Saque e Voleio

Semana 17: um argentino exemplar e um búlgaro pateta (e Almagro voltou!)
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Alexandre Cossenza

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Cinco torneios pequenos e, mesmo sem os maiores nomes do tênis presentes, muito assunto. Desde o ridículo “abandono” de Grigor Dimitrov em Istambul até o “retorno” de Nicolás Almagro em Estoril, passando por um raro gesto de esportividade protagonizado por Rogerinho. Houve também um forehand voador de Nick Kyrgios, uma bolada de Federico Delbonis em um gato e um processo por injúria. É hora do resumaço da semana, então role a página e fique por dentro.

Os campeões e o idiota

Não dá para ressaltar a conquista de Diego Schwartzman no ATP 250 de Istambul sem, antes, comentar o gesto desprezível de Grigor Dimitrov. O búlgaro, #29, veceu o primeiro set e teve 5/2 no segundo. Sacou para o título no nono game, mas foi quebrado e perdeu a parcial. O argentino, buscando o primeiro título da carreira, disparou no placar. Abriu 5/0 no terceiro set e… Dimitrov enlouqueceu.

Depois de sacar em 40/15 e perder dois game points, o búlgaro, que já tinha sido advertido com um point penalty, foi até o árbitro de cadeira, indicou o que faria e destruiu a raquete. Depois, logo cumprimento o juizão, sabendo que levaria um game penalty e perderia o jogo. Um gesto de frustração, sim, mas de uma deselegância gigante, impedindo que o adversário tivesse o gosto de festejar o match point em seu primeiro título. O vídeo abaixo mostra:

Schwartzman, 23 anos e #87, acabou com o título por 6/7(5), 7/6(4) e 6/0. Seu primeiro troféu em nível ATP o lançou para o 62º posto no ranking mundial e, mais do que isso, deu um recado ao resto do circuito. Se o diminuto argentino, com cerca de 1,60m de altura (a ATP diz 1,70m, mas quem já esteve ao lado do argentino sabe que ele mede bem menos) e nenhum golpe espetacular consegue um título de ATP, muita gente também poderia conseguir.

Era um torneio, digamos, acessível, e Schwartzman aproveitou as chances que o destino lhe jogou. Em vez de reclamar de azar por enfrentar o principal pré-classificado na segunda rodada, colocou na cabeça que Tomic era vulnerável no saibro e entrou em quadra disposto a vencer. Depois disso, bateu Dzumhur, Delbonis e Dimitrov. E tem todos os méritos de qualquer outro campeão.

O ATP 250 de Munique começou com neve (em abril!) e terminou com um campeão caseiro. Philipp Kohlschreiber levantou o troféu depois de superar o austríaco Dominic Thiem (22 anos, #15) por 7/6(7), 4/6 e 7/6(4). Um placar quase redentor para o alemão, que perdeu a decisão do ano passado também em um tie-break de terceiro set – Andy Murray venceu aquele jogo.

Kohlschreiber agora tem sete títulos na carreira. Cinco deles vieram no saibro, e três foram em Munique. Foi lá, aliás, que o alemão – hoje com 32 anos e #25 do mundo após a vitória deste domingo – venceu um torneio pela primeira vez. Foi em 2007, com vitória de virada sobre Mikhail Youzhny na decisão.

Por fim, no ATP 250 de Estoril, Nicolás Almagro “voltou”. O espanhol, hoje com 30 anos, está recuperado de uma cirurgia no pé esquerdo que lhe afundou no ranking em 2014 e lhe fez jogar qualifyings de ATPs e até alguns Challengers. Ao aplicar 6/7(6), 7/6(5) e 6/3 no compatriota Pablo Carreño Busta, Almagro levantou seu primeiro troféu desde 2012.

A conquista não veio sem drama. Almagro sacou duas vezes para o primeiro set e não fechou. Depois, abriu 6/2 no tie-break e perdeu oito pontos consecutivos. Na segunda parcial, sacou em 5/3 e foi quebrado. Mesmo assim, venceu o tie-break, forçou a parcial decisiva e finalmente triunfou. Com os 250 pontos, Almagro ganhou 23 posições no ranking e voltou ao top 50 (é o #48).

As campeãs

No WTA International de Praga, Lucie Safarova encerrou um jejum em grande estilo. Depois de perder na estreia em todos cinco torneios que disputou em 2016, a tcheca se encontrou jogando em casa e levantou o título ao derrotar Sam Stosur por 3/6, 6/1 e 6/4 na final.

Atual vice-campeã de Roland Garros, Safarova (#16) bateu Duque-Mariño, Hradeck, Hsieh e Karolina Pliskova antes da final. E, logo depois, correu para o aeroporto rumo a Madri. O torneio espanhol começou no sábado, e tanto Safarova quanto Stosur tinham a estreia marcada para este domingo.

No WTA International de Rabat, no Marrocos, a suíça Timea Bacsinszky (#15) era a cabeça de chave número 1 e confirmou o favoritismo. Perdeu apenas um set durante toda a semana e levantou o troféu após derrotar a qualifier neozelandesa Marina Erakovic (#186) por 6/2 e 6/1 na final.

Semifinalista de Roland Garros no ano passado, Bacsinszky ainda não tinha um título no saibro na carreira. A conquista em Rabat foi sua quarta em um torneio deste nível.

Os brasileiros

Em Rabat, Teliana Pereira voltou a vencer e bateu a alemã Annika Beck (#41), cabeça de chave 6, na primeira rodada: 6/3 e 6/1. Foi apenas a segunda vitória da pernambucana em 2016 e a primeira contra uma não-brasileira. Nas oitavas, Teliana (#84), caiu diante de Johanna Larsson (#64): 6/4 e 6/4. Como tinha 48 pontos a defender na semana e somou apenas 30, a número 1 do Brasil cai um pouco mais no ranking, indo parar no 89º lugar.

Teliana, aliás, também já foi eliminada do WTA de Madri, que começou no último sábado. Sua algoz foi a americana Sloane Stephens, que fez 3/6, 6/3 e 6/2. A pernambucana agora acumula duas vitórias e 11 derrotas em 2016. No ranking da temporada, ela ocupa apenas o 196º lugar.

Em Munique, Thomaz Bellucci deu sorte na estreia e contou com o abandono de Mikhail Youzhny (#76), que perdia por 6/3 e 1/0 quando deixou a quadra. Nas oitavas, porém, o paulista fez uma partida ruim e perdeu para Ivan Dodig (#75) por 7/6(5) e 6/3. Foi a primeira vez desde abril de 2015 que o croata venceu dos jogos seguidos em uma chave principal de ATP.

Em Estoril, Rogerinho estreou com vitória sobre Benjamin Becker (#92, 6/4 e 6/1) e fez uma boa apresentação nas oitavas, diante de Borna Coric (#40), mas foi eliminado em três sets: 6/3, 4/6 e 6/1. O paulista, que começou a semana como #101 do mundo, ganhou cinco posições e foi parar em 96º.

Na chave de duplas de Munique, Marcelo Melo jogou ao lado do ex-antilhano-agora-holandês Jean-Julien Rojer, apesar de Ivan Dodig, seu parceiro habitual estar nas simples do evento. Fazia frio na estreia, e o mineiro jogou com um coletinho preto de gosto questionável (combinando com short e tênis). Teve até ponto disputado sob neve.

No fim, Melo e Rojer, cabeças de chave 1, foram superados por Oliver Marach e Fabrice Martin: 6/4 e 6/4.

Promessa cumprida

Rafael Nadal prometeu e cumpriu. Na última segunda-feira, entrou na Justiça francesa com um processo contra a ex-ministra do Esporte do país Roselyne Bachelot. No tuíte abaixo, a íntegra do comunicado distribuído a imprensa, que foi amplamente reproduzido no Twitter na segunda-feira. Atenção: está lá o telefone do chefe de imprensa de Rafael Nadal, Benito Pérez-Barbadillo. Quem quiser anotar e bater um papo sobre tênis…

O espanhol também enviou uma carta à ITF, pedindo que a entidade publicasse o resultado de todos testes antidoping a que foi submetido na carreira e toda informação existente em seu passaporte biológico. A entidade, que só divulga os testes em que alguém foi flagrado, resumiu-se a responder à agência Associated Press dizendo que recebeu a carta e que Nadal nunca testou positivo.

Lances bacanas

Em Estoril, Nick Kyrgios conseguiu executar um winner contra Borna Coric com este forehand voador:

Kyrgios venceu a partida por duplo 6/4, mas parou na fase seguinte – a semifinal – diante de Nicolás Almagro, que aplicou 6/3 e 7/5.

A Aliny Calejon, dona do site Match Tie-break, registrou um dos pontos disputados enquanto caía neve na partida de Marcelo Melo em Munique. Olha aí!

Lances não tão bacanas

Em Istambul, um gato invadiu a quadra durante o jogo entre Federico Delbonis e Diego Schwartzman. A solução encontrada por Delbonis foi dar uma bolada no gatinho. Sei não, viu? Não pegou lá muito bem. Tanto que o árbitro de cadeira aplicou uma advertência por conduta antiesportiva.

Nomes na ponta da língua

A WTA resolveu perguntar a suas tenistas como pronunciar os nomes de algumas de suas rivais. O resultado foi esse divertido vídeo abaixo:

A ideia deve ter partido de alguma jornalista querendo vingança, não?

O porta-bandeira

Já era esperado, mas Rafael Nadal foi enfim oficializado como porta-bandeira da Espanha no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Nadal também foi escolhido para carregar as cores do país em Londres 2012, mas não foi aos jogos por causa de uma lesão no joelho. O jogador de basquete Pau Gasol, amigo de Nadal, foi quem substituiu o tenista na cerimônia.

A reforma

Na última terça-feira, Wimbledon divulgou um vídeo mostrando como ficará a Quadra 1 depois de uma grande reforma. A arena terá 900 assentos a mais, além de teto retrátil e iluminação. A obra começará em julho de 2016 e está prevista para terminar antes do torneio de 2019. Veja no vídeo abaixo.

O Slam britânico também anunciou a premiação em dinheiro. Ao todo, serão distribuídos 28,1 milhões de libras, o equivalente a US$ 40 milhões. Os campeões de simples embolsarão US$ 2,9 milhões cada. Nas duplas, o prêmio para quem conquistar os títulos será de US$ 507 mil por time. A lista completa está aqui.

Sob suspeita

Unidade de Integridade do Tênis publicou seu primeiro relatório quadrimestral, e o resultado assusta: o número de alertas em partidas suspeitas de manipulação aumento mais de 50% em relação ao mesmo período em 2015. Listei números e dados neste post publicado na terça-feira.

Acima de qualquer suspeita

Rogerinho sacava em 3/5, 15/30 contra Borna Coric nas oitavas de final de Estoril quando, no meio do ponto, o árbitro chamou “let”. O problema é que a chamada do árbitro ocorreu após o brasileiro bater na bola, que parou na rede. A sequência deixou Coric furioso, esbravejando contra o árbitro. Rogerinho, então, deu o ponto ao adversário, inclusive cedendo um set point. O croata agradeceu. Assistam!

Fica aqui ao agradecimento ao Gaspar Ribeiro Lança, do site Ténis Portugal, que acompanhou a partida e relatou o lance no Twitter.

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Número de partidas suspeitas aumenta mais de 50% em 2016
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Alexandre Cossenza

Cumprindo o recém-assumido compromisso de mais transparência em suas atividades, a Unidade de Integridade do Tênis (TIU, na sigla em inglês) publicou seu primeiro relatório quadrimestral de 2016, e os números não são lá muito animadores – embora nada surpreendentes: de janeiro a março, houve 48 alertas levantados pela indústria de apostas em jogos profissionais. O número significa um aumento de mais de 50% em relação aos 31 alertas recebidos no mesmo período em 2015.

Um “alerta”, segundo a TIU, é um aviso dado por casas de apostas relacionado a atividades suspeitas envolvendo um determinado jogo. Isso pode significar padrões de apostas estranhos (como, por exemplo, um aumento no número de pessoas apostando em um atleta que está prestes a perder o jogo) ou atividades suspeitas. Como o próprio relatório da TIU afirma, não há um padrão para o que é um alerta. Uma casa de apostas pode enviar um alerta, enquanto outra casa pode considerar a atividade relativamente normal em relação ao mesmo jogo.

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O relatório também confirma o que sempre se disse. A maioria desses casos ocorre nos torneios de menor escalão e no circuito masculino. Dos 48 alertas, 12 foram emitidos para jogos do circuito Challenger (ATP) e 24 em Futures (ATP). Outros 10 casos ocorreram em ITFs femininos. Houve também um jogo suspeito no Australian Open (o relatório não diz se masculino ou feminino) e um no circuito WTA.

O documento da TIU lembra que esses 48 alertas ocorreram em 24.110 partidas disputadas no período. Ou seja, a porcentagem de suspeita representa apenas 0,2% do total. Não deixa de ser tranquilizante saber que os casos são raríssimos, embora um aumento de mais de 50% nunca possa ser desprezado.

Coisas que eu acho que acho:

– Ao receber um alerta, a TIU levanta informações relativas à partida em questão e faz uma avaliação para determinar a necessidade de uma investigação completa. Nunca é demais reforçar: um “alerta” está longe de determinar que houve manipulação de resultado. Por isso, nomes não são divulgados. Não há por que levantar suspeitas desnecessárias.

– Também é bom lembrar: a grande dificuldade de estabelecer manipulação de resultado está nas muitas variáveis que estão envolvidas em uma partida, como cansaço, lesões, problemas pessoais e até cotações estabelecidas de forma equivocada por uma casa de apostas. A Unidade de Integridade do Tênis cita especificamente esses quatro fatores em seu relatório.

– O relatório completo está no site da Unidade de Integridade do Tênis.


Semana 16: Nadal e Kerber, campeões em casa
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Alexandre Cossenza

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Em Barcelona, um campeão espanhol. Em Stuttgart, uma campeã alemã. Em Istambul, a primeira turca a conquistar um WTA na história. Em Bucareste, romenos na decisão de duplas. Foram dias interessantes para tenistas da casa (quem dera que tivesse sido assim no Challenger de São Paulo) nos torneios mais importantes da última semana pelo mapa da bolinha amarela.

Só que o eneacampeonato de Nadal e o bi de Kerber nem de longe foram os únicos assuntos. Houve anúncios de suspensões, um boleiro estabanado, um irmão tarado, uma homenagem a um brasileiro e até um match point salvo por baixo das pernas. Quer ficar por dentro? É só rolar a página…

Os campeões

No ATP 500 de Barcelona, Rafael Nadal foi campeão mais uma vez. Foi seu nono título no torneio e veio sem perder sets. O espanhol, aliás, estava em uma chave respeitável e derrotou Granollers, Montañés, Fognini e Kohlschreiber antes de bater Kei Nishikori por 6/4 e 7/5 na final. Ao fim do torneio, pulou na piscina do clube junto com os boleiros (vídeo acima).

Nadal agora soma dez vitórias consecutivas no saibro e, mais do que isso, vem jogando com mais confiança e ganhando cada vez mais pontos importantes – algo que ficou bastante claro diante de Nishikori, que converteu apenas três de 13 break points e sucumbiu nos games decisivos em ambos sets. Era o tipo de jogo que Nadal não vencia no começo do ano – e isso inclui o jogo contra Thiem em Buenos Aires (teve match point) e a partida contra Cuevas no Rio de Janeiro.

O único porém continua sendo o serviço, que foi pressionado diversas vezes por Nishikori, que teve break points em seis games diferentes, e também por Fognini, que conseguiu três quebras em dois sets. Nadal, no entanto, vem triunfando assim mesmo. Será assim também em Madri e Roma? Resta esperar pra ver.

Os números de Nadal no saibro sempre foram assustadores, mas continuam crescendo. O ex-número 1 e atual quito do ranking agora tem nove títulos em Monte Carlo, mais nove em Barcelona e outros nove em Roland Garros. Em Roma, são “apenas” sete. Veja na lista acima.

O ATP 250 de Bucareste só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva incessante no domingo. O título ficou com Fernando Verdasco, que bateu Lucas Pouille por 6/3 e 6/2. “Fazia muito tempo que não vivia isso, ganhar um torneio ou estar em uma final'', disse o espanhol que não conquistava um título desde Houston/2014.

As campeãs

No WTA Premier de Stuttgart, duas alemãs fizeram a final, e a favorita venceu. Apesar de um ótimo começo da qualifier Laura Siegemund (#71), que sacou em 4/2, a consistência de Angelique Kerber (#3) prevaleceu. A favorita venceu dez games seguidos e defendeu seu título por 6/4 e 6/0. O resultado não altera o top 5, que continua com Serena, Radwanska, Kerber, Muguruza e Azarenka.

Laura Siegemund, porém, dá um grande salto, indo parar no 42º posto. Apesar da derrota na final, é possível dizer que tenista de 28 anos foi o grande nome da semana. Ela, afinal, derrubou Simona Halep nas oitavas (6/1 e 6/2), Roberta Vinci nas quartas (6/1 e 6/4) e Agnieszka Radwanska na semi (6/4 e 6/2). E, só por curiosidade, vale apontar que sua tese de conclusão de curso em psicologia era sobre amarelar sob pressão em esportes profissionais.

O modesto WTA International de Istambul ficou esvaziado após os recentes atentados terroristas na Turquia. A lista de inscritas que abandonaram antes do torneio inclui Azarenka, Wozniacki, Giorgi, Van Uytvanck, Watson, Cetkovska, Robson, Shvedova, Hradecka e Falconi.

O lado positivo (também conhecido como “Efeito Floripa”) é que Istambul teve uma tenista da casa na final. Cagla Buyukakcay (26 anos, #118) passou pelas cabeças de chave Lesia Tsurenko e Nao Hibino e chegou à decisão contra a montenegrina Danka Kovinic (#60), cabeça 5. Diante da rara chance, a turca aproveitou e triunfou de virada: 3/6, 6/2 e 6/3. Ela se tornou a primeira tenista do país a vencer um WTA.

Os brasileiros

O brasileiro que foi mais longe na semana foi André Sá. Em parceria com o australiano Chris Guccione, o mineiro chegou à final do ATP 250 de Bucareste e perdeu para a dupla da casa por Florin Mergea e Horia Tecau. A partida, interrompida no domingo ao fim do primeiro set, terminou com parciais de 7/5 e 6/4.

Em Barcelona, Thomaz Bellucci sofreu sua sétima derrota seguida. O algoz da vez foi o alemão Alexander Zverev, #51, que chegou a estar uma quebra atrás no terceiro set. O brasileiro perdeu por 6/3, 6/7(3) e 7/5, dando de graça o último game, quando cometeu quatro erros não forçados em sequência. Zverev fez pouco mais do que colocar a bola em jogo no game. Foi um presente e tanto para o alemão, que completava 19 anos naquele dia.

Nas duplas, também na Catalunha, Marcelo Melo e Ivan Dodig não passaram da estreia e foram derrotados por Pablo Cuevas e Marcel Granollers. Bruno Soares e Jamie Murray venceram um jogo e pararam nas quartas, superados pelos espanhóis Marc e Feliciano López.

No Challenger de São Paulo (US$ 50 mil), a melhor campanha de um brasileiro foi de Thiago Monteiro, que chegou às semifinais e perdeu para o chileno Gonzalo Lama. O cearense, que começou a semana como #201, entra no grupo dos 190 melhores e alcança o melhor ranking da carreira. Na campanha, Monteiro passou pelo equatoriano Emilio Gómez (#325), número 2 do Equador, próximo adversário do Brasil na Copa Davis.

Com o confronto no Brasil diante de um adversário que não mete medo em ninguém, parece a oportunidade perfeita para a estreia de Thiago Monteiro. Fazer seu primeiro confronto em um Zonal sem a responsabilidade de precisar vencer e contra um time fraco é a melhor maneira de fazer uma primeira aparição e sentir o calor de defender o país.

Voltando a São Paulo, quem também parou na semi foi o carioca Christian Lindell, que joga pela Suécia. José Pereira parou nas quartas, e Feijão caiu nas oitavas de final (segunda rodada). Ainda sobre o torneio paulista, vale ressaltar a campanha do americano Ernesto Escobedo, que viajou até o Brasil para disputar apenas um torneio. O garotão de 19 anos foi o sétimo adolescente americano a alcançar uma final de Challenger desde outubro do ano passado. Ao todo, são dez finais de adolescentes americanos no período, já que Taylor Fritz esteve em quatro delas.

Rogerinho, #100 do mundo e #2 do Brasil, apostou no Challenger de Turim, na Itália, e perdeu na primeira rodada para o esloveno Blaz Rola (#160): 7/6(8) e 6/4.

A homenagem

No fundo, no fundo, o brasileiro que mais brilhou na semana foi Thomaz Koch, homenageado no ATP 500 de Barcelona. O torneio lembrou o aniversário de 50 anos do título do brasileiro por lá. Tipo de coisa que entra na categoria “eles têm mais memória do que a gente” (e não me excluo do “a gente”, ok?). Thomaz Koch foi uma referência enorme para mais de uma geração de tenistas brasileiros e é importantíssimo que mais pessoas saibam disso.

Lances bacanas

Semifinal do ATP 500 de Barcelona, jogo quase perdido, aí Benoit Paire resolve fazer uma graça sacando com match point contra. Primeiro, tenta uma curtinha contra Kei Nishikori. O japonês alcança a bola, então o francês vai mais longe: um winner por baixo das pernas. Olha só!

A loucura

Parece uma daquelas lendas que a gente escuta nos clubes de tênis, mas aconteceu de verdade em um torneio profissional. O iraniano Majid Abedini, 29 anos, perdia no qualifying do Future de Antalya, na Turquia, e correu como um louco na direção do supervisor, gritando e batendo com a raquete na grade. Abedini foi desclassificado da partida e já está suspenso provisoriamente pela ITF. A entidade abriu uma investigação e, dependendo do que for apurado, o iraniano pode pegar um gancho pesado.

As melhores histórias

O texto recomendado da semana é do jornalista Steve Tignor, que faz uma análise dos tempos técnicos permitidos pela WTA. O americano cita os benefícios e as críticas geralmente feitas à regra e dá exemplos pitorescos, como a intrigante troca de palavras entre Garbiñe Muguruza e Sam Sumyk no início do ano, em Doha. O texto está em inglês neste link.

O acidente

Em Barcelona, durante o jogo entre Nicolás Almagro e Teymuraz Gabashvili, um boleiro escorregou, deu de cara na placa publicitária do fundo de quadra e… voltou à função como se nada tivesse acontecido.

O gancho

O árbitro croata Denis Pitner foi afastado do tênis por dez anos. A ITF fez o anúncio durante esta semana. Pitner teve o certificado de White Badge suspenso em agosto de 2015 por acessar uma conta em um site de apostas. Mesmo com o gancho, Pitner trabalhou no US Open/2015 e no Qatar Open/2016. Nos dois eventos, ele se apresentou como árbitro White Badge e recebeu salários equivalentes. Por tudo isso, não poderá trabalhar em eventos sancionados por ATP, WTA e ITF até 19 de abril de 2026.

O irmão tarado

O irmão do tenista-agora-britânico Aljaz Bedene se passou pelo irmão no Tinder tentando conquistar uma paixão e inclusive publicou fotos mostrando… Vocês sabem, né? Sem cueca. Andraz, o irmão, só não se deu bem porque a moça do outro lado do aplicativo sabia que Aljaz enfrentaria Rafael Nadal em breve, no Masters de Monte Carlo. Andraz, depois, admitiu ter tentado se passar pelo irmão. A pergunta que se faz, no entanto, é se teria acontecido como em um daqueles casos em que um primo distante supostamente usa a rede social do parente famoso. Será? A história, dica da Aliny Calejon, está inteira contada no Mirror.

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Nadal voltou? Voltou mesmo?
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Alexandre Cossenza

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Foi o tom de muitos comentários durante a última semana e, especialmente, após o título do Masters 1.000 de Monte Carlo: “Nadal voltou!” Agora, três dias depois da conquista, o ex-número 1 do mundo está classificado para as quartas de final do ATP 500 de Barcelona e segue mostrando um ótimo tênis. Mas será mesmo que “Nadal voltou”? “Aquele” Nadal? E, afinal, o que isso significa?

O cenário

Antes de mais nada, cabe certa cautela na análise. Em 2015, a comoção foi parecida quando, depois de um começo de ano decepcionante, Rafael Nadal alcançou a final do Masters de Madri. Naquele torneio, o espanhol derrotou Dimitrov e Berdych em sequência, e parecia barbada para levar o troféu antes de uma atuação abaixo da crítica diante de Murray na final. Aquela partida foi o balde que calou os gritos de “Nadal voltou”.

Este ano, o panorama parece melhor. Antes de Monte Carlo, o Rei do Saibro já havia feito ótimas partidas em Indian Wells. No principado, bateu Dominic Thiem, Stan Wawrinka, Andy Murray e Gael Monfils em sequência. Se não foi o tenista dominante de 8-10 anos atrás, foi convincente e superior a uma grande promessa, ao atual campeão de Roland Garros e ao vice-líder do ranking.

O que melhorou?

É indiscutível que Nadal vem jogando um tênis melhor e mais eficiente do que o apresentado durante a maior parte de 2015 e o começo desta temporada. Talvez tenha a um pouco ver com a mudança nas cordas (Nadal voltou a usar a RPM Blast, que adotou durante a maior pate da carreira), mas é impossível dizer apenas vendo seus jogos, sem ouvir uma análise do próprio tenista.

De fato constatável mesmo, fica nítida a mudança estratégica. O Nadal de Indian Wells e Monte Carlo foi um pouco menos agressivo. Continuou atacando sempre que possível, mas com um pouco mais de paciência, usando bolas mais altas e tentando empurrar o oponente para trás. Na essência, é o mesmo que ele sempre fez na carreira. A agressividade excessiva não vinha dando resultado.

Essas bolas a mais fazem enorme diferença no balanço psicológico de um jogo. Errando menos, o espanhol tira do oponente a opção “vou trocar bola e esperar uma falha”. Nadal, assim, exige que seu rival ganhe a maioria dos pontos por méritos próprios. Não são tantos tenistas que conseguem fazer isso ponto após ponto contra o eneacampeão de Roland Garros. Com tudo isso acontecendo, Nadal tem mais margem e, especialmente, confiança para os pontos mais importantes. É uma grande bola de neve que vem se desfazendo aos poucos – para seu benefício.

Voltou mesmo?

Nunca fui fã do “fulano voltou”, quem quer que seja o fulano. Até porque todas as circunstâncias que envolvem o “voltou” mudam. O que quer dizer “Nadal voltou”? Que ele joga o mesmo nível de tênis do que em 2013, 2010 ou 2008? Como comparar quatro períodos distintos de forma justa? Ou “Nadal voltou” quer dizer que ele é o melhor do saibro mais uma vez? Ou apenas sugere que “Nadal voltou a ser competitivo”? Neste último caso, a resposta obrigatoriamente deve ser “não”, já que o espanhol nunca deixou de ser competitivo e, mesmo na suposta má fase, já era o número 5 no ranking mundial.

No entanto, qualquer que seja a hipótese, tendo a responder “não” porque o Nadal-Rei-do-Saibro era imbatível na superfície. Soa injusto, mas é o nível de domínio que o mundo se acostumou a ver do espanhol. O Rafael Nadal de hoje tem um saque vulnerável (foram 17 break points diante de Thiem e cinco quebras cedidas a Gael Monfils, que não tem uma devolução imponente) e, mais do que qualquer outra coisa, ainda precisa mostrar que pode bater Novak Djokovic – considerando que o revés de Nole na estreia em MC tenha sido apenas uma aberração.

Ainda assim, o que Nadal apresentou em Monte Carlo parece estar muito perto do melhor que ele pode mostrar no circuito de hoje, com adversários mais jovens, mais rápidos e mais fortes. O mais provável é que o espanhol nunca volte a dominar o circuito como fez no passado, mas será que que se faz necessário aquilo tudo para que ele “volte” a vencer em Roland Garros? É possível que não. Mas os resultados de Barcelona, Madri e Roma deixarão esse cenário um tanto menos nebuloso antes de Paris.

Favorito a Roland Garros?

Por enquanto, Djokovic, número 1 do mundo com sobras, ainda é o mais cotado a triunfar no saibro francês. As casas de apostas colocam o sérvio como principal favorito, seguido (não tão de perto assim) por Nadal. A bet365, por exemplo, paga apenas 1,66 para um em caso de título de Nole. Uma conquista de Nadal paga quatro para um. A Sportsbet.com.au, por sua vez, paga 1,72 para Djokovic, e 4,00 para Nadal. Vale acompanhar o quanto essas cotações mudarão nas próximas semanas, após mais dois Masters na terra batida.


Quadra 18: S02E06
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Alexandre Cossenza

O podcast Quadra 18 completa um ano de vida e traz um episódio especial e descontraído, cheio de participações especiais. Marcelo Melo, Fernando Meligeni, Sylvio Bastos, Fernando Nardini, Mário Sérgio Cruz, João Victor Araripe enviaram perguntas para os apresentadores. Os ouvintes Anelise Stampfer, Carol Tan e Johnny Garbin também fizeram participações especiais.

É claro que o Quadra 18 não deixou de falar dos resultados da semana. Comentamos o título de Rafael Nadal em Monte Carlo, a derrota precoce de Novak Djokovic, as boas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo, e também registramos os resultados da Fed Cup e a semi de Paula Gonçalves em Bogotá.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar para ouvir mais tarde, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura.
0’30” – Trio lembra do aniversário de 1 ano do podcast.
1’50” – Johnny Garbin pergunta: “O que foi surpreendente e vocês aprenderam nesse ano de podcast?”
5’25” – Carol Tan pergunta: “Se vocês pudessem cobrir só um torneio in loco durante o ano, qual seria?”
7’50” – Sylvio Bastos pergunta: “Quanto tempo a gente vai levar para que as pessoas que gostam de tênis no Brasil tenham mais noção do que é o tênis?”
13’42” – João Victor Araripe pergunta: “Qual o momento mais vergonha alheia que vocês já passaram num torneio de tênis?”
14’25” – Aliny conta caso sobre “surdos” no Rio Open.
15’35” – Sheila lembra de histórias envolvendo Bellucci e Fognini.
17’40” – Cossenza fala de caso sobre João Sousa e João Victor.
19’55” – Anelise Stampfer pergunta: “O que é pior: dar uma verdascada, uma goffinhada ou uma cagada kohlschreiberiana?”
22’25” – Sheila lembra de traumas com “djokovicadas” anos atrás.
23’30” – Fernando Meligeni diz: “Digam um cara bom e outro cara não tão bom para o tênis brasileiro!”
24’55” – Sheila responde.
24’56” – Cossenza tem acesso de riso.
27’25” – Mário Sérgio pergunta: “Como vocês acham que vai ser a despedida de Roger Federer?”
31’50” – “Para quem vocês estão torcendo para ganhar medalhas nas Olimpíadas?”
37’00” – “O que vocês acham da campanha #NextGen da ATP?”
40’40” – Fernando Nardini pergunta para Aliny: “Qual é seu duplista preferido?”
42’00” – Marcelo Melo envia duas perguntas para Aliny. Uma delas é “Qual duplista você levaria para uma ilha deserta?”
44’25” – Música de aniversário.
44’55” – A derrota de Novak Djokovic em Monte Carlo.
45’55” – A chave deliciosa de Gael Monfils.
46’50” – Nadal voltou?
49’30” – Cotações para Roland Garros nas casas de apostas.
51’15” – Monfils já entra na lista de favoritos para RG?
54’50” – Aliny fala de Herbert e Mahut, campeões em IW, Miami e MC.
55’30” – As ótimas campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo.
58’50” – Resultados de Charleston e Bogotá.
59’20” – A subida de Paula Gonçalves e a queda de Teliana Pereira.
62’10” – Os resultados da Fed Cup, com a República Tcheca em outra final.
66’20” – André Sá toca guitarra com os irmãos Bryan


Semana 15: O eneacampeão, uma zebra, a volta de Fed e uma volta na Fed
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Alexandre Cossenza

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Monte Carlo foi o grande evento da semana, e Rafael Nadal, o maior nome. O espanhol conquistou o torneio pela nona vez, superando uma chave duríssima e mostrando-se novamente uma força no saibro. O tênis feminino, no entanto, também teve muita coisa acontecendo, especialmente na Fed Cup, mas também no modesto WTA de Bogotá, onde uma brasileira fez muito mais do que o esperado.

Este resumaço da semana fala dos principais eventos, registra lances espetaculares, histórias legais e inusitadas (houve até um “snake delay”), e as notícias mais relevantes dos últimos dias. Role a página e fique por dentro.

O campeão

Quando a chave de Monte Carlo foi divulgada, era consenso de que Rafael Nadal teria um teste de verdade para seu tênis, que mostrou evolução em Indian Wells, mas foi vítima do calor em Miami. De volta ao saibro, seria possível reconquistar a velha forma? O caminho previa uma sequência contra Dominic Thiem nas oitavas, Stan Wawrinka nas quartas e Andy Murray na semi antes de uma eventual decisão contra Novak Djokovic, o novo dono do circuito.

O sérvio tombou na estreia, mas Nadal teve de enfrentar os outros três e passou com louvor no teste. Salvou 15 de 17 break points contra Thiem, foi bastante superior a um irregular Wawrinka e virou um jogo complicado contra Murray, que não conseguiu equiparar-se em consistência ao espanhol.

A final foi mais um duelo típico de seu tênis no saibro. Pontos longos, ralis de tirar o fôlego e poucas subidas à rede. Gael Monfils, ressalte-se, foi brilhante enquanto aguentou. Depois de navegar competentemente na chave que ficou esburacada pelas derrotas de Djokovic e Federer, o francês fez uma ótima final, variando entre pontos longos na defesa e golpes arriscados, buscando winners.

Nadal, no fim, foi mais consistente e melhor fisicamente. Lembrou os velhos tempos, encontrando maneiras de superar adversários inspirados. Sim, seu saque continua vulnerável – e o foi especialmente com o saibro pesado da final pós-chuva – mas não o bastante para evitar o nono título em Monte Carlo. O eneacampeão (por favor, tomem um segundo para absorver a dimensão da palavra “eneacampeão”), agora, mostra-se novamente uma força do saibro. O resto do circuito que fique de olho em Madri e Roma.

A questão agora é saber se o nível de tênis apresentado pelo espanhol será suficiente para derrubar Djokovic em forma. Ninguém, afinal, espera que o número 1 do mundo apareça em Madri e Roma jogando no mesmo nível decepcionante que foi apresentado no torneio monegasco.

Vale também fazer um último lembrete. Diante do último ano e meio de resultados instáveis, é até fácil esquecer o quão brilhante é a carreira de Rafael Nadal. Com a decisão em Monte Carlo, o espanhol agora soma 100 finais no currículo. Do total, 20 foram em Slams e 42 em Masters. Ou seja, 62% em torneios de altíssimo nível. E são sete finais na grama – cinco em Wimbledon. Nada mau, não?

A zebra

O resultado mais inesperado da semana foi a eliminação de Novak Djokovic logo em sua estreia em Monte Carlo, diante de Jiri Vesely. O sérvio, lembremos, vinha de 11 finais seguidas em Masters 1.000, 22 vitórias consecutivas em torneios desse porte e 14 jogos sem perder no circuito mundial.

A derrota do número 1, além de deixar a chave do torneio monegasco um tanto mais aberta, jogou no ventilador uma série de questões que, a meu ver, fazem muito bem ao tênis neste momento. Escrevi mais sobre isso neste post.

A volta

Roger Federer está de volta ao circuito. A boa notícia: nenhum sinal de problema no joelho operado. A má notícia: uma derrota inesperada para Jo-Wilfried Tsonga nas quartas de final de um torneio cuja chave não era das piores para o suíço. Seriam pontinhos valiosos que aproximariam Federer de ser número 2 do mundo outra vez. Ah, sim: o jogo de rede mostrou um pouco de ferrugem no duelo com Tsonga, mas não parece ser algo tão preocupante para quem costuma volear tão bem e ficou dois meses e meio sem disputar uma partida oficial.

De incomum mesmo, apenas dois gestos do suíço. No segundo set, uma raquete atirada na direção do banco após uma quebra de saque. No terceiro, já no finzinho da partida, uma bola atirada para fora da quadra – resultado da frustração após errar um voleio em um momento delicado. O árbitro brasileiro Carlos Bernardes aplicou uma advertência por abuso de bola.

Os brasileiros

Bruno Soares voltou a ser o brasileiro de mais destaque no circuito. E quase não aconteceu, já que ele e Jamie Murray tiveram uma dramática estreia em Monte Carlo contra Daniel Nestor e Radek Stepanek, com direito a três match points salvos. Na sequência, brasileiro e escocês superaram Bopanna/Mergea nas quartas e Melo/Dodig na semi. Na decisão, caíram diante de Herbert e Mahut.

Com mais este título, que veio com parciais de 4/6, 6/0 e 10/6, a parceria francesa se estabelece ainda mais como a dupla a ser batida no momento. Depois de dois resultados nada empolgantes em Brisbane e no Australian Open, Herber e Mahut foram campeões em Roterdã, Indian Wells, Miami e Monte Carlo. Eles, inclusive, acabam de ultrapassar Bruno e Jamie e assumem a liderança da Corrida – aquele ranking que conta só os resultados da temporada. Em compensação, no ranking de 52 semanas, Soares volta ao top 10, ganhando cinco postos e subindo para a sétima posição.

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Nas simples, o nome da semana foi Paula Gonçalves. Diante da fraca lista de inscritas do WTA International de Bogotá, a paulista, que começou a semana como número 238 do mundo, entrou direto na chave e aproveitou a chance, derrotando, em sequência, Verónica Cepede Royg (#161), Tatjana Maria (#105) e Alexandra Panova (#155). A brasileira só parou nas semifinais, derrotada por Silvia Soler Espinosa (#170): 6/4, 6/7(4) e 6/2. Com a ótima campanha, Paula alcança o melhor ranking da carreira: #177.

Teliana Pereira, por sua vez, voltou a perder. A algoz da vez foi a argentina Catalina Pella, #274, que fez 3/6, 6/3 e 7/6(3). A temporada da número 1 do Brasil agora acumula uma vitória (sobre Bia Haddad) e nove derrotas. A pernambucana, que começou a semana como #55 e defendendo os pontos do título de Bogotá, conquistado no ano passado, agora é a #86.

Com essa posição, Teliana provavelmente ficará fora do grupo de classificação direta para os Jogos Olímpicos Rio 2016. O Brasil, no entanto, tem direito a uma vaga – chamada “ITF Place” – no caso de nenhuma tenista estar classificada por ranking. Assim, joga o torneio olímpico a número 1 do país. Como Paula ainda está bastante longe de Teliana no ranking (são 464 pontos de diferença), parece improvável que a pernambucana não esteja na Rio 2016.

Thomaz Bellucci (#35), por sua vez, sofreu a sexta derrota seguida. Seu algoz em Monte Carlo foi Guillermo García López (#38), que fez 7/5 e 6/1. O número 1 do Brasil não vence desde a semifinal do ATP de Quito, ainda em fevereiro. De lá para cá, acumula reveses diante de Estrella, Dolgopolov, Carballés Baena, Coric, Kukushkin e García López.

Nos Challengers, Clezar fez uma boa campanha em Sarasota (US$ 100 mil), nos Estados Unidos, mas sentiu dores na coxa esquerda na semifinal e abandonou a partida contra Gerald Melzer. O placar mostrava 6/7(4), 6/4 e 3/2 para o austríaco no momento da desistência do gaúcho. Tiago Monteiro também jogou o torneio, mas perdeu na estreia para o mesmo Melzer.

Em Barletta (US$ 50 mil), na Itália, Rogerinho era o cabeça de chave número 1 e perdeu nas quartas de final para o estoniano Jurgen Zopp: 7/6(5) e 6/4. O paulista de 32 anos continua como número 2 do Brasil no 100º posto do ranking.

A Fed Cup

A República Tcheca (sem Petra Kvitova e Lucie Safarova!) e a França venceram seus confrontos do fim de semana e decidirão o título da Fed Cup deste ano. O fim de semana foi animado, com as duas semifinais decididas no jogo de duplas.

Em Lucerna (quadra dura indoor), a República Tcheca teve Barbora Strycova e Karolina Pliskova derrotando Timea Bacsinszky, enquanto Viktorija Golubic, #129 e surpresa do fim de semana, conquistou dois pontos de virada para o time da casa, compensando a ausência de Belinda Bencic. Na decisão, Lucie Hradecka e Karolina Pliskova superaram Golubic e Martina Hingis por duplo 6/2.

Em Trélazé (saibro indoor), a holanda surpreendeu com Kiki Bertens vencendo seus dois pontos de simples, mas Kristina Mladenovic e Caroline Garcia derrotaram, respectivamente, Richel Hogenkamp e Arantxa Rus. Nas duplas, Garcia e Mladenovic fizeram 4/6, 6/3 e 6/3 sobre Bertens e Hogenkamp.

Para a França, capitaneada atualmente por Amélie Mauresmo, será a primeira final desde 2005. A República Tcheca, por sua vez, lidera o ranking da Fed Cup e está de volta à decisão. O time foi campeão da competição em quatro das últimas cinco edições: 2011, 2012, 2014 e 2015.

A campeã

No único WTA da semana, em Bogotá, que também é um dos WTAs mais fracos do calendário (e, ainda assim, mais forte que Florianópolis, aquele que é financiado pela Confederação Brasileira de Tênis), a americana Irina Falconi (#93) levantou o (pequeno) troféu após derrotar Silvia Soler Espinosa na decisão: 6/2, 2/6 e 6/4. Com a conquista, Falconi subiu para o 67º posto no ranking mundial.

A lenda

A americana Gail Falkenberg, 69 anos, venceu uma partida no qualifying do ITD de Pelham (EUA), torneio com premiação de US$ 25 mil. Ela aplicou 6/0 e 6/1 na jovem Rosalyn Small, de 22 anos, e perdeu na rodada seguinte para Taylor Townsend, ex-top 100. Eu relatei a história de Gail neste post.

Snake delay

No Challenger de Sarasota, nos EUA, a partida entre Gonzalo Lama e James Ward teve de ser interrompida por causa de uma cobra que entrou na quadra logo quando o chileno tinha match point.

Segundo o relato no site da ATP, um voluntário do torneio tentou pegar a cobra com as mãos, mas desistiu após quase levar uma picada. O réptil acabou deixando a quadra, e Lama fechou jogo em 6/1 e 6/1.

Bolão impromptu da semana

Quem ganharia a final do Masters 1.000 de Monte Carlo em quantos games? O Wallace Barros cravou.

Lances bacanas

A final de Monte Carlo teve vários ralis de tirar o fôlego, mas se fosse preciso escolher um golpe de todo jogo, essa assustadora direita de Gael Monfils seria fácil de selecionar. Vejam!

Na primeira rodada do Masters de Monte Carlo, Radek Stepanek fez esse winner contra Bruno Soares e Jamie Murray.

O lance levou o segundo set para mais um tie-break, que acabou vencido por brasileiro e britânico depois de dois match points salvos. Jamie e Bruno escaparam após outro match point (uma dupla falta de Nestor) no match tie-break e triunfaram por 6/7(5), 7/6(9) e 14/12.

Nas quartas de final, foi a vez de Soares fazer seu ponto bacana. Por fora da rede.

Ele e Murray derrotaram Rohan Bopanna e Florin Mergea por 6/2 e 6/3.

As melhores histórias

O destaque da semana vai para outro belo texto de Eric Butorac, recomendado pela Aliny Calejon. Desta vez, o duplista ex-parceiro de Bruno Soares e atual presidente do conselho dos jogadores responde à velha pergunta: “Federer é tão legal quanto parece ou é só aparência?” O relato inclui o curioso caso de como Butorac acidentalmente conheceu os pais do suíço durante uma partida. Em inglês, aqui.

O prêmio mais gordo

Na quarta-feira, Roland Garros anunciou um aumento de 14% na sua premiação para o torneio deste ano. O torneio distribuirá, ao todo, 32,107 milhões de euros. Os campeões de simples embolsarão 2 milhões cada. As duplas campeãs, por sua vez, receberão 500 mil euros (valor por time). Segundo o comunicado do torneio francês, o maior aumento em termos percentuais foi dado aos tenistas que perderem nas segunda, terceira e quarta rodadas. Veja mais no link do tuíte.

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Derrota de Djokovic levanta dúvidas e faz bem
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Alexandre Cossenza

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Dúvida faz bem no esporte. A linha entre o tesão de ver um atleta espetacular e o tédio de saber o resultado final é nem sempre é fácil de enxergar, mas anda (ou andou?) bem visível no tênis ultimamente. Novak Djokovic ganhou quatro dos últimos cinco Slams, levantou 15 troféus nos últimos 14 meses, disputou 11 finais seguidas em Masters 1.000 e acumulou mais do que o dobro de pontos de Andy Murray, atual vice-líder do ranking mundial.

Logo, quando Jiri Vesely, 22 anos, 55º do mundo, derrubou o número 1 por 6/4, 2/6 e 6/4 na segunda rodada do Masters 1.000 de Monte Carlo, primeiro torneio grande da série de saibro na Europa, é fácil compreender por que muita gente abriu sorrisos pelo mundo. Um pouco porque será um Masters diferente, o primeiro do ano sem o sérvio campeão, mas especialmente porque levanta dúvidas que ficarão no ar por pelo menos duas semanas. E isso, hoje, faz muito bem ao tênis.

A partida foi interessante porque não foi uma atuação pavorosa de Djokovic como naquele primeiro set contra Bjorn Fratangelo em Indian Wells. Okay, não foi a melhor atuação do sérvio em 2016 – longe disso -, mas Vesely teve seus méritos. Primeiro por tentar tomar a iniciativa dos pontos com frequência. Segundo, pela execução do plano de jogo. Terceiro, pelas curtinhas. Não lembro de ter visto alguém usar tantos drop shots e com tanta eficiência diante de Djokovic. Foi, realmente, admirável por parte do jovem tcheco.

O número 1, por sua vez, esteve pouco inspirado. Não foi possível ver um plano de jogo claro em momento algum. Além disso, o sérvio foi passivo na maior parte do tempo. Nem mesmo quando esteve nas cordas, com Vesely sacando para o jogo. Por isso, pagou o preço com sua eliminação.

Depois do jogo, Djokovic disse que treinou bastante, mas que nunca sentiu seu corpo descansado o suficiente. Admitiu que jogou mal, disse que Vesely esteve muito bem em quadra e prometeu “descanso total”. À jornalista Carole Bouchard (a mesma do tuíte abaixo), afirmou ainda estar confiante e disse que “tudo acontece por um motivo”.

Até o Masters 1.000 de Madri, com início marcado para 1º de maio, o mundo seguirá imaginando o que esperar de Djokovic neste tour do saibro. Com duas semanas de intervalo, o número 1 aparecerá na Espanha na melhor forma? E o período de descanso forçado desta semana ajudará lá na frente, em Roland Garros, o único Slam que lhe falta?

E como será que o resto do circuito verá essa derrota em Monte Carlo? Como um sinal de vulnerabilidade ou apenas um caso isolado? E quem aproveitará a brecha no principado para conquistar os mil pontos? Quem ganha mais com isso? Hoje, são dúvidas que fazem muito bem ao tênis.

Coisas que eu acho que acho:

– Sobre o tamanho da vitória de Vesely, vale lembrar que ele quebrou três sequências importantes de Djokovic: 11 Masters 1.000 chegando em finais, 22 vitórias em Masters 1.000, e 14 triunfos no circuito.

– Com a eliminação precoce, Djokovic deixará de ter mais do que o dobro dos pontos de Andy Murray. Coitado, não?


A ‘Lenda’ de 69 anos que venceu um jogo profissional nesta semana
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Alexandre Cossenza

Gail Falkenberg, 69 anos, é chamada por algumas tenistas de “A Lenda” e tem uma das histórias mais interessantes do tênis. Seu nome ganhou destaque na última semana porque ganhou um jogo no qualifying do ITF de Pelham (EUA), torneio com premiação de US$ 25 mil. Aplicou 6/0 e 6/1 na jovem Rosalyn Small, de 22 anos.

Com isso, teve o direito de enfrentar, na segunda rodada do quali, a também americana Taylor Townsend, 19 anos, que já foi top 100 e ocupa hoje o 389º posto no ranking. Taylor venceu por 6/0 e 6/0 (Veja um trecho da partida no vídeo abaixo), mas Gayle ganhou os holofotes.

Sua história, contada pelo Wall Street Journal, é incrível. Aprendeu a jogar por conta própria e decidiu tentar o tênis profissional aos 38 anos. Ela até venceu uma partida no Australian Open (no qualifying de 1988). Só parou com a carreira porque não tinha como se sustentar e precisava de um emprego.

Gail foi técnica de tênis em uma universidade da Flórida nos anos 90 e até foi treinadora de basquete. Até esta semana, não vencia uma partida de tênis profissional desde 1998. Nada, aparentemente, fez a moça desistir do esporte e das competições. Suas declarações são ótimas. “Sei que posso continuar melhorando.” “Há sempre algo a trabalhar no tênis.”

E o objetivo? Ela também contou ao WSJ: “Adoraria estar jogando – e vencer – aos 70. Estou a seis meses disso.”

Como pode?

Se você está imaginando como uma pessoas de 69 anos consegue vaga em um qualifying de torneio profissional, a explicação é a seguinte: ano passado, Gail venceu uma partida pelos playoffs nacionais da USTA, que são uma competição aberta (de fato, qualquer um pode se inscrever) e que vale uma vaga no qualifying do US Open (sim, o Slam jogado em Nova York). O triunfo lhe rendeu 12 pontos no ranking nacional dos EUA e a possibilidade de tentar o quali em alguns ITFs.

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Semana 14: dobradinha argentina, um carro de presente e uma aula de dança
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Alexandre Cossenza

Tudo bem, não foi lá a mais agitada das semanas tenísticas de 2016. Na primeira semana do saibro, a maioria dos principais nomes do tênis masculino preferiu descansar e se preparar em Monte Carlo. Entre as mulheres, não foi tão diferente, mas o WTA de Charleston teve cinco tenistas entre as 20 primeiras do ranking e alguns jogos interessantes. Chegou a hora, então, de lembrar o que rolou.

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As campeãs

No forte WTA Premier de Charleston, que tinha Kerber, bencic, Venus, Safarova, Errani e Petkovic, foi Sloane Stephens, cabeça 8, que venceu neste domingo. A conquista veio com uma vitória sobre a qualifier Elena Vesnina, que chegou a ter um set point quando sacou em 6/5 na primeira parcial: 7/6(4) e 6/2.

O grande momento do dia foi quando Stephens descobriu que o torneio, patrocinado pela Volvo, também lhe daria um carro de presente.

A conquista em Charleston foi a terceira de Stephens em 2016. Ela também foi campeã em Auckland e Acapulco, ambos em quadras duras. O WTA de Charleston é jogado em (um rapidíssimo) saibro verde.

Vale lembrar que Stephens era zebra nas semifinais contra Angelique Kerber, mas a alemã não estava se sentindo bem e abandonou quando perdia por 6/1 e 3/0. A campeã do Australian Open defendia o título do evento americano.

No WTA International de Katowice, na Polônia, Dominika Cibulkova levantou um troféu pela primeira vez desde Acapulco/2014. A eslovaca, finalista do Australian Open naquele mesmo ano, passou por uma cirurgia no tendão de aquiles em 2015, ficou cinco meses sem jogar e chegou a cair para além do 60º posto.

Com a vitória deste domingo por 6/4 e 6/0 sobre Camila Giorgi, Cibulkova, que começou a semana como #54, deve voltar ao top 40 e se aproximar do grupo que é cabeça de chave nos Slams. Cabeça 8 em Katowice, a eslovaca passou por Witthoeft, Kulichkova, Schiavone, Parmentier e Giorgi no caminho até o título. O único set perdido foi justamente o primeiro, diante de Witthoeft.

A principal favorita ao título, Agnieszka Radwanska, seria a cabeça de chave número 1, mas desistiu do torneio por causa de um problema no ombro. A chave foi modificada, e Jelena Ostapenko passou a ocupar o lugar da polonesa.

Os campeões

Em Marraquexe, um dos ATPs menos empolgantes do ano, o título ficou com Federico Delbonis, que bateu Borna Coric por 6/2 e 6/4 na final. Cabeça 4 do torneio, o argentino estreou nas oitavas de final e passou por De Bakker, Carreño Busta, Montañés e Coric para levantar o segundo troféu de sua carreira – e o de número 212 na história do tênis argentino.

Com os pontos, Delbonis sobe para o 36º posto do ranking – um atrás de Thomaz Bellucci e dois atrás da melhor posição de sua carreira. Coric, por sua vez, continua sem títulos na carreira. O jogo deste domingo foi sua segunda final. A primeira, em Chennai, terminou com derrota para Stan Wawrinka.

O cabeça de chave 1, Guillermo García-López (#37), acabou eliminado nas quartas por Jiri Vesely, enquanto o seed 2, João Sousa (#38), tombou na estreia diante de Facundo Bagnis.

No saibro vermelho de Houston, outra conquista argentina. De virada, Juan Mónaco derrotou Jack Sock, que defendia o título, por 3/6, 6/3 e 7/5. Foi o título de número 213 para o tênis argentino e marcou a sexta vez que dois tenistas do país foram campeões no mesmo fim de semana.

A última conquista de Mónaco havia sido em 2013, em Dusseldorf. Desde então, jogou três finais (Kitzbuhel/2013, Gstaad/2014 e Buenos Aires/2015) e saiu derrotado em todas.

Mónaco, que começou a semana como número 148 do ranking, ganhou 62 posições. O ex-top 10 (Mónaco esteve entre os dez melhores do mundo em julho de 2012) aparecerá na lista desta segunda-feira como #86.

Os brasileiros

A semana não foi boa para Teliana Pereira. De volta ao saibro (rapidíssimo, lembremos) em Charleston, a número 1 do Brasil perdeu na estreia para a americana Bathanie Mattek-Sands: 5/7, 6/3 e 6/2. Foi a oitava derrota da pernambucana em nova jogos na temporada e, com os pontos perdidos, Teliana deixa o top 50 e cai para o 54º posto.

A próxima missão da brasileira será tentar defender seu título no WTA de Bogotá, que começa nesta semana. Caso volte a perder na estreia, Teliana terá descontados 280 pontos e pode até deixar o grupo das 80 melhores. Se isso acontecer, haverá até o risco de deixar (pelo menos temporariamente) a lista de classificadas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A chave olímpica, lembremos, é composta por 64 atletas, respeitando o limite de quatro por país.

Entre os homens, Rogerinho e Thiago Monteiro conseguiram pontos importantes. O paulista caiu nas oitavas de final em Nápoles, mas subiu três posições e agora figura no top 100 pela primeira vez desde maio de 2013. O cearense apostou no forte torneio de Le Gosier (US$ 100 mil) e caiu nas quartas, superado por Malek Jaziri (#94) por 6/2, 4/6 e 7/5. Com a campanha, Monteiro alcançou o melhor ranking da carreira, entrando no top 200 como justamente o #200.

Nas duplas, André Sá tentou a sorte em Houston. Ele e o australiano Chris Guccione foram superados nas quartas de final por Steve Johnson e Sam Querrey: 6/3, 2/6 e 10/8. O mineiro, aliás, briihou no vídeo abaixo, tocando guitarra em uma apresentação dos irmãos Bryan.

A melhor história

Dica do Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil: em entrevista ao Diário de Canoas, Larri Passos fala um pouco de seus primeiros dias no tênis, de sua mudança para os Estados Unidos e da crise que vive o Brasil. Diz que o Brasil é o país mais corrupto do mundo e que Dilma deveria renunciar.

Larri também declarou que o projeto olímpico do tênis foi uma grande decepção (durou só 11 meses) por causa da má administração da CBT e do Ministério do Esporte: “Esse governo destruiu meus sonhos.” Larri também pediu a saída do presidente da CBT Jorge Lacerda: “Faz cinco anos que a CBT está sendo investigada e o presidente não saiu ainda. Está na hora dele ir embora.”

Leia a íntegra aqui.

A aula de dança

Serena Williams, em grande forma, aproveitou o intervalo nas gravações de um comercial e resolveu gravar uma aula informal de como fazer o “twerk”. Ela também ensinou o “milly rock”. A número 1 do mundo também lembrou que o “dab” já saiu de moda. E Azarenka, pelo visto, aposentou o movimento após o Super Bowl.

O acidente

No Challenger de Nápoles, na Itália, uma bolada não-intencional-mas-certeira acabou com uma dupla desclassificada. Os poloneses Mateus Kowalczyk e Adam Majchrowicz venciam por 6/3 e 4/4, mas quem avançou a parceria de Rameez Junaid e Ken Skupski.

Nem todo mundo concordou com a decisão do árbitro de desclassificar a dupla polonesa. Bruno Soares, campeão do Australian Open, escreveu (citando a conta da ATP) que a punição foi exagerada.

A próxima parada

O grande torneio masculino da próxima semana é o Masters 1.000 de Monte Carlo. O vídeo abaixo mostra como três quadras do Monte-Carlo Country Club se transformam na quadra central do torneio.

Monte Carlo Center Court amazing transformation

To Monte Carlo Country Club μεταμορφώνεται, κυριολεκτικά, για να υποδεχθεί τα μεγαλύτερα αστέρια του παγκοσμίου τένις! Κάθε χρόνο γίνεται αυτή η διαδικασία για να φτιαχτεί το κεντρικό court με την ομορφότερη θέα στον κόσμο!Πρόγραμμα μεταδόσεων OTE TV: -> http://bit.ly/1UGvskY

Posted by Tennis24 on Thursday, April 7, 2016

Aliás, falando em Monte Carlo, que tal a divertidíssima chave do torneio, hein? A começar por Thomaz Bellucci, que estreia contra Guillermo García-López e, se vencer, enfrentará um Roger Federer que se recupera de uma cirurgia no joelho e não joga uma partida oficial há mais de dois meses. Seria uma boa chance?

E a volta de Rafael Nadal ao saibro? O espanhol possivelmente pegou um caminho duríssimo e pode ter de enfrentar, em sequência, Dominic Thiem, Stan Wawrinka e Andy Murray antes da final (contra Djokovic?).

Lances bacanas

Não foi na última semana, mas vale lembrar porque foi eleito o ponto do mês da WTA. Com ela, Agnieszka Radwanska.

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Quadra 18: S02E05
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic segue dominando, e Victoria Azarenka se estabelece como a melhor tenista de 2016. Após o Masters 1.000 de Miami, o podcast Quadra 18 está de volta, comentando tudo que rolou no torneio da Flórida, desde as centenas de “Fora, Dilma” até a situação de Serena Williams, passando pelo novo número 1 nas duplas, as estranhas desistências e o drama de Juan Martín Del Potro.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. SE preferia baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’15” – Aliny, de volta, apresenta o podcast
1’16” – Marcelo Melo manda mensagem para Aliny
1’30” – O título de Novak Djokovic em Miami
2’00” – Sheila fala sobre as duas partidas interessantes de Djokovic no torneio
3’49” – O Djokovic de 2016 dá mais brecha para os adversários do que o de 2015?
5’52” – Quanto tempo vai levar até alguém jogar de igual para igual com Djokovic?
8’03” – As desistências na chave masculina
8’45” – “Gastroenterite foi a razão oficial, mas sinceramente não acredito”
9’30” – “Foi triste ver o Del Potro nessa situação de novo”
9’58” – A semelhança com a sensação de ver Guga sofrendo com o quadril
10’31” – “Ele não vai conseguir jogar só com o slice”
10’45” – A bizarra desistência de Nadal
12’20” – Coisas que só Aliny Calejon consegue
12’25” – Bellucci e a desistência mais esperada do torneio
15’25” – “Derrotinhas ridículas” nas primeiras rodadas
16’45” – Monfils x Nishikori: como um seriado da Shonda Rhimes
18’08” [Música sobre o momento de Djokovic e Azarenka]
19’30” – O título de Victoria Azarenka
22’55” – A intrigante ida para o saibro do circuito feminino
23’49” – Expectativa para os desempenhos de Vika e Rafa no saibro.
25’25” – E Serena Williams? Avaliações sobre seu começo de ano.
27’02” – Serena Williams estaria acima do peso?
29’02” – As atuações de Teliana e Bia em Miami
29’50” – A fragilidade do serviço de Teliana Pereira
31’35” – A pontuação de Teliana em busca de uma vaga nos Jogos Olímpicos
32’55” – El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Club)
33’35” – Aliny fala das duplas em Miami
36’34” – Reações ao calor: “Do nada, eu enxergava roxo” + metrô de SP
38’05” – A campanha de Marcelo Melo e Ivan Dodig
39’12” – Jamie Murray assume a liderança do ranking de duplas
40’30” – A gafe da ATP com Marcelo Melo
41’31” – Melo perdendo o #1 acaba com o oba-oba do “já ganhou” olímpico?
42’38” – IW e Miami mostram uma tendência para 2016?
43’48” – A ótima campanha de Feijão no México + Davis em Belo Horizonte
46’05” – Precisa dar muita coisa errado para o Brasil perder no Zonal hoje
46’35” – “Fora Dilma” em Miami: qual a utilidade?
48’10” – “É verdade que tenistas usam raquetes diferentes dos modelos vendidos em loja?”
50’30” – Bandsports ou SporTV?

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Clube) e Everybody Loves Miami (The Underdog Project).


Semanas 12-13: a serenesca Azarenka e Djokovic, o maior dos milionários
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Alexandre Cossenza

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É bem verdade que os campeões foram quase os mesmos, mas há muita coisa a dizer sobre o período em que foi disputado o Miami Open (WTA Mandatory + Masters 1.000). Além dos títulos de Victoria Azarenka e Novak Djokovic, é preciso lembrar dos problemas físicos de Roger Federer, Rafael Nadal e Thomaz Bellucci,
do novo número 1 do mundo nas duplas, do péssimo timing da ATP ao homenagear Marcelo Melo, de lances espetaculares, de bom humor, de mau humor, de tuítes bacanas e de textos interessantes e importantes. Vamos lá, então? Rolem a página e relembrem as últimas duas semanas.

A melhor de 2016

Três títulos em cinco torneios disputados; 22 vitórias e só uma derrota em 2016; apenas cinco sets perdidos desde o início do ano; uma eliminação por W/O; e uma final vencida rapidinho, em 1h17min. O leitor que escutasse os números acima sem ver a foto do alto do post acreditaria sem questionar se alguém lhe dissesse que a tenista em questão é Serena Williams. Mas não é. A tenista do momento é Victoria Azarenka, que completou, no sábado, um torneio impecável e levantou o troféu so WTA de Miami ao vencer a final sobre Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/2.

Vika se tornou a terceira tenista a vencer os dois eventos em sequência, juntando-se a Steffi Graf e Kim Clijsters (feito que Serena Williams teve pouquíssimas chances de igualar porque boicotou o evento da Califórnia por muito tempo). A bielorrussa agora também está de volta ao top 5, onde não figurava há quase dois anos (o ranking 26 de maio de 2014 foi a última vez). E, claro, é preciso lembrar: depois de um Slam, dois WTAs com premiação de mil pontos (IW e Miami) e outro WTA com 900 pontos para a campeã (Doha), Azarenka é a líder da “Corrida”, o ranking que conta apenas os pontos conquistados neste ano.

Números à parte, as atuações de Vika vêm falando mais alto. Desde o primeiro torneio do ano, onde atropelou em Brisbane (com uma chave não tão forte, é verdade), incluindo as primeiras rodadas em Melbourne, o desempenho sólido diante de Serena na final de Indian Wells e, agora, uma campanha irretocável na Flórida, onde teve dois testes de fogo antes da decisão.

Primeiro, passou por Muguruza em dois tie-breaks, salvando dois set points na primeira parcial. Depois, fez uma partida espetacular contra Angelique Kerber, que, apesar da ótima atuação, jamais teve o controle do jogo. Sempre que precisou, Azarenka teve de onde tirar um nível mais alto e mais consistente de tênis.

Com o início de temporada nada espetacular de Serena Williams, parece seguro dizer que Azarenka é, neste momento, a melhor tenista do circuito, o que deixa 2016 muito mais interessante. Será que a bielorrussa manterá o pique e se aproximará de Serena Williams em uma eventual briga pelo posto de número 1 do mundo? E a americana? Esboçará uma recuperação na temporada de saibro que começa esta semana, em Charleston?

O maior dos milionários

O Masters 1.000 de Miami só teve surpresas nos primeiros dias, quando Roger Federer (virose) desistiu do torneio antes de estrear e, depois, com Rafael Nadal, que passou mal e abandonou a partida contra Damir Dzumhur no terceiro set. O título, conforme o aparente novo protocolo da ATP, terminou nas mãos de Novak Djokovic, o campeão de tudo-menos-Roland-Garros.

De novo mesmo, só algumas marcas do sérvio. Nole agora é o recordista isolado de títulos de Masters 1.000, com 28 taças (Nadal tem 27), o primeiro tenista a vencer quatro vezes a sequência Miami-Indian Wells e, principalmente, o recordista em prêmios em dinheiro na história da modalidade. Com o título deste domingo, Djokovic agora acumula US$ 98.199.548. Federer tem “só” US$ 97.855.881.

Fora isso, nada mais tenho a acrescentar sobre o tênis de Djokovic. O número 1 venceu todos jogos em sets diretos e continua dominando o circuito. Vale lembrar que ele lidera o ranking mundial de forma ininterrupta desde julho de 2014 e possui atualmente 8.725 pontos de vantagem sobre Andy Murray, o vice-líder. O escocês, por sua vez, está apenas 120 pontos acima de Roger Federer.

O tuíte abaixo, do jornalista Ben Rothenberg, mostra o retrospecto de Djokovic em Masters 1.000 e Grand Slams (incluindo o ATP Finals) desde o início de 2015. No período, se somarmos todas as competições, o sérvio disputou 21 torneios; alcançou 19 finais; e venceu 110 jogos e perdeu apenas sete.

Os brasileiros

Não foi um torneio nada bom para brasileiros. Desde o ingrato confronto entre Teliana Pereira e Bia Haddad na primeira rodada até a desistência de Thomaz Bellucci diante de Mikhail Kukushkin. O brasileiro, que durante a semana revelou ter problema de desidratação, perdendo até 6 quilos, e até visão turva em certas situações, sucumbiu ao calor e à umidade de Miami depois de um set e meio. Esgotado, deixou a quadra depois de vencer o primeiro set e perder o segundo.

O abandono na Flórida é especialmente lamentável porque Rafael Nadal, seu provável adversário de terceira rodada, também abandonou. Logo, se passasse por Kukushkin, o brasileiro enfrentaria Damir Dzumhur por uma vaga nas oitavas de um Masters 1.000. O problema físico de Bellucci foi o mesmo que ocorreu no Rio Open, em menor grau, e no Brasil Open, já manifestado de maneira mais evidente. O paulista passou por uma bateria de exames e, até agora, nenhum diagnóstico foi conclusivo. Resta a ele torcer por temperaturas mais amenas e condições favoráveis na temporada europeia de saibro.

Quanto a Teliana, o lado positivo foi conquistar sua primeira vitória na temporada. A segunda rodada, contudo, trouxe uma derrota diante de Ana Ivanovic por 6/3 e 6/0. A sérvia foi superior o tempo quase todo, e a brasileira, mais uma vez, foi vítima de seu saque vulnerável – confirmou apenas uma vez no jogo. Nas trocas de bola, Teliana até conseguia ser agressiva quando tinha a oportunidade de entrar em um rali. Ivanovic, no entanto, não lhe deu tantas chances assim, quase sempre atacando primeiro e controlando os pontos. A sérvia dominou tanto o saque de Teliana que se deu o luxo de se posicionar muito dentro de quadra na devolução.

Até agora, Teliana soma uma vitória e sete derrotas em 2016, com dois sets vencidos e 14 perdidos (o único triunfo e ambos sets vieram sobre Bia Haddad). É bem possível que a volta para o saibro, seu piso preferido, traga dias melhores. Não por acaso, a número 1 do Brasil, atual #49 do mundo, agora tem um calendário entupido de eventos na terra batida.

Terminando o giro brasileiro nas simples em Miami, vale lembrar de Rogerinho, que perdeu no qualifying, mas ganhou uma vaga de lucky loser para estrear contra o russo Andrey Kuznetsov. A sorte, porém, não conseguiu carregar o #2 do Brasil para a rodada seguinte. Kuznetsov fez 6/3 e 6/3 e avançou. O russo, aliás, bateu Stan Wawrinka na segunda rodada e Adrian Mannarino na terceira. Só caiu nas oitavas, superado pelo semifinalista Nick Kyrgios.

No circuito Challenger, quem teve boa semana foi Feijão – finalmente. Depois de perder no quali em Miami, o paulista encarou o Challenger de León, no México, e alcançou a final, perdendo para o alemão Michael Berrer. A campanha rendeu uma subida de mais de 50 posições no ranking e o retorno ao top 200. Feijão saiu de #239 e aparece nesta segunda-feira como o 186º melhor tenista do mundo. Se ainda está longe de seu melhor ranking (69º, exatamente um ano atrás), já dá passos animadores adiante, o que não vinha acontecendo há um bom tempo.

Marcelo perde o #1

A pressão já havia sido grande em Indian Wells, onde Jamie Murray esteve a dois pontos de roubar a liderança do ranking. Em Miami, precisando defender os pontos da semifinal do ano passado, Marcelo Melo tinha de alcançar pelo menos as quartas de final para seguir como número 1. Não conseguiu. Nas oitavas, ele e Ivan Dodig perderam para Treat Huey e Max Mirnyi por 7/6(1) e 6/4.

A derrota de Melo deu o número 1 a Jamie, que já estava eliminado em Miami. Ele e Bruno Soares caíram na estreia diante de Raven Klaasen e Rajeev Ram. O irmão mais velho de Andy Murray conta que estava no carro quando começaram a pipocar mensagens de parabéns em seu celular.

Desde a existência do atual ranking da ATP, nenhum britânico havia alcançado o topo – nem em simples nem em duplas. Jamie é o primeiro e, por isso, vem sendo um tanto badalado pela imprensa do Reino Unido.

A gafe

A ATP decidiu entregar um pequeno “troféu” para marcar definitivamente o número 1 de Marcelo Melo. Pena que fizeram essa cerimônia logo no domingo, dia que ele e Ivan Dodig foram eliminados do torneio.

Jogo rápido

Mats Wilander e Madison Keys, que decidiram trabalhar juntos a partir do WTA de Miami, já se separaram. A parceria durou oito dias (!) e terminou com a americana invicta. O tricampeão de Roland Garros, que também é comentarista do Eurosport, não quis revelar ao jornalista Michal Samulski (o primeiro a dar a notícia) o motivo da separação.

Bolão impromptu da semana

Parabéns à Raissa Picorelli por acertar a resposta para a pergunta aleatória da semana. Ela foi a primeira seguidora do @saqueevoleio a acertar o número de games vencidos por Kei Nishikori na final.

Lances bacanas

Que tal essa curtinha de devolução de Agnieszka Radwanska contra Alizé Cornet? E antes de alguém chame de “sneak attack”, prefiro “ninja attack by Aga”.

Outro momento raro da semana envolveu o sérvio Viktor Troicki. Após um voleio de David Goffin quicar na quadra do sérvio e voltar, Troicki saltou a rede e golpeou a bola. Foi bonito, mas perdeu o ponto.

Para quem não sabe a regra, a explicação não é tão complicada: como a bola quicou e voltou, Troicki podia até invadir o “espaço aéreo” da quadra de Goffin e golpear a bola, mas perdeu o ponto quando pisou na quadra do rival.

Em casos assim, a “vítima” do backspin tem duas opções para ganhar o ponto: 1) golpear a bola no ar, mesmo invadindo a quadra do rival com a raquete, mas mantendo os pés em sua própria quadra; ou 2) saltar a rede, golpear a bola e “aterrissar” fora das linhas de jogo. Era muito difícil de conseguir, mas Troicki teria vencido o ponto se tivesse saltado e pisado além da linha lateral de simples.

O melhor da semana, contudo, foi Alexandre Sidorenko. No Challenger de Saint-Brieuc, o francês-nascido-na-Rússia de 28 anos disparou uma passada vencedora de costas contra o alemão Tobias Kamke.

As melhores histórias

Vale ler o texto do New York Post intitulado “Por que todo mundo no tênis odeia Maria Sharapova”. O título soa um tanto exagerado, mas o conteúdo aborda os motivos pelos quais a russa não recebeu muitas mensagens de simpatia após testar positivo em um exame antidoping.

No Globoesporte.com, o jornalista Thiago Quintella conversou com João Zwetsch, técnico de Thomaz Bellucci, que relatou os sintomas do tenista brasileiro durante seus problemas físicos. Entre eles, visão turva. Em outra entrevista, dias depois, o próprio Bellucci disse perder até seis quilos em um jogo.

Bom humor

Novak Djokovic, número 1 do mundo e reinando soberano na liderança do ranking mundial, mostrou que é possível ter momentos de descontração mesmo em partidas oficiais. No comecinho do jogo contra o britânico Kyle Edmund, o sérvio fez essa “mágica” encaixando a bolinha no bolso.

O lance me lembrou do iraniano Mansour Bahrami, possivelmente o cidadão mais divertido de ver numa quadra de tênis, que sempre fazia o “truque” da bola no bolso. Quem tiver a curiosidade, pode conferir alguns momentos de exibições de Bahrami neste vídeo.

No mundo do vôlei (sim, vôlei!) Alexander Markin, do Dínamo de Moscou, também testou positivo para meldonium, a substância responsável pelo doping de Maria Sharapova. Uma confeitaria chamada Dolce Gusti enviou ao atleta (que aguarda julgamento da FIVB) um bolo de… meldonium!

Não tão bom humor

Serena Williams, incomodada com o árbitro de cadeira Kader Nouni durante o jogo contra Zarina Diyas, não economizou. “Não comece comigo hoje”, “não implique comigo”, “estou cheia de você implicar comigo” e “a não ser que você vá me dar um warning, não fale comigo” foram parte do repertório da número 1.

Serena venceu aquele jogo por 7/5 e 6/3, mas tombou na rodada seguinte, diante de Svetlana Kuznetsova: 6/7(3), 6/1 e 6/2.

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

O melhor continua sendo o melhor: Andy Roddick. Desta vez, o ex-número 1 do mundo corrigiu o jornalista americano Darren Rovell, da ESPN, que fazia uma piadinha com Novak Djokovic. Rovell publicou uma foto de Federer na quadra central de Miami e disse: “Ei, Djokovic, esse é o público em um jogo de Federer neste momento. Quanto ele deve receber?”

Rovell, no entanto, não sabia que a imagem era de um treino do suíço. Roddick explicou bem à sua moda: “Como tenho certeza que você sabe, Darren, a chave principal masculina não começou ainda em Miami… Isso é um treino.”

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O jornalista se corrigiu, avisando seus seguidores (são mais de um milhão deles) que a imagem era de um treino. Em seguida, apagou os tuítes (por isso, publiquei aqui essa montagem, feita pelo USA Today).

A conta oficial do torneio de Miami registrou essa disputa quente entre Nick Kyrgios e… sua camisa. É nisso que dá fazer experiências no mundo da moda.

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Serena Williams: quando devemos nos preocupar?
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Alexandre Cossenza

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Serena Williams em 2015: campeã do Australian Open, semifinalista em Indian Wells (abandonou antes de jogar a semi) e vencedora do WTA de Miami.
Serena Williams em 2016: vice-campeã em Melbourne, derrotada por Angelique Kerber na decisão, vice também em Indian Wells, superada por Victoria Azarenka, e eliminada nas oitavas de final em Miami por Svetlana Kuznetsova.

Sim, são só três torneios, há muito pela frente na temporada. É cedo para julgar a multicampeã e certamente soa injusto usar como parâmetro justamente a melhor temporada da carreira de Serena Williams. É perfeitamente normal que a número 1 do mundo tenha um 2016 inferior. Ela, inclusive, já igualou seu número de derrotas de 2015 (três!). Mas não é uma questão só de resultados, embora seja o pior início de ano da americana desde 2012, quando ainda voltava ao circuito após uma embolia pulmonar.

Longe de querer soar apocalíptico, há alguns indícios de que o mundo pode estar vendo o início do fim de Serena-como-a-conhecemos, ou seja, Serena 2013-15. Não que haja algo errado ou que alguém precise ser fuzilado publicamente por isso, mas vale analisar com atenção alguns momentos de Serena-2016:

A idade

Não que seja o mais decisivo dos fatores no caso de Serena, mas cedo ou tarde até os grandes sentem os efeitos do tempo. Pete Sampras sempre disse que perdeu a regularidade. Que treinava da mesma forma, mas não conseguia ter a mesma precisão dentro de quadra. Era espetacular num dia, pavoroso (para seus padrões) em outro.

Para a americana, ainda deve haver uma preocupação com lesões, como a que incomodou durante o US Open do ano passado. Especialmente porque Serena não é a tenista mais leve do circuito. Não compro a teoria de que ela esteja acima de seu peso normal (a foto desta quarta, postada por ela no Instagram, “concorda” comigo), mas é difícil imaginar uma atleta como ela ganhando tanto há tanto tempo e não sentindo o desgaste acumulado.

O desgaste do Grand Slam

Só Serena sabe o quão extenuante foi a última temporada. O enorme número de jogos, a incessante pressão para vencer todos eles, a expectativa e a proximidade do Grand Slam de fato… Tudo isso vai somando e esgota a pessoa. Mal comparando, é como o cidadão que colocava todas suas energias em um vestibular e ficava perto, mas não conseguia a aprovação e recebia o resultado pensando “nunca mais passo por isso.”

É preciso um tempo para absorver tudo que aconteceu, deixar a cabeça descansar e só depois pensar na vida e no que fazer. Cada pessoa tem um tempo diferente e vai tomar decisões diferentes. Pode ser que ela ainda esteja contemplando tudo isso e o que fazer daqui em diante. Talvez Serena não tenha mais a disposição para se cobrar os resultados dos últimos três anos. Seja o que for, com o currículo que tem (e mesmo que não tivesse!), pode tomar qualquer decisão e encarar o circuito da maneira que achar melhor – sem olhar para trás.

Taticamente, Serena não tem sido a mais paciente das tenistas. Foi assim tanto na final do Australian Open quanto na decisão em Indian Wells. Enquanto Kerber e Azarenka se defendiam, a americana atacava com certa afobação, às vezes abusando da potência e correndo riscos desnecessários em bolas pouco colocadas. Se isso é reflexo do desgaste ou simplesmente planos de jogo mal executados, é impossível dizer de longe.

O comportamento nas premiações

Tanto em Melbourne quanto na Califórnia, Serena foi extremamente graciosa. Distribuiu sorrisos, elogiou Kerber e Azarenka ao extremo, saiu de quadra quase feliz. Parecia até pouco incomodada com os resultados. Não vejo nada de necessariamente errado na postura, mas assisti às duas cerimônias um pouco espantado. A Serena campeã que eu conheci lá atrás não reagia bem a derrotas em ocasiões tão importantes.

Claro que a maturidade veio, mas as duas finais me deixaram imaginando se a atual número 1 deixou para no passado um pouco daquele instinto assassino ou se realmente assumiu o cargo não oficial de embaixadora do tênis feminino, mostrando o quanto a modalidade é forte e, suas tenistas, muito capazes. Ou ambos, já que uma postura não exclui a outra.

O que esperar, então?

Como escrevi lá no alto do post, ainda é o início da temporada e não convém tirar conclusões definitivas sobre os resultados ou o comportamento de Serena em 2016. O Grand-Slam-que-não-foi de 2015 ainda pesa? O instinto assassino acabou? Serena está se poupando para os Jogos Olímpicos e um calendário congestionado no segundo semestre? A temporada de saibro, que começa agora, costuma ser um bom termômetro para medir as pretensões e a dedicação da americana. Vale ficar de olho, prestar atenção nos sinais e, principalmente, aproveitar Serena Williams. Depois da exaustão de 2015, sabe-se lá até quando continuará jogando no nível que é só dela.

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Sobre Guga, Del Potro e uma triste e insistente semelhança
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Alexandre Cossenza

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Agonia é a sensação predominante para quem acompanha na beira da quadra. O carismático campeão de Slam, em idade para estar no auge de seu potencial, está em quadra brigando contra um problema físico grave. Mesmo depois de três cirurgias, tenta achar um meio, qualquer que seja, de encarar a situação e ser competitivo. Ainda assim, não consegue esconder a dor. Leva a mão ao local das cirurgias, pede atendimento médico, volta para a quadra e tenta outra vez, mesmo sabendo que o fim está próximo.

Gustavo Kuerten, o cidadão do parágrafo acima, não encontrou solução. Foi forçado a se aposentar aos 31, seis anos depois da primeira cirurgia no quadril direito, em 2002. Ainda conseguiu brilhar depois daquela intervenção, mas após a segunda, em 2005, sempre esteve longe de seu melhor. A última operação, em 2006, pouco adiantou.

Nesta sexta-feira, em Miami, quem viveu situação parecida foi Juan Martín del Potro. O argentino, campeão do US Open em 2009, voltou a jogar depois da terceira cirurgia no punho esquerdo no mês passado, em Delray Beach. Apoiado em um ótimo saque e um forehand gigante, conseguiu algumas vitórias, mesmo usando o slice como golpe predominante de backhand. Havia uma fragilidade clara, que ficou ainda mais nítida contra Tomas Berdych em Indian Wells.

No torneio da Flórida, não havia mais como esconder. Del Potro sentiu dores, pediu atendimento médico e tentou seguir em quadra, mas acabou derrotado pelo compatriota Horacio Zeballos (6/4 e 6/4). A imagem da dor e a expressão de frustração na cara de Del Potro eram perturbadoras.

Depois da partida, o ex-top 10 disse que não era nada de novo e que precisava estar preparado para isso. Afirmou ainda que é preciso ter muita paciência e que nem todos aguentariam. Por fim, declarou que conhece suas limitações e, da maneira que estava nesta sexta, optou por entrar em quadra.

Del Potro disse neste vídeo, de junho do ano passado, que as dores começaram em 2012. Inicialmente, o problema foi diagnosticado como tendinite. Mais tarde, foi constatado um dano em um tendão. Quando gravou a mensagem, o argentino estava sem jogar desde o Masters de Miami (sim, um ano atrás) e ainda passaria pela terceira cirurgia, buscando o que esperava ser a solução definitiva.

A essa altura, só Del Potro sabe exatamente a dimensão de suas dores. Clinicamente, é um caso bem diferente do de Guga (lesão no quadril), mas os relatos e as impressões são semelhantes. Assim como fazia o brasileiro, o argentino não dá muitos detalhes sobre suas sensações e se apega a um punhado de vitórias para manter a esperança. São dois exemplos de atletas espetaculares que venceram jogos longe de seu melhor, mas que não voltaram a alcançar o nível que um dia jogaram (“ainda não” no caso de Del Potro).

Sem saber os pormenores da lesão, impossível fazer um prognóstico para o futuro do argentino. O histórico do tênis, contudo, não é dos mais animadores. Não me lembro de um tenista que tenha tratado uma lesão por quatro anos e voltado a competir em altíssimo nível. Hoje, nem o foguete de direita é suficiente para compensar o backhand vulnerável. O carismático argentino, infelizmente, parece rumar para o mesmo destino de Guga – e com uma carreira ainda mais curta.

Coisas que eu acho que acho:

– Uma pergunta recorrente entre fãs de tênis hoje: “é tarde demais para Del Potro desenvolver o backhand com apenas uma das mãos como Federer e Wawrinka?” Fizeram a questão a Paul Annacone, ex-técnico de Pete Sampras e Roger Federer. A resposta do americano foi curta e grossa.

– Não há relatos de tenistas do nível de Del Potro (já campeão de Slam, número 4 do mundo, medalhista olímpico) que tenham feito uma mudança de golpe semelhante e tenham alcançado sucesso equivalente ao de antes. Conversei com Sylvio Bastos, técnico e comentarista do Fox Sports, e a opinião dele foi semelhante. “Muito difícil (ter sucesso equivalente após uma mudança), para não dizer impossível. Acho que ele para (de jogar) sem tentar.”

– Sampras e Wawrinka começaram a jogar com backhand de duas mãos e mudaram, mas o americano tinha 14 anos na época. O suíço, 11.

– Meligeni fez a mudança mais tarde, já top 100 e com 25 anos, em dezembro de 1996. Os melhores resultados de sua carreira aconteceram mais de dois anos depois, em 1999, quando alcançou a semifinal de Roland Garros e chegou ao 25º posto no ranking.


Homens x mulheres: machismo e mercado no tênis
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Alexandre Cossenza

A polêmica do fim de semana foi das grandes. Em uma roda de café da manhã com jornalistas, o CEO de Indian Wells, Raymond Moore, soltou frases nada elogiosas ao circuito feminino de hoje. Em seguida, indagado sobre o assunto, Novak Djokovic reacendeu a sempre debatida questão da igualdade na premiação de homens e mulheres.

O assunto é delicado – como os dois senhores acima deixaram claro – e há questões que precisam ser lembradas para ajudar a contextualizar-sem-defender os dois cavalheiros. Este é um texto opinativo, então peço que leiam até o fim e, depois, comentem à vontade. Vamos, primeiro, às declarações.

“Na minha próxima vida, quando voltar, quero ser alguém na WTA (risos) porque elas pegam carona nos homens. Elas não tomam decisão alguma e são sortudas. Elas têm muita, muita sorte. Se eu fosse uma jogadora, me ajoelharia toda noite e agradeceria a Deus por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido porque eles têm carregado este esporte.”

A frase acima é a primeira frase polêmica de Moore. Ele ainda se atrapalhou ao dizer que a WTA tem “um punhado de promessas atraentes/atrativas que podem assumir o manto (de Serena). Vocês sabem, Muguruza, Genie Bouchard. Eles têm um monte de jogadoras atraentes/atrativas E o padrão do tênis das moças aumentou inacreditavelmente.”

“Attractive”, a palavra original, em inglês, pode significar atrativo ou atraente em português. Para nossa sorte, um jornalista insistiu no assunto e perguntou se Moore estava se referindo aos méritos estéticos ou competitivos das moças. A isto, Moore respondeu que falava de ambos, o que não ajudou exatamente sua causa.

Mais tarde, depois de derrotar um combalido Milos Raonic em uma final sonolenta, Novak Djokovic foi questionado sobre as declarações do CEO de Indian Wells. Sua declarações navegam entre o corajoso, o machista e o impróprio. A íntegra da coletiva está aqui. As partes mais importantes estão abaixo.

“Igualdade de premiação foi o principal assunto no tênis nos últimos sete, oito anos. Passei por esse processo também, então entendo quanta força e energia a WTA e todos que advogam por premiação igual investiram para alcançar isso. Eu as aplaudo por isso. Honestamente. Elas lutaram pelo que merecem e conseguiram. Por outro lado, acho que nosso mundo do tênis masculino, o mundo da ATP, deveria lutar por mais porque as estatísticas mostram que temos mais espectadores nas partidas masculinas. Acho que essa é uma das razões pelas quais deveríamos receber mais. Mas não podemos reclamar porque também temos ótimos prêmios em dinheiro no tênis masculino.”

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Djokovic aparentemente caiu numa contradição ao aplaudir as mulheres e, logo em seguida, dizer que os homens merecem mais. Digo aparentemente porque ele se explica (ou tenta se explicar) na resposta seguinte, quando lhe perguntam se a premiação não deveria ser igual.

“Minha resposta não é ‘sim e não’. É ‘mulheres devem lutar pelo que acham que merecem e nós devemos lutar pelo que acreditamos que merecemos.’ Acho que enquanto for assim e houver dados e estatísticas disponíveis sobre quem atrai mais atenção, espectadores, quem vende mais ingressos e coisas assim, é preciso que seja distribuído justamente com base nisso.”

E, logo na sequência, o número 1 do mundo responde com “absolutamente”, que mulheres deveriam ganhar mais do que homens se as estatísticas mostrarem que elas atraem mais atenção (e dinheiro, claro) do que homens. Depois disso, Nole ainda se atrapalha ao tentar mostrar respeito pelas mulheres, dizendo que “seus corpos são muito diferentes” e “elas precisam passar por muitas coisas diferentes que nós (homens) não precisamos. Vocês sabem, hormônios e coisas diferentes, não precisamos entrar em detalhes.”

Mulheres não decidem

Moore acabou pedindo demissão na segunda-feira, pouco mais de 24 horas depois de suas declarações atabalhoadas. No comunicado oficial divulgado pelo torneio, Larry Ellison, dono do evento, citou Billie Jean King e sua “campanha histórica” pela igualdade no tênis. “O que se seguiu foi um movimento progressivo, de várias gerações e em andamento para tratar mulheres e homens igualmente no esporte.” O bilionário também lembrou que Indian Wells paga o mesmo a homens e mulheres há uma década. A íntegra do comunicado está aqui.

A saída de Moore parece uma resolução adequada para um caso embaraçoso e que poderia, quem sabe, provocar um boicote feminino ao torneio em 2017. Um torneio desse porte, que já ficou tanto tempo sem as irmãs Williams, e que inclusive cogita estar em um patamar ainda maior, não se pode dar ao luxo de permitir outro cenário que prejudique sua imagem.

Dito tudo isto, há dois pontos que ajudam a entender – pelo menos parcialmente – a origem da queixa de alguns homens por prêmios maiores. O primeiro: a última grande negociação por aumento de premiação nos Slams foi liderada pelos integrantes da ATP (com direito a ameaça de boicote). O segundo: tenistas e dirigentes ouviram de executivos dos Slams que seria possível até aumentar a premiação um pouco mais (do que já foi elevado), só que os torneios se viam de mãos atadas porque precisavam igualar as quantias pagas às mulheres.

Resumindo: parte da ATP guarda essa, digamos, mágoa de não ver sua premiação tão alta por causa do circuito feminino. Essa explicação, afinal, foi dada pelos próprios torneios. Não, não justifica o comportamento de Moore, que foi preconceituoso e atabalhoado tanto no que disse quando na maneira como se colocou. No entanto, tendo em vista essa recente negociação, ele não está totalmente equivocado quando diz que as mulheres não decidem.

O mercado livre de Djokovic

Antes de mais nada, é preciso esclarecer um ponto que foi meio distorcido por aí sobre o que declarou o número 1 do mundo. Djokovic não disse pura e simplesmente que “homens devem ganhar mais do que mulheres''. Para o sérvio, não é uma questão de sexo, mas uma relação de mercado, de oferta e demanda. Ele diz se basear em números que provam que o circuito masculino hoje é mais atrativo e, consequentemente, faz mais dinheiro circular. Mas também afirma que se os números fossem inversos, as mulheres deveriam receber mais.

É um mar perigoso para Djokovic navegar e é preciso admirar, nem que por um breve instante, sua coragem de tirar o iate milionário do cais de Monte Carlo e encarar essas ondas traiçoeiras. Gosto da tese do sérvio – enquanto tese. Quem tem mais procura deve cobrar mais. Usando um exemplo assexuado, quem deve cobrar mais pelos direitos de transmissão: a Champions League ou a Libertadores? A melhor competição, com mais mercado, deve cobrar mais. Simples assim.

O comunicado oficial da ATP sobre a polêmica (vide tuíte acima) deixa claro que a entidade adota a mesma linha de pensamento do sérvio. Por isso, ressalta que “operamos no negócio de esporte e entretenimento'' e que “respeita o direito dos torneios de tomarem suas próprias decisões em relação à premiação em dinheiro para o tênis feminino, que é um circuito separado.''

Digo dois parágrafos acima que gosto da ideia de mercado livre “enquanto tese” porque essa teoria não funciona na prática quando comparamos gêneros diferentes na mesma modalidade. Nossa sociedade, de modo geral, não consegue fazer isso. A maioria, infelizmente, ainda vê o esporte masculino como superior, mais desenvolvido, mais atrativo.

Há aspectos históricos e culturais que contribuem para isso. Muito dessa visão centralizada no esporte masculino vem de preconceitos que se arrastam desde um passado ainda mais machista, de quando reinavam noções de que tal esporte não é para moças de bem, que mulher não sabe dirigir, que tal atividade física é exigente demais para a biologia do corpo feminino e outros velhos “argumentos”.

Experimente, caro leitor, dizer a um amigo que você prefere curling feminino ao masculino.Depois volte aqui na caixinha de comentários e diga quanto tempo levou para ouvir uma piada sobre vassoura. São preconceitos como esses que fazem com que modalidades como futebol, automobilismo e basquete, tão populares entre os homens, sejam pouco procuradas, por exemplo, no Brasil. E não só isso. Esse machismo histórico também afasta investimentos. Homens, aliás, são maioria entre executivos responsáveis por direcionar verbas de patrocínio.

A teoria de Djokovic, se aplicada com 100% de justiça e eficácia, seria o reflexo de um planeta perfeito, de uma sociedade sem preconceitos. Mas alguém aí imagina isso acontecendo no mundo de hoje? Eu, não.

Slams: ingressos x premiação

O número 1 do mundo diz ter visto estatísticas. Não é difícil imaginar, de fato, que a ATP de Roger Federer e Rafael Nadal seja mais valiosa do que a WTA de hoje, mesmo com Serena Williams e Maria Sharapova sempre ocupando manchetes. Suíço e espanhol deram uma visibilidade monstruosa ao tênis masculino, conquistando e mantendo legiões de fanáticos. Sempre atuando em níveis absurdos, quebrando todos tipos de recordes.

Em sua coletiva após a final contra Azarenka (íntegra aqui), Serena lembrou que os ingressos para a final feminina do US Open do ano passado esgotaram antes dos bilhetes para a decisão masculina. Não me convence como argumento, embora a número 1 tenha razão ao recordar o legado de Billie Jean King e do efeito negativo que os comentários de Moore podem ter sobre mulheres atletas em todo mundo.

A questão dos ingressos do US Open ressalta o potencial das mulheres, mas o problema de citar uma única final (que, ainda por cima, teve a característica excepcional da possibilidade de uma tenista da casa completar o Grand Slam de fato) é se sujeitar ao contra-argumento de que, talvez, nos últimos cinco anos, as outras 19 finais masculinas esgotaram antes e tinham entradas mais caras.

Dito isto, há outra questão que pesa um bocado contra os homens nos Slams. Com exceção das finais, os ingressos são vendidos com antecedência e sem garantia de programação. Quem compra pode ver homens e mulheres de forma (quase sempre) igual. Além disso, há uma série de variáveis que afetam a quantidade de espectadores em uma determinada partida. Uma delas é o horário, algo estipulado pela organização do torneio. É quase impossível medir a diferença de interesse baseado nisso.

Portanto, é difícil imaginar os Slams dando esse passo para trás e diferenciando as premiações de homens e mulheres. É de se considerar também, obviamente, a questão do “politicamente correto” e da imagem que os eventos querem passar. Parece muito mais plausível, então, que os homens incomodados com a premiação atual questionem a ATP e os valores pagos em seus próprios Masters 1.000 ou ATPs 500. Mas será que os promotores têm “caixa” para bancar tudo que os astros do tênis acreditam merecer? Será que o circuito se sustentaria? Será?


Quadra 18: S02E04
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Alexandre Cossenza

O CEO de Indian Wells disse que as tenistas de hoje deveriam ajoelhar e agradecer por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido. Em seguida, Novak Djokovic reacendeu a polêmica da igualdade de prêmios entre homens e mulheres. No meio disso tudo, Victoria Azarenka derrotou Serena Williams em uma final, enquanto o número 1 do mundo venceu mais um Masters 1.000. Nas duplas, Marcelo Melo ficou a dois pontos de perder a liderança do ranking.

Com tudo isso para comentar, Sheila Vieira e eu (a Aliny estava se recuperando de uma lesão) gravamos este episódio do podcast Quadra 18, que cobre todos assuntos acima e ainda fala do doping de Maria Sharapova. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’14” – Sheila apresenta e lista os assuntos do dia e explica a ausência da Aliny
2’25” – Os comentários polêmicos do CEO de Indian Wells sobre a WTA
3’00” – “Bilionário que fica no camarote com uma menina de 12 anos”
8’08” – Cossenza: “A WTA tem uma parcela de culpa porque vendeu essa imagem durante algum tempo”
9’50” – As respostas de Azarenka e Serena
12’11” – Djokovic entra no assunto e provoca mais polêmica sobre premiação igual
13’40” – “Ele acabou de aplaudir as meninas, mas acha que homens devem lutar por um prêmio maior”
14’42” – Sheila: “Amigo, desce do muro”
16’30” – “Um dia, vou entender esse tabu para falar de menstruação”
17’25” – Cossenza fala sobre bastidores de negociação por prize money
19’30” – Cossenza concorda parcialmente com o raciocínio Djokovic, mas diz porque soa absurdo.
22’20” – Sheila cita história de limites impostos pela sociedade
23’20” – Maioria dos investimentos feitos no esporte são decididos por homens
26’05” – Sheila analisa a final entre Serena x Azarenka
28’25” – Cossenza lembra do point penalty e o risco de desclassificação de Serena
30’30” – O novo top 10 feminino e a volta de Azarenka
32’15” – O torneio masculino de Indian Wells e a conquista de Djokovic
33’00” – Djokovic x Nadal, a final antecipada, e a evolução do espanhol
34’45” – A fragilidade no saque, o principal problema de Rafa Nadal
36’30” – A decepção do torneio: Wawrinka ou Murray?
38’27” – A curiosa e “espetacular” Corrida para o Finals
40’05” – Nice Guys Finish Last (Green Day)
40’40” – Início do segundo bloco
40’56” – Áudio de Marcelo Melo e sua importante declaração
41’10” – Como o mineiro quase perdeu o posto de #1 do mundo
42’48” – As chances de Jamie Murray em Miami
45’05” – Os campeões de duplas em Indian Wells
45’20” – André Sá, vice-campeão do Challenger de Irving
46’30” – Bellucci, Rogerinho e Thiago Monteiro
48’10” – Sobre a cobrança e a expectativa em cima de Monteiro
50’00” – O duelo entre Bia e Teliana em Miami: bom ou ruim?
51’09” – Sheila: “A única maneira de lidar com essa loucura é fazer piada”
52’55” – A volta de Roger Federer e as mudanças em seu calendário
54’02” – A importância de ser número 2 do mundo para Federer
54’55” – O caso de doping de Maria Sharapova
57’40” – Sheila e Cossenza tentam adivinhar a punição de Sharapova
62’32” – A chance de Sharapova disputar os Jogos Olímpicos

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Nice Guys Finish Last (Green Day) e Game Set Match (YouTube Audio Libraby).