Saque e Voleio

Copa Davis: enfim, Feijão
Comentários 5

Alexandre Cossenza

Feijao_Rio_qf_get_blog

No último dia do prazo para o anúncio dos times que disputarão a primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis, a Confederação Brasileira de Tênis confirmou a (inevitável) escalação que todos sabiam há semanas (desde que José Nilton Dalcim divulgou): João Souza, Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares.

O complicado confronto em Buenos Aires, contra a Argentina, em uma quadra de saibro, possivelmente com muito calor e umidade, marca a volta de Feijão ao time brasileiro. O paulista de 26 anos é atualmente o número 77 do mundo e será o mais bem ranqueado simplista do país na semana do duelo. Só que mais do que rankings e números, a convocação vem para coroar oito meses de belo tênis. Desde as ótimas campanhas em Challengers no segundo semestre do ano passado até as vitórias em torneios de nível ATP em 2015.

O Feijão de hoje é um tenista mais qualificado e, principalmente, mais equilibrado. Não só na parte técnica, na qual seus pontos fracos (a movimentação e o backhand) já não são tão fracos, mas também na questão mental. João Souza, hoje, deixa se incomodar com muito menos facilidade do que anos atrás. E se às vezes ainda mostra instabilidade e perde chances (como no voleio fácil que errou quando teve match point contra Blaz Rola no Rio de Janeiro), também mostra capacidade de recuperação maior (vide a reação no terceiro set do mesmo jogo).

O Feijão de hoje, repito, é mais maduro do que aquele de 2011, que deixou já decidido o confronto contra o Uruguai, em Montevidéu, quando soube que não iria jogar. É também mais experiente do que o João Souza de 2012, que treinou brilhantemente, mas não rendeu o mesmo quando estreou na competição contra Santiago Giraldo, da Colômbia.

Mayer_Berlocq_AO2015_2r_get_blog

A Argentina continua sendo um time mais forte. Ganhável, porém mais forte do que o Brasil. Com Daniel Orsanic (ex-técnico de Bellucci) no posto de capitão, os hermanos jogarão com Leonardo Mayer, Federico Delbonis, Diego Schwartzman e Carlos Berlocq. Nenhum cracaço, nenhum tenista imbatível, mas uma equipe homogênea que dá muitas opções ao capitão. Um exemplo? Mayer, 29 do mundo e mais bem ranqueado entre os argentinos, vem de derrota para Feijão em São Paulo. Schwartzaman, por sua vez, é o 64º na lista da ATP, mas derrotou João Souza nos dois últimos encontros.

Orsanic, que optou por deixar o mais experiente Juan Mónaco fora do time (segundo Orsanic, a dúvida era entre ele e Schwartzman), deve saber que jogará como azarão na partida de duplas (Berlocq e Mayer, que jogaram juntos no Australian Open, em São Paulo e no Rio são uma opção), mas sabe que tem chance de ganhar os outros quatro jogos de simples.

A favor da Argentina, obviamente, pesarão a barulhenta torcida e o calor. A combinação de altas temperaturas e umidade são cruéis para Bellucci, que teve problemas recentemente em Buenos Aires. Em 2014, esgotado, abandonou seu primeiro jogo no qualifying. Nesta semana, voltou a sofrer e dava sinais de exaustão já no fim do segundo set. Como talvez precise jogar até cinco na Copa Davis, sua condição física será sempre uma preocupação brasileira.

Coisas que eu acho que acho:

– A polêmica na Argentina fica por conta da ausência de Mónaco. Como relatei acima, Orsanic afirmou que estava na dúvida entre ele e Schwartzman. Contudo, um grande ponto de interrogação paira no ar. Juan Martín del Potro fez as pazes com a federação argentina e já se mostrou disposto a voltar ao time. Mónaco, por sua vez, não esconde de ninguém que nem fala com Delpo. E agora?

– Dada a insegurança com a durabilidade de Thomaz Bellucci, talvez fosse, no mundo ideal, o caso de Zwetsch convocar mais um simplista. O problema é que incluir Guilherme Clezar, André Ghem, Rogerinho, Fabiano de Paula ou quem quer que seja significaria abrir mão de um duplista e, consequentemente, colocar em risco o ponto mais provável do Brasil no confronto. Além disso, no mundo ideal o Brasil teria mais um simplista capaz de ganhar jogos neste nível. E ninguém além de Feijão e Bellucci vem mostrando tênis para isso.

Monaco_Rio_qf_get_blog

– Não sei qual o critério adotado pela CBT, mas o timing do anúncio, especialmente nesta convocação, acabou sendo o pior possível. Todos no meio do tênis sabiam que Feijão seria convocado (José Nilton Dalcim publicou a informação semanas atrás), e o tenista, proibido de revelar, teve de passar duas semanas dando respostas idiotas à imprensa. Nos últimos dias do Rio Open, o próprio Feijão ria das respostas toda vez que incluía um “se eu for chamado”.

– Para quem não sabia que Feijão seria convocado, o anúncio pós-Brasil Open e Rio Open pode passar a impressão de que João Zwetsch não queria o atleta, mas teve de engolir a boa fase de um jogador que foi equivocadamente preterido (vide o desempenho de Rogerinho) no confronto anterior. Não foi o que aconteceu (pelo menos na parte que diz respeito aos ATPs brasileiros), mas a CBT deveria trabalhar para não dar margem a esse tipo de pensamento.

– Por que alguém pensaria como o que sugeri no parágrafo acima? Por causa de toda polêmica do confronto contra a Espanha. Para quem não lembra, Zwetsch explicou mal a opção por Rogerinho (alegou questões físicas, depois falou em recompensa pela atuação contra o Equador); Feijão reclamou e inclusive afirmou que o capitão da Davis não deveria ser treinador de outros atletas; Ricardo Acioly, ex-capitão da Davis e técnico de Feijão, criticou duramente a postura de Zwetsch; e Zwetsch culpou “fantasmas” pela má atuação de Rogerinho.


Tutorial: como se programa uma rodada de um torneio grande
Comentários 7

Alexandre Cossenza

RioOpen_F_get2_blog

O Rio Open, torneio ATP 500 e WTA International, terminou com mais elogios do que críticas e, é justo dizer, talvez tenha sido o mais bem organizado evento de tênis nos últimos anos em solo brasileiro. O evento, no entanto, terminou teve sua polêmica. A longa (e quente!) sexta-feira começou às 13h, com reclamações sobre o horário de início do jogo entre Sara Errani e Bia Haddad, e só terminou às 3h18min, quando Rafael Nadal eliminou Pablo Cuevas.

Em entrevista coletiva, Lui Carvalho, diretor do torneio, deu suas explicações. Depois, ao fim do torneio, conversou só comigo e explicou tudo, detalhe por detalhe, que foi levado em consideração na montagem da programação daquela sexta-feira. E como muitos leitores (e até jornalistas) não sabem como é o processo, faço este post, que acaba sendo uma espécie de tutorial de como se monta um dia de um torneio grande.

Primeiro, lembremos a resposta oficial sobre a polêmica da sexta-feira. Muitos levantaram a hipótese de que a partida entre Fabio Fognini e Federico Delbonis (penúltima do dia na Quadra Central) deveria ter sido transferida para a Quadra 1 (menor, com capacidade para cerca de mil pessoas). Na coletiva de domingo, Carvalho deu a seguinte explicação.

“O que aconteceu foi um caso daqueles que acontecem uma vez em um milhão. Os jogos se prolongaram por muito mais do que normalmente. Naquele dia, a WTA teve o heat policy (regra que dá aos tenistas dez minutos de intervalo entre o segundo e o terceiro sets em dias com muita sensação de calor) no jogo da Bia… O jogo parou por dez minutos… Muitos jogadores pedindo fisioterapeutas, toilet breaks, essas coisas. Essas paradas acontecem, estão dentro das regras, mas não são tão comuns do jeito que aconteceu. O que vem se discutindo bastante era a decisão do torneio de mover o jogo do Fognini para a Quadra 1. A gente foi acompanhando a situação, mas sobre a nossa decisão, a gente reforça que foi acertada por alguns motivos. Primeiro: o jogo que poderia ter sido mudado, na verdade, nas condições que a gente estava, era o do Nadal (contra Pablo Cuevas), mas obviamente que a gente não moveria o jogo do Nadal para uma Quadra 1, onde cabem mil espectadores, existem vários riscos de segurança, não tinha TV, coisas desse tipo. O segundo: como o jogo do Fognini não poderia ter sido mudado naquele momento, e ele estava entrando na quadra às 9h da noite. Se você falar para mim ‘são dois jogos a partir das 9h da noite’, não é nada absurdo. Acontece que o jogo do Fognini se arrastou por muito mais do que a gente previa e aconteceu o que aconteceu (Nadal só foi pidar na Quadra Central à 1h). E também na Quadra Central nós temos TV, temos um contrato de televisão (com a ATP Media) que nos força a mostrar as quatro quartas de final e, naquela situação, com o jogo entrando às 9h da noite, a gente achou que a decisão mais correta era manter o Fognini na Quadra Central. Enfim, foi um incidente que aconteceu, o jogo se arrastou um pouco mais, e o Nadal acabou entrando tarde. Mas nada que não tenha sido comunicado claramente com os jogadores no momento.”

Agora, sim, vamos ao tutorial, que vai dar detalhes de como a programação daquela sexta-feira foi estabelecida. E, para que fique tudo bem claro, é preciso lembrar da programação de quinta-feira. Veja ela abaixo.

RioOpen_schedule_thu_blog

É importante saber a programação de quinta porque a reunião que estabelece os horários do dia seguinte é sempre realizada por volta das 17h. É quando se sentam à mesma mesa o diretor do torneio, o supervisor da ATP, o supervisor da WTA, os tour managers e um representante da TV (no caso, da ATP Media, que envia as imagens para o mundo inteiro). E muita coisa entra nessa balança.

A chave de duplas é uma delas. Notem que na quinta-feira, Pablo Andújar jogaria sua partida de simples às 19h e a de duplas um pouco depois (de descansar). Logo, a organização, que montou o calendário às 17h, precisava considerar a hipótese de o espanhol avançar nas duas chaves. Se isto acontecesse, como manda a regra, Andújar não poderia fazer o último jogo de simples, já que precisaria também jogar duplas (o regulamento da ATP manda que um tenista sempre jogue sua partida de simples antes da de duplas).

Como Andújar enfrentava Fognini na quinta-feira, o vencedor daquele jogo foi escalado para a penúltima partida da sexta-feira, o que significava deixar como último confronto o vencedor de Nadal x Carreño Busta contra Pablo Cuevas. Até aí, nenhum problema, já que o próprio Nadal pediu para jogar no último horário (a organização não é obrigada a atender os pedidos). E vale lembrar que escalar Andújar/Fognini x Delbonis mais cedo causaria outro tipo de problema. O vencedor deste jogo teria muito mais tempo de descanso do que Nadal/Cuevas. Sim, tudo isso precisa ser levado em consideração.

“O Ferrer jogou primeiro porque estava livre desde quarta-feira à noite. A partir do momento que passa a segunda rodada, você começa a pensar na seção (da chave) para não dar vantagem. Se, por exemplo, Nadal jogar quinta de manhã e o oponente jogar quinta à noite, é injusto porque um tem muito mais tempo de descanso. Segunda e terça, você nem pensa tanto na seção, mas a partir de quarta você já começa a juntar as seções. Uma vai de dia (a metade de baixo, com Ferrer) e a outra vai de noite (com Nadal)”, explicou Carvalho.

Logo, a programação oficial de sexta-feira saiu assim:

RioOpen_schedule_fri_blog

E ainda há algumas coisas a ressaltar. Segundo Carvalho, o regulamento da ATP diz que, em casos assim, apenas a última partida pode ser levada para outra quadra. Foi, aliás, o que aconteceu com a partida de duplas na noite de sábado. Quando Marach, Andújar, Oswald e Klizan entraram em quadra, havia apenas uma pessoa lá (a Aliny Calejon, que contou tudo em seu site, o Match Tie-Break).

Alguém pode indagar o porquê de se fazer a programação antes do fim da rodada, mas o motivo é simples. É preciso dar tempo para que os tenistas – especialmente aos que atuarão na sessão diurna – se preparem. Todos horários na vida de um atleta profissional são programados de acordo com o horário de um jogo.

Um ponto que ratifica o raciocínio de Carvalho no que diz respeito ao timing dos jogos foi o próprio andamento do torneio. De segunda a quinta-feira, o Rio Open teve seis partidas na Quadra Central, com a primeira delas começando às 11h. Não houve nenhum problema quanto a horário. A sexta-feira, que tinha um jogo a menos, começou às 13h. Não havia como imaginar uma sessão tão longa.

Coisas que eu acho que acho:

– Foi impressionante o número de pessoas que ficaram no Jockey Club Brasileiro madrugada adentro até a partida entre Nadal e Cuevas. A estimativa era de mais de 4 mil pessoas no clube. E foi bom ver, como escrevi no post anterior, que os estandes de comida e seguiram ficaram até além da meia-noite.

– A quem diz que foi um erro escalar Bia Haddad e Errani por causa do calor, a WTA passou uma informação importante. A sensação de calor na Quadra Central era maior às 16h do que ao meio-dia. Logo, não é justo culpar a organização pelas cãibras da brasileira.

– O torneio de Acapulco, que acontece esta semana, tem dilemas parecidos. É um evento grande, com chaves masculina e feminina, e precisa lidar com o calor. Por isso, começa a programação diariamente às 16h. A grande diferença é que o torneio mexicano usa seis quadras enquanto o evento brasileiro aproveitou, no máximo, quatro (três na sexta-feira).


Que o fim não esteja tão próximo
Comentários 3

Alexandre Cossenza

Ferrer_Rio_f_efe_blog

Troféu garantido e microfone na mão, David Ferrer fez um emocionado agradecimento aos árbitros do circuito mundial. Agradeceu a todas pessoas que viajam e se sacrificam para que possam trabalhar em tantas partidas ao longo do ano. Seria um discurso um tanto incomum se o espanhol de 32 anos não tivesse feito a seguinte introdução: “Nunca se sabe quando será o último, então quero aproveitar a oportunidade para…”

David Ferrer estava feliz como poucas vezes é possível notar por seu comportamento discreto dentro e fora de quadra. Um pouco pela importância do título conquistado no Jockey Club Brasileiro. Era, afinal, um ATP 500, com pontos valiosos em jogo. Mas também um pouco porque o espanhol sabe que o fim se aproxima. Ferrer vem de cinco excelentes temporadas, mas sabe que a turma mais jovem vem chegando. Até por isso, somou em 2014 seu menor número de pontos (4.045, contra 5.800 em 2013, 6.505 em 2012 e 4.925 em 2011).

Na coletiva, de chinelos e com o troféu ao seu lado na mesa da sala de imprensa, Ferrer lembrou das ascensões de Wawrinka, Cilic e Nishikori. Lembrou também que teve dificuldade em se reencontrar após se separar de Javier Piles, técnico com quem trabalhou por 15 anos. Não poderia mesmo ser fácil.

“Não foi um ano ruim (2014). Consegui 4.200 pontos. Em outros anos, consegui vaga no Masters sem conseguir tantos pontos (aconteceu em 2010). O que é certo é que perdi um pouco de tranquilidade. Também havia me separado do meu antigo treinador, e não foi fácil me situar novamente, mas foi um bom ano. Fiquei contente por acabar como top 10. É cada vez mais difícil. Nishikori, Cilic e Wawrinka em forma genial. É mais complicado, a cada ano, manter-se entre os dez primeiros. Este ano tento o mesmo. Ficar competitivo contra os melhores jogadores do mundo. É meu único objetivo porque gosto do tênis.”

No Rio de Janeiro, Ferrer fez um torneio competente e discreto – características que leva ao mundo quase todo. Não reclamou da bola (que Rafael Nadal e Bruno Soares criticaram duramente); constatou, mas não se queixou do calor; evoluiu tecnicamente durante a semana; e fez grandes jogos quando precisou. A final, contra Fabio Fognini, foi menos emocionante do que o público gostaria. Méritos inteiros para Ferrer. Que o fim não esteja tão próximo.

Coisas que eu acho que acho:

– Sempre gosto quando um dos tenistas pouco apreciados conquista algo maior do que um ATP 250. Ferrer pode não ter as armas necessárias para ser número 1 do mundo, mas tira quase sempre o máximo que seu tênis lhe permite. Há quem diga que Ferrer é só um devolvedor. Que sua bola não anda. Aos que acreditam nisso, sugiro que conversem com um dos muitos fãs que viram de pertinho os treinos do espanhol no Rio de Janeiro.

– Sobre a inesperada derrota de Rafael Nadal – porque toda derrota de Nadal no saibro é inesperada -, escreverei em um dos próximos posts.


Uma madrugada muito louca
Comentários 7

Alexandre Cossenza

RioOpen_madrugada_blog2

Começou com a partida entre Bia Haddad e Sara Errani. Um jogo que teve um set longo, uma parada por calor e uma interrupção por lesão. David Ferrer e Juan Mónaco, em seguida, jogaram três sets. O mesmo aconteceu com Feijão e Andreas Haider-Maurer. Quando o número 2 do Brasil saiu de quadra, por volta das 21h30min, havia uma séria possibilidade de a rodada terminar além da meia-noite. Afinal, Fabio Fognini e Federico Delbonis ainda jogariam antes da grande atração do dia, Rafael Nadal x Pablo Cuevas.

Em uma dia com um punhado de confrontos demorados, torneios costumam transferir algum jogo para uma quadra menor. O Rio Open optou por manter Fognini e Delbonis na Central. Pois italiano e argentino ficaram por mais de três horas em quadra. Rafael Nadal chegou na quadra precisamente à 1h da manhã. Oficialmente, seu jogo contra Cuevas começou à 1h13min e terminou às 3h18min. Mas valeu à pena para quem ficou até o fim. Mais de 4 mil pessoas (contando só quem ficou) viram Nadal lutando para adquirir confiança em um dia ruim e foram recompensados com uma vitória do Rei do Saibro – sim, a maioria torcia animadamente pelo espanhol.

Mas não foi só isso. A madrugada carioca teve seus momentos divertidos. No intervalo entre o segundo e o terceiro sets, Nadal trocou de shorts e voltou para quadra com a nova peça ao contrário. Sem conseguir colocar as bolas no bolso, foi forçado a mudar de rotina na hora do saque. Depois de confirmar o serviço, correu para o banco, enrolou uma toalha em volta da cintura e tirou o short ali mesmo, colocando de volta rapidinho – aí, sim, como deveria ser.

Nadal troca de short no meio da quadra (Rio Open)

Enquanto isso acontecia, já por volta das 3h da manhã, Pablo Cuevas perdia a cabeça. O uruguaio jogou um segundo game desleixado, arriscando como não havia feito ainda no jogo, e pagou o preço. Nadal quebrou, disparou na frente, e Cuevas abandonou a partida. Foi vaiado quando perdeu o quinto game e ouviu mais ainda quando sacou no sexto game e fez força para errar. Saiu de quadra xingado e xingando, enquanto Nadal agradecia ao público por ter ficado até tão tarde e dizia que nenhuma partida deveria terminar tão tarde. E, com uma vaga nas semifinais, mesmo às 3h20min, parou para dar dezenas de autógrafos.

Fora de quadra, como não podia (até podia, mas não convém) falar mal do torneio que lhe pagou um cachê milionário, Nadal fez o que faz sempre: criticou a ATP. Em uma curta entrevista, disse que a entidade nunca poderia permitir que uma partida começasse naquele horário e deu a entender que aquilo só aconteceu porque ninguém quis deslocar uma partida (tudo leva a crer que ele falava de Fognini x Delbonis). Mas está vivo para a alegria dos organizadores.

No Media Center

Gosto quando um dia vai longe assim. Os últimos jogos ganham um ar diferente e só fica em quadra mesmo quem gosta de tênis. Os curiosos costumam desistir cedo. Sei que sou minoria. Na sala de imprensa, a torcida era enorme para que Fognini fechasse o segundo set. Acho que ouvi um “vou matar esse cara torcendo para o Delbonis” logo depois que comemorei um ponto do argentino no tie-break do segundo set.

Acaba sendo divertido, apesar de terem parado de abastecer a mesa de lanches dos jornalistas às 22h. Para a sorte de alguns, João Victor Araripe distribuiu bolo. Para a sorte de todos, as lanchonetes ainda estavam todas abertas à meia-noite. O ambiente no Jockey, aliás, era ótimo (vide foto abaixo). Muita gente sentada às mesas, batendo papo, comendo e bebendo enquanto Fognini e Delbonis jogavam.

SONY DSC

Os brasileiros

Não foi um dia, digamos, memorável. Primeiro, Bia Haddad fazia uma partida brilhante contra Sara Errani – mesmo sob quarenta graus de temperatura, em uma partida iniciada às 13h – mas perdeu match points no segundo set. Após o intervalo de dez minutos, a paulista teve cãibras e não conseguiu jogar. Teve de abandonar a partida mais valiosa de sua jovem carreira e chorou. Por isso, também não jogou a semifinal de duplas ao lado de Teliana Pereira.

À noite, Bruno Soares e Feijão foram eliminados quase simultaneamente. Na Quadra 1, em mais uma das partidas parelhas que escaparam em 2015, Soares e Alexander Peya caíram no match tie-break diante de Oliver Marach e Pablo Andujar. Soares, aliás, criticou duramente a bola produzida pela Head e adotada pelo torneio. O mineiro disse, com todas as quatro letras, que a bola é um “lixo”. João Souza, por sua vez, venceu o segundo set e até saiu na frente na parcial decisiva, mas cedeu a virada a Andreas Haider Maurer.

Coisas que eu acho que acho:

– Li críticas ao preparo físico de Bia Haddad. Não acho que sejam justas. Não a uma menina de 18 anos que precisou jogar sob um calor de 40 graus a partida – repito – mais valiosa de sua carreira. A exigência física e o nervosismo do jogo (com match points e um tie-break no segundo set) desgastam um atleta adolescente em medidas que não são fáceis de calcular.

– Há quem culpe o torneio, por “forçá-las a jogar sob um calor desumano''. Também soa como um ataque covarde. O Rio Open, na verdade, são dois torneios – um masculino e um feminino. Não tem como começar a programação às 15h e achar que as partidas vão terminar antes das 2h da manhã seguinte. Não tem como. Bia acabou prejudicada (culpa de ninguém) porque estava nas semifinais de duplas, e o regulamento exige que todo jogo de simples seja realizado antes. Logo, a brasileira precisava entrar em mais quadra cedo para voltar à quadra mais tarde.

– Também ouvi críticas à postura de Sara Errani, que reclamou depois de Bia ser atendida no meio de um game do terceiro set. A italiana queria, simplesmente, que o regulamento fosse cumprido. E as regras não permitem tempo médico nem interrupção de jogo por causa de cãibras – que foram o problema de Bia.


De numero 1 do Brasil à sala de imprensa do Rio Open
Comentários 5

Alexandre Cossenza

SONY DSC

Em 2014, ela ligou pedindo um convite. Este ano, ligou pedindo emprego. Em 2011, ela era número 1 do Brasil. Hoje, trabalha na sala de imprensa do Rio Open. Qualquer que seja a apresentação, Ana Clara Duarte, carioca, 25 anos e, ressalta, não aposentada, tem uma história nada convencional. E é assim que ela gosta. Por isso, escolheu a vida dinâmica do jornalismo como carreira.

Um dia antes do início da chave principal do Rio Open, conversei com Ana Clara na sala de imprensa, até porque não há melhor lugar para dois jornalistas trocarem ideias e baterem um papo. E vocês, leitores, vão perceber que a suposta “entrevista'' correu como uma conversa normal. Na maioria das vezes, inclusive, era ela quem direcionava o papo (um óbvio sinal de que ela tem talento para a nova profissão).

E foi uma conversa bacana. Ana Clara lembrou de seu melhor momento na carreira – uma viagem à Austrália que incluiu dormir em oito lugares diferentes durante um torneio -, da lesão no ombro que atrapalhou seu retorno e de como as decisões e mudanças de rota vieram naturalmente. Coisas de uma menina que sentiu necessidade de viver algo além do tênis.

Ela fala da paixão pelo jornalismo (apesar dos salários), pela dinâmica e deixa claro que ainda não abandonou o tênis. Mas já escrevi demais nesta introdução. Leiam o papo porque a história é bem mais legal nas palavras da própria Ana Clara.

Como foi a decisão? Onde, como, por quê?
Na verdade, não foi uma decisão assim “ah, a partir de hoje eu estou para o lado jornalista e não mais para o lado tenista.” Foi uma coisa bem, assim, passo a passo, muito tranquila, natural, sem pular nenhuma etapa. Pelo contrário. Acho que a vida foi decidindo um pouco por mim. A grande decisão mesmo foi o momento que eu decidi voltar a estudar, eu acho. Eu tinha 23 anos, estava morando em Porto Alegre há um ano e meio, mas fora de casa desde os 16. Foi o grande momento. Foi quase uma necessidade de me envolver em uma outra coisa que não fosse o tênis. Estava faltando um pouco de equilíbrio na minha vida, no sentido de que era só tenis. Meu lado pessoal… Tênis não pode ser tudo na vida o tempo inteiro. Quando está assim, você perde um jogo e acha que é o fim do mundo e vai cair tudo… Sabe?

AnaClara_Pan_uol_blog

E é pior porque vira uma bola de neve, você leva para o torneio seguinte…
Exato. Fica uma coisa negativa. É uma pressão a mais, é uma coisa que não estava me fazendo bem porque eu me vi num momento que eu já tinha passado por um momento muito bom na minha carreira, não estava conseguindo voltar tão rápido quanto eu gostaria e eu sempre fui muito perfeccionista, sempre me cobrei bastante, mas eu estava entrando num ciclo que estava me prejudicando. Eu falei “não, eu quero voltar a estudar.” Eu não estudava há uns seis, sete anos, quando eu tinha me formado na escola, e não queria (estudo) à distância. Fiz questão que fosse presencial porque eu achava que precisava ver outras pessoas, ouvir outras histórias, falar sobre outra coisa que não fosse tênis.

Você morava em Porto Alegre porque treinava lá, não?
Eu estava treinando no IGT (Instituto Gaúcho de Tênis). Sempre treinei no IGT desde que fui para lá. E aí eu decidi voltar a estudar, e jornalismo era uma coisa que, assim, pensando em carreira… Eu sempre gostei de ler e escrever e nunca tive problema de falar, de me comunicar com as pessoas – e em público também. Falei, “cara, jornalismo pode ser uma coisa legal” e era uma profissão que, no futuro, eu poderia estar próxima do esporte se eu seguisse essa linha.

Te falaram dos salários antes de você entrar na faculdade?
Falaram (risos). Eu fiquei sabendo. Até hoje tem gente que tenta me convencer. Mas foi isso que aconteceu. A grande decisão mesmo foi essa, na hora de voltar a estudar. Óbvio que isso implicou várias outras coisas. A partir do momento que estou frequentando presencialmente uma faculdade, eu não consigo ficar quatro, cinco semanas fora, que nem na época de tenista. A partir daí, eu comecei a viajar menos, mas continuava treinando em dois períodos. Um ano depois, apareceu uma oportunidade de estagiar na área que eu queria, que era TV. Foi outro grande passo. A partir do momento que eu entrei no estágio, aí sim eu não conseguia mesmo viajar. Então foram dois degraus que eu fui subindo, dois passos que eu dei. Não sabia que a oportunidade do estágio iria surgir tão rápido, no terceiro semestre. Eu achei que iria conseguir conciliar por mais tempo. Então foi por isso que eu digo que tudo se decidiu mais com as coisas fluindo do que….

(interrompendo) Da faculdade, você gostou de cara?
Gostei de cara. É que na PUC de Porto Alegre, no primeiro semestre a gente já tinha algumas cadeiras práticas. Eu acho que isso é um diferencial da faculdade. Agora eu transferi, estou no quarto semestre e é tudo teórico.

Aqui no Rio?
É, estou na Facha (Faculdades Integradas Hélio Alonso). Não consegui transferência, preciso esperar mais um ano para ir para a PUC. Estou tendo tudo teórico. Mas na PUC, no primeiro semestre, a gente já tinha coisa prática. Isso foi muito legal. Depois, comecei a estagiar e vi a rotina de uma redação, como funciona, falei “caramba, eu gosto mesmo”, independente de todos lados… De salário, essas coisas. Mas e aí, como eu não tinha mais esse vínculo com o tênis, tão forte, não tinha tanto por que continuar em Porto Alegre. Falei “é hora de voltar para o Rio”, que foi outra decisão, depois de nove anos que eu estava fora. Foi outro grande passo.

AnaClara_Pan_uol2_blog

Nesses nove anos fora, você morou onde mais?
Logo que saí do Rio, fui para São Paulo. Depois, passei seis meses nos Estados Unidos, aí fiquei três anos em Floripa e fiquei três anos em Porto Alegre também. Morei nove anos sozinha, voltar para a casa dos pais… Sempre fui muito apegada à minha família. Era uma coisa que me pesava bastante. Não estar em vários acontecimentos, várias datas… Apesar de ter sido uma decisão bem difícil porque eu sabia quanto a PUC de Porto Alegre é conceituada e eu já estava inserida num processo. Foi uma decisão difícil, mas eu achava que o quanto antes eu transferisse, melhor porque perderia menos créditos e teria mais tempo para consegui rum estágio legal.

Você veio para o Rio quando?
Cheguei dia 1º de fevereiro. Tipo ontem. Super recente. Só consegui mesmo a transferência no mês de janeiro. Então também não podia sair correndo. Entreguei apartamento, também não podia sair correndo da Band porque precisavam de mim, tinha gente de férias… Aí fiquei o mês de janeiro e vim para cá.

E você estava jogando torneio até julho do ano passado, não foi?
É. No segundo semestre, só joguei os Jogos Abertos mesmo. Acabei não jogando nenhum torneio oficial da ITF.

Com que frequência você tem jogado?
Não joguei esse ano ainda.

Não sente falta?
Sinto, sinto falta. E vendo aqui, estando nesse clima, sinto falta de competir.

Essa era minha próxima pergunta. Estando aqui dentro…
Vou te falar. No fim de semana que deu 50 graus (temperatura), em não estava com muita inveja, não. (risos) Eu estava bem aqui no ar condicionado. Mas assim… O que mais me atraiu por ficar seis meses na TV foi justamente essa adrenalina de não saber o que vai acontecer, de você ter uma coisa programada, e as coisas acontecerem completamente diferente. De você chegar e ter que tomar decisão rápido… Isso é o que mais se aproxima do que eu sempre tive na minha vida, essa adrenalina de … (estalando os dedos), sabe? Dinâmica! Não vou ficar de segunda a sexta, horário comercial e… Sabe? Minha vida sempre foi assim. Este Carnaval seria o primeiro que eu teria inteiro (de folga), mas nunca tive isso, sabe? Nunca tive feriado na minha vida. Jornalista eu sei que também, não tem.

É, não.
Eu gostei bastante por essa dinâmica, por não ser uma coisa monótona. O tenista está cada dia num lugar, cada semana numa competição diferente. Na TV, eu estava na mesma redação, mas cada dia a gente estava falando de uma coisa diferente. Podia programar o dia seguinte inteiro, mas acontece uma coisa, cai tudo e vamos fazer tudo de novo.

AnaClara_Pan_get_blog

E seu ranking, você ainda sabe?
Não. Acredito que até julho, ali… (Ana Clara é a número 915 do mundo). Sinceramente, não sei meu ranking, não olhei mais. Não por falta de curiosidade, mas por estar tão envolvida em um outro processo. É difícil falar “parei, me aposentei.” Digo que estou numa fase de transição. Até porque mudei de cidade, ainda estou me organizando, vamos ver como vai ser minha rotina, essas coisas. E sinto falta do tênis. A vida de atleta combina comigo. Sou uma pessoa que faz as coisas certinho. Hoje, estou indo na academia, fico uma hora e isso é quase ser sedentário. Para quem treinava dois períodos por dia, todos os dias… Não posso ser 100% tenista, 100% estudante e estagiária. Vamos ver esses próximos meses se eu consigo me manter jogando eventualmente ou competindo em torneios menores. Eu sinto falta! Não é uma coisa… Muito tenista corda um dia fala “não quero mais jogar tênis, enchi o saco, não quero mais tocar numa raquete.” Comigo não foi assim, sabe? Eu amo tênis, amo esporte desde pequena. Minha família inteira joga, está envolvida. Vamos ver o que acontece nos próximos meses.

Fala um pouquinho dos seus últimos anos no tênis. Seu melhor ranking veio em 2011, nem faz tanto tempo assim. Sua melhor sequência foi na Austrália, no fim de 2010. Foram cinco torneios, com um títulos, dois vices e…
Uma primeira rodada e uma oitavas.

Com foi a partir dali?
Realmente, ali foi meu melhor momento…

(interrompendo) Aliás, deixa eu te interromper porque nunca te perguntei sobre isso. Todo mundo sabe que não é barato viajar e ficar na Austrália e ficar cinco, seis semanas. Se não tivesse resultado, você pagaria isso tudo do seu bolso?
Eu estava jogando um Future (torneio com premiação de US$ 10 mil) em Itaparica e consegui uma ajuda nas passagens. Sóque era só a passagem. Ou eu ficava e jogava um segundo Future em Itaparica ou eu arriscava e iria jogar a sequência. Só que a Austrália e um país caro e eu teria que arcar com todos os outros gastos. Se eu não tivesse ido tão bem, eu iria ficar com um belo prejuízo. Arrisquei, acabei indo bem e pagou a viagem toda. Mas na primeira semana, que eu fui campeã, eu troquei de hotel oito vezes.

Oito!?
Porque eu cheguei no hotel oficial (em Cairns), não conhecia ninguém, não tinha nenhuma pessoa nem sul-americana. Era uns US$ 200 a noite. Não tinha as mínimas condição de eu ficar. As mínimas, as mínimas. Cairns é uma cidade turística, perto da barreira de coral. Foi desesperador, eu não sabia o que ia acontecer. Na primeira semana, eu não consegui me enturmar tanto. Não me deram uma abertura. Era um torneio feminino e masculino, era cheio de grupinho, todo mundo se conhecia. Eu fui pulando de um lugar para outro. treino até conseguia (parceiro), mas passava o dia inteiro no iPod. No meio da semana, as pessoas já começam a te ajudar, começou a mudar… Mas nos primeiros dias foi bem complicado.

Mas e os oito hotéis? O primeiro era muito caro, mas e os outros?
Os outros não tinham vaga, aí dormi dois dias no sofá do cara que organizava e tinha o bar do clube, depois ele me conseguiu outra coisa… Fui quicando. Acabei ficando lá mais de uma semana porque cheguei antes, fiz final e só fui embora na segunda. Nos últimos dois, três dias, acabei ficando na casa de uma moça que morava lá. Foi bem complicado mesmo. Loucura, sabe? Quando a gente para pra pensar… Mas a gente aprende. Isso também é importante. Te faz crescer como pessoa, como atleta. Não tinha para quem correr, para quem gritar. Até quando ganhei o torneio, tinha que dar discurso. Falei “a única coisa que falei era ter alguém para abraçar agora.” Aí o diretor do torneio pega e me abraça. Porque não tinha ninguém, eu estava sozinha lá. Mas isso me fez crescer muito como pessoa. Não foi só essa. Esse poder de decisão você leva para o resto da sua vida. Saber lidar com pressão é um dos grandes ensinamentos do esporte.

Você voltou à Austrália em 2012 e não deu tão certo…
Meu 2011 inteiro, que eu passei como número 1 do Brasil, foi baseado naquele ranking de 220-230, que entrei no US Open e tal. E não tive nenhum resultado expressivo. Se eu não fosse bem naquela mesma época, meu ranking iris despencar de novo. Então foi isso que aconteceu. Não fiz nenhum resultado significativo para sustentar. Quando chegou outubro de 2011, que eu não defendi os pontos, caí e logo me machuquei (tendinite e bursite no ombro direito). Passei três meses de 2011 quase sem jogar e só em 2012 que eu fui fazer a pré-temporada em Porto Alegre. Gostei, achei que era um lugar legal e fiquei lá durante esses três anos. Mas nunca consegui recuperar o ranking que eu tive, mas vivi ótimos momentos morando lá. É uma cidade que eu gosto bastante e não sei se não tivesse o IGT se eu teria continuado.

Para terminar, uma pergunta do Sylvio (Bastos, comentarista do Fox Sports). Como é procurar o torneio para pedir um wild card e, no ano seguinte, fazer a mesma ligação para pedir um emprego?
Quando fiquei sabendo que eu iria estar no Rio, sempre tive uma relação boa com o Lui (Carvalho, diretor do Rio Open) e queria estar presente de alguma maneira, fosse aqui na área da comunicação ou em qualquer outra área. Mandei uma mensagem para o Lui, dizendo “preciso falar contigo, me passa o telefone? Te prometo que não é para pedir wild card.” Eu brinquei com ele, ele falou “me liga”, e a gente conversou por telefone. O Lui me abriu as portas, se interessou pelo fato de eu já conhecer esse mundo e conhecer muita gente. Ele disse “a gente está precisando de gente que entenda do negócio”, falou com a Diana (Gabanyi, chefe da assessoria do torneio), a Diana gostou da ideia e me incluiu no time. Foi meio de última hora e acabou dando certo.

E como é rever muita gente?
No primeiro dia, eu estava aqui, cruzei com a Ormaechea (Paula Ormaechea, tenista argentina, número 124 do mundo) no almoço aí ela: “Você está no quali ou na chave principal?” “Não, estou na assessoria de imprensa.” Muitas meninas não sabem nem que eu estava estudando. É engraçado, já repeti essa história várias vezes. “Estou numa fase de transição” e tal… Mas está muito legal. Ontem fiquei atrás dos jogadores para pedir declarações para as redes sociais… As pessoas ainda estão estranhando um pouco, mas estou aprendendo bastante. É uma coisa que nunca fiz. E também estou contribuindo com esse lado tão familiar, que foi minha vida por tantos anos. É engraçado.


O voleio, a virada e a torcida
Comentários 5

Alexandre Cossenza

Feijao_Rio_r16_agif2_blog

Feijão teve três match points no segundo set. No último deles, sacou, viu a devolução lenta, alta, e teve um voleio fácil para matar a partida. Mandou a bola para longe. Perdeu a chance e o set. Na parcial decisiva, Feijão foi quebrado no sétimo game. No oitavo, conseguiu um 0/40 e viu Blaz Rola, seu adversário, vencer quatro pontos seguidos. Ainda assim, o número 2 do Brasil conseguiu a quebra, empatando o jogo e levantando a torcida. O momento mudou, e Feijão acabou vencendo depois de mais de 3h de jogo: 6/4, 6/7(9), 6/4.

Um jogo que esteve na mão (quase literalmente) e depois quase esteve perdido acabou colocando o atual número 88 do mundo pela primeira vez na vida nas quartas de final de um ATP 500 e, consequentemente, com o melhor ranking de sua carreira. Tudo isso, claro, com Feijão ganhando muitos pontos com a torcida brasileira. Não só por ter superado um momento complicado ou por ter mostrado raça, equilíbrio, mas porque soube jogar com a torcida. Gritou, pediu ajuda e acabou recompensando todos no fim.

Sua coletiva, mais de uma hora depois da partida, teve momentos divertidos. Selecionei as partes que considerei mais interessantes.

(falando sobre o voleio fácil que errou no match point)
“Difícil dizer o que eu pensei na hora. Na hora que eu sentei ali, ou eu ficava triste pensando no voleio ou eu jogava. Eu sabia que se ficasse pensando, me remoendo… Aquele primeiro game do terceiro set foi muito importante. Com dois break points… Se eu perco aquele saque, talvez tivesse outro rumo o jogo. Pensei em ficar positivo. A parte mental mais uma vez foi a chave. Mas o que eu pensei ali nem eu sei te falar.”

(sobre o momento mais complicado da partida)
“O 0/40 ali, que ele voltou ali, naquele game, foi mais difícil. O voleio faz parte. Eu estava tenso, em qualquer lugar que eu botasse o voleio, cruzado ou paralela, era ponto. Só que (risos)… Difícil, cara (gargalhadas de todos)… Passa um milhão de coisas. O voleio mais fácil do mundo. Se não fosse match point, tenho certeza que a bola teria cruzado e acabou. Mas tensão… Normal. O principal foi ter ficado no jogo. Mas o 0/40, e ele voltar para iguais, ali, eu falei ‘meu, se eu não pegar agora, vai escapar e aí é muito difícil.’ Ia ficar 5/3. Foi muito importante. E ali eu vi que ele estava muito tenso. Ele me deu duas duplas faltas. Ali foi chave.”

Feijao_Rio_r16_col_blog

(ainda sobre o voleio)
“Cara, não sei o que eu pensei na hora. Falei ‘vou meter, vou meter, vou meter… Isolei três metros a bola, velho’. Normalmente, esse voleio é cruzado. Qualquer tenista sabe, saca para um lado, voleia para o outro. Acabou o ponto. Só que eu inventei.”

(questionado se teria vencido o jogo um, dois anos atrás)
“Pô, você tá me botando pra baixo, eu já virei muito jogo assim (em tom de brincadeira, para gargalhadas de todos). Ah, cara, é tudo uma construção, né? Quando a gente vai ficando mais velho, a gente vai se acostumando com essas situações. Quando eu era mais novo, já virei, já perdi, você sabe como é. Tem jogos que a gente deixa passar e tem jogos que a gente vira também. Os caras só lembram quando a gente perde. ‘O Feijão perdeu um saque ali e entregou um jogo.’ Mas e os outros jogos que eu virei também? Nunca ninguém vê. Hoje, com certeza, estou conseguindo me manter mais nesses momentos difíceis, principalmente quando perco meu saque, que é minha principal arma. No dia que estou sacando mal, a minha baixa um pouco mais. Estou mais leve, me mexendo melhor, estou um cara mais sólido, então estou um cara mais confiante mesmo nos momentos em que estou atrás no placar. Estou lidando melhor com a situação, com certeza, mas um ano, dois anos atrás, não dá para saber, né?”

(sobre se seria mais especial ir longe num ATP 500)
“Ah, seria legal (com tom e cara de que não faria tanta diferença assim, para mais gargalhadas de todos). A pergunta foi meio vaga, assim. Mas não é porque é um 500 que vai ter um valor a mais. Eu gosto de jogar com essa galera, eu gosto de interagir, tenho certeza que hoje, se não fossem eles, não sei se eu teria saído vencedor. Perdendo o segundo set, comecei a ver a galera vazando, falei ‘ih, a galera não está mais acreditando em mim (fazendo voz de triste)’”. (mais gargalhadas)

(sobre se já é possível mudar sua programação de torneios com o novo ranking)
“Não tem muito o que mudar até porque as listas de Miami e Indian Wells já saíram e eu vou ter que jogar quali nos dois. Se eu estivesse com esse ranking (entre 70-80, para onde Feijão vai após o Rio Open), eu entraria, mas não tem muito o que mudar, o que arriscar. Vou acabar jogando Miami e depois vou ter que jogar os Challengers que eu já tinha planejado porque nos ATPs eu também não vou entrar. As listas saem seis semanas antes. Então não tem o que mudar. Não tem por que dar uns tiros para jogar os qualis, entendeu? Como não tenho nada para defender até julho, devo jogar ainda mais uns Challengers para, aí sim, ter uma gordura porque os pontos grossos, que eu tenho que defender, estão mais no segundo semestre. Agora é hora para aproveitar e somar o máximo possível para eu poder arriscar no segundo semestre e ter essa gordura de ter feito o máximo de pontos no primeiro semestre.”

Feijao_Rio_r16_get5_blog

Coisas que eu acho que acho:

– Ainda vou fazer um post sobre as últimas duas semanas de Feijão (Brasil Open + Rio Open), mas enquanto o torneio carioca não acaba, uma impressão vai ficando mais clara para mim: o público de tênis gosta de torcer por João Souza. Ele tem um certo carisma natural e um tanto expressivo em quadra sem precisar forçar. É fácil para a torcida se identificar. E fica mais fácil ainda quando ele grita, pede ajuda e mostra raça para continuar num jogo que parece perdido.

– O parágrafo acima não é uma comparação com Thomaz Bellucci, embora seja uma tentação natural fazê-lo. Bellucci é a referência do tênis brasileiro e, há tempos, é o único atleta do país a disputar ATPs consistentemente. Mas não, nem tentei comparar. O que adianto, antes de construir um post só sobre o assunto, é que a subida de Feijão e a consequente atenção dada ao tenista de Mogi das Cruzes podem dar um pouco de paz e tirar uns mbars da pressão que existe desde sempre sobre Thomaz Bellucci. Pode ser muito, muito bom.

– Já está definido desde a derrota de Bellucci para Nadal, mas é bom lembrar. Caso Bellucci não jogue ou não vença no ATP de Buenos Aires, Feijão será o número 1 do Brasil na Copa Davis. Caso João Souza derrote Andreas Haider Maurer nas quartas de final, aí sim entrará no top 70 e assumirá o posto de tenista mais bem ranqueado do país já na próxima segunda-feira.


Bruno Soares: sobre ego, opinião e (falta de) confiança
Comentários 5

Alexandre Cossenza

O entrevistão anual de Bruno Soares para o Saque e Voleio sai de um papo que tivemos alguns dias antes do Rio Open. Publico a conversa um dia depois de sua estreia no torneio, sabendo que o mineiro de 32 anos continua insatisfeito com os resultados da atual temporada. Mesmo depois da vitória de terça-feira, Soares sabe que falta algo? Mas o que é esse algo? E os resultados abaixo do esperado seriam uma sequência de um fim de temporada nada fantástico (duas vitória e sete derrotas nos últimos seis torneios) ou algo completamente novo?

Bruno fala sobre o atual momento da dupla e sobre a pequena diferença entre ser número 3 e número 10 mundo. O atual número 12 do ranking de duplas da ATP ainda falou cobre como o ego é afetado nas conversas com o parceiro. Leia!

Soares_Rio_1r_div_blog

Sem querer soar apocalípitico, porque sei que em duplas tudo muda muito rápido e você e o Alex (Alexander Peya, parceiro de duplas de Soares no circuito) já viveram algumas sequências assim antes, mas não é o começo de temporada dos sonhos e vem depois de um fim de 2014 com mais derrotas que vitórias, mas vocês estão preocupados com esse começo de 2015, com três vitórias e quatro derrotas?
Ano passado, no fim do ano a gente não jogou tão bem. A gira indoor é uma gira que a gente joga super bem, só que foi bem diferente. A gente estava bem mais cansado, teve o desgaste dos dois anos, de tudo que a gente fez, do tanto que a gente jogou, e realmente foi uma coisa muito mais física. Este ano, na verdade, o que eu acho que está faltando é voltar aquela confiança que a gente tinha de vitória. Quando chega o momento e você sabe que a coisa vai acontecer a seu favor. Dois jogos deste ano, dos três que a gente perdeu, a gente dominou. Um foi a semi de Auckland, que a gente fez um primeiro set fantástico e o segundo set estava controlado até aquele game que a gente perdeu meu saque de 40/15 e a coisa mudou. No super tie-break, a gente não conseguiu jogar nosso melhor. Foi parecido com o que aconteceu em São Paulo. Nós dominamos, tivemos break point no 1/0, no 2/1, no 3/2, e aí chegou no final, e os caras começaram a jogar melhor. A gente não conseguiu matar o jogo.

Isso é uma peculiaridade da dupla, né? Se um time joga bem aqueles dez minutos do fim do segundo set e do match tie-break…
Exatamente. Era isso que eu ia falar. Match tie-break está em aberto. E na verdade não está em aberto como numa situação do Brasil Open, que eu sou o jogador da casa, e o Alex se sente como jogador da casa. Você quer muito aquela vitória, acaba se pressionando um pouco mais. E os caras, que são jogadores de simples, não têm nada a perder. Então entra numa situação que não é fácil. Os caras estão jogando solto, pegando com tudo na bola, e a gente com aquela pressão. Mas, de uma forma geral, este ano, eu estou bem satisfeito com o nível que a gente vem jogando. Em Auckland, a gente fez três grandes jogos. Na Austrália, a gente fez uma primeira rodada fantástica contra Troicki e Youzhny. A segunda rodada foi o único jogo que a gente não conseguiu render, se encontrar. Fora isso, na semana passada fiquei muito frustrado de a gente perder aquele jogo, principalmente da forma que foi – dominando e tal. Mas não estou insatisfeito com a forma que a gente vem jogando. Então acho que é isso: a gente tem que recuperar, de repente ganhar um torneio, ter uma sequência de vitórias boas para voltar ao que a gente estava. Que é diferente da fase do fim do ano passado…

(interrompendo) Você, então, não vê isso como uma grande má fase que vem desde o fim de 2014, então?
Não. A gente nunca teve uma sequência… Ano passado foi a primeira vez que eu e o Alex fomos para uma viagem e voltamos com um record (retrospecto de vitórias-derrotas) negativo. Em dois anos e meio de parceria no mais alto nível. Isso, realmente, é muito bom. Mas são situações diferentes. Ano passado, a gente não estava jogando bem, a gente estava cansado fisicamente e psicologicamente. É outra coisa. Agora estamos bem preparados, bem fisicamente e estamos jogando bem. A gente só precisa encontrar agora aquela confiança da vitória.

Soares_Peya_Rio_ar_agif_blog

Com toda sua experiência, ainda bate essa pressão de “estou jogando no Brasil” ou “os caras são simplistas e vão jogar soltos”? Isso vai estar sempre no circuito?
Vai estar.

Por exemplo, no jogo com o Troicki e o Youzhny, vocês jogaram bem e dominaram. Mas se chega um momento que aperta, e os caras começam a soltar o braço porque são dois simplistas, sem pretensão de fazer uma carreira nas duplas, isso é uma coisa que sempre incomoda? O saber que os caras estão jogando por “nada”?
Não, não me incomoda. O que muda… Por exemplo, no Brasil Open: não é que tenha pressão a mais. Tem aquela vontade a mais de jogar no Brasil. Obviamente, quando chega no momento chave, te segura um pouco o braço. Não é que eu entro na quadra falando “tô jogando em casa, tô pressionado”. Hoje em dia, isso é uma coisa extremamente natural para a gente. Mas, obviamente, na hora do “vamo ver”, você pensa um pouco a mais. Em Auckland, a situação continuaria igual, jogando meu jogo, para ganhar. Como está em São Paulo, Brasil e torcida, você pensa um pouco mais. “Quero ganhar esse jogo, ir bem no torneio.” E isso te dá uma seguradinha no braço, o que é super normal. Mas o lance de jogar contra um jogador de simples não me incomoda. Faz parte a vida inteira. É assim. Você tem que saber usar o que você tem de melhor para conseguir neutralizar isso aí.

O verbo “irritar” talvez não seja o melhor, mas não te (pensando na palavra)…
Frustra?

Não é bem isso. Não é o “irritar” no mau sentido, mas não irrita estar, por exemplo, numa semifinal de ATP contra dois caras que nunca jogam dupla, e aquela partida significa muito mais para você do que para eles?
É, isso faz parte. O que às vezes passa na sua cabeça é você ver que o cara joga completamente solto. A gente sabe o tanto que é mais gostoso e mais fácil jogar tênis assim. E como a gente vive disso aí, a gente sempre tem algo a perder…

(interrompendo) Tipo o Fognini. Deve ser chato demais jogar dupla contra ele.
Exatamente! Se nas simples ele já é assim… Ele já tem essa soltura… Ele é um cara ultra habilidoso, e o mais difícil é que ele sabe jogar muito bem dupla. Ele tem muita noção, sabe bater as bolas, sabe se posicionar.

E faz parecer displicente, o que irrita quem está torcendo contra!
Mas o Fognini é assim nas simples, né? Você imagina na dupla, que tem um parceiro do lado e ele joga mais relaxado. Mas isso não tem jeito, faz parte. Ao mesmo tempo, tem duplistas que só jogam assim. São características de cada um, de cada adversário. Você tem que saber lidar com isso. Não adiante dizer “o cara jogou solto, perdi.” Não, você tem que entrar lá e dar seu jeito de ganhar.

Soares_Rio_1r_div_blog2

No fim do ano passado, você teve uma conversa com o Alex…
(interrompendo) Sentamos, claro. A gente tem nossas reuniões trimestrais, com o Scotty (Scott Davidoff, técnico da dupla) também. São reuniões mais sérias, de análise de jogo, coisas a trabalhar…

Como foi a última do ano passado?
Foi meio que um balanço geral do Masters (ATP Finals). A gente não envolveu as derrotas do fim do ano. A gente fez um pacotão do ano, falamos de coisas para trabalhar na pré-temporada e o que a gente mais falou, independentemente de ter terminado o ano com mais derrota do que vitória, foi que a gente teve uma temporada fantástica. Passei o ano inteiro, de janeiro a setembro, como 3 do mundo. Ah, terminei 10? Beleza, mas estou entre os dez melhores do mundo. Tem que saber avaliar isso também. Não é porque comecei 3 e terminei 10 que tive um ano ruim. No meu conceito, tive um ano fantástico. Se eu terminar 3, como 2013, é um ano espetacular.

O segundo ano é mais difícil, né? Entre o chegar e o ficar…
(interrompendo) Exatamente. O lance também de você terminar 3 ou 10 são quatro jogos no ano. É uma quartas de final de Grand Slam…. Vou te dar um exemplo. Um jogo que custou muito foi o de quartas do US Open. A gente vinha jogando super bem contra o Marc López, pegaria o Marcelo (Melo) na semi. Ou seja, eram mais 360 pontos, com a possibilidade de seguir vivo no torneio. A gente era capaz de fazer final. Nessa brincadeira, são 800 pontos a mais. São esses quatro, cinco jogos do nosso ano que, se a gente ganha aqui e ali, essa é a diferença que vai te deixar 3 ou 10 do mundo. Em 2013, nós tivemos seis títulos e cinco finais (vices). Ano passado, tivemos dois títulos e seis finais. Entendeu? Se a gente ganha quatro dessas finais, já são 1.500 pontos a mais. Em vez de terminar 10, eu termino 4. Só que para você estar nas cabeças tem que fazer o resultado grande. Essa é a maior diferença entre 2013 e 2014.

Essas conversas mexem muito com o ego? Porque você precisa dizer para o Alex que ele tem que melhorar aqui e ali e, ao mesmo tempo, é necessário ouvir críticas ao seu jogo…
É, mexe um pouco. Você tem que ser bem aberto quanto a isso e saber aceitar. Hoje, a gente tem uma amizade muito legal dentro e fora da quadra. Tem muita conversa de coisas que a gente pode melhorar, “acho que isso aqui que você está fazendo é melhor de outro jeito”…

(interrompendo) Você pode falar?
Coisas do jogo, do tipo o jeito que devolve, o jeito que alguém está se posicionando… Ele acha que, em alguns pontos, quando estou devolvendo, não estou pressionando o suficiente e coisas desse tipo. E eu tenho que aceitar. A gente toma muito como base a dupla mista. Eu coloco muita pressão na dupla mista. Aí a gente comentou disso, do tanto que eu me mexo na dupla mista e pressiono. E é engraçado porque na dupla eu fico pouco mais assim (se movimentando menos junto à rede) por confiar muito nele (Alex). Às vezes, ele acha que tem que tomar um pouco mais de risco. Esse tipo de coisa. Mas realmente você tem que ter uma aceitação e saber escutar. O mais importante é o seguinte. As coisas que ele está falando… Eu sou parceiro dele. Ele quer que a gente melhore. Não está falando para me culpar de alguma coisa. Na nossa dupla, isso está muito bem entendido. A gente se dá muito bem quanto a isso. E tem o treinador que vai intermediar e dar a opinião dele, de fora, das coisas que a gente fala.

Soares_Peya_Rio_ar_agif2_blog

E o quanto fica mais difícil o circuito à medida em que vocês estão há dois anos juntos e todo mundo conhece vocês? Porque não é questão de saberem quem tem uma boa direita ou esquerda. Já passam a saber as tendências, né? Onde você prefere sacar no 30/40 ou com que frequência alguém vai cruzar no “iguais”, coisas assim…
Você falou a palavra certa. Os caras passam a te conhecer melhor, mas isso é normal. O que mais importa são as tendências. As jogadas que você sabe que o cara tem como jogadas de confiança. Isso as pessoas passam a saber, e você tem meio que se reinventar a cada período. Renovar o jogo, a estratégia, melhorar coisas que você não tem tanta confiança de fazer – para conseguir fazer em momentos importantes. Eu detesto, por exemplo, sacar e correr pra lá. No 40/0, é ótimo. Eu faço de olho fechado. No “no ad”, eu já não faço. Eu corro pro meu lado de confiança. São coisas que você tem que trabalhar. É isso que a gente está fazendo. Tentando se reinventar.

O circuito de duplas está mais difícil hoje?
Não acho que está mais difícil. O circuito varia demais dependendo das duplas. Algumas trocas não se dão tão bem. Ah, junta fulano com fulano, dois grandes jogadores, mas não dá aquela liga. Os jogadores são os mesmos, vai mudando as duplas aqui e ali… É difícil julgar se está mais fácil ou mais complicado. É o que eu falei. Se você é 3 do mundo e quer classificar para Londres, precisa de X pontos, não interessa se os Bryans ganharam ou perderam. Se você fizer sua parte, você vai estar lá. Dizem “ah, Fognini e Bolelli saíram ganhando o Australian Open, vai dificultar para a dupla”. Mas se eu fizer 3.500 pontos, eu vou classificar, que é o meu objetivo. Não preciso torcer contra ninguém. Preciso fazer a minha parte. Se eu fizer a minha parte, as coisas vão acontecer para mim.

Como você viu toda a atenção que deram ao Marcelo Melo quando ele chegou a uma semifinal no Australian Open?
Ah, acho isso ótimo. O pessoal tem uma mania de achar que quando um outro brasileiro vai bem, é ruim para ele. Minha opinião, que não é muito opinião, é uma certeza, é que quanto mais brasileiro for bem, melhor para nós. Se tiver o Marcelo na semi, o André na semi e eu perder na segunda rodada, é muito bom para mim também. O pessoal não vê isso. Vai ser ruim para mim se eu continuar perdendo. Não é o Marcelo que está aparecendo mais. É eu que não estou tendo resultado. “Ah, estão falando só do Marcelo.” Mas é lógico, eu perdi na segunda rodada, o que que eles vão falar de mim? Se o Marcelo tivesse ganhado o Australian Open, melhor ainda. É mais atenção para o tênis, é mais gente falando. Acaba puxando coisas positivas para mim também. O que não adianta é eu tomar dez primeiras rodadas seguidas e ficar falando “o pessoal só está falando do Marcelo.” Se eu estiver fazendo a minha parte, também vou ter meu espaço. Não concorro contra o Marcelo ou o André. Eu concorro comigo mesmo. Não muda quem está na sua frente se você está fazendo seu papel. Se o Marcelo ganha o Brasil Open, é ótimo. Se o Feijão ganha o Brasil Open, fantástico. É o que o tênis precisa. E eles ganhando, vem mais patrocinador, mais gente interessada no tênis, vai passar mais tênis na TV e, ao mesmo tempo, na semana seguinte, eu vou estar na final e eles vão estar passando isso. Por causa de tudo que a gente fez nos últimos anos. Não adianta pegar momentos isolados de cada um e ficar se culpando. “Ah, fulando está aparecendo mais.”

Eu já perguntei isso mais de uma vez para o Marcelo, e ele saiu pela tangente, talvez porque a resposta pudesse causar alguma polêmica, embora não fosse a minha intenção. Eu pergunto “você acha que tem menos atenção do que merece, em contraste com o Bruno, que recebe muita atenção?”, e ele brinca, dizendo “ótimo, eu descanso e o Bruno vai dar entrevista.” E você, acha que ele tem menos atenção do que merece?
Não acho. O Marcelo é naturalmente um cara mais calado. Ele tem bastante atenção. O que eu vejo é o seguinte: eu tenho mais patrocinadores, então faço mais eventos, preciso ir a mais lugares do que o Marcelo. Ele tem menos compromissos nesse sentido. Mas quando a gente chega nos torneios, a gente tem a mesma atenção. O que eu senti é que os dois Grand Slams de dupla mista (US Open 2011 e 2013) me tiraram do meio só do tênis. Pessoas que não são tão relacionadas ao tênis passaram a me conhecer. “Ah, você é aquele rapaz que ganhou o US Open.” Viu porque passou num programa diferente, que não é de tênis. Eu acabei fazendo e faço até hoje umas coisas não relacionadas a tênis porque o Grand Slam tem esse apelo muito grande. Mas acho que essa é a única diferença. Nos torneios, a atenção é a mesma. Acho que tem muita gente da imprensa que gosta de falar comigo também porque eu falo bastante. Eu dou uma liberdade, tenho acesso fácil também. Isso contribui para o pessoal pedir coisas.


Curtinhas cariocas da terça-feira
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Nadal_Rio_1r_agif_blog

Rafael Nadal derrotou Thomaz Bellucci sem grandes dificuldades, encerrando uma interessante rodada de terça-feira no Rio Open. O jogo, grande atração da rodada, esteve longe de ser o único momento bacana do dia. Por isso, as curtinhas cariocas voltam ao Saque e Voleio. Fiquem por dentro:

– Das coisas que pouca gente vê… Um dos compromissos dos tenistas é, após o encerramento de uma partida na Quadra Central, disputar um ponto com um convidado de um dos patrocinadores. Foi o que fez David Ferrer. Nadal foi mais longe. Ficou uns bons cinco minutos, com um sorriso no rosto o tempo inteiro, jogando com um cliente do Itaú. Impagável. Depois disso, ainda ficou mais alguns longos minutos dando autógrafos aos fãs que se amontoavam no portão de saída.

– Na coletiva, Bellucci reclamou um bocado de seu saque, enquanto Nadal disse que fez uma partida “correta”, sem tentar coisas mais complicadas porque sabia que não era o momento para isso. O ex-número 1 do mundo também disse que o brasileiro tem tudo para estar em um ranking mais elevado. “Tem golpes, tem serviço…” Nadal não disse, mas sua expressão tinha uma cara de “não entendo como Bellucci perde alguns jogos.” Muitos conhecem essa sensação…

– Aliás, vale lembrar que choveu fraco durante boa parte da partida entre Nadal e Bellucci. A Quadra Central, assim como as menores, vem resistindo bem aos pingos. O torneio segue sem atrasos.

– Feijão também fez uma belíssima partida e derrotou Facundo Arguello (de quem havia perdido todos os quatro jogos anteriores) por 6/1 e 6/1. Feliz com o bom momento – vem de uma semifinal em São Paulo -, evitou mais uma vez falar em Copa Davis (embora sua convocação, extraoficialmente, esteja garantida) e afirmou que está se sentindo à vontade nos ambientes dos torneios ATP. O melhor momento de sua entrevista foi na última pergunta, feita por um jornalista argentino, que indagava sobre o comportamento da torcida brasileira. Em espanhol fluente (já viajou e viaja com treinadores argentinos por um bom tempo) , Feijão respondeu que os brasileiros gostam de gritar, mas que as pessoas não são tão educadas assim na Argentina e no Uruguai, onde já esteve para uma Copa Davis.

– Bethanie Mattek-Sands teve um papo animado com Felipe Priante, do Tenisbrasil. Além da ótima entrevista, que fugiu da mesmice que seria falar apenas sobre moda, Felipe, que vestia uma camisa de Aaron Rodgers, quarterback do Green Bay Packers, ainda ganhou um tweet da americana.

– O jogo mais agitado do dia foi entre Nicolás Almagro e Pablo Cuevas. No caldeirão que é a Quadra 1, com a torcida pertinho dos jogadores, o ambiente é sempre propício para que algum fã exaltado tente provocar um tenista. Não estive na quadra, mas o relato na sala de imprensa era de que Almagro conseguiu fazer todo o público ficar ao lado de Cuevas. O uruguaio acabou vencendo por 4/6, 6/3 e 6/4. O espanhol saiu sem dar autógrafos.

– Ainda sobre a Quadra 1, Bruno Soares disse, como no ano passado, que adora o ambiente para jogar lá. O mineiro até notou que a arquibancada de um dos lados é maior do que em 2014. A capacidade este ano é para pouco mais de mil pessoas. André Sá e Feijão, lembremos, também venceram jogando juntos na Quadra 1.

– O momento mais bacana do dia foi mesmo a coletiva de Bia Haddad. Feliz com a vitória sobre Maria Irigoyen (6/1 e 6/1) e tagarela como sempre, a paulista de 18 anos, considerada há alguns anos a maior esperança do país no tênis feminino, falou sobre o quanto sua vida mudou após passar por uma lesão no ombro e uma delicada cirurgia na coluna – um procedimento errado, e Bia ficaria para sempre sem andar. O relato da brasileira é tão rico em detalhes que inclui até o horário exato em que ela sentiu (3h42 da manhã) o primeiro desconforto. A transcrição da parte mais importante da coletiva está no blog.


O dia em que Bia Haddad quase ficou para sempre em uma cadeira de rodas
Comentários 2

Alexandre Cossenza

BiaHaddad_Rio_1r_agif_blog

Eu estava num hotel, numa cama, nos Estados Unidos. Eram 3h42min da manhã e eu, putz, senti que a minha perna estava formigando. Minha perna direita. Ali, eu levantei, vi que estava pesada a perna. Sabe quando você dorme em cima do braço e sente ele meio bobão assim? Minha perna estava meio bobona e meu dedinho do pé não estava me obedecendo. Falei “putz, que estranho dormir em cima da perna, nunca aconteceu isso”. Aí fui na banheira e coloquei água quente para … sei lá! Me veio na cabeça (risos). Entrei na banheira de água quente e não mudou nada a situação. Continuava formigando. E minhas costas doíam. Aí eu, putz, “água gelada, segunda opção”. Fui lá, liguei a torneira da água gelada e não mudou nada. Falei “putz, que que eu tenho?” Comecei a chorar, fiquei desesperada, bati na porta do Larri e falei “tá doendo muito, minha perna não está indo, não consigo ficar na ponta do pé, não vou jogar”. Ele falou “vamos para o Brasil, a gente vai ver o que fazer”.

Cheguei em São Paulo no dia seguinte, 4h da tarde e liguei para o meu médico. Ele falou “olha, estou indo para a Disney, não vou poder te atender. Vou te passar para um outro médico”. Pensei “uhu, legal”. Tipo… Meu avô é ortopedista, minha avó é pediatra, tenho tia que é neuro, tenho tia que trabalha com acupuntura… Minha família ficou “como assim, né?” Você faz trabalho de coluna e, quando precisa, ele te passa? Ele me passou para um cara que, sem palavras, só tenho a agradecer, que é o doutor Guilherme Meyer. Ele foi um herói. Naquele mesmo dia que cheguei dos Estados Unidos, fui internada. Às 10h da manhã do dia seguinte, que foi 12 de outubro de 2013, ele acabou me operando. No dia anterior, eu fiz um milhão de perguntas para ele. Perguntei como era o nome, a idade dele, perguntei acho que até quando ele pesava. Perguntei se ele já tinha feito essa operação, se eu ia voltar a jogar tênis, passava muita coisa na minha cabeça.

No dia seguinte, levantei da cama, já sentia minha perna e não sentia mais dor. É uma cirurgia de milímetros que ele raspa ali, que ele tirou o meu disco e, puta, desde 12 de outubro de 2013 eu não sinto mais dor.

O emocionado e emocionante relato acima é cortesia de Bia Haddad, 18 anos, recém-saída de uma vitória maiúscula no Rio Open. Após derrotar a argentina Maria Irigoyen por 6/1 e 6/1 e conquistar seu segundo triunfo da carreira em torneios de nível WTA, a jovem paulista contou como foi a traumática sequência de eventos que quase abreviou sua carreira. Na verdade, a lesão na coluna poderia até ter deixado Bia para sempre em uma cadeira de rodas.

Tudo aconteceu no ITF de Macon, um torneio com premiação de US$ 25 mil em outubro de 2013. A brasileira acabava de se recuperar de uma lesão no ombro direito, fruto de um tombo em um torneio em Campinas. Por ter ficado três meses sem poder se movimentar, Bia também teve de ficar sem tratar as três hérnias de disco que tem na coluna. Uma delas tornou-se uma extrusa, provocando a dormência na perna direita. Era grave.

Bia ainda tentou entrar em quadra naquele mesmo dia. Não deu certo. Teve de abandonar uma partida de duplas e voltar ao Brasil. A cirurgia era delicada, e havia risco de que a tenista perdesse o movimento da perna. Na coletiva desta terça-feira, Bia também contou como foi a volta a Macon, um ano depois.

Até joguei esse torneio agora, foi minha segunda gira viajando com o Bocão. Eu cheguei no hotel e falei “caraca”, comecei a sentir a dor que eu estava, de nervoso. E o hotel… O quarto era igualzinho ao que eu fiquei. O banheiro, a cama… E eu lembrei do aeroporto, que eles me ofereceram cadeira de roda, e eu falei “nem a pau que vou de cadeira de rodas” (risos). Furei o quali desse torneio, ganhei três jogos, ganhei a primeira rodada da Brady e perdi para a Grace Min. Então fui lá de novo, foi mais um desafio para mim. Foi muito bom ter voltado lá e visto que um ano depois um ano, eu estava bem.

Número 270 do mundo e em franca ascensão em julho de 2013, quando sofreu a lesão no ombro. Voltou a jogar um torneio só em fevereiro de 2014, justamente no mesmo Rio Open, um ano atrás. Despencou para além da 500ª posição. Foi aí que aprendeu a olhar para a vida, a carreira e a família de maneira diferente. Trocou de treinador, deixando Larri Passos (e defendeu o gaúcho com unhas e dentes na coletiva) e assumindo uma parceria com Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão.

Eu aprendi muito. De lá para cá, muitas coisas aconteceram. Troquei de treinador, troquei de preparador, comecei um trabalho com a Carla di Pierro (psicóloga), que trabalha com o Bellucci, estou fazendo um trabalho de coluna e venho cuidando do meu corpo. Comecei a me tratar antes como ser humano. Mudei muito a minha cabeça com isso. Desde que eu operei, eu comecei a dar muito valor para as coisas pequenas. Tipo eu estar com a minha família e dar valor para minha irmã, minha mãe e saber que a vida tem muito mais coisa que o tênis. Comecei a ver que o tênis é uma coisa muito pequena da vida. Eu tenho que curtir a vida e levar o tênis como se fosse um hobby, fazendo como eu gosto e sabendo que tenho que levar a sério.


Uma puta vitória
Comentários 9

Alexandre Cossenza

Ce_Rio_1r_get4_blog

A melhor história do primeiro dia (de chave principal) do Rio Open foi, sem dúvida, a inesperada vitória de Gabriela Cé, número 261 do mundo, sobre a francesa Pauline Parmentier, 95ª do ranking mundial. A gaúcha de 21 anos apostou em muitas bolas altas na esquerda da adversária e contou com os erros que precisava. Gabriela vibrou, levantou a torcida e, no fim, diante de uma francesa esgotada e cansada de bater na bola, aplicou um pneu, completando sua primeira vitória em um WTA.

A comemoração não poderia ser mais bacana. Gabriela não conseguia esconder o sorriso e, na entrevista para a TV após o jogo, foi tão espontânea que soltou seis vezes a palavra “puta” na conversa ao vivo – o que incomoda alguns puristas incapazes de reconhecer uma linguagem informal e a emoção do momento.

A entrevista coletiva, alguns minutos depois, não foi muito diferente. Com o repórter Felipe Priante fazendo a primeira pergunta e falando de uma “puta vitória”, o que provocou risos de todos, Gabriela ainda tinha o sorriso congelado. Seguem os trechos mais interessantes do que a gaúcha falou.

“Acho que tá na minha cara como eu tô me sentindo porque, puta, é muita felicidade. Foi duro, eu me superei em vários momentos e, analisando num geral, acho que lidei bem com a pressão. Não é fácil ter a primeira chave de WTA com uma baita torcida e administrar para fechar o jogo. Dentro das condições, lidei bem. E eu tô feliz demais.”

“Quando fechou o segundo set, eu pensei ‘puta, mas esse jogo é meu’. Aí o Fernandão (Fernando Roese, técnico) entrou na quadra, me deu uma chamada que foi bem positiva. Entrei no terceiro set a mil por hora, voltei a fazer o que eu vinha fazendo na maior parte do jogo e consegui concretizar com o 6/0 ali no final.”

Ce_col_blog

(indagada sobre quais tinham sido as palavras de Roese)
“Putz… (risos)
(após o repórter dizer que Gabriela poderia excluir os palavrões)
“É, né? Ele falou, resumindo, que eu tinha que ter decisão, ir para ganhar e, na hora que tivesse o jogo na mão, era ir decidida, com confiança. Era isso, assim, resumindo bem resumido” (mais risos)

(questionada se já havia participado de uma coletiva com tantos repórteres)
“Na verdade, na Fed Cup tinha bastante gente, mas era a equipe o foco, e como eu não joguei as simples, acabei não sendo o foco direto. Sendo o foco, nunca tinha participado, mas acho que eu não tenho muito problema em falar. Acho que é pelo contrário. Até falo demais.”

Mais curtinhas cariocas:

– Cheguei atrasado, mas consegui um lugarzinho para ver a dupla de Feijão e André Sá contra Máximo González e Juan Mónaco. Os brasileiros venceram um primeiro set apertado, com break points para cá e para lá, e deslancharam no segundo set (7/5 e 6/0). O ponto alto foi notar o quanto os dois brasileiros se entendem em quadra. A lamentar, um torcedor que ofendeu Mónaco, o que deixou a partida parada por alguns instantes. Até Sá lamentou o incidente.

– Mónaco já teve problema com torcedores embriagados em São Paulo. Leo Mayer, que ouviu absurdos em 2012, quando enfrentou Bellucci, voltou a reclamar este ano, quando enfrentou Feijão no Ibirapuera. É o tipo de situação que só complica a relação Brasil-Argentina. Para piorar, o clima esquenta pouco antes de um confronto de Copa Davis marcado para Buenos Aires.

Feijao_Sa_r1_agif_blog

– Para quem gosta de ver treinos, o Rio Open tem sido um prato cheio. Nesta segunda, ao mesmo tempo, era possível ver Bellucci e Delbonis em uma quadra, Robredo em outra, e Nadal e Zé Pereira logo ao lado. Vale comprar o ingresso para a sessão diurna e ficar de plantão pelas quadras secundárias.

– No fim do dia, Christian Lindell ainda estava pelo clube, com cara de cansado. O “carioca sueco”, que perdeu na última rodada do quali, passou o dia inteiro no Jockey Club à espera de eventuais desistências que o colocariam na chave principal como lucky loser. Como a primeira rodada ainda não acabou, ele e Fabiano de Paula ainda têm esperanças.

– No fim da noite, Guilherme Clezar tinha um jogo ganhável contra Thiemo de Bakker e até venceu o primeiro set, mas deixou escapar a vitória. Enquanto o gaúcho esbraveja consigo mesmo por boa parte do segundo e do terceiro sets (o que não melhorou em nada seu tênis), o holandês seguiu fazendo o básico (bem feito) e vencendo games.