Saque e Voleio

Arquivo : análise

Como Sharapova foi de suspensa a favorita para Roland Garros em três jogos
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Alexandre Cossenza

Depois de 15 meses de suspensão por doping, Maria Sharapova voltou às quadras na última quarta-feira, dia 26 de abril, no WTA de Stuttgart. Cerca de 48 horas e três vitórias depois, a russa, que ainda nem aparece no ranking mundial, já é favorita ao título de Roland Garros. Quem diz isso são as casas de apostas, e elas têm bons motivos para colocar a ex-número 1 no alto de suas listas.

Primeiro, as cotações: na australiana Sportsbet, um título de Sharapova paga 8/1, ou seja, oito dólares para cada um apostado na russa – é a mesma cotação de Simona Halep; na britânica William Hill, a principal favorita é Garbiñe Muguruza (9/2), seguida de Halep (6/1) e Sharapova (7/1); e na casa virtual Bet365, a russa lidera as cotações (7/1), novamente empatada com Halep (7/1) e com Muguruza (7,50/1) logo atrás. Veja as listas no tweet abaixo.

Mas como alguém sobe tão rápido assim nas cotações? Não é tão difícil entender. A começar pelo nível de tênis que Sharapova apresentou até agora. Ainda que seus triunfos tenham vindo sobre tenistas fora do top 30 (Vinci, Makarova e Kontaveit), a ex-número 1 foi sólida, cuidou bem de seus games de serviço e deu raras chances às rivais. Seu tênis, bem adaptado ao saibro ao longo da carreira, trouxe excelentes resultados no piso recentemente. Em Roland Garros, foram 20 vitórias em 21 jogos de 2012 ate 2014. Ninguém não chamado Serena Williams mostrou tanta consistência assim nos últimos anos no slam francês.

A ausência da americana (grávida) é outro fator a favor de Sharapova nesta temporada de saibro. Serena é a única tenista do circuito atual que tem triunfos regulares contra a russa. E não é só isso. Victoria Azarenka e Petra Kvitova também estão afastadas (não que seu histórico na terra batida seja espetacular), e Angelique Kerber faz uma péssima temporada. Por fim, Muguruza e Halep, que dividem a “liderança” nas casas de apostas com Maria Sharapova, são tão previsíveis e consistentes quanto o humor de Bernard Tomic.

Outro motivo é a questão financeira. Afinal, o objetivo de toda casa de apostas é fazer dinheiro. Logo, é preciso considerar o potencial de Sharapova. É óbvio que é muito cedo para fazer previsões para daqui a um mês (a chave principal começa no dia 29 de maio), mas não é nada impossível que a bicampeã de Roland Garros ganhe ritmo em Roma e Madri e chegue ao slam francês jogando um tênis ainda melhor. Listar Sharapova como favorita agora evita que muitas pessoas apostem agora e embolsem um prêmio gordo lá na frente. Já pensaram se Sharapova estivesse cotada em 20/1 e cada apostador colocasse 100 dólares nela? Daria um prejuízo enorme.

Com tudo isso em mente, é justificável a postura de quem vive do dinheiro de apostadores. Mesmo levando em conta que Sharapova ainda nem tem a certeza de que vai estar na chave principal em Paris…

Coisas que eu acho que acho:

– Se Sharapova foi brilhante dentro da quadra, não dá para dizer o mesmo de sua postura nas entrevistas coletivas. Em vez de responder perguntas relevantes sobre seu retorno e ainda sobre o doping (já que as entrevistas concedidas durante a suspensão foram todas leves, sem perguntas duras), a ex-número 1 ou se esquivou ou debochou de jornalistas. Em alguns casos, fez os dois.

– A começar pela pergunta de quinta-feira sobre se ela havia encontrado um medicamento alternativo para tratar seus problemas de saúde. Sharapova respondeu que “essa informação é entre mim, a WTA e o médico ortopedista com quem estou trabalhando agora.”

– Na sequência, respondeu apenas com “next question” quando um jornalista indagou se ela estava trabalhando com mais alguém para tratar os problemas de diabetes e cardíacos que ela mencionou quando falou na primeira vez sobre seu caso de doping.

– Nesta sexta, indagada se sua equipe tinha ficado chateada quando descobriu os medicamentos que ela tomava para sua saúde, a russa se esquivou de novo e se deu, inclusive, o direito de julgar a pergunta. Falou que a questão era inadequada, deu um risinho irônico e pediu que fosse feita outra pergunta, por outra pessoa.

– Sharapova também debochou quando um jornalista se apresentou como funcionário do “Sun”, respondendo um “oh, deus” e perguntando se o “Sun” já havia mandado alguém a Stuttgart antes.

– Não, ninguém é obrigado a responder nada. Porém, no caso de Sharapova, um doping que envolveu justificativas questionadas por muita gente (e pelo tribunal que a condenou), quanto menos ela esclarecer, mais margem dá para especulações e para que quem não acreditou nas suas justificativas siga sem acreditar em suas boas intenções. O deboche, então, é mais difícil ainda de defender.

– Sobre o possível (ou provável?) wild card para Roland Garros, o torneio francês disse que só vai fazer o anúncio no dia 16 de maio. Assim, o torneio ganha tempo e foge de polêmicas. Isso também faz bem para Sharapova, que já vem mostrando ótimo nível de jogo. Com mais vitórias e mais resultados, ficará difícil para a organização do torneio negar o benefício.


Sinais positivos de Djokovic
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Alexandre Cossenza

Desde o segundo semestre do ano passado, parece que alguém baixou um decreto exigindo que toda conversa sobre um certo sérvio passasse pela questão “o que acontece com Novak Djokovic?” Afinal, o cidadão que dominou o circuito por mais de dois anos e venceu os quatro slams em sequência perdeu a liderança do ranking, a aura de invencibilidade e ainda ouviu críticas do ex-técnico Boris Becker por causa de suas novas prioridades na vida.

O 2017 do sérvio também não empolgou até agora. Depois de começar o ano com título em cima de Andy Murray em Doha, Nole tombou diante de Istomin no Australian Open, perdeu para Kyrgios em Acapulco e Indian Wells e não jogou em Miami por causa de uma lesão no cotovelo direito. Fora a zebra em Melbourne, nada trágico. Seu domínio nos anos anteriores, porém, provocou expectativas super-humanas. Como se precisasse estar acontecendo algo de muito errado na vida do sérvio para causar os tais resultados “decepcionantes”.

Uma entrevista em especial repercutiu bastante. Djokovic afirmou que o tênis não era a prioridade número 1 em sua vida. A frase foi vista quase como um crime por alguns. Como se Andy Murray, casado, pai e número 1 do mundo, fosse dizer algo diferente. O britânico, aliás, chegou a afirmar que largaria um slam se fosse necessário para ver o nascimento da filha. Como se muitos outros tenistas tivessem prioridades diferentes. O fato é que a tal frase, aliada às críticas de Becker, foi um prato cheio para quem queria questionar Djokovic. Mas eu divago.

Pois o sérvio voltou ao circuito da ATP esta semana, mais de um mês depois de Indian Wells – embora tenha feito um jogo de Copa Davis no fim de semana. Um ingrato retorno, diga-se, diante de um afiado Gilles Simon. O francês foi sólido ao extremo e exigiu um bocado de Djokovic. Aprofundou bolas, alongou ralis, subiu bem à rede. Foi tanto uma prova técnica quanto um teste para a paciência e a força de vontade do atual número 2 do mundo.

Nem foi a mais brilhante das atuações de Nole, mas é aí que entra seu maior mérito do dia e que serve como bom indício de que ele está com a cabeça no lugar e disposto a brigar por vitórias. Simon teve quebras de vantagem no terceiro set. Primeiro, abriu 3/2. Djokovic devolveu imediatamente. Depois, o francês sacou em 5/4. Valia a vitória. Outro game impecável do sérvio. Outra quebra. E Djokovic embalou, venceu três games seguidos e avançou às oitavas de final do torneio monegasco por 6/3, 3/6 e 7/5.

É cedo? Claro que é. Mas Djokovic foi tão exigido em tantos ralis que um tenista menos concentrado ou faminto teria cedido. Não seria vergonha alguma tombar diante do Simon que esteve em quadra nesta terça-feira. O sérvio ficou na briga e saiu vencedor. Como fez tantas e tantas vezes na careira e, numa chave com Carreño Busta, Thiem e Nadal, provavelmente precisará fazer novamente em Monte Carlo, nesta semana. Os próximos dias darão um panorama melhor sobre que Djokovic vamos ver na temporada de saibro europeia, mas esta terça já trouxe sinais positivos.


Sobre Thomaz Bellucci e chances perdidas
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Alexandre Cossenza

Experimente jogar “Bellucci perde chances” no Google, e você vai encontrar links para diversas partidas em vários torneios e contra adversários diferentes. Um tempo atrás, esses títulos costumavam vir direto de sua assessoria de imprensa. Como eram reproduzidos por tantos veículos de imprensa, proliferaram e viraram piada recorrente. Gracinhas maldosas à parte, é bem verdade que Thomaz Bellucci tem no currículo uma quantia considerável de derrotas em jogos contra oponentes inferiores ou em que ele esteve em situação favorável.

Neste domingo, na final do ATP 250 de Houston, aconteceu de novo. E doeu. Primeiro porque Bellucci perdeu uma quebra de vantagem depois de ter 4/2 de frente sobre o americano Steve Johnson, #29 do mundo, um tenista sólido, mas que soma mais derrotas do que vitórias na carreira em quadras de saibro. Só que viria, mais tarde, outra chance. Johnson teve cãibras. Sem poder ser atendido durante o game (a regra não permite), o americano sacou no improviso, mal tendo condições de se movimentar. Empurrou a bolinha. O placar mostrava 5/5, 40/30, segundo saque, e Bellucci enfiou a mão na devolução. A bolinha parou na rede. Johnson fechou o game e foi, mancando, caminhando na direção do banco para receber uma massagem na virada de lado.

Nem foi só isso. Johnson entregou o 12º game. Nem tentou devolver os saques. Quatro aces de Bellucci. O americano apostou tudo no tie-break e foi recompensado. Depois de ganhar o primeiro ponto, o brasileiro subiu mal à rede, espirrou um backhand e errou um slice de forehand. Logo, o placar mostrava 3/1 para Johnson. Em nenhum momento, o paulista conseguiu se aproveitar da movimentação deficiente do rival. Tomou duas passadas, errou duas devoluções (sim, Johnson ainda sacava mais fraco do que o normal, embora não tão fraco quanto no vídeo acima) e perdeu o último ponto numa direita suicida do americano. Game, set, match: 6/4, 4/6, 7/6(5).

Mas e o copo meio cheio? Ele lembra que Bellucci voltou à final de um ATP 15 meses depois da decisão de Quito, no ano passado. O paulista topou jogar na semana logo após um confronto de Copa Davis e entrou em um torneio modesto, com uma chave quase sem especialistas no saibro. Aproveitou, superando, em sequência, Francis Tiafoe (#89), Máximo González (#163), Sam Querrey (#25) e Ernesto Escobedo (#91). Não é todo dia que uma chance assim se apresenta. Bellucci somou 150 pontos derrotando apenas um adversário entre os 80 melhores do ranking mundial. Mais dois games de saque contra Johnson, e ele teria somado 250. O que faltou? Aproveitar a chance!

Onde estavam as chances?

Thomaz Bellucci e seu técnico, João Zwetsch, sempre dizem que o objetivo é voltar a frequentar a região entre 20-30 do ranking. Ambos acreditam que o paulista pode entrar até no top 20. Não deixa de ser ousado, considerando que Bellucci alcançou seu melhor ranking (#21) sete anos atrás. Por outro lado, de que adianta jogar o circuito sem estabelecer uma meta realmente grande? Além disso, Bellucci esteve no top 30 em fevereiro do ano passado. Não faz tanto tempo assim.

Mas o que falta? Dá para listar uma série de itens em que o número 1 do Brasil pode evoluir (leitura de jogo, movimentação, subidas à rede, aspecto físico), mas consideremos, apenas num exercício de imaginação, que o Bellucci de hoje é o melhor possível. Se este Bellucci não evoluir em nada, ainda pode ser top 20? O que faltaria? “Aproveitar chances” viria no topo da lista. E não se trata de ser excessivamente crítico – ou otimista, dependendo do ponto de vista – sobre ele. Lembremos alguns dos momentos das últimas 52 semanas (as que contam para o ranking atual) de Bellucci.

ATP 250 de Munique: a derrota para Ivan Dodig nas oitavas custou 25 pontos.

ATP 250 de Gstaad: um revés diante de Dustin Brown onde Bellucci já foi campeão duas vezes, logo na primeira rodada (oitavas). Bellucci deixa de somar 45 por aquele jogo e perde a oportunidade de enfrentar Youzhny por mais 45. Brown acabou eliminado por Feliciano López (outro jogo ganhável), que foi campeão em uma final contra Robin Haase. No geral, uma chave bastante acessível.

Challenger de Biella: Bellucci perdeu a final para Federico Gaio (#213). Teria somado 45 pontos a mais com o título.

ATP 250 de Quito: Bellucci foi superado pelo terceiro ano seguido por Victor Estrella Burgos (#156), que se sagrou campeão. Uma vitória naquela semifinal de dois tie-breaks renderia 60 pontos a mais com uma chance excelente de jogar pelo título contra Paolo Lorenzi (#46). O paulista poderia ter saído do Equador com 140 pontos a mais e não precisaria de nenhum milagre para isso.

ATP 500 do Rio de Janeiro: com problemas físicos, Bellucci foi derrotado por Thiago Monteiro nas oitavas. Teria conquistado 45 pontos a mais e uma chance de enfrentar Casper Ruud (#208) por mais 90. Seriam 135 pontos se tivesse apenas confirmado o favoritismo, mesmo que perdesse para Carreño Busta (embora fosse outro jogo ganhável) nas semifinais.

ATP 250 de São Paulo: novamente com problemas físicos, Bellucci não passou da estreia contra Diego Schwartzman (#44). Enfrentaria Gerald Melzer (#107) nas oitavas, com ótima chance de chegar às quartas e somar 45 pontos. Enfrentaria, então, Cuevas. Duro, mas ganhável.

Challenger de Irving: Bellucci perde para Aljaz Bedene (alternate, #105) nas oitavas do torneio. Bedene, que acabou com o título, enfrentaria Jared Donaldson (#93) nas quartas, Andrey Rublev (#134) na semi e Kukushkin (#90) na final. O britânico somou 125 pontos no evento.

A matemática

O que isso tudo quer dizer? Na frieza da matemática, Bellucci aparece nesta segunda-feira na 53ª posição do ranking mundial, com 876 pontos. Imaginemos que o paulista tivesse aproveitado todas as chances acima – além, claro, da final de Houston. Seriam pouco mais de 700 pontos de diferença. E Bellucci estaria justamente ali entre 20 e 30 do mundo (curiosamente, Steve Johnson é o atual 25º, com 1.585 pontos). Sem contar que estar com um ranking melhor lhe colocaria como cabeça de chave em grand slams e mais ATPs, o que criaria novas oportunidades.

Receio que a conta acima vá soar otimista para uns e pessimista para outros. Seria esperar demais de Bellucci? Seria superestimar o tênis do número 1 do Brasil? Bellucci já tirou o máximo de seu tênis? Alcançou mais do que deveria? Ficou abaixo das expectativas? Converse com dez pessoas, e você corre o risco de ouvir dez respostas diferentes. Cada um com seu ponto de vista. Sem problema. Só me parece absurdo o discurso vitimista de que Bellucci é um grande azarado em sorteios de chaves. Qualquer análise, mesmo que superficial, derruba essa tese.

Coisas que eu acho que acho:

– Alguém pode considerar injusta ou exigente demais a lista acima, mas Bellucci era grande favorito na maioria das partidas citadas. Em outras, “apenas” favorito. Uma matemática mais exigente ou ousada poderia considerar um título em Gstaad, um vice no Rio, a derrota para Delbonis em Genebra, o revés diante de Mahut em Sydney, o tombo para Herbert em Indian Wells e até a derrota para um esgotado Kuznetsov na primeira rodada do US Open.

– Um grande mérito de Bellucci na semana foi sair da altitude de Ambato e vencer no nível do mar (ou quase isso) em Houston. Okay, a chave ajudou. Francis Tiafoe, o rival da estreia (que foi apenas na quarta-feira), nunca venceu um jogo de chave principal de ATP no saibro. Mesmo assim, o paulista não se permitiu usar a adaptação como desculpa e seguiu adiante com méritos.

– Outro ponto positivo da semana foi jogar cinco partidas de três sets e chegar inteiro ao tie-break da final. Ou, pelo menos, mais inteiro do que Steve Johnson. É o tipo de coisa que Bellucci precisa apresentar com mais frequência para chegar ao tal objetivo de ser 20-30 do mundo. Quem pensa alto assim não pode montar calendário fugindo de torneios no calor ou com muita umidade.

– Já escrevi algo parecido no Twitter, mas não custa repetir aqui. Não procuro rótulos, mas não sei, quando a carreira de Bellucci acabar, se o paulista será visto como um overachiever (alguém que conquista mais do que o esperado para seu nível de tênis) ou um underachiever (alguém que fica abaixo das expectativas). O que parece unânime é que Bellucci nunca se tornou o tenista que, anos atrás, os brasileiros esperavam que ele viesse a ser. Essa visão é justa? Talvez, sim. Talvez, não. Mas isso é outra questão e este post já está longo demais.


Qual é o melhor Federer de todos?
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Alexandre Cossenza

A pergunta surgiu no último domingo, na hashtag do podcast Quadra 18. Apesar de ter dado minha resposta no programa, que pode ser ouvido no post anterior, achei o tema interessante para registrar aqui também. O ouvinte Felipe Ariel Resende perguntou se a versão 2017 de Roger Federer podia ser considerada a melhor de todas – melhor ainda do que o modelo 2004-2007, que dominou o circuito na década passada.

A discussão é tão inútil quando pode ser divertida, desde que todos consigam discordar com educação, tentando entender os pontos de vista alheios. E este post não tem intenção alguma de cravar um acima dos outros. Mesmo assim, quis deixar registrado aqui este texto como mero levantamento de números e variáveis que servem para alimentar um debate saudável.

Em números, o Federer/2006 parece imbatível. Naquela temporada, o suíço somou 92 vitórias contra apenas cinco derrotas (quatro para Rafael Nadal e uma diante de Andy Murray), venceu três slams Australian Open, Wimbledon e US Open), foi vice em Roland Garros e encerrou a temporada com uma sequência de 29 triunfos, período em que foi campeão em Nova York, Tóquio, Madri, Basileia e do ATP Finals, que então levava o nome de Masters Cup, além de superar Novak Djokovic e Janko Tipsarevic na repescagem da Copa Davis. Enorme.

Ainda é cedo para julgar a versão 2017 de Federer em números e, com 35 anos e um calendário praticamente sem saibro, é virtualmente impossível que as estatísticas de 11 anos antes sejam igualadas. Ainda assim, o suíço já venceu o Australian Open e os Masters de Indian Wells e Miami.

Mas se é impossível comparar dados registrados, o que dizer tecnicamente? Parece incontestável que Federer, hoje, é um tenista mais completo. Desde a troca de raquete, efetuada no segundo semestre de 2013, o suíço tem golpes mais limpos e até mais potentes. Seu saque é uma arma ainda mais poderosa. O backhand, que nunca foi tão vulnerável quanto muitos acreditam, é uma arma perigosíssima. E, comparando o vídeo da final do Australian Open deste ano com as imagens do jogo contra Ivan Ljubicic em Miami/2006, é até difícil ver diferença na velocidade de deslocamento em quadra – algo soberbo para um tenista de 35 anos.

Mas será que o Federer de hoje é tão melhor assim do que o Federer de 2014, 2015 e início de 2016? Aí é que, a meu ver, a comparação é mais difícil. Em 2014, suíço foi vice-campeão em Wimbledon. Em 2015, foi finalista em Wimbledon e no US Open. Lembram de quando ele lançou o “SABR”, a devolução quase de bate-pronto? Ali, Federer foi considerado um revolucionário. Por fim, em 2016, antes da lesão, alcançou a semifinal em Melbourne. Não, ele não voltou dos seis meses de pausa como um tenista tão diferente e superior assim.

O elemento comum durante esse período 2014-2016? Novak Djokovic. O sérvio foi tão acima da média que impossibilita qualquer comparação justa. O fato, contudo, é que sempre que Federer brilhou, o então número 1 esteve lá para impedir um título. Sem Nole, o suíço possivelmente teria mais de 20 slams a essa altura. Talvez estivéssemos vendo o Federer de hoje com um olhar menos espantado. Sim, é justo que nos admiremos com um tenista voltando de lesão, seis meses parado, e ganhando tanto – e jogando tão bem. Mas será que ele é tão melhor agora do que dois anos atrás? Difícil julgar.

Duríssimo até porque Novak Djokovic não enfrentou o suíço neste 2017. E, se enfrentasse, o Djokovic de hoje teria o mesmo sucesso de dois ou três anos atrás? É por causa desse tipo de variável que é tão complicado e injusto cravar “melhores de todos os tempos”, qualquer que seja o esporte. Quem consegue equiparar os parâmetros para fazer uma comparação justa entre Federer e Rod Laver, por exemplo? E o tal “maior” é quem domina mais ou quem domina por mais tempo? O maior é necessariamente o melhor? Cada pessoa, com sua lista de critérios e preferências pessoais, pode achar uma coisa diferente. E o assunto está no ar para quem quiser discutir…


Quadra 18: S03E05
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Alexandre Cossenza

Miami praticamente repetiu Indian Wells. Roger Federer voltou a levantar um troféu após derrubar Rafael Nadal, Nick Kyrgios deu mais espetáculos, Marcelo Melo e Lukasz Kubot somaram mais um resultado excelente, enquanto no torneio feminino Angelique Kerber ficou pelo caminho mais uma vez, Venus Williams voltou a ir longe e Caroline Wozniacki perdeu a terceira final consecutiva.

Neste novo episódio do podcast Quadra 18, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de tudo que envolveu Miami, inclusive o título de Johanna Konta, mas também abordamos as polêmicas nas transmissões de TV e as grandes mudanças que a Federação Internacional de Tênis vai implantar no circuito profissional a partir de 2019. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’17” – Aliny apresenta os temas
1’27” – Cossenza analisa o Federer x Nadal que decidiu o Masters de Miami
5’25” – A versão atual de Federer ganharia do Federer 2004-2007?
9’30” – Federer voltar só em RG mostra que ele não tem o #1 como prioridade?
12’45” – Qual o melhor jogo do ano até agora?
13’49” – O momento e a ascensão de Nick Kyrgios
17’00” – Nadal ainda joga muito atrás da linha de base contra Federer?
18’15” – Nadal já é favorito absoluto para Roland Garros?
19’35” – A janela de Nishikori e Dimitrov está fechando?
22’25” – Kyrgios precisa aumentar a % de pontos vencidos com a devolução?
23’30” – Qual o balanço após os primeiros Masters 1000 de Thiago Monteiro?
28’42 – Roll the Bones (Rush)
29’08” – A conquista de Marcelo Melo e Lukasz Kubot e a força da camisa
32’30” – Marcelo Melo criticou ou não Lukasz Kubot após o Rio Open?
37’00” – A repetição do duelo Melo/Kubot x Soares/Murray
39’23” – Henri Kontinen assume a liderança do ranking de duplas
41’10” – A diferença de pontuação entre Melo/Kubot e Dodig/Granollers
42’20” – O título de Johanna Konta e o WTA de Miami
43’30” – Os méritos e a falta de atrativos de Johanna Konta
46’10” – As mudanças e a polêmica sobre o que a ITF vai fazer com o circuito
52’56” – SporTV e Sony: críticas e elogios às transmissões de Miami


Por que Kyrgios x Zverev pode ser o Federer x Nadal do amanhã
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Alexandre Cossenza

O Masters de Miami testemunhou, na noite de quinta-feira, o que pode ter sido o primeiro episódio empolgante da próxima grande rivalidade do tênis mundial. Nick Kyrgios, australiano, 21 anos e #16 do mundo, derrotou Alexander Zverev, alemão, 19 anos e #20 do mundo, em um jogo espetacular, cheio de variações, jogadas espetaculares, discussões com árbitros e match points salvos. É um duelo que tem tudo para acontecer mais vezes e em fases mais importantes de torneios.

“Tem tudo…” é um grande clichê que todo mundo usa o tempo inteiro. Às vezes por preguiça, às vezes por falta de argumento mesmo. É fácil cair diante da tentação de usar uma expressão que supostamente diz muita coisa, mesmo sem especificar nada. Só que no caso de Kyrgios e Zverev, esse “tem tudo” faz sentido. Os dois são tecnicamente admiráveis. Têm slices, spins, bolas chapadas e todo tipo de variação. Ambos também possuem uma característica típica da nova geração: ótima movimentação para sua altura.

Kyrgios tem 1,93m e um saque capaz de acumular 25 aces em dois sets contra Djokovic – a melhor devolução do circuito. Sua mobilidade nunca foi espetacular, mas o australiano, que insiste em não contratar um técnico, decidiu investir em preparação física desde o fim do ano passado. O resultado está se mostrando em quadra. Kyrgios vem chegando mais inteiro em mais bolas. Seu ponto mais frágil, que era sair com pouca frequência da defesa para o ataque, já não é mais tão vulnerável. E isso só tem a melhorar.

Zverev tem 1,98m e um saque capaz de tirá-lo de situações complicadas com frequência. Foi principalmente com ele que o adolescente alemão bateu Roger Federer em Halle, no ano passado, e na Copa Hopman, no início deste ano. Só que Zverev também sabe se defender. Chega em bolas que muitos com sua altura não alcançariam e sabe usar o slice quando necessário para mudar a velocidade do jogo. Há muito tempo o tênis não vê alguém tão jovem com tantos recursos.

Comparar Kyrgios-Zverev a Federer-Nadal talvez seja sonhar muito alto. O clássico entre espanhol e suíço foi (ainda é) muito mais do que uma rivalidade por títulos e rankings. Foi um jogo de contrastes, um duelo que polarizou o mundo. Era o tênis limpo e barishnikovesco de Federer contra a camisa sem manga e suja de saibro de Nadal. Era o metrossexual homem do mundo contra o insular macho man musculoso. Era o penteado capa da Vogue contra o cabelo do Mogli. Era Mercedes contra Kia, Dubai contra Mallorca, Moët & Chandon contra pasta y gambas.

Australiano e alemão, contudo, têm lá seus contrastes interessantes. Zverev é um tenista mais pragmático. Quando precisa, faz só o básico. Kyrgios é o rebelde (aparentemente) incurável que apaga a linha que separa o louco do gênio. Não resiste à tentação de arriscar um golpe improvável, mesmo no mais delicado dos momentos. Em Miami, depois da espetacular passada por baixo das pernas do vídeo acima, o australiano forçou um Gran Willy quando tinha set point contra. Mandou na rede, perdeu o set.

Os dois têm maneiras bem diferentes de se comportar em quadra. Kyrgios é mais tudo. Fala mais, grita mais alto, reclama com mais frequência. Ele leva para a quadra um pouco do swag do basquete, seu esporte referido. Abre os braços de um jeito quase arrogante quando faz um lance de efeito. Chama a galera, ganha os aplausos. Zverev é mais discreto. Comemora consigo mesmo, tenta se manter concentrado falando pouco. A não ser quando a situação pede – como na noite desta quinta. Aí vira circo, no bom sentido da coisa, e é por isso que o mundo já está apaixonado por esse duelo.

Impossível prever o que será da carreira dos dois. Não é a tentativa deste post. Pelo contrário. Este texto é mais torcida do que previsão. Kyrgios e Zverev ainda têm uma geração fortíssima para derrubar. Federer está voando, Murray e Djokovic ainda têm alguns bons anos pela frente, Wawrinka não mostra sinais de queda e Nadal continua forte.

A questão é que fora esses cinco, ninguém atualmente mostra tênis tão versátil e com tanto potencial quanto Kyrgios e Zverev. Os dois podem bater qualquer um jogando de maneiras diferentes, em dias ótimos ou em jornadas não tão boas. E quando (ou “se”) alcançarem o equilíbrio entre físico, maturidade tenística e força mental, serão dificílimos de parar. E aposto aqui minhas pequenas cédulas de Banco Imobiliário que, como Kyrgios pediu no primeiro tweet deste post, as redes sociais vão ficar lotadas de feitos desses dois #NextGênios.

Coisas que eu acho que acho:

– Não, não foi o primeiro jogo entre eles. Quando digo, lá no alto, que pode ter sido “o primeiro episódio empolgante” é porque o primeiro duelo, há duas semanas, em Indian Wells, não empolgou. Terminou sem drama, num 6/3 e 6/4 para Kyrgios.

– Apenas torcendo para que seja uma coincidência feliz: em março de 2004, Nadal venceu o primeiro jogo contra Federer por 6/3 e 6/3. Também sem drama, sem nada realmente memorável. E ninguém imaginava que os dois se enfrentariam tanto, por tanto tempo e com tanta coisa em jogo…

– O que falta para que os dois deem o último grande salto e passem a brigar toda semana com o pessoal do top 5? Para Kyrgios, muito pouco. Com o que vem mostrando este ano, parece ser uma questão de tempo para ele mostrar seu talento com mais consistência, não só nos jogos grandes, mas nas partidas de terças e quartas-feiras sem adversários de nome ou quadras lotadas.

– Para Zverev, acredito que falta um pouco mais. Seu jogo é sólido o bastante. A cabeça, nem tanto. E nem é questão de descontrolar ou de alongar discussões inúteis como Kyrgios faz. O alemão ainda leva um pouco mais de tempo para esquecer erros bobos e superar falhas em momentos importantes. Kyrgios, por sua vez, tem uma capacidade gloriosa de brigar, gritar, quebrar raquetes e jogar o ponto seguinte como se nada tivesse acontecido.


Um sinal animador para Marcelo Melo
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Alexandre Cossenza

Marcelo Melo e Bruno Soares, os dois que apostaram em Acapulco como adaptação às quadras duras e preparação para Indian Wells, tiveram seus planejamentos recompensados. Soares, campeão no ATP 500 mexicano, somou sete vitórias consecutivas ao lado de Jamie Murray até ser eliminado nas semifinais em India Wells. E seu algoz na Califórnia foi o conterrâneo. E é justamente a parceria Melo/Kubot o assunto mais interessante no momento.

Depois de um início de ano sem os resultados desejados, Melo finalmente encaixou uma boa semana ao lado de Lukasz Kubot. Brasileiro e polonês estiveram perto do título, mas foram derrotados de virada por Rajeev Ram e Raven Klaasen por 6/7(1), 6/4 e 10/8.

Kubot fez um primeiro set excelente e foi o melhor em quadra durante o primeiro tie-break. O polonês só não manteve o nível altíssimo e acabou dando três pontos de graça no match tie-break. Errou dois voleios fáceis, devolvendo mini-breaks, e ainda jogou na rede uma devolução de segundo saque no 7/8. As falhas custaram caro, e Kubot parecia saber disso na cerimônia de premiação.

Embora a semana tenha terminado com uma derrota doída, Melo e Kubot talvez tenham encontrado o sinal que precisavam para levar a parceria além de Miami. Após o Australian Open e, mais tarde, depois do Rio Open (vide aspas abaixo), o mineiro disse que era preciso encontrar um equilíbrio na dupla e que jogar com agressividade excessiva (como Kubot faz boa parte do tempo) deixava o time vulnerável diante de duplas contra as quais deveria ser favorito.

“Normalmente, eu me adapto muito bem [a parceiros de estilos diferentes], mas não adianta a gente jogar muito kamikaze e bomba pra todo lado. Eu gosto de um jogo mais controlado, mais sólido. Às vezes, com menos velocidade e mais porcentagem. A gente precisa encontrar esse balanço porque eu sou mais desse estilo. O Lukasz é mais agressivo. Tem dia que não entra a bola e nós vamos perder para qualquer dupla! Nós precisamos encontrar esse equilíbrio para ver se a gente consegue manter a dupla – para evoluir porque tem que tentar até certo ponto encontrar esse equilíbrio, senão não adianta seguir.”

Resta saber se o vice em Indian Wells é o início de um momento interessante e que pode levar a bons resultados ou se foi uma campanha isolada que, vista com otimismo excessivo, pode fazer os dois continuarem juntos por mais tempo do que o ideal, atrasando a vida de ambos. Miami vem aí para ajudar a esclarecer o tema.

Coisa que eu acho que acho:

– Sobre os altos e baixos do kamikaze Kubot, a impressão que tenho é que isso tudo vem no pacote com o polonês. Ele vai fazer jogos ótimos nos dias bons, mas também vai cometer duplas faltas em sequência nos dias ruins. Não adiante, por exemplo, culpá-lo pela derrota deste sábado. Talvez sem ele, a dupla nem tivesse vencido o primeiro set. Tudo é questão de avaliar o custo-benefício e ver se vale a pena investir no produto.

– Podem reclamar e dizer quanto quiserem que Marcelo Melo e Bruno Soares deveriam ter feito mais esforço, que não foram patriotas e tudo mais porque não jogaram em São Paulo, no Brasil Open. Já debati este tema num post anterior e, depois, no podcast Quadra 18. Agora, vendo os resultados em Indian Wells, fica ainda mais clara a lógica por trás da opção por Acapulco. Não há o que questionar.


O balanço brasileiro no saibro
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Alexandre Cossenza

Com o fim do tardio do Brasil Open, parece o momento ideal para fazer um balanço da participação brasileira na perna sul-americana do circuito mundial, que, por enquanto, ainda é toda disputada em quadras de saibro. Digo “ainda” porque, como os leitores do blog sabem, Rio e Buenos Aires estão em busca de aprovação para mudarem para quadras duras.

O motivo carioca/portenho não tem a ver com as campanhas de brasileiros e argentinos. A ideia é conseguir trazer mais nomes de peso. Diretores dizem que o principal argumento de quem não quer vir até aqui é a mudança de piso entre o Australian Open e o Masters de Indian Wells. Mas enquanto a alteração não sai, será que os brasileiros vêm aproveitando o piso mais favorável a seu jogo?

Depois de Quito, Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo, dá para dizer que não foi a pior das campanhas brasileiras. Não que tenha sido espetacular. Bellucci, principalmente, poderia ter tirado muito mais de Rio e São Paulo não fossem seus problemas físicos e, ao que parece, de motivação. Vejamos um por um:

Thomaz Bellucci

Como nos dois anos anteriores, o paulista fez boa campanha em Quito. Só perdeu – pela terceira vez seguida – para Vitor Estrella Burgos, o veterano que acabou conquistando o tricampeonato no Equador. Caso curioso, não tão fácil de explicar/entender, mas que precisa entrar para a coluna das “chances perdidas”.

No Rio, Bellucci eliminou o cabeça 1 na estreia, empolgou a torcida e decepcionou no jogo seguinte. No meio do segundo set contra Thiago Monteiro (jogo à noite, 27 graus), o paulista já esteve pregado. Saiu de quadra dizendo “morri” com todas as letras. Depois, em São Paulo, também teve problemas físicos (de outro tipo) na derrota para Schwartzman. Após o revés, deu uma declaração um tanto preocupante. Falou que precisa “reencontrar a alegria e a motivação de estar na quadra que só o dia a dia vai me dar. Tenho que pensar no que a gente tem que fazer para dar a volta por cima.”

De qualquer modo, mesmo com a vitória sobre Nishikori e uma semi em Quito, fica a impressão de que poderia ter sido muito melhor. É duro afirmar, mas é o mesmo que pode ser dito sobre muitos momentos da carreira de Bellucci.

Thiago Monteiro

Talvez tenha sido o momento de consolidação do cearense. Um ano depois de “surgir” ao bater Tsonga no Rio, Monteiro fez uma turnê sólida, com quartas de final em Buenos Aires e no Rio. Perdeu na estreia em Quito e em São Paulo, mas em condições difíceis. Jogou contra Giovani Lapentti na altitude e contra Carlos Berlocq (seu algoz também em Buenos Aires) no Pinheiros.

Ao todo, nada mau. Os ATPs, no entanto, deixaram mais visíveis os buracos no jogo do cearense. Berlocq deixou clara a necessidade de Monteiro melhorar junto à rede. O argentino venceu uma enorme maioria de pontos quando variou e tirou Thiago do basicão “distribuindo-pancada-do-fundo”. No Rio, Ruud expôs as falhas na devolução do cearense. Monteiro não conseguir entrar em um número razoável de pontos no serviço no norueguês.

Monteiro sabe quanto e onde precisa evoluir. Ele mesmo falou sobre isso na última coletiva que deu no Rio de Janeiro. Há tempo para isso. É questão de trabalhar e pensar no jogo como um todo – e não só na pancadaria do fundo de quadra.

Rogerinho

O paulista esteve nos quatro ATPs, inclusive furando o quali em Buenos Aires, mas não conseguiu vencer nenhum jogo em chaves principais. O mais perto que chegou disso foi quando teve dois match points contra Alessandro Gianessi na Argentina. Não dá para dizer que foi uma passagem trágica de Rogerinho pela América do Sul, mas ele teve jogos ganháveis e não aproveitou. Também entra para a coluna de chances não aproveitadas.

Feijão

João Souza também esteve nos quatro ATPs, mas ficou no quali em Buenos Aires (perdeu para Rogerinho) e só venceu um jogo em São Paulo (contra Zeballos na estreia). E se não dá para condená-lo pelas derrotas para Pablo Carreño Busta (Rio e SP), esperava-se mais de seu jogo na altitude de Quito. A derrota na estreia para Federico Gaio não foi o melhor dos resultados.

Bruno Soares

Orale Cabron 🇲🇽 🏆 🏆🏆

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O mineiro só jogou um torneio no saibro. Foi no Rio, onde ele e Murray perderam nas semifinais, quando até tiveram um match point contra Carreño Busta e Pablo Cuevas. Um resultado bom, considerando que Soares ficou dez dias no Rio de Janeiro, mas passou a maior parte do tempo dando entrevistas, participando de eventos com fãs, dando clínicas e aparecendo para seus patrocinadores.

Depois do Rio, o mineiro foi para Acapulco, jogar um ATP 500 na quadra dura, em vez de jogar no Brasil Open, em São Paulo, no saibro. A decisão provocou críticas públicas de Flávio Saretta em uma sequência de tweets.

“Semana de Brasil Open! Torneio que existe desde 2001! Sempre muito valorizado pelos tenistas brasileiros!! Tão valorizado que até o número 1 do mundo jogava! E tive a noticia que Marcelo e Bruno Soares optaram por jogar em Acapulco. Gosto dos dois desde sempre, mas não posso concordar com essa decisão e atitude! Sabemos das imensas dificuldades de se fazer um torneio ATP no Brasil pelos custos, etc! Sempre valorizamos demais esse torneio no Brasil! Um orgulho jogar um ATP no nosso país!! Por isso confesso que achei um absurdo os dois jogarem no México e não no Brasil! Fora a troca que é estar perto de quem torce por vc e não tem a oportunidade de ver vc jogar de perto!!! Escolha errada dos dois! Uma pena…”

Sim, seria ótimo ter Soares e Marcelo Melo (que também foi a Acapulco) jogando mais uma semana no Brasil, mas é preciso entender os motivos de ambos. Primeiro, os dois preferem jogar em quadras duras. Não por acaso, Bruno venceu dois Slams no piso ao lado de Jamie no ano passado. Mas não é só isso. Além de Acapulco ser um torneio mais importante, é uma semana de jogos na quadra dura antes de um evento ainda maior: o Masters de Indian Wells, no piso sintético.

Dizer que Soares e Melo precisariam fazer mais esforço para jogar no Brasil me parece forçar a barra. Os dois, afinal, estiveram no Brasil. E Bruno, especialmente, fez todo tipo de atividade para divulgar o torneio, o tênis e seus patrocinadores. O torcedor brasileiro teve a chance de vê-los. Só quem não foi ao Rio (caso de Saretta) ou não ficou a semana inteira não viu isso.

Além disso, os dois mineiros deveriam ter um pouquinho mais de crédito (é só minha opinião). Soares jogou o Brasil Open todos os anos desde 2009. Sempre trouxe seus parceiros. Foi campeão três vezes e, na maioria das vezes, atuou em quadras secundárias – inclusive naquele precário e improvisado Mauro Pinheiro. Em um de seus títulos, fez apenas um jogo na quadra central (a final). Melo viveu situações parecidas e, até este ano, só havia ficado ausente em 2014.

Por fim (não que o resultado mudaria algum dos argumentos acima), Soares e Murray foram campeões em Acapulco, somando 500 pontos e ganhando embalo antes do primeiro Masters 1.000 do ano.

Marcelo Melo

O mesmo caso de Bruno, só que com um agravante. Marcelo e seu parceiro, Lukasz Kubot, ainda não encontraram ritmo. E como jogam melhor em quadras duras, estavam em Roterdã (um ATP 500) em vez de Buenos Aires. No Rio, perderam para Peralta e Zeballos nas quartas. Depois, partiram para Acapulco, onde caíram na estreia diante de Santiago González e David Marrero.

Depois do Australian Open, Melo já dizia no “Pelas Quadras”, da ESPN, que era preciso encontrar um equilíbrio na parceria. A queixa (velada) era em respeito ao jogo kamikaze de Kubot. No Rio, o mineiro deu declarações parecidas. Disse que gosta de um jogo com menos velocidade e mais equilibrado e deu a entender que o Masters de Miami será o momento para avaliar se o time com Kubot tem futuro.

André Sá

Jogou com Tommy Robredo em Buenos Aires e no Rio e caiu na estreia em ambos. Em São Paulo, ao lado de Rogerinho, foi longe e conquistou o título. Saiu do saibro levando 250 pontos, o que não é nada ruim.

Marcelo Demoliner

Fez Buenos Aires-Rio-SP com seu parceiro habitual, o neozelandês Marcus Daniell. Também passou em branco na Argentina e no Rio. Também foi à decisão no Pinheiros. Somou 150 pontos.


Rio Open, dia 6: Thiem com folga, drama para Ruud e colombianos destronados
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Alexandre Cossenza

Sem brasileiros, o Rio Open viu as semifinais de simples e a decisão de duplas neste sábado. Apenas Dominic Thiem venceu sem sustos. Houve drama na segunda semi e na excelente decisão de duplas, vencida por Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta, que destronaram os colombianos Cabal e Farah.

A queda colombiana

Campeões do Rio Open em 2014 e 2016, Juan Sebastian Cabal e Robert Farah estiveram a dois pontos de um terceiro título, mas foram derrotados em um jogo de altíssimo nível pela dupla formada por Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta: 6/4, 5/7 e 10/8. Foi um torneio enorme de uruguaio e espanhol, especialmente em momentos delicados. Na sexta-feira, Cuevas e Carreño Busta salvaram um match point na semifinal contra Bruno Soares e Jamie Murray. Neste sábado, estiveram perdendo o match tie-break por 4/1, mas conseguiram a virada.

Uruguaio e espanhol disputaram no Rio apenas seu segundo torneio juntos e ainda não perderam. Em Buenos Aires, na semana passada, abandonaram antes da semifinal. A parceria vai continuar em São Paulo, mas não parece ter futuro – pelo menos por enquanto. Carreño Busta foi vice-campeão do US Open e quadrifinalista do Australian Open ao lado de Guillermo García López e disse, após o título, que voltará em breve a atuar com o compatriota.

Para Cuevas, que foi eliminado nas simples logo na primeira rodada, a vitória nas duplas foi um belo troféu de consolação – além de manter viva uma curiosa série no Brasil. Em três torneios ATP, o uruguaio foi campeão em três. Ano passado, venceu nas simples no Rio Open e no Brasil Open, em São Paulo.

Thiem: o passeio do favorito

Não foi lá o mais emocionante dos jogos. O primeiro set, com a quadra central pelo menos metade desocupada, deu até sono enquanto Dominic Thiem abria 4/0 sobre Albert Ramos Viñolas. O austríaco também começou a segunda parcial com uma quebra, e só houve emoção mesmo quando Thiem deu uma bobeada e perdeu o serviço sacando em 4/3. Só que a graça do jogo durou pouco. O cabeça 2 quebrou de novo logo na sequência e fechou em 6/1 e 6/4.

Mesmo vindo de Roterdã, onde jogou em quadras duras indoor, Thiem tira o melhor de seu tênis no saibro carioca. O saibro lhe dá o tempo necessário para preparar os golpes – inclusive a longa esquerda – e gerar potência e efeito. É claro que a chave que se abriu para Thiem no Rio ajudou. Ele chega à final de um ATP 500 após bater Tipsarevic (#96), Lajovic (#97), Schwartzman (#51) e Ramos Viñolas (#25). Em comparação com seu único título de ATP 500 até hoje, Thiem enfrentou Dzumhur (#95), Tursunov (#1045), Dimitrov (#7), Querrey (#43) e Tomic (#21) quando foi campeão em Acapulco, no ano passado.

Carreño Busta: maturidade e match point salvo

Antes de vencer a final de duplas, Pablo Carreño Busta já havia triunfado em outra partida tensa. Por um set e meio durante a segunda semifinal de simples, o domínio foi de Casper Ruud, o norueguês de 18 anos que chegou como convidado e surpreendeu meio mundo no Rio de Janeiro. E faltou só um pontinho para Ruud estar na final. Depois de vencer o set inicial, Ruud abriu 3/1 na segunda parcial, mas foi no quinto game que a coisa começou a desandar. O norueguês perdeu o serviço com uma dupla falta e, de repente, a partida ficou parelha. Quebra para cá, quebra para lá, e Ruud teve um match point no serviço de Carreño Busta no décimo game. O espanhol se salvou, quebrou na sequência e fez 7/5.

Foi aí que, pela primeira vez no torneio, a idade e a falta de experiência de Ruud se manifestaram. Depois do match point perdido, o adolescente não conseguiu fazer mais nada. Carreño Busta, 25 anos e #24 do mundo, aproveitou. Manteve-se sólido, tomou a dianteira e não olhou mais para trás: 2/6, 7/5 e 6/0.

A final no domingo

Thiem e Carreño Busta se enfrentam às 17h. Será o quinto duelo entre eles, e o austríaco vem em uma sequência de três vitórias. Ao todo, são cinco confrontos, com apenas um triunfo do espanhol, que aconteceu em 2013, na final do Challenger de Como. Thiem venceu o primeiro confronto em um Future em Marrocos, em 2012. Depois, triunfou em Como/2013, Gstaad/2015, Buenos Aires/2016 e US Open/2016.


Rio Open, dia 4: Bellucci ‘morto’, Melo em crise e Soares com drama
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Alexandre Cossenza

Que dia para os brasileiros no Rio Open! Primeiro, houve drama na Quadra 1 com Bruno Soares e Jamie Murray desperdiçando chances e match points. Depois, a eliminação nas quartas de final deixou Marcelo Melo chateado e reavaliando a parceria com o polonês Lukasz Kubot. Por fim, o duelo brasileiro na quadra central terminou com uma cena desagradavelmente familiar: Thomaz Bellucci esgotado fisicamente. Melhor para Thiago Monteiro, que avançou, terá o melhor ranking da carreira e uma chance rara de ir até as semifinais de um ATP 500.

Bellucci traído pelo físico mais uma vez

Era para ser uma partida equilibrada entre dois tenistas que se conhecem bastante e treinam juntos. Até foi assim, mas só durante o primeiro set. O segundo foi morno, e o terceiro deixou óbvio: com menos de duas horas de duelo, Thomaz Bellucci estava esgotado. Thiago Monteiro aproveitou e avançou às quartas de final: 7/6(8), 3/6 e 6/3.

Em vez de ver o Bellucci paciente, taticamente inteligente e preciso de terça-feira, o público que esteve no Jockey Club Brasileiro infelizmente viu o Bellucci mais frequente. Irregular, perdendo chances – inclusive um set point no saque no primeiro set – e sofrendo com o preparo físico. Após o jogo, o paulista chegou à zona mista (onde são realizadas as entrevistas curtas pós-jogo) abatido e chateado. “Morri no terceiro set”, disse, com todas as letras.

Bellucci afirmou, inclusive, que já sentia dificuldades no segundo set, sem conseguir imprimir um volume bom de jogo. A declaração é preocupante porque, ainda que disputado na umidade carioca, o duelo foi realizado à noite, em uma temperatura de 27 graus, e Bellucci estava pregado com menos de 2h de jogo.

Tão preocupante quanto a última frase de Bellucci aos jornalistas. “É vida que segue. Não foi o primeiro jogo que perdi porque não consegui aguentar fisicamente. É seguir trabalhando.”

Os méritos e o melhor ranking de Monteiro

Embora os problemas físicos de Bellucci tenham privado os espectadores de ver um terceiro set equilibrado, é preciso lembrar dos méritos de Thiago Monteiro. Primeiro, ao salvar dois set points no tie-break do primeiro set. Depois, mais tarde, ao sair de um delicado 0/30 no primeiro game do terceiro set e emendar com uma quebra de saque. Foi, inclusive, a única da parcial decisiva.

Com a vitória, Monteiro alcançará o melhor ranking da carreira. Mesmo que perca nas quartas, o cearense de 22 anos deve aparecer entre os 75 melhores na próxima atualização da lista da ATP. Ainda não será suficiente para se tornar o #1 do Brasil, já que Bellucci também está ganhando posições nesta semana. Monteiro só ultrapassará o paulista se vencer mais um jogo no Rio de Janeiro.

Derrota e parceria em xeque para Marcelo Melo

Marcelo Melo e seu parceiro, o polonês Lukasz Kubot, foram eliminados pelo chileno Julio Peralta e o argentino Horacio Zeballos: 6/4 e 6/4. O resultado não deixou o mineiro nada contente. A parceria com Kubot, iniciada em janeiro, só rendeu quatro vitórias e quatro derrotas até agora.

Melo não é conhecido por frases fortes, então é preciso pescar pequenos indícios dentro de suas frases. E as declarações desta quinta deixaram escapar – pelo menos foi essa a impressão de quem estava lá na zona mista – que o mineiro está preocupado quanto ao futuro da parceria com o polonês.

“Normalmente, eu me adapto muito bem [a parceiros de estilos diferentes], mas não adianta a gente jogar muito kamikaze e bomba pra todo lado. Eu gosto de um jogo mais controlado, mais sólido. Às vezes, com menos velocidade e mais porcentagem. A gente precisa encontrar esse balanço porque eu sou mais desse estilo. O Lukasz é mais agressivo. Tem dia que não entra a bola e nós vamos perder para qualquer dupla! Nós precisamos encontrar esse equilíbrio para ver se a gente consegue manter a dupla – para evoluir porque tem que tentar até certo ponto encontrar esse equilíbrio, senão não adianta seguir.”

Drama com Bruno e Jamie na Quadra 1

Bruno Soares e Jamie Murray estiveram a dois pontos da eliminação nesta quarta-feira, mas conseguiram uma apertada vitória sobre os argentinos Diego Schwartzman e Andres Molteni: 6/3, 5/7 e 11/9. Não parecia que seria assim quando brasileiro e escocês venceram cinco games seguidos no primeiro set, mas o jogo ficou nervoso quando o mineiro foi quebrado no 12º game da segunda parcial, o que forçou um match tie-break.

O set de desempate também parecia sob controle quando Soares e Murray abriram 9/5, mas a parceria desperdiçou dois mini-breaks e viu os argentinos empatarem em 9/9. Molteni, então, arriscou uma devolução de backhand, mas mandou a bola ao lado. No quinto match point, Schwartzman estranhamente furou um voleio – o que fez a torcida finalmente comemorar um tanto aliviada.

Será a quarta vez de Bruno Soares nas semis do Rio Open. O mineiro, porém, nunca chegou à final. Na coletiva, ele disse que uma vitória assim, vencida com momentos nervosos, vai ajudar na rodada seguinte. Sobre a partida, os dois ressaltaram as ótimas devoluções de Molteni, que equilibraram o confronto, mas o mineiro ressaltou que perdeu duas boas chances no segundo set. Primeiro, em um voleio no 4/4, com break point a favor. Mais tarde, com uma devolução errada no ponto decisivo do 5/5.

Pelo menos no papel, a semi não será nada simples, já que os adversários serão Pablo Carreño Busta e Pablo Cuevas. Espanhol e uruguaio passaram pelo argentino Facundo Bagnis e pelo português Gastão Elias por 6/4 e 7/5.

O convite bem aproveitado e o telefonema na quadra

Casper Ruud, desconhecido norueguês número 208 do mundo que ganhou um convite da organização para disputar o Rio Open, continua aproveitando a ótima chance. O adolescente de 18 anos bateu, de virada, o espanhol Roberto Carballés Baena e avançou às quartas de final por 6/7(4), 6/4 e 7/6(3).

Agenciado pela IMG, a dona do torneio, Ruud foi mostrado pela transmissão ao telefone ainda antes de sair da quadra. Depois, revelou que a ligação era de seu empresário – o mesmo que conseguiu o convite – que comemorava a vitória do atleta. Já é a melhor campanha da carreira de Ruud no circuito ATP, e o norueguês que mora e treina na Espanha vem mostrando golpes sólidos, cabeça no lugar e um ótimo preparo físico no calor e na umidade do Rio de Janeiro.

De qualquer maneira, será uma chance rara para Thiago Monteiro. Não é todo dia que alguém pode alcançar as semifinais de um ATP 500 enfrentando nas quartas um adversário que não está nem no top 200. Até agora, o cearense aproveitou as oportunidades que teve.

Bolinhas polêmicas são as melhores fabricadas pelo patrocinador

Em quatro anos de evento, o Rio Open acumula queixas sobre as bolinhas usadas pelo torneio. A lista de reclamões inclui Rafael Nadal, Kei Nishikori e Dominic Thiem, só para ficar nas estrelas internacionais. Bruno Soares também sempre falou que as bolas são muito duras e difíceis de controlar.

Perguntei sobre isso a Lui Carvalho, diretor do torneio. Ele afirma que as bolas usadas no Rio são as melhores fabricadas pela Head, patrocinadora do torneio. Vale lembrar que Nadal, uma vez, chegou a dizer que a ATP não deveria aprovar essas bolas para uso em seus torneios.

A quadra que não enche

Há vários motivos para os assentos constantemente vazios na quadra central do Rio Open. Preços, horários, calor, patrocinadores, atrações fora da quadra, falta de um nome de maior peso para a venda de ingressos… Tudo tem sua influência, em grau maior ou menor. Mas não deixa de ser lamentável ver tantos espaços em branco durante os momentos mais emocionantes do torneio.

A foto do tweet acima, por exemplo, foi feita durante o tie-break do primeiro set entre Bellucci e Monteiro. Dois tenistas da casa, jogando em horário nobre, à noite (menos calor), com muita coisa em jogo. Depois, ao fim da partida, com o jogo entrando pela madrugada, o público era bem menor.

O melhor da sexta-feira:

A programação começa mais cedo, às 15h, em vez de às 16h30min. As quatro quartas de final serão na quadra central, com Monteiro fechando o dia contra Ruud. As semifinais de duplas serão na Quadra 1, conforme o previsto, com início marcado para as 17h.


Rio Open, dia 2: a recompensa pela adaptação de Thomaz Bellucci
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Alexandre Cossenza

Se não foi o melhor dos cenários, o sorteio para estrear contra Kei Nishikori nunca foi a mais azarada das possibilidades para Thomaz Bellucci (e eu falei sobre isso nesta análise para o Rio Open). Com uma atuação competente e taticamente (quase) impecável, o brasileiro mostrou que adaptação faz diferença. Chegou cedo ao Rio de Janeiro, acostumou-se à quadra central e às bolas. Estava afiado para a estreia. O japonês, que estava em Buenos Aires até segunda-feira, deixou nítida a diferença. No grande jogo do dia, Bellucci derrubou o cabeça 1 do Rio Open e avançou às oitavas de final por 6/4 e 6/3.

Só que a terça-feira carioca também teve uma bela virada de Thiago Monteiro sobre Gastão Elias, além de Dominic Thiem, cabeça 2, confirmando seu favoritismo sobre Janko Tipsarevic. O resumão do dia traz análises dos jogos mais importantes, o que rolou de bom nas entrevistas coletivas e o que esperar da quarta-feira, que estará cheia de duplas. É só rolar a página e ficar por dentro.

Bellucci preciso, paciente e empolgante

Thomaz Bellucci apostou na regularidade. Devolveu os saques de Kei Nishikori lá do fundão, colocou bolas em jogo e acreditou que a consistência seria recompensada. O japonês, que chegou ao Rio só na segunda-feira cansado de uma semana longa em Buenos Aires, deixou nítida sua falta de adaptação ao torneio carioca. Enquanto Bellucci alongava as trocas de bolas, Nishikori cometia erros e perdia a paciência.

Nishikori nem conseguiu aproveitar quando Bellucci desperdiçou a quebra de vantagem depois de abrir 40/0 no quarto game. O brasileiro continuou com o mesmo plano de jogo e foi recompensado, quebrando uma indesejável série de 22 derrotas diante de adversários do top 10. A última havia sido contra Janko Tipsarevic (então #8) em Gstaad/2012.

O tênis mostrado por Bellucci nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, foi um pouco do que todos gostam e sabem que ele pode jogar. Em vez de atacar o tempo todo e cometer pilhas de erros não forçados, conteve o instinto afobado, se defendeu bem e exigiu que o adversário fizesse uma boa partida para vencê-lo. Nishikori não conseguiu, e o paulista avança às oitavas de final para encarar Thiago Monteiro.

Nas coletivas, Nishikori, primeiro a aparecer, disse que as condições do Rio estão muito diferentes das de Buenos Aires e que nada deu certo no seu jogo. O japonês disse até que foi sua pior partida dos últimos anos e que, para ele, Bellucci nem fez um grande jogo.

“O quique é muito alto, e as bolas são muito pesadas. As bolas foram o mais difícil de me acostumar. Não consegui sentir nada. Não era meu dia. Não acho que ele também jogou um grande tênis.”

Bellucci concordou parcialmente. Disse que não foi o melhor jogo de sua vida, mas obviamente saiu contente com sua postura tática e com o resultado. E afirmou também que teve sua parcela de mérito pela noite ruim de Nishikori. Bellucci só não abriu o jogo quando foi indagado sobre os resultados dos sets disputados contra Monteiro nos treinos. Respondeu “Ah, não vou dizer” e sorriu. Depois, disse “é pau a pau” e riu um pouco mais, feliz da vida.

Um ano depois, um Thiago Monteiro mais “parte desse meio”

Não foi um começo de Rio Open para Thiago Monteiro. Em compensação, sobraram foco e esforço para superar os momentos delicados e bater o português Gastão Elias por 2/6, 7/6(4) e 6/4. O cearense perdeu o serviço nas duas primeiras vezes que sacou e viu um Elias mais sólido disparar na frente e fechar o set.

A segunda parcial já foi bem diferente, o Monteiro confirmando com mais facilidade, só que ainda faltava ameaçar o serviço do português. O cearense, então, se viu em um momento delicadíssimo quando sacou em 3/4 no tie-break. Mesmo assim, jogou dois pontos com o segundo serviço e se safou. Elias, que errou por centímetros uma direita que lhe daria um mini-break, acabou vacilando em seguida. Foi aí que o jogo mudou de vez.

No set decisivo, Monteiro quebrou Elias no terceiro game. O português, frustrado com as chances perdidas (também perdeu três break points no segundo game do terceiro set), atirou a raquete no chão, discutiu com o público e viu a banda passar. Ainda teve pequenas chances, mas nada concreto.

Na coletiva, Monteiro, um ano depois do triunfo sobre Jo-Wilfried Tsonga que praticamente iniciou sua ascensão rumo ao top 100, falou sobre como é mais reconhecido pelos adversários e o quanto isso faz bem à sua carreira.

“Eu tenho treinado mais com eles, conhecido melhor alguns. É bom ter essa relação, poder marcar um treino em algum lugar específico também. Isso tem sido um fator importante, é legal ter esse reconhecimento. Eu me sinto cada vez mais fazendo parte desse meio, então isso é importante para mim.”

Thiem em seu habitat preferido

As condições são ideais e, mesmo sem estar (ainda) tão à vontade no Rio de Janeiro, Dominic Thiem mostrou por que é favorito ao título do evento – ainda mais agora, após a eliminação de Nishikori. O austríaco ficou bem confortável muito atrás da linha de base, usando a velocidade da quadra e o quique das bolas pesadas para se impor diante de Janko Tipsarevic por 6/4 e 7/5.

Os coadjuvantes (por enquanto?) de luxo

Do jeito que a organização precisou encaixar os jogos, a Quadra 1 foi palco de três jogos bastante interessantes. Primeiro, Fabio Fognini bateu Tommy Robredo por 6/2 e 6/4. Depois, Pablo Carreño Busta eliminou Feijão por 6/3 e 6/2. Por último, Alexandr Dolgopolov aumentou a fase ruim de David Ferrer ao aplicar 6/4 e 6/4.

Ferrer agora soma três derrotas consecutivas e um retrospecto total de três triunfos e cinco reveses em 2017. O espanhol, que chegou ao Rio falando que estava sendo difícil se acostumar a perder com mais frequência do que o habitual, acaba amargando mais um resultado negativo.

Dolgopolov, por sua vez, soma sua sexta vitória seguida. O ucraniano, campeão em Buenos Aires, bateu Tipsarevic, Cuevas, Gerald Melzer, Carreño Busta, Nishikori e Ferrer no período. Uma sequência invejável e que o coloca como sério candidato ao título no Rio, já que Dolgo não teve os mesmos problemas de adaptação que Nishikori – ou, pelo menos, não sofreu com a mesma intensidade.

Duplas: o melhor da quarta-feira

O terceiro dia do Rio Open não tem lá uma programação das melhores para a quadra central, mas compensa com uma empolgante Quadra 1, com brasileiros em todos os jogos. Além dos times de Bruno Soares e Marcelo Melo, que são cabeças de chave 1 e 2, Bellucci e Monteiro jogam juntos antes de seu duelo nas simples, e André Sá tenta deslanchar na temporada 2017.


O que falta para o Centro Olímpico ser mesmo do tênis brasileiro?
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Alexandre Cossenza

GigantesdaPraia_cbv2_blog

No último fim de semana, a CBV realizou, em parceria com a TV Globo, um evento de vôlei de praia no Centro Olímpico de Tênis. Cerca de 280 toneladas de areia foram colocadas na quadra central, transformando o palco da final entre Andy Murray e Juan Martín del Potro em uma praia tropical, com direito a pequenas palmeiras e tudo mais.

Visualmente, ficou tudo muito bonito – como mostra a foto acima. Mas a imagem também levanta uma série de perguntas:

– Por que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) está usando as instalações do tênis, enquanto a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), que tanto falou em usar o local como sua casa, acaba de levar sua sede de São Paulo para Florianópolis?

– Por que a Asics, que tanto investiu no tênis recentemente, optou por não renovar os contratos de quase todos seus tenistas (só Bruno Soares foi renovado) e levar seu dinheiro para o vôlei?

Seria porque a CBV tem um CEO profissional? Ou porque tem um CT organizado e bem estruturado? Ou porque tem um trabalho de base eficiente, que gera novos talentos a cada ano? Ou porque organiza uma bela liga profissional? Ou porque simplesmente conquista resultados em nível mundial? Ou porque seu presidente não é réu em um processo na Justiça Federal?

Nos últimos dias, procurei CBT, CBV, Asics e Ministério do Esporte. Também consultei pessoas do meio que falaram em condição de anonimato. As respostas, infelizmente, trazem poucas novidades. A CBT continua falando em “intenções”, com nenhum resultado prático. O Ministério do Esporte ainda trabalha para estabelecer procedimentos. De prático mesmo, só as ações e o evento da CBV. Vejam quem disse o quê:

GigantesdaPraia_cbv3_blog

Gigantes da Praia

Por que a CBV teve direito a usar a quadra central para seu evento? Porque foi competente e reconheceu no espaço uma oportunidade. Procurou o Ministério do Esporte, fez uma proposta e teve sucesso. Em vez de gastar mais de R$ 1 milhão de reais em um evento na praia, fez tudo com um orçamento de aproximadamente R$ 500 mil no Centro Olímpico. No espaço do tênis, a CBV deixou de gastar com montagem de estrutura e com taxas pagas à União pelo uso do espaço na praia. No fim das contas, uma economia estimada em mais de 50%.

Em troca pelo uso do local, a CBV se comprometeu a instalar alguns guarda-corpos, a fazer a limpeza do Centro Olímpico de Tênis e a dar retoques de pintura na instalação. A entidade que comanda o vôlei também prometeu tomar todos cuidados para não danificar a quadra de tênis. Usou três camadas de lona de alta resistência para cobrir o espaço que recebeu a areia, evitando contato direto; instalou um tablado no percurso onde a mini carregadeira passava levando areia; e vedou o sistema de escoamento com mantas impermeáveis para evitar que chuva ou vento levassem areia aos dutos.

A operação de montagem da arena de vôlei de praia contou com 11 pessoas e durou quatro dias. Números e informações foram passadas ao autor deste blog pela própria CBV.

Lacerda_Westrupp_Andujar_blog

CBT: ainda só na intenção

Se há uma possibilidade de usar o Centro Olímpico como casa do tênis, por que a CBT se apressou tanto ao levar sua sede de São Paulo para Santa Catarina no fim do ano passado? Será mesmo que a entidade quer se basear no Rio? Há tempos, o presidente da CBT, Jorge Lacerda, fala em aproveitar o Centro Olímpico. No entanto, não se viu nada de prático até hoje. Enviei perguntas à CBT e obtive as respostas abaixo – assinadas por Lacerda.

A CBT ainda tem interesse de usar o COT como sede da entidade?
A CBT foi a primeira Confederação a buscar o diálogo com as entidades então responsáveis, demonstrando total interesse desde sempre.

Que medidas a entidade tomou junto ao Ministério?
Tivemos uma conversa produtiva hoje (segunda-feira, dia 6 de fevereiro) com o ministro Leonardo Picciani e vamos buscar avançar na parceria e viabilidade de absorção do legado olímpico de tênis.

O que falta para que o COT venha a ser, de fato, a sede da CBT?
O Ministério assumiu no dia 23/12/16 a administração do Parque Olímpico. Embora recente, o ME já está buscando conversar com as Confederações, inclusive a CBT para, em conjunto, encontrar a melhor solução de forma que o parque olímpico do tênis seja dirigido pela CBT.

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Ministério: fase de estudos

O Ministério do Esporte, que passou a ser o responsável pelo Parque Olímpico em dezembro, ainda não definiu um conjunto de procedimentos para o uso das instalações. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, que enviou as respostas abaixo (reproduzidas na íntegra), tudo ainda está em fase de estudos.

Qual o procedimento para que alguém tenha o direito de usar o Centro Olímpico de Tênis?
Havendo interesse de alguma entidade/órgão em utilizar qualquer uma das arenas sob responsabilidade do Ministério do Esporte, deverá enviar um ofício manifestando interesse e data do evento.

Qual o custo por dia?
Ainda não há definição de custo. O Ministério está elaborando uma proposta de custos por meio de estudos da legislação específica. Os eventos testes servem para ajustar os parâmetros de cobrança a serem estabelecidos.

Qualquer empresa (pública ou privada) pode alugar o local?
Nas áreas de propriedade da União a permissão de uso é aberta para todos (empresa pública ou privada). No caso do Parque Olímpico, em posse do Ministério do Esporte, os estudos avançam para a utilização dos mesmos parâmetros das áreas de propriedade da União.

Que requisitos são necessários preencher para que alguém tenha o direito de usar o Centro Olímpico de Tênis?
Consideramos que estamos na fase de estudos para definição de critérios objetivos, estamos realizando eventos testes exclusivamente com entidades do desporto.

A CBT já procurou o Ministério para negociar o uso do Centro Olímpico de Tênis como sede da entidade?
Positivo, inclusive a CBT na data de hoje [segunda-feira, 6 de fevereiro] formalizou sua intenção em construir um calendário futuro para a utilização do Centro de Tênis. A negociação ainda está em andamento.

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Banana Bowl: é possível?

É inevitável mencionar o Banana Bowl, importante evento juvenil realizado pela CBT e que mudou de sede novamente este ano – foi levado para Criciúma e Caxias do Sul, onde está sendo realizado nesta semana. Seria fantástico – e simbólico inclusive – se um evento desse porte fosse realizado no Centro Olímpico. Seria o maior dos legados. Uma instalação herança dos Jogos Olímpicos sendo usada para o benefício de jovens atletas.

É óbvio que não é simples assim. As quadras do Centro Olímpico são de piso duro, e o Banana Bowl é jogado em saibro – inclusive está encaixado em uma parte do calendário internacional que prioriza a terra batida. Mas será que um dia poderíamos ver algo assim acontecendo? Seguem respostas de Jorge Lacerda sobre o assunto:

Por que o Banana Bowl foi levado para Caxias e Criciúma?
O Banana Bowl não tem sede fixa. É um torneio que possui um caderno de encargos robusto, e que exige a necessidade que a CBT busque parceiros para a realização do mesmo. As Federações gaúcha e catarinense, juntamente com os clubes e governos locais, que estão recebendo as categorias 14/16 (Recreio da Juventude/Caxias) e 18 anos (Sociedade Recreativa Mampituba/Criciúma), estão engajadas nesse processo e viabilizando parceiros locais, mantendo a qualidade do evento e minimizando os custos.

O que seria necessário caso a CBT desejasse realizar o Banana Bowl no Centro Olímpico de Tênis? Quais seriam as formalidades junto à ITF?
A CBT sempre vai buscar equacionar as questões financeiras com a melhor entrega do evento para os tenistas, técnicos e espectadores. Para encontrar a fórmula ideal, é necessária a participação das entidades regionais, inclusive os Governos Estaduais e/ou Municipais. Não há dúvidas de que uma vez tendo estas questões dirimidas, o Centro Olímpico de Tênis tem todas as condições de receber o Banana Bowl. De qualquer forma, a CBT nunca falou em fazer o Banana Bowl neste ano no COT, pois a decisão teve que ser tomada no ano passado, época em que o COT ainda estava sobre posse da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, sem definição de quando poderia ser utilizado.

É viável financeiramente fazer o Banana no COT?
É viável, mas são necessárias as parcerias citadas anteriormente. O Banana Bowl demanda, por regra, oferecer hospedagem, alimentação e transporte para todos os técnicos e jogadores, em hotel padrão 4 estrelas, só para citar um dos exemplos de custos que se tornam elevados para a promoção do mesmo.

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Asics: os números e a opção pelo vôlei

O grande elefante na sala é a Asics, fabricante de material esportivo que deixou o tênis no fim de 2016 para investir pesado no vôlei. O porquê da mudança? Algum porta-voz da empresa poderia ter escolhido um dos motivos que listei no quinto parágrafo deste texto. No entanto, a assessoria de imprensa da Asics informou que a marca não se pronunciaria sobre o assunto.

Sem uma posição oficial, recorri a contatos com bom trânsito no meio e que tiveram acesso a detalhes de conversas contratuais. Segundo essas pessoas, que falaram em condição de anonimato, a decisão foi tomada unicamente pelo atual presidente da Asics Brasil, Gumercindo Moraes Neto, que assumiu o cargo em agosto de 2015. Na época, os contratos do tênis estavam em curso. Ao fim de 2016, quase nenhum compromisso foi renovado na modalidade (Bruno Soares é exceção).

Gumercindo Moraes Neto é visto no meio como uma pessoa “de números” e com pouca intimidade com o esporte. Com essa visão, é fácil entender o investimento em um esporte com mais visibilidade em TV aberta, que traz medalhas e todo tipo de resultados e que, segundo todas pesquisas, é a segunda modalidade mais praticada no país. Mas será que a volta ao vôlei precisava significar a saída quase total do tênis?

Coisas que eu acho que acho:

– Pode ser paranoia ou pessimismo (e meu pessimismo não é segredo nenhum), mas me preocupa o fato de a CBT insistir em dizer que tem interesse em usar o Centro Olímpico como sua sede, mas o Ministério do Esporte responder que a CBT fala “na intenção em construir um calendário futuro para a utilização do Centro de Tênis”. Mas se você é otimista, a ausência da palavra “sede” na resposta do Ministério não deve indicar nada.

– Com a CBV deixando bastante claro o quanto se economiza ao aproveitar as instalações prontas do Centro Olímpico de Tênis, fica mais difícil para a CBT justificar, no futuro, a realização de um confronto de Copa Davis fora do Rio de Janeiro. Digo “mais difícil”, não “impossível”. Afinal, já ouvimos explicações, digamos, “criativas” durante a gestão de Jorge Lacerda.

– O Centro Olímpico também poderia ser palco do torneio WTA que a CBT realizou em Florianópolis nos últimos anos. Após uma primeira edição promissora, a entidade não conseguiu atrair nomes e transformou um evento internacional em um torneio minúsculo, com apelo apenas regional. O último, realizado na semana anterior aos Jogos Olímpicos, beirou a insignificância. O evento foi vendido pela CBT e será realizado em outro país.

– A nota triste do fim de semana fica por conta do furto de uma câmera e uma lente do fotógrafo Alexandre Loureiro, que trabalhou no Gigantes da Praia, no Centro Olímpico de Tênis. São deles, inclusive, as primeiras imagens deste post.

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O que me incomoda na Copa Davis
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Alexandre Cossenza

Este não é um texto sobre fatos. É um post essencialmente de opinião, como quase tudo neste blog. Se você vem ao Saque e Voleio em busca só de notícias, está no lugar errado. E hoje, fim de semana de Copa Davis, é daqueles dias em que volta à tona o velho discurso do “a Davis precisa mudar”, baseado em qualquer que seja o motivo da semana – sempre há um diferente.

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Sou apaixonado por Copa Davis. Se um dia eu comecei a gostar de tênis, a competição por países tem muito a ver com isso. Gosto do formato em melhor de cinco sets, gosto dos zonais, gosto de o duelo ser sempre na casa de um dos times e gosto – até disso – de nem todos grandes tenistas estarem sempre na Davis. E é esse o argumento da vez para os críticos. Apenas cinco tenistas do top 20 estão em ação nesta semana. Muito pouco, dizem. Trato disso mais à frente. Por enquanto, meu desabafo tem dois pontos, e o que me incomoda na Copa Davis não é exatamente a Copa Davis.

Um: tenistas são chatos. Dois: tenistas têm poder demais. Chatos porque gostam de encher a boca e dizer que é sempre preciso se adaptar no tênis, que tenista é um animal adaptável, blablabla, mas querem jogar sempre nas mesmas condições. Não gostam de trocar de piso no meio da temporada e querem os torneios pré-slam com as mesmas condições dos slams. As bolinhas em Cincinnati são diferentes das do US Open? Nossa, um crime! O Rio Open é no saibro, mas tem Indian Wells na dura três semanas depois? Não jogo!

Tudo tem que ser igualzinho e perfeitinho para que o tenista chegue num Masters 1000, jogue bem, suba no ranking e aumente em US$ 100 mil aquele cachê que ele recebe para chegar num ATP 250, tirar foto num ponto turístico, jogar um tênis meia-boca e perder nas oitavas.

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E não adianta reclamar porque eles têm o poder nas mãos. Todo ATP 250 e 500 precisa puxar saco desses caras (é só olhar o papel ridículo que fazem as redes sociais de alguns eventos) porque sem eles não existe público. Quando aceitaram criar mini-circuitos (torneios de saibro antes de RG, eventos de grama só antes de Wimbledon), concentraram mais ainda os títulos nas mãos de uns poucos. Não por acaso, três tenistas completaram o career slam nos últimos anos. Mas isso é outro assunto. Aqui, agora, o que importa é que os torneios viraram reféns.

É inútil, por exemplo, o diretor do Rio Open dizer que os torneios são a plataforma para os atletas porque se ano que vem não houver Rio Open, vai haver um evento em Ladário, Cochabamba ou Samoa Ocidental disposto a pagar cachês milionários. O poder é dos atletas e quanto maior seu lobby por mudanças na Davis, maior a chance de elas acontecerem – cedo ou tarde.

E podem me chamar de saudosista porque é saudade mesmo. Quando comecei a ver tênis, Copa Davis era aquela ocasião em que o tenista mostrava seu patriotismo abrindo mão de interesses pessoais para defender o país, saindo, sei lá, do inverno europeu para jogar no calor do capeta do Rio de Janeiro (e nem naquela época todos os tops jogavam). Hoje, mais e mais tenistas veem a Davis como um incômodo. Aquilo que atrapalha sua preparação, que atravanca seu ranking, que reduz o potencial de seu cachê.

Melhor de cinco ou melhor de três?

Há quem diga que mudar o formato para melhor de três atrairia mais tenistas da elite. É um argumento discutível que existe apenas no reino do teórico hoje em dia. Sim, reduziria o desgaste. Talvez funcionasse. Talvez. Mas certamente mudaria radicalmente a dinâmica coletiva da Copa Davis.

A essência da competição, afinal, é que times vençam. E se você reduz a duração das partidas, facilita a vida dos capitães que têm um jogador acima da média. Seria muito fácil escalar esse tenista nos três dias. Em melhor de cinco, nem tanto. O time tem mais importância. Mas quem será que está preocupado com a essência ou com a esportividade da Copa Davis? Há quem diga que nem a ITF, dona do negócio, dá muita bola para isso hoje em dia…

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Coisas que eu acho que acho:

– Em números, o que se diz é que apenas 5 tenistas do top 20 estão atuando neste fim de semana na Copa Davis. É verdade, como Bruno Soares mencionou na última quinta-feira. O tweet sugere que isso seria motivo para mudanças na Davis. Não concordo totalmente. E há questões de contexto importantes.

– Desses 15 ausentes, três não foram convocados (Monfils, Tsonga e Pouille) e dois pertencem a países que não jogam neste fim de semana (Thiem e Dimitrov). O número de ausências já cai para dez – ainda alto, mas tudo bem.

– Mas dessas dez ausências, é preciso considerar questões importantes como o envelhecimento do circuito. Federer, Wawrinka, Nadal, Berdych e Karlovic já passaram dos 30. O croata, inclusive, já havia se aposentado da Davis e voltou só para a final do ano passado – e apenas para ocupar o lugar do lesionado Coric. Esses nomes nem sempre jogam temporadas completas. Será que é justo colocá-los na conta do “formato da Davis”? Tenho minhas dúvidas.

– Outro ponto: quantos desses ausentes estiveram na segunda semana do Australian Open? Federer, Nadal, Wawrinka, Raonic e Goffin. Mais avaliada do que o formato da Davis, com melhor de cinco sets, talvez deveria ser a insanidade de quem encaixa a competição logo após um Slam. É um convite (às avessas) para que os melhores não joguem. E isso não é só formato. É calendário.

– Ainda sobre o calendário, tudo gira em torno de dinheiro. Nenhum torneio quer essas datas pós-slam, então parece fácil encaixar a Davis ali. Tão fácil quanto alegar que a competição precisa mudar de formato. No fim das contas, talvez seja possível fazer muita coisa para melhorar a Davis sem mexer no formato, mas aí algumas pessoas perderiam dinheiro. E quem está disposto a isso, hein?


AO, dia 13: Serena, Venus e uma celebração de sucesso em família
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Alexandre Cossenza

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Foi mais do que uma final de Grand Slam, até porque a partida não foi tão especial nem equilibrada assim. Mas foi um evento, uma cerimônia, uma celebração de duas carreiras fantásticas na mesma família. Foi o especial retorno de Venus Williams a uma decisão, mas também foi o 23º Slam de Serena, a irmã mais nova, a maior vencedora de Slams da Era Aberta – e agora de forma isolada.

Neste sábado, a Rod Laver Arena foi um palco para Venus reverenciar a irmã pelo #23, mas também pela carreira.

A quadra central do Australian Open também foi cenário de um emocionado discurso de Serena, reverenciou igualmente a irmã, dizendo que não teria sequer vencido um Slam sem ela – muito menos 23. “Ela é minha inspiração, o único motivo pelo qual estou aqui hoje e pelo qual as irmãs Williams existem.”

Sobre a partida, levou algum tempo para que Serena se impusesse. Foram quatro quebras de saque nos quatro primeiros games. Daí em diante, Venus não teve mais nenhuma chance de quebra. A número 2 do mundo quebrou no sétimo game, tanto no primeiro quanto no segundo set. O placar final mostrou 6/4 e 6/4.

De volta ao topo + top 10

Com o título Serena volta a ocupar a liderança do ranking da WTA. Ela sai de Melbourne com 7.780 pontos, contra 7.115 de Angelique Kerber, campeã do Australian Open no ano passado e que começou a semana como #1.

O top 10 a partir de segunda-feira terá, além das duas, Karolina Pliskova como #3, no melhor ranking de sua carreira, seguida de Simona Halep, Dominika Cibulkova, Agnieszka Radwanska, Garbiñe Muguruza, Svetlana Kuznetsova, Madison Keys e Johanna Konta. Venus aparece na 11ª posição, logo à frente de Petra Kvitova.

O lugar na história

A conversa sobre quem é/foi a melhor tenista de todos os tempos volta à tona sempre que Serena vence um Slam. Não é diferente desta vez. Em números, ela fica atrás apenas da australiana Margaret Court, que ganhou 24 torneios desse nível de 1960 até 1973.

Serena também é a maior campeã do Australian Open (sete troféus) e tem o maior número de vitórias (316) em Slams na Era Aberta – a partir de 1968.

Aos 35 anos, ela é ainda a mais velha a vencer um Slam na Era Aberta, a mais velha a chegar ao topo do ranking, e a dona do maior número (dez) de títulos de Slam na Era Aberta conquistados após completar 30 anos.

Além disso, a americana também é quem mais ganhou dinheiro em prêmios na carreira, com US$ 85,4 milhões, deixando muito longe atrás a segunda colocada – Maria Sharapova, com US$ 36,8 milhões.

O presente do #23

Michael Jordan, o #23 mais famoso do mundo e quase nunca contestado como o maior jogador de basquete da história, enviou, via ESPN, um presente especial.

Os campeões

Na chave de duplas masculinas, não foi desta vez que Bob e Mike Bryan voltaram a levantar um troféu de Slam. Os gêmeos americanos foram derrotados por Henri Kontinen e John Peers por 7/5 e 7/5.

Finlandês e australiano, aliás, nunca perderam para os Bryans. O jogo deste sábado marcou sua terceira vitória em três duelos. Em grande fase, Kontinen e Peers agora somam 16 vitórias nos últimos 17 jogos.

Os Bryans, que disputaram sua 30ª final de Slam, tentavam igualar o recorde do australiano John Newcombe, que conquistou 17 títulos de Slam nas duplas. Por enquanto, os americanos seguem empatados com Roy Emerson e Todd Woodbrigde, com 16 troféus.

P.S. Por causa de uma série de compromissos neste sábado, este post saiu mais curto do que eu desejava. Também estava nos planos um texto de prévia sobre a final masculina, mas a falta de tempo não me deixou fazer. Agradeço a compreensão. Volto depois de Federer x Nadal.


AO, dia 12: a força de Rafa, o brilho de Grigor e a final dos sonhos
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Alexandre Cossenza

Faltou ar e não foi pouco. Dois tie-breaks, ralis obscenos, bolas improváveis riscando milímetros de linha, break point para cá, chances de quebra para lá… Durante a maior parte das 4h56min, Rafael Nadal e Grigor Dimitrov foram aos limites da quadra, das pernas, da cabeça e do coração. Lançaram equações ao rival, desenharam fórmulas e encontraram soluções. Até que o último backhand errado do búlgaro decretou: 6/3, 5/7, 7/6(5), 6/7(4) e 6/4. Nadal está na final do Australian Open mais uma vez e vai fazer o jogo dos sonhos com Roger Federer.

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A força de Rafa

Tirando o primeiro set, este memorável Nadal x Dimitrov não teve um momento de tranquilidade para tenista algum. E a primeira parcial nem foi tão folgada assim. O espanhol precisou sair de 15/40 já no game inicial antes de quebrar o oponente no quarto game e aproveitar a vantagem. O segundo set foi insano, com os dois nervosos e errando muito. Depois de duas quebras para cada lado, Nadal escapou de quatro set points no décimo game, mas Dimitrov não repetiu o vacilo de Raonic dois dias antes. No 12º game, finalmente quebrou e empatou o jogo.

O duelo para atacar primeiro existiu desde o início. Nadal buscava o backhand de Dimitrov e ganhava mais ralis. O búlgaro sacava melhor, corria mais riscos do fundo de quadra e mantinha tudo equilibrado. Tão equilibrado que dois tie-breaks foram necessários. No primeiro, ganhou a cautela de Nadal, que exigiu riscos de Dimitrov. O búlgaro errou mais e perdeu por 7/5. No segundo, o azarão (quase injusto escrever isso após um jogo assim) se impôs na devolução. Levou por 7/4.

E aí veio o quinto set, com todo drama que faz parte da definição de um quinto set. Dimitrov já saiu de um 15/40 no primeiro game, muito graças a um forehand insano na paralela. Nadal também salvou break point no segundo game. Os dois tinham problemas para confirmar. No oitavo game, foi Nadal que encarou um 15/40. Primeiro, disparou uma paralela enorme de backhand. Depois, subiu à rede com eficiência. A pressão estava de novo na raquete de Dimitrov.

Foi o búlgaro, no fim das contas, quem não resistiu. No 30/40, escolheu subir à rede no forehand do espanhol. Pagou o preço. E assim, 4h56min depois, Nadal confirmou a final contra Roger Federer.

Mais de cinco anos depois, a final dos sonhos

Até o fim da década passada, era quase regra. Pelo menos uma vez por ano, Rafael Nadal e Roger Federer se encontravam em uma final de Slam. Foram duas em 2006, mais duas no ano seguinte, duas em 2008 e uma em 2009 – sem contar a semi/final antecipada de Roland Garros em 2005.

A última vez que isso aconteceu foi na decisão do Slam francês em 2011. Depois daquele jogo, Nadal e Federer oscilaram, enquanto Djokovic dominava. Em 2010, o suíço teve dois match points para encontrar Nadal na final do US Open, mas cedeu a virada para o sérvio na semifinal. Em 2011, o raio caiu pela segunda vez no mesmo lugar. Federer teve dois match points, e Djokovic milagrosamente avançou.

Quando Nadal esteve voando, em 2013, Federer teve lesões. O suíço, por sua vez, jogou finais em 2014 e 2015, mas Nadal ficou pelo caminho. E agora, com o espanhol em nono no ranking e o suíço em 17º, era improvável. Quase impossível. Os dois, afinal, poderiam ter sido sorteados no mesmo lado da chave. Só que não. E ainda contaram com as quedas precoces de Murray e Djokovic.

A rivalidade em números

Será o 35º jogo entre Federer e Nadal. O espanhol leva vantagem em confrontos diretos, com 23 vitórias e 11 derrotas. Em Slams, são 11 encontros, com nove triunfos de Nadal. Em Melbourne, são três duelos – todos vencidos pelo espanhol. E ao todo, em quadras duras (indoor e outdoor), o retrospecto é de 9 a 7 para Rafa.

Em finais de Slam, o placar mostra 6 a 2 para Nadal – Federer venceu em Wimbledon em 2006 e 2007. Nadal venceu em Roland Garros (2006, 07, 08 e 11), Wimbledon (2008) e em Melbourne (2009).

Os 12 encontros de Federer e Nadal em Slams nem são um recorde na Era Aberta. A maior marca é de Federer x Djokovic, com 15 jogos. O segundo lugar é o duelo Djokovic x Nadal, que já aconteceu 13 vezes nesse tipo de torneio.

Contando todo tipo de torneio, a rivalidade Federer x Nadal divide a sexta posição entre os duelos mais jogados. Djokovic x Nadal, com 49, tem o recorde, seguido de Djokovic x Federer (45), Lendl x McEnroe (36), Connors x Lendl (36), Djokovic x Murray (36), Connors x McEnroe (35) e Becker x Edberg (35).

A evolução de Dimitrov

Depois de um 2016 abaixo das expectativas, que incluiu uma série de seis derrotas de Istambul até Queen’s e fez seu ranking cair para #40, o ex-top 10 se reencontrou, agora com a ajuda do treinador Dani Vallverdu (ex-Murray e Berdych). Começou o ano com o título de Brisbane (bateu Thim, Raonic e Nishikori em sequência) e esteve a alguns pontos da final do Australian Open.

A atuação contra Rafa Nadal foi uma ótima vitrine para seus avanços. Sacou bem, mostrou um backhand bastante sólido e, principalmente, manteve-se bem fisicamente durante as quase cinco horas de jogo. Sai de Melbourne como número 12 do mundo e, com folga, como o não-top-10 em melhor forma – sem contar Roger Federer porque o suíço só está no ranking atual por causa da ausência de seis meses provocada por lesão.

A Liga Retrô: por que agora?

Não é só o inquestionável talento que juntou quatro tenistas com mais de 30 anos nas finais do Australian Open. Há um punhado de outros fatores que, com maior ou menor peso, precisam ser levados em conta nessa equação.

No caso de Federer, é inegável que a velocidade da quadra ajudou – como deve ajudar contra Nadal. Com um piso mais rápido, o suíço conseguiu impor um jogo mais agressivo e evitar um número maior de ralis contra Kei Nishikori e Stan Wawrinka, por exemplo. Tanto o japonês quanto o atual número 1 da Suíça teriam mais chances em pisos mais lentos.

O mesmo vale para Venus Williams, que também é dona de um jogo agressivo e não tem a melhor defesa do circuito – normal para quem tem 1,85m de altura e 36 anos. Além disso, as principais candidatas a derrubar a americana ficaram pelo caminho. Simona Halep, cabeça 4, tombou na estreia. Garbiñe Muguruza, a cabeça 7, foi vítima de uma atuação inspirada de Coco Vandeweghe. Venus chega à decisão após passar por Kozlova, Voegele, Duan, Marthel, Pavlyuchenkova e Vandeweghe. Não é a mais dura das chaves em um Slam.

Por fim, apenas registrando o óbvio e que já foi extensamente discutido, o circuito “envelheceu” graças a técnicas de recuperação mais avançadas e que permitem que atletas joguem em alto nível por mais tempo. E, insistindo no óbvio, os quatro são tenistas espetaculares.

As campeãs

A final de duplas foi disputada na tarde desta sexta e terminou com mais um título de Bethanie Mattek-Sands, atual número 1 do mundo, e sua parceira, Lucie Safarova. O chamado “Team Bucie” superou Andrea Hlavackova e Shuai Peng na decisão por 6/7(4), 6/3 e 6/3.

É o quarto Grand Slam da parceria e o segundo em Melbourne. Juntas, Mattek-Sands e Safarova também venceram o Australian Open em 2015, Roland Garros/2015 e o US Open/2016.

A final de duplas masculinas está marcada para este sábado e vai começar após a final feminina entra Serena e Venus Williams.