Saque e Voleio

Floripa: WTA mais fraco do mundo vale o que custa?
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Alexandre Cossenza

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Os otimistas preferem ver a coisa toda pelo seguinte ângulo: uma chave acessível dá mais chances para as tenistas brasileiras somarem pontos e ganharem dinheiro em um torneio de nível WTA International. Não fosse assim, as chances seriam reduzidas e haveria menos atletas da casa participando.

A outra maneira, mais realista, é esta: o WTA de Florianópolis é o torneio mais fraco do mundo entre seus equivalentes e virou piada internacional. Sem exagero. Números e tweets, que listarei abaixo, comprovam. A parte boa – e é boa mesmo – é que sim, algumas brasileiras terão uma chance raríssima nesta semana. É preciso prestar atenção, contudo, (principalmente em época de Jogos Pan-Americanos) para não tirar nada de contexto e supervalorizar o que quer que aconteça, criando uma série de leitores e espectadores iludidos e mal informados.

Primeiro, aos fatos. Diretores de torneio e tenistas gostam de usar o ranking para determinar o quão forte (ou fraca) é uma chave. É comum ouvir deles e delas que este ou aquele evento “fechou em” um número X. “Fechou em” significa o ranking do último tenista que ganhou vaga na chave principal sem precisar disputar o qualifying. Nem concordo que seja o melhor dos critérios, mas no caso de Florianópolis o abismo é tamanho que a lista da WTA mostra-se irrefutável.

Pois bem. Em 2015, a média dos torneios da série WTA International (equivalentes ao de Florianópolis) fecha em 104. Essa conta considera desde eventos fortes como Hobart (pré-Grand Slam, fechou em 62) até torneios menos badalados como o Rio Open (fechou em 154). Pois o torneio catarinense fechou em 266!

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Nem é só esse o número que deixa Florianópolis muito atrás do resto do mundo. A oitava cabeça de chave do Rio Open, por exemplo, ocupava o 83º posto no ranking. Em Praga, outro evento forte, a cabeça 8 era a #35 do mundo. No WTA catarinense, trata-se da polonesa Paula Kania, #136 (ranking da semana passada, que definiu as cabeças). É uma diferença considerável.

Mas tem mais. Como bem levantou João Victor Araripe, desde 2008, quando a WTA mudou a nomenclatura dos torneios, nunca houve um evento da série International sem uma top 60 sequer. Floripa bateu este recorde. A sueca Johanna Larsson, #46, que seria a principal cabeça de chave, desistiu de vir ao Brasil. Assim, o principal nome do evento agora é a alemã Tatjana Maria, 64ª colocada.

O pior é que a lista de números desagradáveis não ficou restrita à chave principal. As desistências foram tantas, e o interesse, tão pouco, que faltaram nomes para o qualifying. O torneio de acesso, que dá seis lugares na chave principal, teve apenas 14 tenistas. A organização montou uma chave com dez “byes”.

As piadas

Tudo isso deu origem a uma série de piadas. E nem são aquelas tradicionais de brasileiros menosprezando eventos brasileiros. Em fóruns e no Twitter, gente de toda parte do mundo fez questão de apontar o quão fraco está o torneio catarinense. A lista de tweets abaixo (que poderia ser maior) inclui comentários sobre “terra devastada”, “cenas surreais”, “legado inesquecível” e o porquê de Jelena Jankovic estar disputando um torneio menor nesta semana.

Os motivos

Não é tão difícil entender por que a chave de Florianópolis ficou tão fraca. Primeiro porque trata-se de um torneio no saibro às vésperas da chamada US Open Series, aquela sequência de eventos em quadra dura que antecede o US Open. Além disso, o torneio está isolado no continente. Que tenista de elite faria uma viagem tão longa para precisar fazer outro voo intercontinental na semana seguinte?

Em 2013 e 2014, quando o torneio era disputado em fevereiro, não era tão difícil assim. Tanto que Floripa teve Venus Williams, Carla Suárez Navarro, Garbiñe Muguruza, Francesca Schiavone e outros nomes bem interessantes. A mudança de data foi um pedido do próprio torneio, que queria ficar mais perto do período das Olimpíadas de 2016 (o tênis olímpico começa a ser disputado em 6 de agosto). Talvez funcione no ano que vem (o torneio voltará a ser jogado em quadras duras), mas em 2015, no saibro, não deu certo.

Outro ponto a ser levado em consideração é o momento econômico do país. Com o dólar acima da casa dos R$ 3,00, torna-se ainda mais difícil pagar aqueles gordos cachês que trazem tenistas de peso. Este ano, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e a Federação Catarinense de Tênis (FCT), realizadores do torneio, não pagaram nada a ninguém.

As brasileiras

O resultado disso tudo é a chave fraca (“acessível” é um eufemismo desnecessário a esta altura), que acaba beneficiando as tenistas da casa. O WTA de Florianópolis acabou se transformando em uma oportunidade de ouro para Teliana Pereira, número 1 do Brasil e 78 do mundo (ranking de domingo). Se estiver recuperada das dores que forçaram seu abandono em Bad Gastein, na Áustria, a pernambucana disputará em seu piso preferido o WTA mais fraco de sua vida.

Seria uma chance maravilhosa também para Bia Haddad, mas nem com essa sorte o torneio contou. A paulista, #2 do Brasil e #153 do mundo, sofreu uma lesão durante os treinos para os Jogos Pan-Americanos e não poderá jogar em Santa Catarina. As outras brasileiras na chave serão Paula Gonçalves (#305) e Gabriela Cé (#249), que entraram direto, e as convidadas Nanda Alves (#633), Carolina Meligeni Alves (#530) e Luisa Stefani (17 anos, #14 do mundo no ranking juvenil).

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O custo benefício

O compromisso financeiro total do torneio é de 250 mil euros, o equivalente a mais de R$ 900 mil. Parece seguro afirmar que, com os custos de organização e promoção, o torneio custa mais de R$ 1 milhão anual. Pouco me importam os gastos do Brasil Open e do Rio Open, promovidos por empresas privadas como Koch Tavares e IMX. Só que o WTA de Florianópolis é organizado pela FCT e pela CBT. Uma federação e uma confederação.

Será que vale a pena pagar tanto por um torneio com uma chave assim? Há retorno suficiente para estimular o tênis no país? Quanto valem, em reais, os pontos conquistados pelas brasileiras que vençam partidas durante a semana? Nem acho que seja o caso de incluir Teliana nessa discussão (a pernambucana tem jogo para pontuar no saibro em qualquer torneio do mundo). Mas acho – e sintam-se livres para discordar – que são discussões que deveríamos ter em algum momento.

Em tempo: tentei conversar com Rafael Westrupp, diretor do torneio, mas não foi possível encontrar um horário em comum (ele tem as funções dele, eu tenho meu emprego – culpa de ninguém). Uma pena. Seria muito interessante ter uma posição oficial da organização neste texto.

Frases

Encontrei, no entanto, declarações tanto de Westrupp quanto de Jorge Lacerda, presidente da CBT, em texto publicado no site do torneio em 18 de junho.

Lacerda afirma que “o resultado das meninas desde que a gente conseguiu adquirir a data, em 2012, o ranking delas em comparativo de 2012 para hoje era o sonho que a gente queria. A gente comprou um WTA sem jogadoras com condições de ranking para jogar e hoje temos um WTA com duas ou três jogadoras entrando direto na chave, a Bia como 148 do mundo e a Teliana 74. É uma nova fase do tênis feminino e isso tem muito a ver com esse evento.”

Discordo quando o presidente usa Bia e Teliana como exemplos de ascensão e usa o torneio catarinense como gancho. Dos 755 pontos de Teliana, só 30 foram conquistados em Floripa. Bia caiu na estreia no ano passado. Logo, seu ranking pouco (ou nada) tem a ver com o torneio. Dizer que as duas evoluíram tecnicamente por causa do WTA catarinense? Acho uma tentativa forçada de valorização por parte do dirigente. E não custa lembrar que quando Teliana começou sua ascensão pós-cirurgias, teve diferenças com a entidade e foi excluída do quadra de atletas beneficiados pela CBT.

No mesmo dia, Westrupp disse que “a tendência é que a gente tenha pelo menos cinco brasileiras na chave principal, o que é louvável e comprova que todo o investimento e a coragem da CBT em trazer o evento ao Brasil está dando resultado antes do que a gente imaginava.”

O Brasil terá até mais tenistas do que o esperado pelo diretor. E seria realmente louvável se a chave não fosse tão fraca. Do jeito que aconteceu, duas brasileiras (Cé e Gonçalves) só conseguiram vaga direta porque o torneio não atraiu atletas melhores. As duas não entrariam em nenhum outro WTA International do calendário. Não acho que seja motivo de orgulho. E talvez não valha R$ 1 milhão.


Quadra 18: S01E10
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Alexandre Cossenza

Uma atuação salvadora de Lleyton Hewitt e três pontos conquistados por Andy Murray foram só alguns dos destaques da Copa Davis em um fim de semana cheio de confrontos emocionantes que incluiu ainda a República Dominicana avançando no Zonal das Américas e a Espanha sendo derrotada lindamente diante de um time nada intimidante da Rússia em Vladivostok.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos sobre tudo isso e ainda analisamos as possibilidades do Brasil, que enfrentará a Croácia nos playoffs do Grupo Mundial, de 18 a 20 de setembro, em casa. Para ouvir é só clicar no botãozinho abaixo.

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes. Nosso arquivo com todos os programas também está no Tumblr. E para enviar questões, críticas e sugestões, nosso canal preferido é o Twitter – incluam sempre a hashtag #Quadra18 – mas também aceitamos via e-mail e Facebook.

Os temas

Como de costume, segue abaixo a lista de assuntos abordados no programa, com o momento em que falamos sobre cada um dos temas. Quem preferir, pode avançar direto até o trecho que quiser ouvir primeiro.

1’18’’ – Lleyton Hewitt resgata a Austrália na vitória de virada sobre o Cazaquistão
3’02’’ – A imprevisibilidade dos jovens australianos Kyrgios, Tomic e Kokkinakis
9’40’’ – “O time australiano pode ser a grande história esportiva do ano?”
10’30’’ – “Hewitt é um típico jogador de Copa Davis?”
11’30’’ – “O que falta para o Brasil ser um Cazaquistão, que está no Grupo Mundial há cinco anos consecutivos?”
14’20’’ – Por que o Brasil não esteve tão longe de chegar às semifinais
15’00’’ – A vitória da Grã-Bretanha de Andy Murray sobre a França
17’00’’ – A estranha escalação de Tsonga para o jogo de duplas
18’10’’ – O dramático quarto jogo entre Murray e Simon
20’15’’ – O péssimo histórico dos franceses em jogos 4 e 5 de Copa Davis
22’10’’ – Gasquet não deveria ter sido escalado?
24’00’’ – “Qual a porcentagem de vitória quando um do Big Four decide disputar a Copa Davis desde a primeira rodada?”
24’20’’ – As situações em que Federer, Nadal, Djokovic e Murray decidiram jogar a Davis desde o início do ano.
26’55’’ – A vitória da Argentina sobre a Sérvia em Buenos Aires
29’20’’ – O triunfo da Bélgica sobre a equipe capenga do Canadá
30’50’’ – Palpites para as semifinais do Grupo Mundial
32’50’’ – O tamanho do buraco da Espanha na segunda divisão
35’50’’ – O casamento de Feliciano López marcado para a data da Copa Davis
36’10’’ – Comentários sobre o casamento de Tomas Berdych, bufê liberado, vestidos de noiva, Kim Kardashian e roupas transparentes
38’10’’ – Os vencedores dos Zonais e o brilho de Victor Estrella Burgos
39’00’’ – Retrospecto das últimas participações brasileiras
39’55’’ – Bruno Soares pergunta: “Vocês acham bom o atual formato da Davis?”
41’10’’ – A proposta de uma “Copa do Mundo” do tênis de dois em dois anos
44’55’’ – A possibilidade de jogos em melhor de três na Copa Davis
46’00’’ – Bruno Soares pergunta: “Como encaixar melhor a Davis no calendário?”
49’35’’ – “Quais os requisitos de jogar a Davis para estar nas Olimpíadas?”
51’15’’ – “Qual a seleção mais copeira da Copa Davis?”
52’10’’ – “Por que o SporTV não mostrou nenhum confronto?”
53’30’’ – Brasil x Croácia: o que esperar?
60’50’’ – Os outros confrontos dos playoffs

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “Hang For Days” e “Game Set Match”. As duas últimas fazem parte da audio library do YouTube.


Teliana e o dilema do “fazer o quê?”
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Alexandre Cossenza

Aconteceu nesta quinta-feira, nas oitavas de final do WTA de Bucareste, na Romênia, e vale o registro mais pela curiosidade das imagens que por qualquer conclusão profunda que alguém se sinta tentado a tirar baseado em um pequeno caso em uma partida só. Então vamos a ele.

Teliana Pereira enfrentava Monica Niculescu, número 41 do mundo. Um jogo sempre complicado, já que a romena tem um tênis pouco tradicional. Joga com muitos slices, de direita e esquerda, e raramente deixa a adversária à vontade para se posicionar em quadra. Como a brasileira não tem peso de bola para tomar a dianteira dos pontos na base da força, seria preciso encontrar uma solução.

Antes de Teliana sacar em 2/3 no primeiro set, seu técnico e irmão, Renato Pereira, entrou em quadra para dar instruções (a WTA – e só a WTA – permite entradas de treinadores e capta quase tudo com os microfones) e pediu uma postura mais agressiva de Teliana, que perdeu sete dos oito games seguintes.

Quando voltou à quadra, já com 2/6 e 1/4 no placar, Renato pediu o contrário. Que Teliana jogasse com bolas mais altas para ganhar tempo. Vale ver o vídeo e constatar a reação da número 1 do Brasil e atual 83 do mundo.

Parecia tarde para iniciar uma reação, mas a partida foi até equilibrada nos games seguintes. Quando Niculescu sacou para o jogo, Teliana conseguiu seis break points. Desperdiçou todos com erros não forçados (inclusive um com um smash e outro com um voleio na mão) e pagou o preço. A romena fez 6/2 e 6/3 e avançou às quartas de final do torneio em seu país.

A brasileira terá mais duas boas chances de somar pointos no saibro nas próximas semanas. Primeiro, jogará o WTA de Bad Gastein, na Áustria. Em seguida, será a estrela da casa no fraquíssimo (escrevo sobre isso mais terde) WTA de Florianópolis, que trocou de data e piso e será na terra batida este ano.


Quadra 18: Especial pós-Wimbledon
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Alexandre Cossenza

O segundo Serena Slam, o tri de Novak Djokovic, as duas semanas fantásticas de Roger Federer, a ascensão de Garbiñe Muguruza, a “limpa” de Martina Hingis nas duplas, a conquista de Tecau e Rojer… O podcast Quadra 18 chega nesta segunda recheado de assuntos interessantes em seu episódio pós-Wimbledon!

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos sobre a segunda semana (a primeira foi debatida num Hangout ao vivo durante o Middle Sunday) do Grand Slam da grama, dando nossas opiniões e aproveitando um punhado de perguntas enviadas por ouvintes. Falamos até sobre o resultado do negócio entre ESPN e SporTV, que permitiu ao canal da Disney mostrar jogos de todas quadras de Wimbledon. Para ouvir é só clicar no botãozinho abaixo.

Quem preferir pode baixar o arquivo neste link ou assinar nosso feed e ouvir no iTunes. Nosso arquivo com todos os programas também está no Tumblr. E para enviar questões, críticas e sugestões, nosso canal preferido é o Twitter – incluam sempre a hashtag #Quadra18 – mas também aceitamos via e-mail e Facebook.

Os temas

Como nem todos nossos ouvintes querem ouvir o programa inteiro, então deixo abaixo, como de costume, em que momento falamos sobre cada tema. Assim, quem preferir pode avançar direto até o trecho que preferir.

2’10’’ – Comentários sobre o título de Novak Djokovic
7’58’’ – “Federer e Serena provam que 30 anos não é mais fim de carreira para tenistas brigando por títulos grandes?”
11’35’’ – “Quem da geração Sub-25 será o primeiro a ganhar um Slam?”
14’40’’ – “Cilic vai voltar a vencer um Slam ou o US Open foi um one-hit wonder?”
16’00’’ – “Djokovic ganhou oito Slams em cinco anos. Será que nos próximos ele consegue mais oito?”
18’17’’ – “Djokovic vai passar Federer em número de Slams?”
20’35’’ – “Não é impressionante que Djokovic seja tricampeão em Wimbledon, no piso que teoricamente é o pior para ele?”
23’13’’ – “O que Djokovic pode melhorar em seu jogo além de lobs e smashes?”
24’30’’ – Comentários sobre a participação de Andy Murray em Wimbledon
25’05’’ – E Stan Wawrinka?
27’40’’ – O segundo Serena Slam
30’45’’ – Comparações entre os dois Serena Slams
34’50’’ – “O domínio de Serena é bom para o circuito?”
40’30’’ – Surgimento e ascensão de Garbiñe Muguruza
45’13’’ – As participações de Sharapova, Radwanska e Azarenka
50’30’’ – Comentários sobre Tecau e Rojer, campeões de duplas
56’40’’ – As participações de Marcelo Melo e Bruno Soares
60’55’’ – Os títulos de Martina Hingis nas duplas e nas mistas
61’45’’ – “Hingis ainda poderia jogar simples hoje?”
64’20’’ – Comentários sobre as transmissões de SporTV e ESPN
78’00’’ – Stakhovsky e a polêmica de não querer que a filha jogue tênis “porque os vestiários da WTA têm lésbicas”

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun. As demais faixas deste episódio são chamadas “Hang For Days” e “Game Set Match”. As duas últimas fazem parte da audio library do YouTube.


Wimbledon, dia 13: Djokovic derruba Federer e come grama outra vez
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Alexandre Cossenza

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Durante duas semanas, Roger Federer roubou os holofotes. Mostrou, página por página, o livrinho de golpes. Ganhou pontos espetaculares. Executou lances improváveis. Sacou como nunca, venceu como sempre. E, quando derrubou Andy Murray em uma atuação memorável nas semifinais, lembrou o planeta (como se alguém tivesse esquecido) por que venceu Wimbledon sete vezes.

Djokovic, por sua vez, foi competentíssimo nos últimos 15 dias, mas só foi o foco das atenções quando passou perigo diante de Kevin Anderson, nas oitavas de final. Na semi, jogou para o gasto. Parecia que o atual campeão de Wimbledon teria sérios problemas para manter seu reinado no All England Club.

Neste domingo, Djokovic teve, sim, sérios problemas contra o suíço. Precisou salvar set points antes de fechar uma parcial. Perdeu sete set points antes de perder outra parcial. No fim, contudo, o número 1 teve mais de onde tirar. Venceu o xadrez tático e, quando conseguiu anular o serviço do adversário, navegou até seu terceiro título de Wimbledon: 7/6(1), 6/7(10), 6/4 e 6/3.

O set quase perfeito

Um início nervoso, mas com poucos erros. A partida começou com nível altíssimo e poucas chances para os devolvedores. Federer conseguiu uma quebra no sexto game, no primeiro break point que conseguiu, mas Djokovic deu o troco imediatamente depois. O suíço ainda conseguiu dois set points no 12º game, mas o #1 se salvou com dois ótimos saques abertos. No tie-break, Djokovic foi perfeito. Iniciou o game com uma passada espetacular quase por fora da rede, abriu 4/1 vencendo um rali duríssimo de 22 golpes e fechou em 7/1.

Os sete set points

A segunda parcial foi igualmente parelha, mas com papéis invertidos. Desta vez, foi o suíço que salvou set point antes do game de desempate. Nole novamente fez um game de desempate impecável e chegou a abrir 6/3. Teve, inclusive, o set point no 6/5, em seu serviço, mas não aproveitou. Federer salvou um set point atrás do outro e até evitou mais um no serviço do adversário. Djokovic cometeu sua única falha grave no 10/10, jogando um forehand afobado na rede. O suíço, então, subiu à rede no 11/10 e empatou o jogo depois de salvar sete set points.

As cenas no intervalo deixam bastante claro que o número 1 do mundo tinha plena consciência das chances desperdiçadas e de quanto o jogo se complicaria.

A chuva que não mudou nada

A Quadra Central, que fez um barulho absurdo durante os 15 minutos do tie-break e festejou muito a parcial vencida por Federer (sim, a maioria torcia pelo suíço), ainda se recuperava dos momentos de tensão quando aconteceram os lances mais importantes do terceiro set. Primeiro, quando o #2 brilhou ao sair de um 15/40 no game inicial. Depois, com o sérvio salvando um break point. Por fim, com Federer cometendo seu erro mais bobo logo em um lance tão importante. Ao jogar para longe uma direita fácil, alta e perto da rede, o suíço perdeu o saque no terceiro game e viu o atual campeão abrir vantagem.

Os primeiros pingos – bem finos – apareceram no meio do quarto game. Não demorou para que a partida fosse interrompida. Como a previsão era de chuva passageira, a organização preferiu não fechar o teto retrátil, o que faz sentido. As regras dizem que o jogo deve seguir com teto fechado até o fim, e o ideal é sempre manter as características originais de jogo. Afinal de contas, Wimbledon, como os outros três torneios do Grand Slam, é um torneio outdoor.

A interrupção durou cerca de 15 minutos, e nada mudou quando os tenistas voltaram. Djokovic só perdeu dois pontos no serviço até o fim do set a aproveitou a vantagem. O #1 fez 6/4 e voltou a abrir vantagem.

As devoluções massacrantes

Quando o quarto set começou, Djokovic estava em um nível acima do de Federer. O suíço tentou um pouco de tudo, mas não encontrou uma tendência que lhe favorecesse consistentemente. Fugir do backhand e atacar o direita de Djokovic permitia o sérvio contra-atacar e pegar Federer na corrida o tempo quase inteiro. Atacar de dentro para fora dava ao número 1 a opção da paralela de backhand. Com Nole afundando a bola o tempo inteiro, subir à rede era arriscado demais.

Durante o torneio inteiro, se nada funcionasse, Federer tinha a eficiência do saque para manter-se no jogo. Só que contra Djokovic nem isso dava ao suíço uma zona de conforto. As devoluções do número 1 estavam calibradíssimas, tanto quando buscavam a linha de base quanto com o suíço subindo à rede.

E não era Federer sacando mal. O suíço foi quebrado quando tinha cerca de 80% de aproveitamento de primeiros serviços. No fim, buscou mais aces – consequentemente errando mais – e, ainda assim, terminou o último set com respeitáveis 67%. A diferença estava nas devoluções de Djokovic, que destruíram a principal arma do adversário no torneio. O match point é o melhor exemplo.

This is the moment Novak Djokovic became a three-time #Wimbledon champion.

Posted by Wimbledon on Sunday, July 12, 2015

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O bom perdedor

Um dos melhores momentos do dia foi ver Roger Federer na Quadra Central, após o fim da partida, dando todos os méritos do mundo a Djokovic. “Novak jogou um grande tênis não só hoje, mas nas duas semanas inteiras, em todo o ano, mais o ano passado, mais o ano anterior, então ele merece. Parabéns, Novak.”

O comedor de grama

Djokovic fez pela primeira vez em 2011, quando levantou o troféu pela primeira vez em Londres. Desde então, vem repetindo a cena. Não podia ser diferente neste domingo. Depois de fechar o jogo, o sérvio se agachou e provou um pedacinho minúsculo do piso da Quadra Central. Na entrevista, ainda brincou e disse que a grama tinha ótimo gosto.

A transmissão

Ao fim do torneio, faz-se necessário um elogio à transmissão da ESPN, que sublicenciou os direitos de transmissão do SporTV e acabou mostrando muito mais quadras e jogos do que o canal concorrente. Fez um negócio da China. Não acertou em tudo, é verdade. Volta e meia, um comentarista despreparado compromete a transmissão. Um exemplo: Osvaldo Maraucci, que passou a maior parte do tempo na ESPN+, comentou a final de duplas sem saber identificar Rojer e Tecau. Passou mais de um set chamando um pelo nome do outro.

Felizmente, os Fernandos (Nardini e Meligeni) dão conta do recado na ESPN, que mostrou os jogos mais relevantes. O mais importante de tudo, entretanto, foi constatar que o canal fez esforço para disponibilizar um grande número de jogos e passar muita informação – junto com o programa diário Pelas Quadras, à noite.

O golpe de misericórdia foi o encerramento da transmissão. Enquanto o SporTV já havia encerrado seus trabalhos, a ESPN seguiu no ar, mostrando Novak Djokovic dentro do All England Club, recebendo os parabéns dos convidados especiais, dando autógrafos e acenando para os fãs.

A câmera que acompanhava o sérvio pelos corredores mostrou ainda um longo abraço do campeão e sua esposa, Jelena. Enquanto isso, Roger Federer passava de cara fechada ao lado do casal. Um momento impagável.

O top 10

O ranking fica assim após o encerramento de Wimbledon:

1. Novak Djokovic: 13.845
2. Roger Federer: 9.665
3. Andy Murray: 7.810
4. Stan Wawrinka: 5.790
5. Kei Nishikori: 5.525
6. Tomas Berdych: 5.140
7. David Ferrer: 4.445
8. Milos Raonic: 3.810
9. Marin Cilic: 3.540
10. Rafael Nadal: 3.000


Wimbledon, dia 12: Serena reina absoluta e um “avada kedavra” de Jo Rowling
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Alexandre Cossenza

Este texto não vai tentar explicar por que Serena é tão melhor que o resto do mundo. Esse debate ficou para trás há pelo menos uns oito Slams. A vitória por 6/4 e 6/4 sobre Garbiñe Muguruza, a 28ª seguida de Serena Williams nos quatro maiores torneios do circuito, foi só mais uma evidência disso. Hoje em dia, a número 1 do mundo reina sozinha. Seus números são comparáveis apenas com as maiores da história. Aliás, antes de falar sobre o jogo, comecemos por eles:

O Serena Slam

É a segunda vez na carreira que a americana conquista o chamado “Serena Slam”, ganhando os quatro Slams de forma consecutiva, mas não todos na mesma temporada. Até hoje, só Steffi Graf tinha vencido os quatro Slams de forma consecutiva duas vezes. Além de seu calendar-year Grand Slam em 1988, a alemã venceu RG, Wimbledon e o US Open em 1993 e o Australian Open em 1994.

Faltam sete

Serena agora tem a chance de completar o Grand Slam de fato, também chamado de calendar-year Grand Slam (vencer os quatro torneios na mesma temporada). Na história, só três tenistas conseguiram isso: Maureen Connolly (1953), Margaret Smith (1970) e Steffi Graf (1988). Faltam sete vitórias.

Melhor e mais velha

Com 33 anos e 289 dias, Serena é a campeã de Grand Slam mais velha da Era Aberta (Navratilova foi campeã de Wimbledon em 1990 com 33 anos e 263 dias). A americana, aliás, é quem mais venceu Slams depois dos 30. Já são oito triunfos, contando Wimbledon. Juntando todas as outras seis tenistas que conseguiram vencer depois dos 30, são 13 troféus. Margaret Court e Martina Navratilova, com três cada, eram as maiores vencedoras de “Era pré-Serena''.

Melhor nas finais

Wimbledon marcou 21º título de Grand Slam para Serena Williams. O impressionante é que ela venceu tudo isso jogando “só” 25 finais. É o segundo melhor aproveitamento da Era Aberta. Só perde para Margaret Court, que somou 11-1 (91,7%). Em toda a carreira, contudo, o aproveitamento de Court foi de 82,7% (24v e 5d). Serena, hoje, tem 84%.

Faltam três

Serena tem 21 títulos de Grand Slam. Na Era Aberta, apenas Steffi Graf (22) tem mais. Em toda a história, a maior campeã ainda é Margaret Court, com 24.

As sequências

O recorde de mais títulos de Grand Slam consecutivos é dividido por Margaret Court e Martina Navratilova: 6. Court venceu do US Open de 1969 até o Australian Open de 1971, enquanto Navratilova começou sua sequência em Wimbledon/83 e foi até o US Open/84. A maior sequência de vitórias de Serena em torneios desse porte veio no embalo do primeiro Serena Slam, em 2002-03. Foram 33 triunfos, com a série sendo interrompida em Roland Garros/2003.

O jogo

Não seria justo não citar a bravura e a competência da jovem Garbiñe Muguruza, 21 anos, em sua primeira final de Grand Slam. Quando Serena abriu a partida cometendo três duplas faltas no game inicial, a espanhola aproveitou as chances e tomou a dianteira. Mais do que isso: quando a #1 se encontrou e conquistou dois break points, Muguruza jogou quatro pontos perfeitos em sequência, confirmou o saque e abriu 4/2.

A reação de Serena foi exatamente o que o nome diz: uma reação de Serena. Não foi um deslize, uma tremedeira ou uma amarelada da espanhola. Muguruza seguiu jogando bem, mas encontrou outro nível da americana, que atropelou, vencendo quatro games seguidos e fechando a parcial: 6/4.

Era difícil imaginar uma reação da espanhola a essa altura. Além do tênis superior da favorita, as estatísticas jogavam seriamente contra Muguruza. Em Wimbledon, Serena tinha um retrospecto de 69 vitórias e duas derrotas após vencer os sets iniciais (agora são 70v e 2d).

Não houve mais dúvida sobre quem ficaria com o troféu. Houve, sim, uma incerteza sobre quando o jogo acabaria. Depois que abriu 5/1 no segundo set, talvez por ansiedade, talvez por sei lá que outro motivo que acometa pessoas de outro planeta, Serena começou a errar. Perdeu o serviço no sétimo game e foi quebrada outra vez no nono. De repente, Muguruza, que continuava lutando bravamente, tinha a oportunidade de igualar a parcial.

A espanhola, então, viveu um momento “mortal”. Foi seu único game realmente ruim na partida. Em quatro pontos, Serena quebrou e fechou o jogo. Depois de permitir que a rival encostasse e de ver o estádio acordar e fazer barulho, a americana ficou tão surpresa com a rapidez do último game que precisou de alguns instantes para ouvir o árbitro e perceber que a final estava mesmo encerrada.

Quase tão indelével quanto o nome de Serena Williams na história no tênis será a memória da cena de Garbiñe Muguruza sendo aplaudida de pé por toda a Quadra Central após a partida – por cerca de um minuto e meio! Até a rival, sorridente, ergueu-se do banco (ou trono?) para bater palmas. A espanhola não segurou as lágrimas. Nem deveria. Chegou a uma final de Wimbledon com 21 anos e portou-se como veterana.

A huge ovation for the runner-up Garbine Muguruza on Centre Court. Who thinks she'll win #Wimbledon one day? http://bit.ly/W15Gabine

Posted by Wimbledon on Saturday, July 11, 2015

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Depois de passar as últimas duas semanas sem mencionar o Serena Slam, a número 1 do mundo pôde enfim comemorar o feito: 28 vitórias e quatro títulos consecutivos em torneios do Grand Slam. Enquanto isso, Andy Roddick, comentarista na cabine da BBC, avisava a todos que sua compatriota já estava pensando no US Open, onde poderá completar o Grand Slam de fato. Quando soube do comentário, Serena respondeu no Twitter, como sempre trollando o amigo: “Andy, você está 20 minutos atrasado.”

Avada kedavra

J.K. Rowling, autora da série de livros de Harry Potter, usou o Twitter para festejar Serena Williams e acabou colocando no lugar um desses idiotas anônimos e sem rosto que gostam de rebater pessoas famosas. Pouco depois de a escritora inglesa falar sobre como Serena era “que atleta, que exemplo, que mulher!”, o bobão respondeu “irônico que a principal razão para seu sucesso seja ter o corpo como o de um homem.” Rowling rebateu com uma foto de Serena em um vestido vermelho com a resposta: “É, meu marido fica igualzinho em um vestido. Você é um idiota.”


Wimbledon, dia 11: o imbatível Roger Federer volta à final
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Alexandre Cossenza

Roger Federer pode até vir a perder jogos bobos durante a maior parte o tempo. Pode vir a sentir dores aqui e ali. Pode decidir tirar férias de seis meses. Sei lá. O que quer que aconteça na vida do suíço nos próximos meses e anos, se esse cidadão fizer uma vez por ano, uma vezinha só, o que fez nesta sexta-feira, ele não pode aposentar. Não pode.

Torcida contra, talvez o oponente mais perigoso da atualidade em uma quadra de grama, uma das melhores devoluções do circuito… Muita coisa jogava contra na Quadra Central e, não por acaso, algumas casas de apostas davam vantagem a Andy Murray. Eis, então, que Roger Federer aparece com uma das maiores atuações de sua carreira. Uma vitória por 7/5, 7/5 e 6/4 com números espantosos e inúmeros lances espetaculares.

Em 2h07min de jogo, o heptacampeão de Wimbledon fez 20 aces, encaixou 76% de primeiros serviços, ganhou 84% desses pontos, disparou 56 (!) winners e cometeu apenas 11 erros não forçados. Números tão iluminados que ofuscam a grandíssima partida feita por Andy Murray.

O jogo do dia

Desde o início, o jogo foi espetacular – e dos dois lados. Fora um break point no primeiro game, Federer e Murray confirmaram com relativa tranquilidade. Aliás, era impossível imaginar na hora, mas seria a única chance de quebra do tenista da casa em toda a partida. E, embora o suíço tenha vencido em três sets, o confronto foi tão equilibrado que não havia muita diferença nem entre as esposas na Quadra Central.


Brincadeiras à parte, Murray havia perdido apenas cinco pontos no seu serviço até o décimo game. No 12º, porém, Federer conseguiu a quebra e fechou a parcial. Os números – de ambos – eram fantásticos.

Não é difícil entender o quanto o serviço de Federer é essencial para seu sucesso na grama. Quando consegue encaixar o primeiro saque, quase sempre coloca o adversário em posição defensiva, algo que fica claro no gráfico abaixo. No meio da segunda parcial, o suíço acumulava 77% de golpes executados de dentro da quadra em seus games de serviço – em posição ofensiva. A comparação com as rodadas anteriores (gráfico à esquerda) assusta, ainda mais considerando que a partida desta sexta-feira era contra uma das melhores devoluções do circuito.

O game do dia

Se a partida já estava excepcional, veio o décimo game do segundo set. Murray sacava pressionado, em 4/5, e o buraco do britânico era fundo quando o placar chegou a 0/40. O britânico salvou os três set points brilhantemente, mas seguiu com problemas para confirmar. Federer teve mais dois set points – ambos salvos pelo insistente escocês. Ao todo, foram sete nervosas igualdades até que Murray conseguisse alongar o set.

Foi o momento de mais tensão de todo o jogo porque havia a impressão de que Federer não permitiria a virada uma vez que abrisse 2 sets a 0. Motivou até o tweet acima do sueco Robin Soderling – aquele Soderling. E Murray não resistiu à pressão por muito tempo. Novamente no 12º game, não conseguiu frear o adversário. Federer quebrou e abriu uma vantagem que, num dia assim, seria impossível de apagar.

O lance do dia

Murray não desistiu, mas tampouco teve chances reais de equilibrar o jogo. Com o primeiro saque entrando, Federer tinha sempre a vantagem. Tanto no comando dos pontos quanto no placar, já que sacava sempre antes de Murray. E aí, com o escocês mais uma vez apertado contra a parede, Roger Federer aprontou isso:

Roger Federer espetacular contra Andy Murray

No fim, foi uma das maiores apresentações da carreira de Federer. Veio contra um adversário de altíssimo nível, em um Grand Slam e com muita coisa em jogo. Certamente, sua melhor atuação nos últimos três anos. Possivelmente, a melhor desde aquele jogo de 2011 contra Nadal no ATP Finals. Talvez melhor que aquela. Talvez a melhor da carreira. Quem sabe ao certo?

Certeza mesmo é que no domingo, quando voltar ao palco onde levantou o troféu sete vezes, Federer, 33 anos, será o tenista mais velho desde Ken Rosewall a disputar uma final de Wimbledon. E quem aí ousa dizer que a idade do suíço pesará contra Djokovic?

A preliminar

Não havia como tratar Djokovic x Gasquet de outra maneira. O número 1 do mundo e atual campeão do torneio entrou em quadra favoritíssimo, apesar da bela atuação do francês contra (um inconsistente) Wawrinka dois dias atrás. E, depois de 2h21min de jogo, os dois saíram da Quadra Central provando que a expectativa era justificada. Djokovic venceu por 7/6(2), 6/4 e 6/4.

Justiça seja feita a Gasquet: foi uma ótima atuação do francês, que abusou de seu backhand e terminou a partida com 36 winners. E a questão é justamente essa: mesmo com o francês atingindo esse nível, Djokovic venceu sem ser ameaçado e passando a impressão de estar jogando para o gasto.

O momento de maior apreensão para os fãs do sérvio veio quando Nole pediu atendimento médico e recebeu tratamento no ombro esquerdo. Fora isso, Gasquet jamais esteve à frente no placar. Até o tie-break do primeiro set foi amplamente controlado pelo número 1.

Será a 17ª (!) final de Grand Slam para Djokovic, que tem oito vitórias e oito derrotas em ocasiões assim. Em Wimbledon, ele e Federer duelaram duas vezes. A primeira, em 2012, terminou com vitória do suíço por 3 sets a 1 nas semifinais. A segunda, no jogão que foi a decisão de 2014, o sérvio venceu por 3 sets a 2.

A oportunidade

Mesmo depois de uma partida como a de Roger Federer hoje, há casas de apostas que colocam Novak Djokovic como o mais cotado para o título. Será? Para quem gosta de arriscar a sorte, pode estar aí uma boa oportunidade.

Apostar no sérvio é acreditar que o ex-número 1 não conseguirá duas atuações espetaculares em sequência. Até porque não parece tão fácil assim acreditar que Federer (que vem sacando monstruosamente desde o início do torneio), especificamente este Federer de hoje, pode ser derrotado.


Wimbledon, dia 10: a surpresa contra a história
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Alexandre Cossenza

Que Serena Williams estaria na final, quase ninguém duvidaria. Mas Garbiñe Muguruza? Em uma chave que tinha Petra Kvitova, Angelique Kerber, Caroline Wozniacki, Sabine Lisicki e Tima Bacsinszky? A espanhola nunca esteve entre as mais cotadas, mas chegou lá. Nesta quinta-feira, dia das semifinais femininas, Serena voltou a derrotar Maria Sharapova, enquanto Muguruza continuou seu conto de fadas ao eliminar Agnieszka Radwanska. O resumaço do dia conta como foram os dois jogos, mostra melhores momentos, cita uma previsão nada imparcial (mas interessante) e revela uma interessante aposta – literalmente – na espanhola.

O jogo do dia

Serena Williams entrou em quadra nesta quinta carregando uma sequência de 16 vitórias sobre Maria Sharapova. Saiu, 1h19min depois, com o 17º triunfo. Sem ceder um break point sequer, disparando 13 aces e 29 winners.

Sharapova, que teve problemas com o serviço no primeiro set e jamais ameaçou a americana em todo o jogo, esteve longe de seu melhor. É bom dizer, contudo, que a russa já não vinha fazendo um torneio espetacular e talvez nem chegasse tão longe se não tivesse contado com uma chave favorável.

Mas vale ressaltar o último game do jogo. Serena fez uma dupla falta e disparou três aces e um saque indefensável. Nos cinco pontos disputados, a bola sequer tocou nas cordas da raquete de Sharapova.

Os melhores momentos

Melhores momentos: Serena Williams x Maria Sharapova (Wimbledon 2015)

O resumo

Se o vídeo acima não ajudou, o gif abaixo explica de uma maneira mais simples a dinâmica da rivalidade entre Serena e Sharapova.

O Serena Slam e o Grand Slam

A número 1 do mundo segue insistindo em não abordar o assunto e diz que nem quer ser questionada sobre isso. O fato, entretanto, é que Serena soma 27 vitórias seguidas em Slams e está a úm jogo do que vem sendo chamado de “Serena Slam''. Campeã do US Open/2014, do Australian Open/2015 e de Roland Garros/2015, a americana terá os quatro maiores títulos do tênis se derrotar Muguruza no sábado.

É um feito gigante, mas seria o segundo “Serena Slam'', já que a mais jovem das Williams venceu os quatro em sequência também em 2002-03 (Paris, Londres e NY em 2002 e Melbourne na temporada seguinte). E se alguém tocar o assunto, como aconteceu na transmissão oficial depois da partida de hoje, ela reage assim:

Inédito mesmo será se Serena conquistar o Grand Slam de fato: os quatro torneios na mesma temporada. A última vez que isso aconteceu foi em 1988, com Steffi Graf. Aliás, em toda história apenas Graf, Margaret Court (1970) e Maureen Connolly Brinker (1953) conseguiram isso.

A desafiante

A história feliz do dia ficou por conta da espanhola Garbiñe Muguruza, que deu mais um passo no Slam de seus sonhos. A jovem de 21 anos, nascida em Caracas (Venezuela), já vinha de vitórias maiúsculas sobre Angelique Kerber (#10), Caroline Wozniacki (#5), e Timea Bacsinszky (#15) e fez outro jogão contra Aganieszka Radwanska, atual número 13 do ranking feminino.

Nesta quinta-feira, Muguruza começou o jogo em grande forma, abrindo 6/2 e 3/1. Foi aí que os nervos (ela mesma admitiu) apareceram, e Radwanska, mais experiente, aproveitou. A polonesa venceu seis games seguidos, inclusive o primeiro do terceiro set, no saque da adversária. Só depois dessa reviravolta no placar é que Muguruza se reencontrou. Sem nada a perder, voltou a ser agressiva e a falhar menos. Devolveu a quebra imediatamente e se restabeleceu como a tenista mais agressiva na Quadra Central.

E, depois de tanto drama, uma decisão errada de Radwanska provou-se crucial. Com Muguruza sacando em 5/3 e “iguais”, a polonesa interrompeu um ponto para pedir o uso Hawk-Eye, acreditando que a bola da espanhola havia saído. Muguruza, que não viu o gesto da polonesa, continuou jogando e errou a bola seguinte – que já não valia. O replay mostrou bola dentro, ou seja, ponto da espanhola, que chegou ao match point. Um saque-e-voleio depois, a moça de 21 anos estava comemorando sua vaga na final de Wimbledon: 6/2, 3/6 e 6/3

A melhor final

Que fique registrado: é admirável a maneira como Muguruza já está encarando a chance de enfrentar Serena Williams na final.

“Acho que é a melhor final que se pode jogar. Serena na final de Wimbledon é a partida mais dura possível. Se você quer ganhar um Grand Slam, quando você sonha, você diz 'quero Serena na final' porque ela é uma das melhores tenistas em todos esses anos. Acho que é o melhor desafio que se pode ter.''

A previsão

Pouco depois de ser eliminada do torneio, Radwanska foi indagada sobre as chances de Muguruza ser campeã de Wimbledon. A resposta foi interessante:

“Não acho que ela consegue bater Serena na final. Acho que Serena não vai deixar, não neste torneio (risos). Mas desejo sorte a ela. Vai ser difícil. Se ela conseguir, muito respeito.''

São situações (e lugares) bem diferentes, claro, mas não custa lembrar que Muguruza já derrotou Serena em um Grand Slam. Foi em Roland Garros, no ano passado. E este ano, na Austrália, a espanhola não esteve tão longe assim de conseguir uma segunda vitória.

O torcedor

E esse cidadão aqui, será que tem motivo para torcer por Muguruza no sábado?

Em cada uma de suas duas apostas, o rapaz “investiu'' três euros na espanhola. Se ela vencer, ele embolsa 675 euros. Boa sorte!

O ranking

O top 5 feminino depois de Wimbledon ficará assim:

1. Serena Williams
2. Maria Sharapova
3. Simona Halep
4. Caroline Wozniacki
5. Petra Kvitova

Agnieszka Radwanska, atual número 13 do mundo, voltará ao top 10. A polonesa será número 7 se Serena for campeã ou número 8 se Muguruza ficar com o título. A espanhola, por sua vez, ocupará a melhor posição de sua carreira. Ela já está garantida como pelo menos #9. Se for campeã, subirá para #6.

O adeus brasileiro

A última chance brasileira em Wimbledon era nas duplas mistas, com Bruno Soares e a indiana Sania Mirza. Os cabeças 2 começaram bem, mas foram eliminados de virada: 3/6, 7/6(6) e 9/7. Os algozes foram o austríaco Alexander Peya, parceiro de Soares no circuito, e a húngara Timea Babos. cabeças de chave número 5, Peya e Babos avançam, assim, às semifinais do torneio.


Wimbledon, dia 9: Gasquet acorda, Vika mais que Maria e dupla falta bisonha
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Alexandre Cossenza

Três favoritaços avançaram em partidas dominadas e, quando parecia que o nono dia de Wimbledon terminaria sem um grande jogo, eis que Richard Gasquet (logo ele!) consegue uma virada e uma improvável vitória em cinco sets em cima de Stan Wawrinka, o campeão de Roland Garros. Mas não foi só isso que animou o dia. William e Kate apareceram, uma sequência de saques de Roger Federer chegou ao fim, Andy Murray cometeu a dupla falta mais feia da história e Vasek Pospisil fez ressurgir a polêmica das violações por excesso de tempo entre os pontos. Ah, sim: falando em polêmica, o técnico de Serena Williams deu uma declaração interessante antes das semifinais femininas. O resumaço abaixo mostra o que aconteceu de melhor nesta quarta-feira.

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O jogo do dia

A parte mais emocionante do dia veio no fim, com o duelo de backhands de uma mão entre Stan Wawrinka, atual campeão de Roland Garros, e Richard Gasquet. O suíço, que já não vinha jogando seu melhor tênis em todo torneio, mas aproveitou os benefícios de uma chave, digamos, acessível, finalmente encontrou problemas diante de um bravo Gasquet, que se defendeu bravamente e aproveitou as chances que a irregularidade do adversário lhe dava.

Wawrinka teve 2 sets a 1 de vantagem, mas perdeu o serviço no último game do quarto set – com uma dupla falta – e viu-se forçado a jogar uma desconfortável parcial decisiva. Pressionado por sacar sempre atrás no placar, o suíço perdeu serviço no oitavo game e deixou Gasquer sacar em 5/3. Foi aí que o francês bobeou. Errou um voleio, jogou um backhand na rede e…

E se você acha “choke'' (em bom português, a boa e velha “amarelada'') uma avaliação injusta do jornalista Giuliander Carpes, Martina Navratilova usou eufemismos para dizer essencialmente a mesma coisa. Não, a fama do francês não é das melhores.

E não é por acaso. Até a partida de hoje, Gasquet havia perdido 15 de seus últimos 16 jogos contra adversários do top 10.

Fama à parte, o fato é que apesar do momento nervoso, o jogo subiu de nível. Wawrinka e Gasquet trocaram belíssimos golpes, subidas à rede e até break points. O francês contrariou as expectativas, primeiro escapando de um 0/30 e, depois, salvando-se de um break point no 19º game. O o suíço não conseguiu o mesmo. Stan até escapou de dois match points, mas jogou uma esquerda longa e deu a Gasquet a vaga na semifinal: 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 11/9.

Será a segunda semi de Gasquet, atual número 20 do mundo, em Wimbledon. Na primeira, oito anos atrás, o francês tombou diante de Roger Federer, então líder do ranking: 7/5, 6/3 e 6/4. Desta vez, enfrentará o atual #1, Novak Djokovic. Não conheço muita gente que aposte no francês.

A décima semifinal

O primeiro jogo do dia na Quadra 1, entre Roger Federer e Gilles Simon, esteve longe de ser uma partida interessante – a não ser para os fãs do suíço, claro. O francês, que vinha de vitórias sobre Monfils e Berdych, mal conseguiu equilibrar as ações. Não fosse por uma mísera quebra quando sacava para o segundo set, Federer teria passeado sem sustos. Não que o saque perdido tenha sido um grande sobressalto, já que o suíço quebrou Simon logo na sequência. No fim, após 1h34min, o suíço triunfou por 6/3, 7/5 e 6/2, garantindo sua décima (!) semifinal de Wimbledon na carreira. O heptacampeão (2003-07, 2009 e 2012), hoje com 33 anos,vem jogando um tênis espetacular até agora.

A sequência que acabou

Quando Gilles Simon quebrou Federer no fim do segundo set, também encerrou uma impressionante sequência. O suíço não perdia um saque desde a primeira rodada do ATP de Halle, disputado algumas semanas atrás. Ao todo, foram 116 games de serviço vencidos de forma consecutiva!

A esperança britânica

Andy Murray também fez competentemente sua lição de casa – em casa. O britânico, que enfrentava o tenista de ranking mais baixo das quartas de final (Vasek Pospisil, #56), venceu em três sets: 6/4, 7/5 e 6/4. O resultado e o curto tempo de jogo (2h11min) são importantes para Murray por dois motivos. Um pouco porque significam que o escocês não deu uma daquelas viajadas, mesmo com as interrupções por causa da chuva, mas mais ainda porque as dores no ombro direito vêm incomodando e ficaram nítidas na partida contra Seppi. Menos tempo em quadra significa menos saques disparados e mais tempo para fisioterapia. E nem é necessário dizer que para derrotar Federer na sexta-feira o britânico precisará muito do serviço.

A pequena polêmica dessa partida ficou por conta do árbitro Pascal Maria e o “timing'' das advertências que aplicou sobre Pospisil (que foi quebrado pouco depois de ambos avisos) por excesso de tempo antes do saque. Em uma delas, o canadense sacava em 5/5 e 30/30 no segundo set. Ninguém vai me convencer que aquela foi a primeira vez que Pospisil ultrapassou o limite de 20 segundos para sacar. Aliás, nem tentem me convencer. As estatísticas do torneio mostraram isso:

A regra e sua aplicação se transformaram em uma das maiores piadas do tênis. Os árbitros de cadeira não aplicam as punições na maior parte do tempo (Murray ultrapassou o limite em 60% dos saques e não foi advertido), mas distribuem advertências em momentos cruciais das partidas. Por quê? Para quê?

Só vejo duas saídas viáveis (mas não consigo imaginar nem ATP nem WTA nem ITF tomando decisão alguma no futuro próximo): ou aplicar a punição todas as vezes que os tenistas ultrapassarem os 20 (WTA e ITF, incluindo Grand Slams) ou 25 (ATP) segundos ou rasgas a regra de vez e deixar que os atletas iniciem os pontos como no beisebol – sem relógio.

Pospisil saiu de quadra furioso. E dá para entender.

“Acho que muitas vezes esses árbitros só querem aparecer. Não sei por que fazem isso (aplicam advertência) em momentos como aquele.'' “Quantas vezes você vê os caras do topo passarem mais tempo e não receberem nenhuma punição, especialmente em momentos importantes?'' “Aquela no 5/5, 30/30. Aquela foi ridícula, na minha opinião. Talvez seja ego.''

A dupla falta bisonha

Houve quem chamasse de pior dupla falta da história. Se é mesmo a mais feia, não sei. Mas foi engraçada. Acontece com os melhores também.

O campeão tranquilo

Depois do susto diante de Kevin Anderson, em uma partida que durou cinco sets e dois dias, Novak Djokovic merecia um descanso. Não foi exatamente o que aconteceu nesta quarta-feira, diante de Marin Cilic, mas a partida tampouco foi das mais complicadas. Aproveitando-se da inconstância do croata (que se manifestou durante o torneio inteiro), o número 1 do mundo e atual campeão de Wimbledon aplicou 6/4, 6/4 e 6/4 sem passar um susto sequer.

A realeza

Outra das tradições de Wimbledon é a presença do príncipe William, Duque de Cambridge, e de sua esposa, Catherine (ou Kate se preferirem), Duquesa de Cambridge. O casal real esteve na Quadra Central já no começo do dia, de olho em Andy Murray. David Beckham também estava lá.

A polêmica do dia: Azarenka é melhor que Sharapova?

As semifinais femininas serão amanhã, mas uma frase de Patrick Mouratoglou, técnico de Serena Williams, roubou as atenções nesta quarta. Em texto publicado no New York Times, Ele diz que Victoria Azarenka é uma tenista “muito superior'' a Maria Sharapova. Independentemente de opiniões (deixe a sua nos comentários), vale também debater o “timing'' do comentário, que vem na véspera de um confronto contra a russa. Será que era mesmo a melhor hora para o técnico francês soltar uma frase dessas?

E gol da Alemanha.


Wimbledon, dia 8: entre gritos e palavrões, Djokovic e Serena sobrevivem
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Alexandre Cossenza

A coisa ficou séria. A terça-feira de Wimbledon foi marcada por dois jogos nervosos. Na Quadra 1, Novak Djokovic sobreviveu ao ataque de Kevin Anderson e venceu o set que lhe faltava para garantir um lugar nas quartas de final. Na chave feminina, Serena Williams e Victoria Azarenka fizeram mais um duelo quase hostil, com muitos gritos, e até um palavrão que as câmeras flagraram.

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O número 1 sobrevive

O dia começou com o jogo que não terminou. Novak Djokovic e Kevin Anderson entraram na Quadra 1 em uma situação em que, na prática, um set bastava para garantir uma vaga nas quartas de final. O sul-africano, que jamais passou das oitavas de um Grand Slam, começou melhor, sacando firme e conquistando até dois break points no terceiro game.

O número 1 se salvou, mas estava tão nervoso em quadra que acabou descontando em uma boleira e gritando para pedir uma toalha. Segundo o Daily Mail (eu sei, eu sei), fotógrafos relataram que a menina teve de segurar as lágrimas.

Djokovic foi se segurando até que o azarão lhe desse chances. Elas vieram no 11º game, na forma de duas duplas faltas. Com uma ótima devolução, Nole quebrou e, em seguida, sacou bem para fechar o jogo em: 6/7(6), 6/7(6), 6/1, 6/4 e 7/5. O atual campeão sobrevive e alcança as quartas de um Slam pela 25ª vez seguida.

Após o jogo, Djokovic disse que não gritou para a moça (embora pareça bastante que ele grita “towel'' – toalha em inglês) e que talvez ela tivesse apenas se assustado com os berros. Em todo caso, o número 1 afirmou que “vou tentar pedir desculpas se fiz algo errado.''

Anderson, por sua vez, amarga sua sétima derrota em oitavas de final. Nenhum tenista chegou tantas vezes às oitavas sem avançar em um torneio deste porte. E se é justo ou não fazer tal afirmação depois de o cidadão tirar dois sets do número 1 do mundo, não é segredo que o sul-africano tem fama de entregador de paçoca. Parece cruel lembrar disso agora, mas as duas duplas faltas no 11º game e as duas devoluções de saque para fora no 12º game reforçam o rótulo.

O jogo do dia

Serena Williams x Victoria Azarenka, quase sempre um jogão, mesmo que o resultado seja quase sempre o mesmo. E pouco importou que tenha acontecido nas quartas em vez de na final porque, por mais clichê que soe, o clima era de decisão. Dava para sentir nas reações do público e, principalmente no volume dos gritos das duas tenistas. Tem muita coisa em jogo e inclusive diferenças pessoais, que incluem a presença de Sasha Bajin (ex-rebatedor de Serena) como técnico de Vika.

O jogo foi de alto nível do começo ao fim e equilibrado até quando o placar não indicava isso. Azarenka faturou a primeira parcial e chegou a ter um break point para abrir vantagem no segundo set, mas foi justamente aí que Serena cresceu. A americana não só salvou seu serviço como quebrou Azarenka no game seguinte e seguiu vencendo games apertados. Foram quatro games seguidos com “iguais'' no placar. Todos vencidos pela número 1, que fez 6/2 no segundo e começou a parcial decisiva de modo igualmente fulminante.

Ao todo, foram sete games seguidos (de 3/2 no segundo set até 3/0 no terceiro). Quando Azarenka voltou a confirmar seu serviço, já era tarde. A única chance da bielorrussa veio no último game, em que Serena sacou em 0/30. A número 1, contudo, disparou três aces (foram 17 em toda a partida), salvou break point e fechou a partida: 3/6, 6/2 e 6/3.

Os gritos

Os gritos durante o jogo, tanto de Azarenka quanto de Serena, chamaram atenção (sim, eu já estou acostumado e não mencionaria se a partida de hoje não tivesse sido diferente). Nos ralis mais longos, com ambas gemendo cada vez mais alto, até o público da Quadra Central começava a rir no meio dos pontos. E vale destacar o grito de Serena quando conseguiu sua primeira quebra. A americana começou a gemer quando bateu na bola e ainda estava gemendo enquanto Azarenka tentava fazer o voleio.

Há até quem diga que Serena gritou algo não tão educado em um determinado momento. O vídeo abaixo dá a deixa:

A ironia é que foi Azarenka, em um (outro) momento do jogo, que acabou punida com uma advertência por obscenidade audível. Nas que tal ver por outro ângulo e tirar a dúvida?

Após a partida, questionada sobre os gemidos, Azarenka reclamou de tratamento desigual. A bielorrussa usou Rafael Nadal como exemplo e diz que o espanhol grita mais alto do que ela. No entanto, ninguém se queixa dos gemidos do ex-número 1.

As outras quartas

Serena vai enfrentar nas semifinais a russa Maria Sharapova, que confirmou o favoritismo e derrotou a americana Coco Vandeweghe, #47 do ranking, por 6/3, 6/7(3) e 6/2. Poderia ter sido mais fácil, mas a russa foi quebrada quando sacou para fechar o jogo no segundo set.

De qualquer maneira, a russa chega confortavelmente às semifinais, mesmo sem jogar um tênis espetacular. A chave, é claro, ajudou. Pelas cinco adversárias que enfrentou (Konta, Hogenkamp, Begu, Diyas e Vandeweghe), Sharapova poderia estar comemorando um título de WTA International – torneio de menor escalão no circuito da WTA – a essa altura.

A russa, obviamente, não tem culpa se as favoritas foram caindo pelo caminho na sua paret da chave. O que importa mesmo é que ela tem mais uma chance de encarar Serena, de quem não vence há mais de dez anos. De lá para cá, são 16 vitórias seguidas da americana.

A outra semifinal será entre Garbiñe Muguruza, que bateu a suíça Timea Bacsinszky por 7/5 e 6/3, e a polonesa Radwanska, que derrubou a americana Madison Keys em três sets: 7/6(3), 3/6 e 6/3. A espanhola, número 20 do mundo, fará sua primeira semifinal de Grand Slam, enquanto Radwanska, atual #13, ainda busca seu primeiro título de Slam.

A polonesa foi vice-campeã de Wimbledon em 2012 e semifinalista em 2013. Por isso, é favorita no papel. Muguruza, por sua vez, vem embaladíssima por uma sequência impressionante de vitórias. No caminho até a semi, passou por Lepchenko, Lucic-Baroni, Kerber (#10), Wozniacki (#5) e Bacsinszky (#15).

Os confrontos

[1] Serena Williams x Maria Sharapova [4]
[20] Garbiñe Muguruza x Agnieszka Radwanska [13]

As duplas dão adeus

Um dia que começou com a possibilidade de um brasileiro na final de duplas masculinas acabou sem nenhum tenista do país na semi. Bruno Soares e Alexander Peya, cabeças 8, foram derrotados pelo britânico Jamie Murray e o australiano John Peers, cabeças 13: 6/4, 7/6(3) e 6/3. Como bem lembrou a Aliny Calejon, do site Match Tiebreak, foi a primeira derrota de Soares e Peya em seis jogos contra eles.

Pouco depois, foi a vez de Marcelo Melo e Ivan Dodig, cabeças de chave 2, se despedirem. Seus algozes foram o israelense Jonathan Erlich e o alemão Philipp Petzschner, que venceram de virada: 4/6, 6/2, 6/2 e 6/4. Assim, Murray e Peers farão uma das semifinais contra Erlich e Petzschner.

O Brasil só sobreviveu mesmo nas mistas. Bruno Soares e Sania Mirza, cabeças de chave 2, eliminaram os croatas Marin Draganja e Ana Konjuh por 6/3, 6/7(5) e 6/3. Campeões do US Open no ano passado, brasileiro e indiana enfrentarão nas quartas de final o austríaco Alexander Peya (parceiro de Soares!) e a húngara Timea Babos.