Saque e Voleio

Arquivo : árbitro

Uma bolada violenta e uma doída desclassificação
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Alexandre Cossenza

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A gente já viu isso quase acontecer em vários níveis e com personagens diferentes. O tenista, irritado, isola uma bolinha, que passa perto da cabeça de alguém. O árbitro, então, pune com uma advertência: “abuso de bola”. Ou o cidadão, frustrado com a perda de um ponto, atira a raquete, que quica e passa pertinho de acertar um juiz de linha ou um espectador. Novak Djokovic protagonizou um par de cenas assim recentemente. A punição é uma advertência por “abuso de material”.

Só que de vez em quando, muito raramente, acontece um desastre como o deste domingo, no confronto entre Canadá e Grã-Bretanha pela Copa Davis, em Ottawa. Denis Shapovalov, 17 anos, tenista da casa, perdia o quinto jogo contra Kyle Edmund. O britânico tinha 2 sets a 0, já com o triunfo encaminhado, quando o adolescente, irritado, descontou na bolinha. E a amarelinha foi, violenta, morrer no rosto do árbitro de cadeira. Desclassificação imediata.

Parece claro que não foi intencional. Não teria por que ser. Shapolavov imediatamente pediu desculpas a Arnaud Gabas, o árbitro de cadeira. Já era tarde. O Canadá acabou perdendo o confronto naquele momento, o que só não foi mais grave porque a partida rumava para um triunfo de Edmund por 3 sets a 0 – ou assim se desenhava até o momento do incidente.

Nesta segunda, foi anunciada uma multa de US$ 7 mil para Shapovalov. O valor máximo é de US$ 12 mil, mas que só seria aplicada em caso de agressão proposital. E aí entra outra questão, que foi levantada pelo ex-chefe de arbitragem da ATP Richard Ings. Ele argumenta que o canadense deveria ser suspenso porque poderia ter cegado o árbitro e que a punição deveria ser proporcional à gravidade da lesão causada (leia mais no Bola Amarela).

Mas e aí, será que as entidades que regem o tênis deveriam fazer alguma alteração na regra? Por um lado, estabelecer uma suspensão no papel intimidaria os tenistas, que pensariam duas vezes antes de quebrar uma raquete ou atirar uma bolinha para longe. Por outro lado, não seria um exagero?

E como medir essa suspensão? Uma bolada no pé do árbitro renderia o mesmo gancho que uma raquete batendo no nariz de um torcedor? Como estabelecer essa distinção na letra fria da lei? Difícil. Tão difícil quanto estabelecer que uma suspensão seja proporcional à gravidade da lesão. Como medir a dor? Que tipo de contusão valeria um dia de suspensão? E uma semana?

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Minha opinião? Moralmente, a desclassificação já é punição suficiente. Até por ser em Copa Davis, com o país inteiro sendo eliminado junto. Vai demorar para Shapovalov superar o momento e voltar a dormir tranquilo. Mas há casos e casos. Se acontecer no circuito, com o tenista jogando por conta própria, a desclassificação não terá o mesmo peso. E você, leitor, o que acha? Sinta-se à vontade para dar uma opinião.


Fognini ameaça juiz em Madri
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Alexandre Cossenza

A confusão começou no quarto game do terceiro set, quando o encrenqueiro Fabio Fognini discordou de uma marcação do árbitro de cadeira Mohamed Lahyani e disparou, em inglês: “Se eu perder este jogo, você vai ter um grande problema”. O tenista italiano perdeu o serviço naquele game e acabou eliminado do Masters 1.000 de Madri pelo ucraniano Alexandr Dolgopolov: 7/5, 4/6 e 6/3.

Ao fim do jogo, Fognini voltou a disparar palavras duras ao árbitro: “Venha agora, quero vê-lo agora. Venha agora e não fique com medo. Não fique com medo!”. Confira como foi no vídeo abaixo.


“Filho da … pulga”
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Alexandre Cossenza

Aconteceu esta semana, no Challenger de Sarasota, nos Estados Unidos. Donald Young, número 1 do mundo como juvenil em 2005 e eterna promessa americana, ficou nervoso com um erro e gritou, após o ponto: “Son of a biscuit!“. Para quem não conhece palavrões em inglês, é como se o garotão tivesse dito algo como “filho da pulga”. O que aconteceu, então? Young recebeu uma advertência por “abuso verbal”. Não acredita? Olha aí.


Um árbitro cego e uma preposição mal traduzida
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Alexandre Cossenza

Não precisa muito para uma discussão nonsense quando as três pessoas envolvidas são falantes nativos de idiomas diferentes e se veem em uma situação onde a tradução de uma preposição faz toda diferença do mundo. Foi assim que Andy Murray, Novak Djokovic e o árbitro argentino Damian Steiner, que cometeu uma falha absurda ao não enxergar o lance. Vejam, primeiro, o vídeo:

O erro do árbitro fica claro no replay. Djokovic “invade” e rebate enquanto a bola ainda está do outro lado da rede. A regra nem é complicada. Se o tenista fizer contato enquanto a bola estiver do seu lado da quadra, ele pode levar a raquete até o outro lado da rede. É parte da continuação do movimento, e foi isso que o árbitro, de maneira atabalhoada, tentou explicar. Não foi isso, entretanto, que aconteceu. Djokovic tocou na bola enquanto esta ainda estava do lado de Murray.

Antes do ponto seguinte, o campeão de Wimbledon viu o replay no telão da quadra central de Miami e foi questionar Steiner. Djokovic também se dirigiu ao centro da quadra, e foi aí que houve a discórdia. O sérvio afirma que rebateu a bola “over the net”, e o britânico vira-se para o árbitro dizendo isso. O argentino, por sua vez, diz que “over the net” não tem problema e que Djokovic só não poderia rebater a bola do outro lado da rede. O problema, contudo, é que “over the net” e “do outro lado da rede” são, em inglês, sinônimos. A mesma coisa.

Por isso, Murray se vê numa situação surreal, tentando argumentar em inglês algo que o árbitro não entende no idioma. Os comentaristas do TennisTV, inclusive, comentam a situação, falando sobre o quão frustrante é debater com alguém que não é falante nativo do mesmo idioma. Como o cenário se desenhou, Steiner errou duas vezes. Uma quando não enxergou um lance óbvio, sentado na melhor posição do universo para aquele tipo de lance, e outra quando tropeçou no inglês para justificar sua decisão junto a Andy Murray. O que Steiner queria dizer, provavelmente, é que Djokovic fez contato com a bola exatamente acima da fita (o que é permitido) e que, depois, a raquete passou para o outro lado da rede.

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Coisas que eu acho que acho:

– O jogo foi disputado em altíssimo nível desde o começo, e não dá para dizer, com 100% de isenção, que o erro do árbitro foi responsável pela derrota de Murray. É claro que atrapalhou, ainda mais vindo naquele momento, o 12º game do primeiro set. O britânico, no entanto, teve uma quebra de vantagem no segundo set e não aproveitou. Importante lembrar também que Murray teve um break point na primeira parcial, quando Djokovic fazia um péssimo game. O campeão de Wimbledon, entretanto, cometeu um erro nada forçado. No fim das contas, o número 2 do mundo oscilou menos – técnica e mentalmente – e venceu com méritos.

– Vale lembrar de uma cena parecidíssima no Masters de Indian Wells, coincidentemente envolvendo Andy Murray e em um momento bastante delicado da partida. Vejam aqui o que aconteceu.

– No Twitter, já li algumas mensagens de pessoas contestando a postura de Djokovic no incidente. Ficam no ar, contudo, algumas questões. O sérvio a Murray disse que rebateu “over the net”, mas será que ele sabe o significado exato da expressão em inglês? Além disso, será que é fácil para um tenista perceber exatamente em que ponto acima da rede ele fez contato com a bola? O debate, antes de chegar na discussão sobre o caráter do número 2 do mundo, precisa passar por essas duas questõezinhas.

– Só existe uma hipótese em que a regra permite que um tenista toque na bola com ela do outro lado da rede: nos casos raríssimos em que a bola, cheia de efeito, quica na quadra de um tenista e volta, por cima da rede, para o outro lado. Vejam neste vídeo, que a Aliny Calejon encontrou.


Um trio de trapalhadas
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Alexandre Cossenza

Não que fosse esta a intenção, mas a arbitragem anda falhando tanto em Indian Wells que os últimos dias acabaram criando uma espécie de Semana da Perseguição aos Árbitros aqui no blog. Desta vez, quem falhou (e feio!) foi o conceituado árbitro Mohamed Lahyani. O simpático sueco cometeu três erros na partida entre o britânico Andy Murray e o tcheco Jiri Vesely. Veja no vídeo:

 

No primeiro ponto, o juiz de linha aponta bola dentro de Vesely, mas Lahyani chama bola fora. O tcheco, então, pede o replay, que mostra a bola quicando em cima da linha. Ponto para Vesely. No lance imediatamente (!) seguinte, o juizão erra de novo. Murray manda um backhand na paralela, e o juiz de linha grita bola fora. Lahyani, rapidamente, grita “correção, a bola foi boa”. Vesely nem pisca e pede o Hawk-Eye outra vez. Novamente, o replay comprova o erro do árbitro.

A falha mais grave, contudo, veio no tie-break do primeiro set. Com o placar em 2/1 para o adversário, Murray joga uma bola para o alto, e Vesely não espera a bola passar pela rede para rebatê-la. A câmera no meio da quadra mostra nitidamente que o tcheco cometeu a infração, e Lahyani não viu. O campeão de Wimbledon questionou, mas não é possível usar o replay para lances deste tipo. Murray perdeu o tie-break, mas venceu de virada: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

E não foi só Andy Murray que teve problemas com a arbitragem na última rodada. Maria Sharapova teve um desafio “roubado”. Ao levantar os braços para reclamar de um grito que veio de fora da quadra, a russa teve seu gesto interpretado como um pedido de replay. A portuguesa Mariana Alves, árbitra de cadeira da partida, acionou o Hawk-Eye sem que esta fosse a intenção de Sharapova.

A ex-número 1 do mundo, no entanto, só queria reclamar de uma chamada de bola fora que veio, aparentemente, do box onde estava a equipe de sua adversária, a italiana Camila Giorgi. Alguém ali gritou bola fora antes do juiz de linha. Como a bola saiu de fato, não fez diferença e, portanto, a queixa de Sharapova não lhe daria o ponto de volta. Ela, no entanto, ficou sem o replay. Veja no vídeo acima.

Em um jogo com muitas quebras de saque, Giorgi surpreendeu e eliminou Sharapova em três sets:6/3, 4/6 e 7/5

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Coisas que eu acho que acho:

– Andy Murray teve outro daqueles dias em que pouca coisa dá certo, mas escapou da eliminação porque Vesely cometeu muitos erros bobos sempre que esteve perto de fechar o jogo. Entre essas falhas, uma meia dúzia de smashes nada complicados. O britânico, contudo, não deixou seus fãs muito animados. Seu próximo desafio, nas oitavas de final, será contra o canadense Milos Raonic.

– Enquanto isso, Roger Federer precisou de dois tie-breaks para eliminar o russo Dmitry Tursunov: 7/6(7) e 7/6(2). Apesar do placar apertado, jamais tive a sensação de que o suíço não esteve no controle das ações. Federer vem jogando um belíssimo tênis desde Melbourne e já acumula vitórias sobre Djokovic, Murray e Berdych em 2014. Um começo de ano muito superior ao de 2013.

– Rafael Nadal não escapou da zebra e tombou diante de Alexandr Dolgopolov em três sets: 6/3, 3/6 e 7/6(5). O número 1 do mundo não joga um tênis eficiente com consistência desde o Australian Open – e nem em Melbourne encantou seus fãs, a não ser nas vitórias sobre Monfils e Federer. No saibro do Rio, foi pouco exigido e, ainda assim, precisou salvar match points contra Pablo Andújar. Em Indian Wells, penou na estreia contra Radek Stepanek e pagou o preço de sua inconsistência contra Dolgopolov. E o ucraniano ainda deu chances, vacilando quanto sacou em 5/3 no terceiro set. No tie-break, Nadal abriu 4/2 e, mais tarde, errou uma bola nada complicada no 5/5. Dolgo avança para encarar Fognini.

– Importante notar: em 2013, Nadal somou 1.900 pontos até o fim de Indian Wells. Este ano, acumulou 1.995. Caminhos diferentes, números parecidos. Este ano, o espanhol ainda disputará o Masters de Miami, algo que não fez no ano passado. Assim, deve terminar o mês de março com mais pontos do que na temporada anterior. Resta saber o que Djokovic, com caminho livre em Indian Wells, somará este ano. Em 2013, o sérvio somou 2.860 até o fim do torneio californiano. Este ano,
tem 540 e pode chegar a 1.540.


O peso da “fama”
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Alexandre Cossenza

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Todo mundo sabe como funciona – em qualquer esporte. No futebol, zagueiro com fama de violento leva cartão até quando não fez falta grave. No basquete, os encrenqueiros famosos são punidos com falta técnica por muito menos do que aqueles com reputação de bom moço. A tolerância, de modo geral, é menor com quem tem precedente. E isso vale também para o tênis, claro.

No post anterior do blog, publiquei o vídeo da trapalhada do árbitro de cadeira Mohamed El Jennati, que “garfou” absurdamente o uzbeque Denis Istomin no Masters 1.000 de Indian Wells. Pois dois dias depois o oficial marroquino esteve envolvido em outra polêmica. O pivô da vez foi o italiano Fabio Fognini, que se sentiu prejudicado no jogo contra o americano Ryan Harrison e disparou meia dúzia (talvez um pouco mais) de palavrões.

No meio das ofensas, Fognini ainda lembrou do episódio de Istomin, dizendo coisas do tipo “Você fez a mesma m… ontem com o Istomin. Quem estava na cadeira? Você estava!” e “É a segunda vez em dois dias.” “Vejam o vídeo!

Desta vez, contudo, a situação não é tão clara quanto o caso envolvendo Istomin. Aqui, Fognini faz um slice e, quando Harrison está indo atrás da bola para tentar rebater, um juiz de linha marca bola fora. O italiano pede o replay, que mostra bola boa. A decisão, então, requer o julgamento do árbitro de cadeira: o erro de Harrison aconteceu porque a bola foi chamada fora pelo juiz de linha?

El Jennati considera que sim e argumenta, com seu inglês macarrônico, repetindo “same time” (ao mesmo tempo). Ou seja, o árbitro acredita que a chamada do juiz de linha aconteceu ao mesmo tempo em que Harrison estava indo na direção e que, por isso, o americano errou na hora de devolver a amarelinha.

É uma interpretação contestável, já que Harrison estava em uma posição desconfortável em quadra e provavelmente perderia o ponto. Além disso, ele levanta a mão esquerda (indicando bola fora) assim que rebate. Será que o fez porque ouviu o juiz de linha ou porque pediria o uso do replay caso nenhum juiz marcasse bola fora? Impossível saber.

De qualquer modo, é injusto comparar com o caso Istomin. Aqui, El Jennati faz um julgamento em um lance nada fácil. Até olhando o replay é difícil saber a ordem das coisas. Para Fognini, no entanto, a reputação do árbitro pesou. Foi o pretexto para uma discussão, meia dúzia de palavrões e uma paralisação de quase cinco minutos. E o italiano, que havia perdido o primeiro set por 7/5, fez 6/1 e 6/4 e avançou no Masters de Indian Wells.

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Coisas que eu acho que acho:

– Sobre o que aconteceu no torneio até agora, vale destacar o retorno frustrante/frustrado de Victoria Azarenka. A ex-número 1 claramente não estava recuperada de uma lesão no pé, e o resultado foi a decepcionante atuação diante da americana Lauren Davis, que venceu por 6/0 e 7/6(2). Após a partida, Vika não se mostrou arrependida e disse que precisava testar o pé para saber se conseguiria jogar. Resta saber se a lesão foi agravada durante os dois sets jogados.

– Rafael Nadal e Andy Murray escaparam de derrotas em suas estreias. O britânico esteve um set e uma quebra atrás de Lukas Rosol, mas avançou por 4/6, 6/3 e 6/2. O número 1, por sua vez, perdeu o set inicial para Radek Stepanek, mas virou: 2/6, 6/4 e 7/5. E Nadal teve de sacar em 2/3 e 0/40 na parcial decisiva.

– Em uma chave fortíssima, cheia de simplistas talentosos, os duplistas brasileiros conseguiram vitórias nada fáceis na primeira rodada. Bruno Soares e Alexander Peya derrotaram Eric Butorac e Raven Klaasen no match tie-break (2/6, 7/6 e 10/6), enquanto Marcelo Melo e Ivan Dodig superaram Marx Mirnyi e Mikhail Youzhny por 6/3 e 6/2. Soares e Peya agora vão encarar Andy Murray e Jonathan Marray. Melo e Dodig ainda não conhecem seus próximos oponentes.

– Sobre a polêmica (e anual) questão de muitos simplistas jogando duplas, recomendo o post da Aliny Calejon, do Match Tie-Break. Está ótimo. Leitura obrigatória!


Tutorial: como “garfar” um uzbeque
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Alexandre Cossenza

Depois de duas semanas cheias, decidi dar uma reduzida no ritmo por estes dias. O blog voltará à frequência normal de posts na semana que vem. Por enquanto, deixo vocês com a trapalhada que o árbitro de cadeira marroquino Mohamed El Jennati aprontou durante a partida entre Radek Stepanek e Denis Istomin, na primeira rodada do Masters 1.000 de Indian Wells. Veja o vídeo!

A discórdia aconteceu quando o uzbeque tinha um break point e Stepanek sacava em 3/4 no segundo set. Os dois jogam um rali até que Istomin, ao acreditar que uma bola de seu adversário saiu, rebate, levanta o braço e sinaliza o pedido de replay. Stepanek ainda bate mais uma vez na bola e manda para fora. E o que acontece? O juizão dá ponto para o tcheco.

A lógica? Nenhuma. El Jennati argumenta que não viu Istomin pedir o replay – uma vergonha, porque o gesto foi bastante nítido, e o estádio viu. O uzbeque até ironiza, perguntando se, da vez seguinte, precisaria pular e gesticular ao mesmo tempo (dá para ouvir a plateia dando gargalhadas). Nada, no entanto, convence o árbitro. E o erro é mais grave porque a bola seguinte de Stepanek saiu! Ou seja, mesmo que Istomin não tivesse pedido o replay, o tcheco errou a bola seguinte.

O juizão, contudo, se perdeu lindamente. Quando o português Carlos Sanches, supervisor do torneio, entrou em quadra, El Jennati ainda teve a cara de pau de dizer que: 1) Istomin não pediu o replay; e 2) Istomin seguiu na disputa do ponto. Dois absurdos, que ficam ainda mais absurdos no replay.

Istomin, reclamou, gesticulou, tentou explicar que teria direito pelo menos ao replay da bola seguinte de Stepanek (a que foi claramente fora), mas nada adiantou. O uzbeque tinha razão em tudo e perdeu o ponto. O estrago só não foi mais grave porque Istomin, alguns pontos depois, conseguiu a quebra e venceu o segundo set. Stepanek, contudo, levou a terceira parcial e avançou para a segunda rodada por 6/1, 3/6 e 6/1. Seu prêmio? Enfrentar o cabeça 1, Rafael Nadal.

Coisas que eu acho que acho:

– A primeira parte bizarra da cena acontece quando El Jennati, ao ouvir Istomin dizer que pediu o replay, rebate com um “you didn’t”, ou seja “você não pediu”. Logo depois, talvez percebendo a bobagem, o árbitro se corrige, dizendo “eu não vi.”

– Igualmente surreal é o momento em que Istomin começa a explicar o lance ao supervisor, e El Jennati segue interrompendo, como uma criança querendo contar sua versão primeiro ao coordenador da escola. Patético.


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