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Quadra 18: S02E16
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Alexandre Cossenza

Andy Murray derrotou Novak Djokovic, conquistou o ATP Finals e termina o ano como número 1 do mundo. Nas duplas, Bruno Soares e Jamie Murray são a dupla número 1 da temporada. Após o torneio de fim de ano da ATP, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu batemos mais um papo no podcast Quadra 18 e falamos sobre simples e duplas, oferecendo respostas para várias perguntas de nossos ouvintes.

Djokovic continuará vulnerável? O #1 pesará muito para Murray? Federer e Nadal voltarão a brilhar em 2017? Raonic algum dia vai conquistar um Slam? Quais as chances de Bruno Soares também ser #1 no ranking individual de duplas? Quer saber o que a gente acha disso tudo? Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’16” – Sheila Vieira apresenta os temas
1’40” – A importância dos nomes que Andy Murray derrubou no ATP Finals
2’15” – Como o grupo de Djokovic era mais fraco
5’06” – Qual o real peso do Lendl sobre as atuações do Murray?
7’04” – Nole mostrou uma atitude melhor na fase de grupos e na semifinal?
9’42” – Devemos nos acostumar com o Djokovic vulnerável do 2º semestre?
11’02” – Meligeni e a história do “guru” de Djokovic que abraçava árvores
12’05” – Hábitos esportivos da Sheila e comentários aleatórios sobre quadribol
14’06” – Na briga pelo #1, Djokovic x Murray finalmente será uma rivalidade?
14’58” – Federer e Nadal vão voltar a brigar em 2017? E o tal implante de Nadal?
16’02” – Murray vai ter cabeça para seguir no topo?
17’17” – Raonic como #3 e Wawrinka como #4
18’50” – Raonic vai ficar sempre no quase ou vai além disso?
19’51” – Será que agora os fãs de tênis vão finalmente respeitar Raonic?
21’40” – Black Hole Sun (Ramin Djawadi)
22’05” – O título de Kontinen e Peers e o número 1 de Bruno e Jamie
23’15” – Como o jovem Henri Kontinen subiu meteoricamente no circuito de duplas
27’04” – Quais as chances de Bruno ser #1 no ranking individual de duplas?
27’48” – É mais importante ser o maior duplista ou estar na melhor dupla?
28’40” – Dodig e Melo: a campanha no Finals e o resumo dos 5 anos de parceira
31’28” – IPTL: o que esperar?


Andy Murray, o número 1, e a ‘chancela Djokovic’
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Alexandre Cossenza

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Andy Murray foi campeão de Wimbledon, bicampeão dos Jogos Olímpicos e terminou a temporada com o título do ATP Finals. Fez outras duas finais de Slam (perdeu para Djokovic na Austrália e na França), ganhou em Roma, em Queen’s, em Pequim, em Xangai, em Viena e em Paris. A lista é enorme. Venceu 22 jogos seguidos de junho a agosto. De setembro a novembro, estabeleceu outra série enorme, com 24 triunfos. Uma sequência espetacular em que o escocês ainda teve gás para ficar em quadra por 3h38min na semifinal e, no dia seguinte, derrotar o rival na briga pela liderança do ranking.

Os números são, sim, incontestáveis. O número 1 é quem faz mais pontos durante o período de 52 semanas. Ainda assim, pairava para alguns a dúvida: Murray teria assumido a ponta do ranking porque jogou pouco contra o sérvio? Nos quatro confrontos anteriores este ano, Nole triunfou em três. O que aconteceria, então, no embate direto pela ponta do ranking? Pois Murray foi lá e cravou um 6/3 e 6/4 que pareceu mais fácil do que o placar indicou. Não fosse um deslize do britânico no fim do segundo set, Djokovic nem teria tido a chance de esboçar uma reação.

Era a chancela que faltava: número 1 nos pontos, mas com a posição estabelecida em cima do grande rival. Foi o resultado para completar uma temporada memorável. Foi o retrato do segundo semestre, e Murray, é preciso dizer, fez um dos segundos semestres dos mais brilhantes da história. Teria sido ainda mais folgado se os Jogos Olímpicos Rio 2016 dessem pontos no ranking – como em Londres – mas a briga precisava ir até o final. Aos olhos (injustos) de muitos, Murray ainda não tinha a validação necessária como número 1. Pois tem agora.

Sobre a decisão, não há muito a dizer. O britânico foi sólido e agressivo, especialmente com o saque. Apostou em arriscar sempre o primeiro serviço, mesmo dando margem para Djokovic atacar seu segundo saque. Funcionou. O sérvio, por sua vez, atacou menos e mostrou menos precisão. Pouco arriscou com o backhand na paralela – talvez seu golpe mais importante contra Murray. Quando foi para as linhas, quase sempre errou.

Ao insistir na esquerda cruzada, Nole fez o jogo que deixa seu rival mais confortável. Era preciso mexer mais o escocês. Era preciso forçá-lo a usar mais o forehand, golpe bem menos sólido. Djokovic só conseguiu fazer isso no finzinho da segunda parcial. Já era tarde demais. Talvez o sérvio tenha pagado o preço por cair numa chave menos complicada na fase de grupos. Por ter sido menos exigido. Mas a sólida atuação contra Nishikori na semifinal praticamente lhe colocou como favorito ao título.

No entanto, na hora mais importante, o ex-número 1 ficou devendo – como aconteceu quase sempre após Roland Garros. Djokovic falhou em momentos decisivos contra Querrey em Wimbledon, perdeu dois tie-breaks para Del Potro no Rio, tombou na decisão do US Open diante de Wawrinka. Enquanto isso tudo acontecia, Murray fazia sua escalada. Estava mais de oito mil (!!!) pontos atrás do sérvio após o Slam francês. Terminará o ano 630 pontos à frente. Incontestável.


Quadra 18: S02E15
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Alexandre Cossenza

Andy Murray é o novo número 1 do mundo, encerrando o terceiro reinado de Novak Djokovic, que durou incríveis 122 semanas. Por isso, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos mais podcast Quadra 18. No episódio desta semana, falamos sobre os momentos mais importantes da arrancada do escocês, lembramos dos trechos que marcaram sua carreira até agora e comentamos como ficou o cenário para o ATP Finals, onde o sérvio pode retomar a liderança do ranking.

Também comentamos o silêncio de Djokovic nas redes sociais e a repercussão desse comportamento, além das influências de Judy e Jamie Murray, Jamie Delgado e, claro, Ivan Lendl. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir mais tarde, clique neste link com o botão direito do mouse e, em seguida, selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’19” – Aliny apresenta os temas murrayzetes
2’25” – Que momento deixou claro que Murray brigaria pelo número 1?
7’52” – O que Murray e Djokovic precisam fazer no ATP Finals?
10’06” – Quem fez a melhor temporada até agora: Djokovic ou Murray?
11’25” – A repercussão nas redes sociais e o respeito que Murray tem dos tenistas
12’24” – Por que Djokovic não se manifestou nas redes sociais?
14’33” – Sheila fala sobre como redes sociais julgam pessoas sem critério
16’50” – Momentos marcantes da carreira de Andy Murray
23’43” – Os méritos de Judy Murray, Jamie Delgado e Jamie Murray
29’52” – A influência discreta e invejável de Ivan Lendl


Quadra 18: S02E14
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Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?


Quadra 18: S01E19
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic completou uma temporada espetacular com mais um título e mais uma vitória sobre Roger Federer. No embalo do ATP Finals, o podcast Quadra 18 está de volta com mais um episódio cheio de informações. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu comentamos os oito melhores simplistas, o Finals de duplas e as notícias mais quentes como a ameaça terrorista na Bélgica, onde será disputada a final da Copa Davis, e a exclusão dos pontos do torneio olímpico de tênis.

Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir fazer o download do episódio, clique neste link com o botão direito do mouse e, depois, em “salvar como”.

Ah, sim: também falamos sobre a final da Fed Cup, os planos da ATP de realizar uma espécie de ATP Finals Sub-21 e a volta de Carlos Bernardes às partidas de Rafael Nadal em 2016.

Os temas

0’00 – Higher (Sigma feat. Labrinth)
0’41’’ – SURPRESA! Djokovic venceu o Finals.
1’44’’ – “Não pode ter feito 15 finais seguidas. Alguém errou a conta”
2’25’’ – Os jogos contra Federer: o que mudou de um para o outro
5’50’’ – Frases distorcidas em coletivas
6’48’’ – O efeito Djokovic: forehands, riscos e o jogo tático em Djokovic x Federer
11’02’’ – O 2015 de Federer foi melhor que o seu 2014?
12’49’’ – Murray travando contra os tops
15’00’’ – Murray ou Wawrinka?
16’52’’ – “O Stan é muito humano, né?”
20’30’’ – Os “outros” do ATP Finals
21’50’’ – Pergunta: “O que é preciso para bater Djokovic?” Respostas: “bigorna do Coyote”, “seja Wawrinka em Paris” e “macumba”.
22’50’’ – Pergunta: “Qual a diferença do domínio de Serena na WTA e o de Djokovic na ATP?”
23’23’’ – Pergunta: “Neste ritmo, em que degrau da história do tênis Djokovic pode chegar?”
25’28’’ – Pergunta: “Federer ano que vem continua como principal adversário de Djokovic?”
25’44’’ – Pergunta: “Qual será a prioridade de Djokovic em 2016: Roland Garros ou Olimpíadas?”
27’37’’ – Pergunta: “Vocês também acham que o melhor do Finals foi o extraquadra? Murray cortando o cabelo e deixando o box vazio, a ex do Stan…”
31’41’’ – Barbagate + comentário: “Federer é meio Tony Ramos, né?”
33’59’’ – Duuuuuuuuuuu-plaaaaaaaaas
34’24’’ – Aliny esperava número 1 título de Rojer/Tecau?
36’18’’ – Parênteses sobre a namorada “peituda” de Robert Lindstedt
37’30’’ – “Falando de beijos e romances…”
37’45’’ – A campanha de Marcelo Melo e Ivan Dodig
39’18’’ – Desabafos contra John Peers
40’34’’ – Bopanna e Mergea surpreenderam?
41’23’’ – Aliny analisa o momento dos Bryans e como isso reflete no circuito
43’02’’ – Críticas sobre a não-transmissão da semifinal
48’40’’ – 22 Acacia Avenue (Iron Maiden)
49’19’’ – Preocupação com a segurança na final da Copa Davis
53’05’’ – Comentários sobre a falta de pontos nos Jogos Rio 2016
58’08’’ – A ideia do ATP Finals sub-21
61’10’’ – Rafa Nadal e Carlos Bernardes, o retorno em 2016
63’00’’ – República Tcheca vence a Fed Cup novamente
63’45’’ – Inédito: Cossenza elogia Sharapova
65’25’’ – England (Edguy)

Créditos musicais

Por causa do ATP Finals em Londres, a trilha sonora tem tema inglês. A faixa de abertura é Higher (Sigma feat. Labrinth). As outras duas faixas são 22 Acacia Avenue (Iron Maiden) e England (Edguy).


Manifestações do “efeito Djokovic”
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Alexandre Cossenza

Três títulos e um vice nos quatro Slams, seis troféus e dois vices em oito Masters 1.000 disputados, 82 vitórias e apenas seis derrotas, mais de US$ 21 milhões em prêmios. Neste domingo, Novak Djokovic completou uma das temporadas mais espetaculares da história do tênis. E fechou o ano com uma vitória por 6/3 e 6/4 sobre Roger Federer, deixando evidentes todos os muitos detalhes que fizeram dele não só o atual líder disparado do ranking, mas um tenista muito superior ao resto do circuito mundial em 2015.

De tudo que já escrevi e analisei em posts anteriores sobre os méritos de Djokovic, resta pouco a acrescentar. O circuito inteiro sabe das qualidades e dos pontos fortes do atual número 1. A questão é que ninguém consegue encontrar respostas para derrotá-lo consistentemente. Federer, que entre todos é o tenista com mais recursos, foi brilhante nas três vitórias que obteve (Dubai, Cincinnati e primeira fase do Finals), mas sucumbiu nos duelos mais importantes (Wimbledon, US Open e a decisão do Finals). Com todas as cartas na mesa, Djokovic ainda sobra.

A superioridade do sérvio se reflete no ranking. Ele lidera com 16.585 pontos, deixando muito atrás Andy Murray (8.670) e o próprio Federer (8.340). É interessante também notar o quanto Djokovic afetou seus rivais mais frequentes em 2015. A final deste domingo foi um ótimo exemplo. Muito se comentou, por exemplo, na transmissão do SporTV sobre os erros não forçados do suíço. Foram 31 ao todo. Ora, será que não seria o caso de avaliar o mérito de Djokovic nisso?

Como o #1 conseguiu executar bolas tão profundas com tanta consistência, Federer mal podia avançar e agredir. Subir à rede era arriscado demais (as duas passadas seguidas na primeira quebra de saque são testemunha disso), e tentar ralis do fundo de quadra tampouco soava como boa opção para o suíço. Logo, Federer tentava sempre bolas mais fundas, slices mais rasantes, golpes mais agressivos. Muitas dessas tentativas resultaram em erros não forçados. Outras falhas, que aconteceram em golpes não tão agressivos, eram decorrentes da insistência de Federer em não recuar. Nole também tem culpa nesse cartório. Trocando em miúdos, são manifestações do que chamo de “efeito Djokovic”.

Roger Federer termina o ano como #3 do mundo, atrás de Murray, mas dono de belíssimas campanhas. Fez um Wimbledon irretocável até a final e também alcançou a final em Nova York. Além disso, experimentou um novo tipo de devolução, quase de bate-pronto, que surpreendeu adversários e deixou especialistas boquiabertos. Se o 18º Slam não veio, repito, culpem o sérvio.

O “efeito Djokovic” também se manifestou repetidamente em Andy Murray. O britânico fez possivelmente a temporada mais consistente da carreira, com ótimos resultados inclusive no saibro – algo que lhe faltava. E seu 2015 não acabou, é bom que se diga. O escocês ainda vai brigar pelo título da Copa Davis no fim de semana, em Ghent, na Bélgica (se o confronto ocorrer, já que as questões de segurança na Bélgica não são as mais favoráveis).

Tendo em conta que Murray fechou 2014 ainda sem mostrar o velho tênis pré-cirurgia nas costas (ele operou em setembro de 2013), 2015 foi um grande ano que começou com uma ótima campanha na Austrália e teve grandes momentos como o título em Madri (final no saibro e na Espanha contra Rafael Nadal), o troféu em Queen’s e a conquista em Montreal, além, claro, das atuações na Copa Davis (seis jogos e seis vitórias em simples – todos “live rubbers”).

Se o escocês não fez mais na temporada, foi por causa do “efeito Djokovic”. O sérvio lhe impôs derrotas em Miami, Indian Wells, Xangai e Paris, sem contar os Slams. Em Melbourne, Murray parecia o melhor tenista em quadra no início do terceiro set, mas perdeu-se mentalmente na partida e viu o rival disparar no placar. Em Roland Garros, outro jogaço. Nole abriu dois sets de frente, mas o britânico lutou e forçou o quinto, mas – de novo – sem sucesso.

No balanço, é injusto condenar Murray por ter feito o mesmo que a maioria do circuito: sucumbir diante de Djokovic. Ao todo, o britânico deixou de ganhar 2.760 diretamente por causas derrotas diante do #1 (a conta nem leva em consideração os ganhos em potencial em rodadas seguintes). Uma ou duas vitórias a mais contra Nole teriam deixado o escocês (que só venceu em Montreal) com folga na vice-liderança do ranking. Algo que certamente teria lhe colocado menos vezes diante do sérvio. Se serve de consolo, Andy abre 2016 como #2 do mundo e só encontrará Djokovic se os dois forem outra vez à final em Melbourne.

Stan Wawrinka talvez seja o protagonista do momento mais impactante da temporada. Quando Novak Djokovic apresentava-se como favoritíssimo para fechar seu Career Slam e conquistar Roland Garros, o suíço fez uma partida inesquecível (tão memorável quanto sua escolha de shorts para aquele torneio) e derrubou o número 1 do mundo. Era impossível prever na época, mas foi a única derrota de Djokovic em todos os quatro Slams em 2016.

Não que tenha sido o único momento de brilho de Wawrinka na temporada. Stan ainda foi campeão em Roterdã e Tóquio. Entretanto, após as fantásticas duas semanas de Roland Garros, houve uma sensação de que o suíço poderia ter feito mais – como quase sempre acontece quando se fala de alguém com tanto potencial – e até, quem sabe, brigado pela vice-liderança do ranking no fim do ano.

No fim das contas, Wawrinka encerra a temporada na mesma posição que começou (em 2014, também conquistou um Slam) e sem responder de forma definitiva a questão que todos faziam no fim do ano passado: “Será que Stan consegue jogar seu tênis espetacular com mais frequência e brigar por posições mais altas no ranking?” Ou será que a resposta é “sim” e teremos todos que nos contentar de vez em ver seu melhor tênis em flashes (espetaculares) de brilho?

Rafael Nadal encerrou um turbulento 2015 de forma digna. Mais interessado do que nunca na temporada indoor de quadras duras, o espanhol fez uma longa série de torneios (Pequim, Xangai, Basileia, Paris e Londres) após o US Open e, inegavelmente, evoluiu em sua nova proposta de jogo. As boas vitórias sobre Wawrinka, Murray e Ferrer no ATP Finals comprovaram isso.

A distância para Djokovic, no entanto, não parece menor. No sábado, nas semifinais, o #1 foi superior desde o começo. Nadal até fez uma boa apresentação, mas raramente conseguiu sair da defesa (não que não tentasse) e fez pouquíssimo nos games de saque do sérvio. Sua posição de devolução, agora mais próxima da linha de base, embora lhe permita ser mais agressivo, reduz o tempo de reação. E o ex-número 1 quase nunca conseguiu atacar logo em seu primeiro golpe. O resultado disso foi um Djokovic confortável o bastante para ser até um pouco mais agressivo nos games de devolução.

No balanço, foi uma temporada muito abaixo da média para Nadal, que, ainda assim, fecha 2015 como número 5 do mundo. O copo-meio-cheio da coisa toda é que seu tênis evoluiu nitidamente desde o começo do ano e lhe rendeu bons resultados em circunstâncias que não são as mais favoráveis (quadras duras, rápidas e cobertas). Os fãs podem levar algum otimismo para o começo de 2016.

Tomas Berdych foi, mais uma vez, consistente em sua inconsistência. Dono de um tênis com potencial para ir mais longe do que normalmente vai em torneios grandes, o tcheco teve como melhores resultados em 2015 os títulos de Shenzhen e Estocolmo (ambos 250).

É bom que se diga, contudo, a primeira metade do ano foi admirável para Berdych. Ainda que não tenha levantado troféus, só foi derrotado por gente do nível de Ferrer (Doha), Murray (Melbourne e Miami), Wawrinka (Roterdã), Djokovic (Dubai e Monte Carlo), Federer (IW e Roma), Nadal (Madri) e Tsonga (Roland Garros). Ou seja, a crítica ao tcheco segue a mesma: faltam as vitórias “grandes”.

Terminar o ano em sexto não é novidade para Berdych. O mesmo aconteceu em 2010 e 2012. Em 2011, 2013 e 2014, ele fechou a temporada em sétimo. Ou seja, já são seis temporadas ininterruptas no top 10, mas a pergunta para 2016, assim como no caso de Wawrinka, segue a mesma: “Berdych vai, enfim, ganhar um Slam e dar um salto no ranking?” A resposta, no momento, não parece tão otimista. Com Djokovic imbatível, Federer inesgotável e Nadal e Murray incansáveis, o cenário não é nem um pouco mais favorável ao tcheco do que em outros momentos.

David Ferrer, #7, termina sua sexta temporada seguida (e sétima ao todo) no top 10, o que é fenomenal para um atleta de 33 anos que claramente não tem potência de golpes para derrotar com consistência gente como Djokovic, Federer e Nadal. O espanhol, contudo, compensa com consistência, obediência tática, concentração e preparo físico.

Não por acaso, Ferrer chegou a Londres dizendo que chegar às semifinais seria uma vitória e tanto. Não deu. Despediu-se com três derrotas, mas fez uma bela apresentação contra Nadal. Seu 2015 foi mais do mesmo – o que não pode ser uma crítica. Foi campeão em Doha e Kuala Lumpur (250); no Rio, em Acapulco e em Viena (500). E poderia muito bem ter chegado ao fim do ano com um ranking melhor se não fossem problemas físicos. Ferrer, lembremos, não jogou de junho a agosto. Ficou fora de Wimbledon e disputou o US Open sem a devida preparação.

Vale destacar as duas estatísticas acima, postadas pelo guru dos números da ATP, Greg Sharko. No ano inteiro, Ferrer perdeu apenas uma partida depois de vencer o primeiro set (43v e 1d). Além disso, perdeu apenas dois sets decisivos (15v e 2d).

Número 5 do mundo no fim de 2014, Kei Nishikori encerra 2015 em oitavo, o que tem mais a ver com a final do US Open de 2014 do que com o resto dos resultados do japonês. Entre problemas físicos (abandonou Halle, Wimbledon e Paris e não jogou em Cincinnati nem na Basileia por lesão) e um tênis em momentos inconstante, Nishikori mostrou o potencial de seu jogo aqui e ali.

Foi campeão em Memphis (250); e Barcelona e Washington (500). Além disso, fazia um excelente Roland Garros até viver um dia abaixo da crítica diante de Tsonga e da torcida francesa. Levando tudo em consideração, foi uma bela temporada, mas que acaba com a sensação de que Nishikori podia (e, talvez, devia fazer) mais.

Coisas que eu acho que acho:

– Fico com duas perguntas sobre Djokovic para 2016. 1) É mais fácil o sérvio cair de nível ou algum de seus adversários alcançá-lo no patamar jogado em 2015? 2) O que acontecerá quando Djokovic sofrer duas derrotas e começarem as perguntas e comentários do tipo “ele não é o mesmo”?

– Sobre a primeira questão, acho muito, muito mais fácil Djokovic fazer uma temporada abaixo desta animalesca de 2015. Aliás, seria loucura alguém esperar algo semelhante de quem quer que seja, em qualquer esporte.

– Sobre a segunda pergunta, imagino que Djokovic seja experiente e inteligente o bastante para não criar para si mesmo a expectativa de repetir 2015. Acho que o sérvio tem consciência do que faz e, consequentemente, saberá conviver com algumas derrotas a mais. No entanto, são só minhas opiniões. Vai ser divertido acompanhar o desenrolar disso tudo em 2016.


Um duplo tapa na cara
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Alexandre Cossenza

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Partidas pouco ou nada equilibradas, tenistas abaixo de seu nível costumeiro e uma aguardadíssima final que não existiu. Foi assim o decepcionante torneio de simples do ATP Finals, evento que reúne os oito melhores tenistas da temporada. O título acabou nas mãos de Novak Djokovic, que venceu por WO após a desistência de Roger Federer, que se queixou de dores nas costas um dia depois de derrotar Stan Wawrinka no único jogo realmente interessante da semana. E não deixa de ser um típico encerramento para um torneio chato: a melhor partida serviu para impedir a realização do confronto que todos queriam ver.

Djokovic, é bom que se diga, foi o melhor tenista do começo ao fim do ATP Finals. Venceu sempre com folga e, até quando perdeu um set – na semifinal diante de Kei Nishikori -, faturou os outros dois sem problemas (6/1 e 6/0). Federer, por sua vez, fez uma estupenda fase de grupos, mas aceitou jogar com as porcentagens diante da agressividade de Wawrinka na semi. Diante de tantas bolas profundas, o número 2 do mundo fez a arriscada aposta de agredir menos – inclusive diante do segundo saque do adversário (que terminou com menos de 40% de aproveitamento de primeiro serviço) – e contar com as falhas do oponente. No fim, a estratégia deu certo, mas só porque Wawrinka cometeu erros bobos nos match points.

No domingo, contudo, Federer disse que começou a sentir dores nas costas durante o tie-break final do sábado. Explicou que tentou tratamento, mas nada lhe colocou em condições de competir com Djokovic. O suíço disse que provavelmente estará bem dentro de alguns dias e é de se imaginar que a final da Copa Davis tenha pesado um bocado na opção por não jogar a final em Londres. Dentro de cinco dias, Federer precisará estar em forma na França – e pronto para a possibilidade de ficar em quadra por cinco sets – em busca de um dos poucos títulos inéditos em seu currículo. Restou a Djokovic, um merecido campeão, levantar a taça com o sorriso amarelo da foto acima.

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Se algo valeu a pena neste ATP Finals, foi a chave de duplas. Com jogos de altíssimo nível, ralis na rede e no fundo de quadra, tie-breaks e match tie-breaks cheios de variações, a modalidade mostrou seu valor mais uma vez. Bob e Mike Bryan, mais uma vez, ficaram com o título. Marcelo Melo, que sempre merece mais reconhecimento do que recebe, foi vice ao lado de Ivan Dodig – e, tirando um par de duplas faltas no segundo set, foi uma final irretocável do mineiro. Enquanto isso, Bruno Soares e Alexander Peya foram eliminados após uma derrota diante dos mesmos Bryans na fase de grupos.

O sucesso do torneio de duplas não deixa de ser um gentil tapa na cara da ATP, que fracassa intencionalmente na tarefa de divulgar decentemente a modalidade. A entidade faz esforço perto de zero para transmitir partidas, não disponibiliza sinal de jogos sequer via internet e vende um pacote separado para os canais que se mostram dispostos a exibir. Mas não é só isso: enquanto é possível ver inúmeros jogos de duplas em torneios da série Challenger, há finais de ATPs 500 e Masters 1.000 sem transmissão – o que beira o inacreditável.

O excelente nível mostrado pelas duplas vai fazer a ATP rever sua postura e divulgar melhor a modalidade? Duvido muito. Vejam abaixo esse diálogo entre André Sá, integrante do conselho de jogadores da entidade, e o britânico Jamie Murray, irmão de Andy e duplista de ofício. O escocês reclama que todos jogos de simples são televisionados, mas as câmeras são desligadas assim que um jogo de duplas está prestes a começar na quadra central. O mineiro rebate, explicando que não há intenção da ATP de investir dinheiro algum na modalidade.

Coisas que eu acho que acho:

– Com a desistência, Federer ficou bem longe do número 1 do mundo. Djokovic agora soma 11.510 pontos, contra 9.700 de Federer, que ainda pode somar na Copa Davis. Ainda assim, o suíço tem mais a defender até o fim do Australian Open, o que dá alguma folga extra ao sérvio.

– A lesão e a consequente desistência de Federer (que não derrota Djokovic em uma final desde 2012) são mais uma prova de que qualquer tenista pode cair machucado na pior das horas. Sempre vale a pena pensar duas vezes antes de duvidar de um atleta que se queixa de dores – especialmente em uma decisão.

– O top 10 da temporada termina nesta ordem: Djokovic, Federer, Nadal, Wawrinka, Nishikori, Murray, Berdych, Raonic, Cilic e Ferrer.


Um inquestionável número 1
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Alexandre Cossenza

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Foi uma brilhante tentativa de Roger Federer. Vendo a liderança ao alcance, o suíço venceu Xangai, foi campeão de novo na Basileia e animou o fim de ano da ATP. O veterano, no entanto, não conseguirá terminar a temporada como número 1 do mundo. Ao derrotar Tomas Berdych por 6/2 e 6/2, nesta sexta-feira, Novak Djokovic somou os 600 pontos que precisava no ATP Finals e assegurou sua permanência no topo da lista até o começo de 2015.

Não foi a mais espetacular das temporadas do sérvio de 27 anos. Não, pelo menos, para o padrão que nos acostumamos a ver de Nole desde o ano fantástico de 2011. Em 2014, Djokovic “só” venceu um Grand Slam. Perdeu nas quartas de modo estranhíssimo na Austrália, jogou muito abaixo de seu normal na decisão de Roland Garros e, fisicamente mal, foi derrotado por Kei Nishikori nas semifinais em Nova York. Seu momento alto do ano foi o título de Wimbledon, conquistado em uma dramática final de cinco sets em cima de Roger Federer.

Ainda que não tenha brilhado tanto (repito: para seus padrões altíssimos) nos quatro principais torneios, Nole fez uma belíssima temporada. Ganhou quatro Masters 1.000 (derrotando Federer, Nadal duas vezes e Raonic nas finais) e um ATP 500. Assumiu a liderança do ranking depois de Wimbledon e não largou mais. E tudo isso, sempre gosto de sublinhar, num 2014 marcado por festas. Teve despedida de solteiro, casamento, nascimento do filho… Não é a mais fácil das tarefas manter o foco e o nível do tênis lá no alto enquanto tudo isso acontece.

Ressalto o ano repleto de “distrações”, mas os méritos de Nole são tão mentais quanto técnicos. Seu tênis não tem buracos nem pontos fracos. Dos saques precisos às ótimas subidas à rede, Djokovic domina os adversários na maioria dos aspectos. Seus golpes de base têm profundidade com consistência sem igual no circuito; sua velocidade lhe faz alcançar ataques dos mais potentes; sua flexibilidade lhe permite estar quase sempre na posição perfeita para contragolpear; suas curtas quebram o ritmo quando o rival se acomoda atrás da linha de fundo; e este parágrafo já está tão longo quanto a resistência física.

O fim de ano não poderia ser muito melhor. Ainda há talvez duas partidas a fazer no ATP Finals, mas o rendimento desde Paris, após tornar-se pai, é fantástico. Ainda mais porque precisava lidar com a pressão extra da ameaça de Federer. Djokovic, então, ganhou o Masters francês sem perder sets e numa chave fortíssima: Kohlschreiber, Monfils, Murray, Nishikori e Raonic. Em Londres, não vem sendo muito diferente. Já derrubou Cilic, Wawrinka e Berdych. E perdeu apenas nove games. É assustador. O número 1 não poderia estar em melhores mãos.

Coisas que eu acho que acho:

– O ATP Finals, até agora, foi uma enorme decepção. E não só porque houve apenas uma partida de três sets. Nomes que brilharam durante a temporada inteira chegaram a Londres mostrando um nível de tênis baixíssimo. Cilic e Raonic foram os melhores exemplos. Andy Murray, que vinha jogando um belo tênis e fez ótimos resultados para conseguir a vaga no torneio, terminou sua participação com um humilhante 6/0 e 6/1 diante de Federer (que nem foi espetacular na partida).


Política esportiva ou só política?
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Alexandre Cossenza

Quem quer rir, tem que fazer rir. A frase ficou famosa no primeiro Tropa de Elite e foi repetida no segundo, até por ser uma versão publicável da mais picante “quer me f…, me beija”. E quem mora no Rio de Janeiro tem uma boa ideia de quantas gírias e ditados populares são usados no dia a dia para expressar informalmente a troca de favores. O hábito é tão enraizado na cultura que às vezes até o governo do estado age assim. E acaba pagando um mico (já que é para usar gíria…) mundial!

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Vejam só a história contada por Fábio Aleixo, jornalista do “Lance!” que esteve em Londres durante o ATP Finals. A reportagem (leia a íntegra aqui) diz que o governo do estado do Rio de Janeiro “rompeu o contrato de publicidade que tinha com a entidade responsável pelo circuito masculino. O acordo, assinado em 2011, era válido ate o fim do ano. Porém, desde meados de 2013, a torneira fechou, e o dinheiro não caiu mais na conta da ATP. Assim, a marca deixou de aparecer no programa semanal da instituição, o ATP Uncovered, em setembro, e nem foi exibida no ATP Finals, como ocorrera nos dois últimos anos”.

Isso é só uma parte do problema. A última parte, acredito, com certa dose de otimismo. Vale lembrar que a relação já começou muito ruim para o Rio de Janeiro. Em 2011, com uma campanha mal elaborada e mal executada, a palavra “RIO” era exibida ao lado da rede, posicionada de modo que nem todos que assistiam ao torneio pela TV podiam visualizar. A situação foi tão embaraçosa que, quando escrevi sobre o assunto na época, recebi um telefonema de um funcionário do governo, admitindo que tudo havia sido mal feito e afirmando, em outras palavras, que não sabia como nem por quem aquela marca havia sido aprovada.

Rio_Amazingpoint_blog2Mas tudo bem, o cenário melhorou no ano passado. Além de ter uma marca, no melhor conceito da palavra, o governo a exibiu no ATP Uncovered e em placas publicitárias do ATP Finals. Bacana, de verdade. Ainda mais quanto a mensagem aparece em fotos lindas como a de Roger Federer, que abre este post. Enquanto isto, a secretária de esporte, Márcia Lins, alegava que a parceria com a entidade pesava a favor do Rio de Janeiro na briga para receber o ATP Finals a partir de 2014. Nunca me convenceu. Talvez por um pouco de ceticismo da minha parte, por ver um evento tão bem produzido em Londres e acreditar que o Rio jamais conseguiria igualar aquilo. Talvez por pura implicância minha mesmo, admito. Afinal, eu tinha ido a Istambul e visto o WTA Championship. Lá, não havia nada de fantástico. Poderia ser igualzinho aqui no Brasil.

No fim das contas, a ATP decidiu estender o contrato com Londres, que receberá o Finals até 2015. Foi a vitória da competência britânica e do público londrino sobre o dinheiro público fluminense. O contrato publicitário do Rio acabou sendo o que era, de fato: um contrato publicitário, respeitado pela ATP. E o que aconteceu? Márcia Lins foi substituída, e o governo decidiu não honrar o acordo. “Sem dúvida nenhuma, cria uma certa desconfiança, deixa um gostinho não muito bom na boca . Não te dá a segurança de mesmo que se receba uma proposta, será uma proposta que cumpra exatamente os planos que se propõe”, disse ao Fábio Aleixo o diretor do ATP Finals, o brasileiro André Silva.

Sabe aquela história do “a gente pode fazer uma colaboração mútua no sentido de o senhor deixar uma questãozinha aí para desafogar a situação”? Não funciona com órgãos como a ATP. E o governo do Rio, o mesmo que pagou uma fortuna para trazer Novak Djokovic sob o pretexto de desenvolver o tênis no estado (a contrapartida foi a construção de UMA quadra pública na Rocinha – uma!), deixa clara a diferença entre praticar uma política de incentivo ao esporte e simplesmente fazer política. Por enquanto, só testemunhamos a última.


O um-dois-três de Djokovic
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Alexandre Cossenza

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Novak Djokovic é campeão do ATP Finals uma, duas, três vezes. O tri veio nesta segunda-feira, com uma maiúscula vitória em cima do número 1 do mundo, Rafael Nadal: 6/3 e 6/4. Um triunfo cujo placar não faz justiça à superioridade do sérvio, que teria vencido com facilidade ainda maior se não cometesse um punhado de erros não forçados depois de abrir 3/0 na primeira parcial. Um resultado que coroa o perfeito pós-US Open de Nole, que não sofre um revés desde Nova York. E mais do que isso: deixa o número 2 a menos de mil pontos da liderança do ranking.

Na real, a final do torneio londrino foi daquelas vitórias, como diz o ditado, “simples como um, dois três”. E por três motivos básicos. A devolução é o primeiro e mais nítido deles. Nole é o melhor devolvedor de saque do circuito, e todos sabem disso. Com seu primeiro toque na bola, tem uma capacidade absurda de tomar o controle das trocas de bola. Foi assim com Nadal desde o início. O espanhol pouco respirou nos games de serviço. Em alguns momentos, encaixou saques ótimos e logo viu-se na desconfortável posição de precisar se defender dos ataques do oponente.

E aí entra o segundo motivo. Djokovic foi muito superior no saque. Nadal fez um “verão” perfeito nas quadras duras, mas desde o US Open não tem conseguido a mesma combinação de precisão e velocidade no fundamento. Sem isto, vira presa fácil para o sérvio – como a maioria dos outros tenistas.

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Nesta segunda, o número 1 tentou duas táticas diferentes e sofreu em ambas. No primeiro set, arriscou mais e acabou errando mais. Fez quatro duplas faltas, encaixou apenas 58% de primeiros serviços e facilitou a vida de Djokovic. Na segunda parcial, Nadal optou por porcentagem (86%), embora com potência reduzida. A estratégia foi brilhante contra Federer, que pouco ataca nas devoluções – muito menos com o backhand -, mas não deu resultado contra o sérvio.

Por outro lado, Djokovic pode se dar o luxo de arriscar mais no primeiro saque, já que Nadal tende a posicionar-se bem atrás da linha de base para rebater o segundo serviço. É aí que o terceiro motivo faz a diferença: mesmo que o espanhol consiga um bom ataque na devolução, Nole é um defensor superior neste tipo de quadra. Nadal é fantástico deslizando no saibro, mas não consegue o mesmo resultado em pisos sintéticos.

Nos duelos em quadras rápidas, a diferença é enorme. Com a consistência e as belas defesas de Djokovic, o número 1 acaba precisando sair da zona de conforto. Tenta agredir e acaba correndo mais riscos. Quando não acerta bolas incríveis (como fez no quinto set em Roland Garros), dá ainda mais confiança para que o sérvio jogue com mais paciência, esperando a hora perfeita para atacar.

Sabe quando Floyd Mayweather Jr. (perdão, fãs de MMA, minha praia é o boxe) encaixa uma sequência de três (ou mais) golpes tão rápidos que o adversário mal consegue ver de onde vêm? O um-dois-três de Djokovic é tão letal quanto. A diferença é que o circuito inteiro sabe o que separa o sérvio do resto. Só que, assim como no boxe jogado por Money, ninguém consegue encontrar uma resposta.

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Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– Não que seja novidade, mas um número destes não pode ser esquecido: Djokovic acumula, agora, 22 triunfos consecutivos. Sua última derrota foi justamente diante de Rafael Nadal, na decisão do US Open.

– Mal sai de Londres, Djokovic corre para Belgrado, onde disputará a final da Copa Davis. Ele, Janko Tipsarevic, Ilija Bozoljac e Nenad Zimonjic vão enfrentar Tomas Berdych, Lukas Rosol, Radek Stepanek e Jan Hajek.

Coisas que eu acho que acho:

– Durante a semana, Rafael Nadal reclamou algumas vezes do fato de o ATP Finals ser disputado sempre em quadra dura e indoor, o que nitidamente reduz suas chances de levantar o troféu. O espanhol alega que seria mais justo um revezamento, com o torneio sendo alternado em saibro, quadra dura outdoor, etc.. Tudo bem, é uma opção, digamos, democrática, embora tenha tom de chororô porque vem de um tenista que nunca foi campeão. O grande problema seria implantar esse revezamento. Com o ATP Finals disputado uma semana depois do Masters de Paris, jogado em quadra dura e indoor, não seria estranho forçar os oito melhores do mundo a mudar de piso assim, sem tempo para treinar? Duas coisas, ambas muito ruins, poderiam acontecer. 1) Alguns dos oito melhores deixariam de jogar em Paris. Em vez disso, ficariam treinando no piso do Finals. 2) Quem jogar o Masters francês e precisar disputar o Finals, por exemplo, no saibro, não vai conseguir mostrar seu melhor tênis. Em qualquer caso, todo mundo sai perdendo. A não ser Nadal, que teria mais chances com o torneio na terra batida…


Lágrimas em dobro
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Alexandre Cossenza

Quem não se empolga ou se emociona com um belo jogo de duplas só pode ter um coração um tanto amargo. Este post, no entanto, é para quem sabe apreciar a modalidade. Nesta segunda-feira, David Marrero e Fernando Verdasco conquistaram o título do ATP Finals graças a uma atuação brilhante contra Bob e Mike Bryan: 7/5, 6/7(3) e 10/7.

Até aí, tudo bem. O bacana mesmo veio na cerimônia de premiação, quando Marrero não conseguiu segurar as lágrimas e precisou da ajuda do parceiro. Verdasco tomou o microfone e explicou que o avô de Marrero morreu há exatos dois anos, por isto a vitória seria dedicada a ele. Veja no vídeo!


A melhor final possível
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Alexandre Cossenza

Rafael Nadal x Novak Djokovic: o melhor de 2013 contra o melhor do momento. E Londres verá, nesta segunda-feira, o jogo que todos esperavam desde o início do torneio. Os dois estão invictos no ATP Finals e jogam por 500 pontos que não mudam o ranking atual, mas vão pesar um bocado na briga pela liderança em 2014. Tipo de jogo que nossa imprensa futebolística chamaria de jogo de 1.000 pontos (um soma 500, o outro deixa de somar 500).

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Nadal garantiu seu lugar primeiro. Depois de passar pelo Grupo A com vitórias sobre David Ferrer, Stanislas Wawrinka e Tomas Berdych, o espanhol enfrentou na semifinal seu grande rival, Roger Federer. E o duelo deixou a desejar, nem tanto por ser uma apresentação fantástica do líder do ranking (porque não foi), mas porque o ex-número 1, a cada dia que passa, encontra mais dificuldades para igualar a consistência e a competência de Nadal e Djokovic. E nem questão de resistência física. Não são necessários quatro ou cinco sets para que Federer deixe evidente sua irregularidade. Em qualquer jogo, é fácil enxergar os sinais.

Neste domingo, o suíço começou arriscando e fugindo dos ralis. Até deu certo por algum tempo. No sexto game, teve três break points. Em um deles, errou uma direita fácil. Em vez de 4/2 e saque, o suíço permitiu que Nadal igualasse. Três games depois, o espanhol quebrou. Federer mudou e tentou trocas mais longas. Deu certo, e a quebra foi devolvida, mas a “nova” estratégia também teve vida curta. No 5/5, Federer voltou a falhar. Perdeu outro serviço e, na sequência o set.

A segunda parcial foi mais do mesmo. Federer tentou variações, incluindo aí um par de subidas à rede, mas Nadal sempre teve as respostas certas. Usou bolas baixas, forçando o oponente a voleios difíceis, e sacou quase sempre no backhand no suíço. O número 1 não cedeu mais nenhum break point e, com duas quebras, deu números finais ao duelo: 7/5 e 6/3.

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Sobre a segunda semi, não dá para falar muito, a não ser elogiar pela enésima vez o belíssimo tênis apresentado por Djokovic no fim da temporada. O 6/3 e 6/3 exibido pelo placar ao fim do encontro mal refletia sua superioridade. O sérvio é, desde o fim do US Open, o melhor tenista do circuito, tanto que não perde desde a final contra Nadal em Nova York. De lá para cá, já são 21 triunfos consecutivos. Um deles, em cima do próprio Rafa Nadal, na final do ATP 500 de Pequim.

Se querem minha opinião, Nole é o favorito aqui – e as casas de apostas concordam. Nem tanto pelas condições do torneio, que, é bem verdade, ajudam o jogo do sérvio, mas pelo momento. Alguém pode até argumentar que Nadal venceu suas partidas com mais facilidade até agora, perdendo apenas um set (contra três de Djokovic), mas é irrefutável que o número 2 do mundo teve de encarar um caminho muito mais complicado, com Federer e Del Potro na primeira fase.

E se algum jogo deve servir de base para que tomemos como exemplo do que esperar na final, acredito que a semifinal deste domingo, como Wawrinka, foi a partida que realmente mostrou o quão afiado está o sérvio. E isto não é uma notícia nada, nada boa para o número 1 do mundo. Aguardemos.

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Coisas que eu acho que acho:

– Foi de partir o coração a derrota de Bruno Soares e Alexander Peya diante de Bob e Mike Bryan. Brasileiro e austríaco jogaram muito bem do começo ao fim, com uma primeira parcial fantástica de Peya. A diferença? Um pontinho vencido no match tie-break pelos irmãos: uma passada dificílima, de dentro para fora, executada por Bob Bryan quando o placar mostrava 8/8. No fim, a vitória americana teve parciais de 4/6, 6/4 e 10/8.

– O Brasil esperava/torcia por uma final caseira, com os dois mineiros, mas acabar sem ver nenhum na decisão. Na primeira semifinal do domingo, Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados por Fernando Verdasco e David Marrero: 7/6(10) e 7/5. Não é injustiça dizer que, entre as oito duplas do ATP Finals, brasileiro e croata foram a surpresa mais agradável em 2013.

– O francês Patrick Mouratoglou tuitou um bocado durante Federer x Nadal – e sempre dizendo que táticas o suíço deveria usar. Será que técnico de Serena Williams está procurando um novo emprego? Minha amiga Sheila Vieira acha que ele só quer um bico na TV. Ainda assim, fico com três perguntas na cabeça. 1) O que Serena planeja para 2014? 2) Por que Mouratoglou só escreveu sobre as táticas de Federer, deixando de lado a estratégia adotada por Nadal? 3) O que aconteceria se suíço e francês formassem parceria?

– É bem provável que daqui a 50 anos (ainda) considerem Federer x Nadal a maior rivalidade da história do tênis. Se não em número de confrontos, por todos os contrastes – de jogo e de personalidades – envolvidos em duelos que valeram tanto em tantas oportunidades. Nunca fui um dos “teóricos do apocalipse” e jamais estive no time que ocasionalmente dá Federer por acabado (algo que acontece de tempos em tempos desde 2008), mas, ao ver o suíço ser derrotado em uma quadra dura e indoor em Londres, não deixo de pensar que os melhores dias da rivalidade já se foram. Federer ainda é capaz de fazer belas apresentações, como a de Cincinnati, mas Nadal é, hoje, um tenista mais consistente e com muito mais recursos do que lá atrás, em 2006 e 2007. As quatro vitórias nos quatro duelos deste ano (ainda que Federer estivesse lesionado em um deles, em Indian Wells), com apenas um set perdido, são uma evidência clara e inegável disto.

Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

Bellucci_Bogota_div_blog– Na final do Challenger de Bogotá, Bellucci, que vinha de nove vitórias seguidas (inclusive o título do Challenger de Montevidéu), abandonou por causa de dores no abdômen. O dominicano Victor Estrella vencia por 6/2 e 3/0 no momento. Em texto enviado por sua assessoria, Bellucci conta que sentiu uma fisgada no último game da semifinal, contra Alejandro Falla. O paulista, que deve reassumir o posto de número 1 do Brasil, volta ao país para avaliar o grau da lesão e não disputa o Challenger de Lima, que começa nesta segunda-feira.

– Vale lembrar também da ótima campanha de Guilherme Clezar, que parou nas semifinais em Bogotá. O gaúcho, treinado pelo capitão João Zwetsch, disputará agora o Challenger Finals, em São Paulo. Ele entra como convidado porque tem sua carreira agenciada pela Koch Tavares, promotora do evento (e também, claro, porque Bellucci trocou a Koch pela IMX no meio desta temporada). Atual número 181 do mundo, Clezar ocupará o melhor ranking da carreira nesta semana. Seu ranking deve ficar perto do número 160.

– Tiago Fernandes não passou da primeira rodada no qualifying no Challenger de Yokohama, no Japão. Ele foi derrotado pelo taiwanês Tsung-Hua Yang (outro ex-tenista de Larri Passos). É o terceiro quali seguido que Fernandes não consegue furar. Nas semanas anteriores, tombou na segunda rodada em Seul e na estreia em Yeongwoi (ambos na Coreia do Sul). O próximo evento é o Challenger de Toyota, no país do Doutor Gori, aquele que foi dublado no Brasil pelo Seu Madruga (se não sabia, clique e escute).

– Ricardo Hocevar conquistou o título do Future de Itajubá ao derrotar Wilson Leite na final por 6/3 e 6/1. Mais impressionante do que Hocevar vencer um Future (ele tem jogo para mais), é notar que a final deste domingo encerrou uma sequência de 14 vitórias de Leite. Antes de ir a Itajubá, o carioca foi campeão dos Futures de Belém e Porto Alegre. Pelo caminho, venceu adversários de respeito, como Fernando Romboli e Caio Zampieri (duas vezes).


Dupla história de sucesso
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Alexandre Cossenza

Seis jogos, cinco vitórias e dois tenistas classificados para as semifinais. É ótima assim a participação brasileira no ATP Finals deste ano. Marcelo Melo e Ivan Dodig venceram todos seus jogos, incluindo a estreia contra Bob e Mike Bryan, enquanto Bruno Soares e Alexander Peya foram derrotados em sua primeira partida, contra Paes e Stepanek, mas conquistaram dois triunfos na sequência e também conquistaram o direito de brigar por uma vaga na decisão.

Falar sobre o bom momento dos mineiros é um tanto redundante. Bruno Soares é o número 3 do mundo, e Marcelo, o 5. Resultado do que ambos fizeram nas últimas 52 semanas. Não é pouca coisa. No entanto, pouco se fala sobre seus parceiros, que são igualmente responsáveis pelo sucesso. E as histórias dos times, bastante distintas, são igualmente curiosas. Antes das semifinais, vale lembrar como nasceram as parcerias e o porquê de seus excelentes resultados.

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Melo e Dodig se uniram em fevereiro do ano passado, no ATP 500 de Memphis. Por uma dessas coincidências, os parceiros de ambos desistiram pouco antes do torneio. Brasileiro e croata, então, jogaram juntos pela primeira vez e alcançaram a final. Era só um indício do que potencial do time.

Dodig talvez seja o tenista mais subestimado em Londres. E quando digo subestimado, não é que não lhe deem valor. Falo da relação reconhecimento-resultado-talento. Falo de alguém que passou grandes apertos financeiros e chegou, sem badalação, ao top 30. E hoje, número 6 do mundo em duplas e 33 em simples, o croata de 28 anos é provavelmente quem melhor joga do fundo de quadra entre os 16 duplistas do ATP Finals (grupo que inclui também os “simplistas” Fernando Verdasco e Radek Stepanek).

Combine o fundo de quadra sólido, os bons saques e ótimas devoluções de Dodig com o tamanho de Marcelo Melo (com todos seus méritos técnicos, claro), e o resultado é, por enquanto, uma vaga nas semis do ATP Finals.

“Para mim, foi muito engraçado. Quando começamos a jogar, eu não sabia como ele jogava. Eu estava só fazendo meu jogo. Logo descobri que se eu acertasse meu saque, esse cara iria cobrir a rede inteira. Eu não preciso fazer tanto. Ele é ótimo, combinamos bem”, disse Dodig, sobre o início da parceria com Marcelo Melo, ao ATP World Tour Uncovered, em outubro (veja aqui).

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O caso de Alexander Peya é um pouco diferente. O austríaco não é um fenomenal sacador nem devolvedor. Aliás, Peya não é fenomenal em nada. Ele é o parceiro que nós, brasileiros, amamos odiar e culpar nas derrotas (experimente, leitor, acompanhar o Twitter em dias de jogo). Contudo, o tenista de 33 anos tem um jogo sem buracos, sem um ponto fraco evidente. Peya faz tudo muito, muito bem, e Bruno Soares sabe disso.

Sempre soube, aliás. E o maior mérito do brasileiro pelo sucesso da parceria talvez seja fora de quadra, como olheiro. Partiu de Soares a iniciativa de formar um time com Peya, que era sua primeira opção desde o término da parceria com Marcelo Melo, em 2011. O austríaco, no entanto, tinha compromisso com o compatriota Oliver Marach no começo de 2012, e só veio a formar parceria fixa com o mineiro no segundo semestre.

“Ele é completo. Ele saca bem, devolve bem, voleia bem, se mexe bem, tem uma boa segunda bola, acho que a gente encaixa no aspecto de ser uma dupla sólida, com todos os pontos bons. A gente não tem nenhum buraco aparente. A gente vai perder o saque um pouco mais que grandes sacadores, como Max Mirnyi e Daniel Nestor, então é importante ter essa força quando a gente devolve. Poder ter a tranquilidade para sacar e, caso perca o saque, saber que, a qualquer momento, a gente pode quebrar os caras também”, avaliou, em bate-papo comigo, um pouco antes do início desta temporada.

Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– Nas semifinais, Ivan Dodig e Marcelo melo vão enfrentar os espanhóis Fernando Verdasco e David Marrero, enquanto Bruno Soares e Alexander Peya ainda não sabem quem vão enfrentar (escrevo o post às 14h de Brasília). Seus adversários serão os irmãos gêmeos americanos Bob e Mike Bryan ou os poloneses Mariusz Fyrstenberg e Marcin Matkowski.


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