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De Bellucci a Bouchard: um brasileiro na elite da preparação física
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Alexandre Cossenza

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Cerca de seis anos atrás, Cassiano Costa deixou de ser preparador físico de Thomaz Bellucci. Foi pouco antes disso que conversamos pela última vez – em fevereiro de 2011, quando o tenista queria ganhar massa muscular. A chegada do técnico Larri Passos, no entanto, fez a carreira de Costa tomar outro rumo.

Hoje, o paulista de 40 anos é um dos profissionais da preparação física mais conceituados do mundo. Depois de três anos a serviço da IMG, empresa que gerencia a carreira de vários tenistas de elite, Costa agora é preparador particular de Eugenie Bouchard, ex-top 5 e considerada um dos maiores talentos do tênis atual – são os dois na foto acima, a propósito. A canadense teve lesões em 2015 e 2016, ocupa hoje o 44º posto na lista da WTA e agora busca dar um fim aos problemas físicos para voltar a subir no ranking.

O brasileiro é peça fundamental nessa engrenagem. Cassiano Costa ajudou a desenvolver uma bebida especial para “Genie” se hidratar e vem fazendo a atleta ganhar massa muscular. A canadense confia tanto em seu trabalho que paga excesso de bagagem em todas viagens só para que Costa leve todo seu equipamento especial.

Batemos um papo por Skype sobre um pouco de tudo. Continuamos de onde “terminamos”, com o fim da parceria com Bellucci, falamos de sua passagem pela IMG e do atual período com Bouchard, mas também falamos de tênis em geral. Do que faz gente como Federer, Djokovic e Nadal se distanciar do resto, de como montar calendários e de quanto as exibições de fim de ano pesam (ou não) na integridade física de atletas da elite. A íntegra está abaixo:

Vamos começar por onde terminou a nossa última conversa, que foi no Brasil Open, quando o Larri estava começando o trabalho com o Thomaz. Naquela época, muita gente dizia que o Larri preferia trabalhar sozinho e você não ficaria na equipe. A sua saída (em abril) pegou de surpresa?

O pessoal falava isso já. O Larri é uma pessoa legal pra caramba, uma pessoa fantástica e um profissional que teve um resultado brilhante com o Guga, criou o sistema e metodologia dele e tinha dificuldade de deixar outras pessoas penetrarem. Não foi novidade isso. Só que eu também tinha minha metodologia, meus resultados e, para nada atingir o Thomaz, nós acabamos decidindo que era melhor cada um seguir seu caminho. Isso acontece muito no tênis. Não é exclusividade do Larri. O pessoal fica massacrando ele, mas isso é do tênis. É difícil às vezes a comunicação entre o preparador físico e o treinador. Às vezes, quem paga o preço é o atleta, mas no nosso caso, a gente detectou rápido, e era mais fácil era mais fácil eu ver outras coisas que já estavam acontecendo e eles continuarem.

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Nenhum problema na relação, então?

Continua tudo bem com todo mundo. Encontrei com o Larri agora no Australian Open, foi super gentil. Com o Thomaz nós jantamos várias vezes em Sydney. O João [Zwetsch] também é um cara com quem me dou super bem, então não foi tanta surpresa. É um pouco praxe isso no tênis. Está melhorando isso agora.

Esse rompimento foi em abril de 2011. Você foi contratado pela IMG em 2012. Como foi esse processo?

A história é longa. Em 2006, quando eu tive um pequeno intervalo com o Saretta, eu trabalhei com a [americana] Jamea Jackson. O treinador dela é um brasileiro que está nos EUA há muito tempo, o Rodrigo Nascimento, e a gente fez uns três, quatro meses juntos. Ela era agenciada pelo Ben Crandell, que é da IMG. Em 2009, o Rodrigo era treinador do [tenista português] Gastão Elias, e ele teve que se afastar do tênis por quase um ano. Ele teve uma lesão bem séria na coluna, e o Rodrigo me procurou. Foi um projeto exitoso porque alguns médicos tinham falado que ele não ia poder mais jogar. O Ben Crandell era o agente dele também. Em 2010, o Ben me recomendou para a [Vera] Zvonareva, e também foi um bom ano. Ela foi número 2 do mundo, então eu tinha uma boa imagem para o Ben. A IMG decidiu contratar alguém específico para o tênis, e ele me recomendou.

Entendi.

E foi uma coisa de timing. Eu teria que ir aos EUA para fazer o processo seletivo. Na época, eu estava ajudando um garoto chamado Roberto Afonso, e ele estava indo para a IMG fazer um semestre lá. Ele falou “você não quer vir comigo as duas primeiras semanas?” E calhou que o processo seletivo era na semana que nós chegávamos. Então foi um baita timing. Tudo estava encaminhado para acontecer. Já no voo de volta, eu tinha a mensagem de voz deles, dizendo que eu tinha sido selecionado. No dia 3 de setembro de 2012, eu fiz meu primeiro dia lá como preparador geral do tênis.

E esse trabalho era com todos os tenistas da IMG que não tinham preparador particular? Como funcionava?

Na verdade, eu era beeeeem ocupado. A IMG tem a academia normal, para crianças que vão desde o iniciante até o nível avançado, então são crianças de 7 até 18 anos de idade. São grupos grandes, 300 alunos por semestre. Eu tomava conta de todos esses – claro que tinha pessoas que me ajudavam, mas eu era o coordenador desse trabalho. Junto, tem os “campers”, que são as pessoas que vão fazer de uma a três meses, que é outro grupo grande, que tinha que toar conta. E os atletas que elas chamam de “junior elite”, que na época eram o Michael Mmoh, Yoshihito Nishioka, a Fanny Stollar, a Natalia Vikhlyantseva, todo mundo que aí está agora figurando entre os 100, cento e pouquinho. Esse grupo já era bem específico, cheguei a fazer algumas viagens com eles. E a gente tomava conta dos profissionais que ou não tinham preparador ou que tinham preparador que não viajava com tanta frequência, além de gente que vinha só fazer pré-temporada.

Então era bastante coisa mesmo.

Essa era a parte do tênis. Eu tinha que cuidar da parte de velocidade do futebol, uma parte específica que a gente desenvolveu lá. Quando eu saí da IMG, era assistente geral da preparação física de todos os esportes. Estava bem ocupado lá (risos). Fiquei de setembro de 2012 a 31 de dezembro de 2015.

E se somar esse período todo, então você trabalhou com mais de 30 jogadores que estiveram nos Jogos Olímpicos do Rio?

Mas não é que todos fizeram tratamento integral comigo. Alguns fizeram avaliação, alguns fizeram dois treinos, alguns fizeram dois meses, mas tivemos 34 ou 36 na chave da Olimpíada, estou sem o número preciso aqui, mas de alguma forma nós auxiliamos. É que aqui nos EUA eles contam muito o “trabalhei com atleta olímpico”, então a IMG deu um número para mim com “X jogadores que estiveram aqui no seu período.”

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Hoje, dentro do circuito, como você vê a importância que o os tenistas de elite dão ao aspecto físico? Ainda tem muita gente jogando além do que deve ou já existe uma consciência geral de que não dá para “entupir” o calendário?

Acho que o Dominic Thiem [foto acima] está sendo um pouquinho a exceção da regra agora.

(risos) Se você não falasse, eu ia perguntar sobre ele.

Acho que ele é um cara que é novo, quis se meter no top 10 e, enfim, sai um pouco da regra. A maioria dos atletas bem ranqueados ficam na casa dos 20 a 24 torneios por ano, não muito mais do que isso – o que ainda pode ser considerado alto, mas eles têm a obrigação de jogar 18 torneios de qualquer forma. Eu vejo que os atletas europeus, na maioria, e os americanos estão começando a reduzir o número de jogos e torneios, estão começando a selecionar melhor. Para nós, sul-americanos, e para os asiáticos, é muito mais complicado. Boa parte do tour é nos EUA/Canadá ou na Europa, então quem perde volta para casa, tem uma situação melhor para treino. Nós, não. Você vai para jogar na Europa, tem que jogar tudo. Se você perder, vai ter que pagar quadra de treino, hotel e tudo. É melhor você estar num torneio, que te salva dois, três dias desses custos, do que ir só treinar por conta própria. Então nós acabamos jogando um pouco mais por uma logística complicada. Com a Bouchard, se a gente vai jogar Washington… Deus que me livre, mas se ela perde a primeira rodada, volta para casa. Volta para treinar, para descansar. Um brasileiro tem que colocar um torneio na segunda semana, tem que entrar na dupla, tem que fazer um samba para não ficar tão caro.

Além do custo, o quanto essa viagem de 10h, 11h, 12h atrapalha fisicamente?

Essa é outra parte porque… O que vai acontecer? O europeu perde um torneio, viaja de trem uma hora e está em casa. Imagina nós, 11h, 14, 16h, jet lag, tem que voltar em menos de uma semana. Tem custo, logística, a parte física e a parte mental também. As viagens longas não são algo que todo mundo faz com bom humor, né?

Exibição no fim do ano atrapalha muito fisicamente? Os diretores de torneio reclamam que fizeram um calendário mais enxuto porque os tenistas queriam mais férias. Só que eles pegam as férias e vão jogar IPTL ou exibição em algum lugar qualquer. E aí os diretores ficam putos porque é dinheiro que circula fora do circuito. Mas e fisicamente?

Ah, eu, particularmente, não gosto muito da ideia. Entretanto, você às vezes tem que respeitar as decisões da equipe toda. Você tem a expectativa de várias pessoas dentro de uma equipe. Você tem, primeiro, o trabalho do agente, que vai tentar explorar a imagem do atleta dele e captar recursos financeiros em troca disso. Muitas vezes, nos torneios, por os atletas estarem muito envolvidos com a competição, não se tem muita chance de fazer isso. Nas exibições, você tem uma oportunidade melhor. Junto com isso, o appearance fee [cachê], em geral é altíssimo, então chama atenção do atleta. Para nós, preparadores, claro que preferiríamos que o atleta investisse esse tempo em repouso ou treinamento. O que tem sido feito agora é que os atletas fazem uma pausa anterior ou você tem mais transições durante o ano para já incluir no calendário as exibições.

Entendi.

Se você pergunta “o atleta gosta de jogar?”, ele gosta de jogar. A verdade é essa. Eu ia ficar surpreso se o cara chegasse e dissesse “eu adoro fazer agachamento, ficar dando sprint”. Mas eles estão entendendo também a necessidade de se preparar melhor para o ano, então já não jogam todas as vezes. A liga asiática [IPTL], a maioria do pessoal que está indo acaba não jogando tantos torneios antes de Melbourne ou tiram fevereiro para treinar. Eles estão adaptando o calendário. Quem não fica feliz é o pessoal da ATP e da WTA? Quem está se favorecendo são os empresários das exibições.

Mas causa muito desgaste para quem joga?

O risco de lesão é iminente a temporada toda. Não seria a exibição que aumentaria sozinha esse risco. A minha maior questão é como é tratada a temporada como um todo. Se você me fala “o cara não jogou o ATP Finals no fim do ano” e teve uma pausa de duas, três semanas, aí treinou uma semana e meia, duas, foi para exibição e volta para dar continuidade em mais duas, três semanas de preparação… Na verdade, é um bom plano. Não é um plano que vai por tanto em risco em risco a integridade dele. Ou o cara joga o ATP Finals, tira duas semanas de descanso, vai jogar a liga ainda no ritmo que ele teve do ano. Passa a liga, tira três semanas de preparação, joga Melbourne e aí descansa mais umas duas semanas, se prepara em fevereiro e vai jogar Indian Wells… Não é um mau plano. É só um plano que talvez a gente não esteja tão acostumado. A gente estava mais vinculado àquele “termina em novembro, descansa umas semanas em dezembro, prepara e joga no começo do ano.”

Tudo é questão de planejamento, então…

Exato. Pra mim, é complicado se a exibição chega sem muito aviso prévio e você está sobrecarregando o atleta. Aí, sim, eu acho que põe em risco. Eu peguei ela [Bouchard] já no começo da pré-temporada, mas já se tinha em mente que existia a possibilidade dela jogar a Ásia [IPTL], então já havia um plano para aquilo. Ela já sabia, sei lá, desde julho/agosto. Não é algo que foi forçado no calendário dela. Já estava planejado.

Falando mais especificamente sobre a Genie, então… Vocês começaram a trabalhar quando?

Nós começamos a pré-temporada na segunda semana de dezembro de 2016. Em 2015, eu a ajudei por uma semana, enquanto ela estava numa transição de preparadores físicos, e ela foi treinar na IMG. treinamos ela por uma semana, mas ela deu sequência com a equipe dela. Aí agora a gente começou oficialmente na pré-temporada.

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E esta parceria de agora veio por causa daquele trabalho de 2015?

É. O Thomas Högstedt, treinador dela… A gente se conhecia da IMG, ele tem duas afilhadas que jogam juniores e elas treinam na IMG. Eu as treinava, aí a gente começou a conversar, estabelecer uma relação, etc., e quando ele treinou a Genie em dezembro de 2015 até março de 2016, sempre falou no interesse de trabalhar junto comigo. Quando eu disse para ele que não tinha mais interesse de continuar no Strykers [Fort Lauderdale Strykers, time de futebol], ele ainda estava com a Madison Keys, que tinha seu próprio preparador físico. E quando ele fechou contrato com a Genie, ele lançou a ideia, ela foi positiva e surgiu a oportunidade.

Como foi a primeira conversa de vocês? Ela já tinha algo em mente sobre o que queria fisicamente?

Foi engraçado porque um pouco do que ela sentia eu, de vê-la jogando, já compartilhava a ideia. A gente só refinou essa ideia. Nossos três pontos principais são os seguintes: o primeiro – isso aí é um pouco regra geral – é deixar ela saudável o suficiente para não ter lesão na temporada. Ela teve em 2015 e 2016 umas pequenas lesões que incomodaram, que não deixaram ela jogar no top dela. O segundo é aumentar um pouco a massa muscular dela. Para não dizer que ela só quer ficar grande, não é bem isso. Ela se sente mais confortável jogando com o peso um pouco acima do que ela estava no começo da pré-temporada. Ela se sente mais forte e, na linha do treinamento físico, a gente sabe que a força é um grande componente da potência, que vai auxiliar os jogadores a não terem lesão, e às vezes, para desenvolver a força, existe um pequeno aumento de massa muscular. Nada grande, nada que vai transformar ela numa Serena Williams. As coisas não acontecem assim. Mas ela vai aumentar uns dois, três quilos de peso total corporal. Visualmente, vai haver uma diferença. Sei que muitas das pessoas do tênis dizem que ela vai ficar mais pesada, é mais massa para carregar. Também não é verdade. Os corredores de 100 metros, que são os mais velozes do mundo, são caras com boa estrutura física. Tudo isso é coordenado. Ganho de massa, tonificação… Não é que a gente está só aumentando o peso dela, mas é algo com o que ela se senta mais confortável jogando. E o terceiro ponto, que eu dialoguei mais com o Thomas e ela concordou, é que nós achamos que existem alguns pontos do footwork que ainda existem chance de melhora, e vai ser outro ponto que a gente vai atacar. Não é que não seja bom, mas a gente quer deixar em um nível ainda mais alto. Ela é uma menina rápida, então dá para explorar isso bastante.

Não sei se foi impressão minha, talvez pelo que ela vestiu em Sydney e Melbourne, mas eu já achei ela mais forte neste começo de ano. Pelo menos o bíceps foi algo que me chamou atenção. Isso já é resultado desse trabalho ou foi só impressão?

Já é. É até um ponto legal porque ela viu uma das fotos dela… Eu e o Thomas já falávamos para ela. “Sua perna já está mais forte”, mas ela dizia que olhava algumas fotos e não percebia. Aí ela viu a primeira foto do primeiro jogo no Australian Open e falou “caramba, não tinha essa impressão”. É mais ou menos o que o pessoal vai vendo. Não vai fugir muito daquilo. Uma coisa que nós percebemos é que em Sydney ela fez semifinal e perdeu um pouquinho de peso na semana. Aí a gente conseguiu recuperar. Em Melbourne, ela também perdeu um pouquinho de peso, então a gente só vai fazer um controle para que aquela imagem do primeiro jogo seja bem similar à do último jogo.

A bebida que ela toma durante os jogos foi desenvolvida também por você, não? Como foi esse processo? O que você pode contar sem revelar o segredo?

A maior preocupação que a gente tem nos EUA, principalmente, é que os atletas tendem a sofrer muito na umidade. Muitos chegando a ter cãibra de corpo inteiro ou síndrome de exaustão ao calor. A Genie nunca teve, mas como outras jogadoras, é uma condição que ela não joga tão confortável. Sendo um pouquinho científico para entender, uma das propriedades que uma bebida precisa é facilitar a entrada das substâncias que ela carrega na passagem pelo estômago, indo para o intestino. Isso depende de um conceito chamado osmolaridade, que é uma troca de pressão entre as moléculas de uma substância. Resumindo: a gente precisa de algo que empurre as coisas para dentro do estômago – ou que facilite isso. A bebida que foi desenvolvida aqui nos EUA, curiosamente, por um grupo de argentinos, tem a osmolaridade diferenciada. Isso ajuda a hidratação. Quando comparada com outras bebidas – que eu não vou citar o nome – ela tem um melhor resultado na hidratação geral. Então a gente adaptou uma outra bebida conhecida para hidratação de crianças, a gente adaptou para o nível de esporte. A gente testou com ela, testou com o [Vasek] Pospisil, e ele é uma pessoa que eu treinei bastante aqui e tinha o interesse de testar. Tivemos bons resultados. Eu levei isso para o futebol, tivemos bons resultados no Strykers. E aí ela [Genie] se interessou em tomar. É uma bebida que, sozinha, não vai fazer todo o segredo. A gente mistura com outras coisas. No caso dela, que é uma atleta patrocinada pela Coca-Cola, a gente mistura com Powerade, então fica tudo organizado.

Quando você fala de hidratação, não consigo não pensar no Thomaz [Bellucci], que é um cara que tem muito problema quando joga em lugar úmido. Já havia essa situação quando vocês trabalharam juntos?

Não. Infelizmente, até a linha de estudo que estava sendo conduzida, o Thomaz seguiu por um tempo e foi muito bom, era uma linha voltada para déficit vitamínico e etc. O grande mérito aí é do Dr. Ronaldo Abud, que ajudou. Por um tempo, surtiu grande efeito. Depois, eu já não estava com ele na equipe, não sei que aconteceu depois, mas uma vez a gente bateu um papo e ele disse “as vitaminas já não são suficientes”, mas eu também não tinha nem muito conceito sobre isso.

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Voltando à Genie, o Daniel [Costa e Silva, assessor de imprensa de Cassiano], me contou que ela paga excesso de bagagem para você levar uma mala com seus equipamentos. O que tem de especial nessa mala?

Tem tudo, cara. Primeiro, tem o convencional, que todo jogador de tênis leva ou deveria levar. Corda para pular, borracha elástica para fazer exercício, uma medicine ball leve para usar no aquecimento, uma escadinha… Aí eu levo algumas particularidades. A gente tem umas luzes chamadas fit light, que trabalham reação visual e coordenação óculo manual. Numa característica mais próxima do tênis, eu consigo controlar o tempo, então viajo com isso. A gente tem outros dois sistemas. Um que numa peça sozinha eu consigo fazer vários movimentos feitos numa academia, com maior fundamento para o tênis, para trabalhar aceleração e desaceleração. E, por fim, eu tenho um aparato biomecânico para avaliar se os movimentos dela estão corretos. Fica uma mala extra porque se eu fosse misturar na minha, não ia nem caber, e ela tem muito interesse, então falou “não tem problema, vamos levai isso aonde nós formos.”

Por estar no meio dessa elite, você vê que gente como Federer e Djokovic faz algo especial em preparação física ou só o fato de terem mais dinheiro já ajuda o bastante, com a possibilidade de preparadores físicos e equipes maiores?

Tem vários pontos. O primeiro que você levantou é muito bom. O fato de ter condição de investir num time faz uma diferença tremenda. Por exemplo, não é todo mundo que tem a conveniência de pagar cem ou duzentos dólares numa mala para viajar o mundo inteiro. “Mas só 100, 200?” Quando você multiplica por todas semanas, vira um número grande. É um exemplo chulo, mas é verdade. Então, sim, essa turma tem condição de se preparar melhor já pela logística. Segundo e que eu vejo como característica tremenda que vejo neles, é o nível de profissionalismo e seriedade que eles têm com as coisas. Não que outros não tenham, mas o deles é acima da média. O cara entende o benefício que as coisas vão trazer para ele, e ele vai fazer no seu máximo. Vejo muitos atletas que reclamam “ah, mas não consigo”, “ah, mas o dinheiro” e quando você vê a aplicação da pessoas em todos os aspectos, falhou aqui, falhou ali e justifica. Outra coisa: eles têm uma energia mental muito boa. Alguns deles trabalhando meditação, mental coaching ou algo natural como o Nadal. Mas uma característica similar a todos eles é uma estabilidade e uma força mental, uma capacidade de reagir. Para mim, sendo sincero, em nível técnico tenho a impressão de que Federer e Djokovic desenvolvem um pouco mais do que a maioria, mas a força mental e, depois, a força física é onde vejo que as coisas fazem uma diferença tremenda.

Verdade.

Eu tive a oportunidade de ver o Federer aquecendo para o segundo jogo dele em Melbourne, e você vê que o cara está bem relaxado, conversando com o pessoal, vendo os outros jogos e tranquilo. Aí o técnico fala “vamos lá, vamos aquecer”, e o cara “bum”, se fecha no momento dele, com muita confiança, muita concentração. Acho que nisso a grande maioria ainda está longe. A força mental desses caras é de outro mundo.

Eu acabei esquecendo de perguntar lá no começo, mas você saiu do futebol para o mundo do tênis em 2006, a convite do Raí. E como foi essa transição? Qual foi a maior dificuldade?

Eu tive muita sorte de ter o [Flávio] Saretta como primeiro atleta por vários motivos. Um dele foi ele ser um cara que estava num nível altíssimo e teve a paciência de me ensinar o esporte corretamente. Eu não tinha jogado tênis. Eu não tinha noção de grip, tensão de corda, nada. E são coisas que, no futuro, você vê quanta diferença faz. Mas eu fui ler muito a respeito, perguntei para muita gente, mas quem me ensinou muito foi o Saretta. Ele via que eu fazia uma coisa errada, aí ele vinha e dizia “presta atenção nisso daqui, você tem que saber isso daqui. Eu sei que no futebol é assim, mas no tênis é daquele jeito.” Depois, quando o Jaime Oncins integrou a equipe dele, foi outra pessoa a quem eu devo muito. Esses dois caras foram muito pacientes em me ajudar na transição. Só para você ter uma ideia, o primeiro jogo do Saretta que eu fui ver foi o Aberto de São Paulo. O árbitro chamou uma bola ruim, e eu reagi que nem futebol. Ele e o Jamie me olharam e falaram “calma, calma, o ambiente aqui é diferente.” (risos) Mas é um esporte bárbaro, hoje é minha verdadeira paixão, gosto mais do que de futebol – espero que meus amigos do futebol não leiam isso (risos). É incrível porque reune muitas ações de coordenação, muita agilidade, muito timing, poder de concentração. Você tem que estar atento à forma que o cara joga, a forma que ele segura a raquete… A mínima mudança no serviço pode trazer um monte para o corpo dele, então você tem que estar no topo disso e reagir junto com o atleta. Mas foi um período engraçado (risos). O primeiro mês foi um desastroso feliz. Acho que errei muita coisa, mas o Saretta relevou e mostrou o caminho. Foi um período engraçado. Outro dia, estava lendo uma planilha de treino de 2006 e falei “caramba, que loucura!” Como, graças a deus, eu evoluí.


AO, dia 3: o karma de Kyrgios, sustos de Kerber e Murray, tombo de Cilic
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Alexandre Cossenza

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Demorou, mas o terceiro dia do Australian Open teve seus momentos de emoção. Depois de uma sessão diurna sem grandes dramas – apenas Angelique Kerber sofreu com o sol – a noite chegou com um jogão de cinco sets entre Nick Kyrgios e Andreas Seppi, a eliminação de Marin Cilic e um pequeno susto de Andy Murray.

O resumaço de hoje comenta esses momentos e ainda avalia as apresentações de Federer, Nishikori, Wawrinka, Venus e Bouchard, além de registrar a única vitória brasileira do dia – que veio na chave de duplas. Então, se você não ficou acordado na madrugada, sem problema. É só rolar a página e se informar.

A zebra e a vingança

É um desses casos que a gente costuma classificar como “ironia do destino” pela simples falta de explicação melhor. Chamem de karma, vingança, retribuição, o que preferirem. Não acontece todo dia. Mas aconteceu dois anos atrás, na Hisense Arena. Andreas Seppi enfrentou Nick Kyrgios nas oitavas de final. O italiano, mais bem ranqueado dos dois, abriu 2 sets a 0, teve um match point, não conseguiu converter e acabou eliminado com o placar do quinto set mostrando 8/6 para Kyrgios.

E aconteceu nesta quarta-feira, de novo na Hisense Arena, no Australian Open. O jogo valia pela segunda rodada, e Kyrgios, o mais bem ranqueado em quadra, saiu na frente. Venceu os dois primeiros sets. Seppi reagiu e venceu os dois seguintes, mas foi o tenista da casa quem teve um match point desta vez. O italiano se salvou, enfiando uma direita arriscadíssima na paralela. Sem defesa. Dois games depois, Seppi comemorou. Completou a virada: 1/6, 6/7(1), 6/4, 6/2 e 10/8.

Aos 32 anos e #89 do mundo, Seppi disse ao fim do jogo que não sabe quantas partidas assim, com essa emoção e disputados no ambiente maravilhoso da Hisense, lhe restam na carreira. Pode até ser sua última grande vitória. No momento, pouco importa. Foi bonita, vibrante, gloriosa. E lhe valeu uma vaga na terceira rodada contra Steve Darcis, o que não é nada mau também, né?

Kyrgios, por sua vez, saiu vaiado da quadra e deu mais uma daquelas coletivas intrigantes. Admitiu que fez “coisas que não deveria” nas férias, como jogar basquete e lesionar o corpo, falou que jogou o torneio com problema nos joelhos, reclamou das vaias que levou e ironizou quando lhe perguntaram que tipo de dor ele sentia: “Não sei. Pergunte a Johnny Mac [John McEnroe]. Ele sabe tudo.”

Os sustos dos favoritos

Angelique Kerber passou por mais um susto antes de comemorar seu 29º aniversário na Rod Laver Arena (RLA) nesta quarta-feira. A #1 do mundo, que ainda não teve uma grande atuação em 2017, voltou a sofrer com a irregularidade e, desta vez, teve problemas para sacar com o sol na cara – especialmente no segundo set. A também alemã Carina Witthoeft, #89 e 21 anos, nem aproveitou tão bem assim os saques fraquíssimos da #1 (beirando os 110km/h), mas ganhou a segunda parcial e forçou o terceiro set. A desafiante até começou o set decisivo com uma quebra, mas não conseguiu manter a vantagem. Kerber encaixou uma sequência de games bons, virou o placar e fechou em 6/2, 6/7(3) e 6/2.

O copo meio cheio de Kerber é mais uma vitoria jogando mal. Também foi assim na primeira rodada, contra Lesia Tsurenko. É importante anotar triunfos em dias ruins. São esses jogos que permitem que ela cresça no torneio e chegue forte na segunda semana. O copo meio vazio, contudo, é que fica difícil imaginar a alemã avançando na segunda semana do torneio jogando assim. Kerber pode ter um duelo duro contra Eugenie Bouchard nas oitavas e outro contra Garbiñe Muguruza nas quartas. Nenhuma das duas perdoaria saques tão frágeis como os desta quarta.

Fechando a sessão noturna na RLA, Andy Murray dominou o russo Andrey Rublev (19 anos, #152 do mundo) do começo ao fim. O único momento realmente tenso da partida veio no início do terceiro set, quando o #1 do mundo torceu o tornozelo direito e ficou caído na quadra por alguns instantes.

Por sorte, não foi nada grave, e Murray voltou logo ao jogo para completar a vitória por 6/3, 6/0 e 6/2. Embora sua chave tenha sido um pouco facilitada pelas quedas de Pouille e Isner (esperava-se que um dos dois enfrentasse o britânico nas oitavas), a próxima rodada não tem nada de fácil. O escocês vai duelar com Sam Querrey e, nas quadras rapidíssimas deste ano em Melbourne, qualquer sacador é um obstáculo ainda maior do que de costume.

Outros candidatos

Kei Nishikori abriu a programação na Hisense Arena (HA) e conseguiu uma vitória em três sets em um jogo que poderia ter sido mais complicado contra Jeremy Chardy. O curioso é que o japonês não chegou a empolgar. Cometeu mais erros do que winners (30 e 21, respectivamente) e perdeu o serviço três vezes. Só não teve mais dificuldades porque Chardy, que não estava em um dia animador, somou 53 erros não forçados. De qualquer modo, Nishikori está na terceira rodada e vai enfrentar Lukas Lacko, que passou por Dudi Sela por 2/6, 6/3, 6/2 e 6/4.

A sessão diurna continuou com vitórias sem drama algum. Stan Wawrinka fez 3 sets a 0 em cima de Steve Johnson, o que é um sinal positivo depois dos nervosos cinco sets contra Martin Klizan. Desta vez, o placar final foi de 6/3, 6/4 e 6/4. O duro caminho do #1 da Suíça continua contra Victor Troicki na terceira rodada.

Enquanto isso, Roger Federer encarava o qualifier Noah Rubin, 20 anos e #200 do ranking. O garotão deu trabalho no primeiro set, confirmando seus serviços e equilibrando a parcial. Só sucumbiu no 12º game, quando Federer parou de tentar trocar só pancadas e foi mais paciente. O triunfo por 7/5, 6/3 e 7/6(3) só veio depois de um inconsistente suíço salvar um set point no terceiro set. Não fossem os nervos de Rubin, a partida poderia ter se alongado mais do que o desejável para Federer.

No geral, não foi uma apresentação memorável, mas foi o bastante para avançar sem problemas. De positivo, seu serviço continua excelente, rendendo vários pontos de graça. Mesmo assim, Rubin conseguiu agredir com eficiência em alguns segundos saques. É de se esperar que Tomas Berdych, próximo adversário do ex-número 1, faço o mesmo – ou melhor.

Nesta quarta, o tcheco fez 6/3, 7/6(6) e 6/2 sobre Ryan Harrison. Avançou sem sustos, como era de se esperar. Mas e agora, será que Berdych consegue fazer mais do que nos últimos cinco jogos contra Federer? O suíço venceu todos e ganhou dez sets consecutivos.

Entre as mulheres, Venus Williams sempre corre por fora e vale ficar de olho na ex-número 1 porque sua chave ficou bem mais acessível depois das eliminações de Simona Halep e Kiki Bertens. Nesta quarta, a americana fez o seu. Bateu Stefanie Voegele por 6/3 e 6/2 marcou um encontro com Ying-Ying Duan (#87), que eliminou Varvara Lepchenko (#88) por 6/3, 3/6 e 10/8.

Quem segue impressionando é Eugenie Bouchard, que voltou a jogar bem e está sem problemas físicos. Nesta quarta, despachou Shuai Peng (#83) por 7/6(5) e 6/2, tomando a iniciativa na maioria dos pontos e jogando com precisão. Ex-top 5 e solta na chave (ocupa o 47º posto hoje), a canadense enfrentará Coco Vandeweghe, que passou por Pauline Parmentier por 6/4 e 7/6(5), na terceira rodada em busca de um possível duelo com Kerber nas oitavas. Será?

Por fim, abrindo a sessão noturna da Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza derrotou Samantha Crawford por 7/5 e 6/4. Não foi lá uma jornada impecável da espanhola, que desperdiçou duas quebras de vantagem na primeira parcial, mas foi o bastante para evitar um terceiro set. Ela agora enfrenta Anastasija Sevastova, cabeça de chave número 32, em busca de um lugar nas oitavas.

Mais cabeças que rolaram

Cabeça de chave #19, John Isner entrou em quadra como favorito contra Mischa Zverev. Aumentou seu favoritismo depois de abrir 2 sets a 0. Só que o alemão, irmão mais velho do “prodígio” Alexander, equilibrou a partida. Venceu um, dois e forçou o quinto set. Isner, que não tem lá um retrospecto tão bom assim em melhor de cinco sets, até salvou um match point com sorte…

O americano, no entanto, acabou sucumbindo depois de não conseguir converter dois match points no quarto set: 6/7(4), 6/7(4), 6/4, 7/6(7) e 9/7. A maior consequência do resultado é deixar, no papel, a chave menos complicada para Andy Murray, que enfrentaria Isner (ou Pouille) nas oitavas. Zverev, por sua vez, avança para encarar Jaziri em busca de um lugar nessas oitavas que possivelmente serão contra o número 1 do mundo.

No fim do dia, foi a vez de Marin Cilic ser o primeiro top 10 a dar adeus a Melbourne, o que confirmou um péssimo início de temporada, que já incluía uma derrota para o eslovaco Jozef Kovalik (#117 do mundo) no ATP de Chennai e um susto diante de Jerzy Janowicz na primeira rodada em Melbourne. Nesta quarta, o algoz do croata foi o britânico Dan Evans, que fez 3/6, 7/5, 6/3 e 6/3.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças de chave que rolaram, como Shuai Zhang, eliminada por Alison Riske, e Irina-Camelia Begu, que caiu diante de Kristina Pliskova. As quedas mais relevantes foram a de Carla Suárez Navarro, cabeça 10, que foi superada por Sorana Cirstea (sim, aquela!), e Mónica Puig, a campeã olímpica, que não passou pela alemã Mona Barthel.

Os brasileiros

Já eliminado nas simples, Thomaz Bellucci voltou a Melbourne Park para tentar a sorte nas duplas. Ele o argentino Máximo González, no entanto, não passaram da estreia e perderam para Pablo Cuevas e Rohan Bopanna: 6/4 e 7/6(4). Assim, o #1 do Brasil e #62 do mundo encerra sua passagem pela Ásia com três derrotam. Em Sydney, apenas nas simples, foi derrotado por Nicolas Mahut na estreia.

Marcelo Demoliner fez melhor e avançou. Ele e o neozelandês Marcus Daniell derrotaram o argentino Guillermo Duran e o português João Sousa por 7/6(2) e 6/4. Bruno Soares, que joga ao lado de Jamie Murray; Marcelo Melo, que faz parceria com Lukasz Kubot; e André Sá, que atua com o indiano Leander Paes, ainda não estrearam no torneio.


AO, dia 1: Halep tomba, brasileiros caem, Federer vence no retorno
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Alexandre Cossenza

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Foi um primeiro dia interessante, considerando que nem sempre há tantos jogos bons nas primeiras rodadas de um torneio do Grand Slam. Pois o Australian Open de 2017 abriu com uma zebraça na Rod Laver Arena, viu três top 10 disputarem jogos de cinco sets e ainda teve a primeira vitória de Roger Federer em um torneio contando pontos para o ranking em mais de seis meses.

A rodada também teve as derrotas de Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro, Nick Kyrgios atropelando, Muguruza administrando uma lesão, e Almagro com uma desistência lamentável e uma explicação memorável. Quer ficar por dentro? É só rolar a página e ler o resumaço desta segunda-feira.

Os favoritos

Andy Murray estreou sem perder sets, mas com uma atuação que, em alguns momentos, ficou no limite entre a preguiça e a falta de inspiração. Cometeu 27 erros não forçados, saiu atrás no segundo set e só não se complicou mais porque o adversário, Illya Marchenko, #95, não era tão perigoso assim e não jogou tão bem assim (somou 62 erros não forçados). No fim, venceu por 7/5, 7/6(2) e 6/2.

A sessão noturna começou com Angelique Kerber caminhando para o que parecia uma vitória rotineira, mas a coisa começou a desandar quando a alemã sacou para o jogo, teve match point, mas perdeu o serviço. A ucraniana Lesia Tsurenko (#51) aproveitou o embalo, quebrou de novo e forçou um nervoso terceiro set. No começo da parcial decisiva, um ponto crucial e espetacular mudou o rumo do jogo. Kerber sacou com break point contra e tomou uma ótima devolução cruzada. A alemã não só alcançou a bolinha como acertou uma improvável paralela de fora pra dentro. Depois disso, venceu todos os games e fechou em 6/2, 5/7 e 6/2.

No último jogo do dia na Laver, Roger Federer tirou a ferrugem de seis meses sem jogar um evento que desse pontos para o ranking mundial. O suíço teve lá seus problemas diante do também veterano Jurgen Melzer, 35 anos. O austríaco teve quebras de vantagem no primeiro set e conseguiu uma virada impressionante no segundo antes que Federer tomasse de vez o controle da coisa.

O placar final mostrou 7/5, 3/6, 6/2 e 6/2, e o que aconteceu em quadra não foi tão animador assim para o suíço. Afinal, não foi o tênis “limpo” e afiado que os fãs gostariam de ver e, principalmente, que será necessário para sair com o título do Australian Open. Federer ainda tem vários ajustes a fazer e, não fossem os 19 aces desta segunda, a história com Melzer teria sido muito mais longa.

A zebra

Ela apareceu logo no primeiro jogo, bem na quadra central. Simona Halep, “a primeira da fila” dos sem Slam, mostrou um tênis muito pouco inspirado desde os primeiros games. Shelby Rogers, #52 do mundo, não tinha nada a ver com isso e entrou soltando o braço e agredindo. A romena não só jogou mal. Sentiu dores no joelho esquerdo. Pediu atendimento medico antes do segundo set. Não adiantou. E Halep, sejamos justos, também tomou decisões ruins em quadra. Como o swing volley que tentou diante de um break point no primeiro set. Jogou a bola na rede e selou sua sorte na parcial. No segundo set, com a rival claramente abatida, Rogers disparou no placar e fechou em 6/3 e 6/1.

Na chave, a consequência do resultado é deixar Svetlana Kuznetsova como a tenista mais bem ranqueada no segundo quadrante. A semifinalista sairá de um grupo que já perdeu três cabeças (Siegemund e Bertens também caíram) no primeiro dia. Restaram, além de Sveta, Svitolina, Venus, Pavlyuchenkova e Puig. Uma delas vai longe, mas quem se candidata a adivinhar quem?

Três top 10 e 15 sets

A chave masculina viu Kei Nishikori em um dia nada brilhante, precisando de cinco sets para despachar Andrey Kuznetsov: 5/7, 6/1, 6/4, 6/7(6) e 6/2. A arrancada final no quinto set só começou depois de um atendimento médico. Após a interrupção, Kuznetsov perdeu o serviço e não se recuperou mais.

O segundo top 10 a suar foi Marin Cilic. Depois de perder os dois primeiros sets para o polonês Jerzy Janowicz, o croata #7 do mundo dominou as parciais seguintes e fez 4/6, 4/6, 6/2, 6/2 e 6/3. Um resultado importante não só pela sobrevivência no torneio, mas porque Cilic havia perdido três de suas últimas quatro partidas decididas em um quinto set. Nesses três reveses, o croata saiu ganhando por 2 a 0.

Por fim, Stan Wawrinka tomou um grande susto diante de Martin Klizan, que teve quebras de vantagem em todos os cinco sets. O eslovaco inclusive sacou em 4/3 e 40/15 no quinto, mas perdeu o serviço e viu o suíço iniciar uma reação furiosa – que incluiu uma curiosa bolada em um ponto ganho.

Não houve briga, e Wawrinka arrancou para fechar a partida em 4/6, 6/4, 7/5, 4/6 e 6/4. E, no fim das contas, todos grandes nomes da chave masculina venceram no primeiro dia do torneio.

Outros candidatos

Ao mesmo tempo em que Halep sofria na Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza sentia dores na coxa (a mesma lesionada em Brisbane) na MCA. A espanhola, contudo, já havia vencido o primeiro set quando enfiou-se num buraco, perdendo a segunda parcial por 4/1 para Marina Erakovic. A favorita, no entanto, “voltou” a tempo e avançou por 7/5 e 6/4.

Nick Kyrgios trabalhou bem (e rápido) para apagar as dúvidas sobre sua condição física. O australiano, lembremos, jogou a Copa Hopman se queixando de dores. Nesta segunda, porém, atropelou o português Gastão Elias: 6/1, 6/2 e 6/2.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci foi amplamente dominado por Bernard Tomic. O australiano foi mais consistente, se defendeu melhor, agrediu bastante o segundo serviço do brasileiro e avançou por 6/2, 6/1 e 6/4. A atuação de Bellucci foi tão infeliz que deixou a desejar até nos desafios. Falo mais sobre o #1 do Brasil no próximo post.

Mais tarde, Thiago Monteiro reencontrou Jo-Wilfried Tsonga e soube o gostinho de enfrentar o francês de verdade – não aquela versão desinteressada que esteve no Rio Open do ano passado. Em Melbourne, Tsonga fez 6/1, 6/3, 6/7(5) e 6/2. Monteiro fez um esforço louvável para esticar o jogo, mas o duelo não foi tão equilibrado assim. O francês controlou as ações a maior parte do tempo e manteve uma sequência interessante: desde 2007, não perde na primeira fase de um Slam.

O milionário

Nicolás Almagro ficou menos de meia hora vivo no torneio. Abandonou após perder quatro games, com 25 minutos de jogo. Jeremy Chardy avançou para a segunda rodada. Indagado na coletiva se tinha entrado em quadra só pelo prêmio em dinheiro, Almagro foi direto como sempre. Disse que não e que tem mais de US$ 10 milhões. Bem explicado, não?

Depois, o espanhol postou em sua conta no Twitter a mensagem acima, dizendo que entrou em quadra sentindo dores e que não disputará os próximos torneios porque seu filho está prestes a nascer.

Os forehands mais rápidos

O Australian Open colheu dados estatísticos em suas últimas edições, e o New York Times mostrou uma pequena parte disso. A reportagem mostra os forehands e backhands mais rápidos dos últimos cinco anos de torneio.

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A curiosidade é que Rafael Nadal tem o forehand mais rápido do circuito. Além disso, na média Madison Keys tem uma direita tão forte quanto a de Tomas Berdych e um backhand que só perde em velocidade para Na Li. Os detalhes de como os números foram colhidos estão aqui.

O envelhecimento do torneio

Na tarde deste domingo, graças a um RT do jornalista Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil, cheguei ao gráfico abaixo, que mostra o “envelhecimento” do circuito. Em 1989, a idade média dos tenistas no Australian Open era de 24,02. Hoje, é de 27,93. Enquanto em 1989 só havia quatro tenistas com mais de 30 anos, a chave deste ano possui 46 tenistas acima dos 30 e dez atletas acima dos 35. É uma diferença muito grande.


Quadra 18: S03E01
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Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


AO 2017: o guia da chave masculina
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Alexandre Cossenza

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E lá vamos nós de novo. Mais um torneio do Grand Slam. Un evento incomum pelas posições de Roger Federer (cabeça 17) e Rafael Nadal (9) na chave, mas um torneio com todos elementos comuns de um típico Australian Open. Novak Djokovic como favorito, Andy Murray cotadíssimo, duelos fortíssimos já na primeira rodada, expectativa de calor, etc. e tal. Vocês sabem o esquema.

As chaves foram sorteadas nesta sexta-feira, o que significa que é hora de analisar não só o momento de cada tenista, mas quais desafios ele vai encontrar pela frente e se suas chances de ir longe em Melbourne aumentaram ou diminuíram depois disso. É também a hora de olhar os azarões e começar a imaginar quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que tento fazer nas linhas abaixo. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

Os favoritos

Pra começar, há dois candidatos mais claros neste torneio. Novak Djokovic e Andy Murray. Nesta ordem, que leva em consideração a final de Doha, vencida pelo sérvio em cima do britânico. Sim, foi apenas um ATP 250, mas não dá para desconsiderar o peso psicológico de um jogo daqueles, brigado e com quase 3h de duração. Por isso, Nole sai na frente, pelo menos no papel.

A chave de Djokovic não é a mais fácil, mas não me parece complicada pelo “ponto de vista Djokovic”, ou seja, pelo estilo de jogo e pelo histórico de confrontos diretos dos adversários. “Ah, mas Nole não estreia contra Verdasco, que quase venceu em Doha?”, pode imaginar alguém. Sim, mas vai ser necessário um alinhamento de 38 planetas e 17 asteroides para aquilo acontecer de novo. Desde já, esse Djokovic x Verdasco da primeira rodada é meu grande favorito a “jogo cheio de expectativa que acaba dando sono”.

Depois disso, Djokovic pega Istomin/qualifier, possivelmente Carreño Busta na terceira rodada, Dimitrov/Gasquet nas oitavas e o vencedor da seção com Thiem, Feliciano, Karlovic e Goffin nas quartas. A maior casca de banana aí parece o confronto de oitavas, mas Djokovic venceu os últimos dez jogos contra Gasquet (perdeu só um set!) e bateu Dimitrov seis vezes em sete encontros. A única vitória do búlgaro aconteceu em 2013, no saibro de Madri. Não me parece lá um retrospecto tão animador para o azarão, embora precisemos levar em conta o recente ressurgimento de Dimitrov, que atropelou e foi campeão em Brisbane, batendo Thiem, Raonic e Nishikori em sequência.

Lembremos também que Djokovic tem em sua metade da chave Milos Raonic, o que é melhor do ter Stan Wawrinka na semifinal. Além disso, Federer também ficou na outra metade da chave, o que não deixa de ser bom para para o sérvio.

O sorteio não foi tão amigável com Andy Murray, embora não tire seu status de favorito na metade de cima da chave. Vários elementos podem jogar contra o número 1 do mundo em momentos diferentes, a começar por possíveis duelos com Querrey na terceira rodada e Isner/Pouille nas oitavas. Embora Murray seja um excelente devolvedor, não é difícil imaginar esses jogos em rodadas diurnas, com sol forte e bolinhas voando mais rápidas ainda, o que não é nada bom para o #1.

Além disso, Murray provavelmente vai precisar passar por Federer, Berdych ou Nishikori nas quartas. Berdych não seria o maior dos problemas, mas o japonês costuma causar problemas para o escocês. Além disso, se o suíço chegar às quartas, terá passado por Berdych e Nishikori e estará em excelente forma. Ou seja, o cenário não é dos mais animadores para Murray.

As “lendas”

Federer estreia contra um qualifier, pega outro qualifier na segunda rodada e deve encarar Tomas Berdych já na terceira fase. Considerando que o suíço chega a Melbourne como cabeça de chave 17, está longe de ser o pior dos cenários, mesmo com um eventual confronto com Kei Nishikori nas oitavas. O japonês, lembremos, sentiu dores no quadril em Brisbane e não se sabe se estará 100% para o início do Australian Open. Acredito que a forma física de Nishikori será chave. Caso o asiático consiga alongar uma partida com Federer, suas chances aumentam. Caso contrário, o suíço pode bem se encontrar na segunda semana diante de Andy Murray nas quartas.

Nadal, cabeça 9, também não teve um sorteio dos piores, mas seu caminho tem uma pedra grande: Alexander Zverev na terceira rodada. O adolescente alemão, contudo, ainda não tem uma vitória grande num Slam. Esse jogo pode muito bem determinar um semifinalista, já que o vencedor sairá com status de favorito pelo menos até as quartas de final, quando Milos Raonic, o cabeça 3, pode aparecer.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro vão estrear contra cabeças de chave, o que nunca é bom. O paulista vai encarar Bernard Tomic, o que não é desastroso. Afinal, entre todos cabeças que Bellucci poderia enfrentar, pegará um contra quem tem retrospecto favorável (2 a 1). É bem verdade que Tomic joga em casa, onde supostamente (favor colocar negrito mental e ler beeeeem devagar a palavra su-pos-ta-men-te!) não gostaria de dar (mais um) vexame. Mas também é inegável que tudo pode acontecer quando o australiano entra em quadra. Por outro lado, é bem possível que Tomic esteja pensando o mesmo de Bellucci: “tudo pode acontecer”.

Monteiro vai encarar Jo-Wilfried Tsonga. Sim, o mesmo Tsonga que ele derrotou no Rio Open do ano passado. Desta vez, na quadra dura, sem o insuportável calor carioca (onde todos tenistas dizem que é muito mais difícil jogar do que em Melbourne) e valendo por Grand Slam. É outro nível de importância. E Tsonga, às vezes vulnerável em torneios menores, não perde uma estreia em Slam desde 2007, quando ganhou um convite para o Australian Open e pegou Andy Roddick, então número 7 do mundo, na primeira rodada.

Rogerinho teve melhor sorte. Estreia contra Jared Donaldson, #101 do mundo. O americano vem de boa campanha em Brisbane, onde furou o quali, eliminou Gilles Muller na estreia e até venceu o primeiro set contra Nishikori na segunda rodada. O japonês acabou levando a melhor. De qualquer maneira, é melhor do que estrear logo contra um cabeça de chave. Se avançar, o paulista vai enfrentar o vencedor do jogo entre Gilles Simon e Michael Mmoh.

A grande ausência

Juan Martín Del Potro afirmou que não estaria pronto fisicamente já em janeiro e decidiu abortar o primeiro Slam da temporada. Ele também não quis (como nunca quis mesmo) jogar na temporada sul-americana de saibro e vai começar 2017 jogando em quadras duras. Resumindo? O argentino curtiu bem as férias (vide tweet abaixo) e não quis forçar seu corpo.

Os melhores jogos na primeira rodada

O que não falta é jogo bom e por um monte de motivos diferentes. Comecemos pelos cabeças de chave. Stan Wawrinka x Martin Klizan é o tipo de confronto em que o suíço precisa entrar firme. Um diazinho ruim de primeira rodada pode acabar com seu torneio, já que o eslovaco tem aqueles dias de bater forte em todas as bolas e acertar tudo. Vale ficar de olho. O mesmo perigo existe para Gael Monfils, que enfrenta Jiri Vesely, e para Marin Cilic, que duela com o “perturbado” Jerzy Janowicz. Só deus sabe o que sai da raquete do polonês.

Outro jogo intrigante é Dolgopolov x Coric, cujo vencedor encara Monfils ou Vesely, o que faz dessa seção a mais imprevisível do torneio. Falando em imprevisibilidade, já mencionei acima Bellucci x Tomic, mas cito também Youzhny x Baghdatis (dois malucos gente boa). Vale prestar atenção também em Haas (sim, Tommy Haas, AQUELE, que está de volta!) x Paire e Kyrgios (lesionado) x Elias porque não dá para descartar uma zebra do português aqui.

No quesito “fim provável, meio improvável”, recomendo acompanhar Raonic x Brown porque embora o canadense seja favoritíssimo, não dá pra perder os momentos de brilho do alemão. E, por fim, o confronto mais quente, com sangue latino, entre Fognini e Feliciano López. Até porque a coisa não acabou bem quando os dois se enfrentaram em Wimbledon no ano passado (vejam o vídeo acima).

O que mais pode acontecer de legal

De modo geral, as atenções vão mesmo continuar voltadas para o desenrolar das campanhas de Federer e Nadal e como elas vão afetar o andamento das chaves, mas algumas outras formações bem interessantes podem vir na segunda rodada ou nas seguintes, como um encontro entre Dominic Thiem e João Sousa. Outro jogo esperado mais para a frente é Gasquet x Dimitrov, que pode acontecer na terceira rodada. E também, meio escondido no meio disso tudo, imagino um interessante jogo entre Raonic e Taylor Fritz na segunda rodada.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A essa altura, todo mundo já está prestando atenção em quem jogou bem nas primeiras semanas. São os casos de Zverev, que bateu Federer na Copa Hopman, e de Dimitrov, campeão em Brisbane, por exemplo. Ainda assim, alguns nomes mereciam mais atenção. Acho que João Sousa é um deles. O português, #44, segue obtendo resultados acima do que normalmente se espera. Não me parece nada impossível imaginá-lo batendo Jordan Thompson e Dominic Thiem nas duas primeiras rodadas. Resta saber, porém, em que condições físicas Sousa chegará a Melbourne, já que ainda está em Auckland, onde disputa a final.

Outro tenista que eu gosto e que cedo ou tarde vai ser uma realidade em torneios maiores é Taylor Fritz, 19 anos e #91 do mundo. Tem um saque gigante, golpes potentes de fundo e uma movimentação até boa para seu 1,93m de altura. Ano passado, já conseguiu um punhado de resultados relevantes. Falta, claro, maturidade. E sua chave em Melbourne não é das piores. Ele enfrenta Gilles Muller, outro “sacador” na estreia e, se vencer, pega Milos Raonic, alguém com um jogo muito parecido com o seu. Existe uma janelinha para ele dar esse salto já neste Australian Open.

Onde ver

A ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Nas casas de apostas

Na casa virtual bet365, a lista de mais cotados tem, nesta ordem, Djokovic, Murray, Wawrinka, Nadal, Raonic, Federer, Nishikori, Kyrgios, Dimitrov e Cilic no top 10. Vale notar a distância entre as cotações de Murray (paga US$ 2,62 para cada dólar apostado), segundo favorito, e Wawrinka (13), o terceiro.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!


Tudo que você precisa saber sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

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A organização do Rio Open promoveu, nesta quarta-feira, um encontro de jornalistas com o diretor do torneio, Lui Carvalho, para um bate-papo durante um café da manhã em um hotel na zona sul da cidade. Como já aconteceu no ano passado, a conversa é bastante interessante, com o diretor dando uma espécie de tour pelos bastidores das negociações com jogadores e falando sobre o que a organização espera para o futuro do ATP 500 carioca.

Entre os destaques do dia, Lui falou: das conversas com Del Potro, Murray, Djokovic, Nadal, Wawrinka, Berdych, Dimitrov, Monfils, Dustin Brown e outros; dos planos para transformar o Rio Open em um torneio de quadra dura; do desejo de fazer o evento no Parque Olímpico; da exclusão e da falta de interesse pelo torneio feminino; das vendas de ingressos; e de uma grande expectativa em relação a Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro. A declaração sobre Bellucci, em especial, é interessantíssima!

Selecionei os trechos que achei mais importantes e listei abaixo, com comentários meus e, em itálico, frases de Lui Carvalho. A lista com os tenistas inscritos está no fim do post.

Negociações com tenistas

Juan Martín Del Potro

“Um dos atletas que a gente esteve muito perto de conseguir foi o Del Potro. Ele fez a virada da carreira dele nos Jogos Olímpicos, no Rio, e a gente tinha toda a história montada para ele. Voltando de lesão, jogando no Rio, público apoiando, o único atleta argentino que não é vaiado no Brasil e ele tem essa conexão com o Brasil, mas infelizmente o fator piso pesou. Ele não quis jogar no saibro nessa época do ano, mesmo por valor nenhum. A gente estava pensando em fazer uma proposta conjunta Buenos Aires-Rio, mas infelizmente ele optou por jogar, se não me engano, Delray Beach e Acapulco. Não foi uma questão nem de dinheiro nem de vontade. Foi uma questão de preferência de piso.”

Gael Monfils

“É um namoro antigo nosso, até pela relação que a gente tinha com a nossa última fornecedora de material esportivo [Asics]. Monfils foi o primeiro atleta com quem a gente chegou a conversar, logo depois do Rio Open 2016. Já estava rolando bastante conversa, bastante troca de email para ver se a gente conseguia chegar num acordo, mas ele optou por um calendário diferente. Não tanto pelo piso, mas mais pelo calendário de não ter que voltar da Austrália para a América do Sul e ir direto para os Estados Unidos. Ele preferiu ficar em casa e jogar, se não me engano, Roterdã e Dubai.”

Janko Tipsarevic

“A gente estava esperando fechar a lista. É um ex-top 10, a gente acha um nome muito interessante para o torneio. É um cara divertidíssimo, ele é muito doido. E é um cara inteligentíssimo. Ele realmente pediu [um wild card], e a gente vai começar a ver os wild cards agora.”

Good first week…💪😈💪 @tipsarevictennisacademy #bangkok #keepgrinding #keeppushing #keepdigging

A photo posted by Janko Tipsarevic (@tipsarevicjanko) on

Grigor Dimitrov e Tomas Berdych

“A gente ficou meio nesse jogo de xadrez entre Nishikori e Thiem e Berdych e Dimitrov. Então a gente ficou meio jogando esse joguinho. Quem desses quatro a gente consegue trazer? É um tremendo jogo de xadrez.”

A forte concorrência de Dubai, Roterdã e Acapulco

“A gente disputa os atletas com Dubai, Roterdã e Acapulco, os ATPs 500 dessa época. Se o atleta joga Dubai, ele não joga Rio. Se ele joga Acapulco, é mais possível que ele jogue Rio. A gente fica muito na região. Nós e Acapulco coordenando aqui, Dubai e Roterdã de lá. Dubai está completando 25 anos, então o sheik está vindo com um A380 de dinheiro da Emirates. Acapulco, de um ano para o outro, decidiu investir um caminhão de dinheiro. A gente não sabe da onde está vindo tanto dinheiro também. E Roterdã está tentando consertar o que aconteceu em 2016. Não teve nenhum top 10. (…) Não pegou muito bem com público, patrocinador, ficou uma situação um pouco delicada.”

Outros nomes

“A gente falou com Zverev, Coric, Wawrinka, Murray, Djokovic… A gente chegou a conversar com todos top 10.”

Mudança de piso

“O que a gente está tentando mostrar [para a ATP] é que a competição agora é desleal. Nadal, que é um jogador de saibro, escolher Roterdã e fazer um calendário Roterdã-Acapulco… Os jogadores já não têm argumento para manter o [Rio Open] no saibro porque o carro-chefe deles já está botando a bandeirinha branca e dizendo ‘quero jogar na dura’. É uma politicagem de torneios tentando entrar num acordo do que faria sentido no calendário. (…) Hoje em dia, os jogadores querem mudar pouquíssimo de piso. O que a gente gostaria é de uma oportunidade para testar o Rio Open na [quadra] dura. E é isso que a gente está pedindo para a ATP.”

Calendário pós-2018

Até 2018, a ATP é obrigada a manter a estrutura atual de torneios, com Masters 1000, ATPs 5000 e ATPs 250. Juridicamente, a entidade pode mudar tudo a partir de 2019. Embora alterações radicais não sejam prováveis, é bem possível que o calendário sofra alterações e um aumento no número de datas. A intenção da ATP é decidir tudo isso até o fim deste ano.

“Existem milhares de discussões acontecendo. Por exemplo, a ATP e os diretores de torneio fizeram um trabalho conjunto para diminuir o calendário. O que aconteceu? Entrou a IPTL. Foi inteligente da nossa parte? Não. Foi a maior burrice que a gente fez. A gente deveria ter deixado o calendário com 52 semanas, assim não entra ninguém. Os jogadores fizeram um movimento ‘não quero jogar, quero ter offseason’. A gente ‘tá bom, então vamos diminuir o calendário’. Prejudicou um monte de torneio. E o que os jogadores fazem? Começam a jogar exibição na offseason. Sacanagem, né? Quem faz os jogadores são os torneios! Só existe o Federer, o Nadal porque existe um circuito que faz eles virarem estrelas. Aí eles viram estrelas e viram as coisas pra gente e vão jogar um circuito que não tem nada a ver com a gente? Realmente, é uma discussão que a gente tem em todas as reuniões.”

Desejo de jogar no Parque Olímpico

“A gente tem o desejo de jogar no Parque Olímpico um dia, mas isso não é uma decisão nossa. Depende de uma série de fatores. Depende de quem vai administrar o local, de como vai ser essa negociação, em que condições que a gente vai pra lá… A gente quer deixar isso bem explicado. Nosso evento é no saibro. A gente não conseguiu aprovação pra mudar de piso. A gente tentou e não conseguiu. Não teria tempo hábil pra mudar de dura pra saibro. Para 2018, a gente está tentando ver como pode fazer isso ser possível.”

Interesse no torneio feminino e valores dos ingressos

Com relação a esse assunto, argumentei com Lui Carvalho que não seria justo dizer que o torneio está cobrando o mesmo pelos ingressos de segunda a quinta, já que ano passado o Rio Open tinha um torneio feminino e, logo, o dobro do número de partida. Este ano, o preço é o mesmo, mas só para jogos masculinos. Ele respondeu argumentando que o interesse era mínimo para a chave feminina.

“Você tem a metade de partidas para ver, mas a gente foca no conteúdo, né? Não vou conseguir concordar com você. Se você fizer uma enquete com as pessoas, quantas compraram pra assistir a um jogo do feminino? Quando a gente toma a decisão de tirar o feminino, foi a primeira coisa que a gente falou: ‘a gente vai perder conteúdo?’ A gente fez uma enquete com várias pessoas. O nível do evento já começa muito diferente. Vamos imaginar que fosse um WTA International que tivesse uma Radwanska de cabeça 1 – eu sei que você adora a Radwanska. O nível já começa diferente. Com a data contra Doha e Dubai, o gap ficava ainda maior. A gente teve muita sorte de as brasileiras fazerem boas campanhas nos três anos. (…) Quantas pessoas compraram ingresso para ver a Schiavone? Não sei, mas você concorda comigo que as pessoas compraram ingresso para ver o Nadal, o Tsonga, o Isner? Até acho que quando a gente anunciou a Bouchard, a Madison, não mexe no ponteiro. Não mexe mesmo.”

Venda de ingressos

Até esta quarta, o Rio Open tinha vendido cerca de 60% dos ingressos e ainda havia bilhetes para todas sessões. Segundo Lui Carvalho, a final no domingo de Carnaval não atrapalha a venda. O torneio, aliás, vende pacotes de tênis+carnaval por meio da Faberg, agência parceira. Os ingressos estão à venda aqui.

Expectativa por uma boa campanha de Bellucci e Monteiro

Aqui, é interessante lembrar que Lui Carvalho não fala só como diretor do Rio Open, mas como manager da carreira de Thomaz Bellucci. A relação deles é de longa data e vem desde quando a carreira do tenista era gerida pela Koch Tavares. Lui, então funcionário da Koch, já era o responsável por administrar tudo relacionado a Bellucci.

“Acho que está na hora de o Bellucci e o Thiago fazerem alguma coisa especial no Rio Open. Tá na hora! Eles precisam, sabe? Bellucci precisa meter uma semi num ATP 500 no Brasil. Eles precisam disso. Isso vai ajudar o nosso esporte. Esses caras precisam botar o coração na quadra e dizer ‘eu vou fazer o que o Guga fez’. O Guga levou o tênis nas costas durante seis, sete, oito anos. Eles precisam fazer isso. A gente precisa disso. Estou apostando nisso.”

“Minha conversa com o Thomaz no fim de 2016 foi essa. ‘Você tem 30 anos de idade, entendeu? Ou você vai ou você vai. Não quero que você chegue no final da carreira Rubinho Barrichello. É a única coisa que não quero. Quero que você chegue Felipe Massa. Comoveu a galera. O Thomaz está numa fase que casou, está mais responsável, está numa fase boa pessoal. Ele precisa botar isso dentro de quadra.”

“Acho que os jogadores não entendem a responsabilidade deles dentro do esporte. Acho que eles olham muito a conta bancária deles e ‘ah, tá pingando’ e não entendem que o que eles fazem dentro de quadra move milhões de pessoas. Eles precisam ter mais essa consciência. É muito mais do que a vida deles, do que o patch da manga.”

Lista de participantes


Davis, dia 1: Bélgica aproveita limitação brasileira
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Alexandre Cossenza

Thiago Monteiro ganhou uma batata quente de presente em sua estreia na Copa Davis. Thomaz Bellucci fez mais uma partida daquelas cheias de erros (35 não forçados, pela conta econômica da ITF) e sem variações táticas. O resultado foi uma péssima sexta-feira em Oostende, na Bélgica, onde o time da casa abriu 2 a 0 na série melhor de cinco que define quem jogará o Grupo Mundial da Copa Davis em 2017. Um dia que expôs a limitação dos simplistas brasileiros – e até do capitão – e que deixou o país sem margem para erro nos próximos dois dias.

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A superioridade

O dia começou com Thiago Monteiro soltando o braço e tentando incomodar David Goffin. Até conseguiu por alguns games no serviço do belga. Monteiro teve 0/30 no segundo game, um 30/40 no quarto e um 30/30 no sexto. O tenista da casa, contudo, venceu todos – sem exceção – pontos grandes do set. Depois de fechar a parcial por 6/2, jogou mais à vontade e dominou. Só perdeu mais dois games depois disso e fechou em 6/2, 6/2 e 6/0.

Ainda que haja uma clara diferença de nível e de experiência, não consegui ver uma tentativa de Monteiro de mudar taticamente o andamento do jogo. Era até esperado que ele entrasse em quadra adotando o bom e velho “entra sem pressão e solta o braço”, mas nesse nível, na primeira partida melhor de cinco sets de sua carreira, seria preciso um plano B. Não garantiria um resultado diferente, mas seria uma tentativa. Do jeito que a partida correu, Goffin não foi tão exigido assim.

A falta de recursos

No aspecto estratégico, o segundo jogo não foi muito diferente. Thomaz Bellucci entrou em quadra disposto a atacar primeiro e fazer Steve Darcis correr. O belga apostou em variações. Slices cruzados e paralelos, velocidades e altura de bola diferentes e paciência, muita paciência. Darcis trocava bolas e esperava chances para atacar na boa, com o forehand na paralela.

O #1 do Brasil fez um belo primeiro set, que teria sido até mais fácil não fosse um pavoroso sétimo game. Ainda assim, Bellucci venceu o tie-break e parecia firme no jogo. A coisa começou a desandar no quarto game do segundo set. Darcis aproveitou o quinto break point e deslanchou. O paulista desandou a errar. Errou curtinhas, voleios, forehands e tudo que podia errar. Em vários momentos, também subiu mal à rede e pagou o preço.

O problema, como quase sempre acontece com Bellucci, foi a execução. Contra um Darcis sólido e paciente, o brasileiro teria duas opções: ou tentar algo diferente ou executar melhor seu plano A. Não fez nem um nem outro. Para piorar, Darcis jogou mais solto e agressivo quando teve a dianteira. Sem plano B, restou ao paulista ficar em quadra esperando por um milagre que não veio. Darcis fez 6/7(5), 6/1, 6/3 e 6/3 e colocou seu país com uma enorme vantagem.

A esperança

Com uma dupla forte como a de Bruno Soares e Marcelo Melo, o mais provável é que o Brasil sobreviva ao sábado. Por enquanto, a Bélgica tem Ruben Bemelmans e Joris de Loore escalados para o jogo de sábado. O mais provável é que o capitão belga, Johan Van Herck, mantenha a formação e poupe seus titulares para o domingo, quando precisará de um pontinho para seguir no Grupo Mundial.

Para o capitão João Zwetsch, resta rezar para duas zebras. Primeiro, Bellucci precisará derrotar Goffin sem a torcida brasileira fazendo estrago no cérebro do belga. Depois, terá de contar com uma vitória do estreante Thiago Monteiro contra o veterano Darcis, 32 anos, que vem num ótimo momento na temporada e dois dias depois de uma atuação belíssima contra Bellucci. Possível? Sim. Num domingo qualquer, tudo pode acontecer. Provável? Nem tanto.


Quadra 18: S02E12
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Alexandre Cossenza

Stan Wawrinka derrubou Novak Djokovic mais uma vez, Angelique Kerber tomou posto de #1 das mãos de Serena Williams e Bruno Soares conquistou mais um título em um torneio do Grand Slam. Não faltou assunto neste episódio do podcast Quadra 18. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu conversamos sobre um pouco de tudo que aconteceu no US Open, desde a polêmica do pé sangrando de Djokovic até a “carta fantasma” de Wozniacki.

O programa ainda tem áudios especiais enviados por Bruno Soares após sua conquista, além de análises táticas, surpresas e decepções, exercícios bem humorados de “futurologia” e uma indagação curiosa sobre a Bel Pesce do tênis. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny apresenta os temas
01’00” – O quinto título de Slam de Bruno Soares
01’33” – Bruno e Marcelo causam divisão no podcast
02’45” – Os motivos do sucesso de Bruno Soares e Jamie Murray
06’08” – Bruno Soares fala da preparação e da dura estreia no US Open
08’00” – O tenso confronto de oitavas contra André Sá e Chris Guccione
09’13” – “Eu me identifico com o Guccione”
11’54” – Como Carreño Busta e García López chegaram na final
13’28” – Bruno Soares fala da sensação de ter cinco títulos de Slam no currículo
14’40” – Bruno Soares fala sobre a intenção de brigar para ser #1 do mundo
15’02” – As campanhas dos outros brasileiros na chave de duplas
17’50” – “Marcelo deve insistir na parceria com Dodig para 2016?”
20’15” – Quem seria um novo bom parceiro para Marcelo Melo?
22’58” – Don’t Lose My Number (Phil Collins)
23’45” – Wawrinka e seu terceiro título em um torneio do Grand Slam
24’00” – “Só falta Wimbledon mudar para o saibro!”
24’30” – Como explicar as 11 vitórias seguidas em finais de Stan Wawrinka?
25’55” – Uma semelhança entre Stan Wawrinka e Thomaz Bellucci
28’05” – O nível de Djokovic na final e a questão física
29’30” – O que vai ser da ATP? Djokovic terá seu #1 ameaçado?
31’15” – O momento de Rafael Nadal
32’25” – Stan pode fechar o Career Slam? E Bruno Soares?
35’15” – Stan vai manter a meta de um Slam por ano ou é melhor deixar a meta aberta e dobrar depois?
36’10” – Ouvinte: Wawrinka já é maior que Murray e Wawrinka?
39’05” – Djokovic acertou no plano de jogo na final do US Open?
42’15” – Opiniões sobre a polêmica do pé sangrando de Djokovic
46’54” – Djokovic precisa de um tempo parado para tratar as questões físicas?
47’30” – Djokovic estará no Rio Open em 2017? E Andy Murray?
48’53” – Andy Murray decepcionou no US Open?
52’21” – Rafael Nadal, sua eliminação
55’14” – Nadal teria sentido pressão na derrota contra Pouille?
56’00” – Raonic e Cilic, as grandes decepções do torneio masculino
58’13” – Monfils foi antiesportivo na partida contra Novak Djokovic?
60’21” – Monfils, o homem mais sortudo de 2016 e sua chave no US Open
62’04” – O título juvenil nas duplas de Felipe Meligeni
62’50” – Sheila e Cossenza contam histórias com Fernando e Felipe Meligeni
66’23” – Send Me An Angel (Scorpions)
66’54” – O título de Angelique Kerber
67’55” – Cossenza enumera as qualidades da campeã: “Virei fã da Kerber”
69’33”- Kerber como uma evolução de Wozniacki
70’30” – Angelique Kerber vai se manter como número 1 por algum tempo?
72’25” – O que fez Karolina Pliskova finalmente ir longe em um Slam?
75’15” – Acabou a era de domínio de Serena Williams?
76’34” – Patrick Mouratoglou paga para treinar Serena Williams?
78’18” – “Seria Patrick Mouratoglou a Bel Pesce do tênis?”
79’05” – Garbiñe Muguruza, a decepção do torneio feminino
80’18” – Ana Konjuh e Caroline Wozniacki, as surpresas do US Open
82’40” – A “carta fantasma” de Caroline Wozniacki
84’25” – Wozniacki voltará a ser um nome relevante na WTA?
87’30” – Angels (Robbie Williams)

Crédito musical

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum.


NY, dia 1: Garbiñe assusta, Djokovic preocupa, Nadal empolga
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Alexandre Cossenza

Para um primeiro dia de Slam, a segunda-feira que abriu o primeiro US Open com teto retrátil no Estádio Arthur Ashe (sim, o estádio da foto abaixo, clicado no show que antecedeu a sessão noturna) foi bastante interessante. Não teve grandes zebras – nem a queda de Richard Gasquet chocou tanto assim -, mas contou com partidas intrigantes de Garbiñe Muguruza, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Angelique Kerber também venceu, mas seu jogo só serviu para alimentar a primeira polêmica do torneio. O resumo do dia traz um pouco de tudo que rolou.

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Os favoritos / A primeira polêmica

Entre os homens, o primeiro dos quatro cabeças a estrear foi Rafael Nadal (#5), que encarou Denis Istomin (#107) e passou por cima: 6/1, 6/4 e 6/2, chegando a vencer nove games seguidos nos primeiros dois sets. Ainda é cedo e o espanhol não foi tão exigido assim, mas Nadal deu bons sinais. Sacou bem (e com potência!), agrediu bastante do fundo de quadra e foi consistente quando a ocasião pediu. Com uma chave acessível até pelo menos as quartas de final, terá tempo de afiar seu tênis e chegar bem na segunda semana. Se a lesão no punho deixar, os outros candidatos que se cuidem.

Na chave feminina, Angelique Kerber (#2) ficou apenas 33 minutos em quadra. Sua adversária, a eslovena Polona Hercog (#120), abandonou quando perdia por 6/0 e 1/0, alegando tonturas sob o forte sol desta segunda-feira. Até aí, tudo bem. O problema é que o abandono não foi muito bem recebido por Donna Vekic, que perdeu na última rodada do quali e aguarda uma vaga como lucky loser. A croata foi sarcástica no Twitter ao ver o resultado:

Indagada sobre o assunto, Hercog disse não saber o que dizer porque “ela não sabe o que estava acontecendo. Não sei como ela pode julgar.” A eslovena ainda disse “não é minha culpa se ela perdeu na última rodada do quali.”

Na sessão noturna do Ashe, pouco depois de uma apresentação de Phil Collins, Novak Djokovic (#1) derrotou Jerzy Janowicz (#247) em quatro sets: 6/3, 5/7, 6/2 e 6/1. Aqui valem todas as ressalvas do tipo “ainda é cedo”, mas foi uma atuação preocupante para os fãs do sérvio. Djokovic, que chegou a Nova York ainda se recuperando de uma lesão no punho esquerdo, pediu atendimento médico e recebeu tratamento no cotovelo direito ainda no início do jogo.

Seus saques estiveram abaixo do esperado – a velocidade média do segundo serviço ficou em 140 km/h (em Wimbledon, a mesma média ficou na casa dos 150 km/h) e seu jogo não mostrou nada de especial nesta segunda. O duelo poderia até ter se complicado não fossem a inconstância e as 13 duplas faltas de Janowicz, que pouco fez no terceiro e no quarto sets. O grande mérito de Djokovic foi a consistência (18 erros não forçados em quatro sets).

Ao fim do jogo, o número 1 do mundo fugiu duas vezes da pergunta sobre o atendimento em seu braço. Cantou e dançou até finalmente afirmar apenas que ninguém está 100% em todos os jogos e que não era a hora de falar naquilo. Resta saber se é (mais) alguma coisa que ele vai carregar para o resto do torneio ou se foram dores ocasionais que desaparecerão com tratamento ao longo dos dias.

Cabeças que rolaram

Richard Gasquet (#15) foi o principal cabeça de chave a dar adeus nesta segunda-feira. O francês disse que a lesão nas costas que o tirou de Wimbledon não incomodou em Nova York, mas a impressão era de que ele não estava 100% fisicamente. De qualquer modo, Kyle Edmund (#84) foi muito superior. O britânico disse inclusive ter jogado melhor do que esperava no triunfo por 6/2, 6/2 e 6/3.

Quem também se despediu foi Martin Klizan (#29), embora sua derrota seja uma surpresa muito mais pelo placar do que pelo adversário. O russo Mikhail Youzhny (#61) aplicou 6/2, 6/1 e 6/1.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças rolando, mas parece justo dizer que nenhum dos resultados causou grande abalo. Coco Vandeweghe (#30) foi eliminada por Naomi Osaka (#81); Sara Errani (#28) tombou diante de Shelby Rogers (#49); Irina-Camelia Begu (#23) caiu diante da Lesia Tsurenko (#99); e Misaki Doi (#32) perdeu para Carina Witthoeft (#102).

O susto

Garbiñe Muguruza (#3) não esteve tão perto assim da eliminação, mas assustou seus fãs quando perdeu o primeiro set por 6/2 para a qualifier belga Elise Mertens (#137). A espanhola, no entanto, se aprumou, aplicou um pneu no segundo set e venceu por 2/6, 6/0 e 6/3. Não foi a estreia dos sonhos, mas Muguruza também fez uma primeira partida preocupante em Roland Garros e não perdeu sets depois, batendo inclusive Serena Williams na final.

Seria uma coincidência enorme se acontecesse de novo, mas o importante é sobreviver nos dias ruins, e a número 3 do mundo fez isso nesta segunda. Muguruza, lembremos, é uma das tenistas com chance de sair de Nova York no topo do ranking mundial (veja as chances no tweet abaixo).

A ressaca olímpica

A tarefa não era mesmo das mais fáceis. Depois da conquista olímpica, Mónica Puig (#35) virou um ícone de Porto Rico. Fez aparições por toda parte e carregou a medalha de ouro por onde esteve. Acabou derrotada na primeira rodada do US Open pela chinesa Saisai Zheng (#61): 6/4 e 6/2.

No papel, o resultado deixa mais fácil a vida de Muguruza, que enfrentaria Puig na terceira rodada. Foi a porto-riquenha, lembremos, que aplicou 6/1 e 6/1 e despachou a espanhola dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Muguruza agora só enfrentará uma cabeça de chave nas oitavas, quando terá pela frente quem sair da seção que tem como Konta e Bencic como nomes mais fortes.

O acidente

Na vitória sobre o luxemburguês Gilles Muller (#37) por 6/4, 6/2 e 7/6(5), Gael Monfils (#12) tentou uma defesa quase de beisebol (que faria sentido no estádio do NY Mets, pertinho de Flushing Meadows) e acabou deixando o relógio do fundo de quadra completamente despedaçado.

A aboborização

Francis Tiafoe, 18 anos e #125 do mundo, esteve a dois pontos de derrotar John Isner (#21) e conquistar sua primeira vitória em um Slam, mas se afobou no tie-break do terceiro set e deixou o compatriota entrar no jogo. Tiafoe também sacou para fechar o jogo no quinto set, mas cedeu a quebra quando jogou uma direita fácil no meio da rede. Isner não perdoou e venceu o tie-break decisivo, fechando em 3/6, 4/6, 7/6(5), 6/2 e 7/6(3).

Depois de ver sua carruagem virar abóbora, o adolescente deu um grande abraço e não queria soltar o veterano. Isner, que disparou 35 aces, sobreviveu para enfrentar Steve Darcis na segunda rodada. Depois da queda de Gasquet, Isner pode encontrar um cabeça de chave apenas nas oitavas de final. Pode ser, quem sabe, um duelo com Novak Djokovic.

Correndo por fora / O recorde noturno / O patrocínio vetado

Além de Marin Cilic, campeão do US Open em 2014, a lista de candidatos ao título que venceram nesta segunda inclui também Milos Raonic (#6), que superou Dustin Brown (#86) por 7/5, 6/3 e 6/4.

Na chave feminina, Petra Kvitova (#16) teve seu saque quebrado no primeiro e no terceiro games, mas se recuperou e nem precisou de três sets. Fez 7/5 e 6/3 em cima de Jelena Ostapenko (#36).

O último jogo do dia já começou tarde, por conta do show de Phil Collins e da partida não-tão-rápida de Djokovic. Madison Keys (#9) perdeu o primeiro set, esteve uma quebra atrás na segunda parcial e até viu a compatriota Alison Riske (#60) sacar em 5/4 no tie-break do segundo set, mas escapou por pouco. A top 10 acabou triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O encontro terminou à 1h48min da manhã (horário local), estabelecendo um novo recorde para fim de jogo mais tarde em uma partida feminina no US Open.

A grande curiosidade da noite, porém, foi o veto da USTA ao plano de Madison Keys de usar a marca de um patrocinador tatuada na pela (tatuagem temporária, claro). A ideia foi do agente da moça, Max Eisenbud, o mesmo empresário de Sharapova. Sim, ele é o cidadão que seria responsável por ler as mudanças na lista de substâncias proibidas pela Wada, mas não o fez “porque deixou de viajar para o Caribe nas férias” (bom argumento, não?).

A intenção era driblar uma proibição da Nike, que não deixa que seus atletas usem marcas de outros patrocinadores na roupa. A Nike até concordou com a tatuagem, mas o plano foi impedido pela USTA, organizadora do torneio. Segundo o porta-voz da entidade, as regras para torneios do Grand Slam proíbem patrocínio co corpo. Leia mais no link do tweet acima.

Os brasileiros

Em uma jornada pavorosa, Thomaz Bellucci (#65) acabou eliminado pelo russo Andrey Kuznetsov (#47): 6/4, 3/6, 6/1 e 7/6(5). O número 1 do Brasil teve todas as chances do mundo para voltar na partida – inclusive depois de salvar três match points no quarto set – contra um adversário errático, mas não conseguiu. Como alcançou a terceira rodada no ano passado, Bellucci perderá pontos e cairá pelo menos para o 75º posto na lista da ATP.

Rogerinho (#108) deu azar no sorteio e até fez uma apresentação bem digna, dando trabalho para Marin Cilic (#9), mas acabou eliminado em três sets: 6/4, 7/5 e 6/1, em 2h de jogo. O paulista também perderá posições no ranking, indo parar em 120º na melhor das hipóteses. Rogerinho pode até ser ultrapassado por Feijão, que não passou pelo quali do US Open e joga esta semana um Challenger em Curitiba.

Por fim, Guilherme Clezar (#203), que furou o qualifying e deu a sorte de enfrentar outro qualifier na estreia, venceu o primeiro set e sacou em 5/4 no tie-break da segunda parcial, mas acabou superado pelo suíço Marco Chiudinelli (#144): 2/6, 7/6(6), 6/2 e 6/4.

Os melhores lances

Não foi lá um ponto fantástico, mas um único golpe espetacular. Vale ver o forehand vencedor de Nadal que lhe deu a quebra decisiva no segundo set contra Denis Istomin. Um canhão.


Quadra 18: S02E11
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Alexandre Cossenza

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 mal acabaram, e o US Open já está aí batendo à porta, sem deixar ninguém descansar e mantendo lá no alto a temperatura do mundo do tênis. Por isso, o episódio desta semana do podcast Quadra 18 é uma pizza metade Rio 2016, metade US Open. Quer dizer, sendo bem sincero mesmo, a divisão ficou 2/3 Errejota, 1/3 Nova York, o que é muito justo já que o torneio olímpico de tênis foi melhor do que muito Slam.

Neste episódio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu lembramos dos melhores momentos dos Jogos Rio 2016 e compartilhamos episódios emocionantes e curiosos vividos na Cidade Maravilhosa, mas não deixamos de lembrar como está desenhado o cenário pré-US Open. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’55” – O torneio olímpico de tênis foi tão marcante quanto um Slam?
5’31” – Os duplistas mineiros no torneio olímpico
7’38” – A boa chance de medalha para Melo e Soares
10’00” – A chave que se abriu sem Herbert/Mahut e Cabal/Farah
13’00” – A medalha que escapou de Daniel Nestor
13’40” – O nível altíssimo de André Sá nos Jogos Olímpicos
15’20” – A inesperada campanha de Thomaz Bellucci até as quartas
17’44” – Del Potro x Djokovic foi o melhor jogo do torneio?
21’15” – A inteligência do jogo agressivo e do slice de Del Potro
23’13” – Djokovic: a sintonia com o público brasileiro, as lágrimas, o que significou a derrota e o que pode vir a acontecer em Tóquio 2020
26’02” – O mistério sobre a lesão de Djokovic antes do US Open
27’30” – Nadal: a maratona, a medalha, as reclamações e o comprometimento
31’50” – Murray: o favoritismo, a obrigação e os (muitos) dramas
34’03” – Mónica Puig e a medalha de ouro na chave feminina
38’10” – As derrotas de Serena e Muguruza, maiores surpresas do torneio
39’09” – O pódio feminino e o “espírito de Fed Cup”
41’05” – O ouro olímpico seria o começo de uma arrancada de Mónica Puig?
44’05” – A loucura do estádio olímpico vibrando com Kirsten Flipkens
44’55” – Serena e Venus decepcionaram?
47’10” – Os resultados de Teliana e Paula Gonçalves no Rio
48’48” – A bolada de Martina Hingis em Andrea Hlavackova
51’30” – O ouro das “brunetes” Makarova e Vesnina
52’58” – O momento de Cossenza com Leander Paes
57’06” – A pergunta mais importante: quem pegou zika?
58’13” – Música em homenagem a Mónica Puig
58’50” – O comportamento da torcida: brasileiros acertam quando vaiam?
66’25” – Os encontros olímpicos de Aliny Calejon com Marin Cilic e Horia Tecau
73’10” – Os encontros de Cossenza e Sheila com Robin Soderling
74’00” – Outros esportes que vimos nos Jogos Rio 2016
77’21” – O drama de Sheila para ver Usain Bolt
82’21” – Engenhão à meia-noite: Cossenza “recomenda”
84’20” – Por que os episódios do podcast Quadra 18 são tão longos?
86’37” – Empire State of Mind (Jay Z featuring Alicia Keys)
87’11” – O US Open e suas novidades como o teto retrátil e a Grandstand
87’50” – Chave masculina está mais indefinida do que nos últimos Slams?
90’51” – A briga entre Serena e Kerber pelo posto de #1 do mundo
92’00” – Recordes que Serena pode bater nas próximas semanas
95’45” – O que esperar dos brasileiros nas duplas?
99’25” – As chances de Marcelo Melo voltar ao topo do ranking após o US Open
102’37” – Carry Me (Kygo featuring Julia Michaels)


Meus 11 momentos inesquecíveis do tênis nos Jogos Olímpicos Rio 2016
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Alexandre Cossenza

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Quando o último slice de Juan Martín del Potro ficou na rede, já entrando na noite de domingo, o cenário estava claro há muito tempo. Todo mundo sabia quem quem veio ao Rio por amor e quem deixou de estar nos Jogos Olímpicos porque preferiu sair em busca de pontos e cachês. E quem esteve no Parque Olímpico nos últimos nove dias viu e entendeu que as ausências não diminuíram em nada o torneio olímpico de tênis. Exemplos não faltaram. Os que me marcaram estão aqui.

Kirsten Flipkens, maior aqui do que na Bélgica

Soou estranho para a imprensa estrangeira, que demorou um pouco para entender que o público da quadra central gritava “Flipkens, Flipkens” empurrando a tenista rumo à primeira zebra do torneio. A belga, que eliminou Venus Williams na primeira noite do evento, disse que nunca ouviu isso – nem no seu país. Traçou uma relação com dez anos atrás, quando a Bélgica jogou a final da Fed Cup. Disse ter saído arrepiada da quadra carioca.

A noite inesquecível de André Sá

Aos 39 anos e possivelmente em sua última participação olímpica (ganhou convites em Londres e no Rio), André Sá teve uma vitória à altura de sua carreira. Carregou Thomaz Bellucci nas costas, levantou o público, fez jogadas maravilhosas e eliminou a dupla cabeça 2, formada pelos irmãos Andy e Jamie Murray: 7/6(6) e 7/6(14). Sá e Bellucci perderam na sequência para Fognini e Seppi (até porque a combinação saque de Sá + Bellucci na rede é difícil de sustentar), mas o mineiro nos deu uma lembrança para o resto da vida.

O caso de amor com Novak Djokovic

No mesmo dia e no mesmo horário, na quadra central, Novak Djokovic enfrentava Juan Martín del Potro. Um jogaço de dois tie-breaks com um público espetacular se dividindo entre os barulhentos e incansáveis argentinos e os brasileiros fãs de Djokovic. O sérvio foi eliminado e saiu de quadra às lágrimas, o que evidenciou o tamanho do seu desejo de conquistar um ouro olímpico. Aliás, o caso de amor do #1 com a torcida local foi outro ponto alto do torneio. Até na chave de duplas, enfrentando Bruno Soares e Marcelo Melo, Djokovic foi ovacionado e deixou a quadra aplaudido de pé. Sim, teve relação com o ótimo trabalho de sua imagem no Brasil, mas também teve muito a ver com sua entrega nos Jogos Olímpicos.

O embalo de Thomaz Bellucci

O #1 do Brasil contou com uma enorme dose de sorte – para azar de Dustin Brown, que estava a poucos games de eliminar Bellucci quando sofreu uma violenta torção no tornozelo. O paulista aproveitou e, diante da torcida, passou por Pablo Cuevas e David Goffin. Duas partidas emocionantes em que o público manteve o tenista da casa motivado, mesmo com suas habituais inconstâncias. Bellucci ainda jogaria um primeiro set mágico contra Rafael Nadal antes de as 12 badaladas soarem e transformarem sua carruagem em abóbora. As vitórias não valeram pontos, mas serviram para alimentar a esperança de que o número 1 do Brasil ainda possa vir a ser o tenista que todo mundo sempre quis acreditar que ele seria.

O sacrifício de Rafael Nadal

Ele deixou de jogar em Wimbledon e nunca escondeu que ainda estaria em repouso se não fosse a possibilidade de estar nos Jogos Olímpicos. Nadal, que não esteve em Londres 2012, usou tudo que tinha no tanque no Rio de Janeiro. Foi campeão de duplas ao lado do amigo Marc López e talvez tivesse ido mais longe nas simples se tivesse de onde tirar energia. Jogou com o punho esquerdo incomodando, disputou 15 sets em quatro dias (e 26 no total) e carregou a bandeira do país na cerimônia de abertura. Tudo isso por estar nos Jogos, hospedado na vila dos atletas, sem mordomia e sem ganhar um centavinho.

O beijo de Juan Martín Del Potro

Depois de seguidas cirurgias e longos períodos de recuperação com pouco sucesso, estar nos Jogos Olímpicos era uma vitória por si só para o argentino. Mas ele derrubou Djokovic e Nadal antes de sucumbir a Andy Murray na final. Foi, de longe, a história mais bonita do torneio. Desde o longo abraço no sérvio na segunda noite do torneio, incluindo um beijo nos aros olímpicos pintados na quadra até carinho com o escocês após a final.

A emoção de Leander Paes

Aconteceu longe das TVs. A participação de Leander Paes em seus sétimos Jogos Olímpicos durou pouco. Ele e o parceiro Rohan Bopanna (que nunca quis a parceria) caíram na primeira rodada. Paes passou um bom tempo na zona mista. Quando todos foram embora, ficamos só nós dois. Ele chorou falando da relação com seu pai e da conversa que tiveram durante a abertura. Eu quase chorei lembrando do meu. Ele, então, lembrou da emoção de Atlanta 1996, quando ganhou o bronze. Disse coisas lindas sobre Fernando Meligeni, seu adversário naquele dia. Falou de Pelé, lembrou que algumas pessoas viam semelhança física entre ele (Paes) e Romário, disse que atletas de países como Brasil e Índia entendem melhor o que é competir pela bandeira. Foi um papo curto, coisa de cinco minutos, mas que pareceu durar meia hora. Pessoalmente, foi a maior emoção que vivi nos Jogos até agora. Qualquer dia, transcrevo a conversa aqui.

As “brunetes”

Chegar ao Rio já foi difícil. Elena Vesnina e Ekaterina Makarova foram campeãs em Montreal, perderam a conexão rumo ao Brasil e tiveram problemas para encontrar um voo. Tiveram de abrir mão de seus bilhetes de classe executiva e entraram nos dois últimos assentos de um avião salvador. Chegaram prontas para tudo. Não reclamaram da vila nem da comida. Apareceram, jogaram e esbanjaram simpatia. Enquanto Vesnina falava, Makarova, que não tem inglês tão fluente quanto o da parceira, sorria. O ouro foi uma recompensa e tanto, e ouvir o hino russo no tênis foi mais especial ainda por causa de toda turbulência que colocou uma bigorna de desconfiança nas costas de quase todos atletas do país.

A conquista de Monica Puig

Há quem prefira decisões entre dois nomes de peso e diga que a final feminina não foi lá das melhores. Não sou tão radical. Adoro roteiros que incluem estrelas em ascensão, e Mónica Puig é uma delas. A porto-riquenha é um talento inegável. Entrou no top 50 três anos atrás, mas teve dificuldades para jogar todo seu tênis de forma consistente. No Rio, tudo funcionou. Puig atacou, defendeu e bateu Garbiñe Muguruza, Petra Kvitova e Angelique Kerber. Conquistou o primeiro ouro de seu país e vai voltar ao circuito com a confiança transbordando.

A derrota da dupla

Como escrevi no post anterior, a eliminação de Bruno Soares e Marcelo Melo nas quartas de final foi um grande baque. Não pelo resultado. Perder para Florin Mergea e Horia Tecau – medalhistas de prata – é completamente compreensível. O revés machucou mesmo porque o ambiente era bonito, com torcida empurrando e os mineiros jogando. E sempre havia a esperança de que algo mágico poderia acontecer. Não rolou. Jogadores e jornalistas pareciam abatidos na zona mista. Foi uma das entrevistas pós-jogo mais duras que vi.

O título de Andy Murray

Com as seguidas participações do bicampeão de Wimbledon na Copa Davis, ninguém pode questionar a dedicação de Andy Murray à Grã-Bretanha. No Rio, ele tentou encarar as três modalidades. Perdeu um jogo duríssimo nas duplas e não foi longe nas mistas, mas terminou a semana com a medalha de ouro de simples no peito. Não foi uma semana de tênis espetacular, mas o escocês conseguiu sair de situações delicadas.

Esteve perdendo por 3/0 no terceiro set diante de Fabio Fognini ainda nas oitavas de final. Venceu seis games seguidos e se salvou. Depois, nas quartas, esteve uma quebra atrás no terceiro set contra Steve Johnson. Devolveu a quebra e avançou no tie-break. Por fim, bolou um plano tático inteligente e o aplicou com paciência na final contra Del Potro. O primeiro bicampeão olímpico em simples. Enorme.

Coisas que eu acho que acho:

– A falta de um critério claro estabelecido pela CBT teve seu preço. Até a véspera da inscrição, ninguém sabia quem jogaria nas duplas mistas com Marcelo Melo. Houve problemas e discussões internas até que Teliana Pereira fosse escalada. Ela e Marcelo até venceram uma rodada na chave.

– A convocação de Paula Gonçalves nunca foi explicada (talvez porque os capitães e técnicos da CBT achem que não devem explicação a ninguém). Se Paula foi convocada só para as duplas, que critério foi utilizado? Ninguém falou, mas acredito que foi o chamado “critério técnico”, já que a duplista número 1 do país é (e era na época da convocação) Gabriela Cé.

– É pura questão de opinião, mas achei extremamente ruim a postura de Paula, que ria em quadra nos últimos momentos da derrota na chave de duplas. Não tinha ranking nem resultado para estar ali. Entrou pela cota de país-sede. Foi lá e se divertiu, sem se incomodar nem um pouco com a derrota.

– Mudando de assunto, Venus Williams conquistou sua quinta medalha olímpica. Foi prata nas duplas mistas ao lado de Rajeev Ram. Nas simples e nas duplas, caiu cedo. Não apareceu para entrevistas quando foi eliminada por Flipkens. Quando perdeu nas duplas, apareceu falar. Ouviu uma pergunta, respondeu outra coisa e foi embora. Serena fez o mesmo quando perdeu nas simples. São atletas com feitos enormes e são exemplo em muitos sentidos para mulheres do mundo todo. Mas ninguém vê Federer, Djokovic ou Nadal evitando entrevistas depois de derrotas. Esses são gigantes.

– O ambiente do tênis nos Jogos Olímpicos foi espetacular mesmo quando não havia um atleta da casa competindo. Não gosto nem um pouco de dizer isso, mas a atmosfera no Rio me faz acreditar que, pelo menos no Grupo Mundial, é possível ter sucesso em uma decisão de Copa Davis em sede neutra. Mas que não mexam nos zonais, por favor!


Davis: uma obrigação cumprida, um playoff à vista e um par de perguntas
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Alexandre Cossenza

Não foi tão fácil como poderia ter sido, mas tampouco foi dramático. De volta ao Zonal americano, Brasil derrotou o Equador em Belo Horizonte por 3 a 1 e garantiu mais uma participação no playoff da Copa Davis. A equipe que tem Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares como ocupantes cativos terá, assim, mais uma chance de retornar à primeira divisão do tênis mundial, lugar que ocupou por apenas duas temporadas nos últimos 13 anos.

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O triunfo sobre o Equador veio com um pequeno susto logo na abertura do confronto. Rogerinho, 90º do mundo, jamais se mostrou confortável no piso duro do Minas Tênis Clube e foi derrotado por Emilio Gómez, 24 anos e número 317 do mundo: 4/6, 7/5, 6/0 e 6/4.

Ainda assim, precisaria que muita coisa desse errado para que o Brasil perdesse para o modesto time visitantes. E, mesmo com um sobressalto aqui e outro ali, a equipe da casa venceu os três pontos seguintes. Thomaz Bellucci, que não foi espetacular nem na sexta nem no domingo, primeiro bateu Roberto Quiroz, 27 anos e número 396 do ranking, por 7/5, 7/6(3), 3/6 e 6/3. Depois, fechou o confronto no domingo ao superar Gómez por 7/6(11), 6/7(6), 6/2 e 7/5.

No sábado, vale lembrar, Bruno Soares e Marcelo Melo até perderam o primeiro set, mas confirmaram o favoritismo sem drama: 6/7(4), 6/3, 6/3 e 6/2. Foi, aparentemente, o dia mais divertido, com os mineiros jogando diante de sua torcida e comemorando junto com eles também.

Daqueles momentos que marcam, lindíssima a festa dos mineiros com os amigos e família. #DavisCup

A video posted by Aliny Calejon (@alcalejon) on

Um par de perguntas

Oficialmente, o discurso da CBT e dos tenistas nas coletivas pré-confronto foi de que o duelo em quadra dura ajudaria na preparação para os Jogos Olímpicos. Não tenho, contudo, resposta para as seguintes perguntas:

– Se a intenção é preparar para as Olimpíadas, por que Bellucci e Rogerinho jogarão torneios no saibro na próxima semana? Havia a opção de jogar em Washington, um ATP 500 em quadra dura. Ambos entrariam direto na chave principal. Todo mundo sabe do ótimo histórico de Bellucci em Gstaad e é perfeitamente compreensível sua escolha por voltar ao torneio suíço. O problema é que o discurso de preparação para os Jogos, assim, mostra-se inconsistente.

– O torneio olímpico será no Rio de Janeiro, a nível do mar e em quadras outdoor. O duelo em Belo Horizonte é disputado em quadra coberta a mais de 800 metros acima do nível do mar. De que maneira um confronto assim teria sido a melhor preparação possível? Para piorar, o capitão João Zwetsch, para defender o emprego, se prestou ao papel de dizer que a quadra estava lenta, dando “uma boa equilibrada, bem próximo ao que vamos encontrar no Rio de Janeiro”, no Parque Olímpico (frase retirada de comunicado enviado pela CBT).

Ficou mais feio ainda porque Rogerinho deixou a quadra derrotado no primeiro dia, dizendo que “as condições estão muito rápidas, e isso o favoreceu um pouco, também, porque são as condições em que ele mais gosta de jogar.”

No fim das contas, a escolha da sede, se valeu para algo, ajudou os mineiros. Eles, sim, vão às quadras duras de Washington, onde jogarão juntos (deixando de lado Jamie Murray e Ivan Dodig, os parceiros habituais) em uma preparação de fato para os Jogos Olímpicos. É bom ver que a principal esperança de medalha do Brasil no tênis vem levando a coisa a sério.

O recado

A melhor declaração do fim de semana foi (de quem mais?) de Bruno Soares, que falou sobre as desistências de tenistas que citam a ameaça do vírus zika como justificativa para não disputarem os Jogos Olímpicos Rio 2016 (evento que, coincidência ou não, não dá pontos no ranking nem prêmio em dinheiro aos participantes. Bruno elogiou a postura de Dominic Thiem, que foi honesto quanto à sua decisão de não disputar os Jogos, mas ressaltou que “a turma está se abraçando numa desculpa fraca pra não vir, inconsistente.” Leia a íntegra aqui.

Aviso

Entro de férias (de mim mesmo, na verdade) nesta segunda-feira, portanto o blog não terá as atualizações costumeiras. Até os Jogos Olímpicos – e possivelmente inclusive durante os Jogos – não pintarão muitos textos por aqui (eu poderia até escrever mais, mas não vou por causa do zika – rs). Até daqui a pouco.


Quadra 18: S02E10
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Alexandre Cossenza

Serena Williams conquistou seu 22º título em um torneio do Grand Slam; Andy Murray voltou a triunfar em Wimbledon; Djokovic e Muguruza ficaram pelo caminho; Federer e Kerber ficaram no quase; e o que Lleyton Hewitt foi fazer em Londres? Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos mais um bem humorado podcast Quadra 18, resumindo os feitos, as decepções, as confusões e tudo mais que rolou nas duas semanas do Slam da grama.

Também falamos, claro, de Brasil x Equador, confronto deste fim de semana em Belo Horizonte, e demos uma pincelada no cenário que se desenha para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir, baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila apresenta os temas
1’40” – O título de Andy Murray
2’35” – Como o jogo de Murray se encaixa na grama
4’15” – Como “casa” bem para Murray o duelo com o Raonic
6’39” – A primeira final de Slam sem enfrentar Federer ou Djokovic
8’18” – Murray será número 1 do mundo?
10’15” – Raonic vai ganhar um Slam um dia?
12’44” – A consultoria de John McEnroe com Raonic e o conflito de interesse
14’45” – Como avaliar a campanha de Federer? Melhor ou pior do que o esperado?
17’32” – Foi a última grande chance de Federer ganhar um Slam?
21’05” – Djokovic e a derrota para Sam Querrey
25’00” – A especulação sobre a não vinda de Djokovic aos Jogos Olímpicos
26’20” – Djokovic, Murray e o confronto de Copa Davis
27’45” – A campanha de Juan Martín del Potro
29’00” – Wawrinka, a decepção
30’20” – A história louca de Marcus Willis
30’40” – Marin Cilic e outros destaques do torneio
34’10” – Right Action (Franz Ferdinand)
34’35” – Serena Williams, heptacampeã em Wimbledon
35’50” – A importância do 22º Slam no currículo da número 1
38’35” – A ótima campanha de Angelique Kerber e a análise da final
41’35” – A eliminação/decepção de Garbiñe Muguruza
42’42” – De onde surgiu Elena vesnina, semifinalista?
43’40” – Strycova, Pliskova e Keys, abaixo do esperado
45’00” – Os enormes atrasos pela chuva e o teto retrátil
49’35” – Será que vai chover durante as Olimpíadas?
52’20” – Side (Travis)
53’10” – O efeito melhor-de-três na chave de duplas
55’20” – As duas duplas francesas na final
57’26” – Como avaliar as campanhas dos brasileiros?
60’25” – Lleyton Hewitt ainda volta a jogar?
63’45” – Brasil x Equador na Copa Davis: o que esperar?
65’30” – O estranho calendário de Bellucci com seguidas mudanças de piso
66’08” – A não convocação de Thiago Monteiro

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Right Action (Franz Ferdinand), Side (Travis) e Bang Your Drum (Dead Man Fall).


Wimbledon, dia 3: o conto de fadas à prova de chuva
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Alexandre Cossenza

Com tanta chuva ao longo do dia e nenhum resultado surpreendente, nada mais justo do que ter toda a atenção voltada para o duelo entre Roger Federer e Marcus Willis na Quadra Central de Wimbledon. Do lado de fora, para os “mortais” sem teto retrátil, houve muita espera e pouco tênis. Resta à organização montar o quebra-cabeça com um monte de jogos inacabados.

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O jogo mais esperado

O heptacampeão contra o número 772 do mundo, novo queridinho britânico e que até não muito tempo atrás tomava refrigerante e comia barras de Snickers durante as partidas. O simpaticão Marcus Willis conquistou os corações do mundo todo e curtiu cada segundo de seu duelo com Roger Federer na Quadra Central. Primeiro, quando entrou em quadra (vestindo uma camisa da linha RF!)…

Depois, quando venceu seu primeiro game…

E, por último, após ser eliminado por 6/0, 6/3 e 6/4, recebendo esse último aplauso, com a Quadra Central de pé para saudá-lo.

Moral da história

Marcus Willis, consciente do “conto de fadas” que estava vivendo, curtiu cada segundo que passou na Quadra Central e fez uma apresentação bastante digna. Venceu sete games contra um Roger Federer que, se não esteve em seu nível máximo, não deu tanta coisa de graça assim.

É difícil para quem vive o circuito dia-sim-dia-também, às vezes lidando com lesões, às vezes sofrendo séries de derrotas, não perder de vista essa noção de que é preciso apreciar as quadras arenas, o público e tudo que envolve estar em eventos desse porte – além do prazer de competir. Tudo flui melhor quando um atleta aprende a conviver em harmonia com isso tudo.

E o tênis?

Para Federer, talvez tivesse sido melhor enfrentar um rival que lhe exigisse mais. É sempre bom lembrar que o suíço chegou a Wimbledon precisando afiar e calibrar seu jogo. Um eventual duelo com Alexander Dolgopolov pode ser perigoso se o ex-número 1 do mundo não entrar bastante concentrado no que precisa fazer. De qualquer modo, seria ótimo para Federer ser mais testado antes das oitavas.

A chuva

O mau tempo durou pela maior parte do dia em Wimbledon, e o torneio nem chegou perto de completar o que havia programado para esta quarta-feira.

Quem estava na Quadra Central, como Djokovic e Radwanska, se deu bem. O resto do pessoal teve de lidar com a espera e as seguidas mudanças no horário previsto para o recomeço das partidas. Muita gente ainda nem tinha terminado seu jogo de estreia quando sérvio e polonesa já haviam avançado para a terceira rodada.

Na Quadra Central

Quem abriu a programação foi Agnieszka Radwanska (#3), que não encontrou grandes problemas para fazer 6/2 e 6/1 em cima da ucraniana Kateryna Kozlova (#97) e avançar à terceira rodada. Em seguida, Novak Djokovic (#1) avançou sem drama contra o francês Adrian Mannarino (#55): 6/4, 6/3 e 7/6(5).

Tudo foi tão rápido na Central que depois de Federer x Willis, a organização encaixou Belinda Bencic x Tsvetana Pironkova. E a suíça fez 6/2 e 6/3 tão rápido que mais uma partida foi jogada lá. Eugenie Bouchard x Magdalena Rybarikova, que já havia começado em uma das quadras externas. A canadense completou seu triunfo por 6/3 e 6/4 e também avançou.

Correndo por fora, nas quadras de fora

Ainda valendo pela primeira rodada, Bernard Tomic (#19) finalmente fechou o jogo de cinco sets contra Fernando Verdasco (#53) por 4/6, 6/3, 6/3, 3/6 e 6/4; Tomas Berdych (#9) completou o triunfo sobre Ivan Dodig (#74) por 7/6(5), 5/7, 6/1 e 7/6(2); e Dominic Thiem (#8), pouco antes de voltar a chover, deu por encerrado o jogo contra Florian Mayer (#80), fazendo 7/5, 6/4 e 6/4.

Entre as mulheres, Petra Kvitova (#10) nem precisou de muito tempo para eliminar Sorana Cirstea (#85): 6/0 e 6/4 em menos de uma hora de duelo.

Alguns jogos interessantes de primeira rodada que ainda não terminaram são Isner x Baghdatis e Bacsinszky x Kumkhum. Este último, aliás, nem começou, assim como Makarova x Larsson, Mladenovic x Sasnovich e Niculescu x Krunic. No total (vide tweet acima), 28 tenistas ainda estão disputando ou por disputar a primeira rodada.

O brasileiro

O adversário de Novak Djokovic na terceira rodada ainda é desconhecido… Thomaz Bellucci ganhou uma noite para tentar encontrar uma maneira de virar o jogo contra Sam Querrey. Nesta quarta, depois de um primeiro set equilibrado até o nono game, o americano conseguiu a quebra para fechar a parcial e já abriu o segundo set com 3/0 e boa vantagem. Quando a partida foi interrompida, o placar mostrava 6/4 e 5/2 para Querrey, com Bellucci no saque.

O café da Judy Murray

Quando dizem que em Wimbledon é possível tomar o cappuccino da Judy Murray, não estão falando do sabor preferido da mãe de Andy e Jamie. É um cappuccino com a imagem da mãe mais famosa do tênis. Impressionante.

Antes da estreia

Parece seguro afirmar que o cappuccino da Tia Judy sai da máquina melhor que o que seu filho e Bruno Soares andaram preparando…

Os melhores lances

Por tudo envolvido no conto de fadas, Marcus Willis leva o “ponto do dia” aqui no Saque e Voleio. Justo, não?


RG, dia 5: Nadal passeia, Djokovic faz força, e Serena derruba Teliana
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Alexandre Cossenza

O quinto dia de Roland Garros foi mais uma jornada boa para os favoritos. Rafael Nadal atropelou o argentino Facundo Bagnis e, pouco depois, Novak Djokovic passou em três sets, mas cometendo 42 erros não forçados. Serena Williams também triunfou, fazendo como vítima a brasileira Teliana Pereira. O resumo do dia traz análises dos três nomes principais e lembra as cabeças que rolaram, o susto de Tsonga, o barraco envolvendo Alizé Cornet e informações sobre como a ITF mudará sua postura em casos de doping. De bônus, mais um vídeo de Guga e um imperdível guia de pronúncia.

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O jogo mais esperado

A tarefa era difícil. Encarar Serena Williams (#1), atual campeã de Roland Garros e dona de 749 títulos (ou algo assim) na carreira , na quadra Suzanne Lenglen, a segunda maior do complexo francês. Teliana Pereira (#81) começou a partida nada bem, perdendo dois saques seguidos, errando bolas que não costuma errar e vendo Serena ser… Serena.

Aos poucos, porém, a brasileira foi se sentindo mais à vontade e conseguindo entrar em alguns ralis. Comandar os pontos era quase impossível, mas Teliana tentou uma curtinha aqui e outra ali, arriscou paralelas e fez o que podia fazer. No fim, a número 1 do mundo venceu por 6/2 e 6/1, em 1h06min, um placar que reflete a diferença de nível entre as duas tenistas.

A página de estatísticas registra 31 winners de Serena contra seis de Teliana, que cometeu 15 erros não forçados contra 17 da americana. Mais uma vez, o frágil saque da brasileira pesou. Diante da melhor devolução do mundo, Teliana venceu menos da metade dos pontos com seu serviço. Foram 21/45 com o primeiro saque e 6/17 com o segundo.

Serena avança à terceira rodada para enfrentar a francesa Kristina Mladenovic (#30), que passou pela húngara Timea Babos (#45) por 6/4 e 6/3.

Os outros favoritos

Rafael Nadal (#5) teve dois games ruins, que foram os dois primeiros do jogo contra Facundo Bagnis (#99). Depois disso, venceu 18 games, perdeu quatro e foi muito, muito sólido, sem deixar a agressividade de lado. Não que o adversário tenha dado trabalho, mas dá para notar que o espanhol vem evoluindo a cada dia. Nesta quinta, foram apenas 18 erros não forçados em três sets. Considerando que seis dessas falhas vieram nos dois games iniciais, dá para ter uma ideia de sua consistência durante a maior parte do encontro.

Depois de sua 200ª vitória em Slams, Nadal enfrentará o compatriota Marcel Granollers (#56), que chega aonde Fabio Fognini deveria estar agora. O italiano, no entanto, tombou na estreia diante do próprio Granollers, que avançou nesta quinta após a desistência do francês Nicolas Mahut (#44), que deixou a quadra quando perdia por 6/3, 6/2 e 1/0.

Enquanto Nadal saía da Chatrier, Novak Djokovic (#1) entrava na Suzanne Lenglen, a segunda maior quadra do complexo de Roland Garros. Seu jogo contra o belga Steve Darcis (#161) até teve emoção, mas muito mais pelos erros do sérvio do que por uma partida espetacular do belga. É bem verdade que Darcis fez uma apresentação bastante digna e tentou todos os golpes de seu pacote, mas foram os 42 erros não forçados do número 1 que mantiveram o jogo relativamente parelho.

Djokovic, porém, foi superior sempre que a necessidade se apresentou e só precisou de três sets para avançar: 7/5, 6/3 e 6/4. O sérvio, em busca de seu primeiro título em Roland Garros, enfrenta a seguir o britânico Aljaz Bedene (#66), que venceu um jogo de cinco sets contra o espanhol Pablo Carreño Busta: 7/6(4), 6/3, 4/6, 5/7 e 6/2.

Os brasileiros nas duplas

Primeiro a entrar em quadra, Bruno Soares venceu sem problemas. Ele e Jamie Muray passaram por Evgeny Donskoy e Andrey Kuznetsov por duplo 6/3. Pouco depois, Marcelo Melo e Ivan Dodig também avançaram rápido. Os atuais campeões de Roland Garros fizeram 6/0 e 6/3 em cima de Robin Haase e Viktor Troicki.

Thomaz Bellucci também esteve em quadra pela chave de duplas e já se despediu. Ele e Martin Klizan foram superados por Vasek Pospisil e Jack Sock por 6/1 e 7/5.

O barraco

A confusão da quinta-feira veio no fim do dia, no duríssimo jogo entre Alizé Cornet (#50) e Tatjana Maria (#111). A tenista da casa, com um público barulhento a favor, venceu por 6/3, 6/7(5) e 6/4, mas a alemã não ficou nada feliz com a postura de Cornet. Na hora do cumprimento junto à rede, Maria apontou o dedo como quem dizia não acreditar nas dores que Cornet dizia vir sentindo.

Depois de sair da quadra, Maria declarou, segundo o jornalista Ben Rothenberh, que Cornet não agiu como fair play. A alemã disse que a francesa tinha cãibras e pediu atendimento médico na perna esquerda por causa disso. Vale lembrar que o regulamento não permite tratamento para cãibras, mas o fisioterapeuta deve entrar em quadra e atender o atleta que diz sentir dores.

Correndo por fora

Semifinalista no ano passado, Timea Bacsinszky (#9) abriu a programação da Chatrier nesta quinta com um jogo um tanto estranho diante de Eugenie Bouchard (#47), semifinalista em 2014. Primeiro, a canadense abriu 4/1. Depois, a suíça venceu dez games seguidos, abrindo 6/4 e 5/0. O triunfo parecia encaminhado, mas Bouchard venceu quatro games e teve dois break points para empatar o segundo set. Bacsinszky, porém, se salvou a tempo e fechou o jogo: 6/4 e 6/4.

A suíça será favorita pelo menos até a próxima rodada quando enfrentará Pauline Parmentier (#88) ou Irina Falconi (#63). O duelo mais esperado nessa seção da chave será nas oitavas, contra Venus Williams (#11), que passou pela compatriota Louisa Chirico (#78) nesta quinta. Para chegar até Bacsinszky, contudo, a ex-número 1 ainda precisará passar por Alizé Cornet (#50).

Outras vitórias de nomes que correm por fora em Roland Garros incluem Ana Ivanovic (#16), que passou pela japonesa Kurumi Nara (#91) por 7/5 e 6/1; Carla Suárez Navarro (#14), que bateu a chinesa Qiang Wang (#74) por 6/1 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que derrotou por Ana Konjuh (#76) por 6/4, 3/6 e 6/0; Venus Williams (#11), que eliminou Louisa Chirico (#78) por 6/2 e 6/1; e Madison Keys (#17), que superou por Mariana Duque Mariño (#75) por 6/3 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) precisou de quatro sets para superar o tunisiano Malek Jaziri (#72) com 6/1, 2/6, 6/2 e 6/4 e marcar um interessante duelo com Pablo Cuevas (#27), que passou pelo francês Quentin Halys (#154) por apertados 7/6(4), 6/3 e 7/6(6). Tcheco e uruguaio só se enfrentam antes, com vitória de Cuevas. No saibro, piso preferido do sul-americano, o resultado será igual? Parece uma ótima chance para Cuevas alcançar as oitavas de Roland Garros pela primeira vez na carreira.

Dominic Thiem (#15) também manteve o embalo e conquistou sua sexta vitória seguida, já que vem do título do ATP 250 de Nice. Nesta quinta, a vítima foi o espanhol Guillermo García López (#51), que ofereceu alguma resistência, mas sucumbiu em todos momentos importantes e caiu por 7/5, 6/4 e 7/6(3). Será a primeira vez de Thiem na terceira rodada em Paris, e seu oponente será Alexander Zverev (#41), o mesmo da final de Nice. É, sem dúvida, um dos duelos mais interessantes da terceira rodada.

David Goffin (#13) também marcou um duelo quentíssimo com Nicolás Almagro (#49) para a terceira rodada. Enquanto o belga passou por Carlos Berlocq (#126) por 7/5, 6/1 e 6/4, o espanhol bateu o tcheco Jiri Vesely (#60), aquele que tirou Djokovic de Monte Carlo, por 6/4, 6/4 e 6/3. Almagro, vale lembrar, vem em um momento interessante. Um ano atrás, brigava para estar entre os 150 do mundo. Hoje, depois do título em Estoril, já está no top 50 e jogando um nível de tênis de deixar qualquer cabeça de chave preocupado nas rodadas iniciais de um Slam.

Por último, David Ferrer (#11) bateu Juan Mónaco (#92) depois de perder o primeiro set: 6/7(4), 6/3, 6/4 e 6/2. Ele completou a parte de cima da chave, formando um interessante duelo espanhol com Feliciano López (#23), que vem de vitória sobre o dominicano Victor Estrella Burgos (#87): 6/3, 7/6(8) e 6/3.

Os favoritos nas mistas

Fortes candidatos ao título de duplas mistas , Leander Paes e Martina Hingis venceram sua estreia, fazendo 6/4 e 6/4 sobre Anna Lena Groenefeld e Robert Farah. Mais importante que o resultado, entretanto, é a imagem abaixo, registrando o sorriso mais carismático da antiga Calcutá. Apreciem:

Bruno Soares e Elena Vesnina, campeões do Australian Open e cabeças de chave número 5 em Roland Garros, também estrearam com vitória e derrotaram Abigail Spears e Juan Sebastián Cabal por 6/4 e 6/2. Brasileiro e russa podem enfrentar Hingis e Paes nas quartas de final. Antes, suíça e indiano precisam passar por Yaroslava Shvedova e Florin Mergea, cabeças 4 do torneio.

O susto

Entre os principais cabeças de chave, o único que passou aperto foi Jo-Wilfried Tsonga (#7), que viu Marcos Baghdatis (#39) abrir 2 sets a 0. O tenista da casa, que perdeu um set point na primeira parcial e teve uma quebra de vantagem no segundo set, se recuperou a tempo de evitar a zebra. A partir do terceiro set, esteve sempre à frente do placar e, no fim, triunfou por 6/7(6), 3/6, 6/3, 6/2 e 6/2.

Foi a primeira vez na carreira, depois de 55 jogos, que Baghdatis perdeu uma partida após abrir 2 sets a 0. Não que fosse uma catástrofe uma derrota de Tsonga a essa altura. Fora derrotar Roger Federer (fora de forma) em Monte Carlo, o francês pouco fez para chegar como grande credenciado a brigar pelo título. O próximo jogo, contra um aparentemente motivado Ernests Gulbis (#80), que vem de uma importante vitória sobre João Sousa (#29), promete ser interessante.

As cabeças que rolaram

Além da já mencionada queda de João Sousa, um resultado interessante do dia foi a vitória de Borna Coric (#47) sobre Bernard Tomic (#22) em quatro sets: 3/6, 6/2, 7/6(4) e 7/6(6). O croata repete sua melhor campanha em um Slam (também foi à terceira fase em Paris no ano passado) e terá uma chance interessante de ir às oitavas pela primeira vez. Seu próximo oponente será Roberto Bautista Agut (#16), que passou pelo francês imortal Paul-Henri Mathieu (#65) por 7/6(5), 6/4 e 6/1. Coric venceu o último jogo entre eles (Chennai/2016), mas o espanhol venceu os dois duelos anteriores no saibro.

Na chave feminina, Andrea Petkovic (#31) deu adeus ao cair diante da cazaque Yulia Putintseva (#60): 6/2 e 6/2, em pouco mais de 1h30min. O jogo foi mais duro do que o placar indica e teve vários games apertados, com muitas igualdades. Putintseva levou a melhor na maioria deles e agora chega à terceira fase de um Slam pela segunda vez na carreira. Ela enfrenta na sequência a italiana Karin Knapp (#118), que aproveitou o embalo com a vitória sobre Victoria Azarenka e derrotou, nesta quinta, a letã Anastasija Sevastova (#87): 6/3 e 6/4.

Leitura recomendada

A Federação Internacional de Tênis (ITF) mudará seu procedimento em relação a resultados positivos em exames antidoping. Segundo David Haggerty, presidente da entidade, disse que os anúncios passarão a ser imediatos. Hoje, a ITF tem por hábito revelar os resultados apenas depois de uma audiência com o atleta. O procedimento atual é cauteloso – tem como objetivo poupar os jogadores -, mas cria mistério quando alguém fica sem jogar por algum período, sem motivo aparente. Foi o que aconteceu recentemente com o brasileiro Marcelo Demoliner.

Haggerty fala que a mudança é em nome da transparência. Leia mais nesta reportagem do Telegraph (em inglês).

Audição recomendada

O Forvo, site que consulto há alguns anos para conferir pronúncias de tenistas, preparou uma página especial para Roland Garros. Ela tem a pronúncia na língua nativa dos nomes de muitos atletas e até da terminologia do tênis em francês. Veja o link no tweet abaixo.

Fanfarronices publicitárias

A campanha da Peugeot com Guga teve seu mais recente episódio com Jo-Wilfried Tsonga. Assim como Bellucci, o francês também experimentou a peruca.