Saque e Voleio

Arquivo : apostas

AO 2017: o guia da chave feminina
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Kerber_AO17_BenSolomon_TA_blog

Depois de analisar a chave masculina, chega a hora de dar uma olhada no sorteio das mulheres no Australian Open e ver a quantas andam cada uma das das candidatas ao título em Melbourne. É também o momento de imaginar as possíveis zebras e pensar em quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que sempre tento nestes textos pré-Slam. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

As favoritas

Angelique Kerber aparece pela primeira vez como cabeça de chave 1 em um Slam, mas nem todo mundo acredita que isso faz dela a principal candidata ao título. De qualquer modo, suas atuações pré-Melbourne não foram das mais animadoras. Kerber fez três jogos, perdeu dois e penou para derrotar a #232 do mundo (ainda que Ashleigh Barty tenha tênis para um ranking mais digno).

A chave da #1 no Australian Open também não é das mais tranquilas. Ela pode enfrentar Bouchard (ou Kasatkina ou Vinci) nas oitavas, Muguruza nas quartas e Halep na semi. E aí vale dizer que o caminho de Muguruza, cabeça 7, parece muito mais atraente. Dá para imaginar a espanhola indo longe, sem drama, e chegando a esse possível confronto de quartas de final em grande forma.

Serena, por sua vez, tem uma chave ainda mais complicada. A começar pela estreia contra a inteligente e perigosa Belinda Bencic, que sofreu uma lesão na Copa Hopman, abandonou seu jogo de estreia em Sydney, mas disse estar “bastante perto de 100%” para jogar em Melbourne. Além disso, a #2 do mundo pode se ver jogando contra Lucie Safarova já na segunda rodada (as duas fizeram a final de Roland Garros em 2015, lembram?).

Ainda no caminho de Serena podem aparecer Strycova/Garcia na terceira rodada e Cibulkova/Makarova/Wozniacki/Konta nas oitavas. A semi seria contra a vencedora do quadrante que tem Agnieszka Radwanska e Karolina Pliskova (sim, a mesma que eliminou Serena no US Open). Bom, já deu para entender, né? Ainda que seja eternamente favorita, a americana tem, de longe, a trilha mais trabalhosa rumo ao título do Australian Open. Será?

O número 1 em jogo

Kerber e Serena continuam brigando pelo posto de número 1 do mundo em Melbourne. Entretanto, como as duas foram finalistas no ano passado, o posto só muda de mãos com uma excelente campanha da americana. Para ultrapassar a alemã, Serena precisa pelo menos chegar à final. Caso Kerber alcance as oitavas, a americana precisa ser campeã e torcer para que a rival perca antes da decisão. Por fim, se Kerber alcançar a final, ela garante a manutenção do #1, mesmo em caso de título de Serena.

Correndo por fora

Esse grupo não muda muito. O que varia é a forma de cada uma em determinado torneio, mas basicamente falamos sempre de Simona Halep, Agnieszka Radwanska, Garbiñe Muguruza e Karolina Pliskova.

Do quarteto, apenas Muguruza, campeã de Roland Garros, tem um título de Slam no bolso. Só que depois dessa conquista a espanhola não passou da segunda rodada nem em Wimbledon nem no US Open. Em Melbourne, há motivo para otimismo, já que a chave é interessante. Cabeça 7, Muguruza só enfrentaria Kerber nas quartas. Antes disso, tem como principais rivais, no papel, Suárez Navarro, Sevastova e Zhang. A janela está escancarada e ela diz que está recuperada do problema na coxa que sentiu em Brisbane.

Simona Halep é outro nome forte – sempre. De certa forma, a romena parece a primeira da fila na lista das que buscam seu primeiro Slam. Seu tênis vem se mostrando ainda mais consistente, e seu caminho em Melbourne é favorável. Aliás, pode ser o quadrante mais fácil de toda a chave feminina, ainda que inclua Mónica Puig (que não tem um bom resultado desde os Jogos Olímpicos) e Venus Williams (que não tem físico para se movimentar em ralis contra Halep).

Agnieszka Radwanska parece destinada a lutar eternamente em nome das tenistas sem grande potência nos golpes. A polonesa segue capaz de vencer a maioria das rivais, mas cedo ou tarde torna-se vítima de alguém que bate mais forte na bola e atravessa uma ótima semana. Foi assim com Johanna Konta em Sydney, por exemplo, e a chance de isso acontecer na segunda semana de um Slam é sempre grande. Sua sorte em Melbourne é que seu quadrante tem como principal desafiante Karolina Pliskova, contra quem Aga tem um histórico de sete vitórias em sete jogos – e nenhum set perdido.

Por fim, este Australian Open mostra-se como o primeiro grande teste de Pliskova pós-final de US Open. A campanha em Nova York foi também sua primeira campanha realmente digna de seu tênis em um Slam. Melbourne talvez mostre se a tcheca vai se tornar uma candidata permanente a títulos deste porte. Por enquanto, 2017 é animador. Pliskova foi campeã em Brisbane após derrotar Vinci, Svitolina e Cornet em sequência.

As brasileiras

O Australian Open não terá brasileiras na chave principal. Teliana Pereira e Paula Gonçalves disputaram o qualifying, mas acabaram derrotadas na segunda rodada. A pernambucana foi superada por Mona Barthel por 6/0 e 6/4, enquanto a paulista caiu diante de Aliaksandra Sasnovich por 4/6, 6/1 e 6/3.

As grandes ausências

Uma top 10 e uma campeã de Slam não estão na chave deste ano. Madison Keys, atual #8 do mundo, passou por uma artroscopia no punho esquerdo em outubro do ano passado, logo depois do WTA Finals, e ainda não está recuperada. A outra grande ausência sentida será a de Petra Kvitova, que foi vítima de um assalto em dezembro e precisou passar por uma cirurgia na mão esquerda (a de seu forehand).

Outros desfalques incluem Anna Lena Friedsam (lesão no ombro direito), Sloane Stephens (lesão no pé direito), Sabine Lisicki (lesão no ombro direito) e Catherine Bellis (lesão no quadril). E, claro, lembremos que Ana Ivanovic anunciou sua aposentadoria dias atrás e que Maria Sharapova continua suspensa por doping – ela foi flagrada no Australian Open do ano passado.

❤☀️ Cairns #beach #water #sunshine

A photo posted by Jarmila Wolfe (Gajdosova) (@tennis_jarkag) on

Para não deixar passar: quem também anunciou aposentadoria recentemente foi a australiana Jarmila Wolfe (ex-Groth e ex-Gajdosova), que tem um problema crônico nas costas. Campeã de duplas mistas em Melbourne em 2013, ela pediu um wild card para fazer sua despedida, mas o torneio negou. Assim, ela decidiu encerrar a carreira e curtir a vida (nota-se no post de Instagram colado acima) junto com seu marido e seus cachorros. Faz muito bem.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Além do óbvio e aguardado Serena x Bencic, vai ter bastante coisa boa pra ver na primeira rodada em Melbourne. Minha listinha pessoal aqui inclui Vandeweghe x Vinci, Siegemund x Jankovic (que não é mais cabeça de chave), Giorgi x Bacsinszky (porque a italiana sempre pode aprontar), Stosur x Watson (sempre intrigante e dramático acompanhar Stosur na Austrália) e Radwanska x Pironkova.

Talvez o mais interessante mesmo seja Johanna Konta x Kirsten Flipkens, com a britânica chegando de um título em Sydney, onde atropelou Radwanska na final. A top 10 é obviamente favorita contra Flipkens, mas a belga pode exigir uma consistência que Konta pode não conseguir mostrar com o pouco tempo de treino nas quadras de Melbourne.

A tenista mas perigosa “solta” na chave

Nitidamente, o nome mais temido aqui é o de Eugenie Bouchard. Não só pelo passado de bons resultados (a canadense foi top 5 em 2014), mas porque já mostrou bom tênis neste início de ano, alcançando a semi em Sydney – perdeu para a campeã, Konta. No Australian Open, Genie é favorita contra Chirico na estreia e possivelmente fará um duelo interessante contra Kasatkina na segunda fase. Tem cara de jogo-chave. Se avançar e ganhar ritmo, Bouchard pode muito bem desafiar Angelique Kerber nas oitavas – e com chances interessantes.

Outra tenista perigosa e “esquecida” na chave é Kristina Mladenovic, que caiu na metade de baixo e estreia contra Ana Konjuh. Não é nada impossível que a francesa elimine a croata e faça o mesmo com a cabeça de chave Gavrilova na segunda rodada. Kiki ainda teria Bacsinszky pela frente na terceira rodada, antes de um eventual encontro com Kristina Pliskova, mas parece justo dizer que, na semana certa, a francesa poderia deixar todas essas oponentes para trás.

Onde ver

No Brasil, a ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Vale acompanhar também o Watch ESPN, que terá imagens de todas as quadras – até porque haverá conflito de grade na ESPN e na ESPN+ com partidas de NBA e NFL. Quando isso acontecer, todos precisarão correr para o Watch.

Se nada disso der certo, tente o site do Australian Open. O site do torneio transmite, de graça, todas as quadras. A qualidade do streaming oscila e às vezes fica impossível acompanhar os jogos por lá, mas não custa tentar.

Nas casas de apostas

Serena ainda aparece como a mais cotada ao título na maioria das casas de apostas. A cotação abaixo, da casa virtual bet365, mostra a americana pagando 4,0 para um (quem apostar US$ 1 ganha US$ 4 se Serena for campeã), seguida de pertinho por Kerber. Pliskova vem em terceiro, seguida por Muguruza e Halep. Konta, Radwanska, Cibulkova, Wozniacki e Svitolina completam o top 10. Vale notar a presença de Eugenie Bouchard na 11ª posição. A canadense, lembremos, nem cabeça de chave é em Melbourne, mas provavelmente está bem cotada por seu enorme potencial.


Quadra 18: S03E01
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


AO 2017: o guia da chave masculina
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

MCA_LukeHemerTA_blog

E lá vamos nós de novo. Mais um torneio do Grand Slam. Un evento incomum pelas posições de Roger Federer (cabeça 17) e Rafael Nadal (9) na chave, mas um torneio com todos elementos comuns de um típico Australian Open. Novak Djokovic como favorito, Andy Murray cotadíssimo, duelos fortíssimos já na primeira rodada, expectativa de calor, etc. e tal. Vocês sabem o esquema.

As chaves foram sorteadas nesta sexta-feira, o que significa que é hora de analisar não só o momento de cada tenista, mas quais desafios ele vai encontrar pela frente e se suas chances de ir longe em Melbourne aumentaram ou diminuíram depois disso. É também a hora de olhar os azarões e começar a imaginar quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que tento fazer nas linhas abaixo. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

Os favoritos

Pra começar, há dois candidatos mais claros neste torneio. Novak Djokovic e Andy Murray. Nesta ordem, que leva em consideração a final de Doha, vencida pelo sérvio em cima do britânico. Sim, foi apenas um ATP 250, mas não dá para desconsiderar o peso psicológico de um jogo daqueles, brigado e com quase 3h de duração. Por isso, Nole sai na frente, pelo menos no papel.

A chave de Djokovic não é a mais fácil, mas não me parece complicada pelo “ponto de vista Djokovic”, ou seja, pelo estilo de jogo e pelo histórico de confrontos diretos dos adversários. “Ah, mas Nole não estreia contra Verdasco, que quase venceu em Doha?”, pode imaginar alguém. Sim, mas vai ser necessário um alinhamento de 38 planetas e 17 asteroides para aquilo acontecer de novo. Desde já, esse Djokovic x Verdasco da primeira rodada é meu grande favorito a “jogo cheio de expectativa que acaba dando sono”.

Depois disso, Djokovic pega Istomin/qualifier, possivelmente Carreño Busta na terceira rodada, Dimitrov/Gasquet nas oitavas e o vencedor da seção com Thiem, Feliciano, Karlovic e Goffin nas quartas. A maior casca de banana aí parece o confronto de oitavas, mas Djokovic venceu os últimos dez jogos contra Gasquet (perdeu só um set!) e bateu Dimitrov seis vezes em sete encontros. A única vitória do búlgaro aconteceu em 2013, no saibro de Madri. Não me parece lá um retrospecto tão animador para o azarão, embora precisemos levar em conta o recente ressurgimento de Dimitrov, que atropelou e foi campeão em Brisbane, batendo Thiem, Raonic e Nishikori em sequência.

Lembremos também que Djokovic tem em sua metade da chave Milos Raonic, o que é melhor do ter Stan Wawrinka na semifinal. Além disso, Federer também ficou na outra metade da chave, o que não deixa de ser bom para para o sérvio.

O sorteio não foi tão amigável com Andy Murray, embora não tire seu status de favorito na metade de cima da chave. Vários elementos podem jogar contra o número 1 do mundo em momentos diferentes, a começar por possíveis duelos com Querrey na terceira rodada e Isner/Pouille nas oitavas. Embora Murray seja um excelente devolvedor, não é difícil imaginar esses jogos em rodadas diurnas, com sol forte e bolinhas voando mais rápidas ainda, o que não é nada bom para o #1.

Além disso, Murray provavelmente vai precisar passar por Federer, Berdych ou Nishikori nas quartas. Berdych não seria o maior dos problemas, mas o japonês costuma causar problemas para o escocês. Além disso, se o suíço chegar às quartas, terá passado por Berdych e Nishikori e estará em excelente forma. Ou seja, o cenário não é dos mais animadores para Murray.

As “lendas”

Federer estreia contra um qualifier, pega outro qualifier na segunda rodada e deve encarar Tomas Berdych já na terceira fase. Considerando que o suíço chega a Melbourne como cabeça de chave 17, está longe de ser o pior dos cenários, mesmo com um eventual confronto com Kei Nishikori nas oitavas. O japonês, lembremos, sentiu dores no quadril em Brisbane e não se sabe se estará 100% para o início do Australian Open. Acredito que a forma física de Nishikori será chave. Caso o asiático consiga alongar uma partida com Federer, suas chances aumentam. Caso contrário, o suíço pode bem se encontrar na segunda semana diante de Andy Murray nas quartas.

Nadal, cabeça 9, também não teve um sorteio dos piores, mas seu caminho tem uma pedra grande: Alexander Zverev na terceira rodada. O adolescente alemão, contudo, ainda não tem uma vitória grande num Slam. Esse jogo pode muito bem determinar um semifinalista, já que o vencedor sairá com status de favorito pelo menos até as quartas de final, quando Milos Raonic, o cabeça 3, pode aparecer.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro vão estrear contra cabeças de chave, o que nunca é bom. O paulista vai encarar Bernard Tomic, o que não é desastroso. Afinal, entre todos cabeças que Bellucci poderia enfrentar, pegará um contra quem tem retrospecto favorável (2 a 1). É bem verdade que Tomic joga em casa, onde supostamente (favor colocar negrito mental e ler beeeeem devagar a palavra su-pos-ta-men-te!) não gostaria de dar (mais um) vexame. Mas também é inegável que tudo pode acontecer quando o australiano entra em quadra. Por outro lado, é bem possível que Tomic esteja pensando o mesmo de Bellucci: “tudo pode acontecer”.

Monteiro vai encarar Jo-Wilfried Tsonga. Sim, o mesmo Tsonga que ele derrotou no Rio Open do ano passado. Desta vez, na quadra dura, sem o insuportável calor carioca (onde todos tenistas dizem que é muito mais difícil jogar do que em Melbourne) e valendo por Grand Slam. É outro nível de importância. E Tsonga, às vezes vulnerável em torneios menores, não perde uma estreia em Slam desde 2007, quando ganhou um convite para o Australian Open e pegou Andy Roddick, então número 7 do mundo, na primeira rodada.

Rogerinho teve melhor sorte. Estreia contra Jared Donaldson, #101 do mundo. O americano vem de boa campanha em Brisbane, onde furou o quali, eliminou Gilles Muller na estreia e até venceu o primeiro set contra Nishikori na segunda rodada. O japonês acabou levando a melhor. De qualquer maneira, é melhor do que estrear logo contra um cabeça de chave. Se avançar, o paulista vai enfrentar o vencedor do jogo entre Gilles Simon e Michael Mmoh.

A grande ausência

Juan Martín Del Potro afirmou que não estaria pronto fisicamente já em janeiro e decidiu abortar o primeiro Slam da temporada. Ele também não quis (como nunca quis mesmo) jogar na temporada sul-americana de saibro e vai começar 2017 jogando em quadras duras. Resumindo? O argentino curtiu bem as férias (vide tweet abaixo) e não quis forçar seu corpo.

Os melhores jogos na primeira rodada

O que não falta é jogo bom e por um monte de motivos diferentes. Comecemos pelos cabeças de chave. Stan Wawrinka x Martin Klizan é o tipo de confronto em que o suíço precisa entrar firme. Um diazinho ruim de primeira rodada pode acabar com seu torneio, já que o eslovaco tem aqueles dias de bater forte em todas as bolas e acertar tudo. Vale ficar de olho. O mesmo perigo existe para Gael Monfils, que enfrenta Jiri Vesely, e para Marin Cilic, que duela com o “perturbado” Jerzy Janowicz. Só deus sabe o que sai da raquete do polonês.

Outro jogo intrigante é Dolgopolov x Coric, cujo vencedor encara Monfils ou Vesely, o que faz dessa seção a mais imprevisível do torneio. Falando em imprevisibilidade, já mencionei acima Bellucci x Tomic, mas cito também Youzhny x Baghdatis (dois malucos gente boa). Vale prestar atenção também em Haas (sim, Tommy Haas, AQUELE, que está de volta!) x Paire e Kyrgios (lesionado) x Elias porque não dá para descartar uma zebra do português aqui.

No quesito “fim provável, meio improvável”, recomendo acompanhar Raonic x Brown porque embora o canadense seja favoritíssimo, não dá pra perder os momentos de brilho do alemão. E, por fim, o confronto mais quente, com sangue latino, entre Fognini e Feliciano López. Até porque a coisa não acabou bem quando os dois se enfrentaram em Wimbledon no ano passado (vejam o vídeo acima).

O que mais pode acontecer de legal

De modo geral, as atenções vão mesmo continuar voltadas para o desenrolar das campanhas de Federer e Nadal e como elas vão afetar o andamento das chaves, mas algumas outras formações bem interessantes podem vir na segunda rodada ou nas seguintes, como um encontro entre Dominic Thiem e João Sousa. Outro jogo esperado mais para a frente é Gasquet x Dimitrov, que pode acontecer na terceira rodada. E também, meio escondido no meio disso tudo, imagino um interessante jogo entre Raonic e Taylor Fritz na segunda rodada.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A essa altura, todo mundo já está prestando atenção em quem jogou bem nas primeiras semanas. São os casos de Zverev, que bateu Federer na Copa Hopman, e de Dimitrov, campeão em Brisbane, por exemplo. Ainda assim, alguns nomes mereciam mais atenção. Acho que João Sousa é um deles. O português, #44, segue obtendo resultados acima do que normalmente se espera. Não me parece nada impossível imaginá-lo batendo Jordan Thompson e Dominic Thiem nas duas primeiras rodadas. Resta saber, porém, em que condições físicas Sousa chegará a Melbourne, já que ainda está em Auckland, onde disputa a final.

Outro tenista que eu gosto e que cedo ou tarde vai ser uma realidade em torneios maiores é Taylor Fritz, 19 anos e #91 do mundo. Tem um saque gigante, golpes potentes de fundo e uma movimentação até boa para seu 1,93m de altura. Ano passado, já conseguiu um punhado de resultados relevantes. Falta, claro, maturidade. E sua chave em Melbourne não é das piores. Ele enfrenta Gilles Muller, outro “sacador” na estreia e, se vencer, pega Milos Raonic, alguém com um jogo muito parecido com o seu. Existe uma janelinha para ele dar esse salto já neste Australian Open.

Onde ver

A ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Nas casas de apostas

Na casa virtual bet365, a lista de mais cotados tem, nesta ordem, Djokovic, Murray, Wawrinka, Nadal, Raonic, Federer, Nishikori, Kyrgios, Dimitrov e Cilic no top 10. Vale notar a distância entre as cotações de Murray (paga US$ 2,62 para cada dólar apostado), segundo favorito, e Wawrinka (13), o terceiro.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!


Wimbledon 2016: o guia (versão masculina)
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O terceiro Slam do ano se aproxima, e enquanto o Reino Unido discutia (e discutirá por muito tempo) as causas e consequências de sua saída da União Europeia, Wimbledon sorteou as chaves na manhã desta sexta-feira. Será que Novak Djokovic dará mais um passo ao Grand Slam de fato e conquistará seu quinto Slam seguido? Ou Andy Murray voltará a reinar em casa? E Roger Federer, já encontrou ou vai encontrar sua habitual forma espetacular na grama do All England Club?

Este guia da chave masculina fala um pouco disso tudo, avaliando os resultados recentes, a composição das chaves e o que pode acontecer nas próximas duas semanas, no torneio que é o mais tradicional e mais cobiçado desde sempre.

Os favoritos / Quem se deu bem

Campeão em Roland Garros e agora dono do Career Slam, Djokovic optou por não fazer torneios de preparação na grama, como já faz há algum tempo. Jogou apenas o Boodles, um evento de exibição que serve para ajustes finais, embora não dê aos fãs e à imprensa uma boa referência sobre a forma do número 1 do mundo. Mesmo assim, parece justo esperar que o sérvio mostre a mesma forma de sempre. Seu histórico recente aponta para isso. Logo, ele entra como favorito indiscutível, do mesmo modo que seria o mais cotado se a ATP decidisse organizar um campeonato de tiro ao prato ou de caça a codornas.

O sorteio não foi dos melhores para o sérvio, ainda que não tenha sido trágico, mas que sorteio pode ser trágico com o cidadão jogando nesse nível? Entre as possíveis cascas de banana no caminho estão Lukas Rosol e Sam Querrey, que se enfrentam na primeira rodada, com o vencedor possivelmente encontrando o sérvio na terceira fase. Rosol, a gente lembra, tem potencial para aprontar essa zebra, mas precisa que tudo dê certo no dia.

Além disso, Nole pode encarar Milos Raonic, Kevin Anderson ou, quem sabe, David Goffin nas quartas. É justo dizer que Raonic, no momento atual e na grama, parece ser o adversário mais duro possível para qualquer um encarar nas quartas. E, para piorar, Djokovic ainda tem Federer na sua metade da chave. É um potencial duelo de semifinal que repetiria as duas últimas finais em Wimbledon. Resumindo: o favorito não deve estar lá muito feliz com o sorteio…

Enquanto isso, o ídolo local, Andy Murray, pode muito bem ser considerado o “vencedor” do dia. Não que sua chave seja um mar de rosas, mas escapar da semi com Federer já foi uma vitória. Além disso, as três primeiras rodadas, contra Liam Broady, Lu/Qualifier e possivelmente Benoit Paire, parecem tranquilas. Depois, sim, podem pintar no caminho Kyrgios/Feliciano (oitavas) e o vencedor do grupo com Isner, Tsonga, Gasquet e Troicki, nas quartas. Se chegar à semi, Murray vai encarar quem avançar na parte encabeçada por Wawrinka, que também tem Thiem e Berdych, mas que parece o “quarto” menos forte da chave inteira.

O britânico chega a Wimbledon em bom momento e com o reforço de Ivan Lendl, que voltou a seu box. No primeiro torneio com o ex-e-agora-atual treinador, Murray foi campeão em Queen’s. Não foi uma semana de atuações espetaculares, mas de encontrar soluções para vencer jogos. O escocês fez isso muito bem e, por isso, merece iniciar o Slam da grama como o segundo mais cotado ao título.

Roger Federer é o grande ponto de interrogação aqui. Em uma temporada atípica, com cirurgia, lesões e pouco tempo em quadra, o suíço mostrou ferrugem em Stuttgart e Halle, onde foi superado por Thiem e Zverev, respectivamente. Era de se esperar, até certo ponto, que Federer ainda estivesse aquém de seu melhor nível, mas ver isso na prática deixou muita gente preocupada.

A dúvida reina no mundo do imaginário, onde os fãs sonham com um Federer de volta a seu nível costumeiro antes dos momentos decisivos de Wimbledon. Nesse sentido, é até possível dizer que o #3 do mundo deu sorte. Sua primeira semana no torneio não é das mais turbulentas, com adversários como Pella (estreia) e Berankis/Qualifier (segunda rodada). Dolgopolov, sim, pode dar trabalho na terceira fase, mas só se Federer estiver em um dia muito ruim. O suíço também seria favortíssimo nas oitavas contra possivelmente Simon ou Monfils.

Trocando em miúdos, dá para afirmar que Federer terá tempo para calibrar seus golpes e planejar a segunda semana. Nishikori é o potencial rival de quartas de final, mas o japonês só fez um jogo na grama em 2016. Não é difícil imaginar o suíço alcançando a semi sem encarar o japonês.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci, que não vence um jogo na grama há cinco anos (a última vitória foi em Queen’s, em 2011), se deu bem no sorteio e vai estrear contra um qualifier. Se vencer, encara Querrey ou Rosol em um cenário que está longe de ser ruim, considerando que o brasileiro não é cabeça de chave.

Rogerinho fará sua segunda apresentação em Wimbledon e também não teve um sorteios dos piores, não. Ele estreia contra Nicolás Almagro. É justo dizer, por outro lado, que o espanhol também deve ter gostado do sorteio. Para ambos, tenistas de fundo de quadra, seria mesmo melhor evitar encarar sacadores ou tenistas agressivos, que dariam pouco ritmo de jogo.

A grande ausência

Rafael Nadal, com uma lesão no punho esquerdo, só chegou perto de uma quadra de grama quando visitou o WTA de Mallorca, onde nasceu e mora até hoje. O atual número 4 do mundo tem pouco mais de 300 pontos de vantagem sobre Stan Wawrinka no ranking e pode ser ultrapassado até pelo atual #6, Kei Nishikori. Tudo depende de como suíço e japonês atuarão em Wimbledon.

Os melhores jogos nos primeiros dias

A chave de Wimbledon está especialmente suculenta para quem aprecia tênis e não se apega demais aos líderes do ranking. Logo na primeira rodada, há confrontos divertidíssimos como Kyrgios x Stepanek, Verdasco x Tomic, Wawrinka x Fritz e Thiem x Florian Mayer (o alemão venceu o austríaco em Halle).

Só que a lista não acaba aí. Que tal Coric x Karlovic? Ou Simon x Tipsarevic? E o que pode acontecer em Monfils x Chardy? E Gulbis x Sock? E Isner x Baghdatis?Faça sua listinha e preste atenção porque tudo isso vai acontecer já na segunda e na terça-feira (se a chuva não atrapalhar, é claro).

O que mais pode acontecer de mais legal

Uma segunda rodada entre Stepanek ou Kyrgios contra Dustin Brown, já imaginaram? Outro jogaço já no radar de todos é Wawrinka x Del Potro. Para que isso aconteça, o suíço precisa bater Taylor Fritz, e o argentino tem que passar por Stéphane Robert. Não parece nada improvável. Uma terceira rodada entre Murray e Paire promete um bocado de jogadas de efeito.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A chave de Wimbledon este ano tem alguns nomes meio “escondidos”. Kevin Anderson, por exemplo, estaria mais bem cotado em uma seção mais fraca. O sul-africano, porém, pode muito bem eliminar Goffin numa terceira rodada e encarar Raonic com chances interessantes nas oitavas.

A situação de Tomas Berdych não é muito diferente. Cabeça 10, o tcheco está na seção de Dominic Thiem, que estreia contra Florian Mayer. Mas quem ousa dizer que Berdych não pode passar pelo jovem Zverev nas oitavas e, depois, por Thiem ou Mayer (ou Sousa, quem sabe), chegando às quartas de final contra Wawrinka? Se o suíço chegar lá, né?

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão.

Nas casas de apostas

Não há nenhuma grande surpresa nas cotações da casa virtual bet365, mas é importante notar uma diferença menor entre Djokovic e Murray e uma separação maior entre o britânico e Federer. As cotações estão assim:

Vale registrar, só a título de curiosidade, que um título de Thomaz Bellucci paga 1001 para 1. Se Rogerinho for campeão, o apostador embolsa 3001 para 1.

O guia feminino

Com sempre, não dá tempo de publicar os dois textos no mesmo dia, então o guia para a chave feminina deve aparecer aqui no amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá sua habitual edição especial pré-Slam, cheia de palpites e análises.


Roland Garros 2016: o guia (versão feminina)
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Serena_Roma_trophy_get_blog

Foram três torneios grandes com três campeãs diferentes – e nenhuma empolgou. Angelique Kerber venceu na chave esburacada de Stuttgart, Simona Halep triunfou no imprevisível torneio de Madri, e Serena Williams passou mal e, assim mesmo, foi campeã em Roma sem derrotar nenhum nome de peso.

Assim sendo, sem ninguém se impor como favorito, é de se esperar certo equilíbrio e uma das edições mais imprevisíveis de Roland Garros nos últimos anos. Vale a ressalva, claro, de que quando há equilíbrio no papel, o favoritismo é da número 1 do mundo e atual campeã, Serena Williams.

No podcast Quadra 18, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu debatemos a (quase nenhuma) importância dos três grandes torneios femininos que antecedem o Slam do saibro. Agora chega a hora de ver aqui no guiazão o quanto o sorteio da chave feminina afetou as chances das tenistas em Roland Garros.

As favoritas / Quem se deu bem

Se ninguém se destacou do pelotão, o favoritismo default é de Serena Williams, que não precisaria fazer nada especial para ocupar esse posto. E o sorteio, embora não tenha sido o melhor possível para a americana, não lhe colocou diante de ninguém que venha jogando espetacularmente. Sim, é bem verdade que seu quarto da chave é rico em nomes de peso como Ivanovic, Cibulkova e Azarenka, mas nenhuma mostrou tênis recentemente para derrubar a americana.

No papel, o grande jogo aqui seria nas quartas de final contra Vika, mas a bielorrussa vem de um WO em Madri (enfrentaria Louisa Chirico) por causa de dores nas costas e de uma derrota para Irina Camela Begu em Roma. Não é o mais empolgante dos retrospectos antes de um Slam, certo? Ivanovic, por sua vez, não ganhou dois jogos seguidos no saibro este ano. Seus reveses no piso vieram diante de Karolina Pliskova, Chirico (sim, ela de novo) e McHale.

O outro quarto nessa metade da chave é encabeçado por Angelique Kerber, a cabeça 3 do torneio. A alemã parecia iniciar uma arrancada quando ganhou Stuttgart, mas perdeu duas estreias em Madri (Strycova) e Roma (Bouchard) e viu o vento desaparecer de suas velas. Historicamente, Roland Garros não lhe traz grandes resultados (nunca passou das quartas)

A chave de Kerber não é tão difícil assim, mas tem cascas de banana pelo caminho. A começar pela estreia contra Kiki Bertens, que vem de título em Nuremberg, e por uma possível segunda rodada contra a imprevisível Camila Giorgi (tão imprevisível que pode perder para a local Alizé Lim na estreia). Caso avance, Kerber pode enfrentar Konta ou Keys nas oitavas e, nas quartas, a vencedora da seção que tem Venus, Jankovic, Niculescu e Bacsinszky. Dito tudo isto, Serena é a grande favorita na metade de cima da chave.

A metade de baixo da chave é encabeçada por Agnieszka Radwanska, cabeça 2, mas quase ninguém coloca a polonesa como principal nome por ali. Em seu mesmo quadrante está Simona Halep, vice-campeã de Roland Garros em 2014 e campeã do maluco torneio de Madri deste ano. Aga só alcançou as quartas uma vez em Paris e, mesmo assim, perdeu para Sara Errani. Este ano, chega a Paris nadando contra a maré após derrotas para Siegemund (Stuttgart) e Cibulkova (Madri). Não é difícil imaginá-la perdendo para Strycova na terceira rodada ou mesmo Errani/Stephens nas oitavas.

Halep, por sua vez, enfrentaria provavelmente Ostapenko nas oitavas e Stosur ou Safarova nas quartas. Então, na semi, teria pela frente quem avançar na seção de Radwanska. A romena, ainda que venha de uma eliminação diante de Gavrilova na estreia em Roma, parece a aposta mais segura aqui. Safarova, Stephens, Errani, Strycova e, quem sabe, Stosur correm por fora.

Por fim, o quadrante de Muguruza, que parece o mais equilibrado do torneio. Além da espanhola, cabeça 4, estão por aqui Vinci (na outra ponta da seção), Begu, Pliskova, Kvitova, Kuznetsova, Pavlyuchenkova e Makarova. Difícil fazer previsões, mas Muguruza ainda parece o nome mais consistente – ou menos irregular – por aqui. Em uma semana boa, porém, qualquer dos nomes acima pode avançar. Inclusive Petra Kvitova, que bateu Muguruza em Stuttgart, mas pouco fez em Roma e Madri – volto a falar sobre isso mais abaixo.

A brasileira

Teliana Pereira não deu lá muita sorte. Nem tanto pela estreia, que será contra a tcheca Kristyna Pliskova (#110), a Pliskova menos famosa e que não venceu nenhum jogo no saibro em chave principais de eventos de nível WTA. É bem possível que Teliana, mesmo longe de viver um grande momento (são três vitórias e 13 derrotas em 2016), passe pela tcheca. O problema vem na sequência, em um possível confronto com Serena Williams na segunda rodada.

As ausências

Caroline Wozniacki e Belinda Bencic são grandes desfalques para o torneio, mas a ausência mais sentida será mesmo a de Maria Sharapova. Ainda sem uma sentença definitiva para seu caso de doping, a russa ex-número 1 do mundo teria grandes chances se chegasse em forma a Paris. Não só pelo seu histórico recente, com os títulos de 2012 e 2014 (além do vice de 2013), mas porque poderia aproveitar este momento sem ninguém se destacando no circuito. Seria um nome fortíssimo e, quem sabe, a principal favorita ao título.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Há bons jogos para prestar atenção já na primeira rodada este ano. Olhando de cima para baixo na chave, é possível destacar logo de cara Schiavone x Mladenovic, uma campeã veterana tirando o máximo de seus últimos dias no circuito contra uma tenista da casa em ascensão; Svitolina x Cirstea, uma cabeça de chave diante de uma ex-top 30 que vem do qualifying; e Kerber x Bertens, com a campeã do Australian Open diante de uma adversária perigosa e em belo momento, vindo de um título de nível WTA.

Vale prestar atenção também em Dodin x Ivanovic, com a wild card francesa tentando derrubar uma campeã do torneio – e até porque qualquer partida envolvendo Ivanovic tem potencial de zebra. Meu jogo preferido, porém, é Petkovic x Robson, onde deve sobrar carisma e, infelizmente, faltar tênis.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Normalmente, Petra Kvitova é aquele nome candidato a qualquer título, mas que nós, jornalistas e fãs, acompanhamos atentamente para saber quando será a zebra que derrubará a ex-número 2 do mundo. Desta vez, em Paris, o panorama é um pouco diferente. Kvitova é apenas a cabeça de chave 10 e não vem conseguindo resultados que a credenciem para a lista das principais favoritas.

Ainda assim, a tcheca tem um tênis que, quando encaixa, é imbatível. Se isso acontecer em uma chave bastante acessível, Kvitova pode se ver, de repente, nas quartas de final contra Muguruza e, por que não, nas semifinais. Para isso, teria que possivelmente passar por Karolina Pliskova na terceira rodada e bater quem vier do grupo de Vinci e Begu nas oitavas. Em condições normais, são resultados perfeitamente possíveis – sim, mesmo no saibro. Vale ficar de olho.

Onde ver

A transmissão é do Bandsports, que diz, em suas notícias, que mostrará o evento em “canal e site”. O hotsite do canal para o torneio, no entanto, ainda contém apenas as notícias do ano passado.

Nas casas de apostas

Na bet365, o nome de Serena Williams lidera, mas sua cotação, 3,25/1, indica um favoritismo moderado. O valor significa que quem apostar um dólar na americana receberá de volta 3,25 dólares se ela for campeã. É um favoritismo bem menor do que o de Djokovic, que paga 1,80.

Atrás de Serena vêm Halep (7/1), Azarenka (7,5/1), Muguruza (11/1), Kerber (19/1), Kvitova (26/1), Keys (34/1), Suárez Navarro (34/1), Bacsinzky (34/1) e Safarova (41/1). Teliana Pereira paga 501/1.


O que significou o espetacular Djokovic x Nadal em Roma?
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Nadal_Roma16_QF_get_blog

Foi a melhor partida da semana e, possivelmente, a melhor de 2016 no saibro. Novak Djokovic, vindo de um título em Madri, contra Rafael Nadal, cada vez mais afiado na temporada europeia de saibro. O resultado final – 7/5 e 7/6(4) para o sérvio – pode ser visto de algumas maneiras. Por um lado, apenas estendeu a série de vitórias do número 1 sobre o espanhol. Agora são sete triunfos consecutivos, com 15 sets vencidos e nenhum perdido. Por outro, mostrou um Nadal mais competitivo – foi o mais duro dos sete jogos – e mais perto de seu melhor nível. Como, então, devemos analisar as consequências do duelo de Roma?

Pelo lado de Djokovic, trata-se de mais uma vitória extremamente relevante no circuito. O sérvio, afinal, tinha muito mais a perder no confronto. Um revés poderia (ou não, claro) abalar sua confiança às vésperas do torneio que é o mais importante de seu calendário. Roland Garros é o grande título que lhe falta, então cada pequeno ingrediente dessa receita que leva forma técnica, preparo físico e força mental, entre outros temperos, torna-se realmente importante.

Mas não é só isso. O número 1 do mundo sai de quadra com uma noção melhor de quem é o Nadal de agora. E, como todo bom gato escaldado, Djokovic também sabe que chegar a Paris com vitórias nos Masters 1.000 não significa tanto assim. Em 2014, por exemplo, bateu Nadal em Roma, mas perdeu a final do Slam do saibro para o espanhol. Todo cuidado é pouco.

Nadal era quem realmente tinha a ganhar com a partida e dá até para dizer que, apesar da derrota, o espanhol sai mais forte de Roma. Primeiro porque apesar do ótimo momento no saibro, que começou em Monte Carlo, ainda lhe faltava o maior dos testes. A partida contra Djokovic aconteceu, e o espanhol saiu da quadra sabendo precisamente onde está no circuito e no que ainda precisa evoluir.

Além do mais, Nadal passou tanto tempo sem jogar nesse nível altíssimo de tênis que a falta de vivência recente nesses momentos lhe custou pontos cruciais – como os cinco set points na segunda parcial. Passar por isso em Roma fez bem. Ele mesmo admitiu isso depois do jogo e comemorou o fato de ter feito uma belíssima partida contra Djokovic sem fazer nada “ultraespetacular” (leia aqui).

O que eu acho disso tudo? Djokovic ainda é o claro favorito para Roland Garros, mas neste momento não consigo imaginar Nadal perdendo de nenhum outro tenista em um duelo melhor de cinco sets (deixo para comentar Murray em outro momento). Mais um encontro em Paris seria fantástico em qualquer que seja a fase – até porque o mais memorável dos jogos entre eles lá aconteceu em uma semifinal.

E as cotações?

Nada mudou. Ou melhor, quase nada. Djokovic continua como favorito, e Nadal segue sendo o segundo mais cotado nas casas de apostas. No dia 21 de abril, publiquei aqui no blog que um título do sérvio pagava 1,66/1 na Bet365. Significa que o apostador recebe US$ 1,66 para cada dólar apostado. Enquanto isso, uma conquista de Nadal pagaria 4/1. Hoje, depois da final de Roma, as cotações na mesma casa são, respectivamente, 1,72/1 e 4/1.

Trocando em miúdos, não houve nenhuma alteração relevante. Talvez haja depois da divulgação da chave de Roland Garros, mas aí é outra história. Não caberia uma comparação 100% justa.

No ranking

O resultado do jogo desta sexta-feira também significa que Nadal não será um dos quatro principais cabeças de chave no Slam do saibro, o que pode ocasionar um novo duelo como Djokovic nas quartas. A não ser, é claro, que Roger Federer não melhore da lesão nas costas e decida não jogar em Paris. Neste caso, Wawrinka subiria para cabeça três e Nadal só enfrentaria o número 1 nas semifinais – na pior das hipóteses. Murray será o número 2 independentemente do resto de sua campanha no torneio italiano.

Bônus track

Desenterrado por Rob Koenig, comentarista do TennisTV, o jogaço entre Rafael Nadal e Guillermo Coria que decidiu o título de Roma em 2005. Serve para muita gente comparar com o tênis atual: 1) a velocidade geral do jogo; 2) a velocidade de Nadal; e 3) o estilo que quase sempre predominou no saibro.

É obrigatório para quem acredita que Nadal só sabia se defender quando venceu Roland Garros pela primeira vez.


Semana 17: um argentino exemplar e um búlgaro pateta (e Almagro voltou!)
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Semana17_col_blog

Cinco torneios pequenos e, mesmo sem os maiores nomes do tênis presentes, muito assunto. Desde o ridículo “abandono” de Grigor Dimitrov em Istambul até o “retorno” de Nicolás Almagro em Estoril, passando por um raro gesto de esportividade protagonizado por Rogerinho. Houve também um forehand voador de Nick Kyrgios, uma bolada de Federico Delbonis em um gato e um processo por injúria. É hora do resumaço da semana, então role a página e fique por dentro.

Os campeões e o idiota

Não dá para ressaltar a conquista de Diego Schwartzman no ATP 250 de Istambul sem, antes, comentar o gesto desprezível de Grigor Dimitrov. O búlgaro, #29, veceu o primeiro set e teve 5/2 no segundo. Sacou para o título no nono game, mas foi quebrado e perdeu a parcial. O argentino, buscando o primeiro título da carreira, disparou no placar. Abriu 5/0 no terceiro set e… Dimitrov enlouqueceu.

Depois de sacar em 40/15 e perder dois game points, o búlgaro, que já tinha sido advertido com um point penalty, foi até o árbitro de cadeira, indicou o que faria e destruiu a raquete. Depois, logo cumprimento o juizão, sabendo que levaria um game penalty e perderia o jogo. Um gesto de frustração, sim, mas de uma deselegância gigante, impedindo que o adversário tivesse o gosto de festejar o match point em seu primeiro título. O vídeo abaixo mostra:

Schwartzman, 23 anos e #87, acabou com o título por 6/7(5), 7/6(4) e 6/0. Seu primeiro troféu em nível ATP o lançou para o 62º posto no ranking mundial e, mais do que isso, deu um recado ao resto do circuito. Se o diminuto argentino, com cerca de 1,60m de altura (a ATP diz 1,70m, mas quem já esteve ao lado do argentino sabe que ele mede bem menos) e nenhum golpe espetacular consegue um título de ATP, muita gente também poderia conseguir.

Era um torneio, digamos, acessível, e Schwartzman aproveitou as chances que o destino lhe jogou. Em vez de reclamar de azar por enfrentar o principal pré-classificado na segunda rodada, colocou na cabeça que Tomic era vulnerável no saibro e entrou em quadra disposto a vencer. Depois disso, bateu Dzumhur, Delbonis e Dimitrov. E tem todos os méritos de qualquer outro campeão.

O ATP 250 de Munique começou com neve (em abril!) e terminou com um campeão caseiro. Philipp Kohlschreiber levantou o troféu depois de superar o austríaco Dominic Thiem (22 anos, #15) por 7/6(7), 4/6 e 7/6(4). Um placar quase redentor para o alemão, que perdeu a decisão do ano passado também em um tie-break de terceiro set – Andy Murray venceu aquele jogo.

Kohlschreiber agora tem sete títulos na carreira. Cinco deles vieram no saibro, e três foram em Munique. Foi lá, aliás, que o alemão – hoje com 32 anos e #25 do mundo após a vitória deste domingo – venceu um torneio pela primeira vez. Foi em 2007, com vitória de virada sobre Mikhail Youzhny na decisão.

Por fim, no ATP 250 de Estoril, Nicolás Almagro “voltou”. O espanhol, hoje com 30 anos, está recuperado de uma cirurgia no pé esquerdo que lhe afundou no ranking em 2014 e lhe fez jogar qualifyings de ATPs e até alguns Challengers. Ao aplicar 6/7(6), 7/6(5) e 6/3 no compatriota Pablo Carreño Busta, Almagro levantou seu primeiro troféu desde 2012.

A conquista não veio sem drama. Almagro sacou duas vezes para o primeiro set e não fechou. Depois, abriu 6/2 no tie-break e perdeu oito pontos consecutivos. Na segunda parcial, sacou em 5/3 e foi quebrado. Mesmo assim, venceu o tie-break, forçou a parcial decisiva e finalmente triunfou. Com os 250 pontos, Almagro ganhou 23 posições no ranking e voltou ao top 50 (é o #48).

As campeãs

No WTA International de Praga, Lucie Safarova encerrou um jejum em grande estilo. Depois de perder na estreia em todos cinco torneios que disputou em 2016, a tcheca se encontrou jogando em casa e levantou o título ao derrotar Sam Stosur por 3/6, 6/1 e 6/4 na final.

Atual vice-campeã de Roland Garros, Safarova (#16) bateu Duque-Mariño, Hradeck, Hsieh e Karolina Pliskova antes da final. E, logo depois, correu para o aeroporto rumo a Madri. O torneio espanhol começou no sábado, e tanto Safarova quanto Stosur tinham a estreia marcada para este domingo.

No WTA International de Rabat, no Marrocos, a suíça Timea Bacsinszky (#15) era a cabeça de chave número 1 e confirmou o favoritismo. Perdeu apenas um set durante toda a semana e levantou o troféu após derrotar a qualifier neozelandesa Marina Erakovic (#186) por 6/2 e 6/1 na final.

Semifinalista de Roland Garros no ano passado, Bacsinszky ainda não tinha um título no saibro na carreira. A conquista em Rabat foi sua quarta em um torneio deste nível.

Os brasileiros

Em Rabat, Teliana Pereira voltou a vencer e bateu a alemã Annika Beck (#41), cabeça de chave 6, na primeira rodada: 6/3 e 6/1. Foi apenas a segunda vitória da pernambucana em 2016 e a primeira contra uma não-brasileira. Nas oitavas, Teliana (#84), caiu diante de Johanna Larsson (#64): 6/4 e 6/4. Como tinha 48 pontos a defender na semana e somou apenas 30, a número 1 do Brasil cai um pouco mais no ranking, indo parar no 89º lugar.

Teliana, aliás, também já foi eliminada do WTA de Madri, que começou no último sábado. Sua algoz foi a americana Sloane Stephens, que fez 3/6, 6/3 e 6/2. A pernambucana agora acumula duas vitórias e 11 derrotas em 2016. No ranking da temporada, ela ocupa apenas o 196º lugar.

Em Munique, Thomaz Bellucci deu sorte na estreia e contou com o abandono de Mikhail Youzhny (#76), que perdia por 6/3 e 1/0 quando deixou a quadra. Nas oitavas, porém, o paulista fez uma partida ruim e perdeu para Ivan Dodig (#75) por 7/6(5) e 6/3. Foi a primeira vez desde abril de 2015 que o croata venceu dos jogos seguidos em uma chave principal de ATP.

Em Estoril, Rogerinho estreou com vitória sobre Benjamin Becker (#92, 6/4 e 6/1) e fez uma boa apresentação nas oitavas, diante de Borna Coric (#40), mas foi eliminado em três sets: 6/3, 4/6 e 6/1. O paulista, que começou a semana como #101 do mundo, ganhou cinco posições e foi parar em 96º.

Na chave de duplas de Munique, Marcelo Melo jogou ao lado do ex-antilhano-agora-holandês Jean-Julien Rojer, apesar de Ivan Dodig, seu parceiro habitual estar nas simples do evento. Fazia frio na estreia, e o mineiro jogou com um coletinho preto de gosto questionável (combinando com short e tênis). Teve até ponto disputado sob neve.

No fim, Melo e Rojer, cabeças de chave 1, foram superados por Oliver Marach e Fabrice Martin: 6/4 e 6/4.

Promessa cumprida

Rafael Nadal prometeu e cumpriu. Na última segunda-feira, entrou na Justiça francesa com um processo contra a ex-ministra do Esporte do país Roselyne Bachelot. No tuíte abaixo, a íntegra do comunicado distribuído a imprensa, que foi amplamente reproduzido no Twitter na segunda-feira. Atenção: está lá o telefone do chefe de imprensa de Rafael Nadal, Benito Pérez-Barbadillo. Quem quiser anotar e bater um papo sobre tênis…

O espanhol também enviou uma carta à ITF, pedindo que a entidade publicasse o resultado de todos testes antidoping a que foi submetido na carreira e toda informação existente em seu passaporte biológico. A entidade, que só divulga os testes em que alguém foi flagrado, resumiu-se a responder à agência Associated Press dizendo que recebeu a carta e que Nadal nunca testou positivo.

Lances bacanas

Em Estoril, Nick Kyrgios conseguiu executar um winner contra Borna Coric com este forehand voador:

Kyrgios venceu a partida por duplo 6/4, mas parou na fase seguinte – a semifinal – diante de Nicolás Almagro, que aplicou 6/3 e 7/5.

A Aliny Calejon, dona do site Match Tie-break, registrou um dos pontos disputados enquanto caía neve na partida de Marcelo Melo em Munique. Olha aí!

Lances não tão bacanas

Em Istambul, um gato invadiu a quadra durante o jogo entre Federico Delbonis e Diego Schwartzman. A solução encontrada por Delbonis foi dar uma bolada no gatinho. Sei não, viu? Não pegou lá muito bem. Tanto que o árbitro de cadeira aplicou uma advertência por conduta antiesportiva.

Nomes na ponta da língua

A WTA resolveu perguntar a suas tenistas como pronunciar os nomes de algumas de suas rivais. O resultado foi esse divertido vídeo abaixo:

A ideia deve ter partido de alguma jornalista querendo vingança, não?

O porta-bandeira

Já era esperado, mas Rafael Nadal foi enfim oficializado como porta-bandeira da Espanha no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Nadal também foi escolhido para carregar as cores do país em Londres 2012, mas não foi aos jogos por causa de uma lesão no joelho. O jogador de basquete Pau Gasol, amigo de Nadal, foi quem substituiu o tenista na cerimônia.

A reforma

Na última terça-feira, Wimbledon divulgou um vídeo mostrando como ficará a Quadra 1 depois de uma grande reforma. A arena terá 900 assentos a mais, além de teto retrátil e iluminação. A obra começará em julho de 2016 e está prevista para terminar antes do torneio de 2019. Veja no vídeo abaixo.

O Slam britânico também anunciou a premiação em dinheiro. Ao todo, serão distribuídos 28,1 milhões de libras, o equivalente a US$ 40 milhões. Os campeões de simples embolsarão US$ 2,9 milhões cada. Nas duplas, o prêmio para quem conquistar os títulos será de US$ 507 mil por time. A lista completa está aqui.

Sob suspeita

Unidade de Integridade do Tênis publicou seu primeiro relatório quadrimestral, e o resultado assusta: o número de alertas em partidas suspeitas de manipulação aumento mais de 50% em relação ao mesmo período em 2015. Listei números e dados neste post publicado na terça-feira.

Acima de qualquer suspeita

Rogerinho sacava em 3/5, 15/30 contra Borna Coric nas oitavas de final de Estoril quando, no meio do ponto, o árbitro chamou “let”. O problema é que a chamada do árbitro ocorreu após o brasileiro bater na bola, que parou na rede. A sequência deixou Coric furioso, esbravejando contra o árbitro. Rogerinho, então, deu o ponto ao adversário, inclusive cedendo um set point. O croata agradeceu. Assistam!

Fica aqui ao agradecimento ao Gaspar Ribeiro Lança, do site Ténis Portugal, que acompanhou a partida e relatou o lance no Twitter.

Tênis por WhatsApp

O UOL agora envia notícias de tênis por WhatsApp. Para se cadastrar, adicione à agenda de seu celular o número +55 11 99007-1706 e envie para esse número uma mensagem contendo o texto guga97. Você vai passar a receber, de graça, as notícias. Saiba mais aqui.


Bruno Soares: campeão também com as palavras
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Soares_coletiva_MarcelloZambrana_blog

De tudo que li sobre a primeira coletiva de Bruno Soares em sua chegada ao Brasil, o que mais me interessou não foram suas declarações sobre os títulos (até porque nada foi grande novidade para quem ouviu o podcast Quadra 18). O que me chamou a atenção foi a posição tomada pelo mineiro sobre o “escândalo” de apostas “revelado” pela BBC e pelo BuzzFeed no primeiro dia do torneio.

“”Felizmente, eu nunca foi abordado por este tipo de gente. A gente sabe, escuta histórias de que esse tipo de coisa acontece. Mas é muito difícil você falar qualquer coisa se não tem nome. Achei até um pouquinho antiético eles soltarem uma matéria, aproveitando o início de um Grand Slam, quando as atenções estão voltadas para o tênis, para soltar uma matéria em que eles falaram, falaram, e não falaram nada. A pessoa chegar lá e fazer um monte de acusação, mas depois falar ‘beleza, estou colocando isso no ar e depois vocês se viram’.”

A declaração na íntegra está neste texto da Sheila Vieira, que também comenta o assunto. Eu também fiz um post sobre o tema logo quando os veículos todos repercutiram o assunto, mas acho que o momento agora é melhor – e mais calmo -para lembrar o que aconteceu e analisar com calma as consequências.

Resumindo a coisa toda, BBC e BuzzFeed publicaram, simultaneamente, reportagens sobre manipulação de resultados no tênis. Os veículos diziam ter posse de uma lista de partidas investigadas pela ATP, lembravam o famoso caso do jogo entre Davydenko e Vassallo Arguello, e afirmavam inclusive que havia campeões de Grand Slam na tal lista que nunca foi divulgada.

E esse é o ponto, certo? Ninguém divulgou nomes. Tanto a BBC quanto o BuzzFeed explicaram, aliás, que a lista e os nomes não seriam publicados porque os veículos não tinham acesso a dados bancários e telefônicos dos atletas, então não tinham como conferir seu envolvimento na manipulação de resultados. Logo, que sentido faz dizer “temos uma lista”?

A consequência mais nefasta de tudo isso foram listas pipocando em um punhado de sites, sem verificação alguma, com vários jogos supostamente suspeitos. Brotaram nomes aqui e ali sem prova alguma. O que se alcançou com a reportagem? Como bem disse Bruno Soares, “estão basicamente falando que todo mundo é corrupto até que se prove o contrário.”

Soares_coletiva_MarcelloZambrana2_blog

É uma das grandes qualidades de Bruno Soares, é preciso frisar. O mineiro não é daqueles tenistas que acham que a vida é dentro de quadra e que pouco importa o que acontece no mundo ao seu redor. Muita gente – aqui no Brasil inclusive – vive o circuito de antolhos, do treino para o jogo, do jogo para o avião, do avião para o hotel, do hotel para o próximo treino. É difícil evoluir como pessoa e como tenista assim. E a culpa não é só dos tenistas, mas eu divago.

Outro ponto curioso interessante de ressaltar sobre a história das manipulações é que as reportagens tinham um tom crítico em relação à Unidade de Integridade no Tênis (TIU, na sigla em inglês), criada para averiguar partidas suspeitas. Como se faltasse transparência em suas ações. A impressão passada pelos textos é que não vinha sendo feito o suficiente para desmascarar e punir os manipuladores.

Só que não é bem assim que essa banda indie toca. É bem verdade que ATP, WTA e os Slams anunciaram medidas para divulgar melhor o trabalho dos investigadores, mas essa é uma transparência que não pode existir 100%. Já imaginaram se o FBI anunciasse que estava investigando José Maria Marin e um montão de gente com cargo na FIFA antes das prisões em Zurique? Será que algum daqueles suspeitos teria viajado até a Suíça?

Existe também a questão moral da coisa que, aparentemente, não é tão óbvia para muita gente. Qual o benefício de divulgar que uma partida entre, digamos, Fabio Fognini e Nicolás Almagro (é só um exemplo, pelamordedeus) foi ou está sendo investigada? Isso levantaria suspeitas sobre ambos sem que algo fosse comprovado. Ou seja, mancharia a reputação dos dois tenistas.

Vale lembrar que Nikolay Davydenko, investigado publicamente, é até hoje visto por muita gente como culpado por algo pelo qual nunca foi condenado, por mais estranho que tenha sido o desenrolar dos acontecimentos naquele dia. Alguém já ouviu falar em benefício da dúvida? Pois é. O russo nunca recebeu isso. Aliás, o conceito de “partida suspeita” é um tanto amplo. Até uma partida de Gustavo Kuerten na Costa do Sauípe já foi vista assim (falei dela no texto linkado).

Além de tudo isso, é muito fácil levantar suspeita sobre uma partida. Uma sequência estranha no placar, erros bobos de um tenista, uma lesão inesperada, um atleta sem sangue… Especialmente depois de uma reportagem como a de BBC/BuzzFeed, tudo isso dá margem para que se suspeite de algo. Na maioria dos casos – que a gente vê todo dia, em todo nível de torneio – não passa disso: algo estranho. Mas é assunto para o próximo post, com um par de vídeos e jogos com games decisivos um tanto esquisitos.

Coisas que eu acho que acho:

– Não sou contra a existência de casas de apostas. Já até fui contra patrocínios de empresas desse tipo a torneios de tênis. Hoje, não sou. Estou convencido de que não faz diferença alguma. Se não houvesse casas legalizadas, as pessoas continuariam apostando em eventos esportivos de forma clandestina.

– As casas de apostas, no fundo, são tão vítimas das manipulações quanto o público fã de tênis. Uma partida manipulada nada mais é do que uma tentativa de ganhar muito dinheiro driblando as cotações impostas pelas casas.

– O que parece contradição, no entanto, é que casas de apostas podem patrocinar torneios de tênis, mas não podem fazer contratos publicitários com atletas. Essa é uma grande reclamação dos tenistas junto às entidades que regem o esporte.


Novas velhas suspeitas de manipulação de resultados
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

AOTV_blog

Pouco antes do início do Australian Open, a BBC e o BuzzFeed publicaram textos simultâneos revelando terem obtido acesso a documentos que revelam o resultado de investigações iniciadas em 2007 pela ATP em casos suspeitos de manipulação de partidas. A notícia, no entanto, não passou disso. Nem a BBC nem o BuzzFeed revelaram o conteúdo do resultado dessas investigações.

Os veículos tampouco revelam os nomes dos tenistas envolvidos, o que é muito justo. Já pensou divulgar uma lista de nomes contra quem não foram encontradas provas? Dá para imaginar a quantidade de processos contra a BBC e o BuzzFeed. Os textos, no entanto, afirmam que a lista inclui 16 tenistas que estiveram no top 50 na última década (muita gente, não?), incluindo campeões de Grand Slam.

Acusações e suspeitas de manipulação de resultados não são novidades no tênis, mas tudo ganhou uma atenção maior depois da polêmica partida entre Davydenko e Vassallo Arguello. A ATP publicamente anunciou que investigaria a partida, mas nunca chegou a provar nada. Em seguida, a entidade continuou indo atrás de casos semelhantes, mas quase nada foi comprovado.

Não é difícil encontrar na internet relatos jogos que levantaram suspeitas (como nesta lista aqui). Até a vitória de Gustavo Kuerten sobre Filippo Volandri no Brasil Open de 2007 foi questionada por “entendidos” (este texto da Revista Tênis dá detalhes da situação). De comprovado, porém, muito pouco.

Pouco depois que as partidas começaram, o CEO da ATP, Chris Kermode, e Nigel Willerton, da Unidade de Integridade do Tênis, deram entrevista coletiva em Melbourne a asseguraram que nenhuma informação sobre investigações vem sendo omitida. Indagado se algum dos tenistas jogando o Australian Open seria alvo de monitoramento ou investigação, Willerton disse que não seria profissional de sua parte dar uma resposta para a pergunta.

Faz sentido. Que profissional revelaria o nome de alguém que está sendo investigado em uma questão assim (que envolve conduta ética e, consequentemente, a reputação da pessoa) sem que haja provas irrefutáveis?

Coisas que eu acho que acho:

– É inquestionavelmente difícil comprovar, sem sombra de dúvida, que alguém manipulou o resultado de um jogo de tênis. Fulano vencia com folga e de repente começou a errar? Como provar que ele não descalibrou de uma hora para a outra?Quem segue o circuito vê bastante isso acontecer. Outro cenário comum é do atleta que lidera fácil e começa a se queixar de dores. Quem vai provar que ele não está sentindo nada? É fácil levantar dúvidas a observar tendências estranhas de casas de apostas, mas daí a comprovar o envolvimento (repito: sem sombra de dúvida) do atleta com alguém que o subornou ou algo parecido é muito, muito difícil.

– Até as tendências estranhas das casas de apostas, que são quase sempre o melhor indício de que há algo suspeito em uma determinada partida, raramente são suficientes para condenar um tenista (de novo: para condenar, não pode haver dúvida). Afinal, suponhamos que uma casa de apostas aponte que durante a partida a maioria dos apostadores continue colocando dinheiro no tenista que está perdendo. Se esse tenista virar e vencer o jogo, essa tendência seria motivo suficiente para cravar algo? Aparentemente, não.

– Na coletiva, Kermode foi indagado sobre o envolvimento da ATP com casas de apostas (algumas patrocinam torneios de grande porte) e respondeu que não vê conflito de interesse. Pelo contrário. Kermode aponta que a ATP e a Unidade de Integridade do Tênis trabalham em conjunto com as casas de apostas. Além disso, o CEO da ATP lembra que apostar é uma atividade legal.


Australian Open 2016: o guia feminino
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Antes de mais nada, atenção para o que aconteceu com o top 5 nas últimas duas semanas: Serena Williams (#1 do mundo) desistiu da Copa Hopman por causa de dores no joelho; Simona Halep (#2) abandonou o WTA de Brisbane e jogou em Sydney com uma inflamação no tendão de aquiles; Garbiñe Muguruza (#3) saiu de Brisbane por causa de dores no pé esquerdo; e Maria Sharapova (#5) abandonou também em Brisbane por causa de uma lesão no antebraço esquerdo.

E o resto do top 10? Petra Kvitova (#6) sofreu um mal-estar em Shenzhen e deixou a China. Poucos dias depois, também anunciou que não jogaria em Sydney. Angelique Kerber (#7) deixou Sydney pelo mesmo motivo. Flavia Pennetta (#8) se aposentou no fim do ano passado. Lucie Safarova (#9) está fora do Australian Open devido a uma infecção pulmonar.

Sobram Agnieszka Radwanska (#4), campeã do modesto WTA de Shenzhen, e Venus Williams (#10), que só jogou uma partida no ano e perdeu (em Auckland para a russa Daria Kasatkina). São muitos problemas físicos e de saúde e, às vésperas de um Slam, é difícil saber quem está sendo cauteloso e quem realmente vem sentindo dores fortes.

A questão toda é que ficou duríssimo estabelecer um cenário de favoritismo para o Australian Open, que começa nesta segunda-feira (noite de domingo no Brasil). A única certeza por enquanto é que Victoria Azarenka, bicampeã do torneio, surge como nome forte após o título em Brisbane. Mas será que é justo alçar Vika à condição de principal favorita? Este guiazão da chave feminina tenta encontrar resposta para essa e outras perguntas.

As favoritas / Quem se deu bem

Ao mesmo tempo em que pode soar arriscado cravar Serena Williams como favorita mesmo com uma lesão no joelho, é igualmente ousado colocar a americana em qualquer lugar que não seja o topo da lista de mais cotadas. Até prova incontestável do contrário, Serena ainda é Serena, a número 1 do mundo que venceu três Slams e ficou a duas vitórias do Grand Slam (de fato) em 2015.

Em público, Serena afirma que a lesão não é séria e que ela não tem nada a perder. Bobagem. Era o mesmo discurso do US Open do ano passado, e o mundo inteiro viu seu estado de nervos naquela semifinal contra Roberta Vinci. A pressão, desta vez, não é tão grande, mas Camila Giorgi, sua oponente na primeira rodada, pode lhe dar algum trabalho. De qualquer modo, o mais provável é que Serena tenha uma semana para calibrar seus golpes até encarar Caroline Wozniacki nas oitavas. Aí será preciso estar realmente em forma.

Esse quadrante ainda tem Belinda Bencic e Maria Sharapova, que chega sem ritmo de jogo. A suíça, por sua vez, tem um caminho nada tranquilo, com Alison Riske na estreia, possivelmente Heather Watson na segunda rodada e, quem sabe, Svetlana Kuznetsova (campeã em Sydney) na terceira. Quem avançar dessa turma pode encontrar Sharapova nas oitavas. Difícil prever alguma coisa, não?

O quadrante logo abaixo é encabeçado por Agnieszka Radwanska e Petra Kvitova. Única em forma no top 10, a polonesa estaria mais cotada ao título não fosse por uma chave ingratíssima, que tem Christina McHale na estreia, Eugenie Bouchard na segunda rodada, e Stosur/Puig na terceira. Sloane Stephens ainda pode ser sua oponente nas oitavas.

Enquanto isso, Kvitova é a incógnita de sempre. Mesmo que tenha superado o problema de saúde de Shenzhen, a tcheca precisará lidar com o calor (a previsão para este ano é de um Australian Open quentíssimo), o que deve preocupar uma tenista que joga três sets com uma frequência nada agradável. Em compensação, sua chave não é das piores. Petra tem Kumkhum na estreia, Hradecka ou Gavrilova na segunda rodada e Mladenovic ou Cibulkova em seguida. As oitavas seria contra Suárez Navarro ou Petkovic. Só nas quartas é que enfrentaria quem avançar na forte seção de Radwanska.

Angelique Kerber, vice-campeã em Brisbane, talvez tenha o caminho menos duro até as quartas. É aí que entra a vencedora da seção que tem Garbiñe Muguruza e Victoria Azarenka. E o que pensar de Vika? A bielorrussa está bem fisicamente, como demonstrou em Brisbane, onde foi campeã. O porém é que muito de seu favoritismo está baseado no currículo (bicampeã em Melbourne) e não necesariamente na campanha de Brisbane, onde encontrou uma chave nada complicada: bateu Vesnina, Bonaventure, Vinci, Crawford e Kerber.

Sim, foi uma grande atuação de Azarenka na decisão contra Kerber, mas será que um grande jogo é o suficiente para dar esse status todo à bielorrussa? Talvez esse esperado jogo de oitavas contra Muguruza nos dê a resposta definitiva. Uma vitória assim colocará Vika cheia de confiança na segunda semana do Australian Open.

Finalmente, o último quadrante é liderado por Simona Halep e tem Venus Williams na outra ponta. Se a romena conseguir atuar em bom nível mesmo com o incômodo no tendão de aquiles, pode ir longe, mas há algumas “cascas de banana” pelo caminho. Uma delas é Alizé Cornet, campeã em Hobart, que é sua provável oponente na segunda rodada. E não convém descartar quem passar do possível encontro entre a americana Madison Keys e a sérvia Ana Ivanovic na terceira rodada. Ainda assim, Halep seria, em condições normais, a favorita para ir pelo menos até a semifinal. Mas será?

A brasileira

Teliana Pereira não terá vida fácil. Depois de derrotas em Brisbane e Hobart diante de Andrea Petkovic e Heather Watson, a brasileira, atual #46 do mundo, estreará contra Monica Niculescu (#38) em Melbourne. Não foi o pior dos sorteios para Teliana, mas a romena tem um jogo cheio de variações que não dá ritmo e tira a brasileira da sua zona de conforto.

Foi exatamente o que aconteceu quando as duas se enfrentaram em Bucareste no ano passado. A dúvida sobre que estratégia adotar provocou cenas curiosas entre Teliana a seu técnico/irmão, Renato Pereira. Vejam no vídeo abaixo.

Talvez a partida em Bucareste tenha apontado uma direção a seguir desde o início para Teliana, o que pode facilitar as coisas, Por outro lado, a combinação dos slices de Niculescu com a quadra dura de Melbourne pode exigir ainda mais da brasileira. O fato é que, pelo menos no papel, a romena entra como favorita.

A ausência

Francesca Schiavone, depois de jogar 61 Slams de forma consecutiva, está fora do Australian Open. A italiana de 35 anos, campeã de Roland Garros em 2010, mas atual número 115 do mundo, foi derrotada no qualifying pela francesa Virginie Razzano. Como bem lembrou o jornalista americano Ben Rothenberg, Razzano também encerrou uma série espetacular de Serena Williams quatro anos atrás. A americana levava consigo uma série de 46 vitórias em estreias nos Slams.

Os melhores jogos nos primeiros dias

O sorteio da chave já formou um trio de partidas interessantes para a rodada inicial. A começar por Serena Williams x Camila Giorgi, com a número 1 do mundo sem ritmo e se recuperando de um problema no joelho. Ainda que a americana seja uma tenista muito superior, não custa lembrar que a italiana tem no currículo um punhado de vitórias relevantes sobre top 10 (Wozniacki no US Open, Sharapova em Indian Wells, Cibulkova em Roma e Azarenka em Eastbourne, por exemplo).

Outro jogo interessante, mas que deve ficar fora do radar (foi escalado para a Quadra 7 nesta segunda-feira) é Belinda Bencic x Alison Riske. A suíça é a número 14 do mundo e favorita, mas vem de um abandono em Sydney. Riske, por sua vez, fez semifinal em Shenzhen e parece ter deixado para trás o momento ruim do segundo semestre do ano passado (sofreu oito derrotas seguidas).

O melhor de todos pode muito bem ser Dominika Cibulkova x Kristina Mladenovic, que estarão escondidas na Quadra 19, apesar de a eslovaca ter sido vice-campeã do torneio em 2014 e a francesa ser cabeça de chave. Mladenovic é mais agressiva, enquanto Cibulkova gosta de contra-atacar. Parece uma combinação interessante entre duas tenistas talentosos.

Há também um clássico com sensação retrô, já que ambas parecem estar na parte final de suas carreiras: Svetlana Kuznetsova (#25) x Daniela Hantuchova (#88). As duas já se enfrentaram 14 vezes, com a russa levando a melhor em dez. Sveta, aliás, é a favorita aqui, já que vem de uma importante conquista em Sydney.

O que pode acontecer de mais legal

As possibilidades de confrontos de segunda rodada são empolgantes. Muito mais do que na chave masculina, aliás. De cima para baixo, a primeira metade da chave pode ter Bencic x Watson, Aga Radwanska x Bouchard e Stosur x Puig (as duas se enfrentaram em Sydney). Na outra metade, lá embaixo, um Halep x Cornet se desenha. Isso, é claro, se nenhuma zebra ocorrer na primeira fase.

O intangível

O grande fator que precisa ser levado em conta neste Australian Open é o calor. A previsão indica um torneio bem mais quente que os anteriores. Também entra na conta o fator sorte (quem vai estar jogando nas quadras cobertas nos dias mais quentes?), mas o preparo físico será essencial.

É difícil imagina, por exemplo, Petra Kvitova indo longe no torneio se encarar uma sequência de dias quentes. A tcheca tem saúde mais frágil que a maioria e pode muito bem ficar pelo caminho se a coisa literalmente esquentar. Resta saber quando isso vai acontecer e quem vai estar em quadra nesses momentos.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Com tanto equilíbrio e tantos jogos bons nas primeiras rodadas, é difícil não prestar atenção em alguém. Talvez Andrea Petkovic seja a pessoa mais indicada para esta seção. Embora não tenha obtido um resultado expressivo em seu único torneio até agora (perdeu para Samantha Crawford por 6/3 e 6/0 nas quartas), a alemã derrotou Ekaterina Makarova em Brisbane e, em Melbourne, tem uma chave interessante. Estreia contra Kulichkova, pega Teliana/Niculescu em seguida e, se passar por Suárez Navarro (ou alguma zebra) na terceira rodada, estará nas oitavas contra Kvitova ou Mladenovic.

Levando em conta a inconstância de tcheca e francesa (sem esquecer a irregularidade da própria Petkovic), não é tão difícil assim imaginar a alemã igualando seu melhor resultado no Australian Open e alcançando as quartas – como fez em 2011, quando eliminou Sharapova nas oitavas.

Quem pode (ou não) surpreender

A partir dos resultados de Auckland e Sydney – duas derrotas e nenhum set vencido -, já será uma surpresa se Ana Ivanovic fizer alguma coisa no torneio. Brincadeira à parte, a sérvia inicia este Australian Open sem expectativa alguma e se deu bem no sorteio, que lhe colocou diante de Tammi Patterson, #462 e convidada da organização. Talvez seja o jogo que Ivanovic precisa para ganhar um pouco de confiança e arrancar.

Vale prestar atenção também em Madison Keys. Em dias quentes, com a bola “voando”, a americana (#17) é perigosíssima. Se o favoritismo se confirmar, ela e Ivanovic duelarão nas oitavas, com a vencedora avançando para encarar a baleada Halep. Será que… Fiquemos de olho.

Onde ver

Os canais ESPN mostram o torneio com o auxílio do recurso online do WatchESPN. “Serão mais de 1.400 horas de tênis na Internet e cerca de 130 horas de cobertura ao vivo na ESPN e na ESPN+!”

A ESPN, inclusive, anunciou recentemente a renovação dos direitos de transmissão do Australian Open até 2021. A partir de 2017, o canal terá também os direitos da Copa Hopman do ATP de Brisbane e do ATP de Sydney.

Nas casas de apostas

Na casa virtual Bet365, Serena não é tão favorita quanto já foi, e Victoria Azarenka passa a ser cotadíssima depois do título em Brisbane. A americana, contudo, ainda lidera a lista de favoritas, e um título seu paga 3/1, ou seja, três dólares para cada um apostado em seu triunfo. Vika vem logo atrás, cotada em 4/1.

As outras candidatas estão bem para trás. O top 10 ainda inclui Simona Halep (9/1), Maria Sharapova (10/1), Garbiñe Muguruza (12/1), Petra Kvitova (14/1), belinda Bencic (18/1), Agnieszka Radwanska (18/1), Angelique Kerber (28/1) e, sim, acreditem, Eugenie Bouchard (33/1), empatada com Sloane Stephens.


Wimbledon, dia 10: a surpresa contra a história
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Que Serena Williams estaria na final, quase ninguém duvidaria. Mas Garbiñe Muguruza? Em uma chave que tinha Petra Kvitova, Angelique Kerber, Caroline Wozniacki, Sabine Lisicki e Tima Bacsinszky? A espanhola nunca esteve entre as mais cotadas, mas chegou lá. Nesta quinta-feira, dia das semifinais femininas, Serena voltou a derrotar Maria Sharapova, enquanto Muguruza continuou seu conto de fadas ao eliminar Agnieszka Radwanska. O resumaço do dia conta como foram os dois jogos, mostra melhores momentos, cita uma previsão nada imparcial (mas interessante) e revela uma interessante aposta – literalmente – na espanhola.

O jogo do dia

Serena Williams entrou em quadra nesta quinta carregando uma sequência de 16 vitórias sobre Maria Sharapova. Saiu, 1h19min depois, com o 17º triunfo. Sem ceder um break point sequer, disparando 13 aces e 29 winners.

Sharapova, que teve problemas com o serviço no primeiro set e jamais ameaçou a americana em todo o jogo, esteve longe de seu melhor. É bom dizer, contudo, que a russa já não vinha fazendo um torneio espetacular e talvez nem chegasse tão longe se não tivesse contado com uma chave favorável.

Mas vale ressaltar o último game do jogo. Serena fez uma dupla falta e disparou três aces e um saque indefensável. Nos cinco pontos disputados, a bola sequer tocou nas cordas da raquete de Sharapova.

Os melhores momentos

Melhores momentos: Serena Williams x Maria Sharapova (Wimbledon 2015)

O resumo

Se o vídeo acima não ajudou, o gif abaixo explica de uma maneira mais simples a dinâmica da rivalidade entre Serena e Sharapova.

O Serena Slam e o Grand Slam

A número 1 do mundo segue insistindo em não abordar o assunto e diz que nem quer ser questionada sobre isso. O fato, entretanto, é que Serena soma 27 vitórias seguidas em Slams e está a úm jogo do que vem sendo chamado de “Serena Slam”. Campeã do US Open/2014, do Australian Open/2015 e de Roland Garros/2015, a americana terá os quatro maiores títulos do tênis se derrotar Muguruza no sábado.

É um feito gigante, mas seria o segundo “Serena Slam”, já que a mais jovem das Williams venceu os quatro em sequência também em 2002-03 (Paris, Londres e NY em 2002 e Melbourne na temporada seguinte). E se alguém tocar o assunto, como aconteceu na transmissão oficial depois da partida de hoje, ela reage assim:

Inédito mesmo será se Serena conquistar o Grand Slam de fato: os quatro torneios na mesma temporada. A última vez que isso aconteceu foi em 1988, com Steffi Graf. Aliás, em toda história apenas Graf, Margaret Court (1970) e Maureen Connolly Brinker (1953) conseguiram isso.

A desafiante

A história feliz do dia ficou por conta da espanhola Garbiñe Muguruza, que deu mais um passo no Slam de seus sonhos. A jovem de 21 anos, nascida em Caracas (Venezuela), já vinha de vitórias maiúsculas sobre Angelique Kerber (#10), Caroline Wozniacki (#5), e Timea Bacsinszky (#15) e fez outro jogão contra Aganieszka Radwanska, atual número 13 do ranking feminino.

Nesta quinta-feira, Muguruza começou o jogo em grande forma, abrindo 6/2 e 3/1. Foi aí que os nervos (ela mesma admitiu) apareceram, e Radwanska, mais experiente, aproveitou. A polonesa venceu seis games seguidos, inclusive o primeiro do terceiro set, no saque da adversária. Só depois dessa reviravolta no placar é que Muguruza se reencontrou. Sem nada a perder, voltou a ser agressiva e a falhar menos. Devolveu a quebra imediatamente e se restabeleceu como a tenista mais agressiva na Quadra Central.

E, depois de tanto drama, uma decisão errada de Radwanska provou-se crucial. Com Muguruza sacando em 5/3 e “iguais”, a polonesa interrompeu um ponto para pedir o uso Hawk-Eye, acreditando que a bola da espanhola havia saído. Muguruza, que não viu o gesto da polonesa, continuou jogando e errou a bola seguinte – que já não valia. O replay mostrou bola dentro, ou seja, ponto da espanhola, que chegou ao match point. Um saque-e-voleio depois, a moça de 21 anos estava comemorando sua vaga na final de Wimbledon: 6/2, 3/6 e 6/3

A melhor final

Que fique registrado: é admirável a maneira como Muguruza já está encarando a chance de enfrentar Serena Williams na final.

“Acho que é a melhor final que se pode jogar. Serena na final de Wimbledon é a partida mais dura possível. Se você quer ganhar um Grand Slam, quando você sonha, você diz ‘quero Serena na final’ porque ela é uma das melhores tenistas em todos esses anos. Acho que é o melhor desafio que se pode ter.”

A previsão

Pouco depois de ser eliminada do torneio, Radwanska foi indagada sobre as chances de Muguruza ser campeã de Wimbledon. A resposta foi interessante:

“Não acho que ela consegue bater Serena na final. Acho que Serena não vai deixar, não neste torneio (risos). Mas desejo sorte a ela. Vai ser difícil. Se ela conseguir, muito respeito.”

São situações (e lugares) bem diferentes, claro, mas não custa lembrar que Muguruza já derrotou Serena em um Grand Slam. Foi em Roland Garros, no ano passado. E este ano, na Austrália, a espanhola não esteve tão longe assim de conseguir uma segunda vitória.

O torcedor

E esse cidadão aqui, será que tem motivo para torcer por Muguruza no sábado?

Em cada uma de suas duas apostas, o rapaz “investiu” três euros na espanhola. Se ela vencer, ele embolsa 675 euros. Boa sorte!

O ranking

O top 5 feminino depois de Wimbledon ficará assim:

1. Serena Williams
2. Maria Sharapova
3. Simona Halep
4. Caroline Wozniacki
5. Petra Kvitova

Agnieszka Radwanska, atual número 13 do mundo, voltará ao top 10. A polonesa será número 7 se Serena for campeã ou número 8 se Muguruza ficar com o título. A espanhola, por sua vez, ocupará a melhor posição de sua carreira. Ela já está garantida como pelo menos #9. Se for campeã, subirá para #6.

O adeus brasileiro

A última chance brasileira em Wimbledon era nas duplas mistas, com Bruno Soares e a indiana Sania Mirza. Os cabeças 2 começaram bem, mas foram eliminados de virada: 3/6, 7/6(6) e 9/7. Os algozes foram o austríaco Alexander Peya, parceiro de Soares no circuito, e a húngara Timea Babos. cabeças de chave número 5, Peya e Babos avançam, assim, às semifinais do torneio.


Roland Garros 2015: o guia
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Nadal_sorteio_ap_blog

Roger Federer de um lado, Novak Djokovic, Rafael Nadal e Andy Murray do outro. Sérvio e espanhol, que se enfrentaram em Paris 2006, 2007, 2008, 2012, 2013 e 2014, podem se encarar logo nas quartas de final. E não falta é assunto nesta sexta-feira, depois do sorteio das chaves de Roland Garros.

Nadal, que já não teve muito acontecendo a seu favor nos último meses, foi o grande perdedor do dia. Ainda em busca da consistência que lhe deu nove títulos em Paris, o espanhol pode se deparar bem cedo com seu maior rival. Traduzindo: terá alguns dias a menos para encontrar o ritmo que não conseguiu durante toda temporada de saibro europeia. Pode não significar muito, mas parece ser consenso no circuito que Nadal é mais “derrotável” longe da final. E isso porque ainda será preciso passar por Almagro/Dolgopolov (segunda rodada) e, talvez, Dimitrov nas oitavas. Não é o mais fácil dos caminhos.

Djokovic, que já perdeu duas finais e três semis para Nadal em Paris, não deve estar nada triste com a possibilidade de um duelo nas quartas (só aconteceu antes em 2006, no primeiro jogo entre eles). E, convenhamos, não é nada ruim para o número 1 uma chave que, antes das quartas, traz Nieminen, Muller/Lorenzi, Tomic/Kokkinakis e Anderson/Gasquet. O sérvio é presença quase certa entre os oito melhores do torneio. Murray, por sua vez, estreia contra um qualifier e depois pega, se os favoritos avançarem, Pospisil/Sousa, Kyrgios/Istomin, Isner/Goffin e Ferrer. Também não é o mais complicado dos caminhos, mas existe, claro, a grande possibilidade de ver Djokovic (ou Nadal) nas semifinais.

Logo, os grandes sortudos do dia ficaram na outra metade da chave. Roger Federer, cabeça 2 e na outra extremidade, vai ter bastante tempo para fazer aqueles “treinos com torcida” na Chatrier. Estreia contra um quali, depois enfrenta quali/Granollers e Karlovic/Baghdatis até, talvez, encontrar Gael Monfils nas oitavas. Embora não tenha feito uma grande temporada de saibro, o francês jogará em casa e com o retrospecto de duas vitórias nos dois últimos encontros com o suíço. Se acontecer, será um daqueles jogos com muita expectativa e torcida barulhenta. E, nas quartas, Federer enfrentaria o-freguês-Wawrinka.

O maior vencedor do dia, porém, talvez tenha sido Kei Nishikori. Cabeça 5, o japonês tem como adversário mais forte Tomas Berdych – o provável adversário de quartas de final. Antes, pega Mathieu na estreia e, depois, Matosevic/Bellucci, Verdasco e Bautista/Feliciano/Delbonis. Talvez tenha chegado o momento de Nishikori dar aquele passo adiante e finalmente se mostrar como postulante frequente às semifinalistas de Grand Slams – até agora, soma apenas a boa campanha no US Open do ano passado. E, é bom dizer, uma semifinal de Roland Garros contra Federer (leia-se “escapando de Djokovic e Nadal”) não é o pior dos cenários, certo? Obviamente, o suíço deve estar pensando o mesmo: “antes Nishikori que os outros dois.”

Murray_Mauresmo_RG15_afp_blog

Os brasileiros

Primeira rodada acessível, segunda fase dura. O mesmo pode ser dito de Thomaz Bellucci e Feijão. O número 1 do país, que está na final do ATP de Genebra, estreará em Paris contra o imprevisível australiano Marinko Matosevic. Se vencer, provavelmente terá de colocar sua consistência em prova contra Kei Nishikori. Feijão, que amarga uma série de oito derrotas, encara o espanhol Daniel Gimeno-Traver. Se espantar a má fase, possivelmente enfrentará David Ferrer. Difícil imaginar um brasileiro na terceira rodada.

O que ver (ou não) na TV

Difícil saber como será a transmissão para o Brasil, já que o Band Sports pouco deu detalhes sobre como seria e houve boatos de que o canal iria com equipe reduzida a Paris. Inclusive até hoje não há informação no site do BS sobre o segundo canal, aberto nos anos anteriores para assinantes da Sky.

Independentemente disso, a chave não foi muito generosa com o público na primeira rodada. São poucos os confrontos com alguma expectativa para os primeiros dias. Na segunda rodada, a coisa melhora pouco. Talvez tenhamos Nadal x Almagro/Dolgopolov, mas nada de confrontos entre grandes nomes. Vale ficar de olho para Murray x Kyrgios e Berdych x Fognini (um jogão em Roma) na terceira rodada, mas a coisa só deve esquentar mesmo a partir das oitavas.

Para o Brasil, claro, fica a expectativa de Bellucci x Nishikori e Feijão x Ferrer. O primeiro confronto, principalmente, pode ser uma bela partida.

Monfils_MC_ap_blog

O que pode (ou não) acontecer de mais legal

No cenário dos sonhos, as oitavas começariam com Federer x Monfils. Partida com potencial de zebra, envolvendo tenista da casa e com muita coisa em jogo. Quem passar avança no quarto teoricamente mais acessível do torneio. Uma derrota seria uma chance enorme perdida por Federer. Uma vitória, por outro lado, abriria o caminho para, quem sabe, uma final que nem era tão esperada assim até umas semanas atrás. Será? De qualquer modo, seria um jogo pra qualquer fã de tênis lamber os beiços.

O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

Pelo que li por aí das análises de chaves, dois nomes estão um pouco “esquecidos”. Um deles é o do próprio Monfils. Como já escrevi lá no alto, o francês não brilhou tanto assim nos torneios recentes, mas seu caminho até as oitavas não é tão duro assim. Logo, se conseguir aproveitar torcida, piso e repetir o triunfo sobre Federer, abre-se uma janela gigante.

O outro é Thomaz Bellucci, que somou bons resultados no saibro europeu, voltará ao top 50 na segunda-feira (ganhando ou não a final de Genebra) e também entrou na metade menos dura de Roland Garros. Obviamente, o brasileiro será um azarão e tanto se enfrentar Nishikori na segunda rodada. Mas e se vencer? O caminho até as quartas teria como rivais mais fortes Verdasco, Bautista Agut e Feliciano López. Em boa fase, Bellucci é muito bem capaz de derrotar os três.

Quem pode (ou não) surpreender

O quarto de chave com Murray e Ferrer não está nada, nada, garantido com britânico e espanhol se enfrentando nas quartas. A seção de Môri, especialmente, tem dois nomes perigosos: Nick Kyrgios e John Isner. O australiano, que estreia contra Istomin e pega um quali se avançar, pode encarar o escocês já na terceira fase. Caso não mostre os porquês de seguir invicto no saibro, Murray corre um grande risco nesse jogo. E quem vencer o duelo provavelmente terá Isner pela frente nas oitavas. O americano, que muita gente ainda não vê como ameaça em Roland Garros, vem de boas campanhas na Europa e não pode ser descartado.

Nas casas de apostas

Na casa australiana sportsbet, Novak Djokovic (surpresa!) lidera as cotações. Um título do sérvio paga 1,91 para cada “dinheiro” apostado nele. Em seguida, vêm Nadal (5,5), Murray (7,00), Federer (9,00) e Nishikori (13,00). Bellucci paga 301,00, enquanto a cotação de Feijão é de 501,00 – é quem paga mais, junto com duas dúzias de outros azarões.

Na britânica WIlliam Hill, a situação não é muito diferente. Djokovic (5/6 – cinco “dinheiros” pagos para cada seis apostados em caso de título) lidera, seguido por Nadal (7/2), Murray (9/1), Federer (11/1) e Nishikori (12/1). Bellucci paga 500/1, o mesmo que Feijão.


Australian Open: o guia feminino
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Serena_AO15_coletiva_ao_blog

Hoje é dia de analisar o primeiro Grand Slam de 2015 no mundo de Serena Williams. Sim, porque a americana, dona de 18 títulos de Grand Slam (33 somando duplas e mistas!), quatro medalhas de ouro olímpicas e cinco WTA Finals ainda é, aos 33 anos, a número 1 do mundo. Só que isso pode mudar em Melbourne, pois Maria Sharapova, campeã em Brisbane, vem na cola e pode sair do Australian Open na liderança.

Só que esta edição do Grand Slam da Oceania (ou “Asia Pacific”, como os marketeiros oficiais tentam vender para os mercados japonês e chinês) tem outros assuntos e outros jogos interessantes à vista. A começar por Victoria Azarenka, bicampeã do torneio, que não será cabeça de chave. Mas tem mais. Venus Williams, Petra Kvitova e Simona Halep já levantaram troféus em 2015. Caroline Wozniacki, ainda no embalo do ótimo fim de temporada do ano passado, foi vice em Auckland antes de abandonar em Sydney. Ivanovic foi à final em Brisbane. Enfim, os grandes nomes parecem estar em ótima forma já em janeiro.

Mas basta com esta introdução. Vamos ao guiazão (um guia grande) com o que vai rolar de mais interessante e nos manter acordados madrugada adentro (e afora) pelas próximas duas semanas.

As grandes

Poderia ser lei: toda análise de chave de Grand Slam deve, obrigatoriamente, começar por Serena Williams. Que assim seja. A americana não tem uma chave lá tão fraca, mas isso só deixa o torneio mais intrigante. É de se imaginar que ela passe bem pelas primeiras rodadas, mesmo que enfrente Vera Zvonareva na segunda fase. A russa, que hoje é a número 203 do mundo, mal jogou em 2013-14 por causa de uma lesão séria no ombro direito e começou 2015  disputando um ITF de US$ 10 mil (é sério), mas abandonou. Fez o mesmo no meio do primeiro set durante as quartas de final do WTA de Shenzhen.

O caminho de Serena pode ficar interessante mesmo (negrito em “mesmo”, por favor) nas oitavas de final, quando pode enfrentar Jelena Jankovic ou Garbiñe Muguruza, a espanhola que lhe aplicou um sonoro 6/2 e 6/2 em Roland Garros no ano passado. A americana ainda pode encarar Dominika Cibulkova (parece improvável) ou sua amiga Wozniacki nas quartas, mas a seção da dinamarquesa na chave é a mais dura do torneio – falo sobre isso adiante. A semifinal pode ser contra quem avançar do quarto mais imprevisível da chave. Estão lá Kvitova, Radwanska, Pennetta, Petkovic, Venus, Stosur, Dellacqua e Lepchenko. O favoritismo, em tese, é de Kvitova, campeã em Sydney, mas as variáveis são tantas nem um personagem de Benedict Cumberbatch (e isso inclui o Necromante) acertaria um palpitão aqui.

Sharapova_AO15_treino_get_blog

Tendo a enxergar uma trilha menos problemática para Sharapova, que estreia contra Martic e, depois, joga contra Cirstea/Panova na segunda rodada e Diyas/Urszula Radwanska/Schmiedlova/Scheepers na terceira. A não ser que Cirstea, número 96 do mundo e vindo de quatro derrotas, reencontre magicamente seu melhor tênis, a russa deve avançar sem drama. O problema de verdade começaria nas oitavas contra Safarova ou Peng. A tcheca, lembremos, venceu só um de seis jogos contra Sharapova, mas fez aquele duelo maluco de Stuttgart no ano passado (esteve perdendo o terceiro set por 5/1, mas salvou match points, virou para 6/5 e abriu 30/0, só para perder o saque e o tie-break decisivo).

Só que esperar outro Safarova x Sharapova nesse nível seria otimismo demais, o que não acontece com frequência neste blog. Além disso, não é nada improvável que a cazaque Yaroslava Shvedova elimine a tcheca logo na estreia. Mas eu divago. Para as quartas, Bouchard e Kerber são as favoritas. Por fim, na semi, Dona Maria enfrentaria Halep ou Ivanovic. E se eu fosse a senhorita russa, estaria bem satisfeito com esse sorteio, viu?

A (vice)campeã

A culpa é da chinesa Na Li, que se aposentou no fim do ano passado. Portanto, o Australian Open não terá uma campeã para defender seu título. Logo, quem tem mais a perder Dominika Cibulkova, 11ª do ranking e vice-campeã em 2014. O problema é que a eslovaca, que terminou 2014 mostrando mais coisas boas no Instagram do que em quadra, começou 2015 somando apenas uma vitória em dois torneios. E seu caminho em Melbourne, com uma estreia perigosa diante de Kirsten Flipkens e uma eventual segunda rodada contra Heather Watson (campeã em Hobart) ou Tsvetana Pironkova (semi em Sydney), não ajuda. Ergo, não é lá muito fácil visualizar Cibulkova alcançando a segunda semana.

A brasileira

Teliana Pereira não está na chave principal do Australian Open. A número 1 do Brasil, atual 112ª na lista da WTA, precisou disputar o qualifying e perdeu na segunda rodada. Não foi, aliás, um bom começo de ano da alagoana-pernambucana-curitibana. Antes de ir a Melbourne, Teliana disputou os qualis dos WTAs de Brisbane e Sydney e saiu derrotada na primeira rodada em ambos. Somando os dois jogos (contra Jovana Jaksic, 126 do ranking, e Johanna Konta, 147), venceu apenas dez games.

Teliana agora segue para a Fed Cup, no México. Lá, embora continue jogando no piso duro, no qual ainda encontra dificuldades para fazer seu tênis preferido, a brasileira vai enfrentar adversárias mais fracas e terá uma chance interessante de acumular vitórias e ganhar confiança antes da volta ao saibro, marcada para o Rio Open, que está um bocado mais forte este ano.

Azarenka_AO15_kidsday_ao_blog

O que ver (ou não) na TV

É bem conhecida minha aversão às partidas dos favoritos nas primeiras rodadas. Minha cama é um enorme atrativo quando a outra opção da madrugada é ver pneus e bicicletas enquanto um narrador tenta fazer piadas sobre um esporte que não conhece. Nem os streamings oficiais do site do Australian Open (a maioria sem narração) salvam. Mas eu divago outra vez. Tem uma meia dúzia de jogos bastante interessantes na chave feminina logo no começo. Um deles eu até citei acima: Cibulkova x Flipkens, pela expectativa da vice-campeã que vem em mau momento e enfrenta uma oponente que já foi top 20.

Também vale abrir um streaming (ou torcer para que essas partidas sejam exibidas na ESPN+, que normalmente fica com o comentarista que mais acompanha o circuito) para qualquer jogo de Sam Stosur. A australiana, campeã do US Open em 2011, já foi top 5, mas nunca passou das oitavas de final em Melbourne. Em casa, todo jogo seu ganha tons dramáticos. Nada indica que este ano, seja contra Niculescu na estreia ou Schiavone/Vandeweghe (outra partida intrigante de primeira rodada) na sequência, vai ser diferente. Sempre vale conferir.

Mas só agora chego na melhor parte. Meus dois jogos preferidos estão logo na mesma seção da chave, um do lado do outro. Ex-queridinha americana, ex-número 11 do mundo, ex-cabeça de chave e ex-amiga de BBM de Serena Williams, Sloane Stephens enfrenta Victoria Azarenka, ex-líder do ranking e campeã do torneio em 2012 e 2013. Quem avançar vai enfrentar a vencedora de outro jogão: Caroline Wozniacki x Taylor Townsed. A consistente e paciente dinamarquesa será um teste enorme para a talentosa, agressiva e nada convencional promessa americana (mesmo que a USTA discorde da expressão “promessa” ou do peso da menina).

A seção da chave que ninguém está olhando

Ninguém está olhando e, pensando bem, é melhor que ninguém olhe mesmo. Uma das seções da chave tem Suárez Navarro, Witthoeft, Foretz, McHale, Vesnina, Siniakova, Begu e Kerber. Só meia dúzia de Paulaners (Hefe-Weißbier Naturtrüb, por favor) no Herr Pfeffer me empolgariam a ponto de assistir a um jogo de Kerber antes das oitavas de final deste Australian Open.

Stosur_AO15_entrevista_ao_blog

Quem pode (ou não) surpreender

No planeta improvável da WTA, tudo é plausível. Desde um título de Sam Stosur (não seria fantástico vê-la levantando um troféu na frente daquela torcida animada, fantasiada e, claro, parcialmente embriagada?) até uma eliminação precoce de Petra Kvitova (a esta altura, nenhuma derrota da tcheca é espantosa o bastante).

Minha história preferida este ano seria uma bela campanha de Venus Williams. A ex-número 1 não passa da terceira rodada de um Grand Slam desde 2011, mas a chave de Melbourne mostra-se um tanto acessível desta vez. Torro-Flor na estreia, Davis/Krunic em seguida, Pennetta/Giorgi/Smitkova/Lucic-Baroni na terceira rodada e Radwanska/Lepchenko nas oitavas. Considerando que Venus vem de um título em Auckland, não parece tão improvável assim. Será?

Ainda no mesmo quarto da chave, o caminho de Andrea Petkovic não é dos mais complicados, dada a instabilidade das possíveis rivais. Sua trilha tem Brengle, Falconi/Kanepi, Stosur/Niculescu/Schiavone/Vandeweghe e, nas oitavas, quem sair do grupo que tem Kvitova e Dellacqua. Talvez o maior obstáculo venha da própria alemã, que não venceu este ano ainda – soma derrotas para Kanepi e Gajdosova. Mas não dá para querer uma chave muito melhor do que isso.

Número 1 em jogo

Após os torneios desta semana, a liderança do ranking mundial, atualmente nas mãos de Serena Williams, pode ser tomada por outras três tenistas: Maria Sharapova, Simona Halep e Petra Kvitova. O quadro abaixo, cortesia da WTA, explica todos os cenários possíveis. O melhor deles, claro, seria uma decisão entre Maria Sharapova e Serena Williams. Se isso acontecer, quem vencer sairá do Australian Open também como número 1 do mundo.

Cenarios_WTA_blog

O quadro da WTA não leva em conta os pontos do WTA de Paris do ano passado, que seriam, em tese, descontados também ao fim do torneio australiano.

Nas casas de apostas

O favoritismo, surpresa-surpresa, é de Serena Williams. Na casa virtual bet365, um título da americana paga 5/2, ou seja, US$ 5 para cada US$ 2 apostados. O grupo das dez mais cotadas tem, na sequência, Maria Shrapova (5/1), Simona Halep (7/1), Petra Kvitova (10/1), Eugenie Bouchard (14/1), Caroline Wozniacki (14/1), Victoria Azarenka (16/1), Ana Ivanovic (18/1), Agnieszka Radwanska (20/1) e Venus Williams (33/1). E você, em quem apostaria?


O melhor dos cenários para Federer
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Federer_USO_treino_get_blog

É um daqueles momentos em que parece haver um alinhamento cósmico, como se os deuses do tênis abrissem o caminho para mais um (o último?) grande título do monstro que é Roger Federer. Rafael Nadal não estará em Nova York, e Novak Djokovic vem em uma espécie de longa ressaca tenística (a conquista de Wimbledon) e pessoal (casou-se recentemente e espera um filho).

O suíço provavelmente não tinha visto ainda a chave do US Open quando a foto acima foi produzida, mas é difícil imaginá-lo #chateado após saber quem são seus adversários em potencial no Grand Slam americano, que começa nesta segunda-feira, em Nova York. Enquanto Novak Djokovic, na outra metade da chave, pode ter de lidar com John Isner nas oitavas, Andy Murray ou Jo-Wilfried Tsonga nas quartas, e Stanislas Wawrinka na semi, Federer tem em seu caminho potenciais adversários como Fabio Fognini nas oitavas, Grigor Dimitrov ou Richard Gasquet nas quartas, e David Ferrer ou Tomas Berdych na semi (Gulbis corre por fora – confira a chave completa aqui).

Deste grupo, apenas Berdych tem retrospecto respeitável contra Federer. O tcheco venceu duas das últimas três partidas e teve ótimas chances de triunfar no último encontro, no qual o suíço levou a melhor de virada para conquistar o título de Dubai neste ano. Ainda assim, os dois só se encontrariam em uma semifinal, e o atual momento de Berdych, com duas vitórias nos últimos cinco jogos em quadra dura, não é exatamente animador – especialmente levando em conta a perigosa estreia contra Lleyton Hewitt em Nova York.

Enquanto isso, o atual número 3 do mundo chega a Nova York em grande forma. Foi vice em Toronto, levantou a taça em Cincinatti e, se não mostrou o tênis dominante de anos atrás (já é injusto cobrar isso a essa altura de sua carreira), brilhou o bastante para triunfar em nove dos últimos dez jogos.

A questão que sempre se levanta antes de um Slam é sobre a capacidade física de Federer em eventuais jogos de cinco sets. A resposta só virá a partir de segunda-feira, mas quem consegue olhar a chave e imaginar alguém (não chamado Novak Djokovic) duelando por mais de três horas com o Federer de hoje? Além disso, o suíço é raramente escalado para uma sessão diurna em Nova York, então o calor provavelmente não será um fator. Volto, então, ao ponto do início deste post: tudo parece conspirar a favor…

Ficha_USO_get_blog

Coisas que eu acho que acho:

– Ranking, histórico recente e o potencial nunca são deixados totalmente de lado. Nas casas de apostas, Djokovic, finalista do torneio nos últimos quatro anos, ainda é o mais cotado para faturar o US Open. A bet365, por exemplo, paga 2,37 para cada “dinheiro” apostado no sérvio. Caso Federer tenha seu nome gravado mais uma vez na taça, o prêmio é de 3,50 para cada franco suíço investido.

– A badalação reduzida pode fazer bem a Djokovic. As atuações pouco inspiradas e as derrotas para Tsonga (Toronto) e Robredo (Cincinnati) diminuem a expectativa em torno do número 1 do mundo em Nova York. Sem jogar durante a última semana, o sérvio teve algum tempo para calibrar seu jogo. Além disso, as duas primeiras rodadas – contra Diego Schwartzman e Gilles Muller/Paul-Henri Mathieu – darão mais um par de chances (e cinco dias) para que Nole chegue afiado às fases mais complicadas do torneio.

– No cenário atual, sem Nadal e com um ponto de interrogação sobre Djokovic, não dá para descartar um campeão estreante, como Wawrinka na Austrália. Mas quem estaria pronto para dar esse passo a mais? Gosto da chave de Grigor Dimitrov, mas o búlgaro provavelmente esbarrará com Federer nas quartas de final. Será que o garotão saberia lidar com o “buzz” de um jogo noturno tão promovido? E vale lembrar, nem que seja só por curiosidade: desde que foi superado por Bellucci no quali em 2009, o atual número 8 do mundo jamais venceu um jogo no US Open.


Os caminhos até o título de Wimbledon
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

> at Wimbledon on June 22, 2014 in London, England.

Doze dias bastante-agitados-e-sem-tempo-para-escrever-aqui depois, espanador e paninho multiuso na mão, cá estou para desempoeirar este cantinho da casa e tecer algumas palavras sobre a chave masculina de Wimbledon. O Grand Slam de mais prestígio é também aquele que, de quatro em quatro anos, acontece durante a competição para boa parte do planeta durante 30 dias. Como o torneio britânico só tem 13 dias de jogos, é difícil que o mundo preste a costumeira atenção na grama de Londres. Felizmente, tênis é um esporte que encontra sempre um jeito de roubar manchetes, seja com um jogo de 11 horas ou com uma quase catástrofe no primeiro jogo da Quadra Central – foi assim em 2010, lembram?

Não dá para adivinhar o que vem pela frente dessa vez, mas dá para imaginar algumas coisinhas, e é por isso que este post está aqui. É hora daquela breve análise das chaves, que foram sorteadas na sexta-feira. Quem se deu bem, quem teve azar, quais são os jogos mais legais de primeira rodada… Vamos ver, então? Vem comigo e não esquece de, no fim do post, ficar à vontade para usar a caixa de comentários e dar uma opinião, fazer uma pergunta ou levantar uma polêmica. A casa, como sempre, tem as portas abertas para a troca de ideias. Mas chega de enrolação e vamos finalmente ao que interessa…

Os sortudos

Na chave masculina, difícil contestar que Novak Djokovic e Andy Murray dividem uma chave menos complicada do que Roger Federer e Rafael Nadal, o grande azarado da história (calma, gente, eu já chego lá). Até a semi, o sérvio deve ter pela frente Golubev, Stepanek/Cuevas, Pospisil/Simon, Youzhny/Tsonga e Gulbis/Berdych. Deste grupo inteiro, apenas Youzhny, Tsonga e Berdych têm bons resultados com regularidade em Wimbledon. Considerando que russo e francês podem se enfrentar antes de de um eventual duelo com Nole e que Tsonga perdeu os últimos 11 jogos para Djokovic, parece-me um tanto razoável colocar o atual número 2 do mundo como favorito para chegar à semifinal. Dá para dizer o mesmo de Murray, que tem um caminho provavelmente com Goffin, Rola/Andujar, Bautista-Agut, Anderson/Fognini e Dimitrov/Ferrer antes de uma possível e provável semi. O campeão de Wimbledon joga com a pressão adicional de defender o título, mas teve uma forcinha dos deuses das chaves.

> at Wimbledon on June 21, 2014 in London, England.

Nadal, pelo contrário, pegou um caminho cheio de adversários perigosos – e digo perigosos na grama, que é o que importa aqui. Depois da estreia contra Martin Klizan, que em tese não deve lhe oferecer tantos problemas, o número 1 do mundo pode ter pela frente um caminho contra Paire/Rosol, Karlovic, Gasquet/Monfils e Raonic/Nishikori. Traduzindo: em cinco jogos, o espanhol pode ter de encarar quatro grandes sacadores, incluindo seu algoz em 2012, Lukas Rosol. A grande preocupação do técnico e tio Toni Nadal é a primeira semana, quando a grama ainda está novinha, e a bola quica menos. Encarar um sacador nessas condições não é tarefa das mais fáceis. Se Nadal alcançar a segunda semana, é outra história. Com a grama mais gasta e a bola quicando mais, seu jogo ganha em eficiência. E, lembrem-se: falamos de um cidadão que jogou cinco finais consecutivas em Wimbledon (2006-08 e 2010-11, sem atuar em 2009).

Federer é um caso à parte. O suíço enfrentaria, em tese, Nadal nas semifinais. Antes, contudo, pode pegar a sequência Lorenzi, Benneteau/Muller, Granollers, Roberdo/Janowicz e Wawrinka/Isner. Ao olhar a chave antes do torneio, dá para notar obstáculos traiçoeiros no caminho. Resta saber como as coisas vão desenvolver com o andar dos jogos. De qualquer modo, o suíço parece animado e, mais importante ainda, consciente de que o torneio britânico é onde ele mais tem chances de levantar um troféu de Grand Slam neste momento de sua carreira. Não existe motivação muito maior do que essa para um atleta.

Jogos de primeira rodada que eu quero, mas provavelmente não vou ver

– Murray x Goffin. Jogo que abre o torneio com Andy Murray na Quadra Central pela primeira vez como campeão de Wimbledon. A vibração do público será outra, e Goffin é um adversário de respeito. Pode ser um belo jogo e um ótimo teste para o tenista da casa.

– Dimitrov x Harrison. Com os bons saques de Harrison, que vem do qualifying, há um pequeno potencial de zebra nessa partida. O búlgaro, cabeça 11 e logicamente favorito, foi campeão em Queen’s na semana passada, mas vem de uma derrota na primeira rodada em Roland Garros. Será que, no caso de um jogo difícil, virá à mente o medo de somar dois resultados ruins em Slams consecutivos?

– Baghatis x Brown. Dois tenistas talentosos e imprevisíveis. Tudo pode acontecer, inclusive o alemão devolvendo saque segurando a raquete por trás das costas – o que ele fez em Munique contra o mesmo Baghdatis e venceu o jogo!

> at Wimbledon on June 21, 2014 in London, England.

Jogos que vão dar sono, mas que o SporTV vai transmitir assim mesmo

– Ferrer x Carreno Busta. Nunca é empolgante ver dois jogadores que adoram o fundo de quadra se enfrentando na grama. O mesmo vale para uma meia dúzia de outros duelos de primeira rodada.
– Federer x Lorenzi. Passeio.
– Djokovic x Golubev. Passeio.

Quem pode surpreender

Na parte de cima da chave, dá para imaginar Marin Cilic ganhando ritmo e fazendo um jogo duro com Tomas Berdych na terceira rodada. O croata, que derrotou o tcheco em seu último duelo na grama, não é tão azarão assim.

Na metade inferior, vale ficar de olho em um possível confronto entre Feliciano López e John Isner na terceira rodada. O espanhol vem de um vice em Queen’s e está em bom momento. Um triunfo significa, em tese, um confronto nas oitavas com Stanislas Wawrinka, que venceu apenas um jogo nas últimas quatro edições de Wimbledon. Quem será que avança deste quadrante, hein?

Há sempre a possibilidade de Nadal entrar descalibrado e despedir-se cedo, como aconteceu em 2012 e 2013. Se isto acontecer mais uma vez, o último quadrante fica aberto e imprevisível. Raonic, Gasquet, Monfils e Nishikori estão todos ali.

Gulbia_Boodles_get_blog

Nas casas de apostas

Assim como em Roland Garros, Novak Djokovic é o mais cotado para levar um título. Caso o sérvio seja campeão, a casa bet365 paga 2,75 para cada dólar apostado. Murray vem logo atrás, pagando 4.50, enquanto Nadal paga 5,50. Federer é o quarto, com 6,50 de cotação. O top 10 inclui Dimitrov (21,00), Wawrinka (23,00), Berdych (41,00), Raonic (51,00), Tsonga (51,00) e Gulbis (51,00).

Um aviso

Como muitos de vocês já sabem, venho trabalhando na Copa do Mundo (é preciso pagar contas, gente) e, por isso, não terei como ver boa parte de Wimbledon este ano. Logo, não blogarei com a frequência que gosto de fazer. Escreverei quando puder e, claro, tiver algo de útil a dividir com vocês. Agradeço a compreensão.