Saque e Voleio

Arquivo : azarenka

RG, dia 3: Kerber cai, Vika se lesiona e Nadal faz lance espetacular
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Como a chuva atrapalhou a segunda-feira, sobrou muita gente para jogar nesta terça. A começar por Andy Murray, que precisava terminar sua partida dramática contra Radek Stepanek. O dia também teve Rafael Nadal, Novak Djokovic, Serena Williams, Angelique Kerber, Victoria Azarenka… Enfim, rolou muita coisa, inclusive um par de zebras grandes, um barraco entre Nicolás Almagro e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes, vários modelitos originais e um lance espetacular de Rafa Nadal.

Nadal_RG16_1r_get_blog

Os favoritos

Andy Murray (#2) completou sua escalada rumo à superfície, mas não sem drama. Depois de fechar o quarto set, o britânico teve chances nos três primeiros games de serviço de Stepanek (#128) na parcial decisiva, mas não conseguiu quebrar. O tcheco, então, esteve a dois pontos da vitória, com Murray sacando em 30/30 e “iguais”. O triunfo do escocês só veio com quatro pontos de graça do adversário no 11º game. E nem assim o drama acabou. Murray ainda cometeu uma dupla falta sacando em 40/30 (match point) antes de fechar a partida em um voleio errado do tcheco. O placar final mostrou 3/6, 3/6, 6/0, 6/3 e 7/5.

Murray, que agora tem no currículo nove vitórias após estar perdendo por 2 sets a 0, precisará voltar para um terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira, quando vai enfrentar o wild card francês Mathias Bourgue (#164), que avançou após bater o qualifier espanhol Jordi Samper-Montana (#216) em três sets.

Enquanto Murray sofria em um set e meio, Rafael Nadal entrou e saiu rapidinho de quadra. Fez 6/1, 6/1 e 6/1 sobre Sam Groth (#100), com direito a um winner de Gran Willy – o ponto do torneio até agora (veja mais abaixo no post). Foi uma estreia maiúscula, ainda que o australiano não tenha oferecido tanta resistência assim.

Em seguida, Novak Djokovic começou mais uma campanha parisiense sem drama. Fez 6/4, 6/1 e 6/1 sobre Yen-Hsun Lu (#95) e avançou para enfrentar o qualifier belga Steve Darcis. O triunfo desta terça foi o 49º do número 1 do mundo em Roland Garros. Curiosamente, é o mesmo número de vitórias que Bjorn Borg, hexacampeão do torneio.

Serena Williams esteve em quadra por apenas 42 minutos. Foi o tempo necessário para despachar Magdalena Rybarikova (#77) por 6/2 e 6/0. A eslovaca vem sofrendo com lesões e entrou em quadra com uma proteção no tornozelo direito, outra no punho esquerdo e uma faixa abaixo do joelho direito. A número 1 do mundo agora vai enfrentar…

Os brasileiros

…Teliana Pereira, que voltou a vencer. A número 1 do Brasil e 81 do mundo passou pela tcheca Kristyna Pliskova (#109) em três sets, com direito a parcial decisiva longa e nervosa: 7/5, 3/6 e 9/7. Foi apenas a quarta vitória da pernambucana em 2016 (já são 13 derrotas desde janeiro), mas valeu a manutenção dos pontos do ano passado, quando Teliana também avançou à segunda rodada para enfrentar uma top 10.

O outro brasileiro a entrar em quadra nesta terça-feira foi André Sá. Ele e Chris Guccione perderam o primeiro set por 6/4, mas venceram a segunda parcial contra os colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah por 7/6(5). A partida foi interrompida por falta de luz natural.

As cabeças que rolaram

A primeira zebra veio logo no primeiro jogo do dia na Philippe Chatrier. Angelique Kerber (#3), cabeça 3 em Paris, com uma atuação nada inspirada, tombou logo na estreia diante da holandesa Kiki Bertens: 6/2, 3/6 e 6/3. Atual número 58, Bertens fez um jogo bem a seu estilo. Agressivo e comandando os pontos. Seu maior mérito talvez tenha sido manter a postura no terceiro set, em dois momentos importantes. Primeiro, depois de abrir 3/0 e ver Kerber receber um longo atendimento médico. Depois, mais tarde, quando sacou em 5/3 e 40/15 e perder dois match points. O primeiro, com uma bela passada da alemã, que conquistou até um break point no game. Bertens se salvou, conquistou outra chance para fechar o jogo e, aí sim, completou a zebra.

Bertens, vale lembrar, vem numa sequência de oito vitórias. Na semana passada, no WTA de Nuremberg, furou o qualifying e conquistou o título, pulando da 89ª posição no ranking para o atual 58º posto. Agora, depois de bater a número 1 alemã, tem a chave “aberta” para ir mais longe.

Sem Kerber, a parte de cima da chave perde o nome favorito para enfrentar Serena na semi. Agora, a maior cabeça ali é a suíça Timea Bacsinzky (#9), que derrotou a lucky loser espanhola Silvia Soler Espinosa por 6/3 e 6/1 e enfrentará Eugenie Bouchard (#47) na segunda rodada.

A segunda queda de peso do dia veio mais tarde, com Victoria Azarenka, número 5 do mundo. A bielorrussa, aparentemente, entrou em quadra para enfrentar a italiana Karin Knapp (#118) já com algum incômodo no joelho. O problema se agravou na metade do segundo set, quando Vika parou no meio de um ponto e pediu atendimento médico.

Voltou para o jogo se movimentando melhor, mas sentiu dores outra vez. Knapp sacou duas vezes para a vitória, mas foi quebrada e acabou derrotada também no tie-break, depois de perder um match point, mas com Azarenka correndo normalmente em quadra. No terceiro set, contudo, a dor voltou, e Vika teve de limpar lágrimas em um momento. A bielorrussa acabou optando por abandonar a partida quando perdia por 6/3, 6/7(6) e 4/0.

É mais um caso de lesão em uma carreira cheia delas. Em toda carreira, são mais de 30 jogos perdidos por abandono ou WO. Levando em conta os torneios em que Azarenka disputou a chave principal, a porcentagem de reveses em casos assim é extremamente alta (vide tweet abaixo).

Os cabeças que rolaram

Entre os homens, a eliminação mais relevante do dia foi a de Fabio Fognini (#33), cabeça 32 do torneio e possível adversário de Rafael Nadal na terceira rodada. O italiano foi eliminado rapidamente, em três sets, pelo espanhol Marcel Granollers (#56): 7/5, 6/4 e 6/3. Fognini vinha de três derrotas consecutivas (Madri, Roma e Nice), mas era visto como o maior perigo para Nadal na primeira semana. O eneacampeão de Roland Garros agora tem Bagnis pela frente na segunda rodada e Granollers ou Mahut na sequência.

Outro cabeça eliminado foi Kevin Anderson (#20), superado pelo francês Stéphane Robert (#90) por 6/4, 6/2, 1/6 e 7/5. O resultado, em tese, abre caminho para Alexander Zverev, que passa a ser um ótimo nome para encarar Dominic Thiem na terceira rodada. Alemão e austríaco se enfrentaram no sábado, na final do ATP 250 de Nice, com vitória de Thiem em três sets. Zverev, entretanto, ainda precisa vencer a estreia, interrompida por falta de luz natural. Ele vencia o francês Pierre-Hugues Herbert por 5/7, 7/2 e 7/6(6).

Correndo por fora

Na chave feminina, o dia teve vitórias de: Sam Stosur (#24), que bateu a japonesa Misaki Doi (#42) por 6/2, 4/6 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que fez 6/3 e 6/1 sobre Saisai Zheng (#85); Carla Suárez Navarro (#14) em cima de Katerina Siniakova (#104) por 6/2, 4/6 e 6/2; Madison Keys (#17), que eliminou Donna Vekic (#96) por 6/3 e 6/2; Venus Williams (#11), que venceu dois tie-breaks – 7/6(5) e 7/6(4) contra Annet Kontaveit (#82); e Ana Ivanovic (#16), que perdeu um set para a convidada francesa Océane Dodin (#148), mas avançou por 6/0, 5/7 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) teve pouco trabalho diante de Vasek Pospisil (#46) e aplicou 6/3, 6/2 e 6/1. Outro postulantes à categoria de azarão do evento que triunfou nesta terça foi o austríaco rei dos ATPs 250, Dominic Thiem (#15), que passou aperto contra o espanhol Iñigo Cervantes (#69), mas se beneficiou de um problema físico do adversário e fez 3/6, 6/2, 7/5 e 6/1. Cervantes chegou a sacar em 5/4 para abrir 2 sets a 1, mas não aguentou o tranco.

Outro trio de nomes respeitáveis, mas que correm por fora, avançou sem problemas: David Ferrer (#11) fez 6/1, 6/2 e 6/0 sobre Evgeny Donskoy (#75), Jo-Wilfried Tsonga (#7) bateu o qualifier alemão Jan-Lennard Struff (#101) por 6/3, 6/4 e 6/4, e David Goffin (#13) superou o wild card francês Gregoire Barrere (#242) por 6/3, 6/3 e 6/4.

O melhor lance

De Rafael Nadal, contra Sam Groth. Winner de gran willy. O ponto do torneio.

Leitura recomendada

A chuva dos dois primeiros dias em Paris requentou o eterno assunto da expansão do complexo de Roland Garros (o menor dos quatro Slams) e da construção de um teto retrátil sobre a Quadra Philippe Chatrier. O diretor do torneio, Guy Forget, culpa a burocracia francesa, mas o assunto não é tão simples assim. Este texto do New York Times (em inglês) explica os porquês do processo demorado.

O melhor tweet

De Andre Agassi, campeão de Roland Garros em 1999, endereçado a Rafael Nadal. O americano diz que levou a maior parte da carreira tentando completar a “tarefa hercúlea” de vencer o Slam francês e afirma que ver o espanhol tentar a façanha pela décima vez em Paris não é apenas memorável, como inspirador. “Você me faz acreditar que na vida tudo é alcançável e nada é impossível!”

O barraco

Nicolás Almagro foi mais um a entrar em um debate acalorado com o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. Não consegui vídeo da confusão inteira, mas os relatos na internet são de que a conversa durou sete minutos e teria sido causada porque Bernardes deu uma advertência após ouvir um palavrão de Almagro. O tenista questionou os critérios para aplicação da advertência, alegando que Andy Murray, por exemplo, fala palavrões o tempo inteiro e nunca é punido.

Foco fashion

Aparentemente, o assunto do torneio é a linha da adidas, que colocou seus jogadores vestidos de zebra em Roland Garros. Importante notar que o conceito de zebra como resultado inesperado é exclusivamente brasileiro, então para a fabricante alemã trata-se meramente de uma questão fashion mesmo.

Mas não foram só as “zebras” da adidas que chamaram atenção. Que tal esse modelito bem incomum da francesa Alizé Lim?

Fora de quadra, ou melhor, dentro, mas só para as entrevistas, Marion Bartoli também mostrou um visual nada convencional.

Fanfarronices publicitárias

O vídeo do dia é de Thomaz Bellucci pegando carona com Guga em Paris. O paulista até experimentou uma peruca dentro do carro! Faz parte das ações da Peugeot, patrocinadora do torneio.


Semana 19: Andy, Serena e as cartas embaralhadas antes de Roland Garros
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Murray_Roma_trophy_atp_blog

O aniversariante Andy Murray foi campeão em um grandíssimo Masters 1.000 de Roma, Serena Williams voltou a levantar um troféu e brasileiros como Thomaz Bellucci, Teliana Pereira e Rogerinho viveram bons momentos na última semana.

Este resumaço dos últimos dias no circuito inclui Serena Williams experimentando comida para cachorro, a linda homenagem a Flavia Pennetta, (mais) um anúncio de Juan Martín del Potro, uma discussão entre Stan Wawrinka e Carlos Bernardes, a chave do qualifying masculino de Roland Garros e alguns dos lances mais bacanas do período.

O campeão

Aniversariante do dia, vindo de um vice em Madri e com uma chave fraquíssima em Roma, Andy Murray aproveitou a janela que se abriu. O escocês completou 29 anos e comemorou duplamente após derrotar Novak Djokovic por duplo 6/3 na final do torneio italiano.

O resultado quebrou uma sequência de 17 triunfos do número 1 do mundo contra top 10 e deixou tudo meio que embaralhado no circuito masculino antes de Roland Garros. Afinal, em Monte Carlo, Murray perdeu de Nadal, que em Madri perdeu de Djokovic, que perdeu de Murray em Roma. No papel, o favorito segue sendo o sérvio, mas seria irresponsável não admitir que espanhol e britânico estão fortes na briga.

O título pouco afetou porque, na prática, Murray voltou para a vice-liderança do ranking quando Roger Federer foi derrubado por Dominic Thiem. Agora, no entanto, é oficial: o escocês soma 8.435 pontos no ranking e tem boa vantagem sobre o suíço, #3, que acumula 7.015.

Aliás, ainda paira dúvida sobre a participação de Federer no Slam do saibro. Depois de desistir de Madri e não se mostrar totalmente recuperado em Roma, o ex-número 1 pode precisar escolher e decidir que estar em Roland Garros prejudicará sua preparação para Wimbledon. É na grama do All England Club, afinal, que o suíço tem mais chances de voltar a triunfar em um Major.

A campeã

No Premier 5 de Madri, Serena Williams voltou a vencer um torneio. Foi a 70ª vez em sua carreira, mas é bom lembrar que veio em uma chave esburacada. No caminha até o título, a número 1 superou Friedsam, McHale, Kuznetsova, Begu e Keys. Angelique Kerber, cabeça 2, perdeu na estreia para Eugenie Bouchard, que, por sua vez, perdeu para Strycova na rodada seguinte. Não por acaso, foi campeã sem perder nenhum set.

Just won title number 70 today in Rome… 70 never felt better

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Apesar do eterno favoritismo de Serena, o circuito feminino também é uma incógnita. Victoria Azarenka saiu de Roma com dores nas costas, e ninguém mais mostrou consistência suficiente para se colocar acima do pelotão-pós-Serena. Do grupo que tem Kerber, Halep, Muguruza, Kvitova, Radwanska e Pliskova (será que ela merece lugar aqui?), tudo pode acontecer.

A número 1 no banheiro

Serena Williams contou a história via Snapchat. Pediu o cardápio de comidas para seu cachorro, achou a comida com uma cara boa e decidiu provar. No fim das contas, foi parar no banheiro achando que ia desmaiar. A coletânea de “snaps” foi parar no YouTube.

Pelo menos a número 1 do mundo entrou em quadra bem de saúde o suficiente para derrotar a compatriota Christina McHale por 7/6(5) e 6/1.

A briga pelo número 1

A disputa pela liderança do ranking de duplas está quentíssima. Marcelo Melo resiste na frente, mas terá a dura tarefa de defender o título de Roland Garros nas próximas semanas. Logo atrás dele estão Nicolas Mahut, Jamie Murray e Horia Tecau. Quem será que sairá de Paris no topo?

Os brasileiros

O grande nome da semana foi Thomaz Bellucci, que deu sorte na chave e, enfim, aproveitou chances. Primeiro, ao derrotar um Gael Monfils em um dia pavoroso. Depois, batendo Nicolas Mahut, que vinha de aprontar uma zebra sobre Pablo Cuevas. E, por último, em uma bela apresentação contra Novak Djokovic. Bellucci aplicou um pneu no set inicial (o sérvio não sofria um 6/0 desde Cincinnati/2012, diante de Federer) e não venceu porque o número 1, um tanto errático na primeira parcial, se aprumou a tempo. No fim, Djokovic fez 0/6, 6/3 e 6/2.

Teliana Pereira voltou a ganhar uma partida e, mais uma vez, sobre Annika Beck. A alemã foi a vítima de duas das três vitórias da brasileira em 2016. Em seguida, valendo vaga nas oitavas de final, Teliana foi superada em dois sets pela espanhola Carla Suárez Navarro, #11, por 6/1 e 7/5. De positivo, a brasileira leva os pontos e uma bela reação na segunda parcial, na qual chegou a estar atrás por 5/1. Depois de começar a semana no 90º posto, Teliana aparece agora em 81º.

No circuito Challenger, Rogerinho foi campeão em Bordeaux (US$ 100 mil) ao bater o americano Bjorn Fratangelo por 6/3 e 6/1 na final. Os 100 pontos conquistados jogam o paulista para o alto, subindo nove posições no ranking e indo parar no 85º lugar. O post deixa Rogerinho perto da zona de classificação para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Roland Garros será a última chance para somar pontos e se colocar entre os 56 primeiros do ranking olímpico (que respeita o limite de quatro atletas por país e exige participação na Copa Davis). Levando em conta os nomes que já anunciaram que não vão ao Rio de Janeiro, a chance de Rogerinho nem é tão pequena assim…

Thiago Monteiro, André Ghem e Feijão também estavam em Bordeaux. Feijão não passou do quali, Monteiro perdeu nas oitavas e Ghem caiu nas quartas.

No mundo dos ITFs femininos, Paula Gonçalves e BIa Haddad disputaram o torneio de Saint-Gaudens, na França. Bia furou o quali, mas caiu na estreia. Paula foi mais longe e só parou nas semifinais, superada pela grega Maria Sakkari, cabeça de chave 2 do evento. A russa Irina Kromacheva foi campeã.

Por fim, no ITF de La Marsa (US$ 25 mil), Laura Pigossi furou o qualifying sem jogar (era cabeça 1 numa chave de 16 com 15 participantes e oito vagas na chave), e foi eliminada por uma tenista que jogo o quali. A algoz foi a cazaque Galina Voskoboeva, que aplicou 6/1 e 6/4.

A separação

A grande notícia da semana foi a separação de Andy Murray e sua (ex) técnica, Amélie Mauresmo. O anúncio veio logo na segunda-feira, sem dizer de quem tinha sido a decisão. Pouco depois, o Daily Mail publicou as primeiras frases do tenista sobre o assunto. O escocês disse que não estava dando certo porque os dois vinham passando pouco tempo juntos (Mauresmo teve filho recentemente). Leia aqui, em inglês.

A homenagem que faltava

Quando disputou seu último jogo oficial, no fim do ano passado, Flavia Pennetta pegou a raqueteira e deixou a quadra. Sem cerimônia, sem vídeo no telão, sem muito obrigado… Nada. O torneio de Roma não deixou passar e fez a homenagem que a campeã do US Open merecia. A WTA publicou um vídeo com 28 minutos do que aconteceu na terça-feira, na capital italiana.

O mal-entendido

Mais uma polêmica envolvendo um tenista top e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. O juizão aplicou uma advertência no tenista suíço por “obscenidade audível”, mas Stan ficou furioso. Segundo o campeão de Roland Garros, a frase que Bernardes pensou conter um “fuck” foi, na verdade, “why do we practice so much?”. Wawrinka ainda perguntou “você quer ver a câmera e ouvir?” e “como você pode me dar uma advertência por isso?”

Bernardes disse que ouviria a gravação e que, se estivesse errado, pediria desculpas e Wawrinka não seria multado. O suíço, que havia perdido o primeiro set, só perdeu mais dois games depois da discussão e derrotou o francês Benoit Paire por 5/7, 6/2 e 6/1, avançando às oitavas de final.

Sem Roland Garros

Juan Martín del Potro não disputará o Slam do saibro. Em mensagem aos fãs, o argentino disse que “por causa da evolução mostrada nas últimas semanas”, conseguirá pela primeira vez jogar um grupo de torneios em sequência. Por isso, começará logo os treinos na grama. Delpo não confirmou os torneios, mas disse que espera terminar a série juntando-se ao time da Copa Davis.

Soa um tanto estranho quando um tenista diz que houve “evolução” em uma condição física e que vai poder fazer uma sequência de torneios, mas, ao mesmo tempo, acha melhor desistir de um evento tão importante. Resta torcer para que Del Potro esteja falando a verdade e que, no futuro, não precise mais deixar de competir em um Slam.

Lances bacanas

Era só um treino, mas Gael Monfils consegue transformar tênis no concurso de enterradas da NBA…

Na curiosa partida entre David Ferrer e Filippo Volandri, aconteceu este ponto maluco que nem tento descrever. Veja abaixo.

Volandri, que começou a semana como #203 e precisou passar pelo qualifying em Roma, não jogava uma chave principal de nível ATP desde Gstaad/2014. Aos 34 anos, o italiano não vence um jogo neste nível desde Buenos Aires/2014, quando bateu o qualifier Christian Garin. Já são 13 derrotas consecutivas, incluindo o revés diante de Ferrer, #9, por 4/6, 7/5 e 6/1.

As opções eram muitas no jogaço de quartas de final entre Djokovic e Nadal, mas que tal lembrar do ponto que decidiu o primeiro set?

A melhor história

Não é a melhor, mas talvez seja a mais curiosa. A revista americana Sports Illustrated perguntou a tenistas, técnicos, blogueiros e todo tipo de gente envolvida com o tênis se não seria melhor um sistema diferente de pontuação. A publicação sugere uma contagem em que cada set seria até 24 pontos, mais ou menos como em um enorme tie-break. A ideia é se desfazer do sistema de games. Você pode ler a repostagem aqui, em inglês.

A maioria não foi a favor, mas muitos ficaram intrigados com as mudanças que um novo sistema de pontuação provocaria no tênis. É, também o meu caso, embora eu ache os argumentos usados pela Sports Illustrated fraquíssimos.

Os posts da semana

Dois momentos marcantes do Masters 1.000 de Roma foram o pneu aplicado por Bellucci sobre Djokovic e o jogaço entre o número 1 do mundo e Rafael Nadal. Sobre o brasileiro, escrevi sobre o que chamo de sua “luta interna” neste post. Quando à suposta final antecipada (para alguns), escrevi sobre o significado daquele duelo para sérvio e espanhol neste texto aqui.

O qualifying francês

Enquanto alguns tenistas disputam os últimos ATPs antes de Roland Garros, a turma do qualifying entra em quadra já nesta semana. Entre eles estão Feijão, Ghem, Monteiro e Clezar. Veja a chave inteira aqui.

Tênis por WhatsApp

O UOL agora envia notícias de tênis por WhatsApp. Para se cadastrar, adicione à agenda de seu celular o número +55 11 99007-1706 e envie para esse número uma mensagem contendo o texto guga97. Você vai passar a receber, de graça, as notícias. Saiba mais aqui.


Semana 18: Djokovic e Halep vencem, Marcelo volta a #1 e Monteiro sobe mais
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Djokovic_Madri16_trophy_get_blog

O grande evento da semana aconteceu em Madri, com Novak Djokovic voltando à rotina e Simona Halep vencendo um torneio esburacado. Foi lá também que Marcelo Melo garantiu seu retorno ao posto de duplista número 1 do mundo. Na França, contudo, houve outro brasileiro brilhando: Thiago Monteiro conquistou o forte Challenger de Aix-en-Provence, o maior de sua carreira, e deu um belo salto na lista da ATP.

O resumaço da semana fala sobre tudo isso, mas lembra dos abandonos de Federer e Serena, da gaiatice de Bernard Tomic, da cerveja que Halep distribuiu na sala de entrevistas, da Federação Francesa (que vem sendo investigada) e de uma excelente e reveladora entrevista de Rafael Nadal. O post tem também, claro, vídeos de alguns dos lances mais bacanas dos últimos dias. É só rolar a página…

Os campeões

Novak Djokovic mostrou que a inesperada derrota na estreia em Monte Carlo foi mais um tropeção do que qualquer indício de queda em seu espetacular momento. Na capital espanhola, o número 1 do mundo fez um belíssimo torneio do começo ao fim – inclusive na final, diante de um esforço elogiável de Andy Murray. Por 6/2, 3/6 e 6/3, o sérvio venceu seu 29º Masters 1.000 na carreira.

Murray teve seus momentos e, além de interromper a sequência de 13 vitórias de Rafael Nadal na semifinal, foi o único a tirar um set de Nole em todo torneio. O britânico, vale lembrar, tem 15 vitórias e três derrotas no saibro nas últimas 52 semanas (dois reveses para Djokovic, um para Nadal), e Nadal fez uma semifinal bastante digna, ainda que não tenha aproveitado um punhado de break points.

No ranking (pelo menos), a semana foi boa para Roger Federer, que subiu para #2, embora com o mesmo número de pontos de Murray. Nadal continua como #5 e pequenas chances de superar Wawrinka e chegar a Roland Garros como cabeça de chave número 4 – o que evitaria um confronto com Djokovic antes das semis.

E fica o registro: em Madri, Nole levantou seu 64º troféu na carreira, mesmo número de Bjorn Borg e Pete Sampras. Djokovic fica atrás apenas de Connors, Lendl, Federer, McEnroe e Nadal.

A campeã

O WTA Premier Mandatory de Madri é, no papel, um dos eventos mais fortes do calendário feminino. Na prática, este ano, foi vítima de desistências importantes e palco de resultados nada esperados. O lineup das quartas de final diz bastante: Cibulkova x Cirstea, Chirico x Gavrilova, Halep x Begu e Stosur x Tig.

Quem se deu bem com isso foi Simona Halep (#7), que conquistou o título passando por Doi, Knapp, Bacsinzsky, Begu, Stosur e Cibulkova. E, tirando o pneu sofrido nas quartas, a romena passeou. Não perdeu mais nenhum set, fez 6/2 e 6/4 na final e garantiu seu retorno ao top 5. O torneio também foi bom para Cibulkova, que subirá para #26 e praticamente tem garantida uma vaga de cabeça de chave em Roland Garros.

E que tal a imagem de Halep levantando o nada comum troféu espanhol?

O número 1

Nas duplas, Bruno Soares e Jamie Murray perderam na estreia para Henri Kontinen e John Peers: 6/3, 3/6 e 10/3. O resultado abriu o caminho para que Marcelo Melo recuperasse a liderança do ranking. Com Jamie fora, o mineiro e Ivan Dodig passaram a disputar contra Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert. Quando os franceses foram eliminados na semi, o brasileiro garantiu o retorno ao topo.

Melo e Dodig passaram por Klaasen/Ram, Pospisil/Sock e até tiveram match point na semifinal, mas acabaram derrotados por Rohan Bopanna e Florin Mergea: 7/5, 6/7(4) e 12/10. O título ficou com Jean-Julien Rojer e Horia Tecau, que aplicaram 6/4 e 7/6(5) sobre Bopanna e Mergea na decisão.

Os outros brasileiros

Em Madri, Thomaz Bellucci caiu na estreia diante de Milos Raonic: 7/6(4) e 6/1. A parte curiosa da partida foi ver o canadense no tie-break levantando bola e esperando erros do brasileiro, que deveria ser o tenista mais consistente entre os dois – pelo menos do fundo de quadra. Foi a nona derrota em dez jogos para o brasileiro, que teve seu único triunfo em Munique, graças à desistência do russo Mikhail Youzhny na primeira rodada.

No Challenger de Aix-en-Provence (US$ 100 mil), Thiago Monteiro deu sorte e aproveitou. Estrearia contra Diego Schwartzman, mas o argentino foi campeão do ATP 250 de Istambul na semana anterior e não jogou o Challenger francês. Assim, o cearense avançou na chave, superando David Guez, Julien Benneteau (aquele!), Marek Michalicka e Renzo Olivo antes da decisão. Na final, contra o experiente Carlos Berlocq, conseguiu uma virada, explorando bem o backhand do adversário, e venceu por 4/6, 6/4 e 6/1.

Com a ótima campanha e o maior título de sua carreira, Monteiro, 21 anos, que começou a semana como #189, pulou para #143 e se tornou o #3 do Brasil, deixando para trás André Ghem (#167), Guilherme Clezar (#181) e Feijão (#186). Monteiro, aliás, soma mais pontos que Thomaz Bellucci em 2016. São 342 pontos do cearense contra 225 do paulista, que tem um calendário bem mais exigente e distribui muito mais pontos.

Também no evento francês, Feijão perdeu na estreia para o qualifier croata Nikola Mektic (#321): 7/5 e 6/3. Foi sua quarta derrota nos últimos cinco jogos. Desde a boa campanha em León (foi vice-campeão), perdeu na estreia em Guadalupe, caiu na segunda rodada em São Paulo e foi eliminado na primeira rodada agora, na França. Sua única vitória nos últimos três eventos foi sobre o brasileiro Alexandre Tsuchiya (#698). Rogerinho, por sua vez, parou nas quartas, superado por 2/6, 6/2 e 6/4 por Berlocq. André Ghem caiu nas oitavas (segunda rodada) diante do também argentino Renzo Olivo, que fez 6/1 e 6/2.

No ITF de Cagnes-Sur-Mer (US$ 100 mil), na França, Bia Haddad (#342) conseguiu uma vaga de lucky loser na chave principal e perdeu na primeira rodada para a ucraniana Kateryna Kozlova (#113): 7/6(6) e 6/2.

No ITF de Túnis (US$ 50 mil), Laura Pigossi (#387) tentou o qualifying e venceu dois jogos, mas perdeu na última rodada antes da chave principal. Sua algoz foi a suíça Patty Schnyder (aquela!), que fez 6/1 e 6/4. Hoje com 37 anos, Schnyder, ex-top 10, começou a semana como #451.

O pateta

A “honra” da semana é Bernard Tomic. Ficou surpreso? Não, né? Pois é. Na partida contra Fabio Fognini, com o italiano sacando com match point, o garotão australiano nem quis jogar e segurou a raquete ao contrário, como se fosse rebater a bolinha com o cabo. Foi assim que aconteceu:

Entrevistado pelo Gold Coast Bulletin sobre o momento, Tomic respondeu: “Não me importo com aquele match point – você se importaria se tivesse 23 anos e 10 milhões?” Acho que dispensa comentários.

As desistências

Ser campeão de tudo aos 34 anos não está sendo fácil em 2016. Serena Williams disse que não ia a Madri por causa de uma gripe/virose. Federer, por sua vez, esteve na capital espanhola, mas abandonou na segunda-feira, alegando dores nas costas. Até agora, a americana abandonou quatro eventos neste ano. Federer, por sua vez, deixou de estar em cinco.

Sobre o suíço, escrevi este post na segunda-feira. Eu também tinha feito texto em uma linha parecida sobre Serena Williams umas semanas antes. Leia aqui.

Durante o torneio, o abandono de maior peso foi de Victoria Azarenka, que anunciou sua saída na quarta-feira. A bielorrussa disse ter sentido algo nas costas durante a partida contra Laura Robson, sua estreia no torneio. Vika disse ainda que o incômodo continuou durante a segunda rodada e que não conseguiria competir na quarta-feira. Ela enfrentaria Louisa Chrico nas oitavas de final.

Promessa cumprida

Simona Halep prometeu distribuir cervejas se quatro romenas alcançassem as quartas de final do WTA de Madri. Foi exatamente o que aconteceu. O torneio teve Sorana Cirstea, Irina-Camelia Begu, Patricia Maria Tig e a própria Simona Halep entre as oito que entraram em quadra na quinta-feira. O resultado está no vídeo:

Lances bacanas

Da segunda semifinal de Madri, entre Novak Djokovic e Kei Nishikori. Ilustra bem o que se precisa fazer para ganhar um ponto do número 1 do mundo…

Não foi um lance, mas foi um dos momentos mais emocionantes da semana. Juan Martín del Potro desabou em lágrimas após derrotar Dominic Thiem (#14) por 7/6(5) e 6/3 na primeira rodada do torneio espanhol.

Del Potro, lembremos, vem fazendo seu retorno após seguidas e delicadas cirurgias no punho esquerdo. O argentino, campeão do US Open de 2009, começou a semana passada como apenas o #274 do mundo e disputou o torneio espanhol com ranking protegido.

Kei Nishikori também “estrelou” este ponto fantástico de Nick Kyrgios. O australiano fez um gran willy. Vencedor. De lob.

Sob suspeita

A Federação Francesa de Tênis (FFT), aquela mesma que é sempre citada como exemplo pela CBT, está sendo investigada por suspeita de tráfico de ingressos para o torneio de Roland Garros. Na última terça-feira, a sede da entidade e a casa do presidente, Jean Gachassin, foram alvos de buscas policiais.

A promotoria disse que confiscou “documentos úteis à investigação”, que também avalia o processo de licitação para as obras de expansão do complexo de Roland Garros. A história completa está neste link para o Guardian.

A melhor história

Em Madri, Rafael Nadal concedeu uma bela entrevista ao jornal El Mundo. Na conversa, o espanhol comenta suas sensações em quadra durante o momento ruim (para seus padrões) vivido desde o começo do ano passado até recentemente e fala de como perdeu “o controle” dentro de quadra. Excelente leitura para ajudar a entender o ex-número 1 do mundo. Leia aqui, em espanhol.

Tênis por WhatsApp

O UOL agora envia notícias de tênis por WhatsApp. Para se cadastrar, adicione à agenda de seu celular o número +55 11 99007-1706 e envie para esse número uma mensagem contendo o texto guga97. Você vai passar a receber, de graça, as notícias. Saiba mais aqui.


Quadra 18: S02E05
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Novak Djokovic segue dominando, e Victoria Azarenka se estabelece como a melhor tenista de 2016. Após o Masters 1.000 de Miami, o podcast Quadra 18 está de volta, comentando tudo que rolou no torneio da Flórida, desde as centenas de “Fora, Dilma” até a situação de Serena Williams, passando pelo novo número 1 nas duplas, as estranhas desistências e o drama de Juan Martín Del Potro.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. SE preferia baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’15” – Aliny, de volta, apresenta o podcast
1’16” – Marcelo Melo manda mensagem para Aliny
1’30” – O título de Novak Djokovic em Miami
2’00” – Sheila fala sobre as duas partidas interessantes de Djokovic no torneio
3’49” – O Djokovic de 2016 dá mais brecha para os adversários do que o de 2015?
5’52” – Quanto tempo vai levar até alguém jogar de igual para igual com Djokovic?
8’03” – As desistências na chave masculina
8’45” – “Gastroenterite foi a razão oficial, mas sinceramente não acredito”
9’30” – “Foi triste ver o Del Potro nessa situação de novo”
9’58” – A semelhança com a sensação de ver Guga sofrendo com o quadril
10’31” – “Ele não vai conseguir jogar só com o slice”
10’45” – A bizarra desistência de Nadal
12’20” – Coisas que só Aliny Calejon consegue
12’25” – Bellucci e a desistência mais esperada do torneio
15’25” – “Derrotinhas ridículas” nas primeiras rodadas
16’45” – Monfils x Nishikori: como um seriado da Shonda Rhimes
18’08” [Música sobre o momento de Djokovic e Azarenka]
19’30” – O título de Victoria Azarenka
22’55” – A intrigante ida para o saibro do circuito feminino
23’49” – Expectativa para os desempenhos de Vika e Rafa no saibro.
25’25” – E Serena Williams? Avaliações sobre seu começo de ano.
27’02” – Serena Williams estaria acima do peso?
29’02” – As atuações de Teliana e Bia em Miami
29’50” – A fragilidade do serviço de Teliana Pereira
31’35” – A pontuação de Teliana em busca de uma vaga nos Jogos Olímpicos
32’55” – El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Club)
33’35” – Aliny fala das duplas em Miami
36’34” – Reações ao calor: “Do nada, eu enxergava roxo” + metrô de SP
38’05” – A campanha de Marcelo Melo e Ivan Dodig
39’12” – Jamie Murray assume a liderança do ranking de duplas
40’30” – A gafe da ATP com Marcelo Melo
41’31” – Melo perdendo o #1 acaba com o oba-oba do “já ganhou” olímpico?
42’38” – IW e Miami mostram uma tendência para 2016?
43’48” – A ótima campanha de Feijão no México + Davis em Belo Horizonte
46’05” – Precisa dar muita coisa errado para o Brasil perder no Zonal hoje
46’35” – “Fora Dilma” em Miami: qual a utilidade?
48’10” – “É verdade que tenistas usam raquetes diferentes dos modelos vendidos em loja?”
50’30” – Bandsports ou SporTV?

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Clube) e Everybody Loves Miami (The Underdog Project).


Semanas 12-13: a serenesca Azarenka e Djokovic, o maior dos milionários
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Azarenka_Miami16_trophy_get2_blog

É bem verdade que os campeões foram quase os mesmos, mas há muita coisa a dizer sobre o período em que foi disputado o Miami Open (WTA Mandatory + Masters 1.000). Além dos títulos de Victoria Azarenka e Novak Djokovic, é preciso lembrar dos problemas físicos de Roger Federer, Rafael Nadal e Thomaz Bellucci,
do novo número 1 do mundo nas duplas, do péssimo timing da ATP ao homenagear Marcelo Melo, de lances espetaculares, de bom humor, de mau humor, de tuítes bacanas e de textos interessantes e importantes. Vamos lá, então? Rolem a página e relembrem as últimas duas semanas.

A melhor de 2016

Três títulos em cinco torneios disputados; 22 vitórias e só uma derrota em 2016; apenas cinco sets perdidos desde o início do ano; uma eliminação por W/O; e uma final vencida rapidinho, em 1h17min. O leitor que escutasse os números acima sem ver a foto do alto do post acreditaria sem questionar se alguém lhe dissesse que a tenista em questão é Serena Williams. Mas não é. A tenista do momento é Victoria Azarenka, que completou, no sábado, um torneio impecável e levantou o troféu so WTA de Miami ao vencer a final sobre Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/2.

Vika se tornou a terceira tenista a vencer os dois eventos em sequência, juntando-se a Steffi Graf e Kim Clijsters (feito que Serena Williams teve pouquíssimas chances de igualar porque boicotou o evento da Califórnia por muito tempo). A bielorrussa agora também está de volta ao top 5, onde não figurava há quase dois anos (o ranking 26 de maio de 2014 foi a última vez). E, claro, é preciso lembrar: depois de um Slam, dois WTAs com premiação de mil pontos (IW e Miami) e outro WTA com 900 pontos para a campeã (Doha), Azarenka é a líder da “Corrida”, o ranking que conta apenas os pontos conquistados neste ano.

Números à parte, as atuações de Vika vêm falando mais alto. Desde o primeiro torneio do ano, onde atropelou em Brisbane (com uma chave não tão forte, é verdade), incluindo as primeiras rodadas em Melbourne, o desempenho sólido diante de Serena na final de Indian Wells e, agora, uma campanha irretocável na Flórida, onde teve dois testes de fogo antes da decisão.

Primeiro, passou por Muguruza em dois tie-breaks, salvando dois set points na primeira parcial. Depois, fez uma partida espetacular contra Angelique Kerber, que, apesar da ótima atuação, jamais teve o controle do jogo. Sempre que precisou, Azarenka teve de onde tirar um nível mais alto e mais consistente de tênis.

Com o início de temporada nada espetacular de Serena Williams, parece seguro dizer que Azarenka é, neste momento, a melhor tenista do circuito, o que deixa 2016 muito mais interessante. Será que a bielorrussa manterá o pique e se aproximará de Serena Williams em uma eventual briga pelo posto de número 1 do mundo? E a americana? Esboçará uma recuperação na temporada de saibro que começa esta semana, em Charleston?

O maior dos milionários

O Masters 1.000 de Miami só teve surpresas nos primeiros dias, quando Roger Federer (virose) desistiu do torneio antes de estrear e, depois, com Rafael Nadal, que passou mal e abandonou a partida contra Damir Dzumhur no terceiro set. O título, conforme o aparente novo protocolo da ATP, terminou nas mãos de Novak Djokovic, o campeão de tudo-menos-Roland-Garros.

De novo mesmo, só algumas marcas do sérvio. Nole agora é o recordista isolado de títulos de Masters 1.000, com 28 taças (Nadal tem 27), o primeiro tenista a vencer quatro vezes a sequência Miami-Indian Wells e, principalmente, o recordista em prêmios em dinheiro na história da modalidade. Com o título deste domingo, Djokovic agora acumula US$ 98.199.548. Federer tem “só” US$ 97.855.881.

Fora isso, nada mais tenho a acrescentar sobre o tênis de Djokovic. O número 1 venceu todos jogos em sets diretos e continua dominando o circuito. Vale lembrar que ele lidera o ranking mundial de forma ininterrupta desde julho de 2014 e possui atualmente 8.725 pontos de vantagem sobre Andy Murray, o vice-líder. O escocês, por sua vez, está apenas 120 pontos acima de Roger Federer.

O tuíte abaixo, do jornalista Ben Rothenberg, mostra o retrospecto de Djokovic em Masters 1.000 e Grand Slams (incluindo o ATP Finals) desde o início de 2015. No período, se somarmos todas as competições, o sérvio disputou 21 torneios; alcançou 19 finais; e venceu 110 jogos e perdeu apenas sete.

Os brasileiros

Não foi um torneio nada bom para brasileiros. Desde o ingrato confronto entre Teliana Pereira e Bia Haddad na primeira rodada até a desistência de Thomaz Bellucci diante de Mikhail Kukushkin. O brasileiro, que durante a semana revelou ter problema de desidratação, perdendo até 6 quilos, e até visão turva em certas situações, sucumbiu ao calor e à umidade de Miami depois de um set e meio. Esgotado, deixou a quadra depois de vencer o primeiro set e perder o segundo.

O abandono na Flórida é especialmente lamentável porque Rafael Nadal, seu provável adversário de terceira rodada, também abandonou. Logo, se passasse por Kukushkin, o brasileiro enfrentaria Damir Dzumhur por uma vaga nas oitavas de um Masters 1.000. O problema físico de Bellucci foi o mesmo que ocorreu no Rio Open, em menor grau, e no Brasil Open, já manifestado de maneira mais evidente. O paulista passou por uma bateria de exames e, até agora, nenhum diagnóstico foi conclusivo. Resta a ele torcer por temperaturas mais amenas e condições favoráveis na temporada europeia de saibro.

Quanto a Teliana, o lado positivo foi conquistar sua primeira vitória na temporada. A segunda rodada, contudo, trouxe uma derrota diante de Ana Ivanovic por 6/3 e 6/0. A sérvia foi superior o tempo quase todo, e a brasileira, mais uma vez, foi vítima de seu saque vulnerável – confirmou apenas uma vez no jogo. Nas trocas de bola, Teliana até conseguia ser agressiva quando tinha a oportunidade de entrar em um rali. Ivanovic, no entanto, não lhe deu tantas chances assim, quase sempre atacando primeiro e controlando os pontos. A sérvia dominou tanto o saque de Teliana que se deu o luxo de se posicionar muito dentro de quadra na devolução.

Até agora, Teliana soma uma vitória e sete derrotas em 2016, com dois sets vencidos e 14 perdidos (o único triunfo e ambos sets vieram sobre Bia Haddad). É bem possível que a volta para o saibro, seu piso preferido, traga dias melhores. Não por acaso, a número 1 do Brasil, atual #49 do mundo, agora tem um calendário entupido de eventos na terra batida.

Terminando o giro brasileiro nas simples em Miami, vale lembrar de Rogerinho, que perdeu no qualifying, mas ganhou uma vaga de lucky loser para estrear contra o russo Andrey Kuznetsov. A sorte, porém, não conseguiu carregar o #2 do Brasil para a rodada seguinte. Kuznetsov fez 6/3 e 6/3 e avançou. O russo, aliás, bateu Stan Wawrinka na segunda rodada e Adrian Mannarino na terceira. Só caiu nas oitavas, superado pelo semifinalista Nick Kyrgios.

No circuito Challenger, quem teve boa semana foi Feijão – finalmente. Depois de perder no quali em Miami, o paulista encarou o Challenger de León, no México, e alcançou a final, perdendo para o alemão Michael Berrer. A campanha rendeu uma subida de mais de 50 posições no ranking e o retorno ao top 200. Feijão saiu de #239 e aparece nesta segunda-feira como o 186º melhor tenista do mundo. Se ainda está longe de seu melhor ranking (69º, exatamente um ano atrás), já dá passos animadores adiante, o que não vinha acontecendo há um bom tempo.

Marcelo perde o #1

A pressão já havia sido grande em Indian Wells, onde Jamie Murray esteve a dois pontos de roubar a liderança do ranking. Em Miami, precisando defender os pontos da semifinal do ano passado, Marcelo Melo tinha de alcançar pelo menos as quartas de final para seguir como número 1. Não conseguiu. Nas oitavas, ele e Ivan Dodig perderam para Treat Huey e Max Mirnyi por 7/6(1) e 6/4.

A derrota de Melo deu o número 1 a Jamie, que já estava eliminado em Miami. Ele e Bruno Soares caíram na estreia diante de Raven Klaasen e Rajeev Ram. O irmão mais velho de Andy Murray conta que estava no carro quando começaram a pipocar mensagens de parabéns em seu celular.

Desde a existência do atual ranking da ATP, nenhum britânico havia alcançado o topo – nem em simples nem em duplas. Jamie é o primeiro e, por isso, vem sendo um tanto badalado pela imprensa do Reino Unido.

A gafe

A ATP decidiu entregar um pequeno “troféu” para marcar definitivamente o número 1 de Marcelo Melo. Pena que fizeram essa cerimônia logo no domingo, dia que ele e Ivan Dodig foram eliminados do torneio.

Jogo rápido

Mats Wilander e Madison Keys, que decidiram trabalhar juntos a partir do WTA de Miami, já se separaram. A parceria durou oito dias (!) e terminou com a americana invicta. O tricampeão de Roland Garros, que também é comentarista do Eurosport, não quis revelar ao jornalista Michal Samulski (o primeiro a dar a notícia) o motivo da separação.

Bolão impromptu da semana

Parabéns à Raissa Picorelli por acertar a resposta para a pergunta aleatória da semana. Ela foi a primeira seguidora do @saqueevoleio a acertar o número de games vencidos por Kei Nishikori na final.

Lances bacanas

Que tal essa curtinha de devolução de Agnieszka Radwanska contra Alizé Cornet? E antes de alguém chame de “sneak attack”, prefiro “ninja attack by Aga”.

Outro momento raro da semana envolveu o sérvio Viktor Troicki. Após um voleio de David Goffin quicar na quadra do sérvio e voltar, Troicki saltou a rede e golpeou a bola. Foi bonito, mas perdeu o ponto.

Para quem não sabe a regra, a explicação não é tão complicada: como a bola quicou e voltou, Troicki podia até invadir o “espaço aéreo” da quadra de Goffin e golpear a bola, mas perdeu o ponto quando pisou na quadra do rival.

Em casos assim, a “vítima” do backspin tem duas opções para ganhar o ponto: 1) golpear a bola no ar, mesmo invadindo a quadra do rival com a raquete, mas mantendo os pés em sua própria quadra; ou 2) saltar a rede, golpear a bola e “aterrissar” fora das linhas de jogo. Era muito difícil de conseguir, mas Troicki teria vencido o ponto se tivesse saltado e pisado além da linha lateral de simples.

O melhor da semana, contudo, foi Alexandre Sidorenko. No Challenger de Saint-Brieuc, o francês-nascido-na-Rússia de 28 anos disparou uma passada vencedora de costas contra o alemão Tobias Kamke.

As melhores histórias

Vale ler o texto do New York Post intitulado “Por que todo mundo no tênis odeia Maria Sharapova”. O título soa um tanto exagerado, mas o conteúdo aborda os motivos pelos quais a russa não recebeu muitas mensagens de simpatia após testar positivo em um exame antidoping.

No Globoesporte.com, o jornalista Thiago Quintella conversou com João Zwetsch, técnico de Thomaz Bellucci, que relatou os sintomas do tenista brasileiro durante seus problemas físicos. Entre eles, visão turva. Em outra entrevista, dias depois, o próprio Bellucci disse perder até seis quilos em um jogo.

Bom humor

Novak Djokovic, número 1 do mundo e reinando soberano na liderança do ranking mundial, mostrou que é possível ter momentos de descontração mesmo em partidas oficiais. No comecinho do jogo contra o britânico Kyle Edmund, o sérvio fez essa “mágica” encaixando a bolinha no bolso.

O lance me lembrou do iraniano Mansour Bahrami, possivelmente o cidadão mais divertido de ver numa quadra de tênis, que sempre fazia o “truque” da bola no bolso. Quem tiver a curiosidade, pode conferir alguns momentos de exibições de Bahrami neste vídeo.

No mundo do vôlei (sim, vôlei!) Alexander Markin, do Dínamo de Moscou, também testou positivo para meldonium, a substância responsável pelo doping de Maria Sharapova. Uma confeitaria chamada Dolce Gusti enviou ao atleta (que aguarda julgamento da FIVB) um bolo de… meldonium!

Não tão bom humor

Serena Williams, incomodada com o árbitro de cadeira Kader Nouni durante o jogo contra Zarina Diyas, não economizou. “Não comece comigo hoje”, “não implique comigo”, “estou cheia de você implicar comigo” e “a não ser que você vá me dar um warning, não fale comigo” foram parte do repertório da número 1.

Serena venceu aquele jogo por 7/5 e 6/3, mas tombou na rodada seguinte, diante de Svetlana Kuznetsova: 6/7(3), 6/1 e 6/2.

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

O melhor continua sendo o melhor: Andy Roddick. Desta vez, o ex-número 1 do mundo corrigiu o jornalista americano Darren Rovell, da ESPN, que fazia uma piadinha com Novak Djokovic. Rovell publicou uma foto de Federer na quadra central de Miami e disse: “Ei, Djokovic, esse é o público em um jogo de Federer neste momento. Quanto ele deve receber?”

Rovell, no entanto, não sabia que a imagem era de um treino do suíço. Roddick explicou bem à sua moda: “Como tenho certeza que você sabe, Darren, a chave principal masculina não começou ainda em Miami… Isso é um treino.”

roddick_usatoday_blog

O jornalista se corrigiu, avisando seus seguidores (são mais de um milhão deles) que a imagem era de um treino. Em seguida, apagou os tuítes (por isso, publiquei aqui essa montagem, feita pelo USA Today).

A conta oficial do torneio de Miami registrou essa disputa quente entre Nick Kyrgios e… sua camisa. É nisso que dá fazer experiências no mundo da moda.

Tênis por WhatsApp

O UOL agora envia notícias de tênis por WhatsApp. Para se cadastrar, adicione à agenda de seu celular o número +55 11 99007-1706 e envie para esse número uma mensagem contendo o texto guga97. Em alguns dias, você vai passar a receber, de graça, as notícias. Saiba mais aqui.


Homens x mulheres: machismo e mercado no tênis
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

A polêmica do fim de semana foi das grandes. Em uma roda de café da manhã com jornalistas, o CEO de Indian Wells, Raymond Moore, soltou frases nada elogiosas ao circuito feminino de hoje. Em seguida, indagado sobre o assunto, Novak Djokovic reacendeu a sempre debatida questão da igualdade na premiação de homens e mulheres.

O assunto é delicado – como os dois senhores acima deixaram claro – e há questões que precisam ser lembradas para ajudar a contextualizar-sem-defender os dois cavalheiros. Este é um texto opinativo, então peço que leiam até o fim e, depois, comentem à vontade. Vamos, primeiro, às declarações.

“Na minha próxima vida, quando voltar, quero ser alguém na WTA (risos) porque elas pegam carona nos homens. Elas não tomam decisão alguma e são sortudas. Elas têm muita, muita sorte. Se eu fosse uma jogadora, me ajoelharia toda noite e agradeceria a Deus por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido porque eles têm carregado este esporte.”

A frase acima é a primeira frase polêmica de Moore. Ele ainda se atrapalhou ao dizer que a WTA tem “um punhado de promessas atraentes/atrativas que podem assumir o manto (de Serena). Vocês sabem, Muguruza, Genie Bouchard. Eles têm um monte de jogadoras atraentes/atrativas E o padrão do tênis das moças aumentou inacreditavelmente.”

“Attractive”, a palavra original, em inglês, pode significar atrativo ou atraente em português. Para nossa sorte, um jornalista insistiu no assunto e perguntou se Moore estava se referindo aos méritos estéticos ou competitivos das moças. A isto, Moore respondeu que falava de ambos, o que não ajudou exatamente sua causa.

Mais tarde, depois de derrotar um combalido Milos Raonic em uma final sonolenta, Novak Djokovic foi questionado sobre as declarações do CEO de Indian Wells. Sua declarações navegam entre o corajoso, o machista e o impróprio. A íntegra da coletiva está aqui. As partes mais importantes estão abaixo.

“Igualdade de premiação foi o principal assunto no tênis nos últimos sete, oito anos. Passei por esse processo também, então entendo quanta força e energia a WTA e todos que advogam por premiação igual investiram para alcançar isso. Eu as aplaudo por isso. Honestamente. Elas lutaram pelo que merecem e conseguiram. Por outro lado, acho que nosso mundo do tênis masculino, o mundo da ATP, deveria lutar por mais porque as estatísticas mostram que temos mais espectadores nas partidas masculinas. Acho que essa é uma das razões pelas quais deveríamos receber mais. Mas não podemos reclamar porque também temos ótimos prêmios em dinheiro no tênis masculino.”

Djokovic_Moore_IW16_get_blog

Djokovic aparentemente caiu numa contradição ao aplaudir as mulheres e, logo em seguida, dizer que os homens merecem mais. Digo aparentemente porque ele se explica (ou tenta se explicar) na resposta seguinte, quando lhe perguntam se a premiação não deveria ser igual.

“Minha resposta não é ‘sim e não’. É ‘mulheres devem lutar pelo que acham que merecem e nós devemos lutar pelo que acreditamos que merecemos.’ Acho que enquanto for assim e houver dados e estatísticas disponíveis sobre quem atrai mais atenção, espectadores, quem vende mais ingressos e coisas assim, é preciso que seja distribuído justamente com base nisso.”

E, logo na sequência, o número 1 do mundo responde com “absolutamente”, que mulheres deveriam ganhar mais do que homens se as estatísticas mostrarem que elas atraem mais atenção (e dinheiro, claro) do que homens. Depois disso, Nole ainda se atrapalha ao tentar mostrar respeito pelas mulheres, dizendo que “seus corpos são muito diferentes” e “elas precisam passar por muitas coisas diferentes que nós (homens) não precisamos. Vocês sabem, hormônios e coisas diferentes, não precisamos entrar em detalhes.”

Mulheres não decidem

Moore acabou pedindo demissão na segunda-feira, pouco mais de 24 horas depois de suas declarações atabalhoadas. No comunicado oficial divulgado pelo torneio, Larry Ellison, dono do evento, citou Billie Jean King e sua “campanha histórica” pela igualdade no tênis. “O que se seguiu foi um movimento progressivo, de várias gerações e em andamento para tratar mulheres e homens igualmente no esporte.” O bilionário também lembrou que Indian Wells paga o mesmo a homens e mulheres há uma década. A íntegra do comunicado está aqui.

A saída de Moore parece uma resolução adequada para um caso embaraçoso e que poderia, quem sabe, provocar um boicote feminino ao torneio em 2017. Um torneio desse porte, que já ficou tanto tempo sem as irmãs Williams, e que inclusive cogita estar em um patamar ainda maior, não se pode dar ao luxo de permitir outro cenário que prejudique sua imagem.

Dito tudo isto, há dois pontos que ajudam a entender – pelo menos parcialmente – a origem da queixa de alguns homens por prêmios maiores. O primeiro: a última grande negociação por aumento de premiação nos Slams foi liderada pelos integrantes da ATP (com direito a ameaça de boicote). O segundo: tenistas e dirigentes ouviram de executivos dos Slams que seria possível até aumentar a premiação um pouco mais (do que já foi elevado), só que os torneios se viam de mãos atadas porque precisavam igualar as quantias pagas às mulheres.

Resumindo: parte da ATP guarda essa, digamos, mágoa de não ver sua premiação tão alta por causa do circuito feminino. Essa explicação, afinal, foi dada pelos próprios torneios. Não, não justifica o comportamento de Moore, que foi preconceituoso e atabalhoado tanto no que disse quando na maneira como se colocou. No entanto, tendo em vista essa recente negociação, ele não está totalmente equivocado quando diz que as mulheres não decidem.

O mercado livre de Djokovic

Antes de mais nada, é preciso esclarecer um ponto que foi meio distorcido por aí sobre o que declarou o número 1 do mundo. Djokovic não disse pura e simplesmente que “homens devem ganhar mais do que mulheres”. Para o sérvio, não é uma questão de sexo, mas uma relação de mercado, de oferta e demanda. Ele diz se basear em números que provam que o circuito masculino hoje é mais atrativo e, consequentemente, faz mais dinheiro circular. Mas também afirma que se os números fossem inversos, as mulheres deveriam receber mais.

É um mar perigoso para Djokovic navegar e é preciso admirar, nem que por um breve instante, sua coragem de tirar o iate milionário do cais de Monte Carlo e encarar essas ondas traiçoeiras. Gosto da tese do sérvio – enquanto tese. Quem tem mais procura deve cobrar mais. Usando um exemplo assexuado, quem deve cobrar mais pelos direitos de transmissão: a Champions League ou a Libertadores? A melhor competição, com mais mercado, deve cobrar mais. Simples assim.

O comunicado oficial da ATP sobre a polêmica (vide tuíte acima) deixa claro que a entidade adota a mesma linha de pensamento do sérvio. Por isso, ressalta que “operamos no negócio de esporte e entretenimento” e que “respeita o direito dos torneios de tomarem suas próprias decisões em relação à premiação em dinheiro para o tênis feminino, que é um circuito separado.”

Digo dois parágrafos acima que gosto da ideia de mercado livre “enquanto tese” porque essa teoria não funciona na prática quando comparamos gêneros diferentes na mesma modalidade. Nossa sociedade, de modo geral, não consegue fazer isso. A maioria, infelizmente, ainda vê o esporte masculino como superior, mais desenvolvido, mais atrativo.

Há aspectos históricos e culturais que contribuem para isso. Muito dessa visão centralizada no esporte masculino vem de preconceitos que se arrastam desde um passado ainda mais machista, de quando reinavam noções de que tal esporte não é para moças de bem, que mulher não sabe dirigir, que tal atividade física é exigente demais para a biologia do corpo feminino e outros velhos “argumentos”.

Experimente, caro leitor, dizer a um amigo que você prefere curling feminino ao masculino.Depois volte aqui na caixinha de comentários e diga quanto tempo levou para ouvir uma piada sobre vassoura. São preconceitos como esses que fazem com que modalidades como futebol, automobilismo e basquete, tão populares entre os homens, sejam pouco procuradas, por exemplo, no Brasil. E não só isso. Esse machismo histórico também afasta investimentos. Homens, aliás, são maioria entre executivos responsáveis por direcionar verbas de patrocínio.

A teoria de Djokovic, se aplicada com 100% de justiça e eficácia, seria o reflexo de um planeta perfeito, de uma sociedade sem preconceitos. Mas alguém aí imagina isso acontecendo no mundo de hoje? Eu, não.

Slams: ingressos x premiação

O número 1 do mundo diz ter visto estatísticas. Não é difícil imaginar, de fato, que a ATP de Roger Federer e Rafael Nadal seja mais valiosa do que a WTA de hoje, mesmo com Serena Williams e Maria Sharapova sempre ocupando manchetes. Suíço e espanhol deram uma visibilidade monstruosa ao tênis masculino, conquistando e mantendo legiões de fanáticos. Sempre atuando em níveis absurdos, quebrando todos tipos de recordes.

Em sua coletiva após a final contra Azarenka (íntegra aqui), Serena lembrou que os ingressos para a final feminina do US Open do ano passado esgotaram antes dos bilhetes para a decisão masculina. Não me convence como argumento, embora a número 1 tenha razão ao recordar o legado de Billie Jean King e do efeito negativo que os comentários de Moore podem ter sobre mulheres atletas em todo mundo.

A questão dos ingressos do US Open ressalta o potencial das mulheres, mas o problema de citar uma única final (que, ainda por cima, teve a característica excepcional da possibilidade de uma tenista da casa completar o Grand Slam de fato) é se sujeitar ao contra-argumento de que, talvez, nos últimos cinco anos, as outras 19 finais masculinas esgotaram antes e tinham entradas mais caras.

Dito isto, há outra questão que pesa um bocado contra os homens nos Slams. Com exceção das finais, os ingressos são vendidos com antecedência e sem garantia de programação. Quem compra pode ver homens e mulheres de forma (quase sempre) igual. Além disso, há uma série de variáveis que afetam a quantidade de espectadores em uma determinada partida. Uma delas é o horário, algo estipulado pela organização do torneio. É quase impossível medir a diferença de interesse baseado nisso.

Portanto, é difícil imaginar os Slams dando esse passo para trás e diferenciando as premiações de homens e mulheres. É de se considerar também, obviamente, a questão do “politicamente correto” e da imagem que os eventos querem passar. Parece muito mais plausível, então, que os homens incomodados com a premiação atual questionem a ATP e os valores pagos em seus próprios Masters 1.000 ou ATPs 500. Mas será que os promotores têm “caixa” para bancar tudo que os astros do tênis acreditam merecer? Será que o circuito se sustentaria? Será?


Quadra 18: S02E04
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O CEO de Indian Wells disse que as tenistas de hoje deveriam ajoelhar e agradecer por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido. Em seguida, Novak Djokovic reacendeu a polêmica da igualdade de prêmios entre homens e mulheres. No meio disso tudo, Victoria Azarenka derrotou Serena Williams em uma final, enquanto o número 1 do mundo venceu mais um Masters 1.000. Nas duplas, Marcelo Melo ficou a dois pontos de perder a liderança do ranking.

Com tudo isso para comentar, Sheila Vieira e eu (a Aliny estava se recuperando de uma lesão) gravamos este episódio do podcast Quadra 18, que cobre todos assuntos acima e ainda fala do doping de Maria Sharapova. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’14” – Sheila apresenta e lista os assuntos do dia e explica a ausência da Aliny
2’25” – Os comentários polêmicos do CEO de Indian Wells sobre a WTA
3’00” – “Bilionário que fica no camarote com uma menina de 12 anos”
8’08” – Cossenza: “A WTA tem uma parcela de culpa porque vendeu essa imagem durante algum tempo”
9’50” – As respostas de Azarenka e Serena
12’11” – Djokovic entra no assunto e provoca mais polêmica sobre premiação igual
13’40” – “Ele acabou de aplaudir as meninas, mas acha que homens devem lutar por um prêmio maior”
14’42” – Sheila: “Amigo, desce do muro”
16’30” – “Um dia, vou entender esse tabu para falar de menstruação”
17’25” – Cossenza fala sobre bastidores de negociação por prize money
19’30” – Cossenza concorda parcialmente com o raciocínio Djokovic, mas diz porque soa absurdo.
22’20” – Sheila cita história de limites impostos pela sociedade
23’20” – Maioria dos investimentos feitos no esporte são decididos por homens
26’05” – Sheila analisa a final entre Serena x Azarenka
28’25” – Cossenza lembra do point penalty e o risco de desclassificação de Serena
30’30” – O novo top 10 feminino e a volta de Azarenka
32’15” – O torneio masculino de Indian Wells e a conquista de Djokovic
33’00” – Djokovic x Nadal, a final antecipada, e a evolução do espanhol
34’45” – A fragilidade no saque, o principal problema de Rafa Nadal
36’30” – A decepção do torneio: Wawrinka ou Murray?
38’27” – A curiosa e “espetacular” Corrida para o Finals
40’05” – Nice Guys Finish Last (Green Day)
40’40” – Início do segundo bloco
40’56” – Áudio de Marcelo Melo e sua importante declaração
41’10” – Como o mineiro quase perdeu o posto de #1 do mundo
42’48” – As chances de Jamie Murray em Miami
45’05” – Os campeões de duplas em Indian Wells
45’20” – André Sá, vice-campeão do Challenger de Irving
46’30” – Bellucci, Rogerinho e Thiago Monteiro
48’10” – Sobre a cobrança e a expectativa em cima de Monteiro
50’00” – O duelo entre Bia e Teliana em Miami: bom ou ruim?
51’09” – Sheila: “A única maneira de lidar com essa loucura é fazer piada”
52’55” – A volta de Roger Federer e as mudanças em seu calendário
54’02” – A importância de ser número 2 do mundo para Federer
54’55” – O caso de doping de Maria Sharapova
57’40” – Sheila e Cossenza tentam adivinhar a punição de Sharapova
62’32” – A chance de Sharapova disputar os Jogos Olímpicos

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Nice Guys Finish Last (Green Day) e Game Set Match (YouTube Audio Libraby).


Semanas 10-11: domínio de Djokovic, título de Vika e otimismo para Nadal
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Foram duas semanas e muito assunto, desde as incessantes menções ao doping de Maria Sharapova (que já foi bastante abordado neste blog) até os comentários de péssimo gosto do CEO de Indian Wells, Raymond Moore (que serão comentados em outro texto). Por enquanto, é hora de comentar os títulos de Novak Djokovic e Victoria Azarenka e listar algumas das notícias interessantes e curiosas dos últimos dias. Vamos lá?

Azarenka_IW16_Serena_trophy_get_blog

A campeã

Victoria Azarenka, enfim, está de volta ao top 10. O retorno vem com uma memorável vitória sobre Serena Williams: 6/4 e 6/4. Foi apenas o quarto triunfo de Vika sobre a atual número 1 do mundo em 21 jogos, mas vale ressaltar que todos eles aconteceram em finais de torneios (não, nenhum em um Slam).

A conquista em Indian Wells foi marcada pela consistência da bielorrussa, que poderia nem ter alcançado a final se não tivesse encontrado um tênis excelente no fim do primeiro set contra Karolina Pliskova. Azarenka acabou derrotando a tcheca em três sets e se viu diante de Serena na decisão.

O primeiro set começou com um game desastroso de Serena, e Vika aproveitou. Não que Serena não tenha criado chances. Teve cinco break points (em dois games diferentes), mas não conseguiu converter, esbarrando na consistência da adversária e em seus próprios erros. Em diversos momentos do jogo, a americana tentou se impor com a força dos golpes, mas distribuindo pancadas de maneira pouco inteligente.

A segunda parcial começou com Serena errando ainda mais. Vika viu a chance e disparou no placar, abrindo 4/0. Nesse período, a número 1 quebrou uma raquete quando foi quebrada pela segunda vez. A árbitra aplicou, então, uma advertência. Ao chegar no banco, Serena quebrou mais uma raquete – esta, ainda dentro do plástico, ao estilo Baghdatis. Por isso, tomou mais uma punição e perdeu um ponto.

Azarenka teve 5/1, mas Serena reagiu. Devolveu uma quebra e forçou Vika a sacar em 5/4. A americana, então, teve mais dois break points. Como aconteceu em quase todo o jogo, a bielorrussa se salvou. Primeiro, com um ace. Depois, com um erro da adversária. Dois pontos depois, Azarenka comemorava o título e seu retorno ao top 10 – ela estava fora do grupo desde agosto de 2014. Aposto que nem o susto do canhão de papel (vide tuíte abaixo) incomodou…

O campeão

Pela quinta vez, Djokovic levantou o troféu em Indian Wells. Foi sua 17ª vitória seguida no torneio e a 16ª consecutiva em um Masters 1.000 (a última derrota foi para Federer em Cincinnati). O sérvio agora soma 27 títulos em torneios deste nível e 62 ao todo na carreira. E seu domínio se reflete no ranking: com 16.540 pontos, Djokovic tem 8.170 de vantagem sobre Andy Murray, o número 2 do mundo. Comparando com Federer e Nadal, o sérvio tem 1.150 pontos a mais que o dobro do suíço e 1.570 a mais do que o triplo do espanhol.

A final foi entediante. Com Raonic longe de estar em suas melhores condições, Djokovic fez abriu 4/0 rapidinho e passeou em quadra depois disso. O placar final mostrou 6/2 e 6/0. Foi mais um caso daqueles em que a superioridade do sérvio deixou uma final sem graça. Não ouso repetir o que já analisei a fundo aqui.

Sobre a campanha, talvez o momento mais intrigante tenha sido o primeiro set contra o americano Bjorn Fratangelo, que venceu por 6/2. Até ali, ficava a impressão de que Djokovic havia chegado da Copa Davis fora de forma e corria o risco de ser eliminado de forma precoce. Pois não aconteceu nem ali nem nunca mais. Nem mesmo com Jo-Wilfried Tsonga fazendo dois ótimos sets (e dois péssimos tie-breaks) ou com Rafael Nadal sendo competitivo.

Nadal voltou?

É até possível que Rafael Nadal tenha deixado Indian Wells quase tão contente quanto Djokovic. Não só pelos 360 pontos (numericamente, o melhor resultado da temporada) das semifinais, mas por como se desenrolou sua campanha no torneio californiano. Depois de perder jogos apertados em Melbourne, Buenos Aires e Rio de Janeiro, o ex-número 1 ganhou três jogos assim na mesma semana.

Primeiro, saiu vencedor em uma partida tensa contra Gilles Muller. Em seguida, faturou um tie-break duríssimo contra Fernando Verdasco. Depois, escapou de dois match points contra Alexander Zverev, que teria triunfado se não errasse um voleio fácil. O momento favorável continuou com uma virada que parecia improvável no primeiro set contra Kei Nishikori – foi sua primeira vitória sobre um top em 2016.

Além disso, o espanhol se mostrou competitivo contra Djokovic de uma maneira que não vinha sendo há algum tempo. Nadal, aliás, chegou a ter um set point na primeira parcial da semi, mas Djokovic escapou com um winner de direita.

Tão importante quanto os resultados e a confiança adquirida com eles foi o nível de tênis exibido. Nadal foi consistente como não era há algum tempo. Não, o ex-número 1 não abandonou totalmente a tentativa de ser mais agressivo, mas foi menos afobado e tomou decisões melhores em todo o torneio – inclusive no duro duelo com o brilhante (e ainda inconsistente) Zverev.

O serviço, não esqueçamos, ainda continua um calcanhar de aquiles. Nadal continua ganhando poucos pontos de graça com o primeiro saque e, para piorar, segue com um segundo serviço lento e vulnerável. Uma tentativa de lidar com o dilema foi vista nas quartas, contra Nishikori, quando Nadal reduziu a potência e encaixou 89% de seus primeiros saques. No entanto, sacar entre 160 e 170 km/h não adiantaria contra Djokovic, e Nadal precisou acelerar na semifinal. Ainda assim, as excelentes devoluções do sérvio mantiveram o espanhol pressionado durante a maior parte do confronto.

Em todo caso, vale ficar de olho em Nadal durante o Masters de Miami para ver se a consistência se mantém. Em caso positivo, será que a temporada europeia de saibro lhe conduzirá de novo aos grandes títulos? Será?

A nova número 2

A novidade da semana no ranking é a subida de Agnieszka Radwanska, que assumirá a vice-liderança nesta segunda-feira. A polonesa se garantiu como número 2 ao derrotar Petra Kvitova por 6/2 e 7/6(3). E, como apontou a WTA, Aga alcançou pelo menos a semifinal em oito dos últimos nove eventos que disputou. No período, foi campeã em Tóquio, Tianjin, Cingapura (WTA Finals) e Shenzhen.

Kvitova, por sua vez, não se encontrou ainda na temporada. A tcheca, que se separou do técnico David Kotyza, após o Australian Open, acumula mais derrotas do que vitórias desde então. Em Indian Wells, penou para vencer jogos contra Kovinic (7/6 no terceiro set), Larsson (7/5 no terceiro set) e Gibbs (6/4 no terceiro). Diante de Radwanska, primeira cabeça de chave que precisou enfrentar, não conseguiu forçar mais um terceiro set.

Fiascos junto à rede

O torneio de Indian Wells também viu smashes… nada admiráveis. Sim, o sol tem sua parcela de culpa, mas vale ver Magdalena Rybarikova, que fez isso quando vencia por 4/1 o terceiro set contra Belinda Bencic…

Mas nem foi o pior erro de smash do torneio. A mesma Rybarikova, sacando para fechar o mesmo jogo, conseguiu errar esse golpe:

Rybarikova pode ter errado o smash mais fácil, mas certamente aquele ponto perdido não foi o mais doído do torneio. Essa honra pertence a Stan Wawrinka, que teve a chance de fazer 6/5 no tie-break do terceiro e chegar a um match point contra David Goffin, mas falhou miseravelmente.

Eu escrevi o parágrafo acima na tarde de quarta-feira. À noite, Alexander Zverev tornou-se forte candidato a roubar o “título” de Wawrinka. Sacando em 5/3 e 40/30, com match point para eliminar Rafael Nadal, o alemão de 18 anos jogou um voleio nada difícil na rede.

Depois disso, Zverev implodiu mentalmente. Venceu apenas um dos 16 pontos seguintes e cedeu a virada a um competentíssimo espanhol.

Fora de quadra

Muito já foi escrito neste blog sobre Maria Sharapova e seu caso de doping, mas vale lembrar que, nesta semana, a ONU suspendeu a russa de sua posição de embaixadora da boa vontade. Em comunicado, a Organização das Nações Unidas agradece a Sharapova pelo apoio, mas diz que sua participação e as atividades planejadas ficarão suspensas enquanto a investigação continuar.

Chupa

A empresa russa Rubiscookies lançou uma linha de pirulitos “100% Sharapova, sem meldonium”. Os doces vêm no formato da cabeça da tenista. O fabricante prometeu doar 50% dos lucros a instituições de caridade apoiadas por Sharapova.

O bom samaritano

É o tipo de situação que quando acontece em um jogo de exibição, as pessoas ficam se imaginando se o tenista faria o mesmo em uma partida oficial e equilibrada. Pois Djokovic fez nas quartas de final, no tie-break do primeiro set contra Jo-Wilfried Tsonga. Depois de ganhar o ponto e ouvir o placar de 3/0 anunciado pelo árbitro de cadeira, o número 1 do mundo admitiu que havia tocado na bola e deu o ponto ao francês. Veja o momento:

De volta à quadra

Roger Federer voltará em Miami. O suíço, que andou treinando com uma camisa estampada com seu próprio emoji, fez o anúncio do retorno usando ideogramas:

A recuperação de Federer foi mais rápida do que o planejado. O número 3 do mundo tinha em seu calendário apenas o Masters 1.000 de Monte Carlo, no mês que vem. O torneio monegasco, aliás, foi incluído logo que o suíço anunciou a cirurgia no joelho. Será que agora, com a participação em Miami, Monte Carlo vai ser deixado de lado mais uma vez?

Bolão impromptu da semana

Como sempre, joguei no ar uma pergunta durante o torneio. O acertador, desta vez, foi João Henrique Macedo, que acertou o número de games vencidos por Rafael Nadal contra Novak Djokovic, no sábado.

O tuíte quase aleatório da semana

De Genie Bouchard, na quinta-feira, o St. Patrick’s Day.


AO, dia 13: Kerber, uma inesperada e comovente campeã
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Kerber_AO16_F_get6_blog

Angelique Kerber estava entre as candidatas para vencer o Australian Open (se você acha que ninguém dizia isso antes do torneio, ouça o último episódio do podcast Quadra 18), mas não era a mais cotada. As casas de apostas a colocavam atrás inclusive de gente menos experiente como Garbiñe Muguruza e Belinda Bencic. Eis que duas semanas depois, a alemã levanta o troféu ao derrotar a grande Serena Williams por 6/4, 3/6 e 6/4.

Foi uma caminhada fascinante, que incluiu a comemoração de seu aniversário no primeiro dia do torneio, um match point salvo no dia seguinte, uma virada espetacular contra Victoria Azarenka e uma atuação impecável contra a número 1 do mundo. Uma conquista que mereceu uma demonstração gigante de respeito de Serena Williams e que obviamente deve ser repassada aqui. Vejamos, então, a caminhada de Kerber até seu primeiro título em um Slam.

O match point salvo

O maior susto de toda campanha veio, quem diria, na primeira rodada em Melbourne. A japonesa Misaki Doi, que venceu o primeiro set depois de estar perdendo por 3/0 (duas quebras), teve match point no tie-break da segunda parcial, depois de vencer um belo rali. Kerber, então, encaixou um primeiro serviço conservador, mas que resolveu o problema. Doi devolveu para fora e perdeu a chance (assista ao lance por volta dos 35 minutos do vídeo abaixo). Kerber também venceu os dois pontos seguintes, forçou o terceiro set e saiu com a vitória por 6/7(4), 7/6(6) e 6/3, em 2h45min.

É curioso, mas uma campeã de Slam salvar match point nem é tão raro assim. Só na Austrália e na Era Aberta (a partir de 1968), já aconteceu em outras cinco ocasiões, com Serena Williams (2003 e 2005), Na Li (2014), Monica Seles (1991) e Jennifer Capriati (2002).

A vitória sobre Vika

O duelo com Victoria Azarenka foi nervoso. Pesava contra Kerber o histórico de seis derrotas e nenhum triunfo contra a bielorrussa. Mas Vika entrou em quadra errando muito, e a alemã aproveitou. Abriu 4/0, quase permitiu uma reação da ex-número 1, mas fechou a parcial. O segundo set foi outra história. Vika teve 5/2 e saque com 40/0. Depois, 5/4 e 40/15. Ponto a ponto, Kerber foi salvando set points. No fim, venceu cinco games seguidos e fechou a partida em 6/3 e 7/5. Sua entrevista ainda dentro de quadra era só alegria.

A final

O primeiro set entra na conta de Serena. Sim, é verdade que Kerber cometeu apenas três erros não forçados, mas também é inegável que a alemã nem precisou de todo seu poderio defensivo e de contra-ataque. Serena falhou muito e em bolas muito fáceis (para ela). Foram 23 erros não forçados na parcial – quase um set inteiro em pontos – e só 12 winners. E o placar foi até equilibrado considerando a atuação da número 1: 6/4.

Até então, o maior mérito de Kerber era não se desesperar. Nem quando sacou em 15/30 no primeiro game, depois de fazer uma dupla falta, nem quando cedeu a primeira quebra a Serena, que empatava a parcial em 3/3 naquele momento. A alemã não forçou além da conta e foi recompensada com os muitos pontos grátis.

O segundo set correu mais como um típico Serena x Kerber (até este sábado, as duas se enfrentaram seis vezes, com cinco triunfos da americana). A americana atacando, a alemã se defendendo. Os erros da número 1 diminuíram, e uma quebra no quarto game foi o que Serena precisou para disparar na frente, abrindo 4/1.

A número 1 forçou o terceiro set, mas não conseguiu elevar o nível o bastante. Pelo contrário. Na parcial decisiva, seu aproveitamento de primeiro saque caiu (de 64% para 44%) e seus golpes junto à rede deixaram muito a desejar. E, diante dos contragolpes de Kerber, voleios e smashes mal executados custam caro. Custaram, inclusive, uma quebra logo no segundo game.

O maior mérito de Kerber foi tirar o máximo de seu tênis. Minimizou o prejuízo com seu segundo serviço vulnerável, conseguiu manter as bolas fundas em boa parte do jogo, mesmo quando não tinha o controle dos pontos, e, quando obteve vantagem nos ralis, usou ângulos com inteligência. E soltou até umas curtinhas que pegaram Serena de surpresa.

E eu mencionei os contra-ataques? Aqui vale ressaltar que Serena jogou taticamente mal, atacando quase sempre o forehand de Kerber, mas que culpa a alemã tem nisso? Ao contrário da favorita, a número 6 do mundo foi impecável com seu melhor golpe.

Na prática, a quebra do sexto game (com uma dupla falta e uma direita não forçada longa) decidiu o jogo a favor de Kerber, que abriu 5/2 na sequência. Sim, Serena ainda devolveu a quebra, mas três games dão a qualquer pessoa uma margem muito pequena contra alguém errando tão pouco. Sacando em 4/5 e com break point contra, um voleio (mais um) errado da #1 deu o título à alemã: 6/4, 3/6, 6/4.

O respeito

Serena Williams, número 1 do mundo, dona de 21 títulos de torneios do Grand Slam e a uma vitória de igualar-se a Steffi Graf (curiosamente, “salva” por outra alemã) como maior vencedora do tênis na Era Aberta, deu um longo abraço na nova campeã logo depois do match point. Assista!

A líder do ranking mundial ainda deu os parabéns toda sorridente em seu discurso de agradecimento. Serena se disse feliz pela alemã e desejou que Kerber apreciasse o momento.

A cerimônia

O discurso de Kerber não foi menos comovente do que o abraço da americana. A alemã brincou ao dizer que esteve com uma perna no avião de volta para casa na primeira rodada, mas sobreviveu para fazer esse pronunciamento lindo de ver.

O ranking

Com o título, Kerber salta para a vice-liderança do ranking mundial, melhor posição de sua carreira. Serena continua como número 1 com certa folga, mas sua vantagem diminuiu de 3.980 pontos para 3.545.


AO, dia 10: o tombo de Vika, as chances de Raonic, e Bruno em outra semi
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

A primeira derrota da cotadíssima Victoria Azarenka em 2016, a discussão sobre os méritos (ou não) de Angelique Kerber, o jogão de Andy Murray e David Ferrer, as chances de Milos Raonic e mais uma semifinal para Bruno Soares são os principais assuntos desta quarta-feira, décimo dia do Australian Open 2016.

Este resumaço da jornada inclui também o emocionante abraço de Johanna Konta e Shuai Zhang, os planos dos maiores órgãos do tênis para fortalecer o combate à manipulação de resultados, uma gafe do torneio e um bolão improvisado durante a madrugada. Role a página, clique nos muitos links e fique por dentro.

O jogo mais esperado

No primeiro verdadeiro teste de sua consistência no Australian Open, Victoria Azarenka sucumbiu. O belíssimo torneio da bielorrussa foi jogado fora em dois momentos. Um péssimo começo de partida e um desastroso fim de segundo set, com cinco set points perdidos em seu próprios games de serviço. Angelique Kerber, o retrato da regularidade, sobreviveu mesmo com um saque vulnerável e fez 6/3 e 7/5 para alcançar as semifinais em Melbourne pela primeira vez na carreira.

Obviamente foi um dia ruim de Vika, que nunca esteve à vontade para atacar buscando as linhas, algo necessário para enfrentar Kerber. Depois de deixar a alemã abrir 4/0, a bielorrussa diminuiu um pouco a agressividade, deixou a adversária errar um pouco mais e até equilibrou as ações, devolvendo uma das quebras, mas foi só.

A segunda parcial parecia bem encaminhada, mas a coisa desandou depois que Azarenka abriu 5/2 e 40/0. Kerber venceu três pontos seguidos sendo mais agressiva e salvou mais dois set points quando Vika teve 5/4 e 40/15. O que parecia um terceiro set certo tornou-se um pesadelo para a ex-número 1. Kerber viu a chance e não bobeou. Virou o set, conseguiu sua primeira vitória em sete partidas contra Azarenka e esbanjou alegria na comemoração.

A adversária de Kerber na semifinal será a britânica Johanna Konta (#47), que venceu o duelo de zebras contra a chinesa Shuai Zhang (#133). A inglesa nascida na Austrália fez 6/4 e 6/1 e se tornou a primeira britânica a alcançar a semifinal do Australian Open desde Jo Durie em 1983, ano em que foram lançados Billie Jean (Michael Jackson) e O Retorno de Jedi. Também foi o ano do bicampeonato do espetacular Nelson Piquet na Fórmula 1.

Konta, é bom lembrar, disputa uma chave principal de Slam pela nona vez, mas fez este ano sua estreia entre as 128 em Melbourne. De 2013 a 2015, disputou o qualifying e não conseguiu se classificar.

Eu ganhei, nós empatamos, vocês perderam

Em todo Slam, acontece pelo menos uma vez. Um tenista famoso perde e deixa a quadra dizendo algo do tipo “o jogo estava na minha raquete” ou “eu perdi”, sem dar o devido mérito à adversária. Até que demorou, mas chegou este momento na edição 2016 do torneio australiano, cortesia de Victoria Azarenka – ou da interpretação que deram a sua entrevista coletiva.

A percepção da maioria (e eu nem sei se concordo, mas isso é outra discussão) foi que Vika não deu o devido mérito para Kerber. De fato, Azarenka faz uma grande lista se suas falhas durante o jogo, mas ela também admite que a alemã foi agressiva e que sacou bem nos momentos mais importantes.

A frase que marca mais é a seguinte: “Acho que ela foi agressiva. Ela sacou bem. Especialmente nos momentos importantes ela sacou muito bem, mas para mim é difícil de julgar porque acho que nos conhecemos muito bem. Hoje, eu realmente sinto que foi minha culpa. Não fiz o suficiente com o que tive hoje.”

A avaliação de Kerber (que até onde eu sei, não tinha ideia da declaração de Azarenka) rendeu até o tuíte oficial do Australian Open copiado acima. A alemã crava: “Eu fiz meu jogo desde o primeiro ponto. Fui mais agressiva desta vez. Ela não perdeu; eu venci de verdade.”

E os homens?

Andy Murray (#2) x David Ferrer (#8) foi tudo que se esperava de um jogo entre eles. Um tanto previsível, é bem verdade, mas bem divertido de ver. Ralis impressionantes, defesas incríveis, contra-ataques espetaculares e oito saques quebrados. O nível foi bem alto e se manteve bem alto durante a maior parte das 3h25min de jogo. De novidade, apenas uma paralisação de cerca de dez minutos para fechar o teto retrátil, já que uma chuva forte se aproximava.

No fim, porém, o placar também foi previsível: Murray venceu em quatro sets, com parciais de 6/3, 6/7(5), 6/2 e 6/3. Apenas pela curiosidade, os três últimos duelos entre eles em torneios do Grand Slam terminaram em quatro sets, com o britânico levando a melhor e com o espanhol ganhando um tie-break.

Murray, o vencedor

Soa como piada pronta, mas o grande vencedor desse jogo de quartas de final entre Milos Raonic e Gael Monfils foi… Andy Murray! Pelo menos era isso que estava na chave no site do Australian Open na noite deste quarta.

A verdade verdadeira

No mundo real, Andy Murray vai enfrentar Milos Raonic (#14) nas semifinais. O canadense enfrentou pouca resistência de Gael Monfils (#25), que até venceu um set, mas nem esteve perto nos outros. As parciais foram 6/3, 3/6, 6/3 e 6/4. Será a primeira semifinal em Melbourne na carreira de Raonic – a segunda em um Slam, depois de Wimbledon/2014.

Não dá para ignorar que o canadense agora tem nove vitórias consecutivas, o que é um recorde para ele em torneios de nível ATP. Antes do Australian Open, Raonic foi campeão em Brisbane, onde bateu Roger Federer na final. A sequência de vitórias também inclui triunfos sobre Stan Wawrinka, Viktor Troicki e Bernard Tomic. O momento é realmente estupendo e é justo imaginar que ele terá chances contra Andy Murray na sexta-feira. Mas… será?

O brasileiro

Bruno Soares venceu outra vez. Pela 11 vez seguida, aliás, somando o título do ATP de Sydney e as campanhas nas duplas e duplas mistas em Melbourne. O triunfo desta quarta colocou o mineiro nas semifinais também nas mistas. Ele e Elena Vesnina derrubaram Jamie Murray (sim, o parceiro) e Katarina Srebotnik por 6/2 e 6/3, sem grandes problemas.

Brasileiro e russa, que fizeram um bate-papo ao vivo via Periscope nesta quarta-feira, agora aguardam por seus próximos adversários, que sairão do jogo entre Sania Mirza e Ivan Dodig, cabeças de chave 1, e Martina Hingis e Leander Paes. Quem quer que vença será um adversário bastante indigesto.

A chave masculina:

[1] Novak Djokovic x [3] Roger Federer
[13] Milos Raonic x Andy Murray [2]

A chave feminina:

[1] Serena Williams x [4] Agnieszka Radwanska
[7] Angelique Kerber x Johanna Konta

Os melhores lances

Nem de perto foi o melhor lance do jogo, mas foi o que escolheram no canal oficial do Australian Open no YouTube. De qualquer modo, fica o registro dessa passada de Andy Murray na corrida.

Não foi um ponto, mas foi um lindo momento de Johanna Konta e Shuai Zhang junto à rede, logo depois do match point. Vale ver.

Bolão Impromptu do Dia

A partir deste parágrafo, esta seção é criada com status de permanente para elogiar os tuiteiros da madrugada que se dispõem a tentar acertar uma pergunta aleatória lançada durante uma partida qualquer. O grande nome desta quarta-feira foi o Matheus Bernardes, primeiro a dar a resposta certa.

União contra a manipulação

Após a polêmica história-não-história da semana passada, quando BBC e BuzzFeed disseram possuir uma lista de partidas investigadas, mas não divulgaram nomes, os principais órgãos do tênis (ITF, ATP, WTA e o Grand Slam Board) anunciaram a criação de um processo independente de revisão que tem como objetivo “preservar a integridade do jogo”. A história completa está aqui.

O chamado IRP (Independent Review Panel), que será liderado por Adam Lewis, especializado em lei esportiva, terá como principais objetivos analisar questões como as citadas abaixo e fazer recomendações:

– Como a Tennis Integrity Unit (TIU, órgão que investiga partidas sob suspeita de manipulação) pode ser mais transparente sem comprometer a necessidade de confidencialidade em suas investigações;

– Avaliar recursos adicionais para a TIU nos torneio e internamente;

– Mudanças estruturais e/ou de governança que deem mais independência à TIU; e

– Como aumentar o alcance do programa de educação de integridade no tênis.

A história completa está no site da ITF.

O que vem por aí no dia 11

A programação de quinta-feira, em Melbourne, começa com Bruno Soares e Jamie Murray tentando uma vaga na final de duplas. Brasileiro e britânico encaram os franceses Adrian Mannarino e Lucas Pouille na Rod Laver Arena logo no primeiro horário do dia. Os outros dois jogos lá serão as semifinais femininas. Primeiro, Serena Williams enfrenta Agnieszka Radwanska. Em seguida, Angelique Kerber e Johanna Konta decidem a segunda vaga na decisão. À noite, Roger Federer e Novak Djokovic fazem a primeira semifinal masculina.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 8: aces que sumiram, a dor de Keys e “3” vitórias de Bruno Soares
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

A segunda-feira não foi um dia de muitos aces em Melbourne. John Isner disparou 18 e acabou eliminado, enquanto Milos Raonic conseguiu 24 em cinco sets (mesma média de Isner), mas compensou com voleios eficientes e um plano de jogo perfeito. O oitavo dia do Australian Open, porém, foi bom mesmo para Bruno Soares. Além de duas vitórias em quadra, o mineiro contou com a eliminação de Bob e Mike Bryan, que seriam seus adversários nas quartas de final.

Este resumo do dia fala ainda do esperado duelo entre Victoria Azarenka e Angelique Kerber, da doída – literalmente – eliminação de Madison Keys, da zebra de Johanna Konta e de Andy Murray, que venceu em três sets após um par de dias nada normais durante um Slam. Role a página e fique por dentro.

O brasileiro

Único representante do país no torneio, Bruno Soares continua 100% em Melbourne depois de duas partidas e “três” vitórias nesta segunda. Primeiro, ele e Jamie Murray derrotaram Robert Lindstedt e Dominic Inglot por 6/3 e 6/4. O jogo só teve drama no fim do segundo set, quando brasileiro e escocês perderam dois match points no saque de Lindstedt e depois precisaram salvar dois break points no serviço de Murray. Tudo, porém, deu certo, e Bruno Soares está nas quartas de final. O brasileiro, aparentemente, ganhou até no “Pedra, Papel, Tesoura”.

A segunda vitória para Bruno e Jamie foi saber que eles não enfrentarão Bob e Mike Bryan nas quartas. Os gêmeos americanos levaram a virada e foram eliminados por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 3/6, 6/3 e 6/4. A notícia é ótima também para Marcelo Melo, duplista número 1 do mundo, que perderia a liderança do ranking se os Bryans fossem campeões. O mineiro, no entanto, ainda não está 100% seguro e será ultrapassado se Horia Tecau e Jean Julien Rojer levantarem a taça.

Do ex-parceiro para o atual

Nas duplas mistas, Bruno Soares e Elena Vesnina venceram outra vez. As vítimas do dia foram o ex-parceiro de Bruno, Alexander Peya, e a taiwanesa Su-Wei Hsieh: 6/2 e 6/3, sem drama. A curiosidade é que nas quartas de final brasileiro e russa vão enfrentar o atual parceiro de Bruno, Jamie Murray. O britânico joga a chave de duplas mistas ao lado da eslovena Katarina Srebotnik.

Os favoritos

Na chave feminina, duas favoritas confirmaram as expectativas e se enfrentarão nas quartas. Isso também significa que ambas finalmente terão desafios à altura. Sim, as duas. Antes desta segunda-feira, Angelique Kerber havia derrotado Doi, Dulgheru e Brengle. Victoria Azarenka, por sua vez, teve no caminho Van Uytvanck, Kovinic e Osaka.

Para Kerber, a vítimas de hoje foi Annika Beck (#55), que até fez um primeiro set equilibrado com a compatriota, mas não conseguiu acompanhar a consistência da adversária no segundo set. Kerber acabou triunfando por 6/4 e 6/0.

Azarenka também teve mais trabalho. Mais do que em toda a temporada, é bom dizer. Barbora Strycova (#48) fez uma partida inteligente, usando curtinhas, slices e todas variações à disposição, mas acabou sucumbindo diante de uma oponente mais regular e com golpes mais potentes: 6/2 e 6/4.

Vale lembrar que os seis games conquistados por Strycova foram o máximo que Azarenka cedeu nesta temporada. E mais: somando as primeiras três rodadas do Australian Open, a ex-número 1 havia perdido apenas cinco games. Ela e Kerber agora reeditarão a final de Brisbane, vencida por Vika por 6/3 e 6/1. A bielorrussa, recordemos, nunca perdeu para a alemã – e já foram seis confrontos.

Ao fim do duelo desta segunda, Azarenka, fã de futebol americano (ou hater de Tom Brady, não sei exatamente o nível de sua ligação com a NFL) ainda perguntou em público se o Denver Broncos havia vencido a final da AFC contra o New England Patriots. Quando soube que sim, deu um grito que deixou o público meio confuso na Rod Laver Arena.

O estranho é que quando Azarenka entrou em quadra, o jogo entre Broncos e Patriots já havia acabado há mais de duas horas. Logo, ou Vika ficou totalmente desligada dos acontecimentos ou quis só fazer uma graça, comemorando na quadra central do Australian Open.

Entre os homens, o grande favorito da noite era Andy Murray (#2), que fez o esperado e despachou Bernard Tomic (#17): 6/4, 6/4 e 7/6(4). Foi o quarto duelo entre eles, e o australiano ainda não venceu um set. Apesar de vir em um jogo um tanto inconstante, com muitas quebras, a vitória em sets diretos é uma notícia ótima para o favorito, que viveu dias complicados. No sábado, correu para o hospital para ver o estado de seu sogro, que desmaiou durante uma partida de Ana Ivanovic. No domingo, voltou ao hospital para uma visita.

Na coletiva, Murray adotou um discurso bem diferente do de Federer para falar sobre Tomic. O escocês disse que Tomic vem evoluindo, que lida bem com a pressão e que costuma jogar bem no Australian Open. Para Murray, falta consistência ao longo do ano, mas “é normal para jovens ter altos e baixos.” O britânico terminou a “avaliação” cravando que Tomic será um top 10 “for sure”.

O jogo mais esperado

Stan Wawrinka (#4) tem ótimo histórico em Melbourne e vinha de um título em Chennai. Milos Raonic (#14) chegou embalado pela conquista em Brisbane e jogou um tênis empolgante nas primeiras rodadas. Por isso tudo, o duelo entre eles começou cheio de expectativa e não decepcionou.

O suíço teve problemas para encontrar seu jogo. Com Raonic sacando bem e pressionando com ótimas subidas à rede – tanto na execução de voleios e smashes quanto na escolha do momento de avançar – Wawrinka demorou a ficar à vontade do fundo de quadra. Perdeu o primeiro set e até conseguiu uma quebra no início do segundo, mas também acabou superado.

A partida começou a virar na terceira parcial, com o suíço finalmente encaixando alguns de seus melhores golpes do fundo de quadra e, principalmente, voltando a usar toda potência de forehands e backhands. Venceu o terceiro, venceu o quarto e forçou o quinto set.

O problema é que a pressão de Raonic era sempre grande e quem saca a mais de 200 km/h com tanta frequência acaba tendo uma certa margem para agredir mais. Se não conseguiu converter nenhum dos quatro break points no fim do quarto set, o canadense chegou à quebra no sexto game da parcial decisiva. Depois disso, Wawrinka não ameaçou mais: 6/4, 6/3, 5/7, 4/6 e 6/3, em 3h47min.

O adversário do invicto Raonic nas quartas em Melbourne será Gael Monfils (#25), que faz sua melhor campanha no Slam australiano. Não que não seja esperado. O francês se beneficiou da chave esburacada sem a presença de Rafael Nadal e foi avançando, derrubando Yuichi Sugita (#124), Nicolas Mahut (#63), Stéphane Robert (#225) e, nesta segunda, Andrey Kuznetsov (#74). Muitos ATPs 250 não têm chave tão acessível quando a de Monfils em Melbourne.

E antes que o leitor afobado diga “nossa, o Cossenza quer tirar o mérito do Monfils”, digo que não. São duas coisas diferentes. Uma: Monfils não tem culpa de pegar a chave que pegou. Entrou em quadra e fez o seu. A outra: não dá para dizer que foram atuações espetaculares ou que o francês chega às quartas jogando um tênis de altíssimo nível porque a verdade é que ele não foi testado. Sem drama.

Os aces que faltaram

John Isner (#11) chegou às oitavas de final em Melbourne como líder de aces do torneio e sem ceder um break point sequer. Nesta segunda, diante de David Ferrer (#8), foi quebrado três vezes e eliminado do torneio por 3 sets a 0: 6/4, 6/4 e 7/5, em 2h05min de jogo.

Vale lembrar que Isner pediu para jogar no fim do dia porque queria ver a final da NFC, com o “seu” Carolina Panthers enfrentando e atropelando o Arizona Cardinals. O jogo, inclusive, teve um daqueles raros momentos em que 40-15 não é um placar de tênis. Mas eu divago. O interessante é imaginar se jogar à noite, quando as condições são bem mais lentas do que de dia, atrapalhou o americano. É impossível dizer ao certo o quanto Ferrer se beneficiou com o horário, mas talvez Isner passe algum tempo pensando nisso.

Ferrer, por outro lado, chega às quartas sem perder um set (bateu Gojowczyk, Hewitt, Johnson e Isner) sequer. Logo ele que trocou de raquete no começo do ano e teve apenas um mês para se adaptar à nova “ferramenta”.

A zebra

Não foi um dia de resultados espantosos, mas é preciso registrar a surpreendente vitória da britânica Johanna Konta (#47) sobre a russa Ekaterina Makarova (#24): 4/6, 6/4 e 8/6, em 3h04min.

Responsável pela eliminação de Venus Williams na primeira rodada, a britânica que nasceu em Sydney (mas adotou a Inglaterra como residência) se tornou a primeira britânica desde Jo Durie – em 1983 – a alcançar as quartas de final.

Enquanto britânicos e australianos brigam pela nacionalidade de Johanna Konta, a moça se prepara para enfrentar a qualifier chinesa Shuai Zhang (#133), que passou pela americana Madison Keys (#17) em um jogo dramático: 3/6, 6/3 e 6/3.

A tensão ficou por conta de Keys, que venceu a primeira parcial, mas começou a sentir fortes dores desde o início do segundo set. Sem conseguir se movimentar normalmente, a americana fez o possível para se manter com chances de avançar, mas não foi possível. Saiu de quadra às lágrimas, de cabeça baixa, enquanto Zhang festejava e mal encontrava palavras (em inglês) para dar sua entrevista.

As quartas de final definidas

Na chave masculina, as quartas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x Tomas Berdych [6]
Gael Monfils [23] x [13] Milos Raonic
[8] David Ferrer x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x [10] Carla Suárez Navarro
[7] Angelique Kerber x [14] Victoria Azarenka
Johanna Konta x [15] Madison Keys / Shuai Zhang

Os melhores lances

Um rali de 32 golpes entre Andy Murray e Bernard Tomic terminou com um incrível ângulo encontrado pelo escocês.

O melhor do dia 9

A programação de terça-feira, em Melbourne, tem apenas quatro jogos de simples, mas são todos grandes duelos. A sessão diurna da Rod Laver Arena tem Radwanska x Suárez Navarro, Serena x Sharapova e Federer x Berdych. À noite, Djokovic enfrenta Nishikori.

Na chave de duplas masculinas, Bruno Soares e Jamie Murray voltam à quadra em busca de um lugar nas semifinais. Eles fazem o quarto jogo da Quadra 2 contra Raven Klaasen e Rajeev Ram. Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 6: desmaio de técnico, frases polêmicas e surpresas nas oitavas
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Se Andy Murray e Victoria Azarenka cumpriram o script, Garbiñe Muguruza apareceu no set com as falas mal ensaiadas. A espanhola acabou eliminada do Australian Open neste sábado, dia em que todos confrontos de oitavas de final foram definidos.

Foi uma jornada tumultuado dentro e fora de quadra. Desde o desmaio do técnico de Ana Ivanovic até as declarações polêmicas de Gilles Simon e – sempre ele – Bernard Tomic. Houve também muitos aces, lances espetaculares (e fanfarrões) e uma bela mensagem de solidariedade. Siga lendo o resumaço e fique por dentro do que anda acontecendo no primeiro Slam de 2016.

Muguruza_AO16_r3_get_blog

Os favoritos

“Victoria Azarenka atropelou” é a versão 2016 do manjado título jornalístico “Federer dá show”, certo? Bom, pelo menos por enquanto. A bielorrussa, bicampeã do torneio, voltou a vencer com folga em Melbourne. A vítima do sábado foi a qualifier japonesa Naomi Osaka (#127), que caiu por 6/1 e 6/1.

O jogo até chegou a parecer interessante, mas só por alguns minutos. Foi quando Vika perdeu o serviço logo no primeiro game. Depois disso, Azarenka venceu oito games seguidos e restabeleceu a ordem das coisas.

Ainda sem enfrentar uma cabeça de chave sequer, a ex-número 1 ainda deu sorte – com a eliminação de Garbiñe Muguruza (leia mais abaixo) – e vai enfrentar a tcheca Barbora Strycova (#48) nas oitavas. Ou seja, Vika pode alcançar as quartas sem enfrentar uma cabeça de chave.

Sim, eu sempre posto um tuíte como o acima, mostrando a espetacular sequência de resultados de Azarenka em 2016. Vale perguntar, a propósito, quando o Twitter vai aprovar o uso de mais de 140 caracteres nas postagens. Se demorar, os jornalistas precisarão postar imagens com as parciais de Vika.

Na chave masculina, Andy Murray perdeu um set, mas derrotou o português João Sousa sem muito drama: 6/2, 3/6, 6/2 e 6/2. Foi a sétima vitória de Murray em cima de Sousa, que só conseguiu tirar dois sets do britânico em todos esses confrontos. O jornalismo português, aliás, deve ser o detentor do recorde de escrever “enfrenta Andy Murray” nos últimos dois anos. De 2014 até este Australian Open, foram seis partidas entre os atletas em questão.

A grande cabeça que rolou

Na chave feminina, finalmente uma zebra grande. Garbiñe Muguruza (#3), que vinha de duas boas vitórias e atuações convincentes, deu adeus precoce a Melbourne neste sábado, eliminada pela tcheca Barbora Strycova (#48). A espanhola entrou em quadra agressiva e até conseguiu um break point no game inicial, mas não converteu.

Muguruza, contudo, atacou além da conta, e os erros começaram a aparecer já no segundo game. Strycova conseguiu duas quebras e, a partir do quarto game, manteve a liderança até fechar o set. A segunda parcial não foi muito diferente. Em momento algum, Muguruza conseguiu o ritmo necessário para agredir a rival com eficiência e consistência. A tcheca, que não deu o ritmo que Muguruza gostaria, acabou triunfando por 6/3 e 6/2, em 1h18min.

O susto

Ana Ivanovic (#23) vencia a partida contra Madison Keys (#17) por 6/4 e 1/0 quando a partida precisou ser interrompida por causa de um espectador que havia desmaiado. Pouco depois, foi confirmado que o cidadão era Nigel Sears, técnico de Ivanovic e sogro de Andy Murray.

NigelSears_AO16_get_blog

As duas tenistas tiveram a opção de adiar a partida, mas ambas preferiram continuar, e o jogo seguiu após uma interrupção de 50 minutos. Ivanovic chegou a abrir 4/2 no segundo set, mas acabou sofrendo a virada. Keys fechou a parcial em 6/4 depois de um último game que teve seis break points e três game/set points.

A parcial decisiva também foi cheia de variações, e Ivanovic novamente abriu vantagem. Keys, no entanto, saiu de 0/3 para 5/3 e finalmente fechou a partida em 4/6, 6/4 e 6/3. O torneio deu às tenistas a opção de não ir à coletiva obrigatória, e ambas aceitaram. Andy Murray, que jogava na Margaret Court Arena ao mesmo tempo, também se recusou a falar.

Ele e mãe saíram do Melbourne Park direto para o hospital. Os relatos mais recentes dão conta de que Nigel Sears está consciente e passa bem.

Frases polêmicas

Gilles Simon disse ao jornal francês L’Équipe que terá todo o vestiário (leia-se “todos os jogadores”) na torcida a seu favor no domingo, quando enfrentará Novak Djokovic nas oitavas de final. Segundo o #15 do mundo, todo mundo anda de saco cheio de ser humilhado pelo sérvio.

Tenho cá minhas dúvidas sobre se foi algo inteligente a dizer um dia antes de enfrentar o número 1 do mundo. Isso desestabilizaria ou incentivaria ainda mais Djokovic nas oitavas de um Slam? Aguardemos até a partida então.

Outro que andou falando sobre alguém do Big Four foi – surpresa! – Bernard Tomic. Depois de cinco dias sem falar ou fazer bobagem, o australiano foi indagado sobre uma entrevista de Federer, na qual o suíço ressaltava a inconsistência de Tomic, que sempre ficou longe de entrar no top 10. Neste sábado, o australiano disse também achar que o suíço está muito longe do tênis de Djokovic hoje em dia.

Se alguém estiver imaginando, Tomic só enfrentará Federer neste Australian Open se ambos alcançarem a final. Não parece lá muito provável.

As oitavas definidas

Na chave masculina, as oitavas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Gilles Simon [14]
[9] Jo-Wilfried Tsonga x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x David Goffin [15]
[24] Robert Bautista Agut x Tomas Berdych [6]
Andrey Kuznetsov x Gael Monfils [23]
[13] Milos Raonic x Stan Wawrinka [4]
[8] David Ferrer x John Isner [10]
[16] Bernard Tomic x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Margarita Gasparyan
[12] Belinda Bencic x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x Anna-Lena Friedsam
[10] Carla Suárez Navarro x Daria Gavrilova
[7] Angelique Kerber x Annika Beck
[14] Victoria Azarenka x Barbora Strycova
Johanna Konta x Ekaterina Makarova [21]
[15] Madison Keys x Shuai Zhang

O sortudo

Não é todo dia que alguém chega às oitavas de final em um Slam depois de derrotar Ryan Harrison, Jeremy Chardy e Dudi Sela, certo? Principalmente em uma chave que tinha Rafael Nadal (e, depois, Fernando Verdasco). Só que Andrey Kuznetsov (#74) tem lá seu mérito. Viu as oportunidades e aproveitou, derrotando um cabeça de chave, digamos, derrotável, e, em seguida, batendo o israelense Dudi Sela, que ninguém imaginava estar vivo na terceira rodada.

A maior surpresa

Não, Shuai Zhang (#133) não protagonizou nenhuma surpresa gigante neste sábado, embora a chinesa não fosse a mais cotada para vencer o duelo com a americana Varvara Lepchenko (#51). Ainda assim, a qualifier de 27 anos triunfou e avançou às oitavas por 6/1 e 6/3.

A parte mais bacana da história é que Shuai Zhang vem caminhando em território desconhecido desde a primeira rodada, quando derrotou a vice-líder do ranking, Simona Halep. Antes deste Australian Open, a chinesa havia disputado 14 Slams e perdido na estreia em todas 14 oportunidades.

Os brasileiros

Bruno Soares e Jamie Murray venceram outra vez e alcançaram as oitavas de final. Brasileiro e escocês, cabeças de chave 7 em Melbourne, fizeram 7/5 e 6/3 em cima de Mariusz Fyrstenberg e Jerzy Janowicz, uma dupla nada fácil de derrotar. Em uma seção duríssiva da chave, Bruno e Jamie vão enfrentar agora Dominic Inglot e Robert Lindstedt, cabeças 11. Quem vencer vai às quartas para encarar – provavelmente – os irmãos Bob e Mike Bryan.

O sábado também marcou o início do torneio juvenil do Australian Open, mas não há brasileiros inscritos. Dos quatro brasileiros mais bem colocados no ranking mundial juvenil, três optaram por disputar a Copa Barranquilla, na Colômbia. É um torneio de nível I. Gabriel Decamps foi eliminado nas oitavas de final (por desistência), assim como Lucas Koelle. Felipe Meligeni Alves, cabeça 1, caiu na estreia. Orlando Luz, por sua vez, ainda não jogou em 2016.

O canhão

John Isner (#11) venceu outra vez e, como quase sempre, disparando um monte de aces. Neste sábado, contra Feliciano López (#19), foram 44, número que iguala sua terceira melhor partida no quesito. O espanhol até emparelhou a partida durante os dois primeiros set, mas Isner conseguiu a primeira quebra de saque da partida logo no game inicial do terceiro set e dominou o confronto a partir dali. No fim, o placar mostrou 6/7(8), 7/6(5), 6/2 e 6/4.

Os números de Isner neste Australian Open são, de fato, impressionantes. Em três partidas, o americano de 2,08m de altura acumula 101 aces (e apenas cinco duplas faltas) e 161 saques não devolvidos. Além disso, em 54 games com o saque, Isner não cedeu um break point sequer. Os números são cortesia do tuíte de Craig O’Shannessy, colado abaixo.

O bom moço

Milos Raonic (#14) havia acabado de derrotar Viktor Troicki (#26) por 6/2, 6/3 e 6/4, mas aproveitou a entrevista pós-jogo para mandar um recado solidário. Ele dedicou a vitória a uma comunidade de Saskatchewan, no Canadá, onde houve um tiroteio que deixou quatro mortos e pelo menos dois feridos em uma escola.

“A vitória de hoje foi por essa comunidade e por uma recuperação rápida, e o Canadá inteiro, e tenho certeza que o mundo, está com vocês.”

Os melhores lances

Na chave de duplas mistas, Ivan Dodig derrubou a placa de propaganda na beira da quadra, mas conseguiu o winner. Ele e a indiana Sania Mirza derrotaram Alja Tomljanovic e Nick Kyrgios por 7/5 e 6/1.

Dodig também tentou jogar tênis sem a raquete.

O jogo entre os franceses Gael Monfils (#25) e Stephane Robert (#225) não foi lá equilibrado, mas teve seus momentos divertidos. Como este ponto de Robert depois de um longo rali com o compatriota.

Robert e Monfils, aparentemente, estavam no espírito de fazer gracinhas.

O melhor do dia 7

A programação de domingo, em Melbourne, marca o início das oitavas de final, ou seja, serão poucas as partidas desinteressantes. A começar pela primeiro jogo da Rod Laver Arena, entre Maria Sharapova e Belinda Bencic, que será disputado no mesmo horário de Jo-Wilfried Tsonga x Kei Nishikori, marcado para a Hisense Arena. A sessão diurna da RLA encerra com Novak Djokovic x Gilles Simon, duelo que ficou mais curioso depois das declarações do francês. No fim do dia, também na RLA, temos Roger Federer x David Goffin. Se o belga não costuma ameaçar o suíço, pelo menos a partida deve render alguns lances de efeito.

Entre os brasileiros, Marcelo Melo tenta uma vaga nas quartas de final. Ele e Ivan Dodig enfrentam Pablo Cuevas e Marcel Granollers na segunda partida do dia na Hisense Arena. Na Quadra 6, Bruno Soares finalmente fará sua estreia nas mistas, inicialmente marcada para sexta-feira, mas cancelada por causa da chuva. Ele e Elena Vesnina jogam contra a chinesa Saisai Zheng e o sul-coreano Hyeon Chung. Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 4: show de Vika, massacre de Murray e adeus de Hewitt
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Victoria Azarenka e Andy Murray deram mais uma prova de que são fortes candidatos ao título do Australian Open. Nesta quinta-feira, ainda na segunda rodada do torneio, bielorrussa e escocês bateram seus adversários de forma contundente, deixado claro que estão em grande forma.

O momento mais marcante do dia, contudo, foi a despedida de Lleyton Hewitt, que encerra a carreira (embora ainda esteja vivo na chave de duplas) após 20 participações no Australian Open. Este resumaço do quarto dia de torneio relata a cerimônia de despedida do australiano, juntamente com outros destaques do dia: a partida “boyhoodiana” entre Feliciano e Guido Pella, um lance espetacular de Vika, a decepção com Bellucci e a lembrança de uma “maldição”.

Os favoritos

A primeira favorita a entrar em quadra nesta quinta-feira foi Victoria Azarenka, que finalmente perdeu games no torneio. Só que não foram tantos assim. Depois da bicicleta na estreia, contra Alison Van Uytvanck, a bielorrussa fez 6/1 e 6/2 sobre a montenegrina Danka Kovinic (#54).

Não posso falar muito sobre o jogo – fiquei vendo as duplas de Soares e Sá, que foram jogadas no mesmo horário – mas os números de Vika continuam animadores. Ótima porcentagem de primeiro serviço (69%), excelente índice com o fundamento (92% de pontos vencidos) e nenhum break point cedido. Azarenka também somou 19 winners e só nove erros não forçados.

Talvez não tão animador para os fãs da bielorrussa seja a notícia de que Vika continua em rota de colisão com a espanhola Garbiñe Muguruza, que voltou a vencer com folga. A espanhola, número 3 do mundo, aplicou 6/4 e 6/2 sobre a belga Kirsten Flipkens (#80).

Agora basta mais uma vitória de cada para que Azarenka e Muguruza se encontrem nas oitavas de final. As duas nunca se enfrentaram, e esse primeiro duelo teria muito em jogo. Ambas estão na metade mais fraca da chave (longe de Serena, Radwanska e Sharapova), e a vencedora enfrentaria possivelmente Angelique Kerber (#6) nas quartas.

Entre os homens, o destaque do dia foi para Andy Murray, que deu mais uma demonstração de força ao domar os potentes saques de Sam Groth. Quando o australiano saiu do zero no placar, o britânico já liderava por 6/0 e 3/0. Groth ainda fez um segundo set razoável, mas a precisão de Murray impressionava. O #2 do mundo acabou vencendo por 6/0, 6/4 e 6/1.

O jogo mais esperado

Lleyton Hewitt e David Ferrer abriram a programação noturna na Rod Laver Arena com a carreira do australiano por um fio. A derrota significaria sua última partida oficial de simples (Rusty ainda está nas duplas ao lado de Sam Groth), e Ferrer acabou se mostrando consistente demais para o veterano de 34 anos.

O jogo cumpriu perfeitamente as expectativas, com um Ferrer mais sólido e um Hewitt brigando por todos os pontos e correndo atrás de todas as bolas, esbravejando a cada chance de quebra não convertida. O encontro incluiu até um bate-boca com o árbitro de cadeira, Pascal Maria. Típico Lleyton Hewitt.

O pós-jogo foi emocionante. Primeiro, David Ferrer deu uma longa (para seus padrões) entrevista, afirmando sua admiração por Hewitt e revelando que só tinha, em casa, uma camisa autografada: justamente a do australiano.

Em seguida, Hewitt foi entrevistado e viu mensagens exibidas no telão. Roger Federer agradeceu pela rivalidade, Rafa Nadal falou sobre o quando Rusty era uma inspiração e um exemplo, e Andy Murray disse que Hewitt sempre o respeito e ajudou desde os primeiros anos de carreira.

Foi uma cerimônia emocionante, com o público de pé a a família inteira de Hewitt na Rod Laver Arena. Seus três filhos entraram na quadra para receber os últimos aplausos ao lado do pai. Uma cena memorável, com direito a um pôster com os dizeres “Thanks, mate” no caminho para o vestiário.

Há muito a dizer sobre Hewitt, um adolescente prodígio que entrou no circuito na época de Sampras e Agassi, tirou o número 1 de Gustavo Kuerten e se tornou o líder do ranking mais jovem da história. Guardo a maioria para outro texto, a ser publicado ainda hoje aqui no blog.

O jogo “boyhoodiano”

Foram 4h36min, quatro tie-breaks e drama de sobra. Guido Pella (#75) ainda salvou dois match points e conseguiu levar a partida para o quinto set, mas Feliciano López (#19) acabou levando a melhor. O espanhol disparou 42 (!) aces e somou 97 (!!!) winners em toda partida. Pella, que fez “só” 13 aces, perdeu o saque no oitavo game do quinto set, mas devolveu a quebra logo na sequência, com Feliciano sacando para vencer. Pella, então, teve 4/5 para empatar o jogo, mas não resistiu. Ainda salvou outros dois match points, mas acabou derrotado com parciais de 7/6(2), 6/7(4), 7/6(3), 6/7(8) e 6/4.

Feliciano López, é bom dizer, ainda voltou para jogar duplas nesta quinta ao lado do compatriota Marc López. Eles enfrentaram e derrotaram os também espanhóis Daniel Muñoz de la Nava e Albert Ramos Viñolas por 6/4 e 6/3.

Cabeças que rolaram

Nenhum top 10 deu adeus nesta quinta, mas a chave feminina viu, logo no começo da tarde, Elina Svitolina (cabeça 18) tombar diante da qualifier Naomi Osaka, #127. A japonesa, que havia eliminado Donna Vekic na estreia, terá pela frente um obstáculo mais duro na sequência: Victoria Azarenka.

Outra seed a dar adeus foi Sabine Lisicki, cabeça 30. Um dia depois de perder seu recorde de aces para Kristyna Pliskova, a alemã foi derrotada em três sets pela tcheca Denisa Allertova: 6/3, 2/6 e 6/4. Allertova, #66, vai encarar Johanna Konta, #47, que superou Venus Williams na primeira rodada.

Jelena Jankovic (cabeça 19), ex-número 1 do mundo, foi outra pré-classificada a se despedir de Melbourne. A sérvia saiu na frente, mas cedeu a virada à alemã Laura Siegemund (#97) por 3/7, 7/6(5) e 6/4.

Na chave masculina, foram poucas as surpresas relevantes. A derrota de Jeremy Chardy, cabeça 30, nas mãos de Andrey Kuznetsov quase passa fora do radar, já que não se esperava muito do francês. Merece mais destaque a eliminação de Jack Sock (cabeça 25), de quem se esperava uma partida emocionante com Wawrinka na terceira rodada. O americano, entretanto, não passou por Lukas Rosol, que fez 7/66), 7/6(5) e 6/3. É dele a “recompensa” de encarar Stan the Man.

Os brasileiros

Duas duplas entraram em quadra quase ao mesmo tempo. A boa notícia é que, na Quadra 15, Bruno Soares e Jamie Murray deram sequência ao bom momento – os dois foram campeões em Sydney – e derrotaram Jonathan Marray e Aisam-ul-Haq Qureshi por 6/3 e 6/4.

A notícia ruim é que André Sá e Chris Guccione foram derrotados pelos favoritos Bob e Mike Bryan, que fizeram 7/5 e 7/6(4). A parte duplamente ruim da coisa é que os gêmeos americanos são os prováveis adversários de Soares e Murray nas quartas de final em Melbourne.

Nas duplas femininas, Teliana Pereira e Mariana Duque Mariño foram eliminadas pelas favoritíssimas Martina Hingis e Sania Mirza, líderes do ranking mundial. O jogo, que terminou em 6/2 e 6/3, significou a 31ª vitória seguida da parceria.

Por fim, Thomaz Bellucci decepcionou. Com uma rara chance de chegar à terceira rodada do Australian Open, o número 1 do Brasil ficou aquém do esperado. Não tanto pela derrota em si, mas pela maneira, sem sequer ameaçar o americano Steve Johnson, que avançou com parciais confortáveis: 6/3, 6/2 e 6/2, em menos de 1h30min. Nos três sets, Bellucci perdeu sempre seu primeiro game de serviço, só conseguiu break points em um game (não aproveitou) e cometeu 28 erros não forçados – o dobro do oponente.

Com a derrota em Melbourne, Bellucci, atual #37, termina uma campanha nada animadora pela Austrália. Fez quatro jogos e venceu apenas um – sobre um adversário que nem está entre os 100 melhores do mundo. Nas derrotas, não venceu nenhum set. Que a volta ao saibro lhe seja mais favorável.

A “maldição”

Ninguém disse que é fácil eliminar Rafael Nadal de um Slam, mas uma tendência curiosa se desenvolveu nas últimas oito vezes que um tenista considerado azarão eliminou o espanhol. Todos perderam nas rodadas imediatamente seguintes. A vítima da vez foi Fernando Verdasco. O homem que disparou 90 winners acabou tombando diante do israelense Dudi Sela (#87): 4/6, 6/3, 6/3 e 7/6(4).

É bom lembrar que a sequência não incluiu Novak Djokovic, responsável pela derrota de Nadal em Roland Garros/2015. É que o sérvio estava longe de ser azarão naquela partida. Logo, vem sendo excluído da “maldição”.

Os melhores lances

Victoria Azarenka aproveitou o ângulo cedido pela direita de Danka Kovinic e soltou o braço, mandando a bolinha por fora da rede.

E que tal Nick Kyrgios soltando o braço nas duplas?

Isso, sim, é entrega

Grandes nomes do tênis australiano foram homenageados com selos. Eles se juntam a Rod Laver e Margaret Court, eternizados anteriormente.

O melhor texto

Eric Butorac, ex-parceiro de Bruno Soares, conta a viagem (e “viagem”, aqui, tem duplo e até triplo sentido) de torcedor-com-ingresso-comprado a finalista do Australian Open em 12 anos. Texto em inglês. Dica da Aliny Calejon.

Mão mole

Vale o registro, ainda que só pela curiosidade. Stan Wawrinka, vestido como uma espécie de garoto-propaganda do McDonald’s, deixou a raquete escapar da mão logo depois de um ponto. Ele ainda tentou rebater a bola seguinte meio sem jeito, mas não deu muito certo.

O melhor do dia 5

Na programação de sexta-feira, em Melbourne, os jogos mais esperados são Roger Federer x Grigor Dimitrov, programado para fechar a sessão diurna da Rod Laver Arena, e Nick Kyrgios x Tomas Berdych, que encerrarão a sessão noturna, também na quadra principal do complexo.

O dia, no entanto, está recheado de estrelas. Serena Williams, Maria Sharapova, Novak Djokovic, Agnieszka Radwanska, Kei Nishikori, Belinda Bencic… Não deve ter sido montar a programação desta sexta-feira.

Há também três jogos com brasileiros em quadra. Logo no comecinho do dia, Marcelo Melo e Ivan Dodig fazem o primeiro jogo da Quadra 3 contra Austin Krajicek e Donald Young. Um pouco mais tarde, abrindo a programação da Quadra 19, Bruno Soares estreia nas duplas mistas ao lado de Elena Vesnina. Mineiro e russa vão enfrentar a chinesa Saisai Zheng e o sul-coreano Hyeon Chung.

Em seguida, na mesma quadra, Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner voltam à quadra para a segunda rodada da chave de duplas. Eles enfrentam o filipino Treat Huey e o bielorrusso Max Mirnyi. Veja os horários e a programação completa.


AO, dia 2: Sete anos depois, o “mesmo” Verdasco e outro Nadal
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Verdasco_Nadal_AO16_1r_get_blog

A semifinal de 2009 foi dos jogos mais memoráveis do Australian Open. Foram 5h14min de lances espetaculares e um equilíbrio de tirar o fôlego. Rafael Nadal, vencedor naquele dia, era o número 1 do mundo. Fernando Verdasco, o 15º. Seria injusto esperar o mesmo nível de tênis sete anos depois, com um Nadal longe daquele nível e seu compatriota em 45º lugar no ranking.

Verdasco, imagino, discorda da afirmação acima. O veterano de 32 anos disparou 90 winners (!!!) em 4h41min, destruindo Nadal e vencendo seis games seguidos no quinto set para fechar o jogo em 7/6(6), 4/6, 3/6, 7/6(4) e 6/2. Uma atuação irregular, bem ao estilo Verdasco (com 91 erros não forçados), mas espetacular no momento crucial – algo que vai de encontro à sua fama de vacilar em pontos “grandes”.

A vitória de Verdasco parecia improvável desde o fim do terceiro set. Na quarta parcial, o azarão foi quebrado quando sacou para fechar e ainda precisou sair de um 5/6 e 0/30para forçar o tie-break e, em seguida, o quinto set. Na parcial decisiva, Nadal novamente teve vantagem. Abriu 2/0 e teve um break point para fazer 3/0. Errou a devolução de saque e viu Verdasco renascer.

Arriscando – e acertando – nas devoluções, Verdasco demoliu o saque de Nadal, que já não conseguia mandar em ponto algum. Ao fim do confronto, enquanto o ex-número 1 rumava para perder seis games em sequência, o duelo parecia uma versão bizarra de Verdasco/2009 contra Nadal/2016. Um em grande momento; o outro, vacilante e não mais indestrutível.

Sim, Nadal executou golpes espetaculares em diversos momentos do jogo. Fez 37 winners, o que nem é tão pouco considerando o nível de risco que seu adversário aceitou assumir a partida inteira. Só que não foi uma atuação espetacular. Longe disso. Se não foi inconsistente, faltaram saque e a velha capacidade de fechar as portas para reações dos seus adversários. O Nadal de hoje, que se diz bem melhor do que no ano passado, ainda se parece mais com Nadal/2015 do que com Nadal/2009, e o circuito inteiro sabe disso. Esse “retorno” fica mais difícil a cada dia.

A última vitória

O segundo dia do Australian Open, porém, não foi só de Verdasco. Favoritos venceram, cabeças rolaram, muitos aces foram disparados e Bellucci venceu. Também houve desistências, inclusive com um tenista sendo retirado da quadra em uma maca. Mas comecemos por um dos momentos mais emocionantes do dia…

Lleyton Hewitt, fazendo o último torneio da carreira, entrou na sessão noturna da Rod Laver Arena com o país quase inteiro em reverência, apesar de o rival da estreia ser o compatriota James Duckworth. Pois Rusty foi lá e venceu em três sets, com parciais de 7/6(5), 6/2 e 6/4. Sua comemoração foi possivelmente o momento mais emocionante da terça-feira.

É bem provável que tenha sido a última vitória da carreira de Hewitt. O ex-número 1 do mundo, hoje com 34 anos, enfrentará David Ferrer na sequência. É grande a chance de que a última partida de Hewitt aconteça na quinta-feira.

Os favoritos

Atual vice-campeão do torneio, Andy Murray entrou em quadra para uma estreia perigosa contra Alexander Zverev, mas logo cedo ficou claro que a maré não estava a favor do jovem alemão de 18 anos, #83. Já no segundo game, o adolescente teve um sangramento no nariz e recebeu atendimento médico, o que atrasou o jogo por quase uns dez minutos.

Quando o jogo recomeçou, Murray ditou o jogo, fez belíssimas jogadas e não deu muitas chances a Zverev. Ao todo, foi uma ótima atuação do número 2 do mundo, deixando poucas dúvidas de que o escocês chegou em forma a Melbourne.

Outros nomes de peso que venceram neste segundo dia de evento na chave masculina foram Stan Wawrinka (seu adversário, Dmitry Tursunov, abandonou após dois sets) e Milos Raonic (atropelou Lucas Pouille), David Ferrer e John Isner.

Entre as mulheres, Victoria Azarenka foi quem mais impressionou. Escalada para o último jogo da Rod Laver Arena, entrou afiadíssima e não vacilou nem por um momento. Aplicou uma bicicleta (6/0 e 6/0) na belga Alison Van Uytvanck e deu uma primeira amostra em Melbourne de que é mesmo uma séria candidata.

O mesmo vale para a espanhola Garbiñe Muguruza, que fez o dever de cassa e passou fácil por Anna Kontaveit (6/0 e 6/4). Enquanto isso – acreditem – Ana Ivanovic voltou a vencer. A sérvia, beneficiada com um sorteio que lhe colocou diante de Tammi Paterson, convidada da organização e #459 do mundo, triunfou por 6/2 e 6/3. E antes que você pergunte “mas hoje não jogavam Halep, Kerber e Venus?”, já sugiro que o leitor role a página porque elas se encaixam em outros tópicos deste resumaço.

Cabeças que rolaram

Das dez primeiras tenistas do ranking, apenas duas não sofreram com problemas físicos antes do Australian Open. Venus Williams foi uma delas. Talvez não sirva de consolo, já que a americana, atual #10, foi eliminada logo na primeira rodada em Melbourne. Sua algoz foi a britânica Johanna Konta (#47), que fez 6/4 e 6/2. Andy Murray aplaudiu virtualmente.

Após terminar o ano no top 10 – como bem lembrou o Mário Sérgio Cruz – Venus ainda não venceu em 2016. Em Auckland, seu primeiro torneio, foi derrotada pela russa Daria Kasatkina.

O “buraco” deixado por Venus na chave deixa a vida mais fácil no quadrante que era de Simona Halep. “Era” de Halep porque a número 2 do mundo também tombou no fim do dia. Carregando uma lesão no tendão de aquiles e vindo de uma semi em Sydney, a romena foi praticamente dominada pela qualifier chinesa Shuai Zhang, atual #133 do mundo, logo no início.

Halep até começou melhor a segunda parcial, com uma quebra de vantagem, mas perdeu os últimos cinco games e deu adeus ao torneio: 6/4 e 6/3. Enquanto isso, Zhang, 26 anos, revelou que por pouco não se aposentou e que viajou para a Austrália pensando que seria sua última vez no torneio.

Sem Venus e Halep no quadrante, as cabeças de chave restante nesse quadrante são Karolina Pliskova, Makarova, Ivanovic e Lisicki. É bem possível que uma delas alcance a semifinal em Melbourne. Ah, sim: vale registrar que a lista de cabeças eliminadas neste segundo dia de torneio também inclui Irina Camelia Begu (cabeça 29), Caroline Garcia (32) e Lesia Tsurenko (31).

Na chave masculina, a derrota mais significativa – depois de Nadal, claro – foi a do sul-africano Kevin Anderson, #12. Com problemas no joelho, o sul-africano perdia para o americano Rajeev Ram por 7/6(4), 6/7(4), 6/3 e 3/0 quando desistiu da partida. O resultado beneficia diretamente Gael Monfils, que enfrentaria Anderson na terceira rodada. Aliás, se o favoritismo prevalecesse, o vencedor de Anderson/Monfils enfrentaria Nadal nas quartas.

Outra cabeça que rolou foi a de Fabio Fognini, em uma partida tensa de quatro tie-breaks que testou os nervos do italiano. O luxemburguês Gilles Muller, dono de um saque invejável e de 34 aces no duelo, fez 7/6(6), 7/6(7), 6/7(5) e 7/6(1). Fognini fez um pouco de tudo: perdeu set points nas duas primeiras parciais, atirou raquetes, foi punido e esbravejou com árbitros.

Os sustos

A chave feminina por pouco não perdeu uma candidata ao título – ainda que seja uma das que correm por fora. Angelique Kerber encontrou sérios problemas com a agressividade de Misaki Doi, que topou correr riscos e, com os golpes calibrados, colocou a alemã para correr durante boa parte dos dois primeiros sets. Venceu o primeiro set depois de estar perdendo por 3/0 (duas quebras) e teve até um match point no tie-break da segunda parcial.

A chance foi breve. Doi devolveu para fora um saque de Kerber (que nem foi tão forçado ou colocado assim) e, depois, viu a alemã vencer mais dois pontos em sequência para forçar o terceiro set. No fim, Kerber, mais consistente, triunfou por 6/7(4), 7/6(6) e 6/3 em 2h45min. A número 6 do mundo agora enfrentará a romena Alexandra Dulgheru na segunda rodada.

Não, Andy Murray não esteve perto da eliminação, mas tomou esse sustinho aí quando a bola não estava em jogo.

O (outro) jogo boyhoodiano

Foram cinco sets, sete match points e 4h43min, até que Jeremy Chardy eliminou Ernests Gulbis por 7/5, 2/6, 6/7(5), 6/3 e 13/11. O resultado é especialmente amargo para o letão, não só pela derrota mas pela repetição do cenário. Ano passado, também na primeira rodada, Gulbis foi eliminado pelo australiano Thanasi Kokkinakis, que fechou em 8/6 no quinto set. Na ocasião, o letão teve quatro match points e não conseguiu converter.

O canhão

Atenção para os números da estreia de John Isner, que despachou o polonês Jerzy Janowicz em três sets: 37 aces, 78% de aproveitamento de primeiro serviço, 91% dos pontos vencidos com o primeiro saque e 72% com o segundo.

O brasileiro

Thomaz Bellucci fez o que se esperava – e fez bem feito. Diante do desconhecido convidado Jordan Thompson (#143), o brasileiro foi consistente e esteve sempre à frente no placar. No fim, fechou por 6/2, 6/3 e 6/2 e avançou à segunda rodada.

Caso volte a vencer, Bellucci alcançará o melhor resultado de sua carreira no Australian Open. Seu próximo oponente será o americano Steve Johnson, #32 e cabeça de chave 31 do torneio. Na estreia, Johnson derrotou o britânico Aljaz Bedene por 6/3, 6/4 e 7/6(3).

Os melhores lances

Foi o momento que selou o segundo set e, no fim das contas, acabou não sendo tão decisivo quanto pareceu na hora. Mesmo assim, este ponto vencido por Rafael Nadal merece ser visto e revisto.

A desistência

O abandono doído – literalmente – deste segundo dia do torneio ficou por conta de Diego Schwartzman, que chegou a ter dois sets de frente sobre o australiano John Millman. O argentino teve cãibras no calor e precisou ser retirado da quadra de maca. Millman herdou a vitória quando o placar mostrava 3/6, 5/7, 7/6(2) e 5/0.

O melhor do dia 3

Dois jogos se destacam na programação de quarta-feira em Melbourne. Primeiro, fechando a sessão diurna da Rod Laver Arena, Roger Federer encara Alexandr Dolgpolov. Em seguida, na abertura da sessão noturna, Agnieszka Radwanska enfrenta Eugenie Bouchard. A rodada ainda tem jogos de Maria Sharapova, Serena Williams, Novak Djokovic, Kei Nishikori e Petra Kvitova, entre outros.

Nas duplas, Marcelo Melo e Ivan Dodig fazem sua estreia. Eles jogam contra Aljaz Bedene e Dustin Brown na Quadra 5. Na Quadra 10, Bellucci e Demoliner enfrentam Santiago González e Julian Knowle. Veja a programação completa aqui.


Australian Open 2016: o guia feminino
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Antes de mais nada, atenção para o que aconteceu com o top 5 nas últimas duas semanas: Serena Williams (#1 do mundo) desistiu da Copa Hopman por causa de dores no joelho; Simona Halep (#2) abandonou o WTA de Brisbane e jogou em Sydney com uma inflamação no tendão de aquiles; Garbiñe Muguruza (#3) saiu de Brisbane por causa de dores no pé esquerdo; e Maria Sharapova (#5) abandonou também em Brisbane por causa de uma lesão no antebraço esquerdo.

E o resto do top 10? Petra Kvitova (#6) sofreu um mal-estar em Shenzhen e deixou a China. Poucos dias depois, também anunciou que não jogaria em Sydney. Angelique Kerber (#7) deixou Sydney pelo mesmo motivo. Flavia Pennetta (#8) se aposentou no fim do ano passado. Lucie Safarova (#9) está fora do Australian Open devido a uma infecção pulmonar.

Sobram Agnieszka Radwanska (#4), campeã do modesto WTA de Shenzhen, e Venus Williams (#10), que só jogou uma partida no ano e perdeu (em Auckland para a russa Daria Kasatkina). São muitos problemas físicos e de saúde e, às vésperas de um Slam, é difícil saber quem está sendo cauteloso e quem realmente vem sentindo dores fortes.

A questão toda é que ficou duríssimo estabelecer um cenário de favoritismo para o Australian Open, que começa nesta segunda-feira (noite de domingo no Brasil). A única certeza por enquanto é que Victoria Azarenka, bicampeã do torneio, surge como nome forte após o título em Brisbane. Mas será que é justo alçar Vika à condição de principal favorita? Este guiazão da chave feminina tenta encontrar resposta para essa e outras perguntas.

As favoritas / Quem se deu bem

Ao mesmo tempo em que pode soar arriscado cravar Serena Williams como favorita mesmo com uma lesão no joelho, é igualmente ousado colocar a americana em qualquer lugar que não seja o topo da lista de mais cotadas. Até prova incontestável do contrário, Serena ainda é Serena, a número 1 do mundo que venceu três Slams e ficou a duas vitórias do Grand Slam (de fato) em 2015.

Em público, Serena afirma que a lesão não é séria e que ela não tem nada a perder. Bobagem. Era o mesmo discurso do US Open do ano passado, e o mundo inteiro viu seu estado de nervos naquela semifinal contra Roberta Vinci. A pressão, desta vez, não é tão grande, mas Camila Giorgi, sua oponente na primeira rodada, pode lhe dar algum trabalho. De qualquer modo, o mais provável é que Serena tenha uma semana para calibrar seus golpes até encarar Caroline Wozniacki nas oitavas. Aí será preciso estar realmente em forma.

Esse quadrante ainda tem Belinda Bencic e Maria Sharapova, que chega sem ritmo de jogo. A suíça, por sua vez, tem um caminho nada tranquilo, com Alison Riske na estreia, possivelmente Heather Watson na segunda rodada e, quem sabe, Svetlana Kuznetsova (campeã em Sydney) na terceira. Quem avançar dessa turma pode encontrar Sharapova nas oitavas. Difícil prever alguma coisa, não?

O quadrante logo abaixo é encabeçado por Agnieszka Radwanska e Petra Kvitova. Única em forma no top 10, a polonesa estaria mais cotada ao título não fosse por uma chave ingratíssima, que tem Christina McHale na estreia, Eugenie Bouchard na segunda rodada, e Stosur/Puig na terceira. Sloane Stephens ainda pode ser sua oponente nas oitavas.

Enquanto isso, Kvitova é a incógnita de sempre. Mesmo que tenha superado o problema de saúde de Shenzhen, a tcheca precisará lidar com o calor (a previsão para este ano é de um Australian Open quentíssimo), o que deve preocupar uma tenista que joga três sets com uma frequência nada agradável. Em compensação, sua chave não é das piores. Petra tem Kumkhum na estreia, Hradecka ou Gavrilova na segunda rodada e Mladenovic ou Cibulkova em seguida. As oitavas seria contra Suárez Navarro ou Petkovic. Só nas quartas é que enfrentaria quem avançar na forte seção de Radwanska.

Angelique Kerber, vice-campeã em Brisbane, talvez tenha o caminho menos duro até as quartas. É aí que entra a vencedora da seção que tem Garbiñe Muguruza e Victoria Azarenka. E o que pensar de Vika? A bielorrussa está bem fisicamente, como demonstrou em Brisbane, onde foi campeã. O porém é que muito de seu favoritismo está baseado no currículo (bicampeã em Melbourne) e não necesariamente na campanha de Brisbane, onde encontrou uma chave nada complicada: bateu Vesnina, Bonaventure, Vinci, Crawford e Kerber.

Sim, foi uma grande atuação de Azarenka na decisão contra Kerber, mas será que um grande jogo é o suficiente para dar esse status todo à bielorrussa? Talvez esse esperado jogo de oitavas contra Muguruza nos dê a resposta definitiva. Uma vitória assim colocará Vika cheia de confiança na segunda semana do Australian Open.

Finalmente, o último quadrante é liderado por Simona Halep e tem Venus Williams na outra ponta. Se a romena conseguir atuar em bom nível mesmo com o incômodo no tendão de aquiles, pode ir longe, mas há algumas “cascas de banana” pelo caminho. Uma delas é Alizé Cornet, campeã em Hobart, que é sua provável oponente na segunda rodada. E não convém descartar quem passar do possível encontro entre a americana Madison Keys e a sérvia Ana Ivanovic na terceira rodada. Ainda assim, Halep seria, em condições normais, a favorita para ir pelo menos até a semifinal. Mas será?

A brasileira

Teliana Pereira não terá vida fácil. Depois de derrotas em Brisbane e Hobart diante de Andrea Petkovic e Heather Watson, a brasileira, atual #46 do mundo, estreará contra Monica Niculescu (#38) em Melbourne. Não foi o pior dos sorteios para Teliana, mas a romena tem um jogo cheio de variações que não dá ritmo e tira a brasileira da sua zona de conforto.

Foi exatamente o que aconteceu quando as duas se enfrentaram em Bucareste no ano passado. A dúvida sobre que estratégia adotar provocou cenas curiosas entre Teliana a seu técnico/irmão, Renato Pereira. Vejam no vídeo abaixo.

Talvez a partida em Bucareste tenha apontado uma direção a seguir desde o início para Teliana, o que pode facilitar as coisas, Por outro lado, a combinação dos slices de Niculescu com a quadra dura de Melbourne pode exigir ainda mais da brasileira. O fato é que, pelo menos no papel, a romena entra como favorita.

A ausência

Francesca Schiavone, depois de jogar 61 Slams de forma consecutiva, está fora do Australian Open. A italiana de 35 anos, campeã de Roland Garros em 2010, mas atual número 115 do mundo, foi derrotada no qualifying pela francesa Virginie Razzano. Como bem lembrou o jornalista americano Ben Rothenberg, Razzano também encerrou uma série espetacular de Serena Williams quatro anos atrás. A americana levava consigo uma série de 46 vitórias em estreias nos Slams.

Os melhores jogos nos primeiros dias

O sorteio da chave já formou um trio de partidas interessantes para a rodada inicial. A começar por Serena Williams x Camila Giorgi, com a número 1 do mundo sem ritmo e se recuperando de um problema no joelho. Ainda que a americana seja uma tenista muito superior, não custa lembrar que a italiana tem no currículo um punhado de vitórias relevantes sobre top 10 (Wozniacki no US Open, Sharapova em Indian Wells, Cibulkova em Roma e Azarenka em Eastbourne, por exemplo).

Outro jogo interessante, mas que deve ficar fora do radar (foi escalado para a Quadra 7 nesta segunda-feira) é Belinda Bencic x Alison Riske. A suíça é a número 14 do mundo e favorita, mas vem de um abandono em Sydney. Riske, por sua vez, fez semifinal em Shenzhen e parece ter deixado para trás o momento ruim do segundo semestre do ano passado (sofreu oito derrotas seguidas).

O melhor de todos pode muito bem ser Dominika Cibulkova x Kristina Mladenovic, que estarão escondidas na Quadra 19, apesar de a eslovaca ter sido vice-campeã do torneio em 2014 e a francesa ser cabeça de chave. Mladenovic é mais agressiva, enquanto Cibulkova gosta de contra-atacar. Parece uma combinação interessante entre duas tenistas talentosos.

Há também um clássico com sensação retrô, já que ambas parecem estar na parte final de suas carreiras: Svetlana Kuznetsova (#25) x Daniela Hantuchova (#88). As duas já se enfrentaram 14 vezes, com a russa levando a melhor em dez. Sveta, aliás, é a favorita aqui, já que vem de uma importante conquista em Sydney.

O que pode acontecer de mais legal

As possibilidades de confrontos de segunda rodada são empolgantes. Muito mais do que na chave masculina, aliás. De cima para baixo, a primeira metade da chave pode ter Bencic x Watson, Aga Radwanska x Bouchard e Stosur x Puig (as duas se enfrentaram em Sydney). Na outra metade, lá embaixo, um Halep x Cornet se desenha. Isso, é claro, se nenhuma zebra ocorrer na primeira fase.

O intangível

O grande fator que precisa ser levado em conta neste Australian Open é o calor. A previsão indica um torneio bem mais quente que os anteriores. Também entra na conta o fator sorte (quem vai estar jogando nas quadras cobertas nos dias mais quentes?), mas o preparo físico será essencial.

É difícil imagina, por exemplo, Petra Kvitova indo longe no torneio se encarar uma sequência de dias quentes. A tcheca tem saúde mais frágil que a maioria e pode muito bem ficar pelo caminho se a coisa literalmente esquentar. Resta saber quando isso vai acontecer e quem vai estar em quadra nesses momentos.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Com tanto equilíbrio e tantos jogos bons nas primeiras rodadas, é difícil não prestar atenção em alguém. Talvez Andrea Petkovic seja a pessoa mais indicada para esta seção. Embora não tenha obtido um resultado expressivo em seu único torneio até agora (perdeu para Samantha Crawford por 6/3 e 6/0 nas quartas), a alemã derrotou Ekaterina Makarova em Brisbane e, em Melbourne, tem uma chave interessante. Estreia contra Kulichkova, pega Teliana/Niculescu em seguida e, se passar por Suárez Navarro (ou alguma zebra) na terceira rodada, estará nas oitavas contra Kvitova ou Mladenovic.

Levando em conta a inconstância de tcheca e francesa (sem esquecer a irregularidade da própria Petkovic), não é tão difícil assim imaginar a alemã igualando seu melhor resultado no Australian Open e alcançando as quartas – como fez em 2011, quando eliminou Sharapova nas oitavas.

Quem pode (ou não) surpreender

A partir dos resultados de Auckland e Sydney – duas derrotas e nenhum set vencido -, já será uma surpresa se Ana Ivanovic fizer alguma coisa no torneio. Brincadeira à parte, a sérvia inicia este Australian Open sem expectativa alguma e se deu bem no sorteio, que lhe colocou diante de Tammi Patterson, #462 e convidada da organização. Talvez seja o jogo que Ivanovic precisa para ganhar um pouco de confiança e arrancar.

Vale prestar atenção também em Madison Keys. Em dias quentes, com a bola “voando”, a americana (#17) é perigosíssima. Se o favoritismo se confirmar, ela e Ivanovic duelarão nas oitavas, com a vencedora avançando para encarar a baleada Halep. Será que… Fiquemos de olho.

Onde ver

Os canais ESPN mostram o torneio com o auxílio do recurso online do WatchESPN. “Serão mais de 1.400 horas de tênis na Internet e cerca de 130 horas de cobertura ao vivo na ESPN e na ESPN+!”

A ESPN, inclusive, anunciou recentemente a renovação dos direitos de transmissão do Australian Open até 2021. A partir de 2017, o canal terá também os direitos da Copa Hopman do ATP de Brisbane e do ATP de Sydney.

Nas casas de apostas

Na casa virtual Bet365, Serena não é tão favorita quanto já foi, e Victoria Azarenka passa a ser cotadíssima depois do título em Brisbane. A americana, contudo, ainda lidera a lista de favoritas, e um título seu paga 3/1, ou seja, três dólares para cada um apostado em seu triunfo. Vika vem logo atrás, cotada em 4/1.

As outras candidatas estão bem para trás. O top 10 ainda inclui Simona Halep (9/1), Maria Sharapova (10/1), Garbiñe Muguruza (12/1), Petra Kvitova (14/1), belinda Bencic (18/1), Agnieszka Radwanska (18/1), Angelique Kerber (28/1) e, sim, acreditem, Eugenie Bouchard (33/1), empatada com Sloane Stephens.