Saque e Voleio

Rio Open, dia 7: um 'teste' atrapalhado e um Dominic dominador

Alexandre Cossenza

26/02/2017 21h57

O domingo de Carnaval veio com um começo de chuva, revelando uma insegurança do torneio para lidar com ela. Ao contrário do discurso adotado pelo diretor do torneio, Lui Carvalho, no ano passado – e ressaltado por ele mesmo em encontro com jornalistas um mês atrás -, foi colocada uma lona na quadra central. Uma, não. Sete. Em vez de uma ou duas lonas grandes como em torneios de maior porte, a organização do Rio Open colocou sete pedaços separados de lona cobrindo a quadra. E uma parte (que seria da oitava lona) ficou descoberta.

Pior foi o processo para tirar as sete lonas quando a chuva passou. Funcionários atrapalhados e aparentemente sem treino algum para a situação levaram cerca de 35 minutos para descobrir a quadra inteira (sem contar a recolocação da rede e outros ajustes necessário para o recomeço de um jogo) em um procedimento que envolveu até passar com uma das lonas por cima das cabeças de funcionários.

Enquanto o processo cirque-du-Soleil-esco continuava, faltavam braços, e o cidadão que coordenava a retirada das lonas perguntou a um dos seguranças se havia algum outro segurança que pudesse ajudar no processo. Até eu fui chamado – em tom de brincadeira (espero!) – a ajudar.

Mas não era horário de jogo, não havia câmeras de TV mostrando e não é um Masters 1.000, com toda a imprensa internacional para repercutir o vexame. É mais fácil culpar a imprensa imprensa implicante e “que deveria dar graças a deus por existir um torneio assim no país.” Porém, qualquer que seja a análise, é difícil levar adiante que um evento assim pense em se tornar um Masters 1.000 enquanto usa uma equipe tão grande e falha dessa maneira.

No fim do dia, Lui Carvalho, que sempre defendeu o não-uso da lona, disse que tudo foi uma experiência, já que faltavam ainda duas horas para a final. Por isso, segundo ele, a quadra ficou 1/8 descoberta. O que permitiria avaliar a drenagem. “Dito e feito. O lugar sem lona secou em dez minutos, enquanto a lona demora um parto para tirar.” E por que não usar uma lona grande (ou duas) como em Wimbledon ou Roland Garros? “Porque a gente não tem calha, não tem como fazer um pedaço enorme. Não tem como carregar um pedaço de lona gigantesco para dentro da quadra.”

Thiem: excelência e pé no chão

Sorte que não choveu durante a final. Assim, foi possível ver Dominic Thiem em mais uma atuação dominante. Diante de Pablo Carreño Busta, o número 8 do mundo mais uma vez deu as cartas, ditando o ritmo do jogo e cometendo poucos erros. O espanhol sempre jogou reagindo ao que o favorito fazia. Carreño Busta até conseguiu uma quebra de vantagem no set inicial, mas Thiem sempre pareceu com o jogo sob controle. Não só devolveu a quebra imediatamente na sequência como foi impecável no 12º game, quebrando outra vez e evitando o tie-break.

No segundo set, os dois tenistas trocaram quebras no sexto e no sétimo games, mas, de novo, quando a coisa apertou, Thiem tinha sobra. Correu menos riscos o jogo inteiro, agredindo com bolas que passavam com folga sobre a rede e deslocando Carreño Busta em pontos que, na sua maioria, terminavam com o espanhol cometendo um erro forçado ou devolvendo uma bola mais curta, o que dava a Thiem a chance de finalmente partir para um winner praticamente sem correr riscos.

Após o jogo, Pablo Carreño Busta comemorou o que classificou como o melhor momento da carreira, mas admitiu que há coisas a melhorar em seu tênis. Ele lamentou especialmente a quebra sofrida no set inicial, quando teve a chance de abrir 4/2. Thiem também foi bastante pé-no-chão. Disse que achou a partida bem equilibrada e que só se sentiu em controle do jogo quando quebrou o oponente no segundo set. E, mesmo assim, nem tão dominante quanto pareceu. Em seguida, indagado sobre o que falta para vencer um slam, Thiem disse que precisa de muito e concordou que sua melhor chance é em Paris.

“É preciso que tantas coisas deem certo. Ano passado, em Roland Garros, joguei contra Djokovic, que nunca vi jogando um nível de tênis tão alto quanto aquele, mas sim. É preciso ter um pouco de sorte para ir longe num slam. É preciso sorte na definição chave e fazer boas partidas. O que eu tento é me preparar o melhor possível para fazer uma boa campanha lá.”

Coisas que eu acho que acho:

– De modo geral, a edição 2017 do Rio Open foi muito boa. O torneio melhorou em alguns quesitos e eliminou alguns erros bobos. Embora ainda falte bastante para chegar à altura do discurso de Lui Carvalho, que fala em transformar o Rio Open em um Masters 1.000 no futuro, o evento carioca é, de modo geral, um programa excelente para quem gosta de tênis (e, pelos vazios na arquibancada, para quem não gosta também).

– Ainda sobre a lona, eventos como Wimbledon e Roland Garros deixam as lonas já dentro das quadras. O Rio Open prefere deixar as cobertas fora do espaço da quadra. Por isso, a necessidade de vários pedaços. “Mas por que deixar a lona fora da quadra?”, você pode estar perguntando. Porque fica visualmente feio. Sim, é essa a explicação.

– Após a última coletiva do dia, Lui Carvalho, sentou-se com alguns jornalistas para tirar mais algumas dúvidas. Publicarei as partes mais interessantes dessa conversa (e da coletiva) em breve.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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