivinhar a punição de Sharapova
62’32” – A chance de Sharapova disputar os Jogos Olímpicos

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Nice Guys Finish Last (Green Day) e Game Set Match (YouTube Audio Libraby).


Quadra 18: S02E03
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Alexandre Cossenza

Gravado na sala de entrevistas do Esporte Clube Pinheiros, o novo episódio do podcast Quadra 18 está no ar com tudo que aconteceu de mais interessante no Rio Open e no Brasil Open, os dois torneios mais importantes do país. Apresentado por mim ao lado de Sheila Vieira e Aliny Calejon (pela primeira vez, gravamos com os três na mesma sala), o programa tem participações especiais de Felipe Priante e João Victor Araripe, além de áudios de Rafael Nadal, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Marcelo Melo e Thiago Monteiro.

Falamos da impressionante ascensão de Thiago Monteiro, das zebras no Rio de Janeiro, da decepção que foi a passagem de Rafael Nadal pela América do Sul, da surpresa de Paula Gonçalves, da nova sede do torneio paulista, do misterioso problema físico de Thomaz Bellucci e da fantástica Francesca Schiavone, entre muitos outros assuntos.

Também contamos histórias de “bastidores”, falamos sobre o convívio na sala de imprensa e respondemos perguntas de ouvintes. Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir, clique neste link com o botão direito e, depois, em “salvar como” para fazer o download do episódio e ouvi-lo mais tarde.

Os temas

0’00” – Alexandre Cossenza apresenta programa gravado no Pinheiros
2’25” – Impressões sobre o Rio Open
2’30” – “O que mais gostei foi John Isner”
3’30” – A decepcionante participação de Jo-Wilfried Tsonga
4’40” – As quedas de David Ferrer, Rafael Nadal e Jack Sock
7’05” – A inusitada desistência de Sock nas duplas
7’55” – A passagem de Nadal pela América do Sul
10’20” – Nadal explica sua derrota para Cuevas e fala do início de temporada
12’00” – Cuevas e o “melhor backhand de uma mão do circuito” segundo Guga
13’00” – A participação de Teliana Pereira no Rio Open
14’20” – A surpreendente campanha de Paula Gonçalves
15’55” – A derrota de Bia Haddad e o sucesso de Sorana Cirstea no Brasil
17’10” – A fantástica Francesca Schiavone e sua relação com o Brasil
19’40” – A lona do Rio Open
23’00” – Thomaz Bellucci vendendo pipoca no Rio de Janeiro
24’55” – Summer (Calvin Harris)
25’40” – Impressões sobre o Brasil Open no Esporte Clube Pinheiros
30’50” – Aliny avalia as campanhas de Melo e Soares em RJ e SP
32’20” – “O lado positivo é parar com o oba-boa que vinham fazendo”
33’48” – Bruno Soares avalia os resultados da dupla nos torneios brasileiros
35’09” – Bruno e Marcelo fala sobre a repercussão das derrotas na imprensa
37’10” – As preocupantes derrotas de Thomaz Bellucci
39’32” – Bellucci fala sobre seu problema físico e que seria outro tenista sem ele
42’21” – O momento de Feijão
44’00” – Thiago Monteiro, a grande estrela brasileira nas duas semanas
47’25” – Monteiro faz um balanço das duas semanas
49’00” – Cuevas, o “Rei do Brasil”
50’45” – A curiosa (e curta) passagem de Benoit Paire por São Paulo
52’05” – Os bolos da sala de imprensa do Brasil Open
53’30” – You Never Can Tell (Chuck Berry)
54’00” – “O que vocês levariam de SP para o Rio e do Rio para SP?”
58’05” – “O que os jogadores acharam da estrutura em SP?”
59’10” – “Qual a pessoa mais insuportável das salas de imprensa?”
71’50” – “Como foi a prestação de serviços dos dois torneios? Dá para comparar?”
72’50” – Cossenza critica o serviço prestado a idosos no Rio Open
75’07” – “Favor contar todas fofocas de bastidores”
69’20” – “Rio Open como Masters 1.000: sonho ou realidade?”
71’02” – “Acham que ano que vem vai ter lona no Rio Open?”
71’15” – “Thiago Monteiro já merece ser chamado para a Copa Davis?”
73’45” – “Thiago Monteiro tem condição de entrar no top 50?”
74’30” – Marcelo Melo faz uma declaração para Aliny Calejon

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Summer (Calvin Harris) e You Never Can Tell (Chuck Berry). A faixa de encerramento é Pobre Paulista (Ira!).


Rio Open, dia 1: o naufrágio da Quadra Guga Kuerten e uma lição olímpica
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Alexandre Cossenza

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A segunda-feira que começou quente, com céu limpo e previsão de temperaturas acima dos 40 graus, mas acabou molhado e com meia dúzia de jogos cancelados. A chuva veio forte e rápido, deixando a Quadra Guga Kuerten sob um palmo de água, o que causou um atraso gigante na programação. O estado submerso da arena inclusive que fosse realizada a homenagem ao tricampeão de Roland Garros, que empresta seu nome à quadra (que tem estrutura provisória) a partir deste ano.

O temporal fez com que o torneio cancelasse a partida de Fabio Fognini e, depois, o encontro entre Thomaz Bellucci e Alexandr Dolgopolov de volta para o hotel. John Isner e Guido Pella, que tiveram o jogo interrompido por volta das 18h, só voltaram a disputar um ponto às 22h. Americano e argentino, aliás, só haviam disputado 46 minutos de jogo, e a continuidade de sua partida foi especialmente conveniente para a organização do torneio, que precisaria devolver os ingressos – ou efetuar trocas para outras sessões – no caso de menos de uma hora de tênis.

Treino na chuva

Entre as cenas curiosas do dia, vale ressaltar que Rafael Nadal e David Ferrer treinaram na chuva – pelo menos enquanto foi possível.

Vale lembrar que, durante a pequena tempestade, a Quadra Central não foi coberta com uma lona. A justificativa de Lui Carvalho, diretor do torneio, foi de que a chuva caiu muito forte e muito rápido. Por isso, com o volume de água que molhou o saibro, já não se poderia mais fazer uso da lona – que cobriria a água. Talvez valha apontar aqui que a lona não estava na beira da quadra (como fica em Roland Garros, por exemplo) na hora que a chuva veio.

Também é importante registrar que as quadras externas sofreram bem menos com a quantidade de água. A Quadra 5, por exemplo, estava em condições bem melhores no mesmo horário, vide imagem abaixo. Embora a luz indique outra coisa, a foto da Quadra 5 foi feita depois da imagem da Central que está no alto deste post (o que aconteceu por volta das 19h30min).

O diretor, porém, ressaltou que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é ótima. O problema desta segunda, ele revelou, foi causado por dois ralos que entupiram e impediram que a água escoasse devidamente. “Quando conseguimos desentupir, teve jogo meia hora depois.”

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As brasileiras

No início do dia, enquanto o clima colaborou, Ana Bogdan eliminou Gabriela Cé por 6/2 e 6/3. Foi a única brasileira que teve uma partida de simples encerrada antes da chuva. Bia Haddad teve sua partida interrompida quando perdia para Sorana Cirstea por 6/2 e 2/0. A interrupção não ajudou tampouco ajudou. A romena, que havia quebrado o serviço da brasileira em todas cinco oportunidades antes da chuva, quebrou mais uma vez na sequência e fechou por 6/2 e 6/1.

O sofrimento no saibro

John Isner saiu derrotado por Guido Pella por 7/6(5), 5/7 e 7/6(8). O americano, contudo, mostrou enorme esforço para vencer no saibro carioca, mais do que justificando o cachê que recebeu. Fez mais de 30 aces, salvou três match points (um deles com um espetacular ace de segundo saque), virou um tie-break complicado e, não fosse por cãibras e um voleio desastroso (talvez uma coisa tenha levado à outra), teria esticado sua passagem pela América do Sul. Diante das circunstâncias desta segunda-feira – quadra pesadíssima e adversário perigoso no saibro, parece injusto classificar o resultado como desastroso.

A programação

A quantidade de partidas canceladas na segunda-feira causou um engarrafamento na programação de terça, e o Rio Open precisou voltar aos horários do ano passado, quando as rodadas começavam às 11h. A solução foi encaixar e distribuir nomes de peso em quadras pequenas.

Feijão, David Ferrer e Nicolás Almagro jogarão na Quadra 1, com capacidade para 1.200 pessoas. Dominic Thiem, campeão do ATP 250 de Buenos Aires, estará na Quadra 4, onde cabem pouco mais de 50 pessoas. Jack Sock enfrentará Federico Delbonis no mesmo local. Juan Mónaco também jogará lá.

A Quadra Guga Kuerten ficou com Paula Gonçalves x Julia Glushko, Teliana Pereira x Petra Martic, Thomaz Bellucci x Alexandr Dolgopolov, Thiago Monteiro x Jo-WIlfried Tsonga e Rafael Nadal x Pablo Carreño Busta. Veja a programação completa aqui.

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O vírus

Fora de quadra, as entrevistas deram assunto para os jornalistas (e salvaram o dia, sejamos sinceros). Um dos temas recorrentes da segunda-feira foi a ameaça do vírus zika, que ganhou manchetes no mundo inteiro. Curiosamente, as perguntas vieram de jornalistas estrangeiros – não vi os jornalistas brasileiros (eu inclusive) muito preocupados com o assunto. Quanto aos tenistas, Ferrer, que deu a primeira coletiva do dia, e Nadal evitaram fazer drama sobre o assunto.

Os dois adotaram um discurso bem parecido, inclusive, dizendo que o torneio havia tomado medidas para evitar mosquitos e que não havia muito mais a fazer. Nadal foi mais enfático, afirmando que viu o povo normalmente nas ruas, indo às praias e aos restaurantes. “Se o povo está vivendo normalmente, imagino que não seja tão grave. Estou saindo à noite, estou feliz aqui, não estou preocupado.”

Bellucci, o valor dos brasileiros e a lição olímpica

A entrevista de Gustavo Kuerten também foi interessante. Entre outras coisas, o tricampeão de Roland Garros, que será homenageado e dará nome à quadra (provisória) central do Rio Open, ressaltou a importância de valorizar os feitos dos tenistas brasileiros. Guga falou em especial de Thomaz Bellucci, que se mantém entre “20, 30, 40 do mundo por cinco anos.” Para o catarinense, “Bellucci recebe muito pouco valor pelo que faz.”

O ex-número 1 também falou sobre as chances de Marcelo Melo e Bruno Soares nos Jogos Olímpicos. Guga ressaltou que a chance de medalha é “claríssima”, mas lembrou que o torneio de duplas é muito acirrado e que o povo brasileiro precisa aprender a valorizar seu atleta independentemente de resultado. “As Olimpíadas vão deixar uma lição importante para a gente aprender. Os maiores atletas do planeta vão estar aqui, e a maioria vai sair derrotada.” Para o ex-número 1, é essencial saber que o esporte vai “além da chance de medalha.”

Thiem e a nova geração

Outro momento que vale destaque foi a resposta de Rafael Nadal, questionado por uma jornalista alemã sobre Dominic Thiem. O espanhol elogiou o jovem austríaco, disse que é um dos melhores nomes da geração e afirmou que esta geração atual, que surge com nomes como Thiem, Zverev e Fritz, é a que provavelmente vai causar a mudança de gerações da qual se fala na ATP há anos. Nadal lembrou, inclusive, que o assunto é recorrente há algum tempo, mas que o circuito continua dominado pelo mesmo grupo de antes.

Correção

Alterei um trecho do primeiro parágrafo nesta terça. O texto dizia “quadra provisória” e dava a entender que tudo era temporário. Na verdade, a quadra de saibro é permanente. As arquibancadas e toda estrutura montada para o Rio Open é que são temporários.


Rio Open: o que já rolou e o que esperar
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Alexandre Cossenza

O maior torneio de tênis da America do Sul começa nesta segunda-feira com muita expectativa – e não seria diferente em uma chave com Nadal, Ferrer, Isner, Tsonga, Sock, Dolgopolov e, claro, Thomaz Bellucci. Mas muita coisa já aconteceu dentro e fora das quadras nos dois dias de qualifying no Jockey Club Brasileiro. Que tal, então, dar uma olhada nas chaves e repassar o que rolou no fim de semana? Role a página, leia tudo e fique por dentro!

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Os homens

Nenhum dos grandes nomes citados acima fez um torneio memorável em Buenos Aires, onde Nicolás Almagro e Dominic Thiem disputaram a final. A boa notícia é que todos chegaram mais cedo ao Rio e estarão mais adaptados ao saibro, o que aumenta a chance de duelos com bom nível técnico.

Entre os principais favoritos, o sorteio da chave não colocou nenhum jogo espetacular na primeira rodada, mas deixou algumas ótimas possibilidades já para a segunda fase, como Nadal x Almagro e Tsonga x Cuevas.

As mulheres

Não tem como jogar para baixo do tapete: a chave feminina (é um WTA International, lembremos) é uma das mais fracas do circuito. Bom para Teliana Pereira, que é a principal cabeça de chave e terá a seu favor o calor carioca.

O sorteio não foi nada bom para as convidadas Bia Haddad e Sorana Cirstea, que se enfrentam já na primeira rodada. Elas duelaram recentemente em um ITF de US$ 25 mil no Guarujá, e a romena derrotou a brasileira nas semifinais por 2/6, 6/3 e 6/1. Quem vencer deve encontrar Polona Hercog (#83, cabeça 5) na sequência.

A chave ainda tem Francesca Schiavone “solta” por ali. A italiana, que hoje é apenas a 114ª do ranking, encara Tatjana Maria (#90, cabeça 7) na estreia, na minúscula Quadra 2 do Jockey Club Brasileiro.

Não há muito que esperar em termos de excelência técnica no evento (se compararmos com o circuito WTA, claro). O melhor cenário possível seria o que aconteceu no fraquíssimo WTA de Florianópolis: uma brasileira indo longe, atraindo público e enchendo a quadra.

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Os brasileiros

Talvez a maior atração brasileira seja a dupla de Marcelo Melo, número 1 do mundo, e Bruno Soares, campeão do Australian Open. Os dois, que atuarão juntos nos Jogos Olímpicos Rio 2016, formarão time no Rio Open, o que já gera uma expectativa enorme. Os mineiros são os cabeças de chave número 1 e estrearão contra os compatriotas Fabiano de Paula e Orlando Luz.

A chave de duplas não está nada fraca. Os cabeças 2 são os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah, enquanto Pablo Cuevas e Fabio Fognini são os cabeças 3, que em tese encontram os mineiros nas semifinais. Vale ainda prestar atenção em Philip Petzschner / Alexander Peya, Jo-Wilfried Tsonga / Paul-Henri Mathieu, e Jack Sock / Nicholas Monroe.

Nas simples, Thomaz Bellucci teve o pior sorteio possível considerando sua posição como oitavo cabeça de chave. Não só caiu no quadrante de Rafael Nadal (possível confronto de quartas de final) como estreará contra Alexandr Dolgopolov, ucraniano contra quem costuma ter problemas.

Eles já se enfrentaram duas vezes, e Dolgo venceu todos os quatro sets. O último jogo foi em Sydney, no começo deste ano, e o ucraniano aplicou 6/1 e 6/4. O copo-meio-cheio para Bellucci é que os confrontos anteriores foram em quadra dura. Talvez o saibro lhe seja mais favorável. Vale lembrar, porém, que Dolgopolov foi vice-campeão do Rio Open em 2014.

Feijão teve mais sorte. Convidado da organização, o paulista enfrentará o argentino Diego Schwartzman na estreia. Se vencer, pega Thiem ou Andújar. Feijão não vem jogando o mesmo nível de tênis do ano passado, quando foi semifinalista no Brasil Open e chegou às quartas no Rio, mas sabe jogar com a torcida e terá a chance de contar com o público para lhe empurrar em um momento tão importante. Feijão é hoje o #168 e ainda precisa defender os 90 pontos do Rio Open de 2015 (os 90 de São Paulo foram descontados nesta segunda-feira).

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As brasileiras

Teliana Pereira, querendo admitir ou não, é forte candidata ao título do torneio. Não só pelo nível da chave, mas pelo saibro e pelo clima. Enquanto isso, Gabriela Cé, convidada da organização, joga sem pressão.

A boa notícia do fim de semana ficou por conta de Paula Gonçalves, que furou o qualifying e chegou à chave principal para enfrentar a israelense Julia Glushko na primeira rodada. Nem de longe é o pior dos cenários.

Paula, lembremos, jogou a chave principal em 2014 e 2015 e somou duas derrotas para a paraguaia Verónica Cepede Royg. Em 2014, sacou para fechar os dois sets, mas perdeu ambos. Talvez o qualifying tenha dado do ritmo que a paulista precisava para avançar inclusive na chave principal. Vale prestar atenção.

O qualifying deles

Na chave masculina, nenhum dos seis brasileiros passou pelo quali. Rogerinho, André Ghem, Guilherme Clezar, José Pereira, Carlos Eduardo Severino e Orlandinho disputaram. Rogerinho foi o único a vencer na primeira rodada, no sábado, mas acabou derrotado por Gastão Elias no domingo.

Carioca style

Rio de Janeiro é aquela coisa… Quando o povo não está sendo assaltado ou fugindo de arrastões na Linha Vermelha e no Túnel Rebouças, está vendo paisagens e postando fotos nas redes sociais. Não seria diferente em um torneio de tênis. As fotos são muitas, a começar com Fabio Fognini e Flavia Pennetta curtindo o Cristo Redentor.

Na praia de São Conrado, as meninas foram tomar água de coco: Danka Kovinic, Sorana Cirstea, Christina Mchale e Teliana Pereira.

John Isner também curtiu praia e água de coco, mas foi até a Rocinha bater bola com alguns garotos da comunidade.

Jack Sock correu na Lagoa Rodrigo de Freitas e se juntou a Bellucci e Isner para um passeio de helicóptero pela Cidade Maravilhosa.

A programação

O primeiro dia de chave principal no Rio Open tem Gabriela Cé x Ana Bogdan como jogo único da sessão diurna na quadra central, começando às 14h15min. Na sessão noturna, com início não antes das 17h, o torneio escalou Pella x Isner, Bellucci x Dolgopolov e Fognini x Bedene, nesta ordem. Veja a programação completa neste link.

Fora do Rio

Apenas a título de registro, vale a pena ficar de olho em Delray Beach, onde Juan Martín del Potro fez seu muito aguardado retorno às quadras após uma cirurgia no punho esquerdo realizada no dia 18 de junho de 2015.

Seis anos atrás, em 2010, Del Potro também fez um retorno em Delray Beach – também por causa de uma cirurgia no punho (era o direito na época). Naquele ano, o argentino foi campeão sem perder um set sequer.

Del Potro ainda tem “só” 27 anos, já venceu um Slam e constantemente dava trabalho aos melhores do mundo. Entre outros feitos, derrotou Federer numa final de Slam e tirou uma medalha olímpica de Djokovic. Tê-lo em excelente nível outra vez seria fantástico para o tênis.


O que testa um evento-teste?
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Alexandre Cossenza

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Uma arena bonita para as câmeras, mas inacabada nos bastidores; um mini-torneio para cerca de dois mil convidados, sem assentos marcados; nenhum check de segurança nos pontos de acesso; placas de sinalização precárias e riscadas a mão; e uma sala de imprensa modesta e mal preparada para receber uma coletiva. Foi o que eu vi no segundo dia do evento-teste de tênis para os Jogos Olímpicos Rio 2016 – o primeiro dia aberto à imprensa.

Se faltava tanta coisa, que diabos testa um evento-teste, afinal de contas? Foi essa a intenção da minha ida ao Centro Olímpico de Tênis na sexta-feira. Quem me ofereceu uma resposta foi Gustavo Nascimento, gerente de arquitetura de instalações esportivas do comitê organizador. A explicação foi a seguinte:

“A gente não quer fazer dois Jogos Olímpicos. Toda instalação é focada no sistema de resultados e na área de competição. O voluntário que vai pegar a bola, a arbitragem, o calendário de competição, o look que vai na quadra no painel ali atrás do fundo de quadra, o equipamento esportivo, a rotina de chegada do atleta, check de vestiário, salas de chamada, pessoal de apresentação do esporte, DJ, locutor, músicas que vêm no intervalo dos jogos… Tudo isso. A gente não faz marketing nenhum. Isso aqui tem um objetivo principal, que é um teste operacional focado no esporte, na gestão da área de competição, no sistema de resultado. Temos o nosso parceiro de resultado do COI aqui, fazendo todo o ensaio de tecnologia com o mesmo aparato dos Jogos. E os testes que são um pouco mais subjetivos: engajamento da equipe, todo mundo que vai estar trabalhando nos jogos. Muitos serão contratados, mas os que já estão contratados dedicados a essa instalação estão aqui dando suporte… O que você chama de improviso (eu afirmei que a sala de imprensa era improvisada e pequena, longe de nível olímpico), na verdade, a gente chama de ‘ajustar à necessidade do evento’ porque não temos pretensão nenhuma de fazer nada dimensionado no tamanho do evento porque não é ‘o’ evento. A gente entende que um teste não necessariamente precisa ser idêntico àquilo que a gente vai realizar nos jogos.”

Fiz uma segunda pergunta, relativa à segurança, que é uma preocupação mundial em qualquer evento esportivo – ainda mais nessa escala olímpica -, e Nascimento explicou que a segurança dos Jogos é da Secretaria Especial de Grandes Eventos Esportivos (e não do Comitê Rio 2016), dentro do Ministério da Justiça. “Eles são os donos do planejamento de segurança”, disse o arquiteto. O Comitê fará três eventos-teste maiores em 2016 (um de ginástica, um de saltos ornamentais e outro de atletismo paralímpico), mas ficará a cargo a Sege a dimensão desse teste no quesito de segurança. Fica registrada, então, a explicação do Comitê Rio 2016.

Quem ganha?

O Comitê pode dizer que não faz marketing, mas o prefeito do Rio, Eduardo Paes, faz. Foi à arena na noite de quinta-feira, tirou fotos e mostrou o espaço “inaugurado”, ainda que haja um bom trabalho a ser feito internamente, como as imagens abaixo mostram, e que a entrega já esteja atrasada. Apesar disso, o prefeitão apareceu, bateu uma bolinha e fez as fotos para divulgação da imprensa.

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Ganha também a CBT, a “dona” dos atletas. O evento-teste só existiu, afinal, porque a Confederação topou levar para o Rio de Janeiro seu evento de fim de ano, com os melhores tenistas do país jogando para convidados que, em sua maioria, estão ali bancados pela CBT e seu patrocinador.

Mas não foi só isso. Além de levar seus convidados ilustres para a estreia da arena olímpica, a CBT viu seus atletas – todos apoiados pelos Correios (vide foto abaixo com o presidente da entidade, Jorge Lacerda, na cabeceira) – discursarem incessantemente sobre a necessidade de o tênis brasileiro ter uma “casa”. Vale lembrar que até agora não há definição sobre o destino do Centro Olímpico de Tênis após os Jogos do Rio. Não se sabe quem administrará o espaço. A CBT, que faz lobby para isso há alguns anos, certamente ganhou exposição nessa causa durante o evento-teste.

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Ainda sobre o tema, vale ler a reportagem que a Sheila Vieira fez para o Tenisbrasil, com as frases mais relevantes dos tenistas.

A primeira queixa

Entrando no aspecto esportivo da coisa, uma das primeiras curiosidades de todo mundo era saber como ficou o piso. Segundo a maioria dos profissionais que jogaram na sexta-feira, a quadra dura está mais para lenta (bem áspera), com a bola quicando bem alto.

A queixa ficou por conta do painel verde-limão colocado no fundo de quadra. Ele faz parte de uma decoração que usa tons diferentes de verde, mas enxergar a bolinha com aquele painel no fundo não é tão fácil assim. Com o devido cuidado para não criticar o evento, quase todos tenistas falaram sobre isso. Feijão foi quem melhor resumiu: “Já que é evento de teste, por que não falar?”

A cor do painel não deve ser mantida para os Jogos, já que não há torneios com o fundo de quadra em cor clara – justamente para que haja contraste com a cor da bola. E se a cor do fundo de quadra foi um problema, a cor do piso foi outro. O verde claro também dificultou a vida de quem estava vendo pela TV. Os tweets da Aliny Calejon mostram.

Depois de ler alguns comentários sobre isso no Twitter, vi a reprise de um jogo no SporTV3 e tive a mesma impressão. Enxergar a bolinha não é tão fácil em alguns momentos. Resta saber o que o Comitê vai fazer a respeito.

Duas dúvidas

Na coletiva de pouco mais de 40 minutos organizada (inteligentemente, como já citei acima) pela CBT, pouco deu para aproveitar de conteúdo. No entanto, como Bruno Soares afirmou na entrevista ao blog, não há um critério para definir quem formará a dupla mista ao lado de Teliana Pereira. Com dois duplistas na mesa, João Zwetsch, capitão brasileiro na Copa Davis, ficou meio sem jeito com a pergunta e respondeu que por enquanto a questão vai ficar “de banho-maria” e que tudo vai ser resolvido “mais para a frente”.

E qual seria o critério mais justo, hein? Ranking de duplas (Melo)? Ranking de simples (Bellucci)? Ou histórico em duplas mistas (Soares)?

A outra dúvida diz respeito ao futuro do WTA de Florianópolis. Após boatos de que o evento estaria prestes a ser comprado pela Federação Suíça, a Sheila conversou com Jorge Lacerda, que disse que o negócio ainda não foi fechado. Pelo texto, a impressão que tive é que o dirigente não foi tão enfático assim no que diz respeito a manter o evento após 2016. Leiam aqui e digam se tiveram a mesma impressão.

Coisa que eu acho que acho:

Nada a ver com o fato de ser evento-teste, mas sempre me incomodou a CBT realizar seu “Masters” longe do público, em evento para presidentes de federação, acompanhantes e convidados. Ainda que amistoso, um torneio com Marcelo Melo, Thomaz Bellucci, Bruno Soares, Feijão, Teliana Pereira e Bia Haddad seria uma chance enorme de aproximar do público os melhores tenistas do Brasil, que passam a maior parte do ano viajando e jogando torneio pelo mundo.


A lição de Teliana
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Alexandre Cossenza

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É possível. Simples assim. Uma menina que nasceu no sertão de Pernambuco e foi praticamente adotada junto com seus irmãos por um treinador (Didier Rayon) no Paraná, passou por duas cirurgias no joelho quando vivia o melhor momento da vida, voltou a sentir dores cinco anos depois, novamente quando passava por uma ótima fase… E hoje Teliana Pereira é campeã de um torneio de nível WTA.

Foi o primeiro resultado deste porte de uma tenista brasileira desde 1988 (Niege Dias foi campeã em Barcelona naquele ano), mas a ideia deste post não é dramatizar além da conta a história da número 1 do Brasil nem exagerar no tamanho do feito (enorme) de Teliana. Ela não precisa disso.

A intenção aqui é lembrar que a pernambucana de 26 anos nunca desistiu. Nem mesmo sua recuperação da lesão no joelho direito lá atrás, em 2009, parecia sem fim. Teliana enfrentou dificuldades até com plano de saúde. Quando, enfim, voltou a jogar teve também diferenças com a CBT (que cedeu quando ficou claro que ela retornaria ao posto de número 1 do país).

Teliana persistiu, mesmo sabendo que nunca teve o melhor forehand nem o saque mais potente do circuito. Sempre tentou compensar com o físico o que lhe faltou em técnica e potência. Lutou dia sim, dia não, contra adversárias que tiveram (e ainda têm) melhores condições para treinar e viajar pelo circuito.

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Agora, cinco anos depois daquela lesão, Teliana completa duas semanas de dez vitórias e nenhum set perdido. Depois de ser campeã em Medellín, um torneio com premiação de US$ 50 mil (era seu maior título na vida), a brasileira triunfa em Bogotá, onde derrubou nomes como Francesca Schiavone, campeã de Grand Slam e atual 70ª do mundo, Elina Svitolina, 27ª do ranking e cabeça de chave 1 em Bogotá, e Yaroslava Shvedova, 75ª na lista da WTA (os rankings citados aqui são os do início do torneio).

O leitor pode dizer que “a chave era fraca” ou que “o torneio está na contramão do circuito” – as duas afirmações são verdadeiras – mas vale colocar tudo em contexto. Sim, é verdade que Bogotá é um torneio único, jogado na altitude, em condições bem especiais. Mas é preciso lembrar que Teliana passou a maior parte de sua carreira caçando pontinhos aqui e ali em torneios de US$ 25 mil até que conseguiu, no ano passado, disputar os quatro Grand Slams na mesma temporada – feito raríssimo no tênis feminino por aqui.

Um mês e meio atrás, a número 1 do Brasil estava sendo derrotada em Curitiba, nas oitavas de final de um torneio de US$ 25 mil por Paula Gonçalves, número 286 do mundo. Logo, vencer, em semanas consecutivas, os dois maiores títulos da carreira – e um deles, em nível WTA! – é um feito enorme para Teliana Pereira. Ou para qualquer brasileira. Ou brasileiro. Ou sul-americano.

Coisas que eu acho que acho:

– Importante registrar: Bia Haddad, 190 do mundo, e Paula Gonçalves, 278, conquistaram o título de duplas do WTA de Bogotá. Na final, as brasileiras derrotaram as americanas Irina Falconi e Shelby Rogers por 6/3, 3/6 e 10/6.


Curtinhas cariocas da terça-feira
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Alexandre Cossenza

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Rafael Nadal derrotou Thomaz Bellucci sem grandes dificuldades, encerrando uma interessante rodada de terça-feira no Rio Open. O jogo, grande atração da rodada, esteve longe de ser o único momento bacana do dia. Por isso, as curtinhas cariocas voltam ao Saque e Voleio. Fiquem por dentro:

– Das coisas que pouca gente vê… Um dos compromissos dos tenistas é, após o encerramento de uma partida na Quadra Central, disputar um ponto com um convidado de um dos patrocinadores. Foi o que fez David Ferrer. Nadal foi mais longe. Ficou uns bons cinco minutos, com um sorriso no rosto o tempo inteiro, jogando com um cliente do Itaú. Impagável. Depois disso, ainda ficou mais alguns longos minutos dando autógrafos aos fãs que se amontoavam no portão de saída.

– Na coletiva, Bellucci reclamou um bocado de seu saque, enquanto Nadal disse que fez uma partida “correta”, sem tentar coisas mais complicadas porque sabia que não era o momento para isso. O ex-número 1 do mundo também disse que o brasileiro tem tudo para estar em um ranking mais elevado. “Tem golpes, tem serviço…” Nadal não disse, mas sua expressão tinha uma cara de “não entendo como Bellucci perde alguns jogos.” Muitos conhecem essa sensação…

– Aliás, vale lembrar que choveu fraco durante boa parte da partida entre Nadal e Bellucci. A Quadra Central, assim como as menores, vem resistindo bem aos pingos. O torneio segue sem atrasos.

– Feijão também fez uma belíssima partida e derrotou Facundo Arguello (de quem havia perdido todos os quatro jogos anteriores) por 6/1 e 6/1. Feliz com o bom momento – vem de uma semifinal em São Paulo -, evitou mais uma vez falar em Copa Davis (embora sua convocação, extraoficialmente, esteja garantida) e afirmou que está se sentindo à vontade nos ambientes dos torneios ATP. O melhor momento de sua entrevista foi na última pergunta, feita por um jornalista argentino, que indagava sobre o comportamento da torcida brasileira. Em espanhol fluente (já viajou e viaja com treinadores argentinos por um bom tempo) , Feijão respondeu que os brasileiros gostam de gritar, mas que as pessoas não são tão educadas assim na Argentina e no Uruguai, onde já esteve para uma Copa Davis.

– Bethanie Mattek-Sands teve um papo animado com Felipe Priante, do Tenisbrasil. Além da ótima entrevista, que fugiu da mesmice que seria falar apenas sobre moda, Felipe, que vestia uma camisa de Aaron Rodgers, quarterback do Green Bay Packers, ainda ganhou um tweet da americana.

– O jogo mais agitado do dia foi entre Nicolás Almagro e Pablo Cuevas. No caldeirão que é a Quadra 1, com a torcida pertinho dos jogadores, o ambiente é sempre propício para que algum fã exaltado tente provocar um tenista. Não estive na quadra, mas o relato na sala de imprensa era de que Almagro conseguiu fazer todo o público ficar ao lado de Cuevas. O uruguaio acabou vencendo por 4/6, 6/3 e 6/4. O espanhol saiu sem dar autógrafos.

– Ainda sobre a Quadra 1, Bruno Soares disse, como no ano passado, que adora o ambiente para jogar lá. O mineiro até notou que a arquibancada de um dos lados é maior do que em 2014. A capacidade este ano é para pouco mais de mil pessoas. André Sá e Feijão, lembremos, também venceram jogando juntos na Quadra 1.

– O momento mais bacana do dia foi mesmo a coletiva de Bia Haddad. Feliz com a vitória sobre Maria Irigoyen (6/1 e 6/1) e tagarela como sempre, a paulista de 18 anos, considerada há alguns anos a maior esperança do país no tênis feminino, falou sobre o quanto sua vida mudou após passar por uma lesão no ombro e uma delicada cirurgia na coluna – um procedimento errado, e Bia ficaria para sempre sem andar. O relato da brasileira é tão rico em detalhes que inclui até o horário exato em que ela sentiu (3h42 da manhã) o primeiro desconforto. A transcrição da parte mais importante da coletiva está no blog.


O dia em que Bia Haddad quase ficou para sempre em uma cadeira de rodas
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Alexandre Cossenza

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Eu estava num hotel, numa cama, nos Estados Unidos. Eram 3h42min da manhã e eu, putz, senti que a minha perna estava formigando. Minha perna direita. Ali, eu levantei, vi que estava pesada a perna. Sabe quando você dorme em cima do braço e sente ele meio bobão assim? Minha perna estava meio bobona e meu dedinho do pé não estava me obedecendo. Falei “putz, que estranho dormir em cima da perna, nunca aconteceu isso”. Aí fui na banheira e coloquei água quente para … sei lá! Me veio na cabeça (risos). Entrei na banheira de água quente e não mudou nada a situação. Continuava formigando. E minhas costas doíam. Aí eu, putz, “água gelada, segunda opção”. Fui lá, liguei a torneira da água gelada e não mudou nada. Falei “putz, que que eu tenho?” Comecei a chorar, fiquei desesperada, bati na porta do Larri e falei “tá doendo muito, minha perna não está indo, não consigo ficar na ponta do pé, não vou jogar”. Ele falou “vamos para o Brasil, a gente vai ver o que fazer”.

Cheguei em São Paulo no dia seguinte, 4h da tarde e liguei para o meu médico. Ele falou “olha, estou indo para a Disney, não vou poder te atender. Vou te passar para um outro médico”. Pensei “uhu, legal”. Tipo… Meu avô é ortopedista, minha avó é pediatra, tenho tia que é neuro, tenho tia que trabalha com acupuntura… Minha família ficou “como assim, né?” Você faz trabalho de coluna e, quando precisa, ele te passa? Ele me passou para um cara que, sem palavras, só tenho a agradecer, que é o doutor Guilherme Meyer. Ele foi um herói. Naquele mesmo dia que cheguei dos Estados Unidos, fui internada. Às 10h da manhã do dia seguinte, que foi 12 de outubro de 2013, ele acabou me operando. No dia anterior, eu fiz um milhão de perguntas para ele. Perguntei como era o nome, a idade dele, perguntei acho que até quando ele pesava. Perguntei se ele já tinha feito essa operação, se eu ia voltar a jogar tênis, passava muita coisa na minha cabeça.

No dia seguinte, levantei da cama, já sentia minha perna e não sentia mais dor. É uma cirurgia de milímetros que ele raspa ali, que ele tirou o meu disco e, puta, desde 12 de outubro de 2013 eu não sinto mais dor.

O emocionado e emocionante relato acima é cortesia de Bia Haddad, 18 anos, recém-saída de uma vitória maiúscula no Rio Open. Após derrotar a argentina Maria Irigoyen por 6/1 e 6/1 e conquistar seu segundo triunfo da carreira em torneios de nível WTA, a jovem paulista contou como foi a traumática sequência de eventos que quase abreviou sua carreira. Na verdade, a lesão na coluna poderia até ter deixado Bia para sempre em uma cadeira de rodas.

Tudo aconteceu no ITF de Macon, um torneio com premiação de US$ 25 mil em outubro de 2013. A brasileira acabava de se recuperar de uma lesão no ombro direito, fruto de um tombo em um torneio em Campinas. Por ter ficado três meses sem poder se movimentar, Bia também teve de ficar sem tratar as três hérnias de disco que tem na coluna. Uma delas tornou-se uma extrusa, provocando a dormência na perna direita. Era grave.

Bia ainda tentou entrar em quadra naquele mesmo dia. Não deu certo. Teve de abandonar uma partida de duplas e voltar ao Brasil. A cirurgia era delicada, e havia risco de que a tenista perdesse o movimento da perna. Na coletiva desta terça-feira, Bia também contou como foi a volta a Macon, um ano depois.

Até joguei esse torneio agora, foi minha segunda gira viajando com o Bocão. Eu cheguei no hotel e falei “caraca”, comecei a sentir a dor que eu estava, de nervoso. E o hotel… O quarto era igualzinho ao que eu fiquei. O banheiro, a cama… E eu lembrei do aeroporto, que eles me ofereceram cadeira de roda, e eu falei “nem a pau que vou de cadeira de rodas” (risos). Furei o quali desse torneio, ganhei três jogos, ganhei a primeira rodada da Brady e perdi para a Grace Min. Então fui lá de novo, foi mais um desafio para mim. Foi muito bom ter voltado lá e visto que um ano depois um ano, eu estava bem.

Número 270 do mundo e em franca ascensão em julho de 2013, quando sofreu a lesão no ombro. Voltou a jogar um torneio só em fevereiro de 2014, justamente no mesmo Rio Open, um ano atrás. Despencou para além da 500ª posição. Foi aí que aprendeu a olhar para a vida, a carreira e a família de maneira diferente. Trocou de treinador, deixando Larri Passos (e defendeu o gaúcho com unhas e dentes na coletiva) e assumindo uma parceria com Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão.

Eu aprendi muito. De lá para cá, muitas coisas aconteceram. Troquei de treinador, troquei de preparador, comecei um trabalho com a Carla di Pierro (psicóloga), que trabalha com o Bellucci, estou fazendo um trabalho de coluna e venho cuidando do meu corpo. Comecei a me tratar antes como ser humano. Mudei muito a minha cabeça com isso. Desde que eu operei, eu comecei a dar muito valor para as coisas pequenas. Tipo eu estar com a minha família e dar valor para minha irmã, minha mãe e saber que a vida tem muito mais coisa que o tênis. Comecei a ver que o tênis é uma coisa muito pequena da vida. Eu tenho que curtir a vida e levar o tênis como se fosse um hobby, fazendo como eu gosto e sabendo que tenho que levar a sério.


Bellucci, Quito e o copo
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Alexandre Cossenza

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Uma semifinal de ATP 250 é um ótimo resultado. São 90 pontos na conta. Nas últimas 52 semanas, Thomaz Bellucci só conseguiu mais do que isso em Valência, onde furou o quali e alcançou as quartas, somando 110 pontos  em um ATP 500. Aliás, na carreira inteira, o paulista de 27 anos só fez mais de 90 pontos em oito torneios. Só foi além das semifinais cinco vezes. Logo, na matemática, o número 1 do Brasil fez uma ótima campanha no ATP 250 de Quito, no Equador.

Essa foi a visão “copo-metade-cheio” sobre a última semana de Thomaz Bellucci. Só que como em quase tudo na vida, há um “copo-metade-vazio”. Porque o paulista não mostrou tênis consistente em nenhum momento da semana, escapou por milagre de uma decepcionante eliminação nas oitavas (obrigado a Horacio Zeballos por tentar um saque-e-voleio no segundo serviço quando tinha match point) e acabou superado por um veterano de 34 anos que nunca havia alcançado uma final de torneio ATP.

E isso tudo aconteceu no saibro e na altitude de Quito (2.800 metros acima do nível do mar), condições que favorecem muito o tênis de Bellucci. Não é por acaso que o paulista conquistou seus três títulos de ATP em Gstaad (2009 e 2012 – 1.050m) e Santiago (2010 – 521m). Tivesse passado pelo dominicano Victor Estrella Burgos, o brasileiro enfrentaria Feliciano López, que seria seu único adversário de ranking superior em Quito.

Logo, há motivo para comemorar os 90 pontos conquistados pelo número 1 do Brasil (que vai subir cerca de dez postos no ranking, entrando na casa dos 70 melhores do mundo), mas também há que se lamentar o desperdício de uma ótima chance de ir mais longe e levantar um troféu. É difícil encontrar no histórico de Bellucci um ATP 250 com chave mais acessível (leia-se, sem eufemismo, “fácil”). Tudo depende de que copo está na sua mão…

Coisas que eu acho que acho:

– O copo de João Zwetsch, velho-novo técnico de Thomaz Bellucci aparentemente está meio cheio.

– Curiosamente, Feijão tornou-se o primeiro brasileiro a alcançar uma final de ATP nesta temporada. João Souza foi à decisão de duplas em Quito, onde jogou ao lado de Estrella Burgos. Brasileiro e dominicano perderam o título para Gero Kretschmer e Alexander Satschko por 7/5 e 7/6(3). Não parece justo superanalisar este resultado. Acredito que diz muito pouco sobre a possibilidade de Feijão obter uma sequência de bons resultados na modalidade. A chave de duplas de Quito, ainda mais do que a de simples, estava muito fraca.

– A última semana também teve o Zonal americano da Fed Cup. O Brasil, que entrou como favorito, acabou sendo derrotado pelo Paraguai na final. Depois de bater o Chile por 3 a 0 e a Colômbia por 2 a 1, o time da capitã Carla Tiene sucumbiu de virada. Paula Gonçalves abriu a série derrotando Montserrat González por 6/0 e 6/3; na sequência, Bia Haddad foi superara por Veronica Cepede Royg por 6/4 e 7/6(4); e a decisão, nas duplas, teve vitória de González e Cepede Royg sobre Paula Gonçalves e Teliana Pereira por duplo 6/3.

– Segundo um dos comunicados enviados pela CBT, Teliana sentiu dores no cotovelo e foi poupada de toda a competição. Só entrou em quadra no desespero, na última hora, para a partida de duplas. Não funcionou. Não vi os jogos (o SporTV, detentor dos direitos, não exibiu o Zonal, como de costume) nem sei por que a dupla de Bia Haddad e Gabriela Cé abandonou a partida contra a Colômbia (o comunicado da CBT não explica). Logo, não dá para saber todas as circunstâncias da escalação de Teliana na última partida.


Bia e a decisão que Tiago não tomou
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Alexandre Cossenza

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Duas notícias importantes no tênis brasileiro vieram a público nesta quinta-feira. Tiago Fernandes, que como juvenil foi campeão do Australian Open e número 1 do mundo, abandonou a carreira. Aos 21 anos, o alagoano deixou Balneário Camboriú, sua casa desde 2008, e voltou para Maceió, onde prestou vestibular e passou a cursar engenharia – seguindo a carreira de seu pai. A outra mudança envolve a maior promessa do tênis feminino brasileiro. Bia Haddad deixa a academia de Larri Passos para treinar com Marcus Vinícius Barbosa, o Bocão. Há uma óbvia e importante relação entre os dois fatos.

Fernandes chegou a seu auge quando treinava na academia de Larri. A transição para o tênis profissional não teve o sucesso que todos esperavam e desejavam. O fim da relação com o ex-técnico de Guga veio após uma rara fratura por estresse no púbis que tirou o alagoano das quadras por muito tempo. A recuperação foi lenta, e Tiago decidiu não levar a carreira adiante. É uma óbvia pena para o tênis brasileiro. Resultados à parte, o alagoano sempre pareceu o mais maduro e consciente dos juvenis do país (nos últimos dez anos, pelo menos). Sempre se expressou muito bem e deixou claro o que queria. E, obviamente, tinha um belo tênis. Tiago tinha também um plano, mas não conseguiu executá-lo. Um pouco por não ter lidado bem com as expectativas após os grandes feitos que vieram muito cedo, um pouco por falhas de planejamento.

A falta de um preparador físico exclusivo – algo que a família de Tiago quis, mas que nunca foi aceito por Larri – talvez tenha sido o mais grave dos erros. Coincidência ou não, Bia Haddad teve problemas físicos. Depois de um tempo afastada por causa de um problema no ombro (resultado de uma queda em quadra), a paulista voltou aos torneios e, logo no primeiro evento, sentiu dores nas costas (tratava-se de uma hérnia que já incomodava a tenista desde antes) e voltou ao Brasil para se submeter a uma cirurgia. Bia disputou apenas um jogo de julho de 2013 até fevereiro de 2014.

Outro elemento em comum nos dois casos é a ausência de Larri Passos. Tiago venceu o Australian Open em 2010 e passou a temporada 2011 inteira sem o treinador, que viajava com Thomaz Bellucci. Bia teve o mesmo problema recentemente, já que o técnico gaúcho tem compromissos fora do país – inclusive com a austríaca Tamira Paszek – e não pode dedicar-se totalmente aos atletas que treinam em sua academia. A paulista tomou a decisão de mudar. A decisão que Tiago não tomou. Muitos não sabem, mas o campeão do Australian Open esteve perto de fazê-lo. Os pais do alagoano chegaram a procurar outro treinador antes do fim de 2011. Entretanto, quando o tenista conversou pessoalmente com Larri, então recém-dispensado por Bellucci, o treinador garantiu mais atenção. Em agosto de 2012, porém, a lesão no púbis tirou o alagoano de ação e forçou o fim da parceria.

A opção de Bia é compreensível. Treinar “na” academia de Larri é bem diferente de treinar “com” Larri. Levando em conta que Thiago Monteiro e Orlando Luz também trabalham com o ex-técnico de Guga, era difícil imaginar os três recebendo a atenção merecida. Para agravar o panorama, tratam-se de jovens em momentos diferentes, com calendários muito distintos. Thiago vive o circuito Challenger, enquanto Bia joga o circuito ITF feminino. Orlandinho, por sua vez, vem fazendo a transição para o profissional. Juntando tudo isso aos outros compromissos de Larri, em quantas semanas por cada um desses tenistas (todos com futuros promissores, é bom ressaltar) poderia viajar acompanhado por Larri?

Coisas que eu acho que acho:

– Uma pergunta fica no ar: a saída de Bia da academia de Larri Passos é algo a ser seguido por Orlandinho e Thiago Monteiro?

– Vale o lembrete (que já fiz na página do blog no Facebook): minha recente mudança de endereço me deixou sem TV a cabo e internet. Vou poupá-los dos detalhes, afinal são bem conhecidos os problemas que muitos enfrentam com empresas como Oi e SKY. O blog volta com força total assim que a casa nova estiver conectada. Até lá, infelizmente, não publicarei posts com a frequência que gosto. Agradeço aos que compreenderem.