Saque e Voleio

RG, dia 2: drama de Murray, susto de Wawrinka e derrotas brasileiras
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Alexandre Cossenza

A chuva voltou a atrasou mais uma vez a programação em Roland Garros, mas desta vez teve tênis e sobrou emoção. Primeiro, com Wawrinka e Muguruza vivendo momentos de tensão. Depois, com Andy Murray andando na corda bamba e os brasileiros – Thomaz Bellucci e Rogério Dutra Silva – enfrentando franceses em ótima forma. O resumaço do segundo dia fala sobre tudo isso, lembra das cabeças que rolaram e inclui até uma ação publicitária de Marcelo Melo.

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Os favoritos

O maior drama do dia, seguramente, foi vivido pelo Andy Murray. Cabeça de chave 2, #2 do mundo, vindo de um título em Roma em cima de Novak Djokovic, o britânico chegou pela primeira vez a Roland Garros como sério candidato ao título. Tudo isso quase foi jogado pela janela nesta segunda-feira, diante de Radek Stepanek. O experiente tcheco, cheio de variações e evitando dar ritmo a Murray, abriu 2 sets a 0, fazendo 6/3 e 6/3 e deixando o mundo inteiro em alerta.

O escocês reagiu a tempo de evitar um fiasco. Fez 6/0 na terceira parcial, chegou a nove games seguidos e parecia navegar tranquilo para forçar o quinto set quando a partida foi paralisada por falta de luz natural. Quando os dois tenistas voltarem à quadra na terça-feira, o placar mostrará Stepanek liderando por 2 sets a 1, mas com Murray à frente por 4/2 no quarto set.

Embora não tenha fechado a parcial enquanto o momento lhe era favorável, Murray se deu bem com a interrupção. Diante de um tenista perigoso como Stepanek, é sempre arriscado entrar em quadra frio para jogar apenas um set. Do jeito que aconteceu, o britânico terá o fim do quarto set para calibrar golpes, aquecer e entrar com força total na parcial decisiva. O irmão, vide tweet abaixo, concorda.

Simona Halep, por sua vez, quase não teve problemas. Vice-campeã de Roland Garros e atual cabeça 6, a romena fez 6/2 e 6/0 sobre a japonesa Nao Hibino e avançou. Ela enfrentará na sequência a cazaque Zarina Diyas

Os brasileiros

Rogerinho (#85) fez uma ótima apresentação na Quadra Suzanne Lenglen, diante do sempre constante Gilles Simon (#18). O jogo, disputado com quadra bastante pesada e dois jogadores que não fogem de ralis, foi bastante longo e refletiu as características de ambos. Trocas longas, muitas quebras e equilíbrio. O primeiro set, decidido no tie-break, durou mais de 1h10min. O segundo, quase uma hora.

O brasileiro teve chances. Começou o jogo com 3/0 e duas quebras de frente. Na segunda parcial, abriu 4/2. Simon, no entanto, foi sempre mais consistente, dando menos pontos de graça e exigindo bastante de Rogerinho. No fim, o tenista da casa saiu vencedor por 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Thomaz Bellucci também enfrentou um adversário respeitável, mas fez muito pouco diante de Richard Gasquet (#9). O francês começou a partida vencendo os primeiro cinco games e nunca deixou o brasileiro à vontade em quadra. Bellucci, que chegou a ter 15 games perdidos em sequência (comando os dez contra Delbonis em Genebra), até teve bons momentos no jogo, mas os 32 erros não forçados nos dois primeiros sets (em 16 games) facilitaram a vida do oponente.

Gasquet acabou vencendo por 6/1, 6/3 e 6/4, sem sustos. Bellucci, que cometeu 46 erros não forçados ao todo (contra 19 de Gasquet), agora soma oito vitórias e 15 derrotas na temporada. Depois de começar a temporada como 37º do mundo e entrar no top 30 em fevereiro, Bellucci vem em queda e já deixou o top 50. Nesta semana, é o #57 e pode cair mais ao fim do torneio francês.

As cabeças que rolaram

Entre os homens, Marin Cilic, cabeça 10, provavelmente foi a vítima da maior zebra do dia. O croata, que vinha de disputar a final do ATP de Genebra no sábado, tombou espetacularmente diante do argentino Marco Trungelliti (#166), que vinha do qualifying: 7/6(4), 3/6, 6/4 e 6/2.

O revés significa uma bela chance desperdiçada para Cilic, que estava numa chave em que enfrentaria Troicki na terceira rodada e, talvez, Raonic nas oitavas. Não era nada impossível imaginá-lo nas quartas contra Wawrinka – sim, o mesmo Stan que oscilou e quase também deu adeus nesta segunda-feira.

Na chave feminina, Sara Errani, cabeça 16, e Karolina Pliskova, cabeça 17, foram as primeiras a dar adeus. A italiana encerrou uma péssima passagem pelo saibro europeu com derrota por 6/3 e 6/2 para a búlgara Tsvetana Pironkova, enquanto a tcheca foi eliminada de virada pela americana Shelby Rogers: 3/6, 6/4 e 6/3.

A maior pré-classificada a dar adeus foi Roberta Vinci, cabeça 7, que foi rapidamente eliminada por Kateryna Bondarenko (#62) : 6/1 e 6/3. É o fim de uma péssima sequência para a vice-campeã do US Open, que sofreu quedas na estreia também em Madri e Roma.

Vinci estava numa seção bastante acessível da chave, sem grandes especialistas em saibro. Ela lá que estava também Karolina Pliskova. Agora, a “favorita” para alcançar as oitavas é Petra Kvitova, cabeça 10, mas tão imprevisível que requer sempre o uso de aspas para a palavra favorita.

Os sustos

O maior susto do dia veio logo no primeiro jogo da Quadra Philippe Chatrier, com Stan Wawrinka correndo o risco de se tornar o primeiro campeão de Roland Garros na história a ser eliminado na estreia no ano seguinte.

A estratégia kamikaze de Lukas Rosol, combinada com os momentos de inconstância do suíço, deixaram o jogo equlibrado. Quando o tcheco abriu 2 sets a 1, acabou a margem de erro para o campeão, que reagiu bem, vencendo as parciais seguintes. Stan até salvou um break point no começo do quinto set, mas não teve outros sustos na parcial, fechando o jogo por 4/6, 6/1, 3/6, 6/3 e 6/4.

A espanhola Garbiñe Muguruza (#4) também deu susto em seus fãs. Perdeu a primeira parcial para Anna Karolina Schmiedlova (#37) e, por um momento, parecia destinada a dar adeus atacando e errando do começo ao fim do jogo. Schmiedlova, no entanto, perdeu nove break points no primeiro game do segundo set, e Muguruza quebrou na sequência, mantendo a vantagem até o fim da parcial.

No set decisivo, Muguruza quase perdeu uma enorme frente. Sacou em 4/1, mas foi quebrada no sexto game e precisou salvar um break point no oitavo para evitar o empate da rival. No fim, confirmou o favoritismo e fechou em 3/6, 6/3 e 6/3.

Correndo por fora

Kei Nishikori foi o primeiro dos grandes candidatos ao título a entrar em quadra. No domingo, porém, a chuva impediu o término de seu jogo, então o japonês precisou fazer uma aparição rápida nesta segunda. E foi rápida mesmo. Apenas o suficiente para completar o triunfo sobre Simone Bolelli: 6/1, 7/5 e 6/3.

Cabeça de chave 2, Agnieszka Radwanska raramente é colocada entre as favoritas ao título. Seu histórico no saibro não justificaria mesmo. Sua estreia, porém, foi tranquila, fazendo 6/0 e 6/2 sobre Bojana Jovanovski.

Quem também corre por fora e triunfou nesta segunda foi Milos Raonic, que bateu Janko Tipsarevic (lembram dele?) por 6/3, 6/2 e 7/6(5).

Os adiamentos

Por causa da chuva – sim, ela de novo – a rodada começou com 2h30min de atraso. Quando os primeiros tenistas entraram em quadra, a organização já tinha decidido transferir 12 partidas: Cornet x Flipkens, Ivanovic x Dodin, Svitolina x Cirstea, Suárez Navarro x Siniakova, Jankovic x Maria, Rodionova x Konjuh, Zheng c Xibulkova, Cuevas x Kamke, Townsend x Hesse, Nara x Allertova, Wang x Andrianjafitrimo e Chung x Halys.

Dominika Cibulkova, aparentemente, aproveitou bem a folga.

Ao fim do dia, outros jogos interrompidos: Pouille vencia Benneteau por 2 sets a 1, Isner e Millman empatavam após dois tie-breaks, Doi liderava o segundo set contra Stosur após a australiana vencer a primeira parcial, Voskoboeva e Zhang ainda estavam em 5/5 no primeiro set, e Ekaterina Makarova liderava por 4/1 e saque o terceiro set contra Varvara Lepchenko.

Lances bacanas

A imagem não ajuda, mas fica o registro do impressionante backhand de Rogerinho, defendendo um smash cruzado de Simon e atacando na paralela para conseguir uma quebra de saque.

Leitura recomendada

Do blog de Diana Gabanyi, ex-assessora de Gustavo Kuerten, chefe de operações de imprensa do Rio Open e que está todos os anos em Roland Garros. No texto de hoje, ela fala sobre como o Slam do saibro vai ficando para trás em comparação com os outros três grandes.

Fanfarronices publicitárias

Em ação publicitária da Centauro chamada “Coisas que só o Marcelo Melo faz”, o número 1 do mundo faz truques com a raquete e a bolinha dentro de uma das lojas. Ótima iniciativa da rede de artigos esportivos.


RG, dia 1: muita chuva e pouco tênis, mas Kyrgios tumultua
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Alexandre Cossenza

Desde que decidiu antecipar seu início para o domingo, criando uma espécie de sessão caça-níqueis extra, Roland Garros sempre guardou as estreias mais importantes para segunda e terça-feira. Não foi diferente este ano. O domingo teve programação enxuta, sem os principais nomes do circuito, e, para piorar, sofreu atrasos enormes e cancelamentos por causa da chuva.

Deu tempo, porém, de Nick Kyrgios discutir com um árbitro de cadeira depois de levar um advertência por gritar com um boleiro. Lembremos, então, o que aconteceu de mais relevante no dia e o que a segunda-feira nos reserva.

Situação aqui em Roland Garros, todas as quadras cobertas por causa das chuvas. #rain #chuva #rg16

A photo posted by Marcelo Melo (@marcelomelo83) on

O susto

A principal cabeça de chave em quadra neste domingo era Petra Kvitova (#12). A tcheca foi a primeira a entrar na Philipe Chatrier e venceu bem no seu estilo: 6/2, 4/6 e 7/5 sobre Danka Kovinic em 2h20min de jogo. E não foi só isso. Kovinic (#57) chegou a sacar para a vitória, com 5/4 no placar no terceiro set. A tcheca, então, venceu três games seguidos e sobreviveu.

Kvitova está numa chave bastante acessível, encabeçada por Roberta Vinci, que vive meu momento. Como escrevi no guiazão, não é nada impossível que a tcheca vá longe em Roland Garros. A ver se os momentos de inconstância irão diminuir daqui para a frente. Sua próxima adversária será Su-Wei Hsieh, de Taiwan.

Os favoritos

Uma das poucas cabeças de chave a completar seu triunfo neste domingo foi a tcheca Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. Após um título em Praga e resultados nada empolgantes em Madri e Roma, Safarova estreou bem, aplicando 6/0 e 6/2 sobre Vitalia Diatchenko (#223). Não foi, porém, um grande teste para a tcheca, que jogou bem, mas foi pouco exigida.

O encrenqueiro

Nick Kyrgios, sempre ele, recebeu uma advertência por conduta antiesportiva porque gritou com o boleiro ao pedir a toalha. Vejam o momento.

Kyrgios argumentou que gritou com o boleiro por causa do barulho da torcida e que não fez nada para merecer a advertência. O australiano perguntou também, se “quando Djokovic empurra um árbitro, está tudo bem.” Veja aqui.

Kyrgios acabou saindo vitorioso, fazendo 7/6(6), 7/6(6) e 6/4 sobre o italiano Marco Cecchinato. Por outro lado, talvez o gesto com o boleiro e a discussão com o árbitro de cadeira deixem todo mundo de olho no australiano. Ele que se cuide.

Os adiamentos

Após múltiplas interrupções e vendo a previsão, o torneio decidiu encerrar o dia mais cedo, pouco depois das 18h locais (normalmente, há jogos com luz natural até as 21h). Entre os jogos em andamento estavam em quadra o japonês Kei NIshikori, que vencia Simone Bolelli por 6/1, 7/5 e 2/1, e o americano Jack Sock, que abriu 2 sets a 0 sobre Robin Haase, mas viu o holandês reagir e empatar o placar. O quinto set começaria quando a chuva voltou.

Entre as mulheres, a partida entre a ex-russa e atual cazaque Yaroslava Shvedova e a russa-de-verdade Svetlana Kuznetsova foi interrompida no terceiro set. Depois de perder a primeira parcial por 6/4, Sveta fez 6/1 e liderava o set decisivo por 3/1. O jogo entre a americana Nicole Gibbs e a britânica Heather Watson também ficou pelo caminho. Gibbs sacava em 2/1 e 40/30 no terceiro set.

Vários jogos também acabaram suspensos antes mesmo de seu início. Entre eles, o de Simona Halep, principal cabeça de chave feminina escalada para o dia. A romena enfrentaria Nao Hibino. Outros jogos transferidos antes do começo foram Chardy x Mayer, Isner x Millman, Dimitrov x Trociki, Stephens x Gasparyan, Basilashvili x Edmund, Lisicki x Cepede Royg e Carballés Baena x Pavlasek.

Os melhores tweets

Micaela Bryan, filha de Bob Bryan, postou no Twitter um “Parabéns a Você'' no piano dedicado a Novak Djokovic, aniversariante do dia. O sérvio número 1 do mundo completou 29 anos neste domingo.

Quem também soprou velinhas (ou não) neste domingo foi Eric Butorac, 35 anos, presidente do conselho dos jogadores da ATP. Sempre bem humorado, Booty aproveitou o tweet do jornalista Simon Cambers, que indagava se todo tenista aniversariante ganhava bolo dos torneios, e respondeu: “Eu te digo no fim do dia.''

Sam Groth, adversário de estreia de Rafael Nadal, pode não ter ficado muito contente com o sorteio da chave, mas manteve o bom humor. No tweet abaixo, o sacador disse que aproveitaria a chuva e plantaria algumas sementes para ver se cresceria grama até terça-feira.

David Ferrer deu uma pista do que vai acontecer nos próximos dias. O tradicional quadro “Road to RG”, no qual tenistas conversam com um motorista no caminho até o torneio, terá Gustavo Kuerten este ano.

O melhor do dia 2

Segunda-feira marca o começo “de verdade” de Roland Garros, com programação cheia e nomes de peso. A começar pelo atual campeão, abrindo o dia na Chatrier. Também na principal quadra de Paris estarão Nishikori, completando sua partida, Radwanska e Murray. A local Alizé Cornet fecha a rodada contra Kirsten Flipkens.

Os dois brasileiros jogam na Suzanne Lenglen, que abre o dia com Muguruza x Schmiedlova. Em seguida, Rogerinho enfrenta Simon e Bellucci encara Gasquet. Ivanovic fecha o dia contra a francesa Oceane Dodin.

Outros jogos interessantes são Raonic x Tipsarevic, abrindo a programação na Quadra 2, onde também será jogado o último set de Sock x Haase. Vale também acompanhar, se possível, Dimitrov x Troicki, que abre o dia na Quadra 3.


Roland Garros 2016: o guia (versão feminina)
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Alexandre Cossenza

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Foram três torneios grandes com três campeãs diferentes – e nenhuma empolgou. Angelique Kerber venceu na chave esburacada de Stuttgart, Simona Halep triunfou no imprevisível torneio de Madri, e Serena Williams passou mal e, assim mesmo, foi campeã em Roma sem derrotar nenhum nome de peso.

Assim sendo, sem ninguém se impor como favorito, é de se esperar certo equilíbrio e uma das edições mais imprevisíveis de Roland Garros nos últimos anos. Vale a ressalva, claro, de que quando há equilíbrio no papel, o favoritismo é da número 1 do mundo e atual campeã, Serena Williams.

No podcast Quadra 18, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu debatemos a (quase nenhuma) importância dos três grandes torneios femininos que antecedem o Slam do saibro. Agora chega a hora de ver aqui no guiazão o quanto o sorteio da chave feminina afetou as chances das tenistas em Roland Garros.

As favoritas / Quem se deu bem

Se ninguém se destacou do pelotão, o favoritismo default é de Serena Williams, que não precisaria fazer nada especial para ocupar esse posto. E o sorteio, embora não tenha sido o melhor possível para a americana, não lhe colocou diante de ninguém que venha jogando espetacularmente. Sim, é bem verdade que seu quarto da chave é rico em nomes de peso como Ivanovic, Cibulkova e Azarenka, mas nenhuma mostrou tênis recentemente para derrubar a americana.

No papel, o grande jogo aqui seria nas quartas de final contra Vika, mas a bielorrussa vem de um WO em Madri (enfrentaria Louisa Chirico) por causa de dores nas costas e de uma derrota para Irina Camela Begu em Roma. Não é o mais empolgante dos retrospectos antes de um Slam, certo? Ivanovic, por sua vez, não ganhou dois jogos seguidos no saibro este ano. Seus reveses no piso vieram diante de Karolina Pliskova, Chirico (sim, ela de novo) e McHale.

O outro quarto nessa metade da chave é encabeçado por Angelique Kerber, a cabeça 3 do torneio. A alemã parecia iniciar uma arrancada quando ganhou Stuttgart, mas perdeu duas estreias em Madri (Strycova) e Roma (Bouchard) e viu o vento desaparecer de suas velas. Historicamente, Roland Garros não lhe traz grandes resultados (nunca passou das quartas)

A chave de Kerber não é tão difícil assim, mas tem cascas de banana pelo caminho. A começar pela estreia contra Kiki Bertens, que vem de título em Nuremberg, e por uma possível segunda rodada contra a imprevisível Camila Giorgi (tão imprevisível que pode perder para a local Alizé Lim na estreia). Caso avance, Kerber pode enfrentar Konta ou Keys nas oitavas e, nas quartas, a vencedora da seção que tem Venus, Jankovic, Niculescu e Bacsinszky. Dito tudo isto, Serena é a grande favorita na metade de cima da chave.

A metade de baixo da chave é encabeçada por Agnieszka Radwanska, cabeça 2, mas quase ninguém coloca a polonesa como principal nome por ali. Em seu mesmo quadrante está Simona Halep, vice-campeã de Roland Garros em 2014 e campeã do maluco torneio de Madri deste ano. Aga só alcançou as quartas uma vez em Paris e, mesmo assim, perdeu para Sara Errani. Este ano, chega a Paris nadando contra a maré após derrotas para Siegemund (Stuttgart) e Cibulkova (Madri). Não é difícil imaginá-la perdendo para Strycova na terceira rodada ou mesmo Errani/Stephens nas oitavas.

Halep, por sua vez, enfrentaria provavelmente Ostapenko nas oitavas e Stosur ou Safarova nas quartas. Então, na semi, teria pela frente quem avançar na seção de Radwanska. A romena, ainda que venha de uma eliminação diante de Gavrilova na estreia em Roma, parece a aposta mais segura aqui. Safarova, Stephens, Errani, Strycova e, quem sabe, Stosur correm por fora.

Por fim, o quadrante de Muguruza, que parece o mais equilibrado do torneio. Além da espanhola, cabeça 4, estão por aqui Vinci (na outra ponta da seção), Begu, Pliskova, Kvitova, Kuznetsova, Pavlyuchenkova e Makarova. Difícil fazer previsões, mas Muguruza ainda parece o nome mais consistente – ou menos irregular – por aqui. Em uma semana boa, porém, qualquer dos nomes acima pode avançar. Inclusive Petra Kvitova, que bateu Muguruza em Stuttgart, mas pouco fez em Roma e Madri – volto a falar sobre isso mais abaixo.

A brasileira

Teliana Pereira não deu lá muita sorte. Nem tanto pela estreia, que será contra a tcheca Kristyna Pliskova (#110), a Pliskova menos famosa e que não venceu nenhum jogo no saibro em chave principais de eventos de nível WTA. É bem possível que Teliana, mesmo longe de viver um grande momento (são três vitórias e 13 derrotas em 2016), passe pela tcheca. O problema vem na sequência, em um possível confronto com Serena Williams na segunda rodada.

As ausências

Caroline Wozniacki e Belinda Bencic são grandes desfalques para o torneio, mas a ausência mais sentida será mesmo a de Maria Sharapova. Ainda sem uma sentença definitiva para seu caso de doping, a russa ex-número 1 do mundo teria grandes chances se chegasse em forma a Paris. Não só pelo seu histórico recente, com os títulos de 2012 e 2014 (além do vice de 2013), mas porque poderia aproveitar este momento sem ninguém se destacando no circuito. Seria um nome fortíssimo e, quem sabe, a principal favorita ao título.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Há bons jogos para prestar atenção já na primeira rodada este ano. Olhando de cima para baixo na chave, é possível destacar logo de cara Schiavone x Mladenovic, uma campeã veterana tirando o máximo de seus últimos dias no circuito contra uma tenista da casa em ascensão; Svitolina x Cirstea, uma cabeça de chave diante de uma ex-top 30 que vem do qualifying; e Kerber x Bertens, com a campeã do Australian Open diante de uma adversária perigosa e em belo momento, vindo de um título de nível WTA.

Vale prestar atenção também em Dodin x Ivanovic, com a wild card francesa tentando derrubar uma campeã do torneio – e até porque qualquer partida envolvendo Ivanovic tem potencial de zebra. Meu jogo preferido, porém, é Petkovic x Robson, onde deve sobrar carisma e, infelizmente, faltar tênis.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Normalmente, Petra Kvitova é aquele nome candidato a qualquer título, mas que nós, jornalistas e fãs, acompanhamos atentamente para saber quando será a zebra que derrubará a ex-número 2 do mundo. Desta vez, em Paris, o panorama é um pouco diferente. Kvitova é apenas a cabeça de chave 10 e não vem conseguindo resultados que a credenciem para a lista das principais favoritas.

Ainda assim, a tcheca tem um tênis que, quando encaixa, é imbatível. Se isso acontecer em uma chave bastante acessível, Kvitova pode se ver, de repente, nas quartas de final contra Muguruza e, por que não, nas semifinais. Para isso, teria que possivelmente passar por Karolina Pliskova na terceira rodada e bater quem vier do grupo de Vinci e Begu nas oitavas. Em condições normais, são resultados perfeitamente possíveis – sim, mesmo no saibro. Vale ficar de olho.

Onde ver

A transmissão é do Bandsports, que diz, em suas notícias, que mostrará o evento em “canal e site”. O hotsite do canal para o torneio, no entanto, ainda contém apenas as notícias do ano passado.

Nas casas de apostas

Na bet365, o nome de Serena Williams lidera, mas sua cotação, 3,25/1, indica um favoritismo moderado. O valor significa que quem apostar um dólar na americana receberá de volta 3,25 dólares se ela for campeã. É um favoritismo bem menor do que o de Djokovic, que paga 1,80.

Atrás de Serena vêm Halep (7/1), Azarenka (7,5/1), Muguruza (11/1), Kerber (19/1), Kvitova (26/1), Keys (34/1), Suárez Navarro (34/1), Bacsinzky (34/1) e Safarova (41/1). Teliana Pereira paga 501/1.


Semana 20: o embalo de Stan e o que rolou às vésperas de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

Com Roland Garros começando já neste domingo, o preparo dos guiazões e a edição do podcast Quadra 18, o resumaço da semana sai um pouco mais curto do que o normal, mas ainda lembra dos campeões do período e de quem ganha embalo às vésperas do torneio francês.

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Os campeões

Em condições normais, Stan Wawrinka nem deveria estar em quadra nesta semana, mas as campanha ruins nos Masters de saibro e a chance de jogar em casa o levaram ao ATP 250 de Genebra. O suíço, então, finalmente conquistou um título em seu próprio país. Neste domingo, Wawrinka derrotou Marin Cilic por 6/4 e 7/6(11), com direito a uma bela virada no segundo set, que o croata vencia por 4/1.

Estar em quadra na véspera do início do Slam francês talvez não seja a preparação ideal para o atual campeão de Roland Garros, mas certamente, como a ATP escreveu em seu site, preenche um buraco no currículo do suíço. Além disso, uma sequência de quatro vitórias antes de um evento tão importante não é nada mau.

No ATP 250 de Nice, o título ficou com Dominic Thiem, o rei dos 250. O austríaco, aliás, também venceu o torneio no ano passado. O garotão de 22 anos, #15 do mundo, agora soma seis títulos na carreira: Nice, Umag e Gstaad no ano passado; e Buenos Aires, Acapulco e Nice este ano. De todos esses, Acapulco foi o único fora do saibro e também o único ATP 500. A final deste sábado foi contra o adolescente alemão Alexander Zverev (#48), de 19 anos, e o placar final mostrou 6/4, 3/6 e 6/0.

As campeãs

No WTA International de Nuremberg, Kiki Bertens derrotou Mariana Duque Mariño por 6/2 e 6/2 na final, que durou pouco mais de uma hora. Foi uma campanha interessante da holandesa, que furou o qualifying e derrotou no caminho até o título a cabeça 1, Roberta Vinci, a americana Iriina Falconi (abandono), e alemã Julia Goerges e, por fim, Duque Mariño, responsável por derrotar a cabeça e, Laura Siegemund.

No WTA International de Estrasburgo, a tenista da casa Caroline Garcia deu à torcida motivo para festejar. A francesa derrotou Mirjana Lucic Baroni na final, por 6/4 e 6/1. Foi seu segundo título na carreira. O anterior veio no WTA de Bogotá do ano passado. No caminho até o título, a tenista de 22 anos eliminou Kirsten Flipkens, Jil Belen Teichmann, Sam Stosur (WO), Virginie Razzano e Lucic Baroni.

A cabeça 1, Sara Errani, caiu logo na estreia diante de Monica Puig, enquanto a segunda pré-classificada, Sloane Stephens, venceu um jogo, mas perdeu nas oitavas para a wild card Pauline Parmentier.

Os brasileiros

Para a maioria dos brasileiros, a semana não poderia ter sido pior. No WTA de Nuremberg, Teliana Pereira (#81) foi eliminada na estreia. A algoz foi a alemã Annika Beck (#42), a mesma que já havia sido derrotada pela brasileira duas vezes este ano. A pernambucana agra soma três vitórias e 13 reveses na temporada.

Em Genebra, Thomaz Bellucci defendia o título e não passou da segunda rodada. O paulista chegou a abrir 3/2 e sacar em 40/15 no primeiro set contra Federico Delbonis, mas não fechou nenhum game depois disso. O argentino venceu dez games seguidos e triunfou por 6/3 e 6/0. Com os pontos não defendidos, Bellucci despencou 18 posições no ranking, saindo do top 50 e indo parar em 57º.

Entre os duplistas, o único que entrou em quadra foi André Sá. Ele e Chris Guccione foram derrotados na estreia em Nice. Os algozes foram os suecos Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom, que venceram no match tie-break: 6/2, 5/7 e 10/3.

O breve qualifying brasileiro

No qualifying de Roland Garros, os homens pouco fizeram. Todos acabaram eliminados na primeira rodada. Feijão tombou diante de Andrea Arnaboldi (#174) por 6/3 e 6/2, André Ghem foi superado por Henri Laaksonen (#190) por 7/6(5), 6/7(5) e 6/2, Guilherme Clezar perdeu para Francis Tiafoe (#188) por 1/6, 7/5 e 6/2, e Thiago Monteiro foi derrotado por Ruben Bemelmans (#186) por duplo 6/3.

No qualifying feminino, Paula Gonçalves também perdeu na primeira rodada. Sua algoz foi a holandesa Richel Hogenkamp (#139), que fez 6/3 e 6/4. O único triunfo brasileiro veio com Bia Haddad, que passou pela australiana Olivia Rogowska (#348) por 3/6, 6/3 e 6/4. A paulista, #332 do mundo, foi eliminada na segunda rodada pela americana Jennifer Brady: 6/3 e 6/4.

O doping

A ITF anunciou na sexta-feira que Marcelo Demoliner foi flagrado em um exame antidoping no dia 22 de janeiro, durante o Australian Open. A amostra de urina continha hidroclorotiazida, que faz parte do grupo de diuréticos e agentes mascarantes (aqueles que tornam mais difícil detectar outras substâncias proibidas). Segundo a ITF publicou em seu site, Demoliner admitiu a violação e foi suspenso por por três meses, a contar do dia 1º de fevereiro. O gaúcho perdeu os pontos e o prêmio em dinheiro adquiridos desde o Australian Open.

A chama acesa

Enquanto isso tudo acontecia, Bruno Soares deu um pulo no Brasil para carregar a tocha olímpica em Vitória (ES). Por que Vitória? Porque foi a data que o mineiro conseguiu encaixar em seu calendário antes de embarcar para Roland Garros.

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As desistências

Uma notícia que não se lê todo dia, ou melhor, que nunca se leu antes. Roger Federer decidiu não disputar um Slam. Ainda não recuperado fisicamente, o suíço anunciou que não jogará em Paris. Preferiu não arriscar e disse que, ao não jogar Roland Garros, estará garantindo que poderá atuar pelo resto da temporada e alongar sua carreira. Prometeu voltar nos torneios de grama e disse que estará de volta a Roland Garros em 2017.

Roger Federer é o recordista em Slams disputados de forma consecutiva. Foram 65 deles desde o Australian Open de 2000.

Entre as mulheres, Caroline Wozniacki decidiu não jogar em Roland Garros por causa de uma lesão no tornozelo. Ela se junta na lista de desistências à suíça Belinda Bencic, que vem sofrendo com um problema nas costas.

Fanfarronice publicitária

Na campanha da Peugeot para Roland Garros, Gustavo Kuerten e Novak Djokovic gravaram algumas cenas juntos e, aparentemente, se divertiram bastante nos intervalos. No vídeo abaixo, o sérvio aprende algumas frases em português.


Quadra 18: S02E07
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Alexandre Cossenza

Roland Garros começa neste domingo, e o podcast Quadra 18 está de volta com uma análise da temporada do saibro e das chaves do Grand Slam francês. Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu também falamos das ausências de Roger Federer e Maria Sharapova e damos nossos palpitões para o torneio.

Este episódio tem uma novidade: um quiz sobre o torneio, com participações especiais de João Victor Araripe, do Break Point Brasil, e de Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil. Ficou muito, muito divertido. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo.

Quem preferir baixar para ouvir depois, pode clicar neste link com o botão direito do mouse e, depois, na opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura
0’15” – Sheila apresenta
2’30” – Como os últimos resultados influenciaram as expectativas para RG
3’00” – Faz sentido acreditar que Andy Murray tem chance de ganhar RG?
4’30” – A atuação de Djokovic em Roma e o que tirar disso
6’28” – A posição de Nadal em relação a Djokovic e Murray
7’48” – Em melhor de cinco, quem leva? Nadal ou Murray?
9’23” – A (pequena) expectativa em torno do atual campeão, Stan Wawrinka
11’12” – Serena, campeã em Roma e de volta ao normal
13’25” – Kerber e Halep são as principais concorrentes de Serena em Paris?
13’48” – “Eu acho a Azarenka carta fora do baralho nesse torneio”
14’24” – A falta que a Sharapova faz neste Roland Garros
16’30” – “Cossenza com saudade da Sharapova”
17’20” – Lembranças de como era o mundo antes da sequência de Federer
17’40” – O que Aliny, Sheila e Cossenza faziam em 1999
20’15” – Duplas e a briga pela liderança do ranking mundial
21’43” – O sucesso dos Bryans no saibro em 2016
23’00” – A briga pelo top 10 por causa dos Jogos Olímpicos
25’32” – O doping de Marcelo Demoliner
26’34” – A chave masculina em Roland Garros: quem se deu bem?
26’55” – A seção favorável de Andy Murray
27’48” – O bom caminho de Novak Djokovic
29’50” – A chave de Stan Wawrinka, “uma delícia”
31’45” – Rafael Nadal e o quadrante mais difícil
32’50” – A boa chance para David Goffin
33’55” – Os palpites para a chave masculina: favoritos, zebras e decepções
37’35” – A chave de Serena WIlliams em Roland Garros
39’25” – A seção “ridícula” de Angelique Kerber
40’20” – O quadrante mais forte de Garbiñe Muguruza
41’34” – O caminho de Simona Halep
42’30” – Os palpites para a chave feminina: favoritos, zebras e decepções
45’30” – Quiz Roland Garros com Mário Sérgio Cruz e João Victor Araripe

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Jai Ho (Sukhvinder Singh, Tanvi Shah, Mahalaxmi Iyer e Vijay Prakash).


Roland Garros 2016: o guia (versão masculina)
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Alexandre Cossenza

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Equilíbrio, pero no mucho. Com Rafael Nadal campeão em Monte Carlo, Novak Djokovic levantando o troféu em Madri, e Andy Murray conquistando o território romano, é de se imaginar que está “tudo aberto”, como gostam de dizer por aí, em Roland Garros 2016. Na prática, não é bem assim. O número 1 do mundo, mais consistente entre os três, ainda é o nome mais cotado.

Qualquer coisa que seja um título de fora deste trio será uma grande surpresa. Até mesmo se o imprevisível e imprevisivelmente genial Stan Wawrinka tirar da cartola mais duas semanas espetaculares e repetir a façanha de 2015. E quem corre por fora, além de Wawrinka? Kei Nishikori e Dominic Thiem são os primeiros nomes na cabeça de quase todos. Milos Raonic não pode ser totalmente descartado, ainda que o piso não lhe seja o mais favorável.

O porquê do favoritismo de Djokovic e a lista de nomes que podem surpreender nas próximas semanas é o que tenta avaliar este guiazão da chave masculina. Role a página, leia e faça sua previsões se quiser.

Os favoritos / Quem se deu bem

Soa paradoxal afirmar que Novak Djokovic teve um sorteio favorável ao mesmo tempo em que o sérvio caiu do mesmo lado de Rafael Nadal na chave. Só que o número 1 do mundo parece ter um caminho bastante tranquilo até a semi, o que lhe permite tempo para calibrar os golpes, testar táticas e poupar o corpo. Depois da estreia contra Lu, Djokovic pega Ilhan/Darcis na segunda rodada, e Delbonis/Carreño Busta/Melzer/Bedene na terceira. Nas oitavas, encara quem avançar no grupo que tem Bautista Agut, Tomic, e Coric. Enfim, nas quartas, seus adversários mais perigosos em potencial seriam Ferrer, Berdych, Feliciano e Cuevas. Há que se considerar e ressaltar aqui o mau momento de Ferrer e Berdych, que contribui bastante para abrir o caminho ao sérvio.

Nadal tem uma rota mais turbulenta, que pode incluir Fognini já na terceira rodada, Thiem nas oitavas e Tsonga/Goffin nas quartas. Nada disso, porém tira – até as semifinais – o favoritismo do eneacampeão (tente escrever isso sem parar pra pensar em incluir um ponto de exclamação em algum lugar) !!! (Pensei e decidi incluir assim mesmo). O grande ponto de interrogação aqui é sobre o quanto Nadal conseguirá evoluir até as semifinais. Desde Indian Wells, o atual #5 do mundo vem crescendo e se mostrando mais sólido a cada dia. O duelo de Roma, contudo, mostrou que ainda falta algo para construir uma ameaça real a Djokovic. Os próximos dez dias serão fundamentais, e é até possível que a chave mais dura ajude Nadal nessa tarefa.

Entre os três principais cabeças, eu escolheria a chave de Andy Murray como a minha preferida. Um pouco porque Wawrinka, o cabeça mais forte dessa metade, não deu indícios até agora de que chegará à semifinal, mas também porque o único adversário real para o britânico até lá parece ser Kei Nishikori. É bem verdade que Murray pode ter um daqueles dias pavorosos e ficar pelo caminho enquanto esbraveja consigo mesmo dentro de quadra, mas não é isso que os últimos torneios sugerem. Também ajuda o fato de que Gasquet e Kyrgios caíram no mesmo quadrante do japonês. Assim, o britânico só enfrentará um deles.

Por fim, Wawrinka não deu azar. Se aprumar seu jogo a tempo, tem boas chances de ir longe em um caminho que tem Rosol na estreia, Klizan/Daniel na segunda rodada e possivelmente Chardy ou Mayer na terceira. Seu adversário de oitavas sai do grupo que tem Simon, Troicki, Dimitrov e Pella. Se chegar às quartas, Stanimal enfrentaria o “campeão” do setor de Raonic, Cilic, Pouille e Sock. Não parece nada ruim, certo? É como se o sorteio mandasse um “me ajuda a te ajudar” para o suíço. Resta saber se Wawrinka vai conseguir fazer o dever de casa.

Os brasileiros

Como ninguém venceu nem um jogo no quali, o Brasil começa a chave principal com Thomaz Bellucci e Rogerinho. O sorteio não foi nada generoso. O número 1 do Brasil enfrenta Richard Gasquet, cabeça 9, logo de cara. Se vencer, tem um bom jogo contra o vencedor de Querrey x Fratangelo antes de, quem sabe, duelar com Nick Kyrgios na terceira rodada. Há muito em jogo na partida de estreia.

O primeiro de Rogerinho será contra Gilles Simon, o cabeça de chave 16. Um dos maiores azarões do evento (vide cotações no fim do post), o número 2 do Brasil enfrentará Schwartzman ou Pella se passar por Simon. Em uma eventual campanha até a terceira rodada, o rival deve ser Dimitrov ou Troicki.

A grande ausência

Depois de 65 Slams disputados de forma consecutiva, Roger Federer ficará fora de Roland Garros. Recuperando-se de uma lesão nas costas (é, pelo menos, a versão oficial, embora há quem suspeite do joelho operado), o suíço optou por não jogar no saibro francês e voltar na temporada de grama.

A decisão faz todo sentido do mundo. Mesmo em 100% de condições, Federer não seria favorito ao título. Sem estar em um momento ideal fisicamente e sem fazer uma preparação adequada na terra batida, não há por que o suíço se desgastar em jogos melhor de cinco sets. Com o currículo que tem, Federer não tem motivo para se preocupar com o ranking ou com pontinhos aqui e ali.

Sua meta é conquistar torneios grandes, e sua melhor chance de vencer um Slam continua sendo Wimbledon. Jogar em Roland Garros agora poderia agravar a lesão e, aí sim, prejudicar sua participação no Slam da grama.

Os melhores jogos nos primeiros dias

São vários os duelos interessantes logo na primeira rodada em Roland Garros. Que tal Bellucci x Gasquet de saída? Ou Almagro x Kohlschreiber, outro jogo com enorme potencial? A lista de jogos imperdíveis ainda inclui Dimitrov x Troicki, Raonic x Tipsarevic, Fritz x Coric, Tomic x Baker e, se você gosta de jogo típico de saibro, vale ficar ligado em Schwartzman x Pella.

Entre os jogos envolvendo favoritos, não dá para descartar a possibilidade de zebra, ainda que pequena, em Wawrinka x Rosol, e o duelo entre Murray e Stepanek deve render meia dúzia de lances bacanas de conferir.

O que pode acontecer de mais legal

Por não ser cabeça de chave, Alexander Zverev ficou quase escondido no quadrante que tem Rafael Nadal. Se confirmar seu favoritismo contra Herbert na estreia, o alemão de 19 anos, #48 do mundo, deve encarar Kevin Anderson na segunda rodada. O sul-africano, vale lembrar, só venceu um jogo no saibro este ano, e Zverev é um grande candidato a zebra aqui. Se vencer, pode até reencontrar Dominic Thiem, contra quem decide o título de Nice neste sábado. Será?

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

Adoro escalar Marin Cilic para esta seção dos guias de Slams, em parte porque o croata costuma ser subestimado por muitos. Neste caso, porém, Cilic está fora do radar porque não fez nenhum torneio no saibro até esta semana, em Genebra. Só que a campanha em Genebra, que inclui uma vitória na semifinal sobre Ferrer (que está em péssima fase, é verdade) e uma decisão contra Wawrinka, pode ser um indício de algo interessante em Paris. O campeão do US Open de 2014 caiu em uma seção não tão dura (o mesmo quadrante de Wawrinka) e pode muito bem ir mais longe do que muita gente está prevendo.

Um raciocínio parecido pode se aplicar a Jack Sock, que pode encarar Cilic na terceira rodada. O americano, dono de um top spin considerável no forehand, tem resultados interessantes no saibro em 2016 (final em Houston, oitavas em Madri) e, na semana certa, tem potencial para aprontar. Por enquanto, é difícil imaginá-lo perdendo antes da terceira rodada. Se vencer esse jogo, deve encarar Raonic nas oitavas. Não seria a maior zebra do mundo se conseguisse dar mais esse passo.

Onde ver

A transmissão é do Bandsports, que diz, em suas notícias, que mostrará o evento em “canal e site”. O hotsite do canal para o torneio, no entanto, ainda contém apenas as notícias do ano passado.

Nas casas de apostas

O favoritismo de Novak Djokovic é amplo. Na bet365, um título do número 1 do mundo paga 1,80/1, ou seja, o apostador que investir um dólar receberá 1,80 de volta se Nole for campeão. Andy Murray (5/1) e Rafael Nadal (5,50/1) vêm logo atrás. O top 10 de favoritos ainda tem, na ordem, Wawrinka (13/1), Nishikori (21/1), Thiem (41/1), Kyrgios (67/1), Tsonga (67/1), Raonic (67/1) e Berdych (81/1). Apenas a título de curiosidade, Bellucci paga 501/1, enquanto Rogerinho paga 2001/1. Os maiores azarões são Rajeev Ram e Brian Baker, ambos cotados em 3001/1.

Na Betfair, as cotações na tarde desta sexta-feira eram assim: Djokovic (1,91), Murray (5,1), Nadal (7,4), Wawrinka (16,5), Nishikori (30), Thiem (70), Kyrgios (85), Tsonga (140), Ferrer (160) e Goffin (250).

O guia feminino

Com tanta coisa para analisar, pesquisar, escrever e editar, não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá uma edição especial pré-RG cheia de palpites. Temos até um quiz desta vez. Então, segurem suas calças porque muita coisa ainda vai rolar por aqui. Até o próximo post!


Semana 19: Andy, Serena e as cartas embaralhadas antes de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

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O aniversariante Andy Murray foi campeão em um grandíssimo Masters 1.000 de Roma, Serena Williams voltou a levantar um troféu e brasileiros como Thomaz Bellucci, Teliana Pereira e Rogerinho viveram bons momentos na última semana.

Este resumaço dos últimos dias no circuito inclui Serena Williams experimentando comida para cachorro, a linda homenagem a Flavia Pennetta, (mais) um anúncio de Juan Martín del Potro, uma discussão entre Stan Wawrinka e Carlos Bernardes, a chave do qualifying masculino de Roland Garros e alguns dos lances mais bacanas do período.

O campeão

Aniversariante do dia, vindo de um vice em Madri e com uma chave fraquíssima em Roma, Andy Murray aproveitou a janela que se abriu. O escocês completou 29 anos e comemorou duplamente após derrotar Novak Djokovic por duplo 6/3 na final do torneio italiano.

O resultado quebrou uma sequência de 17 triunfos do número 1 do mundo contra top 10 e deixou tudo meio que embaralhado no circuito masculino antes de Roland Garros. Afinal, em Monte Carlo, Murray perdeu de Nadal, que em Madri perdeu de Djokovic, que perdeu de Murray em Roma. No papel, o favorito segue sendo o sérvio, mas seria irresponsável não admitir que espanhol e britânico estão fortes na briga.

O título pouco afetou porque, na prática, Murray voltou para a vice-liderança do ranking quando Roger Federer foi derrubado por Dominic Thiem. Agora, no entanto, é oficial: o escocês soma 8.435 pontos no ranking e tem boa vantagem sobre o suíço, #3, que acumula 7.015.

Aliás, ainda paira dúvida sobre a participação de Federer no Slam do saibro. Depois de desistir de Madri e não se mostrar totalmente recuperado em Roma, o ex-número 1 pode precisar escolher e decidir que estar em Roland Garros prejudicará sua preparação para Wimbledon. É na grama do All England Club, afinal, que o suíço tem mais chances de voltar a triunfar em um Major.

A campeã

No Premier 5 de Madri, Serena Williams voltou a vencer um torneio. Foi a 70ª vez em sua carreira, mas é bom lembrar que veio em uma chave esburacada. No caminha até o título, a número 1 superou Friedsam, McHale, Kuznetsova, Begu e Keys. Angelique Kerber, cabeça 2, perdeu na estreia para Eugenie Bouchard, que, por sua vez, perdeu para Strycova na rodada seguinte. Não por acaso, foi campeã sem perder nenhum set.

Just won title number 70 today in Rome… 70 never felt better

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Apesar do eterno favoritismo de Serena, o circuito feminino também é uma incógnita. Victoria Azarenka saiu de Roma com dores nas costas, e ninguém mais mostrou consistência suficiente para se colocar acima do pelotão-pós-Serena. Do grupo que tem Kerber, Halep, Muguruza, Kvitova, Radwanska e Pliskova (será que ela merece lugar aqui?), tudo pode acontecer.

A número 1 no banheiro

Serena Williams contou a história via Snapchat. Pediu o cardápio de comidas para seu cachorro, achou a comida com uma cara boa e decidiu provar. No fim das contas, foi parar no banheiro achando que ia desmaiar. A coletânea de “snaps” foi parar no YouTube.

Pelo menos a número 1 do mundo entrou em quadra bem de saúde o suficiente para derrotar a compatriota Christina McHale por 7/6(5) e 6/1.

A briga pelo número 1

A disputa pela liderança do ranking de duplas está quentíssima. Marcelo Melo resiste na frente, mas terá a dura tarefa de defender o título de Roland Garros nas próximas semanas. Logo atrás dele estão Nicolas Mahut, Jamie Murray e Horia Tecau. Quem será que sairá de Paris no topo?

Os brasileiros

O grande nome da semana foi Thomaz Bellucci, que deu sorte na chave e, enfim, aproveitou chances. Primeiro, ao derrotar um Gael Monfils em um dia pavoroso. Depois, batendo Nicolas Mahut, que vinha de aprontar uma zebra sobre Pablo Cuevas. E, por último, em uma bela apresentação contra Novak Djokovic. Bellucci aplicou um pneu no set inicial (o sérvio não sofria um 6/0 desde Cincinnati/2012, diante de Federer) e não venceu porque o número 1, um tanto errático na primeira parcial, se aprumou a tempo. No fim, Djokovic fez 0/6, 6/3 e 6/2.

Teliana Pereira voltou a ganhar uma partida e, mais uma vez, sobre Annika Beck. A alemã foi a vítima de duas das três vitórias da brasileira em 2016. Em seguida, valendo vaga nas oitavas de final, Teliana foi superada em dois sets pela espanhola Carla Suárez Navarro, #11, por 6/1 e 7/5. De positivo, a brasileira leva os pontos e uma bela reação na segunda parcial, na qual chegou a estar atrás por 5/1. Depois de começar a semana no 90º posto, Teliana aparece agora em 81º.

No circuito Challenger, Rogerinho foi campeão em Bordeaux (US$ 100 mil) ao bater o americano Bjorn Fratangelo por 6/3 e 6/1 na final. Os 100 pontos conquistados jogam o paulista para o alto, subindo nove posições no ranking e indo parar no 85º lugar. O post deixa Rogerinho perto da zona de classificação para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Roland Garros será a última chance para somar pontos e se colocar entre os 56 primeiros do ranking olímpico (que respeita o limite de quatro atletas por país e exige participação na Copa Davis). Levando em conta os nomes que já anunciaram que não vão ao Rio de Janeiro, a chance de Rogerinho nem é tão pequena assim…

Thiago Monteiro, André Ghem e Feijão também estavam em Bordeaux. Feijão não passou do quali, Monteiro perdeu nas oitavas e Ghem caiu nas quartas.

No mundo dos ITFs femininos, Paula Gonçalves e BIa Haddad disputaram o torneio de Saint-Gaudens, na França. Bia furou o quali, mas caiu na estreia. Paula foi mais longe e só parou nas semifinais, superada pela grega Maria Sakkari, cabeça de chave 2 do evento. A russa Irina Kromacheva foi campeã.

Por fim, no ITF de La Marsa (US$ 25 mil), Laura Pigossi furou o qualifying sem jogar (era cabeça 1 numa chave de 16 com 15 participantes e oito vagas na chave), e foi eliminada por uma tenista que jogo o quali. A algoz foi a cazaque Galina Voskoboeva, que aplicou 6/1 e 6/4.

A separação

A grande notícia da semana foi a separação de Andy Murray e sua (ex) técnica, Amélie Mauresmo. O anúncio veio logo na segunda-feira, sem dizer de quem tinha sido a decisão. Pouco depois, o Daily Mail publicou as primeiras frases do tenista sobre o assunto. O escocês disse que não estava dando certo porque os dois vinham passando pouco tempo juntos (Mauresmo teve filho recentemente). Leia aqui, em inglês.

A homenagem que faltava

Quando disputou seu último jogo oficial, no fim do ano passado, Flavia Pennetta pegou a raqueteira e deixou a quadra. Sem cerimônia, sem vídeo no telão, sem muito obrigado… Nada. O torneio de Roma não deixou passar e fez a homenagem que a campeã do US Open merecia. A WTA publicou um vídeo com 28 minutos do que aconteceu na terça-feira, na capital italiana.

O mal-entendido

Mais uma polêmica envolvendo um tenista top e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. O juizão aplicou uma advertência no tenista suíço por “obscenidade audível”, mas Stan ficou furioso. Segundo o campeão de Roland Garros, a frase que Bernardes pensou conter um “fuck” foi, na verdade, “why do we practice so much?”. Wawrinka ainda perguntou “você quer ver a câmera e ouvir?” e “como você pode me dar uma advertência por isso?”

Bernardes disse que ouviria a gravação e que, se estivesse errado, pediria desculpas e Wawrinka não seria multado. O suíço, que havia perdido o primeiro set, só perdeu mais dois games depois da discussão e derrotou o francês Benoit Paire por 5/7, 6/2 e 6/1, avançando às oitavas de final.

Sem Roland Garros

Juan Martín del Potro não disputará o Slam do saibro. Em mensagem aos fãs, o argentino disse que “por causa da evolução mostrada nas últimas semanas”, conseguirá pela primeira vez jogar um grupo de torneios em sequência. Por isso, começará logo os treinos na grama. Delpo não confirmou os torneios, mas disse que espera terminar a série juntando-se ao time da Copa Davis.

Soa um tanto estranho quando um tenista diz que houve “evolução” em uma condição física e que vai poder fazer uma sequência de torneios, mas, ao mesmo tempo, acha melhor desistir de um evento tão importante. Resta torcer para que Del Potro esteja falando a verdade e que, no futuro, não precise mais deixar de competir em um Slam.

Lances bacanas

Era só um treino, mas Gael Monfils consegue transformar tênis no concurso de enterradas da NBA…

Na curiosa partida entre David Ferrer e Filippo Volandri, aconteceu este ponto maluco que nem tento descrever. Veja abaixo.

Volandri, que começou a semana como #203 e precisou passar pelo qualifying em Roma, não jogava uma chave principal de nível ATP desde Gstaad/2014. Aos 34 anos, o italiano não vence um jogo neste nível desde Buenos Aires/2014, quando bateu o qualifier Christian Garin. Já são 13 derrotas consecutivas, incluindo o revés diante de Ferrer, #9, por 4/6, 7/5 e 6/1.

As opções eram muitas no jogaço de quartas de final entre Djokovic e Nadal, mas que tal lembrar do ponto que decidiu o primeiro set?

A melhor história

Não é a melhor, mas talvez seja a mais curiosa. A revista americana Sports Illustrated perguntou a tenistas, técnicos, blogueiros e todo tipo de gente envolvida com o tênis se não seria melhor um sistema diferente de pontuação. A publicação sugere uma contagem em que cada set seria até 24 pontos, mais ou menos como em um enorme tie-break. A ideia é se desfazer do sistema de games. Você pode ler a repostagem aqui, em inglês.

A maioria não foi a favor, mas muitos ficaram intrigados com as mudanças que um novo sistema de pontuação provocaria no tênis. É, também o meu caso, embora eu ache os argumentos usados pela Sports Illustrated fraquíssimos.

Os posts da semana

Dois momentos marcantes do Masters 1.000 de Roma foram o pneu aplicado por Bellucci sobre Djokovic e o jogaço entre o número 1 do mundo e Rafael Nadal. Sobre o brasileiro, escrevi sobre o que chamo de sua “luta interna” neste post. Quando à suposta final antecipada (para alguns), escrevi sobre o significado daquele duelo para sérvio e espanhol neste texto aqui.

O qualifying francês

Enquanto alguns tenistas disputam os últimos ATPs antes de Roland Garros, a turma do qualifying entra em quadra já nesta semana. Entre eles estão Feijão, Ghem, Monteiro e Clezar. Veja a chave inteira aqui.

Tênis por WhatsApp

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O pneu e a luta interna de Thomaz Bellucci
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Alexandre Cossenza

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No fim das contas, não teve valor prático. Thomaz Bellucci fez 6/0 sobre Novak Djokovic no primeiro set do duelo nas oitavas de final do Masters 1.000 de Roma, mas foi o número 1 do mundo que se classificou à fase seguinte, triunfando por 0/6, 6/3 e 6/2. É justo dizer que a atuação deu certa confiança ao número 1 do Brasil. Não é todo dia que o sérvio perde seis games seguidos. Por outro lado, também é justo dizer que Bellucci deixaria a quadra com a mesma dose de ânimo se tivesse perdido por 6/7, 6/3 e 6/2, desde que mostrasse um bom nível de tênis – como fez na quinta-feira, na capital italiana.

Há, no entanto, o que tirar daquele primeiro set, que durou pouco, mas apontou alguns caminhos que Bellucci já se recusou a tomar em momentos anteriores de sua carreira. Nos 25 minutos que duraram aqueles seis games, o brasileiro executou apenas duas bolas vencedoras, mas mostrou consistência e bolas profundas enquanto Djokovic cometia erro após erro. A questão é que o número 1 do mundo não perdeu o set sozinho. Foram muitas falhas, é verdade, mas elas vieram em boa parte porque Djokovic não teve muitas opções para atacar sem correr riscos e, principalmente, porque Bellucci não forçou o jogo além do necessário contra um rival de peso.

E aí está um ponto que deveria ser mais levantado por quem acompanha o paulista. Toda vez que enfrenta um rival de nível reconhecidamente superior, Bellucci arrisca menos, aceita trocas de bola mais longas e ataca com mais inteligência, dando pouquíssimos pontos de graça. É diferente de quando Bellucci se vê diante de oponentes de menor calibre. Em muitos desses jogos, o brasileiro não mostra a paciência necessária para alongar trocas e esperar um momento melhor para atacar. Quando joga contra um rival com menos peso de bola, Bellucci força o jogo, muda a direção com mais frequência e corre mais riscos, buscando definir os pontos em momentos que não são necessariamente os mais adequados. Logo, erra mais, dá pontos de graça e estimula a tática que muitos no circuito adotam contra ele: longas trocas à espera de erros não forçados. É muito por isso – também – que Bellucci soma no currículo tantas derrotas diante de adversários de nível inferior.

Foram poucos os momentos na carreira em que Bellucci resolveu colocar todas fichas em sua consistência. Era assim que Larri Passos desejava que seu então pupilo atuasse e foi assim que o paulista derrotu Andy Murray e Tomas Berdych para alcançar as semifinais do Masters 1.000 de Madri em 2011. Foi naquele ano e jogando assim, lembremos, que o brasileiro esteve perto de eliminar Novak Djokovic, que vinha invicto na temporada. Bellucci acredita que a parceria com Larri e o estilo de jogo mais paciente – ou “pagando para ver'', como o próprio atleta descreve – não trouxe resultados consistentes. Em nossa conversa no início deste ano, afirmou que “não foi um ano'' bom aquele vivido com o ex-técnico de Gustavo Kuerten. Por isso, decidiu mudar.

Trocando em miúdos, Thomaz Bellucci não acredita que essa tática lhe dê resultados. Querer que ele jogue sempre assim, com mais paciência, é pedir para que o número 1 do Brasil viva um conflito interno a cada ponto. É como se a cada giro da bolinha vindo da quadra adversária a matemática trocasse sopapos com a vontade louca de disparar um winner. Uma luta louca como WWE, com um vencedor diferente a cada minuto e que resulta em atuações e resultados inconsistentes. Um combate equilibrado como Rocky vs Apollo e, aparentemente, igualmente eterno.


O que significou o espetacular Djokovic x Nadal em Roma?
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Alexandre Cossenza

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Foi a melhor partida da semana e, possivelmente, a melhor de 2016 no saibro. Novak Djokovic, vindo de um título em Madri, contra Rafael Nadal, cada vez mais afiado na temporada europeia de saibro. O resultado final – 7/5 e 7/6(4) para o sérvio – pode ser visto de algumas maneiras. Por um lado, apenas estendeu a série de vitórias do número 1 sobre o espanhol. Agora são sete triunfos consecutivos, com 15 sets vencidos e nenhum perdido. Por outro, mostrou um Nadal mais competitivo – foi o mais duro dos sete jogos – e mais perto de seu melhor nível. Como, então, devemos analisar as consequências do duelo de Roma?

Pelo lado de Djokovic, trata-se de mais uma vitória extremamente relevante no circuito. O sérvio, afinal, tinha muito mais a perder no confronto. Um revés poderia (ou não, claro) abalar sua confiança às vésperas do torneio que é o mais importante de seu calendário. Roland Garros é o grande título que lhe falta, então cada pequeno ingrediente dessa receita que leva forma técnica, preparo físico e força mental, entre outros temperos, torna-se realmente importante.

Mas não é só isso. O número 1 do mundo sai de quadra com uma noção melhor de quem é o Nadal de agora. E, como todo bom gato escaldado, Djokovic também sabe que chegar a Paris com vitórias nos Masters 1.000 não significa tanto assim. Em 2014, por exemplo, bateu Nadal em Roma, mas perdeu a final do Slam do saibro para o espanhol. Todo cuidado é pouco.

Nadal era quem realmente tinha a ganhar com a partida e dá até para dizer que, apesar da derrota, o espanhol sai mais forte de Roma. Primeiro porque apesar do ótimo momento no saibro, que começou em Monte Carlo, ainda lhe faltava o maior dos testes. A partida contra Djokovic aconteceu, e o espanhol saiu da quadra sabendo precisamente onde está no circuito e no que ainda precisa evoluir.

Além do mais, Nadal passou tanto tempo sem jogar nesse nível altíssimo de tênis que a falta de vivência recente nesses momentos lhe custou pontos cruciais – como os cinco set points na segunda parcial. Passar por isso em Roma fez bem. Ele mesmo admitiu isso depois do jogo e comemorou o fato de ter feito uma belíssima partida contra Djokovic sem fazer nada “ultraespetacular” (leia aqui).

O que eu acho disso tudo? Djokovic ainda é o claro favorito para Roland Garros, mas neste momento não consigo imaginar Nadal perdendo de nenhum outro tenista em um duelo melhor de cinco sets (deixo para comentar Murray em outro momento). Mais um encontro em Paris seria fantástico em qualquer que seja a fase – até porque o mais memorável dos jogos entre eles lá aconteceu em uma semifinal.

E as cotações?

Nada mudou. Ou melhor, quase nada. Djokovic continua como favorito, e Nadal segue sendo o segundo mais cotado nas casas de apostas. No dia 21 de abril, publiquei aqui no blog que um título do sérvio pagava 1,66/1 na Bet365. Significa que o apostador recebe US$ 1,66 para cada dólar apostado. Enquanto isso, uma conquista de Nadal pagaria 4/1. Hoje, depois da final de Roma, as cotações na mesma casa são, respectivamente, 1,72/1 e 4/1.

Trocando em miúdos, não houve nenhuma alteração relevante. Talvez haja depois da divulgação da chave de Roland Garros, mas aí é outra história. Não caberia uma comparação 100% justa.

No ranking

O resultado do jogo desta sexta-feira também significa que Nadal não será um dos quatro principais cabeças de chave no Slam do saibro, o que pode ocasionar um novo duelo como Djokovic nas quartas. A não ser, é claro, que Roger Federer não melhore da lesão nas costas e decida não jogar em Paris. Neste caso, Wawrinka subiria para cabeça três e Nadal só enfrentaria o número 1 nas semifinais – na pior das hipóteses. Murray será o número 2 independentemente do resto de sua campanha no torneio italiano.

Bônus track

Desenterrado por Rob Koenig, comentarista do TennisTV, o jogaço entre Rafael Nadal e Guillermo Coria que decidiu o título de Roma em 2005. Serve para muita gente comparar com o tênis atual: 1) a velocidade geral do jogo; 2) a velocidade de Nadal; e 3) o estilo que quase sempre predominou no saibro.

É obrigatório para quem acredita que Nadal só sabia se defender quando venceu Roland Garros pela primeira vez.


Semana 18: Djokovic e Halep vencem, Marcelo volta a #1 e Monteiro sobe mais
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Alexandre Cossenza

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O grande evento da semana aconteceu em Madri, com Novak Djokovic voltando à rotina e Simona Halep vencendo um torneio esburacado. Foi lá também que Marcelo Melo garantiu seu retorno ao posto de duplista número 1 do mundo. Na França, contudo, houve outro brasileiro brilhando: Thiago Monteiro conquistou o forte Challenger de Aix-en-Provence, o maior de sua carreira, e deu um belo salto na lista da ATP.

O resumaço da semana fala sobre tudo isso, mas lembra dos abandonos de Federer e Serena, da gaiatice de Bernard Tomic, da cerveja que Halep distribuiu na sala de entrevistas, da Federação Francesa (que vem sendo investigada) e de uma excelente e reveladora entrevista de Rafael Nadal. O post tem também, claro, vídeos de alguns dos lances mais bacanas dos últimos dias. É só rolar a página…

Os campeões

Novak Djokovic mostrou que a inesperada derrota na estreia em Monte Carlo foi mais um tropeção do que qualquer indício de queda em seu espetacular momento. Na capital espanhola, o número 1 do mundo fez um belíssimo torneio do começo ao fim – inclusive na final, diante de um esforço elogiável de Andy Murray. Por 6/2, 3/6 e 6/3, o sérvio venceu seu 29º Masters 1.000 na carreira.

Murray teve seus momentos e, além de interromper a sequência de 13 vitórias de Rafael Nadal na semifinal, foi o único a tirar um set de Nole em todo torneio. O britânico, vale lembrar, tem 15 vitórias e três derrotas no saibro nas últimas 52 semanas (dois reveses para Djokovic, um para Nadal), e Nadal fez uma semifinal bastante digna, ainda que não tenha aproveitado um punhado de break points.

No ranking (pelo menos), a semana foi boa para Roger Federer, que subiu para #2, embora com o mesmo número de pontos de Murray. Nadal continua como #5 e pequenas chances de superar Wawrinka e chegar a Roland Garros como cabeça de chave número 4 – o que evitaria um confronto com Djokovic antes das semis.

E fica o registro: em Madri, Nole levantou seu 64º troféu na carreira, mesmo número de Bjorn Borg e Pete Sampras. Djokovic fica atrás apenas de Connors, Lendl, Federer, McEnroe e Nadal.

A campeã

O WTA Premier Mandatory de Madri é, no papel, um dos eventos mais fortes do calendário feminino. Na prática, este ano, foi vítima de desistências importantes e palco de resultados nada esperados. O lineup das quartas de final diz bastante: Cibulkova x Cirstea, Chirico x Gavrilova, Halep x Begu e Stosur x Tig.

Quem se deu bem com isso foi Simona Halep (#7), que conquistou o título passando por Doi, Knapp, Bacsinzsky, Begu, Stosur e Cibulkova. E, tirando o pneu sofrido nas quartas, a romena passeou. Não perdeu mais nenhum set, fez 6/2 e 6/4 na final e garantiu seu retorno ao top 5. O torneio também foi bom para Cibulkova, que subirá para #26 e praticamente tem garantida uma vaga de cabeça de chave em Roland Garros.

E que tal a imagem de Halep levantando o nada comum troféu espanhol?

O número 1

Nas duplas, Bruno Soares e Jamie Murray perderam na estreia para Henri Kontinen e John Peers: 6/3, 3/6 e 10/3. O resultado abriu o caminho para que Marcelo Melo recuperasse a liderança do ranking. Com Jamie fora, o mineiro e Ivan Dodig passaram a disputar contra Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert. Quando os franceses foram eliminados na semi, o brasileiro garantiu o retorno ao topo.

Melo e Dodig passaram por Klaasen/Ram, Pospisil/Sock e até tiveram match point na semifinal, mas acabaram derrotados por Rohan Bopanna e Florin Mergea: 7/5, 6/7(4) e 12/10. O título ficou com Jean-Julien Rojer e Horia Tecau, que aplicaram 6/4 e 7/6(5) sobre Bopanna e Mergea na decisão.

Os outros brasileiros

Em Madri, Thomaz Bellucci caiu na estreia diante de Milos Raonic: 7/6(4) e 6/1. A parte curiosa da partida foi ver o canadense no tie-break levantando bola e esperando erros do brasileiro, que deveria ser o tenista mais consistente entre os dois – pelo menos do fundo de quadra. Foi a nona derrota em dez jogos para o brasileiro, que teve seu único triunfo em Munique, graças à desistência do russo Mikhail Youzhny na primeira rodada.

No Challenger de Aix-en-Provence (US$ 100 mil), Thiago Monteiro deu sorte e aproveitou. Estrearia contra Diego Schwartzman, mas o argentino foi campeão do ATP 250 de Istambul na semana anterior e não jogou o Challenger francês. Assim, o cearense avançou na chave, superando David Guez, Julien Benneteau (aquele!), Marek Michalicka e Renzo Olivo antes da decisão. Na final, contra o experiente Carlos Berlocq, conseguiu uma virada, explorando bem o backhand do adversário, e venceu por 4/6, 6/4 e 6/1.

Com a ótima campanha e o maior título de sua carreira, Monteiro, 21 anos, que começou a semana como #189, pulou para #143 e se tornou o #3 do Brasil, deixando para trás André Ghem (#167), Guilherme Clezar (#181) e Feijão (#186). Monteiro, aliás, soma mais pontos que Thomaz Bellucci em 2016. São 342 pontos do cearense contra 225 do paulista, que tem um calendário bem mais exigente e distribui muito mais pontos.

Também no evento francês, Feijão perdeu na estreia para o qualifier croata Nikola Mektic (#321): 7/5 e 6/3. Foi sua quarta derrota nos últimos cinco jogos. Desde a boa campanha em León (foi vice-campeão), perdeu na estreia em Guadalupe, caiu na segunda rodada em São Paulo e foi eliminado na primeira rodada agora, na França. Sua única vitória nos últimos três eventos foi sobre o brasileiro Alexandre Tsuchiya (#698). Rogerinho, por sua vez, parou nas quartas, superado por 2/6, 6/2 e 6/4 por Berlocq. André Ghem caiu nas oitavas (segunda rodada) diante do também argentino Renzo Olivo, que fez 6/1 e 6/2.

No ITF de Cagnes-Sur-Mer (US$ 100 mil), na França, Bia Haddad (#342) conseguiu uma vaga de lucky loser na chave principal e perdeu na primeira rodada para a ucraniana Kateryna Kozlova (#113): 7/6(6) e 6/2.

No ITF de Túnis (US$ 50 mil), Laura Pigossi (#387) tentou o qualifying e venceu dois jogos, mas perdeu na última rodada antes da chave principal. Sua algoz foi a suíça Patty Schnyder (aquela!), que fez 6/1 e 6/4. Hoje com 37 anos, Schnyder, ex-top 10, começou a semana como #451.

O pateta

A “honra” da semana é Bernard Tomic. Ficou surpreso? Não, né? Pois é. Na partida contra Fabio Fognini, com o italiano sacando com match point, o garotão australiano nem quis jogar e segurou a raquete ao contrário, como se fosse rebater a bolinha com o cabo. Foi assim que aconteceu:

Entrevistado pelo Gold Coast Bulletin sobre o momento, Tomic respondeu: “Não me importo com aquele match point – você se importaria se tivesse 23 anos e 10 milhões?” Acho que dispensa comentários.

As desistências

Ser campeão de tudo aos 34 anos não está sendo fácil em 2016. Serena Williams disse que não ia a Madri por causa de uma gripe/virose. Federer, por sua vez, esteve na capital espanhola, mas abandonou na segunda-feira, alegando dores nas costas. Até agora, a americana abandonou quatro eventos neste ano. Federer, por sua vez, deixou de estar em cinco.

Sobre o suíço, escrevi este post na segunda-feira. Eu também tinha feito texto em uma linha parecida sobre Serena Williams umas semanas antes. Leia aqui.

Durante o torneio, o abandono de maior peso foi de Victoria Azarenka, que anunciou sua saída na quarta-feira. A bielorrussa disse ter sentido algo nas costas durante a partida contra Laura Robson, sua estreia no torneio. Vika disse ainda que o incômodo continuou durante a segunda rodada e que não conseguiria competir na quarta-feira. Ela enfrentaria Louisa Chrico nas oitavas de final.

Promessa cumprida

Simona Halep prometeu distribuir cervejas se quatro romenas alcançassem as quartas de final do WTA de Madri. Foi exatamente o que aconteceu. O torneio teve Sorana Cirstea, Irina-Camelia Begu, Patricia Maria Tig e a própria Simona Halep entre as oito que entraram em quadra na quinta-feira. O resultado está no vídeo:

Lances bacanas

Da segunda semifinal de Madri, entre Novak Djokovic e Kei Nishikori. Ilustra bem o que se precisa fazer para ganhar um ponto do número 1 do mundo…

Não foi um lance, mas foi um dos momentos mais emocionantes da semana. Juan Martín del Potro desabou em lágrimas após derrotar Dominic Thiem (#14) por 7/6(5) e 6/3 na primeira rodada do torneio espanhol.

Del Potro, lembremos, vem fazendo seu retorno após seguidas e delicadas cirurgias no punho esquerdo. O argentino, campeão do US Open de 2009, começou a semana passada como apenas o #274 do mundo e disputou o torneio espanhol com ranking protegido.

Kei Nishikori também “estrelou” este ponto fantástico de Nick Kyrgios. O australiano fez um gran willy. Vencedor. De lob.

Sob suspeita

A Federação Francesa de Tênis (FFT), aquela mesma que é sempre citada como exemplo pela CBT, está sendo investigada por suspeita de tráfico de ingressos para o torneio de Roland Garros. Na última terça-feira, a sede da entidade e a casa do presidente, Jean Gachassin, foram alvos de buscas policiais.

A promotoria disse que confiscou “documentos úteis à investigação”, que também avalia o processo de licitação para as obras de expansão do complexo de Roland Garros. A história completa está neste link para o Guardian.

A melhor história

Em Madri, Rafael Nadal concedeu uma bela entrevista ao jornal El Mundo. Na conversa, o espanhol comenta suas sensações em quadra durante o momento ruim (para seus padrões) vivido desde o começo do ano passado até recentemente e fala de como perdeu “o controle” dentro de quadra. Excelente leitura para ajudar a entender o ex-número 1 do mundo. Leia aqui, em espanhol.

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Semana 17: um argentino exemplar e um búlgaro pateta (e Almagro voltou!)
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Alexandre Cossenza

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Cinco torneios pequenos e, mesmo sem os maiores nomes do tênis presentes, muito assunto. Desde o ridículo “abandono” de Grigor Dimitrov em Istambul até o “retorno” de Nicolás Almagro em Estoril, passando por um raro gesto de esportividade protagonizado por Rogerinho. Houve também um forehand voador de Nick Kyrgios, uma bolada de Federico Delbonis em um gato e um processo por injúria. É hora do resumaço da semana, então role a página e fique por dentro.

Os campeões e o idiota

Não dá para ressaltar a conquista de Diego Schwartzman no ATP 250 de Istambul sem, antes, comentar o gesto desprezível de Grigor Dimitrov. O búlgaro, #29, veceu o primeiro set e teve 5/2 no segundo. Sacou para o título no nono game, mas foi quebrado e perdeu a parcial. O argentino, buscando o primeiro título da carreira, disparou no placar. Abriu 5/0 no terceiro set e… Dimitrov enlouqueceu.

Depois de sacar em 40/15 e perder dois game points, o búlgaro, que já tinha sido advertido com um point penalty, foi até o árbitro de cadeira, indicou o que faria e destruiu a raquete. Depois, logo cumprimento o juizão, sabendo que levaria um game penalty e perderia o jogo. Um gesto de frustração, sim, mas de uma deselegância gigante, impedindo que o adversário tivesse o gosto de festejar o match point em seu primeiro título. O vídeo abaixo mostra:

Schwartzman, 23 anos e #87, acabou com o título por 6/7(5), 7/6(4) e 6/0. Seu primeiro troféu em nível ATP o lançou para o 62º posto no ranking mundial e, mais do que isso, deu um recado ao resto do circuito. Se o diminuto argentino, com cerca de 1,60m de altura (a ATP diz 1,70m, mas quem já esteve ao lado do argentino sabe que ele mede bem menos) e nenhum golpe espetacular consegue um título de ATP, muita gente também poderia conseguir.

Era um torneio, digamos, acessível, e Schwartzman aproveitou as chances que o destino lhe jogou. Em vez de reclamar de azar por enfrentar o principal pré-classificado na segunda rodada, colocou na cabeça que Tomic era vulnerável no saibro e entrou em quadra disposto a vencer. Depois disso, bateu Dzumhur, Delbonis e Dimitrov. E tem todos os méritos de qualquer outro campeão.

O ATP 250 de Munique começou com neve (em abril!) e terminou com um campeão caseiro. Philipp Kohlschreiber levantou o troféu depois de superar o austríaco Dominic Thiem (22 anos, #15) por 7/6(7), 4/6 e 7/6(4). Um placar quase redentor para o alemão, que perdeu a decisão do ano passado também em um tie-break de terceiro set – Andy Murray venceu aquele jogo.

Kohlschreiber agora tem sete títulos na carreira. Cinco deles vieram no saibro, e três foram em Munique. Foi lá, aliás, que o alemão – hoje com 32 anos e #25 do mundo após a vitória deste domingo – venceu um torneio pela primeira vez. Foi em 2007, com vitória de virada sobre Mikhail Youzhny na decisão.

Por fim, no ATP 250 de Estoril, Nicolás Almagro “voltou”. O espanhol, hoje com 30 anos, está recuperado de uma cirurgia no pé esquerdo que lhe afundou no ranking em 2014 e lhe fez jogar qualifyings de ATPs e até alguns Challengers. Ao aplicar 6/7(6), 7/6(5) e 6/3 no compatriota Pablo Carreño Busta, Almagro levantou seu primeiro troféu desde 2012.

A conquista não veio sem drama. Almagro sacou duas vezes para o primeiro set e não fechou. Depois, abriu 6/2 no tie-break e perdeu oito pontos consecutivos. Na segunda parcial, sacou em 5/3 e foi quebrado. Mesmo assim, venceu o tie-break, forçou a parcial decisiva e finalmente triunfou. Com os 250 pontos, Almagro ganhou 23 posições no ranking e voltou ao top 50 (é o #48).

As campeãs

No WTA International de Praga, Lucie Safarova encerrou um jejum em grande estilo. Depois de perder na estreia em todos cinco torneios que disputou em 2016, a tcheca se encontrou jogando em casa e levantou o título ao derrotar Sam Stosur por 3/6, 6/1 e 6/4 na final.

Atual vice-campeã de Roland Garros, Safarova (#16) bateu Duque-Mariño, Hradeck, Hsieh e Karolina Pliskova antes da final. E, logo depois, correu para o aeroporto rumo a Madri. O torneio espanhol começou no sábado, e tanto Safarova quanto Stosur tinham a estreia marcada para este domingo.

No WTA International de Rabat, no Marrocos, a suíça Timea Bacsinszky (#15) era a cabeça de chave número 1 e confirmou o favoritismo. Perdeu apenas um set durante toda a semana e levantou o troféu após derrotar a qualifier neozelandesa Marina Erakovic (#186) por 6/2 e 6/1 na final.

Semifinalista de Roland Garros no ano passado, Bacsinszky ainda não tinha um título no saibro na carreira. A conquista em Rabat foi sua quarta em um torneio deste nível.

Os brasileiros

Em Rabat, Teliana Pereira voltou a vencer e bateu a alemã Annika Beck (#41), cabeça de chave 6, na primeira rodada: 6/3 e 6/1. Foi apenas a segunda vitória da pernambucana em 2016 e a primeira contra uma não-brasileira. Nas oitavas, Teliana (#84), caiu diante de Johanna Larsson (#64): 6/4 e 6/4. Como tinha 48 pontos a defender na semana e somou apenas 30, a número 1 do Brasil cai um pouco mais no ranking, indo parar no 89º lugar.

Teliana, aliás, também já foi eliminada do WTA de Madri, que começou no último sábado. Sua algoz foi a americana Sloane Stephens, que fez 3/6, 6/3 e 6/2. A pernambucana agora acumula duas vitórias e 11 derrotas em 2016. No ranking da temporada, ela ocupa apenas o 196º lugar.

Em Munique, Thomaz Bellucci deu sorte na estreia e contou com o abandono de Mikhail Youzhny (#76), que perdia por 6/3 e 1/0 quando deixou a quadra. Nas oitavas, porém, o paulista fez uma partida ruim e perdeu para Ivan Dodig (#75) por 7/6(5) e 6/3. Foi a primeira vez desde abril de 2015 que o croata venceu dos jogos seguidos em uma chave principal de ATP.

Em Estoril, Rogerinho estreou com vitória sobre Benjamin Becker (#92, 6/4 e 6/1) e fez uma boa apresentação nas oitavas, diante de Borna Coric (#40), mas foi eliminado em três sets: 6/3, 4/6 e 6/1. O paulista, que começou a semana como #101 do mundo, ganhou cinco posições e foi parar em 96º.

Na chave de duplas de Munique, Marcelo Melo jogou ao lado do ex-antilhano-agora-holandês Jean-Julien Rojer, apesar de Ivan Dodig, seu parceiro habitual estar nas simples do evento. Fazia frio na estreia, e o mineiro jogou com um coletinho preto de gosto questionável (combinando com short e tênis). Teve até ponto disputado sob neve.

No fim, Melo e Rojer, cabeças de chave 1, foram superados por Oliver Marach e Fabrice Martin: 6/4 e 6/4.

Promessa cumprida

Rafael Nadal prometeu e cumpriu. Na última segunda-feira, entrou na Justiça francesa com um processo contra a ex-ministra do Esporte do país Roselyne Bachelot. No tuíte abaixo, a íntegra do comunicado distribuído a imprensa, que foi amplamente reproduzido no Twitter na segunda-feira. Atenção: está lá o telefone do chefe de imprensa de Rafael Nadal, Benito Pérez-Barbadillo. Quem quiser anotar e bater um papo sobre tênis…

O espanhol também enviou uma carta à ITF, pedindo que a entidade publicasse o resultado de todos testes antidoping a que foi submetido na carreira e toda informação existente em seu passaporte biológico. A entidade, que só divulga os testes em que alguém foi flagrado, resumiu-se a responder à agência Associated Press dizendo que recebeu a carta e que Nadal nunca testou positivo.

Lances bacanas

Em Estoril, Nick Kyrgios conseguiu executar um winner contra Borna Coric com este forehand voador:

Kyrgios venceu a partida por duplo 6/4, mas parou na fase seguinte – a semifinal – diante de Nicolás Almagro, que aplicou 6/3 e 7/5.

A Aliny Calejon, dona do site Match Tie-break, registrou um dos pontos disputados enquanto caía neve na partida de Marcelo Melo em Munique. Olha aí!

Lances não tão bacanas

Em Istambul, um gato invadiu a quadra durante o jogo entre Federico Delbonis e Diego Schwartzman. A solução encontrada por Delbonis foi dar uma bolada no gatinho. Sei não, viu? Não pegou lá muito bem. Tanto que o árbitro de cadeira aplicou uma advertência por conduta antiesportiva.

Nomes na ponta da língua

A WTA resolveu perguntar a suas tenistas como pronunciar os nomes de algumas de suas rivais. O resultado foi esse divertido vídeo abaixo:

A ideia deve ter partido de alguma jornalista querendo vingança, não?

O porta-bandeira

Já era esperado, mas Rafael Nadal foi enfim oficializado como porta-bandeira da Espanha no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Nadal também foi escolhido para carregar as cores do país em Londres 2012, mas não foi aos jogos por causa de uma lesão no joelho. O jogador de basquete Pau Gasol, amigo de Nadal, foi quem substituiu o tenista na cerimônia.

A reforma

Na última terça-feira, Wimbledon divulgou um vídeo mostrando como ficará a Quadra 1 depois de uma grande reforma. A arena terá 900 assentos a mais, além de teto retrátil e iluminação. A obra começará em julho de 2016 e está prevista para terminar antes do torneio de 2019. Veja no vídeo abaixo.

O Slam britânico também anunciou a premiação em dinheiro. Ao todo, serão distribuídos 28,1 milhões de libras, o equivalente a US$ 40 milhões. Os campeões de simples embolsarão US$ 2,9 milhões cada. Nas duplas, o prêmio para quem conquistar os títulos será de US$ 507 mil por time. A lista completa está aqui.

Sob suspeita

Unidade de Integridade do Tênis publicou seu primeiro relatório quadrimestral, e o resultado assusta: o número de alertas em partidas suspeitas de manipulação aumento mais de 50% em relação ao mesmo período em 2015. Listei números e dados neste post publicado na terça-feira.

Acima de qualquer suspeita

Rogerinho sacava em 3/5, 15/30 contra Borna Coric nas oitavas de final de Estoril quando, no meio do ponto, o árbitro chamou “let”. O problema é que a chamada do árbitro ocorreu após o brasileiro bater na bola, que parou na rede. A sequência deixou Coric furioso, esbravejando contra o árbitro. Rogerinho, então, deu o ponto ao adversário, inclusive cedendo um set point. O croata agradeceu. Assistam!

Fica aqui ao agradecimento ao Gaspar Ribeiro Lança, do site Ténis Portugal, que acompanhou a partida e relatou o lance no Twitter.

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Número de partidas suspeitas aumenta mais de 50% em 2016
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Alexandre Cossenza

Cumprindo o recém-assumido compromisso de mais transparência em suas atividades, a Unidade de Integridade do Tênis (TIU, na sigla em inglês) publicou seu primeiro relatório quadrimestral de 2016, e os números não são lá muito animadores – embora nada surpreendentes: de janeiro a março, houve 48 alertas levantados pela indústria de apostas em jogos profissionais. O número significa um aumento de mais de 50% em relação aos 31 alertas recebidos no mesmo período em 2015.

Um “alerta”, segundo a TIU, é um aviso dado por casas de apostas relacionado a atividades suspeitas envolvendo um determinado jogo. Isso pode significar padrões de apostas estranhos (como, por exemplo, um aumento no número de pessoas apostando em um atleta que está prestes a perder o jogo) ou atividades suspeitas. Como o próprio relatório da TIU afirma, não há um padrão para o que é um alerta. Uma casa de apostas pode enviar um alerta, enquanto outra casa pode considerar a atividade relativamente normal em relação ao mesmo jogo.

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O relatório também confirma o que sempre se disse. A maioria desses casos ocorre nos torneios de menor escalão e no circuito masculino. Dos 48 alertas, 12 foram emitidos para jogos do circuito Challenger (ATP) e 24 em Futures (ATP). Outros 10 casos ocorreram em ITFs femininos. Houve também um jogo suspeito no Australian Open (o relatório não diz se masculino ou feminino) e um no circuito WTA.

O documento da TIU lembra que esses 48 alertas ocorreram em 24.110 partidas disputadas no período. Ou seja, a porcentagem de suspeita representa apenas 0,2% do total. Não deixa de ser tranquilizante saber que os casos são raríssimos, embora um aumento de mais de 50% nunca possa ser desprezado.

Coisas que eu acho que acho:

– Ao receber um alerta, a TIU levanta informações relativas à partida em questão e faz uma avaliação para determinar a necessidade de uma investigação completa. Nunca é demais reforçar: um “alerta” está longe de determinar que houve manipulação de resultado. Por isso, nomes não são divulgados. Não há por que levantar suspeitas desnecessárias.

– Também é bom lembrar: a grande dificuldade de estabelecer manipulação de resultado está nas muitas variáveis que estão envolvidas em uma partida, como cansaço, lesões, problemas pessoais e até cotações estabelecidas de forma equivocada por uma casa de apostas. A Unidade de Integridade do Tênis cita especificamente esses quatro fatores em seu relatório.

– O relatório completo está no site da Unidade de Integridade do Tênis.


Semana 16: Nadal e Kerber, campeões em casa
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Alexandre Cossenza

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Em Barcelona, um campeão espanhol. Em Stuttgart, uma campeã alemã. Em Istambul, a primeira turca a conquistar um WTA na história. Em Bucareste, romenos na decisão de duplas. Foram dias interessantes para tenistas da casa (quem dera que tivesse sido assim no Challenger de São Paulo) nos torneios mais importantes da última semana pelo mapa da bolinha amarela.

Só que o eneacampeonato de Nadal e o bi de Kerber nem de longe foram os únicos assuntos. Houve anúncios de suspensões, um boleiro estabanado, um irmão tarado, uma homenagem a um brasileiro e até um match point salvo por baixo das pernas. Quer ficar por dentro? É só rolar a página…

Os campeões

No ATP 500 de Barcelona, Rafael Nadal foi campeão mais uma vez. Foi seu nono título no torneio e veio sem perder sets. O espanhol, aliás, estava em uma chave respeitável e derrotou Granollers, Montañés, Fognini e Kohlschreiber antes de bater Kei Nishikori por 6/4 e 7/5 na final. Ao fim do torneio, pulou na piscina do clube junto com os boleiros (vídeo acima).

Nadal agora soma dez vitórias consecutivas no saibro e, mais do que isso, vem jogando com mais confiança e ganhando cada vez mais pontos importantes – algo que ficou bastante claro diante de Nishikori, que converteu apenas três de 13 break points e sucumbiu nos games decisivos em ambos sets. Era o tipo de jogo que Nadal não vencia no começo do ano – e isso inclui o jogo contra Thiem em Buenos Aires (teve match point) e a partida contra Cuevas no Rio de Janeiro.

O único porém continua sendo o serviço, que foi pressionado diversas vezes por Nishikori, que teve break points em seis games diferentes, e também por Fognini, que conseguiu três quebras em dois sets. Nadal, no entanto, vem triunfando assim mesmo. Será assim também em Madri e Roma? Resta esperar pra ver.

Os números de Nadal no saibro sempre foram assustadores, mas continuam crescendo. O ex-número 1 e atual quito do ranking agora tem nove títulos em Monte Carlo, mais nove em Barcelona e outros nove em Roland Garros. Em Roma, são “apenas” sete. Veja na lista acima.

O ATP 250 de Bucareste só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva incessante no domingo. O título ficou com Fernando Verdasco, que bateu Lucas Pouille por 6/3 e 6/2. “Fazia muito tempo que não vivia isso, ganhar um torneio ou estar em uma final'', disse o espanhol que não conquistava um título desde Houston/2014.

As campeãs

No WTA Premier de Stuttgart, duas alemãs fizeram a final, e a favorita venceu. Apesar de um ótimo começo da qualifier Laura Siegemund (#71), que sacou em 4/2, a consistência de Angelique Kerber (#3) prevaleceu. A favorita venceu dez games seguidos e defendeu seu título por 6/4 e 6/0. O resultado não altera o top 5, que continua com Serena, Radwanska, Kerber, Muguruza e Azarenka.

Laura Siegemund, porém, dá um grande salto, indo parar no 42º posto. Apesar da derrota na final, é possível dizer que tenista de 28 anos foi o grande nome da semana. Ela, afinal, derrubou Simona Halep nas oitavas (6/1 e 6/2), Roberta Vinci nas quartas (6/1 e 6/4) e Agnieszka Radwanska na semi (6/4 e 6/2). E, só por curiosidade, vale apontar que sua tese de conclusão de curso em psicologia era sobre amarelar sob pressão em esportes profissionais.

O modesto WTA International de Istambul ficou esvaziado após os recentes atentados terroristas na Turquia. A lista de inscritas que abandonaram antes do torneio inclui Azarenka, Wozniacki, Giorgi, Van Uytvanck, Watson, Cetkovska, Robson, Shvedova, Hradecka e Falconi.

O lado positivo (também conhecido como “Efeito Floripa”) é que Istambul teve uma tenista da casa na final. Cagla Buyukakcay (26 anos, #118) passou pelas cabeças de chave Lesia Tsurenko e Nao Hibino e chegou à decisão contra a montenegrina Danka Kovinic (#60), cabeça 5. Diante da rara chance, a turca aproveitou e triunfou de virada: 3/6, 6/2 e 6/3. Ela se tornou a primeira tenista do país a vencer um WTA.

Os brasileiros

O brasileiro que foi mais longe na semana foi André Sá. Em parceria com o australiano Chris Guccione, o mineiro chegou à final do ATP 250 de Bucareste e perdeu para a dupla da casa por Florin Mergea e Horia Tecau. A partida, interrompida no domingo ao fim do primeiro set, terminou com parciais de 7/5 e 6/4.

Em Barcelona, Thomaz Bellucci sofreu sua sétima derrota seguida. O algoz da vez foi o alemão Alexander Zverev, #51, que chegou a estar uma quebra atrás no terceiro set. O brasileiro perdeu por 6/3, 6/7(3) e 7/5, dando de graça o último game, quando cometeu quatro erros não forçados em sequência. Zverev fez pouco mais do que colocar a bola em jogo no game. Foi um presente e tanto para o alemão, que completava 19 anos naquele dia.

Nas duplas, também na Catalunha, Marcelo Melo e Ivan Dodig não passaram da estreia e foram derrotados por Pablo Cuevas e Marcel Granollers. Bruno Soares e Jamie Murray venceram um jogo e pararam nas quartas, superados pelos espanhóis Marc e Feliciano López.

No Challenger de São Paulo (US$ 50 mil), a melhor campanha de um brasileiro foi de Thiago Monteiro, que chegou às semifinais e perdeu para o chileno Gonzalo Lama. O cearense, que começou a semana como #201, entra no grupo dos 190 melhores e alcança o melhor ranking da carreira. Na campanha, Monteiro passou pelo equatoriano Emilio Gómez (#325), número 2 do Equador, próximo adversário do Brasil na Copa Davis.

Com o confronto no Brasil diante de um adversário que não mete medo em ninguém, parece a oportunidade perfeita para a estreia de Thiago Monteiro. Fazer seu primeiro confronto em um Zonal sem a responsabilidade de precisar vencer e contra um time fraco é a melhor maneira de fazer uma primeira aparição e sentir o calor de defender o país.

Voltando a São Paulo, quem também parou na semi foi o carioca Christian Lindell, que joga pela Suécia. José Pereira parou nas quartas, e Feijão caiu nas oitavas de final (segunda rodada). Ainda sobre o torneio paulista, vale ressaltar a campanha do americano Ernesto Escobedo, que viajou até o Brasil para disputar apenas um torneio. O garotão de 19 anos foi o sétimo adolescente americano a alcançar uma final de Challenger desde outubro do ano passado. Ao todo, são dez finais de adolescentes americanos no período, já que Taylor Fritz esteve em quatro delas.

Rogerinho, #100 do mundo e #2 do Brasil, apostou no Challenger de Turim, na Itália, e perdeu na primeira rodada para o esloveno Blaz Rola (#160): 7/6(8) e 6/4.

A homenagem

No fundo, no fundo, o brasileiro que mais brilhou na semana foi Thomaz Koch, homenageado no ATP 500 de Barcelona. O torneio lembrou o aniversário de 50 anos do título do brasileiro por lá. Tipo de coisa que entra na categoria “eles têm mais memória do que a gente” (e não me excluo do “a gente”, ok?). Thomaz Koch foi uma referência enorme para mais de uma geração de tenistas brasileiros e é importantíssimo que mais pessoas saibam disso.

Lances bacanas

Semifinal do ATP 500 de Barcelona, jogo quase perdido, aí Benoit Paire resolve fazer uma graça sacando com match point contra. Primeiro, tenta uma curtinha contra Kei Nishikori. O japonês alcança a bola, então o francês vai mais longe: um winner por baixo das pernas. Olha só!

A loucura

Parece uma daquelas lendas que a gente escuta nos clubes de tênis, mas aconteceu de verdade em um torneio profissional. O iraniano Majid Abedini, 29 anos, perdia no qualifying do Future de Antalya, na Turquia, e correu como um louco na direção do supervisor, gritando e batendo com a raquete na grade. Abedini foi desclassificado da partida e já está suspenso provisoriamente pela ITF. A entidade abriu uma investigação e, dependendo do que for apurado, o iraniano pode pegar um gancho pesado.

As melhores histórias

O texto recomendado da semana é do jornalista Steve Tignor, que faz uma análise dos tempos técnicos permitidos pela WTA. O americano cita os benefícios e as críticas geralmente feitas à regra e dá exemplos pitorescos, como a intrigante troca de palavras entre Garbiñe Muguruza e Sam Sumyk no início do ano, em Doha. O texto está em inglês neste link.

O acidente

Em Barcelona, durante o jogo entre Nicolás Almagro e Teymuraz Gabashvili, um boleiro escorregou, deu de cara na placa publicitária do fundo de quadra e… voltou à função como se nada tivesse acontecido.

O gancho

O árbitro croata Denis Pitner foi afastado do tênis por dez anos. A ITF fez o anúncio durante esta semana. Pitner teve o certificado de White Badge suspenso em agosto de 2015 por acessar uma conta em um site de apostas. Mesmo com o gancho, Pitner trabalhou no US Open/2015 e no Qatar Open/2016. Nos dois eventos, ele se apresentou como árbitro White Badge e recebeu salários equivalentes. Por tudo isso, não poderá trabalhar em eventos sancionados por ATP, WTA e ITF até 19 de abril de 2026.

O irmão tarado

O irmão do tenista-agora-britânico Aljaz Bedene se passou pelo irmão no Tinder tentando conquistar uma paixão e inclusive publicou fotos mostrando… Vocês sabem, né? Sem cueca. Andraz, o irmão, só não se deu bem porque a moça do outro lado do aplicativo sabia que Aljaz enfrentaria Rafael Nadal em breve, no Masters de Monte Carlo. Andraz, depois, admitiu ter tentado se passar pelo irmão. A pergunta que se faz, no entanto, é se teria acontecido como em um daqueles casos em que um primo distante supostamente usa a rede social do parente famoso. Será? A história, dica da Aliny Calejon, está inteira contada no Mirror.

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Nadal voltou? Voltou mesmo?
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Alexandre Cossenza

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Foi o tom de muitos comentários durante a última semana e, especialmente, após o título do Masters 1.000 de Monte Carlo: “Nadal voltou!” Agora, três dias depois da conquista, o ex-número 1 do mundo está classificado para as quartas de final do ATP 500 de Barcelona e segue mostrando um ótimo tênis. Mas será mesmo que “Nadal voltou”? “Aquele” Nadal? E, afinal, o que isso significa?

O cenário

Antes de mais nada, cabe certa cautela na análise. Em 2015, a comoção foi parecida quando, depois de um começo de ano decepcionante, Rafael Nadal alcançou a final do Masters de Madri. Naquele torneio, o espanhol derrotou Dimitrov e Berdych em sequência, e parecia barbada para levar o troféu antes de uma atuação abaixo da crítica diante de Murray na final. Aquela partida foi o balde que calou os gritos de “Nadal voltou”.

Este ano, o panorama parece melhor. Antes de Monte Carlo, o Rei do Saibro já havia feito ótimas partidas em Indian Wells. No principado, bateu Dominic Thiem, Stan Wawrinka, Andy Murray e Gael Monfils em sequência. Se não foi o tenista dominante de 8-10 anos atrás, foi convincente e superior a uma grande promessa, ao atual campeão de Roland Garros e ao vice-líder do ranking.

O que melhorou?

É indiscutível que Nadal vem jogando um tênis melhor e mais eficiente do que o apresentado durante a maior parte de 2015 e o começo desta temporada. Talvez tenha a um pouco ver com a mudança nas cordas (Nadal voltou a usar a RPM Blast, que adotou durante a maior pate da carreira), mas é impossível dizer apenas vendo seus jogos, sem ouvir uma análise do próprio tenista.

De fato constatável mesmo, fica nítida a mudança estratégica. O Nadal de Indian Wells e Monte Carlo foi um pouco menos agressivo. Continuou atacando sempre que possível, mas com um pouco mais de paciência, usando bolas mais altas e tentando empurrar o oponente para trás. Na essência, é o mesmo que ele sempre fez na carreira. A agressividade excessiva não vinha dando resultado.

Essas bolas a mais fazem enorme diferença no balanço psicológico de um jogo. Errando menos, o espanhol tira do oponente a opção “vou trocar bola e esperar uma falha”. Nadal, assim, exige que seu rival ganhe a maioria dos pontos por méritos próprios. Não são tantos tenistas que conseguem fazer isso ponto após ponto contra o eneacampeão de Roland Garros. Com tudo isso acontecendo, Nadal tem mais margem e, especialmente, confiança para os pontos mais importantes. É uma grande bola de neve que vem se desfazendo aos poucos – para seu benefício.

Voltou mesmo?

Nunca fui fã do “fulano voltou”, quem quer que seja o fulano. Até porque todas as circunstâncias que envolvem o “voltou” mudam. O que quer dizer “Nadal voltou”? Que ele joga o mesmo nível de tênis do que em 2013, 2010 ou 2008? Como comparar quatro períodos distintos de forma justa? Ou “Nadal voltou” quer dizer que ele é o melhor do saibro mais uma vez? Ou apenas sugere que “Nadal voltou a ser competitivo”? Neste último caso, a resposta obrigatoriamente deve ser “não”, já que o espanhol nunca deixou de ser competitivo e, mesmo na suposta má fase, já era o número 5 no ranking mundial.

No entanto, qualquer que seja a hipótese, tendo a responder “não” porque o Nadal-Rei-do-Saibro era imbatível na superfície. Soa injusto, mas é o nível de domínio que o mundo se acostumou a ver do espanhol. O Rafael Nadal de hoje tem um saque vulnerável (foram 17 break points diante de Thiem e cinco quebras cedidas a Gael Monfils, que não tem uma devolução imponente) e, mais do que qualquer outra coisa, ainda precisa mostrar que pode bater Novak Djokovic – considerando que o revés de Nole na estreia em MC tenha sido apenas uma aberração.

Ainda assim, o que Nadal apresentou em Monte Carlo parece estar muito perto do melhor que ele pode mostrar no circuito de hoje, com adversários mais jovens, mais rápidos e mais fortes. O mais provável é que o espanhol nunca volte a dominar o circuito como fez no passado, mas será que que se faz necessário aquilo tudo para que ele “volte” a vencer em Roland Garros? É possível que não. Mas os resultados de Barcelona, Madri e Roma deixarão esse cenário um tanto menos nebuloso antes de Paris.

Favorito a Roland Garros?

Por enquanto, Djokovic, número 1 do mundo com sobras, ainda é o mais cotado a triunfar no saibro francês. As casas de apostas colocam o sérvio como principal favorito, seguido (não tão de perto assim) por Nadal. A bet365, por exemplo, paga apenas 1,66 para um em caso de título de Nole. Uma conquista de Nadal paga quatro para um. A Sportsbet.com.au, por sua vez, paga 1,72 para Djokovic, e 4,00 para Nadal. Vale acompanhar o quanto essas cotações mudarão nas próximas semanas, após mais dois Masters na terra batida.


Quadra 18: S02E06
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Alexandre Cossenza

O podcast Quadra 18 completa um ano de vida e traz um episódio especial e descontraído, cheio de participações especiais. Marcelo Melo, Fernando Meligeni, Sylvio Bastos, Fernando Nardini, Mário Sérgio Cruz, João Victor Araripe enviaram perguntas para os apresentadores. Os ouvintes Anelise Stampfer, Carol Tan e Johnny Garbin também fizeram participações especiais.

É claro que o Quadra 18 não deixou de falar dos resultados da semana. Comentamos o título de Rafael Nadal em Monte Carlo, a derrota precoce de Novak Djokovic, as boas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo, e também registramos os resultados da Fed Cup e a semi de Paula Gonçalves em Bogotá.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar para ouvir mais tarde, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura.
0’30” – Trio lembra do aniversário de 1 ano do podcast.
1’50” – Johnny Garbin pergunta: “O que foi surpreendente e vocês aprenderam nesse ano de podcast?”
5’25” – Carol Tan pergunta: “Se vocês pudessem cobrir só um torneio in loco durante o ano, qual seria?”
7’50” – Sylvio Bastos pergunta: “Quanto tempo a gente vai levar para que as pessoas que gostam de tênis no Brasil tenham mais noção do que é o tênis?”
13’42” – João Victor Araripe pergunta: “Qual o momento mais vergonha alheia que vocês já passaram num torneio de tênis?”
14’25” – Aliny conta caso sobre “surdos” no Rio Open.
15’35” – Sheila lembra de histórias envolvendo Bellucci e Fognini.
17’40” – Cossenza fala de caso sobre João Sousa e João Victor.
19’55” – Anelise Stampfer pergunta: “O que é pior: dar uma verdascada, uma goffinhada ou uma cagada kohlschreiberiana?”
22’25” – Sheila lembra de traumas com “djokovicadas” anos atrás.
23’30” – Fernando Meligeni diz: “Digam um cara bom e outro cara não tão bom para o tênis brasileiro!”
24’55” – Sheila responde.
24’56” – Cossenza tem acesso de riso.
27’25” – Mário Sérgio pergunta: “Como vocês acham que vai ser a despedida de Roger Federer?”
31’50” – “Para quem vocês estão torcendo para ganhar medalhas nas Olimpíadas?”
37’00” – “O que vocês acham da campanha #NextGen da ATP?”
40’40” – Fernando Nardini pergunta para Aliny: “Qual é seu duplista preferido?”
42’00” – Marcelo Melo envia duas perguntas para Aliny. Uma delas é “Qual duplista você levaria para uma ilha deserta?”
44’25” – Música de aniversário.
44’55” – A derrota de Novak Djokovic em Monte Carlo.
45’55” – A chave deliciosa de Gael Monfils.
46’50” – Nadal voltou?
49’30” – Cotações para Roland Garros nas casas de apostas.
51’15” – Monfils já entra na lista de favoritos para RG?
54’50” – Aliny fala de Herbert e Mahut, campeões em IW, Miami e MC.
55’30” – As ótimas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo.
58’50” – Resultados de Charleston e Bogotá.
59’20” – A subida de Paula Gonçalves e a queda de Teliana Pereira.
62’10” – Os resultados da Fed Cup, com a República Tcheca em outra final.
66’20” – André Sá toca guitarra com os irmãos Bryan