Saque e Voleio

Semana 6: zebra na Fed Cup, vices de Bellucci e a falta de Sharapova
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Alexandre Cossenza

O Australian Open mal acabou, e o circuito mundial voltou à rotina com força total. Além de três ATPs 250 (Sofia, Montpellier e Quito), a Fed Cup começou quente em 2016, com nomes grandes em quadra. Até quem ficou fora – caso de Maria Sharapova – deu o que falar. Também teve muito Brasil em ação, tanto em Quito, onde Thomaz Bellucci foi vice-campeão duas vezes, quanto na Bolívia, onde o time brasileiro da Fed Cup perdeu uma ótima chance de avançar aos playoffs.

Só que este “Resumaço da Semana'' não tem só isso. Ele inclui uma “previsão'' olímpica; vídeos de lances bacanas; fanfarronices publicitárias; uma notícia feliz, uma notícia triste e uma notícia curiosa; uma ausência no Rio de Janeiro; e os melhores tuítes dos últimos sete dias. Que tal lembrar, então, o que houve de mais interessante? Role a página e confira.

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Os brasileiros

A semana de Thomaz Bellucci em Quito foi ótima, e o brasileiro tirou bastante da altitude – que costuma lhe ser bastante favorável – e da chave acessível. No entanto, terminou de forma amarga, já que Bellucci acabou superado pelo dominicano Victor Estrela Burgos (#58): 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O revés é doído duplamente, já que Bellucci, além de ser o tenista com mais potencial em quadra, deixou escapar uma ótima chance de triunfar. O paulista venceu o primeiro set sem muito drama e teve oportunidades no segundo. Conseguiu um break point no 11º game, mas não conseguiu converter. Pouco depois, no tie-break, desperdiçou um mini-break ao mandar para fora uma direita fácil. Em seguida, com o placar em 4/4, errou um slice nada complicado.

Estrella Burgos aproveitou as chances que teve. Virou o game de desempate com uma ótima direita de dentro para fora, fechou o set e abriu a terceira parcial com uma quebra. A essa altura, o saque de Bellucci, que deu tanto trabalho ao dominicano e rendeu muitos pontos grátis até o fim do segundo set, já não incomodava mais. Estrella Burgos começou a bloquear com eficiência o serviço do brasileiro e reduziu seus erros. Esperou por falhas do brasileiro. Elas vieram e fizeram a diferença no jogo.

É bom que se diga sempre: Victor Estrella Burgos, bicampeão em Quito, 35 anos, é um “exemplo de luta e superação” no melhor sentido do velho clichê. E sua comemoração, primeiro descendo o toboágua e, depois, convidando os boleiros para um mergulho, foi de uma alegria contagiante.

Feijão e Rogerinho também disputaram o ATP 250 de Quito. Rogerinho foi eliminado na estreia por Pablo Carreño Busta (6/3 e 6/1), mas Feijão furou o quali e até venceu o argentino Facundo Arguello na estreia: 6/3 e 7/6(7). O tenista de Mogi quase também aprontou uma grande zebra, mas levou a virada do espanhol Feliciano López (#22) depois de vencer o primeiro set e forçar um tie-break na segunda parcial. O espanhol fez um game de desempate perfeito e deslanchou na partida, triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

Nas duplas, Bellucci também fez um bom torneio. Ele e Marcelo Demoliner foram vice-campeões, perdendo a final para Pablo Carreño Busta e Guillermo Duran: 7/5 e 6/4. Feijão, que jogou com Victor Estrella Burgos, e André Sá, cabeça 1 ao lado de Santiago González, também estavam na chave, mas não foram longe. Sá caiu na estreia, enquanto Feijão perdeu nas quartas (segunda rodada).

O Brasil na Fed Cup

O time do Brasil mais uma vez falhou na tentativa de subir para o Grupo Mundial II. A equipe formada por Teliana Pereira, Bia Haddad, Paula Gonçalves e Gabriela Cé venceu os fracos conjuntos de Equador e Peru, mas acabou derrotada pela Argentina no duelo que definiu um dos finalistas do Zonal.

O confronto começou com Bia Haddad (#237) abrindo 5/2, mas sendo superada pela adolescente Nadia Podoroska (18 anos, #319, número 4 da Argentina) por 7/5 e 6/3. Em seguida, Teliana (#44) fez 6/0 e 6/0 (!) em cima da número 1 argentina, Maria Irigoyen (#199). A decisão veio nas duplas, e a parceria de Irogoyen e Catalina Pella derrotou Bia e Paula Gonçalves por duplo 6/3 (as brasileiras tiverem 3/0, com duas quebras de vantagem, no segundo set).

A derrota brasileira dá uma enorme sensação de chance desperdiçada, já que a Argentina vinha sem as mais experientes Florencia Molinero (#293) e Paula Ormaechea (#295). Além disso, Colômbia e Paraguai, dois times mais fortes do outro grupo, estavam sem suas melhores tenistas – Mariana Duque Mariño (#81) e Veronica Cepede Royg (#131).

Também preocupa a declaração de Fernando Roese, capitão brasileiro na Fed Cup, que fala em “aprender essa experiência de jogar torneios por equipes, principalmente uma Fed Cup, que é algo que nos falta ainda.” Não sei se Roese falava de si mesmo na primeira pessoa do plural (alguns técnicos fazem isso), mas fato é que a base deste time vem jogando a Fed há algum tempo. Teliana entrou em quadra pelo Brasil em seis confrontos de Fed Cup. Paula Gonçalves, quatro. Gabriela Cé e Bia Haddad, três.

Vale a pergunta: se um dirigente diz que o momento do tênis brasileiro é ótimo quando Bruno Soares conquista dois Slams em um dia, o que essa mesma pessoa diz quando o time da Fed Cup perde um confronto ganhável assim? É o tipo de argumento frágil, que naufraga resvalando num cubo de gelo. Não são os resultados de um par de veteranos (nem do time da Fed, obviamente) que provam ou deixam de provar a competência do trabalho feito no tênis brasileiro.

E se você está imaginando, caro leitor, não, nenhum dirigente se manifestou sobre o momento do tênis brasileiro após a Fed Cup. Nem o presidente da CBT nem o diretor da Brasil Tennis Cup, autor do tuíte acima.

Os outros campeões

Estrella Burgos não foi o único veterano a fazer boa campanha na semana. Paul-Henri Mathieu, aquele, 34 anos, alcançou a final em Montpellier e teve até chances contra o compatriota Richard Gasquet. O veterano sacou em 5/4 para fechar o primeiro set, mas perdeu a chance. Gasquet saiu do buraco e arrancou para vencer por 7/5 e 6/4, conquistando seu terceiro título em Montpellier e o 13º na carreira (em 25 finais disputadas). Mathieu, por sua vez, não levanta um troféu desde 2007. Ele soma dez finais de ATP na carreira e perdeu as últimas quatro decisões que jogou: Metz (2008), Hamburgo (2009), Kitzbuhel (2015) e Montpellier.

No ATP estreante de Sofia, em uma chave nada dura, a final colocou cara a cara dois tenistas que sabem escolher calendário: Roberto Bautista Agut e Viktor Troicki. O espanhol levou a melhor por 6/3 e 6/4 e encerrou a semana (foram só três jogos, na verdade) sem perder sets. Número 18 do mundo no começo da semana, Bautista Agut agora soma 12 vitórias e duas derrotas em 2016. Em quatro torneios disputados, foi campeão em dois (Auckland e Sofia). Troicki não fica muito atrás, com dez vitórias e três reveses. Em quatro eventos, foi campeão em Sydney e agora soma este vice de Sofia. Não por acaso, era o #22 na segunda-feira.

A elite da Fed Cup

A polêmica começou ainda em Melbourne, com Maria Sharapova dizendo que tinha dores no braço e que iria até Moscou, mas para não jogar. A declaração não foi bem vista pelo presidente da Federação Russa, Shamil Tarpischev, que deu a entender que poderia deixar a loira fora dos Jogos Olímpicos (sim, ele tem esse poder mesmo com Sharapova cumprindo o número mínimo de aparições pelo time nacional na Fed Cup).

A capitã, Anastasia Myskina, acabou escalando Sharapova para as duplas – o quinto jogo, que teoricamente não valeria nada porque a Rússia era favorita contra a Holanda e, supostamente, encerraria o confronto antes. Difícil dizer o quanto essa confusão afetou o time, mas a Rússia tombou sonoramente diante da Holanda, que fez 3 a 0 com duas vitórias de Kiki Bertens (sobre Kuznetsova e Makarova) e uma de Richel Hogenkamp. O triunfo de Hogankamp sobre Kuznetsova, aliás, durou 4h e estabeleceu um novo recorde para partida mais longa na história da Fed Cup.

Por enquanto, é difícil saber como terminará o imbróglio de Sharapova com sua federação, mas durante o fim de semana houve relatos de que a ex-número 1 não treinou e nem levou raquetes para Moscou. Segundo o jornalista holandês Abe Kuijl, Myskina disse ter ficado sabendo na quinta-feira que Sharapova não tinha condições de jogo. Será que ela foi a última a saber? Ao ser escalada, Maria cumpre o requisito mínimo para participar dos Jogos Olímpicos. Ainda assim, existe o risco de sua federação não lhe indicar para os Jogos. Tudo leva a crer que essa novela ainda terá alguns capítulos tensos.

Dois confrontos só foram decididos no quinto jogo. Na Romênia, com duas derrotas de Petra Kvitova, a República Tcheca precisou de Karolina Pliskova, que correspondeu. Bateu Simona Halep no sábado, na abertura da série, derrotou Monica Niculescu no domingo para igualar o duelo, e voltou à quadra nas duplas para selar a vitória ao lado de Barbora Strycova.

O resultado é mais um daqueles que mostram o quão difícil é superar uma República Tcheca que tem Kvitova, Safarova, Pliskova(s), Strycova, Hradecka e Hlavackova… Ou seja, há sempre a possibilidade de formar um timaço. Não por acaso, o time foi campeão em quatro das últimas cinco edições da Fed Cup.

Em Leipzig, o nome do fim de semana foi Belinda Bencic, que bateu Andrea Petkovic e Angelique Kerber nas simples. Com o duelo empatado em dois a dois, Bencic teve a ajuda de Martina Hingis para superar Anna-Lena Groenefeld e Andrea Petkovic na partida de duplas.

O único time da casa a vencer no fim de semana foi a França, que aproveitou a quadra dura indoor para despachar a Itália, apesar de Camila Giorgi abrir o confronto com vitória das visitantes. Foi, contudo, o único triunfo italiano. Caroline Garcia bateu Errano no sábado e Giorgi no domingo, enquanto Mladenovic superou Errani no sábado. Nas duplas, apenas cumprindo tabela, Giorgi e Mladenovic superaram Caregaro e Errani.

Lances bacanas

Uma curtinha assim é sempre admirável, não?

Que tal esse voleio de Gilles Simon em Montpellier?

Fanfarronices publicitárias

Marcelo Melo disputou uma “partida” de tênis via Twitter. Na teoria, os fãs digitavam no Twitter, junto com uma hashtag, que tipo de golpe queriam que as máquinas jogassem para o mineiro rebater. Foi uma iniciativa interessante e original da Centauro, mas não tão bem executada assim. Aconteceu no meio da tarde de quinta-feira e as redes sociais ainda divulgavam um endereço de YouTube errado. Eu mesmo fiquei sem saber aonde ir. Só não foi um fiasco maior porque Marcelo tem carisma pra carregar sozinho diante da câmera uma ação assim. Mesmo assim, o número de pessoas assistindo simultaneamente não passou de 100. Uma pena.

Não é exatamente uma fanfarronice, mas o Rio Open divulgou esta foto durante a semana. O chamado “Time Rio Open Brasil” no Corcovado.

As previsões

A empresa holandesa Infostrada, especializada em estatísticas esportivas, mantém um quadro com previsões de medalhas para os Jogos Olímpicos. Após o Australian Open, a empresa atualizou seu adivinhômetro da maneira abaixo para o tênis:

Segundo a empresa, o Brasil ganhará o ouro nas duplas masculinas e a prata nas duplas mistas (Teliana se deu bem). A Infostrada também prevê Agnieszka Radwanska com a prata nas simples femininas e a Índia com a prata nas duplas femininas (apesar de Sania Mirza não tem uma parceira à altura).

A melhor história

O Tenisbrasil publicou uma entrevista com Carlos Bernardes. Embora não tenha falado sobre o episódio com Rafael Nadal (Bernardes sabe muito bem onde pode pisar), o árbitro brasileiro falou um pouco sobre sua vida, a carreira de árbitro e deu declarações interessantes e nada politicamente corretas sobre o Centro Olímpico de Tênis. Bernardes inclusive aponta que a quadra central foi pintada de forma errada. “A verdade é que nunca perguntaram nada para gente. Eu só acho que uma opinião das pessoas do meio seria bem-vinda. Tanto é que a quadra foi pintada errada … então porque não chegar para o Guga, e perguntar o que você acha?” A entrevista inteira está neste link.

A notícia mais feliz

Juan Martín del Potro anunciou que voltará a jogar no ATP de Delray Beach. O argentino, como de hábito, gravou um vídeo para atualizar fãs e jornalistas de suas condições e do que espera de seu retorno.

A notícia não tão feliz

Eugenie Bouchard não virá mais para o Rio Open. O torneio confirmou a informação pouco depois de o Tennis Forum dar a canadense como ausência. A informação oficial é que Bouchard mudou de planos e decidiu tirar mais tempo para treinar. Tudo indica que ela pretende estar em forma para os WTAs de Indian Wells e Miami, disputados em quadra dura não muito depois do Rio Open (saibro).

Para os brasileiros, a versão “copo meio cheio” dessa notícia é que Teliana Pereira terá uma chave ainda mais fácil no Rio de Janeiro. O torneio, que é disputado no calor, em piso lento e está entre os mais fracos do calendário, parece feito sob medida para a brasileira ir longe. Ela será a principal cabeça de chave e não parece ser exagero colocá-la como favorita.

A notícia mais estranha

Na terça-feira, Roger Federer revelou que havia passado por uma artroscopia no joelho esquerdo para reparar um menisco rompido. O comunicado, publicado no site oficial do suíço, não dizia qual era o joelho lesionado, mas informava que a lesão foi sofrida um dia depois da semifinal do Australian Open. O suíço descreveu assim o incidente em sua conta no Twitter:

Federer deixará de disputar os ATPs 500 de Roterdã e Dubai e, se tudo correr como o esperado, voltará às quadras no Masters 1.000 de Indian Wells. Caso não faça modificações em seu calendário original, o suíço só jogará em Roland Garros depois disso. O ex-número 1 do mundo e atual terceiro colocado no ranking, porém, ainda pode optar por incluir Miami ou algum dos Masters 1.000 de saibro, já que terá “descansado” nas semanas de Roterdã e Dubai.

Ainda sobre Melbourne

Angelique Kerber cumpriu a promessa e mergulho no Rio Yarra. Não era exatamente o mais recomendável para a saúde da alemã, mas quem ganha um Slam pode tudo (ou pelo menos acredita que pode), certo?

Had to keep my word! Jumped into the Yarra River 󾓚 #AusOpen2016 #TeamAngie #GrandSlamChampion

Posted by Angelique Kerber on Sunday, January 31, 2016

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

Esse era o público no sábado de qualifying no ATP de Buenos Aires. Olha que tem muito ATP por aí que não tem tanta gente assistindo sessão diurna, hein?

Dustin Brown riu desse hater.

A turnê de Bruno Soares pelos veículos de imprensa logo após as conquistas em Melbourne ganhou destaque na ATP.

Repito: não é tirar mérito de ninguém. Mas que tem sua dose de verdade…

Nada a ver com tênis, mas o mundo inteiro precisa ver isso:

Aviso

Tiro uma semana de “férias'' antes do Rio Open e é bem possível que eu fique a maior parte do tempo desconectado. O blog possivelmente ficará parado até o dia 15. Agradeço aos que compreenderem e até a volta.


Bruno Soares: campeão também com as palavras
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Alexandre Cossenza

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De tudo que li sobre a primeira coletiva de Bruno Soares em sua chegada ao Brasil, o que mais me interessou não foram suas declarações sobre os títulos (até porque nada foi grande novidade para quem ouviu o podcast Quadra 18). O que me chamou a atenção foi a posição tomada pelo mineiro sobre o “escândalo” de apostas “revelado” pela BBC e pelo BuzzFeed no primeiro dia do torneio.

“''Felizmente, eu nunca foi abordado por este tipo de gente. A gente sabe, escuta histórias de que esse tipo de coisa acontece. Mas é muito difícil você falar qualquer coisa se não tem nome. Achei até um pouquinho antiético eles soltarem uma matéria, aproveitando o início de um Grand Slam, quando as atenções estão voltadas para o tênis, para soltar uma matéria em que eles falaram, falaram, e não falaram nada. A pessoa chegar lá e fazer um monte de acusação, mas depois falar ‘beleza, estou colocando isso no ar e depois vocês se viram’.”

A declaração na íntegra está neste texto da Sheila Vieira, que também comenta o assunto. Eu também fiz um post sobre o tema logo quando os veículos todos repercutiram o assunto, mas acho que o momento agora é melhor – e mais calmo -para lembrar o que aconteceu e analisar com calma as consequências.

Resumindo a coisa toda, BBC e BuzzFeed publicaram, simultaneamente, reportagens sobre manipulação de resultados no tênis. Os veículos diziam ter posse de uma lista de partidas investigadas pela ATP, lembravam o famoso caso do jogo entre Davydenko e Vassallo Arguello, e afirmavam inclusive que havia campeões de Grand Slam na tal lista que nunca foi divulgada.

E esse é o ponto, certo? Ninguém divulgou nomes. Tanto a BBC quanto o BuzzFeed explicaram, aliás, que a lista e os nomes não seriam publicados porque os veículos não tinham acesso a dados bancários e telefônicos dos atletas, então não tinham como conferir seu envolvimento na manipulação de resultados. Logo, que sentido faz dizer “temos uma lista”?

A consequência mais nefasta de tudo isso foram listas pipocando em um punhado de sites, sem verificação alguma, com vários jogos supostamente suspeitos. Brotaram nomes aqui e ali sem prova alguma. O que se alcançou com a reportagem? Como bem disse Bruno Soares, “estão basicamente falando que todo mundo é corrupto até que se prove o contrário.”

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É uma das grandes qualidades de Bruno Soares, é preciso frisar. O mineiro não é daqueles tenistas que acham que a vida é dentro de quadra e que pouco importa o que acontece no mundo ao seu redor. Muita gente – aqui no Brasil inclusive – vive o circuito de antolhos, do treino para o jogo, do jogo para o avião, do avião para o hotel, do hotel para o próximo treino. É difícil evoluir como pessoa e como tenista assim. E a culpa não é só dos tenistas, mas eu divago.

Outro ponto curioso interessante de ressaltar sobre a história das manipulações é que as reportagens tinham um tom crítico em relação à Unidade de Integridade no Tênis (TIU, na sigla em inglês), criada para averiguar partidas suspeitas. Como se faltasse transparência em suas ações. A impressão passada pelos textos é que não vinha sendo feito o suficiente para desmascarar e punir os manipuladores.

Só que não é bem assim que essa banda indie toca. É bem verdade que ATP, WTA e os Slams anunciaram medidas para divulgar melhor o trabalho dos investigadores, mas essa é uma transparência que não pode existir 100%. Já imaginaram se o FBI anunciasse que estava investigando José Maria Marin e um montão de gente com cargo na FIFA antes das prisões em Zurique? Será que algum daqueles suspeitos teria viajado até a Suíça?

Existe também a questão moral da coisa que, aparentemente, não é tão óbvia para muita gente. Qual o benefício de divulgar que uma partida entre, digamos, Fabio Fognini e Nicolás Almagro (é só um exemplo, pelamordedeus) foi ou está sendo investigada? Isso levantaria suspeitas sobre ambos sem que algo fosse comprovado. Ou seja, mancharia a reputação dos dois tenistas.

Vale lembrar que Nikolay Davydenko, investigado publicamente, é até hoje visto por muita gente como culpado por algo pelo qual nunca foi condenado, por mais estranho que tenha sido o desenrolar dos acontecimentos naquele dia. Alguém já ouviu falar em benefício da dúvida? Pois é. O russo nunca recebeu isso. Aliás, o conceito de “partida suspeita” é um tanto amplo. Até uma partida de Gustavo Kuerten na Costa do Sauípe já foi vista assim (falei dela no texto linkado).

Além de tudo isso, é muito fácil levantar suspeita sobre uma partida. Uma sequência estranha no placar, erros bobos de um tenista, uma lesão inesperada, um atleta sem sangue… Especialmente depois de uma reportagem como a de BBC/BuzzFeed, tudo isso dá margem para que se suspeite de algo. Na maioria dos casos – que a gente vê todo dia, em todo nível de torneio – não passa disso: algo estranho. Mas é assunto para o próximo post, com um par de vídeos e jogos com games decisivos um tanto esquisitos.

Coisas que eu acho que acho:

– Não sou contra a existência de casas de apostas. Já até fui contra patrocínios de empresas desse tipo a torneios de tênis. Hoje, não sou. Estou convencido de que não faz diferença alguma. Se não houvesse casas legalizadas, as pessoas continuariam apostando em eventos esportivos de forma clandestina.

– As casas de apostas, no fundo, são tão vítimas das manipulações quanto o público fã de tênis. Uma partida manipulada nada mais é do que uma tentativa de ganhar muito dinheiro driblando as cotações impostas pelas casas.

– O que parece contradição, no entanto, é que casas de apostas podem patrocinar torneios de tênis, mas não podem fazer contratos publicitários com atletas. Essa é uma grande reclamação dos tenistas junto às entidades que regem o esporte.


Quadra 18: S02E02
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Alexandre Cossenza

Os dois títulos de Bruno Soares, a inesperada (para os outros) conquista de Angelique Kerber e a mais do que esperada campanha de Novak Djokovic no Australian Open são os assuntos do segundo episódio do podcast Quadra 18 em 2016. No programa, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu lembramos de nossos palpites e comentamos o que rolou de mais interessante nas duas semanas.

O podcast tem áudios exclusivos de Bruno Soares, que falou ao Quadra 18 logo depois de vencer o título nas mistas. O mineiro fala de como aconteceu a virada na final de duplas, conta sua “madrugada muito louca” entre as duas decisões e fala do que tudo significa para o tênis brasileiro.

Para ouvir, basta clicar no player acima. Se preferir fazer o download do episódio para ouvir mais tarde, clique neste link com o botão direito do mouse e, depois, em “salvar como”.

Os temas

0’10” – Lembrança dos palpites do episódio anterior
1’00” – Aliny, Sheila e Cossenza comentam o título de Bruno Soares
4’30” – Bruno comenta a sensação pós-título de duplas e a busca do ouro olímpico
6’30” – Aliny fala de como as duplas carregaram o tênis brasileiro nos últimos anos
8’15” – A campanha de Bruno Soares e Jamie Murray
12’10” – Bruno conta como aconteceu a virada na final de duplas
13’40” – Sheila fala de como Bruno foi impecável nos últimos games
16’10” – Bruno fala de sua “madrugada muito louca” depois da final de duplas
18’00” – Felicidade e simpatia de Elena Vesnina
20’00” – Cossenza: “Cafeína não é proibida pela Agência Mundial Antidoping”
21’00” – A emoção de Jamie Murray, sua evolução e o primeiro título de Slam
23’40” – Pergunta: “Alguma dupla já ganhou Slam com tão pouco tempo?”
25’35” – “Nas últimas 24h, Bruno ganhou mais Slams do que Federer em 5 anos”
26’20” – Pergunta: “O que dizer a quem desvaloriza os Slams de duplas porque Nadal, Federer e Djokovic não jogam?”
27’50” – Pergunta: “Por que #Santina domina tanto as duplas femininas?”
32’00” – Mineirinho (SPC)
32’40” – Início “o bloco da Kerber”
33’05” – O match point salvo na primeira rodada
35’45” – Sheila: “Kerber fez a cartilha oficial de como ganhar da Serena”
40’35” – Cossenza: “Vejo a Kerber como o equivalente do Ferrer na WTA”
41’35” – Pergunta: “Kerber é mais uma campeã de um Slam só?”
44’20” – O “jejum” de Serena é o começo do fim?
45’30” – Sharapova e Azarenka decepcionaram?
50’25” – Quem decepcionou mais? Halep ou Muguruza?
53’40” – Johanna Konta vai emplacar ou só pegou uma chave aberta?
54’50” – “Vou torcer contra só pelos trocadilhos”
56’25” – Fazendeiro (SPC)
57’00” – Início do “bloco do Djokovic”
58’05” – Sheila: “Ele está jogando melhor agora do que no ano passado”
58’35” – “O que ele fez com Federer nos dois primeiros sets é caso de cadeia”
60’40” – Pergunta: “Quem tem mais chance de derrotar Djokovic em um Slam?”
62’20” – Sheila: “Deveriam jogar Federer e Murray na mesma quadra contra ele”
63’10” – Djokovic vai fazer o Golden Slam?
66’45” – Pergunta: “Qual o próximo Slam em que Djokovic vai perder?”
67’50” – Murray merece desconto pela expectativa do nascimento do filho?
69’05” – Pergunta: “A presença na final de duplas afetou Andy contra Nole?”
70’15” – “O que acontece com Federer nas fases finais dos Slams?”
70’50” – Pergunta: “O que Federer precisa fazer de diferente para bater Djokovic?”
72’00” – “Meu sonho é ver alguém jogar contra Djokovic só com lobs”
73’45” – “Jamie Murray é o melhor tenista para ganhar de Djokovic hoje”
74’00” – A campanha de Milos Raonic, um “Pete Sampras moderno”
78’45” – Nadal, o campeão da “Colher de Pau”
80’20” – “O melhor momento da carreira de Fernando Verdasco”
80’50” – Elogios e críticas à transmissão da ESPN

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Mineirinho e Fazendeiro (SPC). A faixa de encerramento é Kill the Director (The Wombats).


AO, dia 14: Djokovic, maior de todos e maior do que nunca
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Alexandre Cossenza

O cidadão termina uma temporada memorável, com 26 vitórias e três títulos em Slams, uma conquista no ATP Finals e uma liderança oceanopacífica no ranking mundial. Obviamente, é impossível repetir as atuações de 2015. Impossível jogar dois anos naquele nível, certo? Não para Novak Djokovic. Neste domingo, o sérvio não só repetiu a conquista do Australian Open (é seu sexto título em Melbourne) como completou duas semanas espetaculares. Nole venceu partidas com 100 erros e duelos sem erros. E mostrou que é possível ampliar seu domínio no circuito.

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A final

Andy Murray bem que ofereceu alguma resistência depois de sofrer um sonoro 6/1 no primeiro set. O britânico tentou ser mais agressivo, tentou dar curtinhas, tirou todos instrumentos de sua mala. Nada funcionou. Djokovic, como sempre, teve resposta para tudo. Mesmo quando o número 2 do mundo conseguia equilibrar as ações, ficava a impressão de que Nole tinha algo na reserva, de que seria possível deslanchar com a partida a qualquer momento. O líder do ranking nem chegou a disparar na frente, mas foi muito superior no tie-break do terceiro set, que poderia dar um novo ânimo a Murray. No fim, o placar mostrou 6/1, 7/5 e 7/6(3).

A campanha

Da estreia contra o garotão Hyeon Chung até a semifinal contra Roger Federer, Djokovic foi incrivelmente superior a todos. Essa lista inclui Gilles Simon, que levou o sérvio a cinco sets. Foi um dia atípico do número 1, que somou 100 erros não forçados. Ainda assim, é preciso, como escrevi naquele dia, contextualizar a estatística. Em cinco sets e diante de um adversário que devolve quase tudo, 20 erros por set não parece um número tão absurdo assim. Tanto que, no que poderia ser um nervoso quinto set, Djokovic nunca esteve perto de ser eliminado.

O triunfo sobre Federer, especialmente, foi simbólico. Quando venceu Doha atropelando Rafael Nadal, houve quem dissesse que o momento ruim de Nadal pesou muito aquele dia. O suíço, diferentemente, vem jogando o que ele mesmo já classificou como o melhor tênis de sua carreira. O placar, no entanto, mostrava 6/1 e 6/2 após menos de uma hora de jogo. Coincidência ou não, os mesmos números da final no Catar. Federer teve mais tempo e reagiu em um descuido do sérvio, mas a margem a favor de Djokovic era muito grande. O líder do ranking acabou levando a melhor em quatro sets: 6/1, 6/2, 3/6 e 6/3.

O domínio

Em dois torneios disputados, Djokovic agora soma 12 vitórias e nenhuma derrota em 2016. Mais do que isso: atropelou os números 2 e 3 do ranking – e isso numa época em que os números 2 e 3 são Murray e Federer! Nole também bateu com folga os números 5, 6 e 7. Agora, tem 7.845 pontos de vantagem sobre Murray, o vice-líder do ranking. E se tivesse descontados todos seus pontos nos Slams, Djokovic ainda seria o número 1.

A consciência

Na entrevista coletiva, Djokovic disse que segue tentando melhorar tecnicamente, taticamente e mentalmente. “Não estou aqui porque joguei o mesmo tênis do ano passado. Acho que estou jogando melhor.”

O sérvio também citou uma metáfora que ouviu na véspera da decisão. Segundo ele, o lobo que sobe a montanha tem mais fome do que o lobo que já está no topo. “Não posso me permitir relaxar e curtir. Quer dizer, eu posso. É claro que quero curtir – e vou – mas não vai durar mais do que alguns dias. Depois disso, já estou pensando sobre como continuar jogando bem pelo resto da temporada.”

Quando indagado se o lobo está com muita fome por Paris, Nole deu uma resposta ótima: “Muito faminto. Mas o lobo precisa comer refeições diferentes para chegar a Paris. Paris é uma sobremesa.”

O ponto do dia

Não que sirva de consolo para Andy Murray a essa altura, mas o Australian Open escolheu esse ponto vencido pelo escocês como o melhor do domingo.

O melhor recado

Andy Murray, prestes a ter seu primeiro filho, encerrou o discurso com um agradecimento especial à esposa, Kim. “Você foi uma lenda nas últimas duas semanas, muito obrigado pelo apoio, e vou estar no próximo voo para casa.” O discurso inteiro está aqui. Djokovic também fez um discurso bonito e desejou a Murray as mesmas sensações bonitas de quando ele, Nole, teve um filho.

O respeito

Após receber um enorme elogio de Billie Jean King, o número 1 do mundo respondeu à altura da grande tenista americana. “Nós, gerações mais jovens, nos apoiamos nos ombros de gigantes (vocês). Obrigado por suas palavras gentis.”

O bom samaritano

Depois do título, Djokovic doou 20 mil dólares australianos a um programa de aprendizado no início da infância para jovens carentes promovido pela Melbourne City Mission. Leia mais aqui (em inglês).

Os fanáticos

Eles podem não ser mais numerosos que os fãs de Roger Federer e Rafael Nadal, mas devem ser os mais apaixonados. Certamente, são os mais barulhentos após as conquistas. Melbourne sabe bem como a coisa acontece.

Aguardado por dezenas de fãs durante a turnê de entrevistas pós-final, Djokovic atirou de presente um par de tênis. Um pé para cada lado.

Uma das raquetes de Nole também ficou com uma fanática.

Aviso: este post foi publicado à 1h de quarta-feira, dia 3 de fevereiro de 2016. Alterei a data do post para que ele apareça em ordem cronológica na página principal do blog.


AO, dia 14: Dezesseis horas, dois Slams e R$ 1 milhão para Bruno Soares
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Alexandre Cossenza

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O relógio marcava 0h58min em Melbourne quando Bruno Soares fechou, ao lado de Jamie Murray, a final de duplas. Eram 17h27min quando o mineiro, desta vez ao lado de Elena Vesnina, se sagrou campeão também nas mistas. Foram 16h29min entre um match point e outro. E assim terminam as espetaculares duas semanas de Bruno Soares neste Australian Open.

As vítimas deste domingo – ou melhor, da tarde deste domingo – foram o romeno Horia Tecau e a americana Coco Vandeweghe, e as parciais do jogo foram 6/4, 4/6 e 10/5. Foi uma atuação irregular da parceria formada por brasileiro e russa, mas que terminou com sucesso graças a um impecável match tie-break de Vesnina, que contou com poucas, mas igualmente precisas intervenções de Bruno.

A conta de Bruno Soares engordou em 396 mil dólares australianos, valor equivalente a R$ 1,135 milhão pelo câmbio da última sexta-feira. A lista de seus principais feitos também dobra de espaço no currrículo. O mineiro de 33 anos, que chegou a Melbourne dono de dois títulos nas mistas, sai com mais dos Slams – um deles, nas duplas.

A comemoração

O quarto título de Slam de Bruno Soares foi festejado assim:

O discurso

Depois de falar por mais de dois minutos (uma eternidade em cerimônias de premiação) ao vencer as duplas na madrugada, Bruno prometeu ser mais rápido na cerimônia das mistas e até conseguiu ser, mas não antes sem pedir desculpas por não ter mencionado sua família após o primeiro título do dia.

A coletiva

Na entrevista pós-jogo, Elena Vesnina contou que recebeu uma mensagem do brasileiro às 4h30min (locais!). No texto, Bruno dizia estar pronto para entrar em quadra. O mineiro, em seguida, explicou que deixou Melbourne Park por volta das 3h e ainda atendeu veículos de imprensa brasileiros, por isso só foi dormir às 5h. Acordou às 8h30min, tentou voltar a dormir, mas não conseguiu e decidiu tomar café da manhã: “Estou vivendo à base de café desde então.”

Lembra disso?

Não foi hoje, mas não custa lembrar do estupendo match point que Elena vesnina jogou nas semifinais, contra Sania Mirza e Ivan Dodig. Ela e Bruno venceram aquele jogo por 7/5 e 7/6(4).


AO, dia 13: Kerber, uma inesperada e comovente campeã
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Alexandre Cossenza

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Angelique Kerber estava entre as candidatas para vencer o Australian Open (se você acha que ninguém dizia isso antes do torneio, ouça o último episódio do podcast Quadra 18), mas não era a mais cotada. As casas de apostas a colocavam atrás inclusive de gente menos experiente como Garbiñe Muguruza e Belinda Bencic. Eis que duas semanas depois, a alemã levanta o troféu ao derrotar a grande Serena Williams por 6/4, 3/6 e 6/4.

Foi uma caminhada fascinante, que incluiu a comemoração de seu aniversário no primeiro dia do torneio, um match point salvo no dia seguinte, uma virada espetacular contra Victoria Azarenka e uma atuação impecável contra a número 1 do mundo. Uma conquista que mereceu uma demonstração gigante de respeito de Serena Williams e que obviamente deve ser repassada aqui. Vejamos, então, a caminhada de Kerber até seu primeiro título em um Slam.

O match point salvo

O maior susto de toda campanha veio, quem diria, na primeira rodada em Melbourne. A japonesa Misaki Doi, que venceu o primeiro set depois de estar perdendo por 3/0 (duas quebras), teve match point no tie-break da segunda parcial, depois de vencer um belo rali. Kerber, então, encaixou um primeiro serviço conservador, mas que resolveu o problema. Doi devolveu para fora e perdeu a chance (assista ao lance por volta dos 35 minutos do vídeo abaixo). Kerber também venceu os dois pontos seguintes, forçou o terceiro set e saiu com a vitória por 6/7(4), 7/6(6) e 6/3, em 2h45min.

É curioso, mas uma campeã de Slam salvar match point nem é tão raro assim. Só na Austrália e na Era Aberta (a partir de 1968), já aconteceu em outras cinco ocasiões, com Serena Williams (2003 e 2005), Na Li (2014), Monica Seles (1991) e Jennifer Capriati (2002).

A vitória sobre Vika

O duelo com Victoria Azarenka foi nervoso. Pesava contra Kerber o histórico de seis derrotas e nenhum triunfo contra a bielorrussa. Mas Vika entrou em quadra errando muito, e a alemã aproveitou. Abriu 4/0, quase permitiu uma reação da ex-número 1, mas fechou a parcial. O segundo set foi outra história. Vika teve 5/2 e saque com 40/0. Depois, 5/4 e 40/15. Ponto a ponto, Kerber foi salvando set points. No fim, venceu cinco games seguidos e fechou a partida em 6/3 e 7/5. Sua entrevista ainda dentro de quadra era só alegria.

A final

O primeiro set entra na conta de Serena. Sim, é verdade que Kerber cometeu apenas três erros não forçados, mas também é inegável que a alemã nem precisou de todo seu poderio defensivo e de contra-ataque. Serena falhou muito e em bolas muito fáceis (para ela). Foram 23 erros não forçados na parcial – quase um set inteiro em pontos – e só 12 winners. E o placar foi até equilibrado considerando a atuação da número 1: 6/4.

Até então, o maior mérito de Kerber era não se desesperar. Nem quando sacou em 15/30 no primeiro game, depois de fazer uma dupla falta, nem quando cedeu a primeira quebra a Serena, que empatava a parcial em 3/3 naquele momento. A alemã não forçou além da conta e foi recompensada com os muitos pontos grátis.

O segundo set correu mais como um típico Serena x Kerber (até este sábado, as duas se enfrentaram seis vezes, com cinco triunfos da americana). A americana atacando, a alemã se defendendo. Os erros da número 1 diminuíram, e uma quebra no quarto game foi o que Serena precisou para disparar na frente, abrindo 4/1.

A número 1 forçou o terceiro set, mas não conseguiu elevar o nível o bastante. Pelo contrário. Na parcial decisiva, seu aproveitamento de primeiro saque caiu (de 64% para 44%) e seus golpes junto à rede deixaram muito a desejar. E, diante dos contragolpes de Kerber, voleios e smashes mal executados custam caro. Custaram, inclusive, uma quebra logo no segundo game.

O maior mérito de Kerber foi tirar o máximo de seu tênis. Minimizou o prejuízo com seu segundo serviço vulnerável, conseguiu manter as bolas fundas em boa parte do jogo, mesmo quando não tinha o controle dos pontos, e, quando obteve vantagem nos ralis, usou ângulos com inteligência. E soltou até umas curtinhas que pegaram Serena de surpresa.

E eu mencionei os contra-ataques? Aqui vale ressaltar que Serena jogou taticamente mal, atacando quase sempre o forehand de Kerber, mas que culpa a alemã tem nisso? Ao contrário da favorita, a número 6 do mundo foi impecável com seu melhor golpe.

Na prática, a quebra do sexto game (com uma dupla falta e uma direita não forçada longa) decidiu o jogo a favor de Kerber, que abriu 5/2 na sequência. Sim, Serena ainda devolveu a quebra, mas três games dão a qualquer pessoa uma margem muito pequena contra alguém errando tão pouco. Sacando em 4/5 e com break point contra, um voleio (mais um) errado da #1 deu o título à alemã: 6/4, 3/6, 6/4.

O respeito

Serena Williams, número 1 do mundo, dona de 21 títulos de torneios do Grand Slam e a uma vitória de igualar-se a Steffi Graf (curiosamente, “salva” por outra alemã) como maior vencedora do tênis na Era Aberta, deu um longo abraço na nova campeã logo depois do match point. Assista!

A líder do ranking mundial ainda deu os parabéns toda sorridente em seu discurso de agradecimento. Serena se disse feliz pela alemã e desejou que Kerber apreciasse o momento.

A cerimônia

O discurso de Kerber não foi menos comovente do que o abraço da americana. A alemã brincou ao dizer que esteve com uma perna no avião de volta para casa na primeira rodada, mas sobreviveu para fazer esse pronunciamento lindo de ver.

O ranking

Com o título, Kerber salta para a vice-liderança do ranking mundial, melhor posição de sua carreira. Serena continua como número 1 com certa folga, mas sua vantagem diminuiu de 3.980 pontos para 3.545.


AO, dia 13: sobre Bruno, Jamie, timing e título
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Alexandre Cossenza

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Um dos grandes clichês do tênis diz que dupla é como um casamento. Juntos na alegria e na tristeza, na saúde a na doença, até que a morte, ou melhor, as derrotas os separem. E, como na vida “real”, tão importante quanto a química ou a soma das habilidades de cada um dos parceiros, o timing é essencial.

Sejamos sinceros: quantas vezes você, leitor, se pegou imaginando como seria seu namoro/casamento se tivesse conhecido seu parceiro em outro momento, outro lugar, outro dia da semana? Para Bruno Soares e Jamie Murray, o casamento veio na hora perfeita e com todas peças do destino se encaixando. O mineiro, vale lembrar, queria jogar em 2016 ao lado do conterrâneo Marcelo Melo. Girafa, porém, preferiu manter a parceria de sucesso com Ivan Dodig.

Veio, então, o convite de Jamie. O ascendente escocês, vivendo o melhor momento da carreira e vindo de duas derrotas em finais de Slam, queria alguém com uma boa devolução, que lhe permitisse fazer o que sabe de melhor junto à rede, mas também precisava de alguém calmo sob pressão. Bruno, por sua vez, fez em 2015 sua pior temporada em cinco anos. Precisava mudar e viu a evolução de Jamie como um sinal de que talvez fosse a hora certa.

Entrevistei os dois no período de férias, e a sensação de ambos era a mesma, ainda que os dois não tivessem sequer conversado a fundo sobre os planos para a temporada. Era a hora de ganhar um Slam. Jamie, autor do convite para a formação da parceria, foi categórico: “Estamos desesperados para ganhar um Slam.” Com Bruno, não foi muito diferente. O mineiro ressaltou que “o mais importante é perguntar: ‘esses jogadores estão prontos para ganhar um Grand Slam?’ Eu acredito que sim.” O troféu do Australian Open agora é testemunha disso.

O ranking

Até agora, são três torneios e dois títulos. Uma derrota na semifinal em Doha, um troféu em Sydney e o sonhado título do Australian Open. Bruno Soares e Jamie Murray, que já lideravam, disparam na ponta do ranking da temporada, aquele que deixa mais fácil ver quem tem melhores chances de se classificar para o ATP Finals. A essa altura, já com 2.340 pontos, é improvável que brasileiro e escocês não se qualifiquem. E Jamie, que subirá para número 2 no ranking de 52 semanas, fica mais perto da liderança.

O número 1, vale lembrar, ainda é Marcelo Melo, o que deixa o Brasil na liderança das duas listas e o torcedor brasileiro sonhando com a medalha de ouro olímpica (as chances são interessantes, mas isso é discussão para outro post).

A cerimônia

A premiação foi uma nuvem colorida num caderno de desenho infantil. Os duplistas mais simpáticos do circuito comemorando o maior título da carreira, com direito à entrada inesperada de Andy Murray, que disputa a final no domingo e estava à 1h da manhã acompanhando o irmão.

Primeiro, Bruno abre o discurso dizendo que sonhou a vida inteira com esse momento, mas depois fala por mais de dois minutos. “Muitas palavras para quem não sabia o que dizer”, disse Jamie. O escocês, aliás, falou menos, mas o discurso transpirou emoção. Inclusive com um agradecimento à esposa, com que estava em casa e com quem Jamie está junto há sete anos “nos tempos bons, tempos ruins, ela sempre esteve comigo, é minha rocha.”

Ah, sim, Jamie ganhou algumas risadas do público quando lembrou que o irmão mais novo “deveria estar na cama. Não sei por que você está aqui tirando fotos. Vamos torcer por você amanhã.”

Melhores momentos

Bruno Soares arriscou um violento swing volley do fundo de quadra, e a bola viajou rápido na direção da cabeça de Radek Stepanek. O tcheco conseguiu desviar por pouco e ganhou o ponto, já que a bola saiu no fundo de quadra. Stepanek se levantou e gritou na direção do brasileiro, comemorando.

Coincidência ou não, o tcheco foi quebrado no mesmo game. Foi, inclusive, o primeiro break point convertido por Bruno e Jamie, que cresceram no jogo a partir do segundo set, e o resto é história.

E também rolou esse ponto aqui, que foi “pouco'' importante…

O jogo

Parece formalidade, a essa altura da coisa, descrever a partida, mas fica aqui o registro para quem não acompanhou. Bruno e Jamie não começaram bem e encontraram problemas especialmente no serviço do brasileiro, que, não sei se por nervosismo ou por um simples momento ruim, foi o pior em quadra no primeiro set. O mineiro teve o serviço quebrado no quarto e no oitavo games, e Nestor e Stepanek fizeram 6/2. O domínio era amplo por parte de canadense e tcheco, que também tiveram break points em um dos games de serviço do britânico.

O panorama começou a mudar aos poucos. Primeiro, Stepanek se salvou de três break points no seu serviço, no terceiro game. Depois, com Nestor no saque, a dupla não resistiu e foi quebrada com um voleio errado de Stepanek. Foi o mesmo game, inclusive, da bola que passou voando perto da cabeça do tcheco. A vantagem se manteve, apesar de Bruno continuar tendo problemas com o saque, e Jamie sacou para fechar a parcial em 6/4.

O terceiro set começou com Bruno e Jamie como a melhor dupla em quadra, disparado. Eles tiveram chance de quebra no terceiro e no sétimo games, mas só quebraram no quinto, no serviço de Stepanek. Nesse momento, Bruno já fazia uma ótima partida, só que Jamie, praticamente impecável até então, bobeou quando sacou para o jogo e teve o serviço quebrado no décimo game, depois de um match point salvo com uma devolução estranha de Nestor.

Foi aí que Bruno brilhou. Preciso nas devoluções e junto à rede, levou o time a mais uma quebra no serviço de Nestor. Na sequência, sacou para o título: 2/6, 6/4 e 7/5.

A coletiva

Quando uma entrevista começa com Bruno Soares dizendo ser mais bonito do que Jelena Jankovic (campeã de duplas mistas em Wimbledon ao lado de Jamie Murray em 2007), é bom deixar esse vídeo registrado. Porém, considerem-se avisados: a imprensa britânica fez quase todas perguntas para o escocês.

Lá por volta dos 8’30’’, Bruno finalmente fala sobre o rápido sucesso da parceria e ressalta que fez sua melhor pré-temporada em uns cinco anos.

A outra entrevista

O papo oficial com o torneio começa com Bruno dizendo, em tom de brincadeira, que ele e Jamie sempre amaram jogar na Austrália, mas nunca haviam recebido esse amor de volta no país. O britânico, então, fala sobre como o time se recuperou aos poucos em uma partida que começou pouco animadora.

O áudio e o divórcio

Para quem não sabe a história de como Bruno e Jamie formaram a parceria, fica aqui o áudiocom o próprio mineiro contando como foram o processo de separação com o austríaco Alexander Peya e as conversas com Marcelo Melo e Jami Murray.

Já volto

Não, o blog não ficará sem registrar o título de Angelique Kerber, mas fica para outro post (publicado hoje ou amanhã, não faço promessas).


Sobre Roger Federer, consistência, preparo físico e o “Dilema Djokovic”
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Alexandre Cossenza

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É quase um roteiro de videogame dos meus tempos de infância. O herói completa uma missão atrás da outra, rolando desimpedido ou saltando cogumelos, até que chega o chefão e esmagava a raposa, o porco-espinho ou o simpático encanador italiano. Tudo é fácil demais por um tempo, e o mocinho se enche de confiança só para sofrer um tombo retumbante a poucos metros da princesa aprisionada.

Não foi muito diferente a vida de Roger Federer nos últimos três torneios do Grand Slam. Boas campanhas preparatórias, vitórias empolgantes nas rodadas iniciais e derrotas doídas diante de Novak Djokovic nas finais de Wimbledon e do US Open e, agora, nas semifinais em Melbourne. E a pergunta que surge é a de sempre: “o suíço vai voltar a vencer um Slam?”

Bom, a resposta é bem mais complexa do que “sim” ou “não”, e parece – pelo menos por enquanto – passar necessariamente por uma vitória sobre Djokovic em melhor de cinco sets. Negrito e sublinhado em “melhor de cinco”, por favor, já que o histórico recente mostra uma certa disparidade. As últimas três vitórias de Federer sobre o sérvio aconteceram em melhor de três (Dubai, Cincinnati e ATP Finals), enquanto Nole levou a melhor nos últimos quatro duelos em Slams.

Entre fãs, analistas e críticos, há basicamente duas teorias. Uma culpa a idade do suíço; a outra, o nível de tênis. A primeira parece ser a preferida entre a maioria dos admiradores do ex-número 1 do mundo. A segunda, obviamente, agrada mais aos fãs de Novak Djokovic. Mas o que Federer acha disso? Um ótimo primeiro passo para entender o “Dilema Djokovic” é contextualizar e entender as declarações do suíço após a derrota desta quinta-feira, no Australian Open.

A frase mais interessante da última coletiva veio em resposta a uma pergunta justamente sobre a possibilidade de voltar a derrotar Djokovic em um Slam. O jornalista queria saber o que dava a Federer a confiança de que ele, aos 34 anos de idade, ainda seria capaz disso.

“Bem, ainda tenho autoconfiança também. Isso não vai embora rápido. Sei que não é fácil. Nunca achei que seria fácil. Mas não sei. Melhor de três, melhor de cinco, consigo correr por quatro ou cinco horas, não é problema. Provo isso no treino, na pré-temporada, sem problema. Então, desse ponto de vista, não me preocupo de entrar em ralis longos. Sei que vocês acham outra coisa. Entendo porque vocês pensam que estou velho e tudo mais. Mas não é problema para mim. Isso não me assusta quando vou para uma partida importante contra qualquer jogador que esteja no seu auge hoje em dia.''

A resposta é um pouco mais longa que isso (está na marca de 3'30'' do vídeo acima), mas a essência é essa. Federer acredita que não faz diferença se o jogo é de três ou cinco sets. Aí é preciso levar em conta o fator de “sensação”. Nem tudo que o suíço diz pode ser considerado verdade absoluta. Não que ele minta deliberadamente, mas cabe questionar se Federer tem mesmo razão sobre seu condicionamento físico ou se simplesmente ainda não percebeu que seu corpo não mantém o rendimento ao longo de uma partida mais demorada. Neste caso, seria apenas uma “sensação” de capacidade.

Tendo a concordar com o ex-número 1 e me baseio em alguns indícios para tomar o lado de Federer nesse debate. O primeiro indicativo que gosto de ver é seu estado físico ao fim das partidas, e o suíço não parecia cansado nem em Wimbledon nem no US Open – partidas que terminaram em quatro sets. Definitivamente, não foi o caso em Melbourne, onde Djokovic venceu duas parciais em menos de uma hora. Não foi o caso nem no quinto set de Wimbledon/2014.

Além disso, Federer, privilegiado que é, faz pouca força para jogar e, com seu estilo agressivo, raramente vai ficar cinco horas em quadra, mesmo que precise jogar cinco sets. Então a hipótese de derrotas em Slams por causa de condicionamento físico não me convence. Alguém pode até afirmar que o suíço perdeu velocidade e que é mais lento em quadra hoje em dia, mas é um argumento difícil de se fazer comparando imagens de hoje com as de 2006, dez anos atrás. É mais fácil alegar que o tênis ficou mais rápido do que provar que Federer perdeu arranque. Mas eu divago. Essa é outra discussão, que não envolve o “Dilema Djokovic'' (até porque o sérvio está no circuito desde bem antes de 2006).

Ainda seguindo essa linha de raciocínio, parece conveniente lembrar – por mais de um motivo – de uma declaração de Federer logo após a final do US Open. Djokovic venceu aquele jogo por 6/4, 5/7, 6/4 e 6/4, em 3h20min.

“Especialmente em partidas melhor de cinco sets, as que passam de 2h30min, 3h30min, você passa por altos e baixos naturalmente. Não dá para jogar dois pontos perfeitos toda hora. Naturalmente, você precisa batalhar. É aí que você aprende muito sobre o seu jogo, sua atitude, seu físico. Esta foi, acredito, a partida mais longa que fiz o ano inteiro. Foi muito interessante ver como eu lidei com isso.'' … “Sim, estou feliz de ter conseguido ficar com um grande nível de jogo por um logo período de tempo porque estou com muito tempo de quadra e trabalhei muito duro na pré-temporada também.''

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Há dois pontos interessantes a “ler'' no que Federer disse. O primeiro, obviamente, é sua satisfação com o condicionamento físico, que já vinha desde o ano passado. Se depois de uma derrota em uma partida de mais três horas, o suíço disse ter saído “inteiro'' de quadra, acho que não há motivo para duvidar.

O outro ponto é a questão dos altos e baixos naturais que Federer cita. A meu ver, essa é a grande diferença entre ele e Djokovic nos jogos em melhor de cinco (em comparação com melhor de três). Hoje, o sérvio é um tenista que oscila muito menos do que o suíço, assim como Nadal fazia em seus melhores dias. Federer, lembremos, tem algumas vitórias sobre o espanhol no saibro, mas nenhuma em melhor de cinco sets – nem aquela de Roma, com match points e tudo mais.

Do mesmo modo, o Djokovic de hoje é quase imbatível nos Slams por isso. Em um dia ruim, este número 1 do mundo pode perder dois sets de Gilles Simon e ainda escapar triunfante e sorridente, fazendo piada de si mesmo na entrevista pós-jogo. Também pode cair de intensidade – como caiu – e deixar Federer crescer do outro lado da quadra, mas sempre lhe resta margem para se recuperar e voltar a tomar o controle das ações. Essa dinâmica, aliás, aconteceu nos últimos quatro confrontos em Slams – todos vencidos pelo sérvio.

Assim, os números, o histórico e as próprias declarações de Roger Federer parecem apontar que seu “Dilema Djokovic'' particular é muito mais uma questão de consistência para derrubar a fortaleza de obstáculos do rival do que de condicionamento físico. E “consistência”, caro leitor, não se reduz a limitar o número de erros não forçados. É não fugir do plano tático. É manter o índice de primeiro serviço lá no alto. É aproveitar os segundos saques do adversário. É manter a concentração durante longos trechos. É saber escolher, do começo ao fim do jogo, o golpe ideal para cada ocasião.

Dito isto, quantas pessoas notaram que a quebra derradeira da semifinal aconteceu com Federer perdendo todos os quatro pontos do game junto à rede (vídeo abaixo)? Ainda que consiga fazer seu corpo trabalhar na mesma intensidade ao longo de quatro horas, manter o nível de excelência por tanto tempo contra o tenista mais completo da atualidade ainda parece um desafio grande demais – inclusive para o grande Roger Federer.

Coisas que eu acho que acho:

– Federer, obviamente, não é o único que sofre com Djokovic. O que motiva este post, no entanto, é o contraste entre a facilidade com que o suíço se mantém jogando em altíssimo nível e navegando tranquilo pelas chaves dos Slams e a enorme dificuldade que encontra com o atual número 1.

– Para o resto do circuito, Djokovic soa mais como enigma do que como dilema.

– O colega jornalista Bruno Bonsanti, em microconversa num microblog da vida, estabeleceu uma relação interessante entre Federer-Djokovic e o “enigma de Kasparov”, relatado no primeiro capítulo do livro “Guardiola Confidencial”. É uma teoria interessante. Leiam o texto neste link do Blog do Juca e entendam.


AO, dia 12: Murray na final, Bruno em outra final, e a imbatível #Santina
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Alexandre Cossenza

Andy Murray está de volta à final do Australian Open; Bruno Soares se classificou para mais uma decisão em Melbourne; e a insuperável dupla de Sania Mirza e Martina Hingis conquistou seu terceiro título de Slam consecutivo.

O resumaço deste 12º dia em Melbourne fala sobre os três jogos mais importantes da sexta-feira, mas também avalia o que esperar da final masculina e inclui os habituais vídeos e tuítes pertinentes da rodada. Role a página e fique por dentro.

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O jogo

Quando alguém saca tão bem e, no caso de Milos Raonic, com tanta potência, a vida do adversário é duríssima. A coisa piora quando o sacador toma decisões corretas e escolhe bem os momentos de subir à rede. E se o cidadão está voleando bem, aí realmente se faz necessária uma atuação hercúlea para derrubá-lo.

Se o sujeito em questão consegue uma quebra de saque no primeiro game do jogo, cria-se um buraco difícil de sair, e foi essa a situação vivida por Andy Murray nesta sexta-feira. O britânico ainda teve 0/40 para devolver a quebra imediatamente, mas não conseguiu converter. E aí começou um drama que, mesmo sem o britânico perder o serviço até o fim, só terminou depois de cinco sets.

No papel, o número 2 do mundo não chegou a estar perto da eliminação. Nem mesmo depois de Raonic vencer o terceiro set. Só que as palavras nesse “papel” nem sempre têm sentido literal. Contra um saque como o do canadense, estar perdendo por 2 sets a 1 é viver com a faca no pescoço. Murray, é bom dizer, lidou bem com isso. Sacando atrás no placar no início do quarto set, confirmou saques sem drama até quebrar o adversário.

Aí, sim, houve sufoco. O britânico precisou salvar três break points em dois games diferentes antes de fechar o set. E o momento foi tão tenso que gerou essa comemoração intensa (e rara, sejamos sinceros) de Andy Murray.

Quando o quinto set começou, após mais de 3h30min de partida, Raonic já não estava bem fisicamente. Pediu atendimento médico e recebeu massagem, mas sua movimentação diminuiu. Os saques também sofreram. A vida de Murray ficou mais fácil, e ele aproveitou. Abriu 4/0 e não olhou mais para trás. No fim, depois de 4h08min, garantiu sua vaga em mais uma final: 4/6, 7/5, 6/7(4), 6/4 e 6/2.

O que esperar da final

Novak Djokovic será favorito mais uma vez. Até aí, novidade nenhuma. O sérvio, hoje, é o mais cotado contra qualquer adversário em qualquer torneio, em qualquer piso, com ou sem vento, sob sol ou em quadra indoor. A questão é o quanto Murray conseguirá agredir e ser eficiente no domingo. Até agora, o escocês faz um ótimo torneio, mas nenhuma de suas vitórias veio com um nível de tênis espetacular – aquele que se espera de alguém que possa derrubar o número 1 do mundo.

Djokovic, por outro lado, foi espetacular na quinta-feira. Especialmente nos dois primeiros sets contra Roger Federer. Parece improvável outra atuação como aquela dos cem erros não forçados contra Gilles Simon. Até por isso, as casas de apostas pagam apenas 1,16 em caso de título do sérvio e 5,0 para uma vitória de Murray.

O brasileiro em outra final

Sim, Bruno Soares disputará as duas finais no Australian Open. Já classificado para a decisão das duplas, o mineiro voltou à quadra nesta sexta para tentar avançar também nas mistas. Pois ele e a russa Elena Vesnina derrotaram Sania Mirza e Ivan Dodig por 7/5 e 7/6(4), ficando a uma vitória do título.

Somando as campanhas do ATP de Sydney e as duas chaves do Australian Open, Bruno agora soma 13 vitórias seguidas. A decisão das mistas será no domingo contra o romeno Horia Tecau e a americana Coco Vandeweghe.

As imbatíveis

Sania Mirza jogou a semifinal de mistas contar Soares e Vesnina depois de uma tensa decisão nas duplas femininas. Ela e Martina Hingis foram campeãs, derrotando as tchecas Andrea Hlavackova por 7/6(1) e 6/3.

O primeiro set, em especial, foi dramático, com oito quebras de saque consecutivas. A parceria tcheca, inclusive, chegou a sacar para a parcial com o placar em 5/4. Durante a maior parte do tempo, porém, Mirza sorria, se divertindo com a parceira.

A vitória desta sexta foi a 36ª consecutiva de #Santina. A dupla não perde desde agosto do ano passado e detém agora os títulos de Wimbledon, do US Open e do Australian Open.

Curiosidades

Informação da federação britânica: com Jamie nas duplas e Andy nas simples, pela primeira vez na Era Aberta (a partir de 1968) dois irmãos farão duas finais de um mesmo torneio de Grand Slam.

Outro número interessante: a última vez que a Grã-Bretanha teve representantes nas duas finais masculinas do Australian Open foi em 1935, quando Fred Perry foi campeão nas simples e Patrick Hughes foi vice nas duplas.

E vale lembrar que uma vitória de Milos Raonic também daria ao Canadá a participação nas duas finais. O imortal Daniel Nestor, 43 anos, jogará neste sábado pelo título de duplas ao lado de Radek Stepanek.

Bolão Impromptu do Dia

Nesta sexta, a pergunta aleatória da vez lançada durante um momento qualquer na madrugada foi sobre o quinto set de Andy Murray x Milos Raonic.

Os melhores lances

Na coletiva após o jogo, Milos Raonic disse que nunca se sentiu tão triste após perder um jogo de tênis. É compreensível. A final do Australian Open esteve a alguns games de seu alcance, mas escapou. Não serve de consolo, mas o torneio elegeu esse forehand do canadense como o melhor lance do dia.

Machucou

Andrea Hlavackova deu essa bolada na parceira durante a final de duplas. O erro veio logo em um break point, mas acabou não custando tão caro assim. Pouco depois, as tchecas conseguiram a quebra de saque e abriram 5/4.

O que vem por aí no dia 13

O sábado em Melbourne tem a final feminina, entre Serena Williams e Angelique Kerber, seguida da final de duplas, com Bruno Soares e Jamie Murray enfrentando Daniel Nestor e Radek Stepanek. As duas partidas serão à noite, a partir das 19h30min locais.

Veja aqui os horários e a programação completa.

A mensagem

Após jogo, coletiva e tudo mais, Milos Raonic publicou uma mensagem bonita em sua conta no Instagram. Falou, entre outras coisas, sobre como dá raiva terminar assim o torneio, com um nó no estômago, e sobre como trabalha duro para alcançar tudo que quer no tênis.

It hurts light hell now at this moment. The heartbreak and the disappoint. Regardless, I will not let this keep me down. That is not how I was raised and that is not the kind of person that I am. I thrive of challenges and of difficult moments that on the other side make me better and make me stronger. It's infuriating for the tournament to end on this note and to have to face this knot in my stomach. But it's not the end. Not by any means. I am better than that and I will overcome the challenges my body presents to me, I work far to damn hard and commit every waking moment to tennis, my ambitions and my goals, to not do that. I will grow from this and I will learn. I will give myself this opportunity again and I will move on in a better light. It may not be today or tomorrow but I am gonna do everything to make sure it's someday! At the end of the day, it has been a very special January. I have showed great amounts of improvement and development in my tennis. I have played great and I have done a whole lot of winning. That feels great and I will keep pushing that forward. A huge thank you to the fans and supporters who show their love and passion, on court, through Facebook, Twitter, Instagram and any other way possible. You guys are great to me and I am forever grateful. I will much more to cheer for. With much love! Milos

A photo posted by Milos Raonic (@mraonic) on


AO, dia 11: Djokovic deixa Federer para trás, Serena domina, Bruno na final
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Alexandre Cossenza

A quinta-feira cheia de expectativa foi das mais interessantes e deu muito assunto. Não só para o Brasil, que terá Bruno Soares em mais uma final de Slam, mas para a imprensa internacional, que pode falar mais e mais sobre os domínios de Serena Williams e Novak Djokovic e seus lugares na história do esporte.

A americana atropelou Agnieszka Radwanska, enquanto o sérvio derrubou Roger Federer em um jogo que teve quatro sets, mas deixou escancarada a superioridade do atual número 1 do mundo sobre o veterano. Este resumaço do 11º dia do Australian Open tem análises dos jogos, vídeos y otras cositas más. Divirtam-se.

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O jogo mais esperado

Djokovic (#1) x Federer (#3), como semifinal de Slam, não preencheu as expectativas de um jogão. A culpa (ou o mérito, dependendo da sua torcida) é de Djokovic, que jogou um tênis estratosférico durante os dois primeiros sets, sem deixar Federer respirar e cometendo raros erros. Enquanto o suíço tentava se encontrar na Rod Laver Arena, o sérvio fez 6/1 e 6/2 em 56 minutos.

Curiosamente, o placar até então foi o mesmo da final de Doha, aquela em que Djokovic atropelou Rafael Nadal algumas semanas atrás. Foi o jogo que motivou o espanhol a dizer que nunca tinha visto, desde que conhece tênis, alguém jogar em um nível tão alto. Um elogio e tanto, coisa rara de ver entre rivais desse porte. Na época, porém, houve quem dissesse que Nadal queria apenas justificar a sapatada que levou no Catar. Pois os dois primeiros sets desta quinta-feira alimentam a teoria de Rafael Nadal como uma churrascaria tijucana.

Não tivesse começado o terceiro set menos intenso, Djokovic poderia ter saído da quadra bem mais rápido. Mas a postura menos agressiva do número 1 e a luta de Federer fizeram um “jogo”. O suíço saiu de um break point no quinto game e, finalmente, quebrou o número 1 na sequência. Sacando melhor do que nas parciais anteriores, o “azarão” manteve o saque até fechar a parcial – para a festa da torcida, que gritava seu nome em coro, ansiosa por mais tênis.

Foi então que o teto retrátil foi fechado por causa da chuva, e a paralisação de cerca de dez minutos deu uma esfriada na partida. Os ralis escassearam. Federer sacava bem, mas devolvia mal. Conseguiu um 0/30 logo no primeiro game, mas errou quatro devoluções seguidas (três no segundo serviço do sérvio) e perdeu o que seria sua melhor chance no set.

O oitavo game foi decisivo. Federer deixou o sérvio abrir 0/30, mas igualou o placar do game com uma passada de backhand espetacular (vide vídeo acima). Aquele, no entanto, foi o último ponto do suíço na partida. Djokovic chegou ao break point com uma passada com ajuda da fita, quebrou na sequência e sacou para o jogo. Confirmou de zero, sem piscar. Game, set, match: 6/1, 6/2, 3/6 e 6/3.

O resultado, além de colocar Djokovic em mais uma final no Australian Open, faz com que o sérvio deixe Roger Federer para trás também no histórico de confrontos diretos. A soma, agora, mostra 23 vitórias do atual número 1 em 45 confrontos. Djokovic, é bom lembrar, também leva vantagem sobre Rafael Nadal por 24 a 23. Ele agora espera o vencedor de Andy Murray (#2) x Milos Raonic (#14) para saber quem será seu adversário no domingo.

E as mulheres?

A primeira semifinal do dia, entre Serena Williams (#1) e Agnieszka Radwanska (#4), teve um primeiro set constrangedor e uma segunda parcial que só não foi mais desequilibrada porque a número 1 do mundo desandou a errar. O jogo durou só 1h06min, e o placar de 6/0 e 6/4 espelhou a superioridade da americana.

Não que a polonesa tenha feito uma apresentação ruim. Nada disso. Radwanska encaixou 54% de seus primeiros serviços e cometeu só sete erros não forçados. A questão é que a partida deu a dimensão de quantos níveis acima está Serena. Radwanska não tem potência nem no saque (média de 152 km/h no primeiro serviço e 124 km/h no segundo) nem nos golpes de fundo para incomodar a número 1.

O trunfo que Radwanska tem contra o resto do circuito, que é seu jogo variado, com slices, curtinhas e golpes bem colocados, vale muito pouco diante de Serena. A diferença de peso nos golpes é tanta que, quando tudo dá certo para a favorita – como no primeiro set – a polonesa passa mais tempo correndo atrás da bola de um lado para o outro do que fazendo seu próprio jogo.

E Radwanska, é bom lembrar, era a tenista com mais vitórias (27) e títulos (quatro) no circuito mundial desde o US Open. Além disso, vinha em uma sequência de 13 vitórias, que começou na fase de grupos do WTA Finals do ano passado e incluía o título do WTA de Shenzhen deste ano.

A dúvida que fica agora é saber o Angelique Kerber pode fazer de diferente na final. A alemã (#6) derrotou a britânica Johanna Konta (#47) na segunda semifinal por 7/5 e 6/2 e mostrou mais uma vez sua regularidade. Não que tenha sido um jogo perfeito da alemã. Kerber chegou a ter 3/0 com duas quebras de vantagem, mas deixou Konta atacar e virar o primeiro set para 5/4.

No fim, a tenista britânica não conseguiu a precisão ofensiva necessária para triunfar, mas é difícil imaginar Kerber incomodando Serena com um primeiro serviço que teve 151 km/h de média contra Konta (e a média do segundo serviço foi de 120 km/h). Se a americana estiver com a devolução calibrada, como esteve contra Radwanska e como normalmente atua em jogos importantes, Kerber pode conseguir ser pouco mais do que uma espectadora no sábado.

O brasileiro finalista

A semifinal de Bruno Soares e Jamie Murray contra os franceses Lucas Pouille e Adrian Mannarino começou atrasada por causa de um problema na rede da Rod Laver Arena (tipo de imprevisto que acontece na semifinal porque quase não usam uma certa rede na quadra). Nada que tirasse o brasileiro do sério. Enquanto esperava o reparo, ficava de pernas cruzadas rindo com o parceiro, com a calma de uma primeira rodada de ATP 250.

Quando a bolinha entrou em jogo, a supremacia de Bruno e Jamie foi nítida. Após um susto no quinto game, quando o mineiro precisou sair de 15/40 em seu saque, deslancharam. Embalados por uma atuação irretocável do brasileiro, quebraram no game seguinte, fecharam a parcial em 6/3 e já abriram o set seguinte com outra quebra no saque de Pouille. A partida durou 58 minutos e terminou com o placar mostrando 6/3 e 6/1.

O resultado, que significa a 12ª vitória seguida de Bruno Soares (somando o título em Sydney e as campanhas em duplas masculinas e mistas em Melbourne), coloca o brasileiro em sua segunda final de Slam. Na primeira, no US Open de 2013, seu parceiro, Alexander Peya, entrou em quadra lesionado, e a parceria mal teve chances diante da Leander Paes e Radek Stepanek.

Para Jamie Murray, será a terceira final de Slam consecutiva – um feito raríssimo. O escocês disputou o título em Wimbledon e no US Open do ano passado, mas ele e John Peers saíram de quadra derrotados em ambas ocasiões.

A final será contra o imortal Daniel Nestor (43 anos) e o tcheco Radek Stepanek, que derrotaram Pablo Cuevas e Marcel Granollers por 7/6(11) e 6/4. Brasileiro e britânico são favoritos nas casas de apostas. Na Sportsbet australiana, por exemplo, uma vitória de Bruno e Jamie paga 1,46 para cada dólar apostado. Um triunfo de Nestor e Stepanek paga 2,60.

Os melhores lances

O canal oficial do Australian Open montou este clipe da vitória de Bruno Soares e Jamie Murray na semifinal de duplas.

Esse lance espetacular deu dois break points a Roger Federer no terceiro set. Djokovic salvou-se de ambos, mas acabou perdendo o saque no mesmo game, que durou mais de dez minutos. Foi o início da reação do suíço.

Cheiro de campeão?

A entrevista pós-jogo com Jim Courier rendeu mais um momento divertido de Novak Djokovic. O americano disse que o bate-papo começou em um lugar e que o sérvio continuava a andar para trás. Courier quis saber se estava cheirando mal… Nole, então, respondeu que seu entrevistador tinha o hábito de fazer a pergunta e dar um passo para a frente. E todo mundo riu.

Bolão Impromptu do Dia

Nesta quinta, a pergunta aleatória lançada durante um momento qualquer na madrugada era sobre quantos games teria a partida entre Novak Djokovic e Roger Federer. O vencedor foi Felipe Priante, jornalista do Tenisbrasil, que foi ousado no palpite, considerando que os últimos confrontos entre sérvio e suíço em torneios de Grand Slam haviam ultrapassado os 40 games.

O que vem por aí no dia 12

A programação de sexta-feira, em Melbourne, só tem uma partida de simples: Andy Murray e Milos Raonic fazem a segunda semifinal masculina à noite, na Rod Laver Arena. Antes, a quadra principal do torneio tem uma semifinal de duplas mistas e a final de duplas femininas, com as quase imbatíveis Martina Hingis e Sania Mirza enfrentando as tchecas Andrea Hlavackova e Lucie Hradecka.

Bruno Soares, por sua vez, volta à quadra para buscar uma vaga também na final de duplas mistas. Ele e a russa Elena Vesnina fazem a última partida da Quadra 3, já no fim da tarde (ou no começo da noite) contra Sania Mirza e Ivan Dodig.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 10: o tombo de Vika, as chances de Raonic, e Bruno em outra semi
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Alexandre Cossenza

A primeira derrota da cotadíssima Victoria Azarenka em 2016, a discussão sobre os méritos (ou não) de Angelique Kerber, o jogão de Andy Murray e David Ferrer, as chances de Milos Raonic e mais uma semifinal para Bruno Soares são os principais assuntos desta quarta-feira, décimo dia do Australian Open 2016.

Este resumaço da jornada inclui também o emocionante abraço de Johanna Konta e Shuai Zhang, os planos dos maiores órgãos do tênis para fortalecer o combate à manipulação de resultados, uma gafe do torneio e um bolão improvisado durante a madrugada. Role a página, clique nos muitos links e fique por dentro.

O jogo mais esperado

No primeiro verdadeiro teste de sua consistência no Australian Open, Victoria Azarenka sucumbiu. O belíssimo torneio da bielorrussa foi jogado fora em dois momentos. Um péssimo começo de partida e um desastroso fim de segundo set, com cinco set points perdidos em seu próprios games de serviço. Angelique Kerber, o retrato da regularidade, sobreviveu mesmo com um saque vulnerável e fez 6/3 e 7/5 para alcançar as semifinais em Melbourne pela primeira vez na carreira.

Obviamente foi um dia ruim de Vika, que nunca esteve à vontade para atacar buscando as linhas, algo necessário para enfrentar Kerber. Depois de deixar a alemã abrir 4/0, a bielorrussa diminuiu um pouco a agressividade, deixou a adversária errar um pouco mais e até equilibrou as ações, devolvendo uma das quebras, mas foi só.

A segunda parcial parecia bem encaminhada, mas a coisa desandou depois que Azarenka abriu 5/2 e 40/0. Kerber venceu três pontos seguidos sendo mais agressiva e salvou mais dois set points quando Vika teve 5/4 e 40/15. O que parecia um terceiro set certo tornou-se um pesadelo para a ex-número 1. Kerber viu a chance e não bobeou. Virou o set, conseguiu sua primeira vitória em sete partidas contra Azarenka e esbanjou alegria na comemoração.

A adversária de Kerber na semifinal será a britânica Johanna Konta (#47), que venceu o duelo de zebras contra a chinesa Shuai Zhang (#133). A inglesa nascida na Austrália fez 6/4 e 6/1 e se tornou a primeira britânica a alcançar a semifinal do Australian Open desde Jo Durie em 1983, ano em que foram lançados Billie Jean (Michael Jackson) e O Retorno de Jedi. Também foi o ano do bicampeonato do espetacular Nelson Piquet na Fórmula 1.

Konta, é bom lembrar, disputa uma chave principal de Slam pela nona vez, mas fez este ano sua estreia entre as 128 em Melbourne. De 2013 a 2015, disputou o qualifying e não conseguiu se classificar.

Eu ganhei, nós empatamos, vocês perderam

Em todo Slam, acontece pelo menos uma vez. Um tenista famoso perde e deixa a quadra dizendo algo do tipo “o jogo estava na minha raquete” ou “eu perdi”, sem dar o devido mérito à adversária. Até que demorou, mas chegou este momento na edição 2016 do torneio australiano, cortesia de Victoria Azarenka – ou da interpretação que deram a sua entrevista coletiva.

A percepção da maioria (e eu nem sei se concordo, mas isso é outra discussão) foi que Vika não deu o devido mérito para Kerber. De fato, Azarenka faz uma grande lista se suas falhas durante o jogo, mas ela também admite que a alemã foi agressiva e que sacou bem nos momentos mais importantes.

A frase que marca mais é a seguinte: “Acho que ela foi agressiva. Ela sacou bem. Especialmente nos momentos importantes ela sacou muito bem, mas para mim é difícil de julgar porque acho que nos conhecemos muito bem. Hoje, eu realmente sinto que foi minha culpa. Não fiz o suficiente com o que tive hoje.”

A avaliação de Kerber (que até onde eu sei, não tinha ideia da declaração de Azarenka) rendeu até o tuíte oficial do Australian Open copiado acima. A alemã crava: “Eu fiz meu jogo desde o primeiro ponto. Fui mais agressiva desta vez. Ela não perdeu; eu venci de verdade.”

E os homens?

Andy Murray (#2) x David Ferrer (#8) foi tudo que se esperava de um jogo entre eles. Um tanto previsível, é bem verdade, mas bem divertido de ver. Ralis impressionantes, defesas incríveis, contra-ataques espetaculares e oito saques quebrados. O nível foi bem alto e se manteve bem alto durante a maior parte das 3h25min de jogo. De novidade, apenas uma paralisação de cerca de dez minutos para fechar o teto retrátil, já que uma chuva forte se aproximava.

No fim, porém, o placar também foi previsível: Murray venceu em quatro sets, com parciais de 6/3, 6/7(5), 6/2 e 6/3. Apenas pela curiosidade, os três últimos duelos entre eles em torneios do Grand Slam terminaram em quatro sets, com o britânico levando a melhor e com o espanhol ganhando um tie-break.

Murray, o vencedor

Soa como piada pronta, mas o grande vencedor desse jogo de quartas de final entre Milos Raonic e Gael Monfils foi… Andy Murray! Pelo menos era isso que estava na chave no site do Australian Open na noite deste quarta.

A verdade verdadeira

No mundo real, Andy Murray vai enfrentar Milos Raonic (#14) nas semifinais. O canadense enfrentou pouca resistência de Gael Monfils (#25), que até venceu um set, mas nem esteve perto nos outros. As parciais foram 6/3, 3/6, 6/3 e 6/4. Será a primeira semifinal em Melbourne na carreira de Raonic – a segunda em um Slam, depois de Wimbledon/2014.

Não dá para ignorar que o canadense agora tem nove vitórias consecutivas, o que é um recorde para ele em torneios de nível ATP. Antes do Australian Open, Raonic foi campeão em Brisbane, onde bateu Roger Federer na final. A sequência de vitórias também inclui triunfos sobre Stan Wawrinka, Viktor Troicki e Bernard Tomic. O momento é realmente estupendo e é justo imaginar que ele terá chances contra Andy Murray na sexta-feira. Mas… será?

O brasileiro

Bruno Soares venceu outra vez. Pela 11 vez seguida, aliás, somando o título do ATP de Sydney e as campanhas nas duplas e duplas mistas em Melbourne. O triunfo desta quarta colocou o mineiro nas semifinais também nas mistas. Ele e Elena Vesnina derrubaram Jamie Murray (sim, o parceiro) e Katarina Srebotnik por 6/2 e 6/3, sem grandes problemas.

Brasileiro e russa, que fizeram um bate-papo ao vivo via Periscope nesta quarta-feira, agora aguardam por seus próximos adversários, que sairão do jogo entre Sania Mirza e Ivan Dodig, cabeças de chave 1, e Martina Hingis e Leander Paes. Quem quer que vença será um adversário bastante indigesto.

A chave masculina:

[1] Novak Djokovic x [3] Roger Federer
[13] Milos Raonic x Andy Murray [2]

A chave feminina:

[1] Serena Williams x [4] Agnieszka Radwanska
[7] Angelique Kerber x Johanna Konta

Os melhores lances

Nem de perto foi o melhor lance do jogo, mas foi o que escolheram no canal oficial do Australian Open no YouTube. De qualquer modo, fica o registro dessa passada de Andy Murray na corrida.

Não foi um ponto, mas foi um lindo momento de Johanna Konta e Shuai Zhang junto à rede, logo depois do match point. Vale ver.

Bolão Impromptu do Dia

A partir deste parágrafo, esta seção é criada com status de permanente para elogiar os tuiteiros da madrugada que se dispõem a tentar acertar uma pergunta aleatória lançada durante uma partida qualquer. O grande nome desta quarta-feira foi o Matheus Bernardes, primeiro a dar a resposta certa.

União contra a manipulação

Após a polêmica história-não-história da semana passada, quando BBC e BuzzFeed disseram possuir uma lista de partidas investigadas, mas não divulgaram nomes, os principais órgãos do tênis (ITF, ATP, WTA e o Grand Slam Board) anunciaram a criação de um processo independente de revisão que tem como objetivo “preservar a integridade do jogo”. A história completa está aqui.

O chamado IRP (Independent Review Panel), que será liderado por Adam Lewis, especializado em lei esportiva, terá como principais objetivos analisar questões como as citadas abaixo e fazer recomendações:

– Como a Tennis Integrity Unit (TIU, órgão que investiga partidas sob suspeita de manipulação) pode ser mais transparente sem comprometer a necessidade de confidencialidade em suas investigações;

– Avaliar recursos adicionais para a TIU nos torneio e internamente;

– Mudanças estruturais e/ou de governança que deem mais independência à TIU; e

– Como aumentar o alcance do programa de educação de integridade no tênis.

A história completa está no site da ITF.

O que vem por aí no dia 11

A programação de quinta-feira, em Melbourne, começa com Bruno Soares e Jamie Murray tentando uma vaga na final de duplas. Brasileiro e britânico encaram os franceses Adrian Mannarino e Lucas Pouille na Rod Laver Arena logo no primeiro horário do dia. Os outros dois jogos lá serão as semifinais femininas. Primeiro, Serena Williams enfrenta Agnieszka Radwanska. Em seguida, Angelique Kerber e Johanna Konta decidem a segunda vaga na decisão. À noite, Roger Federer e Novak Djokovic fazem a primeira semifinal masculina.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 9: em dia de favoritos, Bruno Soares vai à semi como o mais cotado
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Alexandre Cossenza

Não brotaram aces improváveis de raquetes inférteis e os erros não forçados, tão abundantes 48 horas atrás, minguaram para quem eles habitualmente são esparsos. Logo, nesta terça-feira, primeiro dia das quartas de final do Australian Open 2016, Serena Williams bateu Maria Sharapova pela 18ª vez consecutiva, Roger Federer somou sua 16ª vitória em 22 confrontos contra Tomas Berdych, e Novak Djokovic despachou Kei Nishikori.

Nas duplas, a história foi outra. Os cabeças de chave número 1, Horia Tecau e Jean Julien Rojer, deram adeus ao torneio. Agora, os principais pré-classifcados são o brasileiro Bruno Soares e o britânico Jamie Murray, que venceram mais uma e estão nas semifinais. Este resumaço do dia ainda tem vídeos curiosos de boladas e de Carlos Bernardes vivendo seu momento bullet time na Rod Laver Arena (ou, quem sabe, ele estava na Matrix e ninguém percebeu).

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O brasileiro

Pela primeira em quatro partidas no torneio, Bruno Soares e Jamie Murray jogaram um terceiro set e, mais ainda, um tie-break-de-terceiro-set, aquela entidade com vida própria em que qualquer minuto de desatenção custar mais do que a gasolina em Fernando de Noronha. A notícia boa é que brasileiro e escocês não cederam nenhum break point na parcial decisiva e abriram o game de desempate fazendo 4/1. Sem drama além do intrínseco para o momento.

O triunfo por 6/7(7), 6/4 e 7/6(3) foi sobre Raven Klaasen e Rajeem Rav, que haviam eliminado os irmãos Bryan na segunda-feira, e colocou Bruno e Jamie nas semifinais do Australian Open. E mais: os dois agora são os principais cabeças vivos em Melbourne, já que Horia Tecau e Jean Julien Rojer deram adeus, eliminados pelos franceses Adrian Mannarino e Lucas Pouille, que acumulam mais cabeças cortadas do que uma guilhotina da Revolução Francesa. A campanha de Mannarino e Pouille tem vitórias em sequência sobre Bolelli e Fognini (cabeças 5), Cabal e Farah (12) e Roger e Tecau (1).

Bruno e Jamie, agora, são os favoritos das casas de apostas e enfrentarão os franceses na semi. A outra vaga na final sairá do jogo de Daniel Nestor e Radek Stepanek contra Pablo Cuevas e Marcel Granollers (cabeças 16).

Para Marcelo Melo, a eliminação de Rojer e Tecau foi providencial. Sem o holandês-de-Curaçao e o romeno na chave, o mineiro garante sua continuidade na liderança do ranking de duplas. Melo corria risco, já que foi às semifinais no ano passado e perderia pontos. Ele seria ultrapassado se o título ficasse com Rojer/Tecau ou com os irmãos Bob e Mike Bryan.

As simples, tão simples

Tomas Berdych conseguiu equilibrar seus duelos com Roger Federer por algum tempo, o que foi um feito e tanto para o tcheco (e o seria para qualquer um). De Miami/2010 até o início de 2013, foram oito confrontos, com cinco vitórias de Berdych. Resumindo rasamente o drama suíço, o tcheco atacava os segundos serviços do suíço o suficiente para conseguir o controle dos ralis e, nos dias bons, mandar na partida.

Coincidência ou não, essa série acabou quando Federer começou a trabalhar com Stefan Edberg. Nos últimos anos, o suíço inclusive melhorou consideravelmente o aproveitamento de seu saque, o que fez uma diferença gigante contra Berdych (e todos os outros, claro). E, de 2014 até agora, são cinco triunfos consecutivos do ex-número 1, incluindo o desta terça-feira, que veio por 7/6(4), 6/2 e 6/4.

E foi, ressaltemos, uma ótima atuação de Berdych. O tcheco esteve na frente no primeiro e no terceiro sets, mas pecou por não aproveitar as vantagens. Federer também escapou de break points com excelentes saques e fez um espetacular (e espetacularmente necessário) tie-break na primeira parcial. Além disso, tão essencial quanto os saques foi a capacidade de Federer de vencer ralis, o que nem sempre é fácil quando os forehands de Berdych estão calibrados – e eles estavam.

No fim, o suíço chegou a uma ótima vitória, e “ótima” não só porque lhe valeu uma vaga nas semifinais, mas porque veio em três sets, descomplicando um duelo que esteve longe de ser simples durante a maior parte do tempo.

Bullet time Bernardes

O árbitro brasileiro Carlos Bernardes, coincidentemente-ou-não usando óculos à la Keanu Reeves em Matrix, desviou rapidamente de uma bola espirrada na partida entre Roger Federer e Tomas Berdych. Atenção para a destreza de Bernardes no lance em câmera lenta!

Fora da Matrix

Nem todo mundo tem a sagacidade do árbitro brasileiro. Um juiz de linha, por exemplo, tentou desviar de um saque de Tomas Berdych, mas movimentou-se para o lado errado e acabou levando uma bolada bem na “região da virilha”, também conhecida como aquela parte sensível do corpo que fica ali perto da virilha, mas definitivamente não é a virilha.

O jogo mais esperado

Bem já dizia Patrick Mouratoglou, técnico de Serena Williams, duvidando da capacidade de Maria Sharapova (#5) de repetir o desempenho excelente que teve com o saque nas quartas de final, quando fez 21 aces contra Belinda Bencic. Diante da número 1 do mundo, provavelmente a melhor devolução do tênis feminino, Sharapova fracassou mais uma vez. Não só porque fez apenas três aces e sete duplas faltas, mas porque venceu apenas cinco games.

Serena, que começou o jogo perdendo o serviço, triunfou por 6/4 e 6/1 em 1h33min, somando sua 19ª vitória em 21 confrontos com a russa. Agora, são sete encontros sem que a russa tenha vencido um set sequer.

Na semifinal, a número 1 do mundo vai encarar Agnieszka Radwanska (#4), que passou pela espanhola Carla Suárez Navarro (#11) por 6/1 e 6/3 em 1h24min (e eu não canso de achar graça nesse vídeo abaixo).

Polêmica à vista

Após o duelo, Sharapova adotou o discurso politicamente correto, dizendo que Serena está em outro nível, que faz o resto do circuito trabalhar mais duro e que é uma inspiração para as outras. Dona Maria também disse que pretende ir a Moscou fazer parte do time russo na Fed Cup, mas ressaltou que não deve jogar porque precisa tratar o antebraço.

Pouco depois dessa declaração, o presidente da federação russa, Shamil Tarpischev, afirmou à agência de notícias TASS que Sharapova “precisa precisa jogar pelo time nacional se quiser participar dos Jogos Olímpicos.”

Ainda é cedo, mas a chance de uma polêmica no futura deve ser considerada. A Federação Internacional de Tênis dá grandes poderes às associações nacionais, que podem se recusar a nomear este ou aquele tenista (vide Alemanha em Londres/2012), mesmo que o atleta defenda o país na Copa Davis ou na Fed Cup.

Tarpischev, vale lembrar, é uma figura polêmica, um misto de gênio e vilão. Do mesmo modo que deu títulos à Rússia com escalações contestáveis, é alvo de críticas por seus comentários nada politicamente corretos. Ele, inclusive, foi suspenso do circuito por um ano após fazer uma piada, referindo-se a Venus e Serena como “os irmãos Williams” em um programa de TV russo.

E o número 1?

Novak Djokovic voltou ao normal, ou seja, cortou o número de erros por mais da metade. Em vez dos 100 acumulados ao longo de cinco sets contra Gilles Simon (em média, 20 erros por set), cometeu apenas 27 contra Kei Nishikori (nove por set) e venceu por 6/3, 6/2 e 6/4.

Quem falhou muito foi o japonês (54 erros, 18 por set), mas é o que costuma acontecer quando Djokovic está de volta a seu habitual nível de consistência. Nishikori ainda teve a dianteira duas vezes no começo do terceiro set, quando abriu 2/0 e, depois, 3/1, mas nunca confirmou o serviço para consolidar a dianteira.

Fica agora a expectativa pela semifinal com Roger Federer, que, aos olhos de muita gente, tem cara de decisão. Não só porque os dois decidiram os últimos Slams (Wimbledon e US Open), mas também porque Andy Murray tem a eterna desconfiança de boa parte de fãs e críticos.

O boleiro fisioterapeuta

O jogo nem estava tão difícil assim, mas Novak Djokovic pediu uma ajudinha ao boleiro após uma virada de lado.

A chave masculina:

[1] Novak Djokovic x [3] Roger Federer
Gael Monfils [23] / [13] Milos Raonic x [8] David Ferrer / Andy Murray [2]

A chave feminina:

[1] Serena Williams x [4] Agnieszka Radwanska
[7] Angelique Kerber / [14] Victoria Azarenka x Johanna Konta x Shuai Zhang

Os melhores lances

A capacidade defensiva de Djokovic não é novidade nenhuma, mas ninguém deve se cansar de ver lances assim:

Que tal a habilidade de Federer junto à rede?

O que vem por aí no dia 10

A programação de quarta-feira, em Melbourne, tem a partida mais esperada logo no primeiro horário: Angelique Kerber x Victoria Azarenka. Em seguida, Johanna Konta enfrenta Shuai Zhang pelo posto de maior zebra do torneio. A sessão diurna da Rod Laver Arena termina com David Ferrer x Andy Murray. O único jogo de simples da noite tem Gael Monfils x Milos Raonic, mas foi bacana do torneio escalar Martina Hingis e Sania Mirza para fecharem a programação. Elas enfrentam Julia Goerges e Karoline Pliskova por uma vaga na final de duplas.

Já classificado para as semifinais de duplas masculinas, Bruno Soares tenta o mesmo as mistas. Nesta terça, ele e a russa Elena Vesnina fazem o terceiro jogo do dia na Quadra 2. Seus adversários são o britânico Jamie Murray (sim, o parceiro de Bruno) e a eslovena Katarina Srebotnik.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 8: aces que sumiram, a dor de Keys e “3” vitórias de Bruno Soares
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Alexandre Cossenza

A segunda-feira não foi um dia de muitos aces em Melbourne. John Isner disparou 18 e acabou eliminado, enquanto Milos Raonic conseguiu 24 em cinco sets (mesma média de Isner), mas compensou com voleios eficientes e um plano de jogo perfeito. O oitavo dia do Australian Open, porém, foi bom mesmo para Bruno Soares. Além de duas vitórias em quadra, o mineiro contou com a eliminação de Bob e Mike Bryan, que seriam seus adversários nas quartas de final.

Este resumo do dia fala ainda do esperado duelo entre Victoria Azarenka e Angelique Kerber, da doída – literalmente – eliminação de Madison Keys, da zebra de Johanna Konta e de Andy Murray, que venceu em três sets após um par de dias nada normais durante um Slam. Role a página e fique por dentro.

O brasileiro

Único representante do país no torneio, Bruno Soares continua 100% em Melbourne depois de duas partidas e “três'' vitórias nesta segunda. Primeiro, ele e Jamie Murray derrotaram Robert Lindstedt e Dominic Inglot por 6/3 e 6/4. O jogo só teve drama no fim do segundo set, quando brasileiro e escocês perderam dois match points no saque de Lindstedt e depois precisaram salvar dois break points no serviço de Murray. Tudo, porém, deu certo, e Bruno Soares está nas quartas de final. O brasileiro, aparentemente, ganhou até no “Pedra, Papel, Tesoura”.

A segunda vitória para Bruno e Jamie foi saber que eles não enfrentarão Bob e Mike Bryan nas quartas. Os gêmeos americanos levaram a virada e foram eliminados por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 3/6, 6/3 e 6/4. A notícia é ótima também para Marcelo Melo, duplista número 1 do mundo, que perderia a liderança do ranking se os Bryans fossem campeões. O mineiro, no entanto, ainda não está 100% seguro e será ultrapassado se Horia Tecau e Jean Julien Rojer levantarem a taça.

Do ex-parceiro para o atual

Nas duplas mistas, Bruno Soares e Elena Vesnina venceram outra vez. As vítimas do dia foram o ex-parceiro de Bruno, Alexander Peya, e a taiwanesa Su-Wei Hsieh: 6/2 e 6/3, sem drama. A curiosidade é que nas quartas de final brasileiro e russa vão enfrentar o atual parceiro de Bruno, Jamie Murray. O britânico joga a chave de duplas mistas ao lado da eslovena Katarina Srebotnik.

Os favoritos

Na chave feminina, duas favoritas confirmaram as expectativas e se enfrentarão nas quartas. Isso também significa que ambas finalmente terão desafios à altura. Sim, as duas. Antes desta segunda-feira, Angelique Kerber havia derrotado Doi, Dulgheru e Brengle. Victoria Azarenka, por sua vez, teve no caminho Van Uytvanck, Kovinic e Osaka.

Para Kerber, a vítimas de hoje foi Annika Beck (#55), que até fez um primeiro set equilibrado com a compatriota, mas não conseguiu acompanhar a consistência da adversária no segundo set. Kerber acabou triunfando por 6/4 e 6/0.

Azarenka também teve mais trabalho. Mais do que em toda a temporada, é bom dizer. Barbora Strycova (#48) fez uma partida inteligente, usando curtinhas, slices e todas variações à disposição, mas acabou sucumbindo diante de uma oponente mais regular e com golpes mais potentes: 6/2 e 6/4.

Vale lembrar que os seis games conquistados por Strycova foram o máximo que Azarenka cedeu nesta temporada. E mais: somando as primeiras três rodadas do Australian Open, a ex-número 1 havia perdido apenas cinco games. Ela e Kerber agora reeditarão a final de Brisbane, vencida por Vika por 6/3 e 6/1. A bielorrussa, recordemos, nunca perdeu para a alemã – e já foram seis confrontos.

Ao fim do duelo desta segunda, Azarenka, fã de futebol americano (ou hater de Tom Brady, não sei exatamente o nível de sua ligação com a NFL) ainda perguntou em público se o Denver Broncos havia vencido a final da AFC contra o New England Patriots. Quando soube que sim, deu um grito que deixou o público meio confuso na Rod Laver Arena.

O estranho é que quando Azarenka entrou em quadra, o jogo entre Broncos e Patriots já havia acabado há mais de duas horas. Logo, ou Vika ficou totalmente desligada dos acontecimentos ou quis só fazer uma graça, comemorando na quadra central do Australian Open.

Entre os homens, o grande favorito da noite era Andy Murray (#2), que fez o esperado e despachou Bernard Tomic (#17): 6/4, 6/4 e 7/6(4). Foi o quarto duelo entre eles, e o australiano ainda não venceu um set. Apesar de vir em um jogo um tanto inconstante, com muitas quebras, a vitória em sets diretos é uma notícia ótima para o favorito, que viveu dias complicados. No sábado, correu para o hospital para ver o estado de seu sogro, que desmaiou durante uma partida de Ana Ivanovic. No domingo, voltou ao hospital para uma visita.

Na coletiva, Murray adotou um discurso bem diferente do de Federer para falar sobre Tomic. O escocês disse que Tomic vem evoluindo, que lida bem com a pressão e que costuma jogar bem no Australian Open. Para Murray, falta consistência ao longo do ano, mas “é normal para jovens ter altos e baixos.” O britânico terminou a “avaliação” cravando que Tomic será um top 10 “for sure”.

O jogo mais esperado

Stan Wawrinka (#4) tem ótimo histórico em Melbourne e vinha de um título em Chennai. Milos Raonic (#14) chegou embalado pela conquista em Brisbane e jogou um tênis empolgante nas primeiras rodadas. Por isso tudo, o duelo entre eles começou cheio de expectativa e não decepcionou.

O suíço teve problemas para encontrar seu jogo. Com Raonic sacando bem e pressionando com ótimas subidas à rede – tanto na execução de voleios e smashes quanto na escolha do momento de avançar – Wawrinka demorou a ficar à vontade do fundo de quadra. Perdeu o primeiro set e até conseguiu uma quebra no início do segundo, mas também acabou superado.

A partida começou a virar na terceira parcial, com o suíço finalmente encaixando alguns de seus melhores golpes do fundo de quadra e, principalmente, voltando a usar toda potência de forehands e backhands. Venceu o terceiro, venceu o quarto e forçou o quinto set.

O problema é que a pressão de Raonic era sempre grande e quem saca a mais de 200 km/h com tanta frequência acaba tendo uma certa margem para agredir mais. Se não conseguiu converter nenhum dos quatro break points no fim do quarto set, o canadense chegou à quebra no sexto game da parcial decisiva. Depois disso, Wawrinka não ameaçou mais: 6/4, 6/3, 5/7, 4/6 e 6/3, em 3h47min.

O adversário do invicto Raonic nas quartas em Melbourne será Gael Monfils (#25), que faz sua melhor campanha no Slam australiano. Não que não seja esperado. O francês se beneficiou da chave esburacada sem a presença de Rafael Nadal e foi avançando, derrubando Yuichi Sugita (#124), Nicolas Mahut (#63), Stéphane Robert (#225) e, nesta segunda, Andrey Kuznetsov (#74). Muitos ATPs 250 não têm chave tão acessível quando a de Monfils em Melbourne.

E antes que o leitor afobado diga “nossa, o Cossenza quer tirar o mérito do Monfils”, digo que não. São duas coisas diferentes. Uma: Monfils não tem culpa de pegar a chave que pegou. Entrou em quadra e fez o seu. A outra: não dá para dizer que foram atuações espetaculares ou que o francês chega às quartas jogando um tênis de altíssimo nível porque a verdade é que ele não foi testado. Sem drama.

Os aces que faltaram

John Isner (#11) chegou às oitavas de final em Melbourne como líder de aces do torneio e sem ceder um break point sequer. Nesta segunda, diante de David Ferrer (#8), foi quebrado três vezes e eliminado do torneio por 3 sets a 0: 6/4, 6/4 e 7/5, em 2h05min de jogo.

Vale lembrar que Isner pediu para jogar no fim do dia porque queria ver a final da NFC, com o “seu” Carolina Panthers enfrentando e atropelando o Arizona Cardinals. O jogo, inclusive, teve um daqueles raros momentos em que 40-15 não é um placar de tênis. Mas eu divago. O interessante é imaginar se jogar à noite, quando as condições são bem mais lentas do que de dia, atrapalhou o americano. É impossível dizer ao certo o quanto Ferrer se beneficiou com o horário, mas talvez Isner passe algum tempo pensando nisso.

Ferrer, por outro lado, chega às quartas sem perder um set (bateu Gojowczyk, Hewitt, Johnson e Isner) sequer. Logo ele que trocou de raquete no começo do ano e teve apenas um mês para se adaptar à nova “ferramenta”.

A zebra

Não foi um dia de resultados espantosos, mas é preciso registrar a surpreendente vitória da britânica Johanna Konta (#47) sobre a russa Ekaterina Makarova (#24): 4/6, 6/4 e 8/6, em 3h04min.

Responsável pela eliminação de Venus Williams na primeira rodada, a britânica que nasceu em Sydney (mas adotou a Inglaterra como residência) se tornou a primeira britânica desde Jo Durie – em 1983 – a alcançar as quartas de final.

Enquanto britânicos e australianos brigam pela nacionalidade de Johanna Konta, a moça se prepara para enfrentar a qualifier chinesa Shuai Zhang (#133), que passou pela americana Madison Keys (#17) em um jogo dramático: 3/6, 6/3 e 6/3.

A tensão ficou por conta de Keys, que venceu a primeira parcial, mas começou a sentir fortes dores desde o início do segundo set. Sem conseguir se movimentar normalmente, a americana fez o possível para se manter com chances de avançar, mas não foi possível. Saiu de quadra às lágrimas, de cabeça baixa, enquanto Zhang festejava e mal encontrava palavras (em inglês) para dar sua entrevista.

As quartas de final definidas

Na chave masculina, as quartas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x Tomas Berdych [6]
Gael Monfils [23] x [13] Milos Raonic
[8] David Ferrer x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x [10] Carla Suárez Navarro
[7] Angelique Kerber x [14] Victoria Azarenka
Johanna Konta x [15] Madison Keys / Shuai Zhang

Os melhores lances

Um rali de 32 golpes entre Andy Murray e Bernard Tomic terminou com um incrível ângulo encontrado pelo escocês.

O melhor do dia 9

A programação de terça-feira, em Melbourne, tem apenas quatro jogos de simples, mas são todos grandes duelos. A sessão diurna da Rod Laver Arena tem Radwanska x Suárez Navarro, Serena x Sharapova e Federer x Berdych. À noite, Djokovic enfrenta Nishikori.

Na chave de duplas masculinas, Bruno Soares e Jamie Murray voltam à quadra em busca de um lugar nas semifinais. Eles fazem o quarto jogo da Quadra 2 contra Raven Klaasen e Rajeev Ram. Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 7: Djokovic dos 100 erros, “Acepova” e cãibras que custam caro
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Alexandre Cossenza

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“Não posso ser pior do que isso”, sentenciou Novak Djokovic depois da vitória sobre Gilles Simon. Foram 4h32min de cinco sets e muitos erros. Muitos mesmo. Curtinhas mal escolhidas/executadas, forehands e backhands por toda a parte. Exigido pelo adversário, que topou entrar em longas trocas de bola, o número 1 do mundo cometeu 100 (!!!) erros não forçados. Djokovic, no entanto, continua Djokovic. Saiu vencedor em uma jornada bem abaixo da média e avançou às quartas de final do Australian Open por 6/3, 6/7(1), 6/4, 4/6 e 6/3.

Sem querer fazer o papel de advogado do sérvio, é preciso contextualizar esses cem erros. Simon tem muito do mérito. Em seus dias bons, o francês consegue exigir bastante dos adversários com sua consistência do fundo de quadra aliada a uma capacidade defensiva invejável. Falta a Simon um saque compatível com o resto de seu jogo, até porque seus golpes de fundo têm bastante potência – algo que a gente só vê nas raras ocasiões em que ele opta por ser mais agressivo.

Assim sendo, é normal que alguém cometa mais erros contra Simon do que contra, digamos, um Tomas Berdych ou um Marin Cilic, tenistas cujo plano de jogo é sempre atacar primeiro. Quer dizer que Djokovic errou pouco? Também não. Vinte erros não forçados por set é muita coisa para um tenista de seu calibre, mas, só para efeito de comparação, Sharapova cometeu 46 erros em dois sets contra Belinda Bencic e também venceu neste domingo.

A grande questão agora passa a ser: qual a chance de Djokovic jogar nesse mesmo nível contra Kei Nishikori? O japonês, que passou fácil por Jo-Wilfried Tsonga neste domingo, também é consistente do fundo de quadra, só que mais agressivo e com um saque melhor do que o de Simon. A margem para erro será bem menor para o número 1. Mas alguém acredita que Nole terá duas partidas assim em sequência?

Os drops shots

Ainda dentro de quadra, na entrevista com Jim Courier, Djokovic mostrou-se bastante consciente de seus erros não forçados. Falava, inclusive, sobre reduzi-los quando ouviu um “conselho” de alguém na arquibancada. Pediu para ouvir de novo e percebeu que o torcedor não queria mais curtinhas.

Nole entrou na brincadeira e respondeu “odeio dizer isso, mas você está absolutamente certo” para ganhar gargalhadas da plateia.

A polêmica e a piada

Lembram que Gilles Simon havia dito que o vestiário inteiro torceria pelo francês porque todos estavam cansados de serem humilhados por Djokovic? Ficou no ar uma certa dúvida pela reação do sérvio. Pois o número 1 do mundo, depois da vitória, respondeu com uma piada. “Não sei de que vestiário ele está falando. No vestiário feminino, eu sou muito popular, eu sei disso.”

Acepova

O primeiro jogo do dia foi o aguardado Maria Sharapova (#5) x Belinda Bencic (#13), que decepcionou tecnicamente, mas compensou em emoção. A russa, favorita, esteve inconstante do fundo de quadra, mas manteve a postura agressiva até o fim, já que conseguia tirar vantagem do saque frágil de Bencic. A suíça, por sua vez, apostou em atacar pouco e esperar por falhas da rival – o que teve até relativo sucesso, considerando que Sharapova cometeu 46 erros não forçados.

O que Bencic (nem ninguém) não esperava era o fantástico desempenho de Sharapova no saque. A russa acertou apenas 47% dos primeiros serviços, mas encaixou 21 aces – alguns, inclusive, no segundo saque. O sucesso permitiu que a russa continuasse atacando – e errando – do fundo de quadra sem deixar que Bencic abrisse vantagem no placar. No fim, a suíça sucumbiu sempre nos momentos decisivos: 7/5 e 7/5, em 2h05min de jogo.

Vale prestar atenção na comemoração de Sharapova assim que o Hawk-Eye mostrou que sua última bola havia quicado na linha.

Os resultados do dia confirmaram mais um Serena x Sharapova, já que a número 1 do mundo entrou em quadra pouco depois da russa e derrotou a moscovita Margarita Gasparyan por 6/2 e 6/1 em 57 minutos. Será uma repetição da final do Australian Open do ano passado e mais uma chance para Sharapova encerrar a série de 17 derrotas para a americana.

O técnico de Serena, Patrick Mouratoglou, que adora dar pitacos sobre quem quer que seja, já disse duvidar que Sharapova consiga sacar como neste domingo.

O susto e o drama

Agnieszka Radwanska (#4) esteve a um game da eliminação, com a alemã Anna-Lena Friedsam (#82) abrindo 5/2 e sacando em 5/3 no terceiro set. O grande drama da partida ficou por conta da condição física da alemã, que sofreu com cãibras no momento mais importante. Com o placar em 5/5, Friedsam tentou até sacar “por baixo”, mas recebeu duas violações por excesso de tempo e acabou perdendo o game porque o árbitro lhe tirou um ponto com o placar em 15/40. A cena da dor da alemã é desesperadora.

No fim, Radwanska triunfou por 6/7(6), 6/1 e 7/5 e vai encarar Carla Suárez Navarro (#11). A espanhola levou um pneu no primeiro set, mas se recuperou e fez 0/6, 6/3 e 6/2 em cima da australiana Daria Gavrilova (#39), que vinha de vitórias sobre Petra Kvitova e Kristina Mladenovic.

O último torneio

Com a eliminação de Lleyton Hewitt também nas duplas, o site do Australian Open publicou um vídeo que repassa o último torneio do ídolo australiano.

Os brasileiros

Marcelo Melo está fora do Australian Open. O número 1 do mundo e seu parceiro, Ivan Dodig, foram eliminados ainda nas oitavas de final por Pablo Cuevas e Marcel Granollers: 7/6(3), 2/6 e 6/3. Foi um jogo muito equilibrado e que teve momentos ruins de Melo e Dodig em momentos cruciais. Nada deu certo no tie-break do primeiro set e, quando tudo parecia ter voltado ao normal, com brasileiro e croata vencendo a segunda parcial, Marcelo errou dois voleios colado na rede para ceder a quebra no saque do parceiro no último set.

Cuevas e Granollers, que comemoraram com uma enorme festa na Hisense Arena, enfrentarão agora Jack Sock e Vasek Pospisil, que derrotaram Lleyton Hewitt e Sam Groth por 6/4 e 6/2.

Quanto a Marcelo, a notícia realmente ruim é que ele perderá pontos valiosos (fez semifinal no ano passado) e corre sério risco de perder também a liderança do ranking. O brasileiro será ultrapassado se os irmãos Bryan ou se Rojer e Tecau forem campeões do Australian Open.

O único brasileiro vivo no torneio agora é Bruno Soares, que continua nas duplas masculinas e mistas. Nas mistas, ele e a russa Elena Vesnina estrearam neste domingo e derrotaram a chinesa Saisai Zheng e o sul-coreano Hyeon Chung no match tie-break: 6/3, 6/7 e 10/4.

O tenista multifuncional

Tomas Berdych teve trabalho diante de Robert Bautista Agut e precisou de cinco sets para vencer (4/6, 6/4, 6/3, 1/6 e 6/3), mas saiu de quadra classificado para as quartas de final e, aparentemente, apressado. O tcheco decidiu jantar e fazer sua recuperação ao mesmo tempo.

Federer, aliás, derrotou David Goffin com a facilidade de sempre: 6/2, 6/1 e 6/4. Nada de novo. O suíço, que já encontrou muitos problemas diante de Berdych, vem em uma sequência de quatro vitórias sobre o tcheco. A última vitória de Berdych aconteceu nas semifinais de Dubai/2013.

O melhor do dia 8

A programação de segunda-feira, em Melbourne, termina de definir as quartas de final e tem dois jogos bastante esperados: Milos Raonic x Stan Wawrinka e Andy Murray x Bernard Tomic. Na chave feminina, fica a expectativa pela confirmação do duelo entre Angelique Kerber e Victoria Azarenka. A alemã enfrenta a compatriota Annika Beck na abertura do dia, na Rod Laver Arena, e a bielorrussa joga logo em seguida contra Barbora Strycova.

Bruno Soares, único sobrevivente brasileiro no torneio, joga duas vezes na Quadra 3. Primeiro, ele e Jamie Murray encaram Robert Lindstedt e Dominic Inglot na chave de duplas. O jogo vale vaga nas quartas de final, que pode ser um duelo com os irmãos Bryan. Mais tarde, pela chave de duplas mistas, Soares e a russa Elena Vesnina enfrentarão a taiwanesa Su-Wei Hsieh e o austríaco Alexander Peya – sim, o ex-parceiro do mineiro. Deve ser divertido. Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 6: desmaio de técnico, frases polêmicas e surpresas nas oitavas
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Alexandre Cossenza

Se Andy Murray e Victoria Azarenka cumpriram o script, Garbiñe Muguruza apareceu no set com as falas mal ensaiadas. A espanhola acabou eliminada do Australian Open neste sábado, dia em que todos confrontos de oitavas de final foram definidos.

Foi uma jornada tumultuado dentro e fora de quadra. Desde o desmaio do técnico de Ana Ivanovic até as declarações polêmicas de Gilles Simon e – sempre ele – Bernard Tomic. Houve também muitos aces, lances espetaculares (e fanfarrões) e uma bela mensagem de solidariedade. Siga lendo o resumaço e fique por dentro do que anda acontecendo no primeiro Slam de 2016.

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Os favoritos

“Victoria Azarenka atropelou” é a versão 2016 do manjado título jornalístico “Federer dá show”, certo? Bom, pelo menos por enquanto. A bielorrussa, bicampeã do torneio, voltou a vencer com folga em Melbourne. A vítima do sábado foi a qualifier japonesa Naomi Osaka (#127), que caiu por 6/1 e 6/1.

O jogo até chegou a parecer interessante, mas só por alguns minutos. Foi quando Vika perdeu o serviço logo no primeiro game. Depois disso, Azarenka venceu oito games seguidos e restabeleceu a ordem das coisas.

Ainda sem enfrentar uma cabeça de chave sequer, a ex-número 1 ainda deu sorte – com a eliminação de Garbiñe Muguruza (leia mais abaixo) – e vai enfrentar a tcheca Barbora Strycova (#48) nas oitavas. Ou seja, Vika pode alcançar as quartas sem enfrentar uma cabeça de chave.

Sim, eu sempre posto um tuíte como o acima, mostrando a espetacular sequência de resultados de Azarenka em 2016. Vale perguntar, a propósito, quando o Twitter vai aprovar o uso de mais de 140 caracteres nas postagens. Se demorar, os jornalistas precisarão postar imagens com as parciais de Vika.

Na chave masculina, Andy Murray perdeu um set, mas derrotou o português João Sousa sem muito drama: 6/2, 3/6, 6/2 e 6/2. Foi a sétima vitória de Murray em cima de Sousa, que só conseguiu tirar dois sets do britânico em todos esses confrontos. O jornalismo português, aliás, deve ser o detentor do recorde de escrever “enfrenta Andy Murray” nos últimos dois anos. De 2014 até este Australian Open, foram seis partidas entre os atletas em questão.

A grande cabeça que rolou

Na chave feminina, finalmente uma zebra grande. Garbiñe Muguruza (#3), que vinha de duas boas vitórias e atuações convincentes, deu adeus precoce a Melbourne neste sábado, eliminada pela tcheca Barbora Strycova (#48). A espanhola entrou em quadra agressiva e até conseguiu um break point no game inicial, mas não converteu.

Muguruza, contudo, atacou além da conta, e os erros começaram a aparecer já no segundo game. Strycova conseguiu duas quebras e, a partir do quarto game, manteve a liderança até fechar o set. A segunda parcial não foi muito diferente. Em momento algum, Muguruza conseguiu o ritmo necessário para agredir a rival com eficiência e consistência. A tcheca, que não deu o ritmo que Muguruza gostaria, acabou triunfando por 6/3 e 6/2, em 1h18min.

O susto

Ana Ivanovic (#23) vencia a partida contra Madison Keys (#17) por 6/4 e 1/0 quando a partida precisou ser interrompida por causa de um espectador que havia desmaiado. Pouco depois, foi confirmado que o cidadão era Nigel Sears, técnico de Ivanovic e sogro de Andy Murray.

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As duas tenistas tiveram a opção de adiar a partida, mas ambas preferiram continuar, e o jogo seguiu após uma interrupção de 50 minutos. Ivanovic chegou a abrir 4/2 no segundo set, mas acabou sofrendo a virada. Keys fechou a parcial em 6/4 depois de um último game que teve seis break points e três game/set points.

A parcial decisiva também foi cheia de variações, e Ivanovic novamente abriu vantagem. Keys, no entanto, saiu de 0/3 para 5/3 e finalmente fechou a partida em 4/6, 6/4 e 6/3. O torneio deu às tenistas a opção de não ir à coletiva obrigatória, e ambas aceitaram. Andy Murray, que jogava na Margaret Court Arena ao mesmo tempo, também se recusou a falar.

Ele e mãe saíram do Melbourne Park direto para o hospital. Os relatos mais recentes dão conta de que Nigel Sears está consciente e passa bem.

Frases polêmicas

Gilles Simon disse ao jornal francês L’Équipe que terá todo o vestiário (leia-se “todos os jogadores'') na torcida a seu favor no domingo, quando enfrentará Novak Djokovic nas oitavas de final. Segundo o #15 do mundo, todo mundo anda de saco cheio de ser humilhado pelo sérvio.

Tenho cá minhas dúvidas sobre se foi algo inteligente a dizer um dia antes de enfrentar o número 1 do mundo. Isso desestabilizaria ou incentivaria ainda mais Djokovic nas oitavas de um Slam? Aguardemos até a partida então.

Outro que andou falando sobre alguém do Big Four foi – surpresa! – Bernard Tomic. Depois de cinco dias sem falar ou fazer bobagem, o australiano foi indagado sobre uma entrevista de Federer, na qual o suíço ressaltava a inconsistência de Tomic, que sempre ficou longe de entrar no top 10. Neste sábado, o australiano disse também achar que o suíço está muito longe do tênis de Djokovic hoje em dia.

Se alguém estiver imaginando, Tomic só enfrentará Federer neste Australian Open se ambos alcançarem a final. Não parece lá muito provável.

As oitavas definidas

Na chave masculina, as oitavas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Gilles Simon [14]
[9] Jo-Wilfried Tsonga x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x David Goffin [15]
[24] Robert Bautista Agut x Tomas Berdych [6]
Andrey Kuznetsov x Gael Monfils [23]
[13] Milos Raonic x Stan Wawrinka [4]
[8] David Ferrer x John Isner [10]
[16] Bernard Tomic x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Margarita Gasparyan
[12] Belinda Bencic x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x Anna-Lena Friedsam
[10] Carla Suárez Navarro x Daria Gavrilova
[7] Angelique Kerber x Annika Beck
[14] Victoria Azarenka x Barbora Strycova
Johanna Konta x Ekaterina Makarova [21]
[15] Madison Keys x Shuai Zhang

O sortudo

Não é todo dia que alguém chega às oitavas de final em um Slam depois de derrotar Ryan Harrison, Jeremy Chardy e Dudi Sela, certo? Principalmente em uma chave que tinha Rafael Nadal (e, depois, Fernando Verdasco). Só que Andrey Kuznetsov (#74) tem lá seu mérito. Viu as oportunidades e aproveitou, derrotando um cabeça de chave, digamos, derrotável, e, em seguida, batendo o israelense Dudi Sela, que ninguém imaginava estar vivo na terceira rodada.

A maior surpresa

Não, Shuai Zhang (#133) não protagonizou nenhuma surpresa gigante neste sábado, embora a chinesa não fosse a mais cotada para vencer o duelo com a americana Varvara Lepchenko (#51). Ainda assim, a qualifier de 27 anos triunfou e avançou às oitavas por 6/1 e 6/3.

A parte mais bacana da história é que Shuai Zhang vem caminhando em território desconhecido desde a primeira rodada, quando derrotou a vice-líder do ranking, Simona Halep. Antes deste Australian Open, a chinesa havia disputado 14 Slams e perdido na estreia em todas 14 oportunidades.

Os brasileiros

Bruno Soares e Jamie Murray venceram outra vez e alcançaram as oitavas de final. Brasileiro e escocês, cabeças de chave 7 em Melbourne, fizeram 7/5 e 6/3 em cima de Mariusz Fyrstenberg e Jerzy Janowicz, uma dupla nada fácil de derrotar. Em uma seção duríssiva da chave, Bruno e Jamie vão enfrentar agora Dominic Inglot e Robert Lindstedt, cabeças 11. Quem vencer vai às quartas para encarar – provavelmente – os irmãos Bob e Mike Bryan.

O sábado também marcou o início do torneio juvenil do Australian Open, mas não há brasileiros inscritos. Dos quatro brasileiros mais bem colocados no ranking mundial juvenil, três optaram por disputar a Copa Barranquilla, na Colômbia. É um torneio de nível I. Gabriel Decamps foi eliminado nas oitavas de final (por desistência), assim como Lucas Koelle. Felipe Meligeni Alves, cabeça 1, caiu na estreia. Orlando Luz, por sua vez, ainda não jogou em 2016.

O canhão

John Isner (#11) venceu outra vez e, como quase sempre, disparando um monte de aces. Neste sábado, contra Feliciano López (#19), foram 44, número que iguala sua terceira melhor partida no quesito. O espanhol até emparelhou a partida durante os dois primeiros set, mas Isner conseguiu a primeira quebra de saque da partida logo no game inicial do terceiro set e dominou o confronto a partir dali. No fim, o placar mostrou 6/7(8), 7/6(5), 6/2 e 6/4.

Os números de Isner neste Australian Open são, de fato, impressionantes. Em três partidas, o americano de 2,08m de altura acumula 101 aces (e apenas cinco duplas faltas) e 161 saques não devolvidos. Além disso, em 54 games com o saque, Isner não cedeu um break point sequer. Os números são cortesia do tuíte de Craig O’Shannessy, colado abaixo.

O bom moço

Milos Raonic (#14) havia acabado de derrotar Viktor Troicki (#26) por 6/2, 6/3 e 6/4, mas aproveitou a entrevista pós-jogo para mandar um recado solidário. Ele dedicou a vitória a uma comunidade de Saskatchewan, no Canadá, onde houve um tiroteio que deixou quatro mortos e pelo menos dois feridos em uma escola.

“A vitória de hoje foi por essa comunidade e por uma recuperação rápida, e o Canadá inteiro, e tenho certeza que o mundo, está com vocês.”

Os melhores lances

Na chave de duplas mistas, Ivan Dodig derrubou a placa de propaganda na beira da quadra, mas conseguiu o winner. Ele e a indiana Sania Mirza derrotaram Alja Tomljanovic e Nick Kyrgios por 7/5 e 6/1.

Dodig também tentou jogar tênis sem a raquete.

O jogo entre os franceses Gael Monfils (#25) e Stephane Robert (#225) não foi lá equilibrado, mas teve seus momentos divertidos. Como este ponto de Robert depois de um longo rali com o compatriota.

Robert e Monfils, aparentemente, estavam no espírito de fazer gracinhas.

O melhor do dia 7

A programação de domingo, em Melbourne, marca o início das oitavas de final, ou seja, serão poucas as partidas desinteressantes. A começar pela primeiro jogo da Rod Laver Arena, entre Maria Sharapova e Belinda Bencic, que será disputado no mesmo horário de Jo-Wilfried Tsonga x Kei Nishikori, marcado para a Hisense Arena. A sessão diurna da RLA encerra com Novak Djokovic x Gilles Simon, duelo que ficou mais curioso depois das declarações do francês. No fim do dia, também na RLA, temos Roger Federer x David Goffin. Se o belga não costuma ameaçar o suíço, pelo menos a partida deve render alguns lances de efeito.

Entre os brasileiros, Marcelo Melo tenta uma vaga nas quartas de final. Ele e Ivan Dodig enfrentam Pablo Cuevas e Marcel Granollers na segunda partida do dia na Hisense Arena. Na Quadra 6, Bruno Soares finalmente fará sua estreia nas mistas, inicialmente marcada para sexta-feira, mas cancelada por causa da chuva. Ele e Elena Vesnina jogam contra a chinesa Saisai Zheng e o sul-coreano Hyeon Chung. Veja aqui os horários e a programação completa.