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Djokovic 2015: espetacular até quando não é espetacular

Alexandre Cossenza

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Australian Open, Indian Wells e, agora, Miami. Pela segunda vez na carreira, Novak Djokovic vence os três primeiros torneios grandes de quadra dura em uma temporada. A outra vez que isso aconteceu todo mundo lembra (ou deveria lembrar) muito bem: foi em 2011, quando o sérvio, então à caça de Rafael Nadal no ranking, chegou a 43 vitórias consecutivas e só foi derrotado em Roland Garros – por Roger Federer, nas semifinais.

O ano de 2015 não tem números tão espetaculares para Nole (ainda?). Depois de sofrer reveses em Doha (para Ivo Karlovic) e Dubai (para Federer), o número 1 do mundo encerra Miami com “apenas” 12 vitórias seguidas. E, enquanto Rafael Nadal não encontra seu melhor tênis, Roger Federer evita o calor da Flórida, Andy Murray não tem a regularidade necessária e o resto do circuito ainda não se mostra pronto para desbancar o top 4 consistentemente, o sérvio dispara na ponta do ranking.

A vantagem de Djokovic sobre Roger Federer, atual número 2, é de 4.310 pontos (pouco mais de dois Slams), mas, no momento, o que vem chamando a atenção no circuito é o quanto o sérvio não vem jogando um tênis espetacular. Isso não é uma crítica. Muito pelo contrário. O fato é que Nole já venceu 25 jogos em 2015 e, com uma visão um pouco mais exigente, quem consegue dizer que ele jogou um tênis espetacular-do-começo-ao-fim em mais de meia dúzia?

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Djokovic vem oscilando um bocado entre os jogos e até mesmo durante as partidas. Miami, mesmo com condições mais duras de jogo (calor e umidade), foi um belo exemplo. Desde o set perdido na estreia em um jogo aparentemente sob controle contra Martin Klizan, passando por um set inicial muito ruim contra Alexandr Dolgopolov e chances perdidas contra David Ferrer, até a final em que Andy Murray teve um bocado de chances nos primeiros dois sets. A única apresentação boa do começo ao fim veio na semi, contra John Isner.

O que é espetacular, isso sim, é que Djokovic vem vencendo todos esse jogos. Traduzindo: sua superioridade no circuito é tão grande que lhe permite um bocado de momentos abaixo da média (sua média é altíssima, lembremos, mas o julgamento deve ser proporcional ao nível do tenista). Na final de Indian Wells, contra Roger Federer, Nole saiu de belíssimo início de jogo para um péssimo tie-break no segundo set. Ainda assim, venceu confortavelmente no fim. Não foi muito diferente neste domingo, na decisão do Masters de Miami.

O resumo disso tudo? Hoje em dia, Novak Djokovic é espetacular até errando smashes e fazendo duplas faltas. O circuito inteiro está muito, muito atrás.

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Coisas que eu acho que acho:

– Embora não esteja jogando no nível fabuloso de 2011, Djokovic leva uma vantagem enorme para a temporada de saibro: já perdeu este ano. É um pouco de pressão a menos, algo que nunca pode ser subestimado – especialmente em um momento em que o título de Roland Garros parece mais palpável do que nunca.

– Sobre Andy Murray e suas oscilações – mais mentais do que técnicas -, o lado positivo é que o escocês faz três ótimos torneios justamente nos eventos mais importantes da temporada. Calhou de trombar (e cair!) em Djokovic em todos eles, o que provocou três derrotas. Mas vale lembrar que Môri é o vice-líder em pontos conquistados neste início de ano. São 2.420, contra 4.385 de Djokovic e 1.890 de Berdych, o terceiro colocado. Federer, em sexto nesta lista, somou 1.515, e Nadal, em uma incomum nona posição, acumula 1.015.