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AO, dia 4: quando Istomin desafiou a lógica e derrubou Djokovic
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Alexandre Cossenza

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Na maior zebra do torneio (e dos últimos anos no tênis), Novak Djokovic deu adeus ao Australian Open na segunda rodada, cortesia de uma atuação bravíssima do wild card Denis Istomin. O uzbeque roubou os holofotes por um dia, mas não foi só ele o único a brilhar nesta quinta-feira em Melbourne. Mirjana Lucic-Baroni também se fez notar ao eliminar Agnieszka Radwanska, a cabeça de chave número 3.

O quarto dia do torneio também teve Serena Williams levando a melhor em um jogão contra Lucie Safarova, enquanto Karolina Pliskova e Johanna Konta ampliaram suas séries de vitórias e também passaram à terceira rodada. O resumaço do dia conta tudo, inclusive os resultados de todos brasileiros, e ainda traz uma prévia do jogão entre Roger Federer e Tomas Berdych, a principal atração da sexta-feira em Melbourne Park.

A zebraça

Denis Istomin sempre foi um tenista respeitado e perigoso. Capaz de dias inspiradíssimos, mas inconsistente. Sempre que teve chances de enfrentar a elite, ficou aquém do que poderia. É o tipo de jogo legal de ver. Istomin “faz uns pontaços, a galera começa a acreditar, mas termina sempre 6/4, 6/3, 6/1”, registrei no Twitter antes de o jogo começar (seguido pelo gráfico abaixo).

E o duelo já começou equilibrado, com Istomin sempre agredindo, não fugindo do seu estilo natural. O uzbeque, atual #117 do mundo, quebrou o saque do sérvio no sétimo game, mas perdeu o serviço logo depois. Teve um set point no tie-break, mas não converteu. Era de se esperar que Djokovic, eventualmente, tomasse o controle das coisas. Não aconteceu. O #2 do mundo teve até um set point em seu próprio serviço, mas perdeu três pontos seguidos e viu Istomin fazer 7/6(8).

Tudo bem, era um set só. O jogo seguia parelho. Tipo de duelo em que o azarão, em algum momento, comete uma série de erros e vê a coisa desandar. Pois Istomin, depois de não conseguir converter dois set points no décimo game do segundo set, cometeu três erros, perdendo o saque e a parcial. Djokovic fez 7/5. Era mesmo o esperado. O jogo já tinha 2h30 de duração. O mais provável seria ver o azarão se esgotando (mental ou fisicamente), e o favorito deslanchando.

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Pois Istomin começou a sentir cãibras no terceiro set. O sérvio fez 6/2 na parcial. Jogo sob controle. O dominante Djokovic não deixaria escapar uma vantagem assim numa segunda rodada de Grand Slam, certo? Errado. O Djokovic de hoje ficou muito aquém do tenista que deu as cartas no circuito de 2014 até a metade de 2016. Não jogou mal nesta quinta, mas não mostrou nem a inspiração nem o instinto assassino de outros tempos. Não agarrou a partida como já fez tantas vezes no passado. Ainda assim, com o jogo se alongando por mais de 3h, era difícil imaginar Istomin resistindo fisicamente para virar o placar.

Só que Djokovic perdeu o saque no comecinho do quarto set. Na hora que precisava se mostrar no controle, deu ao rival uma luz no fim do túnel. Istomin se apegou a ela e lutou. O uzbeque perdeu a quebra de vantagem e perdeu também um set point no décimo game, mas foi feroz em mais um tie-break: 7/6(5).

E se é inevitável dizer que Djokovic, hexacampeão e favorito, deixou a partida escapar, é igualmente necessário frisar que Istomin tem muito mérito. Teve coragem o tempo inteiro, agredindo de forma inteligente, e jogou muito – muito mesmo! – em quase todos momentos delicados. Não piscou no quinto set, sacou horrores quando pressionado e chegou ao fim das 4h48 de partida com 63 winners (cinco a menos que Djokovic) e 61 erros não forçados (contra 72 de Nole). Um feito gigante, uma zebra enorme. Game, set, match, Istomin: 7/6(8), 5/7, 2/6, 7/6(5) e 6/4.

A um ponto de não estar em Melbourne

Istomin só disputa o Australian Open porque ganhou um wild card, que não foi um daqueles convites dados de graça. Para receber, precisou jogar um torneio de classificação chamado “AO Asia-Pacific Wildcard Play-off”, realizado em Zhuhai, na China. O uzbeque foi campeão ao derrotar na final Duckee Lee por 7/5 e 6/1.

Mas essa final quase não aconteceu. Na semi, Istomin enfrentou o indiano Prajnesh Gunneswaran, que hoje é o #319 do ranking mundial. Naquele dia, Gunneswaran teve quatro match points em seu saque no décimo game, mas não conseguiu fechar. Istomin salvou três deles com winners. Depois, perdeu três match points no 14º antes de, finalmente, fechar em 6/2, 1/6 e 11/9.

Murray mais longe na liderança

Líder do ranking com 780 pontos de vantagem sobre Djokovic, Andy Murray aumentará bastante sua distância para o sérvio. Como Nole é o atual campeão e defendia dois mil pontos, o escocês, vice em 2016, sairá de Melbourne com pelo menos 1.625 pontos de frente. Isso, claro, se não passar da terceira rodada. Caso levante o troféu, o britânico terá 3.535 pontos a mais que Djokovic.

Levando em conta que o sérvio ainda precisa defender mais dois mil pontos em março (venceu Indian Wells e Miami), enquanto Murray só somou 90 pontos no mesmo período no ano passado, é justo imaginar que o britânico não será ameaçado na liderança pelo menos até o segundo semestre.

Mais zebra

A chave feminina também teve uma zebra de grande porte passeando por Melbourne Park nesta quinta. Agnieszka Radwanska, cabeça de chave número 3, foi eliminada por Mirjana Lucic-Baroni (#79): 6/3 e 6/2.

Quem ganha com isso é Karolina Pliskova, que passa a ser a maior cabeça de chave do terceiro quadrante – o que, em tese, encontra Serena Williams na semi. Apesar de viver melhor momento, Pliskova tem um retrospecto incrivelmente negativo de sete derrotas em sete jogos contra Radwanska. Logo, a polonesa seria a mais cotada no caso de um duelo nas quartas de final.

A favorita

Serena Williams viveu outro grande momento em Melbourne. Em uma chave nada amigável, a número 2 do mundo, que já havia derrotado Belinda Bencic na estreia, agora passou por Lucie Safarova por 6/3 e 6/4. Foi um encontro mais complicado do que o placar sugere, mas se isso não fica visível nos números, é justamente por mérito de Serena. A americana jogou melhor os pontos importantes, salvando tries break points no primeiro set e outros três na segunda parcial.

Na terceira rodada, a atual vice-campeã do Australian Open vai enfrentar a compatriota Nicole Gibbs, o que, a essa altura do torneio, parece ser um refresco em comparação com as duas rodadas anteriores.

Os outros candidatos

Karolina Pliskova segue voando. A vice-campeã do US Open, que chegou a Melbourne embalada pelo título em Brisbane, alcançou sua sétima vitória consecutiva nesta quinta ao fazer 6/0 e 6/2 sobre a russa Anna Blinkova (#189). A tcheca chega à terceira rodada com apenas quatro games perdidos. Sim, sua chave foi fácil até agora, mas Pliskova tirou proveito, ganhando mais de 80% dos pontos com seu primeiro saque. Na terceira fase, ela encara Jelena Ostapenko, que bateu Yulia Putintseva, cabeça 31, por 6/3 e 6/1.

Johanna Konta vive momento semelhante. A top 10 britânica, campeã recentemente em Sydney, também venceu seu sétimo jogo seguido ao eliminar Naomi Osaka (#47) por 6/4 e 6/2. A japonesa de 19 anos até conseguiu manter o duelo parelho no primeiro set e teve, inclusive, um break point. Não conseguiu a quebra e perdeu o serviço em seguida. Era o que Konta precisava para arrancar no placar e fazer 6/4 e 6/2. A inglesa marcou um esperado confronto com Caroline Wozniacki, que eliminou Donna Vekic por 6/1 e 6/3.

Outro jogo interessante na terceira rodada será entre a #6 do mundo, Dominika Cibulkova, e a russa Ekaterina Makarova, #33. A eslovaca passou pela taiwanesa Su-Wei Hsieh por 6/4 e 7/6(8), enquanto Makarova avançou após a desistência de Sara Errani, que perdia por 6/2 e 3/2. A italiana saiu de quadra chorando, com dores na perna esquerda.

Milos Raonic, por sua vez, venceu o duelo de sacadores com Gilles Muller: 6/3, 6/4 e 7/6(4). O canadense enfrenta Gilles Simon na terceira rodada em um duelo bem interessante. Outro jogo legal da fase seguinte será entre Grigor Dimitrov e Richard Gasquet. O búlgaro bateu Hyeon Chung por 1/6, 6/4, 6/4 e 6/1, enquanto o francês atropelou Carlos Berlocq por triplo 6/1.

Por fim, fechando a programação da Rod Laver Arena, Rafael Nadal encarou Marcos Baghdatis e fez 6/3, 6/1 e 6/3, confirmando a expectativa de quase todos quando a chave foi sorteada. Ele e Zverev vão se enfrentar na terceira rodada no que parece ser um jogo-chave para ambos. Digo “chave” porque quem avançar pode muito bem alcançar a semifinal. E agora, após a queda de Djokovic, quem chegar a semifinal nesse quadrante tem chances maiores de ir à final.

Sobre a atuação desta quinta, Nadal tentou ser agressivo o tempo inteiro e, embora Baghdatis não tenha colocado em risco o placar, o espanhol teve problemas para confirmar seu saque no primeiro set. Aos poucos, Nadal foi jogando e melhor e sacando com mais eficiência – terminou com 80% de aproveitamento de primeiro serviço. O ex-número 1 chegou ao fim do encontro com 32 winners e 33 erros não forçados, o que é um número aceitável para quem agrediu tanto.

Os brasileiros

Rogerinho, único brasileiro na segunda rodada, teve uma tarde difícil diante de Gilles Simon, um adversário superior técnica e taticamente. O brasileiro conseguiu fazer pouco além de correr atrás de todas as bolas e não desistir. Nada, contudo, que compensasse a diferença no tênis jogado pelos atletas. Simon fez 6/4, 6/1 e 6/1 e colocou um ponto final na participação brasileira na chave de simples.

Nas duplas, André Sá e Leander Paes fizeram uma boa apresentação, mas levaram a virada dos cabeças de chave 10, Max Mirnyi e Treat Huey. Brasileiro e indiano venceram o set inicial e tiveram 3/0 no tie-break do segundo, mas perderam sete pontos seguidos – mais por mérito dos rivais do que por falhas próprias – e a melhor chance de fechar o jogo. Sá e Paes ainda tiveram dois break points no terceiro set, mas não converteram. Em um jogo tão parelho, custou caro. Mirnyi e Huey finalmente quebraram o serviço de Paes e venceram por 4/6, 7/6(3) e 6/4.

Em seguida, o único triunfo brasileiro do dia. Marcelo Melo e Lukasz Kubot derrotaram Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom em três sets: 7/5, 4/6 e 6/4. Cabeças de chave #7, brasileiro e polonês vão encarar na segunda rodada o time formado por Nicholas Monroe e Artem Sitak.

Bruno Soares e Jamie Murray, atuais campeões do Australian Open, foram eliminados logo na estreia. Eles caíram diante de Donald Young e Sam Querrey por 6/3 e 7/6(5). Com os pontos perdidos, brasileiro e britânico cairão pelo menos duas posições cada no ranking. O brasileiro, que começou a semana como #3 do mundo, pode até sair do top 10. O mesmo vale para Jamie, atual #4.

Amanhã: o que esperar de Roger Federer x Tomas Berdych

A grande atração do quinto dia de jogos em Melbourne é o confronto entre Roger Federer e Tomas Berdych. O suíço, cabeça de chave 17, vem de vitórias contra Jurgen Melzer e Noah Rubin, enquanto o tcheco bateu Luva Vanni e Ryan Harrison. O favoritismo ainda é de Federer, que tem 16 vitórias e seis derrotas contra Berdych e também triunfou nos últimos cinco encontros, faturando 11 sets em sequência.

A grande questão é que Federer não fez lá grandes apresentações até agora. Contra Rubin, variou pouco seu jogo e entrou numa pancadaria desnecessária. Só levou vantagem quando tirou um pouco o peso das bolas e deu ao garotão a chance de errar. Rubin sentiu o peso e se complicou. Ainda assim, o americano conseguiu agredir os saques do suíço e teve set point na terceira parcial para alongar o encontro.

A questão é saber o quanto Federer vai insistir em pancadas do fundo de quadra contra Berdych, que gosta de bolas retas, saca melhor do que Rubin e tem a capacidade de controlar os pontos quando consegue encaixar suas devoluções. Será que Federer foi teimoso do fundo de quadra contra Rubin porque queria calibrar seus golpes e sabia que tinha margem para erro? Ou será que o ex-número 1 vai insistir mesmo nesse estilo de jogo até o fim do torneio?

A chave contra Berdych sempre foi a variação. Federer precisa encaixar muitos primeiros serviços, usar slices e subir à rede, tirando Berdych de sua zona de conforto – até porque é muito difícil passar Federer usando bolas retas, ainda mais se elas chegarem até o tcheco via slice. Se conseguir repetir seu plano de jogo dos últimos triunfos contra o rival, o suíço provavelmente chegará às oitavas. Se insistir em pancadas do fundo, a coisa pode complicar.

Se Federer perder, sairá do top 30 pela primeira vez em mais de 16 anos. A última vez que apareceu na lista da ATP além do 30º posto foi em 23 de outubro de 2000.


AO 2017: o guia da chave feminina
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Alexandre Cossenza

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Depois de analisar a chave masculina, chega a hora de dar uma olhada no sorteio das mulheres no Australian Open e ver a quantas andam cada uma das das candidatas ao título em Melbourne. É também o momento de imaginar as possíveis zebras e pensar em quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que sempre tento nestes textos pré-Slam. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

As favoritas

Angelique Kerber aparece pela primeira vez como cabeça de chave 1 em um Slam, mas nem todo mundo acredita que isso faz dela a principal candidata ao título. De qualquer modo, suas atuações pré-Melbourne não foram das mais animadoras. Kerber fez três jogos, perdeu dois e penou para derrotar a #232 do mundo (ainda que Ashleigh Barty tenha tênis para um ranking mais digno).

A chave da #1 no Australian Open também não é das mais tranquilas. Ela pode enfrentar Bouchard (ou Kasatkina ou Vinci) nas oitavas, Muguruza nas quartas e Halep na semi. E aí vale dizer que o caminho de Muguruza, cabeça 7, parece muito mais atraente. Dá para imaginar a espanhola indo longe, sem drama, e chegando a esse possível confronto de quartas de final em grande forma.

Serena, por sua vez, tem uma chave ainda mais complicada. A começar pela estreia contra a inteligente e perigosa Belinda Bencic, que sofreu uma lesão na Copa Hopman, abandonou seu jogo de estreia em Sydney, mas disse estar “bastante perto de 100%” para jogar em Melbourne. Além disso, a #2 do mundo pode se ver jogando contra Lucie Safarova já na segunda rodada (as duas fizeram a final de Roland Garros em 2015, lembram?).

Ainda no caminho de Serena podem aparecer Strycova/Garcia na terceira rodada e Cibulkova/Makarova/Wozniacki/Konta nas oitavas. A semi seria contra a vencedora do quadrante que tem Agnieszka Radwanska e Karolina Pliskova (sim, a mesma que eliminou Serena no US Open). Bom, já deu para entender, né? Ainda que seja eternamente favorita, a americana tem, de longe, a trilha mais trabalhosa rumo ao título do Australian Open. Será?

O número 1 em jogo

Kerber e Serena continuam brigando pelo posto de número 1 do mundo em Melbourne. Entretanto, como as duas foram finalistas no ano passado, o posto só muda de mãos com uma excelente campanha da americana. Para ultrapassar a alemã, Serena precisa pelo menos chegar à final. Caso Kerber alcance as oitavas, a americana precisa ser campeã e torcer para que a rival perca antes da decisão. Por fim, se Kerber alcançar a final, ela garante a manutenção do #1, mesmo em caso de título de Serena.

Correndo por fora

Esse grupo não muda muito. O que varia é a forma de cada uma em determinado torneio, mas basicamente falamos sempre de Simona Halep, Agnieszka Radwanska, Garbiñe Muguruza e Karolina Pliskova.

Do quarteto, apenas Muguruza, campeã de Roland Garros, tem um título de Slam no bolso. Só que depois dessa conquista a espanhola não passou da segunda rodada nem em Wimbledon nem no US Open. Em Melbourne, há motivo para otimismo, já que a chave é interessante. Cabeça 7, Muguruza só enfrentaria Kerber nas quartas. Antes disso, tem como principais rivais, no papel, Suárez Navarro, Sevastova e Zhang. A janela está escancarada e ela diz que está recuperada do problema na coxa que sentiu em Brisbane.

Simona Halep é outro nome forte – sempre. De certa forma, a romena parece a primeira da fila na lista das que buscam seu primeiro Slam. Seu tênis vem se mostrando ainda mais consistente, e seu caminho em Melbourne é favorável. Aliás, pode ser o quadrante mais fácil de toda a chave feminina, ainda que inclua Mónica Puig (que não tem um bom resultado desde os Jogos Olímpicos) e Venus Williams (que não tem físico para se movimentar em ralis contra Halep).

Agnieszka Radwanska parece destinada a lutar eternamente em nome das tenistas sem grande potência nos golpes. A polonesa segue capaz de vencer a maioria das rivais, mas cedo ou tarde torna-se vítima de alguém que bate mais forte na bola e atravessa uma ótima semana. Foi assim com Johanna Konta em Sydney, por exemplo, e a chance de isso acontecer na segunda semana de um Slam é sempre grande. Sua sorte em Melbourne é que seu quadrante tem como principal desafiante Karolina Pliskova, contra quem Aga tem um histórico de sete vitórias em sete jogos – e nenhum set perdido.

Por fim, este Australian Open mostra-se como o primeiro grande teste de Pliskova pós-final de US Open. A campanha em Nova York foi também sua primeira campanha realmente digna de seu tênis em um Slam. Melbourne talvez mostre se a tcheca vai se tornar uma candidata permanente a títulos deste porte. Por enquanto, 2017 é animador. Pliskova foi campeã em Brisbane após derrotar Vinci, Svitolina e Cornet em sequência.

As brasileiras

O Australian Open não terá brasileiras na chave principal. Teliana Pereira e Paula Gonçalves disputaram o qualifying, mas acabaram derrotadas na segunda rodada. A pernambucana foi superada por Mona Barthel por 6/0 e 6/4, enquanto a paulista caiu diante de Aliaksandra Sasnovich por 4/6, 6/1 e 6/3.

As grandes ausências

Uma top 10 e uma campeã de Slam não estão na chave deste ano. Madison Keys, atual #8 do mundo, passou por uma artroscopia no punho esquerdo em outubro do ano passado, logo depois do WTA Finals, e ainda não está recuperada. A outra grande ausência sentida será a de Petra Kvitova, que foi vítima de um assalto em dezembro e precisou passar por uma cirurgia na mão esquerda (a de seu forehand).

Outros desfalques incluem Anna Lena Friedsam (lesão no ombro direito), Sloane Stephens (lesão no pé direito), Sabine Lisicki (lesão no ombro direito) e Catherine Bellis (lesão no quadril). E, claro, lembremos que Ana Ivanovic anunciou sua aposentadoria dias atrás e que Maria Sharapova continua suspensa por doping – ela foi flagrada no Australian Open do ano passado.

❤☀️ Cairns #beach #water #sunshine

A photo posted by Jarmila Wolfe (Gajdosova) (@tennis_jarkag) on

Para não deixar passar: quem também anunciou aposentadoria recentemente foi a australiana Jarmila Wolfe (ex-Groth e ex-Gajdosova), que tem um problema crônico nas costas. Campeã de duplas mistas em Melbourne em 2013, ela pediu um wild card para fazer sua despedida, mas o torneio negou. Assim, ela decidiu encerrar a carreira e curtir a vida (nota-se no post de Instagram colado acima) junto com seu marido e seus cachorros. Faz muito bem.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Além do óbvio e aguardado Serena x Bencic, vai ter bastante coisa boa pra ver na primeira rodada em Melbourne. Minha listinha pessoal aqui inclui Vandeweghe x Vinci, Siegemund x Jankovic (que não é mais cabeça de chave), Giorgi x Bacsinszky (porque a italiana sempre pode aprontar), Stosur x Watson (sempre intrigante e dramático acompanhar Stosur na Austrália) e Radwanska x Pironkova.

Talvez o mais interessante mesmo seja Johanna Konta x Kirsten Flipkens, com a britânica chegando de um título em Sydney, onde atropelou Radwanska na final. A top 10 é obviamente favorita contra Flipkens, mas a belga pode exigir uma consistência que Konta pode não conseguir mostrar com o pouco tempo de treino nas quadras de Melbourne.

A tenista mas perigosa “solta” na chave

Nitidamente, o nome mais temido aqui é o de Eugenie Bouchard. Não só pelo passado de bons resultados (a canadense foi top 5 em 2014), mas porque já mostrou bom tênis neste início de ano, alcançando a semi em Sydney – perdeu para a campeã, Konta. No Australian Open, Genie é favorita contra Chirico na estreia e possivelmente fará um duelo interessante contra Kasatkina na segunda fase. Tem cara de jogo-chave. Se avançar e ganhar ritmo, Bouchard pode muito bem desafiar Angelique Kerber nas oitavas – e com chances interessantes.

Outra tenista perigosa e “esquecida” na chave é Kristina Mladenovic, que caiu na metade de baixo e estreia contra Ana Konjuh. Não é nada impossível que a francesa elimine a croata e faça o mesmo com a cabeça de chave Gavrilova na segunda rodada. Kiki ainda teria Bacsinszky pela frente na terceira rodada, antes de um eventual encontro com Kristina Pliskova, mas parece justo dizer que, na semana certa, a francesa poderia deixar todas essas oponentes para trás.

Onde ver

No Brasil, a ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Vale acompanhar também o Watch ESPN, que terá imagens de todas as quadras – até porque haverá conflito de grade na ESPN e na ESPN+ com partidas de NBA e NFL. Quando isso acontecer, todos precisarão correr para o Watch.

Se nada disso der certo, tente o site do Australian Open. O site do torneio transmite, de graça, todas as quadras. A qualidade do streaming oscila e às vezes fica impossível acompanhar os jogos por lá, mas não custa tentar.

Nas casas de apostas

Serena ainda aparece como a mais cotada ao título na maioria das casas de apostas. A cotação abaixo, da casa virtual bet365, mostra a americana pagando 4,0 para um (quem apostar US$ 1 ganha US$ 4 se Serena for campeã), seguida de pertinho por Kerber. Pliskova vem em terceiro, seguida por Muguruza e Halep. Konta, Radwanska, Cibulkova, Wozniacki e Svitolina completam o top 10. Vale notar a presença de Eugenie Bouchard na 11ª posição. A canadense, lembremos, nem cabeça de chave é em Melbourne, mas provavelmente está bem cotada por seu enorme potencial.


Quadra 18: S03E01
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Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


Wimbledon, dia 7: drama, breu, outra ameaça e o melhor jogo do torneio
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Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

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O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


Wimbledon 2016: o guia (versão feminina)
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Alexandre Cossenza

Serena Williams à parte, Wimbledon é sempre um mistério no que diz respeito à chave feminina. As surpresas não foram poucas nos anos recentes, desde Agnieszka Radwanska em 2012 a Garbiñe Muguruza no ano passado, passando por Lisicki e Bouchard e incluindo, é claro, o inesperado título de Marion Bartoli. O que a edição de 2016 reserva? Serena Williams, vice em Melbourne e Paris, voltará a vencer um Slam? Quem seria a principal candidata a pará-la?

Este guiazão de Wimbledon traz uma análise da chave feminina, avaliando os resultados recentes e imaginado o que pode acontecer nas próximas duas semanas. É só rolar a página…

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As favoritas / Quem se deu bem

De forma geral, não dá para dizer que alguém “ganhou” esse sorteio de sexta-feira em Wimbledon. Serena Williams, por exemplo, tem um caminho sem um óbvio nome forte em boa fase, mas tem alguns trechos escorregadios como um possível encontro com Mladenovic na terceira rodada ou Sloane Stephens nas oitavas, onde também pode aparecer Kuznetsova ou Wozniacki. Pelo ranking, a provável rival de Serena nas quartas seria Roberta Vinci, cabeça 6, mas na prática a italiana corre muito por fora. Coco Vandewegue, campeã em ’s-Hertogenbosch e quadrifinalista de Wimbledon no ano passado, parece ser o nome mais interessante aqui.

É a mesma metade da chave onde também estão Radwanska, cabeça 3, e a bicampeã de Wimbledon Petra Kvitova. A polonesa vem em uma série de boas campanhas no Slam da grama (finalista em 2012, semi em 2013 e 2015), enquanto a tcheca não venceu dois jogos seguidos no piso este ano (esteve em Birmingham e Eastbourne), mas convém não esquecê-la completamente.

A seção de Radwanska inclui, além de Kvitova, Caroline Garcia, campeã do WTA de Mallorca (em uma chave fraca, é verdade) e que pode ser sua oponente na terceira rodada. A polonesa ainda pode encarar nas oitavas Dominika Cibulkova, sua algoz e campeã em Eastbourne, ou Johanna Konta, semifinalista no mesmo torneio, mas que nunca venceu um jogo em Wimbledon. Se chegar às quartas, aí sim Aga pode enfrentar Kvitova, mas esse seção também tem Ekaterina Makarova, Andrea Petkovic e Belinda Bencic, cabeça 7, mas que vem de duas derrotas seguidas na estreia (Birmingham e Eastbourne).

A metade de baixo, encabeçada por Garbiñe Muguruza, cabeça 2, não é lá tão boa para a espanhola, que estreia contra Camila Giorgi e pode encontrar Lucie Safarova na terceira rodada e Stosur, Lisicki, Rogers ou Svitolina nas oitavas. Se chegar às quartas, Muguruza ainda pode enfrentar Venus, que pegou um caminho menos turbulento. Se o corpo resistir, a veterana de 36 anos tem uma chance interessante de ir longe.

A outra parte tem Angelique Kerber e Simona Halep, cabeças 4 e 5, respectivamente, mas podemos também chamar essa região de “terra de ninguém”. A romena não esteve em nenhum torneio de grama antes de Wimbledon, e a alemã foi a Birmingham, onde perdeu para Suárez Navarro. Parece a seção ideal para alguém surpreender. Aliás, é nesse bolo que estão Madison Keys, campeã do Premier de Birmingham, e Karolina Pliskova, campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. Não por acaso, ambas estão bem cotadas nas casas de apostas.

A incógnita

Wimbledon talvez seja o melhor indicador sobre o que esperar do futuro de Serena Williams. A número 1 do mundo não mostrou o nível altíssimo de tênis que o mundo espera dela nem na final do Australian Open nem na decisão de Roland Garros. Momentos justamente em que a americana sempre brilhou. Sua movimentação não foi a mesma de outros anos. O número de aces – principalmente aqueles em pontos importantes – também diminuiu. Uma derrota precoce em Londres, onde sempre foi ainda mais superior ao resto do circuito, pode dar mais um indício de que o fim está próximo. Será?

O número 1 em jogo

A vantagem obscena na liderança do ranking já se foi. Serena começa sua participação em Wimbledon correndo o risco de perder o posto de número 1. Muguruza, Radwanska, Kerber e Halep podem ultrapassá-la, ainda que seja necessária uma combinação de resultados.

Quem corre por fora

Saindo do óbvio-olhei-o-ranking-e-palpitei, a grama sempre oferece uma chance um pouco maior a tenistas que não estão necessariamente entre os favoritos durante o resto da temporada.

Karolina Pliskova é um desses nomes. A tcheca de 1,86m não tem a melhor movimentação do circuito e precisa estar no comando dos pontos para se dar bem. Seu impressionante saque lhe dá essa vantagem, especialmente na grama. Não é por acaso que a líder de aces na temporada (muito à frente de Serena) foi campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. No quadrante de Kerber e Halep, não seria a maior das zebras se Pliskova saísse atropelando até a semifinal.

Quem também corre bem nesse quadrante é Madison Keys, que leva consigo um jogo de muita potência do fundo de quadra. A americana, mais nova integrante to top 10 (a primeira americana a entrar no top 10 desde 1999!), só jogou um torneio na grama e foi campeã em Birmingham, justamente o mais importante do calendário pré-Wimbledon. De novo: não seria grande surpresa se Keys e Pliskova se encontrassem nas quartas de final, deixando Halep e Kerber para trás.

Outro nome interessante para a grama é Coco Vandeweghe, a americana que passou pelo media day com a camisa do Independiente da Argentina. Coco não se encaixa no estereótipo de meninas magrinhas do circuito e talvez não seja a mais rápida das tenistas, mas carrega um saque potente e que lhe dá muitos pontos de graça. Foi assim que cegou às quartas de Wimbledon no ano passado e venceu oito jogos seguidos na grama em 2016, levantando o troféu em ’s-Hertogenbosch. Sorteada em uma seção onde a principal cabeça é Roberta Vinci, Coco pode muito bem alcançar as quartas e encarar Serena Williams. Seria interessante.

A brasileira

Teliana Pereira estreará contra a americana Varvara Lepchenko, número 64 do mundo, que não teve grandes resultados na curta temporada de grama e inclusive soma uma derrota para Laura Robson (sim, aquela!). A brasileira, por sua vez, nem jogou na grama antes de Wimbledon.

A maior ausência

Victoria Azarenka abandonou Roland Garros por causa de uma lesão no joelho e não conseguiu se recuperar a tempo. Na última quinta-feira, véspera do sorteio da chave, a bielorrussa anunciou que não disputaria Wimbledon. Semifinalista em 2011 e 2012, ela seria a cabeça de chave número 6.

A desistência teve consequências consideráveis, jogando Venus para o grupo das oito primeiras cabeças e inserindo Andrea Petkovic entre as pré-classificadas.

Os melhores jogos nos primeiros dias

O óbvio jogo mais interessante da primeira rodada será entre Caroline Wozniacki, que não é cabeça de chave, e Svetlana Kuznetsova, e só deus sabe o que esperar desse encontro. Além disso, a segunda e a terça-feira de Wimbledon terão a suíça Belinda Bencic, cabeça 7, enfrentando Tsvetana Pironkova, aquela que até o ano passado só conseguia resultados bons justamente em Wimbledon. Não dá para descartar o potencial de zebra desse jogo, assim como em Muguruza x Giorgi, que é minha partida preferida nessa lista.

Outros confrontos interessantes são Kvitova x Cirstea, Kerber x Robson e Safarova x Mattek-Sands. Ou seja, não vai faltar o que ver nesse dois primeiros dias.

As tenistas mais perigosas que ninguém está olhando

Quando o assunto é grama e Wimbledon, o padrão é pensar em tenistas altas e que batem forte na bola. Serena, Venus, Kvitova, Sharapova… A lista de campeãs sugere isso. Só que de vez em quando aparece uma baixinha talentosa como Agnieszka Radwanska para mostrar que é possível ir longe no All England Club sem essa potência toda.

Neste ano, há dois nomes que mais ou menos se encaixam aí. Um dele é Dominika Cibulkova, que faz uma temporada de recuperação. Em fevereiro, era a número 66 do mundo. Agora, está em 21º no ranking, somando finais em Acapulco, Madri, Katowice e Eastbourne (campeã nestes dois últimos). Sua chave é que não ajuda muito. Cibulkova pode encarar Bouchard ou Konta na terceira rodada e Radwanska nas oitavas. Em todo caso, fiquemos de olho.

Com 1,64m, Barbora Strycova também entra nesta lista aqui. Pouca altura, muito talento e um jogo inteligente, cheio de variações. A semifinal em Birmingham, onde bateu Karolina Pliskova e Coco Vandeweghe, indica que há chances em Wimbledon. Um eventual duelo de terceira rodada contra Kvitova no All England Club daria uma palavra final sobre isso.

Além disso, uma bicampeã do torneio deveria estar entre as favoritas, mas a temporada desastrosa fez Petra Kvitova sair do top 10 pela primeira vez em três anos. Logo, ela chega a Wimbledon bastante fora do radar e não vai ter tanta gente espantada com um revés logo na primeira rodada diante de Cirstea ou uma eliminação na segunda fase diante de Makarova. Maaaas é Kvitova, é grama e tudo pode acontecer. Não dá para esquecer disso.

Para encerrar a lista, que tal lembrar de Venus Williams, ex-número 1, campeã oito anos atrás e que está de volta ao top 10, mas não chama tanta atenção quanto deveria por causa da idade e dos problemas de saúde? A americana tem uma chave bastante favorável e, levando em conta que os jogos na grama costumam ser mais curtos, existe uma chance considerável de Venus fazer uma (última?) campanha para realmente brigar pelo título.

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão. Durante o torneio, estarei no Twitter dizendo o que rola em cada canal.

Nas casas de apostas

A prestar atenção nas cotações da casa virtual bet365: Madison Keys é a terceira favorita ao título, e Sabine Lisicki está entre os dez primeiros nomes. Coco Vandeweghe também está ali no meio.


Quadra 18: S02E09
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic é tão favorito como sempre foi? E Roger Federer, pode ser considerado um dos favoritos em Wimbledon este ano? Na grama, quem é a maior ameaça a Serena Williams? E quem foram os maiores beneficiados no sorteio das chaves? São essas e outras perguntas Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu tentamos responder neste especial pré-Wimbledon do podcast Quadra 18. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo:

Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta o programa pré-Wimbledon
1’30” – Federer é um dos favoritos ao título este ano?
3’00” – É o momento mais vulnerável de Federer em Wimbledon?
4’44” – O que esperar de Djokovic, que ainda não jogou na grama?
6’22” – Djokovic chega a Wimbledon atrás de Murray na lista de favoritos?
7’15” – Como Djokovic vai lidar com a possibilidade de poder fechar o Grand Slam?
8’08” – A volta de Lendl pode fazer Murray voltar a jogar no nível de 2012 e 2013?
9’05” – O nível de Murray hoje é inferior ao de antes ou é Djokovic que dá essa impressão?
10’30” – E quem está na frente de quem na lista dos favoritos?
11’15” – Murray foi o “ganhador” do sorteio?
12’40” – Os melhores jogos da primeira rodada
15’00” – “Djokovic se deu muito mal nesse sorteio”
17’40” – Mais jogos legais de primeira rodada
18’22” – Nishikori chega às quartas para enfrentar Federer?
19’14” – Registro da presença e do feito histórico de Sergiy Stakhovsky
20’35” – As estreias de Bellucci e Rogerinho
22’00” – Palpites para campeão, decepção e zebra
25’00” – Aliny analisa a chave de duplas
27’50” – As quatro duplas com brasileiros e as estreias duríssimas
31’40” – Good Grief (Bastille)
32’19” – Quem são as favoritas na chave feminina?
35’05” – As cotações as casas de apostas
36’35” – As chances de Keys, Kerber e Karolina Pliskova
38’35” – A chave de Muguruza
39’30” – As boas chances de Venus Williams
40’40” – Quem “ganhou” o sorteio? Radwanska?
41’35” – Palpites para campeã, decepção e zebra

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Good Grief (Bastille).


RG, dia 10: zebras à prova d’água, atraso, piadas e críticas ao torneio
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Alexandre Cossenza

Agora, sim, Roland Garros vai precisar tomar medidas drásticas para solucionar o quebra-cabeça da programação. Depois de mais um dia de muita chuva e um par de zebras relevantes na chave feminina, o atraso é gigante no torneio parisiense. Metade das oitavas de final masculinas está incompleta, enquanto a metade feminina nem começou ainda. Com cinco dias de torneio pela frente, está mais do que claro que já não há mais margem para atrasos e alguns atletas precisarão entrar na quadra em dias consecutivos. Vamos, então, ao resumo do dia?

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As zebras

Com o mau tempo no começo do dia e de olho na previsão nada animadora para o resto da jornada, a organização colocou os primeiros jogos em quadra ainda com uma chuva fininha caindo. O que se viu foi uma sequência de inesperados.

Na Chatrier, Novak Djokovic vivia um péssimo momento contra Roberto Bautista Agut, que venceu o primeiro set por 6/3. A primeira zebra de verdade, no entanto, viria na Quadra 1, onde Sam Stosur (#24) se recuperou da quebra de desvantagem, venceu o primeiro set em um tie-break desastroso de Simona Halep (#6) e abriu a segunda parcial com uma quebra. A australiana, que se adaptou melhor às condições do dia, acabou surpreendendo e triunfando por 7/6(0) e 6/3, derrubando a favorita-vestida-de-zebra.

Halep não ficou nada feliz com a maneira com que o torneio lidou com o clima. Disse que estava “impossível” e que “jogar tênis durante a chuva acho que é um pouco demais.” A romena afirmou também que quase lesionou as costas, que as bolas estavam completamente molhadas e que, em sua opinião, “ninguém se importa com os jogadores”.

Zebra maior, contudo, aconteceria na Suzanne Lenglen, tanto pelo histórico quanto pelo placar do começo do dia. Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 a partida contra Tsvetana Pironkova (#102), iniciada no domingo. Pois nesta terça, a búlgara venceu dez games seguidos e derrubou Radwanska por 2/6, 6/3 e 6/3.

A número 2 do mundo engrossou o coro de Halep e pegou pesado nas críticas, afirmando que Roland Garros não é um torneio pequeno, de US$ 10 mil de premiação. “Como você pode permitir que tenistas joguem na chuva? Eu não posso jogar nessas condições.” Do mesmo modo da romena, a polonesa diz que “não sei se eles realmente se importam com o que nós pensamos. Acho que se importam com outras coisas.”

“Outras coisas”

Quanto a se importar com as “outras coisas” que Radwanska menciona, cabe registrar que Novak Djokovic e Roberto Bautista Agut tiveram sua partida interrompida na Quadra Philippe Chatrier com 2h04min de jogo. Caso a partida tivesse menos de 2h de duração, Roland Garros teria de devolver aos espectadores o equivalente a 50% do valor dos ingressos. Pode ter sido só coincidência que tenham esticado a partida o máximo possível – até porque a programação está toda atrasada – mas é uma coincidência desagradável para quem forçou atletas de alto nível a competir sob chuva.

Os adiamentos

Nenhum jogo masculino foi terminado nesta terça. Todos valiam pelas oitavas de final. Na Chatrier, Djokovic vencia Bautista Agut por 3/6, 6/4 e 4/1; na Lenglen, Tomas Berdych sacava em 1/2, ainda no primeiro set, contra David Ferrer; na Quadra 1, David Goffin perdia por 0/3 para Ernests Gulbis; e na Quadra 2, Marcel Granollers e Dominic Thiem estavam empatados em 1 set a 1, com parciais de 6/2 para o austríaco e 7/6(2) para o espanhol.

As piadas

É seguro dizer que a imagem de Roland Garros sofreu um baque esta semana. O diretor do torneio, Guy Forget, segue culpando a burocracia francesa, mas sem justificar por que não há um teto retrátil na Chatrier nem iluminação artificial no complexo (leia mais aqui). Enquanto isso, o torneio vira piada, seja com Tomas Berdych lembrando que o Australian Open tem três quadras com teto retrátil…

… seja com o torneio australiano mandando um pouco de sol para Paris.

Os brasileiros

Marcelo Melo e André Sá conseguiram entrar em quadra – um contra o outro. O número 1 do mundo e seu parceiro, Ivan Dodig, levaram a melhor: 6/3 e 6/2 sobre Sá e o australiano Chris Guccione. Com isso, brasileiro e croata, atuais campeões do torneio, avançam para as quartas de final. Seus próximos adversários serão Rohan Bopanna e Florin Mergea, cabeças de chave 6.

Enquanto isso, Bruno Soares segue esperando pela próxima sessão de seu jogo boyhoodiano, o mesmo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina venciam por 7/5 e 1/1 quando a partida contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey foi interrompida e adiada.

O tamanho do drama

Até agora, Roland Garros não anunciou nenhuma mudança no calendário geral, ou seja, a final feminina ainda está marcada para sábado. Se for assim, a finalista que sair do grupo de Serena, Svitolina, Suárez Navarro, Putintseva, Bertens, Keys, Venus e Bacsinszky terá de fazer quatro jogos em quatro dias. Oitavas na quarta, quartas na quinta, semi na sexta e final no sábado – se não chover mais!

Não é o fim do mundo, já que é mais ou menos assim no dia a dia do circuito feminino, mas está longe de ser o ideal em um evento dessa magnitude. Além disso, a finalista que vier da outra metade da chave, que já tem as quartas definidas, poderá chegar com menos cansaço acumulado à decisão.

Entre os homens, a situação está assim: todos que jogaram hoje (Djokovic, Bautista, Ferrer, Berdych, Granollers, Thiem, Goffin e Gulbis) terão cinco dias para quatro partidas. E tudo isso em melhor de cinco sets – e se não chover mais! O cenário é menos complicado para Djokovic, que está com sua partida de oitavas aparentemente encaminhada (imaginem negrito, itálico e ressalvas no “aparentemente”). Mesmo assim, é um óbvio prejuízo em relação à outra metade da chave, que já começa as quartas de final nesta quarta – se não chover mais!


RG, dia 6: Nadal desiste, Muguruza cresce, Kvitova e Safarova dão adeus
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Alexandre Cossenza

Houve muitos lances bonitos e resultados importantes dentro de quadra, mas nada igualou a bomba que Rafael Nadal detonou em Roland Garros quando convocou uma coletiva para anunciar que está abandonando o torneio. O post de hoje avalia as consequências dessa desistência, lembra de resultados importantes na chave feminina, atualiza a corrida pelo número 1 nas duplas e traz a história de Marcel Granollers, o tenista mais sortudo do planeta. Fique por dentro.

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O abandono

A notícia do dia, sem dúvida, foi o anúncio de Rafael Nadal, que convocou uma entrevista coletiva às pressas para revelar que não continuaria no torneio por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand). Nadal disse que o problema começou na semana de Madri, nas quartas de final, contra João Sousa. Depois disso, fez exames e tratamento em Barcelona e decidiu jogar em Roma. O incômodo voltou antes mesmo de embarcar para Paris.

O espanhol, que vinha de duas grandes atuações, disse que a condição foi piorando ao longo da semana em Roland Garros e que jogou a partida contra Bagnis após tomar uma infiltração. Segundo o tenista, os médicos disseram que ele não teria condições de fazer mais cinco partidas e, por isso, não havia por que continuar no torneio.

Nadal afirmou que precisará de algumas semanas de imobilização no punho para, depois, tratar a lesão. “Espero uma recuperação rápida e estar pronto para Wimbledon, mas agora não é o momento de falar sobre isso.”

A consequência imediata é que Marcel Granollers (#56), que vem de uma vitória por desistência (Mahut abandonou no terceiro set), ganha um WO e vai às oitavas de final sem jogar. Ele será azarão contra Dominic Thiem ou Alexander Zverev, mas já tem um resultado inimaginável para quem estreou contra Fabio Fognini e enfrentaria o eneacampeão do torneio na terceira rodada.

No que diz respeito às chances de título, a coisa fica bem menos complicada para Novak Djokovic (#1), que provavelmente faria a semifinal contra Rafael Nadal. O contraponto é que o sérvio terá uma dose extra de pressão para finalmente vencer em Paris. De certo modo, será uma sensação parecida com a de Federer em 2009. Naquele ano, após levantar o troféu, o suíço admitiu ter se sentido pressionado depois que Robin Soderling chocou o planeta ao derrotar Rafael Nadal.

O homem mais sortudo do planeta

Em Monte Carlo, Marcel Granollers não passou pelo qualifying, mas herdou a vaga de David Ferrer, que decidiu de última hora não jogar o torneio. A vaga de cabeça de chave permitiu a Granollers entrar já na segunda rodada. Aproveitou a chance, bateu Alexander Zverev, David Goffin e só parou nas quartas de final. Saiu de lá com 196 pontos. Subiu de #67 para #50 no ranking.

Em Madri, aconteceu de novo. Granollers entrou como lucky loser na vaga de Roger Federer. Dessa vez, também estreando na segunda rodada, o espanhol não conseguiu avançar. Parou diante de João Sousa, mas somou 26 pontinhos.

Agora, em Roland Garros, teve todo mérito do mundo ao eliminar Fabio Fognini na estreia, mas ganhou 71 mil euros e 90 pontos de graça só com o abandono de Nadal. Com isso, mesmo que perca o próximo jogo, já ficará perto do 45º posto.

Os favoritos

O dia começou com Garbiñe Muguruza (#4) em mais uma atuação dominante: 6/3 e 6/0 sobre a belga Yanina Wickmayer (#54), que vinha de vitória sobre a cabeça de chave Ekaterina Makarova. Depois do susto na estreia, Muguruza soma apenas cinco games perdidos em dois jogos e ratifica sua posição de séria candidata ao título. Com Svetlana Kuznetsova (#15) pela frente nas oitavas e Begu ou Rogers nas quartas, a espanhola é favoritíssima para chegar ao menos às semifinais.

A outra candidata nessa metade da chave é Simona Halep (#6), vice-campeã em 2014. Nesta sexta, a romena precisou de três sets, mas superou a japonesa Naomi Osaka (#101) por 4/6, 6/2 e 6/3. Halep agora fará um jogo interessante contra Sam Stosur, que, apesar de já ter bons resultados no torneio, não estava tão cotada assim numa chave que tinha Lucie Safarova (falo sobre isso mais adiante).

Na chave masculina, Andy Murray (#2) finalmente fez uma aparição breve na Suzanne Lenglen. Bateu Ivo Karlovic (#28) em três sets: 6/1, 6/4 e 7/6(3), em menos de duas horas. O escocês conseguiu até limitar o número de aces do croata. Foram só 14 – oito deles, no terceiro e mais equilibrado set. Semifinalista em Paris no ano passado, Murray terá outro sacador pela frente nas oitavas, já que John Isner (#17) derrotou Teymuraz Gabashvili (#79) depois de estar uma quebra atrás no quinto set: 7/6(7), 4/6, 2/6, 6/4 e 6/2.

Stan Wawrinka (#4), que fez um dos últimos jogos do dia, teve menos problemas do que nas rodadas anteriores. Aplicou 6/4, 6/3 e 7/5 sobre Jeremy Chardy (#32) e avançou quase sem sustos. Os únicos momentos de (pequena) apreensão vieram no primeiro game, quando o suíço teve o serviço quebrado (mas devolveu em seguida), e no antepenúltimo, quando Chardy evitou que Stan fechasse o jogo com seu saque. O atual campeão, no entanto, voltou a quebrar imediatamente depois.

O sérvio Viktor Troicki (#24) será o próximo oponente de Wawrinka, após fazer 6/4, 6/2 e 6/2 em cima do francês Gilles Simon (#18), que não fez um grande torneio. Depois de suar contra Rogerinho, precisou de cinco sets para bater Guido Pella. Nesta sexta, contra Troicki, esteve atrás desde o game inicial.

O brasileiro

Marcelo Melo voltou à quadra ao lado de Ivan Dodig em busca de um lugar nas oitavas de final da chave de duplas. A parceria, atual campeã de Roland Garros, não teve problemas para bater os franceses Tristan Lamasine e Albano Olivetti por 6/2 e 6/4. Brasileiro e croata agora podem enfrentar a dupla de André Sá e Chris Guccione, que ainda precisam passar por Leo Mayer e João Sousa.

A briga pelo número 1

O resultado mais relevante do dia pela chave de duplas foi a derrota de Jean Julien Rojer e Horia Tecau para Pablo Cuevas e Marcel Granollers: 5/7, 6/4 e 6/3. Com isso, Tecau perde a chance de sair de Roland Garros como número 1 do mundo. Ainda seguem na briga Nicolas Mahut (que está vivo nas duplas apesar de ter abandonado a chave de simples), Jamie Murray, Bob Bryan e o próprio Marcelo Melo, atual líder do ranking e campeão do torneio parisiense.

Correndo por fora

Agnieszka Radwanska (#2), que nunca passou das quartas de final em Roland Garros, superou um obstáculo um tanto traiçoeiro nesta sexta. Bateu Barbora Strycova (#33) por 6/2, 6/7(6) e 6/2. Foi uma partida divertida de ver (pelo menos nos momentos que consegui acompanhar), com muita variação, e que a vice-líder do ranking conduziu muito bem no set decisivo.

Classificada para as oitavas para enfrentar Tsvetana Pironkova (#102), será que Radwanska já pode ser considerada uma forte candidata ao título? Talvez ainda seja cedo, mas a polonesa certamente será favorita contra a búlgara. Quem sabe nas quartas de final, contra Simona Halep, tenhamos uma ideia melhor?

Na chave masculina, Milos Raonic (#9) passou fácil pelo eslovaco Andrej Martin (#133): 7/6(4), 6/2 e 6/3. Foram mais de 2h40min de partida, mas só porque a primeira parcial durou 1h13min, com três games bastante longos. Abençoado pelo sorteio e pelos resultados, o canadense, que poderia estar enfrentando Marin Cilic ou Jack Sock nas oitavas, vai pegar o espanhol Albert Ramos Viñolas (#55), que surpreendeu Sock (#25) em cinco sets nesta sexta: 6/7(2), 6/4, 6/4, 4/6 e 6/4. Se tudo correr como previsto, Raonic e Wawrinka se encontrarão nas quartas.

O jogo mais esperado – pelo menos para mim – do dia era Richard Gasquet (#12) x Nick Kyrgios (#19), e parece justo dizer que a partida correspondeu às expectativas. Não só no resultado, com vitória do francês por 6/2, 7/6(7) e 6/2, mas pelo nível do tênis apresentado. Daria para encher um longo vídeo de melhores momentos só com pontos bonitos. Kyrgios venceu vários deles, mas, como quase sempre, não conseguiu manter um nível alto contra um rival consistente.

Para Kei Nishikori, houve drama. Tudo corria bem para o #6 do mundo até que Fernando Verdasco (#52), depois de perder os dois primeiros sets, iniciou uma reação fulminante. No começo do quinto set, era o espanhol que parecia mais próximo da vitória. No entanto, Nishikori conseguiu quebras no primeiro e no terceiro games e manteve a dianteira, avançando por 6/3, 6/4, 3/6, 2/6 e 6/4.

Cabeças que rolaram

Principal cabeça de chave na seção que já tinha visto Roberta Vinci e Karolina Pliskova ficarem pelo caminho, Petra Kvitova (#12) foi a vítima do dia, com um placar estranhíssimo: 6/0, 6/7(3) e 6/0 para a americana Shelby Rogers (#108), a mesma que bateu Pliskova na primeira rodada.

A americana avança para sua primeira aparição as quartas de final de um Slam, enquanto Kvitova segue em uma temporada problemática. Desde que se separou do técnico de longa data David Kotyza, em janeiro, a bicampeã de Wimbledon não conseguiu uma sequência digna de seu talento.

Quem se deu bem – pelo menos no papel – foi Irina-Camelia Begu (#28), cabeça 25 do torneio, que bateu Annika Beck (#39) por 6/4, 2/6 e 6/1 e será favorita contra Rogers na disputa por um lugar nas quartas de final.

Outra cabeça eliminada foi Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. A tcheca foi eliminada em uma partida equilibrada e nervosa contra Sam Stosur (#24), vice-campeã em 2010: 6/3, 6/7(0) e 7/5. Uma surpresa mais pelos resultados recentes da australiana e pelo histórico de confrontos diretos (Safarova liderava por 11 a 3) do que pelo currículo de Stosur.

Não seria nada espantoso se Stosur desmoronasse depois do péssimo tie-break que jogou na segunda parcial. Em vez disso, a australiana começou o set decisivo com uma quebra e, mesmo quando perdeu a vantagem, manteve a cabeça no lugar. Quem implodiu foi Safarova, que fez um 12º game muito ruim e cedendo a quebra que colocou a adversária nas oitavas.

Os melhores lances

Você não vai ver muitos pontos melhores do que esse até o fim do torneio. Radwanska e Strycova, espetaculares.

Nick Kyrgios de despediu nesta sexta, mas deixou essa lembrança:

O australiano também ganhou esse pontaço abaixo.


Quadra 18: S02E07
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Alexandre Cossenza

Roland Garros começa neste domingo, e o podcast Quadra 18 está de volta com uma análise da temporada do saibro e das chaves do Grand Slam francês. Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu também falamos das ausências de Roger Federer e Maria Sharapova e damos nossos palpitões para o torneio.

Este episódio tem uma novidade: um quiz sobre o torneio, com participações especiais de João Victor Araripe, do Break Point Brasil, e de Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil. Ficou muito, muito divertido. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo.

Quem preferir baixar para ouvir depois, pode clicar neste link com o botão direito do mouse e, depois, na opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura
0’15” – Sheila apresenta
2’30” – Como os últimos resultados influenciaram as expectativas para RG
3’00” – Faz sentido acreditar que Andy Murray tem chance de ganhar RG?
4’30” – A atuação de Djokovic em Roma e o que tirar disso
6’28” – A posição de Nadal em relação a Djokovic e Murray
7’48” – Em melhor de cinco, quem leva? Nadal ou Murray?
9’23” – A (pequena) expectativa em torno do atual campeão, Stan Wawrinka
11’12” – Serena, campeã em Roma e de volta ao normal
13’25” – Kerber e Halep são as principais concorrentes de Serena em Paris?
13’48” – “Eu acho a Azarenka carta fora do baralho nesse torneio”
14’24” – A falta que a Sharapova faz neste Roland Garros
16’30” – “Cossenza com saudade da Sharapova”
17’20” – Lembranças de como era o mundo antes da sequência de Federer
17’40” – O que Aliny, Sheila e Cossenza faziam em 1999
20’15” – Duplas e a briga pela liderança do ranking mundial
21’43” – O sucesso dos Bryans no saibro em 2016
23’00” – A briga pelo top 10 por causa dos Jogos Olímpicos
25’32” – O doping de Marcelo Demoliner
26’34” – A chave masculina em Roland Garros: quem se deu bem?
26’55” – A seção favorável de Andy Murray
27’48” – O bom caminho de Novak Djokovic
29’50” – A chave de Stan Wawrinka, “uma delícia”
31’45” – Rafael Nadal e o quadrante mais difícil
32’50” – A boa chance para David Goffin
33’55” – Os palpites para a chave masculina: favoritos, zebras e decepções
37’35” – A chave de Serena WIlliams em Roland Garros
39’25” – A seção “ridícula” de Angelique Kerber
40’20” – O quadrante mais forte de Garbiñe Muguruza
41’34” – O caminho de Simona Halep
42’30” – Os palpites para a chave feminina: favoritos, zebras e decepções
45’30” – Quiz Roland Garros com Mário Sérgio Cruz e João Victor Araripe

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Jai Ho (Sukhvinder Singh, Tanvi Shah, Mahalaxmi Iyer e Vijay Prakash).


Semana 14: dobradinha argentina, um carro de presente e uma aula de dança
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Alexandre Cossenza

Tudo bem, não foi lá a mais agitada das semanas tenísticas de 2016. Na primeira semana do saibro, a maioria dos principais nomes do tênis masculino preferiu descansar e se preparar em Monte Carlo. Entre as mulheres, não foi tão diferente, mas o WTA de Charleston teve cinco tenistas entre as 20 primeiras do ranking e alguns jogos interessantes. Chegou a hora, então, de lembrar o que rolou.

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As campeãs

No forte WTA Premier de Charleston, que tinha Kerber, bencic, Venus, Safarova, Errani e Petkovic, foi Sloane Stephens, cabeça 8, que venceu neste domingo. A conquista veio com uma vitória sobre a qualifier Elena Vesnina, que chegou a ter um set point quando sacou em 6/5 na primeira parcial: 7/6(4) e 6/2.

O grande momento do dia foi quando Stephens descobriu que o torneio, patrocinado pela Volvo, também lhe daria um carro de presente.

A conquista em Charleston foi a terceira de Stephens em 2016. Ela também foi campeã em Auckland e Acapulco, ambos em quadras duras. O WTA de Charleston é jogado em (um rapidíssimo) saibro verde.

Vale lembrar que Stephens era zebra nas semifinais contra Angelique Kerber, mas a alemã não estava se sentindo bem e abandonou quando perdia por 6/1 e 3/0. A campeã do Australian Open defendia o título do evento americano.

No WTA International de Katowice, na Polônia, Dominika Cibulkova levantou um troféu pela primeira vez desde Acapulco/2014. A eslovaca, finalista do Australian Open naquele mesmo ano, passou por uma cirurgia no tendão de aquiles em 2015, ficou cinco meses sem jogar e chegou a cair para além do 60º posto.

Com a vitória deste domingo por 6/4 e 6/0 sobre Camila Giorgi, Cibulkova, que começou a semana como #54, deve voltar ao top 40 e se aproximar do grupo que é cabeça de chave nos Slams. Cabeça 8 em Katowice, a eslovaca passou por Witthoeft, Kulichkova, Schiavone, Parmentier e Giorgi no caminho até o título. O único set perdido foi justamente o primeiro, diante de Witthoeft.

A principal favorita ao título, Agnieszka Radwanska, seria a cabeça de chave número 1, mas desistiu do torneio por causa de um problema no ombro. A chave foi modificada, e Jelena Ostapenko passou a ocupar o lugar da polonesa.

Os campeões

Em Marraquexe, um dos ATPs menos empolgantes do ano, o título ficou com Federico Delbonis, que bateu Borna Coric por 6/2 e 6/4 na final. Cabeça 4 do torneio, o argentino estreou nas oitavas de final e passou por De Bakker, Carreño Busta, Montañés e Coric para levantar o segundo troféu de sua carreira – e o de número 212 na história do tênis argentino.

Com os pontos, Delbonis sobe para o 36º posto do ranking – um atrás de Thomaz Bellucci e dois atrás da melhor posição de sua carreira. Coric, por sua vez, continua sem títulos na carreira. O jogo deste domingo foi sua segunda final. A primeira, em Chennai, terminou com derrota para Stan Wawrinka.

O cabeça de chave 1, Guillermo García-López (#37), acabou eliminado nas quartas por Jiri Vesely, enquanto o seed 2, João Sousa (#38), tombou na estreia diante de Facundo Bagnis.

No saibro vermelho de Houston, outra conquista argentina. De virada, Juan Mónaco derrotou Jack Sock, que defendia o título, por 3/6, 6/3 e 7/5. Foi o título de número 213 para o tênis argentino e marcou a sexta vez que dois tenistas do país foram campeões no mesmo fim de semana.

A última conquista de Mónaco havia sido em 2013, em Dusseldorf. Desde então, jogou três finais (Kitzbuhel/2013, Gstaad/2014 e Buenos Aires/2015) e saiu derrotado em todas.

Mónaco, que começou a semana como número 148 do ranking, ganhou 62 posições. O ex-top 10 (Mónaco esteve entre os dez melhores do mundo em julho de 2012) aparecerá na lista desta segunda-feira como #86.

Os brasileiros

A semana não foi boa para Teliana Pereira. De volta ao saibro (rapidíssimo, lembremos) em Charleston, a número 1 do Brasil perdeu na estreia para a americana Bathanie Mattek-Sands: 5/7, 6/3 e 6/2. Foi a oitava derrota da pernambucana em nova jogos na temporada e, com os pontos perdidos, Teliana deixa o top 50 e cai para o 54º posto.

A próxima missão da brasileira será tentar defender seu título no WTA de Bogotá, que começa nesta semana. Caso volte a perder na estreia, Teliana terá descontados 280 pontos e pode até deixar o grupo das 80 melhores. Se isso acontecer, haverá até o risco de deixar (pelo menos temporariamente) a lista de classificadas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A chave olímpica, lembremos, é composta por 64 atletas, respeitando o limite de quatro por país.

Entre os homens, Rogerinho e Thiago Monteiro conseguiram pontos importantes. O paulista caiu nas oitavas de final em Nápoles, mas subiu três posições e agora figura no top 100 pela primeira vez desde maio de 2013. O cearense apostou no forte torneio de Le Gosier (US$ 100 mil) e caiu nas quartas, superado por Malek Jaziri (#94) por 6/2, 4/6 e 7/5. Com a campanha, Monteiro alcançou o melhor ranking da carreira, entrando no top 200 como justamente o #200.

Nas duplas, André Sá tentou a sorte em Houston. Ele e o australiano Chris Guccione foram superados nas quartas de final por Steve Johnson e Sam Querrey: 6/3, 2/6 e 10/8. O mineiro, aliás, briihou no vídeo abaixo, tocando guitarra em uma apresentação dos irmãos Bryan.

A melhor história

Dica do Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil: em entrevista ao Diário de Canoas, Larri Passos fala um pouco de seus primeiros dias no tênis, de sua mudança para os Estados Unidos e da crise que vive o Brasil. Diz que o Brasil é o país mais corrupto do mundo e que Dilma deveria renunciar.

Larri também declarou que o projeto olímpico do tênis foi uma grande decepção (durou só 11 meses) por causa da má administração da CBT e do Ministério do Esporte: “Esse governo destruiu meus sonhos.” Larri também pediu a saída do presidente da CBT Jorge Lacerda: “Faz cinco anos que a CBT está sendo investigada e o presidente não saiu ainda. Está na hora dele ir embora.”

Leia a íntegra aqui.

A aula de dança

Serena Williams, em grande forma, aproveitou o intervalo nas gravações de um comercial e resolveu gravar uma aula informal de como fazer o “twerk”. Ela também ensinou o “milly rock”. A número 1 do mundo também lembrou que o “dab” já saiu de moda. E Azarenka, pelo visto, aposentou o movimento após o Super Bowl.

O acidente

No Challenger de Nápoles, na Itália, uma bolada não-intencional-mas-certeira acabou com uma dupla desclassificada. Os poloneses Mateus Kowalczyk e Adam Majchrowicz venciam por 6/3 e 4/4, mas quem avançou a parceria de Rameez Junaid e Ken Skupski.

Nem todo mundo concordou com a decisão do árbitro de desclassificar a dupla polonesa. Bruno Soares, campeão do Australian Open, escreveu (citando a conta da ATP) que a punição foi exagerada.

A próxima parada

O grande torneio masculino da próxima semana é o Masters 1.000 de Monte Carlo. O vídeo abaixo mostra como três quadras do Monte-Carlo Country Club se transformam na quadra central do torneio.

Monte Carlo Center Court amazing transformation

To Monte Carlo Country Club μεταμορφώνεται, κυριολεκτικά, για να υποδεχθεί τα μεγαλύτερα αστέρια του παγκοσμίου τένις! Κάθε χρόνο γίνεται αυτή η διαδικασία για να φτιαχτεί το κεντρικό court με την ομορφότερη θέα στον κόσμο!Πρόγραμμα μεταδόσεων OTE TV: -> http://bit.ly/1UGvskY

Posted by Tennis24 on Thursday, April 7, 2016

Aliás, falando em Monte Carlo, que tal a divertidíssima chave do torneio, hein? A começar por Thomaz Bellucci, que estreia contra Guillermo García-López e, se vencer, enfrentará um Roger Federer que se recupera de uma cirurgia no joelho e não joga uma partida oficial há mais de dois meses. Seria uma boa chance?

E a volta de Rafael Nadal ao saibro? O espanhol possivelmente pegou um caminho duríssimo e pode ter de enfrentar, em sequência, Dominic Thiem, Stan Wawrinka e Andy Murray antes da final (contra Djokovic?).

Lances bacanas

Não foi na última semana, mas vale lembrar porque foi eleito o ponto do mês da WTA. Com ela, Agnieszka Radwanska.

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Semanas 12-13: a serenesca Azarenka e Djokovic, o maior dos milionários
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Alexandre Cossenza

Azarenka_Miami16_trophy_get2_blog

É bem verdade que os campeões foram quase os mesmos, mas há muita coisa a dizer sobre o período em que foi disputado o Miami Open (WTA Mandatory + Masters 1.000). Além dos títulos de Victoria Azarenka e Novak Djokovic, é preciso lembrar dos problemas físicos de Roger Federer, Rafael Nadal e Thomaz Bellucci,
do novo número 1 do mundo nas duplas, do péssimo timing da ATP ao homenagear Marcelo Melo, de lances espetaculares, de bom humor, de mau humor, de tuítes bacanas e de textos interessantes e importantes. Vamos lá, então? Rolem a página e relembrem as últimas duas semanas.

A melhor de 2016

Três títulos em cinco torneios disputados; 22 vitórias e só uma derrota em 2016; apenas cinco sets perdidos desde o início do ano; uma eliminação por W/O; e uma final vencida rapidinho, em 1h17min. O leitor que escutasse os números acima sem ver a foto do alto do post acreditaria sem questionar se alguém lhe dissesse que a tenista em questão é Serena Williams. Mas não é. A tenista do momento é Victoria Azarenka, que completou, no sábado, um torneio impecável e levantou o troféu so WTA de Miami ao vencer a final sobre Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/2.

Vika se tornou a terceira tenista a vencer os dois eventos em sequência, juntando-se a Steffi Graf e Kim Clijsters (feito que Serena Williams teve pouquíssimas chances de igualar porque boicotou o evento da Califórnia por muito tempo). A bielorrussa agora também está de volta ao top 5, onde não figurava há quase dois anos (o ranking 26 de maio de 2014 foi a última vez). E, claro, é preciso lembrar: depois de um Slam, dois WTAs com premiação de mil pontos (IW e Miami) e outro WTA com 900 pontos para a campeã (Doha), Azarenka é a líder da “Corrida”, o ranking que conta apenas os pontos conquistados neste ano.

Números à parte, as atuações de Vika vêm falando mais alto. Desde o primeiro torneio do ano, onde atropelou em Brisbane (com uma chave não tão forte, é verdade), incluindo as primeiras rodadas em Melbourne, o desempenho sólido diante de Serena na final de Indian Wells e, agora, uma campanha irretocável na Flórida, onde teve dois testes de fogo antes da decisão.

Primeiro, passou por Muguruza em dois tie-breaks, salvando dois set points na primeira parcial. Depois, fez uma partida espetacular contra Angelique Kerber, que, apesar da ótima atuação, jamais teve o controle do jogo. Sempre que precisou, Azarenka teve de onde tirar um nível mais alto e mais consistente de tênis.

Com o início de temporada nada espetacular de Serena Williams, parece seguro dizer que Azarenka é, neste momento, a melhor tenista do circuito, o que deixa 2016 muito mais interessante. Será que a bielorrussa manterá o pique e se aproximará de Serena Williams em uma eventual briga pelo posto de número 1 do mundo? E a americana? Esboçará uma recuperação na temporada de saibro que começa esta semana, em Charleston?

O maior dos milionários

O Masters 1.000 de Miami só teve surpresas nos primeiros dias, quando Roger Federer (virose) desistiu do torneio antes de estrear e, depois, com Rafael Nadal, que passou mal e abandonou a partida contra Damir Dzumhur no terceiro set. O título, conforme o aparente novo protocolo da ATP, terminou nas mãos de Novak Djokovic, o campeão de tudo-menos-Roland-Garros.

De novo mesmo, só algumas marcas do sérvio. Nole agora é o recordista isolado de títulos de Masters 1.000, com 28 taças (Nadal tem 27), o primeiro tenista a vencer quatro vezes a sequência Miami-Indian Wells e, principalmente, o recordista em prêmios em dinheiro na história da modalidade. Com o título deste domingo, Djokovic agora acumula US$ 98.199.548. Federer tem “só” US$ 97.855.881.

Fora isso, nada mais tenho a acrescentar sobre o tênis de Djokovic. O número 1 venceu todos jogos em sets diretos e continua dominando o circuito. Vale lembrar que ele lidera o ranking mundial de forma ininterrupta desde julho de 2014 e possui atualmente 8.725 pontos de vantagem sobre Andy Murray, o vice-líder. O escocês, por sua vez, está apenas 120 pontos acima de Roger Federer.

O tuíte abaixo, do jornalista Ben Rothenberg, mostra o retrospecto de Djokovic em Masters 1.000 e Grand Slams (incluindo o ATP Finals) desde o início de 2015. No período, se somarmos todas as competições, o sérvio disputou 21 torneios; alcançou 19 finais; e venceu 110 jogos e perdeu apenas sete.

Os brasileiros

Não foi um torneio nada bom para brasileiros. Desde o ingrato confronto entre Teliana Pereira e Bia Haddad na primeira rodada até a desistência de Thomaz Bellucci diante de Mikhail Kukushkin. O brasileiro, que durante a semana revelou ter problema de desidratação, perdendo até 6 quilos, e até visão turva em certas situações, sucumbiu ao calor e à umidade de Miami depois de um set e meio. Esgotado, deixou a quadra depois de vencer o primeiro set e perder o segundo.

O abandono na Flórida é especialmente lamentável porque Rafael Nadal, seu provável adversário de terceira rodada, também abandonou. Logo, se passasse por Kukushkin, o brasileiro enfrentaria Damir Dzumhur por uma vaga nas oitavas de um Masters 1.000. O problema físico de Bellucci foi o mesmo que ocorreu no Rio Open, em menor grau, e no Brasil Open, já manifestado de maneira mais evidente. O paulista passou por uma bateria de exames e, até agora, nenhum diagnóstico foi conclusivo. Resta a ele torcer por temperaturas mais amenas e condições favoráveis na temporada europeia de saibro.

Quanto a Teliana, o lado positivo foi conquistar sua primeira vitória na temporada. A segunda rodada, contudo, trouxe uma derrota diante de Ana Ivanovic por 6/3 e 6/0. A sérvia foi superior o tempo quase todo, e a brasileira, mais uma vez, foi vítima de seu saque vulnerável – confirmou apenas uma vez no jogo. Nas trocas de bola, Teliana até conseguia ser agressiva quando tinha a oportunidade de entrar em um rali. Ivanovic, no entanto, não lhe deu tantas chances assim, quase sempre atacando primeiro e controlando os pontos. A sérvia dominou tanto o saque de Teliana que se deu o luxo de se posicionar muito dentro de quadra na devolução.

Até agora, Teliana soma uma vitória e sete derrotas em 2016, com dois sets vencidos e 14 perdidos (o único triunfo e ambos sets vieram sobre Bia Haddad). É bem possível que a volta para o saibro, seu piso preferido, traga dias melhores. Não por acaso, a número 1 do Brasil, atual #49 do mundo, agora tem um calendário entupido de eventos na terra batida.

Terminando o giro brasileiro nas simples em Miami, vale lembrar de Rogerinho, que perdeu no qualifying, mas ganhou uma vaga de lucky loser para estrear contra o russo Andrey Kuznetsov. A sorte, porém, não conseguiu carregar o #2 do Brasil para a rodada seguinte. Kuznetsov fez 6/3 e 6/3 e avançou. O russo, aliás, bateu Stan Wawrinka na segunda rodada e Adrian Mannarino na terceira. Só caiu nas oitavas, superado pelo semifinalista Nick Kyrgios.

No circuito Challenger, quem teve boa semana foi Feijão – finalmente. Depois de perder no quali em Miami, o paulista encarou o Challenger de León, no México, e alcançou a final, perdendo para o alemão Michael Berrer. A campanha rendeu uma subida de mais de 50 posições no ranking e o retorno ao top 200. Feijão saiu de #239 e aparece nesta segunda-feira como o 186º melhor tenista do mundo. Se ainda está longe de seu melhor ranking (69º, exatamente um ano atrás), já dá passos animadores adiante, o que não vinha acontecendo há um bom tempo.

Marcelo perde o #1

A pressão já havia sido grande em Indian Wells, onde Jamie Murray esteve a dois pontos de roubar a liderança do ranking. Em Miami, precisando defender os pontos da semifinal do ano passado, Marcelo Melo tinha de alcançar pelo menos as quartas de final para seguir como número 1. Não conseguiu. Nas oitavas, ele e Ivan Dodig perderam para Treat Huey e Max Mirnyi por 7/6(1) e 6/4.

A derrota de Melo deu o número 1 a Jamie, que já estava eliminado em Miami. Ele e Bruno Soares caíram na estreia diante de Raven Klaasen e Rajeev Ram. O irmão mais velho de Andy Murray conta que estava no carro quando começaram a pipocar mensagens de parabéns em seu celular.

Desde a existência do atual ranking da ATP, nenhum britânico havia alcançado o topo – nem em simples nem em duplas. Jamie é o primeiro e, por isso, vem sendo um tanto badalado pela imprensa do Reino Unido.

A gafe

A ATP decidiu entregar um pequeno “troféu” para marcar definitivamente o número 1 de Marcelo Melo. Pena que fizeram essa cerimônia logo no domingo, dia que ele e Ivan Dodig foram eliminados do torneio.

Jogo rápido

Mats Wilander e Madison Keys, que decidiram trabalhar juntos a partir do WTA de Miami, já se separaram. A parceria durou oito dias (!) e terminou com a americana invicta. O tricampeão de Roland Garros, que também é comentarista do Eurosport, não quis revelar ao jornalista Michal Samulski (o primeiro a dar a notícia) o motivo da separação.

Bolão impromptu da semana

Parabéns à Raissa Picorelli por acertar a resposta para a pergunta aleatória da semana. Ela foi a primeira seguidora do @saqueevoleio a acertar o número de games vencidos por Kei Nishikori na final.

Lances bacanas

Que tal essa curtinha de devolução de Agnieszka Radwanska contra Alizé Cornet? E antes de alguém chame de “sneak attack”, prefiro “ninja attack by Aga”.

Outro momento raro da semana envolveu o sérvio Viktor Troicki. Após um voleio de David Goffin quicar na quadra do sérvio e voltar, Troicki saltou a rede e golpeou a bola. Foi bonito, mas perdeu o ponto.

Para quem não sabe a regra, a explicação não é tão complicada: como a bola quicou e voltou, Troicki podia até invadir o “espaço aéreo” da quadra de Goffin e golpear a bola, mas perdeu o ponto quando pisou na quadra do rival.

Em casos assim, a “vítima” do backspin tem duas opções para ganhar o ponto: 1) golpear a bola no ar, mesmo invadindo a quadra do rival com a raquete, mas mantendo os pés em sua própria quadra; ou 2) saltar a rede, golpear a bola e “aterrissar” fora das linhas de jogo. Era muito difícil de conseguir, mas Troicki teria vencido o ponto se tivesse saltado e pisado além da linha lateral de simples.

O melhor da semana, contudo, foi Alexandre Sidorenko. No Challenger de Saint-Brieuc, o francês-nascido-na-Rússia de 28 anos disparou uma passada vencedora de costas contra o alemão Tobias Kamke.

As melhores histórias

Vale ler o texto do New York Post intitulado “Por que todo mundo no tênis odeia Maria Sharapova”. O título soa um tanto exagerado, mas o conteúdo aborda os motivos pelos quais a russa não recebeu muitas mensagens de simpatia após testar positivo em um exame antidoping.

No Globoesporte.com, o jornalista Thiago Quintella conversou com João Zwetsch, técnico de Thomaz Bellucci, que relatou os sintomas do tenista brasileiro durante seus problemas físicos. Entre eles, visão turva. Em outra entrevista, dias depois, o próprio Bellucci disse perder até seis quilos em um jogo.

Bom humor

Novak Djokovic, número 1 do mundo e reinando soberano na liderança do ranking mundial, mostrou que é possível ter momentos de descontração mesmo em partidas oficiais. No comecinho do jogo contra o britânico Kyle Edmund, o sérvio fez essa “mágica” encaixando a bolinha no bolso.

O lance me lembrou do iraniano Mansour Bahrami, possivelmente o cidadão mais divertido de ver numa quadra de tênis, que sempre fazia o “truque” da bola no bolso. Quem tiver a curiosidade, pode conferir alguns momentos de exibições de Bahrami neste vídeo.

No mundo do vôlei (sim, vôlei!) Alexander Markin, do Dínamo de Moscou, também testou positivo para meldonium, a substância responsável pelo doping de Maria Sharapova. Uma confeitaria chamada Dolce Gusti enviou ao atleta (que aguarda julgamento da FIVB) um bolo de… meldonium!

Não tão bom humor

Serena Williams, incomodada com o árbitro de cadeira Kader Nouni durante o jogo contra Zarina Diyas, não economizou. “Não comece comigo hoje”, “não implique comigo”, “estou cheia de você implicar comigo” e “a não ser que você vá me dar um warning, não fale comigo” foram parte do repertório da número 1.

Serena venceu aquele jogo por 7/5 e 6/3, mas tombou na rodada seguinte, diante de Svetlana Kuznetsova: 6/7(3), 6/1 e 6/2.

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

O melhor continua sendo o melhor: Andy Roddick. Desta vez, o ex-número 1 do mundo corrigiu o jornalista americano Darren Rovell, da ESPN, que fazia uma piadinha com Novak Djokovic. Rovell publicou uma foto de Federer na quadra central de Miami e disse: “Ei, Djokovic, esse é o público em um jogo de Federer neste momento. Quanto ele deve receber?”

Rovell, no entanto, não sabia que a imagem era de um treino do suíço. Roddick explicou bem à sua moda: “Como tenho certeza que você sabe, Darren, a chave principal masculina não começou ainda em Miami… Isso é um treino.”

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O jornalista se corrigiu, avisando seus seguidores (são mais de um milhão deles) que a imagem era de um treino. Em seguida, apagou os tuítes (por isso, publiquei aqui essa montagem, feita pelo USA Today).

A conta oficial do torneio de Miami registrou essa disputa quente entre Nick Kyrgios e… sua camisa. É nisso que dá fazer experiências no mundo da moda.

Tênis por WhatsApp

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Quadra 18: S02E04
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Alexandre Cossenza

O CEO de Indian Wells disse que as tenistas de hoje deveriam ajoelhar e agradecer por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido. Em seguida, Novak Djokovic reacendeu a polêmica da igualdade de prêmios entre homens e mulheres. No meio disso tudo, Victoria Azarenka derrotou Serena Williams em uma final, enquanto o número 1 do mundo venceu mais um Masters 1.000. Nas duplas, Marcelo Melo ficou a dois pontos de perder a liderança do ranking.

Com tudo isso para comentar, Sheila Vieira e eu (a Aliny estava se recuperando de uma lesão) gravamos este episódio do podcast Quadra 18, que cobre todos assuntos acima e ainda fala do doping de Maria Sharapova. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’14” – Sheila apresenta e lista os assuntos do dia e explica a ausência da Aliny
2’25” – Os comentários polêmicos do CEO de Indian Wells sobre a WTA
3’00” – “Bilionário que fica no camarote com uma menina de 12 anos”
8’08” – Cossenza: “A WTA tem uma parcela de culpa porque vendeu essa imagem durante algum tempo”
9’50” – As respostas de Azarenka e Serena
12’11” – Djokovic entra no assunto e provoca mais polêmica sobre premiação igual
13’40” – “Ele acabou de aplaudir as meninas, mas acha que homens devem lutar por um prêmio maior”
14’42” – Sheila: “Amigo, desce do muro”
16’30” – “Um dia, vou entender esse tabu para falar de menstruação”
17’25” – Cossenza fala sobre bastidores de negociação por prize money
19’30” – Cossenza concorda parcialmente com o raciocínio Djokovic, mas diz porque soa absurdo.
22’20” – Sheila cita história de limites impostos pela sociedade
23’20” – Maioria dos investimentos feitos no esporte são decididos por homens
26’05” – Sheila analisa a final entre Serena x Azarenka
28’25” – Cossenza lembra do point penalty e o risco de desclassificação de Serena
30’30” – O novo top 10 feminino e a volta de Azarenka
32’15” – O torneio masculino de Indian Wells e a conquista de Djokovic
33’00” – Djokovic x Nadal, a final antecipada, e a evolução do espanhol
34’45” – A fragilidade no saque, o principal problema de Rafa Nadal
36’30” – A decepção do torneio: Wawrinka ou Murray?
38’27” – A curiosa e “espetacular” Corrida para o Finals
40’05” – Nice Guys Finish Last (Green Day)
40’40” – Início do segundo bloco
40’56” – Áudio de Marcelo Melo e sua importante declaração
41’10” – Como o mineiro quase perdeu o posto de #1 do mundo
42’48” – As chances de Jamie Murray em Miami
45’05” – Os campeões de duplas em Indian Wells
45’20” – André Sá, vice-campeão do Challenger de Irving
46’30” – Bellucci, Rogerinho e Thiago Monteiro
48’10” – Sobre a cobrança e a expectativa em cima de Monteiro
50’00” – O duelo entre Bia e Teliana em Miami: bom ou ruim?
51’09” – Sheila: “A única maneira de lidar com essa loucura é fazer piada”
52’55” – A volta de Roger Federer e as mudanças em seu calendário
54’02” – A importância de ser número 2 do mundo para Federer
54’55” – O caso de doping de Maria Sharapova
57’40” – Sheila e Cossenza tentam adivinhar a punição de Sharapova
62’32” – A chance de Sharapova disputar os Jogos Olímpicos

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Nice Guys Finish Last (Green Day) e Game Set Match (YouTube Audio Libraby).


Semanas 10-11: domínio de Djokovic, título de Vika e otimismo para Nadal
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Alexandre Cossenza

Foram duas semanas e muito assunto, desde as incessantes menções ao doping de Maria Sharapova (que já foi bastante abordado neste blog) até os comentários de péssimo gosto do CEO de Indian Wells, Raymond Moore (que serão comentados em outro texto). Por enquanto, é hora de comentar os títulos de Novak Djokovic e Victoria Azarenka e listar algumas das notícias interessantes e curiosas dos últimos dias. Vamos lá?

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A campeã

Victoria Azarenka, enfim, está de volta ao top 10. O retorno vem com uma memorável vitória sobre Serena Williams: 6/4 e 6/4. Foi apenas o quarto triunfo de Vika sobre a atual número 1 do mundo em 21 jogos, mas vale ressaltar que todos eles aconteceram em finais de torneios (não, nenhum em um Slam).

A conquista em Indian Wells foi marcada pela consistência da bielorrussa, que poderia nem ter alcançado a final se não tivesse encontrado um tênis excelente no fim do primeiro set contra Karolina Pliskova. Azarenka acabou derrotando a tcheca em três sets e se viu diante de Serena na decisão.

O primeiro set começou com um game desastroso de Serena, e Vika aproveitou. Não que Serena não tenha criado chances. Teve cinco break points (em dois games diferentes), mas não conseguiu converter, esbarrando na consistência da adversária e em seus próprios erros. Em diversos momentos do jogo, a americana tentou se impor com a força dos golpes, mas distribuindo pancadas de maneira pouco inteligente.

A segunda parcial começou com Serena errando ainda mais. Vika viu a chance e disparou no placar, abrindo 4/0. Nesse período, a número 1 quebrou uma raquete quando foi quebrada pela segunda vez. A árbitra aplicou, então, uma advertência. Ao chegar no banco, Serena quebrou mais uma raquete – esta, ainda dentro do plástico, ao estilo Baghdatis. Por isso, tomou mais uma punição e perdeu um ponto.

Azarenka teve 5/1, mas Serena reagiu. Devolveu uma quebra e forçou Vika a sacar em 5/4. A americana, então, teve mais dois break points. Como aconteceu em quase todo o jogo, a bielorrussa se salvou. Primeiro, com um ace. Depois, com um erro da adversária. Dois pontos depois, Azarenka comemorava o título e seu retorno ao top 10 – ela estava fora do grupo desde agosto de 2014. Aposto que nem o susto do canhão de papel (vide tuíte abaixo) incomodou…

O campeão

Pela quinta vez, Djokovic levantou o troféu em Indian Wells. Foi sua 17ª vitória seguida no torneio e a 16ª consecutiva em um Masters 1.000 (a última derrota foi para Federer em Cincinnati). O sérvio agora soma 27 títulos em torneios deste nível e 62 ao todo na carreira. E seu domínio se reflete no ranking: com 16.540 pontos, Djokovic tem 8.170 de vantagem sobre Andy Murray, o número 2 do mundo. Comparando com Federer e Nadal, o sérvio tem 1.150 pontos a mais que o dobro do suíço e 1.570 a mais do que o triplo do espanhol.

A final foi entediante. Com Raonic longe de estar em suas melhores condições, Djokovic fez abriu 4/0 rapidinho e passeou em quadra depois disso. O placar final mostrou 6/2 e 6/0. Foi mais um caso daqueles em que a superioridade do sérvio deixou uma final sem graça. Não ouso repetir o que já analisei a fundo aqui.

Sobre a campanha, talvez o momento mais intrigante tenha sido o primeiro set contra o americano Bjorn Fratangelo, que venceu por 6/2. Até ali, ficava a impressão de que Djokovic havia chegado da Copa Davis fora de forma e corria o risco de ser eliminado de forma precoce. Pois não aconteceu nem ali nem nunca mais. Nem mesmo com Jo-Wilfried Tsonga fazendo dois ótimos sets (e dois péssimos tie-breaks) ou com Rafael Nadal sendo competitivo.

Nadal voltou?

É até possível que Rafael Nadal tenha deixado Indian Wells quase tão contente quanto Djokovic. Não só pelos 360 pontos (numericamente, o melhor resultado da temporada) das semifinais, mas por como se desenrolou sua campanha no torneio californiano. Depois de perder jogos apertados em Melbourne, Buenos Aires e Rio de Janeiro, o ex-número 1 ganhou três jogos assim na mesma semana.

Primeiro, saiu vencedor em uma partida tensa contra Gilles Muller. Em seguida, faturou um tie-break duríssimo contra Fernando Verdasco. Depois, escapou de dois match points contra Alexander Zverev, que teria triunfado se não errasse um voleio fácil. O momento favorável continuou com uma virada que parecia improvável no primeiro set contra Kei Nishikori – foi sua primeira vitória sobre um top em 2016.

Além disso, o espanhol se mostrou competitivo contra Djokovic de uma maneira que não vinha sendo há algum tempo. Nadal, aliás, chegou a ter um set point na primeira parcial da semi, mas Djokovic escapou com um winner de direita.

Tão importante quanto os resultados e a confiança adquirida com eles foi o nível de tênis exibido. Nadal foi consistente como não era há algum tempo. Não, o ex-número 1 não abandonou totalmente a tentativa de ser mais agressivo, mas foi menos afobado e tomou decisões melhores em todo o torneio – inclusive no duro duelo com o brilhante (e ainda inconsistente) Zverev.

O serviço, não esqueçamos, ainda continua um calcanhar de aquiles. Nadal continua ganhando poucos pontos de graça com o primeiro saque e, para piorar, segue com um segundo serviço lento e vulnerável. Uma tentativa de lidar com o dilema foi vista nas quartas, contra Nishikori, quando Nadal reduziu a potência e encaixou 89% de seus primeiros saques. No entanto, sacar entre 160 e 170 km/h não adiantaria contra Djokovic, e Nadal precisou acelerar na semifinal. Ainda assim, as excelentes devoluções do sérvio mantiveram o espanhol pressionado durante a maior parte do confronto.

Em todo caso, vale ficar de olho em Nadal durante o Masters de Miami para ver se a consistência se mantém. Em caso positivo, será que a temporada europeia de saibro lhe conduzirá de novo aos grandes títulos? Será?

A nova número 2

A novidade da semana no ranking é a subida de Agnieszka Radwanska, que assumirá a vice-liderança nesta segunda-feira. A polonesa se garantiu como número 2 ao derrotar Petra Kvitova por 6/2 e 7/6(3). E, como apontou a WTA, Aga alcançou pelo menos a semifinal em oito dos últimos nove eventos que disputou. No período, foi campeã em Tóquio, Tianjin, Cingapura (WTA Finals) e Shenzhen.

Kvitova, por sua vez, não se encontrou ainda na temporada. A tcheca, que se separou do técnico David Kotyza, após o Australian Open, acumula mais derrotas do que vitórias desde então. Em Indian Wells, penou para vencer jogos contra Kovinic (7/6 no terceiro set), Larsson (7/5 no terceiro set) e Gibbs (6/4 no terceiro). Diante de Radwanska, primeira cabeça de chave que precisou enfrentar, não conseguiu forçar mais um terceiro set.

Fiascos junto à rede

O torneio de Indian Wells também viu smashes… nada admiráveis. Sim, o sol tem sua parcela de culpa, mas vale ver Magdalena Rybarikova, que fez isso quando vencia por 4/1 o terceiro set contra Belinda Bencic…

Mas nem foi o pior erro de smash do torneio. A mesma Rybarikova, sacando para fechar o mesmo jogo, conseguiu errar esse golpe:

Rybarikova pode ter errado o smash mais fácil, mas certamente aquele ponto perdido não foi o mais doído do torneio. Essa honra pertence a Stan Wawrinka, que teve a chance de fazer 6/5 no tie-break do terceiro e chegar a um match point contra David Goffin, mas falhou miseravelmente.

Eu escrevi o parágrafo acima na tarde de quarta-feira. À noite, Alexander Zverev tornou-se forte candidato a roubar o “título” de Wawrinka. Sacando em 5/3 e 40/30, com match point para eliminar Rafael Nadal, o alemão de 18 anos jogou um voleio nada difícil na rede.

Depois disso, Zverev implodiu mentalmente. Venceu apenas um dos 16 pontos seguintes e cedeu a virada a um competentíssimo espanhol.

Fora de quadra

Muito já foi escrito neste blog sobre Maria Sharapova e seu caso de doping, mas vale lembrar que, nesta semana, a ONU suspendeu a russa de sua posição de embaixadora da boa vontade. Em comunicado, a Organização das Nações Unidas agradece a Sharapova pelo apoio, mas diz que sua participação e as atividades planejadas ficarão suspensas enquanto a investigação continuar.

Chupa

A empresa russa Rubiscookies lançou uma linha de pirulitos “100% Sharapova, sem meldonium”. Os doces vêm no formato da cabeça da tenista. O fabricante prometeu doar 50% dos lucros a instituições de caridade apoiadas por Sharapova.

O bom samaritano

É o tipo de situação que quando acontece em um jogo de exibição, as pessoas ficam se imaginando se o tenista faria o mesmo em uma partida oficial e equilibrada. Pois Djokovic fez nas quartas de final, no tie-break do primeiro set contra Jo-Wilfried Tsonga. Depois de ganhar o ponto e ouvir o placar de 3/0 anunciado pelo árbitro de cadeira, o número 1 do mundo admitiu que havia tocado na bola e deu o ponto ao francês. Veja o momento:

De volta à quadra

Roger Federer voltará em Miami. O suíço, que andou treinando com uma camisa estampada com seu próprio emoji, fez o anúncio do retorno usando ideogramas:

A recuperação de Federer foi mais rápida do que o planejado. O número 3 do mundo tinha em seu calendário apenas o Masters 1.000 de Monte Carlo, no mês que vem. O torneio monegasco, aliás, foi incluído logo que o suíço anunciou a cirurgia no joelho. Será que agora, com a participação em Miami, Monte Carlo vai ser deixado de lado mais uma vez?

Bolão impromptu da semana

Como sempre, joguei no ar uma pergunta durante o torneio. O acertador, desta vez, foi João Henrique Macedo, que acertou o número de games vencidos por Rafael Nadal contra Novak Djokovic, no sábado.

O tuíte quase aleatório da semana

De Genie Bouchard, na quinta-feira, o St. Patrick’s Day.


AO, dia 11: Djokovic deixa Federer para trás, Serena domina, Bruno na final
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Alexandre Cossenza

A quinta-feira cheia de expectativa foi das mais interessantes e deu muito assunto. Não só para o Brasil, que terá Bruno Soares em mais uma final de Slam, mas para a imprensa internacional, que pode falar mais e mais sobre os domínios de Serena Williams e Novak Djokovic e seus lugares na história do esporte.

A americana atropelou Agnieszka Radwanska, enquanto o sérvio derrubou Roger Federer em um jogo que teve quatro sets, mas deixou escancarada a superioridade do atual número 1 do mundo sobre o veterano. Este resumaço do 11º dia do Australian Open tem análises dos jogos, vídeos y otras cositas más. Divirtam-se.

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O jogo mais esperado

Djokovic (#1) x Federer (#3), como semifinal de Slam, não preencheu as expectativas de um jogão. A culpa (ou o mérito, dependendo da sua torcida) é de Djokovic, que jogou um tênis estratosférico durante os dois primeiros sets, sem deixar Federer respirar e cometendo raros erros. Enquanto o suíço tentava se encontrar na Rod Laver Arena, o sérvio fez 6/1 e 6/2 em 56 minutos.

Curiosamente, o placar até então foi o mesmo da final de Doha, aquela em que Djokovic atropelou Rafael Nadal algumas semanas atrás. Foi o jogo que motivou o espanhol a dizer que nunca tinha visto, desde que conhece tênis, alguém jogar em um nível tão alto. Um elogio e tanto, coisa rara de ver entre rivais desse porte. Na época, porém, houve quem dissesse que Nadal queria apenas justificar a sapatada que levou no Catar. Pois os dois primeiros sets desta quinta-feira alimentam a teoria de Rafael Nadal como uma churrascaria tijucana.

Não tivesse começado o terceiro set menos intenso, Djokovic poderia ter saído da quadra bem mais rápido. Mas a postura menos agressiva do número 1 e a luta de Federer fizeram um “jogo”. O suíço saiu de um break point no quinto game e, finalmente, quebrou o número 1 na sequência. Sacando melhor do que nas parciais anteriores, o “azarão” manteve o saque até fechar a parcial – para a festa da torcida, que gritava seu nome em coro, ansiosa por mais tênis.

Foi então que o teto retrátil foi fechado por causa da chuva, e a paralisação de cerca de dez minutos deu uma esfriada na partida. Os ralis escassearam. Federer sacava bem, mas devolvia mal. Conseguiu um 0/30 logo no primeiro game, mas errou quatro devoluções seguidas (três no segundo serviço do sérvio) e perdeu o que seria sua melhor chance no set.

O oitavo game foi decisivo. Federer deixou o sérvio abrir 0/30, mas igualou o placar do game com uma passada de backhand espetacular (vide vídeo acima). Aquele, no entanto, foi o último ponto do suíço na partida. Djokovic chegou ao break point com uma passada com ajuda da fita, quebrou na sequência e sacou para o jogo. Confirmou de zero, sem piscar. Game, set, match: 6/1, 6/2, 3/6 e 6/3.

O resultado, além de colocar Djokovic em mais uma final no Australian Open, faz com que o sérvio deixe Roger Federer para trás também no histórico de confrontos diretos. A soma, agora, mostra 23 vitórias do atual número 1 em 45 confrontos. Djokovic, é bom lembrar, também leva vantagem sobre Rafael Nadal por 24 a 23. Ele agora espera o vencedor de Andy Murray (#2) x Milos Raonic (#14) para saber quem será seu adversário no domingo.

E as mulheres?

A primeira semifinal do dia, entre Serena Williams (#1) e Agnieszka Radwanska (#4), teve um primeiro set constrangedor e uma segunda parcial que só não foi mais desequilibrada porque a número 1 do mundo desandou a errar. O jogo durou só 1h06min, e o placar de 6/0 e 6/4 espelhou a superioridade da americana.

Não que a polonesa tenha feito uma apresentação ruim. Nada disso. Radwanska encaixou 54% de seus primeiros serviços e cometeu só sete erros não forçados. A questão é que a partida deu a dimensão de quantos níveis acima está Serena. Radwanska não tem potência nem no saque (média de 152 km/h no primeiro serviço e 124 km/h no segundo) nem nos golpes de fundo para incomodar a número 1.

O trunfo que Radwanska tem contra o resto do circuito, que é seu jogo variado, com slices, curtinhas e golpes bem colocados, vale muito pouco diante de Serena. A diferença de peso nos golpes é tanta que, quando tudo dá certo para a favorita – como no primeiro set – a polonesa passa mais tempo correndo atrás da bola de um lado para o outro do que fazendo seu próprio jogo.

E Radwanska, é bom lembrar, era a tenista com mais vitórias (27) e títulos (quatro) no circuito mundial desde o US Open. Além disso, vinha em uma sequência de 13 vitórias, que começou na fase de grupos do WTA Finals do ano passado e incluía o título do WTA de Shenzhen deste ano.

A dúvida que fica agora é saber o Angelique Kerber pode fazer de diferente na final. A alemã (#6) derrotou a britânica Johanna Konta (#47) na segunda semifinal por 7/5 e 6/2 e mostrou mais uma vez sua regularidade. Não que tenha sido um jogo perfeito da alemã. Kerber chegou a ter 3/0 com duas quebras de vantagem, mas deixou Konta atacar e virar o primeiro set para 5/4.

No fim, a tenista britânica não conseguiu a precisão ofensiva necessária para triunfar, mas é difícil imaginar Kerber incomodando Serena com um primeiro serviço que teve 151 km/h de média contra Konta (e a média do segundo serviço foi de 120 km/h). Se a americana estiver com a devolução calibrada, como esteve contra Radwanska e como normalmente atua em jogos importantes, Kerber pode conseguir ser pouco mais do que uma espectadora no sábado.

O brasileiro finalista

A semifinal de Bruno Soares e Jamie Murray contra os franceses Lucas Pouille e Adrian Mannarino começou atrasada por causa de um problema na rede da Rod Laver Arena (tipo de imprevisto que acontece na semifinal porque quase não usam uma certa rede na quadra). Nada que tirasse o brasileiro do sério. Enquanto esperava o reparo, ficava de pernas cruzadas rindo com o parceiro, com a calma de uma primeira rodada de ATP 250.

Quando a bolinha entrou em jogo, a supremacia de Bruno e Jamie foi nítida. Após um susto no quinto game, quando o mineiro precisou sair de 15/40 em seu saque, deslancharam. Embalados por uma atuação irretocável do brasileiro, quebraram no game seguinte, fecharam a parcial em 6/3 e já abriram o set seguinte com outra quebra no saque de Pouille. A partida durou 58 minutos e terminou com o placar mostrando 6/3 e 6/1.

O resultado, que significa a 12ª vitória seguida de Bruno Soares (somando o título em Sydney e as campanhas em duplas masculinas e mistas em Melbourne), coloca o brasileiro em sua segunda final de Slam. Na primeira, no US Open de 2013, seu parceiro, Alexander Peya, entrou em quadra lesionado, e a parceria mal teve chances diante da Leander Paes e Radek Stepanek.

Para Jamie Murray, será a terceira final de Slam consecutiva – um feito raríssimo. O escocês disputou o título em Wimbledon e no US Open do ano passado, mas ele e John Peers saíram de quadra derrotados em ambas ocasiões.

A final será contra o imortal Daniel Nestor (43 anos) e o tcheco Radek Stepanek, que derrotaram Pablo Cuevas e Marcel Granollers por 7/6(11) e 6/4. Brasileiro e britânico são favoritos nas casas de apostas. Na Sportsbet australiana, por exemplo, uma vitória de Bruno e Jamie paga 1,46 para cada dólar apostado. Um triunfo de Nestor e Stepanek paga 2,60.

Os melhores lances

O canal oficial do Australian Open montou este clipe da vitória de Bruno Soares e Jamie Murray na semifinal de duplas.

Esse lance espetacular deu dois break points a Roger Federer no terceiro set. Djokovic salvou-se de ambos, mas acabou perdendo o saque no mesmo game, que durou mais de dez minutos. Foi o início da reação do suíço.

Cheiro de campeão?

A entrevista pós-jogo com Jim Courier rendeu mais um momento divertido de Novak Djokovic. O americano disse que o bate-papo começou em um lugar e que o sérvio continuava a andar para trás. Courier quis saber se estava cheirando mal… Nole, então, respondeu que seu entrevistador tinha o hábito de fazer a pergunta e dar um passo para a frente. E todo mundo riu.

Bolão Impromptu do Dia

Nesta quinta, a pergunta aleatória lançada durante um momento qualquer na madrugada era sobre quantos games teria a partida entre Novak Djokovic e Roger Federer. O vencedor foi Felipe Priante, jornalista do Tenisbrasil, que foi ousado no palpite, considerando que os últimos confrontos entre sérvio e suíço em torneios de Grand Slam haviam ultrapassado os 40 games.

O que vem por aí no dia 12

A programação de sexta-feira, em Melbourne, só tem uma partida de simples: Andy Murray e Milos Raonic fazem a segunda semifinal masculina à noite, na Rod Laver Arena. Antes, a quadra principal do torneio tem uma semifinal de duplas mistas e a final de duplas femininas, com as quase imbatíveis Martina Hingis e Sania Mirza enfrentando as tchecas Andrea Hlavackova e Lucie Hradecka.

Bruno Soares, por sua vez, volta à quadra para buscar uma vaga também na final de duplas mistas. Ele e a russa Elena Vesnina fazem a última partida da Quadra 3, já no fim da tarde (ou no começo da noite) contra Sania Mirza e Ivan Dodig.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 9: em dia de favoritos, Bruno Soares vai à semi como o mais cotado
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Alexandre Cossenza

Não brotaram aces improváveis de raquetes inférteis e os erros não forçados, tão abundantes 48 horas atrás, minguaram para quem eles habitualmente são esparsos. Logo, nesta terça-feira, primeiro dia das quartas de final do Australian Open 2016, Serena Williams bateu Maria Sharapova pela 18ª vez consecutiva, Roger Federer somou sua 16ª vitória em 22 confrontos contra Tomas Berdych, e Novak Djokovic despachou Kei Nishikori.

Nas duplas, a história foi outra. Os cabeças de chave número 1, Horia Tecau e Jean Julien Rojer, deram adeus ao torneio. Agora, os principais pré-classifcados são o brasileiro Bruno Soares e o britânico Jamie Murray, que venceram mais uma e estão nas semifinais. Este resumaço do dia ainda tem vídeos curiosos de boladas e de Carlos Bernardes vivendo seu momento bullet time na Rod Laver Arena (ou, quem sabe, ele estava na Matrix e ninguém percebeu).

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O brasileiro

Pela primeira em quatro partidas no torneio, Bruno Soares e Jamie Murray jogaram um terceiro set e, mais ainda, um tie-break-de-terceiro-set, aquela entidade com vida própria em que qualquer minuto de desatenção custar mais do que a gasolina em Fernando de Noronha. A notícia boa é que brasileiro e escocês não cederam nenhum break point na parcial decisiva e abriram o game de desempate fazendo 4/1. Sem drama além do intrínseco para o momento.

O triunfo por 6/7(7), 6/4 e 7/6(3) foi sobre Raven Klaasen e Rajeem Rav, que haviam eliminado os irmãos Bryan na segunda-feira, e colocou Bruno e Jamie nas semifinais do Australian Open. E mais: os dois agora são os principais cabeças vivos em Melbourne, já que Horia Tecau e Jean Julien Rojer deram adeus, eliminados pelos franceses Adrian Mannarino e Lucas Pouille, que acumulam mais cabeças cortadas do que uma guilhotina da Revolução Francesa. A campanha de Mannarino e Pouille tem vitórias em sequência sobre Bolelli e Fognini (cabeças 5), Cabal e Farah (12) e Roger e Tecau (1).

Bruno e Jamie, agora, são os favoritos das casas de apostas e enfrentarão os franceses na semi. A outra vaga na final sairá do jogo de Daniel Nestor e Radek Stepanek contra Pablo Cuevas e Marcel Granollers (cabeças 16).

Para Marcelo Melo, a eliminação de Rojer e Tecau foi providencial. Sem o holandês-de-Curaçao e o romeno na chave, o mineiro garante sua continuidade na liderança do ranking de duplas. Melo corria risco, já que foi às semifinais no ano passado e perderia pontos. Ele seria ultrapassado se o título ficasse com Rojer/Tecau ou com os irmãos Bob e Mike Bryan.

As simples, tão simples

Tomas Berdych conseguiu equilibrar seus duelos com Roger Federer por algum tempo, o que foi um feito e tanto para o tcheco (e o seria para qualquer um). De Miami/2010 até o início de 2013, foram oito confrontos, com cinco vitórias de Berdych. Resumindo rasamente o drama suíço, o tcheco atacava os segundos serviços do suíço o suficiente para conseguir o controle dos ralis e, nos dias bons, mandar na partida.

Coincidência ou não, essa série acabou quando Federer começou a trabalhar com Stefan Edberg. Nos últimos anos, o suíço inclusive melhorou consideravelmente o aproveitamento de seu saque, o que fez uma diferença gigante contra Berdych (e todos os outros, claro). E, de 2014 até agora, são cinco triunfos consecutivos do ex-número 1, incluindo o desta terça-feira, que veio por 7/6(4), 6/2 e 6/4.

E foi, ressaltemos, uma ótima atuação de Berdych. O tcheco esteve na frente no primeiro e no terceiro sets, mas pecou por não aproveitar as vantagens. Federer também escapou de break points com excelentes saques e fez um espetacular (e espetacularmente necessário) tie-break na primeira parcial. Além disso, tão essencial quanto os saques foi a capacidade de Federer de vencer ralis, o que nem sempre é fácil quando os forehands de Berdych estão calibrados – e eles estavam.

No fim, o suíço chegou a uma ótima vitória, e “ótima” não só porque lhe valeu uma vaga nas semifinais, mas porque veio em três sets, descomplicando um duelo que esteve longe de ser simples durante a maior parte do tempo.

Bullet time Bernardes

O árbitro brasileiro Carlos Bernardes, coincidentemente-ou-não usando óculos à la Keanu Reeves em Matrix, desviou rapidamente de uma bola espirrada na partida entre Roger Federer e Tomas Berdych. Atenção para a destreza de Bernardes no lance em câmera lenta!

Fora da Matrix

Nem todo mundo tem a sagacidade do árbitro brasileiro. Um juiz de linha, por exemplo, tentou desviar de um saque de Tomas Berdych, mas movimentou-se para o lado errado e acabou levando uma bolada bem na “região da virilha”, também conhecida como aquela parte sensível do corpo que fica ali perto da virilha, mas definitivamente não é a virilha.

O jogo mais esperado

Bem já dizia Patrick Mouratoglou, técnico de Serena Williams, duvidando da capacidade de Maria Sharapova (#5) de repetir o desempenho excelente que teve com o saque nas quartas de final, quando fez 21 aces contra Belinda Bencic. Diante da número 1 do mundo, provavelmente a melhor devolução do tênis feminino, Sharapova fracassou mais uma vez. Não só porque fez apenas três aces e sete duplas faltas, mas porque venceu apenas cinco games.

Serena, que começou o jogo perdendo o serviço, triunfou por 6/4 e 6/1 em 1h33min, somando sua 19ª vitória em 21 confrontos com a russa. Agora, são sete encontros sem que a russa tenha vencido um set sequer.

Na semifinal, a número 1 do mundo vai encarar Agnieszka Radwanska (#4), que passou pela espanhola Carla Suárez Navarro (#11) por 6/1 e 6/3 em 1h24min (e eu não canso de achar graça nesse vídeo abaixo).

Polêmica à vista

Após o duelo, Sharapova adotou o discurso politicamente correto, dizendo que Serena está em outro nível, que faz o resto do circuito trabalhar mais duro e que é uma inspiração para as outras. Dona Maria também disse que pretende ir a Moscou fazer parte do time russo na Fed Cup, mas ressaltou que não deve jogar porque precisa tratar o antebraço.

Pouco depois dessa declaração, o presidente da federação russa, Shamil Tarpischev, afirmou à agência de notícias TASS que Sharapova “precisa precisa jogar pelo time nacional se quiser participar dos Jogos Olímpicos.”

Ainda é cedo, mas a chance de uma polêmica no futura deve ser considerada. A Federação Internacional de Tênis dá grandes poderes às associações nacionais, que podem se recusar a nomear este ou aquele tenista (vide Alemanha em Londres/2012), mesmo que o atleta defenda o país na Copa Davis ou na Fed Cup.

Tarpischev, vale lembrar, é uma figura polêmica, um misto de gênio e vilão. Do mesmo modo que deu títulos à Rússia com escalações contestáveis, é alvo de críticas por seus comentários nada politicamente corretos. Ele, inclusive, foi suspenso do circuito por um ano após fazer uma piada, referindo-se a Venus e Serena como “os irmãos Williams” em um programa de TV russo.

E o número 1?

Novak Djokovic voltou ao normal, ou seja, cortou o número de erros por mais da metade. Em vez dos 100 acumulados ao longo de cinco sets contra Gilles Simon (em média, 20 erros por set), cometeu apenas 27 contra Kei Nishikori (nove por set) e venceu por 6/3, 6/2 e 6/4.

Quem falhou muito foi o japonês (54 erros, 18 por set), mas é o que costuma acontecer quando Djokovic está de volta a seu habitual nível de consistência. Nishikori ainda teve a dianteira duas vezes no começo do terceiro set, quando abriu 2/0 e, depois, 3/1, mas nunca confirmou o serviço para consolidar a dianteira.

Fica agora a expectativa pela semifinal com Roger Federer, que, aos olhos de muita gente, tem cara de decisão. Não só porque os dois decidiram os últimos Slams (Wimbledon e US Open), mas também porque Andy Murray tem a eterna desconfiança de boa parte de fãs e críticos.

O boleiro fisioterapeuta

O jogo nem estava tão difícil assim, mas Novak Djokovic pediu uma ajudinha ao boleiro após uma virada de lado.

A chave masculina:

[1] Novak Djokovic x [3] Roger Federer
Gael Monfils [23] / [13] Milos Raonic x [8] David Ferrer / Andy Murray [2]

A chave feminina:

[1] Serena Williams x [4] Agnieszka Radwanska
[7] Angelique Kerber / [14] Victoria Azarenka x Johanna Konta x Shuai Zhang

Os melhores lances

A capacidade defensiva de Djokovic não é novidade nenhuma, mas ninguém deve se cansar de ver lances assim:

Que tal a habilidade de Federer junto à rede?

O que vem por aí no dia 10

A programação de quarta-feira, em Melbourne, tem a partida mais esperada logo no primeiro horário: Angelique Kerber x Victoria Azarenka. Em seguida, Johanna Konta enfrenta Shuai Zhang pelo posto de maior zebra do torneio. A sessão diurna da Rod Laver Arena termina com David Ferrer x Andy Murray. O único jogo de simples da noite tem Gael Monfils x Milos Raonic, mas foi bacana do torneio escalar Martina Hingis e Sania Mirza para fecharem a programação. Elas enfrentam Julia Goerges e Karoline Pliskova por uma vaga na final de duplas.

Já classificado para as semifinais de duplas masculinas, Bruno Soares tenta o mesmo as mistas. Nesta terça, ele e a russa Elena Vesnina fazem o terceiro jogo do dia na Quadra 2. Seus adversários são o britânico Jamie Murray (sim, o parceiro de Bruno) e a eslovena Katarina Srebotnik.

Veja aqui os horários e a programação completa.