Saque e Voleio

Quadra 18: S02E09
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic é tão favorito como sempre foi? E Roger Federer, pode ser considerado um dos favoritos em Wimbledon este ano? Na grama, quem é a maior ameaça a Serena Williams? E quem foram os maiores beneficiados no sorteio das chaves? São essas e outras perguntas Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu tentamos responder neste especial pré-Wimbledon do podcast Quadra 18. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo:

Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta o programa pré-Wimbledon
1’30” – Federer é um dos favoritos ao título este ano?
3’00” – É o momento mais vulnerável de Federer em Wimbledon?
4’44” – O que esperar de Djokovic, que ainda não jogou na grama?
6’22” – Djokovic chega a Wimbledon atrás de Murray na lista de favoritos?
7’15” – Como Djokovic vai lidar com a possibilidade de poder fechar o Grand Slam?
8’08” – A volta de Lendl pode fazer Murray voltar a jogar no nível de 2012 e 2013?
9’05” – O nível de Murray hoje é inferior ao de antes ou é Djokovic que dá essa impressão?
10’30” – E quem está na frente de quem na lista dos favoritos?
11’15” – Murray foi o “ganhador” do sorteio?
12’40” – Os melhores jogos da primeira rodada
15’00” – “Djokovic se deu muito mal nesse sorteio”
17’40” – Mais jogos legais de primeira rodada
18’22” – Nishikori chega às quartas para enfrentar Federer?
19’14” – Registro da presença e do feito histórico de Sergiy Stakhovsky
20’35” – As estreias de Bellucci e Rogerinho
22’00” – Palpites para campeão, decepção e zebra
25’00” – Aliny analisa a chave de duplas
27’50” – As quatro duplas com brasileiros e as estreias duríssimas
31’40” – Good Grief (Bastille)
32’19” – Quem são as favoritas na chave feminina?
35’05” – As cotações as casas de apostas
36’35” – As chances de Keys, Kerber e Karolina Pliskova
38’35” – A chave de Muguruza
39’30” – As boas chances de Venus Williams
40’40” – Quem “ganhou” o sorteio? Radwanska?
41’35” – Palpites para campeã, decepção e zebra

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Good Grief (Bastille).


Wimbledon 2016: o guia (versão masculina)
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Alexandre Cossenza

O terceiro Slam do ano se aproxima, e enquanto o Reino Unido discutia (e discutirá por muito tempo) as causas e consequências de sua saída da União Europeia, Wimbledon sorteou as chaves na manhã desta sexta-feira. Será que Novak Djokovic dará mais um passo ao Grand Slam de fato e conquistará seu quinto Slam seguido? Ou Andy Murray voltará a reinar em casa? E Roger Federer, já encontrou ou vai encontrar sua habitual forma espetacular na grama do All England Club?

Este guia da chave masculina fala um pouco disso tudo, avaliando os resultados recentes, a composição das chaves e o que pode acontecer nas próximas duas semanas, no torneio que é o mais tradicional e mais cobiçado desde sempre.

Os favoritos / Quem se deu bem

Campeão em Roland Garros e agora dono do Career Slam, Djokovic optou por não fazer torneios de preparação na grama, como já faz há algum tempo. Jogou apenas o Boodles, um evento de exibição que serve para ajustes finais, embora não dê aos fãs e à imprensa uma boa referência sobre a forma do número 1 do mundo. Mesmo assim, parece justo esperar que o sérvio mostre a mesma forma de sempre. Seu histórico recente aponta para isso. Logo, ele entra como favorito indiscutível, do mesmo modo que seria o mais cotado se a ATP decidisse organizar um campeonato de tiro ao prato ou de caça a codornas.

O sorteio não foi dos melhores para o sérvio, ainda que não tenha sido trágico, mas que sorteio pode ser trágico com o cidadão jogando nesse nível? Entre as possíveis cascas de banana no caminho estão Lukas Rosol e Sam Querrey, que se enfrentam na primeira rodada, com o vencedor possivelmente encontrando o sérvio na terceira fase. Rosol, a gente lembra, tem potencial para aprontar essa zebra, mas precisa que tudo dê certo no dia.

Além disso, Nole pode encarar Milos Raonic, Kevin Anderson ou, quem sabe, David Goffin nas quartas. É justo dizer que Raonic, no momento atual e na grama, parece ser o adversário mais duro possível para qualquer um encarar nas quartas. E, para piorar, Djokovic ainda tem Federer na sua metade da chave. É um potencial duelo de semifinal que repetiria as duas últimas finais em Wimbledon. Resumindo: o favorito não deve estar lá muito feliz com o sorteio…

Enquanto isso, o ídolo local, Andy Murray, pode muito bem ser considerado o “vencedor” do dia. Não que sua chave seja um mar de rosas, mas escapar da semi com Federer já foi uma vitória. Além disso, as três primeiras rodadas, contra Liam Broady, Lu/Qualifier e possivelmente Benoit Paire, parecem tranquilas. Depois, sim, podem pintar no caminho Kyrgios/Feliciano (oitavas) e o vencedor do grupo com Isner, Tsonga, Gasquet e Troicki, nas quartas. Se chegar à semi, Murray vai encarar quem avançar na parte encabeçada por Wawrinka, que também tem Thiem e Berdych, mas que parece o “quarto” menos forte da chave inteira.

O britânico chega a Wimbledon em bom momento e com o reforço de Ivan Lendl, que voltou a seu box. No primeiro torneio com o ex-e-agora-atual treinador, Murray foi campeão em Queen’s. Não foi uma semana de atuações espetaculares, mas de encontrar soluções para vencer jogos. O escocês fez isso muito bem e, por isso, merece iniciar o Slam da grama como o segundo mais cotado ao título.

Roger Federer é o grande ponto de interrogação aqui. Em uma temporada atípica, com cirurgia, lesões e pouco tempo em quadra, o suíço mostrou ferrugem em Stuttgart e Halle, onde foi superado por Thiem e Zverev, respectivamente. Era de se esperar, até certo ponto, que Federer ainda estivesse aquém de seu melhor nível, mas ver isso na prática deixou muita gente preocupada.

A dúvida reina no mundo do imaginário, onde os fãs sonham com um Federer de volta a seu nível costumeiro antes dos momentos decisivos de Wimbledon. Nesse sentido, é até possível dizer que o #3 do mundo deu sorte. Sua primeira semana no torneio não é das mais turbulentas, com adversários como Pella (estreia) e Berankis/Qualifier (segunda rodada). Dolgopolov, sim, pode dar trabalho na terceira fase, mas só se Federer estiver em um dia muito ruim. O suíço também seria favortíssimo nas oitavas contra possivelmente Simon ou Monfils.

Trocando em miúdos, dá para afirmar que Federer terá tempo para calibrar seus golpes e planejar a segunda semana. Nishikori é o potencial rival de quartas de final, mas o japonês só fez um jogo na grama em 2016. Não é difícil imaginar o suíço alcançando a semi sem encarar o japonês.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci, que não vence um jogo na grama há cinco anos (a última vitória foi em Queen’s, em 2011), se deu bem no sorteio e vai estrear contra um qualifier. Se vencer, encara Querrey ou Rosol em um cenário que está longe de ser ruim, considerando que o brasileiro não é cabeça de chave.

Rogerinho fará sua segunda apresentação em Wimbledon e também não teve um sorteios dos piores, não. Ele estreia contra Nicolás Almagro. É justo dizer, por outro lado, que o espanhol também deve ter gostado do sorteio. Para ambos, tenistas de fundo de quadra, seria mesmo melhor evitar encarar sacadores ou tenistas agressivos, que dariam pouco ritmo de jogo.

A grande ausência

Rafael Nadal, com uma lesão no punho esquerdo, só chegou perto de uma quadra de grama quando visitou o WTA de Mallorca, onde nasceu e mora até hoje. O atual número 4 do mundo tem pouco mais de 300 pontos de vantagem sobre Stan Wawrinka no ranking e pode ser ultrapassado até pelo atual #6, Kei Nishikori. Tudo depende de como suíço e japonês atuarão em Wimbledon.

Os melhores jogos nos primeiros dias

A chave de Wimbledon está especialmente suculenta para quem aprecia tênis e não se apega demais aos líderes do ranking. Logo na primeira rodada, há confrontos divertidíssimos como Kyrgios x Stepanek, Verdasco x Tomic, Wawrinka x Fritz e Thiem x Florian Mayer (o alemão venceu o austríaco em Halle).

Só que a lista não acaba aí. Que tal Coric x Karlovic? Ou Simon x Tipsarevic? E o que pode acontecer em Monfils x Chardy? E Gulbis x Sock? E Isner x Baghdatis?Faça sua listinha e preste atenção porque tudo isso vai acontecer já na segunda e na terça-feira (se a chuva não atrapalhar, é claro).

O que mais pode acontecer de mais legal

Uma segunda rodada entre Stepanek ou Kyrgios contra Dustin Brown, já imaginaram? Outro jogaço já no radar de todos é Wawrinka x Del Potro. Para que isso aconteça, o suíço precisa bater Taylor Fritz, e o argentino tem que passar por Stéphane Robert. Não parece nada improvável. Uma terceira rodada entre Murray e Paire promete um bocado de jogadas de efeito.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A chave de Wimbledon este ano tem alguns nomes meio “escondidos”. Kevin Anderson, por exemplo, estaria mais bem cotado em uma seção mais fraca. O sul-africano, porém, pode muito bem eliminar Goffin numa terceira rodada e encarar Raonic com chances interessantes nas oitavas.

A situação de Tomas Berdych não é muito diferente. Cabeça 10, o tcheco está na seção de Dominic Thiem, que estreia contra Florian Mayer. Mas quem ousa dizer que Berdych não pode passar pelo jovem Zverev nas oitavas e, depois, por Thiem ou Mayer (ou Sousa, quem sabe), chegando às quartas de final contra Wawrinka? Se o suíço chegar lá, né?

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão.

Nas casas de apostas

Não há nenhuma grande surpresa nas cotações da casa virtual bet365, mas é importante notar uma diferença menor entre Djokovic e Murray e uma separação maior entre o britânico e Federer. As cotações estão assim:

Vale registrar, só a título de curiosidade, que um título de Thomaz Bellucci paga 1001 para 1. Se Rogerinho for campeão, o apostador embolsa 3001 para 1.

O guia feminino

Com sempre, não dá tempo de publicar os dois textos no mesmo dia, então o guia para a chave feminina deve aparecer aqui no amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá sua habitual edição especial pré-Slam, cheia de palpites e análises.


Semana 24: o ‘Efeito Lendl’, o novo tropeço suíço e outra volta de Hewitt
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Alexandre Cossenza

Andy Murray foi campeão em Queen’s mais uma vez, enquanto em Halle Roger Federer voltou a conquistar – opa, a história mudou este ano. O suíço, voltando de lesões e ainda sem o ritmo ideal, perdeu no torneio que dominou nos últimos anos. A semana ainda teve André Sá em uma final de ATP 500 e a notícia de mais um retorno às quadras de Lleyton Hewitt. Nem parece que o australiano se aposentou há tão pouco tempo…

O resumaço da semana ainda tem as campeãs dos WTAs de Birmingham e Mallorca, as campanhas dos outros brasileiros, a atualização de status de Rafael Nadal, o recurso de Maria Sharapova (pra manter a esperança de jogar na Rio 2016), um tweet hilário, uma história bizarra e uma aparição imperdível de Federer.

<> at Queens Club on June 19, 2016 in London, England.

Os campeões

No ATP 500 de Queen’s, o assunto (e piada recorrente) foi a volta de Ivan Lendl ao time de Andy Murray, que defendia o título. Coincidência e brincadeiras à parte, o escocês foi campeão do torneio londrino pela quinta vez, derrotando de virada Milos Raonic na decisão: 6/7(5), 6/4 e 6/3.

Vale notar que Raonic não tinha sido quebrado a semana inteira e teve 3/0 de frente no segundo set. Murray, então, conseguiu quatro quebras em oito games, jogando um tênis-de-grama de altíssimo nível, e se tornou o primeiro tenista na história a vencer Queen’s cinco vezes.

De modo geral, foi um belo torneio do britânico que, se não atropelou ninguém, passou por rivais perigosíssimos na grama, como Mahut (na estreia), Cilic (semi) e Raonic, agora treinado por John McEnroe, que estava na beira da quadra. É justo dizer, como sempre, que Murray se coloca como candidatíssimo ao título de Wimbledon, que começa daqui a uma semana.

Vale registrar também um dos momentos mais engraçados da cerimônia de premiação, quando Murray disse que foi legal da parte de Lendl esperar pela cerimônia de premiação. No mesmo momento, as câmeras da transmissão mostraram a cadeira de Lendl vazia. Sim, ele já tinha ido embora.

No ATP 500 de Halle, a final dos azarões foi vencida por Florian Mayer, que bateu Alexander Zverev por 6/2, 5/7 e 6/3. Atual número 192 do ranking, o alemão entrou no torneio graças ao ranking protegido e passou por um caminho cheio de espinhos. Bateu Baker, Seppi, Thiem e Zverev, contando ainda com uma vitória por W.O. sobre Nishikori.

Foi o segundo título na carreira de Mayer, que tinha sido campeão quase cinco anos atrás, em Bucareste. Com o resultado, ele voltará ao top 100, o que é algo muito bacana para um veterano de 32 anos que vem sofrendo com lesões, mas não desiste de brigar por seu lugar em torneios grandes.

O cabeça 1 do torneio era Roger Federer, que caiu diante de Zverev nas semifinais (mais sobre isso abaixo), e o o segundo cabeça era Nishikori, que desistiu por causa de dores em uma costela.

As campeãs

No WTA Premier de Birmingham, Madison Keys conseguiu dois feitos importantes na semana. Primeiro, garantiu sua entrada no top 10. Ela será a primeira americana a entrar no grupo de elite desde 1999, quando Serena Williams fez sua estreia entre as dez melhores. Depois, Keys conquistou o título do evento britânico ao derrotar Barbora Strycova por 6/3 e 6/4 na decisão.

Não só pelo título, mas a americana de 21 anos se coloca como nome forte em Wimbledon por seu jogo de potência, algo que a compatriota Coco Vandeweghe também mostrou em Birmingham. Coco, aliás, também foi campeã em ’s-Hertogenbosch e chegou a somar oito triunfos seguidos na grama antes de levar a virada de Strycova na semifinal.

A lembrar sobre Birmingham: a cabeça 1, Agnieszka Radwanska, foi eliminada por Vandeweghe na estreia; Angelique Kerber, cabeça 2, foi batida por Carla Suárez Navarro nas quartas; e Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon, caiu diante de Jelena Ostapenko na segunda rodada. Keys era cabeça 7 e, na campanha até o título, passou por Babos, Paszek, Ostapenko, Suárez Navarro e Strycova.

No WTA International de Mallorca, Caroline Garcia venceu pela segunda vez em 2016 um dos chamados torneios “de aquecimento”. A francesa, campeã também em Estrasburgo, conquistou o modesto evento espanhol ao bater na decisão Anastasija Sevastova por 6/3 e 6/4.

Cabeça de chave 6, Garcia passou por Witthoeft, Friedsam, Ivanovic (cabeça 3), Flipkens e Sevastova no caminho até o título. A cabeça 1, Garbiñe Muguruza, tombou logo na estreia, diante de Flipkens, enquanto a cabeça 2, Jelena Jankovic, foi eliminada por Sevastova.

O suíço

Roger Federer não chegará a Wimbledon como favorito. Longe de descartar uma conquista do suíço em Londres, mas não é o que suas atuações em Stuttgart e Halle indicaram. O ex-número 1 esteve errático, mais impaciente do que o normal e sofreu derrotas para Dominic Thiem (teve dois match points em Stuttgart) e Alexander Zverev, jovens talentosos da #NextGen, a hashtag preferida da ATP.

Como escrevi na semana passada, era de certa forma esperada essa inconstância do suíço, que ficou tanto tempo sem competir e voltou logo na temporada de grama, quando os pontos são mais curtos e é difícil adquirir ritmo. Ainda assim, é estranho ver Federer tendo problemas em um piso no qual seu jogo flui com mais facilidade e seu serviço é muito eficiente.

De qualquer forma, ele ainda tem mais uma semana para calibrar golpes aqui e ali antes de Wimbledon. Também espera-se que a primeira semana do Slam da grama sirva de “aquecimento” para os jogos realmente duros. É nesse momento que Federer precisará de seu melhor tênis.

O imortal

Conhecido por nunca desistir de uma partida, Lleyton Hewitt nunca fez mais justiça ao rótulo de imortal. Aposentado em janeiro e desaposentado logo depois para disputar a Copa Davis, o ex-número 1 do mundo igualará em Wimbledon a marca de Michael Jordan, com dois retornos à profissão. Sim, Hewitt recebeu um wild card para disputar a chave de duplas ao lado do compatriota Jordan Thompson.

Resta saber se é um convite “isolado” ou se teria alguma relação com a possibilidade de Hewitt receber mais um wild card para disputar os Jogos Olímpicos ao lado de Thompson. Será?

Os brasileiros

O grande nome do país na semana foi André Sá, que jogou em Queen’s com o australiano Chris Guccione. Os dois eliminaram Bruno Soares e Jamie Murray nas quartas de final e foram vice-campeões do torneio, só perdendo para Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert por 6/3 e 7/6(5). Marcelo Melo também jogou o ATP 500 londrino. Ele e Juan Martín del Potro derrotaram Feliciano e Marc López na estreia, mas foram superados por Herbert e Mahut nas quartas.

No circuito Challenger, em Blois, França (42.500 euros), Thiago Monteiro abandonou o torneio após vencer a primeira rodada por causa de dores nas costas. O cearense explicou que o incômodo começou na semana anterior, em Bordeaux, e que achou melhor tratar o local e se preparar para o qualifying de Wimbledon. Também em Blois, Guilherme Clezar eliminou o cabeça de chave 1, Albert Montañés, mas perdeu na segunda rodada para o holandês Antal Van Der Duim.

Em Perugia, Itália (42.500 euros), Rogerinho foi eliminado nas quartas de final pelo esloveno Blaz Rola: 7/6(4) e 6/2; e Marcelo Zormann, que entrou como lucky loser, perdeu na estreia para o italiano Marco Cecchinato. Em Poprad-Tatry, Eslováquia (42.500 euros), André Ghem também perdeu nas oitavas, sendo superado pelo espanhol Rubén Ramírez Hidalgo.

No ITF de Sumter, EUA (US$ 25 mil), Gabriela Cé foi eliminada na estreia pela australiana Olivia Rogowska: 6/3 e 6/3. Luisa Stefani, que venceu três jogos no quali, foi mais longe e caiu nas oitavas de final diante da mexicana Renata Zarazua por 7/6(3) e 6/4. Em Minsk, outro ITF de US$ 25 mil, Laura Pigossi estreou derrubando a russa Polina Leykina, cabeça de chave 2, por 6/0 e 6/3, mas caiu nas oitavas de final, superada pela grega Valentini Grammatikopoulou: 6/0 e 6/1.

A apelação de Sharapova

Na terça-feira, a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS) anunciou que Maria Sharapova havia apelado de sua suspensão de dois anos por doping. A tenista pede que o período de suspensão seja eliminado ou, pelo menos, reduzido. Segundo a CAS, o recurso será julgado rapidamente, com uma decisão a ser divulgada até o dia 18 de julho. Sim, daria tempo de Sharapova participar dos Jogos Olímpicos, mas apenas se o período da suspensão for reduzido para seis meses. A ver como a CAS analisa a questão.

Rumo ao Rio

Para quem estava preocupado com a participação de Rafael Nadal nos Jogos Olímpicos Rio 2016, uma boa notícia. Seu tio afirma que Rafa estará recuperado a tempo de brigar por medalhas. O plano é voltar às quadras no Masters de Toronto e, depois, rumar para o Brasil.

Vale lembrar que, se tudo correr conforme os planos, Nadal disputará três medalhas no Rio: simples, duplas (com Marc López) e duplas mistas (ao lado de Garbiñe Muguruza).

O melhor tweet

Em Londres e presenciando toda especulação em torno do rendimento de Andy Murray pós-retorno de Ivan Lendl, Bruno Soares soltou o melhor tweet da semana.

Em tradução livre, o mineiro disse estar sentindo seu tênis melhor porque Lendl voltou com Andy, que é irmão de Jamie, que é seu parceiro.

O relato bizarro

A chilena Andrea Koch Benvenuto foi suspensa por três meses após uma série de violações do código de conduta da ITF durante um torneio em São José dos Campos (SP). A tenista foi condenada a pagar US$ 500 de multa, além de US$ 199 equivalentes ao valor do telefone celular do supervisor do torneio que ela quebrou quando foi questionar sua desclassificação. Taí algo que não se vê todo dia…

Leitura obrigatória

Indicação da Diana Gabanyi, a entrevista de Simon Briggs com Andy Murray não é tão reveladora assim, mas traz números e declarações interessantes do atual número 2 do mundo – inclusive a frase sobre Ivan Lendl, inserida no título. Murray diz que precisava de alguém que lhe dissesse que era ok perder em vez de classificar derrotas em finais de Slam como um desastre. Leiam!

Fanfarronice da semana

Não tem nada de publicitário na foto, mas vale o registro porque foi “apenas” Roger Federer trollando a foto de Sergiy Stakhovsky como o ucraniano trollou com seu Wimbledon em 2013.


Semana 23: retornos de Federer e Lendl, Sharapova suspensa e Thiem campeão
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou, mas Rafael Nadal desistiu de Wimbledon. Andy Murray anunciou o retorno da parceria com Ivan Lendl, enquanto Maria Sharapova foi condenada a dois anos de suspensão por doping. Enquanto isso, a temporada de grama começou com torneios pequenos, mas alguns resultados já bastante interessantes. Vamos lembrar o que rolou?

Thiem_Stuttgart_ATP_blog

Os campeões

No ATP 250 de Stuttgart, que só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva, o título é de Dominic Thiem, o rei dos 250. Depois de salvar dois match points e bater Roger Federer na semifinal, o austríaco selou a conquista com vitória de virada sobre Philipp Kohlschreiber: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

O talentoso jovem de 22 anos, atual número 7 do mundo, é quem mais venceu jogos em 2016. Até agora, são 45 vitórias na temporada. Trata-se de um raro caso de tenista top 10 com calendário de #50 do mundo, jogando uma semana após a outra. Thiem, aliás, não soma ponto nenhum com o título deste fim de semana, já que possui quatro conquistas em ATPs 250 em sua somatória atual. Stuttgart só vai contar alguma coisa no fim de julho, quando caírem os pontos de Umag (isso se Thiem não decidir jogar mais uma vez o ATP croata!).

Com seu primeiro título na grama, Thiem, que só teve três semanas de folga em 2016 (vide tuíte acima), agora entra na pequena lista de nove tenistas que venceram torneios nos três pisos (dura, saibro e grama) na mesma temporada. Este ano, o austríaco já foi campeão em Buenos Aires (saibro), Acapulco (dura), Nice (saibro) e, agora, Stuttgart (grama).

Em ’s-Hertogenbosch, Nicolas Mahut foi campeão pela terceira vez, completando nesta segunda-feira a vitória sobre Gilles Muller por 6/4 e 6/4. O francês de 34 anos, que perdeu a liderança do ranking de duplas, também venceu o torneio de grama holandês em 2013 e 2015.

As campeãs

No WTA International de Nottingham, a tcheca Karolina Pliskova, cabeça de chave 1, levantou o troféu depois de derrotar Alison Riske por 7/6(8) e 7/5. No primeiro set, Pliskova teve de salvar seis set points – três deles no tie-break. Aliás, tie-breaks não faltaram na semana. Foram quatro deles em cinco jogos, e a tcheca venceu três.

Em ’s-Hertogenbosch, outro WTA International, a americana CoCo Vandeweghe bateu a francesa Kristina Mladenovic na final por 7/5 e 7/5 e conquistou o título. Foi sua segunda conquista no torneio holandês, que venceu também em 2014, quando não perdeu nenhum set.

Não foi um torneio bom para as favoritas. A cabeça 1, Belinda Bencic, foi superada por Mladenovic nas semifinais, enquanto a segunda pré-classificada, Jelena Jankovic, foi eliminada na segunda rodada pela russa Evgeniya Rodina.

O retorno

As atuações mais aguardadas da semana foram de Roger Federer, que fez seu retorno às quadras. O suíço, que pouco jogou desde que uma cirurgia no joelho depois do Australian Open, apareceu em Stuttgart fora de forma e foi eliminado por Dominic Thiem na semifinal, depois de perder dois match points: 3/6, 7/6(7) e 6/4.

Mesmo nos triunfos sobre Taylor Fritz e Florian Mayer, o suíço esteve longe de seu melhor nível. É compreensível para quem vem de problemas físicos, mas não deixa de ser algo preocupante porque é raro ver Federer atravessar um momento assim na temporada de grama.

Se serve de consolo, a participação em Stuttgart colocou Federer como o segundo maior vencedor de jogos no circuito mundial. Ele ultrapassou Ivan Lendl e agora soma 1.072 vitórias. À sua frente, apenas o americano Jimmy Connors, que jogava todo tipo de torneios em sua época e acumulou 1.256 triunfos.

A “re-união”

Andy Murray e Ivan Lendl anunciaram neste domingo que voltarão a trabalhar juntos. A parceria de sucesso, durante a qual o britânico conquistou dois Slams e uma medalha de ouro olímpica, terminou porque Lendl não queria mais passar tanto tempo viajando o circuito. Segundo o comunicado publicado no site do tenista, Lendl passou os últimos dois anos tratando de operações nos quadris e em um cargo no programa de desenvolvimento de jogadores da USTA.

O texto não deixa explícito, sugere que Lendl vai estar em todos os eventos ao lado de Murray (já foi assim na primeira vez) ao dizer que o novo-velho técnico trabalhará junto ao “técnico full-time de Andy, Jamie Delgado”. Ou seja, Delgado estará presente o tempo inteiro, enquanto Lendl fará aparições aqui e ali e estará junto nos períodos de treino. É o que parece.

Os brasileiros

Em Stuttgart, Bruno Soares jogou com o australiano Joh Peers e caiu nas quartas de final, superado por Oliver Marach e Fabrice Martin: 7/5 e 6/4. André Sá e Marcelo Demoliner foram a ’s-Hertogenbosch, na Holanda. O gaúcho, que fez parceria com o americano Nicholas Monroe, não passou da estreia, sendo superado por Gilles Muller e Frederik Nielsen. O mineiro avançou uma rodada ao lado de Chris Guccione, mas os dois perderam nas quartas para Santiago González e Scott Lipsky.

No circuito Challenger, o melhor resultado do Brasil veio com Thiago Monteiro, em Lyon (64 mil euros). Cabeça de chave número 5, Monteiro aproveitou uma chave que perdeu os cabeças 2 e 3 logo na estreia e avançou até a final, ficando com o vice ao ser superado por Steve Darcis: 3/6, 6/2 e 6/0. Feijão também esteve em Lyon e foi eliminado pelo mesmo Darcis, mas nas semifinais: 6/3, 5/7 e 6/4.

Rogerinho, por sua vez, foi a Praga (42.500 euros) e perdeu nas quartas de final. O brasileiro foi superado pelo austríaco Dennis Novak em três sets: 4/6, 6/1 e 7/6(7). Em Moscou (US$ 75 mil), André Ghem perdeu nas oitavas de final para o qualifier sérvio Miki Jankovic por 7/6(12) e 6/4. Guilherme Clezar, por sua vez, foi a Caltanissetta (106.500 euros), na Itália, e não passou da estreia. Caiu diante de Gianluigi Quinzi por 6/2, 1/6 e 7/6(6).

Entre as mulheres, Laura Pigossi jogou o ITF de Minsk (US$ 25 mil) e perdeu na estreia para a ucraniana Olga Ianchuk, cabeça 7, por 6/3, 3/6 e 7/5. Bia Haddad, que abandonou o ITF de Brescia no dia 2 de junho por causa de um misterioso “incômodo físico” (a assessoria não divulgou o motivo) que a fez retornar ao Brasil imediatamente, anunciou no sábado que está de volta aos treinos.

O doping

Outra grande manchete da semana foi o anúncio da suspensão de Maria Sharapova, que pegou dois anos de gancho e está afastada do tênis por dois anos. A tenista russa prometeu recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Na quarta-feira, publiquei aqui mesmo no Saque e Voleio um texto dissecando a decisão do tribunal, que destruiu a defesa da russa. Leia aqui.

Vale também ler o texto da Sheila Vieira, vide tweet abaixo:

A desistência

Não pegou quase ninguém de surpresa, mas não deixa de ser ruim para o circuito. Rafael Nadal, que abandonou Roland Garros depois da segunda rodada por causa de uma lesão no punho, não jogará Wimbledon. O bicampeão do torneio disse que não estará recuperado a tempo de participar do Slam da grama.

Como Nadal já havia dito que sua prioridade este ano seria participar dos Jogos Olímpicos (ele não esteve em Londres 2012 por causa de uma lesão), faz sentido adotar uma postura mais do que cautelosa e pular a temporada de grama. Resta saber se será suficiente para que o espanhol esteja em forma competitiva no Rio. Lesões no punho estão entre as mais delicadas para tenistas.

A briga pelo número 1 nas duplas

Durou pouco o reinado de Nicolas Mahut como duplista número 1 do ranking. Três dias depois de assumir a liderança da lista, o francês já sabia que a posição estava perdida. Com a eliminação de Mahut em ’s-Hertogenbosch, onde jogou ao lado de Bopanna, Jamie Murray voltará à ponta na segunda-feira.

Quando Leander Paes é a vítima

O indiano Leander Paes, que não tem lá muitos amigos no circuito, vem sendo vítima de bullying do compatriota Rohan Bopanna. André Sá, o cúmplice, postou no Twitter uma imagem de Bopanna fingido estar preocupado com sua escolha para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Por estar no top 10, o indiano não só está garantido na competição como, em tese, teria o direito de escolher qualquer parceiro para o torneio olímpico de tênis. Bopanna, portanto, seria a última esperança de Leander Paes para estar nos Jogos Rio 2016. Notem o nome de Paes na manchete do celular. Ô, maldade…

Escrevi “em tese” e “seria” no parágrafo acima porque a federação indiana passou por cima da opção de Bopanna e indicou o nome de Leander Paes, forçando os dois a atuarem juntos. Bopanna não ficou nada contente e escreveu uma carta para a entidade (vide link no tweet abaixo).

Leitura obrigatória

Reportagem publicada no site da Folha de S. Paulo na última quinta-feira. O presidente da CBT Jorge Lacerda, vetou a ex-assessora de Gustavo Kuerten, Diana Gabanyi, de trabalhar nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O dirigente escreveu um email ao Comitê atacando a jornalista, dizendo que ela fazia parte de um grupo de oposição que ataca constantemente a CBT. Lacerda também ameaçou não emitir credenciais caso não fosse atendido pelo Comitê. Mesmo depois de dois anos conversando com o Comitê, participando do planejamento para os Jogos e até com salário e data de início acertados, Gabanyi não foi contratada.

O próprio Guga tentou agir em nome de sua ex-assessora, entrando em contato com a Federação Internacional de Tênis (ITF). O presidente da entidade, David Haggerty, levou pessoalmente a situação ao presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, mas a decisão foi mantida. Leia a reportagem na íntegra.

Para ouvir

Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing? O sérvio vai alcançar as 302 semanas como número 1, atual recorde de Roger Federer? O quanto um domínio como o de Nole faz mal ao tênis? Garbiñe Muguruza mostra mais potencial que nomes como Halep, Bouchard e Bencic? Estas e outras perguntas são respondidas no mais recente episódio do podcast Quadra 18, onde Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu batemos um papo bem humorado sobre tênis. Ouça abaixo.

Fanfarronices publicitárias

Depois de uma foto com Michael Jordan, outra com Stephen Curry e uma aparição na Copa América ao lado de Lewis Hamilton e Justin Bieber, Neymar encontrou casualmente (coincidência, claro) com… Serena Williams.

Always be ready for summer. You never know when. @neymarjr will show up

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Saiba mais (ou não) nesta lista aqui.

O amor

E já que este domingo foi dia dos namorados aqui no Brasil, que tal encerrar o post com uma imagem dos recém-casados Fabio Fognini e Flavia Pennetta?


Os sete erros de Sharapova (e as doídas lições do tribunal)
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Alexandre Cossenza

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A notícia todo mundo já sabe. Maria Sharapova, flagrada em um exame antidoping durante o Australian Open, foi suspensa por dois anos e só poderá voltar a jogar tênis competitivo a partir de 25 de janeiro de 2018. O exame da tenista russa apontou a presença de meldonium, substância proibida desde 1º de janeiro deste ano. Nesta quarta-feira, a Federação Internacional de Tênis (ITF) divulgou a decisão do Tribunal Independente que julgou Sharapova.

O mistério, como o próprio tribunal delineou na decisão, era “como uma jogadora de elite na posição de Sharapova, com assistência de um time profissional incluindo o melhor aconselhamento esportivo e médico possível, se colocar na posição de tomar uma substância proibida, como admitido, antes de cada uma das cinco partidas que ela disputou no Australian Open.”

Muitas das respostas que Sharapova não deu naquela coletiva mal planejada do dia 7 de março vieram à tona agora. E foram muitas as falhas da tenista russa e de seu empresário, Max Eisenbud. O tribunal não perdoou. Vejamos, então, quais foram as falhas mais graves da ex-número 1 do mundo, como ela tentou se defender e como o tribunal reagiu às alegações.

1. Sharapova sabia que meldonium lhe dava benefícios esportivos

A própria defesa de Sharapova deixa isso claro apresenta uma dos recados do Dr. Anatoly Skalny, responsável por tratar a tenista russa em 2006 e prescrever uma lista de 18 substâncias a serem ingeridas. Uma delas era o meldonium. Em uma das mensagens, o Dr. Skalny especifica como o meldonium (ou Mildronate, seu nome comercial) deve ser ingerido. O médico recomenda a ingestão de dois comprimidos uma hora antes de partidas e, em caso de jogos de “especial importância”, três a quatro comprimidos.

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É bom ter em mente que naquela época meldonium não era uma substância proibida. No entanto, a prescrição detalhada sugere que Sharapova sabia, sim, que meldonium lhe dava benefício competitivo. Caso contrário, por que aumentar a dose em partidas mais importantes?

2. Automedicação

Sharapova continuou com acompanhamento do Dr. Skalny até 2012. Era ele que verificava se algum dos remédios prescritos fazia parta da lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial Antidoping (Wada). Ele obtinha, anualmente, um certificado do centro antidoping de Moscou. O certificado mais recente apresentado por Sharapova data de 11 março de 2010. Naquela época, a lista de substâncias recomendadas pelo médico chegava a trinta (!).

No fim de 2012, Sharapova decidiu mudar o rumo de sua dieta nutricional. Cansada de tomar tantos comprimidos, dispensou o Dr. Skalny e passou a seguir as orientações de um nutricionista (Nick Harris). No entanto, a tenisya decidiu por conta própria continuar a tomar três das substâncias indicadas por Skalny: Magnerot, Riboxin e, sim, Mildronate.

Quando questionada sobre os motivos das três substâncias, Sharapova alegou apenas que o Dr. Skalny colocou ênfase especial nesses três medicamentos.

3. Segredo sobre a medicação

Não, a russa não consultou outro médico sobre o uso de meldonium. Ela também escondeu de seu nutricionista a continuidade com a substância. Segundo a defesa da tenista, apenas o pai de Sharapova e o empresário, Max Eisenbud, sabiam da ingestão de meldonium. O uso tampouco foi relatado pela ex-número 1 nos formulários de controle antidoping preenchidos por ela em 2014 e 2015.

A decisão do tribunal considerou que “sua omissão em relação às autoridades antidoping e sua própria equipe sobre o fato de ainda estar usando Mildronate em competição para melhoria de desempenho foi uma quebra muito séria de seu dever de cumprir com as regras. Sua conduta foi muito séria em termos de sua culpa moral e significativa no efeito causal da contravenção. Se ela tivesse sido transparente com as autoridades antidoping, seu time ou os médicos que consultou, é provável que ela teria sido avisada sobre a mudança na lista de substâncias proibidas e evitaria uma contravenção.”

Essa parte é realmente um mistério. Por que esconder a informação de tanta gente? Especialmente quando meldonium nem era uma substância proibida?

4. Falta de atenção quanto aos avisos sobre a mudança na lista da Wada

Essa todo mundo sabe. Embora Sharapova tenha escrito um textão questionando os “vários avisos” sobre a mudança na lista de substâncias proibidas, é inquestionável que houve várias oportunidades para que ela soubesse da alteração. O tribunal deixa isso bem claro em sua decisão, lembrando que a lista nova foi publicada em 29 de setembro de 2015 e que a lista incluía um resumo das principais modificações. A ITF publicou em seu site os mesmos documentos.

“Qualquer jogador que quisesse checar no site da ITF as mudanças na lista de substâncias proibidas era direcionado ao documento da Wada com o resumo das alterações. O documento declarava claramente que meldonium (Mildronate) havia sido adicionado à lista.”

Além disso, a ITF distribui anualmente um wallet card (um desses cartões como o de seguradoras e planos de saúde) que lista substâncias e métodos proibidos pela Wada. Sven Groeneveld, técnico de Sharapova, recebeu dois desses cartões em janeiro de 2016. Há versões diferentes sobre quando e onde isso aconteceu, mas ninguém contesta que Maria Sharapova não leu esse cartão nem em 2016 nem em anos anteriores.

5. Confiança excessiva no empresário

Essa é a parte mais surreal da história. O empresário de Sharapova classifica o episódio como um erro administrativo e assume a culpa. Era ele quem deveria ter conferido a lista de substâncias proibidas. Afinal, Eisenbud, sabe-se lá por que motivo, era o único do time que sabia da ingestão de meldonium.

Aqui, já há um contraste com a explicação dada por Sharapova na coletiva de março, quando a tenista assumiu a culpa por não ter verificado a lista por conta própria. Diante do tribunal, foi o empresário que ofereceu o pescoço à guilhotina. Mais uma tentativa, ao que parece, de reduzir o grau de culpa de sua galinha dos ovos de outro.

Mas a história fica mais estranha ainda quando Eisenbud explica seu costume de conferir a lista de substâncias proibidas, que consistia em sentar à beira de uma piscina no Caribe e conferir tudo que seus atletas estavam ingerindo.

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Em 2015, no entanto, Eisenbud se divorciou e não foi passar as férias no Caribe. Portanto, não fez a devida conferência. Conclui-se que Sharapova foi flagrada em um antidoping porque seu empresário não tirou férias no Caribe, então?

O tribunal não perdoou. A decisão diz que o empresário sabia da possibilidade de consultar a WTA para saber se um medicamento era permitido e questiona a capacidade de Eisenbud, que sequer “poderia ter começado a conferir as substâncias na lista”. O texto também indaga “por que seria necessário levar um arquivo ao Caribe para ler à beira da piscina quando um email poderia ter fornecido a resposta”.

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De novo: se era uma tentativa de aliviar parte da culpa da tenista, a defesa errou rude. O tribunal, em suas considerações finais, argumenta que “a maneira completamente inadequada com que ele [Eisenbud] alegou realizar suas conferências não chega perto de isentar o dever do jogador de cautela máxima.”

6. Espera por tratamento especial

A ex-número 1 argumentou que deveria ter recebido um alerta já que a ITF sabia – ou deveria saber – que Sharapova e vários outros tenistas usaram meldonium em 2015. Por isso, segundo a tenista, a entidade deveria ter tomado medidas especiais para avisá-la (e os outros atletas) sobre a adição de meldonium na lista.

A defesa da russa usa como base os 24 testes de tenistas que deram positivo para meldonium em 2015. O problema é que a ITF não sabia disso em dezembro de 2015. Os resultados só foram enviados para a entidade em março de 2016. Além disso, dos 24 testes positivos, cinco eram de Sharapova. Logo, como conclui o tribunal, “mesmo se a ITF houvesse sido notificada dos resultados dos testes do programa de monitoramento, não teria necessariamente concluído que havia no tênis, em contraste com outros esportes, amplo uso de meldonium.”

Neste caso específico, não fica totalmente claro se Sharapova, de fato, esperou tratamento especial por parte da ITF. Soa mais como um argumento que busca uma espécie de atenuante, tentando jogar parte da culpa para a federação. De qualquer modo, foi mais um fiasco retumbante.

7. Menosprezo quanto à importância dos formulários de antidoping

Quando um atleta se submete a um exame antidoping, precisa preencher um formulário listando todos medicamentos de que fez uso nos sete dias anteriores à coleta. Não, a Wada não espera que nenhum trapaceiro vá admitir estar fazendo uso de anabolizantes, por exemplo. Mas a omissão de meldonium por parte de Sharapova podia dar a entender que ela tinha intenção de trapacear.

Sharapova admitiu ter desprezado a lista. “Não achei que era uma responsabilidade ter de anotar cada match drink que estava tomando, cada gel ou vitamina que estava tomando, mesmo que tivesse acontecido só uma vez nos últimos sete dias. Não achei que fosse de grande importância.”

Nos formulários apresentados, Sharapova havia listado vitamina C, Omega 3, Biofenac, Voltaren, Veramyst e melatonina. “Na maioria dos casos, ela listou apenas duas dessas substâncias em cada formulário, então a lista não ficaria muito longa se ela incluísse Mildronate”, apontou a decisão. O texto do tribunal, aliás, foi incisivo:

“Se ela acreditasse que havia uma necessidade médica para usar Mildronate, teria consultado um médico. A maneira de seu uso, em dias de jogo e quando em intenso treinamento, só é consistente com a intenção de aumentar seus níveis de energia. Pode ser que ela genuinamente acreditasse que Mildronate tinha algum benefício geral sobre sua saúde, mas a maneira com que a medicação foi tomada, sua omissão das autoridades antidoping, sua falha ao revelar para seu próprio time, e a falta de qualquer justificativa médica deve levar inevitavelmente à conclusão de que ela tomou Mildronate para o propósito de melhorar seu desempenho.”

Coisas que eu acho que acho:

– De tudo que li nas 33 páginas do documento que explica o julgamento, vários argumentos usados pelos advogados de Sharapova são indefensáveis. O último deles é um apelo ao princípio da proporcionalidade, dizendo que qualquer período de inelegibilidade afetaria Sharapova de forma desproporcional, causando a ela uma perda substancial de renda e patrocínios, além da exclusão dos Jogos Olímpicos de 2016 e danos irreparáveis à sua reputação.

– O tribunal dá uma lição de moral na resposta, afirmando que “não há nada injusto na aplicação justa e igualitária das regras a esta jogadora como a qualquer outro atleta sujeito ao Código da Wada, seja profissional ou amador.”

– Dito tudo isto, Sharapova foi punida com dois anos porque seu doping foi considerado não intencional (e a Nike já até reativou o patrocínio). Ou seja, o tribunal considerou que, embora ela soubesse dos benefícios do meldonium, desconhecia a presença da substância na lista da Wada. Quando o doping é intencional, a punição pode chegar a quatro anos de suspensão.

– Em seu perfil no Facebook, Sharapova diz que não pode aceitar “uma suspensão injustamente dura de dois anos” e que vai apelar à Corte Arbitral do Esporte (CAS).


Quadra 18: S02E08
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Alexandre Cossenza

O Career Slam, o Nole Slam, o Golden Slam e tudo mais que envolve os feitos que Novak Djokovic já alcançou e ainda pode alcançar; o título de Garbiñe Muguruza e o momento de Serena Williams; a (mais uma!) decepção com a organização de Roland Garros; a participação brasileira em Paris; o novo número 1 nas duplas; quem já está garantidos nos Jogos Olímpicos; e o coração de Guga desenhado pelo número 1 do mundo no saibro da Quadra Philippe Chatrier.

É muito assunto para o podcast Quadra 18, então Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu preparamos um programaço de quase 1h30min respondendo questões de vários ouvintes e batendo aquele papo descontraído sobre tênis que vocês já conhecem bem. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny Calejon apresenta os temas
1’39” – Novak Djokovic e sua campanha em Roland Garros
3’33” – O comportamento mais comedido do sérvio na final
6’30” – A comemoração com o coração de Guga no saibro da Chatrier
7’55” – A reverência por um ídolo brasileiro e a dimensão de Guga no tênis
8’51” – Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing?
12’52” – Se Guga jogasse hoje, seria chamado de marqueteiro?
13’45” – Cossenza perde a paciência com Cincinnati
14’50” – A expectativa enorme e como Djokovic vai encarar Wimbledon
16’00” – Djokovic vai alcançar as 302 semanas do Federer como #1?
16’50” – O que é mais difícil: as 302 semanas, 4 Slams no mesmo ano, os 17 Slams ou receber o dinheiro que o Rio de Janeiro está devendo?
18’20” – Veremos outro jogador fechar o Career Slam tão cedo?
19’10” – O domínio de Djokovic é maior hoje do que o domínio de Federer e Nadal em seus respectivos auges?
20’58” – Os títulos que faltam a cada um do Big Four
23’07” – A ausência de Rafael Nadal pode mudar a maneira de ver o título de Djokovic em Roland Garros?
24’10” – Quanto uma dominância assim é ruim para o tênis?
26’46” – Djokovic começou a ganhar RG na derrota contra Vesely em MC?
27’40” – O quanto Boris Becker ajudou Djokovic?
32’45” – Alguns anos atrás, Djokovic perdia finais, mas dava mostras do que estava por vir. Murray dá esses mesmos sinais de que pode chegar a número 1?
34’25” – O possível “Silver Slam” de Andy Murray
35’43” – A Ausência de um técnico principal prejudicou Murray em RG?
36’35” – Os desempenhos de Wawrinka, Thiem, Nadal e Federer
42’07” – Dominic Thiem vai ser número 1 do mundo?
43’00” – Paris (Friendly Fires)
43’30” – A campanha de Garbiñe Muguruza até o título
47’05” – O que Serena poderia/deveria ter feito de diferente na final?
48’45” – Lesão ou idade? O que teria incomodado mais Serena na decisão?
50’06” – Muguruza tem mais potencial que Halep/Bouchard/Bencic?
53’17 – As surpresas e decepções: Bertens, Rogers, Kerber, Vika e Halep
57’50” – A expectativa para a temporada de grama
59’30” – Roland Garros sai com o filme queimado?
63’25” – Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo)
64’05” – O que aconteceu na chave de duplas
65’03” – A campanha e os méritos de Feliciano e Marc López
66’00” – O resultado de Marcelo Melo e Ivan Dodig
68’40” – As campanhas de Bruno Soares e André Sá
69’20” – O carrasco Leander Paes de legging
72’35” – Nota de repúdio de Alexandre Cossenza
73’30” – Nicolas Mahut, o novo duplista número 1 do mundo
74’37” – O novo ranking e a classificação olímpica
77’50” – As derrotas de Bellucci e Rogerinho
80’07” – Teliana Pereira e o duelo com Serena Williams
81’20” – Orlandinho, vice juvenil nas duplas, deveria ainda estar entre os juvenis?
82’30” – Que tenista atual tem estilo de jogo mais parecido com o Guga?
83’30” – Perguntas e respostas sobre a transmissão de RG na TV brasileira.
87’40” – Paris (Magic Man)

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Paris (Friendly Fires), Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo) e Paris (Magic Man). O pequeno trecho durante os comentários sobre Alexander Peya é da canção Hier Kommt Alex (Die Toten Hosen).


Novak Djokovic, o (generoso) campeão de tudo
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Alexandre Cossenza

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Os quatro últimos grandes torneios de tênis têm um só dono. A frase que abre este post – ou qualquer paráfrase – não era escrita desde 1969, quando o australiano Rod Laver venceu Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Hoje, 47 anos depois, Novak Djokovic tornou-se o terceiro homem da história mais do que centenária do tênis a alcançar tal feito.

Foi a garrafa de champanhe mais gelada dos últimos tempos. O título do Slam francês esteve perto nos cinco anos anteriores, mas sempre lhe escapou. De muitas maneiras, Djokovic e sua longa caminhada em Paris foram vítimas de um destino que colocou o sérvio na geração de fenômenos como Roger Federer e Rafael Nadal (e Stan Wawrinka tem sua parcela aqui também).

A lacuna no currículo de Djokovic não podia continuar até o fim da carreira. Não quando o cidadão mostra um domínio raramente (jamais?) visto no tênis. Não quando ele está sempre nas finais. Não, não podia. E não aconteceu. Andy Murray não conseguiu parar o #1 do mundo neste domingo. Quando encontrou seu ritmo, Djokovic disparou rumo à linha de chegada como Usain Bolt batendo no peito e cantando I Shot The Sheriff. O Career Slam está completo e abre caminhos para mais conquistas espetaculares. Feitos que só os gigantes do esporte realizaram.

O generoso coração

Djokovic pediu permissão a Guga e foi atendido. Caso vencesse o torneio pela primeira vez este ano, desenharia na quadra um coração e se deitaria nele, como o brasileiro fez duas vezes em 2001. Aconteceu.

Há quem chame Djokovic de marqueteiro. Prefiro ver o caso deste domingo por outro ângulo. Em um momento tão esperado e que era de sua – e só sua – consagração no tênis, o sérvio optou por lembrar um grande campeão. Não consigo enxergar egoísmo, falsidade ou publicidade nisso. Apenas generosidade.

No vídeo (uma ação da Peugeot) em que pediu permissão ao brasileiro, Djokovic disse que o coração de Guga, desenhado no saibro da Chatrier, foi o momento mais emocionante que viu em um torneio de tênis. De novo: um cidadão que ganhou 12 Slams e tem os quatro maiores títulos ao mesmo tempo tirou um minuto de seu grande momento para lembrar um tricampeão. Acho louvável.

A final

O primeiro set foi tenso para o número 1. Mesmo depois de abrir o jogo com uma quebra, Djokovic parecia ainda sentir a importância do momento. Seu forehand não estava tão seguro, e Murray aproveitou para agredir o segundo serviço. O britânico venceu quatro games seguidos e manteve a dianteira até fazer 6/3. O último game, mais nervoso de todos, incluiu uma chamada polêmica do árbitro de cadeira, uma nervosa reclamação de Djokovic e muitas vaias do público.

A segunda parcial foi totalmente diferente – e deu o tom do resto da partida. Nole quebrou na primeira chance e disparou, fazendo 3/0. Aos poucos, seus erros quase sumiram. Ao mesmo tempo, as falhas de Andy ficaram mais frequentes. A balança começou a pender para o outro lado. E quando a maré fica a favor de Djokovic, todo mundo sabe o que acontece: 6/1.

Vendo que o número 1 já estava em seu nível “normal” – que, para a maioria dos tenistas também leva o nome de “espetacular” – Murray tentou variações. Buscou encurtar pontos, atacar antes e mais cedo. Djokovic teve respostas para tudo. Chegou em curtinhas com contra-ataques espetaculares. Não deu nada de graça no fundo de quadra. Dominou o segundo serviço do escocês. Um beco sem saída.

Murray só achou uma pequena fresta aberta no fim do quarto set, quando Djokovic aparentemente sentiu o momento. Foi quebrado sacando em 5/2 e, depois, com 5/4 a favor, perdeu dois match points e permitiu que o britânico igualasse o game. O jogo ficou emocionante outra vez, mas por pouco tempo. A fresta se fechou, e Djokovic finalmente conquistou o título que faltava: 3/6, 6/1, 6/2 e 6/4.

Os feitos

Novak Djokovic é o terceiro nome da história do tênis a vencer os quatro Slams em sequência, mas não necessariamente no mesmo ano. Antes dele, só Don Budge e Rod Laver. Nem Federer nem Nadal. Budge (1938) e Laver (1962 e 1969) também são os únicos homens a completarem o Grand Slam de fato (todos no mesmo ano) nas simples.

Consequentemente, Djokovic também estende seu recorde de vitórias consecutivas em Slams. São 28 agora, com a última derrota vindo na final de Roland Garros do ano passado. Antes, o sérvio havia somado 27 triunfos seguidos de Wimbledon/2011 até Roland Garros/2012, quando perdeu a decisão para Rafael Nadal.

O sérvio também entra na lista de tenistas que completaram o chamado Career Slam, ou seja, venceram os quatro, mas não necessariamente em sequência nem no mesmo ano. Ele é o oitavo a conseguir o feito. Os outros são Andre Agassi, Don Budge, Roy Emerson, Roger Federer, Rod Laver, Rafael Nadal e Fred Perry.

Djokovic agora também ocupa o alto da lista de campeões que mais demoraram a conquistar Roland Garros. O sérvio vence em sua 12ª participação no torneio. A marca anterior pertencia a quatro nomes. Todos venceram na 11ª tentativa: Andre Agassi, Andres Gomez, Roger Federer e Stan Wawrinka.

A expectativa

Após o título deste domingo, Djokovic tem pela frente expectativas enormes. O sérvio, afinal, é o primeiro tenista a vencer o Australian Open e Roland Garros no mesmo ano desde Jim Courier, em 1992. Logo, o atual número 1 tem a chance de:

– Completar o Grand Slam de fato, vencendo os quatro Slams no mesmo ano. Ninguém faz isso desde Rod Laver, em 1969;
– Completar o Golden Slam, vencendo os quatro e conquistando o ouro olímpico. Nunca aconteceu na história do tênis masculino; e
– Completar o Career Golden Slam, vencendo o torneio olímpico de tênis, mesmo que não consiga triunfar em Wimbledon e no US Open nesta temporada. Até hoje, só Andre Agassi e Rafael Nadal conseguiram.

O reconhecimento

Andy Murray, que fez uma bela partida e tentou até o fim encontrar uma maneira de mudar a balança da partida, foi brilhante na escolha de palavras durante o discurso de vice-campeão. Disse que o feito do sérvio é fenomenal, que vencer os quatro Slams é algo tão raro que vai demorar a acontecer novamente. E terminou dizendo “é chato perder a partida, mas estou orgulhoso de fazer parte do dia de hoje.”

O ranking

Após a final deste domingo, o top 10 masculino ficou assim:

1. Novak Djokovic
2. Andy Murray
3. Roger Federer
4. Rafael Nadal
5. Stan Wawrinka
6. Kei Nishikori
7. Dominic Thiem
8. Tomas Berdych
9. Milos Raonic
10. Richard Gasquet

As mudanças mais relevantes foram a subida de Rafael Nadal para número 4 do mundo, deixando Stan Wawrinka em quinto – o que tem peso considerável na formação das chaves dos próximos torneios, impossibilitando mais um duelo entre Nadal e Djokovic ou Murray antes das semifinais – e a entrada de Dominic Thiem no top 10, na sétima posição, a melhor de sua carreira até agora.

O bolão impromptu do dia

O vencedor de hoje foi o Bruno de Fabris, que errou a duração do jogo por apenas dois minutos. A partida teve 183 minutos.

As campeãs de duplas

Nas duplas femininas, o título é de Kristina Mladenovic e Caroline Garcia, que derrotaram Ekaterina Makarova e Elena Vesnina por 6/3, 2/6 e 6/4. São as primeiras francesas a vencerem nas duplas em Roland Garros desde 1971.

Melhores lances

Uma combinação taticamente perfeita de Andy Murray, embora dificílima de executar: backhand angulado, curtinha na paralela, lob. Lindo de ver.

Obviamente, dar curtinhas contra Djokovic é uma estratégia arriscada. Exemplo 1:

Exemplo 2:

Exemplo 3:

Preciso dizer mais?


Muguruza, uma campeã mais Serena do que a própria Serena
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Alexandre Cossenza

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Posição firme na linha de base, empurrando consistentemente a adversária para trás. Saques precisos em break points. Coragem para agredir e arriscar em momentos delicados. Precisão, potência e profundidade. Três linhas que costumam definir Serena Williams, mas que hoje servem para descrever Garbiñe Muguruza, nova campeã de Roland Garros.

A espanhola de 22 anos fez uma final espetacular, sufocando e encurralando a número 1 do mundo justamente no estilo de jogo que a americana prefere. Neste sábado, Garbiñe Muguruza foi mais Serena Williams do que a própria Serena Williams. Confirmou o que todos viram ao longo de duas semanas. Foi ela que mostrou o melhor nível de tênis desde os primeiros dias deste Roland Garros.

A final

A número 1, que entrou em quadra com uma lesão no adutor (e jamais culpou a lesão pela derrota), até teve suas chances no set inicial. Muguruza quase sempre encontrou respostas. Tanto no quarto game, quando salvou dois break points, quanto no sexto, saindo de um 0/30. Por fim, no 12º, saiu de 15/40 para confirmar o saque e fechar a parcial.

Tudo ficou ainda mais claro quando Muguruza abriu a segunda parcial quebrando o serviço de Serena. A escalada seria dura para a americana, que até devolveu a quebra em seguida, mas perdeu o saque outra vez no terceiro game. Tanto quanto no mérito técnico, a espanhola foi louvável ao manter seu plano de jogo e não aliviar em momento algum. Não teve medo, não tirou o braço, não esperou erros da oponente. Manteve a pressão, impedindo que a americana estabelecesse uma posição mais perto da linha de base.

Muguruza tampouco titubeou quando teve o saque para fechar o jogo. Nem depois de perder quatro match points no saque de Serena. Ganhou quatro pontos seguidos, inclusive com um golpe de vista lamentável de Serena, que tinha a corda no pescoço. Jeu, set et match, Muguruza: 7/5, 6/4.

Uma marca inédita para Serena

Pela primeira vez na carreira, Serena Williams perdeu duas finais de Slam consecutivas, já que vinha de derrota também no Australian Open. Atual campeã de Wimbledon e líder folgada do ranking, a americana pode obter o raro feito de ocupar o topo do ranking sem ter um título de Slam na sua somatória caso não repita a conquista em Londres.

Serena agora soma vices em todos os quatro Slams. Além dos dois reveses deste ano, a americana perdeu finais no US Open em 2001 e 2011 e em Wimbledon nos anos de 2004 e 2008.

Os recordes que não vieram

Fosse campeã, Serena igualaria a marca de Steffi Graf, recordista de títulos em torneios do Grand Slam na Era Aberta (a partir de 1968) do tênis, com 22. O recorde geral é da australiana Margaret Court, que levantou 24 troféus. Serena também se tornaria a mais velha campeã da história de Roland Garros. A honra é da húngara Zsuzsi Kormoczy, campeã com 33 anos e 279 dias em 1958.

O ranking

Após a final deste domingo, o top 10 feminino ficou assim:

1. Serena Williams
2. Garbiñe Muguruza
3. Agnieszka Radwanska
4. Angelique Kerber
5. Simona Halep
6. Victoria Azarenka
7. Roberta Vinci
8. Belinda Bencic
9. Venus Williams
10. Timea Bacsinszky

A homenagem

Amélie Mauresmo foi homenageada pouco antes da partida. A cerimônia foi para lembrar sua entrada no Hall da Fama Internacional do Tênis e contou com vários nomes gigantes do tênis. Estavam na Chatrier Rod Laver, Billie Jean King, Yannick Noah, Guillermo Vilas e Guga, entre outros.

O bolão impromptu do dia

A pergunta era: quem será a campeã e quantos games terá a final?

Os campeões de duplas

Pelo segundo ano seguido, Bob e Mike Bryan foram vice-campeões de Roland Garros. O título, desta vez, ficou com os espanhóis Feliciano e Marc López, que venceram a final deste sábado por 6/4, 6/7(6) e 6/3.

O resultado impediu que Bob Bryan voltasse à liderança do ranking e colocou o francês Nicolas Mahut no topo da lista. Marcelo Melo, que perde a liderança, cai para o oitavo posto, logo à frente de Bruno Soares, que é o nono.

Melhores lances

Não foi exatamente um lance espetacular, mas reflete o que aconteceu em boa parte do jogo. Garbiñe Muguruza mais perto da linha de base, empurrando Serena Williams para trás e ditando o ponto. Neste caso específico, a espanhola abriu a quadra, se aproveitando da movimentação não tão boa da número 1 do mundo, e matou o ponto com a quadra aberta.


RG, dia 13: Muguruza, Serena, Djokovic e Murray. Quem está surpreso?
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Alexandre Cossenza

Choveu muito, houve zebras e partidas divertidas, mas treze dias de jogos depois, Roland Garros definiu seus finalistas no óbvio. Serena Williams e Garbiñe Muguruza na decisão feminina, Novak Djokovic e Andy Murray brigando pelo título no domingo. O resumo do dia analisa as quatro semifinais e o que esperar nos próximos dois dias de torneio. O texto também atualiza o cenário na briga pelo número 1 das duplas e traz vídeos de pontos interessantes, que ilustram os porquês de alguns dos resultados do torneio francês.

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Muguruza voando x Serena em modo avião

Por caminhos estranhos e menos espinhosos do que o previsto, deu o óbvio. Serena Williams (#1) e Garbiñe Muguruza (#4) farão a final de Roland Garros. O curioso mesmo é que algumas casas de apostas colocam a espanhola como favorita para derrubar a americana (outra vez) em Paris.

É curioso, mas compreensível. Muguruza foi a tenista que melhor jogou durante as duas semanas. Fora a primeira rodada descalibrada e que por pouco não se terminou numa grande zebra, a espanhola foi firme e passou por cima de toda chave, sem perder sets. Nem depois do susto de ser quebrada sacando para a final. A vitória sobre Sam Stosur, nesta sexta, foi relativamente tranquila, sem que a australiana liderasse em momento algum. No fim, o placar de 6/2 e 6/4 foi um bom reflexo do que aconteceu em quadra.

Serena, por sua vez, não anda bem das pernas – literalmente. Segundo Marion Bartoli, a americana vem lidando com uma lesão no adutor. Isso explica a movimentação limitada e a tentativa de limitar trocas longas. Na semifinal contra Kiki Bertens (#58), foi como se Serena estivesse jogando em modo avião – aquilo que a gente faz pra poupar bateria quando não encontra um carregador por perto para manter o celular ligado.

Foi um jogo interessante, mas só porque Bertens saiu na frente e sacou para fechar o primeiro set. O nível técnico ficou bastante aquém do esperado para uma semi de Slam – e até mesmo para qualquer partida envolvendo Serena Williams. Nem a holandesa fez uma partida excepcional enquanto liderou. O placar final, 7/6(7) e 6/4 refletiu um equilíbrio que só existiu porque a #1 esteve abaixo de seu normal.

A lógica é apostar no velho “se Serena jogar assim, não ganha”, mas é uma condicional bastante grande para uma final, até porque Serena confirmou a lesão sem dizer o quão séria ela é e também porque, como todo mundo sabe, a número 1 tem muito mais tênis do que mostrou na final. Ainda assim, não são nada ruins as chances de Muguruza. E não custa lembrar que sua única vitória sobre Serena aconteceu justamente em Paris.

Djokovic e Murray se encontram outra vez

Entre os homens, chegaram lá também os dois mais cotados desde o princípio para estarem na final. Djokovic mostrou que aproveitou bem a chave acessível para chegar em forma na decisão. Nesta sexta, diante de Dominic Thiem (#15), também deixou claro ainda estar pelo menos um nível acima do jovem e talentoso austríaco. Fez 6/2, 6/1 e 6/4 em um jogo que foi mais divertido do que equilibrado.

Thiem fez o possível, batendo forte na bola e tentando empurrar Djokovic para trás, mas ainda não possui a consistência para esse tipo de situação (melhor de cinco + semifinal de Slam + número 1 do mundo). Ainda conseguiu abrir 3/0 no terceiro set, dando um pouco de emoção ao duelo, mas o sérvio abafou a reação vencendo cinco games seguidos e deixando claro quem é quem.

O adversário será Andy Murray, décimo tenista da Era Aberta (desde 1968) a estar nas finais de todos os torneios do Grand Slam. A vaga foi conquistada com mais um plano de jogo inteligente e bem executado. Em quatro sets, encerrou a série de três derrotas para Stan Wawrinka: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2.

Não foi uma partida tão parelha quanto muitos esperavam, ainda que Wawrinka não tenha feito uma apresentação especialmente ruim. O suíço ficou naquilo que fez durante todo o torneio, e isso talvez diga muito sobre a chave fraquíssima que ele encontrou para alcançar a semi. Murray, em melhor forma e mais exigido quando jogou mal, chega à decisão bem forte.

O favorito para final é Djokovic, que joga por um punhado de feitos espetaculares. O Djokoslam (ganhar os 4 seguidos), o Career Slam (os quatro em anos diferentes), a dobradinha AO-RG (que ninguém faz desde 1992) e as chances de completar o Grand Slam de fato (os quatro no mesmo ano) e o Golden Slam (os quatro mais a medalha de ouro olímpica).

Tudo isso, claro, pode pesar contra o sérvio, que vem de uma derrota no saibro para Murray (final do Masters de Roma). Muita coisa, no entanto, pesa a favor. O histórico favorável contra o britânico, o “encaixe” dos estilos de jogo e sua maior consistência. Parece que todos disseram o mesmo no ano passado, antes da decisão contra Wawrinka, mas parece novamente que Novak Djokovic terá a melhor chance da carreira para triunfar em Roland Garros.

O Big Four de volta

Convém lembrar também que a derrota de Wawrinka na semifinal coloca Rafael Nadal de volta no quarto lugar do ranking mundial. Ou seja, o chamado Big Four estará novamente completo no alto da lista da ATP, embora continuem insistindo em dizer que o “Big Four acabou”.

O brasileiro

Marcelo Melo e Ivan Dodig deram adeus ao torneio nesta sexta-feira, derrotados nas semifinais. Os atuais campeões de Roland Garros foram derrotados pelos espanhóis Feliciano e Marc López (que, repito, não são irmãos) em uma partida nervosa que terminou com Dodig errando um voleio e cedendo a quebra decisiva no serviço do mineiro: 6/2, 3/6 e 7/5.

Com o resultado, o ranking de duplas terá um novo número 1. Marcelo Melo deixará o posto, que ficará com Nicolas Mahut ou Bob Bryan. O americano precisa conquistar o título para voltar ao topo. Caso contrário, o francês assumirá a ponta.

Se vira nos 30

Rafael Nadal completou 30 anos nesta sexta-feira em uma das raras oportunidades que teve de festejar seu aniversário junto com toda família em Mallorca. Na maior parte da última década, o espanhol soprou velinhas em Paris, rumo a um de seus nove títulos de Roland Garros.

A Telefónica, um de seus patrocinadores, preparou um vídeo cheio de gente conhecida dando os parabéns ao tenista. Até Casemiro (sim, o brasileiro do real Madrid) e Kaká fazem aparições.

Piada Pós-Paris

Eugenie Bouchard chegou à imigração na Holanda e teve de explicar o motivo de sua visita ao país: “torneio de tênis”. O oficial, então, perguntou à canadense se ela não deveria estar em Paris ainda…

Os melhores lances

Plasticamente, não aconteceu nada de espetacular no ponto abaixo, mas vale ver pelos 30 golpes do rali e pelo fantástico trabalho de construção de ponto que Djokovic fez até colocar Thiem na defensiva. Vale notar também o quanto o austríaco fez de força a mais do que o sérvio para manter-se no ponto. Uma aula.

Outro lance do sérvio. Velocidade, defesa, precisão, contra-ataque, potência. Em 20 segundos, o porquê de Djokovic ser o número 1 do mundo.

Para finalizar, um exemplo do que Murray fez em muitos momentos da partida. Ofereceu o lado direito, desafiando Wawrinka a atacar com a paralela de backhand, e ficou plantado na esquerda, esperando a chance de matar com seu melhor golpe, o backhand. No caso do ponto abaixo, um break point, Stan fugiu do backhand e deixou a quadra escancarada para a passada.


RG, dia 12: Sustos para Serena e Djokovic, sequência segue para Bertens
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Alexandre Cossenza

Aos poucos, Roland Garros vai pegando quase que no tranco. Nesta quinta-feira, ainda que com algumas interrupções por chuva, os poucos jogos de simples trouxeram momentos muito interessantes. Serena Williams esteve a cinco pontos de dar adeus; Novak Djokovic esteve a cinco centímetros (ou um pouco mais) de ser desclassificado; e Dominic Thiem esteve a um pontinho de precisar jogar cinco sets. O resumo do dia fala de todas as partidas de simples do dia, de como andam os brasileiros em Paris, de um livro escrito por um cachorro a até dos cães antibomba de Wimbledon.

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O número 1

Novak Djokovic fez seu melhor jogo no torneio, ponto. Veio em boa hora porque Tomas Berdych (#8) teve uma atuação bem digna, brigando em todos os sets. O tcheco se recuperou de uma quebra de desvantagem na segunda parcial e até abriu o terceiro set na frente. Ainda assim, o número 1 do mundo estava firme nesta quinta. Devolveu com agressividade, usou bem curtinhas e lobs, explorou a movimentação ruim do rival e fez 6/3, 7/5 e 6/3. Continua tão favorito como sempre.

O susto

Djokovic só esteve perto da eliminação quando, ao descontar a raiva momentânea, um quique inesperado da raquete fez com que ela saísse do controle do tenista e quase atingisse um dos juízes de linha. Não fosse a agilidade do árbitro, haveria motivo suficiente para a desclassificação do número 1.

Correndo por fora

Dominic Thiem (#15) e David Goffin (#13) fizeram mais uma edição do que eu gosto de chamar de clássico-dos-tenistas-mais-talentosos-que tomam-as-piores-decisões-em-momentos-cruciais. O jogo não decepcionou, com vários lances empolgantes e muitos golpes mal escolhidos. Logo, houve equilíbrio e muitas quebras nos três primeiros sets. Primeiro, Goffin saiu uma quebra atrás e venceu o primeiro set. Depois, sacou para a segunda parcial, teve set point (vide tweet abaixo) e viu Thiem conseguir a virada. O austríaco também saiu de 2/4 para vencer nove games seguidos e disparar até fechar em 4/6, 7/6(7), 6/4 e 6/1.

Ainda que tenha contado com uma boa dose de sorte na chave, Thiem aproveitou as chances e chegou, portanto, a sua primeira semifinal em um torneio do Grand Slam. Será um claro azarão contra Djokovic, mas um azarão perigoso. Se o sérvio deixá-lo jogar (como costuma fazer com Wawrinka), corre risco de passar um aperto. Minha opinião é que o cenário mais provável será Thiem agredindo até errar, com o número 1 apostando na consistência e arriscando pouco. O austríaco precisará de um dia espetacular para vencer.

A número 1

Não foi um bom primeiro set para Serena Williams diante de Yulia Putintseva (#60). Cometendo muitos erros (24 não forcados ao todo), a número 1 foi vítima de uma estratégia inteligente e bem executada da cazaque: paciência, bolas altas e fundas e poucos riscos. A quadra pesada também ajudou Putintseva, que só cedeu dois pontos em erros não forcados, saiu na frente e seguiu resistindo na segunda parcial, mesmo cedendo uma quebra no início.

Serena escapou por pouco. Esteve a um ponto de ver a adversária sacar para o jogo, mas salvou o break point no 4/4 e ganhou uma quebra decisiva quando a cazaque cometeu uma dupla falta no set point. Com a #1 jogando melhor e falhando menos, Putintseva não teve como manter o ritmo, embora tenha “brigado” até o último game. Jeu, set et match, Williams: 5/7, 6/4 e 6/1.

A zebra

A adversária de Serena na semifinal será Kiki Bertens (#58), que deu mais uma passo em uma sequência espetacular que começou no qualifying do WTA International de Nuremberg, mais de uma semana atrás, e chega agora a 12 triunfos. Depois do título no torneio de aquecimento para Roland Garros, a holandesa já derrubou mais duas top 10. Na estreia, bateu Angelique Kerber. Nesta quinta, a vítima foi Timea Bacsinszky (#9), por 7/5 e 6/2.

Foi um jogo equilibrado e cheio de quebras na primeira parcial. Bertens esteve uma quebra atrás em três oportunidades, mas foi superior nos momentos decisivos, salvando um break point no 11º game e quebrando a suíça no 12º. Na segunda parcial, saiu na frente, abrindo 4/0 e segurando uma reação de Bacsinszky, que devolveu uma das quebras e teve três break points para “voltar” no jogo.

O público

O ponto negativo de Roland Garros neste quinta-feira foi o público. A quadra Suzanne Lenglen, segunda maior do complexo não esteve perto de sua lotação em momento algum. A quantidade de espectadores, que já era minúscula quando Thiem e Goffin abriram a programação, às 13h, era patética às 17h30min (horários locais), quando Bacsinszky e Bertens brigavam por uma vaga na semifinal feminina (vide tweet abaixo).

É mais uma prova de como a organização de Roland Garros reage mal a imprevistos. Pela programação original, não haveria jogos de simples na Lenglen nesta quinta-feira. No entanto, sabe-se desde terça que mudou tudo. Ainda assim, o torneio não conseguiu atrair um número decente de espectadores para ver duas quartas de final de um torneio do Grand Slam.

A programação de sexta-feira tem dois jogos na Lenglen. Muguruza x Stosur e Djokovic x Thiem. Roland Garros está vendendo esses ingressos por dez euros. Será que assim vai lotar?

Os brasileiros

Nas duplas mistas, Bruno Soares foi eliminado nas quartas de final. Ele e Elena Vesnina perderam para a parceria de Leander Paes e Martina Hingis: 6/4 e 6/3.

Marcelo Melo não entrou em quadra, mas ficou sabendo quem serão seus adversários nas semifinais. Feliciano e Marc López (que não são irmãos, embora há quem fale isso por aí) salvaram seis match points e derrotaram os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin por 3/6, 6/4 e 7/6(7). Feliciano saiu da quadra para o banho de gelo.

Enquanto isso, do lado de fora da quadra, Gustavo Kuerten foi anunciado como novo embaixador do Hall da Fama Internacional do Tênis. O catarinense, não esqueçamos, foi imortalizado em Newport (EUA) em 2012.

Os brasileirinhos

Passou sem registro no post de ontem, mas não esqueçamos: nenhum brasileiro passou da segunda rodada no torneio juvenil de Roland Garros. E, também lembremos, não havia nenhuma representante do país na chave feminina.

Leitura recomendada

Pensando bem, não sei se recomendo, mas informo: Maggie Mayhem, cadela de Andy Murray e sua esposa, Kim, escreveu um livro chamado “Como Cuidar de Seu Humano”, lançado nesta quinta-feira.

Do outro lado do canal

Wimbledon apresentou hoje seu trio de cães antibomba: Duffy, Brian e Biggles.

Introducing Duffy, Brian and Biggles, some of our police explosive search dogs for Wimbledon 2016 🐶

A photo posted by Wimbledon (@wimbledon) on

Falando em Wimbledon, parece improvável a participação de Rafael Nadal no torneio deste ano. Depois de deixar Roland Garros por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand), o espanhol já avisou que não estará no ATP 500 de Queen’s. Talvez Nadal esteja avaliando suas prioridades, e ele já disse algumas vezes que os Jogos Olímpicos Rio 2016 estão no topo de sua lista. Nadal, afinal, ficou fora de Londres 2012 também por causa de lesão.

Os melhores lances

Serena Williams, a número 1 do mundo, sem conseguir ganhar pontos na base da potência por causa da quadra pesada e das bolas fundas de Yulia Putintseva, dá uma aula de como construir um ponto.

Outra lição, agora ensinada por Novak Djokovic, que explorou bem a movimentação limitada de Tomas Berdych para construir esse ponto abaixo:


RG, dia 11: o Djokovic dos US$ 100 milhões e o Andy estrategista
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Alexandre Cossenza

Eis que tivemos um dia quase normal em Roland Garros. Favoritos vencendo, franceses perdendo jogos importantes e alguns nomes importantes correndo por fora e jogando bem. O post de hoje (que chega mais tarde por causa de compromissos pessoais inadiáveis) fala da rodada e do que esperar dos ótimos confrontos marcados para os próximos dias. Que tal ler e opinar?

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O homem de US$ 100 milhões

Novak Djokovic fez bem seu dever de casa. Fechou rapidinho o terceiro set (o placar mostrava 4/1 quando o jogo foi interrompido ontem) e fez um competente quarto set, no qual ganhou poucos pontos de graça de Roberto Bautista Agut (#16). O número 1 sacou atrás no placar a parcial inteira, mas não permitiu que a pressão para evitar um quinto set lhe tirasse o foco. Pelo contrário. Quando sacou com 4/5 e esteve a três pontos de perder a parcial, não deu chances ao espanhol. No fim, fez 3/6, 6/4, 6/1 e 7/5.

A vitória desta quarta-feira faz com que Djokovic se torne a primeira pessoa a acumular mais de US$ 100 milhões em prêmios em dinheiro no tênis.

Os favoritos não tão ricos

Se jogar quatro partidas em quatro dias vai pesar contra Serena Williams, nós vamos descobrir lá na frente. Por enquanto, talvez a consciência de que haverá pouco tempo para recuperação física tenha ajudado a número 1 do mundo. Nesta quarta, a americana entrou em alto nível e permaneceu jogando assim durante 1h02min. Foi o tempo necessário para despachar a ucraniana Elina Svitolina por 6/1 e 6/1 e avançar às quartas. Serena agora vai enfrentar Yulia Putintseva (#60), que bateu a espanhola Carla Suárez Navarro (#14) por 7/5 e 7/5.

Mais tarde, foi a vez de Garbiñe Muguruza (#4) fazer Shelby Rogers (#108) aboborizar e voltar à Terra, fazendo 7/5 e 6/3. A americana, no entanto, não se despediu sem uma boa luta. Teve set point sacando no primeiro set e, mesmo depois de ver a espanhola vencer sete games seguidos, abrindo 3/0 na segunda parcial, lutou e buscou o empate. No fim das contas, porém, Muguruza tinha mais de onde tirar e avançou às semifinais.

Quadrifinalista em 2014 e 2015, a espanhola vai à sua primeira semifinal em Roland Garros e jogando bem. Desde o susto da estreia, não perdeu sets. Ainda que não tenha atravessado um caminho tão espinhoso, é importante dizer que Muguruza somou ótimas atuações desde a segunda rodada.

O próximo desafio será tão duro de prever quanto o nível de tênis que sua adversária, Sam Stosur (#24), mostrará no dia. A australiana conquistou a vaga entre as quatro melhores do Slam francês também derrubando alguém que não esperava estar nas quartas: Tsvetana Pironkova (#102), por 6/4 e 7/6(6).

Não arrisco palpite. O consenso é que Muguruza é favorita, o que faz sentido, já que a espanhola, em um dia normal, é mais consistente do que Stosur. As duas tenistas, porém, são capazes de viver dias pavorosos ou de atuações memoráveis como a vitória da australiana sobre Serena Williams na final do US Open.

O jogo mais esperado

Andy Murray (#2), em sua melhor temporada no saibro, contra Richard Gasquet (#12), queridinho da torcida e fazendo a melhor campanha da vida em Roland Garros. Por dois sets, a expectativa foi correspondida. Lances bonitos, ralis equilibrados, curtinhas e toda oscilação que normalmente é esperada de ambos. Murray sacou para fechar os dois primeiros sets, mas só venceu o segundo – e, mesmo assim, no tie-break. Parecia que muito jogo ainda rolaria, mas o francês sucumbiu, e o britânico fez 5/7, 7/6(3), 6/0 e 6/2.

Importante destacar o plano de jogo do escocês, cheio de curtinhas. Estratégia difícil da aplicar. Exige uma precisão monstruosa. Murray errou em momentos delicados, mas também ganhou três pontos com drop shots no tie-break. Funcionou bastante contra Gasquet por uma série de motivos. Primeiro porque o francês joga muito afastado da linha de base. Segundo porque Murray quase sempre buscava o backhand do francês, e todo mundo sabe o quão difícil é fazer um backhand de uma mão só em uma bola baixa e perto da rede. E, por último, não é segredo que o preparo físico não é o forte de Gasquet. Talvez isso ajude a explicar as parciais folgadas dos dois últimos sets.

Quem espera Murray nas semifinais é o atual campeão, Stan Wawrinka, que navegou pela chave mais fácil do torneio, teve tempo de calibrar seu tênis e fez provavelmente sue melhor jogo nesta quarta, ao eliminar Albert Ramos Ramos Viñolas (#55) por 6/2, 6/1 e 7/6(7).

A grande questão agora é: Wawrinka ou Murray? Páreo duro, não? Nenhum dos dois fez um torneio exatamente consistente. O britânico sofreu mais, mas pegou um caminho mais complicado. Em compensação, chega à semi forte, saindo de uma vitória em um jogo complicadíssimo e que apresentou desafios não tão diferentes dos que vai encontrar na semifinal. Stan, por sua vez, ainda não foi testado de verdade. A seu favor pesa o histórico diante de Murray no saibro: três vitórias em três partidas.

Opinião: sempre coloquei Murray como mais cotado do que Wawrinka em Paris, mas por um motivo simples. Acreditei que o suíço tinha mais chances de ficar pelo caminho. No confronto direto, não vejo essa vantagem do britânico. Embora as casas de apostas deem o favoritismo ao número 2 do mundo, eu colocaria minhas fichas (se as tivesse!) no atual campeão.

Bacana ver o respeito que Wawrinka tem por Murray e pelo chamado Big Four. O suíço, dono de dois títulos de Slam (mesmo número do rival), continua afirmando que a carreira do escocês é muito superior. A declaração desta quarta, reproduzida pela BBC no tweet acima, é bastante consciente.

A zebra

Quando a chave foi divulgada, quem imaginaria que Kiki Bertens (#58) estaria nas quartas de final? A holandesa, que estrearia contra a campeã do Australian Open, Angelique Kerber, era carta fora do baralho. No entanto, aconteceu. Em quatro jogos, Bertens eliminou três cabeças de chave. Kerber na estreia, Kasatkina na terceira rodada e, hoje, Madison Keys (#17) por 7/6(4) e 6/3. E agora, quem vai dizer que a holandesa não tem chances contra Timea Bacsinszky (#9)? A suíça, no entanto, vem de um triunfo por 6/2 e 6/4 contra Venus Williams (#11) e deve ser considerada favorita aqui.

Os brasileiros

Marcelo Melo e Ivan Dodig voltaram à quadra nesta quarta e venceram mais uma vez. As vítimas do dia foram Florin Mergea e Rohan Bopanna, que perderam por 6/4 e 6/4. A duas vitórias do bicampeonato em Paris, a dupla de brasileiro e croata manteve Marcelo na briga pelo número 1, já que Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert foram derrotados nesta quarta – uma vitória garantiria a Mahut a liderança do ranking mundial.

A briga agora continua com Marcelo Melo e Bob Bryan vivos no torneio. Se um dos dois for campeão, sai de Paris no alto da lista da ATP. Se nenhum deles, levantar o troféu Mahut ficará com o número 1. Nas semifinais, Melo e Dodig esperam os vencedores do jogo entre Feliciano e Marc López e os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin.

Nas duplas mistas, Bruno Soares finalmente venceu o jogo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina derrotaram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey por 7/5 e 7/6(3) e avançaram às quartas de final e vão enfrentar Martina Hingis e Leander Paes. Confronto nada, nada fácil.

Correndo por fora

Em outros tempos, seria uma grande surpresa. Hoje, com David Ferrer (#11) mostrando um tênis bastante aquém do seu melhor, era até esperada a vitória de Tomas Berdych (#8), que fez 6/3, 7/5 e 6/3 e avançou às quartas de final.

Ao contrário do que parece um consenso, não acho que o saibro seja um piso ruim para o tcheco. Sua direita, que tem uma preparação mais longa, se beneficia do tempo adicional que o piso lhe dá para armar o golpe (lembram de Robin Soderling?). Alem disso, Berdych não precisa se abaixar com tanta frequência porque o slice não é tão usado na terra batida. Ainda assim, o tcheco entra nas quartas como azarão gigante diante do número 1 do mundo.

Dominic Thiem (#15) finalmente alcançou as quartas de um Slam. Tudo bem que não foi o mais duro jogo de oitavas de sua carreira, pois Marcel Granollers (#56) só avançou porque Rafael Nadal voltou para Mallorca. Ainda assim, o austríaco fez o que tinha a fazer: 6/2, 6/7(2), 6/1 e 6/4. Thiem agora enfrentará David Goffin (#13), que venceu de virada Ernests Gulbis (#80) por 4/6, 6/2, 6/2 e 6/3.

O letão, derrotado, é que não saiu muito feliz de quadra e mal cumprimentou a árbitra de cadeira, Eva Asderaki-Moore. Há quem diga que Gulbis confundiu a grega com a portuguesa Mariana Alves, com quem ele teve um problema sério em Monte Carlo, alguns anos atrás.


RG, dia 10: zebras à prova d’água, atraso, piadas e críticas ao torneio
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Alexandre Cossenza

Agora, sim, Roland Garros vai precisar tomar medidas drásticas para solucionar o quebra-cabeça da programação. Depois de mais um dia de muita chuva e um par de zebras relevantes na chave feminina, o atraso é gigante no torneio parisiense. Metade das oitavas de final masculinas está incompleta, enquanto a metade feminina nem começou ainda. Com cinco dias de torneio pela frente, está mais do que claro que já não há mais margem para atrasos e alguns atletas precisarão entrar na quadra em dias consecutivos. Vamos, então, ao resumo do dia?

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As zebras

Com o mau tempo no começo do dia e de olho na previsão nada animadora para o resto da jornada, a organização colocou os primeiros jogos em quadra ainda com uma chuva fininha caindo. O que se viu foi uma sequência de inesperados.

Na Chatrier, Novak Djokovic vivia um péssimo momento contra Roberto Bautista Agut, que venceu o primeiro set por 6/3. A primeira zebra de verdade, no entanto, viria na Quadra 1, onde Sam Stosur (#24) se recuperou da quebra de desvantagem, venceu o primeiro set em um tie-break desastroso de Simona Halep (#6) e abriu a segunda parcial com uma quebra. A australiana, que se adaptou melhor às condições do dia, acabou surpreendendo e triunfando por 7/6(0) e 6/3, derrubando a favorita-vestida-de-zebra.

Halep não ficou nada feliz com a maneira com que o torneio lidou com o clima. Disse que estava “impossível” e que “jogar tênis durante a chuva acho que é um pouco demais.” A romena afirmou também que quase lesionou as costas, que as bolas estavam completamente molhadas e que, em sua opinião, “ninguém se importa com os jogadores”.

Zebra maior, contudo, aconteceria na Suzanne Lenglen, tanto pelo histórico quanto pelo placar do começo do dia. Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 a partida contra Tsvetana Pironkova (#102), iniciada no domingo. Pois nesta terça, a búlgara venceu dez games seguidos e derrubou Radwanska por 2/6, 6/3 e 6/3.

A número 2 do mundo engrossou o coro de Halep e pegou pesado nas críticas, afirmando que Roland Garros não é um torneio pequeno, de US$ 10 mil de premiação. “Como você pode permitir que tenistas joguem na chuva? Eu não posso jogar nessas condições.” Do mesmo modo da romena, a polonesa diz que “não sei se eles realmente se importam com o que nós pensamos. Acho que se importam com outras coisas.”

“Outras coisas”

Quanto a se importar com as “outras coisas” que Radwanska menciona, cabe registrar que Novak Djokovic e Roberto Bautista Agut tiveram sua partida interrompida na Quadra Philippe Chatrier com 2h04min de jogo. Caso a partida tivesse menos de 2h de duração, Roland Garros teria de devolver aos espectadores o equivalente a 50% do valor dos ingressos. Pode ter sido só coincidência que tenham esticado a partida o máximo possível – até porque a programação está toda atrasada – mas é uma coincidência desagradável para quem forçou atletas de alto nível a competir sob chuva.

Os adiamentos

Nenhum jogo masculino foi terminado nesta terça. Todos valiam pelas oitavas de final. Na Chatrier, Djokovic vencia Bautista Agut por 3/6, 6/4 e 4/1; na Lenglen, Tomas Berdych sacava em 1/2, ainda no primeiro set, contra David Ferrer; na Quadra 1, David Goffin perdia por 0/3 para Ernests Gulbis; e na Quadra 2, Marcel Granollers e Dominic Thiem estavam empatados em 1 set a 1, com parciais de 6/2 para o austríaco e 7/6(2) para o espanhol.

As piadas

É seguro dizer que a imagem de Roland Garros sofreu um baque esta semana. O diretor do torneio, Guy Forget, segue culpando a burocracia francesa, mas sem justificar por que não há um teto retrátil na Chatrier nem iluminação artificial no complexo (leia mais aqui). Enquanto isso, o torneio vira piada, seja com Tomas Berdych lembrando que o Australian Open tem três quadras com teto retrátil…

… seja com o torneio australiano mandando um pouco de sol para Paris.

Os brasileiros

Marcelo Melo e André Sá conseguiram entrar em quadra – um contra o outro. O número 1 do mundo e seu parceiro, Ivan Dodig, levaram a melhor: 6/3 e 6/2 sobre Sá e o australiano Chris Guccione. Com isso, brasileiro e croata, atuais campeões do torneio, avançam para as quartas de final. Seus próximos adversários serão Rohan Bopanna e Florin Mergea, cabeças de chave 6.

Enquanto isso, Bruno Soares segue esperando pela próxima sessão de seu jogo boyhoodiano, o mesmo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina venciam por 7/5 e 1/1 quando a partida contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey foi interrompida e adiada.

O tamanho do drama

Até agora, Roland Garros não anunciou nenhuma mudança no calendário geral, ou seja, a final feminina ainda está marcada para sábado. Se for assim, a finalista que sair do grupo de Serena, Svitolina, Suárez Navarro, Putintseva, Bertens, Keys, Venus e Bacsinszky terá de fazer quatro jogos em quatro dias. Oitavas na quarta, quartas na quinta, semi na sexta e final no sábado – se não chover mais!

Não é o fim do mundo, já que é mais ou menos assim no dia a dia do circuito feminino, mas está longe de ser o ideal em um evento dessa magnitude. Além disso, a finalista que vier da outra metade da chave, que já tem as quartas definidas, poderá chegar com menos cansaço acumulado à decisão.

Entre os homens, a situação está assim: todos que jogaram hoje (Djokovic, Bautista, Ferrer, Berdych, Granollers, Thiem, Goffin e Gulbis) terão cinco dias para quatro partidas. E tudo isso em melhor de cinco sets – e se não chover mais! O cenário é menos complicado para Djokovic, que está com sua partida de oitavas aparentemente encaminhada (imaginem negrito, itálico e ressalvas no “aparentemente”). Mesmo assim, é um óbvio prejuízo em relação à outra metade da chave, que já começa as quartas de final nesta quarta – se não chover mais!


A (não) expansão de Roland Garros e a lição da França para o mundo
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Alexandre Cossenza

Toda vez que chove em Roland Garros o assunto vem à tona. Quando sairão do papel os planos para expansão do complexo? Quando a Quadra Philippe Chatrier terá um teto retrátil? Embora as duas questões não estejam necessariamente ligadas, é isso que a organização atual do torneio quer que o mundo acredite. Entretanto, não importa o quanto o evento tem a ganhar com uma quadra coberta e seus planos de expansão, há um grupo de oposição que vem lutando até hoje contra a “expansão territorial” do Slam do saibro.

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A primeira tentativa

Quando começou a ficar bastante claro que Roland Garros já estava atrás em relação aos outros Slams, a Federação Francesa de Tênis (FFT) anunciou, em 2010, planos de mudar o torneio de local e disse estar considerando três outras locações: Marne-la-Vallée, Gonosse (perto do aeroporto Charles de Gaulle) e Versalhes (em uma base aérea sem uso).

O anúncio foi visto por muitos como um blefe, uma jogada para convencer autoridades da cidade de que Roland Garros havia atingido seu limite e que, para ficar em Paris, seria necessária ajuda de legisladores. Se era mesmo um blefe, ninguém pagou para ver. Em 2011, a própria FFT votou por manter o evento no local de sempre, alegando que sairia caro demais construir um novo complexo.

O plano B

Em 2013, a FFT anunciou o plano de expandir o complexo atual, colocando iluminação artificial e teto retrátil na Chatrier, demolindo a Quadra 1 e construindo uma nova arena utilizando o terreno do jardim botânico vizinho Jardins des Serres d’Auteuil. E aí atraiu a ira de ambientalistas, moradores da vizinhança e autoridades da cidade.

No mesmo ano, um tribunal administrativo de Paris travou os planos por julgar que a quadra com capacidade para quase 5 mil lugares prejudicaria o jardim botânico. Além disso, a quantia em dinheiro que a FFT havia sugerido pagar à cidade era muito pequena (sempre há dinheiro). Naquela ano, vale lembrar, a FFT prometia o complexo totalmente modernizado em… 2016!

Os ambientalistas

O “tal jardim botânico”, cujo nome oficial é Jardin Botanique des Serres d’Auteuil, não é um jardim qualquer. O local foi inaugurado em 1898 e projetado pelo renomado Jean-Camille Formigé. É considerado monumento nacional francês. Para construir uma quadra nova ali, o torneio destruiria 14 estufas que hoje abrigam cerca de 10 mil espécies de plantas tropicais e subtropicais – algumas correndo risco de extinção.

O argumento dos ambientalistas, além de obviamente defender o local, lembra que três associações nacionais endossam a expansão de Roland Garros na direção norte, onde cobriria parte de uma estrada (A13). Há uma petição online já com 80 mil assinaturas pedindo a manutenção do jardim botânico como está hoje.

O torneio, por sua vez, diz que as estufas derrubadas não têm nenhum valor arquitetônico e que serão construídas estufas novas, modeladas nas “estufas históricas desenhadas por Jean-Camille Formigé”.

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A insistência

Em junho do ano passado, mesmo depois de o Ministério da Ecologia questionar o projeto do torneio e mostrar a viabilidade técnica da expansão de Roland Garros na direção da A13, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, disse que a permissão havia sido dada. A prefeitura, vale lembrar, tem interesse de realizar os Jogos Olímpicos de 2024 na capital francesa e usa isso como argumento para justificar a expansão de Roland Garros. Talvez os fãs brasileiros de automobilismo vejam algo de familiar na história.

No entanto, em dezembro, um tribunal administrativo da cidade embargou a obra que envolve a apropriação do terreno do jardim botânico. Por isso, o diretor do torneio, Guy Forget, culpa a burocracia francesa toda vez que chove e ele precisa explicar por que não há teto retrátil na Chatrier.

E o quico?

A pergunta que ninguém na organização de Roland Garros parece disposto a responder é: por que diabos se faz necessário aprovar a expansão para que seja construído um teto retrátil na Chatrier e as quadras passem a ter iluminação artificial? Forget diz que para construir um teto será necessário demolir a arquibancada atual e construir outra estrutura. Soa, no mínimo, estranho já que Wimbledon construiu um teto sem derrubar a Quadra Central (só derrubou a cobertura antiga), e o US Open está construindo uma cobertura retrátil para o gigantesco Arthur Ashe Stadium sem diminuir a capacidade da quadra.

Também não encontrei nenhuma declaração da organização de Roland Garros ou da FFT sobre a questão da iluminação artificial. Entre todas alterações imagináveis em um torneio de tênis, instalar holofotes parece a menos custosa e mais viável. E seguem as perguntas no ar. Em que a burocracia francesa atrasa o teto retrátil e a iluminação artificial? Não são seriam essas as melhorias mais importantes para o andamento de um torneio?

A impressão para quem vê de fora é que o torneio usa sua própria incapacidade como pretexto para poder realizar obras caras e polêmicas aprovadas. Quase repetindo a frase de quatro parágrafos acima, afirmo: moradores do Rio de Janeiro, uma cidade com sérios problemas de transporte, devem ver algo de familiar.

A lição francesa

Paris precisa mesmo destruir, ainda que parcialmente, um jardim botânico para expandir um torneio que já é extremamente lucrativo e acontece durante apenas duas semanas por ano? A cidade precisa mesmo derrubar um estádio e gastar um bilhão para construir uma nova arena que não terá competições nem eventos suficientes para se sustentar por conta própria no futuro?

Perdão, me confundi na segunda pergunta acima, que era sobre uma capital sul-americana que recebeu meia dúzia de partidas em um evento que durou 30 dias. Mas veem a semelhança? A França não cedeu. Ambientalistas seguem brigando por um patrimônio nacional e, apesar do lobby da prefeitura francesa, preocupada com os Jogos Olímpicos de 2024, tribunais administrativos da cidade avaliaram a questão e bloquearam a obra.

Pode ser que, no futuro, a expansão de Roland Garros seja aprovada de forma definitiva e que o tênis tome parte do terreno do jardim botânico. O importante é saber que isso não acontecerá sem uma avaliação profunda do projeto, sem que a Federação Francesa dê as devidas garantias, sem que a indenização seja correta… Enfim, sem que a cidade saia perdendo. Até agora, os tribunais franceses vêm dando uma lição. Basta olhar e querer aprender.


RG, dia 9: Quem ganha e quem perde com o atraso?
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Alexandre Cossenza

Chuva. O dia inteiro. Às 13h30min locais, a organização de Roland Garros, depois de pensar e repensar a programação de partidas, anunciou que a rodada inteira estava cancelada e mandou (quase) todo mundo de volta para casa. E agora? O que acontece? O post de hoje é uma análise do que muda (ou não) no torneio parisiense com o atraso na programação.

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Quem ganha com isso?

Alguns azarões que jogariam hoje, como Roberto Bautista Agut (enfrentaria Djokovic), Marcel Granollers (Thiem) e Elina Svitolina (Serena) ganham pelo um dia a mais de hospedagem grátis em Paris. Já é alguma coisa…

Brincadeiras à parte, o adiamento só é bom se alguém tem uma lesão a tratar, como André Sá, que vem sentindo dores no quadril. Segundo o mineiro, um dia não vai curar a lesão, mas diminuirá a dor. De resto, para a maioria dos tenistas, adiamentos assim são sempre um transtorno. É preciso encontrar quadras cobertas para treinar, a rotina muda, a expectativa aumenta. Quase ninguém gosta.

Jogos cancelados por hoje. Everything canceled for today!!!! #rolandgarros2016 #ilovethissport #tennislife

A video posted by Tenista / Pro Tennis Player (@andre_sa77) on

Quem perde mais?

Em tese, os homens que fariam as oitavas de final nesta segunda porque tudo leva a crer que eles precisarão jogar duas partidas em melhor de cinco em dias consecutivos. Esse grupo tem Novak Djokovic, Roberto Bautista Agut, David Ferrer, Tomas Berdych, Marcel Granollers, Dominic Thiem, David Goffin e Ernests Gulbis. Os quatro vencedores voltam na quarta-feira para as quartas de final.

Em comparação com a outra metade da chave, o prejuízo não é tão grande assim porque as semifinais serão na sexta-feira. Quem jogar na quarta terá mais ou menos 48 horas (o tempo padrão) para descansar até a rodada seguinte.

Na chave feminina, o prejuízo é maior para quem ainda não disputou as oitavas. Esse grupo precisa jogar nesta terça, voltar na quarta-feira para as quartas de final e, se o torneio mantiver a programação original, disputar as semifinais na quinta-feira. Serão três dias seguidos. Novamente, há prejuízo em relação a quem já disputou as oitavas (Rogers e Muguruza), mas não é um cenário muito diferente do que acontece na rotina do circuito feminino, com todo mundo jogando melhor de três em dias consecutivos.

Os três parágrafos acima fazem todo sentido do mundo se a rodada acontecer normalmente na terça-feira. O problema é que a previsão do tempo sugere um drama ainda maior para os próximos dias.

Se realmente chover assim, a organização de Roland Garros vai precisar rebolar para resolver o quebra-cabeça da programação. Pelo menos a expectativa é de tempo bom, sem chuva, de quarta a domingo.

O brasileiro boyhoodiano

Bruno Soares continua esperando o fim de seu jogo nas duplas mistas. Sim, o mesmo jogo que foi marcado para sábado, começou no domingo e tem grande chance de não terminar nem na terça (vide gráfico acima). Ele e Elena Vesnina venciam por 7/5 e 1/1 quando a partida contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey foi interrompida e adiada.

A grande surpresa

O maior inesperado do dia foi ver a organização do torneio anunciar a decisão às 13h30min locais, tendo em mente que costuma haver jogo em quadra até por volta das 21h30min em Paris. Obviamente, uma medida assim só é tomada tão cedo quando a previsão é de mau tempo para o resto do dia. Ainda assim, é bastante raro ver um Slam cancelar uma rodada nesse horário. É preciso lembrar que o torneio precisa devolver o dinheiro integral de todos ingressos quando não há nem uma hora de jogo dentro de quadra, o que foi o caso desta segunda-feira.

Quem paga?

A Federação Francesa (a mesma que, vejam a ironia, está sendo investigada por venda de ingressos “por fora”) é quem paga a conta. Se serve de consolo para eles, entra sempre algum dinheirinho quando o tempo não está favorável. Um guarda-chuva cinza custava 25 euros – em promoção – nesta segunda.

O teto retrátil

Toda vez que chove em Roland Garros ou no US Open, as perguntas voltam: por que não há teto nas quadras? Há uma certa dose de drama nisso. Slams foram disputados por anos sem quadras cobertas. Até 2008, apenas o Australian Open tinha teto retrátil. Nem por isso, o mundo parava. Rodadas atrasavam, programações eram refeitas, tenistas eram beneficiados ou prejudicados, etc. e tal. A rotina era a mesma de hoje.

Há anos, Roland Garros tem um projeto de expansão que prevê, entre várias outras melhorias, a construção de um teto retrátil sobre a Quadra Philippe Chatrier. O projeto, no entanto, está longe de ser unânime entre moradores da região e, por isso, nunca saiu do papel. Segundo o atual diretor do torneio, Guy Forget, não haverá teto antes do ano 2020. Voltarei a falar sobre isso, inclusive dando a minha opinião, em um texto a ser publicado em breve.


RG, dia 8: Muguruza em alta, Nishikori em baixa e uma zebraça nas quartas
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Alexandre Cossenza

Não é todo dia que alguém fora do top 100 consegue uma vaga nas quartas de final de um Slam. Pois foi isso que Shelby Rogers fez ao derrotar (por enquanto) as cabeças de chave Karolina Pliskova, Petra Kvitova e Irina Camelia Begu. A americana, no entanto, não foi a única a derrubar um favorito neste domingo. Richard Gasquet, fazendo um torneio impecável, eliminou Kei Nishikori. Quem segue inabalável é a espanhola Garbiñe Muguruza, cada vez mais candidata ao título em Paris. O resumo do dia trata disso tudo, analisa mais uma vitória de Andy Murray, atualiza a disputa pelo número 1 nas duplas e traz grandes vídeos como o de Stan Wawrinka brincando com um boleiro durante a partida contra Viktor Troicki. É só rolar a página e ficar por dentro!

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Os favoritos

Garbiñe Muguruza tinha um jogo nada simples neste domingo, mas conseguiu fazer parecer pouco complicada a tarefa de derrotar Svetlana Kuznetsova (#15) e avançou por 6/3 e 6/4. A russa até ameaçou uma reação na segunda metade da segunda parcial e ninguém sabe o que teria acontecido em um terceiro set, mas Muguruza segurou bem a onda no fim, inclusive salvando break point depois de perder dois match points. Depois de uma estreia que lançou pontos de interrogação, parece seguro dizer que a espanhola faz um belo torneio e é candidatíssima a chegar à final.

Mais tarde, Andy Murray (#2) voltou a encarar um sacador e a vencer por 3 sets a 0. John Isner deu trabalho no primeiro set e teve uma bola à disposição para vencer o tie-break, mas jogou em cima do britânico e levou uma passada. Foi, no fundo, a única real chance do americano, que tombou por 7/6(9), 6/4 e 6/3.

Difícil dizer o quanto esse jogo ajudou na caminhada de Murray rumo às fases mais complicadas, mas não deixa de ser bom ver que o britânico fez o dever de casa sem se complicar mais do que o necessário. O próximo jogo, contra Richard Gasquet (#12) – e a torcida parisiense – não pode ser classificado como o primeiro grande teste de Murray no torneio, mas ele traz um cenário novo: o francês será o primeiro a entrar em quadra bem cotado para bater o escocês. E agora?

Para não deixar sem registro: é a sexta vez que Andy Murray alcança as quartas de final em Roland Garros. Para um tenista que passou a maior parte da carreira sendo criticado pelo retrospecto no saibro, parece um currículo bem digno, não?

Os brasileiros

A campanha na chave de duplas acabou para Bruno Soares e Jamie Murray, que foram superados nas oitavas de final por Leander Paes e Marcin Matkowski em dois tie-breaks: 7/6(5) e 7/6(4). O resultado tirou Jamie da briga pela liderança do ranking nesta semana. Seguem na disputa Marcelo Melo, atual número 1 do mundo, o francês Nicolas Mahut e o americano Bob Bryan. O favorito é Mahut, que garante a posição se vencer mais uma partida em Paris. A matemática está explicadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Nas duplas mistas, ao lado de Elena Vesnina, Soares vencia por 7/5 e 1/1 quando o jogo foi interrompido e adiado. Os adversários eram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey. Vale lembrar que esta partida estava marcada para sábado e não aconteceu por causa da chuva.

Correndo por fora

Stan Wawrinka (#4) segue avançando bem a seu modo. Muitos winners, muitos erros não forçados. Neste domingo, executou 67 bolas vencedoras e cometeu 50 falhas nos quatro sets que precisou para bater Viktor Troicki (#24): 7/6(5), 6/7(7), 6/3 e 6/2. Se a pergunta é “Wawrinka está jogando em nível para ser campeão?”, a resposta provavelmente é não, mas com a velha ressalva: Stan pode encontrar “aquele” nível de um dia para o outro, então é sempre bom ficar de olho nele.

Até agora, é um torneio irregular para o atual campeão, que nem foi tão testado assim. No caminho até as quartas, passou por Rosol, Daniel, Chardy e Troicki. É justo acreditar também que o próximo confronto, contra Albert Ramos Viñolas (#55), será igualmente favorável ao suíço.

Quem faz, sim, um belo torneio é o francês Richard Gasquet (#12), que derrubou Kei Nishikori (#6) neste domingo: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2. Com o backhand calibrado desde a vitória sobre Thomaz Bellucci na estreia, o tenista da casa vem fazendo partidas inteligentes taticamente e tecnicamente bem executadas.

Especificamente sobre o jogo deste domingo, Nishikori esteve longe do seu melhor – como esteve em todo o torneio, na verdade, e talvez tenha dado sorte ao escapar da virada de Verdasco na terceira rodada. Ainda assim, Gasquet é, por enquanto, quem chega mais testado nas quartas. Além de Bellucci e Nishikori, bateu o perigoso Kyrgios e esteve sempre no comando de seus jogos. Murray apresentará um desafio diferente, mas pelo que ambos mostraram até hoje, não convém duvidar de mais uma vitória de Gasquet.

A grande zebra

Número 108 do mundo, Shelby Rogers não estava nem de longe entre as mais cotadas para avançar em uma seção da chave que tinha Karolina Pliskova na estreia e Petra Kvitova em uma eventual terceira rodada. Pois a americana de 23 anos, que um mês atrás jogava ITFs de US$ 50 e 75 mil, avançou sem ganhar nada de graça. Bateu Pliskova (#19) na estreia, Elena Vesnina (#47) na segunda rodada e eliminou Kvitova (#12) na terceira rodada.

Sem perder o embalo, voltou à quadra neste domingo e eliminou mais uma cabeça de chave: Irina Camelia Begu (#28) por 6/3 e 6/4. Com a campanha, já garantiu sua entrada no grupo das 60 melhores do mundo, o que será o melhor ranking de sua carreira. E será que Rogers ainda tem mais uma zebra guardada na manga para enfrentar Muguruza nas quartas?

Mais cabeças que rolaram

Outro cabeça de chave a deixar o torneio foi Milos Raonic (#9), que ganhou uma aula de tênis-no-saibro de Albert Ramos Viñolas (#55). Apostando em ralis e devolvendo serviços muito no fundo de quadra, o espanhol anulou as principais armas do canadense e esperou pacientemente por suas chances.

Com uma tática bem elaborada e executada magistralmente, Ramos Viñolas fez 6/2, 6/4 e 6/4 e conquistou uma vaga nas quartas de final depois de quatro anos consecutivos com eliminações na primeira rodada.

Nas duplas femininas, um par de resultados se destacou. Na Quadra 2, Serena e Venus Williams foram derrotadas por Johanna Larsson e Kiki Bertens por duplo 6/3; e, na Quadra 1, Martina Hingis e Sania Mirza caíram diante das tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova: 6/3 e 6/2. Hingis e Mirza ganharam os três Slams anteriores e completariam um “Santina Slam” com o título em Roland Garros.

Os adiamentos

A chuva – sempre ela – e a falta de iluminação artificial em Paris seguem atrasando a programação. Neste domingo, duas das oitavas de final femininas tiveram de ser adiadas. Sam Stosur (#24) sacava em 3/5 contra Simona Halep (#6) na Quadra 1, enquanto Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 na Suzanne Lenglen contra Tsvetana Pironkova (#102).

Os melhores lances

Não foi um ponto, mas talvez tenha sido a melhor “jogada” de Stan Wawrinka no dia. Enquanto Viktor Troicki recebia atendimento médico no terceiro set, o suíço encontrou uma maneira de se manter aquecido e, ao mesmo tempo, ganhar o público. Cosias de um campeão.

Esse, sim, foi um ponto. Um pontaço do backhand mais violento do planeta.

E já que estamos no tema de backhands, Gasquet não ficou muito atrás hoje…