Saque e Voleio

Roland Garros 2017: o guia delas

Alexandre Cossenza

27/05/2017 15h01

Desfalques, lesões e inconsistência. Num cenário sem Serena Williams (grávida), Maria Sharapova (ranking), Victoria Azarenka (mãe) e com tenistas enfrentando problemas físicos como Simona Halep (tornozelo), Muguruza (pescoço), Wozniacki (costas) e Laura Siegemund (joelho – não joga), a chave feminina de Roland Garros, que nunca foi das mais previsíveis mesmo nas condições normais de temperatura e pressão, tornou-se uma oportunidade gigante para quem conseguir jogar bem nos próximos 15 dias.

Mesmo diante de tanta incerteza, este guiazão feminino tenta analisar chaves e encara o árduo exercício de imaginar o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Paris. Dos ótimos jogos da primeira rodada até as surpresas mais prováveis (ou menos improváveis?). Role a página, embarque nesse exercício e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites no box de comentários.

As quatro cabeças

Não é todo dia que a número 1 do mundo fica fora da lista das cinco mais cotadas a um título, mas é este o caso de Angelique Kerber, que chega a Roland Garros levando nas costas apenas duas vitórias e três derrotas no saibro europeu. Não que seja muito diferente dos resultados anteriores da alemã em 2017. Angie fez apenas uma final – no modesto WTA de Monterrey – e acumulou 19 triunfos e 12 reveses até agora. Muito pouco para quem foi a atleta mais consistente de 2016 e ganhou dois slams assim.

Nem o sorteio ajudou sua causa em Paris. A começar pela estreia contra Ekaterina Makarova que, se não é uma grande saibrista, é uma rival que ninguém gosta de enfrentar. Em um dia bom, todo cuidado é pouco para Kerber. Se vencer, a alemã pode encarar Ostapenko, Puig ou Vinci na terceira rodada; Stosur/Kvitova nas oitavas; e Kuznetsova/Bertens/Zhang/Wozniacki nas quartas. Garbiñe Muguruza é a favorita a estar na semifinal. Caminho duro, não? Somando a fase nada animadora à chave fica fácil entender a pouca fé das casas de apostas em Kerber.

Karolina Pliskova fazia uma ótima temporada em 2017 (quartas em Melbourne, título em Doha, semi em Indian Wells e Miami) até chegar à temporada de saibro. No piso que desfavorece seu jogo reto e de saques potentes, a tcheca perde suas maiores armas. Na terra batida, venceu quatro jogos e perdeu outros quatro. E a número 2 do mundo também ficou fora da lista das cinco mais cotadas ao título.

Se serve de consolo, a chave da tcheca é, digamos, acessível. Zheng na estreia, Alexandrova ou Siniakova na sequência, Davis/Witthoeft/Khromacheva/Parmentier na terceira rodada. Não é a mais dura das primeiras semanas. A coisa complicaria a partir das oitavas, com Vandeweghe ou Pavlyuchenkova (Safarova também está nesse bolo). Mesmo assim, as principais cabeças que podem chegar nas quartas seriam Radwanska e Konta. Svitolina e Halep estão na parte de cima, e espera-se que uma das duas esteja na semifinal. Não é nada impossível que Pliskova vá longe no torneio. Depende do que ela vai conseguir fazer para maximizar suas armas no piso mais lento.

Chegamos, então, à grande favorita: Simona Halep. Sim, a romena, que ainda não tem um título de slam no currículo, é a mais cotada para faturar Roland Garros. E seria mais favorita ainda não fosse por uma lesão no tornozelo sentida na final do WTA de Roma, há uma semana. Na entrevista de sexta-feira, Halep disse que estava melhorando e que esperava estar em condições de competir.

No momento, seu tornozelo é uma incerteza maior do que seu tênis. Halep, afinal, foi campeã em Madri e vice em Roma (quando sentiu a lesão). Além disso, perdeu na semi em Stuttgart para a campeã, Laura Siegemund. É inquestionável que a atual número 4 do mundo (e cabeça 3 em Paris) foi quem mostrou mais tênis até agora no saibro. E sua chave até ajuda na primeira semana, que é justamente o período em que ela pode readquirir confiança no tornozelo. Estreia contra Cepelova e, se vencer, pega Ying-Ying Duan ou Tatjana Maria. Kasatkina é a cabeça de chave que pode estar na terceira rodada. Nas oitavas, Vesnina ou Suárez Navarro.

A lamentar mesmo, como Sheila Vieira disse no podcast Quadra 18 pré-Roland Garros, só o fato de que Elina Svitolina, a campeã de Roma, está no mesmo quadrante. Ou seja, Halep enfrentaria a ucraniana já nas quartas. Só depois pegaria a vencedora do grupo encabeçado por Pliskova e Konta. Diante de tudo isso, não dá para dizer que Halep é uma aposta segura, mas se seu tornozelo não atrapalhar, a romena é certamente o menos inseguro dos palpites para o título.

E o que dizer da atual campeã de Roland Garros, Garbiñe Muguruza? A espanhola atropelou Serena Williams na final do ano passado e, desde então, alternou entre bons resultados e derrotas decepcionantes. Não faz uma final desde então e, para quem tem um jogo com armas tão poderosas, não vem correspondendo às expectativas nem no saibro este ano. Perdeu na estreia em Stuttgart e Madri e foi à semi em Roma, mas oscilando além da conta.

O sorteio lhe colocou diante do jogo mais interessante da primeira rodada: é contra Francesca Schiavone, que não pode ser descartada nunca. A italiana, com 36 anos e atual #76 do mundo, foi campeã em Bogotá e vice em Rabat. Ambos no saibro. Se passar, Muguruza pega possivelmente Kontaveit/Niculescu (cuidado com a romena) na segunda rodada, Putintseva na terceira e Mladenovic/Lucic-Baroni nas oitavas. Está longe de ser um caminho fácil de trilhar. Talvez por isso a espanhola seja apenas a terceira mais cotada ao título.

A melhor história

No fim do ano passado, ela foi assaltada em casa e, quando tentava se defender, terminou com uma lesão séria em um tendão da mão esquerda. Havia a possibilidade de que Petra Kvitova não voltasse a jogar tênis profissional. A tcheca, no entanto, retorna esta semana. Sem grandes expectativas, mas para a felicidade dos fãs e de boa parte do circuito, já que a bicampeã de Wimbledon é uma das figuras mais queridas nos vestiários (e o abraço com o ex-técnico, no tweet abaixo, é imperdível).

É obviamente cedo para esperar algo grande de Kvitova num slam, o que é uma pena porque sua chave lhe permitiria ir longe em uma semana boa. É justamente o mesmo quadrante de Kerber, e ninguém leva muita fé na número 1 desta vez. Ainda assim, o simples retorno já deve ser motivo de festa.

A brasileira

Quem viu o desenvolvimento de Bia Haddad Maia sempre disse: é questão de tempo para ela entrar no top 100 e brigar por coisas grandes. Demorou mais do que o esperado por causa de uma série de lesões, mas ela chegou. Atual número 101, a paulista precisou jogar o quali de Roland Garros e passou sem grande drama. Três jogos em sets diretos. Agora, com 20 anos (completa 21 dia 30 de maio) vai encarar a chave principal pela primeira vez na carreira. Em um momento ótimo e com uma chance interessante.

Bia estreia contra Elena vesnina, atual número 15 do ranking. No papel, um obstáculo duríssimo. No cenário atual, nem tanto. A russa perdeu os últimos quatro jogos que disputou e desde que levantou o troféu em Indian Wells, no início de março, venceu só duas das nove partidas que fez. A brasileira, pelo contrário, fez quartas de final no WTA de Praga, foi campeã do ITF de US$ 100 mil em Cagnes-Sur-Mer e passou pelo quali em Paris. São oito triunfos consecutivos – 13 em 14 confrontos.

Se conseguir aproveitar o embalo e derrubar Vesnina, Bia pega Lepchenko ou Petkovic na sequência e possivelmente Suárez Navarro (perdeu três dos últimos cinco jogos) ou Cirstea na terceira rodada. A paulista pode ir longe sem fazer um milagre. Que ninguém ache um absurdo se isso acontecer.

Os melhores jogos na primeira rodada

Uma das vantagens da imprevisibilidade é que qualquer partida pode se tornar mais interessante logo no primeiro dia do torneio. Só que algumas delas são mais atraentes antes mesmo do começo. É o caso óbvio de Muguruza x Schiavone, duas campeãs de Roland Garros duelando na rodada inicial. É também o caso de Kerber x Makarova.

Vale ficar de olho também em Puig x Vinci e nos óbvios Kvitova x Boserup, ainda que só para ver como será o retorno da tcheca, e Haddad Maia x Vesnina, que deve ser visto com um potencial interessante de zebra. Por fim, é recomendável analisar a forma física da favorita em Halep x Cepelova.

As tenistas mais perigosas que todos estão olhando

Os nomes aqui são Elina Svitolina e Kristina Mladenovic. A ucraniana, número 6 do mundo, foi campeã em Istambul e Roma, onde passou por Pliskova, Muguruza e Halep em sequência. Difícil obter credenciais melhores em um só torneio. Svitolina é dona de um tênis consistente e que funciona bem no saibro, e se Halep não estiver com 100% de condições, tem suas possibilidades ampliadas. Não por acaso, ela é atualmente a segunda favorita ao título nas casas de apostas. E favoritíssima a alcançar as quartas, fase em que encararia Halep.

Mladenovic, cabeça 13, se credenciou após os vices em Stuttgart e Madri. Atual 14ª do ranking, vem no melhor momento da carreira e jogará em casa, com a chata (para os rivais) torcida parisiense a seu lado. O público pode muito bem fazer diferença, ainda mais na chave complicada que a francesa tem este ano. Em seu caminho podem aparecer Lucic-Baroni já na terceira rodada e Muguruza nas oitavas. Se conseguir chegar às quartas. Mladenovic será difícil de segurar…

As tenistas mais perigosas que ninguém está olhando

Grande surpresa do ano passado, quando alcançou a semifinal, Kiki Bertens, como bem lembrado por Aliny Calejon no podcast Quadra 18, volta a Roland Garros no embalo de mais um título em Nuremberg. Em 2016, ela estreou eliminando Angelique Kerber. Agora, como #19 do mundo, chega mais conhecida, mas ainda pouco badalada. E mais: numa chave acessível, onde ela enfrentaria Wozniacki na terceira rodada Kuznetsova/Zhang nas oitavas. É o mesmo quadrante aberto de Kerber, então só deus sabe o que vai acontecer aqui. Bertens é um nome interessante.

Difícil imaginar Genie Bouchard indo longe, anda mais depois de uma lesão no tornozelo, mas o potencial está lá. Não é nada impossível que a canadense avance sobre Ozaki e Sevastova/Beck para chegar a uma terceira rodada contra Madison Keys. E se consistência não é seu forte (muito menos ao longo de duas semanas), Bouchard é capaz de brilhos esporádicos e campanhas como a de Madri, onde bateu Cornet, Kerber e Sharapova.

Já faz alguns anos que ninguém põe muita fé em Svetlana Kuznetsova. Não para ganhar coisas grandes, pelo menos. Só que a russa de 31 anos terminou 2016 em alta e emendou com um vice em Indian Wells. Não convém descartá-la, ainda mais como #9 do ranking e com dois títulos de slam no currículo (inclusive RG/2009). E como Sveta também faz parte do primeiro quadrante (sim, o de Kerber), já viu, né?

Onde ver

O canal Bandsports tem os direitos exclusivos de transmissão em TV fechada. Quem prefere opções “alternativas” pode optar pelos streams oficiais de casas de apostas como a bet365 (se não me engano, é preciso fazer um depósito qualquer com cartão de crédito) ou os piratas do Batman Stream e outros sites.

Nas casas de apostas

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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