Saque e Voleio

A cautela que dá certo para Bellucci
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Alexandre Cossenza

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O pós-US Open é a parte mais difícil do calendário para Thomaz Bellucci. Ainda que dono de um bom saque e golpes potentes do fundo, o número 1 do Brasil é adepto do jogo no saibro, onde pode explorar o bom top spin gerado por seu forehand e tem mais tempo para preparar os golpes e trabalhar pontos. Quadras cobertas e mais rápidas nunca foram seu forte. Nesta época do ano, quando precisa enfrentar frequentemente tenistas que jogam com bola mais reta, o paulista costuma enfrentar problemas. Foram meses difíceis – sempre em fim de temporada – que culminaram com as demissões de João Zwetsch e Larri Passos.

Em média, Bellucci costuma disputar cinco torneios depois do US Open. E, de 2009 (quando conquistou seu primeiro título ATP) até hoje, nunca somou mais de 205 pontos no período. Sua melhor campanha veio em 2012, quando foi vice no ATP 250 de Moscou. Ainda assim, aquele torneio foi exceção. Não foi uma bela fase. Apenas um belo torneio. No mesmo ano de 2012, Bellucci venceu apenas uma partida nos outros quatro torneios pós-US Open.

De 2010 a 2012, sempre considerei o calendário do número 1 do Brasil um tanto ousado. Mesmo sabendo de suas dificuldades no piso, o paulista optou por começar sua viagem asiática por torneios fortes. Pequim (500) em 2010 e 2011, e Tóquio em 2012. Nunca estreou com vitória. Nunca tentou começar a gira asiática pelos ATPs 250, como Metz, São Petersburgo, Bangkok, Kuala Lumpur. Sim, Bellucci sempre disputa a Copa Davis e ficaria cansativo atuar no domingo e correr para estrear na terça do outro lado do mundo. Ainda assim, sempre houve a opção de descansar uma semana e jogar na Ásia com algum descanso.

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Este ano começou diferente. Sem ranking para disputar até os ATPs 250, Bellucci tinha a opção de tentar a sorte nos qualifyings, mas não quis. Quase que forçado a ser cauteloso, apostou em Challengers fortes. Seu calendário tinha Orleans, Mons e Rennes, seguidos pelo 250 de Moscou (ainda precisa de desistências para entar), o 500 de Valência (vai jogar o quali) e o Masters 1.000 de Paris (quali). E o que aconteceu? No primeiro Challenger, um vice-campeonato. São 75 pontos na conta. Para quem costuma somar 150 no período, não é nada mau.

Mas calma lá, não é um calendário medroso? Pouco ambicioso? Acho que não, e o melhor argumento para defender minha tese está nos parágrafos acima. Bellucci já tentou o caminho ousado e se deu mal. Em 2011, só conseguiu 50 pontos depois do US Open – e isto porque somou 30 ao entrar de convidado no Challenger Finais, aquele torneio sem pé nem cabeça organizado por sua ex-promotora. Mas tem mais: Orleans e Mons são Challengers fortes, com premiação de US$ 150 mil dólares e 125 pontos para o campeão. Não é nada incomum ver tenistas do top 100 nestes torneios. Rennes, outro evento de bom nível, paga US$ 100 mil. Logo, não é como se Bellucci estivesse voltando para a América do Sul para jogar torneios de US$ 40 mil (como os que Feijão vem jogando – e bem).

Além disso, para quem viu as atuações de Bellucci durante a semana em Orleans ficou clara a adaptação ao piso e a consequente evolução no nível de jogo. Uma coisa é começar a semana contra Marc Gicquel e Laurent Lokoli, tenistas que nem no top 200 estão. Dá para errar e seguir vivo no torneio. A margem para erro é muito menor nos ATPs 250. O brasileiro, que vinha de jogos no saibro, cresceu e foi à final de um evento que tinha oito top 100 como cabeças de chave. Dado o histórico nesta época do ano, é um ótimo resultado. Com os pontos de Orleans, subiu 11 posições e já aparece em 68º no ranking. A cautela deu certo.

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Coisas que eu acho que acho:

- Não dá para fazer um post sobre Challengers sem ressaltar o bom momento de Feijão. Se ficou chateado com a não convocação para a Copa Davis, o número 2 do Brasil não desanimou e vem mostrando resultados em quadra. Desde que ficou fora do time brasileiro, foi vice-campeão em Medellín, alcançou a semifinal em Quito e chegou a mais uma final em Pereira. Em três semanas, somou 132 pontos e garantiu sua volta ao top 100. Aparece como 93º na lista desta semana.

- Para não parecer injusto: antes do US Open e da Davis, Feijão já vinha jogando bem. Fez, em sequência, duas semifinais em Challengers (Scheveningen e Poznan) e passou pelo qualifying do ATP 250 de Kitzbühel. Em sete eventos, o único resultado que ficou abaixo da expectativa foi a eliminação na primeira rodada do quali em Flushing Meadows.

- Feijão ainda tem 105 pontos para defender até o fim da temporada, então não há garantias de que o Brasil terá dois top 100 no começo de 2015. Entretanto, João Souza ocupa hoje o terceiro posto no ranking dos Challengers de 2014. Se continuar entre os sete primeiros, ganha uma vaga no Challenger Finals, em São Paulo. O torneio sem pé nem cabeça distribui US$ 220 mil em prêmios e dá até 125 pontos para o campeão.


Guga revela cirurgia “secreta”
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Alexandre Cossenza

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“Guga, um Brasileiro” não é um livro de grandes revelações. É uma bela biografia de Gustavo Kuerten que traça o perfil do tricampeão de Roland Garros desde sua infância, recheada de casos pitorescos, mas com poucas novidades sobre o período de atleta. A não ser por uma, citada quase casualmente na página 345: Guga passou por três cirurgias no quadril, e não duas, como sempre afirmou (e como sempre foi dito por sua assessoria de imprensa).

A terceira operação foi realizada em março de 2006, na cidade de Vail, no estado americano do Colorado, pelo mesmo médico que conduziu o procedimento anterior: o americano Marc Philippon. No livro, Guga conta que o pós-operatório foram “os dois meses mais agoniantes da vida”. “Fazia um frio glacial no inverno americano de 2006. Mal dava para pôr o nariz para fora. Passava os dias no quarto minúsculo de um hotel de terceira categoria. Minha perna ficou inchada, parecia que tinha um elefante embaixo de mim. Por dois meses, não pude colocar o pé no chão. Dormia com a perna para cima, amarrada a uma roldana. Só saía do hotel três vezes por dia para as sessões intermináveis de fisioterapia, a primeira às sete, depois às onze, por fim às cinco da tarde, todas a peso de ouro, numa conta que chegava fácil a dez mil dólares por mês”.

O catarinense conta ainda que, assim como na segunda cirurgia (realizada em 2004), os médicos disseram que o procedimento havia sido um sucesso. Logo ficou claro – e hoje todo mundo sabe disso – que Guga nunca esteve sequer perto de retomar o nível atlético de antes. Isso e a frustração por estar esgotando os recursos na tentativa de voltar a jogar o tênis de antes fizeram com que o tricampeão de Roland Garros preferisse nunca falar abertamente sobre essa terceira cirurgia. A informação, até a publicação de “Guga, um brasileiro”, só era conhecida por pessoas íntimas e do meio do tênis.

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A mensagem
A biografia de Guga não é bombástica como a de Agassi. Pelo contrário. O catarinense sempre evitou polêmicas e não fez diferente agora. As únicas brigas políticas relatadas no livro são as que todo mundo já conhecia, como a disputa com o Comitê Olímpico Brasileiro antas dos Jogos de Sydney, em 2000, e o boicote à Copa Davis em 2004, em protesto contra a direção de Confederação Brasileira de Tênis. Vale pelas memórias, não pelas novidades.

Se há uma comparação que pode ser feita, é que o livro de Guga segue uma direção parecida com a da biografia de Rafael Nadal, escrita pelo inglês John Carlin. Enquanto lembra da infância e relata momentos que contribuíram para formar a personalidade de Guga como atleta e pessoa, a publicação conta, pelos olhos e com as palavras do tenista, seus maiores feitos dentro de quadra.

A intenção de Guga com o livro está estampada na capa, logo abaixo de seu nome. “Um brasileiro” significa que o catarinense é produto do país que nasceu e que “com suor, sorrisos e lágrimas, aconteceu comigo o que poderia acontecer com qualquer brasileiro”. Vale a leitura até para quem não é fã de tênis.

No Rio de Janeiro
Guga, que lançou seu livro em São Paulo, durante a semana que antecedeu a Copa Davis, fará uma noite de autógrafos quarta-feira, no Rio de Janeiro. O evento será na Livraria da Travessa do Shopping Leblon a partir das 18h. Recomendo que cheguem cedo. A fila de autógrafos em São Paulo era de contornar o quarteirão. A quem quiser comprar desde já, segue o link.

Tags : Guga livro


Muy caliente
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Alexandre Cossenza

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Primeiro, os fatos. A Espanha perdeu para o Brasil em São Paulo e foi rebaixada para a segunda divisão da Copa Davis. Será a primeira vez do time ibérico no Zonal Europeu desde 1996. Em seguida, Carlos Moyá pediu demissão. Disse que não continuaria como capitão, mas que voltaria ao cargo se o cenário fosse outro. Entra em cena Gala León. A moça, diretora esportiva da RFET, a federação espanhola, foi promovida a capitã. E aí começou a confusão.

Alguns tenistas disseram publicamente que não conheciam Gala León. Rafael Nadal foi um pouco mais longe e disse que a nomeação era estranha. Até porque o presidente da RFET, José Luís Escañuela, não consultou os jogadores. Toni Nadal, língua solta como sempre, foi mais longe. Disse que não era muito apropriado ter uma mulher como capitã da Davis e falou que havia gente mais qualificada e preparada para o cargo do que Gala León.

O ápice da confusão veio na noite de terça-feira, quando Toni e Gala concederam entrevista por telefone a José Ramón de la Morena, no programa “El Larguero”. O papo começa amistoso, mas logo fica un poquito caliente. Vejam abaixo alguns trechos:

TN: Há quanto tempo é diretora esportiva?
GL: Desde julho
TN: Desde julho, é curioso que não tenha ligado a Rafael para ver como se encontrava. Não falou com nenhum jogador. É curioso.

TN: Que sua passagem como capitã seja a melhor possível, mas creio que há gente, e estou no meu direito evidentemente de opinar, que está mais preparada do que você. Nada mais. Simples assim. Isso não creio que seja motivo de ofensa, absolutamente.
GL: A mim, pessoalmente, não ofende.
TN: Minha vontade nunca foi essa.
GL: De verdade. Pode opinar ou não opinar. Eu soube lhe respeitar. Cada um tem seu ponto de vista.
TN: Para ser capitão da Davis, o normal é conhecer o tênis masculino. Para mim, se oferecessem o posto de capitão da Fed Cup a Rafael, creio que não seria o mais indicado.
GL: Mas continua sendo um ponto de vista.

TN: Que eu acredite que não está suficientemente preparada, é meu direito. Provavelmente esteja esteja no tênis feminino, porque saberá quem é a jogadora número 30, 40, 50 do mundo. Com os homens… porque eu nunca lhe vi em um torneio masculino! É só isso.

GL: É sua opinião. Ele fala de mim como se conhecesse por toda a vida.
JRDLM: Não, Gala. Ele está dizendo que não lhe conhece. É o contrário.
TN: Não se confunda. Não te digo em nenhum momento que te conheço há uma vida inteira. Não te conheço absolutamente. Rafael não te conhece porque falei com ele. Falei com Feliciano López e me disse exatamente o mesmo. Falei com outros jogadores, e o mesmo.
GL: Feliciano não me conhece?
TN: Desde que é diretora esportiva, não entrou em contato com ele. Estamos falando de outro tipo de conhecimento.

TN: Quem você acha que está mais preparado para dirigir uma equipe da Copa Davis? Juan Carlos Ferrero ou você?
(silêncio)
TN: O que você acha?
GL: Obviamente, não entrarei em mais polêmicas.
JRDLM: Não há nenhuma polêmica. Aqui…
TN: Não é polêmica, Gala.
GL: Entendo a posição da RFET, vou olhando para a frente e sigo trabalhando….
JRDLM: Tudo isso é fenomenal, mas se trata de explicar às pessoas o porquê e qual é o seu projeto. E não está explicando nada!

A entrevista inteira dura 22 minutos e pode ser ouvida neste link. Mas e aí, quem tem razão? Não é muito questão de ter ou não razão – e vou ignorar a parte em que Toni Nadal fala que seria um incômodo ter uma mulher no vestiário porque não faz sentido algum. Sua argumentação no programa de rádio vai por outra linha e, essa sim, merece debate tenístico.

Talvez seja estranho para quem não conhece um pouco do meio, mas tenistas são “paneleiros” por definição. Para esse tipo de atleta, é sempre difícil aceitar alguém “de fora”. Seja dando opiniões (como é o caso de nós, jornalistas) ou, pior ainda, entrando em quadra. Gala León é tenista, óbvio, mas viveu outro circuito. Não tem uma relação estreita com os tenistas. Tanto que afirmam publicamente que a nomeação é estranha.

Mais do que isso: Gala León tem um currículo dentro de quadra bem inferior a outros possíveis capitães da Espanha. Toni Nadal cita Juan Carlos Ferrero, Sergi Bruguera e Alberto Berasategui como exemplos. Gente que viveu o circuito masculino e tem relação mais próxima com quem quer que esteja na próxima equipe espanhola da Copa Davis.

O grande problema mesmo com a nomeação de Gala León para o cargo de capitã é que a polêmica tirou o foco do real problema do tênis espanhol: como fazer com que seus melhores tenistas voltem a jogar pelo país?Até agora, só uma certeza: o nome de Gala León nem sequer começa a resolvê-lo.

O grande trunfo para a Espanha, no entanto, são os Jogos Olímpicos. Pelo regulamento utilizado para Londres, cada tenista precisa fazer-se disponível (não precisa necessariamente ser convocado) para defender o país em duas temporadas (e uma delas precisa ser 2015 ou 2016). Logo, quem não atua desde 2012 e tem ambições olímpicas precisará colocar-se à disposição da capitã ou de quem quer que seja em breve. Aí eu quero ver…


Sorteio da Davis é pior do que parece
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Alexandre Cossenza

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Tecnicamente falando, A Argentina não era o pior adversário possível para o Brasil Na Copa Davis. David Nalbandian já deixou as quadras, Juan Martín del Potro raramente atua pela competição, e o país que já foi uma potência na competição hoje não tem um tenista que possa ser considerado um ponto certo em qualquer confronto que seja. Entre Leonardo Mayer, Federico Delbonis, Carlos Berloqc e Juan Mónaco, a Argentina tem muitas opções para formar uma equipe, mas nenhum dos quatro é imbatível, não importa o piso.

Aliás, o melhor piso deles é também o melhor para os brasileiros, o que não deixa de ser um fator facilitador para João Zwetsch. Assim como a falta de uma dupla confiável. No sábado, o Brasil será favoritíssimo. Chegamos, então, ao ponto em que o leitor faz a seguinte pergunta: se a Argentina não é mais a potência de antes e se eles também gostam do saibro, como o sorteio pode ter sido tão ruim?

O principal motivo é o local do confronto. Brasil e Argentina vão se enfrentar de 6 a 9 de março, quando ainda faz bastante calor por lá. Pior: Buenos Aires é uma cidade com índices altos de umidade. Todos sabemos, desde Chennai, o histórico de Thomaz Bellucci em lugares quentes e úmidos. Este ano mesmo, em fevereiro, o número 1 do Brasil vencia, mas abandonou sua partida de primeira rodada no qualifying do ATP 250 portenho sentindo o desgaste. Aliás, Bellucci só jogou na capital argentina quatro vezes. Só na primeira, em 2008, venceu jogos.

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Hoje, não parece lá muito provável que Bellucci consiga duas vitórias em condições tão adversas – sem contar a torcida local. Entretanto, faltam seis meses para o confronto. Não convém julgar nada cedo demais.

Mas não foi só na dificuldade que o sorteio atrapalhou o tênis brasileiro e seus fãs. Com o confronto fora do país, fica mais difícil a vida dos promotores dos ATPs de São Paulo e do Rio de Janeiro. O torneio fluminense, mais importante e com mais “poder aquisitivo”, sofre mais. Disputado duas semanas antes da Copa Davis, o evento poderia garantir um figurão interessado em chegar ao país cedo e fazer uma devida adaptação ao saibro e ao clima local. Havia a chance de o Brasil encarar Suíça, Sérvia ou República Tcheca por aqui. Logo, Roger Federer, Stan Wawrinka, Novak Djokovic e Tomas Berdych seriam nomes cobiçados e um tanto viáveis.

E não é só isso. Se Bellucci e cia. enfrentassem qualquer um dos outros 14 países do Grupo Mundial, existiria a possibilidade de a Argentina jogar em casa e trazer outros grandes nomes. Poderíamos ter, por exemplo, a Suíça jogando no Brasil enquanto a Sérvia estaria no país vizinho. Logo, haveria uma chance dupla de atrair grandes nomes.  Do jeito que ficou o cenário pós-torneio, tchecos e sérvios jogarão em casa, enquanto a Suíça viaja, mas sem sair da Europa.

Coisas que eu acho que acho:

- Nunca é tarde para lembrar deste momento fantástico em Roland Garros, no duelo entre França e República Tcheca. Não só pelo golpe de Gael Monfils, mas pela reação da torcida e pela festa do próprio tenista na sequência. Tipo de cena que só se vê em Copa Davis. Para lembrar para sempre.

- Outra noticia que agitou a semana foi a saída de Carlos Moyá como capitão do time espanhol. Sem conseguir montar uma equipe com os melhores atletas do país, o ex-número 1 do mundo deixou o cargo. Não li nada específico sobre uma rejeição dos tenistas ao nome de Moyá como capitão. A questão é que a geração atual espanhol parece ser composta ou por tenistas já satisfeitos com suas conquistas na Davis (Ferrer) ou indispostos ao sacrifício necessário para defender o país na posição de segunda opção (Robredo e Verdasco). Sem os lesionados Nadal e Almagro, a Espanha passa a ser um time “normal”, tão derrotável quanto qualquer outro fora de casa. É compreensível a atitude de Moyá. Se é para comandar uma equipe eternamente desfalcada e ser cobrado por resultados de times do passado, é melhor pedir o boné. Eu faria o mesmo.

- Os confrontos da primeira fase no Grupo Mundial de 2015 são os seguintes (times da casa mencionados primeiro): Alemanha x França, Grã-Bretanha x EUA, República Tcheca x Austrália, Cazaquistão x Itália, Argentina x Brasil, Sérvia x Croácia, Canadá x Japão e Bélgica e Suíça.


Em perspectiva
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Alexandre Cossenza

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A festa em quadra havia acabado pouco antes e ainda havia um bocado a festejar, mas o time brasileiro que colocou o país de volta no Grupo Mundial da Copa Davis chegou à sala de imprensa longe da euforia pós-match point. O champanhe não embriagou ninguém. A água gelada jogada na cabeça do capitão João Zwetsch não congelou seu cérebro. E, por isso, o time merece mais parabéns ainda.

Seria tentador vender uma vitória sobre a poderosa Espanha como um feito histórico. Épico. Só que ninguém do time fez isso. Zwetsch falou sobre o quanto é derrotar o time dos compatriotas de Rafael Nadal e de quanto orgulho sentia de seus jogadores por isso, mas fez questão de lembrar que seria quase impossível vencer a força máxima da Armada.

Zwetsch, aliás, poderia ter caído na tentação do “vão ter que me engolir”. Criticado pela escalação de Rogerinho, poderia ter desfilado arrogância na coletiva. Não o fez (e se fizesse, estaria errado, porque Rogerinho realmente esteve muito mal em quadra). E, quando indagado se Thomaz Bellucci sairia do confronto como um herói nacional, fugiu do exagero.

“Eu vejo as coisas muito mais simples. A gente às vezes tenta rotular certas coisas e enfim… Acho importante esse tipo de atuação, de vitória. Óbvio que o Thomaz foi um grande guerreiro, mas… (pausa) Né? Rotular como herói seria uma coisa complicada para ele mesmo. Acho que ele está dando o melhor de si, está crescendo a cada ano.” … “Que ele foi o grande responsável por ter feito dois pontos? Pode ter sido, mas todos fomos responsáveis.”

Bellucci tomou um rumo parecido em suas respostas. É claro que o número 1 do Brasil tinha consciência do tamanho de sua participação na vitória sobre a Espanha. Sem ele, estaríamos aqui pensando em mais séries contra Uruguai, Colômbia e Equador – aquelas que o Brasil ganha todos os anos. Ainda assim, Bellucci ressaltou que a maior parte de seu mérito foi administrar o nervosismo a ponto de jogar um tênis bom o bastante para vencer. E, após superar o número 15 do mundo, fez o que ninguém fez: reconheceu que Roberto Bautista Agut, seu oponente no domingo, não jogou tudo que podia.

“Você vê o Bautista… Hoje, pode ser que ele não tenha jogado o melhor tênis da carreira dele porque é difícil administrar a pressão que é jogar fora de casa, sendo número 1. Você viu que em muitos momentos ele não jogou um bom tênis. Lógico que eu tentei exigir o máximo dele, mas ele muitas vezes não conseguiu isso.''

Assim, enquanto tudo se assenta e os tenistas voltam à rotina do circuito, é importante colocar em perspectiva. A vitória foi muito, muito legal de acompanhar, especialmente porque Thomaz Bellucci esteve na direção certa para explorar todo seu potencial. E porque foi contra a Espanha, um país com peso considerável na Copa Davis e no cenário do tênis mundial. Porém, lembremos que foi contra um time C (ou D?) da Espanha, em casa, e com Thomaz Bellucci carregando a equipe, que continua sem um número 2 confiável.

O resultado foi excelente, mas pouca coisa mudou.

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Coisas que eu acho que acho:

- Já vimos casos de tenistas que passaram por ótimas experiências em Copas Davis e conseguiram excelentes sequências no circuito mundial. Por isso, é compreensível que muitos esperem o mesmo de Bellucci. Eu mesmo achei que isso aconteceria em 2012, quando o Brasil bateu a Colômbia em circunstâncias semelhantes. Feijão perdeu o primeiro jogo, e Bellucci esteve perdendo por 2 sets a 0 a partida seguinte. O número 1 do time, então, saiu do buraco e garantiu a vitória brasileira com duas grandes vitórias. O bom momento, no entanto, não durou por muito tempo. Bellucci até bateu David Ferrer em Monte Carlo, mas perdeu três jogos seguidos, desistiu mentalmente de um jogo em Nice e acabou eliminado nas primeiras rodadas de Roland Garros e Wimbledon.

- No Grupo Mundial, o Brasil enfrentará na primeira fase, em 2015, um dos oito cabeças de chave. Caso seja sorteado para enfrentar Estados Unidos, Itália, Repúclica Tcheca ou Suíça, jogará em casa. Em caso de encarar Argentina, França ou Canadá, o confronto será fora do Brasil. Se o adversário for a Sérvia, um segundo sorteio definirá o local.


Força de número 1, “cara” de Bellucci
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Alexandre Cossenza

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Thomaz Bellucci sempre soube e disse a todos que quiseram ouvir desde que chegou a São Paulo. Uma vitória brasileira sobre a Espanha, em casa e no Ibirapuera, passaria quase necessariamente por dois pontos vindos de sua raquete. E, no fim das contas, depois de polêmicas, dramas, um match point salvo por centímetros e até fantasmas, foi o que aconteceu. O dono do time, o número 1 do país, saiu de quadra com seus dois pontos em um dos bolsos. No outro, a vaga do Brasil no Grupo Mundial, a primeira divisão da Copa Davis. Vitórias com a postura típica de um líder e com todas marcas registradas de Thomaz Bellucci.

Se não foi tecnicamente espetacular no primeiro jogo, o paulista aproveitou as mais importantes chances que teve. Escapou da derrota por um fio e, em melhores condições físicas do que o adversário (algo sempre importante de ressaltar porque não acontece sempre), arrancou uma virada em cinco sets, lembrando aquela sobre Alejandro Falla, em Rio Preto, onde também evitou que o Brasil terminasse o primeiro dia perdendo por 2 a 0.

O desafio deste domingo era mais complicado do que aquele do interior. O adversário era Roberto Bautista Agut, número 15 do mundo, dono de um currículo com pouquíssimas derrotas para adversários de ranking inferior. Começou errático e viu o espanhol abrir 4/1, mas logo mudou o rumo da partida. Começou a agredir mais e tirou o oponente de sua zona de confronto. Logo, o espanhol se viu forçado a atacar mais e, consequentemente, errou mais. Sacando bem e atacando melhor ainda (à exceção das costumeiras curtinhas fora de hora e/ou mal executadas), tomou conta do jogo. Venceu cinco games seguidos e fez 6/4.

O segundo set foi instável, mas que graça teria um jogo de Bellucci sem momentos assim? Ainda assim, nem quando Bautista Agut abriu 5/1, a superioridade do espanhol era evidente. O brasileiro teve break points em três games diferentes, mas converteu tarde demais. O espanhol fez 6/3. Paciência. Não era o caso de mudar a postura, e o número 1 do Brasil não mudou. Seguiu na montanha russa, confiando em fazê-la funcionar a seu favor, e assim foi no terceiro set. Uma quebra para cá, outra para lá, e Bautista piscou no 3/4, depois de abrir 40/0. Bellucci capitalizou.

E o jogo nunca perdeu a “cara” de Thomaz Bellucci. Atacando e aceitando a relação winner/erros não forçados do jeito que estava, o brasileiro trouxe Bautista Agut para o seu jeito de jogar. Foi nervoso, mas deu certo. Nos seis primeiros games, conseguiu duas quebras, perdeu um saque e salvou cinco break points. Abriu 4/2. Quando soltou um backhand kamikaze na paralela e quebrou o espanhol outra vez, aumentou de vez o volume do Ibirapuera e levou seu time – seu mesmo! – de volta à elite.

Coisas que eu acho que acho:

- Obviamente, não dá para esquecer a participação essencial de Bruno Soares e Marcelo Melo, que venceram uma parceria fortíssima e contribuíram para que o time não dependesse de uma vitória do segundo simplista brasileiro. Esperar algo do quinto jogo, entre Rogerinho (ou Clezar, ou ainda Feijão, mesmo em melhor fase) e Pablo Andújar, não era o melhor dos cenários.


O espírito de equipe
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Alexandre Cossenza

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Se há algo inegável quando falamos da equipe brasileira que disputa a Copa Davis, é a união dos jogadores. E todos que estão no time em São Paulo, para este confronto contra a Espanha, reforçam, de um modo ou de outro, a importância do espírito de equipe. Algo que ficou mais claro do que nunca quando Marcelo Melo, ao fim da coletiva deste sábado, pediu o microfone para sair em defesa de Rogerinho – e de sua convocação. Segue abaixo, na íntegra, a declaração do duplista número 1 do Brasil:

“Gostaria só de salientar um negocinho (risos). Muito se falou do Rogerinho. Ontem, nós fomos embora (do Ibirapuera) depois do segundo set do Thomaz porque nós jogaríamos hoje e não daria para ficar até o fim. E o que é o espírito de equipe de Copa Davis? Eu pude ver pela televisão… O Rogerinho não fez um belo jogo, mas o que ele fez no banco não é qualquer jogador que faz. Ele estava lá apoiando o Thomaz, levantava os dois braços, subia na cadeira… Isso mostra o que é espírito de equipe de Copa Davis. Cada jogador tem a sua influência, e esse é um dos motivos (pelos quais) também ele está nesta equipe. Eu acho importante frisar. Muito se bombardeou ele. Muito que ele fez ontem no banco… Muitos jogadores iriam se retrair no vestiário ou lamentar. Ele foi lá, ergueu o braço várias vezes apoiando o Thomaz, mostrando o que é espírito de equipe. Acho que vale a pena salientar isso, mostrando que nossa equipe está unida.”

Depois da derrota para Roberto Bautista Agut na sexta-feira, especialmente pelo modo como a partida se desenrolou, é importante que o time levante os ânimos de Rogerinho, escalado para o quinto jogo. É bem verdade que o Brasil tem mais chances de fechar o confronto com Thomaz Bellucci, mas não será nada espantoso se Bautista Agut, número 15 do mundo, levar a melhor e mantiver a Espanha viva. Se isto acontecer, Rogerinho faz a partida decisiva contra Pablo Andújar, que saiu de esgotado depois de passar 4h em quadra na sexta-feira. Se conseguir mostrar o tênis que não apareceu no início do confronto, Rogerinho tem, sim, chances. Por isso, é perfeita a postura de Marcelo Melo.

Coisas que eu acho que acho:

- Não conversei com Marcelo após a coletiva, mas é possível interpretar o discurso do mineiro como uma pista de um dos motivos pelos quais o capitão João Zwetsch deixou João Souza, o Feijão, fora do time. Porém, como Zwetsch jamais citou fatores extraquadra para justificar sua escalação, muita coisa segue no reino da especulação. Pode ser que uma hora, mais tarde, algo a mais venha à tona.


Uma dupla em sua melhor definição
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Alexandre Cossenza

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Houve um voleio dificílimo que empurrou Marc López de volta para o fundo de quadra. Houve também o grito de “deixa!” seguido de um fortíssimo smash quase de costas. E a direita que acertou as costas de David Marrero para ganhar o ponto. E a devolução vencedora que encaminhou uma quebra no segundo set. E o pique para alcançar uma curtinha e matar o ponto com um slice fundo de direita. E o voleio, cruzando a rede, que decidiu o jogo na prática.

Do começo ao fim, Marcelo Melo foi a estabilidade da dupla brasileira. O melhor em quadra. O número 1 do país nas duplas brilhou, claro, mas foi sólido mesmo quando não estava executando um golpe improvável. Sempre exigiu algo a mais dos espanhóis. Foi estupendo mais lhe exigiram.

Bruno Soares, por sua vez, pulsou. Fez pontos espetaculares, errou bolas fáceis. Fez séries memoráveis de voleios defensivos e falhou em devoluções quando tinha break points. Chegou a gritar “vai, vai!” quando não devia e deixou bolas que eram suas, mas quando brilhou trouxe ele o público. Berrou, levantou os braços, deixou o Ibirapuera ali juntinho o tempo inteiro.

E, no momento mais delicado, depois de uma falha boba no 4/5 do segundo set, respondeu com três pontos perfeitos. Foi dele, também, o smash que quebrou o serviço de Marc López e deu ao Brasil dois sets de vantagem.

Marcelo Melo e Bruno Soares nem sempre brilharam na mesma intensidade, mas fizeram o mais difícil – e ao mesmo tempo o mais necessário -, que foi jogar como uma parceria equilibrada de fato. Um deu a base. O outro, a faísca. Na vitória por 6/3, 7/5 e 7/5 sobre López e Marrero, os dois mineiros foram a dupla perfeita.

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Coisas que eu acho que acho:

- Com a vitória nas duplas, o Brasil abre 2 a 1 no confronto e fica na melhor posição possível para vencer e voltar ao Grupo Mundial. O time agora “só'' depende de uma vitória de Thomaz Bellucci contra Roberto Bautista Agut, número 15 do mundo. Não é uma tarefa nada, nada fácil, mas é desde sempre o cenário mais provável para um triunfo brasileiro: dois pontos de Bellucci e um das duplas. Caso o número 1 do país seja derrotado, Rogerinho volta à quadra com uma chance de se redimir do vexame de sexta-feira e decidirá a série contra Pablo Andújar.


Zwetsch empurra culpa para “fantasmas”
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Alexandre Cossenza

Zwetsch_Davis_Dia1_Andujar_blog

Logo após derrotar Pablo Andújar de virada e empatar o confronto entre Brasil e Espanha, Thomaz Bellucci compareceu à entrevista coletiva acompanhado pelo capitão João Zwetsch. A maioria das perguntas foi sobre a vitória do número 1 do país e o comportamento da torcida. O capitão, no entanto, respondeu uma questãozinha sobre a atuação de seu número 2. O mesmo Zwetsch que afirmou uma semana atrás que Rogerinho sempre elevava seu nível em jogos de Copa Davis teve de dizer que não foi o caso nesta sexta-feira, quando Roberto Bautista Agut aplicou 6/0, 6/1 e 6/3 em uma das atuações mais vergonhosas de um tenista brasileiro jogando em casa na Copa Davis. Zwetsch, no entanto, culpou fatores extraquadra. Suas respostas e minha segunda pergunta estão abaixo.

“Surpreendeu, claro. A derrota já era esperada. Era muito difícil um jogador nosso, número 2, jogar contra um número 15 do mundo, mas da maneira como foi realmente surpreendeu. O Rogério não conseguiu se encontrar em quadra. O Bautista não deu espaço, mas isso já era uma coisa esperada. Acho que pela primeira vez, né, talvez com a ajuda de outras coisas que envolveram, ele não conseguiu jogar o bom tênis que ele pode apresentar. Nos treinamentos durante a semana, ele estava muito bem. Inclusive contra o Thomaz ganhou set e tal.”

“Que outras coisas, você pode dizer?''

“Fantasmas, coisas desse tipo assim. Aparecem à noite, é perigoso. À noite, em São Paulo, é perigoso.”

A segunda resposta veio com um leve sorriso, que não sei dizer o que significa. A impressão que ficou é que Zwetsch estava se referindo às muitas críticas que sofreu durante a semana, depois que foi revelada a ausência do número 2 do país, João Souza, o Feijão, do time. Críticas que vieram de jornalistas (inclusive neste espaço aqui), ex-jogadores, comentaristas, treinadores e do próprio Feijão. Críticas que, consequentemente, jogaram meia dúzia de bigornas nos ombros de Rogerinho, que chegou ao confronto em um mau momento, sem conseguir derrotar um top 200 no circuito mundial desde junho.

Repito: não sei se Zwetsch referia-se a essa pressão extra que caiu em Rogerinho. E não sei porque ele, o capitão, não quis dizer. Mas se foi isso mesmo, soa como empurrar a culpa para todos que criticaram uma convocação estranha – não só pelo mau momento de Rogerinho, mas pelas condições do confronto (indoor, com altitude de São Paulo) que não o favoreciam. Parece-me uma lógica às avessas. O capitão escala um atleta em fase ruim, e a culpa é de quem questionou a escalação? Não me parece muito inteligente.

Rogerinho_Davis_Jogo1_Andujar_blog

(mais) Coisas que eu acho que acho:

- Não é raro ver um tenista fazer grandes exibições na Copa Davis e levar o bom momento para o circuito mundial. O que acontece, então, com os ânimos de Rogerinho depois de uma derrota como essas? Culpamos os fantasmas também?

- Escrevi ontem e repito agora para que ninguém distorça. Estou longe de dizer que Feijão, apesar de estar em momento obviamente melhor, derrotaria Roberto Bautista Agut, 15º do ranking. Quem quer que fosse nosso número 2, o placar do confronto dificilmente estaria melhor do que o 1 a 1 deste sábado. Ainda assim, acho que foi um desastre colocar Rogerinho em quadra e deixá-lo exposto a esse tipo de vexame.

- Curiosamente, até Carlos Moyá cornetou a escalação de Zwetsch. O capitão espanhol, que revelou conhecer pouco Rogerinho, disse na coletiva que Guilherme Clezar parecia ter mais potencial para vencer uma partida neste confronto.

- A situação de Zwetsch só não ficou muito mais complicada porque Bellucci salvou um match point com uma bola que tocou na linha, mudou de trajetória e forçou Andújar a um erro. A sorte ajudou o Brasil, e o número 1 do país aproveitou para completar o serviço com muita competência.

- Com o confronto empatado em 1 a 1, o panorama para o Brasil não é dos piores. Se Marcelo Melo e Bruno Soares vencerem neste sábado – e as chances não são nada ruins -, bastará um triunfo de Bellucci sobre Bautista Agut no domingo. Assim, o time nem precisaria contar com Rogerinho no quinto jogo. Não será fácil, mas está longe de ser a maior zebra da história.


Salvos por centímetros
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Alexandre Cossenza

Bellucci_Davis_Jogo2_Andujar2_blog

Thomaz Bellucci saca com match point contra e troca bolas com Pablo Andújar até que manda uma mais funda. Certamente mais funda do que gostaria. A amarelinha toca de mais no saibro do que na linha, deixando aquela marca parcial fora da quadra. Mas a bola raspa o suficiente para mudar de direção e forçar o erro do tenista espanhol. No game seguinte, Andújar perde o saque. Bellucci confirma o seguinte e força o quinto set. Trinta e oito minutos depois, o número 1 do Brasil completa a virada, vence por 3/6, 6/7(6), 6/4, 7/5 e 6/3, salva a pele do capitão e evita o que seria um dia para São Paulo esquecer na Copa Davis.

A tarde que começou com o vexame de uma escalação monstruosamente errada terminou com o time brasileiro e sua torcida de esperanças renovadas, confiantes em uma vitória de Marcelo Melo e Bruno Soares no sábado, na partida de duplas, e seguramente em mais uma vitória do número 1 do país no domingo, contra Roberto Bautista Agut. Sim, leitores: o Brasil está vivo e com chances interessantes de derrotar a Espanha e voltar ao Grupo Mundial, a primeira divisão do tênis mundial.

O triunfo de Thomaz Bellucci foi daqueles típicos de Thomaz Bellucci. E, por que não, típico de Copa Davis. Um jogo com o brasileiro errático no primeiro set e perdendo chances no segundo. Andújar, se não foi brilhante, teve a competência necessária para abrir 2 sets a 0. Só que o espanhol voltava de lesão (abandonou seu jogo no US Open) e, no terceiro set, já indicava que não resistiria por muito tempo. Passou a errar mais, e a coisa toda mudou. O tenista da casa, que também começou a sacar melhor, teve mais chances para agredir.

Poderia ter sido até um pouco mais fácil, não fossem o exagero da torcida e uma decisão ousada de Jake Garner, o árbitro de cadeira. Com tantos gritos da torcida entre os saques de Andújar, o americano mandou voltar um ponto. Pouco depois, repetiu a dose quando o espanhol encarava um break point. O visitante, que não ouviu a ordem do árbitro, cometeu uma dupla falta, mas teve a segunda chance e salvou o saque. Até que Bellucci teve 4/5, encarou o tal match point e salvou-se por centímetros. A partida, que já caminhava em outra direção, tomou de vez o rumo do time da casa. Dali em diante, Andújar era uma sombra de jogador. Cansado, mas em melhores condições físicas que o rival, o número 1 do Brasil, ainda que com um ou outro deslize, cumpriu seu papel competentemente e festejou após 4h02min.