Saque e Voleio

Roland Garros 2017: o guia deles

Alexandre Cossenza

26/05/2017 17h29

Cinco meses, cinco Masters e finalmente chega a hora do segundo slam de 2017. Sem Roger Federer, mas com Rafael Nadal voando, Andy Murray sofrendo, Novak Djokovic reinicializando e Gustavo Kuerten comemorando o 20º aniversário de seu primeiro título em Roland Garros. Serão, como sempre, duas semanas especiais e que começaram a ser escritas nesta sexta-feira, com o sorteio das chaves.

Eis aqui, então, o tradicional “guiazão” do blog para o torneio. Com análise dos quadros, possíveis azarões, os melhores jogos para acompanhar já na primeira rodada, onde vê-los e também as cotações das casas de apostas. É só rolar a página e ficar por dentro.

O aniversário

Vinte anos atrás, o mundo era pego de surpresa, e o tênis brasileiro ganhava uma injeção tarantinesca de adrenalina quando um rapaz de cabelo encaracolado, bandana e uma indumentária pouco discreta abateu Muster, Kafelnikov e Bruguera rumo ao título em Roland Garros. Um momento verdadeiramente histórico que foi homenageado com o documentário abaixo, produzido pelo torneio.

Aquela conquista mudou de vez o cenário do tênis no Brasil. Os clubes ficaram lotados de novos praticantes, a imprensa teve de aprender a modalidade e, sejamos sinceros, talvez você não estivesse vendo tantos jogos pela TV (ou streams piratas) nem lendo este blog não fosse pelo que aconteceu 20 anos atrás.

Os quatro cabeças

Agora, sim, falemos do torneio deste ano. Comecemos pelo número 1 do mundo, Andy Murray, que não faz uma boa temporada. Até parecia ensaiar uma recuperação em Barcelona, mas derrotas para Coric (Madri) e Fognini (Roma) quase colocam o britânico na condição de grande azarão. Não, ele não seria o favorito de qualquer modo, muito menos com Nadal jogando tão bem, mas o fato é que o escocês precisa mostrar um tênis muito melhor do que o dos últimos meses para ir longe em Paris.

A chave não ajudou, já que existe um possível confronto com Del Potro (ou Almagro?) no horizonte, já na terceira rodada, e um duelo com Isner ou Berdych nas oitavas. O americano, lembremos, foi semifinalista em Roma e já fez ótimas apresentações em Roland Garros – inclusive levando Rafael Nadal a cinco sets em 2011. Se Murray avançar, ainda pode encarar A.Zverev/Nishikori/Cuevas/Querey nas quartas e, quem sabe, Wawrinka na semifinal.

Enquanto isso, o número 2 do mundo esboça uma espécie de ressurgimento. Ainda sob a nuvem da pergunta “o que acontece com Djokovic?”, o sérvio fez semi em Madri e final em Roma. Não foi “aquele” Djokovic dominante e que capitalizava em qualquer mínimo momento de fraqueza dos rivais, mas ainda é um tenista bastante perigoso e que não deve ser derrotado cedo no torneio.

Com a novidade de Andre Agassi em seu box (mais sobre isso adiante neste post), Djokovic caiu na parte mais dura da chave. O começo nem é tão complicado, mas Dominic Thiem é seu mais provável oponente de quartas de final (Johnson, Karlovic e Goffin são os outros cabeças). Além disso, ninguém pode comemorar um sorteio em Paris quando Rafa Nadal está em seu caminho antes da final. Os dois se encontrarão na semifinal se confirmarem o favoritismo.

Depois de três Masters 1000 no saibro, Stan Wawrinka somava duas vitórias e três derrotas (para Cuevas, Paire e Isner). Muito pouco para um campeão de Roland Garros. Nesta semana, o suíço foi a Genebra em busca de ritmo e mais vitórias (este post é escrito antes da final contra Mischa Zverev) que possam fazer alguma diferença, nem que seja em sua medida de confiança.

Wawrinka está em um quadrante cheio de nomes bons, como Fognini (terceira rodada), Gasquet e Monfils (oitavas), Clic, Tsonga, Ferrer e Kyrgios (quartas), mas nenhum em grande momento. Difícil fazer algum tipo de previsão aqui. Cilic parece ser a maior ameaça, mas também pode cair antes – contra Gulbis na estreia, Delbonis na segunda rodada ou Ferrer/Feliciano na terceira rodada.

O número 4 do mundo é o favorito ao décimo título em Roland Garros. Disso ninguém discorda. Não que uma derrota seja inconcebível, mas Rafael Nadal foi quem mais mostrou tênis de alto nível no saibro até agora. A chave ainda lhe é favorável na primeira semana, com Paire (estreia), Simon (terceira rodada) e Sock/Bautista Agut (oitavas) como principais nomes em seu caminho. Nas quartas, Nadal pode encarar Raonic/Dimitrov/Muller/Carreño Busta, e Djokovic/Thiem apareceria só na semi. É de se esperar que o eneacampeão chegue descansado e em forma para os jogos mais duros, o que pode ser uma enorme vantagem.

A melhor história

Nenhum assunto é mais intrigante neste pré-Roland Garros do que a parceria de Novak Djokovic com Andre Agassi. É a primeira vez que o americano, campeão do torneio em 1999, deixa a aposentadoria para assumir o posto de treinador. E, mesmo assim, foi necessário um empurrãozinho da esposa, Steffi Graf. Isso acontece num momento em que Djokovic buscava motivação, uma espécie de “faísca”, como ele mesmo descreveu, para voltar a jogar no nível de antes.

Agassi parece o candidato perfeito- e sob diferentes aspectos. Primeiro porque o americano também passou por uma fase de pouco ânimo na carreira. Foi um período longo, com resultados decepcionantes, até que o ex-número 1 do mundo se reencontrasse, fizesse as pazes com a relação traumática com o tênis (Agassi disse que odiou o esporte por muito tempo) e descobrisse um caminho.

Foi nessa trajetória que encontrou Brad Gilbert, técnico que, segundo o próprio Agassi, foi quem o ensinou a pensar sozinho dentro de quadra (quem lá leu “Winning Ugly” sabe do que estou falando). O americano, portanto, pode cobrir as duas lacunas no tênis de Djokovic hoje. O ânimo e o tático/técnico. Esse roteiro o mundo do tênis vai acompanhar bastante de perto nos próximos dias e meses.

Até os treinos são interessantes. Inclusive o do vídeo acima que, segundo o técnico australiano Darren Cahill, Agassi odiava, mas o pai do americano adorava. Hoje, é o ex-número 1 que “maltrata” Nole com ele. Como bem disse Cahill no Twitter, “full circle” (ou “a vida dá voltas”).

Os brasileiros

Analisando o conjunto da obra, o sorteio não poderia ser muito melhor para o Brasil. Thomaz Bellucci vai estrear contra o sérvio Dusan Lajovic (#79), Thiago Monteiro vai encarar o wild card francês Alexandre Muller (#327), de 20 anos, e Rogerinho terá pela frente Mikhail Youzhny (#84), cujo último resultado foi um revés diante de Bellucci.

É perfeitamente plausível que os três brasileiros avancem. Bellucci e Monteiro são favoritos. Quanto a Rogerinho, suas chances aumentam consideravelmente se o tornozelo responder. O paulista abandonou sua partida contra Stan Wawrinka em Genebra, nesta semana, por causa de uma entorse.

A grande ausência

Roland Garros já perdeu muito com a ausência de Roger Federer no ano passado. Agora, em 2017, perde muito mais. O suíço venceu um slam e dois Masters e era o nome a ser batido no circuito até decidir fazer uma pausa. A expectativa por novo duelo com Nadal em Paris seria enorme. E daria para listar outros muitos motivos aqui para lamentar, mas já fiz isso neste post.

Os melhores jogos na primeira rodada

Esta edição de Roland Garros não é daquelas com partidas bombásticas já no dia inicial, mas a lista de duelos de primeira rodada tem encontros interessantes e por motivos diversos. A começar por Alexander Zverev x Fernando Verdasco, considerando que qualquer primeira rodada com Verdasco é imprevisível e uma queda precoce de Zverev teria consequências importantes na chave.

Além disso, prestemos atenção em Dominic Thiem x Bernard Tomic. O austríaco é claro favorito, mas no dia certo, o australiano incomoda qualquer rival. Na pior das hipóteses, existe a expectativa de raquetes quebradas e discussões, o que é sempre bom de acompanhar. É quase o mesmo panorama de Marin Cilic x Ernests Gulbis, com o croata favorito e o letão no papel do coadjuvante traiçoeiro.

Além disso, vale ficar de olho em Nick Kyrgios x Philipp Kohlschreiber e Frances Tiafoe x Fabio Fognini, que podem se transformar em partidas longas e interessantes. Por fim, cito também Dustin Brown x Gael Monfils. Não, nenhum dos dois vem em grande momento (são sete derrotas seguidas somando os dois tenistas), mas a gente sabe que a partida vai ter jogadas malucas e diversão. Deve ser a melhor fonte de highlights de toda a primeira rodada este ano.

O que pode acontecer de mais legal

A chave de cima, encabeçada por Murray e Wawrinka, pode apresentar um finalista diferente. Há quem ache ruim. Há quem prefira assim. O fato é que, cada um com seu motivo, quase nenhum dos grandes nomes ali exibiu até agora (ênfase em “até agora”, por favor) um tênis dominante. Isso vale especialmente para Gasquet (1v e 2d no saibro), Monfils (0v e 2d), Tsonga (1v e 2d antes de ir a Lyon), Kyrgios (2v e 2d), Ferrer (5v e 4d), Del Potro (5v e 3d), Nishikori (5v e 3d) e Berdych (6v e 3d antes de Lyon). Tentar prever o vencedor dessa página é exercício árduo.

Os tenistas mais perigosos que todos estão olhando

Pelo que mostraram no saibro, os nomes mais óbvios são Alexander Zverev, campeão do Masters de Roma,e Dominic Thiem, vice em Barcelona e Madri, além de ser o único a derrotar Nadal no saibro até agora. Zverev está na chave de cima, o que talvez lhe dê alguma vantagem. O problema é que seu caminho tem cascas de banana interessantes como Verdasco e Cuevas.

Para Thiem, o caminho é menos simples porque seu provável adversário de oitavas de final é David Goffin, contra quem tem um retrospecto bastante negativo. São apenas três vitórias em dez jogos, e a lista de derrotas inclui os últimos dois encontros. O mais recente foi no saibro de Monte Carlo. Se conseguir repetir RG’16, quando bateu Goffin nas quartas, Thiem pode encarar Djokovic nas quartas e Nadal na semi. O normal é que o austríaco fique pelo caminho. Se passar por todos esses obstáculos, terá alcançado um dos maiores feitos possíveis em 2017.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

Pablo Cuevas é sempre um ponto de interrogação. Pode discutir com alguém na arquibancada (vide tuíte abaixo) e perder na primeira rodada, como em Barcelona e quase em Madri, mas também pode chegar à semifinal de um Masters, como aconteceu na capital espanhola. A chave de seu sucesso, aparentemente, é o confronto com Zverev na terceira rodada.

Também vale ficar de olho em Kyrgios, que desistiu do ATP de Estoril por causa da morte de um avô e abandonou Roma devido a uma lesão no quadril. Se estiver recuperado e motivado, o poço australiano de talento pode sair varrendo a chave. Não é o que as notícias sugerem, mas não convém descartar essa possibilidade.

Onde ver

O canal Bandsports tem os direitos exclusivos de transmissão em TV fechada. Quem prefere opções “alternativas” pode optar pelos streams oficiais de casas de apostas como a bet365 (se não me engano, é preciso fazer um depósito qualquer com cartão de crédito) ou os piratas do Batman Stream e outros sites.

Nas casas de apostas

Nada muito surpreendente no cenário atual, mas vale apontar a presença de Andy Murray apenas como o quinto mais cotado.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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