Saque e Voleio

Bernardes, Fognini e o vácuo
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Alexandre Cossenza

Taí algo que não se vê todo dia: um árbitro de cadeira se recusando a cumprimentar um tenista após a partida. Pois aconteceu nesta quarta-feira, no Masters 1.000 de Paris, e envolveu o brasileiro Carlos Bernardes e o conhecido encrenqueiro Fabio Fognini. Antes mesmo do fim da partida, o italiano já vinha reclamando do árbitro. Logo após o match point, derrotado pelo qualifier francês Lucas Pouille (176 do mundo), Fognini seguiu se queixando e, ao estender a mão para Bernardes que, de cara, não correspondeu – em outras palavras, deixou o cidadão no vácuo, com o braço esticado. Só depois de Fognini pedir desculpas é que o brasileiro concordou com o cumprimento.

Mesmo depois do aperto de mãos, o italiano seguiu reclamando de um suposto erro do árbitro quando o placar mostrava 7/7 e argumentando que era uma falha enorme. Fognini ainda afirmou que errou ao ofender do mesmo jeito que o brasileiro errou na partida. Bernerdes retrucou, dizendo “não é a mesma coisa”, e os dois deixaram a quadra juntos, ainda discutindo.


Tudo acontece por um motivo
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Alexandre Cossenza

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“Vou contar a história mais interessante da minha vida. Alguns podem dizer que fui burro. Outros podem me chamar de guerreiro. Aconteceu em agosto de 2012, só um mês depois de eu entrar no top 100 pela primeira vez e depois das minhas merecidas férias. Eu subi no ranking até o número 83, mas uma semana depois do corte para a chave do US Open, então tive que jogar o quali. Ainda lembro como se fosse ontem. A chave foi sorteada no dia dos primeiros jogos. Eu jogaria contra Ze Zhang, da China. Jogamos na hora do almoço, então não dava para comer muito logo depois do café da manhã. Enquanto andava para a quadra, senti uma pequena dor no estômago. Claro que me culpei por não comer o suficiente antes da partida. Ganhei fácil em dois sets e esqueci daquela dorzinha.

Fui comer, estava feliz e satisfeito com o dia de escritório. Depois do almoço, voltamos para o hotel e descansamos por algumas horas. Não estava cansado. Meu corpo estava relaxado. Como em todas as noites, decidimos ir a um restaurante para jantar. Foi uma boa refeição e era um longa caminhada de volta até o hotel. Senti a dor de novo no estômago, desta vez do lado direito e, por sorte, havia muitos sinais de trânsito, então conseguia ficar parado na única posição em que me sentia confortável – curvado para a frente, com as mãos apoiadas nos joelhos. Eu diria que foram dez sinais de trânsito, e parecia que estávamos andando há uma eternidade. A primeira coisa que pensei foi no que tinha comido para causar aquela dor. Não consegui lembrar de nada diferente em relação aos dias anteriores. Finalmente chegamos ao hotel. Fui direto ao banheiro e, infelizmente para mim, embora eu tenha visitado o banheiro algumas vezes antes de ir dormir, nada mudou. Meu estômago ainda estava doendo.

Dormi muito bem, mas só conseguia virar para um lado porque o outro doía muito. Acordei, e a dor ainda estava lá. De novo, o banheiro me chamava. Foram quatro vezes antes de eu me convencer de que algo estava errado e eu talvez devesse ir a um médico. Mas antes disso, como tenista, eu tinha que treinar. Depois de bater bola, fui ver um médico. Ele me perguntou onde era a dor, me examinou imediatamente e disse o que poderia estar errado comigo. Mas eu não ouvi. Ele sugeriu que eu não jogasse a partida daquele dia, mas era um Grand Slam, o US Open, e eu gentilmente pedi que ele me desse analgésicos. Ele me deu quatro comprimidos brancos e grandes, que tomei antes da partida, e me acompanhou até a quadra. Ele disse que assistiria ao jogo inteiro. Então ele ficou lá, sentado e, infelizmente para ele, foi uma partida longa.

Eu enfrentei um wild card americano chamado Daniel Kosakowski. Ele venceu o primeiro set, eu ganhei o segundo e comecei o terceiro com uma quebra. Tive cãibra na perna direita, então sabia que não aguentaria jogar do mesmo jeito até o fim. Além disso, comecei a sentir o estômago outra vez. Peguei leve durante alguns games e imediatamente perdi o saque duas vezes. Eventualmente, chamei o médico na quadra. Recebi mais alguns comprimidos. Eu me sentia muito mal, mas aquilo não me impediu de voltar e empatar em 4/4. Meu adversário estava sacando, e eu tive um break point. Fiz um forehand vencedor bem na linha, mas a bola foi chamada fora. Eu deveria estar sacando para o jogo, mas perdi aquele game e tive que sacar para continuar na partida.

Eu não estava nervoso, o que não era normal para mim num ponto como aquele. Eu tinha outros problemas. Embora quisesse vencer aquele jogo, também queria terminar inteiro. No game seguinte saquei bem, 5/5. No primeiro ponto do 11º game, cãibras nas pernas e nos braços. Eu me sentia fraco, mas disposto a lutar até o fim. Nós dois confirmamos os saques e fomos ao tie-break decisivo. Jogamos alguns ralis muito longos, e o primeiro a ter uma chance de fechar o jogo fui eu. Estava ganhando por 6/5, match point. Nunca esquecerei aquele ponto. Um longo rali, o adversário manda uma bola longa, e eu devolvo, achando que o jogo acabou, mas ninguém marca bola fora. Como se não pudesse piorar, tive cãibra no dedo médio. Perco o ponto, mas, novamente, fico surpreendentemente quieto. Continuo como se nada tivesse acontecido, mas na minha cabeça uns palavrões já eram pronunciados. Estou xingando, não tanto contra os juízes, mas por causada dor no estômago e no corpo inteiro. Eu salvei o primeiro match point, mas, no segundo, não consegui. Perdi. Ouço a torcida indo à loucura.

Se algo assim tivesse acontecido antes, eu teria argumentado com o árbitro e dito que não podiam roubar a partida de mim daquela maneira. Eu só queria sair da quadra, então desejei o melhor a Daniel na rodada seguinte. Fui para o vestiário o mais rápido possível, e meu técnico pediu um carro para me levar ao hospital. Chegamos lá bem rápido, fizeram uma ressonância, me deram morfina, e me senti ótimo de novo. O médico veio e perguntou se eu sentia alguma dor. Eu disse que me sentia bem e perguntei se podia ir para casa. Ele disse que eu tive sorte de meu apêndice ainda não ter supurado, mas que faltava pouco para aquilo acontecer, então eles precisavam me operar.

Como eu disse, tudo acontece por um motivo. Acho que algo mais forte lá em cima não me deixou vencer aquela partida. Eu dei tudo, mas não foi o suficiente. Eu me conheço e se tivesse vencido, não haveria maneira de eu voltar ao hospital naquele dia. Minha terceira rodada seria no dia seguinte, mas provavelmente meu apêndice teria supurado e seria tarde demais para mim. Desde então, sei que tudo acontece por um motivo.''

O texto acima, reproduzido na íntegra em tradução livre, foi publicado algum tempo atrás pelo esloveno Aljaz Bedene, que foi diagnosticado com apendicite em 2012, mas insistiu em voltar à quadra para continuar no qualifying do US Open daquele ano. Por sorte, ele foi derrotado naquele dia por 6/3, 3/6 e 7/6(7) e chegou a tempo à mesa de operações. Bedene voltou às quadras menos de dois meses depois. Hoje, com 25 anos, ele ocupa o 145º posto no ranking da ATP.

Rafael Nadal, que jogou dois torneios depois de diagnosticado com apendicite, decidiu não competir no Masters 1.000 de Paris nem no ATP Finals. No dia 3 de novembro, ele passará por uma cirurgia no apêndice. Não há motivo para imaginar que o espanhol, atual número 3 do mundo, ficará fora dos primeiros torneios de 2015. Nadal, inclusive, já acertou participações no ATP 250 de Buenos Aires e no ATP 500 do Rio de Janeiro.


Murray, Robredo e o jogo do ano
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic e Rafael Nadal, exaustos, agachados ao fim de quase seis horas de jogo. Serena Williams ameaçando uma juíza de linha. As lágrimas de Roger Federer ao perder uma final na Rod Laver. O discurso de aposentadoria de Andre Agassi no Arthur Ashe. O coração desenhado por Guga no saibro da Philippe Chatrier. Os dedos médios de Tommy Robredo em Valência. Simples assim.

Foi “só” uma final de ATP 500, mas talvez tenha sido “a” final masculina de 2014 – um ano atípico, sem decisões espetaculares nos Grand Slams e nos Masters 1.000. E foi um jogaço. Pelo pelo roteiro, que teve suas primeiras linhas escritas em Shenzhen, um mês atrás, pelo nível do tênis e pelo drama do cansaço e dos match points salvos pelos dois tenistas. Tudo isso, claro, multiplicou-se com as demonstrações de respeito e admiração ao fim do encontro.

Só assisti à partida mais tarde, no fim do domingo, quando já sabia do resultado. Mesmo assim, não consegui ver aquilo tudo sem me envolver com a partida. Imagino, então, as reações de quem viu a história se desenvolvendo ao longo do jogo. Desde o set inicial, quando Murray já parecia esgotado, até os últimos games da terceira parcial, com Robredo salvando um match point antes do tie-break, passando pelas cãibras e até pela bolinha caindo do bolso de espanhol.

E, depois disso tudo, ainda houve um tie-break memorável, com três match points salvos por Andy Murray. Até aquele ponto que está no vídeo, lá no alto do post. Não, senhores, 2014 não viu um jogo melhor que este. Ainda não. E a cena com Robredo, apoiado na rede e dirigindo os dois dedos médios ao britânico, no que provou ser uma das mais sinceras e simpáticas demonstrações de fair play, será lembrada para sempre.

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O típico e atípico título de Serena Williams
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Alexandre Cossenza

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Não foi a temporada dos sonhos de Serena Williams. Longe disso. Tudo bem que a americana conquistou seus títulos nos WTAs, que não foram poucos (Brisbane, Miami, Roma, Stanford e Cincinnati). Mas ela perdeu nas oitavas no Australian Open, na segunda rodada em Roland Garros e na terceira em Wimbledon. Para os padrões de Serena Williams, já era um ano abaixo das expectativas.

Veio, então, o US Open – o último Grand Slam do ano, em casa. Enfim, uma atuação padrão Serena. Foram 14 sets disputados e 14 vencidos. A número 1 do mundo não perdeu mais do que três games por set. E, ainda que tenha encontrado um caminho fácil (não encarou nenhuma top 10), foi absoluta na decisão contra Caroline Wozniacki, uma ex-número 1 que voltava a jogar um bom tênis, apesar de figurar no 11º posto no começo do torneio nova-iorquino.

Quando chegou a Cingapura, novo palco do recém-renomeado WTA Finals (sim, a WTA precisou copiar a ATP porque Championships, com o “s” no fim, era difícil de explicar e de fazer “pegar”), Serena ainda corria o risco de perder a liderança do ranking. O cenário se descomplicou quando Maria Sharapova perdeu seus dois primeiros jogos na fase de grupos, mas não ficou tão agradável assim quando a americana levou um doído 6/0 e 6/2 da romena Simona Halep. Uma atuação abaixo da crítica, reforçada pela solidez da adversária.

No fim das contas, o WTA não deixou de ser um reflexo do resto de 2014 para Serena Williams. Irreconhecível num dia, foi cirúrgica no outro, quando fez 6/1 e 6/1 sobre Eugenie Bouchard. Ainda assim, precisou da ajuda de Halep, que tirou um set de Ana Ivanovic e pôs a número 1 nas semifinais, armando o melhor jogo do torneio: Serena x Wozniacki. A dinamarquesa, invicta até então, fazia um belíssimo torneio e esteve perto, muito perto, de triunfar.

Primeiro, Caroline Wozniacki sacou para o jogo com 5/4 no terceiro set. Mais tarde, abriu 4/1 no tie-break. Sacou os dois pontos, mas perdeu ambos. Nos dois, Serena mandou bolas que tocaram na fita. A número 1 venceu o tie-break por 8/6 e, na final, atropelou Halep: 6/3 e 6/0. Um final típico para uma tenista que, se não foi dominante e consistente como em outros anos, ainda é, em um dia normal, a melhor tenista do mundo. Com folgas.

Coisas que eu acho que acho:

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- Doeu ver Caroline Wozniacki não conseguindo aproveitar a rara chance que teve de derrotar Serena. Esteve tão perto, faltou tão pouco… Principalmente em uma belíssima semana da dinamarquesa, que vinha de vitórias sobre Sharapova (que jogo!), Kvitova e Radwanska. Se serve de consolo, foi ótimo vê-la apresentar um nível de tênis que ela é capaz de repetir com frequência.

- Sempre repito: não é um estilo bonito, não é agressivo, não chama atenção, mas o tênis de Wozniacki, acima de tudo, é inteligente. Citei isso no Twitter no dia do jogo e reforço agora. Quem viu a partida contra Sharapova pôde constatar como a dinamarquesa, além de se defender maravilhosa e irritantemente bem, induz a adversária a sempre executar os golpes mais difíceis. A russa precisaria jogar um tênis espetacular para vencer. Não aconteceu.

 


Tenista atira raquete e acerta juíza
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Alexandre Cossenza

Aconteceu nesta segunda-feira, no Challenger de Charlottesville, um torneio com premiação de US$ 50 mil, nos Estados Unidos. O jovem Darian King, de 22 anos, natural de Barbados, perdia seu jogo de primeira rodada quando, irritado após um ponto, decide atirar a raquete na lona do fundo de quadra. A raquete bate na lona e volta nas costas da juíza de linha, que vai ao chão. Olha o vídeo!

King foi desclassificado no ato pela juíza de cadeira. O britânico Edward Corrie avançou à segunda rodada por “default”, nome dado quando um tenista é, digamos, expulso da quadra. O placar era 6/4 e 6/6(5/2).

O vídeo foi postado no YouTube pela Aliny Calejon, que toca o site Match Tie-break, especializado em duplas. Aproveitem a ocasião, cliquem no link e passem lá. Hoje mesmo ela escreveu um post interessantíssimo sobre os cenários na briga pelas quatro vagas restantes para o ATP Finals.

Em tempo, falta tempo

Por uma série de compromissos nos últimos dias, não pude atualizar o post como devia. Mas vêm por aí, ainda que com atraso, um texto sobre o WTA Finals e mais um sobre Murray e Federer, os campeões de Valencia e Basileia, ok?


Aprendendo o caminho
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Alexandre Cossenza

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Por três anos, Thomaz Bellucci iniciou o trecho asiático do circuito mundial entrando de cara em um ATP 500. Em todos (Pequim em 2010 e 2011 e Tóquio em 2012), perdeu na estreia. E não teve muito sucesso no evento seguinte, o Masters 1.000 de Xangai. Nas três participações, venceu um jogo só. O ano mais duro foi 2011, quando deixou o evento chinês e rumou para a Basileia e, de lá, para o Masters de Paris. Não venceu nenhum jogo e, se somou alguma coisa naquele pós-US Open, foi graças ao convite para o Challenger Finals, onde ganhou 30 pontinhos. Não, o pós-US Open, jogado quase todo indoor e em quadras rápidas, não costuma ser o melhor momento do número 1 do Brasil.

Chegamos, então, a 2014. Com um ranking que não lhe permitia entrar nem nos ATPs 250, Bellucci mudou a programação. Nem tentou os qualis. Foi direto aos Challengers. De cara, fez uma final em Orleans, onde ganhou ritmo, derrotou dois top 100 (Sijsling e Mathieu) e foi vice-campeão. Depois, caiu na segunda rodada em Mons e na estreia em Rennes – derrotado pelo mesmo Marsel Ilhan nos dois eventos. Mas a sorte sorriu, e o paulista contou com desistências e entrou na chave do ATP 250 de Viena. Derrotou Mathieu mais uma vez, passou pelo espanhol Feliciano López (14 do mundo) e foi derrotado por Viktor Troicki nas quartas.

Só então, depois de quatro torneios em quadras cobertas e rápidas, é que Bellucci se aventurou em um ATP 500. Em Valência, jogou o quali e passou. Fez um jogo impecável e bateu Mikhail Youzhny (atual campeão) na primeira rodada. Depois, mais uma pitada de sorte: ganhou por WO de Roberto Bautista Agut, aquele mesmo que saiu derrotado na Copa Davis, no Ibirapuera. E assim, nas quartas de final de um ATP 500, Bellucci já consegue um número significativo: com os 220 pontos somados até agora (e nem coloquei na conta os pontos do quali de Valência), faz o melhor pós-US Open de sua carreira. Mesmo que perca nas quartas de final. Mesmo que encerre a temporada em Valência e não dispute o qualifying do Masters 1.000 de Paris, como ainda pretende.

Não, Bellucci não é um tenista espetacular em quadras duras e cobertas. E montar um calendário para este período do ano não é tarefa simples, já que o número 1 do Brasil sempre joga a Copa Davis, realizada logo depois do US Open e uma semana antes dos primeiros ATPs 250 na Ásia. A opção sempre foi a de descansar depois da Davis, mas era um caminho que exigia voltar a um piso nada favorável logo em torneios fortes. Nunca deu certo. Nem em 2011, quando a Davis foi na Rússia, em condições parecidas. A adaptação não é fácil, e as derrotas precoces acabam com qualquer esperança de adquirir ritmo. Em relação à maioria dos tenistas, Bellucci sempre chega “atrasado” ao circuito indoor. E paga o preço.

O caminho mais simples, ainda que parcialmente forçado, mostrou-se interessante. Após encerrar o US Open como número 83 do mundo, já tem praticamente garantida sua volta ao top 50 na próxima semana.

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Coisas que eu acho que acho:

- Bellucci terá 155 pontos descontados até o fim do ano. São 80 por um título no Challenger de Montevidéu e 75 por um vice em Bogotá. Ainda assim, mesmo que encerre a temporada após Valência, o número 1 do Brasil deve terminar 2014 entre os 70 melhores do mundo. No fim de 2013, Bellucci era o número 125.

- Roberto Bautista Agut vinha se queixando de dores. Durante a semana, disse à imprensa espanhola que o corpo estava pagando o preço por um calendário cheio – e muito jogos (ninguém chega ao top 15 com pouco tempo de quadra). Ainda assim, é de se imaginar o quanto a derrota na Copa Davis (e o quanto a Davis tornou-se tema sensível na Espanha!) pesou na decisão de Bautista Agut por não entrar em quadra nesta quinta-feira.

- Bellucci teve sorte de conseguir a vaga na chave em Viena e, depois, com a desistência de Bautista Agut. Sim, mas nem tanto. Primeiro porque não era nada improvável que o brasileiro conseguisse um lugar na chave em Moscou ou Viena. Nas semanas com três torneios (ainda havia Estocolmo), muita gente se inscreve em mais de um, e acaba sobrando vaga aqui e ali. E depois porque Bautista Agut não é nada, nada imbatível, certo?

- Mesmo com um calendário mais modesto, Bellucci teve dois resultados abaixo da expectativa: as duas derrotas para Ilhan, em Mons e Rennes. Ainda assim, supera a marca pessoal de número de pontos nesta época do ano. Imaginem quando (e se!) o paulista conseguir uma sequência de resultados consistentes…

- Para quem gosta de números e ficou curioso: desde 2009, quando passou a jogar os grandes torneios, Bellucci somou no pós-US Open 170 pontos em 2009, 150 em 2010, 50 em 2011, 205 em 2012 e 155 em 2013.


A mágica (dupla) de Dimitrov
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Alexandre Cossenza

Grigor Dimitrov saca, e o americano Jack Sock dispara uma devolução fortíssima, que quica perto da linha de fundo. O búlgaro, sem tempo de sair do lugar, passa o braço direito por trás do corpo, rebate a bola e faz um winner. Fantástico, não? E qual a chance de algo assim acontecer duas vezes em pontos consecutivos? Pois foi quase isso que aconteceu nesta sexta-feira, no ATP 250 de Estocolmo, na Suécia. Dá uma olhada no vídeo!

Atual número 10 do mundo, Dimitrov perdeu o primeiro set, mas venceu a partida: 5/7, 6/4 e 6/3. Classificado para as semifinais do torneio sueco, o búlgaro vai enfrentar agora o australiana Bernard Tomic, que passou pelo espanhol Fernando Verdasco por 0/6, 6/4 e 7/6(6).


Federer desafia a matemática
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Alexandre Cossenza

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Mais dois centímetros, e a discussão estaria encerrada desde o começo da última semana. Só que o backhand de Leo Mayer, com Roger Federer batido no lance, tocou na fita, subiu uns 15 centímetros e, quando caiu, voltou para o lado do argentino. O suíço, que salvou cinco match points naquele jogo, não voltou a ter uma atuação abaixo da média. Pelo contrário. Foi fantástico na vitória sobre Novak Djokovic, na semifinal, e completou o serviço no domingo, ao derrotar Gilles Simon, conquistar o Masters 1.000 da Xangai e, vejam só, aos 33 anos, reacender a luz da briga pelo posto de número 1 do mundo.

“O que é preciso para eu ser número 1? Não tenho certeza. Preciso olhar e ver o quão realista é. Está na raquete de Novak. Ele dita. Mesmo assim, vou jogar e torcer para jogar bem de novo.”

Como sempre faz, o suíço sabe que suas chances não são grandes e minimiza a disputa. Não quer criar uma grande expectativa. Bobagem. Seus fãs, empolgados com razão após a última semana, já simulam por aí uma dúzia de cenários nos quais Federer pode terminar mais uma temporada. E nem é tão improvável assim, já que há algumas circunstâncias incomuns nessa briga. Vejamos!

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A diferença entre sérvio e suíço, hoje, é de 2.430 pontos. Só que Federer tem quatro eventos a disputar. Djokovic, apenas dois. E talvez nem isso. Com a proximidade do nascimento de seu primeiro filho, especula-se que o número 1 fique fora do Masters de Paris, onde foi campeão ano passado. Assim sendo, a diferença cairia automaticamente para 1.430. E Nole também defende o título invicto do ATP Finals, o que equivale a 1.500 pontos. Como não joga mais, Djokovic não somará nada até o fim do ano. Na melhor das hipóteses, manterá a pontuação – o que já é um feito e tanto, convenhamos, e será suficiente para conservar a posição no topo do ranking.

Federer não tem tanto assim a defender. São 300 pontos pelo vice na Basileia, 360 pela semi de Paris e 400 pela semi do ATP Finals. Caso vença tudo, o suíço somará 2.165 pontos – e entram nessa conta os possíveis 225 pontos em jogo na final da Copa Davis. A Suíça, fora de casa, encara a França. Tudo bem, não é lá muito provável que alguém vença quatro eventos assim, mas convém não duvidar de Roger Federer. Nunca. Muito menos em quadras indoor.

A conta mais simples de se fazer é a seguinte: de agora até o fim da temporada, o suíço precisa fazer mil pontos a mais do que Djokovic para fechar 2014 como número 1. Nessa matemática, nem é mais preciso levar em consideração quem defende o quê nestes últimos torneios da temporada.

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No entanto, vale ficar de olho na defesa de pontos porque o calendário mudou, e tudo que foi somado do ATP Finals de 2013 será descontado antes do mesmo evento em 2014. Assim, o suíço pode assumir a ponta – ainda que provisoriamente – já depois de Paris. E esse cenário nem é dos mais improváveis. Basta que Federer seja campeão na Basileia e em Paris, e que Djokovic não passe das semifinais na França. Assim, o suíço chegaria a Londres e iniciaria o ATP Finals com 9.520 pontos contra 9.370 do atual líder do ranking.

E se Djokovic nem for a Paris, Federer só precisa ser campeão na Basileia e vencer dois jogos em Paris, alcançando as quartas de final. Assim, somaria 9.060, contra 9.010 do sérvio. E, pelo que o suíço mostrou em Xangai, parece fácil – para ele.


Feijão: “Se não me querem na Davis, não vai mudar minha carreira”
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Alexandre Cossenza

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Os últimos 12 meses foram tudo menos entediantes na vida de João Souza. Primeiro, o atual número 2 do Brasil e 89 do mundo, mais conhecido como Feijão, perdeu um patrocinador que o acompanhou por nove anos e viu seu CT trocar de endereço. Começou bem a temporada, mas uma lesão freou sua arrancada. Depois, quando tudo parecia se acertar, veio a frustração por ficar fora do time brasileiro que derrotou a Espanha na repescagem da Copa Davis.

E, durante tudo isso, o paulista de 26 anos evoluiu. Fez dez semifinais em torneios da série Challenger (seis seguidas), disputou três finais e conquistou um título. Voltou ao top 100, de onde saiu em abril de 2012, e já pensa mais alto. Na semana que tem de folga antes de embarcar para dois Challengers na Argentina, Feijão conversou comigo sobre tudo que aconteceu na atual temporada. Vitórias, derrotas, Copa Davis e objetivos para o ano que vem.

Como sempre, Feijão não ficou em cima do muro. Voltou a questionar a última escalação do capitão João Zwetsch e foi ainda mais longe, revelando a mágoa por ter sido substituído em um confronto contra o Uruguai, em 2010. Disse que “as coisas têm que ser mais limpas”. Por fim, afirmou ter optado por “passar a borracha” no episódio. As melhores partes da conversa estão editadas no texto abaixo. O vídeo tem a íntegra da conversa, sem cortes.

Você começou o ano como #140 do mundo. Ganhou o Challenger de São Paulo e seu ranking foi mais ou menos esse até o meio do ano. Ali, a coisa começou a andar. O que passou a dar certo?
Acho que desde o começo do ano que eu já estava… São Paulo me deu muita força, só que eu dei o azar de ter machucado no ATP, na segunda rodada. No jogo com o Haase eu estava me sentindo super bem e contra o próprio Montañés, que eu machuquei, particularmente acho que não perderia aquele jogo. Era um torneio que… Quartas de final, poderia tudo mudar ali. Seria Delbonis, depois o Thomaz. Não sei se eu ganharia ou não, mas eram boas chances. E aquela lesão me abalou muito. Até eu ir para a Europa, eu não tinha ganhado muito jogo. Fiquei um mês parado, perdi cinco semanas, quatro torneios nos Estados Unidos. Não tinha nada para defender. E isso mexe com qualquer um. Na Europa, foi uma escolha. Era para eu ter voltado depois de Paris, quando fiz três primeiras rodadas, mas escolhi ficar. Eu tinha Interclubes para jogar na Alemanha. Mudei os planos, resolvi ficar. Foi uma coisa nova para mim e isso me deixou forte. Acabei estendendo para 13 semanas direto na Europa. O Interclubes abriu muito a minha cabeça. Comecei a relaxar. É um dinheiro teoricamente fácil que entra. Até ali, eu não tinha ganhado nenhum jogo, mas deixei as coisas rolarem. Eu estava trabalhando duro, mas não estava conseguindo ganhar. Até que em Prostejov ganhei meu primeiro jogo na Europa. No meu quarto torneio. Foi um jogo duro, com o (Theodoros) Angelinos, o grego. Joguei mal, lutei e não-sei-o-que. Lembro que esse dia mandei mensagem para o meu psicólogo. Falei “ganhei, cara.” Ele falou “demais, que lindo que você ficou no jogo. Você não estava conseguindo ficar com a cabeça no jogo. Vamos dar continuidade. Joga solto amanhã.” Perdi na segunda rodada, um jogo de 6/3 no terceiro set, e a partir daí fui para a Itália. Minha namorada foi bem nesta semana que eu cheguei na semifinal. Ganhei do (Malek) Jaziri, embalei e comecei a jogar bem. O que eu tinha treinado, comecei a botar em quadra e a relaxar de cabeça. Um jogo, esse jogo de Prostejov, foi o jogo em que me soltei.

Você sai do top 100 na próxima semana porque caem os pontos do Challenger de São José do Rio Preto (Feijão, que foi campeão do evento em 2013, ainda deve ficar entre os 105 primeiros do ranking), mas sobram, em tese, cinco torneios na América do Sul. Você vai jogar os cinco?
Vou jogar os cinco. Viajo no sábado, jogo San Juan, Córdoba, volto uma semana, Bogotá, Guayaquil e o Challenger Finals. São cinco bons torneios, principalmente Bogotá, que é de US$ 100 mil. Guayaquil é de US$ 75 mil, e São Paulo dá 125 pontos para o campeão. E vai ser em quadra coberta, as condições vão ser melhores para mim. Jogando em casa, contra oito caras, o Thomaz (Bellucci) ou o (Guilherme) Clezar, um dos dois deve ganhar wild card, e a torcida vai estar totalmente a nosso favor. A galera vai comparecer. Fechar o ano assim, ganhando o torneio, é para fechar o ano com chave de ouro mesmo. Eu estou super confiante. O importante é que estou entrando em quadra relaxado. Estou mais competitivo do que nunca, eu acho. Estou com uma vontade, de dentro, que está me motivando cada vez mais a querer subir. Aconteceram algumas coisas fora da quadra que me motivaram muito. Por incrível que pareça, isso não me jogou para baixo.

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Eu ia chegar nesse ponto, mas já que você falou, vamos lá. A gente sabe o que você sentiu, mas o que te chateou mais por não ser convocado para a Copa Davis? Foi estar em um momento melhor que o Rogerinho e o Clezar, foi o João (Zwetsch) dizer que confiava mais no Rogerinho para uma partida longa, que parte te incomodou mais?
Eu acho que… No seu próprio blog, você citou todos os pontos que ele (João) deu que o Rogerinho tinha. E você teoricamente rebateu o que eu tinha. Por exemplo: se ele quisesse realmente ganhar no físico da Espanha, não botaria em São Paulo nem em quadra coberta. Aí já não teria sol nem altura. Botaria aqui no Rio de Janeiro, num lugar quente, úmido e mais lento. Ali eu acho que ele já se confundiu. Mas contra o Rogerinho e o Clezar eu não tenho nada. Os jogadores não têm nada a ver, mas eu acho que… Eu fiquei triste, cara. Estava em um momento que quase ganhei do Dominic Thiem uma semana antes. O moleque está aí como trinta e pouco do ranking, ganhando de todo mundo. Vinha super motivado, estava super confiante para jogar em São Paulo ainda, um lugar que eu adoro. Adoro jogar em São Paulo. Enfim, eu fiquei triste, cara. Como eu falei antes, até hoje a gente não sabe da onde ele tirou que eu não tenho preparo para jogar cinco sets….

(interrompendo) O João não te procurou depois do confronto?
Não. Nem antes nem depois. O Pardal (Ricardo Acioly, técnico de Feijão) que teve que ir atrás dele. Todo ano ele espera até o US Open para fazer a convocação, então a gente tem que esperar a vontade dele até o US Open. Depois, uma semana, já tem a Davis. E o Pardal que teve que ir atrás dele porque, até ali, a gente estava teoricamente achando que eu ia jogar. Pelo ranking, pelos resultados e pelo momento. Em termos de pontos e resultados este ano, eu tenho 60, 70 a menos que o Thomaz. Que o Thomaz! Este ano, eu tenho 85% de chance de terminar no top 100 se perder cinco primeiras rodadas seguidas. Se eu fizer zero ponto, eu termino no top 100, praticamente. Não tem muito o que comparar com o Rogério e com o Clezar. O Clezar machucou, o Rogerinho não tem jogado muito porque também machucou, foi pai agora, faz três dias. Outro ponto dele (Zwetsch) foi que o Rogerinho tem mais experiência do que eu. Ele jogou acho que duas ou três Copas Davis… Ele usou o jogo contra Pospisil para dizer que o Rogerinho ganhou no preparo físico… Eu achei que ele poderia me dar um crédito. Experiência eu não vou ganhar nunca se não jogar. Até mesmo pela idade. Eu tenho quatro anos a menos que o Rogério.

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(interrompendo) O João não ficou magoado porque lá atrás (em 2010), em Montevidéu, você iria estrear no domingo, mas tinha um Challenger para jogar e não ficou até o fim do confronto?
Eu já ouvi tanta coisa… Isso foi um acerto que a gente fez. Aquele duelo, por exemplo, era contra o Martín Cuevas e o (Marcel) Felder. Teoricamente, a gente iria passar o carro. O Thomaz ganhou, o Rogerinho ganhou, dois a zero. Eu estava escalado para jogar dupla com o Bruno. Não joguei. Iria ser minha estreia em Copa Davis. Eu não entendi até hoje como que ele me tirou da dupla contra o Martín e o Felder. Teoricamente, a gente não ia perder. Ele me tirou. Já fiquei muito, muito bravo. Triste, chateado. Não é possível. Como que eu não vou jogar um confronto com 2 a 0 no Uruguai, e caso a gente perdesse ainda tinha as duas simples para jogar no dia seguinte. Eu falei “João, já que você não vai me botar para jogar a dupla, eu preciso ir porque eu vou para Bogotá”. Era um torneio de US$ 125 mil, um lugar que eu precisava chegar antes, e eles iriam me colocar para jogar na terça-feira. Eu tentei pegar o voo no sábado para chegar à noite, treinar no domingo e jogar na segunda. E não fazia mais diferença eu jogar no confronto. E eu tenho certeza que não foi por causa disso. Tanto é que em nenhum momento ele citou que foi por causa daquela Davis passada. Era um confronto que estava ganho. Foi como eu te falei agora: como eu vou ter experiência se não jogo? Se eu não sinto, ali, como é… Tive que jogar contra a Colômbia porque estava quase nessa situação. Era um lugar que eu gostava de jogar, o Thiago (Alves) estava um pouco atrás de mim, eu tive que jogar contra a Colômbia. E o Thomaz salvou! Mas acho que não, tanto que ele nunca citou essa Davis contra o Uruguai. Se ele tivesse ficado chateado, teria que falar comigo. Acho que as coisas têm que ser mais limpas. Eu sou um cara muito aberto, gosto de falar as coisas na cara. Não fico escondendo. Às vezes eu sinto que escondem coisas. Não sei quem, mas acabam meio que sempre deixando as coisas no ar. Até hoje ele não me buscou depois da Davis. Mas como a semana seguinte eu acabei jogando com o Clezar, acho que isso….

(interrompendo de novo!) Eu iria chegar nesse ponto… A sua comemoração naquele jogo não foi normal de uma vitória de quartas de Challenger. Tinha coisa engasgada ali, né?
Tinha. Não contra o Clezar, porque a gente se dá bem, mas foi logo três, quatro dias depois da convocação. Ele chamou o Clezar e, na minha cabeça, era o Clezar que iria jogar. Acho que até acontecer esse jogo. Foi uma desculpa para ele não ter botado o Clezar. Por isso que ele acabou optando pelo Rogerinho. Durante o US Open, a gente, eu e o Pardal, ficou ouvindo “joga o Clezar, joga o Rogerinho”. Esse jogo foi meio a decisão para o Clezar não jogar, porque ele (Zwetsch) iria colocar o dele muito na reta. E eu estava muito engasgado. Eu entrei tenso, mas ele acabou entrando um pouquinho mais tenso que eu. Não foi um grande jogo. Foram bastantes erros não forçados dos dois lados, mas eu estava me sentindo bem. Estava com um “extra” nas costas, super motivado para ganhar o jogo. Aquele grito que eu dei, eu vi depois, nem tinha percebido na hora, mas foi um descarrego.

Passou a Davis e você continuou jogando bem. A não convocação não te deixou para baixo, embora fosse normal se tivesse acontecido…
(interrompendo) Acho que poderia ter acontecido, mas eu resolvi passar a borracha. E também não foi uma coisa de outro mundo. Se eles não me querem na Davis, ou agora ou depois, não vai mudar minha carreira, entendeu? Davis é legal, todo mundo tem esse objetivo, que nem a seleção brasileira de futebol, mas se eles não quiserem me botar, não posso ficar me remoendo. Se eles não quiserem, não posso fazer nada. Vou seguir minha vida, minha carreira. Tenho mais alguns bons anos de circuito, estou me encontrando cada vez mais, jogando cada vez melhor, ficando cada vez mais forte, e uma Copa Davis não vou deixar me derrubar, entendeu? Por causa de uma convocação aqui e ali…

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Você falou algumas vezes do psicólogo que viajou com você. O quanto ele fez parte desse momento?
Ah, ele me ajuda muito. Nessa coisa da Davis, a gente pensava muito em “meu, apaga e vamos jogar o dia seguinte”. Tem até outra coisa. A semana seguinte à da Davis foi em Quito. Eu não sei se eu chegaria tão bem depois de uma Copa Davis. Por exemplo, o Zeballos estava lá. Ele veio de Copa Davis contra Israel e na semana seguinte, em Pereira, estava com cãibra. Depois tomou segunda rodada em Cáli. Ele falou “tô esgotado, Copa Davis te desgasta muito.” Estou viajando com o Andrés Schneiter, o Gringo, desde Medellín. Ele falou “achei lindo você não ter ido porque tenho certeza que você não ficaria tão inteiro como ficou.” Você perde a semana anterior, a semana da Davis e a semana após porque te desgasta muito. Depois do confronto com a Colômbia, que eu joguei no domingo, fui jogar em Houston e estava com cãibra num jogo de dois sets com o Kevin Anderson. Desgasta muito. Se não foi dessa vez, para mim fez um bem danado para a minha carreira e para os torneios.

Sua ideia para o ano que vem já é montar um calendário já pensando em ATPs e Australian Open? Não sei se incluiria o Challenger de São Paulo porque você é campeão lá…
Eu não tenho nada para defender. Só São Paulo. Esse ano vai ter o ATP de Quito, um bom lugar, onde eu gosto muito de jogar, e não é qualquer um que sabe jogar em Quito, Bogotá, esses lugares de altura. Não tem muito o que mudar, na verdade, mas se o Aberto de São Paulo tiver a mesma premiação, com US$ 100 mil, talvez eu jogue São Paulo. Na Austrália eu vou estar garantido. Muito difícil eu ficar fora da chave. Também não me vejo jogando um quali antes lá porque entre jogar um quali e um de US$ 125 mil, eu não trocaria. Mas como não saiu o calendário, não tem como a gente saber. A princípio, meu objetivo é entrar nessas chaves dos ATPs da América do Sul e, depois, Indian Wells e Miami. Aí, sim, vai depender muito do começo do ano. A princípio, até Miami quero estar com o ranking por volta de 70, 75, para conseguir jogar só chave principal. Seria um belo começo de ano. Aí tem que ir encaixando conforme os resultados.


Fognini manda o dedo para a torcida chinesa
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Alexandre Cossenza

Fabio Fognini aprontou mais uma. O italiano, conhecido por reclamar com árbitros, adversários e consigo mesmo, desta vez descontou a raiva no público chinês. Depois de surpreendente ser eliminado do Masters de Xangai pelo desconhecido Chuhan Wang, número 553 do mundo, Fognini mandou o dedo médio para a torcida. Veja no finzinho do vídeo abaixo.

Há quem diga também que Fognini deu uma cotovelada no adversário logo depois de cumprimentá-lo. Não me pareceu o caso. No entanto, o vídeo está aí para quem quiser ver. (editado às 13h15min desta quarta-feira) A ATP multou Fognini em US$ 2 mil. Apenas a título de curiosidade, o italiano embolsou mais de US$ 14 mil pela participação no evento.