Saque e Voleio

Sorteio da Davis é pior do que parece
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Alexandre Cossenza

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Tecnicamente falando, A Argentina não era o pior adversário possível para o Brasil Na Copa Davis. David Nalbandian já deixou as quadras, Juan Martín del Potro raramente atua pela competição, e o país que já foi uma potência na competição hoje não tem um tenista que possa ser considerado um ponto certo em qualquer confronto que seja. Entre Leonardo Mayer, Federico Delbonis, Carlos Berloqc e Juan Mónaco, a Argentina tem muitas opções para formar uma equipe, mas nenhum dos quatro é imbatível, não importa o piso.

Aliás, o melhor piso deles é também o melhor para os brasileiros, o que não deixa de ser um fator facilitador para João Zwetsch. Assim como a falta de uma dupla confiável. No sábado, o Brasil será favoritíssimo. Chegamos, então, ao ponto em que o leitor faz a seguinte pergunta: se a Argentina não é mais a potência de antes e se eles também gostam do saibro, como o sorteio pode ter sido tão ruim?

O principal motivo é o local do confronto. Brasil e Argentina vão se enfrentar de 6 a 9 de março, quando ainda faz bastante calor por lá. Pior: Buenos Aires é uma cidade com índices altos de umidade. Todos sabemos, desde Chennai, o histórico de Thomaz Bellucci em lugares quentes e úmidos. Este ano mesmo, em fevereiro, o número 1 do Brasil vencia, mas abandonou sua partida de primeira rodada no qualifying do ATP 250 portenho sentindo o desgaste. Aliás, Bellucci só jogou na capital argentina quatro vezes. Só na primeira, em 2008, venceu jogos.

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Hoje, não parece lá muito provável que Bellucci consiga duas vitórias em condições tão adversas – sem contar a torcida local. Entretanto, faltam seis meses para o confronto. Não convém julgar nada cedo demais.

Mas não foi só na dificuldade que o sorteio atrapalhou o tênis brasileiro e seus fãs. Com o confronto fora do país, fica mais difícil a vida dos promotores dos ATPs de São Paulo e do Rio de Janeiro. O torneio fluminense, mais importante e com mais “poder aquisitivo”, sofre mais. Disputado duas semanas antes da Copa Davis, o evento poderia garantir um figurão interessado em chegar ao país cedo e fazer uma devida adaptação ao saibro e ao clima local. Havia a chance de o Brasil encarar Suíça, Sérvia ou República Tcheca por aqui. Logo, Roger Federer, Stan Wawrinka, Novak Djokovic e Tomas Berdych seriam nomes cobiçados e um tanto viáveis.

E não é só isso. Se Bellucci e cia. enfrentassem qualquer um dos outros 14 países do Grupo Mundial, existiria a possibilidade de a Argentina jogar em casa e trazer outros grandes nomes. Poderíamos ter, por exemplo, a Suíça jogando no Brasil enquanto a Sérvia estaria no país vizinho. Logo, haveria uma chance dupla de atrair grandes nomes.  Do jeito que ficou o cenário pós-torneio, tchecos e sérvios jogarão em casa, enquanto a Suíça viaja, mas sem sair da Europa.

Coisas que eu acho que acho:

- Nunca é tarde para lembrar deste momento fantástico em Roland Garros, no duelo entre França e República Tcheca. Não só pelo golpe de Gael Monfils, mas pela reação da torcida e pela festa do próprio tenista na sequência. Tipo de cena que só se vê em Copa Davis. Para lembrar para sempre.

- Outra noticia que agitou a semana foi a saída de Carlos Moyá como capitão do time espanhol. Sem conseguir montar uma equipe com os melhores atletas do país, o ex-número 1 do mundo deixou o cargo. Não li nada específico sobre uma rejeição dos tenistas ao nome de Moyá como capitão. A questão é que a geração atual espanhol parece ser composta ou por tenistas já satisfeitos com suas conquistas na Davis (Ferrer) ou indispostos ao sacrifício necessário para defender o país na posição de segunda opção (Robredo e Verdasco). Sem os lesionados Nadal e Almagro, a Espanha passa a ser um time “normal”, tão derrotável quanto qualquer outro fora de casa. É compreensível a atitude de Moyá. Se é para comandar uma equipe eternamente desfalcada e ser cobrado por resultados de times do passado, é melhor pedir o boné. Eu faria o mesmo.

- Os confrontos da primeira fase no Grupo Mundial de 2015 são os seguintes (times da casa mencionados primeiro): Alemanha x França, Grã-Bretanha x EUA, República Tcheca x Austrália, Cazaquistão x Itália, Argentina x Brasil, Sérvia x Croácia, Canadá x Japão e Bélgica e Suíça.


Em perspectiva
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Alexandre Cossenza

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A festa em quadra havia acabado pouco antes e ainda havia um bocado a festejar, mas o time brasileiro que colocou o país de volta no Grupo Mundial da Copa Davis chegou à sala de imprensa longe da euforia pós-match point. O champanhe não embriagou ninguém. A água gelada jogada na cabeça do capitão João Zwetsch não congelou seu cérebro. E, por isso, o time merece mais parabéns ainda.

Seria tentador vender uma vitória sobre a poderosa Espanha como um feito histórico. Épico. Só que ninguém do time fez isso. Zwetsch falou sobre o quanto é derrotar o time dos compatriotas de Rafael Nadal e de quanto orgulho sentia de seus jogadores por isso, mas fez questão de lembrar que seria quase impossível vencer a força máxima da Armada.

Zwetsch, aliás, poderia ter caído na tentação do “vão ter que me engolir”. Criticado pela escalação de Rogerinho, poderia ter desfilado arrogância na coletiva. Não o fez (e se fizesse, estaria errado, porque Rogerinho realmente esteve muito mal em quadra). E, quando indagado se Thomaz Bellucci sairia do confronto como um herói nacional, fugiu do exagero.

“Eu vejo as coisas muito mais simples. A gente às vezes tenta rotular certas coisas e enfim… Acho importante esse tipo de atuação, de vitória. Óbvio que o Thomaz foi um grande guerreiro, mas… (pausa) Né? Rotular como herói seria uma coisa complicada para ele mesmo. Acho que ele está dando o melhor de si, está crescendo a cada ano.” … “Que ele foi o grande responsável por ter feito dois pontos? Pode ter sido, mas todos fomos responsáveis.”

Bellucci tomou um rumo parecido em suas respostas. É claro que o número 1 do Brasil tinha consciência do tamanho de sua participação na vitória sobre a Espanha. Sem ele, estaríamos aqui pensando em mais séries contra Uruguai, Colômbia e Equador – aquelas que o Brasil ganha todos os anos. Ainda assim, Bellucci ressaltou que a maior parte de seu mérito foi administrar o nervosismo a ponto de jogar um tênis bom o bastante para vencer. E, após superar o número 15 do mundo, fez o que ninguém fez: reconheceu que Roberto Bautista Agut, seu oponente no domingo, não jogou tudo que podia.

“Você vê o Bautista… Hoje, pode ser que ele não tenha jogado o melhor tênis da carreira dele porque é difícil administrar a pressão que é jogar fora de casa, sendo número 1. Você viu que em muitos momentos ele não jogou um bom tênis. Lógico que eu tentei exigir o máximo dele, mas ele muitas vezes não conseguiu isso.''

Assim, enquanto tudo se assenta e os tenistas voltam à rotina do circuito, é importante colocar em perspectiva. A vitória foi muito, muito legal de acompanhar, especialmente porque Thomaz Bellucci esteve na direção certa para explorar todo seu potencial. E porque foi contra a Espanha, um país com peso considerável na Copa Davis e no cenário do tênis mundial. Porém, lembremos que foi contra um time C (ou D?) da Espanha, em casa, e com Thomaz Bellucci carregando a equipe, que continua sem um número 2 confiável.

O resultado foi excelente, mas pouca coisa mudou.

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Coisas que eu acho que acho:

- Já vimos casos de tenistas que passaram por ótimas experiências em Copas Davis e conseguiram excelentes sequências no circuito mundial. Por isso, é compreensível que muitos esperem o mesmo de Bellucci. Eu mesmo achei que isso aconteceria em 2012, quando o Brasil bateu a Colômbia em circunstâncias semelhantes. Feijão perdeu o primeiro jogo, e Bellucci esteve perdendo por 2 sets a 0 a partida seguinte. O número 1 do time, então, saiu do buraco e garantiu a vitória brasileira com duas grandes vitórias. O bom momento, no entanto, não durou por muito tempo. Bellucci até bateu David Ferrer em Monte Carlo, mas perdeu três jogos seguidos, desistiu mentalmente de um jogo em Nice e acabou eliminado nas primeiras rodadas de Roland Garros e Wimbledon.

- No Grupo Mundial, o Brasil enfrentará na primeira fase, em 2015, um dos oito cabeças de chave. Caso seja sorteado para enfrentar Estados Unidos, Itália, Repúclica Tcheca ou Suíça, jogará em casa. Em caso de encarar Argentina, França ou Canadá, o confronto será fora do Brasil. Se o adversário for a Sérvia, um segundo sorteio definirá o local.


Força de número 1, “cara” de Bellucci
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Alexandre Cossenza

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Thomaz Bellucci sempre soube e disse a todos que quiseram ouvir desde que chegou a São Paulo. Uma vitória brasileira sobre a Espanha, em casa e no Ibirapuera, passaria quase necessariamente por dois pontos vindos de sua raquete. E, no fim das contas, depois de polêmicas, dramas, um match point salvo por centímetros e até fantasmas, foi o que aconteceu. O dono do time, o número 1 do país, saiu de quadra com seus dois pontos em um dos bolsos. No outro, a vaga do Brasil no Grupo Mundial, a primeira divisão da Copa Davis. Vitórias com a postura típica de um líder e com todas marcas registradas de Thomaz Bellucci.

Se não foi tecnicamente espetacular no primeiro jogo, o paulista aproveitou as mais importantes chances que teve. Escapou da derrota por um fio e, em melhores condições físicas do que o adversário (algo sempre importante de ressaltar porque não acontece sempre), arrancou uma virada em cinco sets, lembrando aquela sobre Alejandro Falla, em Rio Preto, onde também evitou que o Brasil terminasse o primeiro dia perdendo por 2 a 0.

O desafio deste domingo era mais complicado do que aquele do interior. O adversário era Roberto Bautista Agut, número 15 do mundo, dono de um currículo com pouquíssimas derrotas para adversários de ranking inferior. Começou errático e viu o espanhol abrir 4/1, mas logo mudou o rumo da partida. Começou a agredir mais e tirou o oponente de sua zona de confronto. Logo, o espanhol se viu forçado a atacar mais e, consequentemente, errou mais. Sacando bem e atacando melhor ainda (à exceção das costumeiras curtinhas fora de hora e/ou mal executadas), tomou conta do jogo. Venceu cinco games seguidos e fez 6/4.

O segundo set foi instável, mas que graça teria um jogo de Bellucci sem momentos assim? Ainda assim, nem quando Bautista Agut abriu 5/1, a superioridade do espanhol era evidente. O brasileiro teve break points em três games diferentes, mas converteu tarde demais. O espanhol fez 6/3. Paciência. Não era o caso de mudar a postura, e o número 1 do Brasil não mudou. Seguiu na montanha russa, confiando em fazê-la funcionar a seu favor, e assim foi no terceiro set. Uma quebra para cá, outra para lá, e Bautista piscou no 3/4, depois de abrir 40/0. Bellucci capitalizou.

E o jogo nunca perdeu a “cara” de Thomaz Bellucci. Atacando e aceitando a relação winner/erros não forçados do jeito que estava, o brasileiro trouxe Bautista Agut para o seu jeito de jogar. Foi nervoso, mas deu certo. Nos seis primeiros games, conseguiu duas quebras, perdeu um saque e salvou cinco break points. Abriu 4/2. Quando soltou um backhand kamikaze na paralela e quebrou o espanhol outra vez, aumentou de vez o volume do Ibirapuera e levou seu time – seu mesmo! – de volta à elite.

Coisas que eu acho que acho:

- Obviamente, não dá para esquecer a participação essencial de Bruno Soares e Marcelo Melo, que venceram uma parceria fortíssima e contribuíram para que o time não dependesse de uma vitória do segundo simplista brasileiro. Esperar algo do quinto jogo, entre Rogerinho (ou Clezar, ou ainda Feijão, mesmo em melhor fase) e Pablo Andújar, não era o melhor dos cenários.


O espírito de equipe
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Alexandre Cossenza

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Se há algo inegável quando falamos da equipe brasileira que disputa a Copa Davis, é a união dos jogadores. E todos que estão no time em São Paulo, para este confronto contra a Espanha, reforçam, de um modo ou de outro, a importância do espírito de equipe. Algo que ficou mais claro do que nunca quando Marcelo Melo, ao fim da coletiva deste sábado, pediu o microfone para sair em defesa de Rogerinho – e de sua convocação. Segue abaixo, na íntegra, a declaração do duplista número 1 do Brasil:

“Gostaria só de salientar um negocinho (risos). Muito se falou do Rogerinho. Ontem, nós fomos embora (do Ibirapuera) depois do segundo set do Thomaz porque nós jogaríamos hoje e não daria para ficar até o fim. E o que é o espírito de equipe de Copa Davis? Eu pude ver pela televisão… O Rogerinho não fez um belo jogo, mas o que ele fez no banco não é qualquer jogador que faz. Ele estava lá apoiando o Thomaz, levantava os dois braços, subia na cadeira… Isso mostra o que é espírito de equipe de Copa Davis. Cada jogador tem a sua influência, e esse é um dos motivos (pelos quais) também ele está nesta equipe. Eu acho importante frisar. Muito se bombardeou ele. Muito que ele fez ontem no banco… Muitos jogadores iriam se retrair no vestiário ou lamentar. Ele foi lá, ergueu o braço várias vezes apoiando o Thomaz, mostrando o que é espírito de equipe. Acho que vale a pena salientar isso, mostrando que nossa equipe está unida.”

Depois da derrota para Roberto Bautista Agut na sexta-feira, especialmente pelo modo como a partida se desenrolou, é importante que o time levante os ânimos de Rogerinho, escalado para o quinto jogo. É bem verdade que o Brasil tem mais chances de fechar o confronto com Thomaz Bellucci, mas não será nada espantoso se Bautista Agut, número 15 do mundo, levar a melhor e mantiver a Espanha viva. Se isto acontecer, Rogerinho faz a partida decisiva contra Pablo Andújar, que saiu de esgotado depois de passar 4h em quadra na sexta-feira. Se conseguir mostrar o tênis que não apareceu no início do confronto, Rogerinho tem, sim, chances. Por isso, é perfeita a postura de Marcelo Melo.

Coisas que eu acho que acho:

- Não conversei com Marcelo após a coletiva, mas é possível interpretar o discurso do mineiro como uma pista de um dos motivos pelos quais o capitão João Zwetsch deixou João Souza, o Feijão, fora do time. Porém, como Zwetsch jamais citou fatores extraquadra para justificar sua escalação, muita coisa segue no reino da especulação. Pode ser que uma hora, mais tarde, algo a mais venha à tona.


Uma dupla em sua melhor definição
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Alexandre Cossenza

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Houve um voleio dificílimo que empurrou Marc López de volta para o fundo de quadra. Houve também o grito de “deixa!” seguido de um fortíssimo smash quase de costas. E a direita que acertou as costas de David Marrero para ganhar o ponto. E a devolução vencedora que encaminhou uma quebra no segundo set. E o pique para alcançar uma curtinha e matar o ponto com um slice fundo de direita. E o voleio, cruzando a rede, que decidiu o jogo na prática.

Do começo ao fim, Marcelo Melo foi a estabilidade da dupla brasileira. O melhor em quadra. O número 1 do país nas duplas brilhou, claro, mas foi sólido mesmo quando não estava executando um golpe improvável. Sempre exigiu algo a mais dos espanhóis. Foi estupendo mais lhe exigiram.

Bruno Soares, por sua vez, pulsou. Fez pontos espetaculares, errou bolas fáceis. Fez séries memoráveis de voleios defensivos e falhou em devoluções quando tinha break points. Chegou a gritar “vai, vai!” quando não devia e deixou bolas que eram suas, mas quando brilhou trouxe ele o público. Berrou, levantou os braços, deixou o Ibirapuera ali juntinho o tempo inteiro.

E, no momento mais delicado, depois de uma falha boba no 4/5 do segundo set, respondeu com três pontos perfeitos. Foi dele, também, o smash que quebrou o serviço de Marc López e deu ao Brasil dois sets de vantagem.

Marcelo Melo e Bruno Soares nem sempre brilharam na mesma intensidade, mas fizeram o mais difícil – e ao mesmo tempo o mais necessário -, que foi jogar como uma parceria equilibrada de fato. Um deu a base. O outro, a faísca. Na vitória por 6/3, 7/5 e 7/5 sobre López e Marrero, os dois mineiros foram a dupla perfeita.

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Coisas que eu acho que acho:

- Com a vitória nas duplas, o Brasil abre 2 a 1 no confronto e fica na melhor posição possível para vencer e voltar ao Grupo Mundial. O time agora “só'' depende de uma vitória de Thomaz Bellucci contra Roberto Bautista Agut, número 15 do mundo. Não é uma tarefa nada, nada fácil, mas é desde sempre o cenário mais provável para um triunfo brasileiro: dois pontos de Bellucci e um das duplas. Caso o número 1 do país seja derrotado, Rogerinho volta à quadra com uma chance de se redimir do vexame de sexta-feira e decidirá a série contra Pablo Andújar.


Zwetsch empurra culpa para “fantasmas”
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Alexandre Cossenza

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Logo após derrotar Pablo Andújar de virada e empatar o confronto entre Brasil e Espanha, Thomaz Bellucci compareceu à entrevista coletiva acompanhado pelo capitão João Zwetsch. A maioria das perguntas foi sobre a vitória do número 1 do país e o comportamento da torcida. O capitão, no entanto, respondeu uma questãozinha sobre a atuação de seu número 2. O mesmo Zwetsch que afirmou uma semana atrás que Rogerinho sempre elevava seu nível em jogos de Copa Davis teve de dizer que não foi o caso nesta sexta-feira, quando Roberto Bautista Agut aplicou 6/0, 6/1 e 6/3 em uma das atuações mais vergonhosas de um tenista brasileiro jogando em casa na Copa Davis. Zwetsch, no entanto, culpou fatores extraquadra. Suas respostas e minha segunda pergunta estão abaixo.

“Surpreendeu, claro. A derrota já era esperada. Era muito difícil um jogador nosso, número 2, jogar contra um número 15 do mundo, mas da maneira como foi realmente surpreendeu. O Rogério não conseguiu se encontrar em quadra. O Bautista não deu espaço, mas isso já era uma coisa esperada. Acho que pela primeira vez, né, talvez com a ajuda de outras coisas que envolveram, ele não conseguiu jogar o bom tênis que ele pode apresentar. Nos treinamentos durante a semana, ele estava muito bem. Inclusive contra o Thomaz ganhou set e tal.”

“Que outras coisas, você pode dizer?''

“Fantasmas, coisas desse tipo assim. Aparecem à noite, é perigoso. À noite, em São Paulo, é perigoso.”

A segunda resposta veio com um leve sorriso, que não sei dizer o que significa. A impressão que ficou é que Zwetsch estava se referindo às muitas críticas que sofreu durante a semana, depois que foi revelada a ausência do número 2 do país, João Souza, o Feijão, do time. Críticas que vieram de jornalistas (inclusive neste espaço aqui), ex-jogadores, comentaristas, treinadores e do próprio Feijão. Críticas que, consequentemente, jogaram meia dúzia de bigornas nos ombros de Rogerinho, que chegou ao confronto em um mau momento, sem conseguir derrotar um top 200 no circuito mundial desde junho.

Repito: não sei se Zwetsch referia-se a essa pressão extra que caiu em Rogerinho. E não sei porque ele, o capitão, não quis dizer. Mas se foi isso mesmo, soa como empurrar a culpa para todos que criticaram uma convocação estranha – não só pelo mau momento de Rogerinho, mas pelas condições do confronto (indoor, com altitude de São Paulo) que não o favoreciam. Parece-me uma lógica às avessas. O capitão escala um atleta em fase ruim, e a culpa é de quem questionou a escalação? Não me parece muito inteligente.

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(mais) Coisas que eu acho que acho:

- Não é raro ver um tenista fazer grandes exibições na Copa Davis e levar o bom momento para o circuito mundial. O que acontece, então, com os ânimos de Rogerinho depois de uma derrota como essas? Culpamos os fantasmas também?

- Escrevi ontem e repito agora para que ninguém distorça. Estou longe de dizer que Feijão, apesar de estar em momento obviamente melhor, derrotaria Roberto Bautista Agut, 15º do ranking. Quem quer que fosse nosso número 2, o placar do confronto dificilmente estaria melhor do que o 1 a 1 deste sábado. Ainda assim, acho que foi um desastre colocar Rogerinho em quadra e deixá-lo exposto a esse tipo de vexame.

- Curiosamente, até Carlos Moyá cornetou a escalação de Zwetsch. O capitão espanhol, que revelou conhecer pouco Rogerinho, disse na coletiva que Guilherme Clezar parecia ter mais potencial para vencer uma partida neste confronto.

- A situação de Zwetsch só não ficou muito mais complicada porque Bellucci salvou um match point com uma bola que tocou na linha, mudou de trajetória e forçou Andújar a um erro. A sorte ajudou o Brasil, e o número 1 do país aproveitou para completar o serviço com muita competência.

- Com o confronto empatado em 1 a 1, o panorama para o Brasil não é dos piores. Se Marcelo Melo e Bruno Soares vencerem neste sábado – e as chances não são nada ruins -, bastará um triunfo de Bellucci sobre Bautista Agut no domingo. Assim, o time nem precisaria contar com Rogerinho no quinto jogo. Não será fácil, mas está longe de ser a maior zebra da história.


Salvos por centímetros
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Alexandre Cossenza

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Thomaz Bellucci saca com match point contra e troca bolas com Pablo Andújar até que manda uma mais funda. Certamente mais funda do que gostaria. A amarelinha toca de mais no saibro do que na linha, deixando aquela marca parcial fora da quadra. Mas a bola raspa o suficiente para mudar de direção e forçar o erro do tenista espanhol. No game seguinte, Andújar perde o saque. Bellucci confirma o seguinte e força o quinto set. Trinta e oito minutos depois, o número 1 do Brasil completa a virada, vence por 3/6, 6/7(6), 6/4, 7/5 e 6/3, salva a pele do capitão e evita o que seria um dia para São Paulo esquecer na Copa Davis.

A tarde que começou com o vexame de uma escalação monstruosamente errada terminou com o time brasileiro e sua torcida de esperanças renovadas, confiantes em uma vitória de Marcelo Melo e Bruno Soares no sábado, na partida de duplas, e seguramente em mais uma vitória do número 1 do país no domingo, contra Roberto Bautista Agut. Sim, leitores: o Brasil está vivo e com chances interessantes de derrotar a Espanha e voltar ao Grupo Mundial, a primeira divisão do tênis mundial.

O triunfo de Thomaz Bellucci foi daqueles típicos de Thomaz Bellucci. E, por que não, típico de Copa Davis. Um jogo com o brasileiro errático no primeiro set e perdendo chances no segundo. Andújar, se não foi brilhante, teve a competência necessária para abrir 2 sets a 0. Só que o espanhol voltava de lesão (abandonou seu jogo no US Open) e, no terceiro set, já indicava que não resistiria por muito tempo. Passou a errar mais, e a coisa toda mudou. O tenista da casa, que também começou a sacar melhor, teve mais chances para agredir.

Poderia ter sido até um pouco mais fácil, não fossem o exagero da torcida e uma decisão ousada de Jake Garner, o árbitro de cadeira. Com tantos gritos da torcida entre os saques de Andújar, o americano mandou voltar um ponto. Pouco depois, repetiu a dose quando o espanhol encarava um break point. O visitante, que não ouviu a ordem do árbitro, cometeu uma dupla falta, mas teve a segunda chance e salvou o saque. Até que Bellucci teve 4/5, encarou o tal match point e salvou-se por centímetros. A partida, que já caminhava em outra direção, tomou de vez o rumo do time da casa. Dali em diante, Andújar era uma sombra de jogador. Cansado, mas em melhores condições físicas que o rival, o número 1 do Brasil, ainda que com um ou outro deslize, cumpriu seu papel competentemente e festejou após 4h02min.


Um começo desastroso
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Alexandre Cossenza

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Já havia mais de 45 minutos de partida quando Rogério Dutra Silva confirmou seu saque. Levantou os braços, comemorou e riu. Não sei exatamente por que. Talvez porque chorar em quadra pegaria mal. Talvez para aliviar a pressão. Talvez porque não soubesse como reagir. Pareceu espontâneo. Também pareceu trágico. Rir no Estádio Arthur Ashe perdendo de Novak Djokovic ou Rafael Nadal é uma coisa. Compreensível. Rir defendendo o país em casa e levando 6/0 e 5/0 de Roberto Bautista Agut não parece tão engraçado assim.

Este 6/0, 6/1 e 6/3, em 91 minutos, foi, de longe, a mais vergonhosa partida de Copa Davis que vi de um brasileiro (ênfase no “eu vi”, por favor). Rogerinho tentou alongar as trocas e não conseguiu. Tentou atacar, falhou. Tentou se defender… Já deu para entender, certo? Listar as estatísticas nem começaria a descrever o que aconteceu. O que se viu foi um tenista em má fase (não ganha de um top 200 desde junho), pressionado por ocupar uma vaga de uma convocação (justamente) polêmica, em um péssimo dia e em condições de jogo (indoor com altitude) que não ajudariam seu tênis nem em um bom momento. Foi, sem dúvida, uma maneira desastrosa de começar um confronto justamente no dia do aniversário do capitão João Zwetsch, que bancou Rogerinho mais por serviços prestados do que por méritos técnicos.

Não tenho a mínima intenção de cair no oportunismo barato e dizer que Feijão ganharia este ponto ou que a partida seria muito diferente fosse o número 2 do Brasil em quadra. Roberto Bautista Agut é número 15 do mundo, seria favorito contra qualquer brasileiro em qualquer torneio do circuito mundial. É inegável, contudo, que a aposta de Zwetsch não vingou. E mais: se precisar voltar para quadra no quinto ponto, Rogerinho conseguirá lidar com a pressão de ocupar um lugar contestado e, além disso, com as memórias de uma atuação muito abaixo das expectativas nesta sexta-feira? Não parece muito provável.

Coisas que eu acho que acho:

- Na hora de justificar sua convocação, João Zwetsch afirmou que confiava em Rogerinho para aguentar fisicamente um jogo de 4h contra um espanhol. No dia, postei no blog que não me parecia razoável apostar em jogos longos na altitude de São Paulo e em quadra indoor. O fato é que tecnicamente Rogerinho resistiu apenas por 1h31min contra Bautista Agut.

- Não acho que Thomaz Bellucci entre em quadra mais pressionado por causa da derrota de Rogerinho. No fundo, no fundo, ninguém esperava um ponto brasileiro logo nesta partida inicial.


Frases de Copa Davis
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Alexandre Cossenza

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O pequeno mistério foi desfeito, e Rogerinho foi confirmado como segundo simplista do Brasil no confronto deste fim de semana contra a Espanha, válido pelos playoffs da Copa Davis – quem vencer, fica no Grupo Mundial e vê o adversário voltar para o Zonal, uma espécie de segunda divisão.

Chamo de “pequeno mistério” porque não faria sentido Zwetsch escalar o jovem Guilherme Clezar depois de todas declarações que deu elogiando Rogerinho, inclusive afirmando que, desde o último confronto, no Equador, só uma situação muito especial tiraria o paulista deste duelo com a Espanha. A real dúvida desta quinta-feira estava na escalação dos visitantes, que ficaram sem Granollers por causa de uma lesão. Assim, o capitão Carlos Moyá escalou Pablo Andújar e Roberto Bautista Agut nas simples. David Marrero e Marc López jogarão no sábado contra Marcelo Melo e Bruno Soares.

O sorteio desta quinta-feira decidiu que Rogerinho e Bautista Agut farão o primeiro confronto no Ibirapuera. O segundo jogo é entre Bellucci e Andújar. No domingo, Bellucci e Bautista fazem o primeiro jogo, com Rogerinho e Andújar se enfrentando em um eventual quinto jogo. Os jogos começam às 16h na sexta-feira, às 14h30min no sábado e às 14h no domingo.

A coletiva, em seguida, não teve lá muitas surpresas. Rogerinho, ocupando a vaga mais polêmica dos últimos tempos, não se mostrou muito disposto a falar. Bellucci e Zwetsch reforçaram o discurso do “torcida a favor faz diferença”. Moyá, com uma equipe que está longe de ser a principal da Espanha, adotou a postura politicamente correta e disse que os integrantes de seu time atual estão capacitados para vencer o confronto.

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O único momento curioso veio quando Bellucci não lembrava de um duelo anterior com Bautista Agut. Quando lembrado por um jornalista que os dois se enfrentaram no US Open/2013, com vitória do espanhol por 3 sets a 0, o número 1 do Brasil riu e disse “é verdade, tomei um pau dele”. Provocou gargalhadas de todos na sala. Abaixo, uma seleção das declarações mais relevantes.

Rogerinho, sobre começar os treinos sem saber que iria jogar
Estou tranquilo. Sabia que iria ser uma disputa sadia, e o João iria escolher quem estivesse melhor na semana. Estou me sentindo bem. Agora é fazer uma boa partida e tentar sair com a vitória.

Rogerinho, sobre a pressão de ocupar uma vaga contestada
Jogar Copa Davis sempre tem pressão. é uma competição totalmente diferente e você tem que estar bem, cara. Você tem que estar preparado para jogar. Minha função aqui é chegar, estar bem, treinar melhor ainda e tentar sair com a vitória. Acho que essa é a minha função. O resto eu não tenho muito que ficar olhando, escutando, enfim…

João Zwetsch, sobre o quanto o ranking pesa no confronto
Ranking obviamente que faz diferença, mas dentro de um jogo de Copa Davis isso pode ser superado de certa forma ou equilibrado de uma certa forma pela questão emocional, pela questão física, de competitividade, de superação, que estão sempre muito presentes em partidas de Copa Davis. A gente sabe que o Rogério e o Thomaz estão cada vez melhores nisso. O Rogério tem uma característica muito legal que é essa da superação. Em todas oportunidades que jogou a Copa Davis, elevou seu nível, buscou uma situação até de um certo conforto dentro da quadra numa competição em que não é tão fácil isso acontecer.
O Thomaz, não precisa nem falar. A cada jogo, a cada confronto, vem crescendo. Está jogando um tênis de nível altíssimo de novo. Jogos de Copa Davis são diferentes. Mas obviamente, a questão técnica sempre tem seu valor e seu espaço dentro desse contexto.

João Zwetsch, sobre a inexperiência do time espanhol em Copa Davis
Pode (fazer diferença), sim. Sem dúvida. Entra um pouco na pergunta anterior. O Bautista, em Copa Davis, ainda não tem uma experiência muito grande, apesar de estar jogando num nível muito alto. Talvez aí seja um exemplo a mais de como a Copa Davis é diferente do circuito. O Andujar é um ótimo jogador também, mas sem experiência em Copa Davis. Enfim, essas situações foram aparecendo na nossa frente nos últimos dias e tomara que a gente consiga… É para isso que a gente está a cada dia se preparando melhor e construindo bem melhor uma equipe para entrar no confronto e trazer essas situações para o nosso lado. Acho que a presença da nossa torcida, em casa… Essas situações podem faezr um pouco de diferença. Tomara que isso se concretize no fim de semana, e a gente possa buscar aproveitar as chances que a gente vai ter no confronto.

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Bruno Soares, sobre a entrada de Marrero no lugar de Granollers
Muda muito mais o estilo de jogo deles do que a dificuldade do confronto. O Marcel e o Marc vêm jogando há um bom tempo no circuito, mas o Marc já jogou muito com o Marrero também. Inclusive eu e o Marcelo, a gente já enfrentou eles no circuito em 2011, no saibro. A parte estratégica nós vamos ter que conversar e repensar, estudar a melhor forma de enfrentá-los. No quesito dificuldade, vai ser pedreira do mesmo jeito. Acho extremamente importante o Marcelo e eu, a gente focar muito mais nas coisas que a gente tem que fazer, a maneira com que a gente vai encarar essa situação, do que nas coisas que eles vão fazer. Acho que isso aí, ao longo do jogo, a gente vai conseguir perceber. Copa Davis tem o capitão dentro de quadra, que nos ajuda a enxergar alguma coisa que pode estar acontecendo. A meu ver, é focar nas coisas que a gente tem que fazer e pode fazer de bom.

Marcelo Melo, sobre o mesmo assunto
O nível praticamente vai ser o mesmo. Só muda um pouco a maneira de jogar. O Marrero não tem o mesmo estilo do Marcel, mas a gente já conhece bem como os dois jogam. É só repensar um pouco na estratégia e ir para cima deles.

Thomaz Bellucci, sobre as frustração que a torcida tem com ele e a preparação psicológica para o confronto
Estou bem. Acho que a sensação de estar dentro de quadra defendendo o Brasil já aconteceu muitas vezes comigo. Isso só vai me trazer mais energia e motivação. Tenho que olhar para a vitória, e não posso olhar e ficar pensando se vou frustrar a torcida se perder ou ganhar. Dentro da quadra você não pode ficar pensando em coisas extraquadra. Estou preparado para o confronto, já joguei jogos importantes também, então vai ser um fator muito importante estar com a torcida a meu favor. Pode ser decisivo a meu favor.

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Thomaz Bellucci, sobre o confronto com Pablo Andujar
O Pablo, por ele estar jogando a primeira vez a Copa Davis, é uma incógnita. Alguns jogadores podem render mais ou render menos. O emocional é importante. Espero um jogo complicado. O Pablo é um cara que já teve bons resultados, ganhou Gstaad este ano, que é um torneio com condições muito parecidas com São Paulo. Ele é muito sólido no saibro, mas ao mesmo tempo o fator da torcida pode ser muito relevante para ele. Isso pode incomodar um pouquinho nesse quadra.

Thomaz Bellucci, sobre Roberto Bautista Agut
Sobre o Bautista, nunca joguei com ele, mas já treinei várias vezes. É um jogador muito perigoso… (interrompido)
“Você já jogou com ele, no US Open, não foi?”, lembrou um jornalista.
Nossa, é verdade, nem lembrava. Tomei um pau dele lá no US Open. Mas são condições bem diferentes do US Open. É outro momento, uma situação totalmente diferente. Estou jogando dentro de casa. Altura, bola diferente. Vai ser totalmente irrelevante. A torcida contra pode fazer a diferença para o nosso lado.

Carlos Moyá, sobre a responsabilidade de manter a Espanha no Grupo Mundial
Sempre há essa pressão. A Espanha, obviamente, com o potencial que tem, praticamente estamos obrigada a vencer todos os confrontos, sejam onde forem. Jogadores seriam titulares na maioria das equipes que estão no Grupo Mundial. Entendo que me pergunte, mas todos estão capacitados para dar um passo adiante. Estamos aqui com muita vontade de ganhar essa eliminatória.


Marin Cilic: transformação, otimismo e inspiração
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Alexandre Cossenza

on September 9, 2014 in New York City.

Ver Marin Cilic desferir um, dois, três aces forehands é um pouco como parar na frente daquelas barracas dos parques de diversão. O cidadão paga, ganha 200 argolas e tenta – sem sucesso, mas sem parar, numa espécie de transe – arremessar e fazer com que uma delas, umazinha só, fique encaixada numa garrafa de Coca-Cola. No US Open, Cilic foi como aquele sortudo da noite, o único cidadão que voltou para casa com um tigre branco de pelúcia gigante.

Forehand após forehand, ace após ace… Você, que vê tênis toda semana, acostuma-se a ver o grandão – Cilic, Berdych, Del Potro, Isner, Karlovic, Querrey, você escolhe – bater duas, três bolas assim até inequivocadamente mandar um míssil na rede ou dois palmos além da linha de base do adversário. Jogar atacando quase como um kamikaze, como se cada um dos golpes precisasse ter a força necessária para ser um winner, é para poucos.

Rafael Nadal, Novak Djokovic, Andy Murray, Roger Federer… Todos esses têm consistência o bastante para, na maioria das ocasiões, alongar uma partida até o ponto em que o adversário “esfria”. Os golpes perdem a precisão, o adversário passa a se defender menos, bate o pânico. O próprio Marin Cilic conhece bem a sensação. Mas não. Não neste US Open. E não foi questão de sorte. O croata “zerou'' o joguinho das argolas. Em três tentativas, ganhou três tigres para despachar no avião e levar para casa.

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Durante a última semana em Flushing Meadows, o croata de 1,98m jogou como precisava, desafiando as probabilidades. Como nunca havia feito por tanto tempo e, ao mesmo tempo, como sempre quis (e precisou). No fim, depois de dez sets (quase) perfeitos contra Simon, Berdych, Nishikori e até Federer, contra quem jamais havia triunfado, deitou-se no chão do Estádio Arthur Ashe e gritou e comemorou. Era, como ele diria na coletiva, o pico do planeta, o topo.

E a história do título de Cilic faz-se especial por um bocado de motivos. O primeiro dele foi a coragem de mudar. Depois de testar positivo em um exame antidoping e levar uma suspensão (posteriormente reduzida para 120 dias), o croata apostou em Goran Ivanisevic como técnico. O campeão de Wimbledon disse que o novo pupilo precisava atacar mais.

Hoje, Cilic conta que não foi fácil. “Eu pensava mais na tática, uns 70%, e pensava no meu jogo em uma porcentagem menor. Então começamos a trabalhar juntos. Não foi fácil mudar minha perspectiva e minha maneira de pensar. Precisei de cinco, seis meses de torneios para absorver e saber, dentro da quadra, que esta é a maneira certa para eu jogar.”

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A influência de Ivanisevic também faz-se notar no serviço de Cilic. Um lançamento mais curto e um movimento de braço mais rápido e natural deram ao croata uma arma ainda mais precisa, mais mortal. “Ele está pegando a bola mais cedo, não andando para trás depois dos saques. Ele nunca será um jogador de saque e voleio, mas é preciso ter na cabeça que é necessário andar para a frente”, disse o treinador, segundo o Wall Street Journal.

Outra parte cativante – minha preferida – do triunfo croata em Nova York foi a recusa de Cilic a mostrar mágoa ou rancor sobre sua punição. Quando indagado sobre o assunto na coletiva pós-final, resumiu-se a dizer coisas do tipo “eu só esperava estar de volta ao circuito” e “seria a maior alegria da minha vida”. Tampouco houve aquele discurso do tipo não-queria-nem-ver-tênis. O campeão relatou ter visto várias partidas do US Open de 2013. “É claro que você quer ver os caras e talvez perceber alguns detalhes táticos”, disse. “Não deixei minha mente se afastar porque eu esperava voltara jogar a qualquer hora.” É tão descomplicado que, nos dias de hoje, beira o genial.

Mas a feliz história de Marin Clilc não termina sem um recado. Uma mensagem de inspiração para quem, como ele, passou tanto tempo sem alimentar devidamente o sonho de conquistar um Grand Slam. ”Acho que desta vez, este ano, os caras do segundo escalão tiveram um pouco de sorte porque Andy Murray teve problemas com suas costas; Wawrinka teve altos e baixos depois da Austrália; alguns outros jogadores não jogaram seu melhor o tempo inteiro. E Rafa não está aqui. Então isso abriu o portão para todo mundo. Acho que a competição será muito maior a partir do ano que vem. Sinto que os caras no topo vai puxar os outros, e o tênis vai evoluir muito mais.” Que assim seja. Será divertido.

on September 9, 2014 in New York City.