Saque e Voleio

Andy Murray, o número 1, e a ‘chancela Djokovic’

Alexandre Cossenza

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Andy Murray foi campeão de Wimbledon, bicampeão dos Jogos Olímpicos e terminou a temporada com o título do ATP Finals. Fez outras duas finais de Slam (perdeu para Djokovic na Austrália e na França), ganhou em Roma, em Queen’s, em Pequim, em Xangai, em Viena e em Paris. A lista é enorme. Venceu 22 jogos seguidos de junho a agosto. De setembro a novembro, estabeleceu outra série enorme, com 24 triunfos. Uma sequência espetacular em que o escocês ainda teve gás para ficar em quadra por 3h38min na semifinal e, no dia seguinte, derrotar o rival na briga pela liderança do ranking.

Os números são, sim, incontestáveis. O número 1 é quem faz mais pontos durante o período de 52 semanas. Ainda assim, pairava para alguns a dúvida: Murray teria assumido a ponta do ranking porque jogou pouco contra o sérvio? Nos quatro confrontos anteriores este ano, Nole triunfou em três. O que aconteceria, então, no embate direto pela ponta do ranking? Pois Murray foi lá e cravou um 6/3 e 6/4 que pareceu mais fácil do que o placar indicou. Não fosse um deslize do britânico no fim do segundo set, Djokovic nem teria tido a chance de esboçar uma reação.

Era a chancela que faltava: número 1 nos pontos, mas com a posição estabelecida em cima do grande rival. Foi o resultado para completar uma temporada memorável. Foi o retrato do segundo semestre, e Murray, é preciso dizer, fez um dos segundos semestres dos mais brilhantes da história. Teria sido ainda mais folgado se os Jogos Olímpicos Rio 2016 dessem pontos no ranking – como em Londres – mas a briga precisava ir até o final. Aos olhos (injustos) de muitos, Murray ainda não tinha a validação necessária como número 1. Pois tem agora.

Sobre a decisão, não há muito a dizer. O britânico foi sólido e agressivo, especialmente com o saque. Apostou em arriscar sempre o primeiro serviço, mesmo dando margem para Djokovic atacar seu segundo saque. Funcionou. O sérvio, por sua vez, atacou menos e mostrou menos precisão. Pouco arriscou com o backhand na paralela – talvez seu golpe mais importante contra Murray. Quando foi para as linhas, quase sempre errou.

Ao insistir na esquerda cruzada, Nole fez o jogo que deixa seu rival mais confortável. Era preciso mexer mais o escocês. Era preciso forçá-lo a usar mais o forehand, golpe bem menos sólido. Djokovic só conseguiu fazer isso no finzinho da segunda parcial. Já era tarde demais. Talvez o sérvio tenha pagado o preço por cair numa chave menos complicada na fase de grupos. Por ter sido menos exigido. Mas a sólida atuação contra Nishikori na semifinal praticamente lhe colocou como favorito ao título.

No entanto, na hora mais importante, o ex-número 1 ficou devendo – como aconteceu quase sempre após Roland Garros. Djokovic falhou em momentos decisivos contra Querrey em Wimbledon, perdeu dois tie-breaks para Del Potro no Rio, tombou na decisão do US Open diante de Wawrinka. Enquanto isso tudo acontecia, Murray fazia sua escalada. Estava mais de oito mil (!!!) pontos atrás do sérvio após o Slam francês. Terminará o ano 630 pontos à frente. Incontestável.