Saque e Voleio

Graus de separação de Bellucci e Wawrinka
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Alexandre Cossenza

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Thomaz Bellucci teve uma bela apresentação na noite desta quarta-feira, em Nova York. Venceu uma parcial de Stanislas Wawrinka e teve até uma quebra de vantagem para levar a partida ao quinto set. Não conseguiu. No fim, sucumbiu no tie-break do quarto set: 6/3, 6/4, 3/6 e 7/6(1). Mas o que faltou? O que separa o número 1 do Brasil da elite do tênis?

A resposta óbvia passa pela palavras “consistência” e “preparo físico”, mas abrange muito mais. Um jogo assim, contra um top 5, costuma revelar um bocado de falhas não tão visíveis nos ATPs 250 e nos Challengers. A primeira delas a sair de baixo do tapete foi a devolução. Por dois sets, Bellucci mal conseguiu colocar em jogo o serviço do adversário. Demorou para que o paulista tomasse outra postura, outro posicionamento. Quando conseguiu, fez Wawrinka jogar mais e conseguiu alguns pontos de graça – o que não aconteceu nos dois primeiros sets.

Outra diferença nítida está na defesa. Quando Bellucci agredia e fazia o suíço correr, via frequentemente o adversário usar slices profundos e quase nada flutuantes. Com o tempo extra, reposicionava-se no fundo de quadra e praticamente igualava a troca de bolas. O brasileiro não tem tal recurso. Sim, Bellucci faz uso esporádico de slices, mas não se defende bem com o fundamento. Faz falta. Quase sempre que chega atrasado em uma bola, o paulista insiste em bater um backhand. Bate desequilibrado e deixa de ganhar tempo.

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Podem parecer, mas não são diferenças pequenas. E o mesmo vale quando comparamos Wawrinka e o grupo acima no ranking mundial. Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer tem algo que o campeão do Australian Open ainda não tem. Quando descalibrou no terceiro set, Stan demorou a se reencontrar. Bellucci venceu um set e conseguiu uma quebra de vantagem em outro. Não fosse um game de saque praticamente cedido pelo brasileiro, haveria quinto set.

Djokovic, Nadal e Federer possivelmente não fariam o mesmo “favor” a Wawrinka. Contra esse trio, há menos espaço para sair de jogo. E isso explica o ranking como está hoje, com Stan em quarto lugar, cerca de 1.500 pontos atrás de Federer, o atual número 3. Djokovic, por sua vez, soma quase sete mil pontos a mais. Cada tenista, independentemente da lista da ATP, tem seus dilemas, seus algozes, e os elementos que o impedem de estar um nível acima.

Coisas que eu acho que acho:

- É natural ver um jogo de Bellucci assim, dando trabalho a um top 5, e ficar animado, esperando que o brasileiro leve tudo que fez de certo aos próximos torneios do circuito mundial. Vale, contudo, certa cautela. Bellucci já viveu situações parecidas, sem conseguir engrenar após belas atuações.

- Não lembra? Em maio de 2011, na melhor fase de sua carreira, Bellucci quase quebrou a invencibilidade de Novak Djokovic, que vivia momento fantástico. O brasileiro, entretanto, perdeu aquela semifinal no Masters 1.000 de Madri e, na sequência, tombou na estreia em Roma diante de Paolo Lorenzi. O italiano, na época, era apenas o número 148 do ranking.

- Outro caso. Em 2012, Bellucci tirou um set de Federer em Indian Wells e, por pouco, não saiu com a vitória. Na semana seguinte, em Miami, perdeu em sets diretos para Frederico Gil.


Gata do dia: namorada de Berdych comemora
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Alexandre Cossenza

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Dia de jogo de Tomas Berdych é garantia de beleza nas arquibancadas. Nesta quarta-feira, quando entrou no Estádio Arthur Ashe para enfrentar o australiano Lleyton Hewitt, o tenista tcheco teve na torcida a costumeira presença de sua namorada, a modelo Ester Satorova.

Não foi dos jogos mais nervosos para a tcheca. Atual número 7 do mundo, Berdych triunfou em sets diretos, com parciais de 6/3, 6/4 e 6/3, e saiu animado de quadra. “Um adversário duro, um grande desafio. O calor, o vento, e enfrentar Lleyton na primeira rodada não é o que ninguém quer. Fora isso, quando você está preparado e se sentindo bem, é um começo perfeito”.

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Berdych, que terá pela frente na próxima fase o eslovaco Martin Klizan, 65º do ranking, também ganhou elogios de Hewitt. “Ele gera potência com muita facilidade. Ele tem um forehand gigante. Quando eu estava jogando contra o vento, era muito difícil ditar os pontos até mesmo quando ele estava desequilibrado. Sempre parecia que ele tinha uma chance a mais de voltar no ponto. Daquele lado, eu me sentia sempre na defensiva”.


Zebra americana de 15 anos rejeita prêmio de US$ 60 mil
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Alexandre Cossenza

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O segundo dia do US Open foi indubitavelmente mais interessante que o primeiro. Não tanto pela qualidade dos jogos ou pelas combinações de confrontos vistas no papel no início da jornada (a sessão diurna pouco empolgava), mas pelo desenrolar de eventos. Na chave feminina, uma moça em particular roubou atenções: a americana Catherine Collins, mais conhecida como CiCi, de 15 aninhos. A tenista mais jovem do torneio, juvenil número 2 do mundo, fez sua estreia em um torneio de nível WTA e derrubou a vice-campeã do Australian Open, Dominika Cibulkova, com parciais de 6/1, 4/6 e 6/4.

A vitória de CiCi teve marcas relevantes. Ela era a tenista mais jovem na chave principal de um Slam desde Alizé Cornet, em Roland Garros/2005 e a mais jovem no US Open desde 2004. Ao triunfar, a adolescente tornou-se a também a mais jovem desde 1996 (Anna Kournikova) a vencer uma partida no torneio americano. O número mais impressionante, contudo, talvez seja 60 mil. Sim, CiCi tinha direito ao prêmio de US$ 60 mil (pouco mais de R$ 130 mil) no US Open, mas não vai levar o dinheiro para casa porque quer manter seu status de amadora. Assim, ainda pode optar pela carrreira universitária e continuar jogando tênis.

Na próxima fase, CiCi Bellis encara a cazaque Zarina Diyas, que aplicou 6/1 e 6/2 em cima da qualifier Lesia Tsurenko. Será que dá?

No balanço geral, não foi um dia cheio de zebras, só que Cibulkova não foi a única pré-classificada a dar adeus. Svetlana Kuznetsova, cabeça 20, teve o jogo na mão e sacou para a vitória, mas perdeu o serviço e permitiu que a neozelandesa Marina Erakovic protagonizasse uma improvável virada: 3/6, 6/2 e 7/6(3).

No grupo de candidatos (mesmo!) ao título, nenhuma surpresa. Na sessão diurna, Ana Ivanovic, Petra Kvitova e Eugenie Bouchard venceram com folga. À noite, Serena fez o mesmo diante da talentosa e promissora compatriota Taylor Townsend. Poderia ter sido um jogo perigoso, mas a número 1 do mundo entrou em quadra afiada o bastante para impedir que a rival crescesse no jogo. Victoria Azarenka, sem ritmo e correndo por fora, mostrou por que está sem ritmo e correndo por fora. Perdeu o set inicial para a japonesa Misaki Doi e reclamou um bocado de si mesma, mas, meio que na marra, manteve-se na partida o suficiente para encontrar um nível melhor, que lhe permitisse sobreviver no evento.

Por fim, Teliana Pereira venceu apenas dois games. Tombou por 6/2 e 6/0 diante da russa Anastasia Pavlyuchenkova. Não foi o mais inesperado dos resultados. Sem competir há um mês, a brasileira não fez a melhor das preparações para o US Open. Teliana, aliás, não competia em quadras duras desde março. Como consolação, volta para casa com pouco mais de US$ 35 mil.


Aos 34, dominicano vence pela primeira vez
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Alexandre Cossenza

Victor Estrella Burgos entrou para o tênis profissional há 12 anos, em 2002. Desde então, passou a maior parte da carreira oscilando entre os postos de número 200 e 300 do ranking mundial – uma zona onde se manter financeira e mentalmente é um tanto difícil. O dominicano, porém, insistiu até que foi recompensado. Em março deste ano, finalmente alcançou o top 100.

Com 12 anos de carreira, pôde enfim disputar Roland Garros e Wimbledon. Nesta terça, No US Open, Estrella Burgos deu um passo a mais: bateu o holandês Igor Sijsling por 2/6, 6/4, 6/3 e 6/2 e venceu uma partida de Grand Slam pela primeira vez na vida. Na sequência, deu uma entrevista coletiva e postou a imagem no Twitter. No dia anterior, já havia agradecido à equipe da ESPN por entrevistá-lo. Um caso raro e belo. Belíssimo.

Os US$ 60 mil conquistados com a vaga na segunda rodada do US Open já são o maior prêmio da carreira de Estrella Burgos. E o sonho não acabou. Mais um triunfo lhe renderia um lugar entre os 70 primeiros do ranking, além de US$ 105 mil no bolso. Ironia do destino ou mera coincidência, o dominicano, 80º do ranking, vai enfrentar na sequência o croata Borna Coric, que tem a metade de sua idade: 17 anos. Atual campeão juvenil do US Open e ex-número 1 do mundo em sua faixa etária, o garotão derrubou Lukas Rosol por 6/4, 6/1 e 6/2 nesta terça. Atual 204º na lista da ATP, Coric entrou no torneio via qualifying, já garantiu seu ingresso no top 200 e, se avançar à terceira fase, se aproximará do 150º posto.


Gata do dia: Ivanovic aplica pneu e ignora polêmica com Sharapova
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Alexandre Cossenza

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Foi uma bela apresentação de Ana Ivanovic em sua estreia no US Open em 2014. Bela em todos sentidos, claro. A bordo de um vestido preto – cor que poucas ousam vestir nas quentes sessões diurnas em Nova York -, a ex-número 1 do mundo fez uma grande partida, com um tênis agressivo e preciso, e bateu a americana Alison Riske por 6/3 e 6/0. Teria sido uma apresentação perfeita, não fossem as quebras cedidas no primeiro e no sétimo games do set inicial. Ainda assim, a vitória da atleta sérvia jamais esteve ameaçada.

Por causa do emocionante duelo nas semifinais de Cincinnati, há pouco mais de uma semana, era óbvio que a polêmica com Maria Sharapova viria à tona na coletiva desta terça-feira. Se você não lembra, Ivanovic abriu 6/2 e 5/2 antes de perder o segundo set por 7/5 e pedir atendimento no início da parcial decisiva. O médico entrou em quadra até mediu a pressão arterial da tenista, que voltou para o jogo, perdeu o saque e viu a russa abrir 2/1. Só que Sharapova foi quebrada no oitavo game e, logo depois de cometer uma dupla falta no último ponto, virou-se para o árbitro e disse “check her blood pressure” (algo como “confira a pressão arterial dela” – vejam aqui). A russa ainda teve outra quebra de vantagem e dois match points, mas não conseguiu converter e acabou derrotada por 7/5.

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Dona Maria ainda disse, depois, que tenistas deveriam pagar algo como US$ 2.500 a cada pedido médico solicitado. Ivanovic, quando indagada nesta terça sobre o episódio de Cincinnati, foi curta e simples: “Acho que cada um cria, você sabe, seu futuro, sua própria vida. Tento não pensar naquilo. Tenho meu próprio caminho. Sei que posso dormir tranquilamente à noite e é isso que importa no fim do dia”.


Dúvida para Murray, sorrisos para Djokovic
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Alexandre Cossenza

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A segunda-feira não foi lá o mais memorável dos primeiros dias de um Grand Slam, mas teve lá sua emoção. Desde o momento em que Andy Murray sentiu cãibras e quase perdeu um jogo que parecia bem encaminhado até o fim de noite, com Novak Djokovic entrando em quadra e dando a entender que o breve momento de instabilidade, vivido em Toronto e Cincinnati, ficou no passado.

O britânico começou o dia afiado, vencendo os quatro primeiros games e triunfando com folga sobre Robin Haase no primeiro set. Na segunda parcial, correu atrás e venceu no tie-break. Com a boa vantagem, apareceu estranhamente uma rara cãibra no antebraço. Haase fez 6/1 e, enquanto Murray sacava bem abaixo do seu melhor, abriu 4/1 no quarto set. O holandês, no entanto, sentiu o cansaço. Sacou para o set, mas não conseguiu fechar. O escocês engatou uma boa sequência, fez 7/5 e garantiu a vitória.

Nada, nada que deixasse os fãs de Murray animados. Um pouco pela rara cãibra, que o tenista disse não entender ao sair de quadra. Disse que cãibras assim vêm de nervosismo, mas que não estava tenso no início do terceiro set. Por fim, culpou “algo que comi ou deixei de comer antes do jogo.” Seu tênis tampouco esteve brilhante. Houve flashes, mas nada que indicasse a consistência necessária para vecer uma melhor de cinco sets contra um rival do nível de Djokovic. E, lembremos, os dois podem se enfrentar já nas quartas de final em Nova York.

Houve mais consistência no Estádio Arthur Ashe quando Stan ex-Stanislas Wawrinka, o mais imprevisível dos suíços, fez uma bela estreia diante de um rival que poderia ter oferecido mais perigo. A vitória sobre Jiri Vesely por 6/2, 7/6(6) e 7/6(3) mostrou precisão nos momentos importantes e é um início animador para o campeão do Australian Open.

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Grande favorito para chegar às semifinais, Wawrinka tem uma chave acessível e tempo para afiar seus golpes. A notícia só não é tão boa para Thomaz Bellucci, que derrotou Nicolas Mahut e será o próximo adversário do suíço. O brasileiro, aliás, precisou salvar sete set points na primeira parcial antes de deslanchar com a partida para fazer 7/6(4), 6/4 e 6/1 na Quadra 15.

Impossível falar sobre sua atuação, já que a partida não foi televisionada. Na ESPN, André Sá mostrou-se feliz com o fato de Bellucci ter triunfado em um dia de calor (uma preocupação no vestiário, segundo o mineiro). Lembro, contudo, que Mahut não costuma entrar em longos ralis, o que poupa seus rivais. De novo, ressalto: não dá para saber se foi o caso nesta segunda-feira porque os dois se enfrentaram em uma quadra sem câmeras de TV.

Por fim, no último jogo da noite, Novak Djokovic bateu o diminuto Diego Schwartzman sem drama: 6/1, 6/2 e 6/4. Ainda que longe de ter sido um teste ou mesmo uma grande oportunidade de treino para o número 1 do mundo, a partida serviu para mostrar que o sérvio inicia o US Open bem mais afiado do que esteve em Toronto ou Cincinnati. Nole teve tempo de treinar e, principalmente, de motivar-se para um torneio de Grand Slam.

“Muitas coisas aconteceram na minha vida pessoal nos últimos dois meses, então eu provavelmente não estava mentalmente preparado para competir em alto nível em Toronto e Cincinnati. Mas agora é diferente. Estou emocionalmente recarregado e pronto para competir”, disse na coletiva o sérvio, que casou-se após o título em Wimbledon e está a alguns meses de ser pai. Se não surpreende, é seguramente uma declaração que conforta e anima seus fãs.

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A chave feminina passou sem grandes surpresas, mas com um punhado de sustos. Simona Halep, em uma tarde nada inspirada, perdeu o primeiro set para a universitária Danielle Rose Collins, que sequer figura no ranking; Angelique Kerber só superou Ksenia Pervak por 7/5 no terceiro set; Andrea Petkovic suou para bater a tunisiana Ons Jabeur (7/6(7), 1/6 e 6/3); e Caroline Wozniacki perdeu um set, mas avançou quando a eslovaca Magdalena Rybarikova, lesionada, desistiu após o segundo game da terceira parcial.

Mantendo a tradição, o dia teve as clássicas surras. Radwanska, primeira a completar um jogo, fez 6/1 e 6/0 na canadense Sharon Fichman; Sloane Stephens bateu Annika Beck por 6/0 e 6/3; Belida Bencic dominou Yanina Wickmayer; e Maria Sharapova abriu a rodada noturna derrotando a compatriota Maria Kirilenko por 6/4 e 6/0 em uma partida que teve emoção durante só um set, enquanto a Maria menos famosa esteve na dianteira. Como de costume, Sharapova atropelou depois de encontrar seu ritmo. Importante que isto aconteça mais cedo, já que o quadrante da ex-número 1 na chave do US Open tem Lisicki, Wozniacki, Petkovic, Venus e Halep. Não há muito espaço para apagões.


O salto de Nick Kyrgios
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Alexandre Cossenza

No começo do ano passado, ele tinha 17 e disputava a final do Australian Open juvenil. Nick Kyrgios foi lá e derrotou o compatriota australiano Thanasi Kokkinakis. Até aí, tudo bem. Há muito a se percorrer de um título de Slam juvenil até uma carreira de sucesso como profissional – Tiago Fernandes está aí para nos lembrar disso. O jovem nascido em Canberra, contudo, já fez um belo 2013 e terminou a temporada entre os 200 melhores tenistas do mundo. Aí veio 2014, e Kyrgios iniciou seu salto. Salto que não acabou.

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O começo de ano foi até modesto, vencendo uma rodadinha no Australian Open (o que já é muito para um garotão de 18) e participando de alguns Challengers. Até que veio Wimbledon. Na segunda rodada, venceu um jogão de cinco sets contra Richard Gasquet. Nas oitavas, protagonizou a grande zebra do torneio: eliminou Rafael Nadal, com direito a um ponto fantástico vencido com um golpe por baixo das pernas. Só parou nas quartas, quando deu trabalho, mas sucumbiu diante de Milos Raonic.

Kyrgios também venceu um jogo no Masters de Cincinnati e, agora com 19 anos, chegou a Nova York como número 60 do ranking. A estreia não poderia ser muito mais animadora: vitória em quatro sets sobre Mikhail Youzhny (7/5, 7/6, 2/6 e 7/6) em condições nada fáceis. Calor, longos ralis e um adversário experiente. O australiano precisou de cada golpe de seu catálogo (que não é fino): ótimos saques, devoluções vencedoras, subidas à rede, paralelas violentas do fundo de quadra… Resumindo, o rapaz foi eficiente em todos quesitos.

Todos mesmo. Kyrgios precisou de muito autocontrole para evitar um desastre. Depois de vencer os dois primeiros sets, caiu de ritmo no terceiro e, para piorar, foi punido até com a perda de um game. Depois de receber uma advertência por “abuso de bola” (atirou a amarelinha para fora da quadra) no segundo set e uma punição com a perda de um ponto na terceira parcial, um palavrão foi a terceira infração do australiano. A punição foi a perda de um game (no fim das contas, nem fez tanta diferença, já que o placar do game era 40/30). Outra violação, e Kyrgios seria desclassificado do torneio.

O ponto é que o garotão segurou a onda, conseguiu uma quebra quando Youzhny sacava para o quarto set, e brilhou no tie-break. A recompensa foi uma merecida vaga na segunda rodada do US Open, acompanhada, claro, por uma dose extra de confiança.

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Em um circuito cada dia mais exigente fisicamente, é interessante ver um adolescente indo bem e vencendo partidas longas em Grand Slams. No caso de Kyrgios, está longe de parecer fruto do acaso. O garoto tem um jogo completo e faz bom uso dele. Tem um saque excelente (destruiu Nadal em Wimbledon e fez 26 aces contra Youzhny), sabe o que fazer na rede e tem ótima consistência com bolas profundas do fundo de quadra. Mais do que isso: Kyrgios tem a capacidade de alterar a velocidade de seus golpes e, do nada, disparar uma pancada vencedora na paralela. É uma rara qualidade. Nenhum tenista fica à vontade contra um adversário que joga assim.

Entre os 100 primeiros do ranking, Kyrgios é o único adolescente. E não parece exagero afirmar que é ele o mais talentoso de sua geração. E há um grupo de até 21 anos com muito potencial. Desde o austríaco Dominic Thiem até o problemático australiano Bernard Tomic e seus compatriotas Kokkinakis e Luke Saville. Estão no bolo também o alemão Alexander Zverev e o tcheco Jiri Vesely, que deu certo trabalho para Stan Wawrinka nesta segunda em Flushing Meadows.

Até onde Kyrgios é capaz de chegar? É discussão para papo de bar depois daquela duplinha com os amigos. Tênis é um dos esportes mais cheios de incertezas. Alguns jovens perdem o foco no caminho. Outros descobrem que não têm dentro de si a dedicação necessária para mantê-los entre os melhores do mundo. Uns se lesionam. Há também quem se deslumbre com a fama precoce e o dinheiro. Por isso, é tão difícil prever quem tirará o máximo de seu talento. Quando o assunto são atletas jovens, só dá mesmo para afirmar com todas as letras quem tem tênis. E Kyrgios tem de sobra.


Gata do dia: a universitária que assustou a número 2 do mundo
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Alexandre Cossenza

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Foi um primeiro set de sonhos para a americana Danielle Rose Collins, de 21 anos. A jovem campeã da NCAA, que nem sequer figura no ranking mundial, fez por merecer o convite para a chave principal do US Open. Rose Collins conseguiu vencer uma parcial em cima da número 2 do mundo, a romena Simona Halep.

Mesmo sem jogar um grande tênis, a favorita saiu na frente, com uma quebra de saque logo no terceiro game. Halep parecia ter o controle da partida, mas a americana confirmou alguns games de saque complicados, passou a vibrar mais e, no oitavo game, devolveu a quebra. Empurrada pela torcida, a tenista da casa forçou o tie-break e levou a melhor por 7/2.

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Como toda boa Cinderela, a jovem loira não foi muito longe. Mais ou menos por volta do meio-dia em Nova York, Rose Collins viu sua carruagem se transformar em abóbora e só venceu dois games no segundo e no terceiro sets. Halep encontrou sua consistência habitual, fez 6/1 e 6/2 e avançou à segunda rodada do US Open. E vale lembrar: a romena pode até terminar o torneio como nova número 1 do mundo. Para isso, porém, precisa ser campeã e contar com uma queda precoce de Serena Williams, atual líder do ranking.


O melhor dos cenários para Federer
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Alexandre Cossenza

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É um daqueles momentos em que parece haver um alinhamento cósmico, como se os deuses do tênis abrissem o caminho para mais um (o último?) grande título do monstro que é Roger Federer. Rafael Nadal não estará em Nova York, e Novak Djokovic vem em uma espécie de longa ressaca tenística (a conquista de Wimbledon) e pessoal (casou-se recentemente e espera um filho).

O suíço provavelmente não tinha visto ainda a chave do US Open quando a foto acima foi produzida, mas é difícil imaginá-lo #chateado após saber quem são seus adversários em potencial no Grand Slam americano, que começa nesta segunda-feira, em Nova York. Enquanto Novak Djokovic, na outra metade da chave, pode ter de lidar com John Isner nas oitavas, Andy Murray ou Jo-Wilfried Tsonga nas quartas, e Stanislas Wawrinka na semi, Federer tem em seu caminho potenciais adversários como Fabio Fognini nas oitavas, Grigor Dimitrov ou Richard Gasquet nas quartas, e David Ferrer ou Tomas Berdych na semi (Gulbis corre por fora – confira a chave completa aqui).

Deste grupo, apenas Berdych tem retrospecto respeitável contra Federer. O tcheco venceu duas das últimas três partidas e teve ótimas chances de triunfar no último encontro, no qual o suíço levou a melhor de virada para conquistar o título de Dubai neste ano. Ainda assim, os dois só se encontrariam em uma semifinal, e o atual momento de Berdych, com duas vitórias nos últimos cinco jogos em quadra dura, não é exatamente animador – especialmente levando em conta a perigosa estreia contra Lleyton Hewitt em Nova York.

Enquanto isso, o atual número 3 do mundo chega a Nova York em grande forma. Foi vice em Toronto, levantou a taça em Cincinatti e, se não mostrou o tênis dominante de anos atrás (já é injusto cobrar isso a essa altura de sua carreira), brilhou o bastante para triunfar em nove dos últimos dez jogos.

A questão que sempre se levanta antes de um Slam é sobre a capacidade física de Federer em eventuais jogos de cinco sets. A resposta só virá a partir de segunda-feira, mas quem consegue olhar a chave e imaginar alguém (não chamado Novak Djokovic) duelando por mais de três horas com o Federer de hoje? Além disso, o suíço é raramente escalado para uma sessão diurna em Nova York, então o calor provavelmente não será um fator. Volto, então, ao ponto do início deste post: tudo parece conspirar a favor…

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Coisas que eu acho que acho:

- Ranking, histórico recente e o potencial nunca são deixados totalmente de lado. Nas casas de apostas, Djokovic, finalista do torneio nos últimos quatro anos, ainda é o mais cotado para faturar o US Open. A bet365, por exemplo, paga 2,37 para cada “dinheiro” apostado no sérvio. Caso Federer tenha seu nome gravado mais uma vez na taça, o prêmio é de 3,50 para cada franco suíço investido.

- A badalação reduzida pode fazer bem a Djokovic. As atuações pouco inspiradas e as derrotas para Tsonga (Toronto) e Robredo (Cincinnati) diminuem a expectativa em torno do número 1 do mundo em Nova York. Sem jogar durante a última semana, o sérvio teve algum tempo para calibrar seu jogo. Além disso, as duas primeiras rodadas – contra Diego Schwartzman e Gilles Muller/Paul-Henri Mathieu – darão mais um par de chances (e cinco dias) para que Nole chegue afiado às fases mais complicadas do torneio.

- No cenário atual, sem Nadal e com um ponto de interrogação sobre Djokovic, não dá para descartar um campeão estreante, como Wawrinka na Austrália. Mas quem estaria pronto para dar esse passo a mais? Gosto da chave de Grigor Dimitrov, mas o búlgaro provavelmente esbarrará com Federer nas quartas de final. Será que o garotão saberia lidar com o “buzz” de um jogo noturno tão promovido? E vale lembrar, nem que seja só por curiosidade: desde que foi superado por Bellucci no quali em 2009, o atual número 8 do mundo jamais venceu um jogo no US Open.


Bia e a decisão que Tiago não tomou
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Alexandre Cossenza

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Duas notícias importantes no tênis brasileiro vieram a público nesta quinta-feira. Tiago Fernandes, que como juvenil foi campeão do Australian Open e número 1 do mundo, abandonou a carreira. Aos 21 anos, o alagoano deixou Balneário Camboriú, sua casa desde 2008, e voltou para Maceió, onde prestou vestibular e passou a cursar engenharia – seguindo a carreira de seu pai. A outra mudança envolve a maior promessa do tênis feminino brasileiro. Bia Haddad deixa a academia de Larri Passos para treinar com Marcus Vinícius Barbosa, o Bocão. Há uma óbvia e importante relação entre os dois fatos.

Fernandes chegou a seu auge quando treinava na academia de Larri. A transição para o tênis profissional não teve o sucesso que todos esperavam e desejavam. O fim da relação com o ex-técnico de Guga veio após uma rara fratura por estresse no púbis que tirou o alagoano das quadras por muito tempo. A recuperação foi lenta, e Tiago decidiu não levar a carreira adiante. É uma óbvia pena para o tênis brasileiro. Resultados à parte, o alagoano sempre pareceu o mais maduro e consciente dos juvenis do país (nos últimos dez anos, pelo menos). Sempre se expressou muito bem e deixou claro o que queria. E, obviamente, tinha um belo tênis. Tiago tinha também um plano, mas não conseguiu executá-lo. Um pouco por não ter lidado bem com as expectativas após os grandes feitos que vieram muito cedo, um pouco por falhas de planejamento.

A falta de um preparador físico exclusivo – algo que a família de Tiago quis, mas que nunca foi aceito por Larri – talvez tenha sido o mais grave dos erros. Coincidência ou não, Bia Haddad teve problemas físicos. Depois de um tempo afastada por causa de um problema no ombro (resultado de uma queda em quadra), a paulista voltou aos torneios e, logo no primeiro evento, sentiu dores nas costas (tratava-se de uma hérnia que já incomodava a tenista desde antes) e voltou ao Brasil para se submeter a uma cirurgia. Bia disputou apenas um jogo de julho de 2013 até fevereiro de 2014.

Outro elemento em comum nos dois casos é a ausência de Larri Passos. Tiago venceu o Australian Open em 2010 e passou a temporada 2011 inteira sem o treinador, que viajava com Thomaz Bellucci. Bia teve o mesmo problema recentemente, já que o técnico gaúcho tem compromissos fora do país – inclusive com a austríaca Tamira Paszek – e não pode dedicar-se totalmente aos atletas que treinam em sua academia. A paulista tomou a decisão de mudar. A decisão que Tiago não tomou. Muitos não sabem, mas o campeão do Australian Open esteve perto de fazê-lo. Os pais do alagoano chegaram a procurar outro treinador antes do fim de 2011. Entretanto, quando o tenista conversou pessoalmente com Larri, então recém-dispensado por Bellucci, o treinador garantiu mais atenção. Em agosto de 2012, porém, a lesão no púbis tirou o alagoano de ação e forçou o fim da parceria.

A opção de Bia é compreensível. Treinar “na” academia de Larri é bem diferente de treinar “com” Larri. Levando em conta que Thiago Monteiro e Orlando Luz também trabalham com o ex-técnico de Guga, era difícil imaginar os três recebendo a atenção merecida. Para agravar o panorama, tratam-se de jovens em momentos diferentes, com calendários muito distintos. Thiago vive o circuito Challenger, enquanto Bia joga o circuito ITF feminino. Orlandinho, por sua vez, vem fazendo a transição para o profissional. Juntando tudo isso aos outros compromissos de Larri, em quantas semanas por cada um desses tenistas (todos com futuros promissores, é bom ressaltar) poderia viajar acompanhado por Larri?

Coisas que eu acho que acho:

- Uma pergunta fica no ar: a saída de Bia da academia de Larri Passos é algo a ser seguido por Orlandinho e Thiago Monteiro?

- Vale o lembrete (que já fiz na página do blog no Facebook): minha recente mudança de endereço me deixou sem TV a cabo e internet. Vou poupá-los dos detalhes, afinal são bem conhecidos os problemas que muitos enfrentam com empresas como Oi e SKY. O blog volta com força total assim que a casa nova estiver conectada. Até lá, infelizmente, não publicarei posts com a frequência que gosto. Agradeço aos que compreenderem.